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terça-feira, 19 de julho de 2016

VISITA - EXPOSIÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL JOAQUIM DE CARVALHO



VISITA - EXPOSIÇÃO BIBLIOGRÁFICA E DOCUMENTAL JOAQUIM DE CARVALHO

DIA:
20 de Julho de 2016 (19,00 horas);
LOCAL: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Sala do Catálogo);

VISITA GUIADA pelo prof. Paulo Archer;

Está patente na Sala do Catálogo da Biblioteca Geral da UC a exposição bibliográfica e documental Joaquim de Carvalho, originalmente organizada pelo Departamento de Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz.
Amanhã, dia 20 de Julho, pelas 19 horas, haverá uma visita guiada pelo Doutor Paulo Archer de Carvalho, do CEISXX.
Joaquim de Carvalho (Figueira da Foz, 10 de junho de 1892 - Coimbra, 27 de outubro de 1958) foi um professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde regeu cadeiras de Filosofia e de História da Cultura.
Foi diretor da “Revista da Universidade de Coimbra”, da Biblioteca Geral (1926-1931) e da Imprensa da Universidade. No desempenho destas funções, promoveu a publicação de centenas de livros resultantes da investigação académica. Instituiu igualmente diversas linhas de pesquisa, em particular na história da ciência e do pensamento português e europeu. Em registo de invulgar abrangência, consagrou também ensaios a alguns dos escritores mais representativos do cânone literário português: Gil Vicente, Luís de Camões, Eugénio de Castro, Teixeira de Pascoaes e Antero de Quental.

Dirigiu, ainda, a prestigiada Biblioteca Filosófica (da livraria Atlântida, em Coimbra) e a “Revista Filosófica” (cujo último número sairia postumamente, em 1959). Acalentou o projeto de escrever uma história da Filosofia em Portugal.

É consensualmente reconhecido pela seriedade e fundura do seu labor intelectual.

Obediente à sua própria consciência, foi tenazmente perseguido pelo Estado Novo, a ponto de ter visto extinta a Imprensa da Universidade, que dirigia. No seu tempo, os próprios colegas universitários mais conservadores se referiam a Joaquim de Carvalho como o “sábio”. De entre os discípulos que formou, destaca-se Eduardo Lourenço, que foi seu assistente, entre 1947 e 1953” [AQUI]
J.M.M.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

CONFERÊNCIAS JOAQUIM DE CARVALHO NA FIGUEIRA DA FOZ


CONFERÊNCIA: "A Filosofia da Saudade e a Saudade da Filosofia”;

ORADORES: Eduardo Lourenço | José Carlos Seabra Pereira | João Tiago Pedroso de Lima;
MODERADOR: Paulo Archer de Carvalho;

DIA: 9 de Outubro 2015 (21,00 horas);
LOCAL: Centro de Artes e Espetáculos (Figueira da Foz);


Integrado nas “Conferências Joaquim de Carvalho” (que continuará, em próxima sessão, no dia 23 de Outubro) - sob coordenação científica do professor Paulo Archer de Carvalho e o apoio do Município da Figueira da Foz, o C.A.E., a Biblioteca Pública Municipal Pedro Fernandes Tomás, o Museu Municipal Santos Rocha e o Arquivo Fotográfico Municipal -, realizar-se-á uma conferência, subordinada ao tema, “A Filosofia da Saudade e a Saudade da Filosofia”, no próximo dia 9 de Outubro.

A não perder.

J.M.M.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

CORAÇÃO, CABEÇA E ESTÔMAGO – UMA TERTÚLIA FIGUEIRENSE


GUIDA DA SILVA CÂNDIDO, “Coração, Cabeça e Estômago – Uma Tertúlia Figueirense”, Divisão de Cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz, Figueira da Foz, 2014, 50-XLI p.

FOTO [capa do livro] do grupo “Coração, Cabeça e Estômago”, autoria de José Lopes Dias, e datada de 8 de Agosto de 1946.

Em pé: Raul Xavier, António Silveira, Octaviano de Sá, Pedro de Aguiar, Luiz Xavier, Jaime Lopes Dias, Vítor Lopes Dias, José Lopes Dias e Carlos Sombrio;

Sentados: Joaquim da Silveira, Adolfo Santiago, Maria José, Cardoso Martha, Joaquim de Carvalho e António Lopes Dias.  


