segunda-feira, 30 de abril de 2007

GOVERNO PROVISÓRIO


Posse do governo Provisório e do general António de Spínola como presidente da República no palácio de Queluz

Foto de Armando Serôdio, in Arquivo Fotográfico

J.M.M.

GOVERNO PROVISÓRIO - 16 DE MAIO DE 1974


Governo Provisório – 16 de Maio de 1974

- Primeiro-Ministro: Prof. Adelino da Palma Carlos
- Ministros sem Pasta: Dr. Álvaro Cunhal, Prof. Doutor Francisco Pereira de Moura, Dr. Francisco Sá Carneiro
- Ministro da Defesa Nacional: Tenente-coronel do C.E.M. Mário Firmino Miguel
- Ministro da Coordenação Interterritorial: Dr. António de Almeida Santos
- Secretário de Estado da Administração: Dr. Deodato Nuno de Azevedo Coutinho
- Secretário de Estado dos Assuntos Económicos: [Fernando de Castro Fontes - ver comentário abaixo]
- Ministro da Administração Interna: Dr. Joaquim Jorge Magalhães Mota
- Ministro da Justiça: Dr. Francisco Salgado Zenha
- Subsecretário de Estado da Administração Judiciária: Dr. Armando Bacelar
- Ministro da Coordenação Económica: Dr. Vasco Vieira da Almeida
- Secretário de Estado das Finanças: Dr. José da Silva Lopes
- Subsecretário de Estado do Orçamento: Dr. António Costa Leal
- Subsecretário de Estado do Tesouro: Dr. Artur Luís Alves Conde
- Secretário de Estado do Planeamento Económico: Dr. Vítor Manuel Ribeiro Constâncio
- Secretário de Estado da Indústria e Energia: Eng. José de Melo Torres Campos
- Secretário de Estado da Agricultura: Dr. Alfredo Esteves Belo
- Secretário de Estado do Comércio Externo e Turismo: Dr. Emílio Rui da veiga Peixoto Vilar
- Secretário de Estado do Abastecimento e Preços: Dr. Nelson Sérgio Melo da Rocha Trigo
- Subsecretário de Estado das Pescas: (não designado)
- Ministro dos Negócios Estrangeiros: Dr. Mário Soares
- Ministro do Equipamento Social e Ambiente: Prof. Eng. Manuel Rocha
- Secretário de Estado das Obras Públicas: Eng. Pedro Nunes
- Secretário de Estado dos Transportes e Comunicações: Eng. Manuel Ferreira Lima
- Secretário de Estado da Habitação e Urbanismo: Arq. Nuno Portas
- Secretário de Estado da Marinha Mercante: Vice-almirante António Tierno Bagulho
- Subsecretário de Estado do Ambiente: Arq. Gonçalo Ribeiro Teles
- Ministro da Educação e Cultura: Prof. Eduardo Correia
- Secretário de Estado da Administração Escolar: Eng. José Manuel Correia Prostes da Fonseca
- Secretário de Estado dos Assuntos Culturais e Investigação Científica: Prof. Drª Maria de Lurdes Belchior Pontes
- Secretário de Estado dos Desportos e Acção Social Escolar: Dr. António Avelãs Nunes
- Secretário de Estado da Reforma Educativa: Dr. Orlando de Carvalho
- Ministro do Trabalho: Avelino António Pacheco Gonçalves
- Ministro dos Assuntos Sociais: Dr. Mário Murteira
- Secretário de Estado da Saúde: Dr. António Galhordas
- Secretário de Estado da Segurança Social: Drª Maria de Lurdes Pintassilgo
- Ministro da Comunicação Social: Dr. Raul Rego

[in Governo Provisório Homens e Programa, Ministério da Comunicação Social, Lisboa, Maio de 1974, p. 23-24]

J.M.M.

AS VÉSPERAS E A ALVORADA DE ABRIL - SEIXAS DA COSTA



«Memórias de uma revolução, notas de uma época em que os portugueses reconquistaram a liberdade perdida e a voz, amordaçada, retratos dos ambientes e dos eventos que colocaram o país nas primeiras páginas dos noticiários internacionais, constituem o fio condutor de "As Vésperas e a Alvorada de Abril", livro da autoria do embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, que será lançado nesta quarta-feira, 25 de abril, em Brasília.

Com chancela da 'Thesaurus', do editor Vítor Alegria, " As Vésperas e a Alvorada de Abril" é apresentado no dia em que se comemora o 33º aniversário da Revolução dos Cravos, que pôs termo a meio século de ditadura em Portugal.

O livro, com fotos de Alfredo Cunha e Carlos Gil - dois nomes importantes da fotografia portuguesa do século XX -, recolhidas nas ruas de Lisboa, no dia 25 de Abril de 1974, leva-nos, pela mão de Seixas da Costa, à vida lisboeta nos meses que antecederam a Revolução de Abril, com notas sobre o ambiente político, militar, intelectual e acadêmico que então se vivia.

Nas palavras de Seixas da Costa, o livro procura ser, também, 'um agradecimento ao Brasil, país em cuja generosidade foi possível, em todos os tempos, encontrar acolhimento para quantos portugueses para aqui vieram à procura da liberdade e da esperança.'»

[in Portugal Digital - sublinhados nossos]

J.M.M.

domingo, 29 de abril de 2007

O 28 DE MAIO, OITENTA ANOS DEPOIS


O 28 de Maio Oitenta Anos Depois: contributos para uma reflexão.

O CEIS 20, apresenta no próximo dia 2 de Maio de 2007, pelas 18 h, no Café-Teatro do Teatro Académico de Gil vicente (Coimbra) a obra que resultou do interessante colóquio realizado em Maio de 2006, coordenado pelo Prof. Doutor Luís Reis Torgal, e onde foram apresentadas as comunicações que foram reunidas nesta obra.

Estarão presentes a Prof. Dra. Manuela Tavares Ribeiro, actual Coordenadora do CEIS 20, a coordenadora do Instituto de História e Teoria das Ideias da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e o Director do Teatro Académico de Gil Vicente, bem como o Prof. Dr. António Ventura que procederá à apresentação da obra.

Para mais informações ver aqui.
Mais uma obra publicada por este centro de investigação.
A ler com toda a atenção, mais estes contributos para a história deste acontecimento que assinalou 80 anos no ano passado.

A.A.B.M.

sábado, 28 de abril de 2007

27 ABRIL DE 1974: OS TRÊS ÚLTIMOS PRESOS POLÍTICOS


Os três últimos presos políticos

"A liberdade definitiva só chegou às 20 e 45 de ontem [27/04/74] para três dos presos políticos da Cadeia do Forte de Peniche. A essa hora, o major Azevedo, mandatário da Junta de Salvação Nacional, comunicou a Francisco Martins Rodrigues, Rui Pires de Carvalho d’Espinay e Filipe Viegas Aleixo que podiam abandonar livremente a casa onde lhes fora fixada residência (…)

Francisco Martins Rodrigues e Rui d’Espinay, de 46 e 31 anos, respectivamente, foram condenados a 19 anos e a 17 anos de prisão maior por serem dirigentes do Comité Marxista-Leninista Português e da Frente de Acção Popular, as primeiras organizações clandestinas que em Portugal seguiram uma linha política de tendência maoista. Exercendo a sua actividade política na clandestinidade, no interior do País, Francisco Martins Rodrigues e D’Espinay identificaram como agente provocador um elemento da PIDE, Mário Mateus, que procurava infiltrar-se naquelas organizações, e executaram-no a tiro, em Outubro de 1965. Foi o então chamado «crime de Belas». Mário Mateus, que trabalhava em ligação com o agente da PIDE de nome Cleto, lograra dar à polícia secreta pista para a prisão de João Pulido Valente, também dirigente daquelas organizações políticas revolucionárias, e libertado ontem (…)

Condenado à revelia num tribunal comum por ter participado com o capitão Henrique Galvão no assalto ao «Santa Maria», em Fevereiro de 1961, Filipe Viegas Aleixo exilou-se em França, donde partiu com Hermínio da Palma Inácio, no grupo da Liga de União e Acção Revolucionária que pretendia, em Agosto de 1968, tomar a cidade da Covilhã. Este grupo foi interceptado na zona de Moncorvo, pouco de pois de entrar em território nacional, e os seus componentes entregues à Direcção-Geral de Segurança. Torturado na Rua António Maria Cardoso, Filipe Aleixo foi condenado pelo Plenário do Porto a 19 anos de prisão maior, recolhendo depois ao Forte de Peniche donde, devido à sua idade, já não esperava sair com vida: saiu com 59 anos (…)"

[in, Diário de Lisboa, 28 de Abril de 1974 - via Almocreve das Petas]

J.M.M.

