terça-feira, 29 de abril de 2008

IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE FARO (Parte III)



Nº 9 - O Combate

Lemas: Como princípio o Direito, como meio a Liberdade e a Humanidade por fim; Independência, Imparcialidade, Justiça e Lei.
Periodicidade: semanário, que se publicava às quintas-feiras
Local de Publicação: Tavira
Proprietário: Roque Féria
Director: Roque Féria
Editor: Roque Féria
Colaboradores: Teixeira Bastos, Guerra Junqueiro, Ladislau Batalha, José Carvi, José Carrilho Videira, José Augusto Vieira, João Bentes Castel-Branco, Virgílio Crespo, Francisco Maria Magalhães, Vitoriano Rosado, entre outros colaboradores que não se consegue actualmente identificar.
Colunas: quatro
Secções Regulares: A Carteira, Literatura, Folhetim, Crónica da Capital, Seccção de Variedades, Notícias Diversas, Carta da Capital, Correspondências Locais
Tipografia: Typographia Democrática, Rua Nova Grande, 7 - Tavira
Data de fundação: 05-04-1887
Fim de publicação: 04-10-1888
Publicou: 78 números.

Nº 10 - O Porvir

Lemas: Justiça-Independência-Imparcialidade; Direito-Liberdade-Humanidade
Periodicidade: semanário, que se publicava aos domingos
Local de Publicação: Olhão
Redacção e Administração: Rua das Lavadeiras, 54 - Olhão.
Proprietário: Roque Féria, mais tarde (Abril de 1889) passou para Gustavo Cabrita.
Director: Roque Féria, substituído na data acima referida por Gustavo Cabrita.
Editor: Francisco José Alves
Colaboradores: Adolfo Vasques Gomes, Sebastião P. S. Cruz, João Bentes Castel-Branco, Carlos Fuzeta, Horácio Ferrari, Guerra Junqueiro, Jacinto da Cunha Parreira, Ruy de Mendonça, António Lobo de Almada Negreiros, Delfim Crespo, Artur Leitão, João Machado Gonçalves, entre outros colaboradores .
Colunas: cinco
Secções Regulares: Noticiário, Livros e jornais, Folhetim, Porto de Olhão, Serões Algarvios, Correspondências Locais
Tipografia: Typographia do Porvir, Rua D. Luís I, Olhão; mais tarde passou para a Typographia Democrática, Rua das Lavadeiras, 54, Olhão
Data de fundação: 28-10-1888
Fim de publicação: 08-02-1891 (suspenso pelo Governador Civil de Faro após a revolta de 31 de Janeiro de 1891 na cidade do Porto)
Publicou: 117 números.

Nº 11 - O Imparcial

Complemento de Título: Dedicado à defesa dos interesses do Algarve
Periodicidade: semanário, que se publicava aos domingos
Local de Publicação: Lagos
Redacção e Administração: Rua Augusta, 30 - Lagos.
Proprietário: não consta.
Director: Joaquim João Serpa.
Editor: Francisco de Paula Soares.
Redacção: Bartolomeu Salazar Moscoso, José Joaquim Nunes, Joaquim da Cunha, Afonso Canet de Castro.
Secretário da Redacção: Afonso Canet de Castro.
Administrador: José Joaquim Infante.
Colaboradores: só foram identificados dois colaboradores, Conde de Sabugosa e Joaquim da Cunha, os restantes colaboradores escondiam-se sob pseudónimos desconhecidos.
Colunas: cinco
Secções Regulares: Folhetim, Por toda a Parte, Um pouco de estatística, Factos e Notícias, Secção Literária, Correspondências, À Ultima Hora, Ditos do Fim, Sinistros e Naufrágios.
Tipografia: Typographia do Imparcial, rua da Amargura, 37-39, Lagos.
Data de fundação: 17-01-1892
Fim de publicação: 29-05-1892
Publicou: 20 números.

Nº 12 - O Futuro

Complemento de Título: Semanário Democrático posteriormente começou a publicar-se com a seguinte designação Semanário Democrático Algarvio
Periodicidade: semanário, que se publicava aos domingos.
Local de Publicação: Olhão.
Redacção e Administração: Rua Vasco da Gama, 27 - Olhão, em 1906 passa para a Rua dos Mercadores, 28.
Proprietário: Gustavo Cabrita.
Director: Gustavo Cabrita.
Editor: Francisco José Alves, mais tarde passou a ser o próprio Gustavo Cabrita a assegurar este serviço.
Colaboradores: Luciano Cabrita, Urbano de Castro, António Cabreira, Heliodoro Salgado, Neves de Carvalho, João Chagas, Francisco Manuel Homem Cristo, José Marques Corpas Centeno, Abade João Pais Pinto, Paulo da Fonseca, Maurício Serafim Monteiro, Mário Bonança, Rodrigues Davim, José Viegas Paula Nogueira, António José de Almeida, José Ribeiro Alves Júnior, Francisco Marques da Luz, Sebastião de Magalhães Lima, Teófilo Braga, Raul Pousão Ramos, José Augusto de Castro, entre outros.
Colunas: cinco
Secções Regulares: Folhetim do Futuro, Governo Civil de Faro, Teatro Lisbonense, Publicações, Tuna Académica, Carta de Lisboa, Cartas de Évora, Secção dos Novos, Curiosidades, entre outras rubricas habituais.
Tipografia: Typographia Democrática, Rua Vasco da Gama, 25 - Olhão; mais tarde muda de instalações para a Rua dos Mercadores, 28 - Olhão.
Data de fundação: 15-03-1891
Fim de publicação: 23-06-1909
Publicou: 835 números.
[Nota Importante: Este é o mais duradouro e importante jornal republicano da região, durante anos sucessivos foi mesmo o único que se publicou na região a defender as ideias republicanas. No entanto, não conseguiu alcançar a implantação da República, que sempre desejou, por falecimento do seu proprietário e director em Junho de 1909.]

[A imagem, com a devida vénia, foi retirada daqui, terra onde existiu o mais duradouro dos jornais republicanos algarvios.]

A.A.B.M.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) - II PARTE


In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues (1927-2008)-II Parte

A fuga de destacados elementos do PCP toma lugar de mito, na luta contra o regime salazarista [sobre a fuga de Peniche, ver Álvaro Cunhal. Uma Biografia Política, de José Pacheco Pereira, Temas e Debates, 2005]. Francisco Martins Rodrigues, de novo em liberdade, é colocado em nova tipografia clandestina do partido [em Carnide, Lisboa], onde fica um ano. Em Maio de 1961, FMR sobe ao comité local de Lisboa [cf. Carlos Morais, ob.cit.], torna-se membro suplente do Comité Central e, depois, faz parte [1962] da sua Comissão Executiva [com Blanqui Teixeira, na altura membro do Secretariado no interior, mais Alexandre Castanheira], perante à prisão de uma série de elementos do partido. A vaga de prisões de militantes comunistas foi grande, no final de 1961 [foram presos Joaquim Pires Jorge, Octávio Pato, Américo de Sousa, Carlos Costa, Júlio Martins], o que levou a que o trabalho desses três membros da Comissão Executiva do Comité Central tivesse de envolver todo o país. Compete a FMR reunir com o comité regional da margem sul e com um outro dos arredores de Lisboa.

Com o começo da guerra colonial, foi-lhe pedido para "escrever um manifesto em nome do Comité Central" [ib.ibidem], mas o escrito não sai da tipografia, tendo sido retirado. FMR diz-nos que consideraram o seu manifesto "muito vermelhusco", fora do "espírito do partido" ou, segundo o próprio, muito ou demasiado "leninista", dado aí assumir-se a insurreição popular, em ligação com a luta colonial. Outro manifesto, em sua substituição, foi feito por Álvaro Cunhal. Os debates sobre a "linha do partido" são solicitados [a questão sobre a estratégia sobre a guerra colonial, ou a posição sobre as críticas feitas pelo comunistas chineses à URSS], porém face às medidas conspirativas existentes nem todos os membros do Comité Central se podiam reunir, o que limitava bastante a "discussão". Nessas reuniões, FMR levanta várias questões sobre a linha política tomada, escreve várias cartas à direcção, sem que tudo isso obtivesse alguma resposta. Na audição da rádio Pequim, vai assistindo, entretanto, às críticas feitas à linha do PCF [de Thorez], do PCI e as divergências da linha chinesa face ao Titismo.