 
Trata-se da história de uma curiosa tertúlia cultural e gastronómica, grupo fundado (no Verão de 1936) por António Augusto Esteves (Carlos Sombrio) na vila da Figueira da Foz e que reunia “ilustres intelectuais, escritores e artistas admiradores das artes pantagruélicas”, sob o camiliano nome de “Coração, Cabeça e Estômago”. O estudo de Guida da Silva Cândido é apoiado num conjunto vasto de fontes, entre as quais o “Livro de Actas (1942-1948) do grupo - secretariado pelo professor, escritor, poeta e jornalista [Manuel Augusto] Cardoso Martha (1882-1958)

[Cardoso Marta foi assumidamente republicano (tendo sido um dos fundadores, em 1904, do semanário “A Razão”, pertença do Centro Eleitoral Republicano José Falcão), livre-pensador, etnógrafo, famoso bibliófilo (a sua muito curiosa biblioteca foi “herdada” pela poetisa Natália Correia; é suposto que alguma da recolha de textos integrados na polémica obra, e apreendida pela PIDE, organizada por Natália Correia, “Antologia de Poesia Erótica e Satírica …”, publicada pela Afrodite em 1966, tenha vindo da recolha anteriormente feita por Cardoso Marta), foi funcionário do SNI, aproximando-se a partir dos anos 30/40 da politica cultural do Estado Novo]

O Grupo “Coração, Cabeça e Estômago”, grupo de amigos, “replica dos Vencidos da Vida”, era presidido pelo “superior espírito” de Joaquim de Carvalho e tinha por anfitrião, António Augusto Esteves, aliás, Carlos Sombrio

[Carlos Sombrio, pseudónimo literário de António Augusto Esteves (1894-1949), foi ourives de profissão (com estabelecimento na Praça Nova, Figueira da Foz), curioso escritor (de ensaios, novelas, contos – ganhou o 1º premio dos Jogos Florais de 19140 e 1941 - poemas e breves crónicas – veja-se, entre outros, os trabalhos sobre João de Barros e o general Freire de Andrade), coleccionador e bibliófilo, copioso jornalista – começou a sua actividade no jornal republicano e maçónico, “A Voz da Justiça”, prosseguindo por centenas de periódicos regionalistas, escrevendo, em especial, prosa literária -, foi director da Biblioteca Municipal, participou (em 1925) nas Comemorações do Centenário de Camilo Castelo Branco, levadas a cabo na Figueira da Foz, também nas Comemorações do 1º Centenário no nascimento de Eça de Queiroz, pertenceu a diversas associações culturais, comerciais e recreativas da Figueira da Foz, foi maçon – Irmão “Francisco Brás” – da Loja Fernandes Tomás, onde foi iniciado em Maio de 1920, tendo pedido o atestado de quite em 1930]

Os comensais que fizeram parte deste camiliano Grupo foram: Adolfo Gonçalves Santiago (armador de navios), Alberto de Souza (aguarelista e ilustrador), Alberto Garcia (investigador literário), António Augusto Esteves (Carlos Sombrio), António Cruz (jornalista), António Lopes Dias (magistrado), António Piedade (pintor), António da Silveira (professor do IST), Augusto dos Santos Pinto (jornalista e escritor), Cardoso Martha, Carlos Gaspar de Lemos, Eduardo Miranda de Vasconcelos (professor), Egídio da Costa Aires de Azevedo (professor da UC), Francisco da Luz Rebelo Gonçalves (professor da UC), Jaime Lopes Dias (escritor e etnógrafo), João Reis (poeta e pintor), Joaquim da Silveira (advogado e notário), Joaquim de Carvalho (professor da UC), Joaquim Lopes dias (professor), José Lopes Dias (médico), José Salinas Calado (médico e escritor), Juvenal de Araújo (professor Ed. Física), Lúcio de Almeida (professor da UC), Luís Gonçalves Santiago (proprietário), Luís Xavier (arquitecto), Mário Augusto (pintor), Octaviano de Sá (advogado, jornalista e escritor), Pedro de Aguiar (jornalista), Raul Xavier (escultor), Vítor Lopes Dias (jurista).

J.M.M.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

UMA AUTOBIOGRAFIA DA RAZÃO. A MATRIZ FILOSÓFICA DA HISTORIOGRAFIA DA CULTURA DE JOAQUIM DE CARVALHO




EDIÇÃO: Imprensa da Universidade de Coimbra (2015, 452 p.).

