quarta-feira, 31 de março de 2010

JORNAIS COMUNISTAS MANUSCRITOS NAS CADEIAS 1934-1945



EXPOSIÇÃO:"Cada fio de vontade são dois braços e cada braço uma alavanca" - O mundo clandestino dos jornais comunistas manuscritos nas cadeias 1934-1945.

"A colecção de jornais manuscritos feitos por presos políticos do PCP em diversas cadeias fascistas como Peniche, Caxias, Penitenciária de Lisboa, Cadeia de Monsanto, Aljube, Angra do Heroísmo e Tarrafal, num período que vai de 1934 a 1945 e que a partir de agora passa a estar disponível para consulta do público em resultado da cooperação que se estabeleceu entre o Partido Comunista Português e a Torre do Tombo, constitui a nosso ver um acontecimento cultural relevante e uma inegável contribuição para um melhor e maior conhecimento dessa negra e trágica realidade que foi a ditadura fascista em Portugal, realidade cada vez mais branqueada e mesmo remetida ao esquecimento (...)

Os 18 títulos dos jornais existentes, abrangendo cerca de seis dezenas de números constituem, infelizmente, apenas uma parte de todos os jornais que terão sido feitos nesses anos e que não foram recuperados até hoje.

Sabe-se que existiram outros títulos como é o caso do Jornal com o cabeçalho THALMANN, em homenagem ao Secretário-geral do PC Alemão assassinado pelos nazis, jornal de que existe apenas uma cópia e mesmo assim incompleta e que curiosamente é também o único caso em que se conhece o autor, Alfredo Caldeira, dirigente do PCP, também ele assassinado num campo de concentração - no Campo do Tarrafal.

A avaliar pelo número das séries e pela numeração dos exemplares existentes calcula-se que deverão ter sido editados cerca de 200 números, o que é um feito verdadeiramente espantoso se se atender às condições em que eram produzidos e aos complexos problemas que os seus promotores tiveram que resolver para trazer à luz do dia os jornais, os fazer circular e os defender dos carcereiros" [ler TUDO AQUI]

J.M.M.

JORNAIS COMUNISTAS MANUSCRITOS NAS CADEIAS 1934-1945


EXPOSIÇÃO: "Cada fio de vontade são dois braços e cada braço uma alavanca" - O mundo clandestino dos jornais comunistas manuscritos nas cadeias 1934-1945
LOCAL: Torre do Tombo, do dia 31 de Março a 31 de Maio 2010 (das 9,30 às 19,30 horas)

Está disponibilizado um conjunto 'absolutamente único de 900 páginas - mais de 50 exemplares de cerca de 18 títulos" de jornais manuscritos clandestinos feitos por militantes do PCP nas cadeias da PVDE' (...) Aos olhos do público estarão patentes, para já, um original do UHP, um do Pavel e um do O que entra, devidamente protegidos e iluminados, no piso de entrada da Torre do Tombo. Por detrás dos expositores, foram colocados ecrãs tácteis onde estão disponíveis para consulta as imagens digitalizadas de todas as páginas desses jornais manuscritos clandestinos. Posteriormente, todos os documentos serão colocados no sítio da Internet deste arquivo histórico nacional [via jornal Público]

"Os exemplares têm o tamanho aproximado de uma folha A5 e são a reprodução do modelo dos jornais da altura. Frisando que "obedecem ao modernismo nas artes gráficas e são feitos por verdadeiros artistas", o director da Torre do Tombo sublinha ainda que "não há conhecimento sobre quem são os seus autores" - mas esse, diz, " é um trabalho a fazer pelos investigadores". Nota, porém, que 'há sinais de que alguns foram escritos por pessoas que tinham de ser eruditas'. [ibidem]

«Estamos a falar de jornais clandestinos feitos nas cadeias fascistas, nas `barbas do inimigo´, com tudo o que isso implicava. Sabendo-se que os presos eram sujeitos a rigorosa vigilância, a buscas frequentes», salientou Jerónimo de Sousa, frisando que não se conhece nenhum outro caso de publicações produzidas no «interior de cadeias fascistas de outros países que tenham atingido tal dimensão». [via TSF]

Ver: Apresentação de fotos e legendas da Exposição (por São José Almeida)

J.M.M.

JOSÉ ESTÊVÃO - REVOLUÇÃO E LIBERDADE 1809-1862


EXPOSIÇÃO - "José Estêvão: Revolução e Liberdade 1809-1862"
LOCAL - Salão Nobre, Palácio de São Bento, de 24 de Março – 20 de Abril de 2010

"A exposição está dividida em seis núcleos que procuram enquadrar as vivências individuais de José Estêvão no seu contexto histórico, valorizando-se especialmente a sua actividade política e parlamentar: 'De Aveiro à Universidade de Coimbra (1809‑1825)'; 'Sob o signo da guerra civil (1829-1836)'; 'O jovem tribuno radical (1837-1844)'; 'Da Revolução à Regeneração (1845-1855)'; 'O grande orador da Regeneração (1856-1862)' e 'Morte e memória de José Estêvão'.

Os elementos que integram a exposição (gravuras, pinturas, fotografias, documentos de arquivo, peças) dão a conhecer os vários espaços em que se desenrolou a vida de José Estêvão e a sua participação activa em acontecimentos marcantes da histórica política portuguesa da primeira metade do século XIX, mostrando também o indivíduo nas suas relações afectivas e familiares. Destaca-se a qualidade de orador de José Estêvão, nomeadamente através da apresentação de documentos do Arquivo Histórico Parlamentar
" [ler AQUI]

J.M.M.

segunda-feira, 29 de março de 2010

DISCURSO DA PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA - JORNADAS CULTURAIS DA ESC. DR. JOAQUIM CARVALHO



«Cidadãos!

Depois desta noite de intensa peleja, começo por vos agradecer e vos saudar fraternalmente, em nome do Partido Republicano Português, pela vitória retumbante que alcançámos! Apesar da escuridão em que decorreu esta luta, os corações revoltosos foram sempre eliminados pela esperança da liberdade, a única luz ao fundo da caverna tenebrosa de que hoje saímos triunfalmente.

No seu interior, decorreu toda a História da nossa Nação, uma história que aliou a vontade e o valor de muitos, ao parasitismo insolente daqueles que, julgando pairar sobre a realidade humana, se entregaram a vanglórias imerecidas, na elaboração de projectos faraónicos constantes, desprezando a própria existência de um povo que, na pobreza e na ignorância, definhava aos seus pés. Foram precisos séculos para chegarmos aqui, a este dia em que nos libertamos finalmente deste regime de ignomínia, de arrogância e de tirania.

Companheiros! No reino de Portugal os valores da responsabilidade cívica, da determinação e da audácia são ensinados à plebe, mas preteridos pelos próprios chefes. De facto, há muitos outros valores a falar mais alto: o património, a imagem, o estatuto. E estes bem perduraram até hoje, mas quando confrontados com os ventos da revolta, mostraram-se frágeis e rapidamente se desmoronaram. E, de hoje em diante, não mais se ergueram dentro das nossas fronteiras!

Amigos! No reino de Portugal a Lei é de estatura baixa - daí que não alcance a varanda de um palacete, nem suba as escadas de uma abadia, nem chegue às janelas de uma casa brasonada – mas tem altura para atormentar o povo, que no labor do dia-a-dia, anda pelas ruas rasas das cidades e dos campos. Mas de hoje em diante, a Lei estará por toda a parte, vertical e não inclinada; absoluta e não relativa; instrumento de união e nunca de segregação.

No reino de Portugal, a grei é mordoma do Estado. De hoje em diante, porém, a mesma grei será Senhora absoluta, e o Estado vergar-se-á para a servir.

No reino de Portugal, todos trabalham para a ascensão de alguns. De hoje em diante, cada um esforçar-se-á para glória comum.

