terça-feira, 7 de abril de 2009


JOÃO PAIS PINTO
(conhecido Abade de S. Nicolau – Porto) - PARTE III

No mês de Setembro, após a saída do jornal A República Portuguesa, que provocou grande tumulto e ainda como reacção à assinatura do referido tratado voltamos a encontrar o abade de S. Nicolau envolvido num comício realizado no teatro do Príncipe Real que se realizou no dia 7. Nele discursaram para além de Pais Pinto, José Ventura dos Santos Reis que também se tinha filiado no Partido Republicano após o Ultimato e Ernesto de Vasconcelos que foi impedido de falar pelo Comissário de Polícia presente no teatro. Por essa altura, reconhece Basílio Teles, “tinha-se já por facto averiguado as disposições revolucionárias dos regimentos” tendo a revolta estado quase eminente [Basílio Telles, Do Ultimatum ao 31 de Janeiro (Esboço de História Política), Porto, Basílio Telles Editor, 1905, 333]. Só não terá eclodido nessa altura porque o novo Directório do Partido Republicano enviou uma circular recomendando aos republicanos que se abstivessem de obedecer a homens que eram conhecidos como conspiradores, o que certamente dividiu os ânimos da população. Somente ao chegar a Janeiro de 1891 é que voltam a reunir-se as condições propícias para essa tentativa revolucionária.

Não nos demoraremos na análise dos acontecimentos que são por demais conhecidos, procuraremos sim acompanhar alguns dos passos do padre republicano durante os acontecimentos. Assim, nessa manhã de 31 de Janeiro, segundo uma testemunha dos acontecimentos que os relatava durante o julgamento dos envolvidos na tentativa revolucionária afirmava ter visto entre outras pessoas “Felizardo de Lima, o reverendo abade de S. Nicolau” junto à Câmara Municipal do Porto [João Chagas e ex-Tenente Coelho, História da Revolta do Porto de 31 de Janeiro de 1891 (Depoimentos de Dois Cúmplices), Lisboa, Empreza Democrática de Portugal, 1901, p. 334 quando fazia o seu depoimento o bombeiro municipal, Joaquim Carvalho da Costa]. Porém, segundo João Chagas, “o abade de S. Nicolau, João Pais Pinto (...) apareceu dentro da revolução do Porto nas mesmas circunstâncias em que tantos outros, todavia alheios a ela, se encontraram implicados nela” [João Chagas, Trabalhos Forçados, vol. I, Paris/Lisboa, Livraria Aillaud e Bertrand, 1926, p. 120-121]. Mas o padre é acusado “de ter até certa forma tomado parte nos actos de rebelião de 31 de Janeiro, e acrescenta: de ser um republicano mais ou menos agitador”. Portanto, a figura em que se centra este estudo foi simplesmente envolvido na revolta sem nada saber dos preparativos da revolta. Esta posição é também confirmada por outro dos envolvidos nos acontecimentos, como foi Francisco Manuel Homem Cristo que afirmava convictamente “o abade de S. Nicolau não pertencia à conspiração. Sabia daquilo como toda a gente. O único crime que cometeu foi entrar na Câmara Municipal, como entrou meio mundo (...) Não tomou parte activa nos trabalhos da revolta” [Francisco Manuel Homem Christo, Os Acontecimentos de 31 de Janeiro e a minha prisão, Lisboa, Empreza Editora J. J. Nunes & Cª, 1891, p. 204-205]. No entanto, devido às suas tomadas de posição públicas e ao seu envolvimento com alguns elementos do Partido Republicano acaba por ser preso, segundo se pensa, com base em denúncias feitas por alguém não identificado.

O próprio Pais Pinto, no seu depoimento, refere que “tinha por costume recolher a casa todos os dias, às 7 da tarde, sendo falso que conspirasse na sombra contra as instituições vigentes” [Jorge de Abreu, A Revolução Portuguesa - O 31 de Janeiro (Porto 1891), Lisboa, Casa Alfredo David, 1912, p. 154] . Além disso a sua entrevista ao jornal A Palavra, de 20 de Fevereiro de 1891, o próprio esclarece como se desenrolaram os acontecimentos em que esteve envolvido [ O Abbade de S. Nicolau e o Bispo de Coimbra (Um incidente da sublevação do Porto), Porto, Typ. da Empreza Litterária e Typográphica, 1891, p. 16 e 17]. Esta circunstância permite concluir que certamente o padre não terá tido nenhum envolvimento na preparação e desencadear dos acontecimentos do Porto. Reconhecia, no entanto, ter tido conhecimento na véspera de que se ia desencadear uma revolta no Porto, mas necessitava sair de casa para realizar os serviços religiosos. Ouviu falar na concentração de tropas e dirigiu-se para a “praça de D. Pedro”, aí foi aclamado pelos populares e entrou no edifício da Câmara, mas a desorganização era grande acabou por se afastar do local.

A sua prisão ocorreu a 1 de Fevereiro, juntamente com as de “Azevedo e Albuquerque, indigitado membro do governo provisório proclamado pelo dr. Alves da Veiga na casa da Câmara; o dr. Paes Pinto, abade de S. Nicolau; o dr. Aureliano Cirne, redactor da República; Miguel Verdial, actor da companhia Alves Rente; Dionízio Ferreira dos Santos Silva, industrial; Santos Cardoso, como aliciador e promotor de toda aquela empresa; e Felizardo de Lima” [Heliodoro Salgado, A Insurreição de Janeiro (História, Filiação, Causas e Justificação do Movimento Revolucionário do Porto), Porto, Typ. da Empreza Litterária e Typográphica, 1894, p. 131]. Todas estas prisões provocaram reacções emotivas entre os defensores do ideal republicano que os proclamam heróis, promovem manifestações de apoio.

Durante o período de prisão até ao julgamento, Pais Pinto, convive de perto com João Chagas, que o descreve em pormenor, não só em termos físicos, mas também psicológicos. Seguindo essas informações podemos notar como a população protestava pelo tratamento que era dado aos prisioneiros, que tudo indica era semelhante ao dos prisioneiros de guerra. Os desfiles públicos com os prisioneiros rodeados de soldados a pé e a cavalo com as suas baionetas revelam de certo o propósito de impedir novas tentativas idênticas aquela. Para João Chagas, o padre que ele descrevia assim: “era novo; não teria mais de trinta e dois anos ao tempo, muito alegre, muito expansivo e excepcionalmente inteligente. Vivia no entanto uma vida de uma grande pureza , sem instintos, sem apetites e sem vícios” [João Chagas, Trabalhos Forçados, vol. I, Paris/Lisboa, Livraria Aillaud e Bertrand, 1926, p. 121]. Também Homem Cristo que conviveu com Pais Pinto durante esse período descrevia o padre como “crente, e ingénuo algum tanto” e “um cavalheiro, um homem de bem, um carácter cheio de paciência pela injustiça com que o tratavam e anelando a toda a hora a felicidade da sua pátria” [Francisco Manuel Homem Christo, Os Acontecimentos de 31 de Janeiro e a minha prisão, Lisboa, Empreza Editora J. J. Nunes & Cª, 1891, p. 225]. A acreditarmos nestes dados, Pais Pinto era admirado entre os seus pares republicanos pelo seu espírito tranquilo, pela sua inteligência, pelo seu carácter bondoso, pelo desejo de bem para a pátria, pela cultura e discrição.

Esteve detido na cadeia do Aljube até final do mês de Fevereiro. Depois os prisioneiros foram instalados em barcos como o Moçambique, o Índia e o Bartolomeu Dias onde se mantiveram até ao inicio dos respectivos julgamentos. Porém, esta situação não os impediu de reclamar melhores condições para os da sua condição, pois conseguem produzir um protesto que foi publicado na imprensa republicana. Assim, aqueles que se encontravam prisioneiros a bordo do vapor Moçambique protestavam contra os vexames que os oficiais militares e os presos civis eram sujeitos ao serem “conduzidos como salteadores, em carros celulares desde a Relação até Massarelos, e a pé, no meio de uma escolta, desde a Foz até Matosinhos, depois de terem corrido graves riscos na barra do Porto a bordo do vapor chamado D. Luís”. Além disso, chamavam também a atenção para o facto de “nos exigirem a cada um uma quantia suficiente para um tratamento regular”. Era uma situação insustentável e penosa. E, seria ainda mais complicada, para quem a viveu sabendo que estava inocente das suspeitas de que o acusavam.

A sua principal preocupação, durante o tempo em que esteve preso, foi com a sua mãe e os irmãos. Porque ela tinha alguns problemas de saúde que se teriam agravado após a morte de um seu irmão, também padre, pouco tempo antes. Além do mais como ele próprio afirmava ao jornal A Palavra: “A minha consciência está tranquila. Parece-me desnecessário dizer-lhe que não tenho culpabilidade alguma nos factos do dia 31” o que revela algum sentimento de tranquilidade e inocência, confiando na justiça [O Abbade de S. Nicolau e o Bispo de Coimbra (Um incidente da sublevação do Porto), Porto, Typ. da Empreza Litterária e Typográphica, 1891, p. 16].

No final do julgamento, enquanto quase todos foram condenados a fortes penas de cadeia ou degredo, como já se esperava. Por seu lado, Pais Pinto, foi julgado no 1º conselho de guerra da 3ª divisão militar e foi absolvido “por unanimidade de votos em sentença proferida no dia 23 de Março”.

[Em continuação]

A.A.B.M.


JOÃO PAIS PINTO
(conhecido Abade de S. Nicolau – Porto) - PARTE II

Pais Pinto era conhecido pelos seus colegas de curso como o “Casal Juzão”, já que era a sua terra natal, alcunha que era normal nesta época entre os estudantes da Lusa Atenas. Apesar de ser uma “alcunha extravagante” ele sempre a aceitou como boa pessoa que era, “sempre com o mesmo e inalterável sorriso, correcto, mas franco e sincero” [ Luíz Osório, “O Abbade de S. Nicolau João Paes Pinto”, O Abbade de S. Nicolau e o Bispo de Coimbra (Um Incidente da Sublevação do Porto), Porto, Typographia da Empreza Litterária e Typográphica, 1891, p. 10], convivia naturalmente com os seus colegas e procurando ser amigo de todos, por isso “não se podia dizer mal de ninguém”. Segundo, a análise deste colega de Pais Pinto, em termos religiosos ele era visto como “excessivamente religioso, talvez um místico; mas um místico sereno, que se não exaltava nunca” [Idem, Ibidem, p.11].

