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terça-feira, 26 de julho de 2016

ANTÓNIO JOSÉ, AS SEIS PALAVRAS




António José, as seis palavras” – por António Valdemar, in Público

[Tem monumentos à sua memória em Lisboa, Coimbra, Penacova e Vale da Vinha. Falta a consagração que merece no Panteão Nacional]
“A personalidade humana e o percurso político de António José de Almeida – uma das mais notáveis figuras da história da República, da implantação e consolidação do regime e da sua defesa em momentos de adversidade, de controvérsias violentas, de combates ferozes, de atentados terroristas – identificaram-se com os valores e os princípios políticos e a responsabilidade cívica adoptados pela sua geração.

Enquadram-se na semente lançada por Henriques Nogueira, prosseguida por Teófilo Braga e outros fundadores do Partido Republicano e que, após o centenário de Camões de 1880 e do centenário de Pombal de 1882, mobilizou inúmeros jovens de Lisboa, Porto, Coimbra e outros pontos do país. Associaram-se ao movimento de indignação contra o Ultimatum de 1890 e à revolta republicana do Porto de 1891. Revitalizam o Partido Republicano e vão ser os protagonistas de um tempo de mudança, da transição do século XIX, para o século XX, das várias formas de lutas que envolveram várias tendências de republicanos e monárquicos e movimentos radicais.
António José de Almeida é uma dessas grandes figuras. Há, todavia, no perfil de António José de Almeida aspectos que o distinguiram de outros Presidentes da República como Teófilo Braga, Manuel de Arriaga, Bernardino Machado e Manuel Teixeira Gomes e que o singularizariam perante Afonso Costa e Brito Camacho, para mencionar dois chefes partidários seus contemporâneos.
 
António José de Almeida nasceu em Penacova (Vale da Vinha, São Pedro de Alva, a 17 de junho de 1866 – há 150 anos); e faleceu em Lisboa (31 de Outubro de 1929). Está salvaguardada a casa onde nasceu, mas a casa de Lisboa, onde residiu e faleceu, em Lisboa, na Avenida António Augusto de Aguiar – esquina com São Sebastião da Pedreira – foi demolida. Existem monumentos à sua memória em Lisboa, em Coimbra, em Penacova e em Vale da Vinha. Falta, há muito, e volto a sugerir, a consagração que merece no Panteão Nacional.
A formação intelectual de António José de Almeida decorreu em Coimbra — Liceu e Faculdade de Medicina. Terminou o curso em 1895. Exerceu a Medicina em Angola, São Tomé e em Lisboa. Entrou no Partido Republicano ainda estudante da Universidade em Coimbra. Ingressou no Parlamento como deputado e, por exemplo, com Afonso Costa, Brito Camacho e João de Menezes formou o núcleo duro que combateu a monarquia e acelerou a implantação da República.

Integrou o I Governo Provisório, fez parte da Constituinte de 1911, foi ministro e Presidente da República. Numa época de paixões exacerbadas, de instabilidade política, económica e social caracterizou-se fundamentalmente pelo espírito de tolerância e abertura, pela defesa das liberdades constitucionais, entre as quais a liberdade religiosa. Promoveu a concórdia, a convergência com outros partidos, em torno de objectivos nacionais e internacionais. Insurgiu-se contra o favoritismo e a corrupção. Em várias campanhas no jornal República,  de que foi fundador e director, alertou para o ‘bando esfaimado e criminoso’ que denegria a República com oportunismos, carreirismos, nomeações de cargos públicos e outros favoritismos partidários.
Empenhou-se na operacionalidade da Justiça, na dignificação da magistratura, na eficácia e funcionamento dos Tribunais em todas as instâncias. A defesa das regiões e a descentralização administrativa foi outra das suas preocupações. ‘Fazer regionalismo’ – escreveu ‘é a melhor maneira de fazer patriotismo, porque sempre a política nacional foi tímida e frouxa onde lhe faltou a acção local, que é a única e verdadeira força para estimular as energias de um povo e dar consistência as aspirações de uma nacionalidade’.

