sexta-feira, 30 de maio de 2008

PARA UMA HISTÓRIA SOCIAL DO PROFESSORADO PRIMÁRIO


Margarida Louro Felgueiras

A Editora Campo das Letras publicou recentemente este trabalho que resulta de uma tese de doutoramento apresentado pela autora à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Nesta obra, é possível acompanhar a evolução e transformações por que passou uma instituição formadora de professores primários, e, particularmente, as origens sociais do corpo docente que ali foi formado.

«Poucas vezes um trabalho de investigação – por definição, altamente especializado – consegue entrelaçar tão complexa, profunda e rigorosamente a trama de uma história institucional como acontece na presente obra.
Uma obra que, por isso mesmo, extravasa amplamente o seu objecto específico de estudo para converter-se num autêntico fresco de uma época. A história do Instituto do Professorado Primário Oficial Português (Instituto Sidónio Pais), que Margarida Louro Felgueiras se propõe construir (e reconstruir) neste trabalho, urde-se sobre uma rica e poliédrica trama em que a análise das relíquias – isto é, os registos e restos materiais da instituição – e os relatos – a memória e o relato oral de antigos alunos – se interligam admiravelmente. O resultado já não é (ou não é somente) a crónica histórica de uma instituição que durante setenta e cinco anos se ocupou a acolher, instruir e formar os filhos e filhas daqueles professores que, isolados no interior do país, "derramavam a luz da instrução" nos pequenos povoados e aldeias: as fontes (primárias e secundárias) utilizadas, a metodologia que adopta para o seu tratamento e os planos e categorias analíticas que se recortam tornam possível que a partir de uma informação "saturada" se construa um autêntico estudo histórico-sociológico sobre a profissão docente em Portugal, em cujo fundo se desenham os traços que a determinam – a condição rural do país, os restos do colonialismo, a influência do poder militar, a força dos sectores católicos, o carácter classista, autoritário e hierarquizado da sociedade… mas também a aspiração de determinados grupos e forças sociais (entre elas o professorado e suas associações) a afirmar (afirmando-se ao mesmo tempo) o poder transformador da educação para provocar as mudanças e a chegada "do novo"… Nessa linha, a aproximação ao ethos que a institução analisada provocou nos seus alunos internos para responder a isso é, finalmente, outra das grandes contribuições do trabalho, exemplar do ponto de vista metodológico.»
AIDA TERRÓN BAÑUELOS, Professora de História da Educação. Universidade de Oviedo


Uma obra que recomendamos, pela análise que propõe, e pela marca que lançou na investigação de instituições formadoras de docentes.

Um trabalho de folego que se saúda.

A. A. B. M.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

DIÁRIO DA BATALHA DE PRAGA - POR FLAUSINO TORRES



Diário da Batalha de Praga – por Flausino Torres

"(...) este Diário… é o de uma “Batalha”, batalha não só do povo checoslovaco contra o invasor e as forças obscuras que reemergiram da sombra e do passado recente para barrar o “novo curso” de Dubcek e da sua equipa de “reformadores”. Batalha também, e para tantos decisiva e derradeira, de muitos militantes comunistas portugueses (desde logo os exilados nos países do leste) pela coerência de um ideal que deles e das suas vidas tinha feito quase tudo o que eram, um ideal que sentiam resgatado, renascido, pelo “socialismo de rosto humano”anunciado pela “Primavera de Praga”, isto é, pelas mudanças operadas na direcção e no programa do PC da Checoslováquia a partir de Janeiro de 1968, quando Dubcek, a face da mudança, assume a direcção do partido, e na prática, do Estado. Batalha que mobiliza totalmente o intelectual comunista Flausino Torres, então leitor de Cultura e Língua portuguesa na Universidade de Karlova, em Praga, e vários dos seus camaradas de um exílio feito de muitas dúvidas e desilusões com a experiência do “socialismo real”. Estava ali, afinal, a alternativa, o reencontro do socialismo consigo próprio, com o que entendiam, como nestes textos nos dá conta Flausino Torres, ser a sua essência de humanitarismo, democracia, participação operária e cidadã, liberdade, independência nacional, dignidade, em suma. Por tudo isto, combate que os faz chocar de frente, e no caso de Flausino usando uma violência verbal e escrita sem precedentes, com a direcção do PCP e o próprio Álvaro Cunhal, designadamente numa decisiva e tempestuosa reunião que se realiza, em Novembro de 1968, em Praga, da qual resultará o seu afastamento das fileiras do partido em que militava desde o final dos anos trinta. (...)"

[Fernando Rosas, in pref. Diário da Batalha de Praga Socialismo e Humanismo, de Flausino Torres, Edições Afrontamento. Apresentação e notas de Paulo Torres Bento]

J.M.M.

terça-feira, 27 de maio de 2008

LEILÃO DE BIBLIOTECA PARTICULAR


LEILÃO DE LIVROS

Hoje (27), amanhã (28) e quinta-feira (29) de Maio vai realizar-se em Lisboa, um leilão de livros organizado pelo livreiro e alfarrabista Luis Burnay. O evento decorrerá a partir das 21 horas,no Hotel Roma - Sala Veneza, que se situa na Rua Infante D. Pedro, nº 6.

Entre os mais de mil lotes a leilão, encontramos várias obras ligadas à temática da implantação da República ou com ela relacionadas, de que nos permitimos destacar somente alguns lotes:

- Lote 12 - ALBUM das glórias: homens de estado, poetas, jornalistas, dramaturgos, actores, politicos,pintores, médicos, industriaes, typos das salas, typos das ruas, instituições, etc./ desenhos de Raphael Bordallo Pinheiro; texto de João Rialto e João Ribaixo; lithographias de Justino R. Guedes.- Lisboa: Cândido Chaves, 1880-1883.- 36 litografias; 40cm.-E

- Lote 17 – ALMEIDA, Antonio José d’.- Desaffronta (Historia de uma perseguição).- Coimbra: Augusto d’Oliveira, s.d. (1895?).- (4), XV, (2), 204, (4)p.;23cm.-E

- Lote 69 - ARRIAGA, José d'.- História da Revolução de Setembro.- Lisboa: Typ. da Companhia Nacional Editora, s.d.- 3 vols.; 26cm.-E

- Lote 132 - BIOGRAFIA.- 8 Obras: Mousinho / Ferreira Martins, (Lisboa,1938); Gomes Leal sua vida e obra/ Álvaro Neves e Henrique Marques Júnior, (Lisboa, 1948); Vieira de Castro e a sua Tragédia/ Gomes Monteiro, (Lisboa, 1932); A vida amargurada de Filinto Elysio/ Carlos Olavo, (Lisboa,s.d); D. Carlos I: I - Elementos de Historia Diplomática/ Luís Vieira de Castro, (Lisboa,1936); O Drama de Canto e Castro: um monárquico presidente da república/ Maurício de Oliveira, (Lisboa, 1944); João Franco (1906-1907)/ João Chagas/ Lisboa,1907; Francisco de Lucena: sua vida,martírio e reabilitação / José Emídio Amaro, (Lisboa,1945).

