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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

EDUARDO DE ABREU (Parte III)




Eleito para o Directório do Partido Republicano em 1895, na sequência do VI Congresso do partido, realizado em Lisboa em Março desse ano, juntamente com Horácio Ferrari, Jacinto Nunes, Gomes da Silva e Magalhães Lima. Após o VII Congresso realizado em Coimbra em 1897, Eduardo Abreu passou a integrar a comissão consultiva do Partido Republicano. Neste mesmo ano viu as autoridades monárquicas proibirem a reunião das comissões paroquiais republicanas de Lisboa, a que ele presidia.

Volta a integrar o Directório do Partido Republicano em 1902, juntamente com Jacinto Nunes, António José de Almeida, Estevão de Vasconcelos e Celestino de Almeida. Em Julho de 1906, participa num comício realizado na cidade do Porto, tendo posteriormente disponibilizado esse discurso para publicação no jornal republicano O Mundo. Nesse comício presidido por Nunes da Ponte, usaram também da palavra António José de Almeida, Afonso Costa e António Luís Gomes [Luís Reis Torgal, António José de Almeida e a República. Discurso de uma vida ou vida de um discurso, selecção de imagens de Alexandre Ramires, Lisboa, Círculo de Leitores, 2004, p. 89].

Regressa ao Parlamento em 1911, sendo eleito deputado às Constituintes pelo círculo de Angra do Heroísmo e mais tarde foi eleito senador da República. Durante o regime republicano destacou-se por ter optado por um projecto autónomo para a lei de separação entre a Igreja e o Estado que foi apresentado em Junho de 1911, não tendo sido no entanto este o projecto vencedor. Ainda discursou algumas vezes, mas o seu estado de saúde já se encontrava bastante debilitado devido à doença que incomodava. Retirou-se para a sua casa em Braga onde veio a falecer.

Maçon, iniciado na loja Simpatia de Lisboa em 1892.

Conhecem-se colaborações nos seguintes periódicos:
- A Greve, Lisboa, 1908-1917;
- Diário do Porto, Porto, 1912;
- A Voz Pública, Porto, 1891-1909;

Publicou entre outras coisas:
- Histologia do tubo nervoso e das terminações nervosas nos musculos voluntarios da rã, Coimbra : Imp. da Universidade, 1881. - XX, 157 p. [I fl.], IV est;
- Solemnidade academica em honra do professor Costa Simões : liber memorialis , Coimbra : Imp. da Universidade, 1883. - 74, [1] p.;
- Algumas fumigações à carga do vapor alemão Rosário , Lisboa : Typ. Thomaz Quintino Antunes, 1885. - LXIX, [1] f., 109 p., [1] f.;
- O medico Ferran e o problema scientifico da vaccinação cholerica , Lisboa : Typ. Universal de Thomaz Quintino Antunes, 1885. - 256 p., [2 fl.], I est ; 26 cm. - Notas de uma viagem de estudo;
- A raiva, Lisboa : Imp. Nacional, 1886. - 301 p.. - Tese de doutoramento;
- Teses de medicina teórica e prática... que... se propõe defender na Universidade de Coimbra ..., [S.l. : s.n.] 1887 ( Coimbra: -- Imp. da Universidade). - 1 fl., 19 p. ;
- Noticia de dois documentos raros relativos ao Hospital Real de Todos os Santos de Lisboa, Porto : Typ. de Arthur José de Sousa & Irmäo, 1887. - 20 p. ; 23 cm. - Sep. "Archivos da História da Medicina Portugueza";

- Separação das igrejas do Estado : relatório e projecto de lei apresentado à Assembléa Nacional Constituinte, Lisboa : Livr. Central de Gomes de Carvalho, 1911. - 48 p.;

Sobre Eduardo de Abreu conhecem-se os seguintes trabalhos:
- FORJAZ, Jorge P., “Cartas políticas de Eduardo de Abreu para o Visconde das Mercês (1890-1893)”, Instituto Histórico da ilha Terceira, 43, 1985, 779
- FORJAZ, Jorge P., Correspondência para o Dr. Eduardo Abreu – do Ultimato à Assembleia Nacional Constituinte (1890-1911), Lisboa, Academia Portuguesa da História, 2002.

