terça-feira, 29 de março de 2011

LER HISTÓRIA Nº 59


No próximo dia 31 de Março de 2011, pelas 17:30 horas, vai ser apresentado, no Palácio Valadares, Largo do Carmo, em Lisboa, o mais recente número da revista Ler História.

O presente número é inteiramente dedicado ao Centenário da República e conta com o apoio da respectiva Comissão Nacional. O título genérico deste volume é: Repúblicas: Culturas e Práticas, conforme se pode ver na imagem da capa que acima se apresenta.

Para a apresentação deste número da revista foram convidados o Doutor Sérgio Campos Matos, Maria João Vaz e Frédéric Vidal.

Pode ler-se na apresentação da revista:

Este número temático da revista Ler História, subordinado ao tema «Repúblicas: culturas e práticas», reúne uma colaboração ampla e diversificada.
Foi objectivo geral dos organizadores procurar alargar o campo de análise e de debate em torno do tema «repúblicas e republicanismos», com base em análises sobre as influências internacionais, a circulação de modelos e de práticas políticas, a partilha de referências culturais ou ideológicas.

Procurou-se ainda concretizar outros objectivos, principalmente a apresentação de alguns dos avanços mais significativos realizados pela recente historiografia sobre a I República portuguesa. Aqui, dois temas emergiram como particularmente fortes: os repertórios republicanos e a definição de projectos de transformação da sociedade em alguns domínios, como a religião, a educação, a habitação ou a agenda colonial. Por outro lado, considerou-se importante e necessária uma abertura à reflexão histórica sobre a inserção da I República Portuguesa no contexto internacional – uma reflexão já trabalhada mas que ainda apresenta espaço para aprofundamento, especialmente quando se procura ultrapassar as considerações já clássicas relativas à influência da III República Francesa sobre o projecto republicano em Portugal. O repto foi lançado, mas nem sempre foi possível obter resposta. De facto, ainda não chegou o tempo de uma verdadeira história comparada dos modelos republicanos, mas procurámos dar um passo nessa direcção, com inclusão de artigos que abordam as realidades turca e brasileira, para além dos que se referem aos contextos europeus, talvez mais conhecidos pelo leitor português, como é o caso da Itália, da França e da Espanha.
Os estudos aqui apresentados estão organizados em torno de três temas: Modelos Nacionais, Culturas e Formas de Politização e Programas e Acções. No primeiro grupo, reuniu-se um conjunto de estudos onde os autores analisam modelos e experiências republicanas em vários espaços nacionais, salientando a circulação de ideias e de paradigmas, os contágios e influências múltiplas entre diversos movimentos republicanos. Espanha, Itália, Brasil e Turquia são os espaços nacionais aqui percorridos. Sob o tema Culturas e Formas de Politização, agruparam-se estudos onde são colocados em evidência aspectos da cultura democrática-republicana. A opção por análises prolongadas no tempo permitiu realçar dinâmicas, mudanças e permanência, de fenómenos como a laicização e a leitura no feminino. Por último, no terceiro conjunto de estudos focam-se aspectos do projecto e das realizações da I República portuguesa, percorrendo aspectos como a educação, a construção de habitação social, a política colonial e a acção da Marinha.


No presente número podem encontrar-se artigos de:
Florencia Peyrou e Manuel Perez Ledesma, Maurizio Ridolfi, Américo Freire, Hamit Bozarslan, Irene Vaquinhas, Daniel Alves, David Luna de Carvalho, Annarita Gori, Valentine Zuber, Joaquim Pintassilgo, Maria da Conceição Neto, João Freire e Maria da Conceição Tiago [consultar os respectivos artigos na imagem acima, clicando para aumentar].

Um número interessante, consagrado à República e com um conjunto diversificado de estudos sobre o tema.

A acompanhar com todo o interesse.
A.A.B.M.

segunda-feira, 28 de março de 2011

JORNADES INTERNACIONALES SOBRE EL CENTENARI DE LA REPUBLICA (PORTUGUESA)


Nos próximos dias 30 e 31 de Março de 2011 e 1 de Abril de 2011, vai efectuar-se em Barcelona, na Universidade Pompeu Fabra, um congresso para analisar a República Portuguesa.

Entre outros investigadores que se podem confirmar no programa acima, contam-se:
- Josep Pich - La revolució portuguesa de 1908-1910. Les imatges hispanes
- Diego Palacios Cerezales - La calle y el orden. La difícil republicanización de la policía portuguesa
- Laura Orlandini - La visió italiana de la República portuguesa
- Sebastià Bennassar - Ribera i Rovira, el Centre Català de Lisboa i la proposta iberista.
- Josep Sánchez Cervelló - Les característiques de la República a Portugal i el seu fracàs
- Enric Ucelay - Da Cal - Una nova forma política en joc. Al
voltant de la República portuguesa i la seva influència a Europa
.

Conta também com a participação do Professor Aniceto Afonso que apresenta dois trabalhos:
1) La república i la qüestió colonial.
2)Portugal: colònies i la guerra mundial.

Uma interessante iniciativa para estudar a realidade portuguesa vista por pontos de vista certamente diferentes e mais enriquecedoras, que o Almanaque Republicano divulga junto dos seus ledores, que pode ser consultado AQUI.

A.A.B.M.

REVISTA CÓDICE


Foi recentemente publicada a revista Códice, respeitante ainda a 2009. Esta revista é propriedade da Fundação Portuguesa das Comunicações e vai no sexto número, da segunda série.

No presente número, encontram-se dois artigos que interessam a quem estuda a temática da República e que destacamos, embora contemple mais três trabalhos de âmbitos diferentes. Assim, o número actual da revista conta com o seguinte índice:
- "Luís Homem e a criação do ofício de correio-mor do Reino em 1520",
- Luís Manuel de Araújo, "Comunicabilidades e empatias no advento da República", p. 28-48;
- Isabel Vãrão, "A I República e os telégrafo-postais: relatos de duas greves na primeira pessoa", p. 48-61;
- "Exposição Future Labs Experiências Visuais de Futuro";
- "Guia para um pensamento pop: Uma introdução".

Mais informações através da Fundação Portuguesa das Comunicações.

Certamente uma oportunidade para conhecer melhor o desenvolvimento das comunicações durante a República, não somente das redes de telefones e telégrafos que se vão espalhando cada vez mais, mas sobretudo a rapidez dessas mesmas comunicações. Enquanto que, por outro lado, as lutas dos trabalhadores dos correios, nas diferentes manifestações que se desencadearam neste período complexo, recuperando memórias dos acontecimentos e mostrando as reivindicações que se faziam na época.

A.A.B.M.

sábado, 26 de março de 2011

CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA «100 ANOS DE SEPARAÇÃO: RELIGIÃO, SOCIEDADE, ESTADO»



Nos próximos dias 13 a 16 de Abril de 2011, vai realizar-se na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, um congresso internacional, para debater a publicação da célebre "Lei de Separação do Estado das Igrejas", cujo Centenário se assinala no próximo dia 21 de Abril.

Pode ler-se na sinopse do Congresso:
. Enquadramento científico
Nas circunstâncias do centenário da promulgação da Lei da Separação do Estado das Igrejas, pelo Decreto-lei de 20 de Abril de 1911, o Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR) realiza o Congresso Internacional «Religião, Sociedade e Estado: 100 Anos de Separação», pelo qual pretende analisar o lugar da religião nas sociedades e as respectivas implicações. De carácter científico e académico, esta iniciativa não se prende, nem se confina, a um qualquer ciclo comemorativo; pretende alcançar um âmbito mais vasto, procurando situar a reflexão apresentada e o respectivo debate em torno do religioso enquanto realidade cultural e enquanto parte do desenvolvimento da coesão social, como factor complexo e diversificado de modernização e de integração sociais.

Inscrevendo-se numa dinâmica de análise e de rigor sobre as questões que se colocam em torno da representação e da operatividade das instituições religiosas, bem como da liberdade religiosa e de consciência, tem como principais objectivos:
1) dar a conhecer trabalhos produzidos em diversos meios culturais e científicos sobre esta problemática;
2) permitir o intercâmbio entre investigadores de distintas proveniências com abordagens diferenciadas;
3) e, simultaneamente, proporcionar o alargamento de perspectivas futuras de trabalho de pesquisa em termos de intercâmbio e de parcerias, incorporados em projectos transdisciplinares e internacionais, nomeadamente com alguns do quais o CEHR tem vindo a colaborar nestes últimos anos.

