domingo, 31 de agosto de 2008

TRINDADE COELHO


Trindade Coelho: obra jornalística na colecção da Hemeroteca

No Centenário da morte de José Francisco Trindade Coelho (e que no Almanaque Republicano temos dado o devido e merecido relevo) a estimada Hemeroteca Municipal de Lisboa apresenta uma

"mostra bibliográfica que visa evidenciar o que mais marca a produção jornalística do escritor e jurisconsulto, isto é, a sua diversidade e o seu envolvimento com temas ou assuntos que lhe servem de matéria-prima. Inclui, entre outro documentos, as 'Cartas Alentejanas' publicadas no Diário Ilustrado, crónicas de Trindade Coelho publicadas na Revista Ilustrada e no Branco e Negro, contos editados em diversos jornais e revistas, textos jornalísticos sobre a sua actividade como político e jurisconsulto, e o impacto da morte de Trindade Coelho na imprensa da época"

Inauguração: 1 de Setembro. Em exibição até 14 de Outubro.
Local: Átrio e Escadaria da Hemeroteca

J.M.M.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

SALAZAR, 40 ANOS?




«Aproximava-se o ano de 1966, quando passavam quarenta anos do 28 de Maio de 1926 e a ideia surgiu naturalmente. Era necessário participar mais directa e empenhadamente na denúncia de um regime que parecia eternizar-se no poder; que, apesar do desgaste e do isolamento internacional, continuava a enviar milhares de jovens para as matas africanas e encarcerar todos aqueles que tinham ideias divergentes. Os desenhos começaram a sair envolvidos por vezes num sorriso mordaz, ou apressadamente esquematizados num discurso incipiente. Para organizar um texto justificativo e coerente recorri ao meu pai, Flausino Torres, já então exilado em Argel, onde colaborava com a Frente Patriótica de Libertação Nacional. Foi dele a ideia de seleccionar dos discursos de Salazar algumas frases e afirmações que, de certa forma, enquadrassem os desenhos.» [Cláudio Torres]

Salazar, 40 Anos? - Cláudio Torres (desenhos) & Flausino Torres (colaboração). Edições Afrontamento, 2008.

J.M.M.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O OCCIDENTE


A Hemeroteca Municipal de Lisboa continua a prestar um excelente serviço à comunidade, agora disponibilizando online a colecção completa da revista O Ocidente, uma das mais importantes revistas que se publicaram em Portugal entre os finais do século XIX e inícios do século XX.

Uma revista ilustrada, com uma imensidade de gravuras e mais tarde fotografias, que mostram um retrato dos acontecimentos em Portugal. Publicou-se entre 1877 e 1914, portanto 37 longos anos, somando 1296 números. Como se pode ler na ficha histórica da publicação, criteriosamente elaborada por Rita Correia:

Outro ponto forte deste projecto era, naturalmente, a qualidade dos seus colaboradores, que tanto brilhavam no campo literário, como no científico ou
técnico. O Occidente é uma revista muito diversificada no que toca a conteúdos, pois no seu horizonte está um amplo espectro de públicos em matéria de interesses, até porque contempla os dois géneros. Não quer isto dizer que trate de assuntos femininos clássicos, como a moda ou os lavoures.
Pelo contrário, a mulher idealizada pel’ O Occidente seria moderna, intelectual,interessada na vida social das altas personalidades, nas artes, na literatura, na história, quiçá por algumas curiosidades científicas e suas aplicações práticas,marcando a marcha do progresso civilizacional. Mas menos por política.


Um óptimo trabalho que pode ser consultado integralmente aqui e que se recomenda a todos os estudiosos e curiosos da História de Portugal, da imprensa e da cultura portuguesa dos finais do século XIX até ao início da República em Portugal.

Mais novidades surgirão em breve neste serviço público que consideramos de grande qualidade, entre elas destacamos a realização de um conjunto de conferências dedicadas a José Francisco Trindade Coelho, cujo centenário da morte passou completamente despercebido pela imprensa e pela comunidade científica, a única excepção que temos conhecimento foi a cerimónia realizada pela Câmara Municipal de Mogadouro, terra de onde era natural Trindade Coelho e um dos escritores portugueses a entrar no esquecimento e umas referências no IX Congresso Associação Internacional de Lusitanistas que decorreu no Funchal entre 4 e 9 de Agosto de 2008.