27 ABRIL DE 1974: LIBERTOS DOS PRESOS DA PRISÃO DE PENICHE



Na madrugada do dia 27 de Abril: Ângelo Veloso / António Cândido Coutinho / António Gervásio / António Gonçalves Tomás / António Metelo Perez / Carlos Cardoso Gonçalves / Carlos Domingos Soares da Costa / Carlos Saraiva da Costa / Dinis Miranda / Filipe Viegas Aleixo (*) / Francisco Manuel Cardoso Braga Viegas / Francisco Martins Rodrigues (*) / Garcia Neto / Horácio Rufino / João Duarte de Carvalho / João Eurico Bernardo Fernandes / João Pulido Valente / Joaquim Duarte «Alfaiate» / José Brasido Palma / José Manuel Caneira Iglésias / José Pedro Correia Soares / José Simões de Sousa / Licínio Pereira da Silva / Luís Filipe Fraga da Silva / Luís Miguel Vilã / Manuel Drago / Manuel Pedro / Nelson Rosário dos Anjos / Pedro Campos Alves / Pedro Mendes da Ponte / Raul Domingos Caixinhas / Rui Benigno Paulo da Cruz / Rui d'Espinay (*) / Rui Teves Henriques / Sebastião Lima Rego

Nota: os presos políticos assinalados com (*) só ficaram em liberdade definitiva já na noite desse dia, sendo que até esse momento estiveram em residência fixa em casa dos seus advogados.

J.M.M.

26 ABRIL DE 1974 - JORNAL "DIÁRIO DE LISBOA"



Capa do Jornal Diário de Lisboa (Lisboa) do dia 26 de Abril de 1974 (Sexta-Feira).

Título: Caxias caiu - Libertos os presos - Detida a DGS/PIDE

De facto, pelas 23,30 horas, o Tenente Nunes chega à prisão-forte de Caxias com a ordem de libertação de todos os presos políticos, que ali estavam detidos. O que se verificou ao longo da madrugada do dia 27 de Abril.

Presos em Caxias: Abel Henriques Ferreira / Acácio Frajono Justo / Albano Pedro Gonçalves Lima / Álvaro Monteiro Rodrigues Pato / Amado de Jesus Ventura Silva / António Luís Cotri / António Manso Pinheiro / António Manuel Gomes Rocha / António Pinheiro Montero / António Vieira Pinto / Armando Mendes / Carlos Alberto da Silva Coutinho / Carlos Biló Pereira / Carlos Manuel Oliveira Santos / Carlos Manuel Simões Manso / Ernesto Carlos Conceição Pereira / Eugénio Manuel Ruivo / Ezequiel Castro e Silva / Fernando Piedade Carvalho / Fernando Domingues Roque / Fernando José Penim Redondo / Fernando Nunes Pereira / Fernando Pinheiro Correia / Figueiredo Filipe / Henrique Manuel P. Sanchez / Hermínio Palma Inácio / Horácio Crespo Pedrosa Faustino / Ivo Bravo Brainovic / João Boitout de Resende / João Duarte Pereira / João Filipe Brás Frade / João Pedro de Lemos Santos Silva / Joaquim Brandão Osório de Castro / Joaquim Gorjão Duarte / José Adelino da Conceição Duarte / José Alberto Costa Carvalho / José Casimiro Martins Ribeiro / José Ferreira Fernandes / José Luís Saldanha Sanches / José Manuel Martins Estima / José Manuel Tengarrinha / José Oliveira da Silva / José Rebelo dos Reis Lamego / Liliana de São José Teles Palhinhas / Luís Filipe Rodrigues C. Guerra / Luís Manuel Vítor dos S. Moita / Manuel Gomes Serrano / Manuel José Coelho S. Abraços / Manuel Martins Felizardo / Manuel Miguel Judas / Manuel Policarpo Guerreiro / Manuel Santos Guerreiro / Marcos Rolo Antunes / Margarida Alpoim Aranha / Maria Fátima Pereira Bastos / Maria Elvira Barreira Ferreira Maril / Maria Fernanda Dâmaso de Almeida Marques Figueiredo / Maria Helena Neves / Maria Helena Vasconcelos Nunes Vidal / Maria Manuela Soares Gil Maria Rodrigues Morgado / Maria Rosa Pereira Marques Penim Redondo / Maria Ventura Henriques / Maria Vítor Moita / Mário Abrantes da Silva / Mateus Branco / Miguel António Jasmins Pereira Rodrigues / Norberto Vilaverde Isaac / Nuno Teotónio Pereira / Orlando Bernardino Gonçalves / Pedro Mendes Fernandes Rodrigues Filipe / Rafael dos Santos Galego / Ramiro Antunes Raimundo / Ramiro Gregório Amendoeira / Vítor Manuel Caetano Dias / Vítor Manuel Jesus Rodrigues / Vítor Serra Lopes

Presos na Prisão-Hospital de Caxias: António Dias Lourenço / José Alves Tavares Magro / Miguel Camilo / Rogério Dias de Carvalho

J.M.M.

26 ABRIL DE 1974 - JORNAL "REPÚBLICA"


26 de Abril de 1974 - Jornal República

Capa do Jornal República (Lisboa) do dia 26 de Abril de 1974 (Sexta-Feira).

Título: O Programa do Movimento

- Extinção imediata da D.G.S., Legião e A.N.P.
- Amnistia imediata para os presos políticos
- Abolição da censura e exame prévio
- Reorganização e saneamento das forças armadas
- Comabte eficaz contra a corrupção
- Permitida a formação de «Associações políticas»
- Luta contra a inflação e a alta do custo de vida


J.M.M.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

OS HOMENS QUE REALIZARAM O 25 DE ABRIL 1974


OS HOMENS QUE REALIZARAM O 25 DE ABRIL

(DESDE O INÍCIO DA CONSPIRAÇÃO – 29 DE JUNHO DE 1973 - AO DIA 25 DE ABRIL DE 1974)


Nota Importante: Os nomes dos oficiais que prepararam o golpe e o lideraram serão apresentados por ordem alfabética, sempre que possível, ou pelas patentes e apelidos com que eram conhecidos na época.

- Adelino Matos Coelho
- Adérito Figueira
- Alberto Ferreira
- Almada Contreiras
- Almeida Bruno
- Almiro Canelhas
- Américo Henriques
- Andrade e Silva
- Antero Ribeiro da Silva
- Armando Marques Ramos
- Artur Pita Alves
- Avelar de Sousa
- Banazol
- Bicho Beatriz
- Canto e Castro
- Carlos Beato
- Carlos Camilo
- Carlos Campos Andrade
- Carlos Fabião
- Casanova Ferreira
- Correia de Campos
- Costa Brás
- Costa Correia
- Costa Lemos
- Costa Neves
- Delgado da Fonseca
- Dinis de Almeida
- Ernesto Melo Antunes
- Eurico Corvacho
- Falcão de Campos
- Fausto Almeida Pereira
- Ferreira de Sousa
- Fialho da Rosa
- Fisher Lopes Pires
- Franco Charais
- Garcia Correia
- Garcia dos Santos
- Hugo dos Santos
- Jaime Neves
- Joaquim Correia Bernardo
- José Fontão
- José Maria Azevedo
- José Valle de Figueiredo
- Luís Costa Macedo
- Luís Pessoa
- Luís Sá Cunha
- Machado de Oliveira
- Manuel Duran Clemente
- Manuel Monje
- Mariz Fernandes
- Martins e Silva
- Mendes Pereira
- Miquelina Simões
- Moreira de Azevedo
- Mourato Grilo
- Neves Rosa
- Nuno Pinto Soares
- Nuno Santos Ferreira
- Otelo Saraiva de Carvalho
- Pais de Faria
- Pedro Lauret
- Pezarat Correia
- Pinheiro de Azevedo
- Pinto Soares
- Ponces de Carvalho
- Rodrigo Sousa e Castro
- Rosado da Luz
- Rosário Simões
- Rui da Costa Ferreira
- Salgueiro Maia
- Sanches Osório
- Santos Silva
- Sobral Lopes
- Tavares de Almeida
- Tenente Assunção
- Teófilo Bento
- Vasco Lourenço
- Victor Crespo
- Vítor Carvalho
- Victor Alves
- Vidal Pinho
- Virgílio Varela
- Cap. Faria
- Cap. Gil
- Cap. Novo
- Ten. Carvalhão

[Observação final: como era importante saber os dados biográficos destes homens, naturalidades, livros que escreveram, jornais onde colaboraram ou dirigiram, onde decorreu a carreira militar, profissões que exerceram. Na maior parte dos casos, as biografias destes homens estão por fazer, muitos afastaram-se ou foram afastados pelo evoluir dos acontecimentos e seguiram outras carreiras profissionais, alguns são constantemente lembrados, outros foram ficando esquecidos com o passar do tempo e tal situação não deveria acontecer, na nossa humilde opinião.]

