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quinta-feira, 25 de abril de 2019

QUE VIVA ABRIL! – 25 DE ABRIL SEMPRE!


CAMARADA

“A asa não quebra
vibra
às vezes
como lâmina solitária
Separa-se do corpo
e parte
pelo espaço
que a aceita como é
foi assim camarada
assim será.”
[Mário-Henrique Leiria
 
 
 
 

quarta-feira, 25 de abril de 2018

QUE VIVA ABRIL! – 25 DE ABRIL SEMPRE!




" ... Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
 
Tantos morreram sem ver
o dia do despertar!
Tantos sem poder saber
com que letras escrever,
com que palavras gritar!
 
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.
 
Essa paz de cemitério
toda prisão ou censura,
e o poder feito galdério.
sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura.
 
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha …”
 
[Jorge de Sena]
 
J.M.M.  | A.A.B.M.

terça-feira, 25 de abril de 2017

25 DE ABRIL – MEMÓRIA, LIBERDADE E LUTA



“Je suis né pour te connaitre
pour te nommer

 Liberté” [Paul Eluard]

Sobre esta página escrevo
teu nome que no peito trago escrito
laranja verde limão
amargo e doce o teu nome.

Sobre esta página escrevo
o teu nome de muitos nomes feito
água e fogo lenha vento
primavera pátria exílio.

Teu nome onde exilado habito e canto
mais do que nome: navio
onde já fui marinheiro
naufragado no teu nome.

Sobre esta página escrevo
o teu nome: tempestade.
E mais do que nome: sangue.
Amor e morte. Navio.

Esta chama ateada no meu peito
por quem morro por quem vivo
este nome rosa e cardo
por quem livre sou cativo.

Sobre esta página escrevo
o teu nome: liberdade.

[Manuel Alegre, “Liberdade”]
 

Saúde, União & Fraternidade

sábado, 22 de abril de 2017

A REVOLUÇÃO NO ALGARVE E O ALGARVE NA REVOLUÇÃO: O CASO DE LOULÉ - CONFERÊNCIA


CONFERÊNCIAA Revolução no Algarve e o Algarve na Revolução: o caso de Loulé;

DIA: 22 de Abril de 2017 (15,00 horas);
LOCAL: Arquivo Municipal de Loulé;

ORADOR: Doutora Maria João Raminhos Duarte;

Pequena nota biográfica da oradora:
Maria João Raminhos Duarte é doutorada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É docente na Escola E.B. 2,3 Eng. Nuno Mergulhão e professora auxiliar no Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, em Portimão. 
É investigadora associada do Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais, Doutorada integrada do Instituto de História Contemporânea/Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e formadora acreditada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua da Universidade do Minho. 

É autora de uma vasta produção científica sobre os industriais conserveiros, o movimento operário corticeiro e conserveiro, a instituição do Estado Novo, a oposição ao Estado Novo, os movimentos femininos, a educação e assistência, a implantação do regime democrático, além de inúmeros e relevantes contributos biográficos de História Contemporânea algarvia.

ORGANIZAÇÃOArquivo Municipal de Loulé.


Pode ler-se na nota de divulgação do evento:
Para esta conferência tomou-se como objecto de estudo e de análise a Revolução de 25 de Abril no Algarve e as movimentações militares nesta província, sendo identificados os protagonistas, as resistências e as reacções dos militares, bem como os seus efeitos na sociedade algarvia nos dias agitados que se seguiram ao golpe militar e ao processo imediato que conduziu à instituição do regime democrático a sul.

Procurou-se responder a algumas questões básicas: Como se integrou o Algarve nos preparativos revolucionários? Qual a importância do seu contributo? Que personalidades tomaram parte directa ou indirectamente parte na revolta militar? Quem emergiu e quem tomou posição, manifestando-se (ou não) pró ou contra a revolução? Qual a atitude das forças da manutenção da ordem pública no Algarve perante o desenvolvimento da revolução? Quais as motivações que levaram muitos a intervir na vida política? E quais as expectativas que se colocavam na revolução para resolver os problemas do Algarve na época?

Também se identificou o contributo dos algarvios na preparação e concretização do golpe militar, pois não foi despiciendo e, em alguns casos, até foi decisivo. 

E, em Loulé, como foram vividos estes momentos? 
A História da implantação do regime democrático ainda está por fazer, pois o país distante da capital ainda não foi abrangido pela historiografia contemporânea. 

