Mostrar mensagens com a etiqueta Evocacao. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Evocacao. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 8 de março de 2018

DIA INTERNACIONAL DA MULHER



Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes...
e calma

 
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Obra Poética
 
J.M.M
 

40.º ANIVERSÁRIO DA MORTE DE VITORINO NEMÉSIO – EVOCAÇÃO DA SUA VIDA E OBRA



40.º Aniversário da Morte de Vitorino Nemésio – Evocação da sua Vida e Obra

 
DIA: 10 de Março 2018 (15,00 horas - 17,00 horas);

LOCAL: Centro Cultural de Belém (sala Sophia de Mello Breyner Andresen), Lisboa.

 
PROGRAMA:

- Abertura e Justificação da Homenagem (por Elísio Summavielle, pres. Cons. Adm. Do CCB)

- Retrospetiva de Vitorino Nemésio (António Valdemar, jornalista e investigador)

­- Poemas de Vitorino Nemésio (por Luiza Costa)

- O Lugar de Nemésio na Literatura Portuguesa e na Cultura Açoriana (Luís Fagundes Duarte, Univ. Nova de Lisboa)

- Poemas de Vitorino Nemésio (por Luiza Costa)


“Poeta, escritor e professor universitário, Vitorino Nemésio (1901-1978) nasceu com o século XX e acompanhou quase todo o século nas suas múltiplas transformações culturais, políticas e sociais.

Em março de 2018 completam-se 40 anos sobre a sua morte. O Centro Cultural de Belém vai recordar esta efeméride no dia 10.


A problemática açoriana dominou grande parte da criação literária de Nemésio, embora se ocupasse de outros temas relacionados com a Europa e, muito em especial, o Brasil.

Deixou quatro livros de ficção, onze de poesia e, ainda, mais dezassete volumes constituídos por aquilo que, genericamente, denominou «história, critica e viagens». De todos os títulos, porém, o que teve maior renome nacional e internacional foi o 
Mau Tempo no Canal (1944).

Além do 
Mau Tempo no Canal, Vitorino Nemésio afirmou- se como poeta, nomeadamente em: La Voyelle Promise (1935); O Bicho Harmonioso (1938); Eu, Comovido a Oeste (1940); Nem Toda a Noite a Vida (1953); O Verbo e a Morte (1959); Canto de Véspera (1966); Sapateia Açoriana (1976). Assinala-se na obra poética o livro póstumo, Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga (2003), que testemunha a outra grande paixão com Margarida Vitoria Jácome Correia”.

[António Valdemar, AQUI – sublinhados nossos]

FOTO: Vitorino Nemésio, por Alfredo Cunha, com a devida vénia

J.M.M.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

[COIMBRA] SESSÃO EVOCATIVA DOS 150 ANOS DA PUBLICAÇÃO DO I VOLUME DE “O CAPITAL” DE KARL MARX


 
 
CONFERÊNCIA: Sessão Evocativa dos 150 Anos da Publicação do I Volume de "O Capital" de Karl Marx

ORADOR: Doutor António Avelãs Nunes
DIA: 27 de Outubro de 2017 (21,00 horas);
LOCAL: Casa Municipal da Cultura [Rua Pedro Monteiro], Coimbra;
 
ORGANIZAÇÃO: Ateneu de Coimbra;

Karl Marx publica o volume I de “O Capital”, em Hamburgo, em 1867. Obra importante e estimada - que continua o seu trabalho anterior de crítica da Economia Política (saída em 1859) - publicada em III volumes, ainda hoje é bibliografia incontornável para uma análise do capitalismo e um legado de referência para o pensamento operário e socialista. A influência de Marx no pensamento contemporâneo é enorme, contribuindo para um intenso debate (ainda hoje conceptualmente presente) que vai da Economia (Política) às Ciências Sociais. O que é (ou foi) considerado como "marxismo" [curiosamente e segundo Engels, numa carta escrita a Conrad Schmidt, Marx teria dito: “Tudo o que sei é que eu não sou um marxista”; na verdade o “marxismo”, na sua prática de luta de classes, surge-nos bem antes da sua recepção teórica, que é quase sempre desconhecida] suporta ao longo do tempo reinterpretações sucessivas, controvérsias insanáveis, dando-lhe no entanto, pelas características ideológicas da sua metodologia de análise filosófica, económica e social, um significado ideológico e político distinto e, no tempo presente, uma continuidade, duradoura e intensa, na vida política e partidária em diferentes países do mundo.  



