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domingo, 11 de novembro de 2018

[A ACADEMIA DE SCIENCIAS DE PORTUGAL] – ÀS ACADEMIAS E UNIVERSIDADES DAS NAÇÕES CIVILIZADAS, A PROPÓSITO DO MANIFESTO DOS INTELECTUAIS ALEMÃES, 1914

 
 
 
[A Academia de Sciencias de Portugal] Às Academias e Universidades das nações civilisadas, a proposito do manifesto dos intelectuais alemães | Aux Académies et aux universités des nations civilisées, à propos du manifeste des intellectuels allemands, Lisboa, Academia das Ciências, 1914
 
NOTA: Trata-se da resposta da Academia das Ciências de Lisboa ao “Manifesto dos 93”, publicado a 4 de Outubro de 1914 por 93 proeminentes cientistas, prêmios Nobel (assinaram 7 deles; expl. Max Planck), professores, economistas, juristas, biólogos [Ernst Haeckel], arquitetos [Ludwig Hoffmann], teólogos, escritores [Ludwig Fulda foi quem escreveu o manifesto], poetas e artistas alemães, que declaravam o seu inequívoco apoio à acção e guerra alemã. Seguiram-se, nesta campanha de propaganda alemã, outros manifestos assinados por um vasto grupo de docentes universitários. Curiosamente Albert Einstein, não só recusou a assinatura do “Manifesto dos 93” como deu o seu acordo ao manifesto pacifista que saiu depois na Europa.   
J.M.M.
 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

EM NOME DA HISTÓRIA


COMUNICADO DA REDE DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA SOBRE A ACTUAL POLÍTICA CIENTÍFICA.

Aberto à subscrição de todos os investigadores através da indicação do nome para o endereço de mail:
rhcemnomeadahistoria@gmail.com
A Rede de História Contemporânea tem acompanhado com crescente preocupação as orientações que têm presidido e condicionado a política científica nacional. 

Em Março de 2013 a RHC manifestou a sua apreensão a propósito do que se perspectivava relativamente ao financiamento das unidades de investigação, alertando, entre outras aspectos, para os riscos inerentes ao modelo subjacente à proposta apresentada pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, apontando, desde logo, a valorização do “imediato” em detrimento de impactos dificilmente “mensuráveis” onde a dimensão reflexiva e problematizadora das ciências sociais e humanas surgia com pouca, ou nenhuma, importância. Acrescentava-se o receio de que o novo modelo imposto para a ciência em Portugal, para além dos aspectos negativos para o conjunto do sistema nacional em todos os domínios científicos, assentasse no pressuposto grave e comprovadamente errado da dispensabilidade das Ciências Sociais e Humanas. 

A sucessão de acontecimentos que ocupou o ano de 2013 não só comprova o pior dos receios como ainda ultrapassa negativamente as expectativas mais pessimistas. 

A comunidade científica nacional, as unidades de investigação, os investigadores em geral, pela sua actividade e produção científica, conquistaram um notável e inquestionável reconhecimento nacional e internacional nos últimos anos que importaria preservar e estimular. Acresce a essa afirmação os inegáveis caminhos percorridos e as expectativas reais que se geraram no sentido de alcançar uma investigação cada vez mais dinâmica e competitiva e crescentemente assente em fontes de financiamento cada vez mais diversificadas e não provenientes da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

As orientações que têm presidido à política científica nacional, a progressiva e gritante demissão e desresponsabilização do Estado perante o sistema científico, que não se esgota na gravíssima diminuição de recursos financeiros, a forma como se têm aplicado os seus instrumentos, nomeadamente através da FCT e dos concursos que tem promovido, compromete não só a continuidade como, na realidade, a sobrevivência do próprio sistema.

O estrangulamento financeiro que tem condicionado a actividade das universidades em combinação com a galopante escassez de meios dedicada às actividades de investigação conduz inexoravelmente à paralisia da investigação científica que se faz em Portugal. Se fôssemos cúmplices desse massacre estaríamos a dar cobertura à visão e à estratégia paralisante perfilhada por este Governo e pela FCT em relação a ramos inteiros da ciência o que significaria um grave retrocesso no que respeita ao sistema científico, com consequências graves e duradouras para o País, envolvendo pesados e imprevisíveis custos sociais e científicos.

