domingo, 30 de dezembro de 2018

HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA DE 2018 – A NOSSA ESCOLHA


HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA DE 2018


1. De Lisboa a La Lys. O corpo expedicionário Português na Primeira Guerra MundialFilipe Ribeiro de Meneses (Dom Quixote), 344 pp. 


3. A Maçonaria entre a Forca e o Cacete, entre o Mito e a Realidade (1807-1834)Fernando Marques da Costa (Campo da Comunicação Editora), 612 pp.

4. O Periodismo Político da pós-Vilafrancada ao Setembrismo (1826-1836): Um mundo cativante e multifacetadoJosé Augusto dos Santos Alves (Media XXI), 1077 pp. | História dos Museus em Portugal durante a 1ª RepúblicaAntónio Jorge Botelheiro Carrilho (Caleidoscópio), 496 pp.

5. Júlio Melo FogaçaAdelino Cunha (Desassossego Editores), 320 pp. | Inimigos de SalazarIrene Flunser Pimentel (Clube do Autor), 496 pp. | A Noite Mais Longa de Todas as NoitesHelena Pato (Colibri), 260 pp.

6. A República Possível (1910-1926)Fernando Pereira Marques (Gradiva), 308 pp. | A Grande Guerra por Quem a ViveuAntónio Ventura (Temas & Debates), 384 pp.

7. A Nossa Infantaria na Grande Guerra (1916-1918)Pedro Marques de Sousa (Caleidoscópio), 298 pp. | Sidónio Pais. Retrato do país no tempo da Grande GuerraMaria João Neto (Caleidoscópio), 152 pp.

8. Gomes Freire e as vésperas da Revolução de 1820Miriam Halpern Pereira e Ana Cristina Araújo (Coord.) (BNP) | Simões Coimbra. Mistérios Antigos, Marinha, Maçonaria Luís Vaz (Âncora Editora), 200 pp.

9. Visconde de Seabra. Autor do Primeiro Código Civil PortuguêsManuel M. Cardoso Leal  (Aletheia Editores), 254 pp. | 2º Visconde de Santarém (1791-1856). Uma biografia intelectual e políticaDaniel Estudante Protásio (Chiado Books), 326 pp.

10. Diário de Campanha. General Fernando Tamagnini, Comandante do CEPAAVV (Comissão Portuguesa da História Militar), 491 pp. | A Grande Guerra em Moçambique. O Diário do Tenente Frederico Marinho Falcão (1916-1918)Francisco António Lourenço Vaz (Coord.) (Colibri), 186 pp.

A.A.B.M.
J.M.M.

HELIODORO SALGADO – UM HOMEM DE LUTAS




LIVRO: Heliodoro Salgado – Um Homem de Lutas;
AUTOR: José Pedro Maia Reis;

EDIÇÃO: do Autor, Janeiro de 2019.

LANÇAMENTO:

DIA: 4 de Janeiro 2019 (21,00 horas);
LOCAL: Auditório da Junta de Freguesia de Bougado (Rua 16 de Maio, Santiago de Bougado, Trofa).

112 Anos passados sobre o passamento de Heliodoro Salgado (1861-1906) – livre-pensador e um dos mais importantes propagandistas republicanos, “anarquista intervencionista” e militante anticlerical assumido -, nascido a 8 de Julho de 1861 em S. Martinho de Bougado, José Pedro Reis recorda a sua figura na obra (edição de Autor), justamente intitulada, “Heliodoro Salgado – Um Homem de Lutas”. Heliodoro Salgado, muito cá de casa, merece toda a atenção que lhe seja devida. A não perder, portanto, a leitura de mais um testemunho sobre esta ilustre figura do republicanismo português.

NOTA: No Almanaque Republicano pode, AQUI, consultar os verbetes sobre essa singular figura que foi Heliodoro Salgado

“A curiosidade em compreender o passado, conhecer nomes, locais que marcam a identidade de uma comunidade são os anseios de um historiador e quando se cresce numa cidade que ouvimos repetidamente o mesmo discurso, “não há importância histórica”, aguça ainda mais o engenho em procurar referências mesmo que essas referências sejam ínfimas.

Recebendo o livro do saudoso Professor Napoleão Sousa Marques: “Duas comunidades um só povo” destacando um capítulo naquela monografia sobre os alegados ilustres da Trofa. Obviamente que no 4º ano de escolaridade capta mais a atenção as imagens de uma escavação arqueológica do que um nome de um ilustre desconhecido.