[em actualização]

A.A.B.M.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

25 ABRIL DE 1974 - JORNAL "DIÁRIO DE LISBOA"


25 de Abril de 1974 - Jornal Diário de Lisboa

Capa do Jornal Diário de Lisboa (Lisboa) do dia 25 de Abril de 1974 (Quinta-Feira).

Título: O Movimento das Forças Armadas prosseguirá na sua acção libertadora

J.M.M.

25 ABRIL DE 1974 - JORNAL "REPÚBLICA"


25 de Abril de 1974 - Jornal República

Capa do Jornal República (Lisboa) do dia 25 de Abril de 1974 (Quinta-Feira).

Título: As Forças Armadas tomaram o poder. Pelo Povo e pelas suas liberdades

J.M.M.

SALGUEIRO MAIA


Salgueiro Maia entrevistado por Adelino Gomes

J.M.M.

25 ABRIL DE 1974 - JORNAL "A CAPITAL"


25 de Abril de 1974 - Jornal A Capital (p.2)

J.M.M.

25 ABRIL DE 1974 - JORNAL "A CAPITAL"


25 de Abril de 1974 - Jornal A Capital

Capa do Jornal A Capital (Lisboa) do dia 25 de Abril de 1974 (Quinta-Feira).

Título: Golpe Militar 'Movimento das Forças Armadas' Desencadeia Acção de Madrugada.

J.M.M.

DIA DE PORTUGAL


25 de Abril de 1974 - Dia de Portugal

Capa da revista Portugal Informação

J.M.M.

terça-feira, 24 de abril de 2007

OS TRIBUNAIS PLENÁRIOS


Os Tribunais Plenários

Um Tribunal Plenário no julgamento de um preso político.

Desenho de Dias Coelho, com a devida vénia da Fundação Mário Soares

J.M.M.

EXAME PRÉVIO - COMISSÃO DE CENSURA


Exame Prévio - Comissão de Censura

Foto: capa da revista Vértice proibida pela Comissão de Censura, existente durante o Estado Novo.

J.M.M.

OS QUE ARRANCARAM EM 28 DE MAIO DE 1926


A revolução recebeu inicialmente apoio de variadas facções, de anarco-sindicalistas a católicos, passando por seareiros, integralistas, republicanos conservadores e monárquicos, mas cujos líderes foram sucessivamente devorados (primeiro Cabeçadas e depois Gomes da Costa), até se atingir a estabilidade com Carmona, muito devido ao apoio do Ministro das Finanças, Oliveira Salazar que, pouco a pouco, emergiu como verdadeiro líder. Com efeito, Gomes da Costa, Cabeçadas e Carmona foram as três principais figuras durante três meses. Gomes da Costa iniciou o movimento revoltoso em Braga, às 6 horas da manhã do dia 28, enquanto em Lisboa, uma Junta de Salvação Pública, liderada pelo Almirante Cabeçadas, lançou uma manifesto. No dia 29, depois da guarnição de Lisboa aderir a Gomes da Costa e de Carmona, que se encontrava em Elvas, assumir o comando da 4ª divisão, instalada em Évora, já o governo de António Maria da Silva apresentou a demissão. No dia 30, Mendes Cabeçadas aceitou o convite de Bernardino Machado para assumir a presidência do ministério e a pasta da marinha, acumulando interinamente todas as outras pastas, enquanto Gomes da Costa determinou que todas as forças militares avançassem sobre Lisboa. No dia 31, por ordem do ministro da guerra, foi encerrado o Congresso da República, enquanto Bernardino Machado apresentou a sua demissão perante aquele que fora obrigado a nomear presidente do ministério, Mendes Cabeçadas.


- General Gomes da Costa (Nasce em Lisboa em 14-1-1863, comandante militar do CEP durante a I Guerra Mundial, adere ao movimento revolucionário só a 25 de Maio de 1926, apesar de ter sido convidado em Fevereiro desse ano por Mendes Cabeçadas; em 17 de Junho desse ano depõe Mendes Cabeçadas e a 9 de Julho ele próprio é deposto por Fragoso Carmona; a 11 de Julho parte para o exílio nos Açores; regressa a Lisboa em 21 de Novembro de 1927 e morre a 17 de Dezembro de 1929)



- Almirante José Mendes Cabeçadas (Nasce em Loulé a 19-8-1883, republicano, fundador da República, iniciado na Maçonaria em Lisboa, na Loja Pureza, com o nome de Adamastor em 4-4-1911; em 19-7-1925 revolta-se a bordo do cruzador Vasco da Gama; em Março de 1926 adere à União Liberal Republicana de Cunha Leal; na mesma altura contacta o general Alves Roçadas para liderar o movimento militar que estava a ser preparado; em 31-5-1926 recebe de Bernardino Machado o poder presidencial e de chefe de governo; em 1945 adere ao MUD; em 14-7-1947 é reformado compulsivamente e em 22-6-1947 é preso acusado de presidir à Junta Militar que tentara realizar o golpe frustrado de 10 de Abril; morre em Lisboa em 11-6-1965).


- Óscar Fragoso Carmona(Nasce em Lisboa a 24-11-1869; apoia Sidónio Pais durante o seu consulado e é nomeado comandante da Escola Prática de Cavalaria de Torres Novas; assume a função de Ministro dos Negócios Estrangeiros em Junho de 1926 e no mês seguinte começa a desempenhar o cargo de presidente do Ministéri; em 1928 foi eleito Presidente da República; morre em Lisboa a 18-04-1951).

- José Augusto Alves Roçadas (Nasce em Vila Real, em 6 de Abril de 1865;morreu em 28 de Junho de 1926 [Corrigenda: leia-se 28 de Abril de 1926].Desde o seu regresso ao continente, fez parte do grupo que em torno de Sinel de Cordes, preparou a conspiração que levou ao golpe de 28 de Maio de 1926, sendo o chefe indicado para tomar o poder mas a sua doença afastou-o das ocorrências)



- Francisco Pinto da Cunha Leal (Nasce em Pedrógão, Penamacor, a 22 de Agosto de 1888; morre em Lisboa, a 26 de Abril de 1970)
[Apoiante do golpe de estado de 28 de Maio de 1926, foi escolhido para vice-governador do Banco Nacional Ultramarino, mas a eternização da ditadura leva-o para a oposição ao regime militar]

- Francisco Rolão Preto (nasceu no Gavião, em 12 de Fevereiro de 1896 e morreu em Lisboa em 18 de Dezembro de 1977. Foi um dos fundadores do Integralismo Lusitano, e «Chefe» do Nacional-Sindicalismo português.
Foi também o redactor dos 12 pontos do documento distribuído em Braga no começo do movimento militar de 28 de Maio de 1926, que instaurou a ditadura militar.
Em 1930, dirigiu com David Neto e outros sidonistas a Liga Nacional 28 de Maio, grupo de origem universitária, que se auto proclamara defensora da Revolução Nacional.)

- David Rodrigues Neto (nasceu em Algoz –Silves, a 31-3-1895, assentou praça em 1916, combateu em França, tendo sido feito prisioneiro dos alemães na Batalha de La Lys. Participou activamente na conspiração que conduziu ao golpe de 18 de Abril de 1925, colaborou ainda no denominado o “golpe dos Fifis”. Formou-se em Direito em 1926. Tomou parte activa na preparação do 28 de Maio e na repressão das revoltas de Fevereiro de 1927. Afastando-se do regime salazarista encontramo-lo anos mais tarde a apoiar a candidatura de Quintão Meireles, e, em 1958, participa na campanha do general Delgado. Faleceu em Portimão em 1971).

- Sinel de Cordes (militar participou no CEP, companheiro de o general Gomes da Costa na frente de batalha europeia, participante no 18 de Abril de 1925, foi chefe de gabinete do ex-Ministro Sebastião Teles, considerado um dos mentores da revolta de Maio)

- Filomeno da Câmara (republicano, colonialista, governador de Timor, foi um dos líderes da conspiração de 18 de Abril, no início da revolta parte de Lisboa para o Porto onde consegue a adesão dos líderes militares da cidade)

- Aníbal Lúcio de Azevedo (Nasceu em Lagos em 13-11-1876; obteve a sua formação em engenharia; foi presidente do Conselho Administrativo da Casa da Moeda, republicano, assumiu as funções de deputado e de ministro do Comércio em 1920; faleceu em 14-1-1952, em Queluz)

- Henrique Trindade Coelho (Nasce em 1-7-1885, advogado, jornalista; foi director do jornal O Século; foi também ministro de Portugal em Roma e junto do Vaticano; foi um dos fundadores da Cruzada Nun' Álvares-1921- e apoiou a revolução de Maio de 1926; faleceu em Sintra a8-10-1934)

- José Raúl Esteves [corrigenda: Raúl Augusto Esteves](foi considerado um dos mentores do 28 de Maio, porque esteve preso no Forte de Graça em Elvas, com Sinel de Cordes e Filomeno da Câmara que tinham participado na tentativa de 18 de Abril, tendo negociado com Luiz Charters de Azevedo um dos chefes civis da revolta de 28 de Maio).