Vivia numa modesta habitação, para os lados de Santa Clara, onde usufruía de um ambiente calmo e sereno para se dedicar a contemplação. Aí viveu até terminar a sua licenciatura e ninguém podia prever que ele se viesse a tornar tão conhecido nas lides da vida política. Segundo os livros de matrículas consegue o grau de bacharel em 15 de Junho de 1882 e a 3 de Julho de 1883 termina a sua formatura em Direito [ AUC- Livro de Matrículas da Universidade de Coimbra, Livro 101 (1878-1879), fl. 35, nº 39].

Nomeado pelo arcebispo de Évora para professor e director espiritual do seu seminário, vai para esta cidade onde se instala até 1887. Deste período só foi possível encontrar um testemunho deixado pelo também padre M. Martins Capela no jornal A Ordem, de Coimbra, que terá convivido com João Pais Pinto no Colégio da Formiga onde terá trabalhado como professor durante dois anos [M. Martins Capela, “Abbade João Paes Pinto” in O Abbade de S. Nicolau e o Bispo de Coimbra (Um Incidente da Sublevação do Porto), Porto, Typographia da Empreza Litterária e Typográphica, 1891, p. 25] .Aí foi convidado pelo arcebispo para ensinar no seminário de Évora. Finalmente segue-se o Porto como abade de S. Nicolau.

Quando Pais Pinto chega ao Porto envolve-se mais activamente na sua actividade de auxílio aos seus paroquianos e logo no primeiro semestre desse ano participa activamente na organização e preparação do Congresso Católico da Província Eclesiástica Metropolitana de Braga.

Este congresso realizou-se nos dias 26, 27 e 28 de Abril e debateram os seguintes temas: “1º Meios de combater a propaganda protestante; 2º Modo de manifestar a mais completa adesão ao Pontificado Romano e às justíssimas reclamações da Santa Sé para se garantir a liberdade e independência do Chefe supremo visível da Igreja; 3º Maneira de alargar os socorros domiciliários aos indigentes por meio das Conferências de S. Vicente de Paulo; 4º Estabelecimento de asilos para homens e mulheres no derradeiro quartel da vida e na extrema pobreza, sob a direcção caridosa das Irmãnzinhas dos Pobres”. Da comissão organizadora surgia logo em primeiro lugar o “Dr. Pe. João Paes Pinto - Conde de Samodães - José Joaquim Guimarães Pestana da Silva - Monsenhor António Joaquim d’Azevedo e Couto - Monsenhor António José de Mesquita - Monsenhor António José Rodrigues Pereira - Dr. Manuel Carvalho d’Araújo Lima - Padre Sebastião Leite de Vasconcelos - Duarte Huet de Bacelar - Vasco de Macedo - Manuel Frutuoso da Fonseca - João Francisco de Morais” [Anónimo, “Congresso Católico do Porto - Convite”, Instituições Christãs, Coimbra, nº 8, Ano VII, 20-04-1889, 1ª Série, p. 250]

Assim, em Abril de 1889, o seu nome surge como primeiro signatário do convite para participar no congresso que se realizou na cidade do Porto. Neste Congresso, os participantes foram muito inspirados pela doutrina social da Igreja e “produziram relatos e conclusões sobre a promoção da catequese, a difusão das associações de Jesus, Maria, José, a criação de uma editora, o apoio às S. V. P. e às Irmãzinhas dos Pobres, a construção de casas para famílias sem recursos, e a lealdade ao Papa”


Com a eclosão do Ultimato Inglês, em 11 de Janeiro de 1890, padre Pais Pinto também se envolveu na questão ao falar perante a população neste mesmo comício. Segundo Nuno Severiano Teixeira teria sido “das que mais seriamente contribuíram para o movimento patriótico” [Cf. ainda António Álvaro Dória, “Movimentos Políticos do Porto no século XIX”, Boletim Cultural da Câmara Municipal do Porto, vol. XXVI, Porto, Mar./Jun. 1963, p. 150 a 312], pois surge nas suas fileiras com personalidades como Antero de Quental, Basílio Teles, Sampaio Bruno, D. Américo (Bispo do Porto), Conde de Samodães, José Joaquim Rodrigues de Freitas, Adriano Antero de Sousa Pinto, Alexandre Braga, Ricardo d’ Almeida Jorge, Augusto Manuel Alves da Veiga e também o abade de S. Nicolau, João Pais Pinto.

Porque razão decide ele intervir publicamente e dar a conhecer a aproximação aos ideais republicanos? Esta será uma resposta que ele próprio dará anos mais tarde ao afirmar num artigo “faz hoje 17-01-1909 precisamente 19 anos que eu, (...) me apresentei numa assembleia pública para aderir aos protestos veementes da alma nacional contra o ultimatum de 11 de Janeiro de 1890, que lancinava o coração dos filhos da pátria” [João Paes Pinto, “Carta ao padre Manuel Ribeiro da Silva”, O Futuro, Olhão, 07-02-1909, Ano XVII, nº 833, p. 1, col. 2.], sendo a partir daqui que ele gradualmente se começará a aproximar dos ideais republicanos, pois este período foi bastante favorável ao desenvolvimento destes ideais. Até porque, por detrás de alguns deste movimentos cívicos, estão algumas grandes figuras do partido republicano que conseguem ganhar bastante notoriedade.

O comício onde vamos encontrar a figura do padre Pais Pinto tinha sido promovido pelos académicos, e, segundo os relatos, estava muito concorrido. A presidir à sessão estava o dr. Oliveira Monteiro e nela discursaram o presidente, o dr. Luís de Magalhães, o padre João Pais Pinto, Vítor Verdial entre outros. Daquilo que João Pais Pinto terá falado não temos muitos elementos, mas um aspecto marcou o seu discurso quando ele referiu que estava pronto a ir derramar o seu sangue como missionário português. São palavras fortes, mas vivia-se um período de fortes emoções nacionalistas, e possivelmente, essa emoção fazia-se sentir de forma mais ou menos marcada por toda a gente.

A escolha de Antero de Quental para dirigir a Liga foi tomada a 1 de Fevereiro, no Porto, facto que suscitou grande entusiasmo entre os seus elementos. Uma semana mais tarde, Antero toma o seu lugar na presidência da Liga e durante as várias reuniões feitas ao longo do mês de Fevereiro de 1890 encontramos quase sempre referência à presença do abade Pais Pinto. Será aquando da apresentação do discurso feito por Antero em 7 de Março desse ano, em que apresenta um quadro da situação e procura estabelecer uma linha orientadora para aquela instituição que começam a levantar-se grandes polémicas. Assim, Antero defendia nesse documento a remodelação da vida nacional, porque era necessário corrigir “os erros profundos e numerosos, acumulados durante muitos anos de imprevidência, de egoísmo, de maus governos e de corrompidos costumes públicos”. Para agravar ainda mais esta situação o autor notava “um verdadeiro divórcio” que se tinha estabelecido entre os governantes e a nação, mas isso não seria resolvido com com uma revolução, mas a função da Liga seria procurar “restabelecer a natural harmonia entre o pensamento nacional e o seu órgão, o Estado”, para tal era necessário proceder à “moralização dos poderes públicos”.

Devido a estas ideias a Liga foi compartimentada por comissões que se encarregariam de estudar os diversos problemas e de tentar encontrar soluções. Havia então a comissão Executiva, de Propaganda, de Fomento Económico, Colonial, de Ensino, de Subscrição Nacional e de Defesa Militar. Vamos encontrar a figura do abade de S. Nicolau entre os vogais da comissão organizadora e instaladora da Liga Patriótica do Norte e posteriormente foi eleito para secretário do directório juntamente com Bento Carqueja. Porém a Liga acabou por não ser mais do que um sonho de alguns bem intencionados que não conseguiram envolver o apoio popular, não tinham suporte económico, tornando-se “apenas uma reacção apaixonada, febril à questão do Ultimatum” [José Luís Vaz e Gala, “A Liga Patriótica do Norte e a sua repercussão em Lisboa (Propósitos e fontes de um trabalho), separata do Boletim da Biblioteca Pública Municipal de Matosinhos, nº 32, Matosinhos, Câmara Municipal de Matosinhos, 1988, p. 8], que vai terminar de forma triste logo a 29 de Abril de 1890. Especialmente após “as providências draconianas tomadas pelo Governo no dia 7” levando Antero a retirar-se da vida pública bastante desiludido e amargurado, o que terá também contribuído para o seu suicídio pouco tempo depois.
Quanto a Pais Pinto, como a Liga se foi desfazendo, e como as ideias republicanas pareciam ser as melhores, iam ganhando adeptos, ele acaba meses mais tarde por aderir também ao Partido Republicano.

Terá sido após a assinatura em segredo do Tratado de 20 de Agosto de 1890, em Londres, entre Barjona de Freitas e Lord Salisbury que provoca novamente uma onde de manifestações antibritânicas, que Pais Pinto decide aderir ao movimento republicano. Este começa a editar no Porto mais um jornal, A República Portuguesa, logo no inicio do mês de Setembro, onde Pais Pinto também terá escrito alguns artigos só que não deviam estar assinados, já que ele confessou esse facto durante o julgamento a que foi submetido após o seu envolvimento na revolta de 31 de Janeiro.

[Nota: A imagem foi recolhida no Almanak do Mundo para 1908, Tip. do Jornal O Mundo, Lisboa, 1907, p. 226. Clique na imagem para aumentar]

[Em continuação]

A.A.B.M.

JOÃO PAIS PINTO(conhecido Abade de S. Nicolau – Porto) - PARTE I

Deixamos aqui algumas notas biográficas sobre uma figura que conseguiu algum relevo dentro do Partido Republicano, em particular por conseguir conciliar algo que era muito difícil na época, a religião católica e o pensamento positivista dos republicanos.
Estas notas foram recolhidas há já alguns anos, resultam de um trabalho de pesquisa que nunca foi publicado. Aqui apresentamos um resumo dos dados biográficos recolhidos com base no referido texto.