Companheiros! A Monarquia já mostrou bem aquilo que quer do nosso país: uma coutada em que damas e fidalgos brinquem todo o dia à caça e à guerra, sustentados por nós, milhões de servos agrilhoados. É por isso que nesta manhã de Outono, resolvemos transformar o idílio de uns, na realidade de todos.

Meus irmãos! Somos os fundadores de uma Hora nova e, com ela, uma nova Nação! Hoje, Portugal afirmou que quer dar o salto. O salto do reino do opróbrio em que vivíamos, para uma Pátria em que a todo e mulher é concedida a dignidade de um cidadão. O grande salto da carruagem decadente da Monarquia para o comboio veloz da República, alimentado com o carvão da Democracia e sobre os carris firmes da Liberdade.

Neste novo país, não há nenhum rei que não seja cada um de nós. Juntos, sentar- -nos-emos no trono da Igualdade, gritando alto ao mundo que a nobreza não está na cor do sangue, mas no tamanho do coração.


Viva Portugal! Viva a República!»

Texto da autoria de Xavier Rodrigues, aluno do 12º ano, turma B, da Escola Secundária c/ 3º CEB Dr. Joaquim de Carvalho da Figueira da Foz, proferido durante as Jornadas Culturais da referida escola, na reconstituição do 5 de Outubro de 1910 [texto que nos foi enviado pela Prof. Cristina P., e que muito agradecemos]

J.M.M.

IMPRENSA REPUBLICANA DA FIGUEIRA DA FOZ - JORNADAS CULTURAIS




A Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho (Figueira da Foz) levou a cabo nos dias 25-27, do corrente mês, as suas XII Jornadas Culturais. Este ano, as actividades tiveram o tema: "Cem Anos de República". Refira-se, desde logo, a cerimónia de abertura, realizada no Palácio Sotto-Mayor, onde foi "dramatizada" a "cena da Proclamação da República feita por José Relvas e seus companheiros ao povo de Lisboa, no 5 de Outubro de 1910" por um grupo de alunos. Na altura foi representado um curioso discurso de "José Relvas", durante a sua reconstituição.

Contou as Jornadas Culturais da Escola Dr. Joaquim de Carvalho, com vários actividades, sendo de registar: uma Exposição, onde além de excelente "Painel Cronológico 100 Anos de República 1910-1926", houve lugar a um mostra de pintura alusiva às "personalidades dos 100 Anos de República", uma projeccão de animação sobre os acontecimentos de 1910, uma homenagem a Joshua Benoliel, exposição de livros, revistas e periódicos (figueirenses) republicanos, um curioso laboratório do princípio do século de Ciências Geográficas-Naturais, um outro excelente painel, dito, "Villa Madalena ou a arquitectura revivalista na Figueira da Foz durante a I República", uma "Conversa ..." com a profª. Ana Caetano (sobre Tavarede republicano, a SIT e o republicano José Ribeiro) e uma Conferência/Debate sobre "A República na Figueira da Foz" (realizada no Casino da Figueira), com a presença do prof. dr. Amadeu Carvalho Homem e o prof. Dr. Rui Cascão.

ver fotos das JORNADAS CULTURAIS - AQUI.

J.M.M.

BUSTO DA REPÚBLICA



BUSTO DA REPÚBLICA [via Carlos C., com a devida vénia]

J.M.M.

sábado, 27 de março de 2010

BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ALEXANDRE HERCULANO EM LISBOA



No âmbito das Comemorações do Bicentenário do Nascimento de Alexandre Herculano (1810-2010), a Câmara Municipal de Lisboa organizará, no próximo dia 28 de Março (dia do nascimento de Alexandre Herculano e Dia Nacional dos Centros Históricos), pelas 17.30h, na Sala do Arquivo dos Paços do Concelho, uma palestra intitulada Alexandre Herculano, Patrono do Municipalismo e dos Centros Históricos Portugueses, proferida pelo Prof. Doutor Pedro Gomes Barbosa (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Instituto Alexandre Herculano de Estudos Regionais e do Municipalismo).

Uma actividade que recomendamos.

A.A.B.M.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A REPÚBLICA NA FIGUEIRA DA FOZ - CONFERÊNCIA


Integrada nas JORNADAS CULTURAIS – "Cem Anos de República" – da Escola Secundária c/ 3º CEB Dr. Joaquim de Carvalho, decorrerá, esta noite (às 21,30 horas), uma Conferência/Debate no Casino da Figueira da Foz (Sala Figueirense), sob o lema "República na Figueira da Foz", com a participação do Professor Doutor Amadeu Carvalho Homem e o Professor Doutor Rui Cascão.

Conferência: “República na Figueira da Foz”, com o Dr. Amadeu Carvalho Homem e o dr. Rui Cascão;

Local: Casino da Figueira da Foz – Sala Figueirense, pelas 21,30 horas.

J.M.M.

terça-feira, 23 de março de 2010

NOVO LEILÃO DE LIVROS, MANUSCRITOS, FOTOGRAFIAS E ARTE


A Otium Cum Dignitate, está a levar a efeito um leilão de livros, manuscritos, fotografias e arte, que se vai prolongar de hoje, 23 a 25 de Março de 2010.

Entre os 1007 lotes que vão a leilão, encontra-se um importante conjunto de obras de arte de autores consagrados, fotografias e em espacial manuscritos e livros que não podemos deixar de assinalar. Entre os manuscritos destacamos:
- Conjunto de cartas trocadas entre António José Forte e variadas personalidades da cultura portugues, bem como várias publicações (lotes 367 a 384);
- Conjunto de fotografias sobre variados temas (lotes 385 a 429);
- Diversos cartazes, manifestos e folhetos da campanha de Humberto Delgado;
- Correspondências de António Barahona, Ruy Cinnati, Agostinho Neto, Fernando Assis Pacheco, entre muitos outros, a ver com todo o cuidado.

Sobre o final da Monarquia e a República encontramos:

499 - In Memoriam de José Régio. - Porto: Brasília Editora,1970. - 558, [2] pp.: il.; 200 mm.

505 - Junqueiro (Guerra ). - Edith Cavell. - Lisboa: Imprensa Nacional, 1916. - 12 pp.; 230 mm.

516 - Lamas (Maria). - A Mulher no Mundo. - Lisboa: Livraria Editora Casa do Estudante do Brasil, 1952. - 2 v.: il.; 255 mm.

518 - Leal (Gomes). - A Canalha. - Lisboa: Typographia Universal, 1873. - 8 pp.; 215 mm.

519 - Leal (Gomes). - A Orgia: Carta a El-Rei de Hespanha sobre a União Ibérica. - Lisboa: ed. autor, 1882. - 100 pp.; 155 mm.

520 - Leal (Gomes). - O Anti-Cristo. - Segunda edição do poema refundido e completo, e acrescentado com As Teses Selvagens. - Lisboa: Aillaud & C.ª, 1907. - XVIII, 498 pp.; 195 mm.

521 - Leal (Gomes). - O Renegado: a António Rodrigues Sampaio, carta ao velho pamphletario sobre a perseguição da imprensa. - Lisboa: Typographia, 1881. - 68 pp.; 210 mm

522 - Leal (Gomes). - Pátria e Deus e a Morte do Máo Ladrão: versos. - Lisboa: Livraria de João Carneiro, 1914. - 64 pp.; 195 mm.

523 - Leal (Gomes). - Retratos Femininos. - Porto: Parnaso,Jardim de Poesia, s.d.. - 64 pp.; 220 mm.

550 - Livro d’Ouro da Primeira Viagem de S.M. El-Rei D. Manuel II ao Norte de Portugal em 1908 / Chronica Photographica por Carlos Pereira Cardoso, Commentada por Joaquim Leitão, Marques Gomes e António de Azevedo. - Porto: Carlos Pereira Cardoso, 1909. - 194, [2] pp.: il.; 340 mm.

576 - Machado (Bernardino). - Notas d’um Pae. - Coimbra: Imprensa da Universidade, 1897. - 76 pp.; 245 mm.