- coronel Abílio Augusto Valdez de Passos e Sousa ( nasceu em 1881, combatente na Grande Guerra, após a consolidação da Ditadura Militar torna-se Chefe de Estado Maior do Exército; desempenhava as funções de governador do Forte da Graça, em Elvas, quando estiveram Sinel de Cordes, Filomeno da Câmara e Raúl Esteves estavam presos. Faleceu em 1966.)

- Luíz Charters de Azevedo (principal elemento civil da Revolução de 28 de Maio, conspirou para libertar os envolvidos na conspiração dos “Fifis”)

- Manuel Múrias

Participaram também:

- tenente Carlos de Vilhena;
- Meira e Sousa;
- Armando de Ochôa;
- João Pereira de Carvalho;
- Jaime Baptista;
- Tenente Mata e Silva;
- Tenente Lavoura;
- Tenente Urbano Valente;
- Tenente Marquês de Ficalho;
- Major Miguel Bacelar;
- Carlos Jacques (funcionário superior dos Correios e Telégrafos);
- Carlos de Oliveira (pertencia ao grupo conspirador civil que funcionava junto do jornal O Século);
- Miguel Couto (foi em sua casa que Gomes da Costa, se encontrou o major Mendes Norton, capitão Quadro Flores, capitão Pires de Campos, capitão Frazão, Gonçalves da Silva que constituíam o comité de Braga);
- Tenente Marquês de Ficalho;
- Dr. Alberto Cruz (médico).

Foto: Primeiro Conselho de Ministros (7 de Junho, presidido por Mendes Cabeçadas e que faziam parte Gomes da Costa e Óscar Carmona. Foto da Revista do Povo, nº9, Fevereiro de 1975]

[Corrigendas realizadas no dia 26/04/2007: solicitados por LBC, que muito agradecemos, procedemos a duas corrigendas no nosso trabalho que vêm devidamente assinaladas. O nosso agradecimento aos leitores como LBC que nos lêem com atenção e nos corrigem alguns erros.]

A.A.B.M.

ANTÓNIO MARIA DA SILVA [1872-1950]



Foi o último Primeiro-Ministro da I Republica. Nasce em Lisboa a 26 de Maio de 1872. Foi funcionário público, engenheiro de minas e, durante a República, deputado [de 1911 a 1926], foi Director-Geral Interino da Estatística, Director-geral do Ministério do Fomento e Director-Geral dos Correios e Telégrafos. Ainda foi Administrador do concelho do Redondo, Presidente da Sociedade Propaganda de Portugal.

Na sua juventude fez parte da Alta-Venda [poder executivo] da Carbonária Portuguesa, sendo seu co-fundador juntamente com Luz de Almeida e Machado Santos [ver O Meu Depoimento, de António Maria da Silva, vol I, 1974]. Participa na tentativa revolucionária de 28 de Janeiro de 1908 (em que é preso), no movimento de 5 de Outubro e na revolução de 14 de Maio de 1915 contra a ditadura de Pimenta de Castro. António Maria da Silva "bateu o record de permanência no poder como Primeiro-Ministro, constituindo seis vezes ministério, com um total de dois anos e quatro meses de administração" [vide A.H. de Oliveira Marques, A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo, 1975]. Pertenceu ao Partido Democrático, e acaba por ser seu chefe, dado o exílio de Afonso Costa (1920).

Foi iniciado maçon, em 1902, na Loja Solidariedade (de Lisboa) com o nome simbólico Desmoulins, tendo pertencido depois à Loja Civismo (1912) e a Loja Simpatia e União (1916). Foi durante o período 1915-1926, Grão-Mestre Adjunto do G.O.L.U., e fez parte, ainda, da Comissão Maçónica de Resistência [formada a 10 de Março de 1910, e da qual fazia parte José de Castro, Miguel Bombarda, Cândido dos Reis, Francisco Grandela, José Cordeiro Júnior, José Simões Raposo, Manuel Martins Cardoso e Machado Santos, vidé A.H. de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol II, 1986]

Após o 28 de Maio de 1926, foi opositor à ditadura, tendo sido duas vezes preso, tendo-se evadido uma vez e ido para o estrangeiro.

Obras: Meios práticos de baratear a vida: o problema das subsistências, Tip. da Coop. Militar, 1914 / Movimento político, económico e social da China, Macau, IN, 1938 / O Meu depoimento : da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, Colecção Documentos, Editora República, 1974 / O Meu Depoimento : da proclamação da República à Primeira Guerra Mundial, Europa-América, 1981

Colabora no jornal Boa Nova [Horta, nº 1 1929- nº 9, 1930]; O Jornal do Povo [Horta, 1928]; O Correio da Horta [Horta, 1930, 4º numrs]

J.M.M.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

GOVERNO DE BERNARDINO MACHADO



1921 - Governo presidido por Bernardino Machado

Na foto: Álvaro de Castro, Lopes Cardoso, António Maria da Silva, Júlio Martins, Bernardino Machado, Paiva Gomes, Domingos Pereira, António Joaquim Ferreira da Fonseca, Fernando Teixeira Homem de Brederode, José Domingues dos Santos.

Foto in Arquivo Fotográfico

J.M.M.

28 MAIO DE 1926


1926: X anos depois

Selo - Ano X da Revolução Nacional (1926-36)

J.M.M.

domingo, 22 de abril de 2007

SEARA NOVA - 50 ANOS DE LUTA


Seara Nova

Revista Seara Nova, nº 1512, Outubro de 1971 - Cinquenta Anos de Luta

J.M.M.

GRUPO DA SEARA NOVA


Da esquerda para a direita: Jaime Cortesão [fundador da Seara Nova, formado em medicina, poeta, dramaturgo, deputado, director da Biblioteca Nacional, dirigente do movimento insurrecional de 3 de Fevereiro de 1927, exilado político, Presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores]; Aquilino Ribeiro [licenciado em filosofia, conspirador e amigo da Carbonária, romancista e ficcionista dos mais ilustres, exilado político em 1927, 1º Presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores] e António Sérgio [oficial da marinha em 1910, ensaísta, pedagogo, filósofo, director da Seara Nova, exilado político]

J.M.M.

DESFILE DOS TRAÍDOS - POR RAUL PROENÇA



Desfile dos Traídos - por Raul Proença

No silêncio e na meia luz do meu gabinete, passa agora por mim, lenta, grave, silenciosa, a legião dos traídos. Passam por mim, debruçam-se sôbre o que escrevo, olham-me nos olhos, penetram-me na consciência. São todos os que sonharam, e viram desfeito o seu sonho; os que morreram, e viram a sua morte inútil; os que esperam, e vão vendo a sua esperança vã.
Vem aquêle que, ao caír em pleno combate, teve a coragem heróica de mergulhar a mão no próprio sangue, e traçar num muro, com essa vermelha tinta ainda fremente, o último grito do seu amor. Passa - e dir-se hia interrogar-me se não sou capaz de escrever também com o próprio sangue.
Vem aquêle que, em tempos de demagogia e reacção, numa casa fechada, atacada a tiro e à bomba, eu vi morrer a meus pés. Os seus grandes olhos absortos abriam-se pávidos, enormes, no espanto de aquela incomensurável infâmia e de aquela incompreensível expiação. Passa - e vejo os seus olhos desmesurados cravados sôbre mim, inquirindo se desfaleço, se tremo, se hesito, se não sou digno de si e do seu martírio. Não, não hesito, velho operário, mártire obscuro, que nessa noite trágica deixaste o teu lugar ocupado pela orfandade e pela viuvez. Eu não me esqueço, sou feito de forma que, mesmo que queira, não posso esquecer. Nunca me desampara o protesto eterno dos teus olhos.

Vem aquêle que, ao ser proclamada a República, expirou dizendo: - Trazia-a dentro do peito! Morreu na dor da sua imensa alegria, e foi talvez o mais feliz de nós todos, porque viu o seu ideal realizado no momento do Génesis, sem queda venal nem pecado original - puro como o sonhara. Passa - e o seu olhar abismado parece dizer: - que fizeram dela? Que fizeram dela? Tê-la hia eu por acaso levado no peito?
E depois vem o imenso tropel dos Vivos - dos Vivos que verdadeiramente querem viver - a vida humana, a vida nobre, a vida do espírito - todos êsses fragmentos de esperança disseminados pelo grande corpo de Portugal, que esperam o momento de se ligar, de se unir, de reconstituir o feixe partido.