Com a morte de Karl Marx (1883), o seu amigo Friedrich Engels edita, a partir dos seus manuscritos (muitos ainda hoje inéditos), os volumes seguintes de ”O Capital” (o volume II, em 1885 e o III em 1894), não sem alguma polémica. De notar que a 1ª tradução d’O Capital, em português, foi feita a partir da sua tradução francesa, (Agosto de 1883, em França), saindo das Oficinas da Imprensa Lucas, em 1912, e onde surge, curiosamente, o nome do autor, como Carlos Marx.

Abra-se um parêntesis para dizer que os acontecimentos de França de 1848 [Karl Marx, sobre este particular assunto publica “As Lutas de Classe na França de 1848 a 1850“] e que varreram toda a Europa, chegaram a Portugal de forma ainda incipiente, a que não era estranho o relativo atraso do desenvolvimento capitalista em Portugal [por exemplo, a greve dos metalúrgicos de Lisboa, em 1849, é a primeira greve no sector industrial; e até então só se tinha feito sentir os protestos dos operários dos têxteis da Covilhã, em 1846; no entanto, é bom de reter, a importância que teve o movimento social e político, fortemente contestatário, da “Janeirinha” (1868), contra o Fontismo (e que levou à queda do governo), que de algum modo revelava já mudanças significativas da estrutura produtiva e, principalmente, é de destacar o conturbado período de 1871 em diante, em que a questão social se torna objecto económico e socialmente analisável].

Será interessante salientar a importância nessa geração, para a difusão das ideias libertárias ou revolucionárias, o trabalho proporcionado pela imprensa, com foi o caso do aparecimento de alguns periódicos operários combativos [principalmente com “O Eco dos Operários” (1850; fundado por Lopes de Mendonça e Sousa Brandão, Henriques Nogueira Vieira da Silva Júnior e J. Maria Chaves); refira-se, porém, que antes disso já tinha saído do prelo jornais de classe, como “O Cortador”, de 1837; a “Alvorada”, jornal republicano de 1848, não propriamente operário; “Eco Metalúrgico”, em 1850]. Curiosamente, o mesmo é possível de verificar em artigos de revistas académicas, como, por exemplo, as polémicas sobre a “questão social” traçadas na revista do Instituto de Coimbra (1853). Por outro lado, não terá sido indiferente a fundação da Associação Operária Mutualista Portuguesa (1839), o aparecimento do Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosos (1852), as “Conferências Democrática do Casino” (1871), o surgimento da associação de trabalhadores “Fraternidade Operária” (1872), a fundação do Partido Socialista (1875; com José Fontana, Azedo Gneco, José Correia Nobre França e José Tedeschi) ou a criação do núcleo português da AIT, que contribuem decisivamente para o impulso do associativismo dos trabalhadores e para uma curial reflexão nacional sobre a “questão operária” e a “miséria” do proletariado.
 
 

Refira-se que a produção teórica sobre o “miserabilismo das classes trabalhadoras” e a sua emancipação eram (então) sufragados pelo movimento proudhoniano, anarquista e libertário e pelo curioso sindicalismo revolucionário [sobre o assunto ver, Alfredo Margarido, “A Introdução do Marxismo em Portugal 1850-1930"; ver, ainda, António Pedro Pita, "A recepção do marxismo pelos intelectuais portugueses 1930-1941"]. Na verdade a influência do pensamento de Proudhon na história das ideias em Portugal, nessa época, é incontornável.

