sexta-feira, 31 de maio de 2019

[SANTA COMBA DÃO] COLÓQUIO JOSE DA SILVA CARVALHO E O BICENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO LIBERAL DE 1820




DIA: 1 e 2 de Junho 2019;
LOCAL: Casa da Cultura de Santa Comba Dão (S. Comba Dão);

INTERVENÇÕES/ORADORES:

 
- António Neves [Breve Biografia de José da Silva Carvalho …];

- Ana Cristina Araújo [As revoluções liberais na Europa e em Portugal – o tempo de José da Silva Carvalho];

- Maria João Mogarro [José da Silva Carvalho e a Revolução de 1820];

- José Luís Cardoso [José da Silva Carvalho, o Governo do Reino e as Cortes Constituintes de 1821-22];

- Luís Nuno Espinha da Silveira [Em defesa do deficit das Contas Públicas. José da Silva Carvalho como Ministro da Fazenda (1833-1836);

- Luís Bigotte Chorão [José da Silva Carvalho como Ministro da Justiça, fundador e primeiro Presidente do Supremo Tribunal de Justiça]

- António Ventura [José da Silva Carvalho e a Maçonaria]

- José Adelino Maltez [O conceito de liberalismo prático de José da Silva Carvalho e o seu papel de liderança na construção do regime cartista];

- Silvestre de Almeida Lacerda [O fundo documental de José da Silva Carvalho na Torre doo Tombo];

- Nuno de Siqueira [Memória de José da Silva Carvalho na família];

 
Visita à Igreja Matriz de S. João de Areais | Visita ao Jardim Silva Carvalho (Vila Dianteira) | Visita à casa de José da Silva Carvalho

 
A não perder esta excelente iniciativa da Câmara Municipal de Santa Comba Dão a um dois seus mais ilustres filhos e dedicado obreiro da revolução liberal de 1820.

 
J.M.M.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

[CICLO DE CONFERÊNCIAS – DIÁLOGOS COM SENTIDOS] – O ESTADO LAICO?



CONFERÊNCIA: O Estado Laico?

DIA: 31 de Maio 2019 (21,00 horas);
LOCAL: Auditório do Museu Municipal Santos Rocha (Figueira da Foz);

ORADORES: Catarina Marcelino [Secretária de Estado da Cidadania e Igualdade] | Pedro Vaz Patto [Juiz e Pres. da Comissão Nacional Justiça e Paz] | António Ventura [Historiador e Grão-Mestre Adjunto do Grande Oriente Lusitano;

MODERADORES: Paulo Mendes Pinto [Universidade Lusófona] | Joaquim Franco [Investigador na Área das Ciências das Religiões];

 
► Trata-se da VIII Conferência, e última, do Ciclo “Diálogos ComSentidos”, que todos os meses, na cidade da Figueira da Foz, um grupo informal e inter-religioso - com apoio da Câmara Municipal local, a Área de Ciências das Religiões da Universidade Lusófona e o INTEP – promove. As excelentes sessões temáticas já realizadas, com a participação de diferentes sensibilidades filosóficas e/ou religiosas, tiveram como temas: “Humano e Divino”, “A Igualdade de Género”, “A Morte”, “O Mistério e a Fé”, “A Meditação”, “Os Jovens e a Comunicação”, “A Sustentabilidade”.

Esta última sessão, do actual Ciclo, terá como tema - “O Estado Laico?” e realizar-se-á no Auditório do Museu Municipal Santos Rocha, pelas 21 horas. 

A não perder.

J.M.M.

sábado, 25 de maio de 2019

IN MEMORIAM: JORGE PAIS DE SOUSA (1960 -2019)


Nascido em 1960, Jorge Manuel Garrido Pais de Sousa fez o seu percurso no ensino superior em Coimbra. Primeiro fez a licenciatura em Filosofia (1980-1984), mais tarde o mestrado em História Contemporânea e, mais recentemente, o doutoramento também na mesma área. 

Fez o curso de especialização em Ciências Documentais entre 1987 e 1989, também em Coimbra.

