sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ALDEIA GALLEGA (MONTIJO) NAS VÉSPERAS DA REPÚBLICA


Para comemorar o Centenário da 1ª Câmara Republicana em Aldeia Gallega (actual Montijo) o Museu Municipal de Montijo apresenta uma exposição retrospectiva da efémeride, onde estará presente, para além de peças iconográficas, uma curiosa documentação pertencente ao arquivo pessoal de Manuel Ferreira Giraldes, seu primeiro presidente.

Com efeito, "a 30 de Novembro de 1908 tomou posse o executivo eleito pelo Partido Republicano Português na Câmara Municipal de Aldeia Gallega (hoje Montijo), constituído por notáveis e empenhados cidadãos do concelho: Manuel Ferreira Giraldes (presidente), Francisco Freire Caria Júnior (vice-presidente), Álvaro Tavares Mora, José de Assis Vasconcelos e José Cipriano Salgado Júnior (vereadores). A Aldeia Gallega integrou, assim, o reduzido número de municípios que abraçaram a causa republicana durante a vigência da Monarquia"

Sob organização da Câmara Municipal de Montijo, a exposição será antecedida por uma palestra que será proferida por António Reis, integrada no ciclo "Vamos Falar de ...".

Horário: terça a sexta-feira das 09h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30 / sábados e domingos das 15h00 às 20h00

Museu Municipal (foto ao lado): de 4 de Outubro de 2008 a 31 de Janeiro de 2009

ler tudo aqui.

J.M.M.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

JOAQUIM DE CARVALHO 20 ANOS DEPOIS - FIGUEIRA DA FOZ




TERTÚLIAJoaquim de Carvalho e a ideia de Pátria

Com Carlos Pinto Coelho (moderador), Fernando Catroga e Miguel Real.

Presença de: Alexandre Franco de Sá, António Pedro Pita, Carlos André, Fernando Rosas, José Júlio Lopes, Pacheco Pereira, Paulo Archer, Reis Torgal.

30 DE OUTUBRO: 22 horas – Casino da Figueira da Foz

J.M.M.

NOTAS POLÍTICAS SOBRE JOAQUIM DE CARVALHO – PARTE II




Joaquim de Carvalho era, pois, um republicano liberal que pelo seu carácter e inteligência, talvez mesmo na sua benévola "solidão dos intelectuais" [João Gaspar Simões, Joaquim de Carvalho, JN, 8/3/1959], pode dizer-nos com toda a sagacidade [A Minha Resposta, ibidem, p.16]: "Se há estrutura mental que a República deva destruir é a da purificação. Para purificar o espírito, queimavam-se corpos; impediam-se leituras; fiscalizava-se o pensamento. O resultado viu-se e, tão baixo, vê-se ainda". Não espanta, deste modo, que considere no ideário republicano o trabalho espiritual, de combate ao fanatismo e à intolerância. A educação popular leva-o, com o maior dos entusiasmos, ao movimento das Universidades Livres (1919), tendo feito parte da Comissão Organizadora de Coimbra.

Na política associativa, Joaquim de Carvalho manteve um estreito relacionamento com Álvaro de Castro, sendo um dos apoiantes do Partido Republicano da Reconstituição Nacional, vulgarmente designado por Partido Reconstituinte, no início da década de vinte [Aires Antunes Diniz, O Século XX Português – Da Monarquia à República - texto inédito].

Antes, em 1912, com cerca de vinte anos, foi iniciado na Maçonaria, com o nome simbólico de Guyau, na loja "A Revolta" de Coimbra, onde se manteve até 1924 [Fernando Catroga e Aurélio Veloso, "António Sérgio no Exílio – Cartas a Joaquim de Carvalho", Revista de História das Ideias, vol. V, Coimbra, 1983, p. 952; vide ainda "Memoria Professorum Universitatis Conimbrigensis", vol.II, Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, 1992, p. 70]

Mais tarde, durante a Ditadura Militar, envolve-se em algumas tentativas de recuperação do regime republicano desaparecido em 28 de Maio de 1926, factos que lhe provocarão dissabores de todo o tipo, como o encerramento da Imprensa da Universidade em 1935. Entre essas actividades conhecem-se as suas participações na Aliança Republicano-Socialista, em 1931, em Coimbra [Fernando Catroga e Aurélio Veloso, ibidem, p.1013] e no Grupo de Estudos Democráticos (G.E.D.) dinamizado por Marques Guedes em 1931.

Ainda se encontra em Norberto Cunha [op.cit., p.584, nota 29] a referência à participação de Joaquim de Carvalho no Grupo de Renovação Democrática onde "alinhou abertamente pelo Grupo de Renovação Democrática, de pendor socialista".

Para além da sua obra académica (de muita eloquência), pedagógica [vide a este propósito, "Dicionário de Educadores Portugueses", dir. António Nóvoa, ASA, 2003, p.294-296] e filosófica, o "desassombro" de Joaquim de Carvalho de publicar e dirigir o Diário Liberal [Lisboa, entre Maio e Setembro de 1933], enfileirando-se na corrente de luta contra a ditadura, pelo conjunto de artigos de carácter doutrinário sobre questões políticas e sociais [leia-se, p.ex. "Sobre a ideia de Estado Total – Noção de Partido Político" ou "Sobre a ideia de Estado Total – Digressão sobre a alma burguesa"], mostra o seu "activismo doutrinal", o seu envolvimento político-social, mas que gradualmente conduzem a um crescente isolamento. E não por acaso, escreve ele em carta datada de 1932, a Rodrigues Lapa [Correspondência de Rodrigues Lapa, Coimbra, Minerva, 1997, p. 35] o seguinte: "Sei que estou e estarei isolado: não importa, porque saberei reivindicar o que me parece justo".

Para concluirmos, podemos dizer com Orlando Ribeiro ["Joaquim de Carvalho: personalidade e pensamento", Biblos. Revista da Faculdade de Letras. Homenagem a Joaquim de Carvalho, vol. LVI, 1980, p.1] e sobre Joaquim de Carvalho:

"Este homem era tão profundamente coimbrão que nem as sereias políticas da República liberal, de que era partidário convicto, nem as perseguições do obscurantismo, a que se opunha o seu espírito esclarecido e tolerante, o afastaram da Figueira da Foz nem da Universidade que de certo modo encarnava no que sempre teve de melhor: um lugar de ressonância europeia onde, da mediocridade e da suficiência em que tantas vezes se apagou, sobressaíam alguns espíritos de dimensão ecuménica na original fisionomia portuguesa que foi, na grande época da nossa história, a de integrar no mundo da cultura uma experiência – e uma reflexão sobre ela – de cariz próprio profundamente vincado"

A.A.B.M.
J.M.M.