Aprofundar o conhecimento sobre o 25 de Abril vai para além da História. É, de certa forma, promover um desígnio nacional que faz cumprir a Democracia. 

É essa a intenção maior desta conferência.

A não perder e com os votos do maior sucesso para a iniciativa.

A.A.B.M.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

CONFERÊNCIA – A REVOLUÇÃO NO ALGARVE E O ALGARVE NA REVOLUÇÃO: O CASO DE LOULÉ



ORADORA: Maria João Raminhos Duarte;

DIA: 22 de Abril de 2017 (15,00 horas);
LOCAL: Arquivo Municipal de Loulé (Rua Dr. Cândido Guerreiro, Loulé);

Para esta conferência tomou-se como objecto de estudo e de análise a Revolução de 25 de Abril no Algarve e as movimentações militares nesta província, sendo identificados os protagonistas, as resistências e as reacções dos militares, bem como os seus efeitos na sociedade algarvia nos dias agitados que se seguiram ao golpe militar e ao processo imediato que conduziu à instituição do regime democrático a sul.

Procurou-se responder a algumas questões básicas: Como se integrou o Algarve nos preparativos revolucionários? Qual a importância do seu contributo? Que personalidades tomaram parte directa ou indirectamente parte na revolta militar? Quem emergiu e quem tomou posição, manifestando-se (ou não) pró ou contra a revolução? Qual a atitude das forças da manutenção da ordem pública no Algarve perante o desenvolvimento da revolução? Quais as motivações que levaram muitos a intervir na vida política? E quais as expectativas que se colocavam na revolução para resolver os problemas do Algarve na época?

Também se identificou o contributo dos algarvios na preparação e concretização do golpe militar, pois não foi despiciendo e, em alguns casos, até foi decisivo. E, em Loulé, como foram vividos estes momentos? 

A História da implantação do regime democrático ainda está por fazer, pois o país distante da capital ainda não foi abrangido pela historiografia contemporânea. 

Aprofundar o conhecimento sobre o 25 de Abril vai para além da História. É, de certa forma, promover um desígnio nacional que faz cumprir a Democracia.
É essa a intenção maior desta conferência
 [AQUI]


NOTA: “Maria João Raminhos Duarte é doutorada em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É docente na Escola E.B. 2,3 Eng. Nuno Mergulhão e professora auxiliar no Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes, em Portimão. É investigadora associada do Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais, Doutorada integrada do Instituto de História Contemporânea/Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e formadora acreditada pelo Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua da Universidade do Minho. É autora de uma vasta produção científica sobre os industriais conserveiros, o movimento operário corticeiro e conserveiro, a instituição do Estado Novo, a oposição ao Estado Novo, os movimentos femininos, a educação e assistência, a implantação do regime democrático, além de inúmeros e relevantes contributos biográficos de História Contemporânea algarvia” [AQUI]
J.M.M.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

CICA 5: 0 25 DE ABRIL DE 1974 NO ALGARVE - CONFERÊNCIA

No próximo domingo, assinalando os 85 anos da criação do Núcleo da Liga dos Combatentes, realiza-se na Biblioteca Municipal da cidade de Lagos, uma conferência com a Doutora Maria João Raminhos Duarte.

O tema central da comunicação será o papel desempenhado pelo Centro de Instrução e Condução Auto, nº5, sediado em Lagos, durante as operações desenvolvidas pelas tropas revolucionárias no Algarve, durante o período revolucionário de 25 de Abril de 1974.

Sobre estes acontecimentos é possível encontrar um pequeno video sobre as manifestações na cidade de Lagos durante o 25 de Abril a ver AQUI.

CONFERÊNCIACICA 5: O 25 DE ABRIL DE 1974 NO ALGARVE;

DATA31 de Maio 2015 (15 horas);

LOCALBiblioteca Municipal de Lagos - Dr. Júlio Dantas;

ORGANIZAÇÃONúcleo da Liga dos Combatentes de Lagos;





















ORADORA: Doutora Maria João Raminhos Duarte.


Com os votos do maior sucesso para a iniciativa.

A.A.B.M.

sábado, 25 de abril de 2015

VIVA O 25 DE ABRIL!


"Sobre esta página escrevo
teu nome que no peito trago escrito
laranja verde limão
amargo e doce o teu nome.

