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sábado, 8 de agosto de 2020

SAHIDAS DE VERANEIO


Lá longe vi torres d’oiro / com princesas de luar” [Bernardo de Passos]

O Almanaque Republicano cumpre uma vez mais o viçoso poder de veraneio. Segundo os sábios, a ilustração e a cultura de espírito estão naqueles gentios que partem em jornadeio. Pois assim seja! Para nós, a nossa mui alta e alevantada jornada será sempre uma quietude suplicante … nestes dias sem beleza e sem glória.
Partindo dos Campos do Mondego (com mar ao fundo) subimos (ou descemos) a terras nossas, que a Alma ainda abrilhanta o céu. Para o sul ou no coração do súbito Centro, vamos renovar as fadigas. Breve voltaremos ao recesso do lar e ao V. aconchego. Até lá … um derradeiro Vale!

Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures, à sombra da noute]
J.M.M.
A.A.B.M.

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

VOTOS DE UM 2020 FRATERNO



A Bondade com a Justiça ou (o que equivale a dizer o mesmo) a Justiça sob a Bondade tira à fórmula coordenante a rigidez teórica. Ela assume, desde então, um carácter humano, que é o final e conclusivo, completando-se a Liberdade e a Igualdade com a Fraternidade, a qual seja a Bondade coexistindo enfim com a Justiça
 
[Sampaio (Bruno), O Encoberto, p. 330]

 
Aos estimados leitores, companheiros & amigos destas viagens de encantos & desencantos vários,  deste itinerário e fragmentos da Grande Alma Republicana, aceitai os nossos VOTOS de um Ano de 2020 Solidário, Próspero e Fraterno.

 
Saúde, Paz & Fraternidade

Vale!

sábado, 5 de outubro de 2019

QUE VIVA O 5 DE OUTUBRO!




O mundo inteiro não é senão uma grande República, da qual cada nação é
uma família e cada indivíduo, um filho” [Cavaleiro de Ramsay]

O 5 de Outubro de 1910 – dia de muita Luz - foi projecto de Soidade, um alicerce claro da Alma Lusitana, uma paixão aberta de virtude e generosidade espiritual. A Hora dessa gente assinalada, o seu antiquíssimo cantar em prol da Liberdade, Igualdade e Fraternidade ainda não nos consumiu, que no seu Cântico ainda temos esse Sonho por cumprir.

O Almanaque Republicano em testemunho e memória dessa Gente Sonhadora, Livre e Fraterna, cumprindo o que não acaba nem começa, em sentida Homenagem e de coração ao alto grita … PRESENTE! 

VIVA O 5 DE OUTUBRO!
VIVA A REPÚBLICA!

SAÚDE E FRATERNIDADE!

J.M.M.
A.A.B.M.

sexta-feira, 26 de julho de 2019

SAHIDAS AO SUL



“Não vimos enfim mais, que mar, e céu” [P. António Vieira]

O Almanaque Republicano, blog de impressões escriptas em antiquário discurso que vil terror não cabe em nós, cumprindo o dever de veraneio segue viagem para o Sul.
 
Embalados pela brisa suave do Mondego, sem nenhuma das licenças necessárias & à sua custa, partimos para logo voltar, pois sabemos que “já não temos ideias, apenas memória” (Antonioni). Sem empacho, bem longe dos sacros deveres profanos, não temos vagar para fazer mandas novas. Não atendemos ao domicílio, mas prudentíssimos, deixaremos rasto luminoso.

Regressaremos ao recesso do lar e ao V. aconchego. Até lá … um derradeiro Vale!

Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures no Alentejo, à sombra da noute]

J.M.M. | A.A.B.M.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

BOAS FESTIVIDADES - 2019 FRATERNO – SAÚDE, PAZ E PROSPERIDADE


Tudo que se passa no onde vivemos é em nós que se passa
 
[Bernardo Soares]

 
Aos estimados leitores, amigos e companheiros deste itinerário da Grande Alma Republicana, aceitai os nossos VOTOS de Boas Festividades e um 2019 com muita Luz, Solidário, Próspero e Fraterno.

Saúde, Paz & Fraternidade

Vale!



 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

QUE VIVA O 5 DE OUTUBRO!



Hoje é a Hora de rememorar a Luz que emerge do glorioso 5 de Outubro de 1910 e saudar a esclarecida Gente que nos precedeu nesta Viagem. Essa lusa Gente soube, nesse antiquíssimo dia, cantar a Pátria Lusíada, os Arcanos que os Deuses guardam das “infâmias e sarcasmos, inquisições e tiranias” [Guerra Junqueiro] e reencontrar o espaço do seu devir – a Alma Lusitana.

