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domingo, 21 de outubro de 2012

DAVID MAGNO (Parte III)


Anos mais tarde surgiram as críticas e as insinuações à sua acção no campo de batalha pelo que pediu para ser julgado. Durante o julgamento feito por cinco juízes, no Tribunal Militar Territorial do Porto, estes acabam por confirmar a relevância dos serviços prestados por David Magno. Um dos responsáveis pelas acusações feitas foi o coronel Bento Roma, que numa conferência pública feita na Escola do Exército, em 1921, quando era precisamente Bento Roma que era acusado de, durante os dias de combate em Abril de 1918, não ter dado ordem de tiro aos soldados da sua companhia. Como já se viu David Magno foi ilibado das acusações, mas a Bento Roma que o atacou publicamente também nada aconteceu.

Ainda em França presta serviço como ajudante na 4ª e 5ª brigadas e como ajudante de campo do general comandante da segunda divisão do Corpo Expedicionário Português, e, finalmente, como comandante do Quartel General, função por onde veio a receber outra condecoração, a da Cruz de Cristo, com palma.

Mais tarde, na sequência da revolta de 3 de Fevereiro de 1927 foi deportado para o Sul de Angola, tendo antes passado pelos Açores e Guiné. Reabilitado foi promovido a major e em 14 de Março de 1932, mas optou por passar à situação de reserva.

Paralelamente à sua carreira militar exerceu intensa actividade literária, sendo autor de diversas obras, algumas das quais escritas com base na sua experiência de guerra, para além de ter sido membro da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, da Revista Militar e da Comissão de História Militar.

Colaborador regular da imprensa desde os 15 anos. Conhecem-se as suas colaborações nas seguintes publicações: O Lamecense, Progresso, Bracarense, Exército Ilustrado (1898), Exército Português, Revista Militar, Boletim da Sociedade de Geografia e Luz e Crença.

David Magno foi casado com Antónia Augusta da Costa de quem teve duas filhas. Porém, elas faleceram muito novas. Teve também um filho Júlio David José Gonçalves Magno, médico, que exerceu a sua actividade na cidade do Porto, e mais tarde na cidade de Lamego, onde era muito estimado.

David Magno faleceu em Lamego em 30 de Setembro de 1957, existindo ainda na freguesia de Almacave, uma rua com o seu nome, além de uma outra rua, no Porto, também com o seu nome. Em 1960 foi publicado David Magno: o "Mutu-Ua 'Nguzu" da occupação de Caculo Caenda, capital dos Dembos, herói de les lobes (Flandres), uma homenagem ao combatente em África e na Grande Guerra.

Localizaram-se os seguintes trabalhos deste autor:
- Crónicas do Minho, 1895;
- “Relatórios dos serviços militares do Lombige” (Governo Geral da Província de Angola), Relatórios. 1910, Luanda. A actividade de um capitão-mor astuto nos Dembos.
- Monografia da Região dos Dembos, 1912;
- “A ocupação dos Dembos”, Revista Militar, Ano LXVI, nº 9, Setembro de 1914. Como apoderar-se dos Dembos segundo Magno.
- A sublevação dos Dembos de 1913,  Dembos - povos de Angola, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa. - Série 34, nº 10-12 (1916), p. 332-356 - Série 35, nº 1-3 (1917), p. 60-77 - nº 4-6 (1917), p. 106-131
- Os Dembos nos anais de Angola e Congo,  Lisboa, Coelho da Cunha, Brito & Cª, 1917. - 121 p.
- Livro da Guerra de Portugal na Flandres, 1920;
- Etnografia dos Dembos, Porto, Imprensa Portuguesa, 1921. - 43 p.
- “A música no Exército” in Revista Militar, Lisboa, vol.75, nº 12, 1926.
- A situação portuguesa, Porto, Companhia Portuguesa Editora, 1926. - 325 p. : il. ; 19 cm
Resumo Histórico do Regimento de Infantaria n.º 9, Lamego, 1930.
- Guerras angolanas, Porto, Companhia Portuguesa, 1934. - 106 p.
- Descobrimentos e Sacrifícios dos Portugueses no Império e no Mundo,

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
- AFONSO, Aniceto, Grande Guerra. 1914-1918, col. Batalhas da História de Portugal, Quid Novi, Matosinhos, 2006;
- FRAGA, Luís Alves, Guerra & Marginalidade. O Comportamento das Tropas Portuguesas em França (1917-1918), Col. História Militar, Prefácio, Lisboa, 2003;
-Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. VIII, Editorial Enciclopédia, Lisboa-Rio de Janeiro, s.d., p. 935;

[FOTO: Ambleteuse, 05/07/1918 - 1ª.Cruz de Guerra da Batalha de La-Lys - General Tamagnini de Abreu condecora David Magno o paladino da resitência de 9,10 e 11 de Abril e protagonista da acção militar de Les Lobes, extraída da publicação já mencionada na Parte II]


A.A.B.M.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

DAVID MAGNO (Parte II)


Em 1916, durante a tentativa de revolta de Dezembro desse ano, o então capitão David Magno também toma partido. Em 1917, parte para a Flandres, onde veio a desempenhar papel de relevo.