Os anos passaram, milhares de vezes a passar naquela rua, a Rua Heliodoro Salgado, que fica junto ao Estádio do Clube Desportivo Trofense, apoiada na singularidade do nome, sempre foram aguçando a curiosidade em saber sempre mais sobre quem teria sido.

Na faculdade com licenciatura e mestrado praticamente concluído com uma tese que se debruçava sobre a história da terra que me acolheu e aos poucos e poucos a necessidade de saber mais sobre o biografado ia aumentando.

Comum no ser humano a necessidade de encontrar referências na sua área profissional e tentar aprender com essas mesmas referências, na leitura do livro de António Ventura, “Anarquistas republicanos e socialistas em Portugal – as convergências possíveis (1892-1910) ” escreveu que para compreender Heliodoro Salgado era necessário escrever um livro, um projeto para fazer várias referências ao seu legado.

Após uma breve pesquisa procurando saber algumas referências sobre a vida de Heliodoro Salgado, surgiram informações na imprensa que no seu funeral estiveram presentes mais de cem mil pessoas, comprovando o enorme reconhecimento da sua vida que merece ser recordo, explanado e sobretudo divulgado para com a sociedade. Obviamente que a necessidade de perceber e compreender quem era esta figura ganhava cada vez mais importância.

O ser humano deve ser curioso, deve procurar saber sempre mais e as primeiras pesquisas foram ocorrendo, primeiro na internet e posteriormente nas bibliotecas, aliada com a compra de livros sempre procurando saber mais quem foi o filho desta terra que marcou profundamente a sociedade, podendo usar a expressão popular, “a ferros” a sociedade portuguesa e a política lusa no final do século XIX e início do século XX.

Ao longo desta biografia procurarei sempre explanar com o máximo rigor que for possível encontrar com a elevada quantidade e qualidade de informação dispersa, por vezes confusa e a inexistência praticamente de artigos científicos contudo, nunca desanimar quando o desejo é enorme, quando a vontade é superior a todo o resto, reforçada quando no passado se criticou a existência de um arruamento com o seu nome no seu concelho natal, procurando desprezar o seu legado.

Apresentada de seguida uma viagem no tempo, o contar da vida do maior político trofense que infelizmente o tempo tentou apagar e fazer morrer, contudo, só morremos quando nos esquecem"

[José Pedro Maia Reis, in prefácio ao livro]
 
J.M.M.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

“SE BEM ME LEMBRO …” OU PARA QUE NÃO NOS ESQUEÇAMOS



Se bem me lembro …” ou para que não nos esqueçamos – por Manuel Seixas, in Diário de Coimbra, 19 de Dezembro de 2018

Em 19 de Dezembro de 1901, nasceu Vitorino Nemésio na Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores. Hoje, portanto, há 117 anos.

“... um grande poeta em quem Poesia e Vida se uniram servindo de espelho a uma grande alma" - palavras sábias e sentidas que ele próprio proferiu na homenagem ao seu amigo e companheiro "Tríptico"[1] Afonso Duarte. Palavras de Nemésio para o poeta da Eireira, palavras nossas agora para o poeta da Terceira.
A pessoa que "se desfazia em linguagem", "o poeta extraviado" e o mais universal de todos os açorianos, tudo escolheu em Coimbra - o curso, a companheira e a morada definitiva[2]. Aqui se licenciou mas, mais do que isso, aqui se formou.
Um homem de "saber sem pautas" que sobre tudo se interrogou e a todas as portas bateu. Da convivência agnóstica com Jaime Brasil, seu mentor literário inicial, passou pela faminta sobrevivência em Lisboa no meio anarco-sindicalista, seguindo-se a formação humanista com Joaquim de Carvalho. Os amigos que lhe acudiram ao corpo moldaram-lhe também a alma. Aurélio Quintanilha, António de Sousa, Martins de Carvalho, Afonso Duarte, Paulo Quintela e Mário de Castro - de todos foi amigo e cúmplice.
Da Associação Cristã de Estudantes ao Centro Republicano Académico, passou pelo Orfeão Académico e pela Loja A Revolta. Esteve em todos os combates contemporâneos, "poetava" e conferenciava, admirou o espírito de Merea e o brilho de Cerejeira, mas declarou guerra às sua ideias e bateu-se no senado universitário contra o protegido do reitor Fezas Vital.  
"Um homem exerce enquanto vive" afirmaria na sua última lição, naquela que considerou ser um exame de consciência da sua vida. Assim fez - ao viver, produziu uma obra ímpar - de ficção, de crónica, de ensaio, de tradução, de estudos literários e jornalismo, mas sobretudo poesia. Sempre e acima de tudo, poeta.
Rumou a Lisboa para a formatura, depois para o doutoramento, mas sempre voltou a Coimbra para repouso e trabalho. França, Bélgica, Brasil, para aprender e para ensinar mas sempre regressou a Coimbra, às Albergarias ou aos Casareus, a Celas ou ao Tovim. Entre crises místicas de profunda religiosidade e enamoramentos serôdios, a sua riquíssima formação e a curiosidade insaciável pela leitura permitiram-lhe tudo - a ironia e o experimentalismo, o simbólico e o formal, o lirismo e o plebeu. Mas também a insatisfação e a procura constantes. 
O grande público de então recordará sempre o seu contacto semanal televisivo, o comunicador em que a fala competia com as mãos e a admiração do espectador oscilava entre o conteúdo do discurso e a teatralidade do gesto.
A suas raízes de insularidade nunca esquecida e o mar, como elemento eterno, ficaram impressos na singeleza magnífica da sua campa quase rasa no cemitério de Coimbra que escolheu, para nunca termos que lhe dizer adeus, apenas cumprimentá-lo.
Se bem me lembro …” ou para que não nos esqueçamos – por Manuel Seixas, Diário de Coimbra, 19 de Dezembro de 2018 – com sublinhados nossos.