Passam - e não sou eu, mas todos eles, que falam pela minha bôca, que pedem o castigo dêste enorme crime, o eclipse desta funda vergonha, o resgate dêste opróbrio, a vitória da sua fé. Passam - e é o próprio futuro de Portugal que passa, com os olhos banhados já na claridade ténue da ante-manhã …

Podeis, pois, abafar a minha voz. A palavra foi solta, e, abafada agora em mim, vai multiplicar-se ... crescer ... fulminar-vos ... E a de todos os que iludistes, os que traístes, os que envergonhastes - de todos os que não desesperam nunca, porque porfiam sempre, como homens - a da Pátria, afinal, querendo perdurar, querendo viver, querendo purificar-se, querendo salvar-se ..."

[Raul Proença, Desfile dos Traídos, in Panfletos. A Ditadura Militar, 10-20 Novembro de 1926, p. 74-76]

J.M.M.

GOLPE MILITAR DE 28 DE MAIO DE 1926


O general Gomes da Costa e o almirante Mendes Cabeçadas passam revista às tropas antes do avanço sobre Lisboa.

Foto, in Arquivo Fotográfico

J.M.M.

ADELINO DA PALMA CARLOS


Nasceu em Faro a 3 de Março de 1905, filho de Manuel Carlos e Auta Vaz Velho da Palma Carlos, com o nome completo de Adelino Hermitério da Palma Carlos, numa família com mais cinco irmãos.
Estudou em Lisboa, na Escola Académica e no Liceu Passos Manuel, tendo sido eleito presidente da Associação Académica, deste último. Termina o liceu em 1921 matriculando-se depois em Direito.
Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa em 3 de Novembro de 1926 e doutorado em Ciências Histórico-Jurídicas na mesma universidade em 27 de Julho de 1934.
Durante o seu percurso como estudante de Direito, envolve-se na vida política e fundou, em 1923, a Liga da Mocidade Republicana, juntamente com Rodrigues Miguéis, Mayer Garção, e outros, foi escolhido para exercer a função de delegado da Faculdade à Federação Académica. Conhece também durante este período aquela que viria a ser a sua companheira ao longo da vida, Elina Guimarães, conhecida activista e militante feminista, com quem veio a casar em 1928.

Advogado e professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa, exerceu intensamente a advocacia, intervindo em alguns dos mais importantes processos pleitados nos tribunais do país. Começou logo, aquando da conclusão da sua licenciatura, por defender os principais implicados na revolta de 3 e 7 de Fevereiro de 1927, entre eles o General Sousa Dias. O facto de ter aceite a defesa dos implicados nesta revolta torna-o um opositor ao governo da ditadura militar e mais tarde do salazarismo. Devido a este facto foi impedido de exercer o magistério em Portugal, só conseguindo leccionar muitos anos mais tarde, quando entra, por contrato, na Faculdade de Direito de Lisboa, como professor das cadeiras de Direito Processual Civil e de Prática Extrajudicial.

A par da carreira de advogado, onde se especializa em Direito Processual, desenvolve carreira docente na Escola Rodrigues Sampaio.
Em 1930, fez concurso para assistente do Instituto de Criminologia de Lisboa. Devido às suas opções políticas em 1935 foi demitido desta função. Participa em 1949 na campanha do General Norton de Matos à Presidência da República junto do Supremo Tribunal de Justiça. Eleito vogal do conselho geral da Ordem dos Advogados em 1945, assumiu a direcção da Revista da Ordem dos Advogados, até 1956. Em 1948 era vice-presidente da Ordem dos Advogados e Presidente do Instituto da Conferência da mesma ordem, em 1950 foi eleito bastonário, para o triénio de 1951-1953, tendo sido o primeiro bastonário a ser reeleito, tendo desempenhado este cargo até 1956. Em 1955 integrou a comissão revisora do Código Penal. Em 1957 e 1958, apresentou-se a concurso para professor extraordinário e catedrático da mesma Faculdade, tendo em ambos sido aprovado por unanimidade. Entre 1954 e 1973 foi procurador à Câmara Corporativa, como representante da Ordem dos Advogados.

Nos seus muitos anos de exercício da advocacia durante a ditadura defendeu causas que o tornaram célebre, especialmente a defesa dos opositores ao regime de Salazar como: o General Norton de Matos, Bento de Jesus Caraça, Prof. Azevedo Gomes e o Dr. João Soares.

Em 1960 é eleito presidente da Union Internationale des Avocats, pertenceu ainda à International Law Association, Académie de Droit International, do Instituto Penal y Penitenciário Hispano Luso-Americano y Filipino, entre outras organizações. Em 1965 foi nomeado director da Faculdade de Direito de Lisboa, onde se manteve até 1970, mas os problemas com o regime salazarista eram cada vez maiores, porque ele afirmava de forma clara os seus ideais democráticos, o que lhe valeu alguns dissabores.

Após a revolução de 25 de Abril de 1974, foi o primeiro-ministro escolhido para chefiar o Governo Provisório (17 de Maio a 18 de Julho de 1974), mas as dissenções internas dentro do Governo conduziram-no à demissão dois meses depois.
Era geralmente tido como um político moderado, com ligações a importantes grupos económicos e com perfil para conseguir alguma estabilidade ao novo Governo, por outro lado, era uma figura com algum prestígio em termos internacionais que podia conquistar a respeitabilidade necessária a um Governo com carácter provisório. Procurou articular de alguma forma os seus esforços com os de António de Spínola para evitar a multiplicação de centros de poder, tentando exercer uma autoridade efectiva.
Foi o mandatário nacional da recandidatura presidencial do General Ramalho Eanes (1980). Em 1984, fez parte da comissão de honra nomeada para comemorar o décimo aniversário da Revolução dos Cravos. No ano seguinte, após a constituição do Partido Renovador Democrático, foi chamado a desempenhar as funções de Presidente do Partido Renovador Democrático, após a realização da Convenção de Tomar, mas acabou por recusar o cargo por não desejar ter vínculos partidários.

Conhece-se também a sua filiação maçónica, onde manteve actividade ao longo de várias décadas, pertencendo, por exemplo à Loja Rebeldia. Foi ainda Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho dos Inspectores-gerais do Supremo Conselho do 33º Grau do REAA para Portugal e sua Jurisdição entre 1977 e 1981.
Recebeu diversas condecorações como Grande Oficial da Ordem da Liberdade (1982), Grã-Cruz da Ordem de Cristo (1984) e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique (1991).

Colaborou em diversas publicações como: A Comédia, Lisboa, 1921-1924; O Corvo, Évora, 1921-1976; Correio Teatral, Faro, 1923-1924; De Portugal, Lisboa, 1924-1925; Fórum, (dir. de Palma Carlos), a partir de 1932 [periódico jurídico].

Morre em 25 de Outubro de 1992.

Publicou entre muitos outros trabalhos os seguintes:
- Natal, s.l.[Faro], s.d.[1923] [poesia]
- Brumas Doiradas, [S.l. : s.n.], 1922 ( Lisboa - Tip. do Eco Musical). [poesia]
- Apontamentos de Direito Comercial, Centro Tip. Colonial, Lisboa, 1924.
- Código de Processo Civil anotado, Procural, Lisboa, 1940.
- Homens do Foro - a vida e a ficção, Lisboa, 1954 [sep. Revista da Ordem dos Advogados, nº 13]
- Manuel Borges Carneiro, Lisboa, 1956 [sep. Revista da Ordem dos Advogados, nº 13].
- José Dias Ferreira, Lisboa, 1958 [sep. Jornal do Foro].



[NOTA: Neste post foi introduzida uma correcção, 15-04-2009, facultada por mão amiga e que nos merece toda a confiança, por ser um reputado especialista nestas matérias, a quem obviamente muito agradecemos.]

A.A.B.M.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

28 DE MAIO DE 1926


Cartaz comemorativo do 28º Aniversário da revolução de 28 de Maio de 1926 (1954). Figuras: Óscar Carmona, Oliveira Salazar e Craveiro Lopes.

Foto de Amadeu Ferrari, in Arquivo Fotográfico

J.M.M.