No Verão de 1963 vai a Moscovo para uma reunião do Comité Central do exterior, para levar e apresentar um relatório [cujo autor foi Blanqui Teixeira] do secretariado do partido do interior, relatório esse que curiosamente "discordava", e para debater as suas "incompreensões" perante a linha do partido. Encontra-se com Álvaro Cunhal e Francisco Miguel, mas as divergências mantêm-se ao fim de três dias de debate [ver sobre este assunto José Pacheco Pereira, in Público, 24 de Abril de 2008]. A decisão que sai da reunião estabelece que FMR ficaria como membro do CC no exterior, deixando a Comissão Executiva. E, para acautelar possível actividade cisionista, propuseram a FMR ser secretário de Álvaro Cunhal. Cunhal diz na altura:"O camarada está a dizer que eu sou um oportunista, agora não fico à vontade a trabalhar com ele" [cf. Carlos Morais].

Em Outubro de 1963 vai para Paris, para integrar uma organização do partido. Em reuniões assiste a debates vivos criticando a linha seguida pelo partido contra a guerra colonial, a presumida "passagem pacífica ao socialismo" ou a crítica feita à revolução democrática e nacional, bandeiras do PCP. Sabe, entretanto, que João Pulido Valente e Rui d'Espiney, então na Argélia e em dissidência com o partido, pelo que trocam impressões. De seguida, abandona o PCP e funda, com mais pessoas [20, diz FMR], em Janeiro de 1964 a FAP [Frente de Acção Popular]. Questões de estratégia em torno do aparecimento da FAP e as criticas levantadas sobre o facto de existir a frente popular sem a direcção política do partido, leva à fundação do CMLP [Comité Marxista Leninista Português], onde se procurava "reconstruir" ou "refundar" o PCP, enquanto vanguarda da frente popular de massas contra o fascismo. O CMLP editou [1964-65] o jornal Revolução Popular.

[a continuar]

J.M.M.

IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) - I PARTE


Nasce Francisco Martins Rodrigues [FMR] em Moura a 14 de Novembro de 1927. Seu pai foi oficial do exército [de onde foi expulso por ser oposicionista ao governo] e sua mãe era filha de pequenos proprietários de Moura [cf. entrevista de FMR, 25 de Agosto de 2004, a Carlos Morais]. Tinha mais cinco irmãos [cf. Público, 23 Abril de 2008], sendo o mais novo da família o pintor João Rodrigues. Face à situação económica difícil, a sua família muda-se para Lisboa [tinha FMR sete anos], encontrando aí o seu pai emprego e sustento. Estuda FMR até ao 6º ano do liceu, empregando-se depois numa livraria [durante 4 anos]. Posteriormente, vai trabalhar [1949] como "aprendiz de mecânico", na TAP [cf. Carlos Morais], onde permanece dois anos.

Em 1949 adere ao MUD [Movimento de Unidade Democrática] Juvenil, tendo sido preso [3 meses] e levado para o Aljube, quando se manifestava numa concentração contra a NATO, na avenida da Liberdade. Por isso mesmo é expulso da TAP. É libertado [1951], arranja emprego num estabelecimento de venda de frigoríficos [ib. ibidem], mas passa depois a dedicar-se totalmente ao activismo e à militância política no MUD Juvenil, ficando na sua Comissão Central e participando na campanha de Ruy Luís Gomes. É no MUD Juvenil que conhece o médico João Pulido Valente, que na altura tinha a missão de angariar fundos para a organização. É de novo preso [Maio de 1952], agora como "dirigente e funcionário" do MUD Juvenil, por ter feito pichagens e panfletos contra uma reunião da NATO, que iria decorrer no IST. É libertado condicionalmente e em Novembro, do mesmo ano, volta a ser detido, por fazer "campanha contra a vinda a Lisboa do general Ridgway, o criminoso da guerra bacteriológica na Coreia" [ib.ibidem], sob denúncia de um trabalhador da tipografia onde eram feitos os panfletos. Curiosamente, a tipografia ficava na mesma na rua da sede da PIDE, a António Maria Cardoso. Dadas as sucessivas prisões e o facto de viver com os pais, local de fácil acesso, levam-no a sair da sua casa, passando a residir em diferentes moradas e sob nomes falsos.

Em 1953 passa à clandestinidade, ingressando como funcionário do PC. Porém, como era "doente dos pulmões", o partido, por intermédio de um médico amigo, interna-o num sanatório para o necessário restabelecimento. É aí que passa quase todo o ano de 1954. Entretanto, na sua militância no MUD Juvenil tinha conhecido Maria Fernanda Alves, com quem veio a casar nesse mesmo ano de 1954 [sobre o papel das mulheres e companheiras durante a clandestinidade e o isolamento, ver a esse propósito "Clandestinas", 2004, de Ana Barradas, última companheira de FMR].

Em 1956, estava em Lisboa, "recuado" numa tipografia clandestina do partido, com mais cinco pessoas, entre elas o seu camarada Joaquim Carreira, secretária da célula e antigo operário de Marinha Grande [ib.ibidem]. Na altura produziam o material teórico sobre o XX Congresso do PCUS [que tinha decorrido a 14 de Fevereiro de 1956] e a consequente viragem [em resultado da tese da "coexistência pacífica", principalmente] operada pela então direcção do PCP. O próprio FMR [cf. Carlos Morais] nos diz que, desde logo, Joaquim Carreira entendia que tal documentação teórica lhe "cheirava a conversa social-democrata", pelo que chamaram um elemento da direcção do PCP para debater a questão. Júlio Fogaça [então membro do Comité Central] veio explicar a "viragem" política. Porém a saída nos jornais do famoso relatório Kruchev [onde Staline é acusado de crimes e atrocidades, bem como do culto da personalidade] instalou mais ainda a dúvida, quer no movimento comunista internacional [curiosamente a China Popular apoia o documento, para depois o criticar duramente. Enquanto isso o partido comunista italiano exigia uma “autocrítica” total sobre a construção do estado socialista na URS], quer entre os militantes comunistas portugueses, entre os quais estava FMR.

Durante um encontro, em Lisboa [1957], FMR é preso de novo, por denúncia, supostamente de um infiltrado no partido, e apanha três meses de prisão. Sua mulher é presa e levada para Caxias, onde nasce o seu segundo filho [cf. Público, ob. cit.]. FMR é levado do Aljube para Caxias e, posteriormente, para a cadeia de Peniche. Na prisão conhece vários dirigentes do partido, como Álvaro Cunhal, Francisco Miguel, Jaime Serra, e aí debate com os seus camaradas a "linha do partido", que acreditava se ter afastado da pureza do "leninismo".

No dia 3 de Janeiro de 1960 dá-se a conhecida e espectacular fuga da cadeia de Peniche, evadindo-se Francisco Martins Rodrigues, Álvaro Cunhal, Francisco Miguel, Joaquim Gomes, Jaime Serra, Pedro Soares, José Carlos, Guilherme de Carvalho, Rogério de Carvalho e Carlos Costa ["do interior a comissão de fuga era composta por Álvaro Cunhal, Jaime Serra e Joaquim Gomes. Do exterior, organizaram a fuga Pires Jorge e Dias Lourenço, com a ajuda de Octávio Pato, Rui Perdigão e Rogério Paulo" – ler aqui], mais o guarda que os auxiliou.

