
Nasce em
Tavarede [
Figueira da Foz] a 9 de Outubro de 1880. Era filho de
Jorge Silva e
Maria da Cruz [
ver AQUI]. Iniciou-se nas artes gráficas, muito novo, como tipógrafo na "
Imprensa Lusitana", tendo ascendido a "cargos de responsabilidade".
Em 1 de Janeiro de 1904 (23 anos) toma como trespasse a
Tipografia Popular [
na Rua do Estendal] e é director do importante jornal republicano figueirense "
A Voz da Justiça" [
o periódico Voz da Justiça foi criado por Gustaf Adolf Bergstrom – seu proprietário, em 11 de Maio de 1902 -, e inicia a sua publicação como folha semanal sob edição de Gentil da Silva Ribeiro. Tinha a sua primitiva redacção, administração e tipografia no Passeio Infante D. Henrique. A partir de 17 de Maio de 1903 a tipografia passa a ser propriedade da Associação de Instrução e o jornal passa a ser administrado por uma comissão de indivíduos, ligados à Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz - loja maçónica instalada a 22 de Setembro de 1900, do RF e sob os auspícios do G.O.L.U. - e com o intuito de "propagar as nossas doutrinas" – cf. A Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz, Divisão de Museu, Biblioteca e Arquivos, CMFF, 2001]
Manuel Jorge da Cruz foi iniciado na maçonaria na
Loja Fernandes Tomás a 3 de Novembro de 1904, com o nome simbólico de "
Gutenberg", tendo aí exercido vários cargos, entre os quais secretário da Loja (entre 1907-1910 e 1915-1918), atingindo o Grau 20.º em 1925.
Deste modo, não espanta que em 1907, tenha assumido interinamente (pela nova Lei de Imprensa) a propriedade e direcção da
Voz da Justiça.
Manuel Jorge da Cruz manteve-se na direcção do periódico durante largos anos, sendo este um jornal muito activo e respeitado na luta contra a ditadura (esteve por diversas vezes suspenso) e, por isso mesmo, o periódico foi suspenso a 10 de Julho de 1937 pela Ditadura. Por seu lado, o ministro do Interior
Pais de Sousa encerra a
Tipografia Popular a 6 de Julho de 1938 e "rouba" todas as máquinas [
que nunca regressaram às mãos dos seus legítimos proprietários, mesmo depois de Abril de 1974] e demais recheio, "ficando só as paredes". Foram presos pela
PIDE todos os seus trabalhadores, como o então director
José da Silva Ribeiro [irmão "
João das Regras"] e o gerente-técnico
Manuel Jorge Cruz [
ibid.].
Manuel Jorge Cruz não conseguiu resistir a tamanha dor e sofrimento, ao ver ruir toda uma vida inteira de trabalho, de ideal democrático e "solidariedade social".
Manuel Jorge Cruz exerceu uma intensa actividade política, social e administrativa no concelho. Foi eleito (1911) para o cargo de 1º secretário da Assembleia Geral do
Centro Republicano Cândido dos Reis. Por diversas vezes foi
Procurador à Junta Geral do Distrito [até 1926], tendo sido Presidente da Assembleia Geral da
Associação Comercial e Industrial da Figueira (em 1924 e 1925). Integrou, ainda, a
Associação de Instrução Popular, a
Associação Artística Figueirense, a
Sociedade de Instrução Tavaredense [foi o seu "primeiro presidente eleito em Assembleia Geral, em 1905", tendo escrito o "primeiro Regulamento Interno da colectividade" – ler mais
AQUI], pertenceu à
Santa Casa da Misericórdia e à
Cooperativa Manuel Fernandes Tomás.
Morre no dia 2 de Novembro de 1941. Foi sepultado em
Tavarede, e o seu funeral constituiu uma "invulgar manifestação de sentimento" da gente da Figueira da Foz.
Foto e algumas notas retiradas, com a devida vénia, do blog
Tavarede Terra de meus Avós. Publicado, também, no
100 Anos Republica Figueira da Foz.
J.M.M.