A.A.B.M.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

EDUARDO DE ABREU (Parte II)




Durante nove anos, Eduardo de Abreu, foi o relator dos trabalhos da Grande Comissão de Defesa Nacional de que faziam também parte, entre muitos outros, Teófilo Braga, António Enes, Manuel de Assunção, Fernando Pedroso, o Duque de Palmela, Rodrigues da Costa, Fernando Palha, Mendes Monteiro, Nobre França e Magalhães Lima. Para este movimento patriótico contribuíram por todo o País muitas instituições, autoridades locais, militares, eclesiásticas e muito povo anónimo [Nuno Severiano Teixeira, O Ultimatum Inglês - Política Externa e Política Interna no Portugal de 1890, Lisboa, Publicações Alfa, 1990, p. 96-142]. Porém, este movimento demonstrava a grande “ingenuidade do projecto” [Amadeu Carvalho Homem, “O Ultimatum Inglês de 1890 e a opinião pública”, Revista de História das Ideias, vol. 14, Coimbra, 1992, p. 286], pois os fundos recolhidos só permitiram a aquisição de um cruzador para a nossa marinha de guerra, o que era manifestamente insuficiente para poder constituir uma ameaça à poderosa frota marítima britânica.

Foi durante o período conturbado do Ultimato que Eduardo de Abreu iniciou a sua aproximação ao Partido Republicano, criticou em pleno Parlamento os partidos monárquicos e recusou assinar o texto do tratado com a Inglaterra, em Setembro de 1890, porque o considerava lesivo dos interesses nacionais. As manifestações populares realizadas em Janeiro de 1890, que foram consideradas pelo Parlamento como um movimento de arruaceiros, o que provocou forte critica a Eduardo de Abreu que o considerava um movimento nobre porque representativo do impulso de todas as classes que apenas procuravam a defesa patriótica do País.

Nas mais de centena e meia de intervenções que deixou no Parlamento algumas podem considerar-se memoráveis. Na análise da sua vida parlamentar, Eduardo de Abreu destaca-se pelos “discursos eloquentes, substanciais, enérgicos e não poucas vezes verdadeiramente incendiários” [Marta Carvalho Santos, “Eduardo de Abreu”, Dicionário Biográfico Parlamentar (1834-1910), vol. I, coord. Maria Filomena Mónica, Col. Parlamento, Imprensa de Ciências Sociais/Assembleia da República, Lisboa, 2004, p. 38-42], tendo adoptado sempre uma postura de não alinhamento e de seguidismo puro e simples, o que o conduziu ao afastamento do Partido Progressista e à entrada no Partido Republicano.

Foi novamente eleito deputado em 1892, agora pelo Partido Republicano, juntamente com Jacinto Nunes, Rodrigues de Freitas e Teixeira de Queirós. Nessa eleição foi eleito pelo círculo plurinominal de Lisboa. Durante essa legislatura produziu a seguinte declaração política: “só aceitarei e votarei qualquer proposta dos partidos monárquicos quando ela tenha por fim a mudança das instituições”[Marta Carvalho Santos, idem, p. 42]. Em 1894 torna a ser eleito por Lisboa juntamente com Gomes da Silva. No entanto, em 1896, publica uma carta aberta dirigida a Magalhães Lima e publicada no diário A Vanguarda, onde declara a sua recusa em ser novamente eleito deputado durante o regime monárquico, o que de facto não voltou a acontecer.

Participa activamente na Conferência de Badajoz, realizada a 24 de Junho de 1893, onde se juntaram os republicanos portugueses e espanhóis. Do lado espanhol a comitiva era chefiada por Salmeron, Pi y Margall e Zorrilla que foram acompanhados por mais de quatrocentos delegados. Por seu lado, do lado português participaram, além de Eduardo de Abreu, Gomes da Silva, Teixeira de Queirós, Albano Coutinho, Magalhães Lima, Cecílio de Sousa, Alves Correia, Ramiro Guedes, Jacinto Nunes, Manuel Emídio Garcia, José António Bourquin Brak-Lamy, Horácio Esk Ferrari, Feio Terenas, Teixeira Bastos, entre outros [Lopes de Oliveira, História da República Portuguesa. A Propaganda na Monarquia Constitucional, Lisboa, Editorial Inquérito, 1947, p. 137].