[a continuar]

J.M.M.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE FARO (Parte II)



Nº 6 - O Districto de Faro

Periodicidade: semanário, que se publicava às quintas-feiras
Local de Publicação: Faro
Director: Manuel dos Santos Fonseca e depois António Bernardo da Cruz
Colaboradores: João Bentes Castelo Branco, José Bento Marim Júnior, Domingos Rodrigues Annes Baganha, José António Reis Dâmaso, Ataíde Oliveira, Ludovico de Meneses, Maria Veleda, Salazar Moscoso, João Veloso Pessanha Cabral, José Francisco Guimarães, Cândido Guerreiro, José Bento Ferreira de Almeida, Marçal Pacheco, Jacinto da Cunha Parreira, José Virgolino Carneiro, José Dias Sancho, João Xavier de Paiva, Júlio Lourenço Pinto, José Sande Lemos, Bulhão Pato, Casimiro Dantas, Joaquim Maria Pereira Botto, José Eugénio dos Santos, Carlos Augusto Lyster Franco, Mário Bonança, Raúl Proença, Sebastião Baçam, entre muitos outros colaboradores.
Colunas: quatro e mais tarde (1898) passa a cinco colunas.
Secções Regulares: Folhetim, Faro, Correspondências, Noticiário, Telegramas, Necrologia, Revista Estrangeira,Secção Pedagógica, Junta Geral do Distrito de Faro, Ocorrências Policiais, Charadas, Curiosidades, entre muitas outras rubricas que foram sendo criadas ao longo dos 37 anos de existência.
Tipografia: Typographia de Raphael da Paz Furtado e mais tarde na Tipografia do Distrito.
Data de fundação: 06-04-1876
Fim de publicação: 24-04-1913
Publicou: 1931 números
[NOTA IMPORTANTE: Este periódico, que na sua primeira fase era declaradamente republicano, transforma-se no início da década de oitenta do século XIX, devido a problemas de desentendimentos locais com António Bernardo da Cruz, num semanário regenerador. Esta posição política é assumida até à implantação da República, aí recorda-se as dificuldades dos primeiros tempos da publicação, quando ser republicano numa região periférica como o Algarve era muito complicado
Aproveitamos também para chamar a atenção para o desaparecimento deste semanário algarvio de todas as bibliotecas importantes do País, pois não foi possível encontrar, até esta data, nenhuma colecção completa quer na Biblioteca Nacional, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, na Biblioteca Municipal de Faro ou do Arquivo Distrital de Faro. Este periódico, pela sua longevidade e pela sua qualidade, é um manancial de informações sobre a região e, como património histórico - não edificado - que é de uma região, exige-se também a sua preservação.]

Nº 7 - A Folha Democrática

Periodicidade: semanário, que se publicava às quintas-feiras
Local de Publicação: Lagos
Proprietário: Jerónimo Biker Cabral
Redactor Principal: Bartolomeu Salazar Moscoso
Colaboradores: não consta
Colunas: quatro
Secções Regulares: Folhetim da Folha Democrática, Cintilações, Gazetilha, Factos Diversos, Cara ao Director.
Tipografia: Typographia Moderna, Rua Triste,60 - Lagos
Data de fundação: 18-01-1883
Fim de publicação: 01-03-1883
Publicou: 7 números

Nº 8 - A Província do Algarve

Periodicidade: semanário, que se publicava às terças-feiras
Local de Publicação: Tavira
Proprietário: Roque Féria
Director: Roque Féria
Redactor Principal: Dr. João Bentes Castel-Branco
Colaboradores: Gustavo Cabrita, António Cabreira, Victorino de Magalhães, Othon de Gouveia, entre outros.
Colunas: cinco
Secções Regulares: Folhetim, Literatura, Noticiário, Bibliografia, Publicações Literárias, etc.
Tipografia: Typographia Democrática, Rua Nova Grande, 7 - Tavira
Data de fundação: 30-03-1186
Fim de publicação: 01-03-1887
Publicou: 49 números

[a continuar]

A.A.B.M.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE FARO (Parte I)













Após algum tempo de interregno recuperamos hoje alguns dos dados recolhidos sobre a imprensa republicana. Depois de termos iniciado pesquisas sobre as publicações de Aveiro, Beja, Braga, Bragança, Coimbra e Évora avançamos agora para o distrito de Faro.

Nesta tentativa de levantamento, encontramos 17/18 (?) jornais que podem ser enquadrados como defensores da ideia republicana, uns de forma mais ténue (nos primeiros) e outros claramente propagandeadores da República.

Para este levantamento, servimo-nos das duas obras de referência que existem sobre a história da imprensa no Algarve, a do capitão José Vieira Branco, Subsídios para a História da Imprensa Algarvia desde 1833 aos nossos dias, Faro, 1938 e ainda a obra em 2 volumes do Doutor José Carlos Vilhena Mesquita, História da Imprensa do Algarve, Comissão de Coordenação da Região do Algarve, Faro, 1988 e 1989.

Os primeiros cinco jornais, podem talvez ser integrados naquela designação útil de proto-republicanos, porque, de facto, nesta altura em que se publicaram, ainda não existia institucionalmente o Partido Republicano enquanto tal, mas já existiam grupos que se designavam como defensores das ideias republicanas.

Nº 1 - O Echo do Algarve

Periodicidade: semanário, que se publicava aos domingos
Local de publicação: Lagos
Proprietário: António Corrêa
Redactor: José Teixeira Simões
Colaboradores: João de Deus, Casimiro Dantas, José Joaquim de Torres (correspondente em Castro Marim), Tomás Joaquim da Silva, José Francisco de Freitas, entre outros que não se conseguem identificar porque, como era habitual nesta época, não se identificavam os autores da maior parte dos artigos.
Colunas: três
Secções Regulares: Folhetim, Correio do Interior, Revista Estrangeira, Poesia, Algarve (correspondências em diversas localidades do Algarve como Alcoutim, Vila do Bispo, Loulé, Castro Marim, Faro, Monchique, Aljezur, Vila Real de Santo António, Tavira, Portimão, Silves)
Tipografia: Typographia Lacobrigense - Lagos
Data de fundação: 09-09-1868
Fim de publicação: 23-05-1869
Publicou: 38 números

Nº 2 - Gazeta do Algarve

Periodicidade: semanário, que se publicava às quartas-feiras.
Local de Publicação: Lagos
Proprietário: João Pedro Correia Tello
Redactor: Dr. Augusto Feio Soares de Azevedo, mais tarde substituído por João Pedro Correia Tello
Colaboradores: Annes Baganha, Salazar Moscoso, Gustavo Cabrita, Casimiro Dantas, Bernardo Maia Mendes da Costa, Francisco Lázaro Cortes, Gonçalves de Sousa, Ernesto Ribeiro, J. V. Sande Lemos, entre muitos outros.
Colunas: três
Secções Regulares: Folhetim, Lagos, Necrológico e Agradecimentos, Estado do mercado no corrente mês, Causas que têm obstado ao Desenvolvimento do Algarve, Variedades, Telegramas, Exterior
Tipografia: Typographia da Gazeta do Algarve
Data de fundação: 01-01-1873
Fim de publicação: 25-12-1877
Publicou: 261 números

Nº 3 - O Município

Periodicidade: semanário, que se publicava aos domingos
Local de Publicação: Portimão
Responsável: Domingos Leonardo Vieira
Colaboradores: Raimundo Bulhão Pato, Júlio César Machado, Gomes Leal, José Joaquim Coelho de Carvalho, Luís Sepulveda Pimentel Mascarenhas, João de Deus, Amélia Janny, Luciano Cordeiro, José António Reis Dâmaso, entre outros.
Colunas: quatro
Secções Regulares: Folhetim, Portimão, Correspondências, Revista Externa, Variedades, Noticiário, Movimento Marítimo, Telegramas
Tipografia: Typographia Portimonense e mais tarde Typographia Lealdade
Tiragem: 1100 exemplares (referência no primeiro número do jornal)
Data de fundação: 04-08-1874
Fim de publicação: 21-07-1878
Publicou: 60 números