Os primeiros elementos contraditórios surgem quanto ao seu local de nascimento. Para uns foi Silgueiros [Portugal: Dicionário Histórico, Corográfico, Biográfico, Bibliográfico, Heráldico, Numismático e Artístico, (dir.de Esteves Pereira; Guilherme Rodrigues), vol. V, Lisboa, João Romano Torres & Cª Editores, 1911, p. 369.], para outros foi em Cabanas de Viriato [ Luís Derouet, J. Ramos , Album Republicano, Vol. I, Lisboa, 1907-1910], sendo o primeiro que nos parece mais provável, sobretudo por aquilo que nos é transmitido pela certidão de idade emitida na época.

Nasceu a 1 de Janeiro de 1855 no lugar de Casal Juzão, na freguesia de Cabanas de Viriato que era uma das freguesias do concelho de Carregal do Sal, mas terá sido naturalizado em Silgueiros.
O nome do pai era José Maria Pinto e a mãe Maria Delfina, residentes em Casal Juzão. Recebeu o baptismo na freguesia de Silgueiros a 10 de Janeiro do mesmo ano e foram seus padrinhos António Dias de Figueiredo natural e morador em Casal Juzão, e Maria Cândida, casada e moradora em Silvares [ AUC - Livro de Certidões de Idade (1834-1900), Vol. LXII, (org. de João Narciso e João Xavier), fl. 24]. Em Viseu terá iniciado os seus estudos no Seminário e tido como seu professor o famoso bispo e político de Viseu D. António Alves Martins.

Mais tarde João Pais Pinto desloca-se para Coimbra onde frequentará primeiro a Faculdade de Teologia [ Esta informação foi recolhida na obra Portugal: Dicionário Histórico, Corográfico, Biográfico, Bibliográfico, Heráldico, Numismático e Artístico, (dir. de Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues), vol. V, Lisboa, João Romano Torres & Cª Editores, 1911, p. 369. No entanto, a consulta do Livro de Matrículas, na Faculdade de Teologia e no Arquivo da Universidade não faz referência a nenhuma outra matrícula da mesma pessoa noutro curso que não o de Direito de 1878 a 1883] e mais tarde a Faculdade de Direito (1878-1883). Aí vai contactar com personalidades e ideias avançadas para a época, donde vai retirar alguns ensinamentos. Estes vão-lhe permitir mais tarde tomar posições públicas favoráveis ao republicanismo e à democracia, distinguindo também o padre do cidadão.

Em 1877 toma as ordens de presbítero e dois anos depois é-lhe confiada a missão de dirigir espiritualmente o Convento de Santa Clara em Coimbra. Em 1878 [ Cf. Livro de Matrículas da Universidade de Coimbra, Livro 101 (1878-1879), fl. 35, nº 39. Neste é possível determinar quais os exames que tinha obtido aprovação e o que aprendiam os elementos do clero em Portugal. Aprendiam as disciplinas de Português, tradução de Francês, Latim, Latinidade, Filosofia Racional e Moral, Oratória, História, Geografia e Cronologia, Geometria e Introdução à História Natural dos Três Reinos.] matricula-se na Faculdade de Direito. Nessa altura constava no seu acto de matrícula, efectuada em 2 de Outubro de 1878, uma Certidão de Idade e outra dos Exames que tinha efectuado às diferentes disciplinas que compunham o seu estudo.

Inicialmente ele possuía a categoria de capelão adjunto e só obtém a confirmação de capelão efectivo por Despacho de 28 de Janeiro de 1879. Sendo portanto a partir daí que ele se instala no Convento de Santa Clara. Esta circunstância permite-lhe dedicar-se aos estudos e às actividades pastorais. Dirige então algumas associações de beneficência e de auxílio aos pobres, especialmente a Conferência de S. Vicente de Paulo.

A Conferência de S. Vicente de Paulo foi fundada em Coimbra nos finais de 1880, impulsionada pelo Padre Senna Freitas e dirigida por Paes Pinto até 1882. Tinha como sede o antigo convento dos Grilos que pertencia a António de Forjaz. [Cf. Anónimo, “Missa e Sermão”, A Ordem, Coimbra, 14-06-1882, Ano IV, nº 396, p.4, col. 3. Cf. também Anónimo, “Festa de S. Vicente de Paulo”, A Ordem, Coimbra, 07-12-1882, Ano V, nº 420, p. 2, col. 4. Cf. também Pe. Senna Freitas, Ao veio do tempo (Ideias, Homens e Factos), Lisboa, Parceria António Maria Pereira Livraria Editora, 1908, p. 267-282. Curiosamente nunca chega a mencionar o nome de Pais Pinto que era referenciado pela imprensa da época como tendo sido o primeiro presidente da Conferência de S. Vicente de Paulo em Coimbra]. Promove também uma peregrinação de estudantes de Coimbra ao Santuário do Sameiro a 23 e 24 de Agosto de 1882.

A Peregrinação Académica ao Sameiro foi realizada com grande intervenção de Pais Pinto que dos 60 peregrinos que conseguiu arrastar, 30 eram congregados académicos de Maria em Coimbra reunidos por Pais Pinto. Apesar de os peregrinos serem em número relativamente reduzido, teve bastante impacto na população, que, segundo as notícias que A Ordem transmitiu, teria a cerca de 5000 pessoas a esperá-los em Braga. [Cf. Anónimo, “A Peregrinação Académica de Coimbra”, A Ordem, Coimbra, 26-08-1882, Ano, IV, nº 390, p. 3. col. 1]. Tendo durante este período de estudante vivido, primeiro no Bairro de S. José e posteriormente no Convento de Santa Clara.

Entre os seus colegas no curso de Direito figuram nomes Luiz Osório da Cunha Pereira de Castro, Manuel da Silva Gaio, António de Almeida, José Maria Pereira Forjaz de Sampaio, António Joaquim de Castro Feijó, entre muitos outros. Encontram-se aqui alguns nomes que se tornarão conhecidos como poetas, escritores e jornalistas.

[Em continuação]

A.A.B.M.

segunda-feira, 6 de abril de 2009



CONGRESSOS DO PARTIDO REPUBLICANO EM PORTUGAL
Notas para uma cronologia

No ano em que se assinala o centenário do Congresso Republicano de Setúbal, convém recuperar algumas notas sobre a vida conturbada do partido até chegar ali. Foram vários congressos, alguns com episódios muito pouco edificantes, com grandes conflitos entre os principais elementos que compunham o Partido Republicano, em particular durante a década de oitenta do século XIX. As várias correntes que sempre conviveram dentro do partido tomaram posições completamente opostas e assumiram lideranças com opiniões completamente díspares acerca da tomada do poder e sobre a forma de exercer o poder.

Mesmo nos últimos anos da Monarquia Constitucional, quando se assiste ao aparecimento da chamada “geração do Ultimato” ou “geração activa”, encabeçada por Afonso Costa, não foram congressos unanimistas, embora o discurso dominante fosse da unidade do partido em torno de meia dúzia de questões onde o discurso republicano conseguia apresentar alguma abrangência.

No caso do Congresso de Setúbal, entre 23 e 25 de Abril de 1909, assumiu particular relevância porque se sabe que foi durante os dias da sua realização, que se reuniram, secretamente, algumas das principais figuras do partido e se chegou à conclusão que a via revolucionária era a opção para conquistar o poder. Certamente que alguns dirigentes já tinham isso assumido havia algum tempo, mas outros só nessa altura foram convencidos deste facto e Setúbal torna-se determinante porque se organiza uma comissão paralela e com ligações ao Directório, à Maçonaria e à Carbonária para conseguir derrubar a Monarquia Constitucional e implantar a República.

Vejamos então uma cronologia dos congressos:

3 de Abril de 1876 - Eleito o primeiro Directório do Partido Republicano.

3 de Fevereiro 1879 - É eleita uma nova direcção do Partido Republicano que passa a compor-se de Oliveira Marreca, Latino Coelho, Sousa Brandão, Bernardino Pinheiro e Eduardo Maia.

18 - 21 de Junho de 1883 – Congresso do Partido Republicano em Lisboa, nas salas do Clube Henriques Nogueira, onde se tentou unir as várias facções do Partido Republicano: federalistas, unitários e patriarcas. Este será considerado o primeiro congresso do Partido Republicano.

28 - 31 de Julho de 1887 – Congresso do Partido Republicano em Lisboa.

18 - 22 de Dezembro de 1887 - Congresso do partido republicano no Porto (Congresso Extraordinário).

5 a 7 de Janeiro de 1891 - É inaugurado, no Associação Escolar Fernandes Tomás, em Lisboa, o congresso do Partido Republicano Português, o qual terminaria dois dias depois, com a aprovação do programa do partido.

2 de Março de 1895 - Sexto Congresso do Partido Republicano, em Lisboa. A polícia impede a reunião.

5 de Setembro de 1897 – VII Congresso do Partido Republicano em Coimbra.

18 - 19 de Novembro de 1899 - VIII Congresso do Partido Republicano, em Lisboa.

5 - 6 de Janeiro de 1902 - IX Congresso do Partido Republicano: Realiza-se em Coimbra o 9.º Congresso do Partido Republicano, que aprova uma nova lei orgânica, indicando António José de Almeida, que era médico em S. Tomé, para integrar o Directório.

29 – 30 de Junho 1906 – X Congresso do Partido Republicano, no Porto.

29 – 30 de Abril de 1907 – Congresso do Partido Republicano.

25 Abril de 1908 – Congresso do Partido Republicano em Coimbra.

24 e 25 de Abril de 1909 - Congresso do PRP em Setúbal, com ascensão dos carbonários à direcção e apoio ao programa de derrube da monarquia pela via revolucionária

29 e 30 de Abril de 1910 - Congresso do Partido Republicano no Porto.

[Nota Importante: Comparando diferentes fontes, Almanaques, Cronologias ou Histórias de Portugal verificou-se que existem variadas discrepâncias acerca das datas e locais identificados, agradecem-se melhores esclarecimentos.]

[Em continuação]

A.A.B.M.

sexta-feira, 3 de abril de 2009


BLOG - REPÚBLICA 100 ANOS

A caminho do Centenário da República - retomando o memorial, o património e a revolução da espiritualidade lusa para além da "bruma" - começam a surgir luminosos "objectos e imagens perdidas no tempo", como este Blog, que aqui arrolamos, nos proporciona. O repertório a consultar é diverso e os assuntos versados bem curiosos. Temos "imagens do quotidiano, objectos, fotos, livros e publicações” que ilustram "esse tempo" e que a essa época respeitam.

A seguir e ler, AQUI!

