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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

I JORNADA DE HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA - UNIVERSIDADE DO PORTO



Hoje, dia 26 de Novembro de 2015, o CITEM da Faculdade de Letras da Universidade do Porto vai levar a efeito as I Jornada de História da Historiografia.

Ao longo do dia vários historiadores vão debruçar-se sobre a História e a Historiografia que se vai fazendo e que se tem feito nas instituições ao longo do tempo em vários contextos e conjunturas.

O programa da jornada está estruturado da seguinte forma:

Programa
 
11h00 Sessão de Abertura
 
11h15 Sessão 1 | Interdisciplinaridade e Políticas da História (Moderador Professor Doutor Eurico Gomes Dias)
 
Professora Doutora Amélia Polónia (FLUP, CITCEM) | Inter, multi e transdisciplinaridade – um desafio à construção historiográfica
 
Doutor Nuno Bessa Moreira (FLUP, CITCEM) | Reflexões de Vitorino Magalhães Godinho sobre a História no conspecto das Ciências Sociais e Humanas
 
Professor Doutor Francisco Azevedo Mendes (ICS, UM) e Doutor Nuno Bessa Moreira (FLUP, CITCEM) | Os trabalhos de Brian Fay – historicidade e sistema em revistas de Teoria da História
 
Professor Doutor Maciel Morais Santos (FLUP, CEAUP) | O memoricídio palestiniano
 
13h00 Intervalo
 
15h00 Conferência pelo Professor Doutor Sérgio Campos Matos (FLUL, CH-UL) | Historiografia e memória: uma perspectiva crítica
 
15h35 Sessão 2 | Instituições, Conceitos e Práticas Historiográficas (Moderador Doutor Nuno Bessa Moreira)
 
Professor Doutor Eurico Gomes Dias (ISCPSI) | O estímulo científico da historiografia promovido pela Academia Real das Ciências [1779-1820]
 
Mestre Ricardo de Brito (ICS-UL/CH-UL) | Inovações lexicais em Portugal na transição do século XVIII para o XIX: o caso do conceito de Revolução
 
Professor Doutor João Couvaneiro (Instituto Piaget, Almada) | Autonomia do ensino superior da História (1861-1911)
 
Mestre José de Sousa (ICS-UL/CH-UL) | Um projecto de institucionalização historiográfica no pós II Guerra Mundial: a Sociedade Portuguesa de História da Civilização
 
17h15 Pausa
 
17h30 Conferência pelo Professor Doutor João Paulo Avelãs Nunes (FLUC, CEIS XX) | Historiografia eparadigma neo-moderno
 
Organização: Nuno Bessa Moreira | CITCEM


Mais informações: http://www.citcem.org

A acompanhar com todo interesse devido ao facto de ser umas jornadas pouco vulgares em Portugal, os Historiadores a analisarem a História que se vai produzindo e as suas circunstâncias, problemas, dificuldades e, ao mesmo tempo, as vantagens e sucessos que se vão alcançando ao longo do tempo.

A.A.B.M.

terça-feira, 14 de julho de 2015

AFONSO COSTA E O REVISIONISMO EM HISTÓRIA


Afonso Costa e o revisionismo em história” – por Jorge Pais de Sousa, in jornal Público

Sou leitor assíduo da crónica Consoantemuda, que Rui Tavares assina no jornal PÚBLICO, a qual, normalmente, expressa pontos de vista singulares sobre a complexa realidade política que nos envolve.

Todavia, no dia 24 de junho, escreveu uma crónica histórica que intitulou de “Tempos elétricos.” E nela abordou dois episódios da vida de Afonso Costa (1871-1937) que, na sua leitura, caraterizavam a sua personalidade: a cobardia política, referindo-se ao episódio da queda do elétrico em andamento que lhe causou um traumatismo craniano e o impediu de assumir de imediato a presidência do governo, pois julgou estar a ser alvo de um atentado à bomba, em resultado de um curto-circuito que produziu um clarão e um estrondo; e a corrupção, que estaria na origem da sua prisão, na Fortaleza de Elvas, entre dezembro de 1917 e 30 de março de 1918. Neste último caso, para lembrar, alegadamente, que não seria a primeira vez que os portugueses tiveram um ex-primeiro-ministro detido por corrupção.

