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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MACHADO DOS SANTOS: O INTRANSIGENTE DA REPÚBLICA

Vai ser apresentado, na Biblioteca da Assembleia da República, amanhã, 14 de Novembro de 2013, pelas 18 horas, o livro Machado dos Santos: O Intransigente da República, inserido na colecção Parlamento, série Parlamentares da I República.

Esta obra analisa em três perspectivas, de diferentes autores, o papel, a importância e a actividade de Machado dos Santos em prol da causa da República, desde os antecedentes, aos dias conturbados do 5 de Outubro de 1910, ao período da guerra, a luta que desenvolveu através do seu jornal O Intransigente, durante vários anos para consolidar o regime que tinha ajudado a implantar.

Colaboraram nesta obra: Armando Malheiro da Silva, Carlos Cordeiro e Luis Filipe Torgal (clicar nos links para aceder às notas curriculares dos autores).

Vai apresentar a obra o Professor Doutor Luís Reis Torgal.

Uma obra de grande interesse para se conhecer melhor o homem, o político e as ideias que marcaram o seu pensamento.

A.A.B.M.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

CORRIDA DE JORNAIS


CORRIDA DE JORNAIS: desenho de Silva e Souza, inO Zé”.

Com Machado Santos [Intransigente], Cruz Moreira [Os Ridículos], António José de Almeida [República], Brito Camacho [A Luta] e Afonso Costa [O Mundo].


J.M.M.  

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A NOITE SANGRENTA – 19 DE OUTUBRO DE 1921



"Depois veio a noite infame [19 de Outubro de 1921], onde, além dos actores visíveis, dos marinheiros e dos soldados, dos bonifrates que actuaram entre gritos de loucura, entrou outro actor tremendo, do qual não pudemos mais desviar os olhos – e que não devia fazer parte da peça. De tarde, aquele desgraçado [António Granjo] via os homens porem-lhe cerco como a um bicho e o seu suor era já de agonia. Via-os aproximarem-se – ouvia-os falar na escada do prédio onde se refugiara

[António Granjo residia na Rua João Crisóstomo e a sua casa confinava, pelas traseiras, com a morada de Cunha Leal, na Av. Miguel Bombarda, para onde Granjo procurou abrigo, avisado do perigo que corria por um vizinho e seu Irmão da maçonaria, Bernardino Simões, comerciante – consultar, Rocha Martins, “Vermelhos, Brancos e Azuis”, vol.2].

Veio depois a noite e eu tenho a impressão nítida de que a mesma figura de ódio – o mesmo fantasma para o qual todos concorremos – passou nas ruas e apagou todos os candeeiros. Os seres medíocres desapareceram na treva - os bonifrates desapareceram: só ficaram bonecos monstruosos, com aspectos imprevistos de loucura e de sonho, que na camioneta fantasma [nome como foi conhecida a camioneta, que transportava os assassinos (10?) que levaram a cabo os crimes perpetuados nesse dia. Entre eles estavam, Benjamim Pereira, Manuel José Carlos e Abel Olímpio (o Dente de Ouro). Pelo que é referido por Berta Maia, viúva de Carlos da Maia (um dos assassinados) a camioneta foi fornecida pelo tenente Mergulhão] procuravam as suas vítimas. Noite de chumbo. No quarto andar da Rua da Madalena, a sombra esmagava-me o coração, reduzindo-o a cisco. Na taberna em frente a mesma música reles de todas as noites não cessava de tocar num realejo a que um galego dava corda ... E a noite prolonga-se, sórdida e satânica.

A essa hora o desgraçado consumia a sua agonia no Arsenal, entre rugidos das bestas desencadeadas. – Sangrem-no como a um porco!

Outro [Carlos da Maia] é arrancado dos braços da mulher, que grita inutilmente, cheia de dor, pedindo piedade para o marido e o filho que tem nos braços. E a camioneta, onde os bonecos se agitam, percorre as ruas negras, alucinante e trágica. – Almirante [Machado dos Santos], é a sua hora: vai ser fuzilado! – E a voz daquele ingénuo, que quis ser político, jornalista e revolucionário e vai ser, de encontro a uma parede, um farrapo humano a escorrer sangue por todas as feridas, responde: Veja – diz ele para o bandido que lhe fala – que as minhas pulsações não aumentaram. (...)