Permaneceu sempre no espírito e na vontade política de António José de Almeida a autonomia da Cultura, o reconhecimento dos intelectuais e artistas e o prestígio das instituições que os representavam. Durante a presidência do governo da União Sagrada (de 15 de março de 1917 a 25 de Abril de 1917 e como Presidente da República (de 5 de outubro de 1919 a 5 de outubro de 1923), o único presidente da República que concluiu o mandato, António José de Almeida organizou manifestações junto dos principais monumentos para despertar valores culturais e cívicos. Na sequência destas iniciativas Nuno Simões, enquanto ministro, decretou a classificação dos monumentos históricos, instituindo a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, com quatro secções: Lisboa, Porto, Coimbra e Évora.
 
A cultura europeia constituiu uma das referências primordiais de António José de Almeida. Ao deixar São Tomé e antes de se estabelecer em Lisboa decidiu aprofundar a sua formação intelectual e profissional em Paris, junto de médicos insignes como Guyon, Tuffier, Cathlin e Pinard. Encontrou-se, casualmente, com o jovem Reinaldo dos Santos que havia concluído o curso na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa.
Contou-me este episódio Reinaldo dos Santos acrescentando que, também, frequentava o mesmo estágio Alexis Carrel, alguns anos depois, Prémio Nobel, pioneiro da cirurgia experimental e do transplante de órgãos e tecidos. (Tive o privilégio de publicar –  Diário de Notícias de 5 de Dezembro de 1980 – correspondência inédita de Alexis Carrel e de Afonso Lopes Vieira para Reinaldo dos Santos).
Contudo, o projecto político e cultural de António José de Almeida – objecto de um relevante estudo de investigação de Luís Reis Torgal – também abrangeu o Atlântico. Era (e continua a ser) um dos vínculos de Portugal com a Europa e com o Mundo. Basta citar a relação de António José de Almeida com o Brasil, a viagem presidencial que efectuou em 1922, ano do centenário da independência do Brasil e da travessia do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Marcou a descoberta da navegação aérea transoceânica, guiada pelos ‘regimentos das estrelas’, a ‘pesar o sol pelo astrolábio’ e, ao mesmo tempo, um ato político, repleto de carga simbólica, para a aproximação entre os dois povos.

Toda a trajectória de António José de Almeida se resume a uma afirmação de equanimidade contida em seis palavras – que continuam a ganhar amplitude e significado – liberdade, tolerância, justiça, pátria, europa, atlântico. Seis palavras que, para o ‘esplendor de Portugal’, lhe encheram a vida, iluminaram a consciência, moldaram o carácter e orientaram a acção.
António José, as seis palavras – por António Valdemar, [Jornalista e investigador, membro da Classe de Letras da Academia das Ciências], jornal Público, 26 de Julho de 2016, p.46 – com sublinhados nossos.

J.M.M.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

APONTAMENTOS DAS PRELEÇÕES DO DR. AFONSO COSTA SOBRE CIÊNCIA ECONÓMICA E DIREITO ECONÓMICO PORTUGUÊS


AUTOR: Dr. Afonso Costa [coord. & prefácio de Guilherme Oliveira Martins];
EDIÇÃO: INCM (Colecção Biblioteca Res Publicana).

Trata-se da reimpressão do texto original publicado na época de 1896-1897, no âmbito das lições do Dr. Afonso Costa proferidas na Universidade de Coimbra, quando ministrou a cadeira de Economia Política
[O dr. Afonso Costa ingressa na Faculdade de Direito de Coimbra no ano lectivo de 1887/1888. Em Março de 1890 funda, com António José de Almeida, um jornal, O Ultimatum. Folha Académica, 23 Março de 1890 (António José de Almeida publica nesse número o conhecido artigo “Bragança, o último” – sobre o jornal e a questão Afonso Costa e a Economia Social, afinal matéria versada nesta edição dos seus Apontamento, consultar AQUI & AQUI os importantes artigos de Jorge Pais de Sousa) onde exprime “a opinião de que a Monarquia ou o trono eram a causa do abatimento moral do País” – cf. Luís Bigotte Chorão, “Afonso Costa”, in “A Faculdade de Direito de Lisboa no seu Centenário”, vol II, 2013, p. 16. Participa nos acontecimentos de 31 de Janeiro e adere à greve académica de 1892 (ibidem). Realiza o seu exame de licenciado a 17 de Janeiro de 1895 com a dissertação: “Os Peritos no Processo Criminal, Legislação Portuguesa, Crítica, Reformas”. Apresenta-se a concurso para lente substituto em Janeiro de 1896 com a dissertação, “Commentario ao Código Penal Portuguez”. Via então reger a cadeira de Economia Política nos anos de 1896/1897 e 1897/1898 (ibidem). “A respeito das suas lições, Paulo Merêa – acompanhando o juízo de Marnoco e Sousa e José Alberto dos Reis – escreveu que ‘revelam um grande interesse pelo movimento socialista e reflectem a forma sociológica desta escola’ (L. B. Chorão, ibidem)] 