Foto (retirada d'aqui, com a devida vénia): curiosa e rara medalha oficial do Congresso Maçónico Internacional de 1914, que se deveria ter realizado nos dias 4 a 8 de Outubro em Lisboa, mas que foi adiado (e nunca se verificou) dado os acontecimentos políticos que decorriam na Europa [sobre o assunto, consultar, "Para a História da Maçonaria em Portugal. 1913-1935", Vega, 1976]. Diga-se que ocorreu, nesse mesmo ano, o Congresso Maçónico Nacional, realizado entre os dias 19 a 23 de Junho, na cidade do Porto, aliás com propostas e intervenções bem curiosas.

J.M.M.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

PRIMEIRO PROGRAMA DO PARTIDO REPUBLICANO

Este foi o programa apresentado no jornal A Democracia, de Lisboa, dirigido por Feio Terenas, em 1910.


(Clique na imagem para aumentar)

Um documento que fica ao dispor dos interessados.

A.A.B.M.

quarta-feira, 1 de abril de 2009


CHARLES DARWIN NA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS DE LISBOA

Amanhã, pelas 14.30h, na Academia das Ciências, vai realizar-se a penúltima sessão do ciclo de conferências dedicado ao cientista da teoria do evolucionismo. Assim, num painel intitulado Filosofia e Sociologia da Evolução, coordenado pelo académico José Luís Cardoso.

Serão apresentadas os seguintes trabalhos:

- Rui Vilela Mendes: Cooperação, Punição e Governo. Uma visão evolutiva.

- Michel Renaud: O recurso aos conceitos filosóficos de determinação, determinismo e finalidade na evolução filogenética e ontogenética.

- José Luís Cardoso: O Evolucionismo nas Ciências Sociais.

Mais uma actividade para assinalar o bicentenário de Charles Darwin.

Para os interessados consultar a programação completa deste ciclo de conferências AQUI.

A.A.B.M.

PROGRAMA DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

A amizade de JFSR, trouxe ao nosso conhecimento que foi publicado no passado dia 27 de Março, no Diário da República, o Programa das Comemorações do Centenário da República que pode ser consultado AQUI.

Por impossibilidade nossa, devido a afazeres profissionais, só agora nos podemos concentrar nas múltiplas actividades propostas na Resolução do Conselho de Ministros n.º 28/2009. Entre elas salientamos os quinze principais eixos de trabalho:

1 — Exposições do Centenário. — O eixo programático Exposições do Centenário, de importância central no quadro das Comemorações, visa articular a História com as dinâmicas da sociedade contemporânea e projectar desígnios futuros.
Uma das principais iniciativas das Comemorações será a realização de uma grande Exposição do Centenário da República, a ocorrer em Lisboa e no Porto (estando em estudo outros pólos), com o objectivo de celebrar acontecimentos fundamentais da I República e desenvolver, nomeadamente através dos núcleos que a integram, um conjunto significante de temas a tratar de forma mais específica. [...]

2 — República nas Escolas. — Ao longo das Comemorações do Centenário, o tema da República deve ser um tema forte nas escolas, promovendo -se a sua criatividade e
o seu dinamismo, quer no âmbito da disciplina de História, quer em projectos extracurriculares de carácter cultural e recreativo.
[...]

3 — República e Academia. — O Programa do Centenário incluirá um conjunto de iniciativas no espaço do ensino superior, integradas no eixo programático República e Academia, o qual faz apelo ao dinamismo das instituições envolvidas.

4 — República das Letras. — A República das Letras será um eixo programático dedicado ao conhecimento e divulgação das manifestações literárias e jornalísticas do tempo da I República e da sua relação com o republicanismo. [...]

5 — República e Ciência. — O eixo programático República e Ciência, no quadro das Comemorações do Centenário da República, visa promover a compreensão histórica da herança republicana em matéria de projecção de um programa vasto e ambicioso, que colocava no seu cerne o fomento de uma cultura científica; dar a conhecer a história da ciência durante a I República, observada nas suas múltiplas dimensões numa perspectiva metodológica de abordagem integrada, e proporcionar uma percepção da centralidade da ciência no actual paradigma de desenvolvimento das sociedades contemporâneas e dos desafios e das implicações crescentes que suscita nos planos político,ético e socioeconómico. [...]

6 — República e Cidadania. — As grandes mudanças à escala nacional e internacional ocorridas nas últimas décadas constituem desafios ao pensamento e aos regimes republicanos. Novos temas têm sido equacionados pelo republicanismo, como por exemplo, as emigrações e os fenómenos da multiculturalidade, os direitos e a participação das mulheres na vida política, a separação entre público e privado, a regulação dos mercados, a ética de serviço público. [...]

7 — República nos Municípios. — A presença dos municípios portugueses é essencial para as comemorações do Centenário. De facto, a celebração da República não pode ignorar um dos desígnios fundamentais do ideário republicano: o municipalismo, entendido como princípio constitutivo da descentralização administrativa. Por outro lado, a concretização de algumas das dimensões de um programa comemorativo, que se pretende que seja concebido e executado numa relação de proximidade com as populações, implica uma concertação de acções com as autarquias, designadamente com as câmaras municipais. Todos os municípios são convidados a ter os seus próprios programas, da mesma forma que poderão participar nas acções previstas à escala nacional. [...]

8 — República nas Regiões Autónomas. — Os nexos entre República e descentralização e entre República e democratização do Estado, como valores do projecto político republicano, estão reflectidos neste programa comemorativo do Centenário da República,o qual,por essa razão,não poderia deixar de valorizar a autonomia regional. [...]

9 — República e Lusofonia. — O eixo programático República e Lusofonia visa valorizar a relação de Portugal com o mundo lusófono na História da República.[...]

10 — Arte e Espectáculos. — O eixo programático Arte e Espectáculos estrutura a programação cultural das Comemorações do Centenário. Pretende -se criar uma identidade forte das Comemorações e contribuir para divulgar, junto do grande público, os propósitos do Centenário e os valores que se comemoram. [...]

11 — Jogos do Centenário. — O eixo programático Jogos do Centenário compreende várias manifestações de natureza desportiva, lúdica e cultural. Pretende -se sublinhar o desenvolvimento que o desporto conheceu em Portugal com a emergência e evolução da República, celebrar os seus valores mais nobres e estimular a participação nas Comemorações da população em geral e dos jovens em particular. [...]

12 — República nos Media. — O eixo programático República nos Media desenvolve um desafio lançado aos diferentes grupos de comunicação social, e respectivos
profissionais, no sentido de se associarem às Comemorações.
O Centenário da República é,sem dúvida,uma excelente oportunidade para a elaboração de documentários e outros produtos audiovisuais, bem como de roteiros e trabalhos jornalísticos ou de divulgação dedicados à história da I República e do republicanismo
.[...]

13 — Portal Centenário da República. — As Comemorações do Centenário da República terão presença e visibilidade na Internet através de uma estrutura de portal, agregador de todos os conteúdos relacionados com as Comemorações.
Este Portal será dotado de várias aplicações,permitindo o acesso a informação dirigida a diferentes grupos alvo e contendo fluxos de informação distintos(desde simples consumidores de informação até produtores de conteúdos, passando por participantes em comentários e outras relações de interactividade)
.[...]

14 — Edições e outras iniciativas. — O Programa do Centenário prevê o desenvolvimento de um programa editorial em parceria com várias editoras,composto pelos seguintes conjuntos:
Álbuns comemorativos;
Catálogos das principais exposições;
Roteiros republicanos;
Inventários/roteiros de fontes e bibliografia;
Reedição de fontes;
Estudos sobre a história da I República e o republicanismo.
[...]

15 — Cerimónias Comemorativas.—O início oficial das Comemorações do Centenário da República terá lugar com a realização de uma cerimónia a realizar no dia 31 de
Janeiro de 2010.
As principais cerimónias e actividades comemorativas,a realizar em Lisboa,Porto e outras cidades,decorrerão nos dias 3,4 e 5 de Outubro de 2010 e serão objecto de um programa específico,a elaborar mediante articulação entre os diferentes órgãos de soberania e as câmaras municipais envolvidas.
[...]

O programa também pode ser consultado na página institucional da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República AQUI

Sendo um extenso programa, com muitas cambiantes, para tentar agradar a um público vasto, aguardemos então pelas iniciativas em concreto que arrancam em Setúbal no próximo dia 18 de Abril de 2009, para assinalar o centenário do Congresso do Partido Republicano realizado em Setúbal onde se decidiu arrancar para preparação da revolução.

A.A.B.M.

terça-feira, 31 de março de 2009


MIAU! NA HEMEROTECA DIGITAL

"Os tempos vão de reclamação e protesto. Contra os erros sociais reclamam os povos. Contra os erros dos povos reclamam as classes. Contra os erros das classes reclamam os homens. Contra os erros dos homens reclamaremos nós.Miau!(...)

E o que reclamamos nós?
Tudo!
Tudo, menos mais impostos.
Menos mais asneiras.
Menos mais empregos.
Menos mais tentativas de restauração monárquica.
Menos mais revoluções armadas.
E depois, e sempre:
Juízo!
Bom senso!
Moderações de apetite à gamela do Estado!
Respeito pela pele do contribuinte!
E o bacalhau a três vinténs que nos prometeram, pois o prometido é devido!


Miau!"

"Assim se apresentou o Miau! na sua primeira edição, de 21 de Janeiro de 1916. Editado por Mário de Oliveira, contou com importante colaboração artística: Leal da Câmara, Manuel Monterroso, Gálio, A. Basto, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro, Steinlen, Louis Raemaekers, Marco, Bagaria, Sem e Cristiano de Carvalho figuram entre os principais desenhadores e caricaturistas que tornaram o Miau! num dos mais brilhantes jornais humorísticos publicados durante a I República. Graças à generosidade do coleccionador Emílio Ricon Peres o Miau! salta agora para o mundo virtual, aqui, na biblioteca digital de periódicos da CML. Imperdível ..." [via Hemeroteca Digital]

J.M.M.