“No dia verdadeiramente primaveril de 21 de Abril de 1917, saiu o 1º  Batalhão do Regimento de Infantaria nº13 da Linda Vila Rial, capital  transmontana, em dois combóios[...] As companhias atravessaram a cidade envoltas em uma multidão que não sabia senão acompanhar-nos ao som de uma música, que não fazia vibrar o sentimento dos soldados nem do povo[...]Alguns soldados, embriagados, para espalharem melhor as paixões, trepavam às carruagens do comboio. Esquecidos dos túneis, chocavam com as entradas dos mesmos e assim morriam estupidamente, sem que a isso aos superiores fosse possível obstar”
(palavras de David Magno)

O nome de David José Gonçalves Magno surge também ligado ao episódio da última condenação à morte de um português por suspeita de deserção e traição no campo de batalha. Neste caso de um soldado, João Augusto Ferreira de Almeida [João Augusto Ferreira de Almeida embarcou para França a 16 de Março de 1917, integrando o contingente do Corpo Expedicionário Português, como soldado condutor, tendo-se tornado tragicamente conhecido como "o fuzilado português". A sua execução teve lugar na manhã de 16 de Setembro de 1917 depois de ter sido julgado e condenado no Tribunal de Guerra pela acusação de tentativa de passagem para o inimigo, sentença que foi objecto de recurso pelo defensor oficioso de Ferreira de Almeida, mas que foi confirmada numa nova audiência ocorrida apenas quatro dias antes do fuzilamento.], que se encontrava no sector de Neuchapelle.

Na noite de 29 de Julho de 1917, o referido soldado abordou vários camaradas de armas, em separado e solicitou que lhe apontassem onde ficavam as trincheiras inimigas, parecendo mesmo disposto a entregar dinheiro a quem lhe fornecesse as indicações pretendidas, ao mesmo tempo mostrava uma arma e mapas do sector. Face a esta situação foi, de forma célere, organizado um julgamento, que se baseou nos testemunhos recolhidos e que teve lugar no dia 15 de Agosto de 1917, em Roquetoise. O tribunal de guerra então organizado era constituído na presidência pelo coronel António Luís Serrão de Carvalho; o promotor de justiça era o Dr. Joaquim Aguiar Pimenta Carneiro; o secretário era o tenente José Rosário Ferreira; o defensor oficioso era o capitão Joaquim Baptista Leone Júnior e o júri era constituído pelo major Joaquim Freire Ruas, capitão Adriano Augusto Pires, capitão David José Gonçalves Magno, alferes Joaquim António Bernardino e alferes Arnaldo Armindo Martins.

O acusado negou ter cometido o crime de que o acusavam e apresentou como atenuante para a sua situação o facto de ter um conhecimento imperfeito do prejuízo que poderia causar.
Foram apresentados os seguintes quesitos no julgamento:
1º- o facto de o arguido, em 29.07, encontrando-se na primeira linha, tentar passar para o inimigo, perguntando a várias praças o caminho, e oferecendo a uma dinheiro para que lhe prestasse essa informação [dado como provado por maioria]
2º- o facto de o arguido querer indicar ao inimigo os locais ocupados pelas tropas portuguesas, constantes de duas cartas itinerárias de que era portador [dado como não provado por unanimidade];
3º- o mau comportamento do réu [provado por unanimidade];
4º- o crime ser cometido em tempo de guerra [provado por unanimidade];
5º- o réu ter cometido o crime com premeditação [provado por maioria];
6º- o crime ter sido cometido, tendo o agente a obrigação especial de o não cometer [provado por maioria];
7º-estar ou não provado o imperfeito conhecimento do mal do crime [provado por maioria].
Dado que o primeiro quesito foi dado como provado e esse bastava para o poder condenar à morte, foi o que acabou por acontecer e o réu deveria ser condenado à morte com exautoração.