Sentimos, neste momento, as dificuldades crescentes que põem em causa a nossa actividade científica; entre tudo, porém, como sua dimensão pior, assistimos à negação do futuro.  A tudo isso se soma e de tudo isso decorrem os resultados dos concursos realizados ao longo de 2013. Concurso de projectos, acessível apenas a uma reduzida fatia da comunidade científica, investigador FCT, bolsas individuais de doutoramento e de pós-doutoramento ... contemplando uma percentagem ridícula das candidaturas. Os resultados dos últimos concursos constituem de facto o golpe mais profundo num sistema que está em perda e ameaça desmoronar-se.

De tudo isto, resulta esta tomada de posição da RHC, de inequívoco repúdio quanto às actuais orientações prosseguidas em matéria de política científica, alcançando uma tal proporção de desinvestimento na investigação que na prática a compromete. Procurando a sensibilização dos poderes públicos, reivindicando a contenção de uma prática que nos retira, a todos nós, parte essencial dos recursos humanos em todos investimos, e que, excluídos do sistema e mesmo do País, comprometem a nossa própria recuperação.

Preocupa-nos ainda a natureza da relação da FCT com as unidades de investigação, na prática reduzida à vertigem descoordenada e avassaladora que tem caracterizado o pedido permanente, redundante e desorganizado de informação em concursos sobrepostos com prazos sucessivamente adiados e refém de um sistema de submissão electrónica que raramente funciona de forma eficaz. Para além da falta de respeito pela comunidade científica revela a necessidade de auto-avaliação.

É patente a contradição dos termos, entre a erosão do apoio às unidades de investigação científica e o exacerbamento de pedidos de informação sobre uma produção científica progressivamente comprometida pela escassez de recursos.
Importa garantir um sistema de avaliação rigoroso e eficaz que sirva a comunidade científica e que constitua um estímulo à produção de conhecimento inovador e reconhecido; se mal orientado, arrisca tornar-se num fim em si mesmo, reduzindo-se a um exercício desgastante, inútil e estéril, em vez de cumprir o seu propósito fundamental ao serviço da ciência e da comunidade.

Assinala-se ainda a perversidade que reveste parcialmente o sistema de avaliação e financiamento das candidaturas a bolsas individuais em dois aspectos: pela penalização indirecta de que são objecto os candidatos mais jovens, cuja formação se fez num sistema de Bolonha relativamente ao qual não têm opção e pela penalização directa que sofrem por não integrar um projecto de investigação num contexto generalizadamente adverso e na sequência de um concurso (projectos exploratórios) que só estando aberto a uma pequena parcela de investigadores teve resultados tão insignificantes.

Refira-se a esse propósito um aspecto que afecta directamente a investigação histórica, e com certeza, outras áreas científicas. A orientação da actual política científica ao condicionar o financiamento individual à integração em programas e projectos de investigação é inadequada como filosofia e prática da investigação histórica. Para além do plano dos princípios e dos efeitos que em matéria de limitação da liberdade de opção e da criatividade suscita, a verdade é que boa parte da investigação histórica não tem que ocorrer em cenário de investigação colectiva e isso em nada diminui o seu interesse social. Conviria portanto, também por isso, um diálogo com a comunidade científica ou no mínimo um olhar mais atento para a diversidade e especificidade das diversas áreas disciplinares a não ser, claro, que se mantenha essa orientação enviesada de privilégio a algumas em particular.

Reconhece-se, sem grande margem para enganos, a mudança de paradigma defendida pela FCT, diminuindo drasticamente o financiamento-base do sistema científico nacional, sobrevém porém, de forma cada vez mais aguda e angustiante, a enorme dúvida e reserva quanto essa estratégia de investigação em que o financiamento institucional deixa de ser uma opção estratégica de investimento público e o desenlace de uma política científica ao serviço da comunidade científica e da sociedade em geral.