NENO VASCO

"Acaba de sair a obra de pesquisa histórica, 'Minha Pátria é o Mundo Inteiro' do historiador brasileiro Alexandre Samis sobre o militante anarquista português Neno Vasco (1878-1920), um intelectual que actuou nos meios operários em Portugal e no Brasil com particular importância na imprensa sindicalista da época. Apesar da sua morte prematura destacou-se como um dos mais importantes militantes anarquista da sua época, sendo autor do livro 'A Concepção Anarquista do Sindicalismo'. Neste 90 anos de fundação da CGT e do jornal A Batalha [1919-1934] esta é uma contribuição ao conhecimento da história do anarco-sindicalismo em Portugal" [via Letra Livre]

"Minha Pátria é o Mundo Inteiro. Neno Vasco, o Anarquismo e o Sindicalismo Revolucionário em Dois Mundos", de Alexandre Samis, Lisboa, Letra Livre, 2009

[via Almocreve das Petas]

J.M.M.

sexta-feira, 27 de março de 2009


MÁRIO SACRAMENTO - HOMENAGEM PÚBLICA

Na Biblioteca Municipal de Aveiro, hoje (dia 27, pelas 21,30h)- Sessão Pública de Homenagem a Mário Sacramento, com a participação de AurélioSantos (URAP), Carlos Candal, Jorge Sarabando e Jorge Seabra.

"MÁRIO SACRAMENTO (1920-1969) morreu há 40 anos, sem ver o Portugal livre por que tanto combatera. Médico, escritor, crítico literário, político empenhado e cidadão de corpo inteiro, a morte, pressentida, levou-o cinco anos antes do 25 de Abril, nas vésperas do 2º Congresso da Oposição Democrática, que o homenageou deixando vaga a sua cadeira na mesa da presidência. Em humilde homenagem, deixamos aqui a sua carta-testamento ..."

ler tudo, AQUI

J.M.M.

quinta-feira, 26 de março de 2009


LUÍS ANTÓNIO VERNEY - "VERDADEIRO MÉTODO DE ESTUDAR"

"O verdadeiro espírito patriótico, isto é, o zelo pelos verdadeiros interesses da Pátria e não pelas vantagens quiméricas, não só não se extinguiu em mim como aumentou sempre com o melhor entendimento que adquiri dos despropósitos nacionais e dos modos de corrigi-los ... Quanto ao resto, conheço o mundo como é, como vai, e como caminhará ..." [L. A. Verney]

in SEARA NOVA, Número Comemorativo do Segundo Centenário da Publicação do Verdadeiro Método de Estudar de Luís António Verney, nº 1016-7, 25 de Janeiro de 1947

J.M.M.

segunda-feira, 23 de março de 2009


ERNESTO CABRITA

Com o nome completo de Ernesto Augusto Cabrita e Silva, nasceu em Alvito em 23 de Março de 1856 e morreu em Portimão a 14 de Abril de 1928.

Filho de um conceituado clínico de Cuba, também de origem algarvia, fez o curso dos liceus em Beja onde conheceu e conviveu com Brito Camacho , cursou a Escola Politécnica, onde conviveu com João Penha e outros colaborou numa revista literária, Museu Ilustrado, onde revelou as qualidades de poeta, o que lhe mereceu de João de Deus o incitamento a que continuasse.

Entre 1878 e 1879, publicou na referida revista os seguintes poemas:
- "Luta", 1878-1879, vol. I, p. 15-16;
- "Altiva", 1878-1879, vol. I, p. 46;
- "Letina", 1878-1879, vol. I, p. 84;
- "Casta", 1878-1879, vol. I, p. 197;
- "O Vaso Quebrado", vol. II, 1880, p. 94.

Conseguindo como poeta de influência parnasiana, alguma distinção entre os críticos da época, especialmente Sampaio Bruno, que por ele tinha grande estima, assinando as suas obras poéticas com o pseudónimo de Pedro Escarlate na revista literária Museu Ilustrado. Porém, devido ao pouco tempo disponível para estas actividades intelectuais, e porque seu pai não gostava de poetas e da vida teórica, abandonou a sua via poética.
Dedicou-se com devoção ao curso na Escola Médica de Lisboa, que brilhantemente concluiu. A tese que apresentou para conclusão do curso de Medicina intitulava-se:
- O cansaço : estudo de physiologia : these inaugural, Lisboa, Typographia Nova Minerva, 1880, p. 75[3]

Colaborou ainda na revista O Positivismo, também do Porto, onde participavam ainda um naipe de colaboradores como Adolfo Coelho, Alexandre da Conceição, Amaral Cirne, Arruda Furtado, Augusto Rocha, Basílio Teles, Bettencourt Raposo, Cândido de Pinho, Consiglieri Pedroso, Horácio Esk Ferrari, Júlio de Matos, Emídio Garcia, Teixeira Bastos, Teófilo Braga, e Vasconcelos Abreu.

Nesta revista publicou, entre outros:
- "Biologia - Mais uma prova em favor do transformismo", O Positivismo, Porto, Ano I, nº 5, Junho a Julho de 1879, p. 305-308;

Aderiu publicamente ao grande comício republicano realizado em Lisboa contra as propostas da Fazenda, realizado em 1904, juntamente com outros grandes nomes da política republicana.

Em 1906, foi um dos dinamizadores da reorganização do Partido Republicano no Algarve. Sendo pela sua acção, juntamente com Jacques Pessoa, António Vaz Mascarenhas Júnior, Silvestre Falcão, Francisco Marques da Luz, Joaquim Eugénio Júdice, António Padinha e Zacarias José Guerreiro que se realizou uma importante reunião em Portimão, com representantes de todas as comissões, jornais e núcleos republicanos na região com vista ao desenvolvimento da propaganda do partido na região.

Ocupou durante anos a Presidência da Comissão Municipal Republicana de Portimão, esforçando-se por incutir na população os valores democráticos, combatendo as perseguições pessoais e os prejuizos materiais que muitas vezes aconteciam nas lutas políticas acesas que se seguiram à implantação da República.

Integrou a Comissão Distrital Republicana de Faro antes da implantação da República.

Implantada a República foi convidado para exercer vários cargos de distinção, o que sempre recusou, preferindo levar a vida à cabeceira de doentes a ter de pôr-se em evidência numa política que ele amava mais pelas afinidades do seu espírito culto que pelos benefícios materiais que daí lhe adviriam.

Durante 48 anos exerceu a sua profissão de médico de clínica geral, enfrentando várias dificuldades. Acabou por vir a falecer sem grandes recursos económicos. Devido à doença que o prostrou durante meses num leito extinguiu-se uma vida profissional que exerceu com probidade, com competência e com carinho durante mais de quarenta anos .

[Agradecemos a cedência da imagem acima à Doutora Maria João Duarte]
A.A.B.M.

PANFLETO: "UM GRUPO DE PATRIOTAS" CONTRA A PROIBIÇÃO DA MAÇONARIA (1935)


via EPHEMERA (novo blog-site) de José Pacheco Pereira, com a devida vénia.

NOTA: clicar na imagem, para aumentar

J.M.M.

sexta-feira, 20 de março de 2009


BIBLIOTHECA LUSITANA

"Edição fac-similada, conforme a primeira, publicada em 1741.Verdadeiro monumento da investigação bibliográfica portuguesa, reproduzida da original, sob os cuidados do competentíssimo Prof. Doutor Manuel Lopes de Almeida"

DIOGO BARBOSA MACHADOBIBLIOTHECA LUSITANA. Tomo I (ao Tomo IV). Coimbra. Atlântida Editora. MCMLXV (a MCMLXVII). 4 Vols

in Catálogo do mês de Março de 2009 da IN-LIBRIS (consultar).

OS ROSTOS DA BATALHA -II CURSO LIVRE DE HISTÓRIA MILITAR

Coordenado pelos Profs. Doutores António Ventura e José Varandas, o Centro de História da Universidade de Lisboa organiza o II Curso Livre de História Militar, com o tema: Os Rostos da Batalha.

O curso inicia no próximo dia 25 de Março e vai prolongar-se até 3 de Junho. Serão onze sessões, com diferentes convidados e temas, conforme se pode verificar pelo cartaz acima. As actividades decorrerão às quartas-feiras, entre as 18 e as 20 horas, no Anfiteatro III, da Faculdade de Letras.

Aos participantes inscritos será entregue o respectivo certificado.

Mais uma iniciativa que o Almanaque Republicano divulga junto dos seus ledores e a quem deseja os melhores sucessos.

Nota: cliclar na imagem para ler melhor

A.A.B.M.

quinta-feira, 19 de março de 2009


COLÓQUIO INTERNACIONAL - O FIM DAS DITADURAS IBÉRICAS (1974-1978)

Na próxima sexta-feira, dia 20 de Março de 2009, e sábado, 21 de Março, vai realizar-se, na Faculdade de Ciêcias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, um Colóquio Internacional sobre a derrocada das Ditaduras em Portugal e Espanha.

Um colóquio com coordenação científica de Fernando Rosas e Raquel Varela, onde se podem trocar experiências e conhecimentos investigadores portugueses, espanhóis e de outras nacionalidades sobre as experiências que se vivenciaram nos países ibéricos.

A não perder por todos os interessados.

(Clicar na imagem para aumentar)

A.A.B.M.

quarta-feira, 18 de março de 2009


NAS VÉSPERAS DA DEMOCRACIA EM PORTUGAL

Foi recentemente publicado pela Livraria Almedina, com autoria de Joana de Matos Tornada, uma nova obra que resulta da dissertação de Mestrado, na especialidade de História Contemporânea, apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com orientação do Professor Doutor Rui Cunha Martins.

Diz-se na apresentação da obra:

O GOLPE DAS CALDAS DE 16 DE MARÇO DE 1974 surge nesta obra segundo a problemática da memória e da transição para a democracia em Portugal.
A sua definição é, desde cedo, ambígua e polémica.
Aventura para uns, precipitação para outros, tentativa falhada ou simplesmente uma insubordinação acidental, são palavras com significados próprios que influenciam a leitura dos acontecimentos.
Este Golpe abre-nos uma janela para o contexto de mudança que envolveu o desmoronar do Estado Novo e a afirmação da democracia em Portugal.
Os testemunhos recolhidos, a documentação governamental e os jornais analisados permitem avaliar como uma tentativa falhada de derrube de regime se tornou tanto numa oportunidade como num constrangimento.
Em Março de 1974 viveu-se a "quente" e muito rapidamente.


Observa-se a tendência crescente para estudos parcelares dos acontecimentos que conduziram à queda de Ditadura em Portugal. Facto digno de destaque, pois são necessários mais estudos e, sobretudo, análises mais distanciadas e analíticas, onde a envolvente emocional e pessoal seja mais doseada e controlada.

