Mostrar mensagens com a etiqueta Heliodoro Salgado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Heliodoro Salgado. Mostrar todas as mensagens

domingo, 30 de dezembro de 2018

HELIODORO SALGADO – UM HOMEM DE LUTAS




LIVRO: Heliodoro Salgado – Um Homem de Lutas;
AUTOR: José Pedro Maia Reis;

EDIÇÃO: do Autor, Janeiro de 2019.

LANÇAMENTO:

DIA: 4 de Janeiro 2019 (21,00 horas);
LOCAL: Auditório da Junta de Freguesia de Bougado (Rua 16 de Maio, Santiago de Bougado, Trofa).

112 Anos passados sobre o passamento de Heliodoro Salgado (1861-1906) – livre-pensador e um dos mais importantes propagandistas republicanos, “anarquista intervencionista” e militante anticlerical assumido -, nascido a 8 de Julho de 1861 em S. Martinho de Bougado, José Pedro Reis recorda a sua figura na obra (edição de Autor), justamente intitulada, “Heliodoro Salgado – Um Homem de Lutas”. Heliodoro Salgado, muito cá de casa, merece toda a atenção que lhe seja devida. A não perder, portanto, a leitura de mais um testemunho sobre esta ilustre figura do republicanismo português.

NOTA: No Almanaque Republicano pode, AQUI, consultar os verbetes sobre essa singular figura que foi Heliodoro Salgado

“A curiosidade em compreender o passado, conhecer nomes, locais que marcam a identidade de uma comunidade são os anseios de um historiador e quando se cresce numa cidade que ouvimos repetidamente o mesmo discurso, “não há importância histórica”, aguça ainda mais o engenho em procurar referências mesmo que essas referências sejam ínfimas.

Recebendo o livro do saudoso Professor Napoleão Sousa Marques: “Duas comunidades um só povo” destacando um capítulo naquela monografia sobre os alegados ilustres da Trofa. Obviamente que no 4º ano de escolaridade capta mais a atenção as imagens de uma escavação arqueológica do que um nome de um ilustre desconhecido.

Os anos passaram, milhares de vezes a passar naquela rua, a Rua Heliodoro Salgado, que fica junto ao Estádio do Clube Desportivo Trofense, apoiada na singularidade do nome, sempre foram aguçando a curiosidade em saber sempre mais sobre quem teria sido.

Na faculdade com licenciatura e mestrado praticamente concluído com uma tese que se debruçava sobre a história da terra que me acolheu e aos poucos e poucos a necessidade de saber mais sobre o biografado ia aumentando.

Comum no ser humano a necessidade de encontrar referências na sua área profissional e tentar aprender com essas mesmas referências, na leitura do livro de António Ventura, “Anarquistas republicanos e socialistas em Portugal – as convergências possíveis (1892-1910) ” escreveu que para compreender Heliodoro Salgado era necessário escrever um livro, um projeto para fazer várias referências ao seu legado.

Após uma breve pesquisa procurando saber algumas referências sobre a vida de Heliodoro Salgado, surgiram informações na imprensa que no seu funeral estiveram presentes mais de cem mil pessoas, comprovando o enorme reconhecimento da sua vida que merece ser recordo, explanado e sobretudo divulgado para com a sociedade. Obviamente que a necessidade de perceber e compreender quem era esta figura ganhava cada vez mais importância.

O ser humano deve ser curioso, deve procurar saber sempre mais e as primeiras pesquisas foram ocorrendo, primeiro na internet e posteriormente nas bibliotecas, aliada com a compra de livros sempre procurando saber mais quem foi o filho desta terra que marcou profundamente a sociedade, podendo usar a expressão popular, “a ferros” a sociedade portuguesa e a política lusa no final do século XIX e início do século XX.

Ao longo desta biografia procurarei sempre explanar com o máximo rigor que for possível encontrar com a elevada quantidade e qualidade de informação dispersa, por vezes confusa e a inexistência praticamente de artigos científicos contudo, nunca desanimar quando o desejo é enorme, quando a vontade é superior a todo o resto, reforçada quando no passado se criticou a existência de um arruamento com o seu nome no seu concelho natal, procurando desprezar o seu legado.