NOTAS POLÍTICAS SOBRE JOAQUIM DE CARVALHO – PARTE I




"Ser republicano em Portugal é postular não apenas uma concepção política, mas sobretudo uma atitude mental e moral". Foram estas palavras então proferidas por Joaquim de Carvalho (1892-1958), em Janeiro de 1923, no discurso de homenagem ao Dr. José Falcão realizado em Coimbra e publicado pelo jornal A Revolta [nº7, 24-02-1923, p. 5-6]. Esta concepção e ética republicana que ultrapassa a própria política e entra no domínio da mentalidade colectiva de um povo era algo que os ideólogos do regime republicano preconizavam, mas que a realidade e o contexto da época acabaram por limitar, conduzindo muitos à desilusão e ao afastamento da vida política.

Joaquim de Carvalho sublinhava, acima de tudo, "a liberdade de espírito", "o dever", "o sentimento das ideias gerais" e o "espírito crítico" [Norberto Cunha, "Tradição e progresso nas liças teórico-políticas de um clerc: Vitorino Nemésio", Nemésio Vinte Anos Depois, Edições Cosmos, 1998]. E soube manter até ao fim esse seu espírito idealista, esse "desassombro", essa reconciliação da "gente com a humanidade", ou não fosse Joaquim de Carvalho o "Mestre de cidadania liberal ... uma espécie de frade da ordem do Espírito, que tinha por cela o Universo, mas um frade na acepção recolhida, pura e ascética da palavra" [Jaime Cortesão, citado por Barahona Fernandes, Joaquim de Carvalho. Pessoa e Atitude Espiritual, Figueira da Foz, 1963, p.13].

Nasce politicamente Joaquim de Carvalho, na época estudante universitário, num artigo publicado anonimamente, "ESTOTE PARATI?", no jornal A Redenção [Figueira da Foz, 1-2-1910]. O seu sentimento político, passe o facto de ser um texto de juventude, manifesta já as preocupações e os ideais que o vão acompanhar ao longo da vida. Revela-se, portanto, alguma constância do pensamento e sobretudo um conjunto de axiomas que servirão para desenvolver as suas ideias sobre o problema político em Portugal, e que vai desenvolvendo posteriormente, construindo, problematizando e alicerçando o que será tido como num pensamento liberal e democrático, com "um patriotismo fortemente impregnado de [...] sentimentos familiares" [Jorge Peixoto, Joaquim de Carvalho 1916-1934, Arquivo de Historia e Bibliografia 1923-26, INCM, 1976, vol. I].

Curiosamente, o primeiro combate de resistência surge em 1919, e logo vindo de um "sector político e intelectual que o devia compreender e até estar em perfeita sintonia" [Jorge Peixoto, ibidem], na sequência da desanexação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, medida tomada pelo então Ministro da Instrução, Leonardo Coimbra, ao que se presume instigado pelo reitor Coelho de Carvalho. Na altura publica um expressivo e raro opúsculo onde afirma:

"Decorreu-me a escolaridade entre duas tendências: uma, impulsiva, que me arrastou ao mais ardente jacobismo, outra contemplativa, pela qual me isolava no meu quarto, trabalhando delirantemente. Venceu, afinal, esta última, não sei se por mais forte, se pelas laboriosas desilusões da realidade, embora aquela se não apagasse ainda ..." [Joaquim de Carvalho, A Minha Resposta, Coimbra, Tip. França Amado, 1919, p. 5].

[a continuar]

A.A.B.M.
J.M.M.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

TARRAFAL


Colóquio Internacional: TARRAFAL uma prisão, dois continentes – 29 Outubro

No Auditório da Assembleia da República, amanhã pelas 9.30h, decorre o Colóquio Internacional: "Tarrafal uma prisão, dois continentes", pretendendo evocar a “prisão politica de resistentes anti-fascistas portugueses e, entre 1961 e 1974, de militantes anti-colonialistas de Angola, Cabo Verde e Guiné Bissau".

Organizado pela Associação-Movimento Cívico Não Apaguem a Memória, o evento será transmitido em directo AQUI e AQUI.

Programa detalhado – ler aqui.

J.M.M.

JUDITH CORTESÃO


Porque é uma figura muito pouco conhecida, porque votada ao esquecimento, num excelente trabalho de Manuel António Pina, recorda-nos o papel de uma lutadora, médica, escritora e oposicionista ao Estado Novo que acabou por falecer há cerca de um ano, em Genebra, com 92 anos.

Diz sobre ela Manuel António Pina:

Conheci-a em 1974, nos improváveis dias do 25 de Abril. Ao longo de madrugadas intermináveis, sonhávamos então o mais excessivo dos sonhos, o da Liberdade. Nós tínhamos 20 ou 30 anos, ela 60. Atordoados, nós acordávamos, esfregando ainda deslumbradamente os olhos, de uma obscura noite sem sonhos; ela transportava consigo algo raro, um passado. E algo luminoso, a que, por não saber que nome tem, chamo fidelidade. Deslumbramento e fidelidade eram tudo o que possuíamos; com tão pouco, tentávamos ensinar a sonhar, na campanha de dinamização cultural do MFA, gente que, como aquela, ciméria, de que fala Plínio, nunca sonhara.

O resto do texto pode ser consultado aqui.

A não perder.

A.A.B.M.

OUTROS COMBATES PELA HISTÓRIA




Nos próximos dias 4, 5 e 6 de Novembro o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX vai realizar uma iniciativa a que deu o título supra referido, a ter lugar no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra. Esta colóquio, que serve também para assinalar os dez anos de existência deste centro de investigação histórica e que foi impulsionado pelo trabalho desenvolvido pelo Prof. Doutor Luís Reis Torgal, visa:

debater o sentido da História, nas suas várias áreas.Contudo, ao propor este tema, não deseja que os autores das comunicações apresentem tanto as suas investigações nas suas áreas próprias — embora elas estejam subentendidas e devam ser expressas —, mas que reflictam sobre o seu sentido no âmbito da História entendida como Ciência Social e Humana. Para tal, deseja-se que discutam o objecto e o método da História das diversas áreas, equacionando problemas. Daí que se espere que este colóquio seja sobretudo um encontro de debate.

Esta acção que foi reconhecida e creditada para professores dos grupos 200, 400 e 410 pelo CCPFC com um crédido.

O colóquio desenvolver-se-á em seis painéis, a saber:
- Outras Teorias da História;
- História e Política;
- História e Ciências;
- História e Organizações Económicas e Sociais;
- História, Educação e Comunicação;
- História, Ideias e Artes.

Entre os oradores nacionais destacam-se, entre muitos outros:
- António Pedro Pita;
- Fernando Catroga;
- Rui Martins;
- Armando Malheiro da Silva;
- Heloisa Paulo;
- Luís Bigotte Chorão;
- Fernando Rosas;
- João Rui Pita;
- Norberto Cunha;
- Ana Leonor Pereira;
- José Amado Mendes;
- Álvaro Garrido;
- Alda Mourão;
- António Rafael Amaro;
- António Manuel Hespanha;
- Zília Osório de Castro;
- António Pedro Vicente;

Dos oradores internacionais convidados destacam-se:
- Hipólito de la Torre Gómez;
- Caio Boschi;
- Bernard Vincent.