[1] Tríptico - jornal fundado em Coimbra por Nemésio e seus amigos Afonso Duarte, João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca
[2] Vitorino Nemésio está sepultado por sua vontade expressa no cemitério de Santo Antônio dos Olivais, Coimbra

J.M.M.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

IN MEMORIAM DO PROF. DOUTOR JOAQUIM ROMERO MAGALHÃES (1942-2018) – BREVE NOTA BIOGRÁFICA



O dr. Romero Magalhães, nosso chorado e sempre lembrado Professor e Amigo, partiu nas primeiras horas do dia 24 de Dezembro, sussurrando, decerto, as últimas letras do seu fecundo labor historiográfico e em especial em torno das suas pesquisas da cultura histórico-social e económica do Algarve, assunto de que era referência máxima entre os historiadores contemporâneos. A sua incansável paixão pela história, o saber e espirito de partilha, que a todos e cada um inspirava nessa demanda, é testemunho que muito o gratifica e a todos nós enriquece.

Joaquim Romero Magalhães, que tivemos a honra de privar, como aluno, Amigo, bibliófilo e repúblico (… da Real-República da Prá-Kys-Tão, ali à Se Velha), leitor atento e crítico do Almanaque Republicano, repousa para sempre na ilustre galeria dos Homens Livres e Solidários. Deixa na memória uma imensa saudade. A sua perda é irreparável.

Até sempre, dr. Romero Magalhães 

 


Joaquim Antero Romero Magalhães nasceu em Loulé, a 18 de Abril de 1942. Era o segundo filho de Célia Vasques Formosinho  Romero, professora, e de Joaquim da Rocha Peixoto Magalhães

[Joaquim da Rocha Peixoto Magalhães (Porto, 1909 – Faro, 1999), licenciado em Filologia Românica (na FLUP), foi professor do ensino secundário em Coimbra (onde estabelece relações com o grupo presencista, publicando um poema na revista Presença, em Abril de 1933), Faro (aqui convive com José Marinho, Silva Dias), Funchal e, de novo, Faro, cidade onde se estabeleceu, tendo sido reitor (1968) do seu Liceu. Republicano, liberal e laico (integrou o grupo Renovação Democrática, em 1932), entusiasta do associativismo (Mutualidade de Faro, Socorros Mútuos da Região-Plano Sul, Santa Casa da Misericórdia, Rotary Clube de Faro), foi um dos fundadores e principal animador do Círculo Cultural do Algarve (1943), Cine Clube de Faro, Alliance Française, Associação dos Pais e Amigos das Crianças Deficientes, foi ensaiador de teatro escolar, desenvolvendo intensa actividade cultural e cívica na região do Algarve. É disso exemplo as inúmeras conferências sobre Manuel Teixeira-Gomes, João de Deus, Cândido Guerreiro, Bernardo Passos, Emiliano da Costa e António Aleixo. Colaborou em vários periódicos, como o Jornal do Algarve e o Algarve (onde foi seu director). Das animadas tertúlias que integrava, conhece António Aleixo (o café Calcinhas era local habitual), tomando o curioso lugar de seu “secretário” e editor da sua obra. A família doou (2010) o seu valioso acervo bibliográfico e documental à Biblioteca da Universidade de Faro, de muita importância para a história algarvia – ver nota biográfica in, Catálogo do Espólio Documental de Joaquim Magalhães (1909-1999)]