- Lote 143 - BONANÇA, João.- Historia da Luzitania e da Iberia desde os tempos primitivos ao estabelecimento definitivo do dominio romano: parte fundada em documentos até ao presente indecifráveis: obra ilustrada de muitas gravuras de plantas e animaes das eras geológicas, dos primeiros productos da industria humana e das primitivas moedas hispanicas… Vol.I.- Lisboa: Empr. da Historia da Luzitania e da Iberia: Impr. Nacional, 1887.- 900p.:il.;29cm.-B

- Lote 150 - BRAGA, Teófilo.- A Patria Portugueza : O Território e a Raça.- Porto: Livraria Internacional de Ernesto Chardron, 1894.-XV, 320p.; 18cm.-E + Origens poeticas do Christianismo.- Porto: Livraria Universal de Magalhães & Moniz, 1880.- VII, 296p.; 18cm.-E + Epopêas da Raça Mosárabe.- Porto: Imprensa Portugueza, 1871.- VII, 378, (2)p.; 18cm.-E + Historia da Litteratura Portugueza : Introducção.-(8), 355p.; 19cm.-E + Poetas Palacianos.- Porto: Imprensa Portuguesa, 1871.- 434, (2)p.; 19cm.-E

- Lote 179 - CABRAL, António.- 3 obras.- As minhas memorias politicas / O Agonizar da Monarchia: Erros e Crimes - Novas Revelações.-Lisboa: Livraria Popular de Francisco Franco, 1931.- 394,(4)p.; 19cm.-B + CABRAL, António.- As minhas memorias politicas - Na linha de fogo: Revelações que se fazem - Mysterios que se desvendam.- Lisboa: Livraria Popular Francisco Franco, 1930.- 311, (8)p.:19cm.-B + CABRAL, Antonio.- As minhas memorias politicas - Em plena República: A Catastrophe - Valeu a pena?.- Lisboa: S.n.,1932.- 510p.: 1 retr..;19cm.-B

- Lote 180 - CABRAL, António.- 5 Obras: Estrelas sem luz: contos inverosimeis,(Lisboa,1944); A Águia do Marão: o Grande Orador António Cândido, (Lisboa,1943); Os talentos e os desvarios de Guerra Junqueiro, (Lisboa,1942); Para a história Os culpados da Queda da Monarquia, (Lisboa, 1946); As minhas memórias de jornalista, (Lisboa,1949).

- Lote 213 - CARLOS DE BRAGANÇA, Dom (Rei de Portugal).- 7 Publicações sobre: Rei D. Carlos O Martyrisado/ Ramalho Ortigão, (Lisboa,1908); O Rei D. Carlos perante a Arte e perante a História/ Rodrigues Cavalheiro, (Lisboa,1964); D. Carlos o Desventuroso - Notas intímas/ Joaquim Leitão, (Porto,1908); Carta a El-Rei / João Diabo, (Lisboa,1909); El Rey Don Carlos de Portugal /Pedro Antonio de Oliveira Ribeiro Neto, (São Paulo,1964); D. Carlos de Bragança Naturalista e Oceanógrafo / Mário Ruivo, (Lisboa,1958); S.M. El-Rei D. Carlos I e a sua obra artistica e scientifica,(Lisboa,1908).

- Lote 257 - CHAGAS, João; COELHO, Ex-Tenente.- Historia da Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891. (depoimento de dois cumplices).- Lisboa: Empreza Democratica de Portugal, 1901.- (4), 470p.:il.; 25cm.-E

- Lote 324 - CHRISTO, Homem.- Banditismo Politico: A Anarchia em PortugaL.- Madrid: Imp. de Gabriel López del Horno, 1912.-1001p.;20cm.-E + CHRISTO, Homem.- Monarchicos e Republicanos(apontamentos para a História Contemporânea).- Porto: Livraria Escolar Prográdior, 1928.- (6), 411p.;18cm.-B

- Lote 325 - CHRISTO, Homem.- Notas da minha vida e do meu tempo.- Lisboa: Guimarães & Cª, s.d.- 7 vols.; 19 cm.-B

- Lote 354 - DIAS, Carlos Malheiro.- Quem é o Rei de Portugal/decoração de Santos Silva.- Lisboa: Antiga Casa Bertrand; José Bastos & Cª, 1908.- 103p.:il.; 33cm.-E

- Lote 482 - GRAINHA, M.Borges.- O Portugal Jesuita.- Lisboa: Typ. e Stereotypia Moderna, 1893.- 512, (2)p.; 20cm.-E

- Lote 599 - LORENZO, Félix.- Portugal (cinco años de República): impressiones de un periodista español/ prólogo de Luis López Ballesteros.- Madrid: S.n., 1915.- 239p.: il.; 19cm.-B

- Lotes 641 a 646: MARTINS, Rocha - Várias obras deste autor onde destacamos - 642 - MARTINS, Rocha.- D. Carlos: historia do seu reinado.- Lisboa: Ed. do Autor, 1926 (1927 fim da impressão) .- (18), 603p.:38 est.; 28 cm.-E; 646 - MARTINS, Rocha.- D. Manuel II: Historia do seu reinado e da implantação da Républica.- Lisboa: Ed. do autor, 1931.-(14), 673p.:il.;38cm.-E

- Lote 742 - PARÓDIA (A) administrador Gonzaga Gomes; caricaturas de Raphael Bordalo Pinheiro e M. Gustavo Bordalo Pinheiro.- Nº 1 a nº 155 (1900-1902).- Lisboa: Cândido Chaves, 1900-1902.- 155 nrs. + 1 suplemento em 3 vols.: il.; 33cm.-E + PARÓDIA: Comédia Portuguesa Director Artistico Raphael Bordallo Pinheiro; collaborador Manuel Gustavo Bordallo Pinheiro ; director litterario Marcelino Mesquita.- Nº 1 a Nº 103 e Nº 176 a Nº 192.-Lisboa: Cândido Chaves, 1903-1907.- 103 nºs em 2 vols. + 16 numeros: il.; 33cm.-E e B.

- Lote 784 - PORTUGAL na Grande Guerra: subsídios para a história da Participação de Portugal na Guerra de 1914-18 / publicado sub direcção do General Ferreira Martins.- Lisboa: Editorial Ática, 1938.- 2 vols.:il.; 31cm.-E

- Lote 832 - REVISTA de Portugal / director Eça de Queiroz.- Vol.I a Vol. IV ( 1889 a 1892).- Porto: Lugan & Genelioux, 1889-1892.- 4 vols.; 23cm.-E

Aconselhamos vivamente a consulta do catálogo completo aqui porque existem outras temáticas importantes como uma olisiponense bastante valiosa, um conjunto de obras camoneanas ou mesmo um número bastante interessante de obras de História e em particular da Academia Portuguesa da História.

Um evento a não perder pelos bibliófilos.

A.A.B.M.

domingo, 25 de maio de 2008

IN MEMORIAM DE FRANCISCO MARTINS RODRIGUES (1927-2008) - III PARTE


In Memoriam de Francisco Martins Rodrigues – III Parte

Foi referido [ver II parte] que em Janeiro de 1964, em consequência da ruptura desenvolvida ao longo de 1963-64 no PCP, foi criado por Francisco Martins Rodrigues [FMR] e outros companheiros [entre os quais, como já foi dito, João Pulido Valente, Rui d’Espiney] a FAP [Frente de Acção Popular], que publicou o órgão "Acção Popular". O objectivo principal da FAP era "a união dos antifascistas e o desencadear da luta armada" [cf. Martins, João Paulo e Loureiro, Rui, "A extrema-esquerda em Portugal (1960-74)", revista História, nº7, Março de 1980, p. 10], em consonância com a etapa da revolução preconizada pelos seus militantes: a "revolução democrática e popular".

[ver sobre este assunto, "Luta pacifica e luta armada no nosso movimento", documento de Campos (aliás FMR, ainda militante do PCP) em Dezembro de 1963; "Revolução Popular. Edição completa 1964-65 (fac-simile)", do Comité Marxista Leninista Português, Edições Voz do Povo, 1975; ou "A ruptura Política e Ideológica no Movimento Comunista em Portugal (1963-1964)" e, ainda, o "Comité Marxista-Leninista Português. Breve História de uma Organização Política (1964-1975)", ambos de Helder Manuel Bento Correia, Portimão, 1999 e 2000, respectivamente; ou consultar a "Foice e Martelo", órgão teórico da OCMLP, nº1, Fevereiro de 1975]

A questão da "etapa" da revolução é fundamental no seio dos agrupamentos "maoistas", em oposição à tese da "revolução democrática e nacional" apresentada pelo PCP [em 1954]. E, cremos, na linguagem marxista, esta não é, certamente, uma questão despicienda, bem pelo contrário. Basta atender, como exemplo, às várias divisões programáticas em torno dessa questão eminentemente "teórica" entre as diversas organizações e grupos marxistas-leninistas [grupos que, em próximos posts, pretendemos sumariamente apresentar] - ou, mesmo, entre esses e outros grupos radicais - o que conduziu a divergências assinaláveis e insanáveis entre os vários e putativos candidatos à "vanguarda do proletariado".