Comissão Científica deste colóquio é composta por:
Maria Manuela Tavares Ribeiro
Vítor Neto
João Rui Pita
Alda Mourão
Isabel Nobre Vargues
António Pedro Pita

O programa completo do colóquio pode ser consultado aqui.

A.A.B.M.

domingo, 26 de outubro de 2008

LEILÃO DA BIBLIOTECA DO DR. JOSÉ JOAQUIM DE OLIVEIRA BASTOS (PARTE II)




Do vol. II, seleccionamos os seguintes títulos:

1435 – IN MEMORIAM DO DOUTOR TEÓFILO BRAGA. 1843-1924. Imprensa Nacional de Lisboa. 1929. In-4º de 518-II págs. E.

1442 – INTEGRALISMO LUSITANO. Estudos Portugueses. Directores: Luís de Almeida Braga, Hipólito Raposo [Lisboa, 1932-1934]. 2 vols. In-4º com 12 fasc. Em 2 vols. E.

1654 – MADUREIRA [Braz Burity] (Joaquim) – CARAS AMIGAS. GENTE LIMPA. Lisboa, Antiga Casa Bertrand. S.d. In-8º de 261 – III págs. B.

1656 - MADUREIRA [Braz Burity] (Joaquim) – A FORJA DA LEI. A Assembléa Constituinte em notas as lápis. Sobre a nudez comprometedora da Verdade, o manto faceto do Humorismo. Coimbra. F. França Amado. 1915. In-8º de 691-V págs. B.

1657 - MADUREIRA [Braz Burity] (Joaquim) –ÍDOLOS, HOMENS & BESTAS. Depoimentos e impressões sobre as gentes e as coisas da Terra Portuguesa.I. Fialho de Almeida. II. Columbano-Figueiredo & Cª. Limitada. Texto de Braz Burity. Ilustrações de Abel Salazar. Edição de Maranus. Porto. 1931. 2 opúsculos. In – 4º com o total de 132 págs. E. em 1.

1665 – MAGRO (Abílio) – A REVOLUÇÃO DE COUCEIRO. Revelações escandalosas. Confidências. Crimes. (Depoimento baseado em provas e documentos, d’um antigo servidor da Monarchia, apodado na Galiza de espião da Republica). Porto. 1912. In-8º de XIV-369-I págs. B.

1737 – MATOS (Júlio de) – A QUESTÃO CALMON. Reflexões sobre um caso medico-legal. Porto. Livraria Moreira. 1900. In-4º de 63-I pags. B.

2172 – PINHEIRO (Raphael Bordallo) – PONTOS NOS III. Litographia Guedes [e outras]. Nº 1 a 293 [ de 7 de Maio de 1885 a 5 de Fevereiro de 1891]. 6 vols. In -4º gr. E.

2497 – SANTOS (Machado) – A ORDEM PÚBLICA E O 14 DE MAIO. 1916. Lisboa. In – 8º de 28 págs. B.

2498 - SANTOS (Machado) – 1907-1910. A REVOLUÇÃO PORTUGUESA. Relatório de …Papelaria e Typographia Liberty. 1911. In – 8º gr. de 174 págs. B.

2573 – SILVA (Casimiro Gomes da) – APONTAMENTOS PARA A HISTÓRIA DE ALGUNS ASPECTOS DO REINADO DE D. CARLOS I. 1946. Tipografia Rosado. In-4º de XIII-I-180-IV págs. B.

O catálogo completo pode ser descarregado aqui.

Estas são somente algumas das nossas sugestões, mas aconselhamos vivamente os nossos ledores a passarem pela Junta de Freguesia do Bonfim, afim de visitarem a exposição e conhecerem o resto dos títulos apresentados. Indubitavelmente mais um leilão digno de destaque e a que o Almanaque Republicano não podia deixar de fazer menção.


A.A.B.M.

sábado, 25 de outubro de 2008

LEILÃO DA BIBLIOTECA DO DR. JOSÉ JOAQUIM DE OLIVEIRA BASTOS (PARTE I)




Recebemos e divulgamos mais um importante leilão a ter lugar na cidade do Porto.

A Livraria Manuel Ferreira promove mais um importante leilão de livros, constituído por 2500 peças pertencentes à biblioteca do ilustre advogado e bibliófilo Dr. José Joaquim de Oliveira Bastos.

Este leilão decorrerá entre os dias 4 e 14 de Novembro, pelas 21 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim, no Porto. A exposição terá lugar no mesmo local a partir do dia 3 de Novembro, entre as 15h e as 18h.

Para além desta valiosa biblioteca, será ainda posto em praça um valioso e importante acervo epistolar, de grande importância para a História da Arte em Portugal, dirigido ao grande investigador Dr. Flávio Gonçalves, por correspondentes portugueses e estrangeiros de grande notoriedade, dos quais se destacam os nomes de Robert Smith, José Régio, Reinaldo dos Santos, José Augusto França, Bernardo Ferrão, Nogueira Gonçalves, Pedro Dias, Adriano de Gusmão, Rocha Madahil, E. Veiga de Oliveira, L. Reis Santos, Veríssimo Serrão, Santos Simões, entre muitos outros.


No vol. I, sugerimos as seguintes obras, que directa ou indirectamente se debruçam sobre o período da República ou final da Monarquia Constitucional:


40-ALMA NACIONAL. Publica-se às quintas-feiras. Director: António José d’Almeida. Nº 1, Lisboa, 10 de Fevereiro, 1910 [ao nº 34, Lisboa, 29 de Setembro, 1910], Composto e Impresso na Typ. “A Editora”. In-4º de 544 pags. B

61 – ALMEIDA, (Fialho de) – SAIBAM QUANTOS …(Cartas e artigos políticos), 1912, Livraria Clássica Editora, Lisboa. In – 8º de 262 págs. B

114 – ANTÓNIO (Marco) – REPUBLICANÍADAS.Lisboa, Editado por Jayme Marques, 1913. In – 8º gr. Esguio de 96 págs. B.

148 – ARNOSO (Conde de) [Bernardo Pinheiro Pindela] – JUSTIÇA!, Coimbra, França Amado Editor, 1908. In-8º gr. de 64-II págs. B

158 – ARRIAGA (José de) – HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO PORTUGUESA DE 1820. Ilustrada com retratos dos patriotas mais ilustres d’aquella época e ampliada com magníficos quadros representando os factos históricos mais notáveis descriptos na obra compostos e desenhados pelos distinctos artistas nacionaes João Marques da Silva Oliveira … Caetano Moreira … Joaquim Victorino Ribeiro… Columbano Bordallo Pinheiro …Porto. Livraria Portuense Lopes & Cª – Editores, 1886-1889. 4 vols. In. -4º E.

