sexta-feira, 29 de novembro de 2019

[JANTAR LITERÁRIO] – A FIGUEIRA DE JORGE DE SENA


JANTAR LITERÁRIO - A FIGUEIRA DE JORGE DE SENA – 100 ANOS

 
DIA: 30 de Novembro de 2019 (20,00 horas);

LOCAL: Salão Cafée (Casino da Figueira da Foz);

PRESENÇA: António Valdemar | Luís Machado | Orquesta de Jazz da Escola do CAE da Figueira da Foz

ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal da Figueira da Foz | Casino da Figueira 

A CMFF em parceria com o Casino da Figueira tem patrocinado um conjunto de eventos na evocação do Centenário do nascimento do escritor e cidadão Jorge de SenaA Figueira de Jorge de Sena 100 Anos.

Recriando a curiosa obra de Sena, “Sinais de Fogo”, decorreu o “Percurso Jorge de Sena”, entre a estação e o casino, essa Figueira dos anos 30, lugar onde Jorge de Sena veraneava. Jorge Fazenda Lourenço e o escritor, professor figueirense e ex-vereador da Cultura António Tavares conversaram sobre o escritor e a sua obra.

Amanhã – dia 30 de Novembro – há lugar a um JANTAR LITERÁRIO, onde a arte gastronómica se alia ao culto das letras, tomando assento na mastigação, libação & palavras ditas, além dos inúmeros admiradores do precioso escritor, o emérito jornalista António Valdemar e Luís Machado, que serão acompanhados nesta colegiada pela Orquestra de Jazz da Escola de Artes do Centro de Artes e Espetáculos

Lá estaremos, em espirito makavenkal e  … para o resto.

A não perder!

J.M.M.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

ATÉ SEMPRE, COMPANHEIRO!



José Mário Branco, “português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro”, espalhou luminosamente a palavra, a melodia e o canto. Traçou a poesia, celebrou o sonho, inquietou-nos a alma. Com ternura e alegria.

Zé Mário tinha essa elevada arte de “estar aqui connosco”. Cantou a “margem do outro lado”, essa travessia ou “vaga de fundo” estremecida, atribulada, mas sempre digna. Essa bem-aventurança. Confiou-nos “a luz que vem do fim do mundo”, essa viagem daqueles que ainda não nasceram. Esteve connosco e nós com ele. “Para cantar e para o resto” – disse. E sim …. valeu a pena a travessia.

Até sempre, Companheiro!

FOTO de Alfredo Cunha, com a devida vénia

J.M.M.

sábado, 9 de novembro de 2019

[FIGUEIRA DA FOZ – EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS] ESCRITORES. MEMÓRIAS E OLHARES



EXPOSIÇÃO “Escritores. Memórias e Olhares” – Fernando Bento

DIAS: 8 de Novembro de 2019 a 2 de Fevereiro de 2020;
LOCAL: Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz ;
ORGANIZAÇÃO: CMFF | CAE | Apoio da APE ! Antena 1



► “ … Estes rostos de escritores, propostos por Fernando Bento, suscitam um encadear de ideias e até um eternizar de memórias. Por detrás de uma fisionomia humana há sempre uma história e uma memória. Se pensarmos assim, percebemos que o fotógrafo de que falamos não se limita a fixar e a reproduzir imagens. Ele capta, para além da máscara, a expressão dos gestos, revelando sentimentos e identificando emoções. No visor da sua máquina escolhe o melhor ângulo, enquadra, surpreende a autenticidade e só depois dispara. Resultado final: verdadeiras fotografias com alma, cunho pessoal e aquele rebeldismo a que já nos habituámos a admirar.