Considero muito infeliz a escolha destes dois episódios para caraterizar o perfil moral do político Afonso Costa. Será que o ministro da Justiça do Governo Provisório, enquanto autor da Lei da Separação do Estado das Igrejas (1911), não teve coragem política para promulgar e aplicar esta lei, típica de um Estado moderno, causadora de enormes clivagens políticas na sociedade portuguesa, mas que nem o ditador Salazar se atreveu a revogar?

E se Afonso Costa, ainda hoje, é o único presidente do Governo e ministro das Finanças português que, em contexto democrático, obteve dois superavites 1912-13 e 1913-14 (cf. Nuno Valério - Os Orçamentos no Parlamento Português, 2001), isso é típico de um político corrupto? É que se os conseguiu foi porque os preparou com, entre outras medidas, a chamada “Lei Travão”, pela qual nenhum deputado, em sede de discussão do OGE, poderia propor medidas que aumentassem a despesa pública ou diminuíssem as receitas sem pedir, previamente, a autorização da Comissão de Finanças e do ministro das Finanças. Esta defesa acérrima, e sobretudo a sua concretização, de políticas de finanças públicas equilibradas caraterizam o comportamento de um político corrupto? Nessa altura, o que dizer das dezenas de ministros das Finanças que de então para cá ocuparam o cargo e só conseguiram défices?

Importa recordar que no final do ano de 1917, Portugal participa na I Guerra Mundial e tem a combater mais de 100 mil homens. Cerca de metade defendiam, desde  o verão de 1914, as fronteiras das colónias de Angola e Moçambique. Enquanto os outros 50 mil portugueses combatiam na Flandres. Nesta altura, Afonso Costa é presidente do Governo e regressa a Portugal depois de ter participado na Conferência dos Aliados de Paris, quando em Lisboa, entre 5 e 7 de dezembro, Sidónio Pais chefia um golpe de Estado que instaura a ditadura “dezembrista” durante um ano, o tempo necessário para realizar a sua política de contramobilização que conduziu ao desastre militar em La Lys. Suspendeu, de imediato, a Constituição da República de 1911, exila o presidente Bernardino Machado e detém no Porto, no dia 8, Afonso Costa, o presidente legítimo do Governo. Na véspera, as autoridades sidonistas tinham sido cúmplices no assalto e destruição em Lisboa, pela populaça, da casa onde vivia a sua família e também do seu escritório. O ditador Sidónio Pais vai manter Afonso Costa detido no Forte de Elvas durante mais de três meses sem nunca lhe ter promovido um inquérito, feito uma acusação, instaurado um processo, político ou criminal, e, portanto, nunca o levou a julgamento. Tudo na mais flagrante violação dos mais elementares direitos humanos e das leis de um qualquer Estado de direito. Onde estão, pois, as provas de que Afonso Costa era um presidente do Governo corrupto?

Esta foi, contudo, apenas a primeira de uma série longa e continuada no tempo de violações dos direitos, garantias e liberdades, em relação ao primeiro português que não só foi fundador (1920), mas também, na qualidade de representante de Portugal, foi eleito para presidir a uma assembleia da Sociedade das Nações (1926). É que, em 1927, por exemplo, a Ditadura Militar demite-o, sem a instauração de qualquer inquérito disciplinar, de diretor e de professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, dando origem a um exílio e a uma longa luta antifascista que marcaram os seus últimos onze anos de vida, numa altura em que integra a Junta Diretiva da Liga de Defesa da República.

Não foi por acaso que Salazar o declarou, na nota oficiosa de 1934, seu inimigo político e do Estado Novo, mas em momento algum desse extenso texto o acusa de cobarde e de corrupto. E não obstante, quando Afonso Costa morre no exílio de Paris, em maio de 1937, era o único político que tinha capital e prestígio político para conseguir a formação da Frente Popular Portuguesa e aglutinar nela o PCP.
 
