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segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

EDITOR CONTRA – FERNANDO RIBEIRO DE MELLO E A AFRODITE



LIVRO: Editor Contra – Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite;
AUTOR: Pedro Piedade Marques;
EDITORA:
Montag, 2015, p. 360.

Fernando Ribeiro de Mello (1941-1992) foi, com a sua Afrodite, o editor “maldito” por excelência na última década do Estado Novo, combatendo a perseguição policial e a censura com um arrojo contínuo que lhe valeu proibições e condenações. Esteve contra, e esteve-o com uma coragem ímpar. Mas quando atravessou o espelho para o “outro lado”, para um Portugal livre de censura, descobriu que manter-se “contra” nas águas revoltas dos anos pós-revolucionários era um objectivo demasiado complexo. Este é o primeiro livro que lhe é dedicado.
 

Do salão em casa de Natália Correia aos cafés do momento e ao inevitável Botequim, das sessões "escandalosas" de poesia à mais famosa banheira da "primavera marcelista" e ao lugar de jurado mais odiado do mais bizarro concurso da história da RTP, da fortuna feita com livros notáveis, grande parte deles proibidos e vendidos a preços proibitivos, à falência e ao esquecimento.
 

Contém textos inéditos e depoimentos de Vitor Silva Tavares, Aníbal Fernandes, Eduardo Batarda e Nuno Amorim, três cartas inéditas de Luiz Pacheco e o texto do folheto polemista As Avelãs do Cesariny. Rigorosamente documentado e profusamente ilustrado”. [AQUI]
 
“Se há alguém que conhece bem a censura, os seus mecanismos e perversidades, é Fernando Ribeiro de Mello. Logo no primeiro ano de actividade da Afrodite, entre 1965 e 1966, vê seis livros serem proibidos, perseguidos, levados a tribunal. O regime não estava preparado para o desassombro de um editor que começou por publicar um clássico do erotismo oriental (o Kama Sutra), para logo depois se abalançar a uma notável Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, organizada por Natália Correia, bem como a obras malditas: de Sade (A Filosofia na Alcova) a Sacher Masoch (A Vénus de Kazabaïka). Era, no fundo, a confirmação da aura de enfant terrible que lhe fora colada logo em 1963, quando chegou do Porto, com apenas 22 anos, e se deu a conhecer, com estrondo, no meio literário lisboeta.

Aspirante a declamad
or de poesia, Ribeiro de Mello organizou nessa altura um recital na Sociedade Nacional de Belas Artes com um pressuposto, digamos, peculiar.
 
Numa espécie de prova cega, a que chamou «O Teste», ele e a actriz Isabel de Castro iam lendo poemas aos pares, sem revelar a autoria dos mesmos. No fim de cada leitura, voluntários com cronómetros mediam a duração dos aplausos que a plateia dispensava a cada texto. O objectivo era evidente: mostrar que, ao dissociar-se os versos de quem os fez (e do peso correspondente ao prestígio do autor), se obteria um julgamento estético mais livre. Para surpresa de muitos, os poetas modernistas e surrealistas, considerados mais difíceis para o público em geral, obtiveram uma aclamação bastante superior à que foi reservada aos neo-realistas. Seguiram-se semanas de protestos, indignação e polémicas nos jornais, incluindo um violento duelo verbal entre o novato Ribeiro de Mello e Francisco Sousa Tavares, que levou a peito o facto de Sophia de Mello Breyner Andresen, sua mulher, ter recebido menos aplausos do que Natércia Freire.
 