Se todos nos quiséssemos ouvir, encontraríamos, talvez, dentro da nossa alma, a explicação da noite infame e compreenderíamos por que ela foi possível. Ódio, terror e o desconhecido. Andaram também metidos nisso políticos e, ao que se diz, até um padre

[referência, presume-se, ao Padre Lima (natural de Estivares ou melhor, Estevais da Vilariça ), e que juntamente com Fernando de Sousa, ambos do jornal A Voz, mais o tenente Mergulhão, Gastão de Matos, Luiz Moutinho de Carvalho, Carlos Pereira e o Conde de Tarouca, foram considerados, na época, como os principais mandantes dos assassinatos em cadeia – vidé, Berta Maia, As Minhas Entrevistas com Abel Olímpio ‘O Dente de Ouro’, Lisboa, 1929]

– nas ruas são as personagens insignificantes que entram em todas as tragédias. Quem os mandou matar? – porque estas coisas nunca são espontâneas. (...)

Raul Proença, in Memórias, vol. III

J.M.M.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

MACHADO SANTOS



"Depois da proclamação da Republica, os heroes e os organizadores da revolução cahiram sobre o Paiz como nuvem de gafanhotos. O Governo Provisório tomou-os a sério e os verdadeiros foram postos de banda.

Seria caso virgem na historia não succeder assim.
"

[Machado Santos, in A Revolução Portugueza. Relatório de ..., Lisboa, Papelaria e Tipographia Liberty de Lamas & Franlin, 1911 [aliás, Lisboa, Arquimedes Livros, 2007]

J.M.M.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

ANTÓNIO MARIA MACHADO SANTOS - II PARTE


Obras: Os Barbadães (?) [refª de Inocêncio F. Silva] / Projecto de Estatuto Nacional. Para servir de elemento de estudo da futura organisação politica a promulgar, Tip Liberty, s.d. / A Revolução Portuguesa:1907-1910, Lisboa, Tip. Liberty, 1911 / A Ordem Pública e o 14 de Maio, Lisboa, Tip. Liberty, 1916

Colabora nos seguintes periódicos: O Radical, dir. Marinha de Campos [por motivo dum artigo, foi processado, depois absolvido, mas tal não impede que o Governo o mandasse para Angola "fazer uma estação de seis meses" / O Intransigente [Lisboa, nº1, 12 Novembro 1910 ao nº 1424, 31 Março 1915. Editor e Adm. Augusto M. Santos, Director, Machado Santos. Teve como colaboradores, João Deus Guimarães, Joaquim Madureira (Braz Burity), Camilo Rodrigues]

Obras a consultar: A Carbonária em Portugal [António Ventura, 1999] / "A Obra Revolucionaria da Propaganda. As Sociedades Secretas" [Luz de Almeida], in História do Regímen Republicano em Portugal, 1932 / Carbonária. O Exército Secreto da República [José Brandão, 1984] / História da República [Editorial Século. 1960] / Machado Santos. A Carbonária e a Revolução de Outubro [textos de Joaquim Madureira et al, com um estudo de João Medina], Lisboa, 1980 / Memórias [Raul Brandão] / Memorias Políticas [José Relvas] / Memórias Sobre Sidónio Pais [Rocha Martins, 1921] / O Meu Depoimento [António Maria da Silva] / Pimenta de Castro [Rocha Martins] / Vermelhos, Brancos e Azuis [Rocha Martins, Vida Mundial, 1948-51]

Foto: credencial carbonária de Cândido dos Reis.

J.M.M.

ANTÓNIO MARIA MACHADO SANTOS: NOTA BREVE


Nasceu em Lisboa, a 10 de Janeiro de 1875. Filho de Maurício Paula Vitória dos Santos, "empregado de comércio" e Maria de Assunção Azevedo Machado Santos.

Alista-se na armada (29 de Outubro de 1891), tira o curso de administração naval, tendo sido promovido a capitão-de-mar-e-guerra a 6 de Julho de 1911. Começa por militar ao grupo de "esquerda monárquica" [dissidência de José de Alpoim], tendo aderido à causa republicana [dado a sua oposição à ditadura Franquista]. Contacta, no seguimento dos acontecimentos de 28 de Janeiro de 1908, com a "Maçonaria Florestal" ou Carbonária Portuguesa [colabora, portanto, com Luz de Almeida, António Maria da Silva, Cândido dos Reis, João Chagas, etc.].