 
 

Se Afonso Costa é apresentado como um político cobarde e corrupto é porque a história contemporânea é objeto, nos tempos que correm, de um processo acelerado de revisionismo. Isto porque Rui Tavares cita, e recomenda, a “curta e ótima” biografia “Afonso Costa” de Filipe Ribeiro de Meneses. Porém, e se não encontrou lá esta e muita outra informação sobre Afonso Costa, eu pensaria duas vezes em a recomendar publicamente. Tenho grandes dificuldades em perceber, por exemplo, como se pode recomendar um livro que nem sequer compila a bibliografia da autoria do biografado, enquanto professor universitário, advogado, deputado, governante e lutador antifascista? É que pelo menos aquela que é conhecida e foi publicada pelo historiador Oliveira Marques, desde os anos de 1970-8O, ali deveria constar.

No entanto, estou à vontade para escrever sobre esta matéria, pois no passado dia 9 de abril tive a oportunidade de debater em público sobre Afonso Costa, enquanto investigador, que o elege como tema de Pós-Doutoramento, com o historiador Filipe Ribeiro de Meneses, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, em sessão repleta e muito participada. E ali, tal como no seu livro, ficou claro que desconhece a natureza socialista integral do seu pensamento jurídico-político e a programática pela qual orientou toda a sua ação política, expressas, sobretudo, nas teses universitárias que apresentou em 1895 à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Nesta começou por lecionar Economia Política para assumir, entre 1899 e 1910, a cátedra de Organização Judiciária. O mesmo se diga para os quinze títulos de livros jurídicos que entretanto identificámos, bem como o teor doutrinário dos mais de 300 artigos, também da autoria de Afonso Costa, que estão publicados em diferentes jornais republicanos.

Em suma, está por fazer com Afonso Costa - e o mesmo é valido, entre outros, para figuras centrais da 1.ª República como António José de Almeida e Brito Camacho - um trabalho semelhante ao que, de há muito, o historiador Norberto Ferreira da Cunha desenvolve no Museu Bernardino Machado em Vila Nova de Famalicão, ou seja, criar uma unidade de interpretação que reúna, conserve e difunda, para o grande público e para a investigação, a memória documental e iconográfica, que com ele se relaciona, e que, entre outras iniciativas, organize a publicação das suas “Obras”.

Afonso Costa e o revisionismo em história – por Jorge Pais de Sousa [bolseiro de pós-doutoramento na FCT], jornal Público, 13 de Julho de2015, p.46 – com sublinhados nossos.
 
J.M.M.

terça-feira, 8 de julho de 2014

ANTÓNIO BORGES COELHO


“Bela entrevista que li agora, a António Borges Coelho, por Luciana Leiderfarb (Supl. Atual, Expresso, de 8 de Março). Estava enterrada na pilha dos papéis para ler, mas devorei-a hoje, à hora do almoço. Declaração de intenções: A.B.C. foi meu professor, um dos melhores, pelo que peço desculpa por qualquer entusiasmo desmedido.

Cinco ideias a reter:

1.ª A prática de uma história que se detém no omitido ou banido, nas minorias que fizeram a nação, nas gestos que partiram de baixo, "do chão humano humano onde toda a história assenta".

Acrescenta o historiador, a propósito da sua nova História de Portugal: "Quis olhar para todos os lados: para baixo, para o centro e para cima. Não tratar apenas dos poderosos";

2.ª "A história não é um plano ou uma amassadeira, tem gradações. Podemos enganar-nos na escolha do que foi marcante, mas não podemos apenas ir enumerando - como quem faz um colar - os factos. A história não é um colar, tem uma orgânica que é preciso descobrir";

3.ª Sobre o historiador como manipulador do tempo, embora "não no sentido de forçar os factos a serem outra coisa. O historiador tem de saber que, se não for consciente da sua capacidade de manipular, ele manipula. Falamos de camponeses que não querem pagar, e sabemos isso porque o funcionário do bispo o disse num documento. Ao retirar do documento esta informação, estamos a construir um facto. Existem montanhas de factos construídos, e o maior perigo para o historiador é reutilizar factos já feridos de vícios ou até falsos. Como se apercebe disso? Com traquejo. Ele tem de viver, quase, na época sobre a qual escreve";