24 de Janeiro de 2014
Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH da UNL
Centro de Estudos de História Contemporânea Portuguesa (CEHC), do Instituto Universitário de Lisboa Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência (CEHFCi)
Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), da Universidade Católica Portuguesa
Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), da Universidade de Coimbra
Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM), da Faculdade de Letras da Universidade do Porto Gabinete de História Económica e Social (GHES), do Instituto Superior de Economia Gestão da Universidade Técnica de Lisboa


Maria Fernanda Rollo, IHC
António Matos Ferreira 
António Pedro Pita, CEIS20 
Gaspar Martins Pereira, CITCEM
Magda Pinheiro, CEHC-IUL 
Maria de Fátima Nunes, CEHFCi 
Nuno Valério, GHES
Luís Farinha, IHC 
Ana Paula Pires, IHC
Pedro Oliveira, IHC 
Miriam Halpern Pereira 
Maria Inês Queiroz, IHC

Reproduzimos e divulgamos o comunicado da Rede de História Contemporânea apelando aos investigadores que o subscrevam e que o divulguem, solicitando, em simultâneo, às instâncias superiores que analisem de forma clarividente a situação que foi criada e procurem encontrar soluções.
A.A.B.M.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

“MANIFESTO CONTRA O DESASTROSO ENCERRAMENTO DAS LIVRARIAS DA CIDADE DE LISBOA NO CENTENÁRIO DA LIVRARIA SÁ DA COSTA"


LIVRO: "Manifesto contra o desastroso encerramento das livrarias da Cidade de Lisboa no Centenário da Livraria Sá da Costa, Seguido de Palavras proferidas na inauguração da nova sede da Livraria Sá da Costa Rua Garrett, 100-102 no dia 10 de Junho de 1943";

AUTOR: Livreiros da Sá da Costa [colaboração de Vítor Silva Tavares]

EDITORA: Letra Livre, Julho 2013, 15-XXII p.
 
 
J.M.M.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

“ABRIL NÃO DESARMA” – MANIFESTO DA ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL



"Há 38 anos, os Militares de Abril pegaram em armas para libertar o Povo da ditadura e da opressão e criar condições para a superação da crise que então se vivia.

Fizeram-no na convicta certeza de que assumiam o papel que os Portugueses esperavam de si.

Cumpridos os compromissos assumidos e finda a sua intervenção directa nos assuntos políticos da nação, a esmagadora maioria integrou-se na Associação 25 de Abril, dela fazendo depositária primeira do seu espírito libertador.

Hoje, não abdicando da nossa condição de cidadãos livres, conscientes das obrigações patrióticas que a nossa condição de Militares de Abril nos impõe, sentimos o dever de tomar uma posição cívica e política no quadro da Constituição da República Portuguesa, face à actual crise nacional.

A nossa ética e a moral que muito prezamos, assim no-lo impõem!

Fazemo-lo como cidadãos de corpo inteiro, integrados na associação cívica e cultural que fundámos e que, felizmente, seguiu o seu caminho de integração plena na sociedade portuguesa...
" [CONTINUAR A LER O MANIFESTO]

[Manifesto “Abril Não Desarma” da Associação 25 de Abril – AQUI]

J.M.M.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

MANIFESTO CÍVICO PELA MORALIZAÇÃO DA REPÚBLICA


MANIFESTO CÍVICO PELA MORALIZAÇÃO DA REPÚBLICA, pela Comissão Cívica de Coimbra (Centenário da República), Coimbra, 5 de Outubro de 2010.