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

ANTÓNIO SÉRGIO

"... Ora, creio coisa benéfica para esta grei portuguesa o impregnar-se de qualidades universalistas, e cuido que das coisas a impulsionaram a tal: por um lado, a própria obra que realizou a História, descobrindo a Terra e aproximando os homens, trabalhando de colaboração com muita gente estranha e cruzando-se com as raças que no caminho achou: e por outro, aquela ‘plasticidade’ dos meus conterrâneos, de que Gilberto Freyre nos falou algures: ‘aquele seu jeitão – único, maravilhoso, - para transigir, adaptar-se, criar condições novas e especiais de vida’ ..."

[António Sérgio, in Em torno do problema da língua brasileira, 1937 (aliás, in VIDA MUNDIAL, nº1548, 7 de Fevereiro de 1969, p. 41]

J.M.M.

Inventário de Livros Raros e Desconhecidos - Memória da Escola Portuguesa (do séc. XVIII ao séc. XX)

"Este livro revela-nos o valioso espólio bibliográfico e arquivístico, pouco conhecido ou mesmo ignorado, existente na Secção de Reservados da Escola Superior de Educação de Lisboa. O espólio, que aqui é enumerado, nasceu da fusão dos acervos de três instituições pedagógicas com vasta tradição na Educação e no Ensino em Portugal: a Escola Normal Primária de Lisboa, a Escola do Magistério Primário e, em menor escala, o Instituto António Aurélio da Costa Ferreira. Organizado e catalogado pelo autor, este património, que o presente livro nos dá a conhecer, é constituído por fontes manuscritas, impressas, obras de autores portugueses e estrangeiros, principalmente francesas, datadas do século XVIII ao século XX. Entre as preciosidades reveladas figura o Dicionário Universal de Educação e Ensino, de 1886, traduzido por Camilo Castelo Branco. Com a publicação deste trabalho, os investigadores vão poder reconstituir situações e acontecimentos, conhecer personalidades e compreender momentos relevantes do percurso educativo, pedagógico e cultural português. Um livro que se assume como um contributo para a História da Educação de Portugal" [ler, AQUI]

Inventário de Livros Raros e Desconhecidos - Memória da Escola Portuguesa (do séc. XVIII ao séc. XX), de José Eduardo Moreirinhas Pinheiro, Colibri

via Almocreve das Petas

J.M.M.


O ADVENTO DA REPÚBLICA EM ESPANHA

in Seara Nova, Ano XI, nº 246, 16 de Abril de 1931

J.M.M.

sábado, 14 de março de 2009


CATÓLICOS nas VÉSPERAS da I REPÚBLICA

"Duas das muitas questões que se apresentam neste trabalho são as seguintes: Se Portugal tinha, nas vésperas da República, cerca de 99% de católicos, como foi possível toda a luta anticatólica? Como é possível que, aparentemente, menos de 1% da população tenha conseguido perseguir e escravizar uma imensa maioria? ..."

«O Novo Mensageiro do Coração de Jesus foi publicado ao longo de um período de forte conturbação social, política e ideológica. Pelo papel que desempenhou, esta revista insere-se numa linha de combate contra a modernidade1, contra a sociedade nascida da Revolução Liberal, a qual subtraía o lugar que a Igreja Católica sentia ter por direito. É na confluência das críticas que faz à Sociedade, ao Individualismo, ao Socialismo, à Secularização, à Maçonaria, ao Liberalismo, entre outros aspectos, que podemos incluir a sua atitude.

Esta postura de militância não surpreende pois tratando-se de um órgão de imprensa de uma Ordem Religiosa, pressupõe-se uma forte intervenção apostólica e piedosa, mas o curioso é que o Novo Mensageiro, como se viu, também apresenta um forte carácter de intervenção cultural e ideológica. Uma ideia-chave que perpassa ao longo de todo o periódico é que o problema não está na força dos adversários da Igreja e nos revolucionários, mas sim na fraqueza dos Católicos e que entre estes se encontram os maiores inimigos da Igreja. Deste modo, os Revolucionários seriam os adversários, e os inimigos os Católicos Liberais por um lado, e os católicos fracos por outro, que não só não combatem mas ainda servem para dividir o 'exército católico'». [ler, AQUI]

Católicos nas Vésperas da I República. Os Jesuítas e a Sociedade Portuguesa: O Novo Mensageiro do Coração de Jesus (1881-1910) - de José António Ribeiro de Carvalho, Livraria Civilização Editora, 2009

J.M.M.

sexta-feira, 13 de março de 2009


REVISTA PORTUGUESA DE HISTÓRIA

Chegou ao nosso conhecimento que foi publicado mais um volume da mais antiga revista de História publicada em Portugal, a Revista Portuguesa de História, publicada pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, actualmente sob a direcção qualificada da Doutora Maria Helena da Cruz Coelho.

Permitam-nos destacar entre os dezoito artigos, os da autoria de Maria Lúcia de Brito Moura, Guilhermina Mota, Fernando Rosas, Dalila Cabrita Mateus, Rosa Marreiros, Ana Isabel Coelho Pires da Silva, António Rafael Amaro e Álvaro Garrido.

Esse, o tema primordial do tomo 38 (2006), ora em distribuição, da Revista Portuguesa de História editada pelo Instituto de História Económica e Social (ihes@ci.uc.pt) da Faculdade de Letras de Coimbra (ISSN 0870.4147), dirigida pela Doutora Maria Helena da Cruz Coelho.

Este número temático teve a coordenação de Rui Cascão e apresenta os seguintes textos:


Nota Introdutória

As guerras do século XX - Adriano Moreira

Uma abordagem estratégica das guerras e conflitos do Século XX - José Alberto Loureiro dos Santos

A Assistência aos combatentes na I Guerra Mundial - um conflito ideológico - Maria Lúcia de Brito Moura

Batalha de La Lys: um relato pessoal - Guilhermina Mota

A comemoração da Grande Guerra em Portugal. 1919-1926 - Filipe Ribeiro de Meneses

O Estado Novo e a Guerra Civil de Espanha na Sociedade das Nações - Fernando Rosas

A evolução das guerras coloniais na perspectiva dos relatórios de informação - Dalila Cabrita Mateus

Arqueologia e Ideologia. O Caso Germânico - Vasco Gil Mantas

Daniel Rodriga, um dos grandes protagonistas das Nações Portuguesas do Mediterrâneo - Aron di Leone Leoni e António Manuel Lopes Andrade

A indústria oleícola de Lisboa na segunda metade do século XVI: O Regimento dos lagareiros dos lagares de azeite de 1572 e os capítulos que se lhe acrescentaram em 1575 - Rosa Marreiros

Conflitualidade anti-senhorial na época moderna. O caso de Barbacena - Teresa Fonseca

Património e rendas do Cabido da Sé de Coimbra no séc. XVlI - Hugo Daniel Ribeiro da Silva

Apontamentos para a história da Escola de Enfermagem Ângelo da Fonseca (1881-2004) - Ana Isabel Coelho Pires da Silva

As manifestações regionalistas em Portugal durante a I República e no início do Estado Novo (1910-1939) - António Rafael Amaro

As mulleres e a vellez. O seu papel socioeconómico na Galicia de fins do Antigo Réxime - Hortensio Sobrado Correa

Símbolos e Ícones da Nação. Exame comparativo entre os símbolos da "Mensagem" de Fernando Pessoa e os símbolos figurados na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra - Marco Daniel Duarte

Arquivos salgados mas não conservados. Memória documental dos organismos corporativos e de coordenação económica das pescas do Estado Novo - Álvaro Garrido

Recensões

Publicações recebidas (Ofertas e Permutas)

Resumos/Abstracts


Nota: foto correspondente ao Vol. 36, tomo 1, de 2004.

A.A.B.M.

BERNARDINO MACHADO - BLOG

Manuel Sá-Marques deu início à feitura de um blog sobre o insigne Bernardino Machado, em homenagem ao seu avô e em comemoração do Centenário da República. A importância que a blogosfera vai revelando no esforço bio-biográfico, fazendo circular informação preciosa sobre alguns dos nossos mais vigorosos e luminosos cidadãos, é exaltante e meritória. Num país onde o Estado se demite de quase tudo o que diz respeito à nossa iniciação histórica, à alma lusitana e à grandeza pátria, a anunciação de mais um blog de temática republicana é razão do nosso contentamento. É o fiat lux de uma cidadania que, ainda, não está completamente moribunda.

Graças e bem-vindo dr. Sá-Marques!

«Com este blogue desejo divulgar alguns textos escritos por meu Avô Bernardino Machado e algum material iconográfico referente à época em que viveu.

Felizmente que o espólio de Bernardino Machado, que durante muito tempo esteve disperso, se encontra já numa grande parte recolhido no Museu Bernardino Machado, de Famalicão, e alguma documentação depositada na Fundação Mário Soares.

Agora que se iniciam os preparativos da programação das comemorações da 1ª República, gostaria de começar por transcrever as páginas 59 a 73 do livro "No Exílio", obra indispensável para o estudo e compreensão do Dezembrismo.

Nestas páginas Bernardino Machado recorda alguns dos traços principais de "A obra da República"
»

[ler, mais AQUI]

J.M.M.

quinta-feira, 12 de março de 2009


ARRIAGA, José de (Parte II)

Em 1905, encontramo-lo como chefe de redacção do jornal republicano da tarde, O Alarme, publicado no Porto entre 1904 e 1905.
O seu estado de saúde foi-se degradando até à morte num asilo. Mereceu a estima de muitos, entre eles Ramalho Ortigão e Teófilo Braga, que o ajudaram a publicar alguns livros

Morreu em Lisboa, no Recolhimento das Mercearias do Lumiar, em 24/25 de Fevereiro de 1921. [Aditamentos ao Dicionário bibliográfico português de Inocêncio Francisco da ...‎, por Martinho Augusto Ferreira da Fonseca, Innocencio Francisco da Silva, 1927 - 377 páginas, Pág. 225, José de Arriaga Brum da Silveira (Dic., tomo 12.° pág. 407). Faleceu a 24 de Fevereiro de 1921.]

