quarta-feira, 30 de maio de 2007

SEBASTIÃO MAGALHÃES LIMA



"Sebastião Magalhães Lima e outras individualidades".

Foto, in Arquivo Fotográfico.

J.M.M.

O ESPECTRO DE JUVENAL



"Leitor burguês que lanças mão desta revista, esperando encontrar aqui mais um corretor dos teus negócios, mais um emoliente nas tuas horas de irritação, alguma coisa complementar da chávena de café, tomada ao cair da noite nos botequins (...)

Vós todos que esperais ver surgir mais um apostolo da falsa ordem que mascara a imensa podridão, mais um apologista da Rotina, do Erro e da Mentira, mais um grupo de vendilhões que oferecem boa doutrina em troca de bom emprego:
Passai de largo. Erraste o caminho (...)

Professores primários, empregados públicos, operários modestos, batalhadores obscuros e ignorados de todas as condições e de todos os partidos, que sentis no vosso peito o gérmen dum sentimento nobre, no vosso cérebro o esboço dum pensamento útil e que, algemados e dilacerados pelas grandes provações e pelos grandes preconceitos, careceis de auxilio, de incitamento e de conforto nas vossas lutas: Vinde, disponde da nossa pena"

in, Espectro de Juvenal, nº1 [citado por Archer de Lima, Magalhães Lima e a sua obra], nota de abertura.

Espectro de Juvenal, publicação de critica e sátira publicada em Lisboa, nº 1 (1872) ao nº 5 (1873). Colaboração de Gomes Leal (sai no 3 num), Sebastião Magalhães Lima, Silva Pinto, Guilherme de Azevedo, Luciano Cordeiro (sai no 2º num). Lisboa, Imprensa de Joaquim Germano de Sousa Neves.

J.M.M.

SEBASTIÃO MAGALHÃES LIMA


SEBASTIÃO DE MAGALHÃES LIMA

Nasceu em 30 de Maio de 1851, no Rio de Janeiro e faleceu em Lisboa a 7 de Dezembro de 1928.
Filho de Sebastião de Carvalho Lima, e de sua mulher, D. Leocádia Rodrigues Pinto de Magalhães.

Podem encontrar-se já diversas biografias sobre este propagandista das ideias republicanas em Portugal, em particular através dos diferentes órgãos da imprensa periódica em que colaborou.

O seu papel como jornalista, em particular no Século e na Vanguarda, foi fundamental na afirmação política do Partido Republicano.

Entre as várias biografias já elaboradas podemos dastacar esta, embora não abarque ainda toda a vida deste autor, mas apresenta-a com bastante detalhe. Também o Grémio Lusitano, apresenta uma biografia maçónica desenvolvida.

Podemos ainda encontrar disponíveis algumas obras deste autor aqui ou no BIBRIA, onde é possível encontrar parte significativa da sua produção literária (conjunto de 17 títulos, alguns esgotados ou dificeis de encontrar nas nossas bibliotecas).

Assinalava-se hoje os 156 anos do seu nascimento no Rio de Janeiro.

A.A.B.M.

terça-feira, 29 de maio de 2007

JORNADAS DE MAIO DO CEIS 20


JORNADAS DE MAIO DO CEIS 20

Recebemos a informação de que vai decorrer hoje, em Coimbra, a partir das 10 h, na sede do CEIS 20, no âmbito do grupo de trabalho Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais, liderado pelo Prof. Doutor António Pedro Pita, as jornadas que julgamos do maior interesse para todos aqueles que se interessam pelo fenómeno da cultura, dando particular destaque à investigação, reflexão e questionamento sobre o trabalho desenvolvido pelos investigadores ligados a este centro. Com o seguinte programa:

29 de Maio de 2007: 10h00

Organizadas pelo Grupo de Investigação “Correntes Artísticas e Movimentos Intelectuais”, coordenado pelo Prof. Doutor António Pedro Pita e na sequência do que tem vindo a ser organizado nos últimos anos vão realizar-se mais umas “Jornadas”. O objectivo é o mesmo que tem presidido às sessões anteriores: partilhar a investigação realizada, debater os problemas que surgem, levantar hipóteses, questionar.

Participam os elementos do Grupo:

António Pedro Pita (IR) – “ O ano de 1949”
Isabel Nogueira – “A crítica da arte: conceitos e funções”
Paula Bastos – “Os Manifestos da Renascença Portuguesa – a incomensurabilidade de dois ideários”.
Participam ainda:
Fernanda Maio, Fausto Cruchinho, Paulo Cunha e Paulo Granja.

[foto: José Gomes Ferreira e Teixeira de Pascoaes in CITI (UNL), com a devida vénia]

A.A.B.M.

TERTÚLIAS DA REVISTA HISTÓRIA

TERTÚLIAS DA REVISTA HISTÓRIA

Na próxima quarta-feira, 30 de Maio de 2007, pelas 18.30 h, a professora Alice Samara vai realizar mais um momento de conversa no espaço Fórum da FNAC ao Chiado, em Lisboa.

Desta vez o tema tem directamente a ver com as questões que temos a tratar neste blog, Afonso Costa, um fundador da República, servindo para assinalar também os 70 anos sobre o seu falecimento no exílio.

Esta personalidade marcou de forma incisiva a vida portuguesa no início do século XX, foi um dos líderes políticos mais influentes da 1ª República e, devem-se-lhe algumas das medidas modernizadoras da nossa sociedade. Foi um homem de polémicas e ainda hoje a sua personalidade é tida por muitos como o grande responsável pela decadência da vida política durante a República.

Mais uma interessante iniciativa da Revista História, a que o Almanaque Republicano não podia deixar de fazer referência, com votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

GOMES DA COSTA EM COIMBRA



in, A Choldra, nº19, 5 de Junho de 1926

J.M.M.

AS AMEAÇAS DO FASCISMO EM PORTUGAL


Pouco tempo antes da eclosão do 28 de Maio de 1926, a revolução era anunciada e antecipada em alguns órgãos de comunicação escrita do País.

Pelo conteúdo do texto que se segue, os boatos que circulavam em Portugal, nas vésperas da denominada "Revolução Nacional", faziam adivinhar uma revolta onde até já se sabia quem seriam os líderes, que modelo político iriam seguir e que exemplos procurariam para o nosso País. Muitos não quiseram acreditar, outros preferiram esperar e muitos ainda optaram por calar e, por isso, assim permanecemos durante meio século.

Estas convulsões do passado, estes sinais que iam passando para a opinião pública não foram suficientes para evitar a revolta que assinalamos nesta data, como se a memória do nosso passado não tivesse qualquer tipo de influência no futuro que vamos vivendo de forma desanimada e descrente.

Vejamos o que se dizia num jornal local em Março de 1926:

O Jornal de Portimão, Portimão, 28-03-1926, Ano I, Nº 34, p. 1, col. 2 a 4.

Fascismo?!

Como asa negra fatídica, paira sobre a terra portuguesa a ameaça de uma ditadura de carácter fascista.
Quem a prepara? A Cruzada Nun`Alvares, sob a chefia do Comandante Filomeno da Câmara e do Dr. Martinho Nobre de Melo.
Não sabemos com quem contam os apóstolos da “ideia nova”, mas cremos que o povo português, que sempre tem sabido mostrar a sua ânsia de liberdade, saberá conjurar o perigo que o ameaça naquilo que mais se deve prezar na vida - a liberdade de pensamento!
Inspirados no exemplo sublime de Mussolini e de Primo de Rivera, na sua obra sinistra de coacção e tirania, querem atirar para o país um movimento odioso de opressão, como se a ideia de liberdade dum povo retintamente democrata, pudesse assim algemar-se com irritantismos pedantes e desgraciosos!
Essa massa de povo conservador, que vai ser iludida na sua boa-fé, apoiando talvez esse movimento, supõe, porventura, que o fascismo é a maneira prática de cortar o avanço das ideias de democracia, quando é certo que o fascismo italiano não tem sido mais do que uma imitação, quiçá menos perfeita, do Bolchevismo russo, seu mestre e seu inspirador.
Isto mesmo o afirma Mussolini com as palavras pronunciadas na Câmara italiana:
-“Nós temos na Rússia excelentes professores. Não temos senão que imitar o que está sendo feito na Rússia. Eles - os homens dos soviets - são mestres excelentes; sigamos os seus exemplos.”
(...) A odiosa perseguição na Itália, com espancamentos, reptos, cacetadas, assassinatos, ordenados pelo fascismo, constitui a página mais vergonhosa e revoltante da história dos tempos modernos, a mais odiosa afronta feita aos princípios sagrados da Democracia e da Liberdade de pensamento!
Na Itália tudo tem de ser fascista! Quem o não for, quem não pactuar com a obra de opressão levada a cabo por um homem inteligente que a História registará como um dos maiores inimigos da Humanidade e da Ideia, não pode adormecer com a certeza de que no dia seguinte não terá o prédio destruído ou incendiado!
É esta obra deliciosa, de inefável doçura, que os dirigentes propagandistas da ideia nova nos querem oferecer! É esta infâmia que se quer levar a cabo na terra portuguesa de gente brava e indómita que não se curva a tiranias nem aceita escravidões!
Na Itália, confessemos, há um homem inteligente e forte que muito poderia ter feito de bom; porém, o pouco de bem que porventura tinha feito para o seu país, não pode ser considerado se o compararmos com o grande mal que tem feito à própria Itália e à Humanidade!
Mas em Portugal ainda há-de nascer o discípulo de Mussolini ... O movimento fascista em Portugal guiado por cérebros ocos e pulsos anémicos, será inevitavelmente a eclosão duma era anárquica, em que fascistas e não fascistas, irmanados na mesma febre de banditismo e torpeza, hão-de aniquilar totalmente tudo o que de democracia a política de gamela e compadrio tem deixado realizar!
Isto vai mau, vai péssimo! Mas não confiemos no messianismo fascista.
Dentro das bases da democracia procure-se a regeneração nacional! Prendam-se os criminosos, castiguem-se todas as infâmias e traição à República, à nação e à liberdade individual!
Avancemos! Para traz nem um passo!
“O fascismo é apenas um retorno ofensivo do passado”, escreveu há pouco Raul Proença, o maior e mais sincero jornalista republicano do presente!
Não pode ser perdido todo o esforço feito, todo o sangue derramado em prol da ideia sublime da Liberdade, o grande sol dos espíritos e grande triunfo da inteligência!
O povo português, conservador e não conservador, há-de saber erguer-se no momento do perigo e fazer a sua afirmação de fé inquebrantável nos destinos da Pátria pela acção da Democracia, sacudindo com bravura indómita toda e qualquer espécie de ditadura, quaisquer que sejam os ditadores! (...)