A.A.B.M.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

ALMANAQUE REPUBLICANO ... EM DORMÊNCIA


Almanaque Republicano ... em dormência

Até que o mês de Agosto se oculte, o Almanaque Republicano está em trânsito de descanso e acomodação de veraneio. Estamos, pois, em circunstancial dormência. Postaremos, entretanto, quando a ocasião for propícia e o mistério do tempo do mês de Agosto o permitir. Voltaremos porque a demanda continua e há uma alma republicana para contar.

Até lá

boomp3.com

Saúde e Fraternidade

A.A.B.M.
J.M.M.

domingo, 3 de agosto de 2008

ROBERTO DAS NEVES: NOTA BREVE


Roberto das Neves

Roberto das Neves, aliás Roberto Barreto Pedroso Neves, é uma personagem bem curiosa da luta anti-salazarista e do movimento libertário português. Cidadão do Mundo – como se assumia – anarquista individualista, poeta, socialista libertário, espiritualista, maçon, grafólogo, esperantista, vegetariano, naturista, jornalista e editor (Editora Germinal, Rio de Janeiro), Roberto das Neves foi sempre um espírito rebelde, de forte convicção individualista e de rara singularidade.

Existe já uma excelente nota bio-bibliográfica sobre Roberto das Neves, de autoria de Manuel Pedroso Marques [com apoio biográfico do filho do biografado e da professora Heloisa Paulo], que pode ser consultada online na página criada em homenagem e testemunho do prestigiado libertário e na comemoração do Centenário do seu nascimento [nasce em Pedrógão Grande, no dia 7 de Setembro de 1907]. Pode, ainda, ser lida a mesma nota na revista do Grémio Lusitano [nº11, pag. 76-81] ou, de novo, consultada online no blog Pimenta Negra. No site, que atrás referimos, de Roberto das Neves (Filho), pode ler mais sobre a sua vida e obra (poemas e textos) e, em especial, remetemos o leitor para a entrevista feita a Roberto das Neves, publicada pela revista Planeta nº 104, de Maio de 1981. Conhecemos, ainda, uma pequena anotação bio-bibliográfica no Dicionário dos Autores do Distrito de Leiria [de Agostinho Gomes Tinoco e pref. de Hernâni Cidade, Leiria, 1979, pag. 452-453].

Registe-se que Roberto das Neves foi ateu e maçon [se for correcto o que é referido na entrevista supra-citada, foi iniciado na "Loja Rebeldia" (?),com o nome simbólico Satan], pertencendo a um grupo pouco numeroso de anarquistas que foram, em Portugal, ao mesmo tempo libertários e membros da maçonaria, como Campos Lima [iniciado na Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz, com o nome simbólico de Kropotkine], Emílio Costa [que pertenceu à maçonaria académica, fez parte da Loja Montanha e da Alta Venda da Carbonária], o "velho" maçon Pedro Ferreira da Silva [ref. Roberto das Neves, "Entre Colunas", Germinal, 1980] e outros mais.

Por ultimo anote-se que Roberto das Neves, que fundou, dirigiu e colaborou em diversos periódicos - semanário Igualdade, de Coimbra; jornal Rebelião (órgão da Federação dos Anarquistas Portugueses, 1932-1938), o Portugala Instituto de Esperanto, o Brazilia Instituto de Esperanto, jornal A Batalha, República, O Comércio do Porto, O Rebate, o Diário da Noite, O Século, O Povo (de Lisboa), no Suplemento de A Batalha, no Diabo, A Comuna, Revolta, A Aurora (Porto, 1929-1930), no Sennaciulo e Sennacieca Revuo (ambos de Paris), Rio Esperantista, Ação Directa, Oposição Portuguesa, O Vegetariano, Cidadão do Mundo - tem obra farta, quer na escrita quer na tradução, tendo escrito sob variados pseudónimos, como por exemplo o de Ernst Izgur, em nome do qual publica um curioso livro intitulado "Assim Falaram Profetas" (Rio de Janeiro, 1934).

J.M.M.