[Em continuação]

A.A.B.M.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

EDUARDO DE ABREU (Parte I)




Com o nome completo de Eduardo Augusto da Rocha Abreu, nasceu em Angra do Heroísmo, nos Açores, em 8 de Fevereiro de 1856 e faleceu, em Braga, a 4 de Fevereiro de 1912. Era filho de Bento José de Matos Abreu e de Rosa Amélia Borges da Rocha.

Realizou os estudos preparatórios em Coimbra e nessa cidade frequentou a Universidade entre 1875 e 1881, onde se formou em Medicina, com distinção. Curiosamente, frequentou durante esse tempo as cadeiras do curso filosófico, neste caso em 1876-1877, em que frequentou a cadeira leccionada por Teodoro da Mota (Desenho), intitulada Figura [Anuário da Universidade de Coimbra, Ano Lectivo 1876-1877, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1876, p. 177]. No final do curso, e 1881, apresentou a tese Histologia do Tubo Nervoso e das Terminações Nervosas nos Músculos Voluntários da Rã que lhe valeu o reconhecimento da Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido eleito sócio.

Em 27 de Novembro de 1887 obteve o grau de doutor em Medicina [Anuário da Universidade de Coimbra, Ano Lectivo 1901-1902, Coimbra, Imprensa da Universidade, 1901 – Contem uma Relação dos Doutores graduados pela Universidade de Coimbra durante o século XIX, dispostos segundo a ordem cronológica, p. 36-77], com a tese A Raiva. Dissertação inaugural para o acto de conclusões magnas na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Lisboa, 1886, 301 p. [José Pinto Loureiro, Bibliografia Coimbrã, Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra, 1964, p.2].

Ainda enquanto estudante inicia colaboração regular nas publicações da época, publicando textos num jornal que existiu em Coimbra intitulado Zé Pereira, colaborou ainda em várias revistas científicas e jornais, como o Diário de Notícias.
Foi também um dos principais responsáveis pela realização das Comemorações do Tricentenário de Camões em 1880 e do Marquês de Pombal em 1882 [Inocêncio Francisco da Silva, Dicionário Bibliográfico Português,Lisboa,Imprensa Nacional,vol. XIX, p. 96].

No âmbito das suas investigações na Universidade de Coimbra, foi diversas vezes ao estrangeiro para estudar as novas metodologias e medidas de assistência médica, em particular no caso das epidemias e das novidades científicas, como era o tratamento para a raiva, contexto onde Eduardo de Abreu conheceu Pasteur.

Envolve-se na vida política activa como deputado pelo Partido Progressista em 1887, tendo sido eleito pelo círculo uninominal de Figueiró dos Vinhos e em 1890 foi eleito pelo círculo plurinominal de Angra do Heroísmo. Porém, a eclosão do ultimato de 11 de Janeiro de 1890 conduziu-o ao afastamento dos partidos monárquicos e adere ao Partido Republicano. Nesse mesmo processo, foi acompanhado por outra figura que se tornará também importante do lado republicano, Guerra Junqueiro. Como afirmaram Manuel Maria Coelho e João Chagas, na História da Revolta do Porto, produz-se uma súbita incorporação de todo o patriotismo ofendido no Partido Republicano. Adere-se precipitadamente à República, em desagravo, e à República não se pede nem melhor justiça, nem maior liberdade, mas simplesmente, - reparação.

Eduardo de Abreu surge na primeira linha das manifestações realizadas em Lisboa contra o Ultimato Inglês. A sua revolta contra os acontecimentos provocados pela Inglaterra conduzem-no à formação da Grande Subscrição Nacional - Defesa do País onde desempenha papel de relevo na sociedade e na política da época.

[Foto retirada da obra: Rocha Martins, D. Carlos]

[Em continuação]

A.A.B.M.