Passos Ponte"

[Para memória futura, como se diz actualmente]

A.A.B.M.

28 DE MAIO DE 1926


28 de Maio de 1926

"Em 28 de Outubro de 1922, em Portugal viviam-se as horas difíceis do pós-guerra e das tristes consequências da insurreição monárquica de 1919 a qual por sua vez, foi o epílogo do consulado sidonista, enquanto em Itália Mussolini ascendia rapidamente ao poder e o 'bluff' da marcha sobre Roma se propagava com foros de verdade incontroversa.

O problema do regime (Monarquia ou República) era o fulcro em torno do qual se desenrolavam ainda os principais episódios da vida política nacional e a derrota dos monárquicos afastara, aparentemente, a hipótese de um retorno ofensivo dos inimigos da República que, entretanto, se digladiavam em lutas caracterizadas por violência crescente.

Essa derrota, porém, em vez de unir os monárquicos agravou as suas divisões, enquanto fenómenos novos, de projecção internacional, entre os quais o advento do fascismo, relegavam para o 2º plano o duelo que, na década de 1910-1920, opusera os portugueses republicanos, de um lado, e monárquicos do outro. Neste contexto, Mussolini e o fascismo, decorriam uma névoa de choques a que os portugueses dos anos que precederam e se seguiram à marcha sobre Roma não atribuíram grande importância, embora ela ocultasse o regresso às actividades conspiratórias dos inimigos da República e da Democracia, enquanto no campo monárquico e no campo católico os inimigos da República se adaptavam à derrota e nela criavam forças para nova ofensiva a qual teve o seu ponto culminante no movimento militar de 28 de Maio de 1926, prólogo do salazarismo …”

[Carlos Ferrão, A História Secreta do Fascismo Português, in Diário Popular, 3/11/76 - sublinhados nossos]

Foto: O marechal Carmona e Oliveira Salazar na abertura solene da Assembleia Nacional (1935), por Amadeu Ferrari, in Arquivo Fotográfico.

J.M.M.

domingo, 27 de maio de 2007

CONFERÊNCIAS DEMOCRÁTICAS DO CASINO


O Programa das Conferências Democráticas do Casino

"Conferências - Em seguida, publicamos o programa das conferências que já anunciámos, e que devem ser feitas no Casino Lisbonense. Começam na próxima segunda-feira, sendo orador o sr. Antero de Quental que fala sobre o espírito das conferências:

Conferências Democráticas estabelecidas na sala do Casino, Largo da Abegoaria

Ninguém desconhece que se está dando em volta de nós uma transformação política, e todos pressentem que se agita, mais forte que nunca, a questão de saber como deve regenerar-se a organização social.

Sob cada um dos partidos que lutam na Europa, como em cada um dos grupos que constituem a sociedade de hoje há uma ideia e um interesse, que são a causa e o porquê dos movimentos.

Pareceu que cumpria, enquanto os povos lutam nas revoluções, e antes que nós mesmos tomemos nelas o nosso lugar, estudar serenamente a significação dessas ideias e a legitimidade desses interesses; investigar como a sociedade é, e como ela deve ser; como as nações têm sido, e como as pode fazer a liberdade; e, por serem elas as formadoras do homem, estudar todas as ideias e todas as correntes do século.

Não pode viver e desenvolver-se um povo, isolado das grandes preocupações intelectuais do seu tempo; o que todos os dias a humanidade vai trabalhando, deve também ser o assunto das nossas constantes meditações.

Abrir uma tribuna, aonde tenham voz as ideias e os trabalhos que caracterizam este momentos do século, preocupando-nos sobretudo com a transformação social, moral e política dos povos;

Ligar Portugal com o movimento moderno, fazendo assim nutrir-se de elementos vitais de que vive a humanidade civilizada;

Procurar adquirir a consciência dos factos que nos rodeiam, na Europa;

Agitar na opinião pública as grandes questões da filosofia e da ciência moderna;

Estudar as condições da transformação política económica e religiosa da sociedade portuguesa;

Tal é o fim das conferências democráticas.

Têm ainda elas uma imensa vantagem, que nos cumpre especialmente notar: preocupar a opinião das ideias, que devem presidir a uma revolução, de modo que para ela a consciência pública se prepare e ilumine, é dar não só uma segura base à constituição futura, mas também, em todas as ocasiões, uma sólida garantia à ordem.

Posto isto, pedimos o concurso de todos os partidos, de todas as escolas de todas aquelas pessoas, que, ainda quando não partilhem as nossas opiniões, não recusam a sua atenção aos que pretendem ter uma acção -embora mínima - nos destinos do seu país, expondo pública mas serenamente as suas convicções, e o resultado dos seus estudos e trabalhos.

Lisboa, 16 de Maio de 1871. - Adolfo Coelho - Antero de Quental - Augusto Soromenho - Augusto Fuschini - Eça de Queiroz, Germano Vieira Meireles - Guilherme de Azevedo - Jaime Batalha Reis - J.P. Oliveira Martins - Manuel de Arriaga - Salomão Sáragga - Teófilo Braga.

Será segunda feira, 22 do corrente, às 9 da noite, a primeira conferência; seguindo-se as outras todas às segundasfeiras, à mesma hora. Entrada 100 réis.

A Revolução de Setembro, 18-V_1871, p. 2 in João Medina, As Conferências do Casino e o Socialismo em Portugal, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1984, p. 70 - 71.

[ Na foto podemos encontrar algumas das personalidades que participaram ou se envolveram com as Conferências do Casino como: Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, António Cândido, Guerra Junqueiro, Eça de Queirós, Luís de Soveral, o conde de Ficalho, Carlos Mayer, Carlos Lobo d'Ávila e o conde de Sabugosa.]

A.A.B.M.

CONFERÊNCIAS DEMOCRÁTICAS DO CASINO LISBONENSE



Por estes dias, há 136 anos, decorriam em Lisboa as famosas Conferências do Casino, onde a intelectualidade portuguesa começava a discutir a democratização e as ideias socialistas que chegavam a Portugal devido à forte influência francesa.

Vejamos então uma carta de Antero de Quental para Teófilo Braga, onde se trata das ideias que estavam em debate na época.

"Temos um programa, mas não uma doutrina; somos associação, mas não igreja: isto é, liga-nos um comum espírito de racionalismo, de humanizaçaõ positiva das questões morais, de independência de vistas, mas de modo nenhum impomos uns aos outros opiniões e ideias, fora do âmbito marcado tão largamente à nossa unidade por esse comumponto de vista. Seremos, em religião, pelo sentimento criador do coração humano, contra os mitos doutrinais das teologias: seremos, em política, pelo governo do povo pelo povo: em sociologia, pela emancipação do trabalho, combatendo as tendências egoístas e esterilizadoras que hoje predominam. Dentro disto, todas as opiniões são perfeitamente livres, assim como todos os assuntos. O nosso fim é produzir uma agitação intelectual na nossa sociedade, lançando em cada semana uma ideia ou duas para o meio desta massa adormecida do público".

Antero de Quental, carta a Teófilo Braga, s.d., in João Medina, As Conferências do Casino e o Socialismo em Portugal, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1984, p. 69

[Note-se a actualidade do pensamento de Antero, mesmo no nosso tempo, Portugal continua a debater-se com problemas semelhantes aos que existiam no último terço do século XIX.]

A.A.B.M.

sábado, 26 de maio de 2007

CADERNOS COLONIAIS


Cadernos Coloniais

Cadernos de temas coloniais, publicados pela Editorial Cosmos [Rua do Mundo, 100, 2º, Lisboa; depois à Rua das Gáveas, 115, Lisboa], inseridos nos curiosos Cadernos Coloniais, nº 1 (s.d.) ao nº 70.

J.M.M.