Nº 4 - Liberdade

Periodicidade: semanário, que se publicava aos domingos
Local de Publicação: Portimão
Administrador: José Paulo Serpa
Director: José António dos Reis Dâmaso (no jornal não é indicado)
Colaboradores: os autores dos artigos não assinavam os textos, somente as poesias tinham autoria reconhecida
Colunas: quatro
Secções Regulares: Folhetim, Portimão, Crónica, Lisboa, Faro, Odemira, Exterior, Revista Estrangeira, Espectaculos
Tipografia: Typographia da Liberdade
Data de fundação: 18-10-1874
Fim de publicação: 29-07-1877
Publicou: 146 números

Nº 5 - Jornal dos Artistas

Periodicidade: semanário, que se publicava às quintas-feiras
Local de Publicação: Portimão
Redacção e Administração: Rua Direita
Director: Domingos Leonardo Vieira a que se juntaria depois Gomes Leal
Colaboradores: José Alexandrino do Avelar, Luís Sepulveda Pimentel Mascarenhas, Sebastião de Magalhães Lima, José António Reis Dâmaso, Annes Baganha, José Maria Latino Coelho, Carrilho Videira, João Bonança, João Serpa, Bettencourt Rodrigues, João de Deus, Teófilo Braga, entre outros.
Colunas: quatro
Secções Regulares: Folhetim, Noticiário, Comunicados, Espectáculos
Tipografia: Typographia da Liberdade, depois Typographia do Correio do Meio Dia e finalmente o regresso à Typographia da Liberdade
Tiragem: 3500 exemplares [???]
Data de fundação: 11-11-1875
Fim de publicação: 20-09-1877
Publicou: 98 números

A.A.B.M. 

quarta-feira, 16 de abril de 2008

DE ROMA A LISBOA - A EUROPA EM DEBATE


A Europa em Debate
O Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, vai realizar no próximo dia 21 de Abril de 2008, no Arquivo da Universidade de Coimbra um colóquio sobre a questão da integração europeia, coordenado cientificamente pela Prof. Doutora Manuela Tavares Ribeiro.

O Colóquio De Roma a Lisboa: a Europa em debate propõe-se (re)pensar o processo de integração europeia - um tema que, volvido mais de meio século sobre o início do projecto comunitário, continua a revestir-se de toda a pertinência e actualidade.
Este Colóquio conta com a presença e colaboração dos Professores das Universidades de Coimbra (Letras e Economia), Açores e Trier.
Pretende dar a conhecer as pesquisas de jovens investigadores, em particular de estudantes de Doutoramento, em dois workshops centrados na dinâmica alargamento-aprofundamento.
Propõe-se discutir os principais desafios com que o Velho Continente hoje se confronta, com o intuito de levantar novas questões e pistas de reflexão.
Um encontro que dá seguimento às várias iniciativas que o CEIS20 tem vindo a desenvolver neste campo de estudo, reflectindo e reforçando a vitalidade científica do Centro no ano em que se assinala o seu 10º aniversário.



O programa completo e detalhado do evento pode ser consultado aqui.
Além do mais, o CEIS20, procurando inovar e atraír mais participantes para as suas iniciativas, propõe um desafio aos que se inscreverem e queiram deixar a sua opinião sob a forma de ensaio, garantem um diploma de participação e ainda um prémio surpresa.

O Almanaque Republicano, mais uma vez, faz a divulgação das iniciativas deste centro de investigação e apela à participação dos interessados por estas temáticas, desejando muito sucesso à organização.

A.A.B.M.

REVISTAS MUNICIPAIS (SÉCULOS XIX-XX)


As Revistas Municipais de Lisboa (1933-1973): história e propaganda

Amanhã (dia 17 de Abril), pelas 18 horas, na Hemeroteca Municipal de Lisboa, continuará o 2º Ciclo de Conferências, com o título "A CML e os seus Periódicos. Da Sinopse à Revista Municipal (1834-1988)", com a participação de Rita Correia (CML/HML) que nos falará sobre "As Revistas Municipais de Lisboa (1933-1973): história e propaganda".

A não perder.

J.M.M.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

DAS TRINCHEIRAS COM SAUDADE



Foi recentemente publicado por Isabel Pestana Marques mais um estudo sobre a participação de Portugal na 1ª Guerra Mundial, abordando-se desta vez a questão numa perspectiva de História da Vida Quotidiana.

Os testemunhos deixados pelos militares que participaram nos confrontos, seja na Europa ou em África, juntamente com um conjunto de documentação existente nos Arquivos e fornecida por particulares, permitiram tentar reconstituir as dificuldades, os medos, as diversões e os sentimentos partilhados por alguns dos intervenientes. Um dos principais núcleos documentais tratados é as cartas enviadas pelos soldados. A autora reconhece que se esforça por "dar voz aos combatentes, mostrar o lado humano da guerra, que é aquele que verdadeiramente a decide".

Uma obra inovadora da chancela da Esfera dos Livros que tem dedicado algum do seu espaço editorial à História, nesta caso concreto à História da participação de Portugal na Guerra.

Informação retirada da editora:

«De noite é que é o inferno. […] os telefones retinem, os estafetas põem-se a andar e o S.O.S. sobe ao céu, no vinco luminoso dos very-lights […] até que se apagam e o mundo é apenas escuridão. […] Ouve-se o crac-crac das metralhadoras que o boche despeja e que nós despejamos. E transida, bafejando as mãos, sem sono, a gente escuta o ecos e o nosso coração doente como um velho relógio tonto oscilando entre a saudade dos que estão longe e a ideia de morrer ali, armado e equipado, sonolento e triste, com um cão sem forças.»

Albino Forjaz Sampaio, oficial português na Flandres.


A partir de Janeiro de 1917, o cais de Alcântara assiste aos sucessivos embarques de tropas portuguesas rumo à Flandres. Em França reúnem – -se aos aliados ingleses para combaterem, na I Guerra Mundial, contra o inimigo comum: a Alemanha. A 2 de Abril de 1917, a coberto da bruma da madrugada, entraram nas trincheiras os primeiros soldados portugueses que iriam participar na campanha da I Guerra Mundial, num total de 55 mil expedicionários. Na Flandres, em França, encontraram um novo tipo de guerra. Enfrentaram o frio, a lama pegajosa, o barulho ensurdecedor dos bombardeamentos, habituaram-se ao «corned beef» que os fazia suspirar pelo bacalhau e o pão escuro nacional, adoeceram, sentiram medo, desolação e cansaço. Na frente de batalha, combateram ao lado dos ingleses, com coragem e heroísmo, outros desertaram ou foram aprisionados pelos alemães, e nos momentos de descanso aproveitavam para fugir ao terror dos ataques, jogando às damas, cantando, escrevendo cartas aos familiares ou namorando com francesas, belgas e inglesas, mesmo sem saber uma palavra do seu idioma.

A autora:

Isabel Pestana Marques é Mestre em História Contemporânea na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Investigadora de História Contemporânea, colabora no Instituto de História Contemporânea e da Comissão Portuguesa de História Militar. Publica artigos em revistas especializadas e participa em colóquios e congressos nacionais e internacionais. Publicou Memórias do General – Os Meus Três Comandos, de Fernando Tamagnini, abordou a participação portuguesa na I Guerra Mundial (1914-1918), assim como as revoltas monárquicas durante a Primeira República. Colaborou ainda na obra Nova História Militar de Portugal, coordenada por Nuno Severiano Teixeira (actual Ministro da Defesa).Encontra-se a ultimar o seu próximo trabalho - sobre o diário de guerra do general Tamagnini de Abreu -, que aguardamos com alguma expectativa. A autora foi galardoada com o prémio Defesa Nacional, em 1996, com a tese de mestrado "Os Portugueses nas Trincheiras - Um quotidiano de Guerra".

Mais uma novidade ao nível historiográfico que o Almanaque Republicano recomenda aos seus leitores.

A.A.B.M.

O 9 DE ABRIL - POR FERREIRA DO AMARAL


O 9 de Abril – por Ferreira do Amaral

"... Os senhores políticos, com a maior impolítica começaram a acusar-se mutuamente de responsáveis pelo que se passou, nos pântanos da Flandres, no dia 9 de Abril de 1918, esquecendo-se todos eles de que o general alemão Ludendorff não consultou nenhum dos partidos políticos de Portugal para tomar a deliberação de forçar o caminho de Calais, nesse dia; e que também não explicou a nenhum político do nosso paiz, porque é que não deliberou atacar esse ponto da frente aliada, antes ou depois de 9 de Abril de 1918.

