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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

PERIÓDICOS ANTINAPOLEÓNICOS: O SEMANARIO LUSITANO CONTINUADO PELO MERCURIO LUSITANO


O Semanário Lusitano. Ano I, nº 1 (3 Maio de 1809) ao nº ??, de Agosto 1812; Redactor: Teodoro José Biancardi; Oficinas da Impressão Régia de Lisboa, Lisboa, 1809-1812.

O Mercúrio Lusitano. Ano I, nº 1 (1 Setembro 1812) ao nº 695 (22 Dezembro 1815; Redactor: Teodoro José Biancardi; Oficinas da Impressão Régia de Lisboa, Lisboa, 1812-1815.
Vendia-se na loja da Gazeta, na de Carvalho (defronte à boca da rua de S. Francisco), na loja de Nascimento (rua dos Algibebes).

Trata-se de uma folha informativa escrita pelo publicista Teodoro José Biancardi que tinha antes editado e colaborado no periódico Lagarde Portuguez de Luís Sequeira Oliva, como aqui nos referimos. Como outras folhas, dava notícias políticas, a que se seguia curiosos considerandos e reflexões. O Semanario Lusitano tem inicio a 3 de maio de 1809 e vai até 1812, onde muda de título para Mercurio Lusitano, terminando em 1815.  
A questão do periodismo depois das invasões francesas é bem curioso. Na verdade, a imprensa periódica portuguesa até aí não tinha expressão, apenas existia a Gazeta de Lisboa. Deste modo o aparecimento de folhetos, opúsculos, impressos nacionalistas e do jornalismo antinapoleónico (os franceses tinham na sua alçada, a Gazeta de Lisboa e o Diário do Porto), como o Leal Português (Porto, 1808-1810), Minerva Lusitana (Coimbra, 1808-1811), a Gazeta de Almada (1808), o Correio do Outro Mundo (1808), o Lagarde Portuguez ou a Gazeta depois de jantar, o Semanário Lusitano (1809-1812), o Diário Lisbonense (1809-1813; de Estêvão Brocard), e muitos outros, que rapidamente surgiram (com autorização tácita da Regência), tornaram as posições e interesses patrióticos sobejamente defendidas. Entre 1808-1809 existiram muitos periódicos no país (aponta-se para a existência de 24), quase todos circulando entre Portugal e Espanha ou então citados e traduzidos, pelas notícias militares dos êxitos obtidos por ambos os exércitos contra a França de Bonaparte (cf. Péricles Pedrosa Lima, A corte no Brasil e os periódicos portugueses:1808-1821).
O tom satírico, panfletário, a par de conteúdos políticos mais sérios, a circulação e o debate de ideias, fizeram destas folhas ou periódicos, na sua maior parte antinapoleónicos, num país pouco habituado a tais expressões de (relativa) liberdade de imprensa terem uma extraordinária importância, quer informativa quer literária. A censura volta em força a partir de 1810, curiosamente no período da Setembrizada e da perseguição à Maçonaria, o que explica, em parte, o enorme sucesso obtido pelos jornais da emigração entre nós. Porém, a aprendizagem adquirida por esses papéis “libertinos e sediciosos” (Agostinho de Macedo) fez com que o país jamais pudesse ser a mesmo: foi dado ao grande público a possibilidade de aceder a notícias e informações relevantes da sociedade e do mundo, e portanto à divulgação de novas e civilizadas ideias, procurou-se o debate político e a procura de uma maior ilustração, pelo tudo isso deixou marcas profundas. Isto é, as transformações operadas nas mentalidades, principalmente nas classes emergentes com interesses desenvolvimentistas liberais ou constitucionais, fizeram o seu próprio e silencioso percurso. Os jornais da emigração souberam muito bem ler e compreender essa avidez de liberdade.