Dedicou-se sobretudo ao estudo da história institucional e política e a história cultural e intelectual contemporâneas, com especial interesse no comportamento político de professores universitários tão díspares entre si como Bissaya Barreto, Afonso Costa e Oliveira Salazar.

Foi investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20) da Universidade de Coimbra. Foi bolseiro de Pós-Doutoramento da FCT, entre 2012 e 2017, com um projecto de investigação que lhe permitiu preparar uma biografia de Afonso Costa. 

Elegia a 1.ª República (1910-1926) como o seu principal domínio de investigação. Desenvolveu por isso também trabalhos sobre a participação de Portugal na I Guerra Mundial e, mais tarde, na Guerra Civil de Espanha

Foi o editor científico e co-autor do livro “Portugal in the First World War 1914-1918: An Interdisciplinary Perspective” que teve publicação prevista para 2018, pela Cambridge Scholars Publishing. 

Dedicou-se também ao estudo da Poesia Experimental, facto que o levou, na última década, a comissariar exposições, a escrever folhas de sala, a publicar artigos para revistas de arte contemporânea e textos para catálogos sobre a terceira vanguarda portuguesa do século XX. 

Foi autor de livros, capítulos de livros e dezenas de artigos, publicados em Portugal e no estrangeiro.

 

Jorge Pais de Sousa publicou vários trabalhos, conforme se pode consultar no seu Currículo Científico no Portal DeGois, onde se destacam os seguintes:

Sousa, Jorge P.; Guimarães, Maria R. C. eds. 1994. Augusto Abelaira: Catálogo Bibliográfico e Documental ed. 1, ISBN: 972-96021-1-5. Cantanhede: Câmara Municipal.

Sousa, Jorge M. G. P.. 1999. Bissaya Barreto: Ordem e Progresso. ed. 1, 1 vol., ISBN: 972-8318-75-8. Coimbra: Minerva Coimbra.

Sousa, Jorge P.. 2006. O Estado Novo perante o 28 de Maio e o Fascismo.  In O 28 de Maio Oitenta Anos Depois: Contributos para uma Reflexão, ed. CEIS20, 84 - 109. ISBN: 978-972-8627-03-4. Coimbra: CEIS20.

Sousa, Jorge M. G. P.. 2007. Uma Biblioteca Fascista em Portugal: Publicações do Período Fascista Existentes no Instituto de Estudos Italianos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra: Catálogo. ed. 1, 1 vol., ISBN: 978-989-8074-10-2. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.

Sousa, Jorge P.. 2010. Fascismo de Cátedra, Violência e Intolerância: “Os Viriatos” na Guerra Civil Espanhola e a Perseguição Política a Aurélio Quintanilha. .  In Tempos de Fascismos: Ideologia – Intolerância – Imaginário, ed. EDUSP, 197 - 233. ISBN: 978-85-314-1209-7. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo.

Sousa, Jorge P.. 2010. "Jaime Cortesão: O escritor combatente na I Guerra Mundial e a defesa intransigente de uma república democrática e inclusiva", Biblos: Revista da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 8: 175 - 206.

Sousa, Jorge M. G. P.. 2011. O Fascismo Catedrático de Salazar: Das Origens na I Guerra Mundial à Intervenção Militar na Guerra Civil de Espanha (1914-1939). ed. 1, 1 vol., ISBN: 978-989-26-0020-8. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra.

Sousa, Jorge P.. 2011. O Estado Novo de Salazar como um Fascismo Catedrático: Fundamentação Histórica de uma Categoria Política. .  In Autoritarismos, Totalitarismos e Respostas Democráticas, ed. CEGFUA; CEIS20, 393 - 471. ISBN: 978-972-8627-24-9. Ponta Delgada e Coimbra: CEGFUA; CEIS20.

Sousa, Jorge P.. 2013. "O Estado Novo de Salazar como um Fascismo Catedrático: Fundamentação Histórica de uma Categoria Política", Intellèctus: Revista Eletrônica, 2: 1 - 30.