LANÇAMENTO:

DIA: 16 de Junho (17,30 horas);
LOCAL: Biblioteca Geral Universidade de Coimbra (Sala S. Pedro);
ORADOR: Professor Fernando Catroga
«Uma autobiografia da Razão» é um estudo de significação da opera omnia de Joaquim de Carvalho (1892-1958), historiador das ideias, da cultura e da filosofia,  catedrático em Coimbra e o grande animador e director (1921-1934) da Imprensa da Universidade, obra estabelecida dentro daquela grande inquietude do nosso tempo, à qual só uma resposta humanista aniquiladora da cultura sem alma ‘puramente técnica’ e superadora do ‘tipo intelectual, que apenas se move no reino dos meios’ se impunha.
Ora, esse repto só seria perceptível se reconduzisse à via compreensiva o pensamento racional, crítico e analítico; e o incorporasse numa hermenêutica da contemporaneidade,  para a qual a escola se deveria autoconstituir como aparelho privilegiado ao aprofundar, como criação paidêutica, um estilo de pensamento dialógico que reconhecesse à alteridade os mesmíssimos direitos de cidade que à ipseidade outorgava.
A esta epistemologia da cultura democrática, de fuga espinosiana e leibniziana  (pois não é só o de jure transcendental kantiano mas a outridade monadológica que atravessa o prisma de luz), se entregou em busca de uma clara formulação política que ele mesmo enunciou na praça pública e continuaria a repetir, por vezes na surdina epistolar, aos exaustos ouvidos epocais – matraqueados internamente pelo desumano volume das demonstrações da evidência e da evidência da força e pela salvífica pressão e repressão totalitária que incendiando a Europa, na propaganda, na proibição, na polícia, na morte, matava as expectativas da liberdade cerradas à parede pelo voluntarismo das «democracias orgânicas» völkish ou pela fantasia perfeccionista da cientificidade das ‘democracias populares’»
J.M.M.

sexta-feira, 21 de março de 2014

COLÓQUIO INTERNACIONAL JOAQUIM DE CARVALHO: HISTORIOGRAFIA, FILOSOFIA, CULTURA

Organizado pelo CEIS 20 (Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX) vai realizar-se na Casa da Escrita, em Coimbra, nos dias 27 e 28 de Março de 2014, um colóquio internacional dedicado à personalidade do Professor Joaquim de Carvalho.

Este colóquio apresenta o seguinte programa:

9h10  - Maria Manuela Tavares Ribeiro (FLUC/CEIS20)
Universalismo, pacifismo, criticismo: o legado kantiano da contemporaneidade.

9h45 - José Maurício de Carvalho (Universidade Federal de S. João del Rei) 
Joaquim de Carvalho e a Cultura 
10h 20 Débora Dias (Universidade de Coimbra)
  Joaquim de Carvalho e o Brasil: diálogos por via impressa

10h 50 - Debate

PAUSA PARA CAFÉ

11h 20 - José Carlos Seabra Pereira (Universidade de Coimbra)
Joaquim de Carvalho e o campo literário português

11h55 - Jean-Claude Rabaté (Prof. em. Universidade de Sorbonne-Nouvelle) 
Teixeira de Pascoaes et Joaquim de Carvalho face à l‘ibérisme de Miguel de Unamuno

12h 30 - Debate 
12h50 - PAUSA PARA ALMOÇO

14h30 - António Pedro Pita (FLUC/CEIS20)
Tempo e consciência, ou a consciência saudosa

15h05 - João Tiago Pedroso de Lima (Universidade de Évora)
De novo a Filosofia Portuguesa ou o diálogo não-escrito entre Eduardo Lourenço e o seu Mestre Joaquim de Carvalho

15h40 - Manuel Curado (Universidade do Minho) 
De Sábio a Crente: Joaquim de Carvalho, Castro Sarmento e a Ciência Judaico-Portuguesa

16h 15: Debate

PAUSA PARA CAFÉ

16h50 - Luís Reis Torgal (Universidade de Coimbra) 
Joaquim de Carvalho e a crise da Universidade no início do Estado novo

17h15 - Sérgio Campos Matos (Universidade de Lisboa)
Joaquim de Carvalho, consciência histórica e passado próximo.

17h50 -  Conferência de encerramento

Fernando Catroga (Universidade de Coimbra)
A Anteriana de Joaquim de Carvalho

18h30  - Debate

28 de março de 2014
11h00  - Conferência extra programa
Colette Rabaté e Jean-Claude Rabaté (Univerité François Rabelais, Tours / Prof. Em. da Université de la Sorbonne- Nouvelle)
Miguel de Unamuno face aux Guerres

Encerramento dos trabalhos

Sobre Joaquim de Carvalho, já nos referimos várias vezes no Almanaque Republicano ver as referências na etiqueta AQUI.

Recomenda-se também a leitura da nota biográfica do Professor Joaquim de Carvalho no Dicionário dos Historiadores Portugueses elaborada por Paulo Archer de Carvalho que pode ser consultada AQUI.