Conhecem-se colaborações nos jornais:
- Academia Litúrgica de Coimbra
- Folha do Povo

- Democracia [publicou em folhetim notas sobre Manuel Fernandes Tomás, que faziam parte de um livro, que tencionava publicar: A historia da revolução de 1820.]
- Era Nova

- Os perfis artísticos [onde publicou um conjunto de artigos sobre o movimento revolucionário da música moderna. Numa nova fase, Os perfis artísticos, receberam o título de Perfis litterarios e artisticos, sendo José de Arriaga encarregado da direcção pela empresa editora. Redigiu o prospecto com o fim de se entregar à apreciação dos artistas portugueses mais distintos antigos e modernos, dos monumentos nacionais, e de lançar as bases duma história da arte em Portugal; mas, apenas escreveu a biografia de Machado de Castro, e a noticia da grandiosa obra deste insigne estatuário, o monumento do rei D. José, saiu do jornal.]

- ARQUIVO DE EX-LIBRIS PORTUGUESES. - Director Joaquim de Araújo, da Academia Real das Sciencias de Lisboa. Genova, Tipografia Sordemuti. [Publicação mensal, ou sejam 12 fasciculos por ano, ou volume. José de Arriaga colaborou no Vol. V.]

- Questão iberica e o Saldanha, Coimbra,
- Anno (Um) depois. (Aos vencidos). 31 de janeiro de 1831 - 31 de janeiro de 1892, Porto, Typ. da Empresa Literaria e Tipográfica, 20 pag.

- A política conservadora e as modernas alianças dos partidos políticos portugueses, Lisboa, Imp. J. G. de Sousa Neves, 1880. 490 pag. e mais 11 não numeradas de índice e 1 de errata.
- A Inglaterra, Portugal e suas colónias. Dedicado á comissão executiva do centenário do Marquês de Pombal, Lisboa, na Imp. do Comercio, 1882. 8.º de 331 pag. e 2 de indice e errata.

- As raças históricas na Lusitânia, Lisboa, David Corazzi Ed., 1883. - É o n.º 55 da 7.ª serie da Biblioteca do povo e das escolas, do editor David Corazzi.
- No Diccionario universal portuguez, do editor Henrique Zeferino de Albuquerque, pertencem lhe os artigos: Baculo, Baetylia, Bailado, Machonio, Macedonios, Machado de pedra, e Machado de Castro.
- A influencia do christianismo nas idéas modernas , Coimbra, 1870.
- História da Revolução Portuguesa de 1820, Porto, Livraria Portuguesa Lopes e C.ª, 1886-89, 4 vols.
- História da Revolução de Setembro, Lisboa, Companhia Nacional Ed., 1892, 3 vols.
- La Monarquia y el Siglo, Madrid, J. Palácios, 1902.
- Oitenta Anos de Constitucionalismo Outorgado (1826-1905), Lisboa, M. A. Branco & C.ª, 1905.
- As Civilizações do Oriente e do Ocidente, Porto, Artur J. de Sousa, 1906.
- Os Últimos Sessenta Anos da Monarquia – Causas da Revolução de 5 de Outubro de 1910, Lisboa, Parceria A. M. Pereira, 1911.
- Breve Notícia das Novidades Históricas [...] Contidas nas Obras de Propaganda Impressas e Manuscritas Doadas à Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, Coimbra, Imp. da Universidade, 1921.
- A Questão Religiosa, Porto, Imp. Portuguesa, s.d.
- Prefácio a Silva, D., Os Excomungados, Porto, Comércio do Porto, 1915.
- O prólogo do Catalogo dos manuscritos da antiga livraria dos marquezes de Alegrete, dos condes de Tarouca e dos marquezes de Penalva, Lisboa, 1898, é trabalho de José de Arriaga, que também elaborou o mesmo catálogo.

Para Fernando Catroga [História da História em Portugal. Séculos XIX e XX, vol.I, Temas e Debates, Lisboa, 1998, p. 118], José de Arriaga era um “contemporaneísta” muito influenciado pelas ideias de base positivista. Portanto, na maior parte das obras deste autor, é possível na sua narrativa dos acontecimentos uma relação de “causa-efeito e das suas manifestações num tempo irreversível”[idem, p. 119]. Denotava a preocupação em que “a realidade da narrativa representava a narrativa da realidade”[idem, 119].

Os estudos de José de Arriaga têm sido encarados como sendo “de natureza épico-dramática, dado o seu evolucionismo organicista, de cunho optimista, ensinava que «sendo a nação uma colectividade, uma série de gerações, sucedendo-se constantemente, e trabalhando todas numa obra e para um fim comum», a sua história só podia ser apreciada como um todo, em que o presente e o futuro estariam «ligados ao passado por esses laços íntimos que caracterizam as raças humanas e formam as nacionalidades» [Fernando Catroga, idem, p. 133, apud José de Arriaga, I, 1886-1889, 10].

Um autor e historiador actualmente já bastante esquecido, mas com uma obra ideológica fundamental ao partir do vintismo como um dos momentos essenciais para se conseguir a implantação da República, que era encarada como uma inevitabilidade, na narrativa positivista.

A.A.B.M.

domingo, 8 de março de 2009


ARRIAGA, José de (Parte I)

Nasceu na cidade da Horta, ilha do Faial, a 8 de Março de 1848, com o nome completo de José de Arriaga Brum da Silveira. Filho de Sebastião de Arriaga Brum da Silveira e de D. Maria Cristina de Arriaga Caldeira.

Transferiu-se para Coimbra, em 1861, a fim de concluir os estudos preparatórios, matriculando-se em 1864, na Faculdade de Direito, onde obteve, em 1869, o respectivo bacharelato.

Ainda estudante, enquanto seu irmão [Manuel de Arriaga] preferiu a novelística de incidência politológica, ele já optou pela análise dos fenómenos históricos, colaborando em revistas e jornais.

Após a conclusão do curso iniciou actividade como conservador do registo predial, sendo colocado na comarca de Armamar, depois Resende, de seguida Benavente, Moura, e depois para a de Reguengos, de que foi exonerado por não tomar posse.

A análise interpretativa da época que estudava conduzia-o no sentido da exegese dos sistemas conservador e progressista, tendo optado por este último, já com uma clara tendência republicana.

A eclosão do Ultimatum inglês veio acentuar ainda mais esta tendência. Rejeitou a aliança luso-britânica, por achar que ela só interessava à manutenção da Monarquia e, à Inglaterra, pelos benefícios colhidos da exploração das colónias portuguesas.

A sua concepção positivista dos factos levava-o a considerar a República uma inevitabilidade e os vários momentos da implantação do regime liberal em Portugal pareciam encaminhar nesse mesmo sentido. Escreveu duas volumosas obras sobre a Revolução de Setembro e A Revolução de 1820 que constituem obras-primas da historiografia romântico-positivista e severas análises das mutações políticas, em que releva a importância do pensamento na construção dessas mutações.

Devido a dificuldades de vária índole tentou fixar residência em Paris (por duas vezes), Madrid ou no Brasil, mas acabou por regressar ao Continente. Viveu no Algarve (Tavira), cerca de 1908, onde o médico e ilustre republicano local, Silvestre Falcão, lhe encontrou trabalho no semanário republicano A Província do Algarve, como redactor principal, garantindo-lhe assim um salário e estabilidade durante algum tempo. Dizia este escritor açoreano que “a pátria não dá de comer a quem se entrega ao estudo”.

[em continuação]

A.A.B.M.

A GUARDA - JORNAL CATÓLICO, SOCIAL E MONÁRQUICO (I)

O primitivo boletim quinzenal "A GUARDA" [nº1 (15 de Maio 1904), Guarda], "preferencialmente dirigido ao clero diocesano" [cf. Jesué Pinharanda Gomes, 100 Anos de A Guarda, 2004], aparece no início como "semanário católico e regionalista" [ibidem] para se tornar "a ponta de lança do Partido Nacionalista (católico, social e monárquico)". Pinharanda Gomes considera-o, mesmo, como servindo de "base à imprensa católica" de antanho

[refere a esse propósito, no opúsculo já citado, os seguintes periódicos católicos surgidos: União Nacional (Braga, 1904-06, Artur Bívar); Associação Operária (Lisboa, 1905-06, posteriormente integra-se no Grito do Povo, do Porto, periódico este que sob direcção do advogado Alberto Pinheiro Torres, presidente do Circulo Católico de Operários de Vila do Conde e único deputado eleito pelo Partido Nacionalista, tem lugar de destaque na imprensa católica; cf. Filhos de Ramires, de José Manuel Quintas, 2004); União (Santarém, 1907-08, Ernesto Teixeira Guedes, ex-fundador d’A Guarda); Alerta (Bragança, 1907-08); Estrela Polar (Lamego, 1907-08, periódico fundado por Artur Bívar, que tinha como divisa "Por Deus, pela Pátria e pela Família" e que era impresso na Guarda, curiosamente na tipografia Veritas); Jornal de Lousada (1907-09); Sul da Beira (Covilhã, 1908-10); Deus e Pátria (Barcelos, 1907-10); Avante (Póvoa do Varzim, 1909-10, Josué Trocado); O Arouquense (1912)],

imprensa católica já antes impulsionada, de algum modo, pelo Conde Samodães no I Congresso dos Escritores e Oradores Católicos (Porto, 1871 – cf. AQUI), ou na singular contenda no movimento social católico entre a "legitimista" A Nação (Lisboa, 1847) e a "cartista" A Palavra (1872-1913, surgido pela Associação Católica do Porto), pela fundação da União Católica Portuguesa (1882) e o efeito dos vários Congressos Católicos realizados, na criação do Centro Católico em 1894 (concretizado por acção do jornal Correio Nacional) e na fundação dos Círculos Católicos Operários (a partir de 1898, atingindo o expressivo numero de 15, em 1903), no lançamento do CADC (Coimbra, 1901), culminando na formação do Partido Nacionalista ("Partido Católico", 1903, sob liderança de Jacinto Cândido, Jerónimo Pimentel e o conde de Bertiandos). De referir que o primeiro projecto para a criação de um "partido católico" nasce precisamente no jornal A Palavra (23 de Novembro de 1878, em artigo do Pe. José Vitorino Pinto de Carvalho – cf. Manuel Braga da Cruz, Análise Social, 1980 - AQUI).