A presente edição é uma excelente iniciativa do Tribunal de Contas e da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República Portuguesa, e de muita estimação.

A presente obra, há muito detectada na biblioteca de Afonso Costa e que não tinha sido editada fora do âmbito académico e do momento em que as lições foram ministradas, oferece ao leitor as lições do Professor Doutor Afonso Costa alusivas ao ensino da ‘Economia Social’, atinente a um modelo do magistério no âmbito das ciências económicas para estudantes de Direito, no longínquo ano letivo de 1896-1897. Conforme prefaciado por Guilherme d’Oliveira Martins, ‘[a] edição que agora se apresenta corresponde à transcrição de um documento no qual encontramos não só o testemunho vivo do ensino do Doutor Afonso Costa, mas também elementos preciosos sobre o seu pensamento económico’ [AQUI]
[c/ um abraço ao dr. Rincon Peres]

J.M.M.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A MENTIRA MONARCHICA - ALFREDO PIMENTA


ALFREDO PIMENTA, “A Mentira Monarchica: Analyse do Momento Actual da Politica Portugueza”, Centro Republicano de Coimbra, Coimbra, Imprensa Academica, 1906, 19-I p.

Este opusculo é o desenvolvimento logico d’um artigo na Resistencia publicado, em 25 de novembro d’este anno, sob o titulo — O bloco monarchico. O Centro Republicano de Coimbra, publicando este trabalho do sr. Alfredo Pimenta, não alimenta vaidades pessoais, mas manifesta tão só a sua vontade em contribuir, na medida das suas forças, para a reorganização nacional baseada em principios scientificos e progressivos. A decadencia politica a que chegamos, caracterisada tão claramente nas indecizões da realeza, está pedindo um ataque cerrado e constante, para que o velho regime dê logar ao advento de uma organisação nova e completamente harmonica com a s aspirações do paiz. Esse ataque ha-de ser feito, mesmo pelo seu caracter preparatorio para um movimento decisivo, pela imprensa, pelos comicios, pelos livros. Servindo-se d’esta occasião, o Centro Republicano de Coimbra, julga prestar um serviço ao paiz, publicando o presente trabalho

via In-libris   

Trata-se de um dos opúsculos, de juventude, do irrequieto Alfredo PimentaAQUI por nós referido -, nascido em terras de Penouços, alguns anos depois da sua aventura literária e de poetastro (o “EU” data de 1904). Alfredo Pimenta passou, sucessivamente, do anarquismo ao republicanismo radical

[esteve presente no Congresso Republicano de Coimbra de 1904, pertenceu aos estudantes “intransigentes” da greve académica de 1907 em Coimbra, foi chefe de gabinete do Ministro do Fomento no Governo Provisório da República chefiado por Duarte Leite, torna-se apoiante (1908) de António José de Almeida, redigindo o Manifesto Evolucionista de 1912, está, curiosamente, no centro de uma pendência entre o ofendido Afonso Costa e o director do jornal “República”, António José de Almeida, pelo artigo (12 de Junho de 1914) publicado nesse jornal, “O partido dos escândalos”, (cf. Política e Justiça na I República, de Luís Bigotte Chorão, vol 1, p. 389), é candidato a deputado nas eleições de 1913, abandona o partido em 1915],

muda para o campo monárquico (de que é um dos seus doutrinários), é deputado sidonista (1918), adere ao Integralismo (de que se afasta, mantendo a fidelidade a D. Manuel II e fundando a Acção Tradicionalista Portuguesa, depois Acção Realista), manifesta admiração confessa por Mussolini, torna-se germanófilo assumido e salazarista convicto [delicioso é a sua correspondência com venerado Oliveira Salazar – vide “Salazar e Alfredo Pimenta. Correspondência (1931-1950)”, com curioso prefácio de Manuel Braga da Cruz, Verbo, 2008].