Os políticos denominados ‘democraticos’ vomitam pragas contra os chamados ‘sidonistas’, acusando-os de responsáveis pelo desastre de 9 de Abril, o que nos leva a concluir que estão convencidos, ou que sabem de fonte segura, que os ‘sidonistas’ pediram ao general alemão a fineza de atacar os portugueses, sem falta, nesse dia!

Em revindita, os ‘sidonistas’ despejam sobre os ‘democraticos’ as maiores diatribes, tornando-os responsáveis pelo desastre de 9 de Abril: e deste modo, devemos ou podemos concluir que os ‘sidonistas’ possuem documentos, em que provarão, a seu tempo, que o governo que mandou as tropas para o ‘Front’ ocidental, empregou todos os esforços para que os portuueses fossem colocados num sector, que de antemão se sabia dever ser atacado no dia 9 de Abril de 1918!

Ambos os adversários chamam ‘DESASTRE’ ao que se passou nesse dia com os portugueses, que procuraram evitar o avanço alemão até onde o seu máximo esforço o permitia.

É caso para notar uma falta que ambos os partidos cometeram, para se poderem acusar mutuamente; foi o não terem enviado a tempo, delegados especiais para assitirem ao ‘DESASTRE!’.

[Major d'Infantaria Ferreira do Amaral, in A Batalha do Lys. A Batalha d’Armentières ou o 9 de Abril, Lisboa, Typ. do Comercio, 1923, p. 8-9]

J.M.M.

sábado, 12 de abril de 2008

ANTÓNIO SÉRGIO - ANTOLOGIA SOCIOLÓGICA


António Sérgio – Antologia Sociológica

"... Os achaques de que sofreu Portugal desde 1910 a 1926 tiveram como origem mais remota certas condições sociais-económicas a que esteve submetida a nossa Grei durante o transcurso da sua história, e como causa imediata e próxima uma concepção desacertada da democracia, ou seja a que liga à expansão emotiva e a ideais concebidos de maneira vaga, quando a democracia se deverá sempre basear na concentração voluntária e no auto-domínio, bem como no empenho de ensinar o povo a libertar-se de parasitismos que de há muito o oprimem (...)

Os males de que sofremos nos trinta anos seguintes (1926-56) consistiram sobretudo no agravamento enorme do domínio da oligarquia do Alto Negócio, servida pela política do Segundo Homem (ou Homem Fascista) e completamente amparada pela supressão real dos direitos políticos que se acham consignados no artigo 8º da Constituição, supressão que soltou do mínimo comedimento a cobiça insaciável dos tubarões (...)

É contraditório pretender fomentar, por um lado, a iniciativa mental da gente moça nos trabalhos escolares de natureza teórica, e submetê-la, por outro, a uma educação cívica de autoritarismo, com carácter mais ou menos militarista; cumpre substituir, por conseguinte, o sistema da 'Mocidade Portuguesa' (tomada do nazismo e do fascismo) pelo so self-government na vida da escola ..."

[António Sérgio, in prefácio à Antologia Sociológica, Trechos portugueses e estrangeiros seleccionados, comentados e prefaciados (Caderno I), Lisboa. 1956-1957, X cadernos - sublinhados nossos]

Nota: a colecção completa destes estimados cadernos encontra-se disponível no último Catálogo da Livraria In-Libris, que pode ser consultado on line.

J.M.M.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

ANTÓNIO VENTURA LANÇA 2ª EDIÇÃO DE "A CARBONÁRIA EM PORTUGAL"



Hoje, pelas 18.30h, no Grémio Lusitano, o Professor Doutor António Ventura lançou a 2ª edição da sua obra, com a presença do Professor Doutor António Reis, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano e do Dr. Francisco Carromeu Gomes. Numa edição da Editora Livros Horizonte que novamente se disponibilizou para promover os estudos sobre a República nos seus diferentes domínios.

Com os votos do maior sucesso para mais esta iniciativa.

A.A.B.M.

A BATALHA DE LA LYS




Na obra de Assis Gonçalves, Na Ceplândia. Retalhos da Grande Guerra onde se relatam algumas vivências do autor na Batalha de La Lys. Diz-nos este autor:

Fui para junto dos meus soldados.
Às 11 h e meia [dia 9 de Abril de 1918] resolvi continuar a marcha.
Mandei formar e segui pela estarda que me fora indicada.
O que durante esta marcha ia observando, é impossível descrever-se:
O meu pensamento ia absorto e contemplativo na estética visão de um maravilhoso-horrível.

Para além, por trás dos bosques, subiam aos milhares os very-ligths, num cordão luminoso de variadas cores, ininterrupto e deslumbrante.
Era um novo front, onde tantas vidas se imolavam à luz trágica do mais soberbo arraial de guerra.

Não tem a arte humana tintas suficientemente coloridas ou expressões suficientemente claras para poder traduzir a mais pálida visão da realidade trágico-formosa desse quadro, onde brilhava a agonia, sorria o sacrifício e o maravilhoso brincava! ... Automóveis, camions enchem as estradas, correndo em todas a direcções, febris, nervosos, agitados, na ancia de salvar arquivos, material, bagagens, arrastando tudo, tudo, lá para traz, para longe!... [...]

Caminho pensativo, triste desolado, sentindo o peso inútil desta farda que me cobre, que me esmaga, que me oprime! ... Tinha-a lavado nesse dia, é certo, no sangue do sacrifício, mas isso não me parecia bastante, quisera ter morrido!
Salvara-me por acaso, vivia por um milagre, a sorte fora comigo, mas se houvera ficado no front, teria sido mais feliz. A vida é um fardo pesado cuja tara é o sofrimento. [...]


[Na fotografia, tropas portuguesas a preparar-se para participar na Grande Guerra de 1914-1918, no campo militar de Tancos.]

A.A.B.M.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A TRINCHEIRA DA FLANDRES: 90 ANOS DEPOIS


Trincheira da Flandres: 90 anos depois

O Corpo Expedicionário Português [C.E.P.], formado oficialmente em 1917 [17 de Janeiro] - após a reorganização "acelerada" da tropa portuguesa [no que foi conhecido pelo "milagre de Tancos"] pelo [então] Ministro da Guerra, Norton de Matos, e o general Tamagnini de Abreu -, entra no dia 8 de Fevereiro de 1917 no território da Flandres, disposto [passe a impreparação e o desconhecimento da situação] a lutar, na guerra que se travava na Frente Ocidental, contra as forças alemães. Foi a 23 de Novembro de 1914 que, em reunião extraordinária, o Parlamento Português aprova a intervenção, ao lado da "velha" aliada Inglaterra e a seu pedido [através do Memorando de Outubro de 1914], contra a Alemanha.

A declaração formal de guerra da Alemanha a Portugal [9 de Março de 1916] que se seguiu, era o esperado, face à guerra surda que portugueses e alemães travavam no norte de Moçambique [datavam de Julho de 1914, as "primeiras escaramuças"] e a sul da Angola.

O aceso debate que então se travou entre os intervencionistas [como Afonso Costa, Bernardino Machado, João Chagas, Norton de Matos, Jaime Cortesão, Machado Santos] e os neutralistas [caso de Brito Camacho, Freire de Andrade, Sidónio Pais] no envolvimento de Portugal na I Grande Guerra, a par da enorme instabilidade política que então existiu [movimentações monárquicas, queda de governos, dissolução da Assembleia, cisões na Maçonaria, greves e lutas operárias contra a carestia de vida e a fome], tornam este período particularmente difícil e conturbado.