Joaquim Romero Magalhães fez a Escola Normal e o Liceu em Faro, partindo depois para Coimbra para cursar História na Faculdade de Letras. Em Coimbra, reside na Real República da Pra-Kys-Tão (à rua das Esteirinhas, Sé Velha), onde encontra uma geração lutadora e de resistência ao fascismo, frequenta as tertúlias culturais e intervenção política, faz se sócio do Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (presidente em 1963) e, em 1963, integrando a lista eleitoral vencedora do Conselho das Republicas, pela não homologação do candidato vencedor António Correia de Campos, toma o lugar de presidente da Direcção geral da AAC.

Em 1967, termina a sua tese de licenciatura, e pouco mais tarde, segue a carreira de professor do ensino secundário, até que, em 1973, enceta a carreira docente na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Ali presta as suas provas de doutoramento (1984); de Agregação (1993), sendo Catedrático, em 1994, e Catedrático Jubilado, em 2012.

No seguimento da revolução de Abril de 1974, toma parte, como deputado eleito pelo PS, nos trabalhos da Assembleia Constituinte (1975-1978). Foi secretário de Estado da Orientação Pedagógica (1976-1978), exerceu o cargo de Presidente do Conselho Diretivo da FEUC (1985- 1989 e 1991-1993), foi nomeado Comissário-Geral da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (1999-2002), foi director da revista Oceanos (1999-2001), membro consultivo das Comemorações do Centenário da República (2009-2011) e dirigia a revista “Anais do Município de Faro”.  

Teve inúmeras distinções: Professor convidado da École des Hautes Études en Sciences Sociales de Paris (1989 e 1999); da Universidade de São Paulo (1991 e 1997); e da Yale University (2003); foi sócio correspondente estrangeiro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (2001); e a Universidade do Algarve atribuiu-lhe o título de doutor honoris causa, no passado dia 12 de Dezembro de 2018.  Em 2002 foi condecorado com a Grã-cruz da Ordem do Infante D. Henrique,

Da sua vasta e importante bibliografia, muita publicada em revistas da especialidade, registemos as seguintes obras: Para o Estudo do Algarve Económico durante o século XVI (1970; foi depois reed. 1993) | 1637: Motins da Fome (1976) | A Pedagogia e o Ideal Republicano em João de Barros (1979; nota introdutória) | E assim se abriu judaísmo no Algarve (1981; separata) | Alguns aspectos da produção agrícola no Algarve (1987; separata) | Alvorecer da Modernidade, vol. III da História de Portugal dirigida por José Mattoso (1993, coordenação) | Tranquilidade: história de uma companhia de seguros (1997) | Vem aí a República! 1906-1910 (2009) | Miunças (III títulos publicados entre 2001-2013) | Os combates do cidadão Manuel Ferreira Martins e Abreu (2010) | “Economia, instituições e império” (2012; livro de estudos em homenagem ao professor Romero de Magalhães) | João Chagas; a escrita como arma (2014) | Provocações: por dever de Ofício 1987-2014 (2017) |

Faleceu a 24 de Dezembro de 2018, em Coimbra

J.M.M.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

BOAS FESTIVIDADES - 2019 FRATERNO – SAÚDE, PAZ E PROSPERIDADE


Tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa
 
[Bernardo Soares]

 
Aos estimados leitores, amigos e companheiros deste itinerário da Grande Alma Republicana, aceitai os nossos VOTOS de Boas Festividades e um 2019 com muita Luz, Solidário, Próspero e Fraterno.

Saúde, Paz & Fraternidade

Vale!



