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terça-feira, 16 de outubro de 2018

A GRANDE GUERRA NO PARLAMENTO



LIVRO: A Grande Guerra no Parlamento;
AUTORAS
: Maria Fernanda Rollo e Ana Paula Pires;
EDIÇÃO: Coleção Parlamento, 2018.

“A República Portuguesa ainda não tinha completado quatro anos, quando o herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco Fernando, e a sua mulher, a duquesa de Hohenberg, foram assassinados por Gravrilo Princip, em Sarajevo, a 28 Junho de 1914. A notícia da eclosão da guerra na Europa chegou ao Parlamento português, pela voz do Presidente do Ministério Bernardino Machado, a 7 de Agosto.

No verão de 1914, quando a guerra na Europa teve início, o exército português tinha apenas três períodos de treino, encontrando-se em plena reorganização e, como tal, mais orientado para a defesa interna do que para qualquer tipo de intervenção na Europa ou em África.  

O volume que agora se edita, analisa e interpreta os debates que ocorreram no Parlamento português, entre agosto de 1914, data da eclosão da Grande Guerra na Europa, e 1921, ano em que se realizou a cerimónia de transladação para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, dos corpos de dois soldados desconhecidos portugueses, mortos em África e na Flandres. Ficam de fora desta análise dezenas de debates relativos à temática das reparações de guerra e à participação de Portugal na Conferência da Paz, discussões que pela sua importância, especificidade e recorte cronológico, necessitariam, por si só, de um único volume.

O livro mostra-nos um país dividido relativamente à sua posição na intervenção na guerra na Europa e descreve-nos, de forma detalhada, as dificuldades económicas e financeiras sentidas pela República, tanto a nível interno corno externo, durante os anos da conflagração. Analisa em detalhe o papel dos políticos e dos diplomatas, homens de cuja decisão dependeu a intervenção de Portugal na Guerra, criticando a respetiva capacidade de gerir, tanto os impactos da Guerra no país, como as tensões que caracterizaram, ao longo de toda a conjuntura bélica, as relações entre os diferentes agrupamentos políticos e o Estado republicano.

Foram cerca de 62 os parlamentares que, entre 1914 e 1918, combateram na Grande Guerra, na Europa, em África e no Atlântico. Entre estes deputados, alguns sofreram ferimentos graves, como Velhinho Correia ou José Afonso Pala, gravemente ferido em África e que viria a morrer, em 1915, na sequência desses ferimentos, e o primeiro-tenente José Botelho de Carvalho Araújo, eleito deputado em 1911 e grande defensor da intervenção de Portugal na Grande Guerra, morto em combate, no Atlântico, a 14 de outubro de 1918”
 
[in contracapa da obra - sublinhados nossos]
 
 

J.M.M.

domingo, 5 de novembro de 2017

[CONFERÊNCIA] O ALMIRANTE AUGUSTO EDUARDO NEUPARTH (1859-1925). CIÊNCIA E RAZÃO DE ESTADO



CONFERÊNCIA: O Almirante Augusto Eduardo Neuparth (1859 – 1925) Ciência e Razão de Estado;
DIA: 7 de Novembro 2017 (17,30 horas);

ORADOR: [Académico] Carlos Manuel Baptista Valentim;
LOCAL: Auditório da Academia de Marinha [Rua do Arsenal, porta H], Lisboa;
ORGANIZAÇÃO: Academia de Marinha.

Augusto Eduardo Neuparth, ilustre oficial da Marinha, engenheiro hidrógrafo (de que foi notável especialista, com vários e valiosos trabalhos realizados e publicados), republicano e maçon, Ministro da Marinha e Colónias (pertenceu ao último governo de Bernardino Machado), Director-Geral da Marinha e das Obras Públicas, presidente da Comissão de Pesca, director da revista “Pesca Marítima”, um conhecedor e apaixonado de assunto navais e da pesca marítima, nasceu em Lisboa a 11 de Outubro de 1859 e era filho de Virgínia Júlia de Oliveira Basto e do músico Augusto Neuparth (1830-1887)