Uma iniciativa que se saúda e se recomenda a todos os interessados não só na personalidade mas nos seus contributos imprescindíveis para a Cultura Portuguesa.

A.A.B.M.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

JOAQUIM DE CARVALHO WEB SITE



O Dr. JOAQUIM DE CARVALHO, republicano e maçon, "professor, erudito, filósofo, escritor, bibliófilo, homem de cultura de mérito excepcional – tem a homenagem, a lembrança e a presença de todos aqueles que, em testemunho de gratidão pelo cidadão, pelo mestre universitário e pela copiosa e insigne obra que nos legou, sempre se curvaram perante a sua saudosa memória" - dissemos NÓS AQUI.

HOJE passou o estimado Mestre (e o seu legado) a ter presença assídua entre nós, na Internet, onde nos acolhe num promissor Web Site. A seguir com justificada atenção!

"Pensador e ensaísta, erudito e professor, Joaquim de Carvalho foi, nas quatro décadas que vão de 1918 a 1958, ano da sua morte, uma das maiores figuras, em Portugal, dos estudos a que se dedicou, e em todos estes domínios deixou a marca duradoura da sua personalidade de excepção” [ler aqui joaquimdecarvalho.org]

WEB SITE DO DR. JOAQUIM DE CARVALHO [joaquimdecarvalho.org] AQUI

FOTO 1: Certificado de grau [Rito Francês] passado a Joaquim de Carvalho, obreiro da Loja A Revolta (Coimbra) do GOLU [Joaquim de Carvalho, em 1912, com vinte anos, foi iniciado na Maçonaria, com o nome simbólico de Guyau, na loja "A Revolta" de Coimbra (loja fundada em 1909, integrada posteriormente no Grande Oriente Português e em 1911 no Grande Oriente Lusitano Unido, com o nº 336. Manteve-se activa durante a clandestinidade), onde se manteve até 1924. Em 1919, Joaquim de Carvalho atinge o grau do Rito Francês]

FOTO 2: Joaquim de Carvalho com os amigos em Coimbra [da esquerda para a direita: dr. Manuel Monteiro, Vaz Serra, Sílvio Lima e Mário Santos] - in Fotobiografia

J.M.M.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

LITORAIS. REVISTA DE ESTUDOS FIGUEIRENSES (PARTE II)




Para concluir a análise dos artigos publicados na revita Litorais, resta-nos o texto da autoria de Cândida Ferreira, O Tempo da Saudade, onde a autora nos apresenta um conjunto de ideias sobre o devir do tempo. Iniciando pela noção de tempo, o tempo do tempo, o tempo do não tempo, o tempo da duração e, por fim, o tempo da saudade.

Quanto ao conceito, a autora, começa por traçar o problema entre duas dimensões diversas, a filosófica e a científica. O tempo afirma-se, por um lado, como "uma convenção ou uma dimensão configuradora do real que, por razões pragmáticas o homem produziu para organizar a sua praxis e até a sua própria identidade" (p. 67). Por outro lado, "o tempo existe e nele se fixa a história de cada ser que nele existiu, existe e existirá" (p. 69). Porque, conclui-se, o tempo é evolução e esta opera transformações ao longo dos tempos do tempo.

Cândida Ferreira explica ainda, com base em alguns autores como R. Le Poidevin, R. Damatta, I. Prigogine, J. E. Mctaggart, César Ades, entre outros, as suas ideias acerca da noção da temporalidade nas suas várias interpretações para o ser humano. Porém termina dando especial atenção à problemática da saudade tão característica dos portugueses. Segundo esta autora, a saudade assenta em dois grandes vectores: lembrar e sentir. Assim, sustenta, "a saudade é um sentimento do presente (construído pela contemporaneidade pessoal) e que a lembrança evoca o que não é real, ou seja, evoca um real (re)criado pela dinâmica de uma memória que o produz enquanto o narra" (p. 76). Conclui, portanto, que "o momento da saudade é também um momento de correcção da trajectória do existir e mesmo quando idealiza o passado projecta o arquétipo da contemporaneidade antecipando já a dimensão futurante do presente" (p. 78-79).

Relativamente ao ultimo artigo, não vamos, como é óbvio, tecer qualquer comentário, pois ele foi inicialmente publicado aqui e aqui embora tenha sofrido ampliação e novos desenvolvimentos em aspectos pontuais, procurando simplesmente contribuir para relembrar alguns aspectos do envolvimento político do Doutor Joaquim de Carvalho.