 

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

LANÇAMENTO DA REVISTA “A IDEIA” Nº 84/86 (2018) E EVOCAÇÃO DO JORNAL “A BATALHA”




Pastas Temáticas: Surrealismo em Portugal & Agostinho da Silva;

Colaboração/Textos: Agostinho da Silva, António Cândido Franco, Carlos Mota de Oliveira, Cruzeiro Seixas, E. de Melo e Castro, Guy Girard, Grupo Surrealista de Madrid, Grupo Surrealista de Paris, Laurens Vancrevel, Manuel da Silva Ramos, Maria Paiva, Mário Botas, Mário Cesariny Rimbaud, …  

LANÇAMENTO & EVOCAÇÃO DO CENTENÁRIO DO JORNAL “A BATALHA”


DIA: 26 de Janeiro (15,00 horas);

LOCAL: Museu do Aljube - Resistência e Liberdade (R. Augusto Rosa, 42), Lisboa;
ORADORES: Pedro Martins | António Ventura (prof. FLUL) | António Baião
 
"O volume 84-86 (2018) da revista A Ideia  tem as mesmas características do volume anterior e será apresentado na tarde do dia 26 de Janeiro de 2019 no Museu do Aljube, em Lisboa, numa sessão em que evocaremos a dimensão libertária de Agostinho da Silva e o centenário de nascimento do jornal operário A Batalha, com uma palestra do historiador António Ventura e uma intervenção dum dos actuais redactores da folha, António Baião.” [AQUI]
 
 
J.M.M.

domingo, 16 de dezembro de 2018

LUÍS BIGOTTE CHORÃO – POLÍTICA E JUSTIÇA NA I REPÚBLICA VOL.II (1915-1918)




AUTOR: Luís Bigotte Chorão;
EDIÇÃO:
Letra Livre, Dezembro de 2018.

LANÇAMENTO:

DIA: 18 de Dezembro (18,30 horas);
LOCAL:
Espaço Justiça do Ministério da Justiça (Praça do Comércio), Lisboa;
ORADORES: António Araújo (Jurista e Historiador) | Sérgio de Campos Matos (prof. FLUL)

Trata-se do II volume da trilogia “Política e Justiça na I República”, importante e estimada obra do jurista e investigador Luís Bigotte Chorão, em boa hora publicada. Este interessante estudo do dr. Luís Bigotte Chorão, que compreende a experiência política iniciada com a fundação da I República e se estende até ao seu trágico fim, compreende um conjunto de III volumes, a que se irá acrescentar, ainda, “três estudos autónomos sobre a Constituição Politica de 1911, a liberdade e a e a censura e, por fim, sobre a política colonial republicana”.

É obra copiosa, de subido merecimento para o estudo e história da ligação e influência entre o elemento jurídico, tomado na sua própria especificidade, e a experiência política constitucional da Primeira República; interessantíssima no opulento trabalho bibliográfico recolhido, recomeça o livro o exacto momento da eleição presidencial de Teófilo Braga (29 de Maio de 1915), ocasião que marca o momento de “consolidação” e o “regresso à normalidade constitucional” saída do movimento revolucionário de 14 de Maio [de influência dos “jovens turcos” liderados por Álvaro de Castro e Sá Cardoso, que derruba o gabinete de Pimenta de Castro e conduz à resignação do presidente Manuel de Arriaga] e termina com o movimento de 5 de Dezembro de 1917 [golpe sob orientação do chefe unionista Brito Camacho contra o ministério de Afonso Costa/Norton de Matos e que, curiosamente, surge após o regresso do ministro de Portugal em Berlin, Sidónio Pais] que constitui a Junta Revolucionária Militar, presidida por Sidónio Pais (e, entre outros elementos, Machado Santos, Feliciano da Costa Júnior), que dissolve o Congresso e destitui o presidente da República, Bernardino Machado. O novo executivo, chefiado por Sidónio Pais (de que faziam parte, Machado Santos, Moura Pinto, Santos Viegas, Aresta Branco Francisco Xavier Esteves, Tamagnini barbosa, Alfredo Mendes de Magalhães e Feliciano da Costa Júnior) é ponto essencial da afirmação do sidonismo e da conspiração monárquica, um “ajuste de contas com o Partido Democrático e com a fórmula constitucional de 1911”.      

Este II volume de Luís Bigotte Chorão, investigador muito "cá de casa", é obra de muito apreço, com lúcidos e inteligentes critérios bibliográficos (que se assinalam), um importante trabalho de reflexão sobre alguns particulares aspectos da problemática historiográfica da Primeira República. A ler e não perder.      

 


"Com a publicação do volume II de Política e Justiça na I República, Um regime entre a legalidade e a excepção, dá-se continuidade a um plano de publicação que muito fica a dever à compreensão da Letra Livre a respeito de outros compromissos profissionais e académicos do autor, que não permitiram dar mais cedo por concluído o presente volume.

Planeado inicialmente para corresponder aos anos de 1915-1920, a Guerra Mundial justifica que tenha sido alterado o quadro cronológico inicialmente pensado, ocupando-se este volume dos anos de 1915-1918. Também esta alteração, logo aceite pela Letra Livre – fazendo aliás jus ao espírito da chancela –, justifica o nosso reconhecimento aos editores e Amigos.