Estes dois momentos do percurso de Fernando Ribeiro de Mello são amplamente descritos e analisados em Editor Contra, o livro com que Pedro Piedade Marques decidiu resgatar do esquecimento um dos agentes culturais mais singulares da segunda metade do século XX português. Singular e atípico, em muitos sentidos. Se a Afrodite, na última década do Estado Novo, foi um exemplo de desafio subversivo à lógica do regime, depois do 25 de Abril continuou a funcionar em contra-corrente.
O editor que teve a coragem de publicar o que antes não era permitido, por ser considerado atentatório da moral e dos bons costumes, viu-se num dilema quando a liberdade fez desaparecer todas as limitações. Moveu-se então no sentido contrário, dando à estampa, em pleno PREC e nos anos seguintes, obras de teor anti-comunista, panfletos de direita e até uma edição de Mein Kampf. Era o princípio do fim para um homem que se opôs sempre aos poderes instituídos, que nunca deixou de ser intransigentemente «do contra». Ora a intransigência, como é sabido, tem os seus custos. A partir dos anos 80, a Afrodite entra em decadência, naufraga em dívidas, enquanto o editor acaba falido, incompatibilizado com quase toda a gente e, depois da sua morte precoce (aos 50 anos), esquecido”
 
[ler MAIS AQUI | AQUI]
 
J.M.M.
 

domingo, 10 de junho de 2012

ALBUM DE COSTUMES PORTUGUEZES


ALBUM DE COSTUMES PORTUGUEZES. Cinquenta Chromos. Copias de aguarellas originaes de A. Roque Gameiro, C. Bordallo Pinheiro, Condeixa, Malhõa, Manuel de Macedo, R. Bordallo Pinheiro. Com artigos descriptivos de Fialho d'Almeida, J. César Machado, M. Pinheiro Chagas, Ramalho Ortigão e Xaviera da Cunha, Lisboa, Typ. Horas Romanticas, Editor David Corazzi, s.d.(1888), L fls de texto e L de estampas.

"É uma das inúmeras edições modelares do maior Editor português do século XIX: David Corazzi. Com um catálogo estruturado em diversas vertentes, cobrindo todas as áreas: romance histórico e de sensação, aventuras; instrução, periódicos e infantil; popular e de luxo.

Começando em 1870, criou a Biblioteca das Horas Românticas cujas edições eram vendidas em cadernetas entregues semanalmente, e em poucos anos atingirá a centena de títulos, muitos dos quais vastas traduções de romances de autores franceses de época: Ponson du Terrail, Jules Verne, que dará grande visibilidade à editora, etc. Mas também autores portugueses: A Gravura de Madeira em Portugal do gravador João Pedroso, Lisboa na Rua de Júlio César Machado, ou Guiomar Torrezão, Maria Amália Vaz de Carvalho, Teixeira de Queirós, Guerra Junqueiro, Gomes Leal...

No âmbito das Comemorações do Centenário da Morte de Camões (1880) integrará a Comissão da Imprensa de Lisboa e será um dos sócios-fundadores da Associação de Jornalistas e Escritores Portugueses; intervirá ainda com uma gama de publicações em que se destacam a luxuosa edição monumental de Os Lusíadas e o igualmente rico A Camões de Alexandre da Conceição. Seguir-se-ão outros volumes com as mesmas características gráficas: as Fábulas de La Fontaine, O Inferno de Dante, ou O Paraíso Perdido de Milton, ilustrados por Gustave Doré; a História de Gil Braz de Santilhana de Lesage, e, acompanhando a conjuntura política e científica, a África Ocidental, quatro volumes «fotográficos e descritivos» da autoria de J. A. da Cunha Morais.

O contraponto a este vistoso leque editorial será, em 1881, o início da muito acessível colecção Biblioteca do Povo e das Escolas, pequenas brochuras precursoras do formato 'de bolso', que foram cumprindo, ao longo de 237 números, um verdadeiro programa enciclopédico de instrução popular, em sintonia com o ideário republicano. Muitos desses livros chegaram a ser aprovados para o ensino oficial, elementar e dos liceus.

Digna de especial referência é ainda a republicação integral (entre 1887 e 1891) de As Farpas de Ramalho Ortigão e Eça de Queirós. Também as colecções Dicionários do Povo, ou Biografias de Homens Célebres dos Tempos Antigos e Modernos, assim como a Biblioteca Universal Antiga e Moderna, complementarão este serviço prestado à comunidade, a que um editor generalista nunca deveria furtar-se
"

[via FRENESI - sublinhados nossos]

J.M.M.