[Augusto Neuparth (1830-1887) foi músico da Real Câmara, professor do Conservatório Real de Lisboa e da Real Academia dos Amadores de Música. Presidente da Associação de Musica 24 de Junho e do Montepio Filarmónico. Era filho de Eduardo Neuparth, também músico, e da sua segunda mulher, Margarida Boehmler (cf. Esteves Pereira, Diccionario historico, chorographico, heraldico, biográfico, vol1). Augusto Neuparth seguiu os ensinamentos de seu pai e aos 17 anos, estreia-se como concertista, entrando depois (1848) para a orquestra do Teatro de S. Carlos. Extraordinário executante de diferentes instrumentos musicais e excelente compositor (estudou música em Leipzig e Paris – aqui aprendeu saxofone, tornando-se exímio nessa arte), deixou-nos um curioso livro, “Lições de Harmonia, Contraponto e Fuga, …” (1853), além de várias composições. Foi professor do Conservatório (1862), seu secretário e delegado ao Conselho Superior de Instrução Pública, proprietário de um estabelecimento de musica na rua Nova de Almada, redactor (e proprietário) da revista musical “O Amphion”. Morre a 20 de Junho de 1887 e o seu funeral foi “imponentíssimo”]  

Augusto Eduardo Neuparth tomou praça na Companhia dos Guardas-Marinhas (1879), cursou na Escola Politécnica de Lisboa, na Escola do Exercito e na Escola Naval, obtendo carta de engenheiro hidrógrafo.
 
 

Seguiu a carreira de oficial da marinha (foi promovido a contra-almirante em 1917 e a vice-almirante em 1919), estagiou nas colónias portuguesas de Africa, dedicando-se ao estudo de assunto geodésicos, hidrográficos, topográficos e de pesca marítima. Embarcou como oficial de guarnição em diferentes navios, serviu de secretário de Brito Capelo na expedição ao Zaire, tomou parte em outras várias expedições. Em todas elas apresentou trabalhos de grande competência e valia científica. Refira-se, o serviço realizado no Real Observatório Astronómico de Lisboa, na direcção dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos. Fundou e dirigiu a revista “A Pesca Marítima”. A sua obra bibliográfica é importante, pelos vários estudos sobre Moçambique, sobre a implantação de “faróis” ao longo da nossa costa (foi chefe da secção de faróis no Ministério da Marinha).

Augusto Eduardo Neuparth foi um republicano independente (porém perto de António José de Almeida, que curiosamente acompanha em missão ao Brasil, em 1922, na qualidade de representante da Marinha), adversário de Sidónio Pais, tendo sido preso, por isso, quando se encontrava a chefiar o cruzador Vasco da Gama (ao que parece, estaria integrado na revolta de 8 de Dezembro). Ao longo da sua carreira prestou importantes serviços à República desempenhando cargos navais nos Açores e na India, foi presidente da Comissão de Pescas, Ministro da Marinha e Colónias (1914), chefiou a base Naval dos Açores (1918), comandou o cruzador Vasco da Gama e foi diretor-geral da Marinha e Obras Públicas. Teve inúmeras condecorações pelos serviços distintos que realizou [ver Esteves Pereira, ibidem]

Augusto Eduardo Neuparth integrou o Grande Oriente Lusitano Unido, tendo sido iniciado na loja “Cruzeiro do Sul”, nº211 [Lourenço Marques; a loja praticava o REAA e foi fundada em 1900, mantendo-se em atividade até á clandestinidade; a loja maçónica “Cruzeiro do Sul” foi importante, tendo tido uma valiosa atividade profana, nomeadamente na fundação da Associação dos Velhos Colonos (1919), no criar da Escola Industrial de Artes Decorativas, ao patrocinar a Escola Comercial, bem como no fomento de associações de caracter social relevante] a 10 de Janeiro de 1900, passando a coberto no final desse mesmo ano [cf. António Ventura, A Marinha de Guerra Portuguesa e a Maçonaria, p. 79]

Morre em 24 de Agosto de 1925, na sua residência (rua Rodrigues da Fonseca) em Lisboa.        
 
J.M.M.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

MANUEL TEIXEIRA GOMES- A SUBSTITUIÇÃO POR BERNARDINO MACHADO

Assinalando o lançamento da obra biográfica sobre Manuel Teixeira Gomes, com autoria de José Alberto Quaresma, agora editado pelo Museu da Presidência da República e pela Imprensa Nacional Casa da Moeda e a que desejamos o maior sucesso, lembramos o momento em que Manuel Teixeira Gomes foi substituído pelo Dr. Bernardino Machado nas funções de Chefe de Estado, no mês de Outubro de 1925.