Como toda a produção historiográfica, a que agora se apresenta padece de lacunas, tanto mais que corresponde ao estudo de um período muito complexo, ainda insuficientemente conhecido em muitos aspectos, alguns centrais.

Como foi recentemente observado por David Deroussain, se as consequências sociais, políticas e económicas da Guerra Mundial se encontram já bem documentadas, aliás como a sua história militar, as implicações desse conflito no domínio do jurídico carecem ainda de múltiplos aprofundamentos.

Este volume constitui apenas um contributo para esse estudo no quadro geral que é o da história da I República. Ao afirmá-lo, desejamos sublinhar a consciência das nossas limitações e da relatividade da obra. Essa consciência é própria de quem se vê colocado perante uma impressionante vastidão de fontes e ancora nos critérios próprios da ciência histórica, precavendo pulsões ou derivas literárias, que podendo talvez até resultar muito atractivas, andam por regra determinadas por pré-compreensões prejudiciais ao exercício de apreensão e interpretação da realidade histórica. E isto porque introduzem o preconceito dogmático num domínio que só ganha em ser livre”


J.M.M.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

SIDÓNIO PAIS – [EXTRATO] ORAÇÃO DE SAPIÊNCIA - 16 OUTUBRO DE 1908



Oração de Sapiência recitada na Sala dos Actos da Universidade [de Coimbra], no dia 16 de Outubro de 1908, pelo dr. Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, lente catedrático da Faculdade de Matemática
 
“ (…) O primeiro dever de quem fala é dizer o que pensa. Torcer as suas ideias para as ajustar ás do auditório, procurando agradar, é servir um fim utilitário, egoísta. Pode calar-se, mas se fala tem de dizer o que está de harmonia com a sua consciência.

E tendo escolhido para assumpto a grave questão do ensino universitário, eu acho que soou a hora de se dizer toda a verdade; impõe-se o dever cívico de arrostar com as opiniões contrárias, mesmo correndo o risco de alienar as simpatias dos que ouvem.

Mas eu creio, além disso, Senhores, que uma assembleia tão distinta, para quem o amor da verdade é com certeza um culto, não me perdoaria se as minhas palavras não fossem a expressão sincera e desinteressada do meu modo de ver. A todos peço desculpa do tempo que lhes roubo. Que fazer, porém? Não podia sem desprimor rejeitar a honra que a faculdade de matemática me deu e que deste togar agradeço.

Do que a Universidade precisa neste momento não é de palavras, é de obras. Envolve-nos, Senhores, uma atmosfera insalubre de desconfiança, de descredito e de hostilidade. É certo que o sistema das instituições pedagógicas não inspira confiança ao país. É certo mesmo que clamores gerais se têm levantado contra os erros da organização escolar por que é responsável o Estado, contra os defeitos do ensino dentro dessa organização imputados aos professores e até contra o mau aproveitamento dos alunos debaixo dessa dupla tutela do Estado e do professor, pelos vícios da educação recebida no lar e no meio social, de que é culpada a família e a sociedade.

Mas os ataques dirigem-se de preferência e atingem a maior violência contra a Universidade. O centro do alvo é aqui. Não se, ouve nem se lê uma palavra a favor e o descrédito da Universidade, merecido ou injusto, tendo a propagar-se por toda a parte. Este é o facto impressionante: a Universidade de Coimbra, a única Universidade portuguesa, que devia ser o primeiro centro do instrução e de educação do país, perde rapidamente o seu antigo prestigio o começa a ser olhada como uma instituição anacrónica e perniciosa!

Que este juízo da opinião pública corresponda a uma fase real de decadência da Universidade ou não, é o que importa mais. Mas de passagem deixai-me notar que ele representa sempre um entrave, e difícil de vencer, para o êxito do ensino. Não é que a Escola se despovoe. A Universidade não corre esse risco, primeiro porque é a única para certas profissões e depois porque o aluno entre nós busca, em geral, infelizmente, a facilidade do diploma e não a excelência do ensino. Ora com este critério, e em igualdade das outras condições a Escola mais desacreditada pode ser e será muitas vezes a mais frequentada (…)

Mas não é só fora do recinto universitário que se julga urgente urna reforma da Universidade. Os estudantes ainda há pouco mais de um ano manifestaram essa aspiração num movimento impetuoso de revolta, em que os poderes públicos não viram senão uma questão de disciplina. E finalmente por parte dos professores muitas vezes se tem formulado reclamações de largas reformas, anseios de vida nova; e há anos que a Oração de Sapiência é a prova mais eloquente d'esta situação dos espirites. Se alguém pensa ainda que a Universidade satisfaz plenamente a sua alta missão educativa, esse alguém que reflita um pouco no isolamento do seu modo de ver e que medite nas causas determinantes desta corrente geral de opiniões.

