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domingo, 10 de junho de 2012

ALBUM DE COSTUMES PORTUGUEZES


ALBUM DE COSTUMES PORTUGUEZES. Cinquenta Chromos. Copias de aguarellas originaes de A. Roque Gameiro, C. Bordallo Pinheiro, Condeixa, Malhõa, Manuel de Macedo, R. Bordallo Pinheiro. Com artigos descriptivos de Fialho d'Almeida, J. César Machado, M. Pinheiro Chagas, Ramalho Ortigão e Xaviera da Cunha, Lisboa, Typ. Horas Romanticas, Editor David Corazzi, s.d.(1888), L fls de texto e L de estampas.

"É uma das inúmeras edições modelares do maior Editor português do século XIX: David Corazzi. Com um catálogo estruturado em diversas vertentes, cobrindo todas as áreas: romance histórico e de sensação, aventuras; instrução, periódicos e infantil; popular e de luxo.

Começando em 1870, criou a Biblioteca das Horas Românticas cujas edições eram vendidas em cadernetas entregues semanalmente, e em poucos anos atingirá a centena de títulos, muitos dos quais vastas traduções de romances de autores franceses de época: Ponson du Terrail, Jules Verne, que dará grande visibilidade à editora, etc. Mas também autores portugueses: A Gravura de Madeira em Portugal do gravador João Pedroso, Lisboa na Rua de Júlio César Machado, ou Guiomar Torrezão, Maria Amália Vaz de Carvalho, Teixeira de Queirós, Guerra Junqueiro, Gomes Leal...

No âmbito das Comemorações do Centenário da Morte de Camões (1880) integrará a Comissão da Imprensa de Lisboa e será um dos sócios-fundadores da Associação de Jornalistas e Escritores Portugueses; intervirá ainda com uma gama de publicações em que se destacam a luxuosa edição monumental de Os Lusíadas e o igualmente rico A Camões de Alexandre da Conceição. Seguir-se-ão outros volumes com as mesmas características gráficas: as Fábulas de La Fontaine, O Inferno de Dante, ou O Paraíso Perdido de Milton, ilustrados por Gustave Doré; a História de Gil Braz de Santilhana de Lesage, e, acompanhando a conjuntura política e científica, a África Ocidental, quatro volumes «fotográficos e descritivos» da autoria de J. A. da Cunha Morais.

O contraponto a este vistoso leque editorial será, em 1881, o início da muito acessível colecção Biblioteca do Povo e das Escolas, pequenas brochuras precursoras do formato 'de bolso', que foram cumprindo, ao longo de 237 números, um verdadeiro programa enciclopédico de instrução popular, em sintonia com o ideário republicano. Muitos desses livros chegaram a ser aprovados para o ensino oficial, elementar e dos liceus.

Digna de especial referência é ainda a republicação integral (entre 1887 e 1891) de As Farpas de Ramalho Ortigão e Eça de Queirós. Também as colecções Dicionários do Povo, ou Biografias de Homens Célebres dos Tempos Antigos e Modernos, assim como a Biblioteca Universal Antiga e Moderna, complementarão este serviço prestado à comunidade, a que um editor generalista nunca deveria furtar-se
"

[via FRENESI - sublinhados nossos]

J.M.M.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

TRICENTENÁRIO DE CAMÕES


Foi a partir de 1880, que um grupo de personalidades organizou um conjunto de cerimónias para assinalar o nascimento daquele que era o mais conhecido dos nossos poetas - Luís Vaz de Camões.

No jornal Tribuno Popular, de Coimbra, encontramos o relato dos acontecimentos conforme foram analisados na época por quem os viveu. Um testemunho sobre os acontecimentos que pode ser acompanhado em vários números deste bi-semanário conimbricense que podem ser consultados AQUI.

Um tema, entre muitos outros possíveis de acompanhar, na imprensa de Coimbra, disponível online na Alma Mater da Universidade de Coimbra.

A.A.B.M.

domingo, 10 de junho de 2007

CENTENÁRIO DE CAMÕES (1880)



Assinala-se hoje, 10 de Junho de 2007 o feriado que marca o aniversário da morte do maior poeta português, Luís Vaz de Camões. Porém, muita gente já não sabe porque motivo o 10 de Junho começou a ser feriado.