2. Enquadramento programático
No âmbito da preparação deste programa foi celebrado a 24 de Abril de 2009 um protocolo entre o CEHR e a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. O Congresso Internacional «Religião, Sociedade e Estado: 100 Anos de Separação» enquadra-se neste programa, que visa promover a reflexão histórica sobre as problemáticas da República e da separação do Estado das Igrejas desde a I República aos dias de hoje, no quadro das relações entre as sociedades contemporâneas e a religião, nomeadamente no âmbito da secularização e da laicização.

A equipa responsável por este programa é coordenada por António Matos Ferreira, e integra os seguintes investigadores: Bruno Cardoso Reis; Guilherme Sampaio; Hugo Dores; João Miguel Almeida; Marco Silva; Maria Lúcia de Brito Moura; Paulo F. de Oliveira Fontes; Rita Mendonça Leite; Sérgio Ribeiro Pinto; e Tiago Apolinário Baltazar.

3. Caracterização da iniciativa
Este Congresso constitui-se como uma iniciativa de âmbito internacional entre especialistas de diversas áreas científicas sobre a relevância e os contornos da problemática da Separação entre os Estados e as Igrejas, isto é, sobre as modalidades em que se processam as relações e os níveis de autonomia e de interdependência entre a dimensão da organização política das sociedades e as formas de institucionalização do religioso, do controlo do simbólico e das liberdades individuais e sociais. Esta problemática diz respeito ao passado histórico das sociedades marcadas pelas confrontações entre as suas mutações e as diversas formas de cristianismo, incide, de um modo mais global, sobre outras experiências religiosas em diversos espaços geográficos e remete para as questões em torno do lugar do religioso na actualidade como expressão do desiderato da realização da sociedade civil, da liberdade e da participação dos indivíduos e das comunidades no quadro da cidadania e da ordem internacional.

4. Metodologia dos trabalhos
A organização deste Congresso Internacional processa-se através de painéis de debate entre especialistas em cada uma das manhãs, sendo toda a tarde de cada dia reservada para apresentações por sessões temáticas as quais funcionam como pequenos seminários. A duração de cada intervenção não excederá os 30 minutos, procurando que os intervenientes possam dialogar entre si. As perguntas do público poderão ser feitas mas privilegia-se o debate dos investigadores entre si. As sessões temáticas com maior número de intervenientes podem prolongar-se por duas tardes. Cabe aos moderadores garantir este desiderato de diálogo entre os investigadores.
Todas as sessões do Congresso são abertas ao público que, mediante a respectiva inscrição, terá acesso à documentação existente e receberá um certificado, pois esta iniciativa terá a creditação necessária para constituir uma actividade formativa, particularmente direccionada para docentes de distintas áreas disciplinares.


A página do Congresso pode ser consultada AQUI, o programa detalhado AQUI e a Ficha de Inscrição e Participação AQUI.

Uma importante iniciativa da Universidade Católica Portuguesa, com uma excelente equipa de investigadores, que vão apresentar os seus trabalhos, dos quais destacamos: António Matos Ferreira, Maria Lúcia Brito Moura, Zília Osório de Castro, António Reis, António Ventura, Amaro Carvalho da Silva, Ernesto Castro Leal, Fernanda Rollo, Armando Malheiro da Silva, Maria Alice Samara, António de Araújo, Helena Pinto Janeiro, David Luna de Carvalho, Mendo Castro Henriques, Filipe Ribeiro de Menezes, Daniel Alves, Rita Mendonça Leite, Sérgio Campos Matos, Célia Reis, Rita Carvalho, entre muitos outros.

Um Congresso a não perder.

A.A.B.M.

sexta-feira, 25 de março de 2011

JOSÉ LOPES DE OLIVEIRA (1881-1971)



AQUI se referiu o republicano José Lopes de Oliveira, nascido em Mortágua, bacharel em Direito, professor de História e Geografia no Liceu de Viseu (e no Passos Manuel, onde chega a reitor) e director da Escola Normal de Lisboa, maçon (Ir. Rousseau, iniciado na Loja Portugal, de Coimbra), chefe de gabinete de Bernardino Machado, escritor e historiador interessante, com vasta obra publicada [ver AQUI] e curiosa participação em diversos periódicos (jornais e revistas) – ver biobibliografia AQUI.

As fotos, acima, são de duas peças memorialistas de Lopes d’Oliveira [ver AQUI]:

- Rema sempre!: memórias, crítica, paisagem, Lisboa, Cosmos, 1940.
- ... E mesmo contra a maré!: memórias, crítica, paisagem, Lisboa, Universo, 1945.

… República! Esta palavra, nos seus lábios [refere-se a António José de Almeida – nota da livraria Frenesi], tinha a magia das revelações religiosas; e, ora soava como uma prece, ora como um cântico, ora como um “dies irae”, e evocava o fragor dos ingentes prélios, a fúria das imprecações, o desespêro dos naufrágios, a miséria, a opressão, iniqùidade, concentrando o tumultuar da revolta, o clarão da vitória e o clamor da alvorada! (…)

De facto, ver êste homem na tribuna era assistir a um deflagrar de tempestade …


Lopes d’Oliveira, in Rema Sempre … [via Frenesi]

J.M.M.

quinta-feira, 24 de março de 2011

LEILÃO DE LIVROS DA LIVRARIA MANUEL FERREIRA


Vai realizar-se nos próximos dias 29 de Março a 2 de Abril de 2011, pela Livraria Manuel Ferreira, um importante leilão de livros que pertenceram ao Dr. José de Sá Monteiro de Frias. O leilão vai realizar-se nas instalações da Junta de Freguesia do Bonfim, na cidade do Porto.

Talvez das melhores camilianas que apareceram nos últimos anos a público, com algumas raras edições de Camilo Castelo Branco e com muitos estudos, epistolografia e perfis deste reputado escritor português do século XIX.

Seleccionamos alguns (muitos) titulos que ilustram a importância deste leilão, onde é possível encontrar uma sucessão de cerca de três centenas de títulos deste escritor, mas onde é possível encontrar também um conjunto copioso de obras de temáticas que nos interessam. Vejamos então algumas das nossas escolhas:









Uma actividade que recomendamos a todos os apaixonados pelo alfarrabismo, e, também, pela Literatura e Cultura Portuguesa.

A.A.B.M.

terça-feira, 22 de março de 2011

COLÓQUIO - O QUOTIDIANO NA ESCOLA REPUBLICANA



No dia 24 de Março, no Palácio Valadares, em Lisboa, vai realizar-se este colóquio que serve para assinalar o centenário da publicação do decreto que procede à Reforma do Ensino em Portugal durante a República.

Lê-se na sinopse de divulgação do colóquio:

A grande reforma republicana do ensino primário foi publicada em 29 de Março de 1911. A este importante documento que abrangia os ensinos infantil, primário e normal, outros diplomas se seguiram que incidiram sobre os outros níveis de ensino, modificando a estrutura educativa herdada da Monarquia. Uma nova concepção de escola, novas disciplinas, novos níveis de ensino e novas universidades fizeram parte de algumas das grandes inovações da escola republicana. Nesta semana, em que se celebram os cem anos da Reforma de 1911, propomo-nos com este colóquio dar a conhecer, pela voz dos especialistas, como se vivia e aprendia na nova escola criada pelos republicanos.

O programa do colóquio está organizado da seguinte forma:

10H00 | Sessão de abertura

10H30 | O ENSINO PRIMÁRIO

Património e quotidiano escolar, Maria João Mogarro IE/Universidade de Lisboa

Modos de ensinar, Margarida Felgueiras FPCE/Universidade do Porto

12H00 | Debate

12H30 | Intervalo para almoço

14H00 | ENSINO SECUNDÁRIO E SUPERIOR

Ensino técnico e profissional, Luís Marques Alves FL/Universidade do Porto

As Universidades, Luís Reis Torgal FL/Universidade de Coimbra

15H30 | Debate

16H00 | Pausa

16H15 | A Mulher e o Ensino, Maria Alice Samara, ESE Setúbal

17H00 | Debate

Uma iniciativa a acompanhar com toda a atenção, que recomendamos vivamente.

A.A.B.M.

A RENASCENÇA PORTUGUESA E A REPÚBLICA


O Centro Nacional de Cultura, no seu núcleo do Porto, no âmbito do III Ciclo de Conferências sobre o Centenário da República, vai realizar no próximo dia 24 de Março, quinta-feira, pelas 21.30 h, uma conferência pelo Doutor Prof . Doutor José Esteves Pereira, Professor Catedrático e Vice-Reitor da Universidade Nova de Lisboa.

Este ciclo de conferência desenvolve-se devido à parceria estabelecida entre o CNC e o Centro de Estudos do Pensamento Português(CEPP) da Universidade Católica Portuguesa do Porto (UCP).