Este opúsculo deve juntar-se outros publicados na sua idade libertária, como “O Fim da Monarchia” (1906) e “Factos Sociais” (1908).

FOTO via In-Libris

J.M.M.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O ESPIRITO ERRANTE – CARLOS BABO


CARLOS BABO, “Espírito Errante. Retalhos de um Diario” (capa de Manuel Monterroso), Lisboa, Tipografia do Comercio (Rua da Oliveira, 10 – ao Carmo), 1916, 112 p.

► “- Olá, mestre! … Vae o diabo lá fora … Tiros, pranchadas, correrias, gritos, assaltos a esquadras de policia... desasocego perigoso! Isto vae mal, mestre! O trabalho escasseia, o comercio encolhe-se numa crise exhaustiva, a industria não dá um passo, o retraimento geral lança-nos a todos numa situação desesperada... Isto vae mal.

Quem assim falava' era um rapaz com aparencia de vinte anos, vestindo blusa de operario, alto, forte, de cabeça descoberta, cabelos negros anelados, olhar vivo, rasgado, inteligente.

Aquele a quem ele chamava mestre, estava sentado junto de uma mesa pequena e tôsca de pinho, numa ampla oficina de tanoaria. Era um operaria tambem e aparentava ter cinquenta anos. Usava barba grande, naturalmente frisada e que lhe chegava até meio do peito espaçoso e saliente. Tinha a fronte larga, aberta em sulcos transversaes, sob uma farta cabeleira grisalha, onde ele nesse momento sucessivamente mergulhava os dedos enclavinhados da mão direita, branca e nervosa […]

- Isto vae mal, mestre. Os homens são ferozes. Bem dizia o mestre que eu era uma creança, quando olhava todos os meus sonhos como possiveis realidades côr de rosa ...
- Creanças ... creanças ... Repetiu o mestre, num intimo recolhimento, esparso o olhar na mesma nesga de céo.

Passados instantes de silencio, voltou se o mestre para o rapaz e disse:

Quem governa Babylonia? O Trabalho, a Honra, o Direito? Não; a licença. A patria do guerreiro e monge, do audaz navegador e do epico sublime, tem sido alma da lenda na elegia dolente do passado.
A blusa tomou o logar das armaduras de aço, e a grande epopeia do futuro seria o Cantico dos Canticos do trabalho á Liberdade...

Liberdade! Como ousaram manchar meus labios esta palavra santa, que paira em silêncios de luz, muito alem das torturas da terra, das infamias do mundo, das imperfeições dos homens e das minhas apagadas esperanças?!...

Esperanças! Bronzeos grilhões de refulgências enganadoras, que arrastaes o homem pela longa tormenta da vida, em busca da terra da promissão, sem que jamais logre encontra-la, e por fim o deixaes, inexoravelmente, á borda do tumulo, clamando em suplice desespero pelo descanço misterioso da... inconsciencia! […]

E quem tem governado a moderna Babylonia? Os homens, defendendo a pureza dos principies? Tem governado os melhores? Não. Governam os homens integrados na lucta dos interesses.

Governa a maioria, - mentira que a nossa fantazia morbida engendrou? Não. E' sempre uma minoria autocráta que domina e governa, aferindo os seus actos mais incoerentes e contradictorios pelas necessidades da Patria na aparencia, mas de facto pelas necessidades de seus interesses em lucta …

NOTA BREVE: Este “Espírito Errante”, de Carlos [Cândido dos Santos] Babo (1882-1959), foi publicado em Março de 1916. Trata-se da republicação de um conjunto de crónicas (1913-1916) escritas no jornal “República”.