159 - ARRIAGA (José de) – A INGLATERRA, PORTUGAL E SUAS COLONIAS.Lisboa. Typographia do Commercio. 1882. In-8º gr. de II-331-III pags. E.

273 – BOMBARDA (Miguel) – A SCIENCIA E O JESUITISMO. Replica a um Padre Sábio. Lisboa. Parceria António Maria Pereira. 1900. In-4º gr. de VIII-191 págs. B.

306 – BRAGA (Guilherme) – O BIPO. Nova «heresia», em verso. Segunda edição com o retrato e uma poesia imediata do auctor, e um preambulo por J. Pereira de Sampaio (Bruno). Porto. Livraria Camões de Fernandes Possas. MDCCCXCV. In-8º de LVIII-III págs. E.

338 – BRAGA (Teófilo) – SOLUÇÕES POSITIVAS DA POLÍTICA PORTUGUESA. Porto. Livraria Chardron, de Lello & Irmão. 1912-1913. 2 vols. In – 8º de VI-30 e 338 págs. E.

360 – BRANDÃO (Raul) – MEMÓRIAS.Edição da “Renascença Portuguesa” [Livraria Bertrand e Seara Nova]. [1919-1933]. 3 vols. In-8º.E.

388 – CABRAL (António) – AS MINHAS MEMÓRIAS POLÍTICAS. 1930-1932. Livraria Popular Francisco Franco. Lisboa. 3 obras ou vols.. In-8º E e B.

862 – CHAGAS (João) – HOMENS E FACTOS [Na capa da brochura: 1902-1904]. Coimbra. França Amado – Editor. 1905. In-8º gr. de 363 – III págs. E.

863 - CHAGAS (João) – JOÃO FRANCO. 1906-1907. Proprietário-Editor: J. Chagas. Composto e Impresso na Typographia do Annuario. 1907. In-8º de 249-V págs. B.

864 – CHAGAS (João)-POSTA-RESTANTE. (Cartas a toda a gente). Lisboa. Livraria Editora-Viuva Tavares Cardoso. MCMVI. In-8º de 274-I págs. E.

880 – CLARO (António) – MEMÓRIAS DE UM VENCIDO … que são a pintura fiel, quanto possível, das minhas recordações desde 1882 a 1924. Livraria e Imprensa Civilização Editora. Porto. In-8º de 258-II págs. E.

1053 – DIAS (Carlos Malheiro) – QUEM É O REI DE PORTUGAL. Antiga Casa Bertrand. José Bastos & Cª Livraria Editora. Lisoa [1908]. In-fólio de 103-I pág. E.

1055 - DIAS (Carlos Malheiro) –ZONA DE TUFÕES. Aillaud, Alves & Cª, Lisboa, 1912. In-8º de 591-III págs. E.

1056 – DIAS (Da Cunha) – A MAÇONARIA EM PORTUGAL. Edições Delta, 1930. Lisboa. In-8º e 235-I págs.B.

1116 – A ENTREVISTA. Por Joaquim Leitão. Porto. 1913-1914. 20 números. In-4º de 315-III págs. Em 1 volume. E.

1421 – HISTÓRIA DO REGÍMEN REPUBLICANO EM PORTUGAL. Publicada por Luís de Montalvor. Lisboa/MCMXXX-MCMXXXII. [Tipografia da Empresa do Anuário Comercial]. 2 vols. In-4º gr. de 387-I e 416 págs. E.

Para consultar o catálogo completo ver aqui.

No post que segue apresentam-se algumas das nossas sugestões para o volume II.

A.A.B.M.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O PENSAMENTO POLÍTICO, SOCIAL E ECONÓMICO DE BASÍLIO TELES




A Imprensa Nacional Casa da Moeda publicou recentemente mais um contributo para se compreender melhor a complexa figura de Basílio Teles. Neste estudo da autoria de Maria do Rosário Machado, resultando de uma dissertação de mestrado, publicado na colecção Estudos e Temas Portugueses é possível encontrar uma análise do pensamento deste ideólogo do Partido Republicano, dando particular enfase aos seus escritos de carácter político, social e económco.

Afirma-se na apresentação da obra:

No processo de resgate da figura de político, pensador e economista de Basílio Teles (1856-1923), iniciado com a recente publicação dos seus Ensaios Filosóficos (2006), dá agora à estampa a INCM presente estudo sobre as ideias sócio-económicas do publicista portuense.
Na primeira parte deste trabalho, que, na origem, constitui a dissertação de mestrado da autora, traça-se um documentado perfil biográfico de Basílio Teles, desde a sua infância e juventude até ao seu empenhado e reflexivo envolvimento no movimento republicano, à sua participação no fracassado golpe de 31 de Janeiro de 1891 e seu subsequente exílio e às suas posições de progressivo afastamento dos rumos trilhados pelo regime saído do 5 de Outubro de 1910.
A segunda parte do ensaio é dedicada ao estudo do pensamento social e económico do autor de O Problema de Trabalho Nacional, que exerceu considerável influência em autores da relevância de Ezequiel de Campos.


Os restantes títulos publicados pela INCM podem ser consultados aqui.

Um dos títulos a não perder por todos os que se interessam pelo estudo da ideologia do Partido Republicano, pelo período da 1ª República e pela figura de Basílio Teles nas suas diferentes abordagens.

A.A.B.M.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

CONTRA SALAZAR


Contra Salazar – 25 de Outubro em Coimbra, 18 horas

Nos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, a Editora Angelus Novus publica "tudo" o que o poeta escreveu – em prosa e verso – sobre Oliveira Salazar. Com organização de António Apolinário Lourenço, a obra "Contra Salazar", reúne um conjunto de textos dispersos, mas já anteriormente publicados por Fernando Pessoa. Curioso será acompanhar a posição política do poeta face à Ditadura e a Salazar, procurando entender (parte) (d)o que motiva a sua concordância e sua posterior discordância.

"CONTRA SALAZAR - 25 DE OUTUBRO, 18.00h na Livraria ALMEDINA ESTÁDIO - COIMBRA



J.M.M.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

XI JORNADAS HISTÓRICAS - MAÇONARIA, SOCIEDADE E POLÍTICA: UMA VISÃO HISTÓRICA




Numa organização da Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE), da Câmara Municipal de Seia, da Divisão de Cultura, Educação e Desporto e do Arquivo Municipal, vão realizar-se em Seia, nos próximos dias 14 e 15 de Novembro de 2008 as XI Jornadas Históricas com o programa que a seguir se apresenta:(clicar na imagem para aumentar)



As actividade decorrerão nas instalações do Arquivo Municipal, Rua Dr. António Mota Veiga, 6270-471 Seia, telf.238 081 392 ou do email: arquivomunicipal@cm-seia.pt.

Mais se informa que esta actividade é creditada pelo Conselho Científico Pedagógico de Formação Contínua (CCPFC) para efeitos de progressão na carreira docente (0,6 créditos).