Sousa, Jorge P.. 2013. "Existiu uma fração socialista no Partido Republicano? Os casos paradigmáticos de Magalhães Lima e Afonso Costa. A difusão do socialismo no Brasil, em História Revista: Revista da Faculdade de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás. ", História Revista: Revista da Faculdade de História e do Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Goiás 18, 2: 1 - 45.

Sousa, Jorge P.. 2013 e 2014. [diversas entradas] Dicionário de História da República e do Republicanismo: Volume I :A-E e III: N-Z. ed. 1, 3 vols., ISBN: 978-972-556-559-9. Lisboa: Assembleia da República.

Sousa, Jorge P.. 2016. A Propaganda nas Ditaduras de Sidónio Pais e de Salazar. Afonso Costa como Inimigo Político, Contrapropaganda e Perseguição Política.  In A Cultura do Poder: A Propaganda nos Estado Autoritários, ed. Imprensa da Universidade de Coimbra, 69 - 113. ISBN: 978-989-26-1063-4. Coimbra: Imprensa da Universidade.

Sousa, Jorge P.. 2017. António Ferro: Sidonismo golpista e propaganda fascista, até à direção do Secretariado de Propaganda Nacional no Estado Novo (1918-1933).  In Tempos de Guerra e de Paz: Estado, Sociedade e Cultura Política nos Séculos XX e XXI, 271 - 311. ISBN: 978-85-7732-330-2. São Paulo: Humanitas.

Sousa, Jorge P.. ed. 2018. A Contemporaneidade Disruptiva do Desenho-Escrito de Ana Hatherly, in Ana Hatherly - O Prodígio da Experiência ed. 1, ISBN: 978-989-8680-13-6. Almada: Casa da Cerca.

Foi técnico superior na Câmara Municipal de Cantanhede entre 1989 e 1998. Foi bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Leccionou no Instituto Superior Bissaya Barreto, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Universidade de Santiago de Compostela, no Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra.

Era membro de várias organizações e instituições de carácter científico como:
 
A Previdência Portuguesa - Associação Mutualista - Coimbra;
Associação Internacional de Estudos Intelectuais e Poder;
Rede de Estudo dos Fascismos, Autoritarismos, Totalitarismos e Transições para Democracia.

Faleceu em Coimbra, a 24 de Maio de 2019.

O funeral realiza-se sábado, 25 de Maio,  às 15h da igreja de nossa senhora de Lourdes para o cemitério de Cantanhede.

A.A.B.M. |J.M.M.

 

segunda-feira, 20 de maio de 2019

A HOSTILIDADE AOS PROFESSORES – POR JOSÉ PACHECO PEREIRA


A Hostilidade aos Professores" – por José Pacheco Pereira, in Público, 18 de Maio de 2019

[Os professores têm muitas culpas, mas isso não esconde que têm hoje uma das mais difíceis profissões que existem. E que, sem ela, caminhamos para o mundo de Camilo]  
A hostilidade aos professores é evidente em muitos sectores da sociedade portuguesa. Manifestou-se mais uma vez no último conflito gerado pelas votações dos partidos na Assembleia atribuindo aos professores a contagem integral do tempo de serviço. Antes, durante e depois deste processo, a vaga de hostilidade aos professores atingiu níveis elevados, com a comunicação social a escavar fundo a ferida, com sondagens orientadas e uma miríade de artigos de opinião e editoriais.

Valia a pena parar para pensar, porque este movimento de hostilidade é mais anómalo do que se pensa, e acompanha outros, como o ataque aos velhos como sendo um “fardo” dos novos. Mostram que estamos a entrar numa cosmovisão social que implica um retrocesso enorme naquilo a que chamamos precariamente “civilização”. É preciso recuar muito para encontrar ataques aos professores, o último dos quais teve expressão quando a escola laica, em países como a França, foi um alvo importante da Igreja, que tinha o monopólio do ensino.
Mas eu seria muito cuidadoso sobre as razões dessa actual hostilidade, porque ela incorpora aspectos muito negativos da evolução da nossa sociedade. É um caminho que muita gente está a trilhar, sem perceber que ele vai dar a um profundo retrocesso. E isso acontece muitas vezes na história: anda-se para trás quase sem se dar por ela, contando com a inacção, a apatia, ou a acédia de quem deveria reagir. Como a democracia é uma fina película contra a barbárie e é apenas defendida pela vontade dos homens e não por nenhuma lei da natureza, mais vale prevenir com todos os megafones possíveis.