Escolher 25 fotografias, entre largas centenas de imagens, não foi fácil […] Nesta viagem onde o passado e o presente transportam memórias para o futuro, estes Escritores - grandes referências da portugalidade - constituem uma importante afirmação da nossa identidade cultural […]

[Luís MachadoO Curador & secretário-geral da APE - in Fotografar com Alma (do Catálogo da Exposição) ]
 
 

“A exposição de Fernando Bento no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz integra uma serie de retratos de escritores portugueses contemporâneos da segunda metade do século vinte. A força e a irradiação das imagens, que resultam da sagacidade do olhar, do poder de análise e de síntese, transpõem o circunstancial imediato e mobilizam a nossa atenção.
 
 
Apesar de algumas ausências, não faltam personalidades de referência. A exposição fica, portanto, circunscrita ao trabalho realizado para a Associação Portuguesa de Escritores, desde 1995 e ao percurso de Fernando Bento, iniciado nos anos 80, concretamente, após janeiro de 1988 quando adquire a carteira profissional de jornalista. É a partir de então - e estando na posse de uma formação em técnicas fotográficas da imagem e no conhecimento estético da obra de pintores, escultores, ceramistas e cartunistas de gerações tão diversas - que se afirma com visibilidade crescente o fotógrafo e o editor fotográfico, Em 30 anos de ofício exercido em tempo inteiro predomina, contudo, o repórter.

[…] A presença do repórter ganhou projeção em realizações promovidas pela Associação Portuguesa de Escritores. Alguns exemplos: o ciclo Herculano 200 anos depois; as comemorações dos 150 anos do nascimento de Raúl Brandão; a evocação de Aquilino Ribeiro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, E neste contexto o levantamento fotográfico dos cafés lendários e de outros locais relacionados com a vida e a obra de Aquilino nos dois exílios políticos, em Paris - um, no final da Monarquia; outro, na luta contra a ditadura militar que levou Salazar ao poder,

Destacam-se, entretanto, as sucessivas reportagens de Fernando Bento das tertúlias organizadas por Luís Machado no Café Martinho da Arcada, com a participação das maiores figuras literárias, artísticas e políticas. Tudo isto poderia ter ficado perdido na efeméridade das palavras e no acaso dos gestos e das atitudes. Mas restam dessas sessões memoráveis, a gravação das intervenções e o registo das imagens que permitem reconstituir testemunhos inéditos e revelações inesperadas para a clarificação de equívocos e para a reposição da história.

Felizmente, perduram nesta exposição de Fernando Bento e também nos livros de Luís Machado "Conversas à Quinta-Feira" e "Rostos da Portugalidade". Assim como os diálogos inseridos noutro livro de referência: "Amália, Confissões em Noite de Primavera".

Fernando Bento também fica ligado aos tratamentos de imagem do universo de Fernando Pessoa para exposição permanente no Martinho da Arcada. Outro trabalho que demonstrou os seus recursos técnicos assinala-se em "Ministros do Reino à Administração Interna" que inclui governantes desde 1834 até à atualidade, para a exposição, na sede do Ministério da Administração Interna e, depois, repetida nos Governos Civis de todo o país.
 
 
Tem como curador Luís Machado, esta exposição constituída por mais de vinte "memórias e olhares" a preto e branco, selecionadas de reportagens das atribuições de prémios literários, de festivais de poesia e outras homenagens que decorreram em Lisboa, em Tróia e na Figueira da Foz. Uma das singularidades da exposição reside essencialmente no facto de Fernando Bento, sem procurar efeitos sofisticados, ter captado em flagrante - com o faro visceral do repórter - personalidades tão diversificadas, na sua autenticidade humana e na evidência da sua relação quotidiana.

Os olhos e a intuição do repórter Fernando Bento - já consagrado a nível nacional e internacional - fixaram os rostos, as mãos, o perfil de figuras conhecidas de todos nós e que, na poesia, na ficção, no ensaio, aprofundaram e de modos tão diferentes, a paixão e os sonhos, as ambições e os terrores que denunciam o tempo em que viveram. Fernando Bento teve a capacidade de surpreender em cada rosto, o que existe para além das aparências.

António Valdemar - in Memórias e Olhares (do Catálogo da Exposição)

 J.M.M.