A.A.B.M.

sábado, 18 de outubro de 2008

BIBLIOTECA DA AJUDA

 

BIBLIOTECA DA AJUDA

[via Almocreve das Petas, aliás via blog Biblioteca da Ajuda]

A Biblioteca da Ajuda é uma livraria "mágica", estranha, orgulhosa, possuindo um "conjunto das várias secções de documentação de arquivo e biblioteca um total de cerca de 95.000" peças. Um imenso ror de manuscritos e livros preciosos, a descobrir. Com a Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra - esse Templo do Saber que a Arte da Memória do seu organizador Frei João de Santa Ana, não esconde - e a Biblioteca da Ajuda - pelo seu acervo (bem) curioso - se "armazena" muito da Alma Portuguesa.

J.M.M.

JORNADA DE HOMENAGEM A JOSÉ LEITE DE VASCONCELOS (1858-1941)




Organizado pelo Instituto de Estudos Portugueses, sob coordenação de Maria do Rosário Pimentel e Maria do Rosário Monteiro, vai decorrer no próximo dia 28 de Outubro, das 10 às 18 horas – no Auditório 1 - uma Homenagem a José Leite de Vasconcelos

Conferencistas: Amílcar Guerra, Artur Anselmo, Domingos Morais, João Nazaré, Luís Raposo, Luiz Fagundes Duarte, Maria Isabel Rebelo Gonçalves, Pedro Ferré.

Entrada Livre.

J.M.M.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

ALBANO COUTINHO NO DIÁRIO LIBERAL



Nas nossas deambulações entre jornais e papéis nas bibliotecas, encontramos agora este artigo de Albano Coutinho, publicado no jornal Diário Liberal, que se publicou em Lisboa, entre 1933 e 1934, sob a direcção de Evaristo de Carvalho.

Um dos colaboradores eventuais deste jornal, o republicano histórico Albano Coutinho recorda alguns acontecimentos que testemunhou quando bastante jovem. Com referências interessantes aos primeiros momentos do Partido Republicano e à formação do Centro Democrático em Lisboa em 1 de Junho de 1874. Repare-se como algumas personalidades entretanto evoluiram noutros sentidos políticos, mas a esmagadora maioria mostrou convicções e coerência que, cada vez são mais difíceis de encontrar.

A.A.B.M.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

A MAÇONARIA EM LOULÉ. LOULETANOS NA MAÇONARIA




Este é o tema de uma conferência a realizar hoje, quarta-feira, 15 de Outubro, pelas 18 h, na Alcaidaria do Castelo, em Loulé, pelo Prof. Doutor António Ventura.

Nesta conferência, depois de uma introdução sobre a Maçonaria em geral e a Maçonaria em Portugal, serão abordadas as estruturas maçónicas existentes em Loulé no século XX: o Triângulo n.º 65, instalado em 12 de Outubro de 1905, por decreto n.º 10 de 10 de Julho do mesmo ano, filial da Loja Pátria, de Coimbra. Este Triângulo transformou-se na Loja Estrela do Sul, n.º 265, instalada pelo decreto n.º 16, de 18 de Maio de 1906. Depois, o Triângulo n.º 274, instalado em 24 de Julho de 1928, por decreto n.º 15 de 18 de Julho do mesmo ano, admitido à regularidade no Grande Oriente Lusitano Unido por decreto n.º 16, de 31 de Julho de 1928. Em todos estes casos serão feitas considerações sobre os seus membros e história.

Refira-se que, para além destas estruturas maçónicas existentes em Loulé, muitos louletanos integraram oficinas maçónicas tanto em Portugal Continental como nas Colónias e até na emigração.


O enquadramento desta actividade pode ser consultado aqui.

Mais uma iniciativa do Município de Loulé, para dar a conhecer a todos os interessados nestas matérias um pouco do passado e dos envolvidos nas actividades desta sociedade, que contou entre os seus membros com figuras ilustres, mesmo no panorama político nacional como José Mendes Cabeçadas Júnior ou o ilustre advogado José Caetano de Amorim Benevides, entre muitos outros.

Uma inicitiva a não perder.

A.A.B.M.

BLOG - IN MEMORIAM JOAQUIM DE CARVALHO


Blog - In Memoriam Joaquim de Carvalho (1892-1958)

50 anos depois da sua morte, o doutor Joaquim de Carvalho (1892-1958) – professor, erudito, filósofo, escritor, bibliófilo, homem de cultura de mérito excepcional – tem a homenagem, a lembrança e a presença de todos aqueles que, em testemunho de gratidão pelo cidadão, pelo mestre universitário e pela copiosa e insigne obra que nos legou, sempre se curvaram perante a sua saudosa memória.

A Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho e a Associação Dr. Joaquim de Carvalho, da Figueira da Foz, nesta ocasião da passagem do cinquentenário da morte do doutor Joaquim de Carvalho – seu patrono – pretende assinalar a data com um conjunto de iniciativas de valor afectivo e cultural, que incluem várias tertúlias sobre a figura e o pensamento do homenageado, realizando-se a primeira já no próximo dia 30 do corrente mês, com a presença de conhecidas figuras da cultura portuguesa.

Entretanto, foi criado um oportuno blog de divulgação do seu patrono - ver, aqui – onde se afirma:

"Servirá este blog de útil caderno de apontamentos, resenha de factos e ideias que os interpretem, interpelem, questionem, de modo a que, se for caso disso, tenham a força de os transformar. Servirá também de anotação, de memória translúcida que resista ao impacto do tempo e ao absurdo da espuma dos dias.

Servirá, no berço intemporal do pensamento do seu patrono, de reflexão ao transtorno do presente, de interpretação dos inquietantes fantasmas que nos povoam, dos distúrbios do medo que nos ameaçam, mas também de posto de vigia e coragem à reafirmação constante de que existimos, tal como Joaquim de Carvalho, aqui e agora
".

[in 50 Anos Depois - In Memoriam de Joaquim de Carvalho]

via Almocreve das Petas

J.M.M.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

PRIMEIRA REPÚBLICA - PORTAL


Portal – Primeira República

O Instituto de História Contemporânea (I.H.C.), dando relevância, pela sua natureza (e como seria mister), à importância do História da República e do Republicanismo, lançou um vasto programa de actividades para a comemoração do Centenário da I República. Deste modo, o I.H.C. lançou um portal específico para o evento – que pode, aqui, ser consultado – onde pretende disponibilizar diversos conteúdos sobre a República e o Republicanismo em Portugal. A "formação e o ensino", a "investigação" e a "divulgação", são as linhas orientadoras de intervenção deste prestigiado Instituto.

Refira-se que nas actividades a levar a cabo até 2010 se destaca "a concretização do programa de realizações proposto conjuntamente à Assembleia da República contemplando a elaboração de um Dicionário de História da I República e do Republicanismo, a realização de um Congresso Internacional sobre a História da I República Portuguesa e do Republicanismo e uma Exposição iconográfica."