577 - Machado (Bernardino). - Pela República (1906-1908) & (1908-1909). - Coimbra: Typographia França Amado, 1908-1910. - 2 v.; 190 mm.
[conjunto de obras de Bernardino Machado até ao lote 589]

624 - Soares (Ernesto). - [Apontamentos Bibliográficos de autores portugueses]. -
s.l.: s.n., 1901. - [8], 496 pp.; 175 mm.

679 - Nemo. - A Doutrina Maçonica. - Lisboa: Typ. da «Casa Catholica», 1901. - 240, [2] pp.; 175 mm.

701 - Pacheco (Luiz), tra d. - A Minha Mulher / Anton Tchekov. - Setúbal: Contraponto, 1996. - 120 pp.: il.; 165 mm.

[Importante conjunto de obras deste autor até ao lote 729]

787 - Proença (Raul). - Panfletos: I A Ditadura Militar, História e Análise de um Crime. - Lisboa: ed. autor, 1926. - 80 pp.; 180 mm.

825 - [Republica Portuguesa]. Postal comemorativo do primeiro aniversário da Primeira República, publicado por Albano Martins, com a reprodução de um retrato de Manuel de Arriaga, da Bandeira Portuguesa, contendo no verso a letra e música de “A Portuguesa”. 125x320 mm.

849 - Salgado (Heliodoro). - A Insurreição de Janeiro: história, filiação, causas e justificação do movimento revolucionário do Porto. - Porto: Typ. da Empreza Litteraria e Typographica, 1894. - 224 pp.; 190 mm.

872 Schwalbach (Eduardo). - À Lareira do Passado: Memórias. - Lisboa: edição do autor, 1944. - 398 pp.: il.; 225 mm.

919 - Al Berto. Carta manuscrita, assinada, data a lápis de 20 de Novembro de 1994, três anos antes da sua morte, lamentando não poder estar para ver “Titânia”, “Mas a vida é, quase sempre, sórdida e o amor, por vezes, louco... Desta vez é a sordidez da vida que me prende aqui”. 1 ff.
[segue-se um conjunto de correspondência de variados autores de proveniências, com destaque para Mário Cezariny , até ao lote 961]

O catálogo completo do leilão pode ser consultado AQUI.

As sessões realizam-se no Hotel Fénix, na Praça Marquês de Pombal, pelas 21.30 h.

Um leilão a não perder.

A.A.B.M.

LIVROS DAS PORTARIAS DO REINO


"O tesouro arquivistico nacional guardado na Torre do Tombo está longe de estar divulgado e ser conhecido. Tem sido nossa tarefa promover a divulgação dos acervos, através das edições que permitem o acesso público a muitos dos registos históricos existentes. Reescreve-se a História de Portugal, sempre que o público acede e aprofunda o manancial de informações sobre o nosso passado. É nessa perspectiva que as Edições Guarda-Mor, responsáveis por este site, publicam agora a obra coligida e ordenada por Luis Amaral 'Livros das Portarias do Reino' ..." [ler TUDO AQUI]

Luís Amaral - Livros das Portarias do Reino, Edição Guarda-Mor.

J.M.M.

CONFERÊNCIA: PARA A HISTÓRIA DO JORNALISMO LISBOETA NO SÉC XX



CONFERÊNCIA - Para a História do Jornalismo Lisboeta no Sec XX: o papel transformador dos vespertinos lisboetas nos anos 60 do séc. XX, por Fernando Correia.

DIA - 25 de Março, pelas 18 horas
LOCAL - Hemeroteca Municipal de Lisboa (Sala do Espelho)

J.M.M.

sábado, 20 de março de 2010

CARLOS CAMPEÃO DOS SANTOS




Em 21 de Março de 1857, nasce em Tomar o fundador do semanário A Emancipação e dedicado republicano Carlos Campeão dos Santos.

Com uma estrutura física débil, a que se associaram alguns problemas pessoais, começou a desenvolver uma doença incurável que o levou à morte aos 23 anos de idade. Uma vida curta, de luta pela divulgação das ideias republicanas, em Tomar, levará a ser considerado um exemplo de “estoicismo e lealdade” [Álbum Republicano, Lisboa, Typ. Adolpho de Mendonça, 1908].



A Emancipação foi o primeiro semanário publicado em Tomar. O nº 1, data de 2 de Fevereiro de 1879. Publicaram-se cerca de 68 números até 1880, quando suspendeu a sua publicação. Inicialmente suspendeu com a morte do seu director, mas voltou aparecer no número 53, dirigido por Angelina Vidal, poetisa, jornalista e amiga de Carlos Campeão dos Santos.

Morre em Tomar, a 18 de Fevereiro de 1880, Carlos Campeão dos Santos, era considerado o iniciador do movimento republicano e livre-pensador naquela cidade.

Quando faleceu, o pároco local impôs o enterramento católico contra a vontade dos familiares do falecido. No jornal O Operário, do Porto, relatava-se o enterro católico do redactor do jornal Emancipação, Carlos Campeão — que «tinha o máximo desprezo pela mascarada theocratica» — contra a vontade da família e dos amigos que tentaram realizar um enterro civil. Nessa ocasião teriam ocorrido incidentes provocados por uma força popular armada e apoiada pelo padre local. Mas, escreve-se, «concluido que foi o enterro catholico e retirado o padre, teve logar a imponente manifestação liberal; Angelina Vidal recitou uma poesia; em seguida foi lido o discurso enviado por Teixeira Bastos [...] e ainda falou Augusto Goes, censurando o acto religioso applicado a um livre pensador».

Uma figura muito esquecida que o Almanaque Republicano procura revisitar com esta pequena nota biográfica. Agradecem-se mais contributos biográficos sobre esta personalidade.

A.A.B.M.

quarta-feira, 17 de março de 2010

OS DIÁRIOS LISBOETAS NA HEMEROTECA DIGITAL



Vai realizar-se amanhã, pelas 18 h, na Hemeroteca Digital de Lisboa, uma conferência por Carla Baptista, para analisar os diários lisboetas Diário Ilustrado e A Capital, no âmbito da História do Jornalismo Lisboeta no Século XX.

Dois jornais incontornáveis na História do Jornalismo Escrito em Portugal. Particularmente no caso de A Capital, que já está digitalizado AQUI e que temos vindo a consultar em diferentes momentos, revela-se um jornal útil. Entre os seus colaboradores encontramos personalidade de diferentes quadrantes da vida republicana, entre os quais: Mayer Garção, Júlio Dantas, Norberto de Araújo, André Brun, Jorge de Abreu, Aquilino Ribeiro, Joaquim Manso, entre muitos outros.

No caso do Diário Ilustrado, que também seria importante digitalizar, mas cuja ficha história já foi elaborada pela mesma autora desta apresentação e para a qual recomendamos os nossos ledores.

Mais uma iniciativa da Hemeroteca que não podíamos deixar de divulgar.

A.A.B.M.

PRÉMIO JOAQUIM DE CARVALHO PARA LUÍS REIS TORGAL


A Imprensa da Universidade de Coimbra decidiu atribuir o Prémio Joaquim de Carvalho ao Professor Doutor Luís Reis Torgal pela publicação da sua obra "Estados Novos. Estado Novo", que em devido tempo aqui divulgamos.

Luís Manuel Soares dos Reis Torgal, filho de pai médico e de mãe doméstica, pôs termo a uma carreira de 37 anos como professor universitário. Nascido na rua Corpo de Deus, em Coimbra, a 14 de Janeiro de 1942, só se tornou bom aluno a partir do sexto ano do liceu. Licenciou-se em História em 1966, doutorou-se em 78 e tornou-se catedrático em 87. Onze anos depois, estava a formar o CEIS20 (Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX). Pode consultar algumas das suas opiniões na entrevista concedida à revista Rua Larga, a consultar AQUI.

O centro que ajudou a fundar também faz eco da notícia AQUI.