Neste caso com a publicação da capa do jornal O Mundo do dia 12 de Outubro de 1925.

Manuel Teixeira Gomes merecia uma biografia actualizada e consultando documentos que até há pouco tempo estavam ainda sob reserva e de difícil acesso e que agora as novas tecnologias permitem aceder e consultar com alguma facilidade.
O ilustre algarvio que chegou à Presidência da República era um conhecido apaixonado pela arte, com grandes amigos artistas e essa foi uma das vertentes analisadas.
Os presentes vão poder assistir em primeira-mão ao "trailer" do filme Zeus, uma longa-metragem de Paulo Filipe Monteiro, dedicada à vida e obra do Presidente Manuel Teixeira Gomes. Para ver com atenção.


 A não perder amanhã, dia 18 de Outubro de 2016no edifício do antigo Picadeiro Real (Museu Nacional dos Coches), às 18.30h.

Para seguir com atenção e participar no evento.

A.A.B.M.


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

CENTENÁRIO DA 1ª PRESIDÊNCIA DE BERNARDINO MACHADO (1915-1917) - EXPOSIÇÃO EM FAMALICÃO


Inaugura-se amanhã, no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão, a exposição que assinala o centenário da primeira eleição de Bernardino Machado para a Presidência da República Portuguesa.

Pode ler-se no texto de divulgação da exposição:
O Museu Bernardino Machado tem a honra e o prazer de convidar V. Ex.ª para estar presente na sessão de abertura e inauguração da exposição “Centenário da 1ª Presidência de Bernardino Machado (1915 – 1917)”, que se realizará no próximo dia 7 de Agosto (sexta-feira), pelas 21h30, no Museu Bernardino Machado, em Vila Nova de Famalicão.

Seguem uma fotografia de Bernardino Machado no Semanário Humorístico O Zé de 10 de Agosto de 1915 e uma caricatura a propósito da eleição,publicada em 17 de Agosto desse ano.


Seguem-se duas capas de jornais diários de diferentes orientações políticas e a notícia noutro:


Clicar nas Imagens para aumentar.

A acompanhar e a visitar com toda a atenção.

A.A.B.M.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

MEU CARO IRMÃO JOSÉ PINHEIRO DE MELLO


[FOTO: Carta de Bernardino Machado para José Pinheiro de Melo, datada de 6 de Dezembro de 1896 (Coimbra) - via Manuel Sá Marques]
 
[BERNARDINO MACHADO E A MAÇONARIA]
 
as más línguas diziam que Bernardino Machado saiu da Maçonaria por causa de não pagar as quotas! Antes pelo contrário: saiu por causa da sua ideia, defendendo as instituições livres, as associações livres (o mesmo para a Maçonaria), sem secretismos. José Pinheiro de Melo foi um dos principais adversários de Bernardino Machado.
 
O Dr. Manuel Sá Marques oferece-nos mais estas reflexões. O meu abraço de fraterna amizade]  via Amadeu Gonçalves Facebook
 
 
 
FOTO: Da esq. para a dir. -  Luís Filipe da Mata, António José dos Santos Pousada, Bernardino Machado, José Pinheiro de Melo e José Maria Feio Terenas
via Manuel Sá Marques, com a devida vénia
 
J.M.M.
 
 
 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

ELOGIO HISTÓRICO DO ACADÉMICO BERNARDINO MACHADO NA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA

Realiza-se amanhã, 26 de Junho de 2014, pelas 15 horas, na Academia das Ciências de Lisboa o Elogio Histórico do Académico Bernardino Machado, na sessão académica da Classe de Letras e Ciências, pelo Dr. Mário Soares.

A saudação será feita pelo Professor Doutor Artur Anselmo.

Uma sessão a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

BERNARDINO MACHADO: O PEDAGOGO - EXPOSIÇÃO

Numa organização da Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, em colaboração com o Museu BernardinoMachado, a exposição “Bernardino Machado, O Pedagogo” vai ser inaugurada no próximo dia 21 de Setembro de 2013, pelas 17h00, no respectivo Museu, na R. Adriano Pinto Basto. 