De facto, a recepção ao pensamento de Proudhon [principalmente a partir da sua obra, “O Que é a Propriedade”, de 1840, a que se seguiu o cintilante “Sistema de contradições econômicas ou Filosofia da Miséria”, 1846, que, aliás, sofre uma violenta crítica de Karl Marx, em a “Miséria da Filosofia”, 1847; mas também, foi relevante, pela controvérsia anticlerical que proporcionou, o seu livro, datado de 1858, “A justiça na Revolução e na Igreja”] abre um curioso debate em Portugal, entre figuras de grande valia, como Pedro Amorim Viana (1882-1901), José Júlio de Oliveira Pinto Moreira (um inconfessável adepto de Bastiat e dos poucos que leu Marx), João da Silva Ferrão de Carvalho Mártens, J. J. Rodrigues de Freitas, José Frederico Laranjo, Batalha Reis, Sampaio Bruno, Basílio Teles, Sebastião Magalhães Lima, Silva Mendes, entre outros, de boa memória e interessante de acompanhar.   

 J.M.M.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

BENTO DE JESUS CARAÇA: RECORDADO NO MUSEU DO ALJUBE

Bento de Jesus Caraça vai ser recordado amanhã, 17 de Junho de 2016, pelas 18 horas no Museu do Aljube em Lisboa, com uma exposição bibliográfica e testemunhas de quem o conheceu e investigou o seu percurso biográfico, como Helena Neves, João Caraça, Cristina Antunes e Diana Andringa. No âmbito do ciclo Intelectuais e Artistas da Resistência que tem vindo a ser promovido nos últimos meses com organização do Professor Luís Farinha.

Pode ler-se na nota de divulgação:

No dia 17 de junho, às 18 horas, temos uma evocação de Bento de Jesus Caraça - vida e obra: com Helena Neves e João Caraça e a presença de Cristina Antunes e Diana Andringa, realizadora e autora, respetivamente, do documentário «Bento de Jesus Caraça. Matemático Cidadão». O Museu do Aljube reúne ainda um conjunto de documentos originais, numa mostra biobibliográfica de Bento Caraça, que estará patente ao público até 30 de junho´.

Uma iniciativa a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

À MINHA LOJA MÃE – RUDYARD KIPLING


À Minha Loja Mãe”, de Rudyard Kipling, s/l (Figueira da Foz), s/d (Janeiro de 2016), p. 32

Trata-se de uma curiosa e esmerada edição, de tiragem reduzida, do apreciado poema “À Minha Loja Mãe” de Rudyard Kipling, evocando o 80.º aniversário da sua morte (18 de Janeiro de 1936). O poema é apresentado em inglês e português e vem ornado com nove desenhos, originais e a cores, a todo o tamanho das páginas, que o ilustram e lhe “dão mais beleza”. Tem um curioso posfácio e é acompanhado de textos de Fernando Lima (Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano), de “Alexandre Herculano" (n.s.) e de António Lopes. De muito apreço.

"Rudyard Kipling, poeta, romancista e contista, O Livro da Selva e Kim, entre outros, laureado com o Prémio Nobel em 1908,foi iniciado na maçonaria, com dispensa de idade, na loja Hope and Perserverance de Lahore,da multifacetada Índia, e, posteriormente, membro de várias lojas maçónicas..

Kipling escrevia com a convicção que as ideias e valores maçónicos, transmitidos nas suas histórias, eram aceites e partilhados pelos seus leitores, como em "0 homem que queria ser rei", "Com a guarda"ou a "Viúva em Windsor". O poema "A minha pedra cúbica" é a oração de um obreiro Maçom; O trabalho, o esforço e a perseverança espelham-se no poema "O palácio", a maçonaria operativa está no conto "A coisa errada", que contém o célebre "Se". Mas é na recolha "Sete mares" que se encontra o seu comovente e mais conhecido poema maçónico, "Loja Mãe", dedicado à memória da sua primeira loja, lugar inesquecível da iniciação em todo o seu significado.