Sobre esta página escrevo
o teu nome de muitos nomes feito
água e fogo lenha vento
primavera pátria exílio.

Teu nome onde exilado habito e canto
mais do que nome: navio
onde já fui marinheiro
naufragado no teu nome.

Sobre esta página escrevo
o teu nome: tempestade.
E mais do que nome: sangue.
Amor e morte. Navio.

Esta chama ateada no meu peito
por quem morro por quem vivo
este nome rosa e cardo
por quem livre sou cativo.

Sobre esta página escrevo o
teu nome: liberdade
"
 
[Manuel Alegre, Liberdade, Praça da Canção, 1965]
J.M.M.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

"OS ULTIMOS DIAS DA PIDE" - DOCUMENTÁRIO DE JACINTO GODINHO: ANTE-ESTREIA NA FUNDAÇÃO MANUEL VIEGAS GUERREIRO



Realiza-se no próximo sábado, dia 11 de Abril de 2015, pelas 16 horas, no Auditório da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, em Querença, concelho de Loulé, a ante-estreia do documentário realizado pelo jornalista e investigador Jacinto Godinho.

Na mesma ocasião vai também ser apresentada a obra de Luísa Tiago de Oliveira, Os Militares e o 25 de Abril que já aqui se divulgou.

O tema é, como o título sugere, polémico mas aliciante para uma visita à Fundação Manuel Viegas Guerreiro e conhecer o excelente espaço para estas iniciativas fora dos grandes centros urbanos.

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

Em Portugal, no dia 25 de Abril de 1974, os homens da camaras cinematográficas e fotográficas convergiram para dois locais que se tornaram os palcos mediáticos da revolução militar. Ao longo de 40 anos a narrativa histórica oficial concentrou-se nesses dois locais de Lisboa -Terreiro do Paço e Largo do Carmo - privilegiando a história do capitão Salgueiro Maia. Maia tornou-se no herói romântico do 25 de Abril desde manhã quando pôs em fuga os Ministros do Terreiro do Paço até tarde quando obteve a rendição do presidente do Conselho Marcelo Caetano no Largo do Carmo por volta das 18 horas. Ao longo de 40 anos a memória comemorativa dos média e a historiografia oficial não só não fugiram desta narrativa como a ainda a foram aprofundaram tornando-a icónica da revolução.

Mas uma investigação alternativa da historiadora Luísa Tiago Oliveira realizada por alturas dos 40 anos do 25 Abril mostra que houve outros acontecimentos tão os mais decisivos para a revolução e cujo conhecimento altera a história conhecida.

Assim os homens fieis ao Estado Novo quando se renderam aos revoltosos, entregaram-se ao general Spínola. Para eles o regime não caia apenas mudava de mãos.

-A verdadeira revolução não foi planeada, iniciou-se no próprio 25 de Abril, fora dos locais mediáticos. Aconteceu na Rua António Maria Cardoso, a sede da Pide/Dgs a temida policia politica do Estado Novo, apenas a 500 metros do Largo do Carmo, onde estavam os militares e se concentravam praticamente todas as objectivas de filmar e fotografar .

Na rua António Maria Cardoso, desde a madrugada do dia 24 até ao fim do dia 26, aconteceram inúmeros casos dramáticos mas para espanto actual não ficaram praticamente registadas em filmes e fotos apesar de nesse dia todos os profissionais credenciados estarem na rua a filmar e fotografar sem censura.

Houve duas tentativas de ocupação da sede da PIDE/DGS por parte das forças de fuzileiros. Aconteceram três manifestações populares que terminaram num massacre com 5 mortos e 45 feridos. Naquela rua revolução não foi dos cravos. O vermelho era mesmo do sangue que escorreu nas ruas e da muita violência exercida pela polícia. No entanto contam-se pelos dedos de uma mão as fotos que registam de forma fugaz estes incidentes.

Esta investigação colocou-se perante o seguinte dilema. Podem as mesmas imagens do arquivo audiovisual e fotográfico contar uma narrativa diferente e ajudarem a desvelar a história oculta do 25 de Abril?

Esta investigação decidiu usar e cruzar todas as fontes possíveis para recolher o máximo de informações. Isto só foi possível devido aos recentes processos de digitalização no arquivo audiovisual da RTP, tanto de televisão como de rádio. Recorreu-se também ao espólio digitalizado dos fotógrafos que se destacaram no 25 de Abril. Usámos também os jornais e revista da época digitalizados. Só assim foi possível fazer este trabalho inédito de cruzar imagens, fotos, reportagens radiofónicas, páginas de jornais, documentos recolhidos por historiadores e testemunhos dos protagonistas.