Pode ler-se na sinopse do evento:
A “Renascença Portuguesa” congregou em 1912 um vasto número de intelectuais, maioritariamente republicanos, que, a partir da cidade do Porto, pretendiam “edificar sobre as ruínas da monarquia, que o sul gloriosamente derruiu”,
a “Democracia Lusitana”.


O Núcleo do Porto, do CNC situa-se no Palacete dos Viscondes de Balsemão, Praça Carlos Alberto 71, 4050-157 Porto.

Um evento a não perder, por um dos mais conceituados especialistas na História das Ideias Políticas.

A.A.B.M.

O REPUBLICANISMO: DA PROPAGANDA À GOVERNAÇÃO (1848-1926)


No próximo dia 24 de Março, quinta-feira, pelas 21.30 h, na Casa Museu Nogueira da Silva, em Braga, vai realizar-se uma conferência intitulada O Republicanismo: da Propaganda à Governação (1848-1926), a ser proferida pelo Prof. Doutor Norberto Ferreira da Cunha.

Mais uma interessante iniciativa que recomendamos a todos os nossos ledores interessados pelo tema, na cidade de Braga.

A não perder.

A.A.B.M.

O DIA INICIAL - OTELO SARAIVA DE CARVALHO


LIVRO: "O Dia Inicial. 25 de Abril Hora a Hora";
AUTOR: Otelo Saraiva de Carvalho [pref. de Eduardo Lourenço];
EDITORA: Objectiva

SESSÃO DE LANÇAMENTO: Dia 22 de Março (18 horas)
LOCAL: Núcleo Museológico do Posto de Comando do MFA (Regimento de Engenharia N.º1 da Pontinha)
APRESENTAÇÃO por Susana Amador (Pres. C. M. Odivelas), Mário Máximo (Vereador da Cultura CMO) e Joaquim Furtado.

"O livro 'O Dia Inicial', com prefácio de Eduardo Lourenço, é um guia dos acontecimentos do 25 de Abril de 1974 na visão de um dos seus protagonistas centrais. Para a editora Objectiva, este livro tem como objectivo “explicar o que foi o movimento aos mais novos, mas também é muito importante para os mais velhos. A obra pretende albergar um grande público. Um livro didáctico que fala para um público adolescente e com aqueles que viveram o 25 de Abril” [ler AQUI]

J.M.M.

segunda-feira, 21 de março de 2011

A REPÚBLICA E OS MONÁRQUICOS


A Fundação Mário Soares e a Câmara Municipal de Lisboa continuam a levar a efeito o ciclo de conferências sobre o Centenário da República, desta vez o orador convidado é o Prof. Doutor Joaquim Romero Magalhães, que vai abordar a temática da relação do regime com os seus principais opositores, os monárquicos.

Pode ler-se na sinopse de divulgação do evento:

A República e os Monárquicos

A 5 de Outubro de 1910, a República impôs-se sem resistência efectiva dos monárquicos. E, no entanto, o novo regime iria conhecer, anos a fio, as investidas armadas dos vencidos.

Instalados na sua maioria na Galiza, sob evidente protecção da monarquia espanhola, os conjurados monárquicos organizaram, sob a direcção de Paiva Couceiro, diversas incursões no território nacional, onde a sua acção foi secundada por muitos párocos católicos, desavindos com as medidas secularizadoras e anti-clericais dos governos republicanos.

Confiantes em que o povo rural do Norte se ergueria pela restauração monárquica mal os visse entrar, os exilados, pouco organizados e frequentemente mal preparados e municiados, depararam-se, logo na primeira incursão, em 1911, com a falta de apoio popular e uma resistência combativa das hostes republicanas e, em especial, com a capacidade militar da recém-criada Guarda Nacional Republicana e das forças de Marinha, de notória feição republicana e cuja preparação e poder de fogo se tornarão decisivos em diversos momentos.

No ano seguinte, após a celebração do Pacto de Dover entre D. Manuel e o ramo miguelista, nova incursão monárquica foi igualmente votada ao fracasso, estando o governo do país vizinho menos explícito no apoio aos emigrados e desarmando-os mesmo ao retirarem, vencidos, para a Galiza.

Entretanto, o próprio rei exilado não parecia demasiado confiante na acção dos seus partidários, cujas divisões políticas se acentuavam na derrota. Recomendava-lhes cautela e não queria aparecer como fautor directo das acções armadas contra o território nacional.

Entre 1914 e 1915, em larga medida suscitadas pela instabilidade republicana e pela ditadura de Pimenta de Castro, em Janeiro de 1915, sucedem-se novas investidas e, mesmo, a criação de mais de meia centena de centros monárquicos, de algum modo acalentados pela própria ditadura. Mas, a 14 de Maio de 1915, as forças republicanas pôem termo à ditadura e o Partido Democrático regressa ao poder.

Será na sequência da morte de Sidónio Pais, que recebera aliás o apoio de muitos integralistas, e terminada já a I Guerra Mundial, que, de novo e sempre Paiva Couceiro, com mais de mil soldados e artilharia, proclama no Porto, a 19 de Janeiro de 1919, a restauração da Monarquia Constitucional, assumindo funções de "Presidente da Junta Governativa do Reino".

A Monarquia do Norte, ou Traulitânea como também ficou conhecida, durou 25 dias, recolhendo apoios a norte mas falhando completamente em Lisboa, onde os combates de Monsanto demonstrarão o apoio popular de que ainda gozava a República. A 13 de Fevereiro, Paiva Couceiro será mais uma vez derrotado, apenas lhe restando o retorno ao exílio e a prisão de muitos correlegionários.

A oposição monárquica subsistiu, embora a maioria dos seus defensores tenha preferido alinhar com as crescentes forças da direita militar, participando mais ou menos activamente no golpe de 28 de Maio de 1926.

A décima quarta das conferências promovidas pela Fundação Mário Soares e Câmara Municipal de Lisboa, intitulada "A República e os Monárquicos", dá início ao que designámos A I República e as Oposições e evocará o percurso das tentativas de alguns sectores monárquicos de restauração do regime derrubado em 1910


Uma actividade a não perder.

A.A.B.M.

domingo, 20 de março de 2011

JORNAL DO CENTRO PROMOTOR DOS MELHORAMENTOS DAS CLASSES LABORIOSAS


AQUI tivemos ocasião de referir uma das associações que pugnaram pela "emancipação operária", o Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas (fundado em 1852), não obstante ter colaborado, por diversas vezes, com as organizações patronais ou ter sido mesmo órgão consultivo do governo. O Centro Promotor preocupou-se, de facto, com o desenvolvimento educativo, cultural e político dos associados; foi, depois, pela aprendizagem e o debate político, uma organização de ruptura social; na verdade, o Centro Promotor, era uma colectividade onde coabitavam liberais, republicanos, socialistas, maçons [como José Fontana, João Bonança, Antero de Quental, Felizardo Lima, Jaime Batalha Reis, Sousa Brandão, Eduardo Maia, Nobre França, Teófilo Braga - ler AQUI, p.18], e, não por acaso, das divergências de antanho em torno do debate sobre a "luta operária" nasceram a secção portuguesa da AIT [Associação Internacional dos Trabalhadores] e o futuro Partido Socialista [10 de Janeiro de 1875]. Publicou o Centro Promotor o "Jornal do Centro Promotor", que é um importante repositório para o estudo do inicio do movimento operário em Portugal. Na altura tivemos ocasião de abrir um verbete sobre o Jornal. Agora com a sua total digitalização pela Biblioteca Nacional é possível fazer os respectivos aditamentos e correcções. Daí esta nova entrada remissiva.