Uma conquista que saúdamos e que permite um reconhecimento ao trabalho desenvolvido por este historiador, ao longo de várias décadas, na Universidade de Coimbra e por outras instituições de ensino superior em Portugal e no estrangeiro, onde apresentou e coordenou cursos e conferências.

A.A.B.M.

domingo, 14 de março de 2010

CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DE MIRANDA DE EBRO


"Julián Moreno tuvo la osadía de tener hambre y comer. En el basurero del campo de concentración de Miranda de Ebro descubrió un manjar: cáscaras de naranja. A los militares no les gustó. 'Le ponían una moneda en la frente y contra la pared, teniendo que sostenerse en una sola pierna. Cada vez que se le caía tenía que recogerla y en ese instante los soldados le propinaban una paliza. Cada vez aguantaba menos, cada vez las palizas eran más frecuentes, así durante horas', contó el testigo Julián del Olmo, también prisionero. El otro Julián, el que tuvo la osadía de comer cáscaras, murió maltratado en Miranda de Ebro, el último campo que cerró sus puertas en España (1937-1947) ..." [ler TODO O TEXTO AQUI - El País, 14/03/2010]

LOCAIS: Campo de concentración de Miranda de Ebro / Historia del campo de concentración de Miranda de Ebro (1937-1947) / Barracones de humillación / Miranda de Ebro (Burgos) la memoria de las víctimas del terrorismo franquista / Historia del campo de concentración de Miranda de Ebro (1937-1947) Reseña del libro homónimo de José Ángel Fernández López (edición propia) / Odisséia de um israelense espanhol / Lembrando Sam Levy, o Bom Samaritano (por Adriano Vasco Rodrigues) / Brasileiros na Guerra Civil Espanhola: combatentes de luta contra o fascismo (pdf) / Los Campos Nazis / Algumas imagenes de las prisiones de Franco

J.M.M.

sexta-feira, 12 de março de 2010

CONCURSO - OS PANFLETOS DA REVOLUÇÃO


OS PANFLETOS DA REVOLUÇÃO. 5 de Outubro de 1910 - 25 de Abril de 1974

Como se viveu em Portugal .... CONCURSO
PRAZO LIMITE - 31 de MAIO de 2010
REGULAMENTO DO CONCURSO: AQUI.

J.M.M.

I ENCONTRO NACIONAL DE ESTUDANTES - 48 ANOS DEPOIS


"Passam, nos dias 9 a 11 de Março, quarenta e oito anos sobre a realização do I Encontro Nacional de Estudantes, [Era já antiga a aspiração da reunir os estudantes à escala nacional, como se pode conferir do frustrado projecto da realização, em 1945, do I Congresso dos Estudantes Portugueses, da iniciativa da Direcção da A.A.C., presidida por Salgado Zenha] que abriu as portas à chamada 'Crise Académica de 62' e inicia uma brutal repressão sobre o movimento estudantil e particularmente sobre os estudantes universitários de Coimbra e a Associação Académica, em cuja sede se realizou.

Muito embora sejam várias as abordagens escritas destes acontecimentos, a verdade é que elas se baseiam em testemunhos indirectos ou em documentos, em especial comunicados da época, mas nunca, no que a Coimbra se refere, a quem os viveu por dentro e deles foi, em certa medida, seu actor.

Enquanto dirigente da A.A.C., vivi intensamente estes acontecimentos e deles venho, hoje, dar curta memória ..." [continuar a ler o TEXTO, autoria de José Augusto Rocha, AQUI]

via CAMINHOS DA MEMÓRIA

J.M.M.

10º CONGRESSO NACIONAL BIBLIOTECÁRIOS, ARQUIVISTAS E DOCUMENTALISTAS


7-9 ABRIL de 2010 (GUIMARÃES) - 10º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas
PROGRAMA Provisório - AQUI
TEMA: "Políticas de Informação na Sociedade em Rede".
SITE DO CONGRESSO - AQUI

"... fórum privilegiado de reflexão e debate sobre a nova geração de políticas de informação que, no início do século XXI, deverão ser definidas e postas em prática com o duplo objectivo de desenvolver recursos, serviços e sistemas de informação que sirvam toda a comunidade nacional e dotar os cidadãos portugueses com competências acrescidas de literacia da informação" [via DGLB]

FOTO: Mesa de abertura do I Congresso da BAD, 1985 - realizado no Porto, sob o tema "A informação em tempo de mudança".

Da esquerda para a direita: Prof.Vilaverde Cabral, os Engs. João Cravinho e Valente de Oliveira, os Drs.Paulo Valada e o então Secretário de Estado Raul Junqueiro, o Reitor Prof. Oliveira Ramos, Maria José Moura [que AQUI nos conta essa Memória], e, mais à direita o Dr. Cal Brandão.

J.M.M.

quinta-feira, 11 de março de 2010

CARTAS DE MANUEL TEIXEIRA GOMES A JOÃO DE BARROS



Amanhã, vai realizar-se, em Portimão, a apresentação do livro Cartas de M. Teixeira Gomes a João de Barros. Esta obra resulta da preservação da importante colectânea de correspondência enviada pelo antigo Presidente da República ao poeta, pedagogo e político João de Barros.

Pode ler-se na apresentção da obra, na Câmara Municipal de Portimão:

Uma série de cartas e postais enviados entre estas duas eminentes figuras intelectuais da I República portuguesa, nas quais se abordam temas como literatura, política ou simplesmente os desabafos de Manuel Teixeira Gomes exilado em Bougie (actual Bejaia/Argélia), ao seu amigo de longa data, compreendendo a correspondência seleccionada entre 1905 e até poucos meses antes da sua morte, em Outubro de 1941.

A organização e coordenação das cartas coube a Manuela Azevedo, a jornalista com mais tempo de actividade e responsável pela publicação de outros títulos da correspondência de João de Barros como Cartas a João de Barros e Cartas Políticas a João de Barros.

A cerimónia de apresentação vai ter lugar às 18.30, no Museu de Portimão, ficando a apresentação da obra a cargo do ex-ministro e professor universitário Nuno Severiano Teixeira.

Uma actividade a acompanhar com todo o interesse e uma obra a não perder.

A.A.B.M.

terça-feira, 9 de março de 2010

COLÓQUIO INTERNACIONAL ADMINISTRAÇÃO E JUSTIÇAS NA RES PUBLICA



Vai realizar-se na Universidade do Minho, nos próximos dias 15 e 16 de Março de 2010, este colóquio de que retiramos o seguinte extracto:

O Colóquio Internacional “Administração e Justiças na Res Publica” pretende oferecer um olhar transversal e comparativo sobre as justiças na contemporaneidade. Partindo do prisma da construção dos liberalismos, na versão monárquico-constitucional e republicana, o Colóquio acompanha as trajectórias políticas e sociais que desembocam nas crises dos anos vinte e trinta do século XX, focando particularmente o fenómeno dos autoritarismos.

O programa,resumo das comunicações, a ficha de inscrição e organização podem ser consultados AQUI.

Uma interessante iniciativa para se reflectir sobre a realidade da nossa administração e sua organização e funcionamento ao longo do tempo, em particular desde o Liberalismo, passando pela República, Estado Novo e culminando nos desafios que se colocam actualmente à Res Publica.

A.A.B.M.

segunda-feira, 8 de março de 2010

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


"O Homem faz da mulher o animal doméstico, que não se basta a si própria, que não sabe pensar, reflectir, ter consciência dos seus direitos e deveres. Não a educa convertendo-a a uma ser humano; quanto muito, a sua preocupação é torná-la prendada. Uma menina prendada é a mulher que diverte, que recreia, que exibe habilidades e sensualidades, que batuca no teclado do piano Chopin, as músicas sensuais do cabaret, ou os fados das revistas, que sabe dançar em meneios licenciosos …"

Adolfo Lima, in A Educação Social, 15 de Março de 1925

Foto: grupo de mulheres à porta da pastelaria Foz (depois Palácio Foz) em 1917, de autoria de Benoliel e publicada na Ilustração Portuguesa.