Theodoro José Biancardi (1777-1854) nasce em Lisboa (é batizado na Igreja das Mercês) e, ou que se sabe [vide Diccionario de Inocêncio F. da Silva; idem Diccionario de Esteves Pereira], exerceu cargos governamentais, trabalhando como Oficial da Secretaria do Estado e foi um escritor político interventivo.  
Publica, em 1808, o folheto Successos do Alemtejo, onde faz o resumo das ocorrências verificadas no decurso da restauração do reino e expulsão do exército francês. Esta obra, que narra a crueldade do comandante das forças francesas Loison na revolta em Évora, provoca uma resposta do tenente general espanhol, D. João Carrafa (a quem Biancardi pedia responsabilidades), a que sucede a competente réplica de Biancardi (de permeio, outros mais intervieram, caso de Federico Moretti e Cascone), Resposta ao manifesto que fez imprimir em Cadiz o Tenente General D. João Carrafa contra a obra intitulada Successos do Alemtejo (Impressão Régia, 1811).

Em 1809 é autor do romance epistolar Cartas Americanas (Impressão Régia; teve várias edições, a última em 1820, pela Impressão de Alcobia) onde se “descreve os usos e costumes de Lisboa, assim como huma narração desde a sahida de S. A. R. para o Brasil". A novela toma como modelo as Cartas Persas de Montesquieu (cf. Simone Cristina Mendonça de Souza, Cartas Americanas, 2008; Pinheiro Chagas, no seu Dicionário, sobre este assunto entre as Cartas de Biancardi e de Montesquieu, diz que elas se parecem tanto “com um ovo como com um espeto e já não dizemos no talento com que são escritas”), onde o “o luxo, escravidão, modas, educação das mulheres, Teatros, jogo, demandas, influência das Artes e Ciências nos costumes dos povos, e por ultimo o Governo e Administração dos Franceses em Portugal” estão bem presentes. Teve algum sucesso esta novela porque quase de imediato ao Rio de Janeiro. Ainda neste ano surge como colaborador do Telegrafo Portuguez, de Luís de Sequeira Oliva, porém poucos artigos apresentou.
Saindo de colaborador do Telegrafo Portuguez, Biancardi lança a sua própria folha política, Semanário Lusitano [nº 1 (3 Maio 1809) ao nº ??? (1812), Impr. Régia]. Em 1812, é substituído este periódico pelo Mercúrio Lusitano [nº 1 (1 Setembro 1812) ao nº 695 (22 Dezembro 1815), Impr. Régia]. Curiosamente, a 20 de Outubro de 1812, Sequeira Oliva, ao nº 84 do seu Telegrafo Portuguez publica um artigo a propósito do uso excessivo de palavras francesas (“Guerra às palavras afrancezadas”) que Biancardi considera direccionado para a sua pessoa, dando início a uma polémica entre os dois. Segundo o saudoso professor José Tengarrinha (Nova História da Imprensa Portuguesa, p. 228), o periódico chegou “a noticiar as Cortes Constituintes de Cádis, o que certamente não terá sido do agrado das autoridades portuguesas”.  