JORNAL DO CENTRO PROMOTOR DOS MELHORAMENTOS DAS CLASSES LABORIOSAS - I série1 (12 Fevereiro 1853) ao nº 32 (29 de Outubro de 1853); II série, nº 1 (16 de Maio 1854) ao nº3 (1 de Julho 1854), Lisboa; Administração e Redacção, Rua dos Mouros, 21, Lisboa; Imprensa da Praça de D. Pedro, 100, Lisboa [ao nº5, Imprensa Rua da Condessa, nº3, 2º andar]; publica-se aos sábados; 1853-54, 35 numrs,

Colaboração/textos: A.[António] R.[Rodrigues] Sampaio [foi presidente do Centro Promotor], A. Ribeiro da Costa, Alcântara Chaves, António Feliciano de Castilho, António Joaquim de Oliveira (operário tipógrafo), António Maria Baptista, Botelho de Vasconcelos, Brito Aranha, Cristiano Schuster, Eduardo Napoleão Silva, F. J. Ferreira de Matos, [Nicolau Maria] Ferreira da Conceição (operário alfaiate), Francisco de Paula e Silva (operário tipógrafo conimbricense), Gonçalves Teixeira (operário alfaiate), J. M.[Maurício] Veloso, João José dos Santos (operário gravador), João Maria Nogueira, João Urbano Franco de Seixas, Joaquim Baptista Leone, Joaquim Maria Baptista, José Maria António Nogueira, M. B. Teixeira Marques, M. [Miguel] J. B. Cobellos, Manuel Gomes da Silva, Olímpio Nicolau Rui Fernandes (sócio nº73 do Centro), Pedro C. Chaves (operário tipógrafo), Silveira Lopes, [Francisco Maria de] Sousa Brandão (na II série), [Francisco Maria] Vieira da Silva Júnior(importante operário tipógrafo, que foi presidente do Centro. Colaborou, anteriormente, no "Ecco dos Operários", fundado por Sousa Brandão e Lopes de Mendonça em 1850, órgão da Associação dos Operários de Lisboa. Morre a 10/06/1868).

o Jornal do Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas digitalizado AQUI [via Biblioteca Nacional]

J.M.M.

sexta-feira, 18 de março de 2011

AS MULHERES E A POLÍTICA NA I REPÚBLICA


Vai realizar-se amanhã, sábado, pelas 17 horas, nas instalações do espaço Pátio das Letras, em Faro, a comunicação com o título em epígrafe.

A conferencista é Lucinda Blath,professora de cultura portuguesa na Folk Universitet de Estocolmo.

Mais referências ao evento podem ser consultadas AQUI.

A.A.B.M.

ANTÓNIO RODRIGUES SAMPAIO. JORNALISTA (E) POLÍTICO NO PORTUGAL OITOCENTISTA


Foi recentemente publicado por Jorge Pedro Sousa (Coord.) e com colaboração de Mário Pinto,Sandra Tuna, Maria Érica Lima, Patrícia Teixeira,Liliana Mesquita Machado e Eduardo Zilles Borba que aborda a personalidade de António Rodrigues Sampaio, uma das figuras mais importantes do período da Regeneração.

Pode ler-se na sinopse da obra:
António Rodrigues Sampaio é uma figura incontornável da história do século XIX em Portugal. Combatente, político, governante e jornalista, alcançou o cargo de presidente do Ministério ("primeiro-ministro") em 1881. Este livro centra-se no Sampaio-Jornalista. Um jornalista, diga-se, longe do actual sentido que é dado à palavra, já que ele foi, principalmente, um polemista político. Procurou-se, pois, caracterizar o que era ser-se jornalista em Portugal no miolo do século XIX e determinar a forma como Rodrigues Sampaio assumiu esse papel para fazer política. Também se procurou determinar qual era o entendimento que ele tinha do jornalismo e perceber, em consequência, qual o seu contributo para a edificação do Pensamento Jornalístico Português.

O Índice da obra é o seguinte:
INTRODUÇÃO 1

CAPÍTULO 1: O jornalismo português no tempo de António Rodrigues Sampaio 15

CAPÍTULO 2: António Rodrigues Sampaio precoce: do nascimento à primeira imersão no jornalismo 37

CAPÍTULO 3: O Sampaio da Revolução 47

CAPÍTULO 4: Sampaio e a imprensa clandestina da Patuleira 101

CAPÍTULO 5: O regresso de Sampaio ao Revolução de Setembro 225

CAPÍTULO 6: O Sampaio da Regeneração 295

CAPÍTULO 7: Evocações de Sampaio 441

CAPÍTULO 8: O pensamento de Sampaio sobre a imprensa 453

PARTE 2

CAPÍTULO 1: Análise Formal 485

BIBLIOGRAFIA 585

APÉNDICES 597


A obra está disponível em formato e-book e disponível AQUI.

Sem dúvida um estudo que recomendamos a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

A PONTE Nº 2 - REVISTA CULTURAL DA RIBEIRA GRANDE


REVISTA: A Ponte nº2 [Revista Cultural da Ribeira Grande];
EDIÇÃO: Câmara Municipal da Ribeira Grande - São Miguel, Açores;

A Divisão de Promoção Cultural e Juventude, da Câmara Municipal da Ribeira Grande, publicou a sua estimada revista cultural. A edição deste ano é "dedicada aos cem anos de implantação da República em Portugal e, em particular, no concelho da Ribeira Grande".

TÍTULOS/COLABORAÇÃO:

- "República e Republicanos, Maçonaria e Maçons em São Miguel", por António Lopes [Museu Maçónico];
- "No rescaldo da proclamação da República na ilha de São Miguel", pela profª Susana Serpa Silva [Univ. dos Açores];
- "A República na Ribeira Grande(1910)", por José Guilherme Reis Leite;
- "A Ribeira Grande antes e durante a I República anotações para um notariado histórico", por Hermano Teodoro;
- "Dr. José Nunes da Ponte. Esboços e perfis em construção", por Mário Moura.

ler/ver mais AQUI

J.M.M.

quinta-feira, 17 de março de 2011

200 ANOS DA GUERRA PENINSULAR - LIBERTAÇÃO DE COIMBRA (1811-2011)


Vai realizar-se no próximo dia 24 de Março de 2011, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Coimbra, a partir das 15:30 h, a sessão solene comemorativa dos 200 Anos da Libertação da cidade de Coimbra, durante a Guerra Peninsular.

Para além da intervenção do presidente da Câmara Municipal de Coimbra, as cerimónias contam com as seguintes intervenções:

- Tenente Tirocinado de Infantaria, Rui Moura, A Reconquista de Coimbra;
- Prof. Doutora Maria Antónia Lopes, Populações Massacradas na Região de Coimbra durante a 3ª Invasão Francesa.

As restantes actividades podem ser consultadas no programa que apresentamos acima.

A.A.B.M.

O SOL BAILOU AO MEIO-DIA A CRIAÇÃO DE FÁTIMA


LIVRO: "O Sol Bailou ao meio-dia A criação de Fátima";
AUTOR: Luís Filipe Torgal;
EDITORA: Tinta-da-China

SESSÃO DE LANÇAMENTO: Dia 19 de Março (16,30 horas)
LOCAL: Livraria Bertrand (Dolce Vita - Coimbra)
APRESENTAÇÃO por Armando Malheiro da Silva.

"As 'aparições» de Fátima' (1917) ocorreram num dos momentos económicos, sociais e políticos mais difíceis e mais dramáticos da história de Portugal, que bem podia sistematizar-se na trilogia do caos: 'fome, peste e guerra'. Nesse período, mas, sobretudo, anos antes, havia-se registado uma grande ofensiva dos governos republicanos em defesa da laicização do Estado e da secularização da sociedade, que acabou por restringir como nunca os privilégios e as liberdades da Igreja Católica. Rebentou a Primeira Guerra Mundial, onde Portugal teve uma participação controversa e trágica. Estoiraram motins e rebeliões. Proliferaram epidemias agudas de tifo e varíola e eclodiu depois a pandemia da 'gripe pneumónica'. Acentuou-se a crise económica e financeira, que gerou inflação galopante, falta de víveres essenciais, racionamento, pobreza, miséria e fome. Nesta conjuntura de extrema adversidade, surgiu, na Cova da Iria, um culto popular espontâneo que logo se propagou num país católico, rural, analfabeto e dado a superstições e a devoções messiânicas. Um culto popular que — como este livro pretende demonstrar — a Igreja Católica desde muito cedo estimulou, disciplinou, enquadrou ideologicamente e apresentou, com grande sucesso, a Portugal e ao Mundo" [ler AQUI - sublinhados nossos]

J.M.M.

quarta-feira, 16 de março de 2011

A REPÚBLICA, OS AÇORES E A AUTONOMIA



Vai ser apresentado amanhã, 17 de Março de 2011, pelas 21 horas, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em Ponta Delgada, o livro A República, os Açores e a Autonomia- Ciclo de Conferências, que reune os textos das conferências realizadas no âmbito do Centenário da República Portuguesa.

Esta iniciativa resulta do trabalho desenvolvido pela Câmara Municipal de Ponta Delgada e pelo Instituto Cultural de Ponta Delgada e conta com a apresentação do Reitor da Universidade dos Açores, Avelino Meneses.

A presente obra conta com os textos dos seguintes autores:
- Álvaro Monjardino;
- João Bosco Mota Amaral;
- Jaime Gama.

A coordenação editorial da obra esteve a cargo de João Paulo Constância.

Para mais informações consultar AQUI ou AQUI.