No interface do computador foi possível cruzar imagens e fotos para reconhecer protagonistas. Imagens e sons para afinar horas melhor em que ocorreram efectivamente os acontecimentos e resolver dilemas da memória pessoal.

Descobriram-se imagens inéditas dos mortos momentos antes dos massacres, identificaram-se manifestantes feridos, desconhecidos durante 40 anos. Refez-se uma história oculta que permite interpretar os acontecimentos do 25 de Abril através de novas linhas de interpretação. Percebe-se todo o processo que foi de um golpe militar e acabou numa revolução se deve à inesperada queda dos serviços secretos portugueses e especialmente a tomada dos seus preciosos arquivos.

Com os votos do maior sucesso para esta iniciativa que com todo o gosto divulgamos a todos os amigos que nos visitam.

A.A.B.M.

segunda-feira, 30 de março de 2015

25 DE ABRIL DE 1974 NO ARQUIVO RTP


Assinalando os 40 anos, quase 41 anos da Revolução dos Cravos, a RTP, através do seu arquivo de imagens colocou disponíveis online quase quatro dezenas de videos sobre o tema.

Contando com um conjunto de reportagens de duração diversificada podemos rever alguns dos temas da revolução:
- Reunião da Junta de Salvação Nacional;
- Entrevista a Sá Carneiro;
- Documentário Retratos duma Revolução;
- Comunicado sobre a Rendição do Quartel do Carmo;
- Ocupação da RTP pelos Militares;
- Conferência de Imprensa da Junta de Salvação Nacional;

Estes e muitos outros vídeos ficam disponíveis a todos os interessados e vale a pena uma visita demorada consultando AQUI.

A.A.B.M.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

25 DE ABRIL 40 ANOS DE FUTURO: COLÓQUIO INTERNACIONAL

Realiza-se amanhã, dia 15 de Outubro de 2014, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, Sala Keynes, o colóquio internacional organizado pelo Centro de Estudos Sociais e que conta com um conjunto muito interessante de investigadores portugueses e estrangeiros.

O programa do colóquio é o que a seguir se apresenta:
25 de Abril 40 Anos de Futuro

Programa
9h00 | Abertura: FEUC, CD25 Abril, CES

9h30-10h45 | Conferência inaugural (Auditório): «'A BLAZE of FREEDOM’ before reality bites back. Recalling the Red Carnation Revolution, Portugal, April 25th, 1974» por Lynne Segal > Moderação: Ana Cristina Santos


11h00-12h30
Paralela 1 (sala Keynes): O futuro da democracia, do desenvolvimento e da descolonização
Oradores: André Freire | Maria Paula Meneses | José Reis > Moderação: Marta Araújo


Paralela 2 (Auditório): O futuro da ciência e da universidade 
Oradores: Maria do Mar Pereira | Helena Sousa | José Mariano Gago | Jorge Ramos do Ó > Moderação: Tiago Santos Pereira


14h00-15h30
Paralela 3 (sala Keynes): O futuro da cultura, das artes e das cidades
Oradores: Jorge Figueira | Abílio Hernandez Cardoso | Ana Matos (Capicua) | António Olaio > Moderação: José António Bandeirinha


Paralela 4 (Auditório): O futuro do trabalho e dos direitos económicos e sociais 
Oradores: Manuel Carvalho da Silva | António Casimiro Ferreira | Tiago Gillot | Pedro Adão e Silva > Moderação:Virgínia Ferreira 

15h45-17h15Paralela 5 (sala Keynes): O futuro dos movimentos sociais e da participação 
Oradores: Mamadou Ba | Fabíola Cardoso | Giovanni Allegretti | Jorge Falcato > Moderação: Madalena Duarte


Paralela 6 (Auditório): O futuro do 25 de abril e da revolução 
Oradores: Rui Bebiano | Sandra Monteiro | José Neves | Lídia Jorge > Moderação: Diana Andringa