J.M.M.

domingo, 7 de março de 2010

NOVO LEILÃO DA RENASCIMENTO


Vai realizar-se nos próximos dias 9, 10 e 11 de Março de 2010, um novo leilão de livros da Renascimento.

São 1547 lotes que vão a leilão ao longo de três dias, provenientes de uma importante biblioteca e outras proveniências.

Algumas obras que nos chamaram a atenção neste leilão e que podem interessar aos nossos ledores:

SESSÃO DE 9 DE MARÇO

- Á VOLTA DO MUNDO. Jornal de Viagens e de Assumptos Geographicos. Illustrado com milhares de gravuras representando paisagens, cidades, villas, monumentos, retratos,
história natural, costumes de todos os povos do mundo, etc., e um grande número de cartas geographicas, desenhadas pelos mais celebres artistas estrangeiros e nacionaes. Directores Litterarios Dr. Theophilo Braga e Abílio Eduardo da Costa Lobo... Desenhos portuguezes de Raphael Bordallo Pinheiro, Columbano Bordallo Pinheiro, e dos melhores artistas. Copias de photografias de Carlos Relvas. Lisboa. Empreza Litteraria Luso-Brazileira - Editora. MDCCCLXXX (a MDCCCXXXIII).
3 Vols. In-4º Encs. em 1.

- ARTES E LETRAS. Editores, Rolland & Semiond. 1º Anno (ao Quarto Anno). Lisboa. 1872(a 1874). 3 Vols. In-4º Encs. Colecção com falta do 4 Ano e último. Encerra colaboração de Ramalho Ortigão, Gomes Leal, Oliveira Martins, Latino Coelho, Camilo Castelo Branco, Alberto Pimentel, Bulhão Pato, Júlio César Machado, Rafael Bordallo Pinheiro, etc. Ilustrada com estampas abertas em madeira e em chapa de aço. Os 3 volumes com dedicatória dos editores a Camilo Castelo Branco. Encadernações da época em inteiras de pele.

- BARREIRA, João. - ARTE PORTUGUESA. I - Arquitectura. II - Pintura e III E IV -Artes Decorativas. Lisboa. Edições Excelsior. S. data. 4 Vols. In-4º Encs. Magnifica edição publicada por João Barreira, com a colaboração de Luis Chaves, João Couto, Armando de Lucena, Ernesto Soares, Reynaldo dos Santos, Diogo de Macedo, etc.
Todos os volumes ilustrados a negro e a cores. Colecção completa. Encadernações editorais em tela.

- BENOIT, Pierre. - L'ATLANTIDE. Édition définitive. Illustrée de vingt-quatre Eaux-fortes originales par Lobel-Riche. Paris. Albin Michel, Éditeur. 1922. In-4º de 194, [4] págs. Enc. Bela edição para bibliófilos. Da colecção "Les Grands Livres du
XXe. Siècle". As águas fortes são impressas à parte. Edição numerada. Encadernação em meia de chagrin, mal conservada.

- CAMPANHA (A) CONTRA OS NAMARRAES. Relatórios enviados ao Ministro e Secretario d'Estado dos Negocios da Marinha e Ultramar pelo Comissario Regio da Provincia de
Moçambique. Lisboa. Imprensa Nacional. 1897. In-4º de 176 págs. Enc. Era na época Governador Geral o Major J. Mousinho de Albuquerque e Chefe do Estado Maior Aires de Ornelas. Ilustrado com mapas em folhas desdobráveis. Encadernação moderna em meia de pele.

- CAPELLO, e R. IVENS, H. - DE ANGOLA Á CONTRA - COSTA. Descripção de uma viagem através do Continente Africano. Volume I (e Volume II). Lisboa. Imprensa Nacional. 1886. 2 Vols. In-8º Encs. Raro. Ilustrados com gravuras no texto e em separado e
mapas em folhas desdobráveis. Encadernações editoriais em tela. Bem conservados.

- CARQUEJA, BENTO - O POVO PORTUGUEZ. Aspectos sociaes e económicos. Porto. Livraria Chardron. 1916. In-8º de [10], 514, [27] págs. Enc.

- CARVALHO, JOAQUIM MARTINS DE - APONTAMENTOS PARA A HISTORIA CONTEMPORANEA. Coimbra. Imprensa da Universidade. 1868. In-8º de VIII, 424 págs. Enc. Edição original. Valiosa para a história política.

- CASTELLO BRANCO, CAMILLO - AMOR DE PERDIÇÃO.(Memorias d'uma familia). Romance. Porto. Em Casa de N. Moré - Editor. [Typ. de Sebastião José Pereira]. 1862. In-8º de
XI, 249 págs. Enc. Edição original

[Segue-se uma copiosa camiliana, fundamental para todos os apreciadores e estudiosos da obra deste autor.]

- CASTRO, Ferreira de - MAS... Lisboa. Tip. Boente & Silva. 1921. In-8º de [4], 100 págs. Enc.

- CASTRO, Ferreira de - OBRAS COMPLETAS. Lisboa. Guimarães & Cª. 1949. 12 Vols. In-8º Brs.

- COLAÇO, José Maria Delorme - GALLERIA DOS VICE-REIS, E GOVERNADORES DA INDIA PORTUGUEZA. Dedicada aos illustres descendentes de taes Heroes. Em 1839 e 1840.
Lisboa.Typographia de A. S. Coelho. 1841. In-8º de [4] págs. Enc.

- CORREIA, Natália - O HOMÚNCULO. Tragédia jocosa com quatro ilustrações da autora. Lisboa. Contraponto. S. data. 1965. In-4º de 38, [2] págs. Br.

- DEUS, João de - CARTILHA MATERNAL. S. local. n. data. In-Folio. de 33 Folhas e a Tábua de Pitágoras. Enc.

- ESTUDIO. Revista de Cinema. Nº 1 - 1953 (ao Nº 166 - 1960). Segue-se:2ª Série. Nº 1 - 1962 (ao Nº 250 - 1974). Lisboa. 1953 (a 1974). Encs. em 8 Vols. e 145 a 250 em Brochura. Conjunto valioso desta revista cinéfila. Ilustrados.

SESSÃO DE DIA 10 DE MARÇO

- GALVÃO, Henrique - RONDA DE AFRICA. (Outras Terras, Outras Gentes: Viagens em Moçambique). Porto. Jornal de Noticias. S. data. 2 Vols. In-4º Encs.

- GAMEIRO, Roque - LISBOA VELHA. Ilustrações de... Prefácio de Afonso Lopes Vieira. Lisboa. MCMXXV. In-4º de [140] págs. Enc.

- GAZETA LITTERARIA DO PORTO.Periodico Semanal. Redactor:Camillo Castello Branco. 1º Anno. Janeiro 6 - 1868. Número 1 (ao Nº 16). Porto. Typographia da Livraria de A. de Moraes & Pinto. 1868. 16 Números. In-Fólio, num total de 154 Números. Enc. Colecção completa. Encerra colaboração de António Feliciano de Castilho, Bulhão Pato, Ana Plácido, Pinheiro Chagas, Júlio de Castilho, etc. Com manchas de água, restauros na capa de brochura da frente, última folha e com falta dos três figurinos que raramente acompanham esta colecção e falta da capa de brochura de trás. Encadernação moderna em meia de pele.

- HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA ILUSTRADA. Publicada sob a direcção de Albino Forjaz de Sampaio. Volume Primeiro (ao Volume Quarto). Paris-Lisboa. 1929 (a 1942). 4
Vols. In-4º. Encs.

- INSO, Jaime do - CHINA. Lisboa. Edições Europa. 1936. In-4º de 396, [8] págs. Enc.