O resultado da sentença não foi do agrado da defesa que ainda interpôs recurso, tendo sido realizado novo julgamento em 12 de Setembro de 1917 e na véspera do julgamento o advogado de defesa ainda tentou uma diligência que poderia atrasar o julgamento: solicitou uma avaliação por um médico, para avaliar a sanidade mental do soldado condenado, mas não o requerimento foi indeferido pelo juiz-auditor entretanto nomeado, Dr. José Maria de Magalhães Pais Pinheiro, que elaborou a sentença definitiva em moldes semelhantes à que tinha sido proferida anteriormente. Em resultado disto, João Augusto Ferreira de Almeida acabou por ser executado em 16 de Setembro de 1917, tendo o seu corpo sido sepultado inicialmente no cemitério de Lavantie e mais tarde trasladado para o cemitério de Richebourg, onde ainda se encontra.

Conforme se pode verificar David Magno fazia parte do conjunto de jurados que  condenaram este soldado à pena máxima.
Combateu depois em França, durante a Primeira Guerra Mundial, onde por feitos em combate, foi o primeiro português a ser condecorado com a cruz de guerra e a cruz de Cristo com palma. Foi um dos oficiais presentes em 9 de Abril de 1918, onde foi um dos protagonistas da famosa Batalha de La Lys, como comandante da 3ª Companhia do Regimento de Infantaria 13. Foi um dos protagonistas do combate de Lawe-Les Lobes (Lacouture), enfrentando fortes combates nos dias 9, 10 e 11 de Abril de 1918, ao lado das tropas escocesas da 51ª Divisão. Estes combates provocaram pesadas baixas e a sua acção de comando foi questionada e posta em causa.
Acerca deste combate conseguimos obter o seguinte relato que se segue:

Na madrugada de cinco para seis de Abril, sob constantes bátegas de chuva açoitada por um forte vendaval, o Batalhão de Infantaria 13 desloca-se de Riez Bailleud para Lacouture, ficando em reserva da 5.ª Brigada. Na alvorada do dia seis, a 5.ª Brigada rende a 1.ª no sector de Ferme du Bois, ficando assim escalonada: subsector direito, Infantaria 10; subsector esquerdo, Infantaria 17; apoio, Infantaria 4, com duas companhias na Rue du Bois e as outras duas na Rue des Chavattes; reserva, Infantaria 13, em Lacouture; comando da Brigada em Cense de Raux. Como o sector era totalmente desconhecido, o dia sete foi passado em reconhecimentos.

Pelas 20 horas do dia oito de Abril, inesperadamente e contra toda a expectativa, a 5.ª Brigada informa que o Batalhão 13 seria rendido no dia seguinte por tropas britânicas, notícia confirmada mais tarde, por volta das 22 horas, exactamente quando a artilharia inimiga batia, com rajadas de quatro a cinco minutos de duração e intervaladas de 10 a 15 minutos, todas as posições das nossas baterias e os principais cruzamentos de estrada. O bombardeamento prolongou- se até à uma da madrugada, do dia nove, sempre com extrema violência.

Pelas quatro horas e 15 minutos do dia nove de Abril, os alemães tomam a ofensiva, iniciando a “Operação Georgett” com um intenso bombardeamento de artilharia e de morteiros pesados contra as frentes da 2.ª Divisão portuguesa e da 40.ª Divisão inglesa utilizando granadas explosivas de gás fosgénio e mostarda. O objectivo era neutralizar a artilharia aliada e isolar os comandos das brigadas e batalhões. O bombardeamento prolonga-se até às sete horas, atingindo as primeiras linhas e os acantonamentos à retaguarda, inclusive o do Batalhão 13, em Lacouture. Logo de seguida, o Batalhão perde o contacto telefónico com o comando da Brigada, ficando por sua conta e risco, sem informação sobre o modo como estavam a decorrer os combates.

O comando do Batalhão envia os primeiros agentes de ligação para o comando da Brigada, mas estes não regressaram. O bombardeamento alemão atinge o comando do Batalhão, localizado na Senechal Farm. A situação ficou insustentável, tornando-se o número de feridos extremamente preocupante.

Pelas nove horas e meia, surge o contra-mestre de corneteiros de Infantaria 17, afirmando que os alemães tinham atacado as linhas às oito e meia, que já se tinham apoderado de todo o sistema de defesa das primeiras linhas e aprisionado os Batalhões 17 e 4, encontrando-se já muito próximos daquela posição.

Face a tão preocupantes notícias e sem qualquer contacto com o escalão superior, não recebendo deste quaisquer indicações sobre o que fazer, o comandante do Batalhão resolve actuar por sua própria iniciativa e ordena: à 1.ª e à 2.ª Companhia que ocupem as trincheiras em frente da Senechal Farm, as quais seguem de imediato aos seus destinos; à 3.ª Companhia para se concentrar na Senechal Farm; e à 4.ª Companhia que se constitua como reserva do Batalhão.