Há vários aspectos na actual hostilidade. Há uma agravante no caso português que tem a ver com a vitória muito significativa da ideologia da troika, que está longe de ter desaparecido e, nalguns casos, migrou para sectores que lhe deveriam ser alheios e não são: os socialistas, por exemplo. Disfarçada de “economia”, essa ideologia assenta numa visão pseudocientífica, muito rudimentar e simplista, cheia de variantes neomalthusianas, que se apresentou como não tendo alternativa, a nefasta TINA. Isto encheu-nos as cabeças e não saiu delas.
Essa ideologia centra-se na crítica do Estado, em particular do Estado social, e transforma os funcionários públicos em cúmplices de uma rede de privilégio, sendo descritos apenas como “despesa” excessiva. Vale a pena ensinar-lhes um pouco de história europeia e lembrar-lhes o papel do Estado desde Bismarck como instrumento para impedir sociedades bipolares de “proletários” e ricos, com a consequente conflitualidade social extrema. Acresce que esse processo criou à volta do Estado uma classe média, os tais desdenhados funcionários públicos, que não só funcionou como tampão como arrastou muita gente que vinha da pobreza e acedeu à mediania. A economia privada e o dinamismo das empresas, quando existiu ou existe, teve e tem igualmente esse papel, mas não chegou para criar este elevador social.


Portanto, gritem contra a função pública e os malefícios do Estado - que também existem como é obvio -, mas percebam que o pacote de não ter professores, enfermeiros, médicos, jardineiros, funcionário das repartições, leva atrás de si o ensino e a saúde pública, que são componentes essenciais do elevador social, o único meio de retirar as pessoas da pobreza, quer no privado, quer no público. Pais lavradores, que conheceram a verdadeira pobreza, filha professora primária ou funcionária pública, neto estudante universitário – sendo que o papel da educação é um elemento fundamental para esta ascensão.
Depois, há outros ingredientes. Os professores protestam, fazem greves, boicotam exames, fecham escolas, e hoje há uma forte penalização para as lutas sociais. Quem defende os seus interesses é penalizado e de imediato tem contra si muita comunicação social, o bas-fond das redes sociais e a maioria da opinião pública. São os enfermeiros, os camionistas, os professores, os trabalhadores dos transportes – manifestam-se, são logo classificados de privilegiados e egoístas. Os mansos que recebem migalhas no fundo do seu ressentimento invejam quem se mexe. Sem mediações, a sociedade esconde os que não precisam, e pune os que lutam. As greves hoje são solitárias.

O papel mais negativo é o da comunicação social, que se coloca sempre na primeira linha do combate ao protesto social. Despreza por regra os sindicatos, que considera anacrónicos, aceita condições de trabalho de sweatshop e ajuda a apagar e a tornar incómoda a memória de que o pouco que muitos têm no mundo do trabalho foi conseguido com muito sangue, e não ficando em casa a jogar gomas no telemóvel ou a coscuvilhar no Facebook.
Por fim, e o mais importante, há uma desvalorização do papel do professor, de ensinar, de transmitir um saber. Vem num pacote sinistro que inclui o falso igualitarismo nas redes sociais, o ataque à hierarquia do saber, o desprezo pelo conhecimento profissional resultado de muito trabalho a favor de frases avulsas, com erros e asneiras, sem sequer se conhecer aquilo de que se fala. É o que leva Trump a dizer que se combatia o incêndio de Notre-Dame com aviões-tanques atirando toneladas de água, cujo resultado seria derrubar o que veio a escapar, paredes, vitrais, obras de arte. É destas “bocas” que pululam nas redes sociais que nasce também a hostilidade aos professores. É o ascenso da nova ignorância arrogante, um sinal muito preocupante para o nosso futuro.