17h30-19h30 | Sessão Plenária (Auditório) | Moderação: José Manuel Pureza


Contando com um conjunto de ilustres conferencistas onde se destacam: André Freire, José Reis, Mariano Gago, Jorge Ramos do Ó, Abílio Hernandez, António Olaio, Carvalho da Silva, Rui Bebiano, José Neves, Lídia Jorge, Pedro Adão e Silva, Diana Andringa e José Manuel Pureza. O colóquio procura sobretudo perspectivar o futuro, partindo das quatro décadas já percorridas com as suas análises, críticas e sínteses sobre uma realidade feita de avanços e recuos, de pequenas e grandes vitórias que fazem parte da nossa evolução como um colectivo. Como se afirma na nota de divulgação do colóquio:

possibilitará tomar o passado e o presente como pano de fundo para pensar o futuro nas suas múltiplas dimensões. Através de uma perspetiva crítica, pluridisciplinar e tematicamente diversificada, pretende-se refletir sobre o 25 de Abril e os seus legados, as conquistas e os limites observáveis nestes 40 anos de construção democrática do país e os horizontes futuros que, a partir do presente, são necessários imaginar.

A acompanhar com toda a atenção e a divulgar, pois a qualidade dos presentes é muito boa.

A.A.B.M.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 DE ABRIL DE CASA EM CASA - ANTÓNO VALDEMAR


“As horas de ansiedade e expectativa que envolveram o remate do 25 de Abril podem ver-se e sentir-se no Núcleo Museológico do Posto de Comando do Quartel da Pontinha, no Regimento de Engenharia 1, referência obrigatória de uma etapa do processo que mudou Portugal em 1974. Não é sem emoção que, de vez em quando, ali me desloco para recapitular imagens e palavras dos dias 24, 25 e 26 de Abril e a entrevista que fiz a Spínola para O Primeiro de Janeiro, as primeiras declarações proferidas em público, ao ser divulgado o Programa do MFA.

Em plena turbulência militar e política, tive, há 40 anos, acesso ao Quartel da Pontinha devido às relações pessoais com militares como, por exemplo, António Ramos e Manuel Monge. Participara na conclusão e lançamento do Portugal e o Futuro. Exercia as funções de chefe de redação, em Lisboa, d’O Primeiro de Janeiro e colaborava na editorial Arcádia. Natália Correia fora, sumariamente, despedida da Arcádia, pela denúncia de (alegado) assédio a uma secretária da editora, durante a Feira de Frankfurt.

Em casa de Spínola, tive, a partir de Novembro de 1973, uma série de reuniões quando fazia a revisão das provas tipográficas de Portugal e o Futuro. O general, a certa altura, passou a manifestar desconfiança às observações e retificações que ia formulando em face de incoerências que se deparavam no texto. António Ramos confidenciou-me que uma pessoa muito próxima do general lhe dissera que eu “não era só da oposição, mas também da maçonaria”. Foi difícil transpor os efeitos desta referência.

Mas houve mais duas outras situações insólitas: a ameaça do livro ser apreendido pela PIDE, na tipografia. No escritório de Ribeiro da Silva, comerciante do Chiado, maçon ativo e oposicionista histórico (que cedeu a casa de Verão na Caparica para uma reunião do MFA), Vítor Alves revelou que uma das cópias do livro seguira para Paris, a fim de ser editado e traduzido, no caso de interdição em Portugal. Bastante alarmado, António Ramos procurou-me, noutra ocasião, em minha casa, na Rua Barata Salgueiro, às 3h da madrugada, para apurar se Rogério Moura, gerente da Gráfica Safiel, onde ia ser composto e impresso o Portugal e o Futuro “era comunista, ou tinha ligações diretas ao partido”. Já não havia nada a fazer. Na véspera, fora entregue a fotocópia integral do livro.

Decorreu, no início de Fevereiro, um encontro secreto, que viria a ser primordial. Todavia, nem Spínola, nem ninguém do seu grupo ou da editora poderiam suspeitar do plano a cumprir. Tomei parte nesse encontro organizado por Paradela de Abreu e, apenas, com Carlos Eurico da Costa, ex-jornalista, diretor da agência de publicidade CIESA. O aparecimento do livro teria de coincidir com notícias a publicar, sobretudo, no República e no Expresso. O comandante Ferreira, da TAP, lançava a ponte para jornais e livrarias de Angola e Moçambique. Num apartamento alugado na Rua António Serpa instalou-se um gabinete de trabalho, onde redigi textos para acompanhar a entrega do livro a jornalistas portugueses e estrangeiros.