Ligados à FAP surgem os GAPs [Grupos de Acção Popular] que em Novembro de 1965 "actuam [...] contra as instalações da Polícia" em plena campanha eleitoral [cf. Martins & Loureiro, ibidem]. Porém, como anteriormente foi assinalado, a necessidade de "reconstrução do partido" e a condução da "luta armada" pela Frente Popular, conduziram ao aparecimento do CMLP [Comité Marxista-Leninista Português] em Abril de 1964 [publicou o seu órgão teórico "Revolução Popular", entre 1964 (nº1, Outubro) e 1965 (nº6, Dezembro)].

FMR visita a China [Verão de 1964] e a Albânia, para contactos com os respectivos partidos comunistas. Entretanto, os contactos feitos com elementos do PCP na emigração acabam por falhar. Ora, para estabelecer as bases da organização [CMLP] no interior, João Pulido Valente e Manuel [Claro] partem para Portugal. São denunciados como elementos "provocadores" no jornal Avante [nº347, Dezembro de 1964, p.3]. Em Junho de 1965, via clandestina, tentam de novo fazer contactos em Portugal [fundamentalmente na região de Lisboa, entre alguns estudantes que tinham "aderido" à FAP], partindo [entraram por uma fronteira perto de Castelo Branco] FMR, Pulido Valente e Rui d’Espiney, para formar a direcção da organização do “"interior”".

[No exterior ficavam os militantes - cf. "Revolução Popular 7 e outros documentos do período de 1966/67 do movimento marxista-leninista”, Edições "O Comunista", s.d.Belo, Jacinto Rodrigues, José Capilé, Coelho e Barros. Mais é referido [ibidem] que foram afastados do CMLP, por diversos motivos, Claro, Mário Silva e Moguinho]

A 21 de Outubro de 1965 é preso João Pulido Valente, por denúncia presumível de um elemento "infiltrado" no CMLP [Evaristo, aliás Mário de Jesus Mateusin RP, nº6] à PIDE. A prisão de Pulido Valente [que decorre dum "encontro marcado" com Mateus] e a suspeita enviada pelo próprio [na altura preso na Penitenciária de Lisboa], levou a que FMR e outros companheiros fizessem um interrogatório [em princípios de Dezembro de 1965, Belas, Sintra], onde Mateus confessa que colaborava com a PIDE "desde que tinha estado preso anos antes [na altura pertencia ao PCP] e a polícia lhe tinha oferecido a saída a troco de colaborar" [FMR, in entrevista a Carlos Morais, ibidem]. Como refere o nº6 da RP [Revolução Popular] "uma vez provada a sua culpabilidade ... foi condenado à pena de morte" e executado. Tal facto, como é dado ver, foi anunciado publicamente no órgão do CMLP. Curiosamente, mesmo assim, a PIDE informa que foram elementos do PCP os responsáveis pelo assassinato de Mateus [cf. Martins, João Paulo e Loureiro, Rui, ibidem].

Os acontecimentos precipitam-se e os (poucos) militantes do CMLP/FAP no interior são presos (Sebastião Capilé, operário corticeiro é preso em Almada – cf. RP, nº6); Francisco Martins Rodrigues em Janeiro de 1966 [preso à noite num encontro clandestino, perto do Largo do Rato e levado para a sede da PIDE] e Rui d’Espiney em Fevereiro, do mesmo ano. O CMLP/FAP ou a sua organização no interior desaparece ["três ou quatro elementos" restavam, segundo Mendescf. Helder Manuel Bento Correia, ibidem] ou, como vem referido na "Foice e Martelo", nº1: "toda a base e ‘moral’ organizativa da FAP/CMLP se desmoronou".

[no exterior – segundo a RP, nº7 (op.cit.), que assumia ser (ainda) o órgão do CMLP, mas que é posteriormente acusada de "trotskista" (Foice e Martelo, nº1) – a sua composição era a seguinte: Belo, Jacinto Rodrigues, Coelho, José Capilé e Barros]

[a continuar]

J.M.M.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

COMISSÃO NACIONAL PARA AS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA


No passado dia 16 de Maio foi divulgada a comissão para comemorar o Centenário da Implantação da República em Portugal. Essa comissão é composta pelo presidente: Artur Santos Silva; são vogais executivos João Bonifácio Serra e Maria Fernanda Rollo; como vogais Francisco Sarsfield Cabral e Raquel Henriques da Silva.

Relembramos que são funções primordiais desta comissão: "cabe à Comissão Nacional apresentar ao Governo a proposta de Programa das Comemorações, para aprovação no prazo de três meses após a respectiva nomeação".

Quem são as personalidades que integram esta comissão?

Artur Santos Silva, presidente do BPI. Figura pública com grande visibilidade, pelo que sabemos, descendente de republicanos com alguma influência na cidade do Porto e personalidade interessada em temas relacionados com a História e a Cultura do País. Basta relembrar a sua ligação à Porto - 2001: Capital Europeia da Cultura.

Maria Fernanda Rollo, integra o Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Doutorada em História Económica e Social Contemporânea, Professora Auxiliar do Departamento de História da FCSH da UNL; Coordenadora das Unidades de Investigação do Departamento de História da FCSH/UNL; Membro do Conselho de Redacção da revista Ler História; Membro fundador da Associação Portuguesa de História das Relações Internacionais (APHRI); Membro da Associação Portuguesa de História Económica e Social.

Obras publicadas: Portugal e o Plano Marshall, Estampa, Lisboa, 1994;"Percursos Cruzados", in Engenho e Obra. Uma abordagem à História da Engenharia em Portugal no Século XX, Coord. J. M. Brandão de Brito, Manuel Heitor e Maria Fernanda Rollo, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2002; "Inovação e produtividade: o modelo americano e a assistência técnica americana a Portugal no pós-guerra", in Momentos da Inovação e engenharia em Portugal no Século XX, 3 vols., coord. de J. M. Brandão de Brito, Manuel Heitor e Maria Fernanda Rollo, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2004.

Projectos de Investigação (entre outros): Coordenação geral (com J.M. Brandão de Brito e Manuel Heitor) do projecto Engenho e Obra. História da Engenharia em Portugal no Século XX;
Coordenação do projecto História e Património do Grupo PT;
Coordenação do projecto Emigração e Comunidades Portuguesas.

João Bonifácio Serra, Professor Adjunto, em regime de tempo integral e dedicação exclusiva, na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha (Instituto Politécnico de Leiria). Licenciado em História na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1974, exerceu funções como docente do ensino secundário de 1971 a 1978. Em 1979 entra como Assistente Estagiário no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa até 1984, transitando depois para o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde permanece até 1994. Exerceu depois a função de vogal da Comissão Instaladora da Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha do Instituto Politécnico de Leiria (1989 a 1991). Docente na Escola Superior de Artes e Design, Cursos de Artes Plásticas, Design e Animação Cultural (desde Agosto de 2004). Desempenhou as funções de Consultor (1996-1997) e assessor (1997-2004) da Casa Civil do Presidente da República Dr. Jorge Sampaio, e, posteriormente,Chefe da Casa Civil do Presidente da República (Setembro de 2004 a Março de 2006).

Publicou:"A Primeira República Portuguesa: evolução política (1910-1926)", in Portugal Contemporâneo, vol. III, coordenado por António Reis, Lisboa, Alfa, 1991; "Francisco Grandela: um retrato", in Francisco Grandela, o Grande Homem, Lisboa,1994;“Administração e Política no 1º quartel do Século XX”, in História dos Municipios e do Poder Local em Portugal, coord. de César Oliveira, Lisboa, Círculo de Leitores, 1996; "Egas Moniz" e diversas outras entradas no Dicionário de História do Estado Novo,coord. de Fernando Rosas e J. M. Brandão de Brito, Lisboa, Círculo de Leitores, 1997; "O sistema político da Primeira República", in A Primeira República Portuguesa – entre o Liberalismo e o Autoritarismo, coord. de Nuno Severiano Teixeira e António Costa Pinto, Lisboa, Colibri, 1999; "Manuel de Arriaga", "João do Canto e Castro", "Jorge Sampaio", in Os Presidentes da República, coord. de António Costa Pinto, Lisboa, Temas e Debates, 2001; "Manuel Pinheiro Chagas" e diversas outras entradas in Dicionário Biográfico Parlamentar, coord. de Maria Filomena Mónica, Lisboa, 2005/2006; Manuel de Arriaga: uma Biografia Política, Lisboa, Museu da Presidência da República, 2006. Os interessados podem encontrar o currículo completo na página que este historiador disponibiliza juntamente com outras informações importantes sobre a sua carreira

Raquel Henriques da Silva, reconhecida historiadora de arte, que esteve ligada ao Instituto Português de Museus e à leccionação na Universidade Nova de Lisboa, onde se dedicou ao urbanismo e arquitectura, entre outras áreas. Figura bastante dinâmica ligada a diversos projectos em destaque nos últimos anos. Publicou diversos títulos ligados à História da Arte.