Foto: caricatura (por ?) do Dr. Joaquim de Carvalho

A.A.B.M.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

LITORAIS. REVISTA DE ESTUDOS FIGUEIRENSES



A Associação Doutor Joaquim de Carvalho, da Figueira da Foz, lançou no passado dia 20 de Novembro, no decorrer da II Tertúlia Joaquim de Carvalho, o nº 9 da Litorais. Neste número do segundo semestre de 2008, podem encontrar-se os seguintes artigos:

- Paulo Archer de Carvalho, A escola nova que Joaquim de Carvalho frequentou o Collegio Lyceu Figueirense (1902-11); p. 7-30;

- Miguel Real, Joaquim de Carvalho (1892-1952) - Um liberal heterodoxo; p. 33-64;

- Cândida Ferreira, O Tempo da Saudade; p. 65-80;

- Artur Barracosa Mendonça e José Manuel Martins, Notas políticas sobre Joaquim de Carvalho; p. 81-88.

No primeiro artigo, Paulo Archer acompanha o movimento da Escola Nova e a influência que este movimento exerceu na Figueira da Foz através do Colégio Liceu Figueirense, instituição onde Joaquim de Carvalho fez a sua formação escolar. Constata-se que era "uma escola elitista e dispendiosa"(p. 11), que "atrai cada vez mais meninos ricos de longe" (p. 12), mas "com a República, o Collegio Lyceu Figueirense, entra em colapso"(p. 19). Entre 1911 e 1914, o Colégio Liceu vive em "itinerância", porque o seu director José Luís Mendes Pinheiro se vê compelido a mudar com frequência de local de residência, acabando por retornar à Figueira da Foz em 1914, porque entretanto se assiste ao eclodir da guerra na Europa central. O Colégio transforma-se por decisão da diocese de Coimbra, a partir de 1935, num seminário menor.

Paulo Archer conclui de forma lapidar "A formação filosófica de Carvalho e o desenvolvimento metódico duma obra pioneira não arrancaram na Figueira. Mas da escola nova terá nascido e se terá consolidado o amor pela liberdade a um dos poucos filósofos que por ela verdadeiramente se bateu na primeira metade do século XX". Um contributo significativo para se compreender melhor a formação de Joaquim de Carvalho e o papel que nele desempenhou a corrente educativa da Escola Nova.

Por seu lado, Miguel Real apresenta-nos um texto sobre o pensamento liberal de Joaquim de Carvalho. Considerando-o herdeiro dos movimentos racionalistas, Miguel Real, enquadra-o nas ambiguidades que um conjunto de autores da mesma época viveram, mas sempre numa linha comum de combate "contra o conservadorismo nacionalista e o espiritualismo filosófico, seja monárquico constitucional, seja integralista, seja católico tradicionalista" (p. 34). Teria sido a "alma burguesa" de Joaquim de Carvalho que o conduziu à retirada da vida pública "resguardando-se assim de borrascas, exílios e desempregos, sofridos por todos os seus amigos racionalistas" (p. 34). Reconhece também a dificuldade em sistematizar o pensamento de Joaquim de Carvalho, embora destaque, seguindo Pina Martins, a tendência para "os grandes vultos reformadores do espírito filosófico da época moderna, bem como a galeria de pensadores heterodoxos de origem portuguesa" (p. 41).

Segundo Miguel Real, Joaquim de Carvalho evoluiu do jacobinismo inicial para um liberalismo, republicanismo e agnosticismo crescentes. Analisando a sua intervenção política, considera que o filósofo reconheceu a "total contradição com a oligarquia dirigente do Estado - era inevitável o confronto, que só poderia acabar com o esmagamento do elo mais fraco" (p. 53) - ou seja o próprio Joaquim de Carvalho. Conclui lamentando o desprezo a que tem sido votada esta figura desde os anos oitenta, embora saliente o seu "racionalismo rigoroso e escrupuloso, herdeiro da escola racionalista cientificista" (p. 60) que fica como "exemplo de um dos maiores cidadãos portugueses do século XX" (p. 60).

