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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

JOSÉ CABRAL – MONÁRQUICO E NACIONAL-SINDICALISTA [PARTE II]



José Cabral foi deputado da Assembleia Nacional, entre 1934 (data da sua eleição) e 1950

[a 6 de Dezembro de 1937, apresenta José Cabral (no seguimento do atentado a Salazar de Julho de 1937) "um projecto de alteração ao nº11 do artg. 8º da Constituição", visando ampliar a escala penal contra a segurança de Estado, pela introdução de duas novas categorias, "constituídas pela pena capital e pela de trabalhos públicos", deste modo reforçando o "sistema defensivo da Autoridade e da Ordem". Esta tentativa do restabelecimento da pena de morte e castigos Corporais Perpétuos em Portugal pela mão de José Cabral não teve êxito – ver sobre este assunto, "A Crise da República e da Ditadura Militar”, de Luís Bigotte Chorão, 2009, pp. 825-829]


e ficou conhecido por ter sido o autor do projecto-lei sobre a proibição das "Sociedades Secretas" (leia-se, a Maçonaria) em 1935 [apresentou-o na Assembleia da República a 19 de Janeiro; posteriormente, e a esse propósito, é publicado o livro - "Sociedades Secretas" - com introdução do mesmo José Cabral - ver LIVRO DIGITALIZADO AQUI], o que levou à conhecida intervenção pública de Fernando Pessoa em defesa da Maçonaria e das Sociedades Secretas

[que originou uma violenta polémica que envolveu, nos jornais, Fernando de Sousa (n’A Voz), Alfredo Pimenta (idem), Rolão Preto (no Fradique), Joaquim Mendes Guerra (n’A Voz), Artur Bivar (no Novidades), Thomaz Ribeiro Colaço (no Fradique), António Tinoco (idem), José Cabral (n’A Voz) e Manuel Maia Pinto (ex-maçon, publ. no Fradique)]

num extenso, sereno e contundente artigo [“Associações Secretas”] publicado no Diário de Lisboa, a 4 de Fevereiro desse ano [o artigo – ou parte dele - saiu, depois, clandestinamente em opúsculo, sendo esta sua primeira publicação feita a expensas do Grémio Lusitano – voltaremos em breve a este curioso tema. Diga-se, ainda, que um segundo artigo de F. Pessoa foi cortado pela censura]. O projecto-lei de José Cabral foi aprovado [6 de Abril. Dias antes, a 4 de Abril, o Grão-Mestre Norton de Matos demite-se, transferindo os poderes para o Conselho da Ordem, na pessoa do seu presidente, Maurício Costa. A partir da sua morte, a 19 de Maio de 1937, o G.O.L. é dirigido por Luís Gonçalves Rebordão], com parecer favorável da Câmara Corporativa [27 de Março]. A Ordem é banida pela lei nº 1901 de 21 de Maio de 1935, que perdurou até 7 de Novembro de 1974. Na sequência da lei é dissolvido o Grémio Lusitano [portaria de 21 de Janeiro de 1937] e os seus bens [como o Palácio Maçónico e outros templos] passam à posse da Legião Portuguesa [lei nº 1950]. A Maçonaria entrou na clandestinidade, não sem antes ter tomada as necessárias medidas de emergência. Aliás, mesmo face a posições contraditórias, já anteriormente [ver Circular nº1, do GOL, de 10 de Dezembro de 1931 ou a Circular nº7 do Cons. da Ordem, de 10 de Março de 1933] tinha o G.O.L. reconhecido as ameaças e os intuitos persecutórios da ditadura, compreendendo bem o momento "excepcionalmente grave" que atravessava.

José Cabral colaborou no jornal Revolução Nacional [dir. Manuel Múrias]. Publicou os seguintes livros: “A Confissão”, Fafe, 1906 [conferência realizada em Maio no círculo católico de operários de Viseu] e “Sociedades Secretas”, Editorial Império, 1935 (142 p.).

Morre de cancro, em Lisboa, a 10 de Junho de 1950.

No seu funeral (Alto de S. João) estiveram presentes, entre outros, um corpo de legionários e membros da sua Junta Central, representantes do governo e da União Nacional, deputados, o director geral da Administração Política e Civil do Ministério do Interior, Pires de Lima, João Almeida (dir. geral do ensino secundário), Supico Pinto, Manuel Andrade de Sousa, Augusto de Castro, João Moreira de Almeida, Hipólito Raposo, o conde de Águeda, Manuel Múrias, Amaral Pyrrait, Nogueira Leite, Costa Leite.

FOTO: reprodução do panfleto "Um Grupo de Patriotas contra a proibição da Maçonaria (1935)", via Ephemera, com a devida vénia [CLICAR na foto para ler]


J.M.M.

JOSÉ CABRAL – MONÁRQUICO E NACIONAL-SINDICALISTA [PARTE I]


JOSÉ CABRAL, aliás José Pereira dos Santos Cabral [1885-1950], nasceu [16 de Setembro] em Travanca de Tavares (Mangualde). Formado em Direito por Coimbra [entra em 1906-07], foi advogado em Fornos de Algodres, director-geral dos Serviços Prisionais (1929), presidente da direcção da Associação do Patronato das Prisões, director geral dos Serviços Jurisdicionais de Menores, director dos Serviços de Acção Social e Política da Legião Portuguesa (medalha de oiro, por dedicação), administrador das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, da Companhia das Águas de Lisboa e presidente da assembleia-geral da Companhia de Seguros "Europeia".