- MANUEL II, D. - LIVROS ANTIGOS PORTUGUESES. 1489-1600. DA BIBLIOTHECA DE SUA MAJESTADE FIDELISSIMA. Descripto por S. M. El-Rei... Em Três Volumes. I - 1489-1539. II - 1540- 1569. III - 1570-1600. Londres. Impresso na Imprensa da Universidade de Cambridge e publicados por Maggs. Bros. 1929 (a 1935). 3 Vols. In-4º Encs. Primeira edição. Trabalho bio-bibliográfico exaustivo. Textos em português e inglês. Ilustrados com a reprodução de frontispícios, folhas de livros, colofons, etc. Encadernações originais do editor em tela, com falta das sobre-capas. Bem conservados.

- MARTINS, Rocha - D. CARLOS. História do seu reinado. Lisboa. Oficinas do "ABC". MCMXXVI. Fólio de [16], 603, [1] págs. Enc. Bela edição, ilustrada com centenas de gravuras no texto e extra-texto, muitas a cores. Encadernação editorial em tela, com ferros a ouro na lombada e pastas.

SESSÃO DE DIA 11

- REVISTA DO EXÉRCITO E DA ARMADA. Volume I (ao Volume XXIII). Lisboa. Tipografia da Cooperativa Militar. 1893 (a 1904). 23 Vols. In-8º Encs. em 12. Ilustrados com gravuras e mapas, alguns em folhas desdobráveis. Encadernações em meias de pele. Ao primeiro volume falta o frontispício.

- SAA, Mario - A INVASÃO DOS JUDEUS. Capítulos: Invasão do Sangue. Assalto á Riqueza. Assalto ao Estado. Assalto á Religião. Assalto á Vida Mental. Lisboa. 1924. In-4º de 309, [4] págs. Enc

- SANTOS, José dos - CAMILLIANA. Descrição bibliográfica duma importante e valiosa colecção de obras do genial e popularíssimo romancista Camillo Castello Branco... Com uma carta de introducção pelo distinto camillianista Sr. José Victorino Ribeiro. Porto. Tip. da Empr. Literária e Tipográfica. 1916. In-4º de [16], 106, VI, 15, [1] págs. Enc. Ilustrado com o retrato do autor. Possui encadernada junto a Lista dos Preços atingidos neste leilão. Encadernação moderna em meia de pele. Com capas.

O Catálogo completo pode ser descarregado AQUI, para os interessados.

A.A.B.M.

A AURORA DE 5 DE OUTUBRO DE 1910



"A AURORA de 5 de Outubro de 1910" - Desenho de Silva e Sousa, publicado em O Zé.

via República 100 Anos.

J.M.M.

MANUEL JORGE CRUZ - NOTA BREVE


Nasce em Tavarede [Figueira da Foz] a 9 de Outubro de 1880. Era filho de Jorge Silva e Maria da Cruz [ver AQUI]. Iniciou-se nas artes gráficas, muito novo, como tipógrafo na "Imprensa Lusitana", tendo ascendido a "cargos de responsabilidade".

Em 1 de Janeiro de 1904 (23 anos) toma como trespasse a Tipografia Popular [na Rua do Estendal] e é director do importante jornal republicano figueirense "A Voz da Justiça" [o periódico Voz da Justiça foi criado por Gustaf Adolf Bergstrom – seu proprietário, em 11 de Maio de 1902 -, e inicia a sua publicação como folha semanal sob edição de Gentil da Silva Ribeiro. Tinha a sua primitiva redacção, administração e tipografia no Passeio Infante D. Henrique. A partir de 17 de Maio de 1903 a tipografia passa a ser propriedade da Associação de Instrução e o jornal passa a ser administrado por uma comissão de indivíduos, ligados à Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz - loja maçónica instalada a 22 de Setembro de 1900, do RF e sob os auspícios do G.O.L.U. - e com o intuito de "propagar as nossas doutrinas" – cf. A Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz, Divisão de Museu, Biblioteca e Arquivos, CMFF, 2001]

Manuel Jorge da Cruz foi iniciado na maçonaria na Loja Fernandes Tomás a 3 de Novembro de 1904, com o nome simbólico de "Gutenberg", tendo aí exercido vários cargos, entre os quais secretário da Loja (entre 1907-1910 e 1915-1918), atingindo o Grau 20.º em 1925.

Deste modo, não espanta que em 1907, tenha assumido interinamente (pela nova Lei de Imprensa) a propriedade e direcção da Voz da Justiça. Manuel Jorge da Cruz manteve-se na direcção do periódico durante largos anos, sendo este um jornal muito activo e respeitado na luta contra a ditadura (esteve por diversas vezes suspenso) e, por isso mesmo, o periódico foi suspenso a 10 de Julho de 1937 pela Ditadura. Por seu lado, o ministro do Interior Pais de Sousa encerra a Tipografia Popular a 6 de Julho de 1938 e "rouba" todas as máquinas [que nunca regressaram às mãos dos seus legítimos proprietários, mesmo depois de Abril de 1974] e demais recheio, "ficando só as paredes". Foram presos pela PIDE todos os seus trabalhadores, como o então director José da Silva Ribeiro [irmão "João das Regras"] e o gerente-técnico Manuel Jorge Cruz [ibid.]. Manuel Jorge Cruz não conseguiu resistir a tamanha dor e sofrimento, ao ver ruir toda uma vida inteira de trabalho, de ideal democrático e "solidariedade social".

Manuel Jorge Cruz exerceu uma intensa actividade política, social e administrativa no concelho. Foi eleito (1911) para o cargo de 1º secretário da Assembleia Geral do Centro Republicano Cândido dos Reis. Por diversas vezes foi Procurador à Junta Geral do Distrito [até 1926], tendo sido Presidente da Assembleia Geral da Associação Comercial e Industrial da Figueira (em 1924 e 1925). Integrou, ainda, a Associação de Instrução Popular, a Associação Artística Figueirense, a Sociedade de Instrução Tavaredense [foi o seu "primeiro presidente eleito em Assembleia Geral, em 1905", tendo escrito o "primeiro Regulamento Interno da colectividade" – ler mais AQUI], pertenceu à Santa Casa da Misericórdia e à Cooperativa Manuel Fernandes Tomás.

Morre no dia 2 de Novembro de 1941. Foi sepultado em Tavarede, e o seu funeral constituiu uma "invulgar manifestação de sentimento" da gente da Figueira da Foz.

Foto e algumas notas retiradas, com a devida vénia, do blog Tavarede Terra de meus Avós. Publicado, também, no 100 Anos Republica Figueira da Foz.

J.M.M.

sexta-feira, 5 de março de 2010

REPÚBLICA EM MORTÁGUA


"Este blogue surge no âmbito da iniciativa República nas Escolas, promovida pela Comissão Nacional para a Comemoração do Centenário da República (CNCCR).

A participação da nossa escola - Escola Básica 2/3 Dr. José Lopes de Oliveira passará, designadamente, pela inscrição nos concursos escolares e pela divulgação do programa de actividades alusivas ao Centenário, que decorrerão na escola durante o ano de 2010.

Propomo-nos ainda dar a conhecer personalidades republicanas do concelho de Mortágua, assinalar acontecimentos importantes para o município relacionados com as comemorações em curso, publicar notícias, comentários, imagens e outros posters dignos de interesse sobre a República em Mortágua.

Este blogue é dinamizado por alunos e professores sob a coordenação de um professor orientador. Pretende-se que República em Mortágua assuma uma perspectiva multidisciplinar, pelo que contamos com a colaboração das disciplinas de História, Língua Portuguesa, Tecnologias de Informação e Comunicação, Educação Visual, Educação Tecnológica, entre outras
" [ler AQUI]

via República em Mortágua - Escola Básica 2/3 Dr. José Lopes de Oliveira.

J.M.M.

ALMANAK DA DEMOCRACIA PARA 1902


ALMANAK DA DEMOCRACIA PARA 1902, Lisboa, Typographia Industrial Portugueza, 1901

"Primeiro ano [e único?] da sua publicação, com 30 retratos, biographias, trechos, artigos, poesias, e várias notas do movimento democrático em Portugal e no estrangeiro"

Direcção: L[uís] D[Derouet] (1880-1927)

Colaboradores (activos ou passivos): Gomes Leal, Alexandre Herculano, França Borges, Augusto José Vieira, Guerra Junqueiro, Heliodoro Salgado, José de Macedo, José de Sousa, Guilherme de Braga ...