[em continuação]

A.A.B.M.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

JOAQUIM DE CARVALHO 50 ANOS DEPOIS


JOAQUIM DE CARVALHO 50 ANOS DEPOIS

II TERTÚLIAJoaquim de Carvalho: A organização da cultura e os conflitos culturais na sua época

20 DE NOVEMBRO: 22 horas – Casino da Figueira da Foz

[PROGRAMA: clicar na foto]

via In Memoriam de Joaquim de Carvalho

J.M.M.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

CARTA DE JOAQUIM DE CARVALHO A JOÃO DE BARROS


CARTA DE JOAQUIM DE CARVALHO A JOÃO DE BARROS

21-VI-931

Meu Exmo. e Prezado Amigo

Venho agradecer-lhe, com ânimo penhoradíssimo, a generosidade com que tratou o meu artigo de Hist.[ória] do Reg.[imen] Rep.[licano]. Foi escrito sob a ditadura, daí o encadeamento de factos e ideias num sentido beligerante, e uma ordenação diversa da que ditaria uma época de paz. Dissimulei a erudição, e afastei-me mesmo por vezes; em todo o caso, sem vaidade creio que trabalhei sobre o inédito, e cheguei a algumas conclusões que oxalá sejam directivas para investigações particulares. (...)

Chego a pensar que a queda da ditadura por uma revolução militar seria um crime nacional. Encadeava-nos, de novo, à farda, não havendo forças humanas que nos libertassem dessa coisa horrível que foi o pronunciamento militar - Sá da Bandeira, Saldanha, Machado Santos e os Liberatos Pintos, esteios da ditadura. A ditadura, levando este processo ao paroxismo, deve matá-lo com a sua queda e morte. Se não fossem as vítimas que pedem reparações e justiça, não deveria ser esta a nossa atitude? É admirável que este movimento de conjunção; mas confesso q[ue]me irritou ver tanto general e almirante na direcção suprema. É a reincidência no erro do século XIX e no erro da 1ª República que tivemos. Renovo os mais gratos e cordiais agradecimentos, e nunc et semper mande o seu amigo e ad.[mirador].

Joaquim de Carvalho

[excerptos de uma carta de Joaquim de Carvalho a João de Barros, publicado em Cartas Políticas a João de Barros, com pref. selecção e notas de Manuela de Azevedo, Col. Temas Portugueses, INCM, Lisboa, 1982 p. 398-399]

A.A.B.M.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

JOAQUIM DE CARVALHO 20 ANOS DEPOIS - FIGUEIRA DA FOZ




TERTÚLIAJoaquim de Carvalho e a ideia de Pátria

Com Carlos Pinto Coelho (moderador), Fernando Catroga e Miguel Real.

Presença de: Alexandre Franco de Sá, António Pedro Pita, Carlos André, Fernando Rosas, José Júlio Lopes, Pacheco Pereira, Paulo Archer, Reis Torgal.

30 DE OUTUBRO: 22 horas – Casino da Figueira da Foz

J.M.M.

NOTAS POLÍTICAS SOBRE JOAQUIM DE CARVALHO – PARTE II




Joaquim de Carvalho era, pois, um republicano liberal que pelo seu carácter e inteligência, talvez mesmo na sua benévola "solidão dos intelectuais" [João Gaspar Simões, Joaquim de Carvalho, JN, 8/3/1959], pode dizer-nos com toda a sagacidade [A Minha Resposta, ibidem, p.16]: "Se há estrutura mental que a República deva destruir é a da purificação. Para purificar o espírito, queimavam-se corpos; impediam-se leituras; fiscalizava-se o pensamento. O resultado viu-se e, tão baixo, vê-se ainda". Não espanta, deste modo, que considere no ideário republicano o trabalho espiritual, de combate ao fanatismo e à intolerância. A educação popular leva-o, com o maior dos entusiasmos, ao movimento das Universidades Livres (1919), tendo feito parte da Comissão Organizadora de Coimbra.

Na política associativa, Joaquim de Carvalho manteve um estreito relacionamento com Álvaro de Castro, sendo um dos apoiantes do Partido Republicano da Reconstituição Nacional, vulgarmente designado por Partido Reconstituinte, no início da década de vinte [Aires Antunes Diniz, O Século XX Português – Da Monarquia à República - texto inédito].

Antes, em 1912, com cerca de vinte anos, foi iniciado na Maçonaria, com o nome simbólico de Guyau, na loja "A Revolta" de Coimbra, onde se manteve até 1924 [Fernando Catroga e Aurélio Veloso, "António Sérgio no Exílio – Cartas a Joaquim de Carvalho", Revista de História das Ideias, vol. V, Coimbra, 1983, p. 952; vide ainda "Memoria Professorum Universitatis Conimbrigensis", vol.II, Coimbra, Arquivo da Universidade de Coimbra, 1992, p. 70]

Mais tarde, durante a Ditadura Militar, envolve-se em algumas tentativas de recuperação do regime republicano desaparecido em 28 de Maio de 1926, factos que lhe provocarão dissabores de todo o tipo, como o encerramento da Imprensa da Universidade em 1935. Entre essas actividades conhecem-se as suas participações na Aliança Republicano-Socialista, em 1931, em Coimbra [Fernando Catroga e Aurélio Veloso, ibidem, p.1013] e no Grupo de Estudos Democráticos (G.E.D.) dinamizado por Marques Guedes em 1931.