A diversidade da composição humana da Loja, o reconhecimento e o respeito pelo outro, a tolerância e o sentimento de pertença sublinham aí valores maçónicos universais que subjazem em toda a espiritualidade, filosofia e prática maçónica de uma actualidade que nunca é demais sublinhar, em tempos de barbárie, fundamentalismos e exclusão.

Este humanismo nunca é demais sublinhar e recordar em tempos difíceis. servindo de exemplo e guia para todos nós. Kipling não será nisto nunca esquecido”. [Fernando Lima, Grão-Mestre do GOL - sublinhados nossos]



“A poesia é mais verdadeira do que a história. Porque não é a história que faz o homem, mas o homem que faz a história, mesmo sem saber que história vai fazendo. Daí que o paradoxo ainda continue a ser a melhor forma de acedermos à verdade, porque esse é o conteúdo da fé, pelo qual o eterno vem ao tempo, como salientava Kierkegaard. A poesia é, assim, mais verdadeira do que a história, a que não é causa, provocada pelos teóricos do processo histórico, sob a forma de ideologias, mas antes o simples produto das ações dos homens e não das respetivas intenções e planeamentos, porque são mesmo os poetas que movem a humanidade, sentindo as correntes profundas. Daí, a maçonaria, porque faz conviver a história com o mistério e apenas ascende quando se torna poesia. Como a de Rudyard Kipling, quando tentava elevar o imperialismo britânico na Índia, onde nasceu, em esforço de civilização, agregando cristãos, muçulmanos, hindus, sikhs e judeus. Até estava inserido naquele movimento de criação do movimento scout, de Baden Powell, procurando um método educativo para uma nova forma de vida. Aliás, quatro anos depois do lançamento de tal movimento, um jovem oficial português, Álvaro de Melo Machado, iniciado maçom desde 1907, fundava, em Macau, o primeiro grupo de escoteiros em território português, quando já era bastante ativa a loja Luís de Camões, que mobilizava personalidades como Camilo Pessanha e o jornalista Francisco Hermenegildo Fernandes. O poema de Kipling, sem qualquer cedência ao cientificismo, chame-se futurologia ou prospetiva, supera, em plenitude, as próprias vulgatas esotéricas, revelando o essencial dos homens de boa vontade que querem ser homens livres, conforme o berço do estoicismo, do judaísmo, do cristianismo e do islamismo, bem contrário aos totalitarismos grupais e aos respetivos fundamentalismos (…) [“Alexandre Herculano” (n.s.) - sublinhados nossos]

“ (…) Na Loja, a Igualdade é o resultado da harmonia que deve reinar, constituindo a força da união entre os Irmãos. A igualdade é lembrada ao neófito logo no seu primeiro contacto com a Loja, quando ele se apresenta perante esta “nem nu, nem vestido”. Significa que qualquer  diferenciação social derivada do seu modo de vestir não tem qualquer valor e que a sua primeira roupa são os paramentos maçónicos, neste caso o avental que lhe será entregue. Com ele coloca-se em plano de igualdade perante os Irmãos e com ele é-lhe lembrado o valor do trabalho em Loja. Por seu lado, a fraternidade, que a Maçonaria elege como outro dos seus pilares,  encontra assim expressão na ligação à realidade cívica de cada cidadão.

É a igualdade plena que impede que um indivíduo se sobreponha ou domine outro, transformando-se por isso e naturalmente em fraternidade. A esta nova realidade associam-se o cosmopolitismo e a tolerância. Sendo o primeiro um ideal antigo - Sócrates já se considerava um cidadão do mundo - o cosmopolitismo é um estado de espírito e um modo de viver que constituem uma referência intimamente associada à Liberdade e à Igualdade, mas que pressupõe uma atitude fraterna para com o outro (…) [António Lopes - sublinhados nossos]

J.M.M.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

RUDYARD KIPLING 150.º ANIVERSÁRIO DO SEU NASCIMENTO



DIA: 18 de Dezembro 2015 (19,00 horas);
LOCAL: Escola Oficina n.º1 (Largo da Graça, nº58, Lisboa);
ORGANIZAÇÃO: Instituto Português de Estudos Maçónicos.