Entretanto, Carlos Eurico da Costa, logo que o livro foi autorizado, pela hierarquia militar e política, dirigiu-se a casa de José Ribeiro dos Santos, que já lera provas emendadas, que lhe despertaram indomável curiosidade. Ofereceu-lhe um dos primeiros exemplares de Portugal e o Futuro com um dos meus resumos do livro. Ficou, porém, estabelecida a seguinte estratégia: Spínola ia à redação do República oferecer, em mão, a Raul Rego um livro autografado. Teria de ser às 9h, antes da balbúrdia provocada pela Censura. Entre as 10h e as 10h30, Ribeiro dos Santos aparecia e entregava a Raul Rego a notícia do livro devidamente redigida. Tal como prevíamos, Raul Rego aceitou, agradeceu e passou o texto ao diretor adjunto Vítor Direito para mandar para a tipografia.

Depois de conhecer as resoluções da Censura, Raul Rego e Vítor Direito foram, tranquilamente, almoçar no restaurante Casa da Índia, na Rua do Loreto. Álvaro Guerra, encarregado do fecho do jornal, ao ler a notícia, apercebeu-se da importância de Portugal e o Futuro; alterou o título e a paginação. Ficou a abrir o jornal, de forma explícita, que o fim da guerra colonial exigia, apenas, solução política.

Ao regressarem do almoço, Raul Rego e Vítor Direito – e com o jornal na rua – olharam, estupefactos, para a primeira página. Ralharam com Álvaro Guerra. Admitiram todas as retaliações possíveis. O regime caía aos bocados, o medo ainda perdurava, mas a Censura fora ultrapassada. A data da revolução ainda não se sabia, mas aproximava-se todos os dias. Viria a ser em 25 de Abril.

A gráfica, no Alto do Carvalhão, gerida por Rogério de Moura, funcionava de dia e de noite para satisfazer pedidos das livrarias. Em menos de um mês estavam esgotados 100 mil exemplares do Portugal e o Futuro, tantos quantos, ao fim de 50 anos, vendera A Selva de Ferreira de Castro, o livro que – depois de Os Lusíadas e do Pantagruel, de Berta Rosa Limpo – maior tiragem, até então, atingira em Portugal.

Spínola voltou à redação do República, na segunda ou terça-feira, para agradecer a Raul Rego a notícia e o destaque na primeira página. Raul Rego respondeu que continuava ao dispor do general. A Comissão Coordenadora do MFA também ficou muito sensibilizada e, para hipótese de primeiro-ministro, depois da revolução, acrescentou o nome de Raul Rego à lista que já incluía Pereira de Moura e Miller Guerra. Em audiências separadas, já depois do 25 de Abril (e sem combinarem um com o outro), Pereira de Moura e Miller Guerra puseram, como questão prioritária, acabar a guerra e promover a independência das colónias. Spínola entrou em pânico. Raul Rego não chegou a ser abordado.

Já com nomes para o Governo, mas sem estar definido, faltava a Spínola o primeiro-ministro. Foi a casa do seu amigo Fernando Olavo pedir-lhe uma solução. Sugeriu-lhe Adelino da Palma Carlos. E justificou: é “republicano e antifascista”, “um catedrático de Direito” e “um gajo com muita prática de assembleias gerais”. Palma Carlos deu conhecimento à família e alguns amigos e aceitou ser primeiro-ministro.

Em casa de Alfredo Guisado, antigo diretor do República e um dos poetas do Orpheu, noutra reunião, na qual participei, com a presença de Palma Carlos, falou-se dos meandros do lançamento do Portugal e o Futuro, das vulnerabilidades de Spínola e da recusa de Álvaro Salema em ser diretor do Diário de Notícias. Palma Carlos, já primeiro-ministro (estou a ouvi-lo) exclamou, de imediato: “Amanhã vou telefonar ao Rego, que é ministro da Comunicação, para nomear o Ribeiro dos Santos”. Palma Carlos e Raul Rego nomearam Ribeiro dos Santos – que nunca pertenceu à maçonaria, posso afirmar – diretor do Diário de Notícias. Até ao 11 de Março. O que sucedeu depois já é conhecido e estudado em várias universidades”.

[António Valdemarin jornal PÚBLICO (25/04/2014), sublinhados nossos]
 
J.M.M.