Por fim, uma figura com prestígio nos meios da comunicação social, Francisco Sarsfield Cabral, colaborador de jornais de referência como o Público, o Diário de Notícias entre outros, e director de informação da Rádio Renascença. Publicou também diversas obras no domínio da ética e diversos ensaios sobre as mais variadas temáticas.

Aguardamos com expectativa as propostas e actividades a levar a efeito entre 2010 e 2011 e cá estaremos para as analisar.

A.A.B.M.

JÚLIO AUGUSTO RIBEIRO - ENCADERNADOR


Júlio Augusto Ribeiro (encadernador)

Nasce em 31 de Maio de 1853, Júlio Augusto Ribeiro [cf. Almanach A Victoria da Republica, 1893, pp. 27-29]. Aprendeu a nobre arte de encadernador com Lucas Delgado Casella, tendo começado a trabalhar numa casa, em Lisboa, na Rua do Socorro de Cima. Posteriormente muda-se para a Rua dos Retroseiros, onde trabalha e chega a habitar. Prestou "relevantes serviços ao Almanach A Victoria da Republica".

Foi maçon, pertencendo à R. L. Paz e Concórdia, fundou a Irmandade de Santa Catarina da Corporação dos Livreiros [onde era na data – 1893 – juiz], foi regedor da freguesia da Conceição Nova [1890], pertenceu ao Montepio Pelicano, à Associação dos Lojistas, entre outras associações. [idem, ibidem]

J.M.M.

ALMANACH A VICTORIA DA REPUBLICA



Almanach A Victoria da Republica. De 1886 a 1895 [X numrs.], Lisboa, Typ. de Eduardo Roza [depois Typ. Casa Portuguesa]. Edição de João Augusto Torres.

Trata-se de um almanaque de propaganda republicana, com a colaboração dos principais escritores republicanos nacionais e estrangeiros. Com curiosas informações biográficas.

J.M.M.

terça-feira, 20 de maio de 2008

CINQUENTENÁRIO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1958


Cinquentenário das eleições presidenciais de 1958

Título do jornal República de 15 de Maio de 1958:

"O Porto, berço eterno das liberdades públicas responde altivamente à opressão que domina Portugal

Espero sair vencedor desta campanha pois o medo desapareceu!declarou na empolgante e formidável sessão da capital do Norte o sr. General Humberto Delgado, delirantemente aclamado pela multidão"

A ler on line.

J.M.M.

CINQUENTENÁRIO DAS ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS DE 1958 NA HEMEROTECA MUNICIPAL DE LISBOA


Cinquentenário das eleições presidenciais de 1958

A Hemeroteca Municipal Digital – tal como aqui referimos – disponibiliza, no seu site, alguns conteúdos digitalizados na comemoração do Cinquentenário da candidatura presidencial de Humberto Delgado. A Hemeroteca Digital apresenta-nos um serviço público exemplar e de merecida estimação, merecendo todo o nosso apoio.

Assim, é possível ler na íntegra, a partir do jornal República, a "Proclamação de abertura do General Humberto Delgado a todos os portugueses da Metrópole e do Ultramar"; um depoimento sobre as eleições de Humberto Delgado, em que afirma: "não se pode viver sempre a faltar à verdade"; e outros mais depoimentos sobre as eleições de 1958.

A consultar on line.

J.M.M.

domingo, 18 de maio de 2008

O ENSINO E EDUCAÇÃO NOS NOSSOS DIAS



Temos acompanhado, por dever profissional, as transformações que têm vindo a acontecer ao nível do ensino. Nas poucas vezes que dedicamos atenção à nossa actualidade, verificamos com tristeza e desagrado, as alterações de forma e conteúdo, que a reforma imposta no ensino tem vindo a causar entre os docentes do ensino básico e secundário, assistindo, por outro lado, de forma quase incrédula, à forma impávida e serena com que as instituições de ensino superior têm sido postas em causa pela equipa do actual Ministério da Educação.

Numa reflexão que nos vem acompanhando há alguns dias, decidimos colocá-la à discussão de outros interessados nestes assuntos. As dúvidas assaltam-nos logo quando se colocou a questão de saber porque razão os professores em início de carreira têm que realizar uma prova de ingresso. Só é possível concluir uma coisa: as instituições de ensino superior que formam os professores não são credíveis para o nosso Ministério da Educação. Nós sabemos que os titulares da equipa do Ministério da Educação, são professores do ensino superior, mas não sabemos se têm ou tiveram a seu cargo a formação de professores. Provavelmente não. Mas há universidades e faculdades que há muito tempo o fazem. Sentir-se-ão confortáveis com a desconfiança que sobre eles recai na formação que ministram aos futuros professores?

Curiosamente, sobre esta questão ouvimos poucas reflexões de importância aos docentes unversitários, excepto a opinião do Prof. Doutor Reis Torgal, a que já fizemos referência aqui, e mais recentemente, o Prof. Doutor Amadeu Carvalho Homem no seu blog pessoal colocou alguns problemas com que nos identificamos e levantou todo um conjunto de questões importantes que ainda não encontraram resposta por parte das entidades que (des)cuidam do nosso ensino, quando afirma, a propósito da entrevista da actual Ministra da Educação, Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, na RTP:

"[...] a governante afirmou, para quem a quis ouvir, que iria consagrar o melhor do seu esforço para que fossem evitadas as retenções, ou seja, as reprovações, no sistema de ensino sob a sua tutela. A entrevistadora perguntou-lhe, logo de seguida, se isso iria significar o fim do processo das avaliações. A conspícua Senhora fez uma pausa, em esforço, e acabou por responder qualquer coisa de parecido como “depois se vê”, ou como “ainda não sei, mas…”. Para que não sobrassem dúvidas a ninguém, informou que a sua filosofia de escola é “inclusiva”, procurando distingui-la da escola “do passado” (???), que referiu como “selectiva”.
Salvo o devido respeito, com a Educação de um Povo não se brinca. Nem esse mesmo Povo pode ser submetido a certa casta de “experimentalismos”, no sistema de ensino, denunciador de mentalidades especiosas, ainda que as mesmas se autoproclamem como assaz “vanguardistas”, “modernas” e “deveras inteligentes”.
"

"O carácter “inclusivo” a que se reporta a detentora da pasta da Educação seria eventualmente defensável ( e, mesmo assim, com grandes reservas! ) para aquilo que se decretasse ser uma escolaridade obrigatória, precedendo esta, em alguns anos, a frequência de uma formação de acesso a títulos profissionais ou a cursos superiores. Dito assim, com esta ligeireza e nonchalance, com este sentido de generalidade, com esta latitude de “inclusão”, soa-nos a um truísmo, digno de Sancho Pança ou do Anão dos Assobios. E mesmo que tal se pensasse, aconselharia a prudência mais elementar que esse pensamento, vindo de quem vem, não fosse levado à Praça Pública com tamanho desplante. O estudo constitui um esforço. A aprendizagem significou desde sempre (e irá continuar a significar) – por muito que isto custe à pedagogia do facilitismo e da festarola – uma disciplina, uma exigência de concentração, uma mobilização de energia mental e psíquica. Daí que o estudante comum, entregue a si mesmo e ao simples império do seu hedonismo, sinta a tentação de evitar ou iludir a tarefa de aquisição de saber que sobre ele impende. Vir uma governante declarar, com tamanho impudor, perante toda uma colectividade nacional, que a sua filosofia “inclusivista” aborrece os processos de avaliação e sonha com a sua supressão é o mesmo que empurrar esse estudante para a inércia, para o desprezo pela Escola e para a desqualificação do conhecimento. Foi como se a Drª Maria de Lurdes tivesse incitado muitos dos discentes do ensino sob a sua tutela a remeterem-se à pior das cabulices, que é aquela que se assume sem vergonha."