A implantação da República fez quebrar esse movimento periodista [os ataques populares contra as associações católicas e a sua imprensa atinge um ponto alto em 1911, desde logo pelo declarado propósito que tinham de combater as organizações operárias e as suas "nefastas" influência socialistas e revolucionárias, mas acentua-se na sequência da intervenção da Igreja contra a laicização do estado - cf. Marie-Christine Volovitch, Análise Social, 1982 – AQUI], movimento que abrangia em 1900, 6 diários, 21 semanários e 10 mensários (cf. Marie-Christine Volovitch, ibidem). Até lá, há lugar para a organização do I Congresso dos Jornalistas Católicos Portugueses (Lisboa, Abril de 1905), seguindo-se o II Congresso das Agremiações Católicas Populares de Portugal no Porto (Junho de 1907), depois o III Congresso (Covilhã, Outubro de 1908), depois em Braga (1909) e o de Lisboa (1910).

[a continuar]

J.M.M.

quinta-feira, 5 de março de 2009


MANUEL DE ARRIAGA

Assinala-se hoje a data em que faleceu Manuel José de Arriaga Brum da Silveira que nasceu dia 8 de Julho de 1840 na cidade da Horta, Ilha do Faial, da Região Autónoma dos Açores.

Foi o primeiro presidente constitucional da República Portuguesa, Manuel de Arriaga é eleito a 24 de Agosto de 1911 no meio de forte competição.
Filho de Sebastião de Arriaga Brum da Silveira e de Maria Antónia Pardal Ramos Caldeira de Arriaga. Casa com Lucrécia de Brito Furtado de Melo, de quem tem seis filhos.

Na Universidade de Coimbra, onde se formou em Leis, cedo manifestou simpatia pelas ideias republicanas, o que provocou um conflito insanável com o pai, que o deserdou e lhe deixou de custear os estudos. Para sobreviver e pagar a Faculdade, teve então de dar aulas de Inglês no liceu.

Em 1866, concorreu a leitor da décima cadeira da Escola Politécnica e da cadeira de História do Curso Superior de Letras. Não conseguindo a nomeação para qualquer delas, teve de continuar, agora em Lisboa, a leccionar a mesma disciplina de Inglês. Dez anos depois, em 26 de Agosto de 1876, já faz parte da Comissão para a Reforma da Instrução Secundária. Simultaneamente, vai cimentando a sua posição como advogado, tornando-se um notável casuísta graças à sua honestidade e saber. Entre as várias causas defendidas destaca-se, em 1890, a defesa de António José de Almeida, após este ter escrito no jornal académico O Ultimatum, o artigo "Bragança, o último", contra o rei D. Carlos.

Na sequência dos acontecimentos de 5 de Outubro de 1910, e para serenar os ânimos agitados dos estudantes da Universidade de Coimbra, é nomeado reitor daquela Universidade, tomando posse em 17 de Outubro de 1910.

PERCURSO POLÍTICO

Filiado no Partido Republicano, foi eleito por quatro vezes deputado pelo círculo da Madeira. Em 1890, foi preso em consequência das manifestações patrióticas de 11 de Fevereiro, relativas ao Ultimato Inglês.

Em 1891, aquando da revolta de 31 de Janeiro, já fazia parte do directório daquele Partido, em conjunto com Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro, Teófilo Braga e Francisco Homem Cristo.

Nos últimos anos da monarquia, sofre um certo apagamento, dado que o movimento republicano tinha chegado, entretanto, à conclusão que a substituição do regime monárquico não seria levada a cabo por uma forma pacífica. Os republicanos doutrinários são, então, substituídos pelos homens de acção que irão fazer a ligação à Maçonaria e à Carbonária.

Depois da proclamação do regime republicano foi então chamado a desempenhar as funções de Procurador da República.

ELEIÇÕES E PERÍODO PRESIDENCIAL

Foi eleito em 24 de Agosto de 1911, proposto por António José de Almeida, chefe da tendência evolucionista, contra o candidato mais directo, Bernardino Machado, proposto pela tendência que no futuro irá dar origem ao Partido Democrático de Afonso Costa. O escrutínio teve o seguinte resultado:

Manuel de Arriaga 121 votos
Bernardino Luís Machado Guimarães 86 votos
Duarte Leite Pereira da Silva 1 voto
Sebastião de Magalhães Lima 1 voto
Alves da Veiga 1 voto
Listas brancas 4 votos

Durante a vigência do seu mandato tomam posse os governos seguintes:

- João Chagas, que vigora entre 3 de Setembro e 12 de Novembro de 1911.
- Augusto de Vasconcelos, entre 12 de Novembro daquele ano e 16 de Junho de 1912.
- Duarte Leite, entre aquela última data e 9 de Janeiro de 1913.
- Afonso Costa, entre a data anterior e 9 de Fevereiro de 1914.
- Bernardino Machado com dois governos seguidos, o primeiro de 9 de Fevereiro de 1914 a 23 de Junho do mesmo ano, o segundo desta data a 12 de Dezembro de 1914.

Assiste-se na época à divisão efectiva das forças Republicanas. De 27 a 30 de Outubro de 1911, reúne-se, em Lisboa, o Congresso do Partido republicano em que é eleita a lista de confiança de Afonso Costa, passando o partido a denominar-se Partido Democrático. Em 24 de Fevereiro de 1912, por discordar da nova linha política seguida pela nova direcção, António José de Almeida funda o Partido Evolucionista, e dois dias depois, Brito Camacho, o Partido União Republicana, divisão que, no entanto, pouco adiantará para a resolução das contradições deste período deveras conturbado. O início da Primeira Grande Guerra vem agravar ainda mais a situação, dando origem à polémica entre guerristas e antiguerristas.

O Ministério de Victor Hugo de Azevedo Coutinho, alcunhado de Os Miseráveis, que vigora entre 12 de Dezembro de 1914 e 25 de Janeiro de 1915, não vem alterar em nada a situação, acabando por ser demitido na sequência dos acontecimentos provocados pelo "Movimento das Espadas", de âmbito militar, onde se destacaram o capitão Martins de Lima e o comandante Machado Santos.

O Presidente Manuel de Arriaga tenta inutilmente chamar as forças republicanas à razão, envidando esforços no sentido de se conseguir um entendimento entre os principais dirigentes partidários. Goradas estas diligências, não dispondo de quaisquer poderes que lhe possibilitassem arbitrar os diferendos e impor as soluções adequadas e pressionado pelos meios militares, vai então convidar o general Pimenta de Castro para formar governo que é empossado em 23 de Janeiro de 1915.

O encerramento do Parlamento e a amnistia de Paiva Couceiro vão transformar em certezas as desconfianças que os sectores republicanos tinham acerca daquele militar, desde o governo de João Chagas onde ocupara a pasta da Guerra e evidenciara uma atitude permissiva face às tentativas monárquicas de Couceiro. A revolta não se fez esperar. Em 13 de Maio do mesmo ano, sectores da Armada chefiados por Leote do Rego e José de Freitas Ribeiro demitem o Governo que é substituído pelo do Dr. José de Castro, que inicia as suas funções em 17 do mesmo mês.

O Presidente é obrigado a resignar em 26 de Maio de 1915, saindo do Palácio de Belém escoltado por forças da Guarda Republicana.


Faleceu a 5 de Março de 1917.

[Transcrevemos com a devida vénia a nota biográfica que se encontra AQUI.]

A.A.B.M.

quarta-feira, 4 de março de 2009


ESTADOS NOVOS ESTADO NOVO

No próximo dia 14 de Março de 2009, no Foyer do Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, pelas 16.30 h, vai ser feita a apresentação pública do novo livro do Professor Doutor Luís Reis Torgal.

A apresentação da obra está a cargo do Professor Doutor Fernando Catroga.

Esta mesma obra será depois apresentada na Fundação Mário Soares, pelo Professor Doutor Fernando Rosas, no dia 17 de Março, pela 18.30h.

Consultando o índice da referida obra, em dois volumes, destacam-se os seguintes capítulos:

PARTE I - Estados Novos. Concepções e construção

-Cap. I – O «Estado Novo» e a sua representação
- Cap. II – «Estado Novo» - Conceito de uma «geração» ou de «algumas gerações»
- Cap. III – Salazar, os Estados Novos e o Estado Novo
- Cap. IV – Construção orgânica do Estado Novo. Princípios, leis, instituições
e formas de propaganda
- Cap. V – Estado Novo: um totalitarismo à portuguesa?
- Cap. VI - Estado Novo e «fascismo»

PARTE II - O Estado Novo e os outros

- Cap. I – «República Corporativa» e suas contradições
- Cap. II – Estado Repressivo
- Cap. III – Estado Novo, Igreja e Católicos
- Cap. IV – Nação e Império
- Cap. V – Estado Novo, Europa e Atlântico
- Cap. VI - o Estado Novo, os «rebublicanos» e as suas «verdades»
- Cap. VII - Marcelismo, «estado social» e Marcello Caetano


Volume 2
PARTE III - Estética e aparelhos culturais. Do «fim de século» ao Estado Novo

- Cap. I – Caminhos da cultura portuguesa do «fim de século»
Rumos contraditórios das «novas gerações».
- Cap. II – O modernismo no contexto da formação do Estado Novo
- Cap. III – «Intelectuais», «intelectuais orgânicos» e «funcionários culturais»
no Estado Novo.
- Cap. IV – Literatura e «cultura oficial» no Estado Novo
- Cap. V – «A Radiofonia ao serviço do Estado». Os inícios da Emissora Nacional
- Cap. VI - Cinema, Estética e Ideologia

PARTE IV - Imagens e representações culturais do «integralismo» ao Estado Novo

- Cap. I – Almeida Garrett e o Nacionalismo Cultural Integralista e Salazarista
- Cap. II – Antero de Quental e Oliveira Martins nas leituras integralista,
católica e salazarista
- Cap. III – Castela e Espanha vistas na escola salazarista

Para concluir. Algumas observações e muitas interrogações
- Em vez de uma bibliografia… um levantamento historiográfico

Aguarda-se então com alguma expectativa o lançamento desta obra, vinda de um dos historiadores que se especializou no Estado Novo, com uma obra académica de referência e introduzindo sempre uma reflexão analítica e conceptual sobre a época.

A.A.B.M.

terça-feira, 3 de março de 2009


NORTON DE MATOS – COLÓQUIO EM COIMBRA

60 anos depois das eleições presidenciais de 1949, o CEIS20 (Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra) vai recordar Norton de Matos e a sua candidatura, com um COLÓQUIO a realizar na sala D. João III, do Arquivo da Universidade, no próximo dia 13 de Março. Voltaremos ao assunto.

a consultar o programa, AQUI.

J.M.M.