Republicano, mação [Oliveira Marques - Dic. Maçonaria Portuguesa, tomoII - diz que foi iniciado na Loja Montanha, em 1909, com o nome simbólico de Championnet, tendo atingido o grau 7º do RF, "passando a coberto em 1914"], membro da Alta Venda da Carbonária Portuguesa, teve a parte mais "relevante" [é "o vencedor da Rotunda"] na organização militar do 5 de Outubro de 1910 e, portanto, no estabelecimento do regime republicano.

Desiludido com o governo saído do 5 de Outubro [Machado Santos e os seus companheiros tinham escolhido um governo que seria formado, caso a revolução triunfasse, por: Basílio Teles, José Castro, Magalhães Lima, Ramos da Costa, Inocêncio Camacho, Miguel Bombarda, Cândido dos Reis] e com o rumo dos acontecimentos, com profundas divergências com Afonso Costa [contra o qual conspirou], torna-se mais tarde apoiante de Pimenta de Castro. Continua em acções de conspiração [o que o leva, de novo, à prisão], tendo depois colaborado com o governo de Sidónio Pais (foi nomeado, em 1917, Ministro do Interior]. Afastou-se, posteriormente, do Sidonismo e funda o Partido da Federação Nacional Portuguesa (ou Republicana ?), sem qualquer expressão politica. São evidentes os conflitos, os "factos inexplicáveis" e os "paradoxos" desta figura emblemática da República, depois de ter sido o seu herói. Muitos, e de diferentes quadrantes políticos, o odiavam e mesmo diversas ligações com antigos carbonários, deixaram de existir. Era, no fundo, como Rocha Martins afirma: "um romântico".

Foi assassinado na "noite sangrenta" de 19 de Outubro de 1921, no Largo do Intendente, pelo bando do famigerado cabo Abel Olímpio, o "Dente de Oiro" ["a soldo dos monárquicos"], e o seu corpo abandonado junto à Morgue de Lisboa [vide Imprensa da Manhã n.º 107, de Lisboa, 22 de Outubro de 1921]. Nessa mesma noite, e do mesmo modo, foram assassinados dois outros "bons primos" da Carbonária Portuguesa, António Granjo e Carlos da Maia. Tinha chegado ao fim a associação, passe o facto de (ainda) Luz de Almeida tentar organizar uma outra, denominada "Serraria" [ref.ª José Brandão], que não surtiu qualquer efeito.

[continua]

J.M.M.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

ANTÓNIO MARIA MACHADO SANTOS POR ALGUNS CONTEMPORÂNEOS

Ontem, assinalava-se também a data do nascimento de António Maria Machado Santos, (10-10-1875 a 19-10-1921) muitas vezes denominado "O Heroi da Rotunda". Desta vez não nos vamos preocupar em esboçar a biografia de um dos grandes responsáveis pela vitória da revolta republicana de 5 de Outubro de 1910, vamos antes tentar mostrar, com alguns exemplos, como esta figura foi sendo encarada ao longo do tempo.

João Augusto de Fontes Pereira de Mello, A Revolução de 4 de Outubro (Subsídios para a História). A Comissão Militar Revolucionária, Guimarães & Cª Editores, Lisboa, 1912, p. 18-19:

[Magalhães Lima afirmava numa reunião da comissão militar, que teve lugar a 6 de Outubro de 1909, e que tentava preparar a revolta ] - Veja bem que não há um único regimento que venha com o seu comandante!... E não há um chefe militar que ponha e disponha, enfim, que mande! ...Isto é uma perigosíssima aventura, uma loucura que o Machado Santos vai praticar, que certamente nos vai ficar muito cara, pois eu vejo evidente o insucesso!... E com um insucesso quantos anos vamos atrasar a implantação da República?!... Entretanto, o Machado Santos acha que tem muitos elementos, e todos prontos a entrar em acçao. Para ele tudo é côr-de-rosa, tudo facílimo ... é um optimista, tem fogo de mais.