A ordem da Brigada para o Batalhão 13 reforçar as primeiras linhas tinha sido efectivamente expedida, mas a ordenança encarregue de a entregar enganou-se no caminho e, em vez de se dirigir a Lacouture, apareceu às dez e meia em Masplaux, no caminho de Locon. A 3.ª Companhia comandada pelo capitão David Magno, cujo acantonamento na Ferme Bourel tinha sido severamente flagelado pela artilharia inimiga, encontrava-se já muito desorganizada, com a maior parte dos seus soldados dispersos pelo campo, quando recebe a ordem para se concentrar na Senechal Farm.

Com o remanescente da Companhia, o capitão Magno segue para Church Road, mas, ao sair do reduto, erra a direcção, dirige-se para Vieille Chapelle e junta-se a um núcleo de forças de Infantaria 14 que, atrás do reduto, ocupavam umas pequenas trincheiras. Mais tarde, retira para o canal de Lawe e reúne-se ao destacamento escocês pertencente ao 6.º Batalhão, dos Seafort Highlanders, da 51.ª Divisão, que defendia aquele canal. Pelas 11 horas, uma parte da 1.ª Companhia que não consegue chegar ao seu destino é aprisionada com todos os seus oficiais. As trincheiras entre a Queen Mary e a King’s George, na 1.ª linha de defesa, encontram-se defendidas pela 2.ª Companhia, uma parte da 3.ª e dois pelotões da 1ª. No reduto de Lacouture, na 2.ª linha de defesa, encontram-se os comandos do Batalhão 13 e 15, com as praças das respectivas formações, e a parte da 4.ª Companhia do Batalhão 13 que não está empenhada no serviço de reabastecimento de munições. As tentativas de obter munições são goradas.

Pelas 11 e meia, aparecem numerosos fugitivos que estabelecem um certo pânico entre os soldados do Batalhão 13, mas consegue-se que contribuam para o esforço de defesa. A situação tinha-se tornado desesperada. Pelas 14 horas, prosseguem os combates sem que o comando do Batalhão consiga obter notícias sobre a situação em que se encontravam as unidades em 1.º escalão e as suas companhias mais avançadas. As ordenanças que se enviavam a colher informações não voltavam.
Eram umas três horas da tarde quando o inimigo, já em grande número, cercava a posição enquanto os nossos soldados apanhavam os últimos cartuchos do fundo da trincheira.

Pelas 15 horas e 30 minutos, surgem novas forças inimigas que, pela direcção seguida, despertam na guarnição de Lacouture a forte suspeita de que as companhias que ocupavam aquelas posições tinham sido vencidas. Em breve, o facto é confirmado pela chegada dos restos da 1.ª Companhia e de outras, que informam da rendição das suas unidades.

Das quatro às sete da manhã, os alemães rompem novo e violento bombardeamento sobre o reduto de Lacouture. A situação torna-se insuportável. Pelas 11 horas, quando os portugueses gastavam os últimos cartuchos, apresenta-se na frente da posição, um maqueiro do Batalhão 13, que fora aprisionado na véspera, comunicando que os alemães intimavam a rendição e mandavam dizer que, em caso de negativa, tudo seria destruído. Os dois majores portugueses e o major inglês reúnem-se para avaliar a situação, chegando à conclusão que era inútil prolongar a resistência, uma vez que a possibilidade de serem reforçados estava perdida.

Resolvem entregar-se, saindo do “block-house” para conferenciar com o inimigo. Passado algum tempo, aparecem o major do Batalhão 15 e o major inglês, ficando reféns o major do Batalhão 13 e o ajudante do Batalhão 15, dando aquele ordens às praças para se desarmarem, rendendo-se ao fim de 30 horas de combate. A 4.ª Companhia tinha-se já rendido após o seu comandante ter sido feito prisioneiro. Por outro lado, o capitão Magno, com as 60 praças do Batalhão 13 e do 15 que tinha conseguido reunir, continua a combater ao lado dos escoceses até ao dia 11, quando lhes é dada ordem de retirada pelo comando inglês, por se ter reconhecido a impossibilidade de sustentar a sua posição por mais tempo.

Dizimado, enfraquecido, e esgotado por um combate longo e intenso, o Batalhão 13 só se entregou quando o adversário já tinha ultrapassado, numa extensão superior a cinco quilómetros, toda a frente de batalha correspondente a Lacouture. Pelejava já o inimigo em Estaires, Lestrem e Lawy, e ainda no reduto de Lacouture se defendia um punhado de portugueses.
O capitão Magno e os soldados que lhe restavam abandonaram a linha de fogo, após terem combatido durante 56 horas. Esta foi a última força a retirar do campo de batalha e a ela pertenceram os últimos mortos portugueses na Flandres.