O Almanaque Republicano junta-se a esse antiquíssimo cantar, Memória de Gente Sonhadora, Livre e Fraterna, cumprindo o que não acaba nem começa e, corações ao alto,  grita … PRESENTE!  
VIVA O 5 DE OUTUBRO!
VIVA A REPÚBLICA!

SAÚDE E FRATERNIDADE!

J.M.M.
A.A.B.M.

sábado, 4 de agosto de 2018

SAHIDAS AO SUL



Ao que parece, é no mar que a dor acalma e os alicerces da alma esquecem” [A. de Sá]

O Almanaque Republicano, cumprindo o seu dever de veraneio, segue viagem para o Sul. Não admite passageiros e tem todas as licenças necessárias. Partindo dos antigos e aceites Campos do Mondego, cantos e seguros entraremos em isolamento suspicaz. Longe dos deveres profanos, em fadigas literárias, não atendemos ao domicílio mas deixaremos rasto luminoso. Afinal, o que pode um corpo!?

Regressaremos ao recesso do lar e ao V. aconchego. Até lá … um derradeiro Vale!

Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures no Alentejo, à sombra da noute]
 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

2018 FRATERNO – SAÚDE, PAZ E PROSPERIDADE


 
“Tudo o que existe tem de passar; mas as gerações sucedem-se, e é maravilhoso que, sendo tudo o mesmo, tudo é diverso” 

[Sampaio Bruno]


Aos estimados leitores, amigos e companheiros destas viagens de encantos & desencantos,  deste itinerário e fragmentos da Grande Alma Republicana, aceitai os nossos VOTOS de Feliz Festividades e um 2018 Solidário, Próspero e Fraterno.

 
Saúde, Paz & Fraternidade

Vale!

terça-feira, 7 de novembro de 2017

NOS 11 ANOS DO ALMANAQUE REPUBLICANO


Assinalou-se ontem, 6 de Novembro, os 11 anos de existência do blogue Almanaque Republicano, conforme se pode confirmar AQUI.

Foram 11 anos de publicações mais ou menos regulares, feitas por dois cidadãos livre e democratas que tinham um objectivo de fundo começar por relembrar alguns eventos, figuras e organizações que estiveram na génese da República em Portugal.

Demos e vamos continuar a dar o nosso contributo para se compreender o Portugal contemporâneo: os escritores, os jornalistas, os intelectuais que marcaram o nosso País entre os finais do século XIX e o início do século XX. Divulgamos centenas de lançamentos de livros, centenas de colóquios, conferências, esboçamos biografias, recomendamos dezenas de jornais que se encontram disponíveis online e chamamos a atenção para a sua importância enquanto fontes históricas.

Foram feitas 3177 publicações. 
O contador interno do blogger informa-nos que até hoje houve 1 177 680 visualizações de páginas.  No último mês tivemos 11 000 visualizações de páginas.
Recebemos até ao momento 585 comentários que estão publicados nos milhares de artigos publicados.
O artigo mais visitado foi "Os Homens que Realizaram o 25 de Abril", publicado AQUI, com mais de 5600 visitas.

Para quem está profissionalmente activo por vezes não é fácil sustentar e actualizar o blogue e para nós também não. Civicamente activos e envolvidos nos meios onde residimos procuramos, dentro do que nos é possível, colocar informação que nos parece útil e actualizada sobre os mais variados assuntos de temática histórica. 

Em comunicações científicas surgem algumas referências ao Almanaque Republicano que nos honram, como AQUI, em trabalhos científicos como AQUI, AQUI, AQUI, AQUI, AQUI ou AQUI só a título de exemplo.

O Almanaque Republicano continua a manter a sua actividade, divulgando, assinalando, evocando episódios e personalidades que foram caindo no esquecimento e que devemos relembrar. Por vezes a disponibilidade para actualizar o blogue não é muito grande mas, desde há alguns anos que, através da rede social Facebook, partilhamos e divulgamos em vários grupos, eventos e apontamentos sobre algumas personalidades, livros e temas que se correlacionam com as preocupações que manifestamos inicialmente.