"A vida política portuguesa vem dando, nos últimos tempos, sinais inquietantes do alastramento de uma crise cívica e moral grave. Ela necessita, pois, urgentemente, de espaços de reflexão e de intervenção dos cidadãos na polis, para fazer face a essa crise larvar, restituindo-lhes a confiança nas instituições democráticas, abalada por uma suspeição cada vez mais generalizada acerca da sua representatividade e do seu funcionamento …" [in Manifesto ..., p.1]

J.M.M.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

MANIFESTO - HISTORIADORES CONTRA A SUPRESSÃO DO FERIADO DA "IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA" E DO "DIA DA RESTAURAÇÃO"




MANIFESTO DE 40 HISTORIADORES CONTRA A SUPRESSÃO DOS FERIADOS DE 5º DE OUTUBRO E DO 1º DE DEZEMBRO [clicar, no documento acima, em View Fullscreen para ler melhor]

"... Apelamos a que os cidadãos deste país se oponham determinadamente a tal propósito. Atacar os marcos simbólicos da memória e da cidadania é o primeiro passo para ofender os direitos que eles representam e protegem..." [sublinhados nossos]

J.M.M.

sábado, 24 de abril de 2010

PCP - PRIMEIRO MANIFESTO - JULHO DE 1921



"AO PAÍS" - Primeiro Manifesto do Partido Comunista Português, Julho de 1921

"O Partido Comunista Português, ao publicar o seu primeiro manifesto, saúda todos os trabalhadores, intelectuais e manuais, como as únicas forças vivas e produtivas capazes de uma profunda e enérgica reconstrução social da sociedade portuguesa.

O Partido saúda igualmente o Proletariado internacional e bem assim os Partidos Comunistas de todo o mundo - salientando nestas saudações, como preito de homenagem ao seu heróico sacrifício, todos os trabalhadores que hajam sucumbido na luta contra a reacção burguesa-capitalista, ou que jazem nos cárceres lúgubres do capitalismo mundial, mercê da mesam luta ...
" [clicar na foto para ler]

via Torre do Tombo.

domingo, 1 de julho de 2007

MANIFESTO DO CENTRO PROMOTOR DE MELHORAMENTOS DAS CLASSES LABORIOSAS


"... Depois de ouvir o alarido das greves e o estrondo das batalhas, acordou de sobressalto, levantou-se e, estendendo os olhos pelo horizonte, viu ao longe um clarão imenso: eram as chamas ateadas pela Revolução Operária de Paris, nos Paços do Poder momentaneamente derrubado. O operariado já não deve ser como o irracional, a que soltam do trabalho só o tempo necessário para dormir e refazer-se das forças, e a que dão o alimento indispensável somente para não morrer. O operário deve ser um homem com os meios precisos para viver bem; com o tempo suficiente para se instruir e descansar; deve ser um homem no pleno gozo do seu trabalho e no uso perfeito das suas faculdades e dos seus direitos. No mundo social vai, necessariamente, dar-se uma transformação extraordinária, porque não é possível continuar o escândalo absurdo dos trabalhadores morrerem de fome e dos ociosos morrerem de fartura. Quais serão, porém as causas de tamanha calamidade? Nos debates que se deram a respeito do pleito social, o Centro apurou as seguintes causas:

- Opressão, porque só o filho do operário, porque não tem dinheiro para remir-se, serve a Pátria na qualidade de soldado;
- Falta de autoridade, porque o trabalhador não é admitido na administração das coisas públicas;
- Falta de ciência, porque o operário não tem tempo para se instruir, e porque a ciência é monopolizada de modo a que fica só ao alcance dos abastados;
- A má interpretação da propriedade rural, que obriga, aos trabalhadores rurais, a irem para a América a substituir os escravos, ficando inculta a terça parte do País;
- O predomínio, exagerado do dinheiro, que diminui consideravelmente o produto do trabalho individual; e
- A fraqueza individual.

A primeira causa destrói-se pelo serviço militar obrigatório, sem exército permanente; a segunda fazendo derivar a autoridade administrativa do sufrágio universal; a terceira pela liberdade do ensino, sendo o primário gratuito e obrigatório; a quarta não consentindo que alguém seja dono de terrenos incultos, entregando-os estes ao município, obrigando-os a cultivá-los e a empregar os produtos em utilidade pública; a quinta pela troca de serviços e produtos, de sociedade com sociedade, evitando, quanto possível, o uso de numerário (moeda), e a sexta pela associação que produz a força, desenvolve e facilita os recursos ..."

[Manifesto do Centro Promotor de Melhoramentos das Classes Laboriosas, 1872]

J.M.M.