Em 1810 traduz (surge anonimo, mas é-lhe atribuído a tradução) do espanhol o folheto A voz da America proclamação que circulava por toda a America hespanhola e que manifesta geralmente o voto de que seja eleito para Regente e futura Senhora de Hespanha a senhora D. Carlota Joaquina de Bourbon (Impr. Régia, 1810).
Por volta de 1816, viajou para a cidade do Rio de Janeiro e, após a independência, torna-se brasileiro, de acordo com o artig.º 6 da Constituição de 1824. Exerceu o cargo de Oficial Maior da Secretaria do Estado dos Negócios do Império e em Dezembro de 1822 é encarregue de preparar o local (Cadeia Velha, do Rio de Janeiro) destinado aos trabalhos da Assembleia Geral e Constituinte do Brasil, por José Bonifácio de Andrada e Silva, ao mesmo tempo que está incumbido da organização da futura Secretaria da Assembleia.
Em 1826, pelo Decreto de 25 de Janeiro, é nomeado por D. Pedro I como ministro plenipotenciário para o Congresso Anfictiónico (plano de Bolivar para todas as ex-colónias pensarem uma unidade continental; há quem leia ali o pronúncio da futura Sociedade das Nações), no Panamá, porém o Brasil não marcou presença, aliás como outros países como a Argentina, a Bolívia, o Chile e os EUA. Sobre a ausência no Congresso, as especulações são muitas e, entre elas, sobressai a imperiosa necessidade do Brasil ter o reconhecimento das potências europeias; acresce o facto dos países presentes nessa reunião serem repúblicas (só uma monarquia esteve representada, o Reino Unido), o que poderia ser indesejável e portanto assunto a não desprezar; por outro lado, a notícia do não comparecimento da Argentina ao Panamá e as hostilidades militares entre os dois países pelo actual território o Uruguai estarem já presentes, poderia levar a seguir o mesmo procedimento; por fim, julga-se que a Espanha não veria com bons olhos um Congresso onde marcavam presença novas nacionalidades de expressão hispana. Portanto, muito embora a viagem até ao Panamá fosse longa (à volta de um mês) e difícil, o motivo de súbita doença de um Teodoro Biancardi já posto a caminho (estaria perto de Salvador da Bahia), como alguns tentam argumentar, se bem que possível pode não ser aceitável de todo.

 
Em 1831, pede Biancardi a sua demissão por incompatibilidade com o ministro da tutela e, logo após, toma o lugar de Oficial Maior da Secretaria da Augusta Câmara ou Câmara dos Deputados, até à sua aposentação.
Em 1835 pede licença, por “9 ou 10 meses” para ir a Portugal, às Caldas da Rainha, “procurar remédio para as suas enfermidades” (in Annaes do Parlamento Brasileiro). Permaneceu no Brasil e em 1849 volta a Lisboa, onde desembarcou a 4 de Julho desse ano. Pouco tempo cá esteve, partindo novamente para o Brasil onde morre a 15 de Agosto de 1853, em Niterói (cf. Diccionario, Sacramento Blake, vol.7). Foi casado com D. Maria da Graça Barbosa Biancardi. Era Cavaleiro da Ordem e Cristo (1825) e da Rosa. (1829).

Escritor prolixo deu ao prelo, ainda, outros opúsculos: Reflexões sobre alguns successos do Brasil (Rio de Janeiro, 1822); Eduardo e Lucinda ou a portugueza infiel (Rio de Janeiro, 1829); Inocêncio F. da Silva diz que tinha “ouvido dizer” que Biancardi “redigira e publicara no Rio as sessões da Assembleia constituinte, as quaes saíram impressas em dois grossos volumes, com a singularidade de serem ali cortados todos os discursos pronunciados pelos irmãos Andradas no dia em que se realizou a dissolução da mesma Assembleia” (Diccionário, vol. 7, p. 309).
J.M.M.

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

APESAR DE VOCÊ!



Apesar de você!” – por Marcelo Rubens Paiva, in jornal Estado de S. Paulo

Apesar de você, as cores do arco-íris continuarão as mesmas, ele sempre estará entre o céu e a terra, continuará lindo a nos emocionar. Mulheres continuarão a desejar mulheres, homens se beijarão e se amarão: o amor não tem limites, o desejo não tem barreiras. A composição familiar nunca mais será a mesma. Os jovens não deixarão de mudar padrões, quebrar regras. O amor vencerá a bala. A Inteligência sempre vencerá a burrice.
Drummond continuará arquiteto das palavras, Niemeyer, o poeta das formas. Ambos continuarão gauche na vida. Livros poderão ser proibidos, mas jamais serão esquecidos, poderão estar escondidos nos labirintos das estantes, no labirinto da nossa memória.