4.ª Sobre as escolhas, nunca inocentes, do historiador e do discurso histórico: "A história não é o que se viveu. É um discurso [narrativa] sobre o que se viveu e, por muita objectividade que se pretenda, é sempre subjectivo. É do homem que se escreve, das suas ideias, da sua experiência [acumulada]. Estamos sempre a fazer escolhas, e eu sempre escolhi temas de que ninguém queria falar.";

5.ª ideia, e última, que põe em causa a facilidade associada à história contemporânea, e da paixão pelo ofício: "Sabe, fazer história recente é mais dificil, por isso ainda não sei qual é o caminho. Só sei uma coisa: vou fazer isto até morrer".

Uma lição magistral de epistemologia da história...”
 
[ÁLVARO DE MATOS, via Alvaro Matos Facebook - sublinhados nossos]
 
J.M.M.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

EM NOME DA HISTÓRIA


COMUNICADO DA REDE DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA SOBRE A ACTUAL POLÍTICA CIENTÍFICA.

Aberto à subscrição de todos os investigadores através da indicação do nome para o endereço de mail:
rhcemnomeadahistoria@gmail.com
A Rede de História Contemporânea tem acompanhado com crescente preocupação as orientações que têm presidido e condicionado a política científica nacional. 

Em Março de 2013 a RHC manifestou a sua apreensão a propósito do que se perspectivava relativamente ao financiamento das unidades de investigação, alertando, entre outras aspectos, para os riscos inerentes ao modelo subjacente à proposta apresentada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, apontando, desde logo, a valorização do “imediato” em detrimento de impactos dificilmente “mensuráveis” onde a dimensão reflexiva e problematizadora das ciências sociais e humanas surgia com pouca, ou nenhuma, importância. Acrescentava-se o receio de que o novo modelo imposto para a ciência em Portugal, para além dos aspectos negativos para o conjunto do sistema nacional em todos os domínios científicos, assentasse no pressuposto grave e comprovadamente errado da dispensabilidade das Ciências Sociais e Humanas. 

A sucessão de acontecimentos que ocupou o ano de 2013 não só comprova o pior dos receios como ainda ultrapassa negativamente as expectativas mais pessimistas. 

A comunidade científica nacional, as unidades de investigação, os investigadores em geral, pela sua actividade e produção científica, conquistaram um notável e inquestionável reconhecimento nacional e internacional nos últimos anos que importaria preservar e estimular. Acresce a essa afirmação os inegáveis caminhos percorridos e as expectativas reais que se geraram no sentido de alcançar uma investigação cada vez mais dinâmica e competitiva e crescentemente assente em fontes de financiamento cada vez mais diversificadas e não provenientes da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

As orientações que têm presidido à política científica nacional, a progressiva e gritante demissão e desresponsabilização do Estado perante o sistema científico, que não se esgota na gravíssima diminuição de recursos financeiros, a forma como se têm aplicado os seus instrumentos, nomeadamente através da FCT e dos concursos que tem promovido, compromete não só a continuidade como, na realidade, a sobrevivência do próprio sistema.

O estrangulamento financeiro que tem condicionado a actividade das universidades em combinação com a galopante escassez de meios dedicada às actividades de investigação conduz inexoravelmente à paralisia da investigação científica que se faz em Portugal. Se fôssemos cúmplices desse massacre estaríamos a dar cobertura à visão e à estratégia paralisante perfilhada por este Governo e pela FCT em relação a ramos inteiros da ciência o que significaria um grave retrocesso no que respeita ao sistema científico, com consequências graves e duradouras para o País, envolvendo pesados e imprevisíveis custos sociais e científicos.

Sentimos, neste momento, as dificuldades crescentes que põem em causa a nossa actividade científica; entre tudo, porém, como sua dimensão pior, assistimos à negação do futuro.  A tudo isso se soma e de tudo isso decorrem os resultados dos concursos realizados ao longo de 2013. Concurso de projectos, acessível apenas a uma reduzida fatia da comunidade científica, investigador FCT, bolsas individuais de doutoramento e de pós-doutoramento ... contemplando uma percentagem ridícula das candidaturas. Os resultados dos últimos concursos constituem de facto o golpe mais profundo num sistema que está em perda e ameaça desmoronar-se.