Apresentada de seguida uma viagem no tempo, o contar da vida do maior político trofense que infelizmente o tempo tentou apagar e fazer morrer, contudo, só morremos quando nos esquecem"

[José Pedro Maia Reis, in prefácio ao livro]
 
J.M.M.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

GRUPO EXCURSIONISTA E DE PROPAGANDA ANTI-CLERICAL HELIODORO SALGADO


"Folheto anunciando a realização de uma festa de solidariedade promovida pelo Grupo Excursionista e de Propaganda Anti-Clerical Heliodoro Salgado, em homenagem a A. Bastos Flávio" [10 de Abril de 1910]

via Casa Comum

J.M.M.

terça-feira, 7 de maio de 2013

HISTÓRIA DAS SOCIEDADES SECRETAS POLÍTICAS E RELIGIOSAS


PIERRE ZACCONEHISTÓRIA DAS SOCIEDADES SECRETASPolíticas e Religiosas, trad. de Heliodoro Salgado, Lisboa, Typographia Lusitana (Editora de Arthur Brandão), II vols. 911-V e 959-V págs. E.

Do índice: Os Carbonários; A Inquisição; Os Franco-Maçons; Os Estranguladores; Os Comburadores; A Camorra; Os Amigos do Povo; Os Companheiros; A Internacional; Os Mutilados Russos; Os Nihilistas; Os Fenianos; Os Illuminados; Os Jesuitas; Os Juízes Livres; Os Templários, Os Assassinos. [AQUI]

J.M.M.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

HELIODORO SALGADO - EXPOSIÇÃO NA TROFA


EXPOSIÇÃOHeliodoro Salgado e a República;
LOCAL - Casa da Cultura de Trofa;
DIAS - 5 de Outubro a 30 de Outubro de 2010;
ORGANIZAÇÃO - Câmara Municipal de Trofa.

NOTA: Heliodoro Salgado (1861-1906) – que tivemos oportunidade de averbar no Almanaque Republicano – foi um dos mais importantes propagandistas republicanos, um "anarquista intervencionista" [como já se referiu] e militante anticlerical assumido. Sobre Heliodoro Salgado ... ler mais AQUI.

J.M.M.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

HELIODORO SALGADO (Parte IV)


Colaborou nos seguintes periódicos:

- 1.° de Maio. Numero Único. Cooperativa Typographica, Porto, 1895.
- 14 de Julho, 1789 1889 Numero único. Typ. Guttenberg, Porto, 1889.
- Alarme (O), Diário Republicano da Tarde, Redactor Político: Heliodoro Salgado, Secretário de Redacção: José de Arriaga, Porto, 31-10-1904 a 7-09-1905.
- Alazure, Lisboa, periódico socialista, Director: Heliodoro Salgado, 1904.
- Alerta, Barcelos, Mensário de Propaganda Livre, Fevereiro a Dezembro, 1905.
- Alferes Malheiro (O). Número único. Porto, typ. da Empreza litteraria e typographica,. Sem data [1893].
- Amigo do Povo, Edição do Grupo de Amigos do Povo, Lisboa, 1904.
- Ano depois (Um). (Aos vencidos). 31 de Janeiro de 1891 - 31 de Janeiro de 1892. Porto, typ da Empreza litteraria e typographica.
- Ano depois (Um). Numero único. Porto, typ. Mendonça, 1894.
- Batalha, (A), jornal republicano radical, Lisboa, 1898.
- Carteira do viajante. Num. 3, 6.º anno. Porto, 1892.
- Combate (O), panfleto. De colaboração com Heliodoro Salgado.
- Comércio e Indústria. Ciências, Artes, e Letras: folha ilustrada, galeria biográfica contemporânea, Lisboa, 189? - 1910.
- Consagração. Numero único, dirigido por Fernão Botto Machado e Gonçalves Neves e dedicado ao Dr. Sebastião de Magalhães Lima, etc. [Sem indicação de tipografia nem de ano; provavelmente saiu da imprensa da Vanguarda, Lisboa, Dezembro de 1904].
- Debate (O), jornal republicano, Dir. João de Meneses, Lisboa, 30-03-1903 a 23-08-1904.
- Despertar (O), Porto, 13-03-1905 a 17-04-1905.
- Diário de Anúncios. Numero literário, dedicado ás vitimas sobreviventes do incêndio do Teatro Baquet do Porto. typ. Minerva, S. Miguel. Ponta Delgada - Açores, 29 de Abril de 1888.
- Discussão (A). Diário democrático da tarde, Porto, director: Alves da Veiga, 1-12-1883 a 19-02-1887.
- Evolução Parlamentar da Democracia – Na Inglaterra e em Portugal, col. Pequena Biblioteca Democrática, Lisboa, Tipografia do Comércio, 1907.
- Exposição da imprensa (A). Numero único. Publicado em comemoração do primeiro certame jornalístico que se realizou em Portugal, por ocasião das festas do IV centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia. Director, Alberto Bessa, Lisboa, Maio de 1898.
- Feixe de Plumas (Um). Porto, 1 de Abril de 1890. Numero único.
- Festival infantil no Palácio de Cristal.. typ. da Empresa Litteraria e Typographica, Porto. [Em beneficio dos seis orfãos, filhos de João Pinto Ferreira, vitima, com sua esposa, no horroroso incêndio do Teatro Baquet, 21 de Março de 1888. - 22 de Abril de 1888. Promovido por uma comissão de alunos menores do ginásio Lauret, e briosamente coadjuvados pelos alunos dos colégios de Nossa Senhora da Glória, S. Lazaro, Nacional, S. Carlos, escolas Académica, Moderna, Santa Maria, Orfãos, Academia de Braga, Orfãos de Braga, e os ginásios de Coimbra, Santo Tirso e Lauret, do Porto].
- Folha Nova (A), Porto, Red. Emídio de Oliveira, Tipografia. Ocidental, 23-05-1881 a 1888.
- Folha do Povo, Lisboa, Fundador: José António Ferreira; Director Político: Fernão Botto Machado; Secretário de Redacção: Heliodoro Salgado [entre 24 de Dezembro de 1900 a 14 de Outubro de 1901], 11-08-1881 a 31-12-1902.
- Geração Nova (A). Jornal de arte. Directores: Heliodoro Salgado e Julio Lobato. Número de Natal e Ano Novo, typ. Cunha & C.ª, Porto, 1895.
- Gil Braz. Quinzenário ilustrado de música, literatura, crítica, teatros, touros e sport, Lisboa, 20-04-1898 a 30-03-1904.
- Homenagem prestada a Theophilo Braga. Numero único, publicado pela Associação Escolar de Ensino Livre, Minerva Peninsular, Lisboa, 3 de Dezembro de 1899.
- José Estêvão. Numero único. Comemorativo da inauguração do monumento em Aveiro. Publicação do Clube Escolar José Estêvão, typ. da Companhia Nacional Editora, Lisboa, 1889.
- Liberdade (A), Diário Republicano Académico, Lisboa, Directores: Máximo Brou e Santos Franco, 31-01-1901 a 25-05-1901.
- Lucta (A), Diário Socialista, Lisboa, Redactor Principal: José de Macedo, 01-05-1900 a 05-08-1900.
- Machina (A). Órgão dos empregados dos caminhos de ferro do Minho e Douro. Proprietário e redactor, Joaquim Ferreira Netto. Número especial, colaborado obsequiosamente por escritores distintos, para ser vendido na quermesse em beneficio do cofre da Associação de Socorros Mútuos dos Empregados dos Caminhos-de-ferro do Minho e Douro, imp. Civilização, Porto, Agosto de MDCCCLXXXXIII.
- Mundo (O), Lisboa, Director: França Borges, 16-09-1900 a 9-12-1936.
- Mutualista (O). Numero comemorativo da Associação de Socorros Mútuos dos Carpinteiros, Pedreiros e Artes Correlativas, 18 de Junho 1852 - 18 Junho 1902, Lisboa, typ. do Instituto Geral das Artes Gráficas.
- Norte (O), Porto, Dir.: Diniz Seixas e mais tarde Ribeiro Seixas, Administrador: Germano Martins, Editor: Alexandre de Barros, 21-01-1900 a 31-12-1910.
- Obra (A), semanário republicano, Lisboa, 1898
- Operário (O), Porto, Directores: João Ricardo, José Ribeiro, Bessa Carvalho, Guedes de Oliveira, 25-05-1879 a 26-2-1882.
- Pátria (A), Lisboa, Director: José Benevides e mais tarde França Borges; Administrador: João Alves Correia, 01-03-1899 a 04-09-1900.
- Pela Infância. Á Memoria de Sara de Matos. Número único. Comemorativo. Lisboa, typ. do Comércio [Sem data].
- Porto Andaluzia. Porto, 1 de Fevereiro de 1885. A imprensa portuense aos povos da Andaluzia. Imp. da Folha da Tarde, Porto, 1885.
- Portuguesa (A), Porto, Editor: Manuel Inácio Alves Pereira, 08-02-1892 a 17-01-1893.
- Pró - Justiça. Número único de homenagem a Emile Zola, Imp. de Libânio da Silva Lisboa, 1899. [Com a inscrição «Homenagem promovida pelos operários do livro em Portugal» tinha por objectivo homenagear Zola por ocasião da célere questão Dreyfus].
- Protesto Operário (O), Lisboa, 1882. Órgão do Partido Operário Socialista, 05-03-1882 a 22-04-1894.
- Protesto de sympathia á Hespanha. Imp. Moderna, Porto, 1 de Dezembro de 1890.
- Reacção (A). Publicação anti jesuítica. 1.° anno. 6 de janeiro de 1901. N.º 8. - Número comemorativo da entrada do século XX. Typ. Peninsular, Porto, 1901.
- Revista Moderna. Número extraordinário em beneficio exclusivo dos artistas do Baquet, 20 de Março de 1888.
- Século (O), Lisboa, Dir. Magalhães Lima, 04-01-1881 a 11-1983.
- Talento e arte. Homenagem á distinta actriz Emília Eduarda. Porto 2 de Maio de 1896. Numero único.
- Trabalho (O), jornal dedicado á classe operaria pela «Caixa Económica Operária». Número único. 15 de Agosto. Typ. Phenix, Lisboa, 1889.
- Vanguarda, Lisboa, Director: Magalhães Lima, 09-03-1891 a 22-10-1911.
- Voz do Operário (A), Lisboa, 11-10-1879 – ?