A exposição Bernardino Machado, O Pedagogo é constituída por 16 temas, a saber: i) “O Ensino e a sua Importância”; ii) “A Aprendizagem. Entre o Hereditário e o Adquirido”; iii) “Liberdade de Ensino. Público ou Privado?”; iv) Processos de Ensino. Aprendizagem; v) Instrução e Educação”; vi) “Ensino Infantil e Primário”; vii) “A Instrução Popular. Sociedades Particulares de Instrução; viii) “O Ensino Secundário”; ix) “O Ensino Profissional”; x) “O Ensino Comercial e Industrial”; xi) “Ensino Agrícola”; xii) “A Academia e o Ensino Universitário”; xiii) “A Universidade e o Ensino”; xiv) “A Revolta Académica” (1907); xv) “O Ensino e a Política” e xvi) “Cronologia Pedagógica”.

 Cada painel temático terá não só as suas imagens respectivas, como igualmente os textos (fragmentados) teóricos de Bernardino Machado sobre a instrução e a pedagogia, retirados de títulos emblemáticos como, por exemplo, “O Ensino” (1898), “Afirmações Públicas” (1888), “Conferências de Pedagogia” (1900), “Da Monarquia Para a República” (1908), “Notas Dum Pai” (1903), “O Ensino Primário e Secundário” (1899), “Pela República” (1908), “O Estado da Instrução Secundária Entre Nós” (1882), “A Universidade e a Nação” (1904), “A Socialização do Ensino” (1897), “A Indústria” (1898), “A Agricultura” (1900), “O Ensino Profissional” (1899), “A Academia de Coimbra” (1906), entre outros títulos. 

Recorde-se que a Câmara Municipal de V. N. de Famalicão, as Edições Húmus e o Museu Bernardino Machado já editaram os três tomos de Pedagogia da Obra de Bernardino Machado, respectivamente em 2009 e 2010, tendo o primeiro uma introdução de Rogério Fernandes e os outros dois de Norberto Cunha, coordenador científico não só do respectivo Museu, como igualmente das Obras do patrono.

Uma exposição que se recomenda.

A.A.B.M.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

BERNARDINO MACHADO


► O Capitão Pina de Morais ao lado do antigo Presidente da República, Dr. BERNARDINO MACHADO, pouco depois do regresso do último a Portugal, em 1940. No segundo plano, o Dr. Ângelo Vaz e uma filha do Presidente.

in SEARA NOVA, nº 1270-1271, Janeiro de 1953

via Casa Comum
 
J.M.M.

terça-feira, 28 de maio de 2013

PARLAMENTARES DA REPÚBLICA EM LIVRO



No próximo dia 30 de Maio de 2013, pelas 18.30 h, vão ser apresentadas três obras, publicadas na colecção Parlamento, editada pela Assembleia da República. As três obras referem-se a três figuras incontornáveis da I República Portuguesa: António Granjo, Bernardino Machado e José Domingues dos Santos.


Os títulos e autores completos são os seguintes:
- Ernesto Castro Leal e Teresa Nunes, António Granjo: República e Liberdade;
- Maria Alice Samara, Bernardino Machado: Uma Vida de Luta;
- António José Queiroz, José Domingues dos Santos.

As três obras vão ser apresentadas pelo Prof. António Reis.

Uma sessão a não perder e três obras que também desejamos conhecer melhor,com os nossos votos de muito sucesso para a sessão.

A.A.B.M.

sábado, 18 de maio de 2013

BERNARDINO MACHADO, POLÍTICA (TOMO III): LIVROS

No Dia Internacional dos Museus, 18 de Maio, no Museu Bernardino Machado, pelas 17h00, apresentação do III Tomo-Política (1910-1914) das "Obras" de Bernardino Machado, a cargo do Prof. Jorge Alves. A propósito da obra do Governo Provisório, num discurso que Bernardino Machado proferiu no Centro Escolar Fernão Botto Machado em 4 de Junho de 1911, diria: "...à medida que estreitarmos os nossos vínculos internos, mais solidamente cimentaremos, também, a nossa vida internacional."

Uma iniciativa que se saúda e se divulga.

