Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Antonio Pina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Manuel Antonio Pina. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

IN MEMORIAM MANUEL ANTÓNIO PINA


IN MEMORIAM MANUEL ANTÓNIO PINA [Sabugal, 1943- Porto, 2012]

Palavras não me faltam, (quem diria o quê)
faltas-me tu poesia cheia de truques
De modo que te amo em prosa, eis o
lugar onde guardarei a vida e a morte[M.A.P, in “Palavras Não"]

A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.


E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.


Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,

fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade” [M.A.P, in “Algo Parecido Com Isto, da Mesma Substância”]


“No quarto ao lado alguém
a noite passada morreu,
provavelmente eu.
Os livros, as flores
da mesa de cabeceira
conhecerão estas últimas coisas
em algum sítio da minha alma?” [M.A.P, in “Cuidados Intensivos”]

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

JUDITH CORTESÃO


Porque é uma figura muito pouco conhecida, porque votada ao esquecimento, num excelente trabalho de Manuel António Pina, recorda-nos o papel de uma lutadora, médica, escritora e oposicionista ao Estado Novo que acabou por falecer há cerca de um ano, em Genebra, com 92 anos.

Diz sobre ela Manuel António Pina:

Conheci-a em 1974, nos improváveis dias do 25 de Abril. Ao longo de madrugadas intermináveis, sonhávamos então o mais excessivo dos sonhos, o da Liberdade. Nós tínhamos 20 ou 30 anos, ela 60. Atordoados, nós acordávamos, esfregando ainda deslumbradamente os olhos, de uma obscura noite sem sonhos; ela transportava consigo algo raro, um passado. E algo luminoso, a que, por não saber que nome tem, chamo fidelidade. Deslumbramento e fidelidade eram tudo o que possuíamos; com tão pouco, tentávamos ensinar a sonhar, na campanha de dinamização cultural do MFA, gente que, como aquela, ciméria, de que fala Plínio, nunca sonhara.

O resto do texto pode ser consultado aqui.

A não perder.

A.A.B.M.