A acompanhar, com merecida atenção e estima.

J.M.M.

domingo, 12 de outubro de 2008

IN-LIBRIS


In-Libris - Blog

A Livraria In-Libris - livros antigos, estimados e raros - aparece na Blogosfera com um blog que considera de "promoções temporárias, saldos, descontos e outras surpresas".

Um espaço a ter em conta. E a consultar.

J.M.M.

CONVERSA COM JORGE VALADAS


Letra Livre - Conversa com Jorge Valadas dia 17 de Outubro, às 19h

À Calçada do Combro, nº139, nas instalações da estimada Livraria Letra Livre, Jorge Valadas (ou Charles Reeve) estará presente para falar & debater com os interessados a "memória e o fogo" destes anos tão pavorosamente conformistas (dizemos nós).

Jorge Valadas (que assina, ainda, com o pseudónimo de Charles Reeve) nasceu em Lisboa em 1945 e é um insubmisso (& praticante) de raiz libertária (exilou-se em 1967 em Paris, desertando da Guerra Colonial). Com um conjunto curioso de escritos e obras publicadas [entre outras, "O Tigre de Papel"; "Portugal, l'autre combat"; "Voyage au bord d'une Amérique en crise"; "Crónicas Portuguesas"], regressa em português com um ensaio, via Livraria Letra Livre, intitulado "A Memória e o Fogo" (cuja edição francesa data de 2006), continuação da sua costumada "incursão" (e inquietação) por esse assombroso século XX. Escreve, ainda, em várias revistas, como a "L'oiseau-tempêt" ou as "Editions Ab Irat".

Dia 17 de Outubro, na Letra Livre, às 19 horas.

J.M.M.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

AS MULHERES E A REPÚBLICA - Parte III



Maria Veleda, afirmava num artigo intitulado "O voto às mulheres portuguesas", in A Mulher e a Criança, n.° 19, de Dezembro de 1910:

Como já tenho afirmado muitas vezes em público, sou anti-sufragista. Não creio que o sufrágio melhore muito as condições económicas da mulher. E a questão económica é, sem dúvida, a primeira razão para que exista o feminismo.

Se hão-de dar o voto às mulheres portuguesas, façam-no então com um grande espírito de coerência e de justiça. Do contrário, teremos sempre o privilégio, o odioso espírito da divisão de classes. Ora deixa de haver respeito pela liberdade colectiva logo que o voto não seja concedido a todas as mulheres como a todos os homens, quando paguem uma certa contribuição ao Estado, ou saibam ler e escrever.

Não sou suffragista — repito —, mas, se o fosse, pediria tudo, e, se não dessem tudo, não acceitaria nada.


A.A.B.M.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

OS RIDÍCULOS


Os RIDÍCULOS – Desenho humorístico e Censura (1933-1945)

A Bedeteca (biblioteca de banda desenhada) e a Hemeroteca Municipal (biblioteca de periódicos) apresentam, brevemente e até ao dia 31 de Dezembro, nas instalações da Bedeteca (aos Olivais), uma Exposição de estimadas primeiras páginas do jornal "Os Ridículos" (bissemanário humorístico), "acompanhadas das respectivas provas enviadas para e recebidas dos serviços de censura do Estado Novo (a célebre «Comissão de Censura», e o seu famoso carimbo «VISADO Pela Comissão de Censura», em duas linhas)".

Com desenhos e caricaturas de Alonso, Stuart, Colaço, Natalino, Silva Monteiro, Américo e Pargana, os documentos expostos revelam alguns dos "objectivos e especificidades da censura sobre a imprensa, neste caso, sobre um jornal humorístico, bem como das estratégias e respostas dos jornais, muitas delas subtis, para contornar a acção do famoso lápis azul". Para o evento, haverá, ainda, "visitas guiadas, ateliers e um debate (Jornalismo Gráfico e Censura no Estado Novo)". A Exposição será comissariada por Álvaro Costa de Matos (Hemeroteca Municipal de Lisboa) e Pedro Bebiano Braga (Museu Rafael Bordalo Pinheiro).

"Os Rídiculos" – AnoI, nº1 (3 de Otubro de 1895) ao Ano III nº 279 (1 de Junho de 1898), publicado em Lisboa, Tipographia da Tarde. Director: José Maria da Cruz Moreira ("Caracoles", e em 1897, "Auto-Nito"). Regressa como Bi-Semanário em 1905 (Ano I, nº 1, 12 de Abril), editado por Cruz Moreira e com redacção de José Maria da Cruz Moreira (Caracoles) e Eduardo Fernandes (Esculápio). Publica-se até 1984. Alguns colaboradores: Alonso (Santos Silva), Colaço, Silva Monteiro, José Pargana, Stuart de Carvalhais e Natalino Malquiades, no desenho humorístico e na caricatura política; os textos eram assegurados por Gamalhães (Xavier de Magalhães), Sousa Pinto, Aníbal Nazaré, Nelson de Barros, Borges de Antão, Casimiro Godinho.

J.M.M.

AS MULHERES E A REPÚBLICA - PARTE II



A propósito do que dissemos no post anterior, realizamos alguma pesquisa, consultamos mais bibliografia, que nos desse garantia de qualidade e isenção acerca dos estudos sobre a mulher no período final da Monarquia e durante a República.

Assim, encontrou-se um artigo muito interessante da Doutora Irene Vaquinhas (FLUC), publicado na Revista da Faculdade de Letras - História da Universidade do Porto, em 2002, onde se pode ler entre outras coisas:




Estes excertos, do texto original, mostram a evolução da situação da mulher entre os finais do século XIX e inícios do século XX, no entanto levantam também a curiosa questão de saber em que momento(s) a(s) mulher(es) consegue(m) obter aquilo por que lutaram durante tanto tempo e porque razão esse direito lhes foi concedido num determinado momento.


Muito interessante e curioso, em particular para estes neomonárquicos que parecem tão interessados em denegrir a imagem da República onde vivem, com a liberdade que desfrutam, provavelmente mantendo a situação da mulher como era noutros tempos...

A.A.B.M.

domingo, 5 de outubro de 2008

AS MULHERES E A REPÚBLICA




Os direitos de participação das mulheres na política é uma realidade muito recente em Portugal, só começa a notar-se após a Revolução de 25 de Abril de 1974.

No entanto, como em tudo, houve um precurso que foi percorrido, em que com muito pioneirismo algumas mulheres fizeram ouvir a sua voz na opinião pública reivindicando a sua participação. No dia em que se assinala os 98 anos da implantação da República propomo-nos recordar algumas das figuras que mais se destacaram nesse combate pela sua emancipação e pelos seus direitos.