Assim, em 1879, Joaquim de Vasconcelos apresentou na Sociedade de Geografia de Lisboa a proposta para a comemoração do Tricentenário da morte de Camões, mais tarde em Abril de 1880, cria-se uma comissão para organizar os festejos, sendo constituída essencialmente por jornalistas e escritores em destaque na época. Sendo uma organização que se desenvolveu por todo o País, envolveu muitas personalidades, mas a comissão central, responsável pelos acontecimentos em Lisboa era constituída por:J. C. Rodrigues da Costa, Eduardo Coelho, Sebastião de Magalhães Lima, Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Jaime Batalha Reis, Luciano Cordeiro, Rodrigo Afonso Pequito.

A partir de 1880, começou a ser feriado nacional em Portugal, tendo esta data sido aproveitada para assinalar também o Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, já que nós fomos por tradição um país de emigração esta data servia para assinalar a importância de todos os portugueses que eram, foram ou são emigrantes.

A propósito dizia Teófilo Braga sobre o Centenário de Camões de 1880:
Nesse dia, todas as forças vivas, tudo quanto há com futuro ainda nesta pequena nacionalidade, vibrou com unanimidade ao impulso de um estímulo consciente, a tradição ligada ao nome de Camões como representante e o símbolo da civilização de um povo que se sente da vida histórica. A nação inteira compreendeu esta grande data, em que a perda da nacionalidade coincidiu com o passamento daquele grande espírito, que ao ver a pátria invadida pelos exércitos de Filipe II, expirou num desalento que se tornou o protesto eterno da liberdade. […] O dia 10 de Junho de 1880, não devia passar despercebido; era uma prova terrível contra a nossa vitalidade, e a nação compreendeu o sentido desse grande dia. O Centenário de Camões manifestou à Europa, que sabíamos tirar partido da maior tradição do nosso passado histórico o estímulo para um renascimento. A festa da nossa primeira glória literária e artística foi simultânea por todo o território português, e fez-se por fundações fecundas de iniciativa individual, pela cooperação activa dos municípios, que compreenderam que eram os representantes directos da liberdade nacional, e pelo acordo de todas as classes sociais. O Centenário de Camões excedeu tudo quanto era possível prever; a Europa deu um carácter universal ao jubileu deste pequeno povo: em França, Itália, na Alemanha, Suécia, em Bóston, na Filadélfia, celebraram-se comemorações generosas e comoventes, glorificou-se o nome de Camões em livros e trabalhos artísticos que ficam.
[Teófilo Braga, História das Ideias Republicanas em Portugal, col. Documenta Histórica, Vega, Lisboa, 1983, p. 163-164]

Alexandre Cabral, analisando o acontecimento explicou-nos o processo utilizado por Teófilo Braga, para conseguir os seus objectivos. Em 8, 9 e 10 de Janeiro de 1880 começa por publicar um conjunto de artigos intitulados O Centenário de Camões em 1880, no jornal Comércio de Portugal e afirma:
Além dos preciosos ensinamentos de natureza erudita, o essencial dos artigos era promover a associação do nome glorioso de Camões ao possível (e necessário) renascimentos da Pátria. Assim, como em 1580, Os Lusíadas, no momento em que o usurpador do Escorial fazia perigar a soberania de Portugal, profetizaram sobre as glórias passadas o bem-estar e a independência porvindouros, assim em 1880, o Partido Republicano, considerando-se legítimo representante do simbolismo camoniano, consubstanciava as esperanças do povo no renascimento da grei lusitana”. A ideia de comemorar dignamente o tricentenário da morte do Épico, como sintoma de vitalidade e crença no futuro, e não como atitude fetichista e retrógrada de reverenciar as passadas grandezas […].
[Alexandre Cabral, Notas Oitocentistas – I, Livros Horizonte, Lisboa, 1980, p. 63.]



Por seu lado, o professor Fernando Catroga afirmou sobre as comemorações do Tricentenário de Camões:
A estratégia ideológica que os positivistas portugueses (Teófilo Braga, Ramalho Ortigão) imprimiram às comemorações camonianas foi inspirada não só no tom erudito das comemorações petrarquianas [1874], mas também nas festividades promovidas pelos radicais franceses em honra de Voltaire e Rousseau. […] Assim, enquanto nas comemorações de 1878 se nota a intenção de se aglutinar o clima de unidade nacional à volta de um regime, entre nós, as festas foram apresentadas como um projecto que, se se pretendia independente do constitucionalismo monárquico, não queria confundir-se, porém, com o Partido Republicano. Logo, a veemência com que foi sublinhado o seu significado exclusivamente nacional, o que não impediu, porém, que os frutos do seu sucesso tenham sido colhidos essencialmente, pelo republicanismo.
[Fernando Catroga, A Militância Laica e a Descristianização da Morte em Portugal (1865-1911), FLUC, Coimbra, 1988, p. 906]


A.A.B.M.