
Nasceu em Lisboa, a 10 de Janeiro de 1875. Filho de Maurício Paula Vitória dos Santos, "empregado de comércio" e Maria de Assunção Azevedo Machado Santos.
Alista-se na armada (29 de Outubro de 1891), tira o curso de administração naval, tendo sido promovido a capitão-de-mar-e-guerra a 6 de Julho de 1911. Começa por militar ao grupo de "
esquerda monárquica" [dissidência de
José de Alpoim], tendo aderido à causa republicana [dado a sua oposição à
ditadura Franquista]. Contacta, no seguimento dos acontecimentos de 28 de Janeiro de 1908, com a "
Maçonaria Florestal" ou
Carbonária Portuguesa [colabora, portanto, com
Luz de Almeida,
António Maria da Silva,
Cândido dos Reis,
João Chagas, etc.].
Republicano,
mação [
Oliveira Marques -
Dic. Maçonaria Portuguesa, tomoII - diz que foi iniciado na
Loja Montanha, em 1909, com o nome simbólico de
Championnet, tendo atingido o grau 7º do RF, "
passando a coberto em 1914"], membro da
Alta Venda da Carbonária Portuguesa, teve a parte mais "
relevante" [é "
o vencedor da Rotunda"] na organização militar do 5 de Outubro de 1910 e, portanto, no estabelecimento do regime republicano.
Desiludido com o governo saído do 5 de Outubro [
Machado Santos e os seus companheiros tinham escolhido um governo que seria formado, caso a revolução triunfasse, por:
Basílio Teles,
José Castro,
Magalhães Lima,
Ramos da Costa,
Inocêncio Camacho,
Miguel Bombarda,
Cândido dos Reis] e com o rumo dos acontecimentos, com profundas divergências com
Afonso Costa [contra o qual conspirou], torna-se mais tarde apoiante de
Pimenta de Castro. Continua em acções de conspiração [o que o leva, de novo, à prisão], tendo depois colaborado com o governo de
Sidónio Pais (foi nomeado, em 1917, Ministro do Interior]. Afastou-se, posteriormente, do Sidonismo e funda o
Partido da Federação Nacional Portuguesa (ou Republicana ?), sem qualquer expressão politica. São evidentes os conflitos, os "factos inexplicáveis" e os "paradoxos" desta figura emblemática da República, depois de ter sido o seu herói. Muitos, e de diferentes quadrantes políticos, o odiavam e mesmo diversas ligações com antigos carbonários, deixaram de existir. Era, no fundo, como
Rocha Martins afirma: "
um romântico".
Foi assassinado na "
noite sangrenta" de 19 de Outubro de 1921, no Largo do Intendente, pelo bando do famigerado cabo
Abel Olímpio, o "
Dente de Oiro" ["
a soldo dos monárquicos"], e o seu corpo abandonado junto à Morgue de Lisboa [
vide Imprensa da Manhã n.º 107, de Lisboa, 22 de Outubro de 1921]. Nessa mesma noite, e do mesmo modo, foram assassinados dois outros "bons primos" da
Carbonária Portuguesa,
António Granjo e
Carlos da Maia. Tinha chegado ao fim a associação, passe o facto de (ainda)
Luz de Almeida tentar organizar uma outra, denominada "
Serraria" [
ref.ª José Brandão], que não surtiu qualquer efeito.
[
continua]
J.M.M.