Os professores têm muitas culpas, deveriam aceitar uma mais rigorosa avaliação profissional, deveriam evitar ser tão parecidos como estes novos ignorantes, deveriam ler e estudar mais, deveriam ser severos com as modas do deslumbramento tecnológico, mas isso não esconde que têm hoje uma das mais difíceis profissões que existe. E que, sem ela, caminhamos para o mundo de Camilo. Não de Eça, mas de Camilo, do Portugal de Camilo. Verdade seja que isto já não significa nada para a maioria das pessoas. Batam nos professores e depois queixem-se …"

A Hostilidade aos Professores – por José Pacheco Pereira, Público, 18 de Maio de 2019, p.8  – com sublinhados nossos.

J.M.M.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

[“LIBERALISMOS”] REVISTA DE HISTÓRIA DAS IDEIAS, Nº 37



Coord: Professores Doutores Luís Reis Torgal e Ana Cristina Araújo

LANÇAMENTO DO VOLUME 37:

DIA: 29 de Maio de 2019 (15,00 horas);
LOCAL: Faculdade de Letras da Un. de Coimbra (Anfiteatro III, 4º piso);
ORADOR: Professor Doutor Jorge Alves;


► "Este volume da Revista de História das Ideias integra contribuições sobre aspetos fundamentais da cultura política em Espanha e Portugal no século XIX, que permitem rever e ampliar a compreensão histórica do Liberalismo nos dois países ibéricos. Inscrito em reflexões de autores oitocentistas e objeto de revisão da historiografia crítica atual, o liberalismo, permeável a diversas incorporações doutrinais e expressões partidárias e políticas, foi sendo lido e interpretado de maneira diferente. Com argumentos e razões nem sempre idênticos, os historiadores associaram, todavia, o despertar da liberdade política e de pensamento à ideia de Revolução.

Em Portugal, os revolucionários que proclamaram a Revolução de 1820 afirmaram-se liberais e seguidores da herança constitucional de Cádis (1812), mas também da tradição legislativa «liberal» portuguesa. Uma tal afirmação não invalida o reconhecimento de que, para eles, liberalismo económico e liberalismo político não eram duas faces da mesma moeda. Na visão do presente e do passado, as duas correntes de ideias nem sempre se irmanaram no horizonte de expectativa das elites dirigentes. Por outro lado, o alinhamento ibérico atlantista do liberalismo vintista e o descompasso do processo político, posterior a 1823, entre Portugal e Espanha, convergiram em termos de resultados. Do ponto de vista político e institucional os avanços do liberalismo na Península Ibérica foram travados ao longo das primeiras três décadas do século XIX por uma forte reação conservadora. Nos dois países, as clivagens no campo liberal e a forte oposição absolutista e ultramontana deixaram marcas profundas no espaço público. Depois do final da década de trinta do século XIX, as mais importantes instituições e reformas lançadas por governos liberais parece terem sobrevivido à guerra civil e a lutas intestinas entre fações e correntes políticas.

Neste volume da Revista de História das Ideias, o enfoque dado aos liberalismos abarca, para além dos aspetos institucionais, o pensamento político, os usos da linguagem e da ideologia e o estudo comparado dos sistemas políticos. Contempla o campo das ideias e a história do pensamento político e do constitucionalismo. Integra as fações e os partidos a favor e contra os sistemas de governo, de base parlamentar e de cunho monárquico-constitucional, na própria trajetória histórica de liberalismo. Em suma, privilegia o campo das ideias, a análise comparada, os estudos sobre sistemas e práticas eleitorais, formas de sociabilidade e esfera pública, movimentos de opinião, estratégias discursivas e estilos parlamentares.