O desempenho operacional do Batalhão foi reconhecido na imprensa internacional: o “Times”, então um dos jornais mais importantes de Londres, refere-se à acção do Batalhão no dia nove de Abril, afirmando que “...os restos de um batalhão português que defendia Lacouture bateram-se com um valor extraordinário...”; enquanto que o “Telegrame”, a 12 de Abril, afirmava que “...a história um dia falará da heróica resistência dos portugueses que, às 15 horas, ainda se batiam em Lacouture...”, e no seu número de quatro de Maio, referia que “...as companhias deste batalhão (o “13”) que se encontravam em Lacouture, combatiam ainda às três horas da tarde do primeiro dia de batalha...”. Como resultado da sua acção, o Batalhão 13 foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1.ª Classe, a qual pende da gloriosíssima bandeira do R.I. 13, assim como do peito de muitos dos seus soldados.
[Consultar texto completo AQUI]

[em continuação]
A.A.B.M.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

DAVID MAGNO (Parte I)


Com o nome completo de David José Gonçalves Magno, nasceu em Lamego, a 17 de Agosto de 1877 e morreu em Lisboa a 30 de Setembro de 1957, aquele que viria a ser um militar, publicista e arqueólogo com algum prestígio. Foi também autor de vários livros de carácter memorialístico, sendo um deles dedicado à sua participação na I Guerra Mundial.

Seguiu a carreira militar, sendo promovido a alferes em 22 de Dezembro de 1906. Começou por se distinguir em Angola, em 1909 e 1910, ao conseguir avançar para o interior e impor a presença portuguesa na região dos Dembos Orientais. A partir de 15 de Fevereiro de 1909, uma coluna contando 133 soldados e comandada pelos alferes David Magno e António Margão avançou durante vários dias nos territórios do Golungo Alto. A 27 de Setembro de 1909, toma a aldeia do Caculo-Caenda. Porém, a instabilidade era grande e os Dembos voltam a revoltar-se e o comandante militar de Lombige, alferes David Magno, tentou ainda pacificamente resolver a situação. Não conseguindo obter sucesso na sua missão, instala uma fortificação em plena capital do Caculo-Caenda, denominada “Forte de Santo António”, construído já em 1910, tudo indica que em 22 de Fevereiro.  Mas a presença continuava a ser rejeitada pelos habitantes da região e Henrique Mitchell de Paiva Couceiro chegou a pensar na organização de uma grande expedição militar para dominar a região, mas a falta de meios e de apoios vindos de Lisboa, acabaram por nunca permitir a sua concretização.

Nos relatos que existem sobre a actividade de David Magno nos territórios angolanos, deixam-nos algumas pistas sobre esta personalidade. René Pélissier afirma sobre Magno “um oficial de vaidade dificilmente suportável mas extremamente temível, visto que preferia a diplomacia às balas”. A sua estratégia para se aproximar de D. Domingos Miguel Sebastião, líder dos Dembos na região de Caculo-Caenda, passou por fingir que salvava a vida de um dos filhos do soba, depois procurou criar atritos entre os Dembos para lançar uns contra os outros, por fim, e apenas com 21 soldados europeus e 23 soldados landins, conseguiu entrar na aldeia de Caculo Caenda e convenceu-o de que aqueles soldados eram somente exploradores de uma grande coluna de soldados que se dirigiam para a região. Durante cinco meses viveu quase isolado do resto do resto do mundo, mas desenvolveu uma acção de colonização semelhante à que era levada a efeito pelos franceses: abriu uma escola e instalou uma casa comercial. A intenção de David Magno era, ficar com a glória de ter sido ele a ter pacificado a região dos Dembos.

Substituído em 1910 e 1911, regressa em 1912, quando a situação começava a degradar-se novamente para os portugueses.
Mas este forte estava numa posição de risco, então em 1913, o forte é cercado e o então governador geral de Angola, Norton de Matos enviou uma expedição de socorro comandada pelo capitão de artilharia Maia Pinto, contando também com a participação de David Magno. Nessa altura travaram-se combates em Quidange e Quingola, estabelecendo-se três novos postos nas terras do chefe dos Dembos, em Caculo-Caenda. Nessa altura, o então tenente David Magno toma parte como adjunto do comando nas operações que vão ter lugar na região, em particular nos combates de Quingola, em 3 de Agosto de 1913.

[em continuação]

A.A.B.M.