Pela minha parte encontro, entre outros, três defeitos fundamentais na organização desta Escola. O primeiro é peculiar a ela: é a subsistência das velhas fórmulas da sua primitiva estrutura religiosa e clerical. O segundo, decerto o mais grave de todos, é uma doença comum a toda a nossa instrução publica e resume-se na — anulação da iniciativa do aluno. O terceiro em fim — a estreiteza do circulo em que se projeta a luz da instrução, — é não só um mal da nossa organização escolar e um problema para resolver ainda em muitos países civilizados, mas é mesmo uma das faces da questão social (…)

Eu respeito, Senhores, todas as crenças sinceras, e avalio a benéfica influencia que as religiões tiveram na educação moral das sociedades, sem desconhecer a tendência das oligarquias para abusar delas como instrumentos de dominação do povo.

Porém ciência e religião têm esferas separadas. Ambas têm um corpo de doutrinas, mas os conhecimentos científicos emanam só da razão e as verdades religiosas apoiam-se na revelação, que é uma palavra que não tem sentido em ciência. Nestas condições a Escola, para ser livre, tem de ser neutral em matéria religiosa. É a doutrina que se contém nestas belas e insuspeitas palavras do grande Pasteur: ‘Quando entro no laboratório, deixo á porta todas as minhas crenças; quando saio, retomo-as’.

Assim o parece ter compreendido o Estado português que não exerce influencia religiosa, nem a deixa exercer, na maior parte dos seus estabelecimentos de instrução. Subsistem apenas duas exceções inexplicáveis:

A primeira é na Escola primária, onde se ensina ainda a doutrina cristã, mas este ensino não é obrigatório para os alunos cujos pais pertençam a outras religiões. A segunda é na Universidade de Coimbra.

Refiro-me, Senhores, às obrigações de caracter religioso que são impostas aos alunos e professores da Universidade e a esta mistura do serviço de Deus e do serviço de Minerva, que me deixa perplexo sobre se foi a Escola que se instalou na Igreja ou se foi a Igreja que invadiu a Escola. É ver no Anuário, publicação oficial, o calendário eclesiástico e académico por que começa, onde se detalham e distribuem ao mesmo tempo lições e missas, festas e feriados, a cor dos paramentos e as insígnias dos professores, as horas das aulas e as horas das rezas. Todas as festas académicas são conjugadas com solenidades religiosas. Poderá haver alguma festa de capella que não tenha o carácter académico, mas todas as funções académicas têm urna feição religiosa (…)”

in Anuário da Universidade de Coimbra, Ano Lectivo de 1908-1909, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1909, pp. XLIII-LIV

J.M.M.

UM HOMEM LIVRE, SEVERINO DE CARVALHO E O MOVIMENTO CULTURAL ANARQUISTA



LIVRO: Um Homem Livre, Severino de Carvalho e o Movimento Cultural Anarquista na transição do século XIX para o século XX  (1887-1914);
AUTOR: Carlos Moura-Carvalho;


EDIÇÃO: Alêtheia Editores, 2018, 160 pp.

Um Homem Livre aborda a participação de Severino de Carvalho, bisavô do autor, no movimento cultural anarquista do começo do século XX, em especial na criação do Teatro Livre (1902-08), cujo mote era “Redimir pela Arte, vencer pela Educação”, e na implementação, a partir de 1910, de um modelo de ensino inovador na Escola Oficina n.º 1 na Graça, em Lisboa.
 
Explorando as semelhanças entre o contexto político, económico, social e cultural e as soluções para a mudança, do começo do século XX com a actualidade, o autor descreve a inspirada estratégia de atuação do movimento anarquista da altura e a enorme coragem e liberdade dos seus membros, que descrentes do sistema, escolheram a cultura como ferramentas para a mudança, com resultados surpreendentes.
 
