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segunda-feira, 6 de abril de 2009



CONGRESSOS DO PARTIDO REPUBLICANO EM PORTUGAL
Notas para uma cronologia

No ano em que se assinala o centenário do Congresso Republicano de Setúbal, convém recuperar algumas notas sobre a vida conturbada do partido até chegar ali. Foram vários congressos, alguns com episódios muito pouco edificantes, com grandes conflitos entre os principais elementos que compunham o Partido Republicano, em particular durante a década de oitenta do século XIX. As várias correntes que sempre conviveram dentro do partido tomaram posições completamente opostas e assumiram lideranças com opiniões completamente díspares acerca da tomada do poder e sobre a forma de exercer o poder.

Mesmo nos últimos anos da Monarquia Constitucional, quando se assiste ao aparecimento da chamada “geração do Ultimato” ou “geração activa”, encabeçada por Afonso Costa, não foram congressos unanimistas, embora o discurso dominante fosse da unidade do partido em torno de meia dúzia de questões onde o discurso republicano conseguia apresentar alguma abrangência.

No caso do Congresso de Setúbal, entre 23 e 25 de Abril de 1909, assumiu particular relevância porque se sabe que foi durante os dias da sua realização, que se reuniram, secretamente, algumas das principais figuras do partido e se chegou à conclusão que a via revolucionária era a opção para conquistar o poder. Certamente que alguns dirigentes já tinham isso assumido havia algum tempo, mas outros só nessa altura foram convencidos deste facto e Setúbal torna-se determinante porque se organiza uma comissão paralela e com ligações ao Directório, à Maçonaria e à Carbonária para conseguir derrubar a Monarquia Constitucional e implantar a República.

Vejamos então uma cronologia dos congressos:

3 de Abril de 1876 - Eleito o primeiro Directório do Partido Republicano.

3 de Fevereiro 1879 - É eleita uma nova direcção do Partido Republicano que passa a compor-se de Oliveira Marreca, Latino Coelho, Sousa Brandão, Bernardino Pinheiro e Eduardo Maia.

18 - 21 de Junho de 1883 – Congresso do Partido Republicano em Lisboa, nas salas do Clube Henriques Nogueira, onde se tentou unir as várias facções do Partido Republicano: federalistas, unitários e patriarcas. Este será considerado o primeiro congresso do Partido Republicano.

28 - 31 de Julho de 1887 – Congresso do Partido Republicano em Lisboa.

18 - 22 de Dezembro de 1887 - Congresso do partido republicano no Porto (Congresso Extraordinário).

5 a 7 de Janeiro de 1891 - É inaugurado, no Associação Escolar Fernandes Tomás, em Lisboa, o congresso do Partido Republicano Português, o qual terminaria dois dias depois, com a aprovação do programa do partido.

2 de Março de 1895 - Sexto Congresso do Partido Republicano, em Lisboa. A polícia impede a reunião.

5 de Setembro de 1897 – VII Congresso do Partido Republicano em Coimbra.

18 - 19 de Novembro de 1899 - VIII Congresso do Partido Republicano, em Lisboa.

5 - 6 de Janeiro de 1902 - IX Congresso do Partido Republicano: Realiza-se em Coimbra o 9.º Congresso do Partido Republicano, que aprova uma nova lei orgânica, indicando António José de Almeida, que era médico em S. Tomé, para integrar o Directório.

29 – 30 de Junho 1906 – X Congresso do Partido Republicano, no Porto.

29 – 30 de Abril de 1907 – Congresso do Partido Republicano.

25 Abril de 1908 – Congresso do Partido Republicano em Coimbra.

24 e 25 de Abril de 1909 - Congresso do PRP em Setúbal, com ascensão dos carbonários à direcção e apoio ao programa de derrube da monarquia pela via revolucionária

29 e 30 de Abril de 1910 - Congresso do Partido Republicano no Porto.

[Nota Importante: Comparando diferentes fontes, Almanaques, Cronologias ou Histórias de Portugal verificou-se que existem variadas discrepâncias acerca das datas e locais identificados, agradecem-se melhores esclarecimentos.]

[Em continuação]

A.A.B.M.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

COMUNA DE PARIS DE 1871: BREVE CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS



5 de Janeiro
- Primeiros bombardeamentos prussianos a Paris.
- O exército organizado por Gambetta obtém algumas vitórias que com o apoio da Guarda Nacional poderiam alterar o curso da guerra. O governo boicota Gambeta e não permite a intervenção da Guarda.