33 ANOS DEPOIS DO 25 ABRIL DE 1974



A Alma Republicana passa também, como não podia deixar de ser, pelo retrato da III República, que o 25 de Abril de 1974 abriu. Não é possível esquecer essa aurora do céu português, que mulheres e homens durante longos anos, com ânimo, esperaram. E foram muitos que, contra o medo e a tirania, conspiraram e lutaram. Alguns deles não viram chegar esse "dia inicial inteiro e limpo", como Sophia pronuncia, mas ficaram para sempre na história colectiva da República. Outros entraram pelo 25 de Abril dentro, com alegria, ilusões e utopias. De diferentes condições sociais e distintas matizes políticas, com sorrisos e percursos ideológicos diferentes, as esperanças de Abril dominaram todos nós. Com entusiasmo, incerteza, revolta, desilusão, tragédia e dúvidas, o caminho feito por cada um de nós, e por todos, a memória não pode nem deve esquecer.

O Almanaque Republicano, a partir de agora, pretende recuperar factos e acontecimentos esquecidos, personagens, grupos e organizações que atravessaram e suportaram o período do Estado Novo até à III República, recolhendo do passado os ventos que a "Revolução de Abril" de 1974 sacudiu. 33 anos depois, temos muito que conversar. 33 anos depois, temos muito para lembrar. Que assim seja.

J.M.M.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

TERTÚLIAS DA REVISTA HISTÓRIA (ABRIL)


Tertúlias da Revista História (Mês de Abril)

Como não podia deixar de ser, vai realizar-se amanhã e depois, no espaço Café-Fnac, do Chiado (Lisboa), uma nova tertúlia agora subordinada ao tema: Revolução e Democracia.

Amanhã os conferencistas serão António Reis e Jorge Martins.
Esta tertúlia terá inicio pelas 18h 30m.

No dia seguinte, nova tertúlia dedicada ao mesmo assunto agora com a presença de António Louçã e da Sónia Almeida, também à mesma hora.

Certamente poderemos assitir a diferentes perspectivas sobre a transição entre a Ditadura, os momentos conturbados da Revolução, para reavivar a memória de alguns, e instauração da Democracia, que alguns hoje parecem cada vez menos respeitar e poucos se esforçam por manter e reavivar.

Será, pensamos, um momento para ouvir, reflectir e também dicutir as formas de agir que a nossa Democracia, tão jovem, parece rapidamente estar a esquecer.

Aproveitando esta data importante que se aproxima, também o Almanaque Republicano, irá dedicar alguma atenção, nos próximos dias, a alguns homens e mulheres que ajudaram instalar a nossa IIIª República e que foram ficando esquecidos da memória dos portugueses.

A.A.B.M.

A QUESTÃO ACADÉMICA DE 1907, EM COIMBRA


A Questão Académica de Coimbra - 1907

Um video, nos 100 Anos da Greve Académica de 1907.

J.M.M.

terça-feira, 17 de abril de 2007

EFEMÉRIDES DE ABRIL (II)


Dia 15
1872 - É regularizada no Grande Oriente Lusitano Unido a Loja Regeneração Irlandesa, de que era venerável Guilherme Augusto Ferreira Gomes, sendo encarregado pelo Supremo Conselho do 33º Grau dessa regularização Pedro de Alcântara Cristiano.

1891 - O Tribunal da Relação confirma a pena de 6 meses de prisão, por delito de imprensa, em que foi condenado Heliodoro Salgado.
1893 - João Chagas, deportado desde 12 de Outubro de 1890, parte de Luanda para Portugal.
1898 - Decreto maçónico autorizando a formação de um triângulo em Torres Novas.
1906 - Grandes comícios em Torres Vedras, Labrugeira, Merceana, Atalaia, Alenquer, Lourinhã, Setúbal, Almeirim e Gondomar.
1907 - Ianuguram-se no Porto o Centro Guerra Junqueiro e o Centro Afonso Costa.

Dia 16
1848 - Sai em Lisboa o primeiro número do jornal de inspiração republicana O Regenerador.
1875 - Representa-se pela primeira vez o drama anti-clerical Os Lazaristas, da autoria de António José Enes.
1888 - Morre em Lisboa, vitima da tuberculose o jornalista João Monteiro.
1906 - Grande comício em Vila Franca de Xira.
1907 - O Dr. Bernardino Machado pede a sua exoneração de lente da Faculdade de Filosofia da Universidade de Coimbra.

Dia 17

1838 - Nasce João Bonança, autor da História da Lusitânia e da Ibéria e um dos primeiros propagandistas republicanos em Portugal.
1880 - Sai em Ponta Delgada o primeiro do semanário A Republica Federal.
1881 - Importante comício anti-jesuítico no Teatro de S. João, no Porto.
1884 - Realiza-se o primeiro registo civil de nascimento em Castelo Branco.
1908 - Funda-se em Lisboa a Junta Federal de Livre Pensamento.

Dia 18
1842 - Nasce na Ilha de S. Miguel, Açores, Antero Tarquínio de Quental, poeta e um dos fundadores do Partido Socialista Português.
1848 - Nasce o Dr. José da Cunha Castelo Branco Saraiva, apóstolo incansável dos principios associativos.
1881 - Morre em Lisboa o livre pensador Joaquim Augusto Queiroz, fundador de vários jornais e agremiações políticas. Foi um dos fundadores da Associação Promotora do Registo Civil.
1904 - Greve nas empresas jornalísticas de Lisboa.

Dia 19
1900 - Grande comício de protesto no Porto contra a aliança inglesa.

1908 - Inaugura-se em Lisboa o 1º Congresso Nacional do Livre Pensamento. Presidiu à abertura o Dr. Teófilo Braga e na sessão de encerramento presidiu Magalhães Lima. Neste congresso, o delegado Jorge dos Reis Boaventura apresenta um plano de Almanaque Leigo.

Dia 20
1862 - Nasce na Amareleja o Dr. Aresta Branco.
1876 - Funda-se em Alcantara o Centro Eleitoral Republicano Democrático.
1889 - Morre em Olhão um dos grandes combatentes do Partido Republicano no Algarve. Roque Féria, espanhol, estabelecido na região de Tavira e mais tarde Olhão, fundou e colaborou em diversos jornais republicanos, tanto regionais como nacionais.
1908 - Os jornais republicanos Vanguarda e Republica são querelados por vários artigos políticos.
1908 - O Mundo publica uma carta do do grande poeta Guerra Junqueiro, na qual este pede aos portugueses do Congo, que tomaram a deliberação de lhe oferecer uma pena de oiro, que dêem aos pobres o produto da subscrição aberta com aquele fim.

Dia 21
1890 - Os republicanos de Tete protestam energicamente contra a afronta o ultimatum, obrigando o governador militar a decretar o estado de sítio e o consul inglês a refugiar-se em casa de um subdito italiano.
1891 - Morre em Lisboa, sendo sepultado civilmente, José Elias Garcia.
1907 - Imponentes comícios republicanos em Torres Vedras e Lourinhã.
1908 - Inaugura-se na Sociedade de Geografia de Lisboa o Congresso de Instrução Primária e Popular promovido pela Liga Nacional de Instrução.

Dia 22
1883- Sai em Lisboa o primeiro número do semanário republicano O Mandarim Júnior.
1888 - Morre o Dr. Trigueiros de Martel, um dos fundadores do jornal O Século, cujo funeral se realizou civilmente.
1898 - Decreto maçónico autorizando a instalação do Loja Capitular Preserverança, em Coimbra.
1906 - Grandioso comício em Lisboa para apresentação dos candidatos a deputados pelos dois círculos eleitorais da capital.

Dia 23
1883 - Sai em Lisboa o número programa do semanário republicano O Defensor do Povo.
1891 - São condenados cinco soldados da guarda fiscal do Porto, acusados de tomarem parte activa na revolta militar daqueles ano.
1908 - Os sete deputados eleitos reunem no Centro de S. Carlos, a fim de concertarem a sua atitude parlamentar na sessão legislativa próxima.

Dia 24
1891 - Partida para o degredo dos principais envolvidos na revolta de 31 de Janeiro.
1906 - O Mundo intenta uma acção comercial por perdas e danos contra Hintze Ribeiro e o ex-Juiz Veiga.
1908 - O Tribunal de Verificação de Poderes aprova a eleição do círculo oriental de Lisboa, não reconhecendo a inelegibilidade dos candidatos Matias Nunes e Manuel Francisco Vargas.

Dia 25
1848 - Sai em Lisboa o primeiro número do semanário republicano A Republica.
1880 - Sai em Lisboa o primeiro número do semanário republicano O Vulcão.
1903- Morre em Lisboa o socialista Ernesto da Silva, jornalista, orador, dramaturgo e propagandista dos mais dedicados.
1906 - O Tribunal da Relação de Lisboa anula o despacho da primeira instância, que tinha confirmado a apreensão do jornal O Mundo pela inserção do artigo "França e Portugal", devido à pena do Dr. Bernardino Machado.
1908 - Inaugura-se em Coimbra o Congresso do Partido Republicano.
1908 - Em Lisboa, no Congresso de Instrução Primária, os professores Tito Lopes, Carlos de Melo e Ladislau Piçarra propõem a abolição do ensino religioso na escola primária.