REVISTA "O TEMPO E O MODO"


O Tempo e o Modo [nº 1, Janeiro 1963 ao nº 126, 1977]

"Uma revista aberta a todos os que, em inquietação e esperança, se debruçam sobre a realidade e o povo português" [Clique na imagem]

J.M.M.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

FRANCISCO JOSÉ TEIXEIRA BASTOS



Nasceu em Lisboa em 26 de Maio de 1856 e faleceu na mesma cidade em 24 de Maio de 1902.
Destacou-se como jornalista e escritor. Adepto da filosofia positivista de Augusto Comte, foi um dos grandes responsáveis pela divulgação das suas ideias em Portugal, acompanhando sempre com grande fidelidade aquele que era o seu mentor: Teófilo Braga.

Estudou no Curso Superior de Letras pelos meados da década de setenta do século XIX, onde foi aluno de Teófilo Braga.

Colaborou em variadas publicações republicanas onde se destacavam o O Século e a Vanguarda, mas era também correspondente do Diário Mercantil de S. Paulo, em Lisboa. Conhecem-se ainda colaborações nas seguintes revistas: Era Nova, Positivismo e Revista de Estudos Livres.

Publicou os seguintes títulos:

- Rumores Vulcânicos (poesia), 1875;
- Progressos do Espírito Humano, 1879;
- Catecismo Republicano para Uso do Povo (colab. com Carrilho Videira), 1880;
- Luís de Camões e a Nacionalidade Portuguesa, 1880;
- Progresso do Espírito, 1880;
- Os Jesuítas, 1880;
- Lira Camoniana, 1880;
- A Marselhesa (trad.), 1881;
- Comte e o Positivismo, 1881;
- Ensaios sobre a Evolução da Humanidade, 1882;
- Princípios da Filosofia Positiva, 1883;
- A Família, 1884;
- Questão Literária, 1885;
- O Ensino da História nos Liceus, 1885;
- Projecto de um Programa Federalista Radical para o Partido Republicano Português, 1886;
- Ciência e Filosofia: Ensaios de Crítica Positivista;
- Teófilo Braga e a sua obra. Estudo Complementar das «Modernas Ideias na Literatura Portuguesa», 1891;
- Ideias Gerais sobre a Evolução da Pedagogia em Portugal, 1892;
- A Crise, 1894;
- Os Padres, 1894;
- Vibrações do Século (poesia), 1895;
- Interesses Nacionais, 1897;
- A Dissolução do Regimen Capitalista, 1897;
- Bolsas de Trabalho, 1898;
- Tribunaes de Arbitros Avindouros, 1898;
- Habitações Operárias, 1898.
- O Primeiro de Maio, 1898;

A conferência Progressos do Espírito Humano, realizada em Tomar, em 26 de Agosto de 1879, por imiciativa do jornal republicano-federal, A Emancipação, realçava as profundas alterações que o mundo vinha a conhecer desde a eclosão da Revolução Francesa, em particular as inovações técnicas que marcavam a época, destacando papel da ciência nos avanços da humanidade. Foi eleito vereador pelo Partido Republicano à Câmara Municipal de Lisboa e foi um dos defensores da criação do Tribunal de Arbitros Avindores.

Participou no Congresso Pedagógico Hispano-Português-Americano, realizado em Madrid, onde apresentou um trabalho intitulado Ideias Gerais Sobre a Evolução da Pedagogia em Portugal.

Foi sócio fundador da Associação da Imprensa Portuguesa e da Associação dos Jornalistas de Lisboa.

Participou de forma directa na organização das comemorações dos centenários de Camões (1880) e do Infante D. Henrique (1894).

Teixeira Bastos acabou por se afirmar como um dos colaboradores mais efectivos na construção republicana e positivista da causa educativa, sendo ainda considerado um dos fundadores das ideias pedagogistas modernas no nosso País.

Bibliografia Consultada:

Luz, José Luís Brandão da, "Orientação Sociológica do Positivismo", História do Pensamento Filosófico Português, dir. Pedro Calafate, vol. IV - tomo I, Círculo de Leitores, Lisboa, 2004, p. 289-296.
Paulo, João Carlos , "José Francisco Teixeira Bastos", Dicionário de Pedagogos Portugueses, dir. António Nóvoa, Asa, Porto, 2003, p. 153- 155 [neste artigo encontram-se mais sugestões bibliograficas para conhecer melhor este autor.]

A.A.B.M.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

TRIGUEIROS DE MARTEL (II)



Trigueiros de Martel II

Acima encontramos o apontamento necrológico do Povo de Aveiro, nº 328, dirigido por Francisco Manuel Homem Christo, publicado no dia 27 de Maio de 1888, página 3, col. 1, que pode ser consultado em BIBRIA.

A.A.B.M.

terça-feira, 22 de maio de 2007

SEMANÁRIO "IMPARCIAL"


Semanário "Imparcial"

Semanário dos estudantes católicos de Coimbra, ligado ao C.A.D.C., [Centro Académico de Democracia Cristã] e seguidor da anterior revista ceadecista Estudos Sociais; Edição e Direcção de Gonçalves Cerejeira (1888-1977), posteriormente D. José Manuel de Noronha, Pestana Reis, Manuel de Lemos e, por fim, Bento Coelho da Rocha; Propriedade e Administração de Carneiro Mesquita; nº1 (22 de Fevereiro de 1912) ao nº 341 (12 de Maio de 1919); Impressão na Tipografia Silva (A Vapor), Aveiro. A redacção era, inicialmente, na Rua da Matemática, passando depois no seu 2º ano para a rua da Trindade, em Coimbra.

O jornal Imparcial é importante para o estudo "tanto dos movimentos católicos, enquanto tais, quer mesmo da forma como estes se organizaram no combate ao regime republicano" [António Rafael Amaro, O Imparcial, um Jornal de Combate (1912-1919)]. A elite ou "nova geração" católica que daí resultou "marcou a linha divisória entre o predomínio das ideias avançadas (entenda-se liberais e socialistas – nota de António R. Amaro) e o das ideias conservadoras" [cf. A. R. Amaro]. O estudo e divulgação de Maurras, a abertura às teses integralistas [que aliás foram introduzidas desde 1908 no circulo do C.A.D.C. (cf. Supra) - vidé ainda na obra citada os conflitos entre o jornal e os monárquicos e integralistas], o seu posicionamento conservador e reacionário [com o qual plenamente se identificavam – vide nº6, Março 1912] revelam o papel de "combate" e de liderança contra "o novo poder republicano". Não por acaso, na passagem do seu 1º aniversário era dito por Manuel Gonçalves Cerejeira que a publicação revelou "uma geração moça confiante no futuro e forte na fé, esperança auroral de uma amanhã mais ditoso” [nº 54, 8 de Abril 1913 - cf. supra].

O periódico dos estudantes católicos conservadores tinha uma mensagem política intencional de "ruptura", doutrinando e organizando os católicos contra as medidas tomadas pela jovem República. Nesta "conquista das almas" contra "o liberalismo, a democracia e o socialismo" [cf. supra], os "imparcialistas" assumem a luta, em 1912, contra as leis laicizadoras (Lei da Separação), ao mesmo tempo que "defendem e reclamam" o aparecimento de uma organização política católica [o Centro Católico Português, aparece em Agosto de 1917, mas havia antes a União Católica que fez eleger dois deputados em 1915] que, curiosamente, haveria de não entrar nas boas graças de Salazar, por mera razão de estratégia de distribuição de poder.

Não espanta, portanto, que este centro político de estudantes católicos, agregados no Imparcial, polemize (1914), por vezes violentamente. Caso de Gonçalves Cerejeira, contra a acusação feita por Bernardino Machado de "provocar conflitos e divisões entre os estudantes" e contra o seu fecho pela Universidade. Do mesmo modo, argumentam contra a posição monárquica a propósito da ida a eleições e da opinião daqueles que viam nisso uma divisão das forças conservadoras. E, como seria de esperar, assumem nas suas páginas a luta contra as leis laicizadoras da República, a Lei de Separação.

Principais colaboradores: Alberto Diniz da Fonseca, António Oliveira Salazar [assina com o pseud. Alves da Silva], Augusto Morna, Bento Coelho da Rocha, Carneiro Mesquita, D. José Manuel de Noronha, Diogo Pacheco de Amorim, Francisco Veloso [assina com o pseud. Éfevê], João de Castro [assina com o pseud. de Ruy], Joaquim Diniz da Fonseca, José Nosolini [assina com o pseud. Val d’Oleiros], Luís Teixeira Neves, [Cardeal] Manuel Gonçalves Cerejeira, Manuel de Lemos, Pestana Reis, Sousa Veloso.

Fonte principal consultada: "O CADC de Coimbra, a democracia cristã e os inícios do Estado Novo (1905-1934)", de Jorge Seabra et al, Colibri, 2000]

J.M.M.

TRIGUEIROS DE MARTEL [? - 1888]


Trigueiros de Martel (N-?; F. 1888)

Uma das personalidades ainda muito pouco conhecidas na História do Partido Republicano em Portugal.

Sabemos que pertenceu à geração de Teixeira de Queirós, Anselmo Xavier e Augusto Rocha, enquanto estudante de Coimbra, nos finais dos anos 60 do século XIX,tendo frequentado o curso de Direito.