Relembramos o texto que serviu de mote e apresentação ao blogue e que se mantém pleno de actualidade:

"O Almanaque Republicano é um álbum onde se vai perfilar uma geração sonhadora, generosa e messiânica, que é afinal o nosso costumado fadário, o nosso "eterno retorno". Da República de 1891 e da outra de 1910 há uma imensa viagem de encantos e desencantos, de "coisa esquecidas e mortas", um itinerário de bondade, pessimismo, ironia e sarcasmo. Há nele todo um movimento que "carecia de alma", como diria Pascoes. Essa Alma Republicana, seja ela qual for, será sempre essa jornada emotiva e social, espiritual e libertária, de encantos e desencantos vários, crença ou saudade do Encoberto, reformadora e socialista, liberal e popular, que da decadência à regeneração marcam para sempre o "espírito lusitano". A "Nova Era" redentora, quer fosse construída no cantar antiquíssimo da Renascença Portuguesa ou ressurgida pela demanda da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ou intencional na exaltação da luta pela emancipação das classes trabalhadoras e em redor do movimento operário e sindical, não deixa de ser, sem dúvida alguma, um dos momentos mais interessantes da história da sociedade portuguesa contemporânea. Afinal, "Ubi libertas, Ibi Patria".

Sitio de passagem e de euforias públicas, jornada de mil caminhos que o tempo percorreu, o Almanaque Republicano é um panfleto aberto e frontal da Alma Republicana. E será, doravante, o nosso "companheiro de trabalho".
 

Esperemos que assim continue por muitos e longos anos.

A.A.B.M.
J.M.M.

sábado, 31 de dezembro de 2016

VOTOS DE UM 2017 SOLIDÁRIO E FRATERNO



VOTOS DE UM 2017 SOLIDÁRIO E FRATERNO


“Muito é amar a liberdade e a igualdade; não há democracia onde quer que esse duplo amor não determine o ânimo dos cidadãos […] Mas estes nobres sentimentos são insuficientes, ainda assim. Uma alma não é verdadeiramente republicana, digamo-lo em definitivo, se nela não habitar outro sentimento; transcendental, de origem divina. É o da humanidade; ela estreita, por um laço mais intimo, a união dos cidadãos.

 [Sampaio Bruno, in O Encoberto]

Aos estimados leitores, amigos e companheiros deste itinerário da Alma Republicana, aceitai os nossos VOTOS de um 2017 Solidário, Próspero e Fraterno. Vale.

Saúde, Paz & Fraternidade

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

FELIZ FESTIVIDADES – SAÚDE, PROSPERIDADE E FRATERNIDADE


 
Vem, Noite antiquíssima e idêntica
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma.
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós …” [F. Pessoa]

Aos leitores do Almanaque Republicano, obreiros respeitosos do espirito Re(s)publicano, animados que estamos no assopro Solsticial e felizes na graça da Grande Alma Lusitana, consintam estes Votos de Feliz Festividades

Saúde, Prosperidade & Fraternidade

terça-feira, 2 de agosto de 2016

SAHIDAS AO SUL



Nestes povoados / tudo são requestas; deixai-me os cuidados, / que eu vos deixo as festas” [Sá de Miranda]

O Almanaque Republicano cuida-se para o suspiroso veraneio. Cumprindo os raios do ingente sol - que cada hum exerce conforme o estylo - está de saída, a uso de banhos. Embalados pela briza do Mondego (com mar ao fundo), prestimosos e virtuosos, caminhamos para o Sul, fortalecidos e avigorados que estamos com a idade. Mas não nos deixaremos iludir pela impertinência insana destes tempos paroquiais, que a Alma não está gasta. Afeiçoada memória.
Longe dos deveres profanos, não atendemos no domicílio. Porém, temos propósito de perseverar e agasalhar o precioso manto da Alma Republicana. Estaremos, delicadamente, vigilantes ao despontar instruído das almas, que a “saudade não se estrece”. Breve voltaremos ao recesso do lar e ao V. aconchego. Até lá … um derradeiro Vale!
 
Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures no Alentejo, à sombra da noute]
J.M.M.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

VOTOS DE UM 2016 SOLIDÁRIO E FRATERNO


Mas a matéria portuguesa, senhores, ainda não morreu
definitivamente. Num grão de areia há searas, numa
braza incêndios” [Guerra Junqueiro]


Aos amantes da Alma Lusitana, em preito e menagem aos nossos ledores & estimados Companheiros e Amigos do itinerário republicano, apresentamos Votos de um 2016 Solidário, Próspero e Fraterno. “Esse futuro é sermos tudo” e pelo sonho é que vamos. Jogo de espelhos. Vale!     
 