A.A.B.M.

segunda-feira, 14 de março de 2011

AS QUADRAS DO POVO. PAMPHLETOS REVOLUCIONARIOS


PUBLICAÇÃO: As Quadras do Povo. Pamphletos Revolucionarios;
PROPRIETÁRIO: A. de Almeida; DIRECÇÃO: Hercules Severo (pseud.??); Typ. de António Maria Antunes, Calçada da Glória, Lisboa, 1909.

COLABORAÇÃO [trata-se de uma colecção completa de VI opúsculos, "que apparecem anonymas [mas] são feitas pelos primeiros poetas portuguêses", com o seguintes números e autores:

1 – Ao Povo! [anónimo]
2 – Carta ao Rei, impondo-lhe a expulsão dos jesuitas, por Gomes Leal
3 – A Sombra de Guilherme Braga, por Armando d’Araujo
4 – Satyra aos jesuitas e aos liberaes, por Augusto Gil
5 – Á Luz do Sol, por Dias d’Oliveira
6 – Eterna comedia!, por Mario Monteiro

"... Assésta a grande lunêta,
e ólha os sacros mariolas
amontoando sacólas
como Harpagão, o forreta.
....
Vem ao convento do Quelhas
vêr bonitinhas condêssas
beijocarem as abadessas
sobre as boquinhas vermelhas.
Como gulosas abelhas
extraindo o mel das flores,
vê beijarem-se as sorores
como Juliêta a Romeu...
ou com lúbricos decótes
bailarem com as cócótes
chamadas do 'Pái do Ceu' ...
"

[Gomes Leal]

via FRENESI [ver, ainda, a mesma obra na Livraria Manuel Ferreira]

J.M.M.

LIVROS DA REPÚBLICA



Vão ser apresentados no próximo dia 17 de Março de 2011, pelas 17 horas, no Palácio Valadares, em Lisboa, quatro livros, intimamente relacionados com a causa republicana, além disso, com o apoio da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.

São eles:
- Um Republicano chamado José Fontana, Maria Manuela Cruzeiro;
- Biografia de Jaime Batalha Reis, Maria do Rosário Lopes Batalha;
- Perfil para uma Pioneira: Adelaide Cabete (1887-1935), Isabel Lousada;
- Carolina Beatriz Ângelo (Médica, Republicana, Sufragista ...), Maria Antonieta Garcia.

Para apresentar cada uma das obras foram convidadas quatro personalidades de relevo, respectivamente: António Reis, António Ventura, Irene Fialho e António Melo.

Uma actividade que se recomenda vivamente a todos os ledores que nos acompanham.

A.A.B.M.

EM MEMÓRIA DE SALDANHA SANCHES


LIVRO: "Transparência, Justiça e Liberdade - Em memória de Saldanha Sanches";
AUTORES: Luís de Sousa & Domitília Soares (participação de A.Barreto, A.Dores, C.Pimenta, E.Burgoa, J.Triães, J.A.Maltez, M.J.Morgado, M.Fernandes, N.Gonçalves, O.Afonso, P.Morais e P.Morgado);
EDITORA: RCP Edições.

"A homenagem a uma das figuras públicas mais relevantes da história da Democracia portuguesa é um tributo justo e sentido a quem esteve sempre do lado da Transparência, da Justiça e da Liberdade, antes e depois do 25 de Abril, no palco da comunicação social e nas salas de aula da universidade, tanto na vida privada como na vida pública, com a esquerda ou a direita no poder" [via RCP]

J.M.M.

domingo, 13 de março de 2011

FEMINISMOS. PERCURSOS E DESAFIOS (1947-2007)



LIVRO: "Feminismos - Percurso e Desafios (1947-2007";
AUTORA: Manuela Tavares.

SESSÃO DE LANÇAMENTO: Dia 15 de Março (18,30 horas)
LOCAL: Livraria Ler Devagar (LX Factory)
APRESENTAÇÃO por Irene Flunser Pimentel e Anália Torres.

J.M.M.

O QUOTIDIANO NA ESCOLA REPUBLICANA



COLÓQUIO: Nos Cem Anos da Reforma. O Quotidiano na Escola Pública
DATA: 24 de Março de 2011 (10 horas)
LOCAL: Palácio Valadares (Lisboa, Largo do Carmo)
ORGANIZAÇÃO: Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República

J.M.M.

III SEMINÁRIO DE HISTÓRIA E CULTURA POLÍTICA - FLUL


Vai realizar-se no próximo dia 15 de Março de 2011, conforme já referimos AQUI o III Seminário de História e Cultura Política, subordinado ao tema Monarquia e República.

O programa do seminário consta na imagem que acima apresentamos e que pode ser consultado AQUI.

Uma iniciativa do Centro de História da Universidade de Lisboa que vai ser coordenado pelo Doutor Ernesto Castro Leal, com a colaboração de um conjunto de ilustres e reputados historiadores que se têm dedicado a estudar a temática da República.

Um evento a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

CONGRESSO INTERNACIONAL - GREVES CONFLITOS SOCIAIS SÉC. XX



CONGRESSO INTERNACIONAL: Greves Conflitos Sociais Séc. XX
DIAS: 16 a 20 de Março de 2011
LOCAL: Lisboa (FCSH)
ORGANIZAÇÃO: Instituto História Contemporânea (Lisboa) / International Institute of Social History (Amesterdão) / Maison des Sciences de L'Homme (Paris) / Centre d'Estudis de l'Època Franquista i Democràtica (Barcelona) / Arquivo Edgard Leuenroth (Campinas, Brasil).

consultar o PROGRAMA AQUI

J.M.M.

sábado, 12 de março de 2011

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE


"As sociedades não se governam só com leis, só com a força, só com a palavra. Há outro meio de influência sobre os Homens, mais poderoso, mais eficaz; os seus efeitos são tanto mais maravilhosos, quanto a causa é muitas vezes despercebida. O exemplo vale mais do que as máximas e as doutrinas. Reúne às seduções da eloquência a verdade dos factos. Desbarata argumentos; dissipa dúvidas; emudece desculpas. Com o exemplo acobardam-se os maus, e alentam-se os bons. No exemplo tudo é claro, definido, perceptível. Quem o não segue condena-se; quem o adopta está seguro da aprovação pública"

[José Estêvão, in Discursos Parlamentares]

LOCAIS: La 'Revolución Precaria' toma las calles de Lisboa [El Mundo] / Decenas de miles de portugueses se manifiestan contra la precariedad en la mayor concentración al margen de los partidos [El País] / Protesto Geração à Rasca juntou entre 160 e 280 mil pessoas só em Lisboa e Porto [Público] / 280 mil na rua contra a precariedade [i] / 300 mil protestaram em Lisboa e no Porto contra a precariedade [Expresso]

J.M.M.
A.A.B.M.

sexta-feira, 11 de março de 2011

BICENTENÁRIO DAS INVASÕES FRANCESAS EM CONDEIXA-A-NOVA


Vai realizar-se no próximo domingo, dia 13 de Março de 2011, em Condeixa-a-Nova, as cerimónias que assinalam o Bicentenário das Invasões na vila.

O programa das cerimónias, realizado em parceria entre o Exército e a Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, inicia pelas 11 horas, em Casal Novo, conta com a realização de uma cerimónia militar junto ao monumento, deposição de uma coroa de flores, homenagem aos que morreram nos confrontos e uma evocação histórica pelo Coronel Rui Moura.

Pelas 15 horas, na Câmara Municipal de Condeixa, proceder-se-à à cerimónia do hastear da bandeira,a que se segue a inauguração das exposições sobre as Invasões Francesas, uma As Invasões Francesas na Banda Desenhada, outra As Invasões Francesas na Literatura e uma Exposição Bibliográfica sobre as Invasões Francesas.

A sessão solene, a realizar nos Paços do Concelho, conta com a intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, seguindo-se as intervenções:
- Fernando Abreu, Notas Locais sobre as Invasões Francesas;
- Cor. Tir. Infª. Rui Moura, Encontro de Condeixa e o Combate de Casal Novo-13 e 14 de Março de 1811;
- Maj. General Augusto José Monteiro Valente, As Invasões Francesas: Estratégias Militares em Confronto;
- Prof. Doutora Margarida Neto, O Impacto das Invasões no Portugal de Oitocentos.

As cerimónias terminam com o encerramento da sessão pelas Entidade Militar presente.

Sobre o evento consultar a notícia AQUI ou AQUI.

A.A.B.M.

BERNARDINO MACHADO E A PROBLEMÁTICA DAS MULHERES



Vai realizar-se hoje, no Museu Bernardino Machado, em Famalicão, a conferência do Professor Doutor Norberto Ferreira da Cunha, cujo título apresentamos em epígrafe ao presente texto.

Esta conferência integra-se no ciclo de conferências que o Museu Bernardino Machado está a promover ao longo do ano intitulado As Mulheres e a República.

