Bandeira Vermelha
António Ventura publicou na
Seara Nova [
nº1580, de Junho de 1977] um texto sobre a "
Imprensa comunista em Portugal, no período de 1919-1921", que iremos acompanhar nesta breve nota sobre o importante periódico constituído por "
destacados militantes sindicalistas", intitulado "
Bandeira Vermelha".
É-nos dito por António Ventura que, muito embora outros periódicos "
tomaram uma posição favorável até certa altura à revolução russa" [caso dos jornais anarquistas, "
Sementeira", "
A Batalha" e a "
Aurora Social"], foi o semanário "
Bandeira Vermelha"
[semanário editado pela
Federação Maximalista Portuguesa,
I série, Ano I, nº1 (5 de Outubro de 1919) ao nº? (19 de Junho de 1921), e seu porta-voz - note-se que o
P.C.P. é fundado em Março de 1921 (
vidé a ligação entre a então Federação Maximalista Portuguesa e o PCP em "Contribuição para a história do Partido Comunista Português na I República 1921-1926", de José Pacheco Pereira, Análise Social, 67-68, 1981).
Editor:
Jaime Neves Guimarães (
depois José Rodrigues). Director:
Manuel Ribeiro (
que era o Secretário Geral da Federação). Redactores e colaboradores:
António Lopes Jorge,
António Peixe,
Caetano de Sousa,
Carlos Rates,
Dinis Rocha,
Ferreira Quartel,
Manuel Ribeiro,
Marcelino da Silva,
Sobral de Campos. Redacção e Administração:
Rua Arco Marquês do Alegrete, 30, 2ºDto, Lisboa. Composição e impressão, Tipografia Rua do Século]
o "
primeiro órgão de Imprensa de uma organização que inscreve no seu programa não só a defesa e divulgação dos ideias de Outubro, mas também a luta por alguns desses objectivos" [
cf. Ventura, 1977].
Registe-se que "
Bandeira Vermelha" publicou os
Estatutos da Federação Maximalista Portuguesa no seu nº1 [
vidé José Pacheco Pereira, "
Questões sobre o movimento operário português e a revolução russa de 1917”, Livraria Júlio Brandão, Porto, 1971"] e deu a conhecer importantes artigos de "
Lenine, Trostky, Suvarine, Lunatcharsky, Rosa Luxemburgo, K. Liebknecht, Sadoul, Zinoviev e de quase todos os mais importantes teóricos comunistas da época" [
cf. José Pacheco Pereira, "
As lutas operárias contra a carestia de vida e, Portugal. A Greve Geral de Novembro de 1918",
Textos de Apoio 2, Portucalense Editora, Agosto de 1971].
Não por acaso, "
na prática, e até ao aparecimento do órgão oficial do referido partido [nota:
PCP]
, ‘Bandeira Vermelha’ funcionará como seu órgão oficioso”. Aliás na fundação do
PCP estão activos colaboradores do jornal, como
Manuel Ribeiro,
Carlos Rates,
Caetano de Sousa ou
Ferreira Quartel. Registe-se , como curiosidade, que o núcleo inicial no
Porto do
PCP cresce a partir do trabalho "
infatigável" de
Manuel Ferreira Torres [
que posteriormente sai ou é expulso do PCP], manufactor de calçado e ex-anarquista [
vinha do Centro Comunista Libertário], que vendia o semanário "
pelas ruas da cidade, nos cafés, tabernas e nas assembleias sindicais" [
cf. José Silva,
"Memórias de um Operário", I vol., Livraria Júlio Brandão, Porto, 1971].
O periódico esteve suspenso de 5 de Dezembro a 17 de Abril de 1921, por motivo da forte repressão sobre os elementos da
Federação Maximalista e, em especial, devido à prisão de
Manuel Ribeiro [
preso pelos artigos condenando a violência do governo na greve dos ferroviários]. Note-se que o seu primeiro número foi apreendido [
cf. Ventura,
1977] e foi alvo de vários assaltos da polícia.
Surge, ainda, "
Bandeira Vermelha" numa posterior II série (
1925-1926), agora como órgão mensal da
Federação das Células Comunistas do Porto, do PCP [
cf. JPP, 1971].
J.M.M.