COMUNICAÇÃO/ORADOR:

► “Kipling and Freemasonry[Marie Mulvey-Roberts];

A ‘Maçonaria Imortal’ e Kipling [António Feijó];


 
Loja “Hope and Perseverance”, nº 782 da UGLE (India), onde R. Kipling foi iniciado a 5 de Abril de 1885
 
(…)

A decoração do nosso templo não era rica,
Ele era até um pouco velho e simples,
Mas nós conhecíamos os Deveres Antigos,
E os tínhamos de cor.
Quando eu me lembro deste tempo,
Percebo a inexistência dos chamados infiéis,
Salvo alguns de nós próprios."

(…)
 
Como gostaria de rever aqueles velhos irmãos,
Negros e morenos,
E sentir o perfume dos seus cigarros nativos,
Após a circulação do tronco,
E do malhete ter marcado o fim dos trabalhos,
Ah! Como eu desejaria voltar a ser um perfeito maçon,
Novamente, naquela Loja antiga.

Diria então Sargento, Senhor,
Salut, Salam...
Pois seriam todos meus irmãos,
E ali não se faria mal a ninguém
E nos encontraríamos sobre o nível,
E nos despediríamos sob o esquadro,
Eu seria o Segundo Experto da minha Loja,
Ficaria lá em baixo.

[Rudyard Kipling, "À Minha Loja Mãe de Lahore"]

J.M.M. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

VITORINO NEMÉSIO – UMA EVOCAÇÃO [TERTÚLIA EM COIMBRA]


TERTÚLIA: O VERBO E A MEMÓRIA / "Vitorino Nemésio – Uma Evocação”;
DIA: 20 de Fevereiro 2015 (21,00 horas);
LOCAL: Café Santa Cruz (Coimbra);
ORGANIZAÇÃO: Pro Associação 8 de Maio & Café Santa Cruz.

PARTICIPAÇÃO: Orfeão Académico de Coimbra | Manuel Freire | Ana Loureiro (soprano) | Tiago Nunes (teclas) | António Vilhena | Carlos Santarém Andrade | Emília Nave | José Garrucho | Pires de Carvalho | Ricardo Kalash | Francisco Paz

DIA 21 DE FEVEREIRO de 2015 (12,00 horas) – Descerramento de uma lápide na campa de Vitorino Nemésio, Cemitério dos Olivais (Coimbra)

Vitorino Nemésio (1901-1978), aliás Vitorino Nemésio Mendes Pinheiro da Silva, nasceu na Praia da Vitória (Terceira, Açores) a 19 de Dezembro de 1901. Estudou no liceu de Angra (de onde foi “expulso”), terra, aliás, onde o ideário republicano (e libertário) o iluminou. Fez posteriormente os exames como externo no Liceu Nacional da Horta, concluindo esses estudos preliminares em Julho de 1918 [conclui o curso do liceu já em Coimbra, em 1921]. Antes (1916) publica o seu primeiro livro, “Canto Matinal”. Em 1919 serve a arma de infantaria, pelo que saiu por esses mares adiante, descansando da intriga do “mau tempo no canal”. 

 
Em Coimbra, matricula-se em Direito, mas três anos depois endereça os seus estudos para o curso de Histórico-Filosóficas e em 1925 em Filologia Românica.

O ano de 1923 foi-lhe particularmente benéfico: conhece Miguel de Unamuno (com quem não deixará de trocar correspondência pela vida fora) e é iniciado na Loja “A Revolta”, nº 336, do GOLU, com o n.s. de “Manuel Bernardes”. Em 1924 atinge o grau de Mestre. O maçon “Manuel Bernardes” teve afastado da actividade maçónica durante alguns anos, mas “comportou-se sempre como um verdadeiro maçon” [cf. António Ventura, “Uma História da Maçonaria em Portugal”, p. 830] e já depois do 25 de Abril de 1974 o seu processo de regularização na Loja “Liberdade e Justiça” estava em fase de conclusão [ibidem], o que não se verificou pelo seu falecimento.