Diga-se que Carlos Babo [AQUI, AQUI e AQUI já referido por nós] escreveu inúmeras crónicas e artigos nos periódicos [como A Mocidade Livre, A Plebe, A Vitória, Ala Esquerda, Alma Nova, Diário Liberal, Diário de Lisboa, Humanidade, Liberdade, Montanha, O Mundo, O Clarim, O Laico, O Norte, O Povo, O Raio, Pátria, Pensamento, República, Voz da Justiça, etc.], tendo sido, mais tarde, completamente silenciado [caso raro e suponho único], por ordem pessoal do ditador Oliveira Salazar

[curiosamente, o ditador Oliveira Salazar permite-lhe, bem como a Tomás da Fonseca, a publicação de artigos anticlericais, como estratégia política de consolidação do poder pessoal. De facto a campanha anticlerical que a Censura (Major Barradas) e o ditador permitiu, pretendia insinuar ter o ditador “pouco poder” para combater o jacobinismo e a maçonaria (da qual, Carlos Babo e Tomás da Fonseca, eram obreiros dedicados. Babo foi iniciado em 1903, em Coimbra, no seu 4º ano de Direito. E Tomás da Fonseca em 1906, também em Coimbra). A “armadilha”, ao que parece, resultou e rapidamente, e após a “guerra anticlerical” verificada, consolidado o seu poder pessoal com a “eliminação das resistências” por parte dos sectores da Igreja e do grupo em torno do presidente Carmona, Salazar combate e persegue ferozmente os mais ardoroso publicistas dessa contenda. Parece que o ditador, chamando o major Barradas (censor-mor), disse-lhe o seguinte sobre Carlos Babo: “esse senhor (sic), a partir de agora, não escreve nem mais uma linha” – refª ms inédito de J.B.. E assim foi, salvo alguns artigos que Carlos Babo publica no jornal “República”. Ao mesmo tempo, Carlos Babo é aposentado compulsivamente]    

O livro “Espírito Errante” publica-se quando Carlos Babo se encontra em trabalho administrativo, em S. Tomé e Príncipe (Julho de 1915 a 1916). Durante esse “interregno colonial” em S. Tomé, escreve, além do já referido “Espírito Errante”, os opúsculos, “A Pérola do Atlântico” e “Pela Colónia de S. Tomé”. 

A sua estadia em S. Tomé e o seu labor no apoio às governações republicanas, deve-se a ter sido um amigo pessoal, indefectível e até ao fim de António José de Almeida.

[tornam-se amigos quando Carlos Babo integra a Comissão Republicana de Felgueiras e a partir daí, pela militância republicana e a comunhão maçónica, a amizade ficou para sempre; na verdade, Carlos Babo é (1908) nomeado advogado do Directório (PRP), sob pedido de A. José de Almeida a Bernardino Machado, tendo sido incumbido, em especial, de defender em tribunal os elementos da Carbonária; não por acaso, a casa onde, na ocasião, viveu com o seu (também) amigo de sempre, Manuel Bravo, foi-lhe acertada por Albertino da Costa Feio, seu futuro sogro, amigo de A.J.A. e maçon da Loja “Comércio e Indústria” (a casa ficava na rua dos Correeiros, 205, antigo templo maçónico); depois, a 6 de Outubro de 1910, torna-se chefe de gabinete de A.J.A, ministro do Interior do governo provisório, continuando a ser sucessivamente, ao longo das várias governações republicanas, seu secretário pessoal, ao mesmo tempo que chefiou a Repartição da Direcção geral de Instrução Primária e, também, secretário Geral do Ministério; foi A.J.A. que, por volta de Maio de 1915, lhe “preparou” a nomeação para o cargo de Chefe dos Serviços de Curadoria Geral dos Serviçais, acumulando com Juiz da 2ª Vara, em S. Tomé e Príncipe; refira-se, ainda, que António José de Almeida foi padrinho no seu casamento com Judite Costa Feio, realizado a 19 Julho de 1911 – refª J.B., ibidem]

J.M.M.

sábado, 5 de outubro de 2013

UMA BOFETADA NA REPÚBLICA


“Os Centros Republicanos sempre comemoraram o 5 de Outubro. Sempre junto à estátua de António José de Almeida, quer durante a Primeira República, quer na Ditadura do Estado Novo e agora, ao longo da Segunda República. Mas sempre, arrostando durante a Ditadura com cargas policiais e selváticas.

Agora, acabou-se com o feriado do 5 de Outubro, curiosamente num tempo em que o Sr. Presidente da República louva esta e os seus ideais fazendo apelo à ética Republicana. Os dois anteriores Presidentes, Mário Soares e Jorge Sampaio, também o fizeram e com forte convicção.

Ora, quando os nossos Presidentes assim procedem, a República resulta em exemplo estimulante para os comportamentos que os actores políticos nem sempre, como tal, têm assumido.