Retratos de Guilherme Moreira, Afonso Costa, Paulo Falcão, João Chagas, Alves Correia, Higino de Sousa, França Borges, Brito Camacho, Magalhães Lima, Manuel de Arriaga, Alves da veiga, Karl Marx, ...

Como curiosidade há referências sobre o movimento periódico republicano, os "clubes políticos", centros de instrução, grémios de cultura popular, de algum modo ligados (ou controlados) pelo Partido Republicano [cf. O Operariado e a República, de César de Oliveira]

in Manuel Ferreira - Montra de Livros.

J.M.M.

IN MEMORIAM ROGÉRIO ANTÓNIO FERNANDES 1933-2010


Nasce em Lisboa a 12 de Outubro de 1933. Em 1951 frequenta a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, participa no movimento estudantil, tendo sido eleito para a Comissão Pró-Associação. Forma-se (1955) em Ciências Histórico-Filosóficas, lecciona como professor eventual do Ensino Técnico e do Ensino Secundário Particular [cf. "O Pensamento Pedagógico em Portugal", de Rogério Fernandes, ICP, 1978], e foi segundo assistente de Filosofia na sua Faculdade, de 1957-60 [cf. Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, 2001, Vol VI], tendo pedido a rescisão do contrato. Mais tarde (1972-1974) foi professor do Instituto Superior de Serviço Social, em Sociologia da Educação, e do Instituto Superior de Psicologia Aplicada [ibid.].

Rogério Fernandes, proibido de leccionar pela ditadura, ingressa no jornalismo, colaborando a partir de 1962 na revista Seara Nova, tendo sido seu sub-director e director (1962-1967) e na Vértice (ver vol. 37). A partir de 1967 é redactor (e chefe da redacção) do jornal A Capital, onde coordenava a Secção de Educação, e aí se manteve até 1970. Foi consultor da Editora Livros do Brasil e secretário da direcção do Grémio dos Editores e Livreiros [cf. AQUI]. Escritor ["Três Tiros e uma Mortalha", Contos, 1969], autor e co-autor de várias obras e ensaios [Obra Filosófica de Vieira de Almeida; Apologia e história no pensamento filosófico de Pascal; Ensaio sobre a obra de Trindade Coelho, 1961; Cartas de António Sérgio a Álvaro Pinto: 1911-19, 1972], foi ainda tradutor [de Aldous Huxley, Mircea Elliade, J. J. Rousseau], principalmente nos Livros do Brasil. Tem, ainda, uma intensa actividade no movimento associativo e cultural [ver, ainda, AQUI]

Em 1969 adere à CEUD de Lisboa, participa no II Congresso Republicano de Aveiro [15-17 de Maio] com uma comunicação ["A Batalha Socialista pela Democratização do Ensino"], depois publicada via Seara Nova, assina o Manifesto dos Escritores Oposicionistas [20 de Outubro], subscreve o abaixo-assinado de um grupo de jornalistas publicado na imprensa a 23 de Outubro desse ano e integra a Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democratica (Aveiro, 1973). Depois de Abril milita no P.C.P., tendo participado na III Legislatura (1983-85) e na VI (1991-1995), integrando (em 1983) o Conselho Nacional de Alfabetização e Educação de Base de Adultos. Foi Director-Geral do Ensino Básico entre Agosto de 1974 e Agosto de 1976 [convidado pelo então ministro Vitorino de Magalhães Godinho] e, nessa data, exonerado - saneado - por Sottomayor Cardia, tendo-lhe sido atribuído o cargo de Inspector-geral da Junta Nacional de Educação (mais tarde Inspecção Geral do Ensino). Lecciona, depois, a disciplina de História e Ciências da Educação na F.C. de Lisboa, colabora com a Fundação Calouste Gulbenkian, concorre ao lugar de Professor Associado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da U. L., onde termina a sua carreira como Professor Catedrático.

São numerosos os seus trabalhos de investigação sobre Educação, História da Educação e o associativismo docente

[Ensino; sector em crise, 1967 / Para a história dos meios audiovisuais na escola portuguesa, 1969 / João de Barros - educador republicano, 1971 / Educação e a existência, 1971 / As ideias pedagógicas de F. Adolfo Coelho, 1973 / Situação da Educação em Portugal, 1973 / D. Duarte e a Educação Senhorial, 1977 / Educação: uma frente de luta, 1977 / O Pensamento Pedagógico em Portugal, 1978 / A pedagogia portuguesa contemporânea, 1979 / Luís da Silva Mousinho de Albuquerque e as reformas do ensino em 1835-36, 1983 / Nascimento da educação de adultos em Portugal, séc. XVII-séc. XVIII, 1984 / Bernardino Machado e os problemas de instrução pública, 1985 / Cortesão e a Universidade do Porto, 1986 / História da Educação em Portugal (co-autor), 1988 / A Cultura Matemática na Escola Portuguesa, 1990 / Directoria Geral dos Estudos e a Orientação do Ensino na Alvorada de Oitocentos, 1991 / A Formação Moral da Criança Portuguesa em Vésperas da Revolução Liberal de 1820 / Opções Políticas e Perseguições ao professorado nas Primeiras Décadas do Liberalismo, 1991 / Delfim Santos, 1992 / Irene Lisboa: Pedagogista, 1992 / Uma experiência de formação de adultos na 1a República: a Universidade Livre para educação popular, 1911-1917, 1993 / Marcos do Processo Histórico da Alfabetização de Adultos em Portugal, 1993 / Os caminhos do ABC: sociedade portuguesa e ensino das primeiras letras: do pombalismo a 1820, 1994 / Para a história do ensino liceal em Portugal (Actas dos Colóquios do I Centenário da Reforma de Jaime Moniz, 1894-1895), 1999]

e, do mesmo modo, colabora em diversas revistas na área da Educação, como a "Escola Portuguesa" (boletim publicado entre 1934-1974 para o ensino primário), "O Instituto" de Coimbra (ver, vols 140-141), "A Nossa Escola", "O Professor" (publicação do GEPDES. R.F foi director da revista a partir de 1981 até 1992), "Revista da Educação" (1986), "Educação Especial e Reabilitação" (Dez. 1988) ou a "Colóquio-Educação".

Morre no dia 4 de Março de 2010.

"Muitos dos professores portugueses nunca o esquecerão, pelo muito que prestou àqueles que com ele privaram, pelo respeito exemplar com que tratava toda a gente e pela forma generosa como ensinava" [ler AQUI]

LOCAIS: Rogério Fernandes em Entrevista a "A Página" / Prefácio a quatro vozes e dois tons / Rogério Fernandes: ao mestre com gratidão / Estou (Ainda Mais) Triste.

J.M.M.

quinta-feira, 4 de março de 2010

COLÓQUIO INTERNACIONAL REPÚBLICA, UNIVERSIDADE E ACADEMIA


Tivemos oportunidade de assistir, hoje, a uma parte deste colóquio dedicado à questão da República na Universidade.
Numa sala bastante bem composta tivemos oportunidade de assistir às apresentações de Christophe Charle, sobre a Ciência e República e os conflitos nas instituições universitárias francesas. Onde foi possível compreendermos que os problemas suscitados pela massificação do ensino superior e as políticas de ensino superior, definidas pelos poderes políticos, provocam na evolução dos Estados. Os novos problemas, agora em voga como o Protocolo de Bolonha, o subfinanciamento do Ensino Superior, entre outros estão a provocar conflitos e irão causar redefinir o enquadramento das instituições de ensino superior e exigir novas respostas.