E certamente muitos outros de que não temos conhecimento,

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
- Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. II, Coord. Eugénio Lisboa, Publicações Europa-América, 1990.
- Ferreira, David, “Heliodoro Salgado”, Dicionário de História de Portugal, vol. V, Dir. Joel Serrão, Livraria Figueirinhas, Porto, 1992.
- Pires, Daniel, Dicionário da Imprensa Periódica Literária Portuguesa do Século XX (1900-1940), Grifo, Lisboa, 1996.
- LEMOS, Mário Matos e, Jornais Diários Portugueses do Século XX: Um Dicionário, Ariadne Editora/CEIS 20, Coimbra, 2006.
- SÁ, Victor, Roteiro da Imprensa Operária e Sindical (1836-1896), Caminho, Lisboa, 1991.
- VENTURA, António, Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal. As Convergências Possíveis (1892 -1910), Edições Cosmos, Lisboa, 2000.

[Na foto acima: Germano Lopes Martins nascido no Porto em 7 de Janeiro de 1871 e faleceu em Lisboa em 21 de Junho de 1950, político republicano, deputado, advogado, foi entre outras funções Director Geral do Ministério da Justiça e colaborador em diversos jornais como O Norte, referido neste elenco de publicações socialistas e republicanas nos finais do século XIX e inícios do século XX.]

A.A.B.M.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

HELIODORO SALGADO (Parte III)


Publicou os seguintes livros e opúsculos:

- Religião da Morte (A) , Biblioteca de Propaganda Social, Lisboa, s.d.
- Igreja e o Proletariado (A), Sociedade Cooperativa de Produção Tipográfica, Porto, 1888.
- John Bull, pirata. Libelo acusatório contra a Inglaterra e os seus cúmplices. Em honra do major Serpa Pinto. Em prosa, por Augusto Peixoto e Heliodoro Salgado. Livraria Económica, Lisboa, 1890. [Com o retrato de Serpa Pinto, gravado por D. Neto].
- Guerra à Inglaterra, Tipografia Moderna, Coimbra, 1890.
- Insurreição de Janeiro (A). História, filiação, causas e justificação do movimento revolucionário do Porto, Tipografia da Empresa Literária e Tipográfica, Porto, 1894.
- Através das Idades (poesia), Agência Universal de Publicações, Lisboa, 1899.
- Instrução Popular (A), Tipografia Phénix, Lisboa, 1899.
- Catecismo Liberal, Instituto Geral das Artes Gráficas, Lisboa, 1899.
- Religião e Ciência. Conferências de critica religiosa realizadas na sala da Associação Comercial dos Lojistas de Lisboa em 22 e 24 de Abril de 1903, Tipografia do Comércio, Lisboa, 1903.
- Pela Verdade. Vinte e sete anos de trabalho honesto e constante, Tipografia Bayard, Lisboa, 1903.
- Culto da Imaculada (O). Estudos críticos e históricos sobre a mariolatria, Livraria Chardron, Porto, 1905.
- Mentiras Religiosas (As), Tipografia do Comércio, Lisboa, 1906.