Foi um dos fundadores do jornal O Século em 1880, fazendo parte da sociedade que geria o periódico, juntamente com Sebastião de Magalhães Lima , Leão de Oliveira, Teixeira de Queirós e Anselmo Xavier.
Diz, Homem Cristo, nas Notas da Minha Vida e do Meu Tempo, vol III, p. 7: "O melhor de todos era Trigueiros de Martel. De origem nobre, creio eu, em todo o caso de uma família da alta burguesia, esse homem era sinceramente democrata. Se não erro agora, formara-se em direito e havia sido condiscípulo de Anselmo Xavier e Magalhães Lima em Coimbra. Vivendo em Paris, ali casara com uma francesa muito bonita. Vi-a em Lisboa, em casa de Trigueiros de Martel, Rua D. Pedro V. A francesa que não casara com ele por amor, mas por interesse - fisicamente, Trigueiros de Martel era uma fraca figura - empandeirou-o em pouco tempo, regressando alegre a Paris com um bom pecúlio ..."

Colaborou na Galeria Republicana, revista mensal republicana, que se publicou em Lisboa tendo a seguinte ficha técnica:
Editor e Proprietário: João José Batista
Director: Magalhães Lima
Colaboradores: Augusto Rocha, Alexandre da Conceição, Alves da Veiga, António Furtado, Anselmo Xavier, B. Machado, Costa Goodophim, Gomes Leal, G. Benevides, José J. Nunes, J.M. Latino Coelho, Reis Dâmaso, Rodrigues de Freitas, Silva Graça, Silva Lisboa, Teixeira Bastos, Teófilo Braga, Trigueiros de MartelFotografias de António Maria Serra.

Amigo e companheiro de viagens de Magalhães Lima acompanhou-o na visita a Espanha logo no início da década de 70 do século XIX.
Pertenceu ainda como membro dos primeiros Directórios do Partido Republicano.

Publicou:

- A República em Portugal,Typ. Nacional,Lisboa,1886.
- À Borda do Mar,
- A Crise Francesa

A.A.B.M.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

EFEMÉRIDES DE MAIO (II)

Dia 16


1832 - Mouzinho da Silveira decreta a obrigatoriedade do Registo Civil.
1906 - É eleita a Comissão Paroquial Republicana de Santa Cruz (Coimbra).
1907 - Realiza-se uma importante reunião republicana no Teatro S. Carlos para proceder à análise da situação política da ditadura de João Franco.

Dia 17
1832 - Mouzinho da Silveira ordena a supressão dos conventos de religiosas e religiosos nos Açores.
1907 - É eleita a Comissão Municipal Republicana de Aveiro.

Dia 18
1882 - Fundação das Escolas Móveis pelo Método João de Deus, organização muito acarinhada pelo Partido Republicano.
1903 - Reunem no Centro Democrático Português, os cidadãos republicanos da freguesia de S. Paulo (Lisboa), afim de elegerem a Comissão Municipal Republicana.
1904 - Inauguração, em Lisboa, na Rua Alexandre Herculano, da nova sinagoga israelita.
1907 - Realiza-se no Tribunal da Boa-Hora o julgamento do diário O Mundo, tendo patrocinado a defesa deste jornal o ilutre advogado republicano Alexandre Braga.

Dia 19
1906 - Em Gouveia, realiza-se uma reunião preparatória para organização do Partido Republicano local.
1906 - São eleitas, no Porto, as Comissões Paroquiais Republicanas de Campanhã, Foz do Douro, Bonfim, Miragaia, Lordelo do Ouro, Santo Ildefonso, Paranhos e Victória.
1907 - No Centro Eleitoral Republicano realiza-se uma importante reunião, composta na sua maioria de caixeiros viajantes.
1907 - Inaugura-se em Coimbrões (Gaia), o Centro Republicano Latino Coelho.

1907 - Solene investidura de Sebastião de Magalhães Lima como Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido.

1908 - O General Dantas Baracho, na Câmara dos Pares, apresenta uma proposta de abolição do decreto de 18 de Abril de 1901, procurando retomar a legislação anteriormente em vigor sobre a abolição das ordens religiosas, estabelecendo novamente o registo civil obrigatório e defendendo a separação da Igreja e do Estado, a supressão do subsídio aos padres do Espírito Santo, dispensando-os também da actividade de missionação nas províncias ultramarinas.

Dia 20
1861 - Nasce em Vila Real o ilustre jornalista republicano Alves Correia.
1897 - A Comissão Municipal Republicana de Lisboa envia às Comissões Paroquiais e à imprensa um manifesto.

Dia 21
1888 - Morre o incansável propagandista João Baptista Correia.

Dia 22
1881 - Reunião na Póvoa de Varzim, em casa de João Ferreira Baptista, resolvendo-se fundar naquela vila [na época] o Centro Republicano Federal Povoense, e nomeando-se uma comissão para tratar da respectiva instalação.
1884 - Funda-se o Centro Republicano Federal Povoense.
1888 - Morre em Lisboa o Dr. Trigueiros de Martel, um dos sócios fundadores do jornal republicano O Século e antigo membro do Directório.

Dia 23

1875 - Morre o Duque de Loulé, Nuno José Severo de Mendonça Rolim de Moura Barreto, antigo combatente das tropas liberais, presidente da Câmara dos Pares.
1881 - Sai no Porto o primeiro número do diário republicano A Folha Nova, um dos jornais mais combativo pelo ideal de democracia, redigido por Emídio de Oliveira.
1907 - A Associação do Registo Civil reforma os seus estatutos. Colaboraram na elaboração do novo estatuto os cidadãos: Macedo de Bragança, Silva Fernandes, Manuel Mendes de Almeida, Júlio Martins Pires, José Hemitério de Sousa Jordão, José Alvaro de Oliveira e Alfredo Carvalho dos Santos.
1907 - O Dr. Bernardino Machado realiza uma conferência no Centro Republicano de que é patrono.

Dia 24
1901 - Morre o escritor e publicista Teixeira Bastos, discípulo de Teófilo Braga. Publicou entre outras obras o Jesuíta e o Progresso do Espírito Humano.
1900 - É apreendido pela autoridade o jornal Pátria.
1903 - Manuel de Arriaga realiza uma conferência, a convite da Academia de Estudos Livres, na Associação dos Logistas de Lisboa.
1906 - São eleitas as Comissões Paroquiais Republicanas de Massarelos, Aldoar e Arcozelo.

Dia 25
1879 - Publica-se, no Porto, o primeiro número do semanário socialista O Operário.
1903 - Reune a Comissão Municipal Republicana de Lisboa, sob a presidência de João Gonçalves.
1903 - Foi também eleita a Comissão Municipal Republicana do Carvalhido.

Dia 26

1874 - Morre Joaquim António de Aguiar, conhecido como "O Mata-Frades", foi o ministro que decretou a extinção de todas as ordens religiosas em Portugal.
1892 - Morre o propagandista Francisco Maria de Sousa Brandão.
1907 - Realiza-se em Lisboa um grande comício, contra a marcha política do Governo.
1907 - As Comissões Municipal e Paroquiais do Porto, sob a presidência de Pedro Osório, aprovam uma moção de simpatia ao Dr. Afonso Costa.

Dia 27
1834 - Joaquim António de Aguiar publica o decreto a extinguir as ordens religiosas em Portugal.
1871 - Inauguração, em Lisboa, das célebres Conferências do Casino.
1899 - Apresenta-se às autoridades o jornalista João Chagas, afim de prestar fiança por 15 processos, contra ele instaurados por abuso de liberdade de expressão.
1906 - É eleita a Comissão Municipal Republicana de Lamego.

Dia 28
1873 - Nasce em Paranhos, o Dr. João José de Freitas, advogado, professor no Liceu de Braga e membro substituto do Actual Directório.
1882- Comício académico, realizado em Lisboa, para protestar contra o procedimento do governador civil. Este protesto foi posteriormente enviado, sob a forma de requerimento, ao Parlamento.
1890 - Em Coimbra, realiza-se uma manifestação anti-clerical, em homenagem a Joaquim António de Aguiar.
1901 - É suprimida a Liberdade, onde colaboravam Carlos Olavo, Máximo Brou e Carlos Amaro.
1908 - O Grupo de Propaganda Liberal, de Setúbal, promove uma sessão de homenagem a Nakens, jornalista espanhol, que tinha saído da cadeia.

Dia 29
1879 - Comício realizado em Lisboa, no Teatro do Princípe Real, a fim de requerer acerca da falta de trabalho dos manipuladores de tabaco.
1898- Morre em Condeixa, o venerando apóstolo do movimento associativo, Abílio Roque de Sá Barreto.
1899 - Assinala-se o primerio aniversário do falecimento do ilustre republicano Leão de Oliveira.
1901 - É suprimido o jornal republicano A Liberdade.

1906 - O professor Carlos Cruz, secretário da Associação do Registo Civil sai da cadeia, indultado pelo governo de João Franco.Este cidadão encontrava-se preso por ofensas à religião e tinha sido condenado a vinte meses de cadeia.

Dia 30
1851 - Nasce no Rio de Janeiro, Sebastião de Magalhães Lima.
1901 - Reaparece A Liberdade, órgão dos estudantes republicanos da capital, com o título A Marselhesa.
1907 - Em Alcobaça realiza-se uma grande manifestação de apoio a Bernardino Machado.
1908 - A Junta Federal do Livre Pensamento festeja o aniversário de Voltaire.