Desde o início do século XX que, pontualmente, alguns escritos, por influência das inovações que vinham do exterior, procuravam a defesa do sufrágio onde as mulheres pudessem também participar. Pouco a pouco, as mulheres portuguesas começam a ser sensibilizadas para esta questão, porém, é necessário ter em conta que cerca de 70% da população continuava mergulhada no analfabetismo e as grandes afectadas eram sobretudo as mulheres. Cerca de 1907, com a instauração da ditadura de João Franco, as poucas mulheres com instrução iniciam um processo lento e pontual de afirmação de algumas ideias, onde uma das mais importantes era o direito de voto das mulheres.

Neste contexto, Ana de Castro Osório, apresentou no Congresso Republicano, de 1909, uma proposta para os republicanos consagrarem nas suas promessas políticas a questão do voto feminino, porém os congressistas conseguiram protelar a promessa. Após a instauração da República, o Partido Republicano foi colocando entraves a este avanço. Quando, nas Constituintes se discutiu o assunto, Ana de Castro Osório lembra que muitos deputados consideravam o direito de voto das mulheres uma proposta justa, porém, "apenas três tiveram a coragem de publicamente manter as suas afirmações" [in João Esteves, As Origens do Sufragismo Português, Lisboa, Editorial Bizancio, 1998, p. 73]

As pioneiras do sufragismo feminino em Portugal foram, entre outras:

- Adelaide Cabete (1867-1935)
- Alice Moderno (1867-1945)
- Ana de Castro Osório (1872-1935)
- Angelina Vidal (1853-1917)
- Carolina Beatriz Ângelo(1877-1911)
- Emília de Sousa Costa (1877-1959)
- Elzira Dantas Machado (1865-1942)
- Lutgarda Guimarães de Caires (1873-1935)
- Maria Veleda (1871-1955)

e muitas outras que têm ficado no esquecimento...

Saúde e Fraternidade!

A.A.B.M.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

CENTENÁRIO DO CENTRO REPUBLICANO E DEMOCRÁTICO DE FÂNZERES



Recebemos e divulgamos a todos os interessados que nestes dias o Centro Republicano e Democrático de Fânzeres, uma das freguesias do concelho de Gondomar, comemora um século de existência.

No âmbito das iniciativas que têm vindo a decorrer, destacamos a conferência, a realizar no próximo sábado, 4 de Outubro, pelas 21.45, do Prof. Doutor Nuno Grande.

O centenário de uma das organizações republicanas que ainda conseguiram sobreviver até aos nossos dias é sempre um facto digno de realce.

Sobre as actividades desta colectividade veja-se aqui.

O programa completo das festividades é como se apresenta de seguida:


Saúde e Fraternidade para todos os membros desta agremiação que de forma continuada tem procurado manter os ideais republicanos vivos no Norte do País.

A.A.B.M.

ANACRONISMOS (NOTAS BREVES PARA UMA POLÉMICA) - PARTE II




A propósito desta nossa polémica com os monárquicos e respondendo ao nosso confrade Luís Bonifácio a propósito da correspondência que publicou, vejamos o que se dizia do lado monárquico, nos últimos anos da Monarquia Constitucional.

Na correspondência que existe publicada por Pedro Tavares de Almeida, recolhida no espólio de José Luciano de Castro, encontram-se várias cartas que comprovam as combinações que se estabeleciam entre os partidos monárquicos para obstaculizar o avanço do Partido Republicano. A que se transcreve de seguida é neste caso bastante elucidativa:

Presidência do Conselho de Ministros
Particular
Exmo. amigo e colega
Falei hoje com o Gov. Civ. de Viana, para me habilitar melhor a responder à carta de Vª. Exª.
Como é natural, porque sempre de um lado e de outro se avalia por melhor, não condizem as informações que ele me dá com as que o Espregueira dá a Vª. Exª., no tocante à força respectiva dos dois partidos nos diferentes concelhos.

Seria arriscada a maioria para o governo, ligando-se os progressistas, para a combater, com os elementos que o José de Abreu, amigo do João Franco, tem em Ponte de Lima. De outra forma, não o creio.

Mas, dada a boa vontade de Vª. Exª. e a minha em caminharmos de boa harmonia, não é nesse terreno restrito que temos de ver a questão.

Vª. Exª sabe que eu tracei as circunscrições eleitorais, de forma a garantir ao seu partido uma representação já bastante maior do que a que tinha na passada sessão legislativa, combinando particularmente com Vª. Exª.

Ponderou-me, depois, Vª. Exª que, para temperar as coisas em Viana, lhe convinha serem por ali eleitos dois progressistas; e o mesmo me ponderou com respeito a Beja. Concordei com uma e outra coisa, se bem que na fixação das maiorias pelos diferentes círculos se compensava já em uns o que em outros houvesse a menos.

Com respeito a Castelo Branco, para mais facilitar a sua acção, propus eu próprio que fossem eleitos dois progressistas, sendo a minoria de um. [...]

Mas, repito, ponho a resolução do assunto nas suas mãos; e se Vª. Exª. entender não poder prescindir de que, por Braga, ainda mesmo passando o Queiroz Ribeiro para Viana, seja eleitos dois progressistas, estarei pelo que Vª. Exª. resolver. Agora, outros assuntos. Tenho informações de que em diversos distritos se procura fazer propaganda e aliciar adesões, sobretudo entre os padres, para apresentação de candidatos católicos. Compreende bem Vª. Exª quanto isto é inconveniente e perigoso; não só para as próximas eleições, como para as que se seguiram, mas para a boa ordem social; fez-se a religião para o culto nos templos, e não para o voto nas urnas. Mas o certo é que o recrutamento se faz: em Braga, em Vila Real, no Funchal; e até em Castelo Branco pensa o Tavares Proença, disputando a maioria, em incluir na lista um candidato católico (não sei se para aliar o Jacinto Cândido).

A Vª. Exª peço que, por sua parte, atenda a isto, que é muito grave é. [...]

De vª Exª
Colega e Amigo obrigado
Hintze Ribeiro
25-8-901


Estes extractos de uma carta de Hintze Ribeiro a José Luciano de Castro, a propósito das eleições de 1901, é possível detectar algumas das estratégias políticas para manter o poder. A alternância de poder era cada vez mais uma farsa e os monárquicos foram os grandes responsáveis pelo seu falhanço. Os republicanos apenas lhe aplicaram o golpe final, porque depois dos resultados eleitorais de 1908, muitos começaram a convencer-se de que não conseguiriam chegar ao poder pela via democrática (eleições), então era necessário organizar uma revolução que abrisse caminho para esse intento. Esta situação, como bem se sabe provocou clivagens profundas dentro do Partido Republicano, porque outros sempre defenderam e acreditaram que o partido atingiria esse grande objectivo por uma forma que fosse inequívoca. Aproveitaram as circunstâncias e aceleraram o processo.

Nesta época (1901), os republicanos ainda estavam a tentar reorganizar-se, depois dos efeitos do 31 de Janeiro e das decisões do Directório em não ir a eleições durante vários anos, o que causou profundo sentimento de desilusão e abandono das fileiras.