Apesar de você, a palavra será a melhor arma, o pensamento, livre, as ideias brotarão, os questionamentos serão infinitos, é da nossa essência, é nossa vocação.
Apesar de você, florescerá na primavera, a solidariedade existirá, o altruísmo continuará vital como o ar. Apesar de você, a bondade estará entre nós. Vamos esperar para tudo melhorar, vamos esperar para o dia amanhecer sem ódio, sem tiros, vamos esperar a tempestade passar.

Apesar de você, Dom Quixote lutará contra moinhos de vento, Riobaldo, contra o amor por outro jagunço, Canudos, contra as tropas da insensatez, Zumbi, contra a escravidão. A dívida social não será paga. A história dos negros não será reescrita nem recontada. Uma ditadura continuará a ser assassina, e a tortura, nunca mais! Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.
Hoje é dia 20 de outubro. Hoje é celebrado o dia do poeta. Hoje é dia de Manuel Bandeira. Apesar de você, podemos ir embora pra Pasárgada, onde somos amigos do rei, termos o amor que quisermos, na cama que escolhermos e, se aqui não somos felizes, lá a existência será uma aventura, lá faremos ginástica, andaremos de bicicleta, montaremos em burros brabos e, cansados, nos deitaremos na beira do rio, porque em Pasárgada tem tudo, é outra civilização, nos sentiremos seguros, e no dia mais triste, o mais triste de todos, amaremos quem quiser, porque lá somos amigos do rei.

Apesar de você, toda a cultura será acessível, Brecht proporá a revolução, a angústia estará na solidão, a dor da alma não terá cura, até o dia em que decidirmos não sofrer mais e agir. Sofreremos por causa de você, superaremos apesar de você. Nossos ancestrais não sairão do lugar, seus ensinamentos irão nos guiar, apesar de você. Os mortos continuarão vivos entre nós. Continuarão a nos inspirar. Luther King continuará mito. Jesus a nos defender. Simone de Beauvoir nos fez pensar. Gandhi é o mito da paz.
O índio guerreiro vai lutar, vai se esconder e sobreviver, vai defender a sua mata, unir-se aos animais, defender sua família, até o último guerreiro, e mais uma vez o mal não vencerá. Os rios terão o poder de se regenerar, os mares, de se recompor, a fumaça vai se dissipar, as bombas vão se calar. A floresta vai renascer das cinzas. A destruição não nos acometerá.

Cometas vão passar. O Universo continuará a se expandir e ser enigmático. As descobertas nos surpreenderão. O conhecimento será sempre o caminho, não o ponto final. O desconhecido será conhecido, para voltar a ser desconhecido, que será conhecido, e desconhecido. Teorias podem ser reescritas, nunca extintas ou ignoradas.
Michelangelo será eternamente belo. Leonardo, genial. Van Gogh pintará as cores do vento. Pollock, a representar nossa loucura. Picasso, a incongruência. Miró será eternamente arrebatador. Rimbaud será nosso poeta que faz da vida, versos, da sua andança, sentido: “Que venha a manhã, com brasas de satã, o dever é ardor. Ela foi encontrada. Quem? A eternidade é mar misturado ao sol”.

Shakespeare nunca deixará de mostrar o horror de reinos, a loucura de reis. Campos de Carvalho narrarei de cor. Continuará píncaro do espetacular. Lobos uivarão para a lua. Cachorros latirão uns para os outros. Gatos se esconderão na escuridão. Sabiás cantarão antes do amanhecer, nos despertando com a beleza da sua inconveniência. À noite, será sempre noite, por vezes desesperadora, por vezes longa demais, dolorida e saudosa. Enfim, o sol aparecerá. O ciclo das estações não se alternará. O minuto de daqui a pouco será depois o minuto que se foi. O amanhã será ontem.
A Justiça não será parcial, a defender os que mais têm. A verdade poderá nunca prevalecer. Mas nenhum doutor irá nos convencer do contrário. A polícia continuará a reprimir, a defender o bem de quem os têm. Mas nunca será eliminado o fato de sermos tão desiguais, de que quem não tem luta para dividir. Os grilhões se romperam. As amarras se romperão. Apesar de você.