A 9 de Abril de 1918, a 2ª Divisão do CEP chefiada por Gomes da Costa [cansada, sem ser reforçada, abandonada pelos oficiais e esquecida deliberadamente pelo então levantamento militar Sidonista, que era contrário à presença portuguesa na guerra], sofre uma pesadíssima derrota e fica destroçada, pela ofensiva ["Georgette"] do 6º Exercito alemão, traçada por Ludendorff, na Batalha de La Lys. Com milhares de baixas e muitos prisioneiros [7.500] a Flandres será, no dizer de Jaime Cortesão [in Memórias] o novo Alcácer-Quibir, da nossa memória.

J.M.M.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

MAIO 68 - POLÍTICA|TEORIA|HISTÓRIA


MAIO 68 - POLÍTICA|TEORIA|HISTÓRIA

No Instituto Franco-Português, Lisboa, vai realizar-se nos próximos dias 11 e 12 de Abril de 2008 um importante colóquio internacional para debater e melhor compreender os acontecimentos de há 40 anos. Alguns dos participantes que foram intervenientes directos dos acontecimentos, para além de analisarem os factos deixarão também o seu relato sobre os eventos onde foram parte importante.

Organização

Instituto Franco-Português

Instituto de História Contemporânea

Le monde diplomatique – edição portuguesa

Maio de 1968. Em Paris anuncia-se o início de uma luta prolongada. Quatro décadas depois, este colóquio internacional reúne um conjunto de reputados intelectuais cujas investigações permitiram voltar a olhar para 1968 nas suas mais variadas dimensões. Levando o debate mais além das repetidas alusões ao cariz geracional e estudantil da revolta, mapeando 1968 para lá das fronteiras da França, o colóquio confronta a importância de 1968 na emergência de novas subjectividades políticas, analisa a dimensão de luta de classes que atravessa o período e discute a persistência de Maio’68 nos conflitos políticos contemporâneos.

Os coordenadores,
Bruno Peixe (NÚMENA)
Luís Trindade (IHC-UNL/U.Birkbeck)
José Neves (ICS-UL)
Ricardo Noronha (IHC-UNL)


PROGRAMA

11 DE ABRIL

9h30

Sessão de Abertura


10h | Maio no Mundo


- Fernando Rosas,Teses sobre a geração dos anos 60 em Portugal e a questão da hegemonia

- Gerd-Rainer Horn, Um conto das duas europas

- Manuel Villaverde Cabral, Maio de ‘68 como revolução cultural


14h30 | Ideias de Maio


- Anselm Jappe, Maio de 68, do «assalto aos céus» ao capitalismo em rede. O papel dos situacionistas

- Daniel Bensaid, Como será possível pensar poder quebrar o ciclo vicioso (da dominação)


Judith Revel, 1968, o fim do intelectual sartriano


12 DE ABRIL


10h | Maio em Movimento

- Maud Bracker, Participação, encontro, memória: os imigrantes e o Maio de 68

- João Bernardo, Estudantes ou trabalhadores?

- Franco Berardi (Bifo), 68 e a génese do cognitariado



14h30 | O Outro Movimento Operário


- Xavier Vigna, As greves operárias em França em 1968

- Yann Moulier Boutang, Maio de 68, herança por reclamar na divisão de perdidos e achados da História

- John Holloway, 1968 e a crise do trabalho abstracto


18h | 1968 - 2008

- Bruno Bosteels, A revolução da vergonha

- François Cusset, Os embalsamadores e os coveiros

Entrada Livre

Mais informações: lisboa1968@gmail.com | (+351) 213111468

A toda uma geração que viveu os acontecimentos, seria importante recordar as emoções e as utopias que por essa época se espalharam pela Europa e que lançou sementes para se introduzirem transformações que ainda hoje vão fazendo parte do nosso quotidiano.

A seguir com toda a atenção.

A.A.B.M.

II LAGOS MARITIME HISTORY - WORKSHOP

II LAGOS MARITIME HISTORY - WORKSHOP

A Câmara Municipal de Lagos vai levar a efeito nos próximos dias 10 e 11 de Abril de 2008, um workshop sobre a temática da História Marítima.

Este evento está a ser coordenado por Dejanirah Couto da École Pratiques des Hautes Études, Paris e resulta da parceria entre a Câmara Municipal de Lagos e o Centro de História de Além-Mar, Lisboa.

Ao longo de dois dias, vão debater-se na cidade algarvia os problemas ligados aos Descobrimentos: Do Mediterrâneo ao Oceano Índico: Marinheiros, Barcos e Vida a Bordo (1500-1700).

Entre os intervenientes neste colóquio internacional registam-se as seguintes presenças:

Dia 10

9.30 h
Sessão Inaugural:
- Júlio Monteiro Barroso
- Dejanirah Couto


10 h - 2ª Sessão: Navegações Otomanas no Oceano Índico
- Alain Servantie, Venetian assistance to the Ottomans in building an oceanic fleet (1525-1540)
- Jean-Louis Bacqué-Grammont, Le voyage périlleux d’une escadre ottomane du golfe Persique à la mer d’Oman
- Dejanirah Couto, Les marins ottomans dans l’océan Indien d’après le Viaggio scritto per un comito veneziano et la Descritio peregrinationis de Georg Huszti

15.00H Sessão 3 - Navegações Portuguesas nos Mares da Ásia
-Filipe Vieira de Castro, Influências mediterrânicas em navios oceânicos portugueses
- Audrey Wells & Filipe Vieira de Castro,Populating a Portuguese Indiaman
- Leonor Freire Costa, Making the carreira da Índia work: contractors and contracts for shipbuilding (1500-1640)
- Jorge Santos Alves, Corporations multinationales dans le Nanyang, d’après la Peregrinaçam de Fernão Mendes Pinto


11 de Abril, sexta-feira

9.30H Sessão 4 - Navegações Portuguesas nos Mares da Ásia
- Rui Manuel Loureiro, A carreira da Índia vista por um diplomata espanhol do século XVII, Don García de Silva y Figueroa
- Vitor Rodrigues,A orientalização das armadas portuguesas no mares asiáticos no século XVI
- Jacky Dumenjou,Kora-kora, jonques et baroto: embarcations insulindiennes au service de l’exploration portuguaise d’après la Relation de Miguel Roxo de Brito (1581-1582)

15.00H Sessão 5 - Portuguese and Dutch Maritime Enterprises
- Arie Pos, Ships and sailors in maritime Asia according to Jan Huygen van Linschoten’s Itinerario
- André Murteira, Perdas navais neerlandesas e portuguesas na Rota do Cabo na primeira metade do século XVII
- Tiago Fraga, The trade / warfare duality in Portuguese ship construction of the 17th century in view of archaeological evidence
- Timothy Walker, Health and profit at sea: Medicinal exports from Asia aboard the carreira da Índia

Entrada livre

Inscrições:
rui.loureiro@cm-lagos.pt

Uma iniciativa importante, ligada à História dos Descobrimentos Portugueses que se realiza fora dos grandes centros de investigação universitária (embora ligada a esta) de Lisboa, Porto ou Coimbra o que é sempre de realçar. Por outro lado, a divulgação destes eventos, abertos à comunidade, permitem a mais gente ter acesso ao conhecimento.

Esperamos e desejamos os maiores sucessos para esta realização.

A.A.B.M.

domingo, 6 de abril de 2008

MANUEL JOSÉ MARTINS CONTREIRAS (parte II)

MANUEL JOSÉ MARTINS CONTREIRAS (parte II)

[Notas complementares]

Foi um dos sócios fundadores da Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses, criada em 1880, por ocasião do Tricentenário da Morte de Camões.

Em 1880, viu aprovado, por parecer da Junta Consultiva de Instrução Pública, a sua obra Cartilha da Escola (Método Legográfico), encontrando-se a leccionar na escola municipal nº 1, em Lisboa. Nessa altura participa activamente nas conferências pedagógicas, como as de 1883, onde apresenta uma tese sobre o “Ensino Associativo”.

No ano seguinte, realiza pelo menos uma conferência, na Associação dos Jornalistas e Escritores Portugueses, intitulada “Os princípios pedagógicos de Comenius, Pestolazzi e Froebel determinaram uma revolução no ensino”.

Martins Contreiras foi um dos elementos que integraram o primeiro directório do Partido Republicano em 1876.