Na Ditadura, foi a “República” que aglutinou o combate politico com as intervenções sacrificadas de muitos Republicanos. Os Congressos Republicanos de Aveiro foram disso exemplo notável. A República foi nesses difíceis tempos a voz, o coração e a coragem da Oposição.

O Governo, da República, decidiu extinguir o feriado do 5 de Outubro e ao fazê-lo, pelo menos, está a esquecer os seus fundadores republicanos, já mortos, companheiros de quem nos lembramos agora, Mário Montalvão Machado, Artur Santos Silva, José Augusto Seabra, Artur Andrade, Artur da Cunha Leal, Olívio França, Nuno Rodrigues dos Santos, entre outros.

Importa dizer NÃO, por Decência".

[texto via VITRIOL, com a devida vénia - sublinhados nossos] 
 
J.M.M. 

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ROMAGEM REPUBLICANA AO ALTO DE S. JOÃO (1963)


"Este governo, na treva autista do "excel" que o domina, aboliu feriados com referências identitárias nacionais, ferindo ainda mais a memória e a identidade dos Portugueses. Quero acreditar que um dia, tão breve quanto possível, a ignomínia seja reparada por um novo governo.
A 5 de Outubro costumo homenagear os meus dois Avós, ambos implantadores da República: Luís da Costa Santos, e José Summavielle Soares. Como sempre faço, irei pela manhã ao cemitério do Alto de S. João, e depois à estátua de António José de Almeida.

No tempo do Estado Novo dizer "viva a República!" era suspeito, e dava direito a abertura de ficheiro na PIDE. As romagens de 5 de Outubro ao Alto de S. João, eram normalmente brindadas à saída com cargas policiais a cavalo. Mas é curioso constatar que nem Salazar conseguiu abolir o feriado que esta gente limpou assim, sem "ai" nem "ui" que se notasse, salvo as certas, conhecidas, e honradas excepções.
Na foto abaixo (do arquivo do saudoso Diário de Lisboa), de um 5 de Outubro de 1963, na romagem Republicana ao Alto de S. João, está o meu Avô Luís [... da Costa Santos], então presidente do Centro Republicano António José de Almeida, com o ramo de flores na mão. Tempos duros, em que muita mais gente arriscava nessa manifestação, do que hoje, em Democracia, em que poucos são os que ali, todos os anos, não querem deixar que se apague a memória.... Mas lá estaremos, poucos talvez, mas firmes como sempre, pelos valores que defendemos e queremos honrar.

Viva o 5 de Outubro!
VIVA A REPÚBLICA!"

[Elisio Costa Santos Summavielle - via Facebook, com a devida vénia - sublinhados nossos]

J.M.M.
 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CORRIDA DE JORNAIS


CORRIDA DE JORNAIS: desenho de Silva e Souza, inO Zé”.

Com Machado Santos [Intransigente], Cruz Moreira [Os Ridículos], António José de Almeida [República], Brito Camacho [A Luta] e Afonso Costa [O Mundo].


J.M.M.  

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

31 DE JANEIRO: ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA

Um documento sobre o 31 de Janeiro de 1891, escrito por António José de Almeida em 1923, quando era Presidente da República.

Documento disponibilizado via Museu da Presidência da República no Facebook.

A.A.B.M.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

PROCLAMAÇÃO NO 5 DE OUTUBRO DE 1910



"Cidadãos! – O povo, o exército e a armada acabam de proclamar a República. A dinastia de Bragança, maléfica e perturbadora consciente da paz social, acaba de ser para sempre proscrita de Portugal.
Este facto estranho e famoso, que representa o orgulho de uma raça indomável e a redenção de uma pátria que a bravura tornou legendaria, enche de entusiástica alegria o coração dos patriotas.

Eis que finalmente termina a escravidão desta Pátria e se ergue luminosa na sua essência virginal a aspiração benéfica de um regime de liberdade.

Cidadãos! O momento que decorre redime e compensa de todas as lutas combatidas, de todos os transes dolorosos que se sofreram. E somente é preciso para ele ser o início de uma época de austera moralidade e impoluta justiça que todos os portugueses se unam numa harmoniosa comunhão de princípios. Façamos do nosso sacrifício pela Pátria a base do nosso programa político e de generosidade para com os vencidos a base do nosso programa moral.