De tudo isto, resulta esta tomada de posição da RHC, de inequívoco repúdio quanto às actuais orientações prosseguidas em matéria de política científica, alcançando uma tal proporção de desinvestimento na investigação que na prática a compromete. Procurando a sensibilização dos poderes públicos, reivindicando a contenção de uma prática que nos retira, a todos nós, parte essencial dos recursos humanos em todos investimos, e que, excluídos do sistema e mesmo do País, comprometem a nossa própria recuperação.

Preocupa-nos ainda a natureza da relação da FCT com as unidades de investigação, na prática reduzida à vertigem descoordenada e avassaladora que tem caracterizado o pedido permanente, redundante e desorganizado de informação em concursos sobrepostos com prazos sucessivamente adiados e refém de um sistema de submissão electrónica que raramente funciona de forma eficaz. Para além da falta de respeito pela comunidade científica revela a necessidade de auto-avaliação.

É patente a contradição dos termos, entre a erosão do apoio às unidades de investigação científica e o exacerbamento de pedidos de informação sobre uma produção científica progressivamente comprometida pela escassez de recursos.
Importa garantir um sistema de avaliação rigoroso e eficaz que sirva a comunidade científica e que constitua um estímulo à produção de conhecimento inovador e reconhecido; se mal orientado, arrisca tornar-se num fim em si mesmo, reduzindo-se a um exercício desgastante, inútil e estéril, em vez de cumprir o seu propósito fundamental ao serviço da ciência e da comunidade.

Assinala-se ainda a perversidade que reveste parcialmente o sistema de avaliação e financiamento das candidaturas a bolsas individuais em dois aspectos: pela penalização indirecta de que são objecto os candidatos mais jovens, cuja formação se fez num sistema de Bolonha relativamente ao qual não têm opção e pela penalização directa que sofrem por não integrar um projecto de investigação num contexto generalizadamente adverso e na sequência de um concurso (projectos exploratórios) que só estando aberto a uma pequena parcela de investigadores teve resultados tão insignificantes.

Refira-se a esse propósito um aspecto que afecta directamente a investigação histórica, e com certeza, outras áreas científicas. A orientação da actual política científica ao condicionar o financiamento individual à integração em programas e projectos de investigação é inadequada como filosofia e prática da investigação histórica. Para além do plano dos princípios e dos efeitos que em matéria de limitação da liberdade de opção e da criatividade suscita, a verdade é que boa parte da investigação histórica não tem que ocorrer em cenário de investigação colectiva e isso em nada diminui o seu interesse social. Conviria portanto, também por isso, um diálogo com a comunidade científica ou no mínimo um olhar mais atento para a diversidade e especificidade das diversas áreas disciplinares a não ser, claro, que se mantenha essa orientação enviesada de privilégio a algumas em particular.

Reconhece-se, sem grande margem para enganos, a mudança de paradigma defendida pela FCT, diminuindo drasticamente o financiamento-base do sistema científico nacional, sobrevém porém, de forma cada vez mais aguda e angustiante, a enorme dúvida e reserva quanto essa estratégia de investigação em que o financiamento institucional deixa de ser uma opção estratégica de investimento público e o desenlace de uma política científica ao serviço da comunidade científica e da sociedade em geral.

24 de Janeiro de 2014
Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH da UNL
Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa (CEHC), do Instituto Universitário de Lisboa Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (CEHFCi)
Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), da Universidade Católica Portuguesa
Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), da Universidade de Coimbra
Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM), da Faculdade de Letras da Universidade do Porto Gabinete de História Económica e Social (GHES), do Instituto Superior de Economia Gestão da Universidade Técnica de Lisboa


Maria Fernanda Rollo, IHC
António Matos Ferreira 
António Pedro Pita, CEIS20 
Gaspar Martins Pereira, CITCEM
Magda Pinheiro, CEHC-IUL 
Maria de Fátima Nunes, CEHFCi 
Nuno Valério, GHES
Luís Farinha, IHC 
Ana Paula Pires, IHC
Pedro Oliveira, IHC 
Miriam Halpern Pereira 
Maria Inês Queiroz, IHC

Reproduzimos e divulgamos o comunicado da Rede de História Contemporânea apelando aos investigadores que o subscrevam e que o divulguem, solicitando, em simultâneo, às instâncias superiores que analisem de forma clarividente a situação que foi criada e procurem encontrar soluções.
A.A.B.M.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

ANTÓNIO BORGES COELHO: PERFIL

Ontem passou, talvez de forma despercebida, na rádio, a meio da tarde, um documentário radiofónico que tive oportunidade de ouvir na parte final, dedicado ao Prof. António Borges Coelho.