"Mas existe uma outra importantíssima implicação. É que, prescindir tão “generosamente”, tão militantemente, de processos verdadeiramente selectivos de avaliação dos conhecimentos é conduzir ao patamar dos Institutos Politécnicos, das Universidades, das Escolas de Formação Profissional, de todas as Instituições terminais dos processos de ensino e de aprendizagem, é conduzir aí, com um arzinho de troça ou de cinismo, uma coorte de castrados mentais, de inaptos intelectuais, de madraços habituais e de irresponsáveis contumazes. Se a Senhora Ministra conhecesse verdadeiramente o país onde governa (???), saberia que a massa de estudantes que desagua em tais Escolas já é, neste preciso momento, suficientemente romba e ignorante para dispensar mais este empurrão da sua lavra. Há candidatos que chegam aos cursos técnicos, científicos ou literários num calamitoso, deplorável e gravíssimo estado de impreparação. Há toda uma Colectividade a saber que assim é – talvez exceptuando a prestimosa Ministra …
Se vencerem os seus desejos, teremos amanhã electricistas que não serão capazes de unir dois fios sem fazerem um feérico curto-circuito, canalizadores que deixarão todas as torneiras prontas para o espectáculo da inundação, engenheiros que planearão casas prontas a cair, médicos que darão garantias de certidões de óbito aos doentes, literatos que não saberão interpretar, sequer, as instruções das cabines dos elevadores, etc., etc.
"

Um conjunto de reflexões com que nos identificamos e que só lamentamos que não encontrem mais adeptos ao nível do ensino superior, até porque, não tenhamos quaisquer ilusões, a realidade das transições automáticas já não anda muito longe de nós, mas, mesmo assim, o português continua entretido, na espuma dos dias, a procurar antes saber se o Primeiro-Ministro fumou durante a sua viagem de avião à Venezuela. Pobres de nós e da nossa comunicação social que (se) alimenta estes fait-divers!!!

O primeiro é que é verdadeiramente um problema para a sociedade portuguesa se pronunciar alto e bom som. Até porque os senhores professores do ensino superior que formam futuros docentes vão começar a sentir, também eles, os problemas de enfrentar alunos que até ali nunca viram limitado o seu percurso escolar e, como serão já adultos, não aceitarão de ânimo leve que naquele momento lhes imponham um travão às ambições mais ou menos realistas que sempre lhes foram permitidas.

Será que a "Lei das Rolhas" ainda continua em vigor? Ou pior ainda, será que ninguém está preocupado com o futuro da escola e do ensino em Portugal?

A.A.B.M.

LEILÃO DE LIVROS


LEILÃO DE LIVROS

Nos próximos dias 19 e 20 de Maio de 2008, o reputado livreiro e leiloeiro Pedro de Azevedo vai promover mais um leilão de livros antigos, onde encontramos alguns que abordam a temática do final da Monarquia e da implantação da República.

Este leilão decorrerá no Amazónia Lisboa Hotel, na Trav. dos Pentes, 12/20, 1250-106 – Lisboa, a partir das 21 horas.

No belíssimo catálogo que nos foi enviado, dos quase 700 lotes que vão a leilão, e do conjunto de manuscritos e autógrafos de Almeida Garrett sobre o romanceiro garrettiano, que merece particular atenção aos apreciadores do escritor. Nós permitimo-nos destacar os lotes que tocam a temática a que este blog dedica mais atenção. Assim, destacamos para dia 19 de Maio:

- lote 14: ALMEIDA, António José de, Quarenta anos de vida literária e política, Lisboa: J. Rodrigues & Cª, 1933-1934;
- lote 74: BENOLIEL, Joshua, Arquivo Gráfico da Vida Portuguesa, 1903-1918, Lisboa, Bertrand, s.d.
- lotes 109 e 110: conjunto bastante vasto de 23 obras de CAMACHO, Manuel de Brito;
- lote 162: CHAGAS, João, As Minhas Razões, Lisboa, Livraria Central Gomes de Carvalho, 1906; CHAGAS, Álvaro Pinheiro, O Movimento Monárquico. I – O 28 de Janeiro de 1908 e o 5 de Outubro, Porto, Leitão & Cª, 1913; COSTA, marechal Gomes da, Memórias, pref. Ayres de Ornellas e posf. de Ferreira do Amaral, Lisboa, Livraria Clássica, 1930.
- lote 163: CHAGAS, João, Diário, Lisboa, Parceria António Maria Pereira, 1930-1932, 4 vols; CHAGAS, João, Trabalhos Forçados, Edição definitiva, Lisboa, Aillaud & Bertrand, 1926-1927, 3 vols.
- lote 211: DIAS, Carlos Malheiro, Do Desafio à Debandada, Lisboa, Livraria Clássica, 1912, 2 vols.;
-lote 278: GRAINHA, Manuel Borges, História da Maçonaria em Portugal: 1735-1912, Lisboa, s.n., 1912;

No dia 20 de Maio destacamos:

-lote 371: MANUEL II, D. (Rei de Portugal), Livros Antigos portugueses na Bibliotheca de Sua Majestade Fidelíssima: 1489-1660 / descriptos por S.M. El-Rei D. Manuel em três volumes, Londres: Maggs Bros., 1929-1935, 3 vols. [Muito importante para bibliófilos]
- lotes 422 a 429: MARTINS, Rocha, conjunto de diversas obras deste conhecido jornalista e homem de letras onde se destacam: (423) D. Carlos: história do seu reinado, Lisboa: edição do autor, 1926; (424) MARTINS, Rocha, D. Manuel II: história do seu reinado e da implantação da República, Lisboa: edição do autor, 1931; (427) MARTINS, Rocha, Memórias sobre Sidónio Paes, Lisboa: Sociedade Editorial ABC, 1921; (429) MARTINS, Rocha, Pimenta de Castro ditador, Lisboa: edição do autor, s.d.
-lote 615: Serões: Revista mensal ilustrada. – vol. I (1ª série) a vol. XIII (2ª série) [1901-1911], Lisboa, Livraria Ferreira, 1901-1911, 16 vols.[Importante publicação periódica que atravessa todo o período final da Monarquia e início da República, apresenta em alguns anos um importante conjunto de efemérides dos anos anteriores. Contava com importantes colaboradores.]

Aos interessados as instalações de Pedro de Azevedo situam-se na:
Rua Custódio Vieira, 2 A- 125-086 Lisboa.
Tel.: 213 865 881
Fax:213 888 044

Nos próximos dias, caso nos seja possível, daremos notícia da realização de um outro leilão de que também já recebemos o respectivo catálogo.

A.A.B.M.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

IMPRENSA REPUBLICANA NO DISTRITO DE FARO (Parte IV)



Nº 13 - Notícias de Silves

Complemento de Título: Defensor dos Interesses do Povo.
Periodicidade: dezenário.
Local de Publicação: Silves.
Redacção e Administração: Administração em Silves.
Proprietário: Empresa Notícias de Silves.
Director: João José Duarte.
Secretário de Redacção: Julião Quintinha.
Colaboradores: Custódio Cabrita, Pinheiro Marques, João Dias Mendes, José Francisco Roma, Albano Coutinho entre outros que não se conseguem identificar.
Tipografia: Tipografia Minerva, Vila Nova de Famalicão.
Colunas:cinco.
Secções Regulares: Notas da Semana, Noticiário, Tribuna Operária, Cartas de Aljezur, Perfil, entre outras rubricas.
Data de fundação: 30-06-1908.
Fim de publicação: 20-12-1908.
Publicou: 17 números.

[Nota: Uma publicação pouco vulgar, não se encontrando nenhuma colecção completa nas principais bibliotecas do País, somente números esparsos. Aqui temos mais um exemplo da necessidade de preservar uma colecção que muito provavelmente já se perdeu e que podia ajudar a compreender melhor a implantação do Partido Republicano em Silves nas vésperas da proclamação da República.]