Sem diminuir o esforço dos ideólogos para forjar uma genealogia histórica do liberalismo, cumpre assinalar a emergência do termo liberal no vocabulário político dos atores sociais das primeiras revoluções ibero-americanas. Numa época de intensa internacionalização de ideias e de aspirações políticas comuns, espanhóis, latino-americanos e portugueses utilizaram, com diversos matizes, o termo «liberal» como bandeira política nos dois lados do Atlântico. No campo lexicográfico, o novo conceito e todas as expressões da linguagem usadas para exprimir anseios e conquistas doutrinais semelhantes ou derivações práticas da mesma matriz teórica e política vulgarizaram-se na Europa meridional e nos espaços francófono e anglófono do Atlântico norte. A esta escala pode talvez encarar-se o liberalismo como um «macroconceito» (Javier  Fernández   Sebastián) difuso e polémico, utilizado por seguidores e adversários, disputado  e reconstruído continuamente por sucessivas gerações.

Com o passar do  tempo  não  se  esbateu,  contudo,  a  ideia  de  associar  o   liberalismo ao constitucionalismo moderno e à implantação de regimes políticos  representativos. Esta evidência norteou também a organização deste volume da Revista de História das Ideias, concebido, especialmente, para assinalar a comemoração do bicentenário da primeira Revolução Liberal Portuguesa de 1820” [AQUI]

REVISTA DE HISTÓRIA DAS IDEIAS Nº37 AQUI DIGITALIZADA

A não perder.

J.M.M.

sábado, 11 de maio de 2019

CONFERÊNCIA – AQUILINO RIBEIRO, CARBONÁRIA E MAÇONARIA



CONFERÊNCIA: Aquilino Ribeiro, Carbonária e Maçonaria

ORADOR: Prof. António Ventura [Centro de História da FLUL];

DIA: 16 de Maio 2019 (10,15 horas);
LOCAL: Biblioteca Nacional de Portugal (Campo Grande 83, Lisboa);

A Biblioteca Nacional de Portugal acolhe no próximo dia 16 de Maio de 2019 um Colóquio consagrado à figura e à obra de Aquilino Ribeiro. A partir da oportunidade oferecida pelo centenário da primeira edição do romance Terras do Demo (1919), esta iniciativa está centrada na análise dos anos que decorreram entre o regresso de Aquilino a Lisboa, vindo do seu primeiro exílio em Paris, e o início do segundo exílio do escritor, ditado pela sua participação na frustrada tentativa de derrube da ditadura militar, em Fevereiro de 1927.
 
Os participantes no Colóquio estão convidados a explorar a Lisboa de Aquilino, articulada entre os seus diversos lugares de residência na cidade, o Liceu Camões, onde ensinou, e a Biblioteca Nacional, na qual ingressou pela mão de Raúl Proença e Jaime Cortesão. Estarão também presentes a França e a Alemanha que observou nestes anos e veio a transpor para títulos tão importantes como É a Guerra e Alemanha Ensanguentada.
 
Numa época marcada pela I Guerra Mundial e pela implantação da República em Portugal, este é um dos mais sugestivos períodos da vida do grande escritor que foi Aquilino Ribeiro, marcado pela escrita de viagens, pela criação de personagens intemporais como as que dão vida a O Malhadinhas e ao Romance da Raposa ou, ainda, pelos textos que compôs para o Guia de Portugal de Raúl Proença.
 
A par deste Colóquio, será inaugurada uma exposição biobibliográfica ilustrativa da temática debatida no evento. A exposição estará patente na Sala de Referência da Biblioteca Nacional entre 16 de Maio e 30 de Agosto, com entrada livre. O Colóquio «Aquilino, Anos 20: entre o exílio e as geografias de Lisboa» é organizado conjuntamente pelo Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa (CEG-ULisboa) e pelo Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (CLEPUL), em parceria com a Biblioteca Nacional de Portugal.

 
Esta iniciativa é realizada no âmbito das actividades do grupo de investigação ZOE – Dinâmicas e Políticas Urbanas e Regionais do CEG e do grupo de Investigação Literatura e Cultura Portuguesas do CLEPUL. A Exposição beneficia da colaboração complementar do Arquivo e da Biblioteca da Escola Secundária de Camões” [AQUI] - sublinhados nossos]
 
A não perder.
 
J.M.M.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

VIVA O 1º DE MAIO


VIVA O 1º DE MAIO!

SAUDAÇÕES REPUBLICANAS
SAÚDE E FRATERNIDADE!


J.M.M.
A.A.B.M.