Saúde & Fraternidade

José Manuel Martins | Artur Barracosa Mendonça

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

QUE VIVA A REPÚBLICA!


Faça-se a República!” [Afonso Costa]

O Almanaque Republicano, sereno e puríssimo cantar da Alma Lusitana, evoca - uma vez mais - os cidadãos que no memorável dia de 5 de Outubro de 1910 cumpriram a patriótica missão de serem propagandistas da Liberdade, Igualdade e Fraternidade e mudar Portugal. Esses homens souberam desfraldar as velas da justiça, da honra e do progresso pátrio, iluminar a alma popular, sementeira de terra esclarecida, livre e democrática. A eles, a nossa gratidão e o nosso preito de saudade!

Em tempos de memória amassada, num descrédito de instituições que a res publica soube fundar e que se devia honrar, saibamos rememorar o espírito comemorativo e a alma do 5 de Outubro, recusando quem o quer calar. Neste dia glorioso que inundou o espírito do tempo, o Almanaque Republicano saúda fraternalmente todos os nossos estimados ledores que nos honram com o generoso sentimento do ideal republicano. A vós o nosso Abraço fraternal!

Viva a República! Viva a Pátria!
Saúde, Paz e Fraternidade.

J.M.M.
A.A.B.M.

terça-feira, 28 de julho de 2015

SAHIDAS AO SUL


Vai-te ao longo da costa discorrendo / E outra terra acharás de mais verdade” [Luiz de Camões]
O Almanaque Republicano veste-se para o respeitável veraneio, beijado pelo sopro das brisas do Mondego (com mar ao fundo) e está de saída. Cumprindo os mistérios & as delicias do defeso, sem dispensar o olhar para estes calamitosos tempos paroquiais, caminha para o sul, sussurrando em húmida língua. Liberdade de razoar.

Apartados de deveres profanos, estes Vossos Caval(l)eiros não atendem ao domicilio. Amodorrados estamos! De fugida, a uso de banhos e outras gramáticas, estaremos atentos ao luzeiro da Alma Republicana, como que a “fazer apetite para o chá” [Machado de Assis]. No nosso remanso, não dormimos que o silêncio não sustenta os braços. Voltaremos ao recesso do lar e ao V. patrocínio. Até lá … um derradeiro Vale!

Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures no Alentejo, à sombra da noute]


J.M.M.
A.A.B.M.

sexta-feira, 27 de março de 2015

ATÉ SEMPRE DR. AMÉRICO CASEIRO [1947-2015]


Até Sempre Américo Caseiro [n. 27 Maio 1947 - m. 26 Março de 2015]

Só morremos de nós mesmos” [Herberto Helder]

Américo Caseiro partiu, ainda o sol não mostrava o brilho dos raios. Deixou-nos o tesouro da palavra, os nomes e rostos da claríssima luz, a ternura do tempo e da noite sem fim, o prazer e a rebelião da viagem, a lealdade fraternal, a requintada oferenda do “discurso do acordar e do adormecer” [A.C.]. Ele, que amou e viveu a vida, com radiante paixão, partiu (avançou) no seu próprio jogo. Pôs-se a caminho para urdir a sua própria sombra. E deixou-nos no nosso trivial remanso. 

À sua esposa, Mariana Alface, à sua estimada família e a todos os amigos, o nosso pesar. 

Ao Américo a eterna Saudade … e até Sempre!

Nota: o seu funeral segue hoje de Coimbra para o Crematório da Figueira da Foz, onde deverá chegar antes das 18 horas, desta sexta-feira.

Américo José Lopes Caseiro nasceu a 27 de Maio de 1947, na cidade de Coimbra, lugar que amava como poucos. Era filho de Adriano Maria Caseiro, escrivão e solicitador em Ansião e de Fernanda Godinho Lopes Caseiro

Cresci, único homem (o meu pai so chegava à noite), no seio de seis mulheres, a minha irmã muito conta como tal, e este facto traz as mais agradáveis consequências - a maior relevância para o meu pai, homem belo de 120 quilos, de humor afável e irritável, terno, dócil, violento, brutal incontestável - o meu ideal de beleza era ter 120 quilos e sentir-me belo e sedutor como em muitos dias reparei que se via” [cf. Américo J. L. Caseiro, Curriculum Vitae, 1982].