Ainda se encontra em Norberto Cunha [op.cit., p.584, nota 29] a referência à participação de Joaquim de Carvalho no Grupo de Renovação Democrática onde "alinhou abertamente pelo Grupo de Renovação Democrática, de pendor socialista".

Para além da sua obra académica (de muita eloquência), pedagógica [vide a este propósito, "Dicionário de Educadores Portugueses", dir. António Nóvoa, ASA, 2003, p.294-296] e filosófica, o "desassombro" de Joaquim de Carvalho de publicar e dirigir o Diário Liberal [Lisboa, entre Maio e Setembro de 1933], enfileirando-se na corrente de luta contra a ditadura, pelo conjunto de artigos de carácter doutrinário sobre questões políticas e sociais [leia-se, p.ex. "Sobre a ideia de Estado Total – Noção de Partido Político" ou "Sobre a ideia de Estado Total – Digressão sobre a alma burguesa"], mostra o seu "activismo doutrinal", o seu envolvimento político-social, mas que gradualmente conduzem a um crescente isolamento. E não por acaso, escreve ele em carta datada de 1932, a Rodrigues Lapa [Correspondência de Rodrigues Lapa, Coimbra, Minerva, 1997, p. 35] o seguinte: "Sei que estou e estarei isolado: não importa, porque saberei reivindicar o que me parece justo".

Para concluirmos, podemos dizer com Orlando Ribeiro ["Joaquim de Carvalho: personalidade e pensamento", Biblos. Revista da Faculdade de Letras. Homenagem a Joaquim de Carvalho, vol. LVI, 1980, p.1] e sobre Joaquim de Carvalho:

"Este homem era tão profundamente coimbrão que nem as sereias políticas da República liberal, de que era partidário convicto, nem as perseguições do obscurantismo, a que se opunha o seu espírito esclarecido e tolerante, o afastaram da Figueira da Foz nem da Universidade que de certo modo encarnava no que sempre teve de melhor: um lugar de ressonância europeia onde, da mediocridade e da suficiência em que tantas vezes se apagou, sobressaíam alguns espíritos de dimensão ecuménica na original fisionomia portuguesa que foi, na grande época da nossa história, a de integrar no mundo da cultura uma experiência – e uma reflexão sobre ela – de cariz próprio profundamente vincado"

A.A.B.M.
J.M.M.

NOTAS POLÍTICAS SOBRE JOAQUIM DE CARVALHO – PARTE I




"Ser republicano em Portugal é postular não apenas uma concepção política, mas sobretudo uma atitude mental e moral". Foram estas palavras então proferidas por Joaquim de Carvalho (1892-1958), em Janeiro de 1923, no discurso de homenagem ao Dr. José Falcão realizado em Coimbra e publicado pelo jornal A Revolta [nº7, 24-02-1923, p. 5-6]. Esta concepção e ética republicana que ultrapassa a própria política e entra no domínio da mentalidade colectiva de um povo era algo que os ideólogos do regime republicano preconizavam, mas que a realidade e o contexto da época acabaram por limitar, conduzindo muitos à desilusão e ao afastamento da vida política.

Joaquim de Carvalho sublinhava, acima de tudo, "a liberdade de espírito", "o dever", "o sentimento das ideias gerais" e o "espírito crítico" [Norberto Cunha, "Tradição e progresso nas liças teórico-políticas de um clerc: Vitorino Nemésio", Nemésio Vinte Anos Depois, Edições Cosmos, 1998]. E soube manter até ao fim esse seu espírito idealista, esse "desassombro", essa reconciliação da "gente com a humanidade", ou não fosse Joaquim de Carvalho o "Mestre de cidadania liberal ... uma espécie de frade da ordem do Espírito, que tinha por cela o Universo, mas um frade na acepção recolhida, pura e ascética da palavra" [Jaime Cortesão, citado por Barahona Fernandes, Joaquim de Carvalho. Pessoa e Atitude Espiritual, Figueira da Foz, 1963, p.13].