Na colecção Pequena Biblioteca Democrática, que Heliodoro Salgado dirigiu, publicaram-se os seguintes opúsculos em 1906:
- Os Direitos Políticos;
- Os Parlamentos;
- Evolução Parlamentar da Democracia. Na Inglaterra e em Portugal;
- Evolução Parlamentar da Democracia. Na Suécia, Noruega, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Rússia.

Traduziu, entre outras, as seguintes obras:
- Malon, Benoit, O Socialismo Integral. I – História das Teorias e Tendências Gerais, Tipografia do Instituto Geral das Artes Gráficas, Lisboa, 1899.
- Malon, Benoit, O Socialismo Integral. II – Reformas Possíveis e Meios Práticos, Tipografia de «O Dia», Lisboa, 1899.
- Malvert, Ciência e Religião, Livraria Central Gomes de Carvalho Editor, Lisboa, 1903.
- Malvert, Resumo de História das Religiões, Ed. da Associação do Registo Civil, Lisboa, 1903.

[Na foto Benoit Malon(23-06-1841 a 13-09-1893), escritor e jornalista francês de origem campesina, participou no movimento da Comuna de Paris, e que se transformou num dos homens marcantes do movimento operário em França e que Heliodoro Salgado verteu para língua portuguesa em 1899.]

[em continuação]

A.A.B.M.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

HELIODORO SALGADO (Parte II)



Segundo Mayer Garção, Heliodoro Salgado "não será totalmente um esquecido", mas reconhece que ele ocupou “um lugar imerecidamente secundário no seu partido” [Mayer Garção, Os Esquecidos, Empresa Editora e de Publicidade A Peninsular, Lisboa, 1924, p. 25 a 31]. Esta situação não ocorreu, no entanto, por ocasião do seu funeral, que acabou por se tornar em mais uma manifestação de carácter político, aproveitada pelos republicanos para difundir as suas ideias.

Foi, como considerou Fernando Catroga, uma “apoteose”. Ao seu funeral, segundo as estimativas da época acorreram cerca de 40 000 pessoas, mas assistiram ao acontecimento e ao desfile cívico em sua homenagem talvez perto de 100 000 pessoas. Considerava-se portanto, uma das mais importantes cerimónias fúnebres que alguma vez tinham acontecido em Lisboa. O facto do seu funeral se ter realizado civilmente e de ter existido a suspeita de que Heliodoro Salgado teria sido envenenado, foi o suficiente para atrair uma multidão de curiosos e de defensores das suas ideias. O seu funeral apresentou uma coreografia que reproduzia, como considera Fernando Catroga, a dos cortejos cívicos e emitia um simbolismo criador de momentos de solidariedade e de comunhão entre as várias correntes e sensibilidades que coexistiam no seio do movimento republicano e anticlerical[Fernando Catroga, O Céu da Memória. Cemitério Romântico e Culto Cívico dos Mortos, col. Minerva História, Editorial Minerva, Coimbra, 1999, p. 162-164].

Nessa ocasião discursaram à beira túmulo diversas personalidades que interpretaram, em certa medida, uma aliança entre o anticlericalismo, o socialismo, o anarquismo, a Maçonaria e os republicanos mais radicais. Assim, foram oradores nessa ocasião: António José de Almeida, Sebastião de Magalhães Lima, Feio Terenas, Sá Pereira, Bartolomeu Constantino, Augusto José Vieira e França Borges. No fundo, era uma tentativa de compreender o percurso de vida e de pensamento ideológico desenvolvido por Heliodoro Salgado, dando-lhe o papel de exemplo a seguir por outros que como ele defendiam a libertação do povo da tutela da realeza, da igreja e do grande capital [Fernando Catroga, ob. cit., p. 164].