A.A.B.M.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

BERNARDINO MACHADO, PEDAGOGO - CONFERÊNCIA

Continuando na senda do excelente trabalho desenvolvido pelo Museu Bernardino Machado, vai realizar-se na próxima sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2013, pelas 21.30 h, mais uma conferência do ciclo dedicado a Pedagogos e Pedagogia (Dos finais do século XIX ao último quartel do século XX).

O conferencista é um homem da casa, o Prof. Norberto Ferreira da Cunha e vai apresentar as suas ideias fundamentais sobre o papel de Bernardino Machado, pedagogo.

Com os nossos votos de muito sucesso para mais esta louvável iniciativa.

A.A.B.M.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

121º ANIVERSÁRIO DO 31 DE JANEIRO DE 1891



Na revista Ilustração Portuguesa, de 1916, pode confirmar-se a grandiosa manifestação realizada no Porto por ocasião do 25º aniversário do 31 de Janeiro.

Participaram nessas comemorações o Presidente da República Bernardino Machado e Afonso Costa, que contaram com uma multidão a acompanhar o seu percurso pela cidade.

Nessa ocasião, procedeu-se à inauguração de uma nova avenida na cidade onde se deram os acontecimentos.

A.A.B.M.

sexta-feira, 25 de março de 2011

JOSÉ LOPES DE OLIVEIRA (1881-1971)



AQUI se referiu o republicano José Lopes de Oliveira, nascido em Mortágua, bacharel em Direito, professor de História e Geografia no Liceu de Viseu (e no Passos Manuel, onde chega a reitor) e director da Escola Normal de Lisboa, maçon (Ir. Rousseau, iniciado na Loja Portugal, de Coimbra), chefe de gabinete de Bernardino Machado, escritor e historiador interessante, com vasta obra publicada [ver AQUI] e curiosa participação em diversos periódicos (jornais e revistas) – ver biobibliografia AQUI.

As fotos, acima, são de duas peças memorialistas de Lopes d’Oliveira [ver AQUI]:

- Rema sempre!: memórias, crítica, paisagem, Lisboa, Cosmos, 1940.
- ... E mesmo contra a maré!: memórias, crítica, paisagem, Lisboa, Universo, 1945.

… República! Esta palavra, nos seus lábios [refere-se a António José de Almeida – nota da livraria Frenesi], tinha a magia das revelações religiosas; e, ora soava como uma prece, ora como um cântico, ora como um “dies irae”, e evocava o fragor dos ingentes prélios, a fúria das imprecações, o desespêro dos naufrágios, a miséria, a opressão, iniqùidade, concentrando o tumultuar da revolta, o clarão da vitória e o clamor da alvorada! (…)

De facto, ver êste homem na tribuna era assistir a um deflagrar de tempestade …


Lopes d’Oliveira, in Rema Sempre … [via Frenesi]

J.M.M.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

DIGITALIZADOS – REVISTAS & JORNAIS DO ESPÓLIO BERNARDINO MACHADO



A Fundação Mário Soares – que tem prestado um serviço público inestimável à cultura portuguesa – disponibilizou online um conjunto de publicações periódicas pertencentes ao espólio Bernardino Machado, doado pela família Machado Sá Marques, que aqui saudamos com especial estima e amizade.

Assim, no espólio online referente a Bernardino Machado, é possível encontrar um conjunto curioso de documentos – correspondência variada, fotos, desenhos, recortes de jornais, panfletos, notas & registos políticos, jornais e revistas -, que diz respeito:

- Actividade Pedagógica e Cultural;
- Actividades Políticas: antes de 1903; após 1903; Sidonismo; Exílios [do inventário, registemos alguma documentação referente ao período 1926-1942, em especial os testemunhos da Aliança Republicano-Socialista da Régua, um assinado pela Federação dos Anarquistas Portugueses Exilados, uma circular emitida pelo Diário da Noite (jornal republicano, 1932), outras provenientes do Mestre da Loja Cap. Areop. Montanha, Val. de Lisboa, de cunho maçónico];
- Agendas [trata-se de notas do punho de Bernardino Machado, com referências a diversos acontecimentos nacionais; em especial registe-se os relativos à revolta de Dezembro de 1917 e ao Sidonismo];
- Desenhos e Caricaturas [aponte-se, pelo seu carácter invulgar, o Caderno intitulado "Conheces-me? Concurso de Mascarados", retirado de um jornal, que apresenta um vasto número de caricaturas bem curiosas sobre alguns dos nomes sonantes da República];
- Documentos Pessoais;
- Fotografias [uma nos suscita a atenção, aquela que reproduz, num "verso de panfleto", os retratos de João Chaves, Maria Veleda e Machado Santos];
- Manuscritos & apontamentos avulsos [trata-se de diversos apontamentos tomados por Bernardino Machado no decorrer da sua vida política e social];
- Recortes/Jornais: conjunto apreciável de jornais e revistas, números únicos publicados, alguns raros, de importância para a bibliografia republicana, como, por exemplo:

31 de Janeiro (1910) / 5 de Outubro (1925) / A Bomba (Porto, 1912) / A Caveira (Lx, 1914) / A Comédia Portuguesa (1902) / A Farça (1910) / A Garra (1911) / A Nova Pátria (nº comemorativo da revolução de 31.JAN.1891 e da proclamação da República em 05.OUT.1910 e 1911) / A Paródia / A Raça (Abril 1930) / A Sátira (1911, ed.Stuart Carvalhais) / A Semana (1911, dir. Emílio Costa) / A Verdade (Janeiro 1934) / Charivari (1914) / Diário da Noite (1932) / Dó-Ré-Mi (1914) / Maria Rita (1932) / O Cidadão Soldado (1913) / O Clarim (1921) / O Despertar (1914) / O Espectro (1925, dir. Artur Leitão) / O Malho (revista brasileira) / O Matias (1913) / O Mundo (vários recortes) / O Sorvete (1898) / O Thalassa (alguns números) / O Vira (1906, direc. Alberto Costa) / O Zé (1910) / Os Pontos (1903) / Papagaio Real (1914, dir. Alfredo Lamas / Recortes diversos de jornais / Republica (numrs. espaciais comemorativos) / Repúblicas (jornal de 1884) / Varões Assinalados (1909).

consultar o espólio Bernardino Machado AQUI.

J.M.M.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ELEIÇÕES


"Quando um corpo cai sobre outro, pode não o despedaçar, mas aquece. Também em todas estas lutas cívicas aquecemos e vamos mais e mais excitando em nós o espírito republicano revolucionário.

Sim! Todos os republicanos portugueses somos hoje revolucionários, não o podemos deixar de ser, somo-lo por necessidade.

A revolução é o conflito fatal entre um regime que se torna cada vez mais reaccionário e uma sociedade que se torna cada vez mais avançada. Não podendo operar-se o progresso da nação pelo progresso das instituições, opera-se em luta contra elas; e, não podendo portanto chegar-se à República pela evolução do poder, tem de chegar-se lá pela revolução popular. É inevitável. E é o que tem de acontecer entre nós, porque nos últimos anos a nação portuguesa incessantemente progrediu e o regime incessantemente retrogradou.
"

Bernardino Machado, Eleições Locais - Conferência pronunciada na Sede da Comissão Municipal Republicana de Lisboa em 16 de Outubro de 1908, Typ.Bayard, 1908

via blog Literatura & Filosofia

J.M.M.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

BERNARDINO MACHADO - MAÇON (BREVE NOTA)


Bernardino Machado nasceu no Rio de Janeiro (28/03/1851) e faleceu no Porto (29/04/1944). Bacharel em Matemática (15/07/1873), Licenciado (14/01/1875) e Doutor em Filosofia (02/07/1876) pela Universidade de Coimbra. Deve-se a Bernardino Machado a criação e ensino oficial da cadeira de Antropologia na Universidade de Coimbra. Foi Secretário da Faculdade de Filosofia (1877-1879) e Director do Museu de História Natural, Antropologia (1885-1907). Foi, ainda, Director do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa. Deixou publicada uma extensa obra pedagógica, científica e política [ver biobibliografia AQUI]