Cidadãos! Que um só interesse o interesse pela Pátria, vos anime e uma só vontade, a vontade de ser grande, nos una!

A Republica confia do Povo a manutenção da ordem social, o respeito pela justiça e a dedicação pela causa comum da liberdade!

Consolidar com amor e sacrifício a obra que surge da Republica Portuguesa!
"

Proclamação distribuída na manhã gloriosa de 5 de Outubro de 1910 … Em rigor, esta proclamação foi o primeiro documento oficial emanado do Governo Provisório da Republica Portuguesa, mal esta se tornou um facto. O primeiro jornal que a inseriu foi O Mundo. Deve-se á pena do Sr. Dr. António José de Almeida

via Luís Guerreiro Facebook, com a devida vénia

J.M.M.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA: O TRIBUNO DA REPÚBLICA


Vai ser apresentado no próximo dia 11 de Janeiro de 2012, o livro António José de Almeida, O Tribuno da República, da autoria da Doutora Ana Paula Pires.

O evento vai ter lugar pelas 18.30h, na Biblioteca da Assembleia da República.

Para apresentar a obra está convidada a Professora Doutora Maria Fernanda Rollo.

Pode ler-se no currículo da Doutora Ana Paula Pires, de onde destacamos alguns elementos de maior importância:

2000 - Conclusão da Licenciatura em História pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a média de 15 valores.
Dezembro de 2004 – Mestre em História dos Séculos XIX e XX (Secção do Século XX) pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, com a classificação de “Muito Bom”.

19 de Abril de 2010 – Doutoramento em História, especialidade História Económica e Social Contemporânea na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa tendo obtido o grau apresentando uma dissertação intitulada Portugal e a I Guerra Mundial. A República e a Economia de Guerra, com a classificação de Muito Bom, com distinção e louvor, por unanimidade do Júri.


Prémios e Distinções:
Prémio de História Alberto Sampaio 2006.

Publicações:

"Persistência, tenacidade, ideia e arte: a metalurgia portuguesa durante a 1ª metade do século XX” in Engenho e Obra – uma abordagem à história da engenharia em Portugal do século XX, (coord.) José Maria Brandão de Brito, Manuel Heitor e Maria Fernanda Rollo, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2002, pp.150-155.

“Das oficinas metalúrgicas (séc. XIX) ao fabrico de precisão em série (1948)” in Engenho e Obra – Memória de uma Exposição, (coord.) Manuel Heitor, José Maria Brandão de Brito, Maria Fernanda Rollo, Henrique Cayatte, José Pessoa e Rui Trindade, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2003, pp.61-63.

“Da emergência à reconversão da metalomecânica pesada” in Engenho e Obra – Memória de uma Exposição, (coord.) Manuel Heitor, José Maria Brandão de Brito, Maria Fernanda Rollo, Henrique Cayatte, José Pessoa e Rui Trindade, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2003, pp.113-116.

“Presistência, tenacidade, ideia e arte: a metalurgia portuguesa durante a 1.ª metade do século XX” in Momentos de Inovação e Engenharia em Portugal no século XX – Grandes temas, Vol. II (coord) Manuel Heitor, José Maria Brandão de Brito et Maria Fernanda Rollo, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2004, pp.195-217.

“Contributos para a história da metalomecânica pesada em Portugal” in Momentos de Inovação e Engenharia em Portugal no século XX – Grandes temas, Vol. II (coord) Manuel Heitor, José Maria Brandão de Brito et Maria Fernanda Rollo, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2004, pp.861-879.

A Indústria de Moagem de Cereais. Sua organização e reflexos políticos do seu desenvolvimento durante a I República (1899-1929), Dissertação de Mestrado em História dos Séculos XIX e XX, Secção do Século XX, Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Lisboa, Setembro de 2004(Policopiado).

“Os “tentáculos do polvo” atravessam o Oceano: a aventura africana da Companhia Industrial de Portugal e Colónias durante a I República” in Ler História, n.º 47, 2004, pp.5-27.

“António de Sommer Champalimaud, um Marechal da Indústria e da Finança” in Memórias da Siderurgia. Contribuições para a História da Indústria Siderúrgica em Portugal, (Cord.) Maria Fernanda Rollo, Lisboa, História Publicações, Junho de 2005, pp.119-137.