Nasce politicamente Joaquim de Carvalho, na época estudante universitário, num artigo publicado anonimamente, "ESTOTE PARATI?", no jornal A Redenção [Figueira da Foz, 1-2-1910]. O seu sentimento político, passe o facto de ser um texto de juventude, manifesta já as preocupações e os ideais que o vão acompanhar ao longo da vida. Revela-se, portanto, alguma constância do pensamento e sobretudo um conjunto de axiomas que servirão para desenvolver as suas ideias sobre o problema político em Portugal, e que vai desenvolvendo posteriormente, construindo, problematizando e alicerçando o que será tido como num pensamento liberal e democrático, com "um patriotismo fortemente impregnado de [...] sentimentos familiares" [Jorge Peixoto, Joaquim de Carvalho 1916-1934, Arquivo de Historia e Bibliografia 1923-26, INCM, 1976, vol. I].

Curiosamente, o primeiro combate de resistência surge em 1919, e logo vindo de um "sector político e intelectual que o devia compreender e até estar em perfeita sintonia" [Jorge Peixoto, ibidem], na sequência da desanexação da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, medida tomada pelo então Ministro da Instrução, Leonardo Coimbra, ao que se presume instigado pelo reitor Coelho de Carvalho. Na altura publica um expressivo e raro opúsculo onde afirma:

"Decorreu-me a escolaridade entre duas tendências: uma, impulsiva, que me arrastou ao mais ardente jacobismo, outra contemplativa, pela qual me isolava no meu quarto, trabalhando delirantemente. Venceu, afinal, esta última, não sei se por mais forte, se pelas laboriosas desilusões da realidade, embora aquela se não apagasse ainda ..." [Joaquim de Carvalho, A Minha Resposta, Coimbra, Tip. França Amado, 1919, p. 5].

[a continuar]

A.A.B.M.
J.M.M.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

BLOG - IN MEMORIAM JOAQUIM DE CARVALHO


Blog - In Memoriam Joaquim de Carvalho (1892-1958)

50 anos depois da sua morte, o doutor Joaquim de Carvalho (1892-1958) – professor, erudito, filósofo, escritor, bibliófilo, homem de cultura de mérito excepcional – tem a homenagem, a lembrança e a presença de todos aqueles que, em testemunho de gratidão pelo cidadão, pelo mestre universitário e pela copiosa e insigne obra que nos legou, sempre se curvaram perante a sua saudosa memória.

A Escola Secundária Dr. Joaquim de Carvalho e a Associação Dr. Joaquim de Carvalho, da Figueira da Foz, nesta ocasião da passagem do cinquentenário da morte do doutor Joaquim de Carvalho – seu patrono – pretende assinalar a data com um conjunto de iniciativas de valor afectivo e cultural, que incluem várias tertúlias sobre a figura e o pensamento do homenageado, realizando-se a primeira já no próximo dia 30 do corrente mês, com a presença de conhecidas figuras da cultura portuguesa.

Entretanto, foi criado um oportuno blog de divulgação do seu patrono - ver, aqui – onde se afirma:

"Servirá este blog de útil caderno de apontamentos, resenha de factos e ideias que os interpretem, interpelem, questionem, de modo a que, se for caso disso, tenham a força de os transformar. Servirá também de anotação, de memória translúcida que resista ao impacto do tempo e ao absurdo da espuma dos dias.

Servirá, no berço intemporal do pensamento do seu patrono, de reflexão ao transtorno do presente, de interpretação dos inquietantes fantasmas que nos povoam, dos distúrbios do medo que nos ameaçam, mas também de posto de vigia e coragem à reafirmação constante de que existimos, tal como Joaquim de Carvalho, aqui e agora
".

[in 50 Anos Depois - In Memoriam de Joaquim de Carvalho]

via Almocreve das Petas

J.M.M.

domingo, 1 de julho de 2007

HISTÓRIA DO REGIMEN REPUBLICANO EM PORTUGAL


História do Regímen Republicano em Portugal

Publicada por Luís de Montalvor. Lisboa/MCMXXX-MCMXXXII. (Tipografia da Emprêsa do Anuário Comercial). 2 vols. 24x31 cm. 388-IV e 416 págs. E.

"Obra de extremo rigor colaborada por autores da maior competência e que são: Jaime Cortesão, Agostinho Fortes, Joaquim de Carvalho, Francisco Reis Santos, Manuel Maria Coelho, Lopes de Oliveira, Luz de Almeida e ainda Bourbon e Menezes. Abundante e valiosa documentação iconográfica, constituída por retratos, mapas, facsimiles de livros, jornais e revistas, caricaturas, etc., etc., tudo impresso em folhas à parte, sendo algumas a cores. Excelente e luxuosa edição da Editorial Ática. Encadernações originais do editor, em pele com ferros a ouro ..."

in Catálogo do mês de Julho da Livraria (Alfarrabista) In-Libris, Porto

J.M.M.