Fez a escola primária em Avelar, depois estudou no colégio de Ansião (onde frequentou brilhantemente a Biblioteca Itinerante da Gulbenkian e ali conheceu o Maia Alcoforado, “poeta, revolucionário civil”, republicano de têmpera, combatente contra a ditadura), passando depois para Coimbra para fazer o “complementar dos liceus” 

Em Coimbra, moço arribado ao liceu D. João III, conhece o “velho Gomes Jacobino” que lhe revela o caminho da biblioteca (vício nunca abandonado), encontra e percorre Freud e Nietzsche, deslumbra-se com Marx & Engels, invoca Camus, aparece-lhe Sartre. O coração alumia-se. Entra em 1964 para a Faculdade de Medicina da U.C. Três anos depois tem o seu primeiro casamento, de que resulta um filho encantador. Na candura de uma vida de estudo, de tentações de espelho e outros rendez-vous, foi “incapaz de passar os Arcos do Jardim” e “subir acima da Almedina”: quatro anos de “dedicação exclusiva do prazer doutras matérias” (o “sítio do pica-pau amarelo”). Licencia-se aos 27 anos. De permeio esteve “em todas as lutas de estudantes e nas outras”, ali, vertical, com o Alfredo Misarela, o Joaquim Namorado, o Orlando de Carvalho, Lousã Henriques, outros mais.    



O acordar da noite ensinou-o a gostar de Resnais, Fellini, Bergman & tantos outros (o dr. Orlando adornava o alvoroço), enfaixa-se em Lacan em seminários no café Tropical e na Brasileira, Levi-straussa na baixinha em passeatas peripatéticas. A vontade de saber escorre-lhe interminavelmente. Foucault ilumina-o, tal como o vinho e o tabaco com que teorizava e vigiava. Althusser identifica-lhe os “órfãos teóricos” (os do sem pai teórico). Deuleuze & Guattari, empresta-lhe o inevitável. A psiquiatria – que pratica, usa e abusa - é para ele como a escrita de Leonardo, “para ser lida ao espelho” [A.C.]. Esteve no serviço médico à periferia (Soure, Manteigas), transita para a Clínica Psiquiátrica dos HUC (1979), faz-se exímio na profissão, (re)constrói o (im)possível. Com inquietação, mas solidamente.

O dr. Américo Caseiro, “o passáro sarapintado”, era um eterno apaixonado. Da literatura (Joyce, Thomas Mann, Dostoievski, os clássicos sempre presentes, com pontualidade e zelo), da música (que não aprendeu com “grande arrependimento e mágoa"), do cinema e teatro, tudo o movia, sempre numa respiração insubordinada, que a outros transmitia. Das suas últimas paixões deve-se referir o seu aprofundado estudo & os seus apontamentos sobre o “Cão de Parar”, espaço de “conversação e do elogio do cão”, por nós (re)escrito a partir da narrativa assombrosa e encantadora do Mestre Caseiro.      
      
O “pássaro sarapintado” morreu porque muito amou. 

Na madrugada de 26 de Março de 2015, com toda a serenidade. 

Até sempre, dr. Américo Caseiro.

[José Manuel Martins - publicado também no Almocreve das Petas e no O Cão de Parar]

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

SAHIDAS AO SUL


O Almanaque Republicano, cumprindo as ordenações de veraneio, com ou sem a benevolência do Espírito Santo, altíssimo protector da paróquia (dizem!), está de saída. Fugindo aos afagos das doces brisas das Terras do Mondego, com Mar ao fundo, seremos viageiros serenos e esclarecidos em terras do sul. Pela Luz! Mais Luz! Sublime cante!

Libertos dos trabalhos profanos, estes Vossos Cavalleiros devotos da alma republicana estarão ausentes do V. agasalho. Partimos a caminho do Sul, a uso de banhos. É assim que (a)mar nos diz. Voltaremos ao recesso do lar e ao V. patrocínio. Até lá … um derradeiro Vale!

Saúde, Paz e Fraternidade!

[traçado algures no Alentejo, à sombra da noute]

J.M.M.
A.A.B.M.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPÚBLICA! NÃO NOS CALARÃO!


"Coexiste comigo muita gente que vive comigo apenas porque dura comigo" [F. Pessoa]

A história, na sua pureza e luminosidade, será sempre esse antiquíssimo cantar (ou viagem) à (re)construção da nossa memória colectiva, que o prumo da narrativa torna gratulatório na sua demanda.