Monárquico [aparece como candidato eleito nas listas monárquicas, pelo círculo nº 18 de Gouveia nas eleições de 28 de Abril de 1918 e participa na revolta monárquica de 1919, tendo de exilar-se em Espanha] e católico, pertenceu ao grupo fascista formado em torno da revista Ordem Nova, à Liga Nacional do 28 de Maio e foi militante nacional-sindicalista [integrou e chefiou o grupo de Coimbra, fazendo parte do directório do Grande Conselho Nacional Sindicalista]. Mais tarde aderiu ao Salazarismo e à União Nacional [participa, mesmo, no I Congresso na União Nacional] rompendo (Março de 1934) com chefia dos “camisas azuis” de Rolão Preto e Alberto de Monsaraz [a cisão no movimento nacional-sindicalista e o “trânsito” para o Estado Novo foi acompanhada por outros, como Pedro Teotónio Pereira, Manuel Múrias, João Costa Leite (Lumbrales), Fernando Pires de Lima, Eusébio Tamagnini, Cabral Moncada, Ramiro Valadão, Supico Pinto, Dutra Faria, Luís Forjaz Trigueiros, Amaral Pyrrait, Castro Fernandes].

Curiosamente a proposta de dissolução do Movimento Nacional-Sindicalista (e a aceitação da liderança por Salazar) partiu do próprio José Cabral, na reunião do directório de Agosto de 1934 (já com a direcção ausente no exílio), presidida por Eusébio Tamagnini. A 18 de Agosto de 1934 sai o último número do jornal diário Revolução Nacional [sob direcção de Manuel Múrias, 146 numrs. As dívidas do jornal foram pagas por ordem de Salazar - VER jornal Revolução e Revolução Nacional AQUI], anunciando o seu termo. Os ex-fascistas tinham, por fim, chegado à governação. Por seu lado, os correligionários de Rolão Preto partiram para o exílio, entram na clandestinidade e não espanta que tenham aderido, mais tarde, às várias lutas e intentonas reviralhistas contra a ditadura, ao lado dos seus antigos adversários.

[a continuar]

J.M.M.

segunda-feira, 23 de março de 2009

domingo, 22 de julho de 2007

NORTON DE MATOS: NOTAS BREVE - PARTE II


Norton de Matos: nota breve – Parte II

Adere Norton de Matos à Republica em 1910, filiando-se no Partido Democrático. É iniciado maçon na Loja Pátria e Liberdade, nº 332, de Lisboa, do REAA a 17 de Maio de 1912, adoptando o nome simbólico de "Danton" [A. H. de Oliveira Marques, Dicionário da Maçonaria Portuguesa, vol II, 1986]. Transita [face a uma cisão na maçonaria] em 1916 para a Loja Acácia, do RF, na obediência do GOLU, tendo atingido em 1919 o 7º grau ["Príncipe Rosa-Cruz"], ou o 33º do REAA. Foi eleito Grão-Mestre da Maçonaria a 31 de Dezembro de 1929, depois de feroz repressão contra a Ordem [o Palácio Maçónico na Rua do Grémio Lusitano, a 16 de Abril de 1929, é cercado pela polícia e todos os elementos foram presos, tendo-se encerrado o edifício].

Participa em Setembro de 1930 como representante português na reunião da Associação Maçónica Internacional, na Bélgica [in, Para a História da Maçonaria em Portugal 1913-1935, Vega, 1976] e enfrenta, como Grão-Mestre, mais uma "campanha hostil" contra a Ordem, promovida principalmente pelo jornal A Voz [entre eles estão Fernando de Sousa (Nemo) e Da Cunha Dias]. É reeleito Gão-Mestre em Dezembro de 1931. A 21 Março de 1931, Norton de Matos "divulga uma mensagem à Grande Dieta", onde é feita "aceradas criticas" ao discurso de Oliveira Salazar de 30 de Julho de 1930 e à constituição da futura União Nacional. Em 1935, face à publicação da Lei nº1901 [de 19 de Janeiro] sobre as "Sociedades Secretas"

[projecto do deputado José Cabral e a qual Fernando Pessoa responde em artigo publicado no Diário de Lisboa de 4 de Fevereiro de 1935 (um segundo artigo foi “cortado pela censura”), no que resultou uma notável polémica em que intervieram Alfredo Pimenta, Fernando de Sousa ("Nemo"), Artur Bivar (“Malho”), Thomaz Ribeiro Colaço (no Fradique, de que falaremos oportunamente), Manuel Maia Pinto, Rolão Preto (ainda no Fradique, com uma curiosa posição, a de não “atacar” Fernando Pessoa). Vidé ob. cit e, ainda, sobre a acção de Norton de Matos e a polémica havida, “A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo”, de A. H. de Oliveira Marques, Dom Quixote, 1975]

Norton de Matos faz um protesto-exposição ao Presidente da Assembleia da República [datado de 31 de Janeiro de 1935], José Alberto dos Reis [curiosamente maçon], mas não impede a dissolução do Grémio Lusitano, que foi cedido à Legião Portuguesa. Demite-se, entretanto, de Grão-Mestre, para transmitir os seus poderes ao Grão-Mestre-Adjunto, Oliveira Simões, para que a luta, agora na "clandestinidade", pudesse continuar [ler mais aqui]

[a continuar]

J.M.M.