O programa, muito bem estruturado e com vários depoimentos de antigos alunos e colegas, traçava o perfil humano, político e historiográfico deste reputado historiador português que se dedicou em particular ao estudo da Idade Média e da ocupação muçulmana no sul da Península Ibérica (Al-Andalus). 

O programa chama-se Vidas Que Contam, pode ser ouvido na página da Antena 1 AQUI. Um programa com autoria e apresentação de Ana Aranha, para poder ouvir com toda a atenção.

A.A.B.M.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

DOM CAMILO LOURENÇO AO POSTIGO DA RTP




O sempre mavioso rouxinol da RTP para a frontaria económica, Dom Camilo Lourenço, sugeriu à plateia televisiva (dias atrás), a fadiga inglória que é o trabalho de se frequentar o curso de História. Dom Camilo, na ocasião, atormentado na proficuidade do seu colossal curso de Direito, não vislumbra (mesmo que esotericamente) a utilidade dos historiadores para a douta & preclara economia pátria. Eis, pois, uma tragédia!

O licencioso Dom Camilo, na barrela do seu exame económico futebolístico, conclui que não “precisamos deles” (historiadores), mesmo que sejam aperfeiçoados em infusão para combater a ignorância e os dogmas. De seguida teve ocasião de escarvar os indígenas que querem ser “professores para serem professores”. Bonito! É o vade mecum de Dom Camilo.

Mas Dom Camilo, um génio da nossa paróquia, é bom de ver, jamais poderia ficar agasalhado a “esticar o salário” (“e a encurtar o mês”) com os putativos proventos do seu curso de Direito. Assim, o eminente jurista (desculpem a digressão) rasgou a toga e barrete e vá de compor exercícios venatórios em jornalismo financeiro. Começa o giro pelo “O Jornal”, sai polindo as bancas do “Correio da Manhã”, jorna com estilo no "Semanário Económico", produz verbetes na “Valor”, na “Exame”, “Auto Guia” (e outras mais), prossegue como radialista no “CMR”, “Rádio Comercial”, “SIC Notícias” e, de momento, faz linguados no “Jornal de Negócios”, traslada futebolês no “Record” e expede cacofonias na RTP.

Na verdade Dom Camiloempurrou com a barriga” o fumus boni juris. Por isso não frustremos o sábio no seu remanso. E mesmo se o catecismo de Dom Camilo tenha desabado sobre si mesmo, com todas as licenças necessárias do doméstico mercado “libaral”, o acórdão exposto ao gentio pelo letrado colunista não é fundamento para embargos a candidatos a historiadores & outros exercícios de civilidade e cultura.

Afinal, Camilo Lourenço recorreu tão só à sua profusa ignorância e à sua desmesurada falta de talento académico, doutrinário e científico. Se assim não fosse estaria agora a fazer madrigais à Historiografia Económica, à História do Pensamento Económico e Financeiro, honrando vultos admiráveis como Magalhães Godinho, Joel Serrão, Armando de Castro, Alfredo de Sousa, Sedas Nunes, Villaverde Cabral ou estudando com respeito Oliveira Martins, António Sérgio, Augusto Fuschini, Costa Goodolfim, Afonso Costa, Bento Carqueja, Consiglieri Pedroso, Jaime Cortesão, Duarte Leite, Henrique de Barros, Amzalak, ou meditando, entre os antigos eruditos, um Silvestre Pinheiro Ferreira, Azeredo Coutinho, Domingos Vandelli, Acúrcio das Neves, Solano Constâncio, Ferreira Borges, José Frederico Laranjo ou Lúcio de Azevedo. Mas Dom Camilo não tem tempo para esses palavrudos de erudição. Tem, no seu infortúnio académico, “450 mails de ouvintes, leitores e telespectadores para responder”. O tempo urge! “Pergunte ao Camilo”!