Nº 14 - A Província do Algarve
Periodicidade: semanário, que se publicava aos sábados.
Local de Publicação: Tavira.
Redacção e Administração: Rua da Corredoura, 20, Tavira; em 1911 muda para a Rua 1º de Maio, 21; em 1913 foi transferida para a Rua Serpa Pinto, 37, 1º, Faro; e, em 1915, regressa à Rua 1º de Maio, 21, Tavira.
Proprietário: Tipografia Democrática
Director: Silvestre Falcão.
Redactor Principal: José d’Arriaga Brum da Silveira.
Editor: Silvestre Falcão [função criada só em 1911].
Colaboradores: Francisco Marques da Luz, Raúl Proença, Homem Cristo Filho, José Júlio Lapelier Bergér, Julião Quintinha, Bernardo de Passos, Abade João Paes Pinto, João José Matos Parreira, João Rodrigues Aragão, Cardoso Guedes, Ludovico de Meneses, Tomás Cabreira, Maria Veleda, José Francisco Graça Mira, João Pedro de Sousa, João Lúcio, José Pavia de Magalhães, Francisco Xavier de Ataíde Oliveira, José Dias Sancho, Brito Camacho, entre muitos outros.
Colunas:cinco, mas como alterou diversas vezes de formato chegou a apresentar seis colunas.
Secções Regulares: Folhetim, Notícias do Algarve, Preço dos Géneros, Crónica Agrícola, Nota Social, Lá Por Fora, Propaganda Cívica, Eleições Municipais, Carta de Faro, Em Poucas Linhas, De Relance, Pequenas Notícias, Assuntos Locais, Factos da Semana, Palestras Semanais com o Povo, Correspondência de Lisboa, República e Catolicismo, Ciências, Artes e Letras, Cartas da Suiça, Perfis, O Meu Serão, entre outras rubricas mais ou menos regulares.
Tipografia: Tipografia Democrática
Data de fundação: 03-10-1908
Fim de publicação: 01-08-1920
Publicou: 587 números.

Nº 15 - O Povo Algarvio

Complemento de título: Semanário Republicano; mais tarde passa a assumir-se como Semanário Republicano Independente e, a partir de Maio de 1910, passa a definir-se como Semanário Republicano Anti-Clerical
Periodicidade: semanário, que se publicava às
Local de Publicação: Loulé.
Redacção e Administração: Rua da Praça, 42, Loulé; no início de 1910, muda de instalações para a Rua das Freiras, 25, 1º; após a implantação da República a rua passou a denominar-se Rua Cândido dos Reis, 25, 1º.
Director: Francisco Paula Madeira.
Editor: [esta função só emerge após a implantação da República] Hermenegildo Pereira e mais tarde José Viegas Olival.
Secretário da Redacção: José Viegas Olival.
Colaboradores: João Rosa Beatriz, Hermano Neves, Joaquim Madureira, Bernardo de Passos, Mário Gonçalves, Gomes Leal, José Joaquim Gonçalves, Raúl Brandão, entre outros.
Colunas: cinco.
Secções Regulares: Factos Diversos, Folhetim, Correspondências, Efemérides Republicanas, Relâmpagos, Notícias Várias, Notícias de S. Brás de Alportel, Secção Literária, Secção Recreativa, Indicações Úteis e outras rubricas.
Tipografia: A Voz Pública - Évora; pouco tempo depois mudou para a Empresa Tipográfica Eborense; no início de 1910 passou para Tipografia da Empresa Ibis, Rua da Conceição da Glória, 40, Lisboa; em meados de 1910, transfere-se para o Instituto Geral das Artes Gráficas; finalmente, estabiliza na Minerva Comercial de José Ferreira Baptista, Rua da República, 73-75-, Évora.
Data de fundação: 20-05-1909.
Fim de publicação: 09-03-1912.
Publicou: 120 números.

[Nota: Este é geralmente considerado o mais polémico e anti-clerical dos jornais republicanos no Algarve. Envolveu-se em inúmeras polémicas locais e após a implantação da República não conseguiu aceitar o fenómeno da adesivagem e as inúmeras dificuldades por que passava o País. Perante isto, o seu director acabou por emigrar para a Argentina, onde obteve algum sucesso publicando um jornal para a comunidade portuguesa naquele país(O Jornal Português) e publicando alguns livros, vindo a falecer próximo de Buenos Aires em Novembro de 1931.]

Nº 16 - O Silvense

Complemento de Título: Semanário Independente; posteriormente passa a definir-se como Semanário Republicano Independente.
Periodicidade: semanário, que publicava aos domingos.
Local de Publicação: Silves.
Redacção e Administração: Rua da Cruz de Portugal, Silves.
Proprietário: Gregório Nunes Mascarenhas Neto [Mascarenhas Gregório].
Director: Mascarenhas Gregório, substituído no nº 20, pelo Dr. João Vitorino Mealha.
Editor: Armando Mascarenhas.
Secretário de Redacção: Jorge Júdice da Costa.
Administrador: Luís A. de Almeida.
Colaboradores: Pedro de Mascarenhas Júdice, João Correia dos Santos, António Matos, Miguel Lopes Nolasco, António Baião, entre outros.
Tipografia: Tipografia Silvense, Rua da Cruz de Portugal, Silves
Colunas: quatro.
Secções Regulares: Notas e Comentários, A Nossa Carteira, A Rir, O Silvense na Província, Ecos e outras secções.
Data de fundação: 27-03-1910.
Fim de publicação: 24-06-1911.
Publicou: 50 números.

[FOTO: Francisco Marques da Luz, natural de Olhão, escritor, comerciante e jornalista republicano que colaborou em grande parte dos jornais republicanos regionais ou mesmo alguns de carácter nacional como O Mundo ou A Vanguarda. Utilizou normalmente o pseudónimo literário de Marcos Algarve. Pertenceu à Maçonaria e à Carbonária, sendo considerado um dos republicanos mais antigos em Portimão. Publicou: Fruto Proibido; Vida Algarvia; Visões Humanas; Amor à Francesa; Mistérios da Praia da Rocha entre outros títulos.]

[em continuação]

A.A.B.M.

sábado, 10 de maio de 2008

FEIO TERENAS (Parte II)


FEIO TERENAS (Parte II)

Após a implantação da República foi deputado à Assembleia Nacional Constituinte que o nomeou Director Geral da Secretaria da Assembleia Nacional Constituinte. Em 1911 passa a integrar o Senado, órgão criado pelo governo republicano, onde se manteve até 1915. Chegou a ser nomeado Director Geral do Congresso.

Foi iniciado na Maçonaria em Coimbra, com o nome simbólico de Vitor Hugo. Neste período coimbrão integra os quadros das lojas Federação e Preserverança. Mais tarde integrou as lojas Simpatia e Elias Garcia, de Lisboa, onde foi eleito venerável. Em 1901 atinge o grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceite [REAA] e a partir de 1903 integra o Supremo Conselho. Foi um dos principais organizadores dos congressos maçónicos de 1900, 1903, 1905 e 1906.

Em 1914, foi um dos elementos que acompanhou a cisão no Grande Oriente Lusitano Unido.

Feio Terenas foi geralmente tido como um republicano moderado, não se envolve em grandes polémicas e o seu trabalho é fundamentalmente de doutrinação através da escrita. Enquanto deputado, no final da Monarquia, procura centrar-se em temáticas que o seu percurso de vida mostra que lhe eram próximas, como a lei do registo civil obrigatório ou a tentativa de autorizar as câmaras municipais a instituir bibliotecas populares por todo o País.

Faleceu em Lisboa em 29 de Janeiro de 1920. O seu funeral realizou-se civilmente e a ele compareceram personalidades de destaque da vida da República: António José de Almeida [Presidente da República]; Domingos Pereira [Presidente do Ministério]; Bernardino Machado [antigo Presidente da República], entre muitas outras pessoas.