Claudio Pereira, História do 14 de Maio, Imprensa Nacional, Lisboa, s.d., p. 109-110:

Machado Santos que na conjura para a revolução de 4 de Outubro, desempenhou um papel brilhante, importantíssimo, e que no acto revolucionário de então fo de uma heroicidade e patriotismo notáveis, comandando as forças revoltosas na Rotunda da Avenida da Liberdade, inequecível acto aquele que levou à implantação da República em Portugal, esteve também ao lado do governo ditatorial desde a sua formação.
Não queremos aqui discutir o porquê de tal atitude que também foi seguida por António José de Almeida e Manuel de Brito Camacho, chefes de partido, mudando-a porém, este último na véspera de rebentar o movimento de 14 de Maio [Pimenta de Castro]...
Esteve pois, Machado Santos ao lado da ditadura.
Ao rebentar a revolução que a derrubou, o ex-comandante da Rotunda refugiou-se no Quartel do Carmo.
Quer pelo facto ... de se ter refugiado, quer por constar que estava na disposição de, com um bom número de amigos, reagir contra o estado de coisas, por então, quer pela campanha violenta que há muito vinha fazendo a favor da ditadura no Intransigente, Machado Santos foi feito prisioneiro e conduzido para bordo dum navio de guerra.
Pediu então que se tornasse público que ele recomendava aos seus amigos, em nome da consolidação do regime, que reconhecessem o novo governo e o apoiassem para restabelecimento da ordem e da tranquilidade públicas.




António Maria da Silva, O Meu Depoimento. Da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, vol. I, Col. Documentos, República, Lisboa, 1974, p. 179:

[Luz de Almeida] convidou-me [António Maria da Silva] a ingressar na Carbonária com Machado Santos que eu conhecera aquando do 28 de Janeiro e cuja inteligente cooperação, actividade e faculdades de organizador muito admirava. Em seu entender, os nossos esforços poderiam assim congregar-se com manifesta e evidente vantagem. Concordei plenamente, outro tanto aconteceu com Machado Santos. Desse acordo, resultou a nossa iniciação naquele organismo, levada a efeito em Julho de 1908, na Rua do Benformoso, numa fábrica de licores pertencente ao velho carbonário e montanhês [pertencente à Loja maçónica Montanha], Acácio dos Santos, apadrinhados por Luz de Almeida.

José Relvas, Memórias Políticas, vol. I, Terra Livre, Lisboa, 1977, p. 72:

Em Machado Santos concorriam singulares condições para ser um terrível elemento de combate contra a Monarquia e um agente inquietante para os revolucionários. Pouco inteligente, mas sempre movido por fé inquebrantável, inalteravelmente, animado de uma magnífica confiança no êxito da Revolução, todo o seu trabalho convergiu para a coesão dos soldados de marinha, de preferência à acção que prosseguia junto de alguns elementos do exército de Terra. Por vezes foi o portador de verdadeiros ultimatos ao Directório, chegando a pôr em grave risco a preparação revolucionaria com a ameaça da insurreição dos grupos da marinha, resolvidas todas as audácias, apeasr da reduzida força numérica.
Em Julho e Agosto de 1910 estiveram iminentes algumas tentativas dessa natureza, e foi preciso toda a autoridade do Directório e foram necessárias todas as garantias para impedir actos, que seriam de verdadeira loucura. Dotado de dedicação
e de sinceridade inigualáveis, era contudo Machado Santos perigoso; para a Monarquia, porque a sua irreflectida coragem podia feri-la de morte, num lance de audácia e de fortuna, como veio a suceder com a sua permanência na Rotunda, contra todas as indicações estratégicas; era perigoso para a República porque tendia sempre a precipitar a acção revolucionária em termos de lhe fazer correr riscos, porventura irremediáveis.



Fernando Honrado, Os Fuzilados de Outubro de 1921, Acontecimento, Lisboa, 1995, p. 11:

Machado Santos - como é sabido -foi um conspirador apaixonado contra a Monarquia.E também, sem dúvida, um espírito inconformista, sem cedências, em relação à República que idealizou e aquela que se tornou realidade. Um caso de busca intensa para pôr de acordo ideal e real.
Com a implantação da República tornou-se político muito importante no novo regime. E, muito rapidamente, um crítio duro do que considerava desvios ao ideal republicano. Deste modo, um dos políticos que mais foi por ele combatido foi Afonso Costa. Logo em 1913, em Abril, envolveu-se na revolução contra o Governo presidido pelo chefe do Partido Democrático.


A.A.B.M.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

ANTÓNIO MARIA MACHADO SANTOS


10 de Janeiro de 1875 - Nasce em Lisboa, António Maria Machado Santos [1875-1921]

Foto: António Maria da Silva (à esquerda), Luz de Almeida (ao centro) e Machado Santos (à direita). Faziam todos parte da Alta Venda da Carbonária Portuguesa. Luz de Almeida era o Grão-Mestre e os outros eram os adjuntos [in História da República, Editorial Século, 1960]

J.M.M.