LOCAIS: Resposta da APH às considerações de Camilo Lourenço sobre a História | "A Nova Luta de Classes" [J.P.P.] | Camilo Lourenço, a História e a utilidade económica [Henrique Monteiro] | Economia para totós [André Macedo] |
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J.M.M.

domingo, 15 de abril de 2012

FACES DE MUDANÇA: HISTORIOGRAFIA E HISTORIADORES DO SÉCULO XX EM PORTUGAL


O Centro de História da Universidade de Lisboa , dirigido pelo Professor Doutor António Ventura, vai levar a efeito na próxima terça-feira, 17 de Abril de 2012, um seminário intitulado Face de Mudança: Historiografia e Historiadores do Século XX em Portugal que conta com a presença de alguns dos investigadores que agora se têm dedicado a esta temática como: Norberto Cunha, José Neves, Ana Maria Rodrigues, António Hespanha, Luís Bigotte Chorão, Paulo Archer de Carvalho, Maria do Rosário Themudo Barata, Maria Alexandra Lousada, Luís Ramalhosa Guerreiro, Francisco Contente Domingues, Luís Reis Torgal.

A sessão vai realizar-se no Anfiteatro III, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Uma iniciativa dos grupos de trabalho do Centro de História - Memória & Historiografia e do Centro de Estudos Migrações das Relações Interculturais da Universiade Aberta- Comunidades, Identidades e Memórias que merece toda a divulgação.

A acompanhar com todo o interesse.
A.A.B.M.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

DICIONÁRIO DE HISTORIADORES PORTUGUESES


EVENTO: Dicionário de Historiadores Portugueses. Da fundação da Academia Real das Ciências ao final do Estado Novo (1779-1974) [SÍTIO WEB]

APRESENTAÇÃO:

DIA: 9 de Novembro (18,00 horas)
LOCAL: Biblioteca Nacional de Portugal (Auditório)
ORADOR: Fernando Catroga, Pedro Dias e José Augusto Ramos.

"O Dicionário de Historiadores Portugueses estará acessível nos sítios electrónicos da Biblioteca Nacional de Portugal e do Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa. Visa alargar o conhecimento sobre os historiadores que escreveram sobre o passado nacional, as suas perspectivas do conhecimento histórico, correntes historiográficas, áreas temáticas, instituições científicas e periódicos a que estiveram ligados.

O período escolhido, 1779-1974, tem em conta o papel decisivo que - a par da Universidade - a Academia Real das Ciências alcançou na dinamização dos estudos históricos e na afirmação de um conceito de história-ciência. 1974 constitui uma baliza marcante a partir da qual se acentuará a renovação em múltiplas direcções da historiografia que vinha dos anos 40, o alargamento significativo do campo de estudos e maior abertura ao exterior da comunidade de historiadores.

Com um conjunto muito variado de colaboradores,
o dicionário será produzido nos próximos três anos (2011-2014) e progressivamente dado a conhecer on-line, em língua portuguesa e em língua inglesa. Será, pois, regularmente acrescentado com novas entradas, resultando posteriormente (2014) na publicação de um livro" [ler AQUI]

J.M.M.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

A. H. DE OLIVEIRA MARQUES (1933-2007)


A. H. de Oliveira Marques morreu ontem, dia 23 de Janeiro, em Lisboa. O professor Oliveira Marques doutorou-se em História pela FLUL, tendo sido aí professor. Considerado "especialista em história da Idade Média" (com abundante produção teórica), trabalhava nos últimos anos no âmbito da história contemporânea, com relevo para os trabalhos sobre a I República e o Estado Novo, a par dos trabalhos historiográficos (e de divulgação) da Maçonaria em Portugal. Aliás, o professor Oliveira Marques, era um dos seus membros ilustres, tendo sido grão-mestre adjunto do GOL entre 1984 e 1986 e seu Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33, entre 1991 e 1994. [Fonte: aqui]

J.M.M.