Certamente que houve situações de chapeladas, votações combinadas, caciquismo que infelizmente ainda vai persistindo de forma mais ou menos notória em várias regiões do nosso País. Mas isto são sintomas do nosso atraso enquanto País, porque falta maior participação cívica; porque os Partido Políticos merecem tão pouca confiança aos portugueses, com esquemas de funcionamento que vêm do século XIX, e também por isso mesmo é que mantenho a minha independência.

Provavelmente, serei(emos) muitos a pensar desta forma, mas como português espero e desejo sempre o melhor para o meu País, porque isso será quase de certeza melhor para a população.

Nos próximos dias novas achegas irão surgindo.

[Fonte Bibliográfica: Pedro Tavares de Almeida, Nos Bastidores das Eleições de 1881 e 1901. Correspondência política de José Luciano de Castro, Lisboa, Livros Horizonte, 2001, p. 119-120 procedeu-se à actualização da grafia]
A.A.B.M.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

CICLO DE CONFERÊNCIAS NO MUSEU REPÚBLICA E RESISTÊNCIA




Numa organização conjunta do Museu República e Resistência de Lisboa e do Departamento de Sociologia do ISCTE, vão realizar-se um conjunto de nove conferências sobre o sistema político português entre o século XIX e o início do século XXI. Este conjunto de conferências será coordenado cientificamente pelo politólogo André Freire.

Entre os conferencistas encontram-se Fernando Farelo Lopes, Pedro Tavares de Almeida, Fernando Rosas e António Costa Pinto, entre outros. O programa completo deste ciclo de conferências pode ser analisado abaixo:



As sessões decorrerão às quartas-feiras, pelas 18 horas, entre 8 de Outubro e 18 de Fevereiro de 2009.

A.A.B.M.

ANACRONISMOS (NOTAS BREVES PARA UMA POLÉMICA)




Nos últimos tempos, a propósito do Centenário da Proclamação da República, alguns monárquicos tentam recuperar a imagem do regime monárquico.

Quem nos conhece pessoalmente ou que nos acompanha em visitas mais ou menos regulares ao blog, certamente nota que temos evitado as apreciações ou depreciações mais ou menos conhecidas. Historicamente, tentamos basearmo-nos em factos e apoiarmo-nos na bibliografia existente que temos disponível. No entanto, não podemos deixar de notar que esses monárquicos para procurarem uma legitimação que actualmente já não possuem, omitem, interpretam e tentam recriar os acontecimentos da forma que os favorece mais.

Muitos dos problemas que o nosso País atravessa são, de facto, de qualidade dos seus dirigentes, mas essa qualidade não é um problema recente. Certamente que alguns dos políticos que nos têm governado, seja na Monarquia, na 1ª República, na 2ª República (Ditadura), ou mesmo na 3ª República cometeram erros que todos os cidadãos acabam por ter que assumir, porque vivemos num país em que muito facilmente se atiram as culpas para os outros e raramente se assume a responsabilidade pelos actos. Temos todos, começando por mim, grande dificuldade em assumir que fizemos uma má opção. No entanto, há uma coisa que não podemos esquecer, é que a liberdade política (Democracia) permite que possamos escolher outros que temos sempre a esperança que sejam melhores.

Na Monarquia já existiam eleições, mas também se sabe que elas de livres tinham só o nome. Mais, os monarcas tiveram o cuidado de votar leis que podiam impedir o progresso eleitoral dos republicanos criando círculos eleitorais mais amplos nas regiões urbanas de Lisboa e do Porto, onde tradicionalmente havia maior votação no Partido Republicano, para conseguirem realizar mais facilmente as famosas chapeladas (colocação de votos nas urnas). Também sabemos que era possível mudar de governo entre os dois grandes partidos monárquicos (Progressista e Regenerador) e, pelo menos a partir da década de 70 do século XIX, houve alguma alternancia de poder, mas os líderes pouco mudavam, a classe política era quase sempre a mesma. Com o aparecimento do Partido Regenerador Liberal, liderado por João Franco, cria-se uma terceira via de alternância, mas não se podia mudar o chefe de estado. Repare-se que não estou a por em causa as qualidades pessoais ou políticas da pessoa de D. Carlos ou de D. Manuel II, mas o certo é que eles não podiam ser eleitos e exerciam o poder pela vida inteira. Isto levanta de imediato o problema de que as pessoas mudavam por uma questão de manter as aparências, porque aquilo que era estrutural nunca mudaria. Para mais havia a questão da hereditariedade, o título era transmitido automáticamente, sem que ninguém fosse chamado a pronunciar-se se era esse o seu desejo ou não. E muitas vezes ficamos com a sensação que alguns monarcas desejavam realizar outras actividades, fossem elas culturais, científicas, de carácter social ou religioso. Esse é para mim um dos grandes defeitos da Monarquia.

Por outro lado, apontam-se também criticas à República que são verdadeiras, mas que fazem parte de todos os momentos revolucionários. Sempre houve e sempre haverá exageros e também os houve durante a República, não temos qualquer dúvida em relação a isso, no entanto também sabemos que quando se vivem momentos revolucionários, de conturbação política e social os acontecimentos ultrapassam as ideias daqueles que os imaginaram e realizaram. Isso aconteceu sempre ao longo da História, seja em Portugal ou no mundo. Houve exageros na Revolução Francesa, com avanços e recuos. Houve situações mal resolvidas durante a República ou mesmo na Revolução dos Cravos, mas as História não existe para de julgar ninguém, mas para analisar e interpretar os acontecimentos. Os protagonistas dos acontecimentos tomaram decisões que só à posteriori se verifica que foram correctas ou erradas.

Alude-se também à questão da liberdade de imprensa. A liberdade de imprensa era ainda uma conquista a fazer nos finais do século XIX. Note-se que com a crise do Ultimatum e do 31 de Janeiro de 1891 foram encerrados variadíssimos jornais de forma compulsiva, simplesmente porque o poder político monárquico assim o entendeu fazer. Os jornalistas eram presos e julgados por emitirem opiniões contrárias ao poder estabelecido, não só os nomes mais conhecidos da propaganda republicana como João Chagas, Francisco Manuel Homem Cristo, António José de Almeida ou Heliodoro Salgado, outros pelo país sofreram estas perseguições e foram exilados ou obrigados a emigrar.

Finalmente, e porque o texto já vai longo, o problema da adesivagem ao novo regime, que é um fenómeno muito típico em Portugal, mas não só. Muitos dos Monárquicos de renome antes do 5 de Outubro, transformaram-se do dia para a noite nos grandes paladinos do novo regime. Tornaram-se os mais ferverosos dos republicanos, capazes de perseguir os antigos companheiros de política que não mudaram de posto só porque mudou a circunstância. Isso também aconteceu em 25 de Abri de 1974 e muitos ainda estão na política activa, no entanto, o povo tudo esquece e quase tudo perdoa. Daí que muitas vezes sejamos considerados um País de brandos costumes.

A.A.B.M.