
Com o nome completo de
José Xavier de Carvalho Júnior, nasce em Lisboa, em 1861, onde realizou os estudos secundários.
Começa a colaborar na imprensa a partir dos quinze anos, publicando poesia.
Em 1879, fundou na cidade do Porto o
Centro Republicano Radical, que publicou um manifesto em 12 de Julho assinado por personalidades como
Sousa Ribeiro,
Guilherme Pereira,
Brito e Cunha,
António Ribeiro,
Miguel Maria da Felicidade,
João de Castro e
Francisco Vieira Correia e Cunha [
Carvalho Homem,
Da Monarquia à República, Palimage, Viseu, 2001, p. 62]. Responsável pela fundação do primeiro centro de extrema-esquerda na capital do Norte, desenvolveu sempre, através da escrita, uma activa campanha de propaganda política.
Jornalista republicano, fundou no Porto, ainda muito jovem os jornais
O Norte Republicano,
O Combate e o
Estado do Norte, eram três diários de combate e agitação política. Fundou ainda o semanário
A Mulher.
Foi o autor do capítulo sobre “A Literatura Portuguesa após 1865”, integrado na obra
Le Portugal, publicado pela Larousse em 1900. Publicou ainda
L’Ermitage, publicado em 1895, no álbum organizado pela
Sociedade de Estudos Portugueses de Paris. Esteve ligado às comemorações dos centenários de Vasco da Gama (1898) e de Garrett (1899) que se realizaram em Paris. Participou ainda na homenagem a
João de Deus (1895) e a Eça.
Em 1885/1886, vai com
Mariano Pina para Paris, aí colabora com
L’ Ilustration, onde desempenha o cargo de secretário redactor. Torna-se correspondente de
A Província (Porto),
O Correio da Noite e do
Diário Popular (São Paulo).
Cronista nos jornais
O Século e
O Mundo (“Cartas de Paris”), assinadas com o pseudónimo de Octávio Mendes.
Em Paris, contacta
Benoit Malon e
A. Cipriani, com quem acompanha na fundação da
Féderation Universelles des Peuples, de tendência socialista, tendo, como franco-maçon feito parte do comité director da revista
Révolution Cosmopolite (1886-1887).
Fundou em 1892 a
Societé dés Études Portugais, de Paris,, de que foi secretário durante longos anos.
Colaborou literariamente nas revistas
Boémia Nova, (Coimbra, 1889, ao lado de
António Nobre,
Alberto de Oliveira, entre outros),
A Geração Nova (Porto, 1894-1895),
A Arte (Porto, 1895-1899).
Foi uma espécie de representante do republicanismo português junto dos revolucionários da França, Itália, Alemanha, Bélgica e Suíça, países que percorreu bem como a Inglaterra e a Holanda. Em 1890, esteve em Madrid, pronunciando um discurso no
Centro Republicano Progressista, que foi muito bem acolhido nos centros republicanos do país vizinho.
Em 1900, durante a
Exposição Mundial de Paris,
Xavier de Carvalho lançou uma revista de divulgação de Portugal, durante a iniciativa. Esta interessante revista quinzenal intitulava-se
Le Portugal á l’exposition.
Em 1907,
Xavier de Carvalho, dinamizou com alto patrocínio do rei a
Revue de la Société des Études Portugais, de que se publicaram cerca de oito números.
Nos seus escritos destaca-se o carácter insólito das suas temáticas. Com a publicação do poema “As Anémicas”, em
A Província (Setembro de 1886),
Xavier de Carvalho fica marcado pela introdução do
Decadentismo em Portugal. Em Março de 1889, com o soneto “Simbólica”, dedicado a
Mallarmé (publicado na
Ilustração), denota a tentação sensual num sujeito ascético. Em Maio seguinte, no poema “ A Torre Eiffel”, denota a crença no progresso técnico pujante que se fazia sentir. Na revista coimbrã
Jornal para Todos, publicou “As Impuras”. Em Maio de 1890 publica um dos seus poemas mais conhecidos, porque ligado à introdução do movimento decadentista, “A Nevrose do Gás”.
A sua obra poética começa por uma paródia ao livro de
Guerra Junqueiro,
A Velhice do Padre Eterno, glosado com
A Velhice da Madre Eterna (Rio de Janeiro, 1885), assinada com o pseudónimo colectivo de Marraschino & Cª . Mas fica na história literária como um dos poetas introdutores do
Decadentismo em Portugal, no final do século XIX e um dos principais intermediários das culturas portuguesa e francesa dessa época.
Em Paris, é elogiado na revista
Le Decadente (1887). De facto, a sua obra é irregular e compósita, cheia de afectações de linguagem e uma afrancesada nevrose do gás, valendo mais pela divulgação das novas tendências da poesia francesa em Portugal do que pela coerência interna e por uma verdadeira originalidade.