Dia 26
1890 - Morre o socialista António Lúcio Fazenda.

1908 - No salão da Caixa Económica Operária realiza-se, sob a presidência de Magalhães Lima, a sessão de encerramento do Congresso do Livre Pensamento, promovido pela Associação do Registo Civil, em comemoração do morticínio dos cristãos novos em Lisboa.
1908 - Realizam-se as duas últimas sessões do Congresso Republicano, que decide por maioria, não aceitar a demissão do Directório.

Dia 27
1876 - Inaugura-se em Tavira uma associação democrática denominada Club Democrático Progressista, cujos fundadores eram na sua maioria adeptos das ideias republicanas.
1882 - A Maçonaria Portuguesa consegue fazer publicar a lei, aprovada no Parlamento, que mandava erigir um monumento ao Marquês de Pombal e concedendo o bronze necessário.
1890 - Os jornais noticiam a transferência dos corpos da guarnição de Lisboa conhecidos pelas suas ideias contrárias à política governamental.
1904 - Foram presos, sendo posteriormente libertados sob caução, Carlos Cruz e António Marques Nogueira, membros da direcção e do conselho fiscal da Associação do Registo Civil, nessa mesma ocasião foi também detido João Gonçalves, editor do jornal diário republicano Vanguarda. A causa para estas detenções foi a publicação de uma circular do jornal anti-religioso, do Porto, O Clarão, no referido jornal de Lisboa. No dia seguinte foram pagas as fianças aos cidadãos João Gonçalves, Jácome da Silva e José da Costa Lemos, todos directores da referida associação.

Dia 28
1850 - Sai em Lisboa o primerio número da revista semanal O Eco dos Operários.
1891 - Julgamento de 20 presos implicados na revolta de 31 de Janeiro, que haviam recolhido aos hospitais.
1901 - Inaugura-se em Lisboa o Centro Dr. Afonso Costa.

Dia 29
1904 - Morre em Lagos o prestimoso chefe republicano daquela cidade, o cidadão João Marreiros Neto.
1906 - Eleições gerais de deputados, saindo eleitos por Lisboa: Afonso Costa, Alexandre Braga, António José de Almeidae João de Menezes.
1908 - Abrem as primeiras cortes do reino do novo reinado, prometendo D. Manuel "reinar como manda a lei".

1908 - São presos do Dr. Macedo de Bragança e o comerciante Manuel Mendes de Almeida, respectivamente, presidente da direcção e tesoureiro da Associação Propagadora do Registo Civil.

Dia 30
1907 - O célebre "gabinete negro", de invenção franquista, processa O Mundo por oito artigos
1908 - Morre em Espinho o hábil artista Carlos Evaristo Felix da Costa.

A.A.B.M.

ESTUDANTE DE COIMBRA


Estudante de Coimbra

J.M.M.

domingo, 15 de abril de 2007

BIBLIOGRAFIA [BREVE] SOBRE A QUESTÃO/CRISE ACADÉMICA DE 1907



O Centenário da Questão Académica ou Greve Académica de 1907, em Coimbra, foi por nós, ao longo de mais de um mês, merecidamente assinalado. Recordar a crise académica de 1907 foi-nos particularmente grato.

Homenagear os intransigentes estudantes de antanho, todos de elevado espírito fraterno e solidário, e o seu combate, significou entender que o acontecimento não resulta de um qualquer "ruído" normal próprio da juventude ou como fruto da sua intrepidez, mas sim que emerge e amplia-se como reflexo da situação de mal-estar académico, social, cultural e político que então se vivia em Portugal. Passe o trabalho conspirativo existente por detrás da orientação política dos vários grupos de estudantes, pode antever-se, na contestação e idealismo dos seus protagonistas, uma atitude regeneradora face à nação e às mentalidades, que irá marcar, daí em diante, a Alma Republicana.

O tributo que prestámos a partir de 26 de Fevereiro, deste ano, aos briosos estudantes da Universidade de Coimbra, foi particularmente merecido. As figuras e os factos relembrados, sem opulência ou luxo maior, aqui estão. Talvez um dia, esta pequena referência (e outras que apareceram pela blogosfera e fora dela) possibilite uma antologia de impressões, manifestos e textos desse curioso acontecimento, em tempos idos de 1907. E que bem falta faz.

Por último, deixamos um brevíssimo contributo bibliográfico (de obras existentes e, algumas, por nós consultadas) sobre a Questão Académica de 1907, sabendo que a bibliografia existente é bem mais vasta que a que poderemos apresentar. Mas decerto, com a ajuda de leitores interessados, podemos certamente fazer os aditamentos necessários.

- BRANCO, João Franco Pinto Castelo, Cartas de El-Rei D. Carlos I , Aillaud & Bertrand, Lisboa, 1924
- CABRAL, António, Cartas de El-Rei D. Carlos I a João Franco Castello Branco seu último Presidente do Conselho, Aillaud & Bertrand, Lisboa, 1924.
- CASTRO, Américo de, Últimos Anos da Monarquia. Memórias, Porto, J. Pereira da Silva 1918.
- CHAGAS, João, Subsídios Críticos para a História da Dictadura, Tip. Anuário Comercial, 1908.
- CORREIA, Natália, A Questão Académica de 1907, Minotauro/Seara Nova, Lisboa, 1962.
- CUNHA, D. Correia da, A "Malta". Reportagens da Vida Académica de Coimbra, Coimbra, 1933.
- GUEDES, Armando Marques, Páginas do Meu Diário, Editorial Enciclopédia, Lisboa/Rio de Janeiro, 1957.
- História da República, Editorial O Século, 1960.
- LAMY, Alberto Sousa, A Academia de Coimbra (1537-1990), Rei dos Livros, Lisboa, 1990.
- LEAL, Cunha, Coisas de Tempos Idos. As Minhas Memórias. Romance duma época, duma família e duma vida de 1888 a 1917, Ed. Autor, Lisboa, 1966, 3 vols..
- LIMA, João Evangelista Campos, A Questão da Universidade: depoimento d'um estudante expulso, Clássica Editora, Lisboa, 1907.
- MACHADO, António, Bernardino Machado. Memórias, Livraria Figueirinhas, Porto, 1945.
- MACHADO, Bernardino, Pela República (1906-1908), Ed. Autor, Coimbra, 1908.
- MACHADO, Bernardino, Universidade de Coimbra, Ed. Autor, Coimbra, 1908.
- MADEIRA, Lina Maria Alves, Alberto da Veiga Simões. Esboço de uma biografia política, Quarteto Editora, Coimbra, 2002.
- MARTINS, Rocha, João Franco e o seu tempo, Ed. Autor, Lisboa, 1925.
- MARTINS, Rocha, Vermelhos, Brancos e Azuis, vol. II, Organizações Crisális, Lisboa, 1950.
- PIMENTA, Alfredo, Factos Sociaes: Problemas d'hoje: Ensaios de Philosophia Critica, Lello & Irmão, Porto, 1908.
- QUARTIN, António Tomás Pinto, "A Greve Académica de Coimbra em 1907", Ver e Crer, Lisboa, nº 45, 1949, p. 3-9.
- RAPOSO, Hipólito, Livro de Horas, França Amado, Coimbra, 1913.
- RIBEIRO, Herlander, Cartas de uma tricana. Coimbra de 1903 a 1908, Lisboa, 1936.
- SARDICA, José Miguel, «Combate político e renovação cultural: a Greve Académica de 1907». Comunicação apresentada no Colóquio de História Contemporânea «Maio de 1968: Trinta anos depois. Os movimentos estudantis em Portugal», organizado pelo Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, realizado na referida Universidade, nos dias 28 e 29 de Maio de 1998.
- SARDICA, José Miguel, «A Greve Académica de 1907. Combate político e renovação cultural». Publicado na Revista História, 3.ª Série, n.º 4-5, Lisboa, Julho-Agosto de 1998, pp. 28-37.
- SARDICA, José Miguel, «A Greve Académica de 1907», Textos publicados nos fascículos n.º 4 (pp. 96-97) da obra Século XX. Homens, mulheres e factos que mudaram a História, Lisboa, Público/El Pais, 2000.
- SOUSA, Marnoco e; REIS, José Alberto, A Faculdade de Direito e o seu ensino, França Amado Editora, Coimbra, 1907.
- VENTURA, António, "Um Anarquista Português em Paris", História, Lisboa, Julho/Agosto, 2002, nº 47, Ano XXIV (III Série), p. 66-67.
- XAVIER, Alberto, História da Greve Académica de 1907, Coimbra Editora, Coimbra, 1962.