Carlos Moura-Carvalho (1967) nasceu em Lisboa, é licenciado em Direito, pós-graduado em Estudos Europeus e em Direito da Sociedade da Informação e trabalha há mais de 20 anos na área da cultura, dos direitos humanos e da propriedade intelectual. Foi advogado, gestor cultural, director geral das artes, administrador da Tóbis Portuguesa, director da Câmara Municipal de Lisboa responsável pelo projecto Alta de Lisboa, membro da Comissão de Classificação de Espetáculos, da Comissão Nacional de Direitos Humanos e de diversas organizações cívicas e movimentos de cidadãos.[AQUI]

J.M.M.

[CONFERÊNCIA] “FELIZMENTE HÁ LUAR” – LUÍS DE STTAU MONTEIRO, A CENSURA E A PIDE




DIA: 14 de Dezembro de 2018 (18,00 horas);
LOCAL: Exploratório Centro Ciência Viva de Coimbra [Rotunda das Lages. Parque Verde do Mondego], Coimbra;
ORGANIZAÇÃO: Lojas do Saber

ORADOR: PROF. Luís Reis Torgal

“Investigador do Estado Novo de Salazar, o conferencista teria necessariamente de vir a estudar a questão da Censura aos escritores e a sua repressão por parte da PIDE. Desta forma orientou alunos no âmbito de um projecto a que chamou precisamente “A repressão e os escritores no Estado Novo”.

Também se interessou, nesse âmbito, por Luís de Sttau Monteiro (1926-1993), que foi autor de uma peça histórica simbólica da luta contra a repressão — Felizmente há luar! (1961). Percebeu então que os documentos da Censura não são suficientes para entender o fenómeno da repressão intelectual. É o arquivo da PIDE que nos dá respostas mais cabais, não só no que diz respeito a esta peça trágico-heróica, mas relativamente a outras peças, que levaram Sttau Monteiro à prisão, de que se destaca A Guerra Santa ou A Estátua (1966).

Ver-se-á então o sentido do “outro teatro” de Sttau Monteiro, que poderemos chamar “teatro do absurdo”, e as suas reacções, ao nível do Estado e da oposição, pois a prisão do escritor — que depois de um longo período em que não pôde ver as suas obras em palco, acabou no tempo marcelista e, sobretudo, depois do 25 de Abril por ser encenado várias vezes — acabou por criar um grande movimento de intelectuais nacionais e estrangeiros que o levaram à liberdade. Mesmo a justiça militar acabou por conceder essa libertação. Foi, sem dúvida, uma das vitórias da oposição, ao mesmo tempo que um teatro de luta se afirmava em vários pontos do país, sempre vigiado pela Censura” [AQUI]

A não perder!

J.M.M.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

[COIMBRA] CONFERÊNCIA – VITORINO NEMÉSIO. O POETA



CONFERÊNCIA: Vitorino Nemésio – o Poeta;
DIA: 06 de Dezembro de 2018 (21,00 horas);

ORADOR: Vasco Pereira da Costa;

LOCAL: Salão Nobre da ACM (Rua Alexandre Herculano, 21), Coimbra;
ORGANIZAÇÃO: A.C.M.

A propósito do 40.º Aniversário do passamento de Vitorino Nemésio (1901-1978) e do 100.º Aniversário da Associação Cristã da Mocidade

[foi fundada em Coimbra em 1914, com o nome de Federação de Académicos; passou depois a denominar-se Associação Cristã de Estudantes (o poeta Afonso de Sousa foi um dos seus presidentes) para se fixar na sua actual designação; surge em Londres em 1844 e em Portugal é na cidade do Porto, em 1894, que se funda a sua primeira associação; e não deixa de ser curioso o facto de movimento ACM ter nascido do protestantismo; e aqui refira-se, como exemplo, o assumido republicano, maçon (foi grau 33) e pastor protestante Eduardo Moreira (1886-1980), que teve um papel importante no desenvolvimento do espirito filosófico do movimento ACM, como no escotismo. Eduardo Moreira foi um dos fundadores da União Cristã da Mocidade Portuguesa, em 1898, depois denominada ACM, “celebrizada pela insígnia triângulo vermelho e centrada na promoção do desenvolvimento cultural, artístico e desportivo dos sectores mais jovens" (sobre Eduardo Moreira ver: Rita Mendonça Leite, Protestantismo e Republicanismo - o percurso de Eduardo Moreira, protestante e membro do Partido Republicano Português, Lusitânia Sacra, tomo XIX-XX, 2007-08)]

há lugar a uma conferência sobre Vitorino Nemésio (o Poeta) a cargo de Vasco Pereira da Costa, na Associação Cristã da Mocidade (Coimbra).

A não perder.  

J.M.M.