Em 1882 ingressa no Partido Regenerador. Foi deputado entre 1883-1887, Par electivo do reino (1890-95) e Ministro das Obras Públicas do gabinete de Hintze Ribeiro-João Franco (1893), tendo-se demitido do cargo. Em 1903 adere ao Partido Republicano, tendo sido Presidente do seu Directório (1906-1909). Professor da Universidade de Coimbra, em 1907, é solidário com a greve académica, tendo sido exonerado (25/04/1907). Foi deputado eleito às Constituintes de 1911 por Lisboa Oriental. Foi candidato ao lugar de Presidente constitucional da República, tendo perdido para Manuel de Arriaga. Foi senador (1911-15; 1919-25). Em 1912 (20/01) é nomeado Ministro de Portugal no Brasil e em 1913 (1/11) torna-se embaixador nesse país até 1914. Foi Presidente do Ministério (de Fevereiro a Dezembro de 1914), dos Negócios Estrangeiros (até Março de 1914), Ministro do Interior (Junho a Dezembro de 1914; e em 1921), Ministro da Justiça (interinamente; 1911 e 1914) e Ministro da Agricultura (1921). Foi eleito Presidente da República em 1915 (06/08) e em 1917 (08/12) é "aprisionado e banido" do país, no seguimento da revolta de 5 de Dezembro, chefiada por Sidónio Pais. Em 1919 regressa do exílio [esteve exilado duas vezes; 1917-19 e 1927-1940] e é eleito pelo Congresso Presidente em 1925 (11/12) para "completar o mandato renunciado por Teixeira-Gomes", tendo entregue "os poderes presidenciais a Mendes Cabeçadas" na sequência do movimento de 28 de Maio de 1926, que instalou a Ditadura. Exilado (1927), fixa residência em França e regressa em 1940, com residência fixa em Paredes de Coura. Morre a 29 de Abril de 1944.

Bernardino Machado foi iniciado em 1874, na Loja "Perseverança", nº 74, de Coimbra [loja do RF, instalado em 1873, Capitular em 1874. Extingue-se em 1876], com o nome simbólico de "Littré". Pertenceu (1892) à Loja "Razão Triunfante", nº 107 do RF, Lisboa [loja que transitou, mais tarde, para o REAA; esteve fora do GOLU, tendo aderido ao Grande Oriente de Portugal e, mais tarde, cinde novamente da Obediência, seguindo o Supremo Concelho de grau 33º. Abate colunas durante a clandestinidade]. Foi Presidente do Conselho da Ordem (1892-1895). Atingiu em 1895 o grau 7º do RF e o grau 33.º do REAA (de cujo conselho fez parte). Entre 1895-1899 foi Grão-Mestre do GOLU e Soberano Comendador do Supremo Conselho de grau 33º [1895-1899; 1929-1944]. Foi-lhe concedido (1902) o cargo de Venerável honorário da loja "Pátria", nº222, do RF, de Coimbra [abate colunas em 1909]. É Director do Asilo maçónico de S. João, Lisboa, entre 1902-1904. Integra em 1903 (30/05) a Loja "Fernandes Tomás", nº212, do RF, da Figueira da Foz [loja fundada por decreto maçónico nº16, de 10 de Junho de 1910 e instalada a 22 de Setembro, desse ano. Esteve particularmente activa entre 1900-1935]. Foi-lhe concebido o cargo de Venerável honorário da Loja "Fernandes Tomás" (24/08/1904). É membro honorário do Supremo Conselho dos Soberanos Grandes Inspectores Gerais do Grau 33, de Espanha, desde 1904. Em 1910, pertence à Loja "Elias Garcia", nº 184, do RF, de Lisboa [instalada em 1893, passa a Capitular em 1898, tendo transitado para o REAA em 1912. Abate colunas em 1928]. Em 1914, acompanha a cisão da maioria do Supremo Conselho, tendo reentrado na obediência anos depois. Integrou desde 1929 a Loja "Fraternidade Colonial", nº406, do REAA, de Lisboa [fundada em 1921, Capitular nesse ano, Areopagita em 1923 e Consistorial em 1925. Em 1952, mantinha-se em actividade].

FONTES: A Loja Fernandes Tomás, nº212 da Figueira da Foz (1900-1935). O Arquivo e a História, Divisão de Museu, Bibliotecas e Arquivos, Figueira da Foz, 2001 / Dicionário de Maçonaria Portuguesa, de A. H. de Oliveira Marques, Editorial Delta, 1986, Vol. I e II.

FOTO: Bernardino Machado, quadro a óleo de António Carneiro, presente no Grémio Lusitano; retirado, com a devida vénia, do blog "Bernardino Machado".

J.M.M.