Este evento terá lugar pelas 18.30 h.

A.A.B.M.

A ESCRITA DE LÍDIA JORGE AOS OLHOS DA CRÍTICA LITERÁRIA EM LOULÉ


Vai realizar-se hoje, em Loulé, a conferência A Escrita de Lídia Jorge aos Olhos da Crítica Literária, com a participação de João Minhoto Marques, António Carlos Cortez e Paulo Serra, contando ainda com Petar Petrov como moderador.

Este evento vai realizar-se no Convento Espírito Santo, em Loulé, pelas 18 horas.

A.A.B.M.

quinta-feira, 10 de março de 2011

JOSÉ CARLOS RATES (Parte III)


O pensamento de José Carlos Rates evolui ao longo do tempo e através do órgão do partido, O Comunista, lança uma feroz campanha contra as liberdades, a política e o parlamentarismo. O seu vanguardismo conduziu-o a um crescente autoritarismo, que surgiu matizado entre a retórica do sindicalismo revolucionário. A partir do final da década de 20, do século XX, Carlos Rates assumiu que a questão da ditadura, até ali discutido teoricamente se torne cada vez mais uma realidade e a Ditadura Militar passa a ser justificável.

De acordo com a concepção de Carlos Rates, o corporativismo substituiria a política, o liberalismo era uma moda ultrapassada e que os portugueses necessitavam de alguém que os dirigisse com pulso forte. Os Ditadores tornavam-se uma necessidade.

Carlos Rates já se tinha afastado do Partido Comunista quando aceitou candidatar-se a deputado nas eleições de 8 de Novembro de 1925, juntamente com outros oito candidatos, nas listas da Esquerda Democrática, ficando curiosamente todos por eleger. No II Congresso do Partido, realizado como já dissemos em finais de Maio de 1926, Carlos Rates foi expulso e Bento Gonçalves, que lhe sucedeu apontou-lhe com alguns epítetos pouco simpáticos como “grotesco”, “irresponsável”, acabando por o expulsar do partido.


Torna-se jornalista favorável ao regime fascista aderindo ao corporativismo como funcionário em 1929. Em 16 de Julho de 1931, Carlos Rates, aderiu à União Nacional.

Colaborou em vários jornais tanto de Lisboa, como da província, desde Évora a Setúbal. Entre eles O Germinal (Setúbal).
Terra Livre, O Sindicalista, A Batalha, O Comunista (1924-25), A Internacional, órgão da Internacional Sindical Vermelha, Bandeira Vermelha, O Intransigente, O Século, Diário da Manhã, Pátria,

Foi também iniciado na Maçonaria, em data desconhecida, embora regularizado em 1922, na loja Renascença, de Lisboa, com o nome simbólico de Babeuf.

Publicou:
- O Problema Português. Os Partidos e o Operariado, 1919;
- A Ditadura do Proletariado, 1920;
- O Papel das Comunas e a Questão Agrária, opúsculo, 32 pag., 1924;
- O Serão dos Camponeses, opúsculo, s.d;
- A Questão Sindical, opúsculo, s.d.;
- A Rússia dos Sovietes, 1925;
- Democracias e Ditaduras, 1927.
- Angola, Moçambique, São Tomé, XII, 226, [1] p. : il. ; ( Lisboa : -- Tip. Didot), 1929
- A Colmeia, romance, 1932.
- Libertas, "Arte e Ciência", O Fadinho, semanário de critica e propaganda do fado, dir.e prop. José Carlos Rates, Setúbal, 28 de Julho de 1910, p. 3), publicaram-se 7 números, entre sete números, entre 28 de Julho e 20 de Agosto de 1910.

- Despertar (O). «Defensor da classe trabalhadora.». Órgão da Associação de Classe dos Operários de Leiria. Leiria.. Janeiro de 1914. Quinzenário, Dir: Luís Simões, Editor: Armando Silva, Administrador: Joaquim Marques, Secretário de redacção: J. B. Santos. Colaboração de J. Carlos Rates.

- União (A). Órgão defensor dos empregados do Estado, Lisboa. 1921-26. Propriedade da Associação de Classe dos Empregados do Estado, Editor: António Máximo Barros. Redactores principais: Mário Nogueira, Teixeira Danton (Dezembro de 1921), Eduardo Ribeiro (Maio de 1922), João de Almeida (Fevereiro de 1923) e A. Santos Ferreira (Dezembro de 1924). Colaboradores: Nogueira de Brito e J. Carlos Rates.

- União Operária (A). Lisboa, 1914, Quinzenário, Redactor principal: Carlos Rates, Editor: Luís Rodrigues Ramos

- O Sindicato dos Profissionais da Imprensa de Lisboa e a neutralidade sindical, 1929 ( Lisboa, Tip. Didot) .
- J. Carlos Rates sobre a gestão do País na fase pós-revolucionária (A Batalha de 17, 22 e 26 de Abril de 1919).
- Debate de opiniões : o sindicalismo constitue um novo corpo de doutrina social, A batalha . - Lisboa . - A. 2, n. 605 (1 Dez. 1920), p. 1.
- Debate de opiniões : o comunismo e as possibilidades de realização, A batalha . - Lisboa . - A. 2, n. 615 (17 Dez. 1920), p. 1
- Debate de opiniões : o sindicalismo apto a governar : porque não faz a sua revolução?, A batalha . - Lisboa . - A. 2, n. 622 (24 Dez. 1920), p. 1.
- Debate de opiniões : as Uniões de Sindicatos antes da Revolução, A batalha . - Lisboa . - A. 2, n. 627 (31 Dez. 1920), p. 1.
- Vita nuova : a ditadura do proletariado : a proposito dum opusculo sensacional de Carlos Rates, O combate. - Lisboa. - A.1, n. 253 (4 Jan. 1920) ; p.1

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
- Chorão, Luís Bigotte, A Crise da República e a Ditadura Militar, Sextante Editora, Lisboa, 2009.
- Chorão, Luís Bigotte, Política e Justiça na I República, vol. 1: 1910-1915, Letra Livre, 2011.
- Costa, Ramiro da, Elementos para a História do Movimento Operário em Portugal (1820-1929), vol. 1, Assírio e Alvim, Lisboa, 1978.
- Marques, A. Henrique de Oliveira, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. II, Editorial Delta, Lisboa, 1986, col. 1197.
- Mónica, Maria Filomena; Matos, Luís Salgado de, “Inventário da imprensa operária portuguesa (1834-1934)”, Análise Social, ICS, Lisboa, 1983.

- Mónica, Maria Filomena, “Rates, José Carlos”, Dicionário de História de Portugal, vol. 9, P/Z (suplemento), Coord. António Barreto e Maria Filomena Mónica, Livraria Figueirinhas, Porto, 2000.
-Pereira, José Pacheco, As Lutas Operárias contra a Carestia de Vida em Portugal, Editora Nova Crítica, Porto,
- Quintela, João G. P., Para a história do movimento comunista em Portugal: 1. A construção do partido (1º período 1919-1929), Afrontamento, Porto, 1976.
- Ventura, António, Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal. As Convergências Possíveis (1892-1910), Edições Cosmos, Lisboa, 2000.

[FOTO: Gentilmente cedida pelo Professor Doutor António Ventura, a quem agradecemos mais uma vez a disponibilidade e colaboração.]

A.A.B.M.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O COMUNISTA (1921-1926) ONLINE


AQUI fizemos referência ao jornal O Comunista. O verbete então feito sobre o jornal, necessariamente incompleto, pode ser corrigido pela leitura de quase todos os seus números, mercê da consulta online, digitalizado que está na página do Partido Comunista Português, em tempo de comemoração do seu 90º aniversário.