Aceite como sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa em 1889, foi inscrito sob o nº 1596.

Em 1910, realizou uma outra conferência na Associação Comercial dos Lojistas de Lisboa intitulada “A Liberdade da Pesca”.

Encontraram-se colaborações em periódicos republicanos desde a década de 1870, inicialmente no Rebate, criado em Lisboa, adepto da doutrina republicana radical socialista, onde colaboravam também Carrilho Videira, Nobre França , Eduardo Maia, Silva Pinto e outros, tendo publicado 32 números. Encontramo-lo também a integrar o Centro Republicano Federal de Lisboa, tendo Manuel José Martins Contreiras feito parte integrante da comissão administrativa juntamente com Tito Lívio Dias Mendes e Carrilho Videira.

Encontramo-lo também a colaborar no Almanaque do Século (1881), na Vanguarda, Riomaiorense, Revista Pedagógica, Gazeta das Escolas, Froebel e outras.

Martins Contreiras, em 1908, era presidente da Comissão Republicana da Freguesia do Coração de Jesus, em Lisboa.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

CASTELO, Cláudia, “Manuel José Martins Contreiras”, Dicionário de Educadores Portugueses, Dir. António Nóvoa, Edições Asa, Porto, 2003, p. 386-387.
CATROGA, Fernando, O Republicanismo em Portugal. Da Formação ao 5 de Outubro de 1910, 2 vols., Faculdade de Letras, Coimbra, 1991.
HOMEM, Amadeu Carvalho, Da Monarquia à República, Palimage, Viseu, 2001.
LEMOS, Mário Matos e, Jornais Diários Portugueses do Século XX. Um Dicionário, Ariadne Editora, Coimbra, 2006.
MARQUES, A.H. de Oliveira, Correspondência Política de Afonso Costa. 1896-1910, Col. Imprensa Universitária, Editorial Estampa, Lisboa, 1982.
OLIVEIRA, Lopes de, História da República Portuguesa. A Propaganda na Monarquia Constitucional, Inquérito, Lisboa, 1947.
VALENTE, José Carlos, Elementos para a História do Sindicalismo dos Jornalistas Portugueses. Parte I (1834-1934), Sindicatos dos Jornalistas, Lisboa, 1998.

[Foto: retirada do "Dicionário de Educadores Portugueses", dir. António Nóvoa, ASA, 2003]

A.A.B.M.

sábado, 5 de abril de 2008

MANUEL JOSÉ MARTINS CONTREIRAS (parte I)


MANUEL JOSÉ MARTINS CONTREIRAS

Nasce na Fuzeta (Olhão), em 1848, aí frequentou a escola primária onde aprendeu a ler e a escrever. Filho de um abastado proprietário, falecido ainda ele era bastante jovem, foi ele que se encarregou de continuar os trabalhos nos campos, vigiando os trabalhadores e lendo os livros e jornais que conseguia obter.

Aos 18 anos parte para Lisboa e frequenta a Escola Normal, saiu de lá como aluno distinto, tentando por isso estudos superiores.
Em 1870 foi nomeado professor na escola de Moncarapacho (Algarve), e dois anos depois foi colocado em Oeiras, seguindo-se a escola central de Lisboa.
Em 1875 obteve por concurso em provas públicas a nomeação de professor da escola municipal nº 1, entrando com Simões Raposo, Teófilo Ferreira e outros, na propaganda, pela palavra e pela imprensa, que levou o ministro António Rodrigues Sampaio e o director-geral A. M. de Amorim a fazerem a reforma de 1878.

Assistiu em 1880 aos Congressos de Bruxelas, tomando parte nas discussões daquela assembleia, visitou ainda nessa altura muitas escolas na Inglaterra, Bélgica, França e Espanha. No ano seguinte rejeitou o lugar de inspector, preferindo ficar em Lisboa.

Defensor das ideias liberais e democráticas, tomou parte nos congressos das Associações, na organização de muitas associações operárias, de instrução e cooperativas, e especialmente nas estabelecidas pelo partido republicano, onde muito trabalhou ao lado de Oliveira Marreca, Latino Coelho, Sousa Brandão e Elias Garcia.

Eleito vice-presidente do 1º Congresso de Professores, realizado em Lisboa, nos dias 16, 19, 20 e 21 de Maio de 1892. Na comissão organizadora deste congresso, encontravam-se também Bernardino Machado, António Sérvulo Mata, António Maria de Freitas, Francisco José Cardoso, Francisco José Pinto Coelho, Manuel José Felgueiras, José Narciso Braga Condé, Manuel José Ferreira, Cândido de Figueiredo, e Guilherme José da Silva.

Parte para Angola em 1893 para estudar a instrução primária naquele território. Regressa a Portugal em 1894, onde apresentou um importante e desenvolvido relatório sobre a situação. Durante a sua estadia estudou também a administração colonial portuguesa e publicou um livro sobre o assunto, intitulado A Província de Angola, bem como dois outros opúsculos: O Crédito Predial Agrícola e o Regime Bancário em Angola, e As Fazendas do Banco Ultramarino em Angola. Publicou ainda outras obras como a Cartilha da Escola, por proposta de João de Deus; A Gramática da Escola, Sinopses da História Prática e Análise das Teorias Gramaticais do Sr. Epifânio, trabalhos estes que rapidamente esgotaram e que não conheceram nova reimpressão. Foi também assíduo colaborador da imprensa republicana da época O Século, Encyclopedia Republicana, entre outros.

No regresso da sua viagem de Angola recebeu a notícia da morte de sua esposa a senhora Ana Rosa Nunes Contreiras, que foi regente da escola central nº10.
Dedicou-se sempre ao trabalho, quer na escola nº 20, onde foi regente, quer nos seus negócios particulares, pois tinha constituído fortuna. Dedicou também parte do seu tempo ao estudo do problema colonial convencido que a criação do crédito agrícola e a organização do ensino público naquela província traria grandes vantagens tanto para o país como para a região.

Em 1897 foi presidente do Congresso Nacional do Professorado Primário, que se realizou em Lisboa entre 12 e 15 de Abril desse ano.

Foi também um conhecido elemento do Grande Oriente Lusitano Unido, tendo pertencido a uma loja maçónica entretanto desaparecida, manteve-se activo até às vésperas da República.
Faleceu em data que não conseguimos apurar.

Encontram-se algumas referências dispersas sobre Martins Contreiras aqui e ainda aqui, ou sobre a sua visita a Angola para estudar a instrução popular naquele território a consultar aqui ou ainda aqui.

[Nota: Na fotografia uma imagem de uma sala de aula no final da Monarquia, retirada do Arquivo Fotográfico de Lisboa, com a devida vénia. Não nos foi possível obter neste momento, em formato digital, uma imagem de Martins Contreiras].

A.A.B.M.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

LE PROCÈS DE LA COMMUNE


Le Procès de la Commune - por Cláudio José Nunes

[in Cláudio José Nunes - Scenas Contemporaneas, com uma Carta-Prológo por José Latino Coelho, Editores Rolland & Semiond, Lisboa, Typ. Castro & Irmão, 1873 - ver aqui na BND]

J.M.M.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

COMUNA DE PARIS DE 1871: BREVE CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS



5 de Janeiro
- Primeiros bombardeamentos prussianos a Paris.
- O exército organizado por Gambetta obtém algumas vitórias que com o apoio da Guarda Nacional poderiam alterar o curso da guerra. O governo boicota Gambeta e não permite a intervenção da Guarda.

19 de Janeiro
- Derrota francesa de Buzenwald.

21 de Janeiro- Manifestação dos guardas nacionais de Paris.
- Libertação de Flourens.

22 de Janeiro
- Nova manifestação severamente reprimida.

23 de Janeiro
- Supressão de dezassete jornais e encerramento de numerosos clubes.

28 de Janeiro
- Assinatura do armistício.

6 de Fevereiro
- Demissão de Gambetta.

12 de Fevereiro
- A Assembleia reune-se em Bordéus.

17 de Fevereiro
- Thiers forma governo.