Portugal e a I Guerra Mundial, Caleidoscópio, Lisboa, 2011.


Uma obra imprescindível para se compreender melhor a figura de António José de Almeida e como ele se tornou um "ídolo" para as populações da época.

Um evento e uma obra a não perder.

A.A.B.M.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

domingo, 3 de outubro de 2010

QUARENTA ANOS DE VIDA LITERÁRIA



AUTOR: António José de Almeida

TÍTULO: QUARENTA ANOS DE VIDA LITERÁRIA E POLÍTICA, J. Rodrigues & C.ª, Lisboa, 1933, IV volumes [com 315(1), 332(2), 292, 328 páginas respectivamente]

J.M.M.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ALMA NACIONAL - REVISTA REPUBLICANA



REVISTA: ALMA NACIONAL (reedição fac-similada)
DIA: 29 de Setembro (18,30 horas) - FNAC do Chiado
EDITOR: Paradela de Abreu

ALMA NACIONAL. Revista republicana - [I Série, nº1 (10 de Fevereiro 1910) à III Série, nº34 (29 de Setembro 1910)], Lisboa; Director: António José de Almeida; Colaboradores: A. De Matos Silveira, Agostinho de Lemos, Álvaro Vaz, António Ferrão, António José de Almeida, Aquilino Ribeiro, Basílio Teles, Emílio Costa, Estevão Correia, Estêvão de Vasconcelos, Guerra Junqueiro, João de Freitas, José de Lacerda, Leão Magno Azevedo, Manoel de Sousa Pinto, Mário Gomes, Miguel Bombarda, Raul Proença, Teixeira de Queiroz, Teófilo Braga, Tomás da Fonseca; Administração e Redacção, Rua da Emenda, 36, Lisboa; Impressão na Typ. A Editora, Lisboa; publica-se às quintas-feiras; 34 numrs, 544 pgs.

[Alma Nacional] "crónica severa, e ao mesmo tempo agitada, da nossa vida e a precursora da pátria nova(...) uma revista patriótica e um órgão de solidariedade universal (...) arma de combate contra a monarquia, elemento de educação para o povo e instrumento de propaganda nacional, levado à Inglaterra numa edição inglesa, e a todo o mundo numa edição francesa, de modo a integrar Portugal na corrente de opinião pública europeia. Não será uma obra truculenta, mas um grito de indignação e de revolta (...) será a revista de todos, da plebe, dos trabalhadores, dos oprimidos de hoje."

"Ela vai ser, por intermédio dos homens ilustres que o hão-de colaborar, um dos legítimos representantes do espírito nacional (...)

O que a Alma Nacional vai ser é um jornal humano. De orientação revolucionária, revolução para ela não quer dizer morticínio, destruição" [cf. Daniel Pires]

J.M.M.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

CONFERÊNCIA EM LOULÉ: ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA E A REPÚBLICA POR LUÍS REIS TORGAL


A Câmara Municipal de Loulé vai levar a efeito no próximo sábado, dia 5 de Junho de 2010, pelas 18 h, no Convento de Santo António, uma conferência sobre António José de Almeida e a República.

O conferencista será o Professor Doutor Luís Reis Torgal, professor universitário aposentado, investigador e recentemente vencedor do Prémio Joaquim de Carvalho da Imprensa da Universidade de Coimbra.

Uma actividade a não perder.

[Clicar na imagem para aumentar.]

A.A.B.M.

terça-feira, 13 de abril de 2010

CARTA PATENTE DE JOSÉ JOAQUIM RAMOS



Carta Patente de José Joaquim Ramos, assinada por António José de Almeida e Fernando Augusto Freiria [(1877-1955) Ministro da Guerra do Governo de Cunha Leal, opositor ao golpe de 28 de Maio e participante na revolta de Fevereiro de 1927 e na de 1931. Foi preso e deportado], em 22 de Junho de 1922 - via República 100 Anos

J.M.M.

sábado, 19 de maio de 2007

JANTAR REPUBLICANO


Jantar Republicano

Na foto: Bernardino Machado, Alexandre Braga, Afonso Costa, Magalhães Lima, António José de Almeida e João de Menezes

in, Arquivo Fotográfico

J.M.M.