"O Comunista, o primeiro órgão do Partido Comunista Português, publicou-se entre 16 de Outubro de 1921 e 6 de Novembro de 1926, tendo sido publicados 55 números, com uma interrupção da sua publicação entre Novembro de 1921 e Maio de 1923. Durante a primeira fase, publicaram-se apenas 7 números, não se dispondo do número seis. Durante a segunda fase, publicaram-se quarenta e oito números, não se dispondo dos números 25 e 47” [ler AQUI]

O COMUNISTA. Órgão do Partido Comunista Português [I série, Semanário das juventudes do PCP; II série, quinzenário do Centro Comunista de Lisboa (ao nº6, Órgão do Partido Comunista SPIC)];

- I Série, Ano I, nº1 (16 de Outubro 1921) ao nº 7 (27 de Novembro 1921); Propriedade: Grupo Editor O Comunista; Administrador: Nascimento Cunha; Secretário: Caetano de Sousa [no nº1]; Editor: José Rodrigues; Redactor Principal: Manuel Ribeiro; Secretário de Redacção [ao nº2]: Caetano de Sousa; Colaboração (e artigos): Álvaro Duarte Cerdeira, Ângelo da Silva, António Monteiro, António Peixe, Armor, Caetano de Sousa, Campos Pereira, Carlos Rates, G.(?) Castro, Henrique Guilbeaux, Jean Gorchery, J. de Sousa, José Pires Barreira, José da Silva Oliveira, Louiz Sellier, Lucia Liciague, Luigi Locatelli, Manuel Ribeiro, Mário Correia da Costa, Nascimento da Cunha, Salvaterra Júnior, Vieira da Cruz; Redacção e Administração, Rua do Arco do Marquês do Alegrete, 30, 2º Dto, Lisboa; Impressão na Typ. do Jornal da Europa, Rua do Século, 150, Lisboa [nº5, Empresa Portuguesa de Publicidade, Trav. Da Boa-Hora, 49, Lisboa];

- II Série, Ano I, nº1 (10 Maio de 1923) ao nº 48 (6 de Novembro de 1926)]; Propriedade: Centro Comunista de Lisboa [nº4, Grupo Editor O Comunista]; Editor: José Rodrigues [ao nº24, Joaquim Rodrigues]; Redactor Principal: J. Carlos Rates [por doença de C. Rates, no nº 34, Manuel Ferreira Quartel, que passa a exercer essa função a partir do nº37]; Colaboração (e artigos): A. Rodrigues, Adriano José Neto (trab. rural), Adolfo Moraça, Adolfo de Moraes, António de Moura, Augusto Machado, Augusto Miranda, B. B. Machado, Bertreint, Bordalo de Lima, Bukarine, Carlos d’Araujo, Carlos Marques (metalurg. e ex-ferrov.), Carlos Rates, Clara Zetkin, Decio Beirão, F. Engels, Ferreira Fontes, Francisco Dias (trab. rural), Francisco Raposo, Francisco Rodrigues Sucena, Francisco Semana, H. Dupuy, J. J. Ventura (trab. rural), J. Staline, J. Tomas Martins, Jerónimo Toucinho (trab. rural), Joaquim Rodrigues, José de Sousa, José da Silva Oliveira, Jules Guedes, Júlio da Silva Rego, Karl Marx, L. Novaes, Lenine, Leon Trotsky, Losovski, M. A. Cruz, Manuel Mafra, Manuel Martins (trab. rural), Manuel Ramos, Manuel Roque Junior, Miguel Quaresma, Neno Vasco, Pierre Pascal, Teixeira Danton, Victor Serge, Zinoviev; Redacção e Administração, Rua do Conde das Antas, 51, r/c, Lisboa; Impressão na Typ. da Rua da Procissão, 78 (T. do Jasmim), Lisboa [nº5, Travessa da Agua de Flor, Lisboa].

O Comunista ONLINE AQUI.

J.M.M.

terça-feira, 8 de março de 2011

JOSÉ CARLOS RATES (Parte II)


Nos primeiros tempos do Partido Comunista, a influência da Internacional Comunista era notória e o secretário-geral era imposto pelo delegado, que nessa época era Jules Humbert-Droz. Foi assim que após a criação da primeira Junta Nacional, ainda em 1921, que era secretariada por H. Caetano de Sousa e constituída por Alberto Júlio das Neves, Bernardino dos Santos, Fernando Barbosa e João Nascimento Cunha.

Em 1920 e 1921, Carlos Rates, à data um federalista convicto, assina um conjunto de artigos que publica no jornal Pátria, dirigido por Nuno Simões, tendo sido o jornalista destacado para a cobertura do I Congresso Municipalista Algarvio, realizado em 26 e 27 de Setembro de 1920, na Sala de Sessões da Junta Geral do Distrito e por iniciativa de João Rodrigues Aragão.

Em finais de 1922, Caetano de Sousa, secretário-geral do novo partido, parte para Moscovo, chefiando uma delegação que participa no IV Congresso da Internacional Comunista (IC), realizado a 5 de Novembro de 1922. No seu regresso estala uma grave crise no partido. A situação só será resolvida com a realização do 1º Congresso, a 10-12 de Novembro, em Lisboa, onde se faz sentir novamente a influência do delegado da IC, Jules Humbert-Droz, que impõe Carlos Rates como secretário-geral, ordena a expulsão Caetano de Sousa e suspende José de Sousa por seis meses. Acompanhavam o secretário-geral, no Comité Central, Francisco Rodrigues Loureiro, Grácio Ramos, António Rodrigues Graça, Alberto Monteiro, Salvaterra Júnior e Raul Lavado.

Este I Congresso do PCP - fundado em 6 de Março de 1921, em Assembleia-geral, realizada na Associação dos Empregados de Escritório em Lisboa - realiza-se entre 10 a 12 de Novembro de 1923, em Lisboa. Nele participam já 90 delegados representando 27 organizações. As teses, tinham sido publicadas antecipadamente em O Comunista e previamente debatidas nas estruturas do partido. O então secretário-geral, José Carlos Rates, apresentou o relatório do Comité Executivo, e o Congresso aprovou uma Resolução sobre a organização, os Estatutos, o Programa de Acção e uma Resolução sobre a Questão Agrária.
Entre as orientações saídas do I Congresso, destaque para a reclamação que " o camponês detenha a terra que possa fazer frutificar com o seu braço" e das 8 horas de trabalho para os trabalhadores rurais assalariados. O I Congresso apontou o perigo do fascismo e salientou a importância da unidade da classe operária para o derrotar e manifestou a sua solidariedade para com os comunistas e sindicalistas presos pelo governo.

O jornal do partido, O Comunista, retoma a sua publicação em Maio de 1923, com Carlos Rates como "redactor principal" e transcrevendo artigos ou citações dos clássicos, de Lenine, Trotsky, Zinoviev e outros ideólogos do comunismo internacional. Nos editoriais do jornal procurava estabelecer-se, no plano teórico, o que será a sociedade comunista e procuram-se clarificar os princípios do comunismo distinguindo-os do anarquismo. Propugna-se para Portugal, no imediato, um governo operário-camponês que previna a ascensão do fascismo.

Em 1924, Carlos Rates desloca-se a Moscovo para assistir ao IV Congresso da Internacional Comunista, realizado em Julho. Porém, observa-se uma situação algo estranha, porque o representante oficial do Partido Comunista Português era Jules Humbert-Droz, provocando uma cisão com Carlos Rates, que não iniciou o processo de bolchevização do partido, conduzindo-o para o leninismo, um partido de tipo novo, proletário e revolucionário.

Carlos Rates advoga uma aliança com o Partido Radical e a Esquerda Democrática de Domingues dos Santos, acabando por ser expulso do partido, por desviacionismo às directivas políticas da Internacional, no 2º Congresso do PCP, em Maio de 1926. Este congresso, realizado em 29 e 30 de Maio de 1926, acaba por não terminar, criando um vazio na direcção e conduzindo a um quietismo e ausência de força que permite a chegada do General Gomes da Costa sem grandes obstáculos por parte do movimento operário. Tudo indica que o PCP ainda tentou organizar uma frente comum do proletariado contra o perigo do avanço de uma ditadura seguindo o modelo fascista, sobretudo através da acção do jornal A Batalha.

Manuel Ferreira Quartel entra em conflito com Carlos Rates, após a sua saída do Partido Comunista. A este propósito publica um extenso e violento artigo no jornal A Internacional, onde denuncia todo o conjunto de manobras utilizadas por Rates.

[A continuar.]
A.A.B.M.

segunda-feira, 7 de março de 2011

JOSÉ CARLOS RATES (Parte I)


A própósito das Comemorações do 90º aniversário do Partido Comunista Português assinalados no passado dia 6 de Março, recordamos um dos primeiros líderes comunistas em Portugal, ainda hoje envolto em alguma polémica e muitas áreas de penumbra na sua vida. Desconhecem-se alguns dados fundamentais, mas muitos outros já são factos constam na já longa e interessante história do partido político há mais tempo em actividade em Portugal.

Vejamos o que se conseguiu reunir sobre a controversa personalidade de Carlos Rates.

José Carlos Rates terá nascido em 1879, mas não se conseguiu apurar com segurança onde. Foi operário conserveiro em Setúbal na primeira década do século XX. Participa no Congresso Sindical e Cooperativo de 1909.

