SIMÃO JOSÉ DA LUZ SORIANO: NOTA BREVENasce em Lisboa a 8 de Setembro de
1802. Foi abandonado pelo pai [Domingos José Soriano, barbeiro de profissão e que partiu para o Brasil – cfª
Dicionário de Autores Casapianos, Lisboa, 1982, p.186] e vai viver para Famalicão da Nazaré com a mãe (empregada de servir). Entra, por intermédio de um seu tio [frade carmelita,
ibidem] na
Casa Pia a 31 de Agosto de 1811 ["
data em que a Instituição reabriu no Convento do Desterro",
ibidem].
Em Agosto de 1813,
Luz Soriano, "
saiu para aprender o ofício de Encadernador" [
ibidem]. Vai para
Coimbra, sua "
forte ambição", para estudar, mas é "
roubado de todos os seus haveres", tendo regressado, depois de trabalhar "
como criado de lavoura" (na Azambuja), à
Casa Pia. Abandona-a, de novo, devido a incompatibilidades escolares com o administrador da Instituição e decide-se pela "
vida monástica". Tenta ingressar, curiosamente, no
Mosteiro de Santa Maria da Arrábida [
ibidem], mas não é aceite por "
não saber latim". Decide, então, estudar engenharia. Parte para
Coimbra [a 7 de Junho de 1825 –
ibidem], instalando-se no "
velho colégio da Broa". Troca
Engenharia por
Medicina, tornando-se bacharel anos depois, na cidade onde diz ter assado "
o melhor tempo da sua mocidade".
Defendendo, ainda como estudante, o ideário
liberal, liga-se (1828) à revolução constitucional do Porto, "proclamada em 16 de Maio" [
cfª. Dicionário Biographico Portuguez, de Inocêncio Francisco da Silva]. Malograda a intentona, é obrigado a exilar-se em
Espanha, fazendo aí parte do
Batalhão de Voluntários Académicos [Dicionário,
ibidem]. Parte para
Plymouth e depois para a
Ilha Terceira [Fevereiro de 1829,
ibidem], tomando parte no desembarque do
Mindelo, "
vindo depois na expedição ao Porto em 1832", em cujo cerco serviu. Refira-se que veio de
Plymouth para Angra, via ordens do
Marquês de Palmela, e transportada pela galera "James Cropper" [chegada no dia 14 de Fevereiro de 1829 –
Dicionário,
ibidem], a "
imprensa" para "
uso da junta provisória", que
Luz Soriano e outros "voluntários" montaram e que tinha na sua chefia
Pedro Alexandrino da Cunha [alferes do regimento nº43 –
ibidem]. Sobre a questão da introdução da
imprensa nos Açores, a que este facto se refere, é conveniente consultar o
Dicionário do
Inocêncio, onde é transcrita um carta de
Luz Soriano [do
Conimbricense n.º 3:944] que clarifica o assunto.
Com a vitória liberal, entra como Amanuense de primeira classe na Secretaria de Estado dos
Negócios Estrangeiros [Dezembro de 1832] e acaba o seu curso de
Medicina [1842]. Deputado por
Angola (1851-54). É aposentado (1867) no cargo de oficial maior do Ministério da Marinha e do Ultramar.
Escritor prolífico [com dezenas de obras publicadas], é como
historiador e
memorialista (notável) que é reconhecido. A sua merecida e estimada
bibliografia histórica é de importância fundamental para o estudo da instauração do liberalismo em Portugal.
Morre em
18 de Agosto de 1891, "
deixando testamento que teve larga divulgação por conter disposições realmente merecedoras dessa publicidade, e entre elas algumas que bem revelam o seu civismo e o seu acrisolado amor à Pátria" [
ibidem]. Aí, contempla especialmente a
Casa Pia de Lisboa [deixando-lhe, entre prestações pecuniárias e imóveis vários, a sua "
vasta Biblioteca"] e a
Misericórdia de Coimbra.
Foto:
in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal,
Publicações Alfa, 1993.
J.M.M.