A partir de Outubro de 1910, consegue a colocação como adido de imprensa na embaixada portuguesa em Paris, conheceu quase todas as individualidades intelectuais, políticas e culturais que passavam pela Cidade-Luz. Porém, com a colocação de
João Chagas como Ministro Plenipotenciário da República em Paris,
Xavier de Carvalho perde a colocação, apesar de ter sido um dos que acolheu
João Chagas quando este vive exilado em Paris após o 31 de Janeiro. [Pedro da Silveira, “O que soubemos em 1909 do Futurismo”,
Revista da Biblioteca Nacional, vol.1, nº1, Janeiro-Junho de 1981, Lisboa, 1981, p. 90-91]
Com o início da 1ª Guerra Mundial,
Xavier de Carvalho reconquista novamente algum protagonismo ao envolver-se na propaganda beligerante, organizando festas em honra dos voluntários da Legião, assume-se como porta-voz dos republicanos em França. Publica novamente artigos e palestras e regressa a Portugal em Janeiro de 1917 para realizar conferências pelo País, como
Pela França Heróica, Portugal Amigo e Aliado, publicada com prefácio de
Magalhães Lima (Tip. Central, 1918).
Em 1915 perde o filho na Batalha do Marne.
O conflito europeu e a morte do filho, fá-lo regressar à poesia com
Cantos Épicos da Guerra (1919). Nesta colectânea, o autor retoma a poesia de exaltação e combate, semelhante, de certa forma, às poesias de
Guerra Junqueiro e
Gomes Leal [
Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. II, coord.
Eugénio Lisboa, Instituto Português do Livro e da Leitura, Publicações Europa América, Mem Martins, 1990, p. 457-460].
Manteve correspondência com vários vultos da intelectualidade portuguesa, brasileira e europeia dos finais do século XIX e início do século XX, como
Eça de Queirós,
Ana de Castro Osório,
António Nobre Machado de Assis, entre muitos outros.
Publicou:
Apoteose Camoneana, sonetos;
Poesia Humana, Paris, 1908;
Le Portugal, Paris, 1900;
Cantos Épicos da Guerra, Paris-Bruxelas, 1919.
Pertenceu à
Maçonaria, mas não foi possível apurar nem o nome simbólico, nem a loja onde foi iniciado.
Faleceu em Paris em 3 de Agosto de 1919 e o seu corpo foi sepultado no cemitério de Pantin.
Colaborou ainda nas seguintes publicações portuguesas:
-
31 de Janeiro, Nº Único, Lisboa, 1911 [colab. Magalhães Lima, Santos Pousada, Sampaio Bruno, António Claro, Agostinho Fortes entre outros].
-
A Águia, Porto, 2ª série (1912-1921), nº50;
-
Alma Feminina, Lisboa, 1907-1908;
-
Arquivo Teatral, Lisboa, 1908-1909;
-
Ave Azul, Viseu, 1899-1900;
-
A Galera, Coimbra, 1914-1915;
-
Ilustração Moderna, Porto, 1898-1903;
-
Limiana, Dir. Júlio de Lemos e Severino de Faria, Ponte de Lima, 1912-1917;
-
O Lusitano, Porto, 1900;
-
Nova Alvorada, Vila Nova de Famalicão, 1891-1903;
-
Revista Azul, Lisboa, 1904-1908;
-
Revista de Lisboa, Lisboa, 1901-1909;
-
Vida Portuguesa, Porto, 1912-1915;
Colaboração em periódicos brasileiros como:
-
O País, Rio de Janeiro;
-
Gazeta de Notícias,
Outras colaborações conhecidas:
- Xavier de Carvalho, “Le Socialisme au Brésil”,
Le Mouvement Socialiste, Paris, (19), 15 de Outubro de 1889, p. 473
- Xavier de Carvalho, “Eça de Queiroz em Paris : (algumas recordações) ,
Eça de Queiróz: In Memoriam, org
Eloy do Amaral e
M. Cardoso Martha, Coimbra, Atlântida, 1947, p. 100-103.
- “A egreja de Santo Antonio em Paris”,
O Ocidente, Lisboa, Ano XIX, Nº 621, Março 1896, p. 66-67.
-
Os de Paris a João de Deus, Guillard Aillaud, Paris, 1895;
Bibliografia Consultada:
Actas do Colóquio Relações Culturais e Literárias entre Portugal e a França, Org.
Luís de Albuquerque, Centre Culturelle Portugais, Paris, 1983, p. 386-387.
Dicionário de Literatura Portuguesa, Org. Dir.
Álvaro Manuel Machado, Editorial Presença, Lisboa, 1996, p.109
Guimarães, Fernando, Poética do Simbolismo em Portugal, Lisboa, 1990.
Pageaux, Daniel-Henri, Imagens de Portugal na cultura francesa, Colecção Biblioteca Breve, Vol. 81, ICALP Lisboa, 1983
Pereira, José Carlos Seabra, Decadentismo e Simbolismo na Poesia Portuguesa, Coimbra, 1975;