Dia 31

1878 - Os republicanos federais portugueses celebram o centenário de Voltaire.
1881 - É instalada em Lisboa a Suprema Câmara do Rito Simbólico, que se havia formado a 27 de Maio.
1885 - Realiza-se, no Porto, um cortejo cívico em honra de Victor Hugo.
1908 - O Grupo Republicano França Borges promove uma manifestação em honra do Dr. Magalhães Lima.
1908 - A assembleia geral da Associação das Escolas Móveis elege Casimiro Freire seu presidente honorário.

A.A.B.M.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

A MAÇONARIA NO DISTRITO DE PORTALEGRE


A Maçonaria no Distrito de Portalegre

Tomamos recentemente conhecimento do lançamento deste novo estudo do Prof. Catedrático de História, Doutor António Ventura, que exerce a sua actividade docente e de investigação na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Este estudo de âmbito regional, circunscrito ao distrito de Portalegre, permite-nos conhecer as figuras que, na região, estiveram ligadas à Maçonaria entre 1903 e 1935, ou seja, acompanha o período que antecede a implantação da República, toda a fase da 1ª República até à ilegalização das sociedades secretas durante o Estado Novo.

No total, este estudo inclui quase três centenas de biografias, muitas acompanhadas de fotografias. A par de nomes como João Camoesas, Adelaide Cabete, Vitória Pais Madeira, Arnaldo Brazão, Eusébio Leão e Jorge Frederico Velez Caroço, surgem dezenas de homens e de mulheres que saem, desta forma, de um esquecimento a que estavam condenados

Este livro constitui um olhar sobre a Maçonaria em Portugal numa perspectiva regional. Também neste caso, cremos que a multiplicação de estudos localizados e delimitados regional e cronologicamente permitirá, no futuro, construir um quadro mais rigoroso da implantação, acção e influência da Maçonaria em Portugal.

O livro é publicado pela Editora Caleidoscópio, com o patrocínio do Governo Civil de Portalegre e da Câmara Municipal de Portalegre, e com o apoio do Instituto Alexandre Herculano da Faculdade de Letras de Lisboa, e das Câmaras Municipais de Arronches, Fronteira, Elvas, Gavião e Marvão.

Vão realizar-se duas sessões de apresentação desta obra, primeiro em Portalegre, no dia 26 de Maio, pelas 15. 30 horas, no Centro de Congressos da Câmara Municipal de Portalegre (antigo Colégio de São Sebastião).
No dia 28, realizar-se-á nova apresentação, pelas 18. 30 horas, no Grémio Lusitano, Rua do Grémio Lusitano nº 25, em Lisboa.

Lembramos que, o Prof. Doutor António Ventura, é natural de Portalegre, onde nasceu em 1953, já possui uma vasta bibliografia onde se destacam os seguintes títulos:

- Subsídios para a História do Sindicalismo Rural no Alto Alentejo: 1910-1914, 1976;
- Inventário da imprensa de Portalegre (1833-1870) [catálogo], 1980;
- José Frederico Laranjo: trinta anos de política, 1984;
- José Régio em Portalegre, 1984;
- Origens do 1º de Maio em Portalegre: 1890 - 1900, 1986;
- O Imaginário Seareiro. Ilustradores e Ilustrações da Revista «Seara Nova», 1990;
- José Régio - Correspondência, 1994;
- António Sérgio e José Régio - um convívio epistolar, 1994;
- Entre a República e a Acracia. O Pensamento e a Acção de Emílio Costa, 1994;
- José Frederico Laranjo, 1997;
- Anarquistas, Republicanos e Socialistas: as convergências possíveis (1892-1919), 2000;
- Memórias da Resistência. Literatura Autobiográfica da resistência ao Estado Novo, 2001;
- A Carbonária em Portugal (1897-1910), 2004;
- D.Miguel e o Fim da Guerra Civil.Testemunhos, 2006;
- Um Olhar Feminino Sobre Portugal, 2007.

Um trabalho certamente marcado pelo rigor e pela clareza, que muito contribuirá para conhecer melhor a Maçonaria e sua organização no início do século XX.
Recomendamos está obra a todos aqueles que gostam de História Contemporânea de Portugal.

A.A.B.M.

SALAZAR - MINISTRO DAS FINANÇAS


Salazar - Ministro das Finanças a 4 de Julho de 1926

Foto: Oliveira Salazar, Mendes dos Remédios (1867-1932) e Manuel Rodrigues (1889-1946), no dia da posse de Salazar como Ministro das Finanças [4/06/1926)

J.M.M.

terça-feira, 15 de maio de 2007

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS


Livros censurados durante a Ditadura Militar e o Estado Novo

Maria Luísa Alvim, no âmbito do seu trabalho em Ciências Documentais na FLUP, disponibiliza on line (em pdf) o seu trabalho bibliográfico sobre os Livros portugueses proibidos no Regime Fascista (1992). Curioso o registo das diferentes obras que a censura do Estado Novo retirou da circulação, "nas tipografias, nas casas editoras, nas livrarias, nas casas particulares". Por serem considerados "subversivos, prejudiciais à segurança do Estado e contra os bons costumes", as peças eram retirados da circulação e posteriormente destruídas. [via Passado-Presente]

Foto: as "Três Marias", isto é Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta.

As "Três Marias" publicaram o livro "Novas Cartas Portuguesas" (1972), editado por Romeu de Melo na "Estúdio Cor" e sob patrocínio de Natália Correia. Como não havia censura prévia a livros, só posteriormente à sua distribuição nas livrarias é que a obra - prosa e poemas no feminino ou, se quisermos, de características feministas - foi retirada do mercado por "atentado contra a moral pública", dado ter sido considerado "pornográfico". Por isso, foram acusadas e levadas a tribunal. Foi pedido pelo juiz a "prisão preventiva" das escritoras, tendo Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta pago uma caução para o efeito, enquanto Maria Isabel Barreno, por não ter os 15 contos que na altura lhes eram pedidos, ficou em "liberdade vigiada". As três escritoras sofreram ignóbeis perseguições pessoais e profissionais. O caso, que deu origem a um "processo judicial famoso", foi acompanhado pela imprensa mundial e pelas organizações de mulheres, que consideraram um "escândalo" a situação de intimidação e persecução que existia sobre as escritoras e a liberdade de imprensa. A leitura da sentença, marcada para o tribunal da Boa-Hora, foi ironicamente realizada só depois do 25 de Abril de 1974, tendo o caso sido arquivado.

[pode ler a notícia sobre o caso das "Três Marias", na revista Flama, aqui on line]

J.M.M.

EDUARDO FRIAS [1895-1975]



Nascido em Lisboa, em 12 de Junho de 1895, com o nome completo de Eduardo Olímpio Beleza Frias, frequentou o curso na Escola Industrial Afonso Domingues. Começou a colaborar em jornais, particularmente nos ligados à corrente anarco-sindicalista, como A Batalha (jornal diário, redactor principal Alexandre Vieira, Lisboa, 23-02-1919 a 26-05-1927) na Renovação (revista quinzenal, dirigida por Gonçalves Vidal e Alexandre de Assis, Lisboa, 2-07-1925 a 15-06-1926) e na Imprensa Livre (Lisboa, 21-07-1921 a 4-11-1921).
Regista-se depois uma evolução no seu pensamento político aderindo ao nacional-sindicalismo, tendo sido director do semanário que se publicou em Faro, O Nacional-Sindicalista. Mais tarde, integrou a corrente corporativista e a defesa do Estado Novo, de que se tornou um fiel seguidor. Foi representante do Instituto Nacional do Trabalho em Beja.
Trabalhando na função pública, serviu ainda como redactor dos serviços de Publicidade e Turismo da Administração do Porto de Lisboa.

Conhecem-se as suas colaborações nos seguintes jornais: A Verdade (Lisboa, 1919 a 1932), Diário da Manhã (Lisboa, 04-04-1931 a 31-01-1971), Diário Nacional (Lisboa, 27-02-1947 a Janeiro de 1984), Diário da Tarde (Lisboa, 2-04-1925 a 5-08-1927); A Informação (Lisboa, 17-07-1926 a 03-02-1927), A Gazeta (Lisboa, 18-04-1929 a 19-07-1930), Manifesto, Acção Popular, A Situação (Lisboa, 7-03-1927 a 16-12-1930), A Palavra (Lisboa, 24-07-1922 a 14-11-1922), Portugal (Lisboa, 23-08-1926 a 20-03-1927), A Vitória, O Tempo (Lisboa, 05-10-1918 a 07-03-1935), O Século (Lisboa, 04-01-1880 a 12-02-1977), Magazine Bertrand, A Capital, Correio da Manhã, Diário dos Açores, A Voz.