Notícias na Imprensa (alguns periódicos que deram especial relevo aos acontecimentos)

- Diário Ilustrado, Lisboa; (jornal da época)
- Illustração Portuguesa, Lisboa; (revista ilustrada e noticiosa da época – ver 11/03, 8/04, 15/04, 22/04)
- Luta, Lisboa, 10-03-1907;
- O Século, Lisboa, 1-4-1907 e 4-4-1907;
- O Mundo, Lisboa
- Diário de Lisboa, Lisboa, 6-2-1963, entrevista a Alberto Xavier sobre os acontecimentos da greve académica de 1907.
- Diário de Lisboa, Lisboa, 15-02-1963, publica uma carta de Carlos Eugénio Dias Ferreira, filho de José Eugénio Dias Ferreira, a defender aquilo que entendia ser "o propósito de diminuir a personalidade do candidato reprovado", suscitado na entrevista anterior de Alberto Xavier.
- Diário de Lisboa, Lisboa, 19-02-1963, Alberto Xavier responde a Carlos E. D. Ferreira, em "A Greve Académica de 1907. O Dr. Alberto Xavier responde à carta de Carlos Eugénio Dias Ferreira"
- República, Lisboa, 8-4-1912, artigo de Alfredo Pimenta, "A Greve de 1907".

A.A.B.M.
J.M.M.

A QUESTÃO DA UNIVERSIDADE - ESTUDANTES E LENTES

"Os estudantes da Universidade [Coimbra] insurgiram-se contra a reprovação plena de um seu camarada de estudos que se apresentou a defender as suas theses finaes. Mais uma vez se dirime a eterna contenda entre lentes e estudantes. Coimbra, a velha cidade universitária, assume imprevistamente um aspecto revolucionário (...)

Toda a Academia se levantou n'um grito. A gargalheira estrangulava-a, o foro glacial e rígido da Universidade era um capacete de ferro que não a deixava respirar; o sangue corria-lhe nas veias menos impetuoso e menos generoso. Não é uma questão entre homens, é um combate entre factos ...
"

[Estudantes e Lentes. A Questão da Universidade, in Illustração Portuguesa, III vol., 11 de Março de 1907, p. 294-295 - sublinhados nossos]

J.M.M.

sábado, 14 de abril de 2007

ESTUDANTES DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA (1907)



1º plano: Bissaya-Barreto, José Montez, Carneiro Franco, Carlos Olavo.

2º plano: Justino Cardozo, Monteiro Araújo, António Granjo, Carlos Amaro, Feio Azevedo, Alberto Xavier, Pires da Rocha.

Foto da Photographia Gonçalves (Coimbra), in Illustração Portugueza, III volume, 22 Abril de 1907

J.M.M.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

OS REITORES DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA DURANTE A CRISE DE 1907


António dos Santos Viegas Júnior

Filho de António dos Santos Viegas e de Máxima Carolina Gomes Barata Feio, nasceu na Covilhã, distrito de Castelo Branco, em 7 de Abril de 1837,concluiu o exame de licenciado em 30 de Julho de 1859, doutorou-se em Filosofia em 30 de Outubro de 1859 e começou a leccionar na Universidade em 22 de Fevereiro de 1860. Lente de Física e responsável pelo respectivo gabinete, exerceu ainda as funções de Director do Observatório Meteorológico e Magnético da Universidade. Realizou a oração de sapiência de abertura da Universidade em 1888/1889, publicada no Anuário da Universidade de Coimbra. Realizou também a alocução de abertura das aulas no ano lectivo 1906-1907, publicada no anuário da Universidade de 1906-1907. Foi o responsável princial pela publicação das Observações meteorológicas feitas no observatório meteorológico da Universidade de Coimbra nos anos de 1881, 1883 e 1884, Coimbra, Imprensa da Universidade.

Casou-se com D. Maria Francisca de Vasconcelos Carreira dos Santos Viegas de quem teve um filho também ele professor da Universidade, Luís dos Santos Viegas, que se doutorou em 1890.

Dedicou-se aos estudos experimentais sobre o Geomagnetismo e a Meteorologia que constituíram uma das prioridades da actividade científica de António dos Santos Viegas a partir de 1864. Por portaria de 24 de Outubro de 1866 foi encarregado de realizar uma viagem científica pelos principais países da Europa, para visitar as escolas e universidades desses países e estudar a organização do ensino das ciências filosóficas. Efectuou estágios científicos em diversas escolas europeias, Santos Viegas especializou-se em técnicas experimentais de análise espectral. Neste domínio colaborou com o Observatório Astronómico, realizando observações magnéticas e de análise espectral durante a ocorrência de eclipses. Desde a sua fundação, o Observatório Meteorológico e Magnético ficou integrado numa extensa rede europeia de observatórios que tinham por objectivo o estudo do magnetismo terrestre.

Em 1881 foi enviado a Paris para representar Portugal no Congresso e Exposição de Electricidade.
Foi reitor da Universidade diversas vezes: a primeira entre 1890 e 1892, voltou a essas funções entre 1896 e 1898 e volta a ser nomeado em Abril de 1906. Desempenhou também ainda as funções de deputado eleito pelo círculo da Covilhã em 1870 e 1871. Mais tarde foi também eleito Par do Reino em representação dos estabelecimentos científicos.

Publicou:
- Dissertação inaugural para o acto de conclusões magnas- Argumento: 1ºQuais as relações da química com as outras ciências?2º Que benfícios presta ela à civilização e à humanidade? 3º Que relação ao nosso país que temos de esperar da química industrial?, Coimbra, 1859.
- Theses ex Naturali Philosophia: quas preside clarissimo ac sapientissímo D. Fortunato Raphaele Pereira de Senna, ano de 1859 in Conimbrigensi Academi propugnabat ..., Coimbra, 1859;
-"Viagem scientífica do Dr. António dos Santos Viegas - Primeiro relatório: Dezembro de 1866 a Maio 1867", Diário de Lisboa: Folha Official do governo portuguez, Outubro 1867, n.º 229, p. 2966.
-"Viagem scientífica do Dr. António dos Santos Viegas -Segundo relatório: Junho a Novembro de 1867", Diário de Lisboa: Folha Official do governo portuguez, 21 Março 1867, n.º 66, p. 553.
- Programa da 3ª Cadeira: Phisica - 1ª parte para o ano lectivo de 1889 a 1889, redigido pelo lente ..., Coimbra, 1889.

[Fotografia de António dos Santos Viegas in Guitarra de Coimbra que também tem vindo a dedicar a sua atenção a estes acontecimentos]

[Nota Importante: este post foi corrigido no terceiro parágrafo devido à existência de um erro importante detectado pelos nossos leitores, com os nossos agradecimentos pela chamada de atenção.]

A.A.B.M.

terça-feira, 10 de abril de 2007

REITOR E GRUPO DE LENTES DA UNIVERSIDADE DE COIMBTA (1907)



Dr. Avelino Calixto (lente de direito), Dr. Souto Rodrigues (lente de matemática), Dr. José Alberto dos Reis (lente de direito), Dr. Machado Villela (lente de direito), Dr. Bernardo Madureira (lente de teologia), Dr. Raymundo da Motta (lente de medicina), Dr. Filomeno da Camara (lente de medicina), Dr. Santos Viegas (reitor), Dr. Angelo da Fonseca (lente de medicina), Dr. Arzilla Fonseca (lente de matemática), Dr. Eusébio Tamagnini (lente de filosofia), Dr. Pedro Martins (lente de direito), Dr. Luiz Santos Viegas (lente de medicina), Dr. Teixeira d'Abreu (lente de direito), Dr. Sousa Gomes (lente de filosofia), Dr. Bernardino Machado (lente de filosofia)

Fotos da Conimbricense, Gonçalves, Tinoco e União (de Coimbra), in Illustração Portugueza, III volume, 22 Abril de 1907

J.M.M.

PINTO QUARTIN E MÁRIO MONTEIRO



"O quintanista Mário Monteiro despedindo-se do seu colega Pinto Quartin, que regressa a Lisboa"

Foto, in Illustração Portugueza, III volume, 22 Abril de 1907

J.M.M.

A GREVE DE 1907 NA "ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA"


A Greve de 1907 na revista Ilustração Portuguesa

Reprodução de uma página da revista Ilustração Portuguesa, de 22 Abril de 1907,onde aparece, ao longo de 16 páginas, um conjunto de fotos sobre a Questão Académica de 1907, tiradas por Benoliel e alguns fotógrafos de Coimbra - como a Photographia União, a Gonçalves, a Conimbricense, a Tinoco.

J.M.M.