Em 1924 é um dos fundadores da revista coimbrã “Tríptico”, juntamente com Afonso Duarte, António de Sousa, Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões. No ano seguinte (15 de Março de 1925) é o director do curioso jornal “Humanidade”, jornal quinzenal dos estudantes de Coimbra [fundado em 1912 pelas lojas maçónicas de Coimbra].

Em 1927, com actividade intensa no Centro Republicano Académico de Coimbra, Vitorino Nemésio e Carlos Cal Brandão, ambos obreiros da Loja “A Revolta”, iniciam a publicação do jornal republicano académico “Gente Nova” [com Paulo Quintela e Sílvio Lima]. Em 1928 termina Filosofia na Universidade de Coimbra com a tese, “O problema da recognição” e começa a escrever na “Seara Nova”. Em 1930, já na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, conclui Filologia Românica e lecciona (1931) nessa Universidade, literatura italiana e espanhola. Colabora poeticamente na revista “Presença” (1930). O ano de 1934 encontra-o doutorado com a tese (de que saiu livro) “A Mocidade de Herculano até à volta do Exílio”.

Entre 1937-1939 dirige a “Revista de Portugal” (Coimbra) e lecciona na Universidade Livre de Bruxelas, tendo regressado em 1939 à Faculdade de Letras de Lisboa, onde se jubilou a 12 de Setembro de 1971.


Romancista, escritor e poeta, Vitorino Nemésio deixou obra farta e primorosa, tendo colaborado em diversos jornais e revistas literárias. Assim, já em 1916, funda a revista literária “Estrela d’Alva”, colabora na revista “Bizãncio” (Coimbra, 1922), “Cadernos de Poesia”, revista “Aventura”, revista “Litoral”, na revista “Vértice”; é redactor do jornal “A Pátria” (1920), “A Imprensa de Lisboa” (1921), “Última Hora” (1921), no jornal “O Diabo” (1935), “Diário Popular (1946), revista “Observador” (1971) e é director do jornal “O Dia” (1975 – que abandona depois por não aceitar as “graves acusações [feitas por Henrique Cerqueira] a vários antifascistas” no caso Henrique Delgado].

A sua obra de perfeição, "O Mau Tempo no Canal” data de 1944, mas antes publicou "Paço do Milhafre" (1924), "Varanda de Pilatos" (1926), "A Casa Fechada" (1937). A sua bibliografia poética é extensa e valiosa: "Canto Matinal" (1916), "Nave Etérea" (1922), "O Bicho Harmonioso" (1938), "Eu, Comovido a Oeste" (1940), "Nem Toda a Noite a Vida" (1953), “O Pão e a Culpa" (1955), "O Verbo e a Morte" (1959), "O Cavalo Encantado" (1963), "Andamento Holandês e Poemas Graves" (1964), "Violão do Morro. Seguido de Nove Romances da Bahia" (1968), "Limite de Idade" (1972), "Sapateia Açoriana" (1976), entre outros.

Morre a 20 de Fevereiro de 1978, no hospital da CUF e será sepultado, a seu pedido, no cemitério de Santo António dos Olivais de Coimbra.  

Vitorino Nemésio foi um homem das letras, um poeta com génio, e mesmo que a história (datada de 1979) nunca totalmente esclarecida de uma sua putativa (e escandalosa) adesão ao separatismo açoriano (via FLA), de uma republica insular, e que o estigmatiza [tanto quanto o “indigna” – s/ o assunto ver Manuel Ferreira, "Vitorino Nemésio e a sapateia açoriana loucura ou traição”, 1988] no pós Abril de 1974, nada fará esquecer essa figura impar da nossa portugalidade. E bem estão aqueles que sabem que “em terra onde há ritos, tem que haver quem celebre” (V.N.). Como no dia 20 de Coimbra se cumprirá.
 