E nas seguintes revistas: ABC (publicação dirigida por Rocha Martins, Lisboa, 15-06-1920 a Março de 1940), Acção (Lisboa, 30-05-1936 a 16-06-1938); Cultura (revista dirigida por Campos Lima, Lisboa, Março de 1929 a Julho de 1930); A Esfera (Lisboa, 1940-1945);Fradique (revista dirigida por Tomás Ribeiro Colaço, Lisboa, 8-02-1934 a 26-12-1935); A Hora (revista dirigida por Ferreira de Castro, Lisboa, 12-03-1922 a 13-04-1922); Ilustração, Ilustração Portuguesa, Lisboa Galante (número único, publicado em Lisboa em Maio de 1929, com redacção de Rebelo de Bettencourt); Momento (Lisboa, publicação quinzenal, 15-12-1932 a Abril de 1938, dirigida por Fernando Leiro e Francisco Leão); Revista Portuguesa (dirigida por Vítor Falcão, Lisboa, 10-03-1923 a 13-10-1923); Suplemento Literário e Ilustrado da Batalha (dirigido por Carlos José de Sousa e Carlos Maria Coelho, Lisboa, 2-12-1923 a 31-01-1927); Terras de Portugal (dirigida por Gomes Barbosa, Lisboa, 1925 a 1935).

Realizou diversos trabalhos de reportagem que marcaram a época, onde se destaca o relato da entrada na jaula dos tigres no Coliseu dos Recreios, em 1925.

Publicou as seguintes obras: O Homem Inédito, 1923; Triunfo da Arte; A Boca da Esfinge (novela escrita em parceria com Ferreira de Castro), 1924; Inferno Branco, romance, 1928; Das Antigas Corporações ao Actual Estado Corporativo; Mil Pensamentos de Adolf Hitler, 1941; História duma Gota de Água, 1943 (livro infantil, em colab. com Francisca do Carmo Costa Frias, sua esposa); A Outra Verdade; Entrevistas com o Ditador Desconhecido; O Porto de Lisboa no Reinado de D. Carlos; O Porto de Lisboa inspirador de Artistas.

Faleceu em Lisboa em 15 de Fevereiro de 1975 com 79 anos.

A.A.B.M.

domingo, 13 de maio de 2007

SALAZAR E A "REVOLUÇÃO NACIONAL"


Salazar - 'As diferentes forças políticas em face da Revolução Nacional'

"... Os que fundaram a União Nacional tinham em mente promover uma grande reforma política, económica e social do País e com ela e por meio dela resolver os maiores problemas ou preparar-se para enfrentar as maiores dificuldades (...) Nos vários sectores da politica portuguesa, deformada pela noção de partido, nem sempre se tem feito uma ideia exacta do que queremos e daquilo que eles próprios representam ou podem significar na orgânica do Estado futuro (...)

A causa monárquica tem ainda no País força considerável. A sua importância provém da tradição, das deficiências de funcionamento do regime republicano e do facto de, em quase todas as suas correntes, constituir, num País fundamentalmente conservador, uma autêntica força conservadora: todas as reacções contra a demagogia tiveram de ter a sua colaboração ou o seu apoio (...)

A agremiação denominada Centro Católico ou seja a organização independente dos católicos para trabalharem no terreno politico, vai revelar-se inconveniente para a marcha da Ditadura (...) e estaria naturalmente indicado que a sua actividade se dirigisse à acção social (...)

O processo da democracia parlamentarista está feito; a sua crise é universal; supõem ainda alguns que esta é passageira e provocada pelas dificuldades igualmente transitórias do presente momento; os restantes crêem que findou para sempre a sua época.

A Ditadura Nacional, precursora em mais de um ponto dum largo movimento de renovação política, declarou dissolvidos os partidos; estavam porém neles, pode-se dizer, as maiores forças políticas da Nação. Alguns homens públicos tiveram a intuição do momento e vieram colaborar com a Ditadura; muitos alhearam-se, cuidando que a roda da fortuna os reporia no seu lugar ou que um entendimento com os governos os traria de novo à actividade politica; muitos seguiram clara ou encapotadamente o caminho das conspirações e das revoltas e têm sido sucessivamente reduzidos pelo Exercito à impotência (...)

A todos os que são nossos ou desejam sê-lo havemos de dizer, claro e alto, em nome da Nação a reconstruir, que às forças da Ditadura se exige disciplina, homogeneidade, pureza de ideal (...)

[Oliveira Salazar, 'As diferentes forças políticas em face da Revolução Nacional', discurso pronunciado em 23 de Novembro de 1932, no acto de posse dos corpos directivos da União Nacional, in Discursos, Vol. I 1928-34 - sublinhados nossos]

J.M.M.

OLIVEIRA SALAZAR


Oliveira Salazar

"A serenidade com que Salazar dominou o tempo, imprimindo-lhe a sua marca já agora indelével, seria porém incompreensível se não traduzisse uma vontade de ferro. Uma vontade constante, que não quebra, não dobra, nem sequer vacila. Uma vontade que vai fazendo o seu curso por entre os acontecimentos, atenta às oportunidades de agir e procurando não as desperdiçar. É essa vontade resoluta, servida por um altíssimo sentido de autoridade, que tem constituído o mais sólido alicerce da sua obra gigantesca. Vontade serena, pois: a vontade de um homem de pensamento que sabe o que quer e para onde vai ..."

[Marcelo Caetano, Discurso em 1958, in Vida Mundial, nº1530, 4/10/68]

"Inteligente sem maleabilidade, religioso sem espiritualidade, ascético sem misticismo, este homem é de facto um produto duma fusão de estreitezas: a alma campestremente sórdida do camponês de Santa Comba só se alargou em pequenez pela educação do seminário, por todo o inumanismo livresco de Coimbra, pela especialização rígida do seu destino desejado de professor de Finanças. É um materialista católico (há muitos), um ateu-nato que respeita a Virgem.

Para governar um país como chefe, falta-lhe, além das qualidades próprias que fazem directamente um chefe, a qualidade primordial - a imaginação. Ele sabe talvez prever, ele não sabe imaginar. Ele mesmo mostrou desdém por aquilo a que chamou 'os sonhadores nostálgicos do abatimento e da decadência' (Discurso de Salazar de 21-II-1935). A frase não é clara; e as suas frase, sempre nítidas, raramente são claras. Não se sabe se os sonhadores nostálgicos sonham com abatimento e decadência, ou se são os sonhadores que vivem em abatimento e decadência que sonham nostalgicamente não se sabe muito bem de quê. Retenhamos o essencial - o tom e o estilo da frase, cuja aplicação política escapou aliás a todos.
Ele odeia os sonhadores, não, note-se bem, porque são sonhadores, mas simplesmente porque sonham (...)"

[in História de Portugal, coord. de João Medina - sublinhados nossos)

J.M.M.

sábado, 12 de maio de 2007

RAUL PROENÇA E O OPERARIADO


"Como é triste a gente olhar para toda a parte e não ver ninguém! Apenas os dirigentes operários (de ordinário tão estreitos e facciosos) tomaram nesta emergência uma atitude que os honra, e que seria uma lição, se neste país houvesse gente com cabeça para aprender. Em face da ameaça das direitas sem programa e com os apoios que se conhecem, o operariado compreendeu que é do seu próprio interesse não exigir medidas catastróficas, e é o primeiro a propor uma plataforma e um programa mínimo perfeitamente exequíveis. Diante do perigo iminente, abate as suas bandeiras. Nesta hora duvidosa em que tantos parecem engeitar a solidariedade para com os operários, eu saúdo-os como a única força que soube manter-se firme e digna, como os únicos que se mostraram dispostos a compreender e a transigir. Que importa aqueles que por medo os repudiam com gritos lancinantes, como se governar com o seu apoio se tornasse suspeito à gente da ordem? Na hora de tibieza que corre - na hora dos traidores e dos poltrões -, por inteligência e por decoro, é para eles que vai a minha simpatia"

[Raul Proença, in Seara Nova, 28/05/25, aliás in Alberto Pedroso, Raul Proença: panfletário e jornalista de folhas clandestinas, Lisboa, sep. do Diário de Lisboa, nº 21 453, 10/05/1984]

J.M.M.

O FASCISMO


Capa do panfleto de Raul Proença «O Fascismo e as suas repercussões em Portugal», separata do artigo publicado na Seara Nova, nº 77 de 6 de Março de 1926.

[foto e texto - in Alberto Pedroso, Raul Proença: panfletário e jornalista de folhas clandestinas, Lisboa, sep. do Diário de Lisboa, nº 21 453, 10/05/1984]

J.M.M.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

BERNARDINO MACHADO


Curso de Antropologia de Bernardino Machado - Univ. Coimbra 1905

[via Arquivo Manuel Machado Sá Marques, com o nosso agradecimento]

J.M.M.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

FRANCISCO MARIA DE SOUSA BRANDÃO [1818-1892]


FRANCISCO MARIA DE SOUSA BRANDÃO

Em 11 de Maio de 1818, nascia no lugar de Murtosa, freguesia de Mosteiro, concelho da Feira, o filho de Manuel de Sousa Ferreira Brandão. Sendo de uma família de tradições liberais, foi educado por familiares eclesiásticos que o aconselharam a seguir a carreira das armas. Realizou os primeiros estudos no seminário de Lamego, cursando Humanidades.