Hoje é dia de poesia e samba. Todo dia é dia de samba. Apesar de você, o sol há de brilhar mais uma vez, a luz há de chegar aos corações, do mal será queimada a semente, o amor será eterno novamente. Quero ter olhos pra ver, a maldade desaparecer. Amanhã será um novo dia. Apesar de você."
Apesar de Você – por Marcelo Rubens Paiva, [Escritor, dramaturgo, cronista], jornal Estado de S. Paulo [Estadão], 20 de Outubro de 2018 – com imagem e sublinhados nossos

J.M.M.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

RECIFE: ÚLTIMO PORTO DE HENRIQUE GALVÃO - PALESTRA

CONFERÊNCIARecife: último porto de Henrique Galvão;

DATA: 30 de Abril 2015 (19,30 horas);
LOCALMuseu do Estado de Pernambuco [Av. Rui Barbosa, 960 - Graças];

ORADOR: Ana Maria César [Academia Pernambucana de Letras]

MODERADOR: Margarida Cantarelli.

Uma interessante iniciativa sobre um episódio da luta contra a Ditadura salazarista e a afirmação dos oposicionistas no contexto internacional, sobretudo Henrique Galvão, durante os anos seguintes ao acontecimento.

Para acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

segunda-feira, 23 de abril de 2012

NO DIA MUNDIAL DO LIVRO: JOSÉ MINDLIN



Hoje, quando se assinala o Dia Mundial do Livro, recordamos, com este pequeno video, um dos maiores entusiastas e apaixonado pelo livro. Conseguiu reunir a maior biblioteca particular do Brasil e na sua vastíssima coleção de livros deixou inúmeras relíquias que muitos bibliófilos apaixonados tanto ambicionam.

A ver com toda a atenção e, particularmente, dedicado a todos os entusiastas pelo livro ainda e sempre (dizemos nós) em papel.

A.A.B.M.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE GIUSEPPE GARIBALDI



Giuseppe Garibaldi [n. 4 de Julho de 1807] foi uma das personagens mais notáveis, complexas [a sua bibliografia é copiosa, por vezes contraditória] e marcantes do século XIX. Nascido em Nice [ou Nizza], este marinheiro (e capitão mercador ou "capitão do mar") idealista e sonhador italiano, que lutou pela unificação (e republicanização) de Itália, na sua epopeia, quase lendária, atravessou continentes [daí a alcunha de "herói de dois mundos"], deixando um enorme lastro de fraternidade, respeito (e temor, da parte dos seus inimigos). Republicano, maçon e carbonário, Giuseppe Garibaldi participa em várias conspirações e revoltas, tornando-se uma das maiores figuras da unificação italiana e um herói da luta contra a tirania e a intolerância.

Garibaldi, então na Rússia (1833), conhece o carbonário Giovanni Cuneo, entrando em contacto com a sociedade secreta "Jovem Itália", fundada pelo revolucionário místico e republicano Giuseppe Mazzini [nacionalista italiano, dirigente da Carbonária e do movimento clandestino "Jovem Itália", fundada em 1831 em Marselha, e um dos "santos patronos" do Risorgimento Italiano, onde figuram também Giuseppi Verdi e o próprio Giuseppi Garibaldi – sobre o pensamento de Mazzini veja-se o seu livro "Doveri dell’uomo"; diga-se que o "Manifesto" republicano da "Jovem Itália", lançado por Mazzini, foi rapidamente difundido em vários países, entre os quais o Brasil - via o periódico "O Povo", Rio de Janeiro -, na Argentina ou o Uruguai], aderindo aos seus princípios [faz parte, com Cavour e Mazzini, da sua direcção] e ao sonho da unificação da península e, por isso, em 1835 toma parte da tentativa fracassada da conquista de Nápoles.