J.M.M.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

EVOCAÇÃO DO CENTENÁRIO DA GRANDE GUERRA EM CONDEIXA-A-NOVA


No próximo sábado, dia 1 de Novembro de 2014, realiza-se em Condeixa-a-Nova uma Evocação do Centenário da Grande Guerra.

As cerimónias iniciam-se às 10.30 horas, no Largo Artur Barreto, frente à Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, junto ao Monumento de Homenagem aos Mortos, segue-se depois a conferência sobre "Técnicas e Táticas da 1ª Grande Guerra", pelo Dr. João Peixoto.

Pelas 11.30h, no Salão Nobre da Câmara Municipal, realiza-se a Cerimónia Evocativa do Centenário da Grande Guerra, com a Homenagem ao Capitão Augusto dos Santos Conceição.

Nos dias seguintes inauguram-se as exposições na Junta de Freguesia de Condeixa subordinada ao tema "1ª Grande Guerra em Miniaturas", bem como outra exposição documental na Casa Museu Fernando Namora sobre "A Grande Guerra".

A propósito de Augusto dos Santos Conceição que vai ser recordado nesta cerimónia, sabe-se que nasceu na Figueira da Foz em 1885. Enveredando pela carreira militar vai ser mobilizado para o combate em França, onde chegou a ser prisioneiro de guerra, na sequência dos combates em La Lys. Devido à sua participação no Corpo Expedicionário Português recebeu várias condecorações e louvores.

Foi vereador da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Colaborador regular da imprensa e monografista deixou publicadas as seguintes obras de carácter monográfico:
- Condeixa-a-Nova, 1941;
- Soure, 1942;
- Terras de Montemor-o-Velho: terras de lendas e bastas façanhas, terras de beleza pela sua paǐsagem e seus monumentos, 1944;
- Santa Clara de Coimbra, 1954.

Deixou ainda inéditos os seguintes textos:
Infantaria 15 de Tomar na Flandres", [localizou-se uma versão policopiada do manuscrito de 1936, depositada na biblioteca do Arquivo Histórico Militar, com o nº de registo 7894.];
- Memórias de Um Prisioneiro de Guerra [cujo paradeiro se desconhece];

Foi presidente do Núcleo Local da Liga dos Combatentes.

Faleceu em 9 de Março de 1976.

Com os votos do maior sucesso para estas iniciativas.

A.A.B.M.



domingo, 20 de janeiro de 2013

EVOCAÇÃO DO 31 DE JANEIRO - MIRA


EVOCAÇÃO DO 31 DE JANEIRO PELO MR5O EM MIRA

DIA – 31 de Janeiro (20 horas);
LOCAL – Restaurante TICO-TICO (Mira);
ORGANIZAÇÃO – MR50 (Movimento Republicano 5 de Outubro)

O MR5O – Coimbra [“Movimento Republicano 5 de Outubro”, de Coimbra] vai evocar, no próximo dia 31 de Janeiro, a revolta que eclodiu no Porto, na mesma data, mas no ano de 1891, e que constituiu o primeiro momento de afirmação revolucionária do Ideal Republicano. A República foi proclamada na Cidade Invicta e aí durou durante 8 horas.
Esta evocação decorrerá em MIRA, no decurso de um jantar no Restaurante Tico-Tico, a partir das 20 horas, e com o custo de 8 euros e 50 cêntimos (8,50 euros).
Apela-se assim a todos os Companheiros que perfilhem os valores da República para que nos acompanhem nesta jornada democrática. Ela servirá também para fazermos em conjunto uma reflexão sobre o futuro político, económico, social e cultural de Portugal e dos portugueses. Assim, usarão da palavra todos os Companheiros que o desejarem, em partilha fraterna e solidária de pontos de vista.
As inscrições deverão fazer-se para os seguintes contactos:
Endereço electrónico : amadeu.homem@gmail.com
“Traz outro Amigo também!”
Saúde e Fraternidade !
VIVA A REPÚBLICA !
Pelo “ MR5O – Coimbra”
Amadeu Carvalho Homem
[texto via Movimento Republicano 5 de Outubro - FACEBOOK]
J.M.M.