Assentou praça como voluntário em 26-02-1834, tendo participado em varios combates durante as guerras liberais em Portugal, como o de Santo Tirso, na Lixa, na ponte de Amarante, na Barra do Pocinho, na Ponte de Castro Daire e na Batalha da Asseiceira. Pertencente à divisão do conde de Vila Flor, que acompanhou atá à assinatura da Convenção de Évora Monte. Em 1835 ascende a aspirante e em 1837 foi promovido a alferes. Frequenta a Academia Politécnica do porto entre 1837 e 1840, mais tarde estuda na Escola do Exército até 1842. Promovido a tenente em 21-09-1843, foi demitido em Fevereiro de 1844 por estar implicado na tentativa de revolta de Torres Novas.

Vive exilado no estrangeiro, primeiro em Espanha e depois em França, onde frequenta a Escola de Pontes e Calçadas. Foi reintegrado no exército em Maio de 1846, tendo obtido autorização para continuar em Paris a estudar. Estudos que veio a terminar em 1847. Regressa a Lisboa em Janeiro de 1848, e, em 1849 foi enviado em comissão de serviço para o Ministério do Reino como encarregado de obras na província de Trás-os-Montes e mais tarde em Viseu.

Estando em Paris quando se assistiu à denominada Revolução de 1848, em que Luís Filipe foi derrubado pela acção dos republicanos. O engenheiro Francisco Maria Sousa Brandão ficou muito impressionado por estas acontecimentos que o levaram a afirmar desde bastante cedo as suas ideias democráticas, que o vão acampanhando ao longo da vida.

Em 1854 foi encarregado de elaborar o estudo sobre o projecto de caminho-de-ferro de Coimbra ao Porto. Em 1855 foi um dos homens que colaborou nos trabalhos preliminares da linha férrea de Lisboa a Santarém, com um conjunto de engenheiros ingleses.

Em 29-04-1851 era capitão, em 15-12-1868 foi promovido a major efectivo do Corpo de Estado Maior, em 15-04-1874 a tenente-coronel, em 21-01-1876 a coronel e em 05-03-1890 foi promovido a general de divisão.

Pertenceu com José Elias Garcia ao Grupo do Pátio do Salema, juntamente com Gilberto Rola e Saraiva Carvalho. Foi também um dos fundadores do Partido Republicano em 25 de Março de 1876, tendo participado no jantar realizado no palacete da Rua do Alecrim, juntamente com Mendes Monteiro.

Sousa Brandão pertenceu por duas vezes ao Directório do partido Republicano, uma logo em 03-04-1876 e outra em 22-12-1887. A partir de Janeiro de 1891 passou a integrara a denominada Junta Consultiva do Partido.

Foi eleito deputado pelo círculo da Feira em 1865-1868.

Fundou juntamente com Lopes de Mendonça e Vieira da Silva Junior o jornal O Eco dos Operários, considerado o primeiro periódico socialista em Portugal. Foi também um dos fundadores da Associação dos Operários em 27-06-1850, a que se lhe segue o Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, cujos estatutos de 1853, foram redigidos por Sousa Brandão.

Esteve também na origem da fundação do Banco do Povo, instituição bancária criada para proteger os pequenos industriais.

Conhecem-se também as suas colaborações no Progresso.

Casou com Maria do Carmo Almeida.

Era condecorado com a medalha das Campanhas da Liberdade e com a comenda da Ordem de Cristo.

Veio a falecer em Lisboa em 26 de Maio de 1892.

Publicou: Economia Social. Primeira Parte. O trabalho, Lisboa, 1857.

A.A.B.M.

JORNAL "A LOCOMOTIVA" [1883-1884]



A Locomotiva

Este jornal, trisemanário, que se começou a publicar em Aveiro, em 15 de Maio de 1883, era propriedade de Carlos Faria, que também o dirigia e contava com um naipe de colaboradores assinalável, onde pontificavam como correspondentes literários: Gervásio Lobato (Lisboa), Luís Magalhães (Porto) e Alexandre da Conceição (Coimbra). Colaboravam: Agostinho Pinheiro, Albano Coutinho, Alfredo Vieira, Alves da Veiga, António Cândido Ribeiro da Costa, António Feijó, A.F. Araújo e Silva, Augusto Fuschini, Augusto Rocha, Camilo Castelo Branco, Carlos Lobo d´Avila, Conde de Samodães, Francisco Caldeira, Francisco Regala, J. Honorato Regala, Jaime de Magalhães Lima, Jaime Victor, Joaquim de Vasconcelos, Lourenço de Almeida e Medeiros, Luís Guimarães, Marques Gomes, Mello Freitas, Monteiro Ramalho, Oliveira Martins, A. Pequito, Sebastião de Magalhães Lima, Teixeira de Queirós, Tomás Ribeiro, Visconde de Benalcanfor e Visconde de Ouguela.

Esta publicação que era um órgão dos empregados do Caminho de Ferro Portugueses, mas com uma feição muito próxima do Partido Republicano, que se pode observar pelo conjunto dos colaboradores.

Segundo os dados existentes na BN, publicaram-se 100 números até ao seu desaparecimento em 1 de Janeiro de 1884.

Curiosamente, quem quisesse consultar este periódico nesta instituição viria a sua pesquisa bastante dificultada, pois as duas colecções do jornal que são referenciadas encontravam-se estragadas. Agora a situação pode ser ultrapassada com a consulta online do mesmo aqui.

A.A.B.M.

terça-feira, 8 de maio de 2007

REVISTA "ORDEM NOVA" [1926-1927]


Ordem Nova

Revista Mensal Anti-Moderna, Anti-Liberal, Anti-Democrática, Anti-Burguesa e Anti-Bolchevique. ORDEM NOVA Contra-Revolucionária; Reaccionária; Católica, Apostólica e Romana; Monárquica; Intolerante e Intransigente; Insolidária com Escritores, Jornalistas e quaisquer profissionais das letras, das artes e da imprensa. Lisboa, Ano I, nº 1 (Março de 1926) ao nº 12 (Fevereiro de 1927). Director: Marcello Caetano.

Redactores fundadores: Albano Pereira Dias de Magalhães e Marcello Caetano. Secretario e editor: J. Fernandes Júnior. Redacção: Rua do Norte, 57, Coimbra. Administração: Largo do Directório, 8, 3º, Lisboa. Propriedade de José Fernandes Júnior

Colaboração: A. Rodrigues Cavalheiro, Adriano Pimenta da Gama, Afonso Domingues, Afonso Lopes Vieira, Albano Pereira Dias de Magalhães, Alberto Baptista Alvares, Albino Neves da Costa, Amadeu Pereira, António Gonçalves Rodrigues, António Sardinha, César de Oliveira, Domingos de Gusmão Araújo, José Augusto Vaz Pinto, José Luís da Silva Dias, José Manuel da Costa, Leão Ramos Ascenção, Marcello Caetano, Manuel Múrias, Mário de Albuquerque, Nuno de Montemór, Pedro Teotónio Pereira, Ribeiro da Silva.

"E para que não restem duvidas nenhumas sobre o que nos queremos, parece-nos oportuno formular o mais claramente possível as directrizes da nossa acção.
A atitude política da 'Ordem Nova' – Entendemos que a mudança de regime só é possível e será fecunda quando haja um escol capaz de impor à Nação os princípios salvadores, - isto é, capaz de estender a todos os benefícios que nos espíritos seleccionados tenha produzido a reforma intelectual e moral em que andamos empenhados.
Não escondemos a nossa simpatia pelo ‘Integralismo Lusitano’ cujas doutrinas inteiramente perfilhamos. Sustentamos, no entanto, que só depois de constituído o núcleo central, só depois de conseguida a minoria inteligente e activa, se poderá adoptar a fórmula 'Em primeiro lugar, a política' (...)
” [A. Neves da Costa, Pensamentos, palavras & obras, nº 1, Março de 1926]

"O conservador tem da ordem unicamente o conceito policial e, conhece só os efeitos da desordem, porque a sofre fisicamente no seu corpo e haveres, mas infelizmente não tem o conhecimento correlativo das causas que geram a desordem. Por isso o conservador é o homem que preconiza a politica de panos quentes e de papas de linhaça, de preferência a uma politica cirúrgica de bisturi, é o homem que barafusta sobre a situação actual e não dá um passo para sair dela porque não está orientado para isso (...) Este bom burguês acredita em tudo que seja meias-tintas, tem horror ao que ele chama estupidamente o extremismo e mal aparece no seu horizonte uma besta superior em quantidade, logo salta de satisfação, chamando-lhe seu salvador, pondo-se de joelhos na sua frente, servindo-o e admirando-o babado de gozo.
É principalmente esta fauna conservadora que cria e sustenta os Messias que para aí aparecem (...)" [José Luís da Silva Dias, nº 2, Abril de 1926]

"Violou-se a lei [Constituição de 1911, derrubada pelo 28 de Maio de 1926] sem hipocrisia, sem máscara. Ninguém pode negar aos ditadores uma coragem moral e um desassombro que os partidos políticos nunca tiveram (...) É por isso que aplaudimos a violação de quantas leis sejam necessárias violar, conquanto que se faça justiça ..." [Marcelo Caetano, nº 11, Janeiro de 1927]

J.M.M.