Eleito secretário da Associação dos Trabalhadores das Fábricas de Conservas de Setúbal em 1911. Neste ano envolve-se numa dissensão entre o grupo do Germinal que conduziu à ruptura entre os seus membros. Note-se que este jornal tinha iniciado publicação em Setúbal em 1903 e publicou-se até depois da implantação da República. Nele, os anarquistas intervencionistas conquistaram uma posição de destaque e Carlos Rates surge como um dos seus membros mais activos e dedicados. Integra depois a Comissão Executiva do Congresso Sindicalista, envolvendo-se na propaganda e organização do movimento sindical, em particular no Alentejo, Beiras, Trás-os-Montes e arquipélagos atlânticos. Devido à sua intensa actividade como propagandista torna-se um dos alvos da repressão governamental, sendo preso pelo menos em duas ocasiões.

No Congresso Sindicalista de 1911, iniciado a de 7 de Maio, estiveram presentes 91 associações que representavam cerca de 35000 filiados. Apesar de discutida acabou por ser adiada a questão da Confederação Geral do Trabalho, que veio depois a ser constituída em 1914, nesse período a prioridade era organizar uniões locais e federações, que ainda eram em número reduzido.

Em 1912, o seu nome é apontado como um dos subscritores do manifesto que anuncia o lançamento do jornal anarquista Terra Livre.

Participa no I Congresso dos Trabalhadores Rurais, como representante da Comissão Executiva do Congresso Sindical. Durante o ano de 1913 envolve-se na polémica entre anarquistas e sindicalistas, defendendo a causa de Manuel Ribeiro contra Emílio Costa.

No Congresso Operário de Tomar, realizado de 14 a 17 de Março de 1914, Carlos Rates defende a tese intitulada Projecto de Bases de Organização da União Nacional Operária, sendo ali eleito para a direcção da União Operária Nacional. Foi um dos promotores do radicalismo do operariado contra a tentativa de conciliação com os socialistas. Apesar de não se envolver muito nas iniciativas da UON nos primeiros dois anos, mas participa de forma dinâmica na organização sindical de 1916-1917.

Em 1919, toma parte no II Congresso Operário, realizado em Coimbra, onde subscreve a tese intitulada Reformas Imediatas, que no entanto é rejeitada pelos congressistas. Ainda nesse ano adere à Federação Maximalista Portuguesa e colabora no jornal Bandeira Vermelha.

Em 1921, a 6 de Março, funda o Partido Comunista Português e envolve-se em grande polémica com Emílio Costa, no jornal A Batalha, debatendo a questão candente da Ditadura do Proletariado.

Carlos Rates afirma-se na direcção do jornal O Comunista e torna-se líder da corrente que fora afastada por H. Caetano de Sousa. Consegue manter-se na direcção do jornal até 1925, data em que abandona o partido. O anarquista que evoluiu no sentido do comunismo, torna-se no I Congresso do Partido Comunista, realizado em Lisboa entre 22 e 23 de Novembro de 1923, no secretário-geral do partido. Mesmo os seus opositores no interior do partido reconheciam a sua reputação junto do meio operário, considerando-o um indivíduo estudioso, classificando-o como um intelectual operário.

Rates integra a Comissão Organizadora dos Trabalhos para a Constituição do Partido Comunista (Dezembro de 1920 a 6 de Março de 1921); membro do Conselho Económico (corpo directivo) do Partido Comunista Português (6 de Março de 1921 a Janeiro de 1923); membro da Comissão Reorganizadora do Partido Comunista Português (Janeiro a Agosto de 1923); membro do Comité Executivo provisório do Partido Comunista Português (Agosto a Novembro de 1923); secretário-geral do Partido Comunista Português (Novembro de 1923 a Outubro de 1925).

[Foto: Texto da adesão de Carlos Rates à União Nacional, publicado pelo Diário da Manhã, de 16 de Julho de 1931, e retirado do blogue Estudos Sobre o Comunismo, de José Pacheco Pereira]


sexta-feira, 4 de março de 2011

ADELINO SAMARDÃ


Nasceu a 6 de Setembro de 1863, em Vila Real, filho de Manuel Gonçalves da Silva Samardã e de Ana Luísa de Sousa.

Autodidacta, estudioso, culto e interessado, os seus interesses dispersaram-se entre a Arqueologia e a Historia.

Trabalhou essencialmente como professor do ensino primário, passando a integrar os quadros da Escola Azevedo em Vila Real, onde permaneceu até à implantação da República.

Inicia a sua actividade como jornalista, onde se destacou, colaborando com órgãos como O Transmontano, O Independente Regoense, e noutros jornais de combate político de Lisboa e Porto. Em 1891, fundou com Guilhermino Vieira da Silva, o semanário O Povo do Norte, quatro meses depois da Revolta de 31 de Janeiro «quando uma atmosfera de terror pairava ainda sobre os iníquos julgamentos de Leixões». Foi igualmente responsável pela edição dos jornais Aurora da Liberdade (1896-) e O Trasmontano (2.ª Série) (1897-), e colaborador de O Transmontano (1873-1894). Participou no movimento do 31 de Janeiro de 1891 e foi um dos responsáveis pela organização do Partido Republicano em Vila Real, juntamente com mais 17 correligionários.

Em 1895, foi acompanhado por José de Carvalho Araújo Júnior e Azeredo Dantas na liderança da Comissão Executiva Republicana em Vila Real até 1897.

Colaborou com Avelino Patena, líder progressista em Vila Real, na fundação da corporação de Bombeiros Voluntários de Vila Real.

Coube-lhe também organizar a Carbonária em Trás-os-Montes, mas também as ramificações a Braga e a Viana do Castelo, onde se “tinham constituído poderosos núcleos carbonários”[José Brandão, Carbonária. O Exército Secreto da República, Alfa, Lisboa, 1990, p 70]. O responsável pela criação de barracas e choças da Carbonária na região foi Luz de Almeida, que por vezes se fazia passar por caixeiro-viajante, mas também pelo delegado da organização na região de Trás-os-Montes, que era o Dr. António Granjo.

Com a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910, foi nomeado Governador Civil do Distrito, cargo que ocupou entre Outubro de 1910 e 3 de Outubro de 1911. Exerceu depois novamente a função entre 3 de Março de 1913 a 23 de Janeiro de 1914.
Na primeira vez que desempenhou o cargo envolveu-se em polémica com António Granjo, porque este o acusou de estabelecer entendimentos com Teixeira de Sousa, mas acabou por conseguir provar que eram acusações infundadas.

Desempenhou ainda as funções de membro da Comissão Distrital Republicana, juntamente com Azeredo Dantas, Antão de Carvalho e Carlos Richter. Em Janeiro de 1911 era ainda presidente da Assembleia-Geral do Centro Republicano Augusto César.

Foi ainda grande defensor de causas públicas, como a construção da Linha do Corgo, a introdução da energia eléctrica em Vila Real e a criação de um Arquivo Distrital e de um Museu Regional. Este resultou de uma ideia lançada pela Junta Geral do Distrito na sequência do Congresso Transmontano de 1920 e dinamizada por Adelino Samardã, que chegou a ver criado na folha oficial "um museu regional de arte, arqueologia e numismática" (Decreto 9:527, de 22 de Março de 1924).

A família “Samardã” foi uma das que mais se destacou na dinamização dos Bombeiros Voluntários de Vila Real. António Samardã, irmão mais velho de Adelino Samardã, foi fundador da Associação e também seu Comandante. Adelino Samardã foi também um dos mais gloriosos Comandantes da sua Corporação dos Bombeiros Voluntários de Vila Real – Cruz Verde. Quando se comemoraram os oitenta anos sobre a data do falecimento do Republicano e Comandante da Associação, Adelino Samardã (1929/2009), a Direcção da instituição mandou recuperar uma pintura a óleo cuja autoria é de outro insigne republicano, o pintor Trindade Chagas. Adelino Samardã foi determinante para consolidar o prestígio da Associação a organização do Corpo de Bombeiros. Foi no seu tempo que se impulsionou e construiu o actual quartel. Enquanto Comandante dos Bombeiros Voluntários exerceu um poder paternal, formador, transmissor de ideais, valores e atitudes.

Em 1913, aderiu ao Partido Unionista e, em 1919, integrou o Partido Republicano Liberal e participou na respectiva comissão organizadora regional.

Gradualmente afasta-se da actividade política e dedica-se aos seus estudos de arqueologia e ao jornalismo.

Faleceu com 66 anos de idade, a 5 de Fevereiro de 1929.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

Aires, Joaquim Ribeiro, Vila Real. Roteiros Republicanos, QuidNovi, Matosinhos, 2010, p. 77-81.
Brandão, José, Carbonária. O Exército Secreto da República, Alfa, Lisboa, 1990.
Silva, António Maria, O Meu Depoimento. Da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, vol. I, col. Documentos, República, Lisboa, 1974.


A.A.B.M.