Colaborações na Imprensa: (entre as muitas que realizou, conseguiram localizar-se as que a seguir se discriminam):

- Eco dos Operários, Covilhã, 1867;
- Jornal do Iniciado, Coimbra, 1873-1875[periódico maçónico];
- Reformador, (O), Coimbra, 1875;
- Partido do Povo,(O), Coimbra - Lisboa, 1878-1881;
- Tempo,
- Republica,
- Comércio da Figueira, (O), Figueira da Foz, nº 126, Ano I, 1880, publica um artigo As festas nacionais.
- Alferes Malheiro (O), Número único, Porto, Typ. da Empresa Literaria e Typographica, S. d.(1893 ?).
- Ano (Um) depois. (Aos vencidos). 31 de Janeiro de 1831 - 31 de Janeiro de 1892. Número único, Porto, Typ. da Empresa Literaria e Typographica, 1892.
- Gabinete dos reporters. N.° 24, 4.º série, ano 1895, 29 de Setembro. Director, Luiz da Silva, Lisboa.
- José Estêvão, Número único, Comemorativo da Inauguração do Monumento em Aveiro, Publicação do Clube Escolar José Estêvão, Lisboa, 1889. typ. da Companhia Nacional Editora.
- Consagração, Número único, dirigido por Fernão Botto Machado e Gonçalves Neves e dedicado ao dr. Sebastião de Magalhães Lima. (Sem indicação da tipografia nem ano; provavelmente impresso no jornal Vanguarda, Dezembro 1904);
- Independência (A). Liberdade e Justiça. Instrução e Progresso, 8 de Maio de 1882, ano I, N.° 20,Póvoa de Varzim;
- Diário da Tarde, Lisboa, 1885;
- Democracia,(A), Lisboa, 1911-1912 [director];
- Democracia,(A), Lisboa,
- Século,(O), Lisboa, 1881-198?;
- Vanguarda,(A), Lisboa, 1891-1911 [director entre 1907 e 1911];
- Galeria Republicana, Lisboa, ;
- Enciclopédia Republicana, Lisboa;
- Revolução de Janeiro, Lisboa;
- Tribuna, Lisboa;
- Batalha, (A), Lisboa;
- Archivo Republicano, Lisboa;
- Norte, (O), Porto, 1900-1909 [redactor-político];
- Folha Nova, (A), Porto;
- Mundo, (O), Lisboa;
- Correspondência da Figueira, Figueira da Foz;
- Gazeta da Beira, Guarda;
- Correio do Sado, Setúbal;
- Correspondência, Póvoa de Varzim;
- Dez de Março, Porto;
- Liberdade, Viseu;
- Transmontano, Vila Real;
- Froebel, Lisboa, 1882-1885;
- Vintém das Escolas, (O), Lisboa, 1902-;

Publicou ainda:
- Abençoado Amor (drama), 1866;
- Discurso sobre a resposta ao discurso da Coroa proferido na sessão de 8 de Junho de 1908, Lisboa, 1908.

Bibliografia Consultada:
- CATROGA, Fernando, Mações, "Liberais e Republicanos em Coimbra (Década de 70 do século XIX)", Arquivo Coimbrão, vol. XXXI-XXXII, Coimbra, 1988-89, p. 259-345.
- MARQUES, António Henrique de Oliveira (Coord.), Parlamentares e Ministros da 1ª República (1910-1926), col. Parlamento, Edições Afrontamento, Porto, 2000, p.423-424.
- MOREIRA, Fernando , "Terenas, José Maria de Moura Barata Feio", Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), Coord. Maria Filomena Mónica, vol. III, col. Parlamento, Imprensa de Ciências Sociais, Lisboa,2006, p. 907-909.

A.A.B.M.

Vitorino Magalhães Godinho no Expresso

" ... Em Janeiro de 1947, Magalhães Godinho iniciara uma compensadora carreira académica em Paris. No início, bolseiro do CNRS (Centre Nationale de Recherches Scientifiques) ainda tivera dificuldades em encontrar casa (começa por se instalar no Hotel de S. Pierre, que mais tarde aconselhará a Mário Soares) e em fazer render os francos, que lhe permitem ir suportando as investigações que efectua, de permeio com os vários cursos e seminários que frequenta. Dois anos depois, a situação está estabilizada. Para o facto, muito terá contribuído a circunstância de Maria Antonieta Cordeiro Ferreira, com quem casara em 1942, ter passado a fazer-lhe companhia. A mulher, um ano mais nova, era então a melhor aluna da Faculdade de Letras de Lisboa. Ainda assim, não hesitou em transferir a conclusão da licenciatura para a capital francesa, mesmo se isso a obrigava a fazer umas traduções "por fora" para equilibrar o orçamento familiar (...)

Em Junho de 1959, Magalhães Godinho está a prestar provas de "doutoramento de Estado" na Sorbonne, defendendo as 1600 páginas de texto, escritas directamente em francês, que a mulher havia dactilografado. O tema é a Economia dos Descobrimentos. As provas começam às 13,15h e acabam cinco horas mais tarde. Na sala, um auditório onde há um enorme retrato do cardeal Richellieu, estão presentes, idos expressamente de Portugal, os pais e a irmã mais velha. É de calcular o que sentem quando Godinho obtém do júri a mais alta menção: "très honorable". A família vai toda jantar ao Hotel Lutecia. Poucos dias depois, o novo doutor oferece uma pequena recepção na sua residência em Arcueille - um banlieu ao sul de Paris (...) A família que reside em Portugal não pára de o tentar convencer a regressar. E o próprio professor, por melhor que se sinta perto do Sena, não consegue convencer-se de que as competências que lhe são reconhecidas no estrangeiro não possam ser postas ao serviço do seu pais.

É neste estado de espírito que Adriano Moreira o vai encontrar em Paris, em finais de 1959. O director do ISEU (Instituto Superior de Estudos Ultramarinos) oferece-lhe a regência de duas cadeiras: Metodologia das Ciências Sociais e Economia e Sociologia Históricas. Godinho não conhece Adriano pessoalmente. Sabe, tão só, que ele tem aspirações a "reformar" o salazarismo, coisa em que o interlocutor não acredita de todo. Para que não haja confusões, Godinho diz-lhe: "Eu sou da oposição e não mudo. Não quero ir para lá para uma prateleira". O director responde: "Mas com certeza". Em Outubro de 1960, o novel doutorado da Sorbonne está a dar aulas no ISEU. "Há sempre um bocado de lotaria nas nossas decisões", tenta explicar, quase meio século depois (...)

Nessa altura, já Adriano Moreira se tornara subsecretário de Estado da Administração Ultramarina, dando início a uma carreira política que culminará, em Abril de 1961, na nomeação por Salazar para ministro do Ultramar. A direcção do Instituto é assumida por Silva Rego, que Godinho descreve como "um padre que se dedicava vagamente à História" . É já a ele, que não dá um passo sem pedir licença ao futuro presidente do CDS, que o professor dirige uma carta, no auge da crise estudantil de 1962.

Mal a "crise" rebentara, uma vintena de catedráticos da Universidade Clássica de Lisboa tinham-se reunido, para redigir um documento de solidariedade com as reivindicações estudantis, a entregar ao Governo. Mas o documento nunca chegara ao destino. Godinho faz desabar a sua revolta sobre Silva Rego, a quem, depois de criticar o silêncio do Instituto, propõe a realização de uma reunião do Conselho Escolar, para aprovar uma moção que considere o Ministério da Educação Nacional como "o único responsável das situações criadas". Como resposta à missiva, recebe a instauração de um processo disciplinar, conduzido pelo juiz desembargador Gouveia da Veiga, que culmina num despacho determinando o seu despedimento do ISEU (mais tarde, ISCSPU - Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina) (...)

Entre os actuais amigos não é difícil descobrir, no entanto, gente de pensamento diverso [mas com] Adriano Moreira é que as coisas nunca se recompuseram. Reencontraram-se uma única vez, já depois do 25 de Abril, no Instituto de Defesa Nacional, tendo-se ignorado mutuamente. "Posso perdoar a perseguição, não a cobardia", explica Magalhães Godinho, que acusa o ex-ministro do Ultramar de Salazar de se ter escudado sempre em alegadas pressões do Presidente do Conselho para justificar aquele que foi o único despedimento de um professor na crise académica de 1962 ..."