19 de Janeiro
- Derrota francesa de Buzenwald.

21 de Janeiro- Manifestação dos guardas nacionais de Paris.
- Libertação de Flourens.

22 de Janeiro
- Nova manifestação severamente reprimida.

23 de Janeiro
- Supressão de dezassete jornais e encerramento de numerosos clubes.

28 de Janeiro
- Assinatura do armistício.

6 de Fevereiro
- Demissão de Gambetta.

12 de Fevereiro
- A Assembleia reune-se em Bordéus.

17 de Fevereiro
- Thiers forma governo.

1 de Março
- Os alemães entram em Paris e ocupam os Campos Elíseos.

10 de Março
- A Assembleia vota a sua transferência para Versalhes. Decreta a abolição da moratória sobre as rendas de casa e a imediata exigibilidade do pagamento de letras e outros títulos de dívida. Descontentamento da pequena burguesia.

18 de Março
- Thiers tenta tirar à Guarda os canhões.
- Insurreição em Paris. O governo foge para Versalhes. O exército regular abandona a cidade.

23 de Março
- Comuna em Marselha.
- Comuna de Lião.

24 de Março
-Comuna em Saint-Étienne, Narbona e Tolosa.
- Os "maires" de Paris tentam conciliar Paris e Versalhes, mas sem êxito.

25 de Março
- Fim da comuna de Lião.
- Eleições para o Conselho da Comuna de Paris que decorreu sem incidentes.

26 de Março
- Comuna no Creuzot.

27 de Março
- Proclamação da Comuna de Paris, que se instala nos edifícios abandonados pelo governo.
- Fim da Comuna de Tolosa.

31 de Março
- Fim da Comuna de Narbona.

2 de Abril
- Decretada a separação do Igreja e do Estado.

3 de Abril
- Tentativa de ataque a Versalhes. Morte de Fleurens.

4 de Abril
- Recuo das tropas da comuna. Morte de Duval.
- Fim da Comuna de Marselha.

8 de Abril
- Conversações entre o governo de Thiers (Favre) e Bismarck.

10 de Abril
-Tentativa de conciliação promovida pela Maçonaria.

12 de Abril
- A Comuna decreta a suspensão os pagamentos de dívidas.

13 de Abril
- Decreto ordenando a demolição da coluna de Vandoma.

16 de Abril
- A Comuna decreta a reabertura das oficinas abandonadas, em moldes de autogestão operária (Cooperativas).

19 de Abril
- Declaração ao povo francês, expondo o programa da Comuna.

25 de Abril
- Requisição de habitações vagas, para serem reocupadas por famílias desalojadas pela guerra.

27 de Abril
- Decreto abolindo as multas sobre os salários.

4 de Maio
- Proibida a acumulação de remunerações de cargos oficiais. Os membros da Comuna recebem uma remuneração equivalente ao salário médio de um operário.
- Abolição do juramento profissional e político.

7 de Maio
- Saudação da Associação Internacional dos Trabalhadores.

8 de Maio
- Ultimato de Thiers aos parisienses.

9 de Maio
- Criação de um Comité de Salvação Pública.

16 de Maio
- Demolição da coluna de Vandoma.

17 de Maio
- Decreto abolindo a distinção entre filhos naturais e legítimos, para efeitos de pensão de orfandade.

19 de Maio
- Decreto de laicização do ensino.

21 de Maio
- Decreto transformando os teatros em cooperativas de actores.
- As tropas governamentais entram em Paris.

22 de Maio
- As tropas governamentais ocupam os Campos Elíseos.

23 de Maio
- Avanço da tropas em Paris.
- Morte de Dombrowski.

24 de Maio
- As tropas regulares tomama o Banco de França, o Louvre e a Bolsa.
- Os «comunards» executam os reféns, entre os qauis o arcebispo de Paris.

25 de Maio
- As tropas governamentais tomam La Villette, a Bastilha, St. Antoine.

26 de Maio
- Chacina da população parisense pelas tropas governamentais.

27 de Maio
- Fuzilamentos em massa dos resistents.

28 de Maio
- Últimos tiros dos poucos resistentes. Cerca do meio-dia, a resistência termina e os «comunards» rendem-se às tropas regulares.

Bibliografia Consultada: Alves, Ana Maria, Portugal e a Comuna de Paris, col. Polémica, Editorial Estampa, Lisboa, 1971, p. 185 a 189 (Excertos).

A.A.B.M.