De seguida, apresentou a sua reflexão a Doutora Isabel Nobre Vargues, sobre as imagens da República através das leituras dos contemporâneos ou dos historiadores do período. Começou por recordar alguns historiadores como A. H. de Oliveira Marques, Carlos Ferrão ou Jacinto Baptista ou ainda Manuel de Arriaga, Machado Santos ou Lopes de Oliveira. Chamou a atenção para a escola de Coimbra que tem estudado o movimento republicano como Fernando Catroga, Amadeu Carvalho Homem, Manuela Tavares Ribeiro, Luís Reis Torgal ou para a escola de Lisboa, com personalidades como Ernesto Castro Leal, António Ventura, Luís Bigotte Chorão, entre outros.
Recordou alguns momentos essenciais da construção do ideal republicano e a sua ligação a Coimbra, como a visita de Emílio Castelar a Coimbra no início dos anos 70 do século XIX.
Por outro lado, chamou a atenção para a iconografia da época, agora já digitalizada, devido ao excelente trabalho desenvolvido pela Hemeroteca Municipal de Lisboa que disponibilizou online revistas como O Ocidente e a Ilustração Portuguesa, onde se pode acompanhar o processo da implantação da República em imagens.
Outro dos aspectos importantes foi a nomeação de Manuel de Arriaga para reitor da Universidade de Coimbra. Tendo realizado logo nesse período um conjunto de cinco conferências em Coimbra, a propósito da implantação da República, que hoje não se conhecem os textos, ou mesmo o título das mesmas.

O Professor Amadeu Carvalho Homem analisou o significado simbólico do gesto do Zé Povinho, de Rafael Bordalo Pinheiro (manguito). Partiu da análise dos mitos gregos, principalmente os de Deméter, Dionísio e orgiásticos para compreender que o riso provocado pelos gestos obscenos têm significados muito interessantes na psicologia. Procurou, analisando algumas obras, não só ao nível da escultura ou mesmo da pintura, explicar como a interpretação desses gestos podem servir para interpretações, no mínimo, curiosas.
Analisou também a personalidade de Rafael Bordalo Pinheiro, a sua vida boémia, que também contribuiu para uma morte prematura. Por outro lado, através do tipo de reacção que as suas obras de cerâmica provocavam no contexto da época. Realçando que, com base em Lavater, o riso tem significados que vão desde o gozo com os incidentes dos outros, a manifestação de superioridade, o desdém face à situação, ou a insegurança.
Finalmente, esclareceu que com base em determinadas concepções, explicava-se a superioridade dos órgãos da parte superior do corpo, mais ligados à espiritualidade e à racionalidade (cérebro, coração), enquanto os órgãos inferiores (estômago, órgãos genitais) eram muito mais terrenos e corruptíveis.
Esta reflexão já tem vindo a ser construída no blogue Livre e Humano, onde se encontram já as linhas gerais desta comunicação que começou por ser apresentada, ainda embrionariamente nas Jornadas Históricas de Seia e tem vindo constantemente a ser melhorada e aperfeiçoada.

Ernesto Castro Leal e Noémia Malva Novais analisaram as lutas estudantis e académicas entre 1918 e 1926. O Professor Ernesto Castro Leal destacou a dificuldade que existiu e existe em Portugal em se conseguir organizar uma Federação Académica Nacional. Assinalou algumas tentativas realizadas, mas todas muito efémeras e sem continuidade.
Assinalou-se ainda a criação das diferentes Associações Académicas e as dificuldades com que todas lutam devido à transitoriedade das funções. Começou, depois por realçar o papel da greve académica durante o Sidonismo (Abril de 1918) tendo surgido duas organizações académicas como a Liga Nacional Republicana e o Centro Federal Mocidade Republicana.
Noémia Novais distinguiu quatro momentos essenciais nas lutas académicas em Coimbra, 1919, quando Leonardo Coimbra cria a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e as reacções em Coimbra; 1920, com o episódio da Tomada da Bastilha, quando alguns alunos da Associação Académica de Coimbra ocuparam o edifício da revista O Instituto, para ocuparem um espaço mais alargado, melhorando as suas condições; 1921, quando os estudantes de Medicina se revoltaram contra o Professor Ângelo da Fonseca e deixaram de ir às suas aulas, acabando por não organizar nesse ano a Queima das Fitas; 1924, devido a confrontos durante o cortejo da Queima, quando alguns futricas e estudantes se envolveram em episódios de pancadaria em pleno cortejo, facto que acabou com a morte de um estudante.
Por fim, Ernesto Castro Leal, recordou que quando se deu Golpe Militar de 28 de Maio de 1926 estava em curso uma greve académica. Esta surgiu devido à reconfiguração de algumas profissões como as ligadas às letras e a profissão de engenheiro. Recordou o papel de Henrique de Barros no processo através da leitura das suas memórias dos acontecimentos.

Após um breve intervalo, seguiu a sessão com as apresentações de Manuela Tavares Ribeiro, Luís Bigotte Chorão e Isabel Pérez-Villanueva Tovar.
A Professora Manuela Tavares Ribeiro analisou a formação ideológica dos republicanos de 1848, que mesclavam republicanismo, socialismo, liberalismo e democraticidade, numa época onde o idealismo e a perspectiva romântica eram notórias. Recordou o sentimento de esperança e espectativa assente na importância da ilustração e da educação que podiam conduzir a uma crescente igualdade entre os cidadãos.
Lembrou algumas figuras que se destacaram neste contexto como Custódio José Vieira, Marcelino de Matos ou Casal Ribeiro.
Concluiu reflectindo sobre o papel da França no contexto europeu da época, como foi mitificada e a República era encarada como uma verdadeira religião pelos homens marcados pela influência do Romantismo.

Luís Bigotte Chorão analisou a influência dos designados “Intransigentes de 1907” durante a Primeira República. Começando por estudar as causas dos acontecimentos de 1907, a reprovação de José Eugénio Dias Ferreira, na apresentação das suas conclusões magnas. Chamou a atenção para o facto da tese de Dias Ferreira estar didicada a Teófilo Braga, acto que logo desagradou aos membros do juri. Por outro lado, algum convencimento sobre a verdadeira importância do seu trabalho, o que levou logo a que criasse poucas simpatias junto da Universidade e dos treze membros do juri das provas, todos eles seus antigos professores.
No entanto, o acto de reprovação transformou-o num herói para os republicanos e para muitos estudantes das escolas superiores. Mais, rapidamente se transformou numa arma de arremesso político, quando originalmente não era essa a sua função. Muitos jovens estudantes adereriram nesta altura ao Partido Republicano. Entre as figuras referidas, como as mais em evidência destacaram-se Campos Lima, Alberto Xavier ou Amilcar Ramada Curto, mas mais de uma centena de estudantes mantiveram a sua posição de não realizar exames nesse ano, manifestando o seu apoio ao aluno perseguido.
Esta posição política valeu a uma dúzia deles serem eleitos à Assembleia Constituinte de 1911. Por outro lado, não esquecendo a situação por que passaram alguns deles, vão tomar de imediato a iniciativa de criar novas escolas de ensino superior, como Alberto Xavier, que pouco depois do 5 de Outubro, convocou publicamente os seus colegas de curso para envidar esforços no sentido de se criar em Lisboa uma nova Universidade. Nesse contexto surgiu também um antigo estudante, José Francisco de Azevedo e Silva, ilustre advogado e republicano, com alguma influência, que também ele tinha tido problemas com a Universidade de Coimbra e vinha solicitando na Associação de Advogados de Lisboa a criação de um curso de Direito na capital. Este facto veio a concretizar-se com alguma rapidez no novo regime.

Por fim Isabel Pérez-Villanueva Tovar apresentou a sua pesquisa intitulada La Ciudad Universitária de Madrid, de la Monarquia a la Republica: continuidad y cambio, que já não nos foi possível assistir. Após essa apresentação, realizar-se-ia ainda um período de debate que foi certamente bastante proveitoso para todos os palestrantes e audiência presente, que era bastante assinalável.

Um interessantíssimo colóquio onde se trocam experiências e confrontam investigações que estão em curso ou já em fase de conclusão. Esperemos que outros se repitam pelo País ao longo do presente ano.

A.A.B.M.