Após a sentença de condenação à morte pela corte genovesa parte para o exílio. Chega, depois de passagem por Marselha e a Tunísia, ao Brasil [finais de 1835? Janeiro 1936? – ver MAIS AQUI], integrando-se na rede local de jovens exilados mazzinianos da "Jovem Itália", maçons e carbonários, como Luigi Rossetti, Tito Livio Zambeccari, Giuseppe Stefano Grondona, Cuneo, Pietro Gaggini, Giacomo Picasso ou Luigi Carniglia, trabalhando e "navegando como comerciante", evidentemente com o apoio dos "Bons Primos".

Giuseppe Garibaldi era membro da maçonaria

[as fontes sobre a sua iniciação e percurso maçónico são algo contraditórias: segundo alguns foi iniciado em Itália, filiando-se depois (1837) na loja irregular "Asilo (ou Refúgio) da Virtude", do Rio de Janeiro; outros defendem que teria sido iniciado numa loja do Rio Grande do Sul, com o mesmo nome da loja do Rio de Janeiro (a loja "Asilo da Virtude", do Rio Grande do Sul, é fundada em 1833 e regularizada em 1840); outros, ainda, consideram que foi iniciado (1844) em Montevideu, na loja "Asilo de la Virtud", loja irregular criada por norte-americanos exilados, sendo depois regularizado (18 de Agosto de 1844) na loja francesa "Les Amies de la Patrie" (fundada em 1827, loja de RF, regularizada pelo GODF em 1844 e depois integrada no Grande Oriente do Uruguai); em 1850, está filiado na loja "Tompkins" (nº 471 de Stepleton, New York); improvável será o seu putativo contacto oficial (ou reconhecimento) com a maçonaria da UGLE, dado a sua matriz conservadora – sobre este(s) assunto(s) ver AQUI ou AQUI. Em Março de 1862, surge como Soberano Grande Comendador do REAA do Grande Oriente de Palermo e depois, pela unificação dos três Orientes existentes em Itália (Nápoles, Turim e Palermo), é nomeado Grão-Mestre do Grande Oriente de Itália (na reunião de Florença, dos dias 21 a 24 de Maio de 1864). Em 1872 é nomeado Grão Mestre Honorário "Ad Vitam" do Grande Oriente de Itália. Em 1877 a Loja "Garibaldi" de Buenos Aires nomeia-o Venerável Mestre "Ad Vitam"]

e, na sequência [1837-1840] da sua participação na Revolução Farroupilha do Rio Grande do Sul [iniciada em 1835 - ver MAIS AQUI] - levado a cabo pelo coronel Bento Gonçalves da Silva [importante maçon, da loja de Porto Alegre, "Filantropia e Liberdade"], Domingos José de Almeida, António de Souza Netto, David Canavarro e outros – integra a construção da jovem República Rio-Grandense [que precede o triunfal movimento republicano brasileiro], recebendo a "carta de corso" e assume-se "guerrilheiro". Conhece a brasileira Ana Maria de Jesus Ribeiro (a imortalizada Anita Garibaldi) com quem casará [1842] depois, já em Montevideu, lugar para onde vai residir [1841]. Em Montevideu participa na defesa da cidade, organizando a "Legião Italiana" ou "camisas vermelhas".

Em 1848 regressa a Itália com o intuito de fundar a República e unificar a Itália. Após relativos insucessos da sua acção militar e consequente exílio (Suíça e Nice), volta a Roma (onde, então, se proclama a República) como deputado republicano, mas rapidamente tem de a abandonar, depois da sua queda, sendo perseguido na fuga por exércitos de diferentes países, pelo que se retira para Tanger (1849), partindo, depois, para Staten Island (Estados Unidos). Retoma o seu trabalho nos navios mercantes, percorrendo de novo cidades e mares, restabelecendo a sua rede de amizades e cumplicidades. Em 1854 volta a Itália, participando, como comandante das forças sardo-piemontesas (do rei Vítor Emanuel II), na conquista da Lombardia (1859) aos austríacos. Determinado a não perder a ocasião, Garibaldi avança para o do sul de Itália, conquistando a Sicília, Sardenha e Nápoles. O reino de Itália está assim unificado (faltaria Roma), após proclamação (em 1861) de Vítor Emanuel II como rei. Garibaldi tenta, ainda, a anexação de Veneza (1866), a conquista de Trento, a invasão de Roma (onde obtêm um enorme desaire). Organiza a Assembleia de Livres-Pensadores, em Napoles (1869). Morre a 2 de Junho de 1882, em Capri.