1 de Março
- Os alemães entram em Paris e ocupam os Campos Elíseos.

10 de Março
- A Assembleia vota a sua transferência para Versalhes. Decreta a abolição da moratória sobre as rendas de casa e a imediata exigibilidade do pagamento de letras e outros títulos de dívida. Descontentamento da pequena burguesia.

18 de Março
- Thiers tenta tirar à Guarda os canhões.
- Insurreição em Paris. O governo foge para Versalhes. O exército regular abandona a cidade.

23 de Março
- Comuna em Marselha.
- Comuna de Lião.

24 de Março
-Comuna em Saint-Étienne, Narbona e Tolosa.
- Os "maires" de Paris tentam conciliar Paris e Versalhes, mas sem êxito.

25 de Março
- Fim da comuna de Lião.
- Eleições para o Conselho da Comuna de Paris que decorreu sem incidentes.

26 de Março
- Comuna no Creuzot.

27 de Março
- Proclamação da Comuna de Paris, que se instala nos edifícios abandonados pelo governo.
- Fim da Comuna de Tolosa.

31 de Março
- Fim da Comuna de Narbona.

2 de Abril
- Decretada a separação do Igreja e do Estado.

3 de Abril
- Tentativa de ataque a Versalhes. Morte de Fleurens.

4 de Abril
- Recuo das tropas da comuna. Morte de Duval.
- Fim da Comuna de Marselha.

8 de Abril
- Conversações entre o governo de Thiers (Favre) e Bismarck.

10 de Abril
-Tentativa de conciliação promovida pela Maçonaria.

12 de Abril
- A Comuna decreta a suspensão os pagamentos de dívidas.

13 de Abril
- Decreto ordenando a demolição da coluna de Vandoma.

16 de Abril
- A Comuna decreta a reabertura das oficinas abandonadas, em moldes de autogestão operária (Cooperativas).

19 de Abril
- Declaração ao povo francês, expondo o programa da Comuna.

25 de Abril
- Requisição de habitações vagas, para serem reocupadas por famílias desalojadas pela guerra.

27 de Abril
- Decreto abolindo as multas sobre os salários.

4 de Maio
- Proibida a acumulação de remunerações de cargos oficiais. Os membros da Comuna recebem uma remuneração equivalente ao salário médio de um operário.
- Abolição do juramento profissional e político.

7 de Maio
- Saudação da Associação Internacional dos Trabalhadores.

8 de Maio
- Ultimato de Thiers aos parisienses.

9 de Maio
- Criação de um Comité de Salvação Pública.

16 de Maio
- Demolição da coluna de Vandoma.

17 de Maio
- Decreto abolindo a distinção entre filhos naturais e legítimos, para efeitos de pensão de orfandade.

19 de Maio
- Decreto de laicização do ensino.

21 de Maio
- Decreto transformando os teatros em cooperativas de actores.
- As tropas governamentais entram em Paris.

22 de Maio
- As tropas governamentais ocupam os Campos Elíseos.

23 de Maio
- Avanço da tropas em Paris.
- Morte de Dombrowski.

24 de Maio
- As tropas regulares tomama o Banco de França, o Louvre e a Bolsa.
- Os «comunards» executam os reféns, entre os qauis o arcebispo de Paris.

25 de Maio
- As tropas governamentais tomam La Villette, a Bastilha, St. Antoine.

26 de Maio
- Chacina da população parisense pelas tropas governamentais.

27 de Maio
- Fuzilamentos em massa dos resistents.

28 de Maio
- Últimos tiros dos poucos resistentes. Cerca do meio-dia, a resistência termina e os «comunards» rendem-se às tropas regulares.

Bibliografia Consultada: Alves, Ana Maria, Portugal e a Comuna de Paris, col. Polémica, Editorial Estampa, Lisboa, 1971, p. 185 a 189 (Excertos).

A.A.B.M.

A COMUNA DE PARIS





[via La Commune de Paris, com a devida vénia]

"... Depois de ouvir o alarido das greves e o estrondo das batalhas, acordou de sobressalto, levantou-se e, estendendo os olhos pelo horizonte, viu ao longe um clarão imenso: eram as chamas ateadas pela Revolução Operária de Paris, nos Paços do Poder momentaneamente derrubado.

O operariado já não deve ser como o irracional, a que soltam do trabalho só o tempo necessário para dormir e refazer-se das forças, e a que dão o alimento indispensável somente para não morrer. O operário deve ser um homem com os meios precisos para viver bem; com o tempo suficiente para se instruir e descansar; deve ser um homem no pleno gozo do seu trabalho e no uso perfeito das suas faculdades e dos seus direitos. No mundo social vai, necessariamente, dar-se uma transformação extraordinária, porque não é possível continuar o escândalo absurdo dos trabalhadores morrerem de fome e dos ociosos morrerem de fartura ..."

[in Manifesto do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, 1872]

J.M.M.

terça-feira, 1 de abril de 2008

CURSO LIVRE DE HISTÓRIA MILITAR




A Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa vai iniciar amanhã, dia 2 de Abril, um Curso Livre de História Militar subordinado ao título: Arte do Ataque e da Defesa, coordenado pelo Doutor José Varandas, reparte-se por 13 sessões até ao dia 25de Junho de 2008.

Entre os conferencistas encontram-se figuras prestigiadas entre os historiadores e militares com provas dadas no conhecimento histórico de determinadas épocas.

As conferências decorrem às quartas-feiras, entre as 18h00m e as 20h00m, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras.

Cada conferência tem a duração de uma hora e trinta minutos, ficando
reservados trinta minutos para debate e interpelações ao orador.

Destacam-se entre os palestrantes:
- Adelino de Matos Coelho;
- Pedro Gomes Barbosa;
- António Ventura;
- Aniceto Afonso;
- Carlos Matos Gomes entre outros.

O programa deste curso e respectiva ficha de inscrição pode ser consultada aqui.

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa da Faculdade de Letras de Lisboa.

A.A.B.M.

LX: REVISTAS MUNICIPAIS (SÉCULOS XIX-XX)


Mostra Bibliográfica e Documental "Lx: revistas municipais (séculos XIX-XX)"

A Hemeroteca Municipal de Lisboa, de acordo com a sua programação, realiza uma Mostra Bibliográfica e Documental "Lx: revistas municipais (séculos XIX-XX)" entre os dias 1 de Abril e 31 de Maio, do corrente ano, na Hemeroteca Municipal de Lisboa - Sala do Espelho.

Ainda sobre este evento, decorrerá um Ciclo de Conferências com a presença de Luis Bigotte Chorão [A Imprensa Institucional: o estado da questão], Rita Correia [As Revistas Municipais de Lisboa (1933-1973): história e propaganda] e Álvaro Costa de Matos [A Imprensa Municipal Lisboeta Oitocentista: subsídios para a sua história].

Ver toda a programação, aqui.

J.M.M.

ARQUIVO PESSOAL DE FLAUSINO TORRES


Arquivo Pessoal de Flausino Torres no Centro de Documentação 25 de Abril

"O arquivo pessoal do professor, jornalista, historiador e militante contra o Estado Novo Flausino Torres vai passar a integrar o espólio do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra.

No dia 27 de Março, em cerimónia que decorrerá pelas 12H00, na Reitoria da Universidade de Coimbra, o historiador e arqueólogo Cláudio Torres, filho de Flausino, e outros membros da família Torres, entregarão ao director do Centro de Documentação 25 de Abril, Boaventura de Sousa Santos, mais este importante arquivo, que integra documentos fundamentais para o estudo da história política do século XX, com especial destaque para história das elites políticas portuguesas das décadas de 30 a 60.

Os documentos que agora serão entregues à Universidade de Coimbra foram cuidadosamente analisados e arrumados por Paulo Torres Bento, neto de Flausino Torres e também ele historiador. O arquivo é constituído por cinco caixas, contendo documentos políticos e correspondência, organizados por épocas, originais de muitos dos livros que publicou e um CD-Rom com fotografias digitalizadas, agrupadas também por épocas"

[via Universidade de Coimbra]

J.M.M.