A história da República será sempre esse reencontro, esse espaço simbólico onde o mundo se espelha, onde as nações, os povos e a humanidade estabelecem laços solidários, divisas sacras, “lugares de memória”.

O Almanaque Republicano, álbum (ou itinerário) de uma geração sonhadora, generosa e messiânica, entende que o 5 de Outubro, enquanto ritualização e memoração de factos históricos emblemáticos, marca uma importante função de formação, preservação e reformulação da identidade nacional, solidificando os laços entre os cidadãos e a Pátria.

O Almanaque Republicano, panfleto aberto e frontal da Alma Lusitana, entende que o 5 de Outubro pelo seu processo de legitimação simbólica, pela sua visibilidade e reconhecimento, pela homenagem à identidade e memoração dos homens, factos acontecimentos, inculca “ritos políticos de cidadania” (pela res publica), sendo um importante “lugar da memória” e do nosso eterno devir.

Por isso a intenção da supressão do feriado de 5º de Outubro (ou do 1º Dezembro) é, para nós, um factor e lugar de contra-memória. É um “apagamento da memória” histórica, da nossa identidade cultural.

Por que (ainda) não perdemos o direito de pensarmos, por que somos homens livres e fraternos, dizemos que ... NÃO NOS CALARÃO!

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPÚBLICA!
SAÚDE E FRATERNIDADE!

J.M.M.
A.A.B.M.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

SAHIDAS AO SUL


O Almanaque Republicano (cante da antiquíssima Alma Portuguesa) à míngua de lux & no mais que resta, que o publicista não diz tudo, está de saída. Consumidos os dias entre o antigo e o moderno, deserdados no rigor profano destas estações muuuitoo (neo)liberais, vivificamos para as bandas do Sul. Sagrado refúgio, fecunda liberdade, sabedoria perene. Que lindo conto!

Assim, no gozo de alguns dias de licença (Oh! serena placidez), estes V. cavalleiros, devotos da alma republicana, estarão (por vezes) ausentes da liturgia bloguística e, abusivamente, do V. agasalho. Estamos, pois, a caminho do Sul, onde vamos fazer uso de banhos. Voltaremos (em breve) ao vosso patrocínio, até lá

Saúde e Fraternidade

[traçado algures no Alentejo, à sombra da noute]

J.M.M.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ALMANAQUE REPUBLICANO


Almanaque Republicano: Édito

"Coexiste comigo muita gente que vive comigo apenas porque dura comigo" [F. Pessoa]

"O Almanaque Republicano é um álbum onde se vai perfilar uma geração sonhadora, generosa e messiânica, que é afinal o nosso costumado fadário, o nosso "eterno retorno". Da República de 1891 e da outra de 1910 há uma imensa viagem de encantos e desencantos, de "coisa esquecidas e mortas", um itinerário de bondade, pessimismo, ironia e sarcasmo. Há nele todo um movimento que "carecia de alma", como diria Pascoes. Essa Alma Republicana, seja ela qual for, será sempre essa jornada emotiva e social, espiritual e libertária, de encantos e desencantos vários, crença ou saudade do Encoberto, reformadora e socialista, liberal e popular, que da decadência à regeneração marcam para sempre o "espírito lusitano". A "Nova Era" redentora, quer fosse construída no cantar antiquíssimo da Renascença Portuguesa ou ressurgida pela demanda da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ou intencional na exaltação da luta pela emancipação das classes trabalhadoras e em redor do movimento operário e sindical, não deixa de ser, sem dúvida alguma, um dos momentos mais interessantes da história da sociedade portuguesa contemporânea. Afinal, "Ubi libertas, Ibi Patria".

Sitio de passagem e de euforias públicas, jornada de mil caminhos que o tempo percorreu, o Almanaque Republicano é um panfleto aberto e frontal da Alma Republicana ...
" [Daqui]

Fazemos saber, em canto de reimpressão, o nosso antigo e aceite Édito com que abrimos e instalámos o Almanaque Republicano. Esta confraria de Homens Livres tem vindo a publicar memórias e testemunhos bio-bibliográficos em homenagem & invocação da Grande Alma Republicana. E asseguramos: “aqui se escreverão novas histórias”. Tal como o vate Camões disse e nós, em humílimo préstimo, pretendemos regularizar.

Por estarmos (quase) a entrar nas celebrações do Centenário da República renovamos tamanha viagem “aos homens de novo nascidos”. Até porque o futuro será sempre, para nós, a duração iluminada do nosso passado.

Valete Frates!

J.M.M.