MARCELO CAETANO, MÁRIO DE FIGUEIREDO E LOPES DE ALMEIDA


Marcelo Caetano, Mário de Figueiredo e Lopes de Almeida

Na foto: Mário de Figueiredo (1890-1969), prof. direito da U.C, membro do CADC, da União Nacional e deputado, Ministro da Justiça (1928-29) e da Educação (1940-44), presidente da assembleia Nacional (1961) fazendo a saudação fascista; do lado esquerdo Manuel Lopes de Almeida (1900-1980), historiador e prof. da FLUC, deputado da UN (1937), Ministro da Educação (1961-62); do lado direito, fardado, Marcelo Caetano.

J.M.M.

domingo, 6 de maio de 2007

EFEMÉRIDES DO MÊS DE MAIO (I)

Dia 1

1873 - Começa a publicar-se em Coimbra o semanário republicano Republica Portuguesa, fundado por Alves da Veiga.
1890 - Assinala-se pela primeira vez em Portugal as comemorações do 1º de Maio.
1896 - Realiza-se a eleição para a Comissão Municipal Republicana de Ourique.
1899 - No Porto começa a publicar-se o jornal republicano Folha Nova, dirigido pelo ex-tenente Manuel Maria Coelho.

Dia 2
1860 - Sai em Lisboa o primeiro número do jornal de cariz democrático A Política Liberal, nome que resultou da fusão de dois jornais anteriormente existentes A Discussão e o Futuro.
1903 - O Dr. João de Meneses realiza uma conferência no Grémio Democrático Eleitoral, em Arroios.

Dia 3


1886 - É colocada à venda a primeira edição do poema de Gomes Leal, O Anti-Cristo.
1886 - Pelo Grande Oriente Lusitano Unido são decretados uma nova Constituição e um novo Regulamento Geral da ordem.
1906 - Reune a Comissão Paroquial Republicana dos Anjos (Lisboa), onde se resolve oferecer um bodo a 100 pobres, para assinalar a votação alcançada pelos deputados do povo na última eleição.

Dia 4
1895 - Começa a publicar-se em Bragança o semanário republicano A Voz da Pátria.

1906 - Chega a Lisboa o Dr. Bernardino Machado. A polícia agride a população de forma brutal junto à estação de comboio.
1907 - O governo proíbe a inauguração do Centro João Chagas no Porto.

Dia 5
1901 - Realiza-se uma manifestação cívica no cemitério de Camarate em homenagem ao livre pensador Eduardo Augusto Pinto, secretário da Associação do Registo Civil e autor do Guia do Registo Civil.
1907 - O jornal O Mundo inicia uma subscripção pública a favor da libertação dos presos na noite de dia 4 de Maio. O Dr. Bernardino Machado, realiza na sala do Centro Eleitoral Republicano, uma manifestação de protesto contra a eleição do Peral.

Dia 6
1895 - Começa a publicar-se em Coimbra o jornal republicano O Defensor do Povo.
1880 - Comício operário realizado em Lisboa, onde se aprova uma representação que defendia as ideias proteccionistas, resultante desta moção, Rodrigues de Freitas, apresenta no Parlamento um discurso em que defendia o prteccionismo.
1890 - Realiza-se o primeiro casamento civil em Tomar.
1897 - Reune a Comissão Municipal Republicana de Lisboa, tomando conhecimento das adesões das comissões da província aos trabalhos para realização do congresso geral do partido. Reune também a assembleia geral do Centro Fraternidade Republicana.
1907 - É julgado, sendo absolvido, o redactor da Voz Publica, Lopes Teixeira.

Dia 7
1882 - Realiza-se no Porto uma manifestação de homenagem ao Marquês de Pombal.Em Coimbra realizou-se um comício anti-jesuítico no Teatro Académico, onde se pedia aos poderes públicos o cumprimento severo da lei de 3 de Setembro de 1759 (decreto de expulsão dos Jesuítas de Portugal) e do decreto de 28 de Maio de 1834 (decreto que declara a extinção de todas as ordens religiosas).
1907 - O Gabinete Negro processa dezassete artigos de O Mundo.

1907 - Funda-se a Sociedade das Escolas Liberais. No Porto, são acusados de delito de imprensa, os srs. Alfredo de Magalhães, Duarte Leite e Henrique Cardoso.

Dia 8
1881 - Sai em Lisboa o primeiro número do semanário republicano A Marselhesa.
1881 - Inaugura-se na rua da Bela Vista, freguesia da Graça, nº 152 (Lisboa), o Centro Republicano Club Borges Carneiro.
1882 - Centenário da Morte do Marquês de Pombal. Realiza-se um grande cortejo cívico em Lisboa. No Porto realizam-se manifestações contra o jornal A Palavra, provocadas pelo suplemento que muitos consideraram agressivo para a memória do estadista português. Ainda em Coimbra, António Cândido, elemento de destaque da Igreja, realiza na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, o elogio da mesma personalidade. Por seu lado, em Lisboa, lançava-se a primeira pedra para a construção do monumento a Sebastião José de Carvalho e Melo, ao cimo da Avenida da Liberdade.
1882 - Funda-se em Lagos o Centro Eleitoral Democrático Lacobrigense, presidido por José António Bourquin Brak-Lamy.
1882 - Começa a publicar-se em Lisboa o semanário democrático A Época.
1892 - Trasladação dos restos mortais do poeta Xavier de Paiva.
1901 - O Partido Republicano reune para tratar da questão religiosa.
1905 - Realizam-se, em Lisboa, as comemorações do segundo centenário do nascimento do poeta António José da Silva, O Judeu. Estas comemorações foram promovidas pela Associação do Registo Civil e constaram, entre outras realizações, de uma conferência realizada por Teófilo Braga no Ateneu Comercial.

Dia 9
1897 - Reune o Clube Republicano Gomes Freire de Andrade.
1903 -
1908 - O médico Estevão de Vasconcelos apresenta no Parlamento o projecto de lei sobre acidentes de trabalho.

Dia 10
1895 - Morre Alexandre Braga (Pai), ilustre advogado, irmão do poeta e livre pensador Guilherme Braga e autor de algumas obras anti-clericais como O Bispo e Os Falsos Apóstolos.
1896 - Funda-se no Porto a Associação Propagadora da Lei do Registo Civil.
1907 - O governo de João Franco começa a governar em ditadura, dissolvendo as cortes.

Dia 11
1818 - Nasce Francisco Maria de Sousa Brandão, militar, precursor das ideias republicanas e defensor do movimento associativo.
1870 - Publica-se em Lisboa o primeiro número do jornal democrático A República, redigido por Antero de Quental, Eça de Queirós, Batalha Reis, Joaquim Pedro de Oliveira Martins e António Ennes.
1884 - Realiza-se no Chalet do Rato, em Lisboa, um comício contra a assinatura do Tratado do Zaire.
1901 - É apreeendido o jornal A Liberdade.

1907 - Manuel de Arriaga realiza uma conferência para inaugurar as Escolas Maternais, que decorre na Associação dos Lojistas, em Lisboa.

Dia 12
1880 - Publica-se o primeiro número do semanário republicano A Vanguarda.
1884 - A Associação Liberal Portuense protesta contra a representação da Associação Católica de Lisboa, em que esta pedia o restabelecimento das ordens religiosas.
1906 - O Dr. António José de Almeida é intimado a comparecer no Juizo de Instrução Criminal, tornando-o responsável por quaisquer motins populares. É eleita a Comissão Paroquial Republicana de Coimbra.
1907 - Realiza-se no Cartaxo um importante comício republicano. São eleitas as Comissões Municipais Republicanas de Beja e da Mealhada.

Dia 13
1900 - Inaugura-se o Grémio Republicano Concentração Liberal.
1904 - Morre no Porto o militante socialista Viterbo de Campos, propagandista do movimento operário. Foi enterrado civilmente.

1904 - Magalhães Lima realiza uma conferência em Lisboa subordinada ao tema A República e o Socialismo.
1908 - Afonso Costa discursando no Parlamento, reclama a revogação de legislação sobre as ordens religiosas, como o decreto de 18 de Abril de 1901, da autoria de Hintze Ribeiro; a lei de 21 de Julho de 1899, da autoria de José Maria d'Alpoim; a revogação dos artigos 130 e 135 do Código Penal (vigente na época) sobre supostos delitos contra a religião.

Dia 14
1897 - Publica-se o acordão da Comissão de Justiça da Grande Loja do Grande Oriente Lusitano Unido, condenando 3 três maçons das lojas Tolerância 1ª e Regeneradora nº3, absolvendo-se os restantes acusados.
1897 - Reune a Comissão Municipal Republicana encarregada da reorganização das comissões paroquiais republicanas de Lisboa.
1900 - O jornal republicano A Pátria é querelado.
1901 - Chega a Lisboa o Alferes Malheiro, um dos chefes militares da revolução de 31 de Janeiro.
1903 - Reunem no Centro Democrático Português os cidadãos republicanos, da freguesia de Santa Catarina.
1903 - É eleita a Comissão Paroquial Republicana da Freguesia de S. Miguel.

Dia 15
1881 - Tentativa de inauguração do Centro Almadense Eleitoral Republicano, em Cacilhas, na Rua da Oliveira, nº 19. Porém, a autoridade administrativa do concelho intimou para a dissolução da assembleia o que provocou a publicação de um protesto que foi reproduzido por vários jornais republicanos da época.
1883 - Começa a publicar-se em Aveiro o tri-semanário republicano A Locomotiva.

A.A.B.M.