[ler trecho do artigo aqui - in Única (Expresso), 10 de Maio de 2008, p. 80-92 - sublinhados nossos]

J.M.M.

sexta-feira, 9 de maio de 2008


Humberto Delgado. Eleições Presidenciais – Cinquentenário

"As Eleições Presidenciais de 1958, foram um acontecimento que, sabemos hoje, representou uma expectativa de mudança para grande parte da população portuguesa. Numa conferência de imprensa em Lisboa, no café Chave de Ouro, Humberto Delgado (HD) surpreenderá tudo e todos com o célebre “obviamente demito-o”, respondendo assim a uma pergunta de um jornalista estrangeiro sobre o destino a dar ao Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, caso fosse eleito.
A candidatura de HD terá um grande impacto, nacional e internacional, para surpresa dos analistas políticos da época ...
" [ler mais, aqui]

A Câmara Municipal de Lisboa apresenta uma Programação Cultural evocativa das Eleições Presidenciais de 1958 do General Humberto Delgado. No seu Cinquentenário, a programação inclui uma Homenagem [Dia 16 de Maio, 15.30h], exposições, conferências e colóquios, visitas guiadas.

Locais para consultar:

- Programa da Câmara Municipal de Lisboa

- Obras sobre Humberto Delgado no Catálogo da Rede Municipal de Bibliotecas de Lisboa

- Fundação Humberto Delgado.

A não perder.

J.M.M.

terça-feira, 6 de maio de 2008

FEIO TERENAS (Parte I)


FEIO TERENAS (Parte I)

Nasceu em 5 de Novembro de 1850, na Covilhã, com o nome completo de José Maria Moura Barata Feio Terenas, filho de José Maria Moura Barata Feio e de Maria Rosa Adelaide Terenas.

Na sua terra natal, fundou, aos 17/18 anos, um jornal Eco Operário(1869), de feição socializante, pois dizia-se defensor das classes trabalhadoras. A inexperiência e os resultados pouco animadores deste projecto obrigam-no a partir para outras paragens. Conhece-se a sua passagem por Lisboa e, posteriormente, a sua instalação em Coimbra, onde reside durante vários anos. Nesta cidade convive com algumas das figuras precursoras do pensamento positivista e republicano como Manuel Emídio Garcia, José Falcão , Abílio Roque de Sá Barreto, entre outros. Durante esse período de permanência em Coimbra colabora com variados órgãos da imprensa local, assumindo várias funções como redactor, director, colabrador ou correspondente para as províncias.

Republicano assumido, desde bastante jovem, participou na reunião que se realizou em casa de Tomás de Carvalho, em 1873, onde decorreu um dos actos fundadores do Partido Republicano em Portugal. Nessa mesma reunião participaram Latino Coelho, Elias Garcia, Oliveira Marreca e Bernardino Pinheiro. Voltamos a encontrá-lo em 1876 no famoso banquete realizado em casa de António Augusto Carvalho Monteiro, onde se comemorava a vitória dos republicanos em França e que deu origem à criação do primeiro directório do Partido Republicano. Na sequência destes acontecimentos instala-se em Coimbra um Centro Republicano onde Feio Terenas é figura preponderante.

Foi um dos participantes na primeira Associação de Jornalistas e Escritores criada em Lisboa em 1880, por altura das comemorações do tricentenário de Camões.

Desde bastante cedo concedeu bastante importância ao problema do ensino em Portugal, em especial das primeiras letras e da educação cívica para preparar os cidadãos da futura República que se instauraria em Portugal. Em 1881, já em Lisboa, foi nomeado bibliotecário-geral das Bibliotecas Municipais de Lisboa, função que exerceu até à implantação no regime republicano.

A partir de 1881, Feio Terenas integra também a direcção do Centro Federal de Lisboa. Foi um dos responsáveis pela organização do Congresso Republicano de 1887, realizado em Lisboa, quando foi eleito membro do Directório.

Com os acontecimentos provocados pela revolução de 31 de Janeiro de 1891 e, porque o Directório do partido suspendeu a sua actividade, passou a desempenhar funções na Junta Departamental do Sul a que presidiu. Exerceu anda funções como vogal na Junta Geral do Distrito de Lisboa e foi eleito deputado em 1908, pelo círculo de Setúbal, voltando a ser eleito pelo mesmo círculo em 1910.

[Em continuação]

A.A.B.M.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

HEMEROTECA DIGITAL EM DESTAQUE


A Hemeroteca Digital de Lisboa continua a realizar um magnífico trabalho na divulgação de publicações periódicas, disponibilizando a todos os interessados publicações que muitas vezes são dificeis de encontrar e desenvolvendo todo um conjunto de actividades dignas de acompanhamento e participação por todos.

Assim, iniciaram o presente mês de Maio com a disponibilização da Revista Froebel, publicação dedicada aos assuntos da educação que se publicou em Lisboa, entre 1882 e 1884. Nesta interessante publicação dirigida por Feio Terenas, colaboraram alguns dos pedagogos portugueses mais importantes como Francisco Adolfo Coelho, J. C. Rodrigues Costa, João José de Sousa Teles, José António Simões Raposo, José Elias Garcia, Narciso Alves Correia, Zófimo Consiglieri Pedroso, Maria José da Silva Canuto, A. Ferreira Mendes, Caetano Pinto e Teófilo Ferreira. Nesta revista encontram-se interessantes artigos sobre os Congressos Pedagógicos de 1883, a que o Almanaque Republicano já tinha feito referência aqui.

Por outro lado, iniciaram ainda um conjunto de conferências sobre Feio Terenas, primeiro bibliotecário da Câmara Municipal de Lisboa, jornalista, político, maçon e republicano histórico, cujo programa completo de actividades pode ser consultado aqui.

» Ciclo de conferências
Evocar o primeiro bibliotecário da CML – Feio Terenas (1847-1920)

1.ª Conferência
“A ameaça do decadente destino e a viragem social do republicanismo - o contributo de Feio Terenas”
por José Viegas Brás (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias/ Faculdade de Educação Física e Desporto e Instituto de Educação) e por Maria Neves Gonçalves (Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias/ Instituto de Educação)
Hemeroteca Municipal - 8 Maio às 18h

2.ª Conferência
“Feio Terenas: Propagandista Republicano”
por Jorge Trigo (Hemeroteca Municipal – CML)
Hemeroteca Municipal - 15 Maio às 18h

3.ª Conferência
“Feio Terenas: Jornalista”
por Luís Filipe Figueiredo (Hemeroteca Municipal – CML)
Hemeroteca Municipal - 20 Maio às 18h

Vão também iniciar um curso livre sobre A História das bibliotecas e da leitura pública no Portugal contemporâneo, no entanto, as inscrições já se encontram esgotadas segundo informação do site da instituição.

1.ª sessão
“O final da Monarquia e a I República”
por Pedro Leite (Investigador, doutorando em História Contemporânea)
Biblioteca Municipal Central - 12 Maio às 18h

2.ª sessão
“A Ditadura Militar e o Estado Novo”
por Daniel Melo (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa)
Biblioteca Municipal Central - 19 Maio às 18h

3.ª sessão
“O período democrático”
por Henrique Barreto Nunes (Biblioteca Pública de Braga)
Biblioteca Municipal Central - 27 Maio às 14h30

Durante este mês também é possível visitar a Exposição “As práticas bibliotecárias no município de Lisboa: os objectos e os profissionais: ontem e hoje”
Biblioteca Municipal Central - de 1 a 31 Maio.


Indubitavelmente um conjunto de sessões a não perder para quem gosta destas matérias.

A.A.B.M.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

A INSTRUÇÃO PÚBLICA NOS MEADOS DO SÉCULO XIX




A INSTRUÇÃO PÚBLICA NOS MEADOS DO SÉCULO XIX

Vejam-se, de seguida, os números apresentados pela revista O Instituto, de Coimbra, onde se apresentam dados que introduzem uma séria reflexão sobre a importância de se aproveitar as oportunidades para deixar os sinais de retrocesso para o passado e a necessidade de preparar um futuro melhor.

Em 1855, Portugal ainda, como actualmente, manifestava muitos sinais contraditórios e um dos que mais preocupação causava era a questão da falta de instrução pública pelo País. Vejamos então os dados:


Note-se, a título de destaque, a curiosidade dos contrastes entre os universos masculinos e feminino, onde as mulheres tinham muito poucas oportunidadades para estudar.

Por outro lado, a quase equivalência entre escolas particulares e públicas, sendo que
as escolas particulares eram sustentadas pelos alunos que as frequentavam, situação bem diferente da actual onde o Estado contribui subsidiando as escolas privadas.

A.A.B.M.