J.M.M.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A EXPERIÊNCIA DA PRIMEIRA REPÚBLICA: PORTUGAL E BRASIL



Vai realizar-se entre 5 e 7 de Maio de 2010, um seminário internacional que se reparte entre Coimbra, Leiria e o Rio de Janeiro (Brasil), onde se vai realizar a segunda parte deste seminário no próximo mês de Setembro.

As sessões vão decorrer em Coimbra, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Anfiteatro IV e no Arquivo Distrital de Leiria.

O seminário consta de vários painéis como:

5 de Maio de 2010
- PRIMEIRA REPÚBLICA: HISTÓRIA E HISTORIOGRAFIA;
- POLÍTICA E ELITES CIVIS E MILITARES;
- TRÂNSITOS LUSO-BRASILEIROS: IMIGRAÇÃO E EXILIO;

6 DE MAIO - Leiria
- TRAJECTÓRIAS E REDES DE SOCIABILIDADE INTELECTUAL;
- REPUBLICANISMO E EDUCAÇÃO;

7 MAIO
- ECONOMIA E TRABALHO EM PERSPECTIVA LUSO-BRASILEIRA.

Compõem a Comissão Científica:

Maria Manuela Tavares Ribeiro (Coordenadora Científica do CEIS20, Universidade de Coimbra)
Celso Castro (Director Cientifico do CPDOC, Fundação Getúlio Vargas)
Alda Mourão (CEIS20, Instituto Politécnico de Leiria)
Américo Freire (CPDOC, Fundação Getúlio Vargas)
Ângela Castro Gomes (CPDOC, Fundação Getúlio Vargas)
António Pedro Pita (CEIS20, Universidade de Coimbra)
Isabel Vargues (CEIS20, Universidade de Coimbra)
João Paulo Avelãs Nunes (CEIS20, Universidade de Coimbra)
João Rui Pita (CEIS20, Universidade de Coimbra)
Luís Reis Torgal (CEIS20, Universidade de Coimbra)

Integram a Comissão Organizadora:

Ângela de Castro Gomes
Alda Mourão
Ana Teresa Peixinho
Ángel Gallardo
Isabel Maria Luciano

Entre os conferencistas contam-se:
Nuno Rosmaninho Rolo; Vítor Neto; Marieta de Moraes Ferreira; Ana Teresa Peixinho; Américo Freire; Marly Motta; Carlos Cordeiro; Augusto Monteiro; Libânia Xavier; António Gomes Ferreira; João Paulo Avelãs Nunes; Francisco Palomanes Martinho; António Rafael Amaro.

O programa completo das actividades pode ser consultado AQUI.

Uma actividade a acompanhar com todo o interesse.
A.A.B.M.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A REPÚBLICA DO BRASIL


A República do Brasil

Reprodução da cena passada no dia 16 de Novembro de 1889 - um dia depois da proclamação da República do Brasil - no Palácio de S. Cristóvão (Rio de Janeiro), da entrega da mensagem (Lei do Banimento) a D. Pedro II pelo Major Solon Sampaio Ribeiro [pai de Ana de Assis, futura esposa do escritor Euclides da Cunha] e que dava 24 horas para D. Pedro II sair do país. O Imperador partiu no dia seguinte, com a família real, para a Portugal a bordo da fragata "Alagoas".

Foto in Galeria histórica da revolução brazileira

J.M.M.