Para conhecer melhor a figura de Heliodoro Salgado sugerimos a leitura que se encontra aqui, consultar este local, prestar atenção ao que é referido neste sítio, aqui ou finalmente este texto.

Nos próximos posts tentaremos dar a conhecer, dentro das nossas possibilidades, a produção intelectual deste republicano, os livros, os opúsculos e as traduções, bem como imensa quantidade de periódicos onde encontramos colaborações suas.

[Na foto acima - Bartolomeu Constantino, operário anarquista que discursou no funeral de Heliodoro Salgado.]

[em continuação]

A.A.B.M

terça-feira, 16 de outubro de 2007

HELIODORO SALGADO (Parte I)


Nascido em S. Martinho de Bougado (Santo Tirso) em 8 de Julho de 1861. Proveniente de uma família com alguma cultura e influência local, o pai Eduardo Augusto Salgado era engenheiro e desempenhou ocasionalmente as funções de jornalista e tradutor de obras de Renan.
Estudou no Colégio dos Órfãos juntamente com o seu irmão, Ângelo, após o falecimento do pai.

Começou a desenvolver a actividade de jornalista no jornal O Operário de tendências socialistas, porque nessa altura estava inscrito no Partido dos Operários Socialistas. No final da década de oitenta do século XIX começa a aproximar-se cada vez mais das ideias republicanas a que veio a aderir próximo do Ultimato inglês de 1890. Nas eleições realizadas em Março de 1890 apresentou-se como candidato a deputado, mas obteve um resultado decepcionante. Manifestou sempre fortes preocupações sociais destacando-se como defensor da instrução popular, da melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras e a veemência dos seus textos valeram-lhe em diversas ocasiões a prisão e a censura dos seus escritos. A primeira vez que foi detido foi em 15 de Agosto de 1891 e outras já fomos fazendo referência nas Efemérides mensais que temos vindo a publicar.

“Protótipo do proletário intelectual”[David Ferreira, Dicionário de História de Portugal, vol. V, dir. Joel Serrão, Livraria Figueirinhas, Porto, 1992, p. 425-426], Heliodoro Salgado acaba por morrer com 45 anos. Era considerado um grande orador nos comícios organizados pelos republicanos, para defender as causas dos mais fracos e injustiçados socialmente.
Considerado”um dos progenitores do anarquismo intervencionista” [António Ventura, Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal. As Convergências Possíveis (1892-1910), Edições Cosmos, Lisboa, 2000, p.193-205], manteve-se ao longo da vida um “franco-atirador” que considerava: “os partidos políticos são, como as religiões, inimigos da novidade. São improgressivos como congregações. Os seus dogmas chamam-se programas. Cada artigo do programa é um artigo de fé.”[Como estas palavras ainda hoje mostram a sua validade! Talvez ainda mais que no passado.] A dimensão e complexidade do seu pensamento pode ser acompanhado no trabalho supra referido, embora seja de destacar a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre este autor socialista, republicano e anarquista.

A partir de 1897 instala-se em Lisboa e, logo no ano seguinte, integra a Comissão Municipal Republicana de Lisboa, ainda que como suplente. Preside também ao Centro Republicano Pátria e à Assembleia-geral da Associação Propagadora do Registo Civil.
Dedicava-se à actividade lectiva de Português, Francês, Literatura, História e Filosofia em regime livre para conseguir alguns proventos para sobreviver em termos materiais.

Assumindo-se desde bastante jovem como republicano e livre-pensador. Foi iniciado na Maçonaria em 1890, com o nome simbólico de Lutero, na Loja Obreiros do Trabalho, de Lisboa, pertenceu depois às lojas União Latina, do Porto (1893) e Elias Garcia, de Lisboa (1897). Foi ainda secretário do Vintém das Escolas e redactor da respectiva publicação. Foi um dos participantes na Conferência Nacional Maçónica da Figueira da Foz em Setembro de 1906.

Desempenhou, no período final da sua vida as funções de arquivista do Directório do Partido Republicano.
Faleceu em Lisboa a 12 de Outubro de 1906.

Foto:in Fundação Mário Soares [Documentos Carvalhão Duarte]

[em continuação]

A.A.B.M