sexta-feira, 31 de julho de 2009


REVISTA ILUSTRAÇÃO NA HEMEROTECA DIGITAL

Revista Ilustração: "Quinzenário publicado em Lisboa, entre Janeiro de 1926 e Dezembro de 1939, num total de 336 números. Saíram ainda mais 36 números, até 1975, com o propósito de se manter o título da publicação. Foi dirigido por João da Cunha de Eça e, mais tarde, por Artur Brandão, sendo de consulta 'obrigatória' para o conhecimento da época. A Ilustração aborda assuntos extremamente diversificados, como a arte, a literatura, a história, a moda, a situação da mulher, com muitas ilustrações, de artistas de nomeada, como Abel Salazar, Carlos Reis, Emmerico Nunes, Stuart Carvalhaes, Jorge Barradas, entre outros. A colaboração literária é vastíssima, contando com artigos de Lopes de Oliveira, Ferreira de Castro, Ana de Castro Osório, António Sérgio, Aquilino Ribeiro, Jaime Cortesão, Mário Domingues, Teixeira de Pascoaes, entre muitos outros. Ao todo, são cerca de 14.000 páginas, que podem ser relidas aqui, na Hemeroteca Digital. Para saber mais sobre a Ilustração, e sobre o sucesso que alcançou, leia aqui o verbete que a Rita Correia lhe dedicou"

Revista Ilustração 1926-1939Ano I, nº 1 (1 Jan. 1926) ao Ano XIV, n. 336 (16 Dez. 1939).

J.M.M.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

IN MEMORIAM HERMÍNIO PALMA INÁCIO (1922-2009) - Parte II


Era já evidente, para Palma Inácio, que as lutas ideológicas, as "querelas estéreis" e os métodos clássicos de combate à ditadura se tinham esgotado. Para ele e outros, a "inacção militar" não conduzia a lado nenhum e só "uma organização revolucionária, com uma nova concepção de luta com métodos novos e com homens novos" podia levar a cabo o fim da ditadura.

O ano de 1961 e seguintes revelam, a par de uma crise nas estruturas do regime e curiosos desentendimentos entre os seus apoiantes, uma oposição sistemática contra a ditadura, com o aparecimento de vários sectores dissidentes da linha tradicionalista (ou reformista) e que tomam posições, e sobretudo acções, radicais contra o regime ditatorial. De facto, entre 1961-62, os acontecimentos precipitam-se. Como exemplo:

O assalto [21/22 de Janeiro de 1961] e desvio do paquete Santa Maria e então rebaptizado como "Santa Liberdade" [operação Dulcineia, dirigida por Henrique Galvão. Galvão foi um dos militares do golpe de 28 de Maio, mas posteriormente entra em colisão política com Salazar. Tendo sido preso e condenado, conseguiu evadir-se e exilar-se na Argentina – ler AQUI], que humilhou a ditadura; o levantamento da UPA [4 de Fevereiro 1961] e o começo da guerra colonial; a tentativa de "golpe" de Botelho Moniz, então Ministro da Defesa [é de consultar sobre o assunto, "Salazar. Biografia da Ditadura", de Pedro Ramos de Almeida, Ed. Avante1999, pp. 612 e segs]; as pressões internacionais contra o colonialismo português [resolução da ONU de 20 e Abril]; a operação "Vagô" [já referida]; a espectacular evasão de Caxias de importantes militantes comunistas [4 de Dezembro de 1961 – consultar "A História da PIDE", ibidem, pp. 168-169]; a operação militar da União Indiana contra Goa, Damão e Diu [17 de Dezembro]; o assalto ao quartel de Beja [1 de Janeiro de 1962], sob direcção de Varela Gomes e que resulta em penas pesadas para os incriminados (caso de Manuel Serra e Varela Gomes); o início das emissões da Rádio Portugal Livre (Argélia, 12 de Março); a greve académica de Maio/Junho de 1962; a fundação de vários movimentos de libertação das colónias; o aparecimento de novas organizações políticas e militares de combate à ditadura [entre as quais a Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), que surge em (19) Dezembro de 1962, agrupando diversos grupos (do seu embrião ou "conferência" inicial (em Roma) participam figuras como Piteira Santos, Manuel Alegre, Tito de Morais, Ruy Cabeçadas e Manuel Sertório].

É nesse contexto, entre a luta pelo derrube da ditadura e o combate anti-reformismo, que surgem diversas organizações que se reclamam da luta armada, como a FAP [Janeiro de 1964 – ler AQUI], a LUAR [Liga de União e Acção Revolucionária, 19 de Junho de 1967], a ARA [Acção Revolucionária Armada, criada pelo PCP em 1964 como resposta à cisão de Francisco Martins Rodrigues e ao aparecimento da FAP; teve a sua primeira aparição pública a 26 de Outubro de 1970 num ataque armado contra o navio "Cunene", atracado no Cais de Alcântara – ler AQUI e AQUI – e que foi entendido como uma resposta, antecipada, à ruptura entre a FPLN e o PCP, na base da qual elementos da FPLN criticavam a falta de "verdadeiras acções revolucionárias" armadas de combate à ditadura – cf. As Organizações Armadas em Portugal de 1967 a 1974, de João P. Martins & Rui Loureiro, rev. História, nº18, Abril 1980] e as BR [Brigadas Revolucionárias, com origem numa cisão da FPLN e que teve a sua aparição numa acção de sucesso contra a base (secreta) da NATO da Fonte da Telha, a 7 de Novembro de 1971; mais tarde estará incluída no PRPPartido Revolucionário do Proletariado – que é fundado em 1973].

[a continuar]

J.M.M.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

IN MEMORIAM HERMÍNIO PALMA INÁCIO (1922-2009) - Parte I


Nasce em Ferragudo [concelho de Lagoa] a 29 de Janeiro de 1922. Filho de José Inácio e de Custódia da Palma, ferroviários, Palma Inácio passa a sua infância em Tunes (Silves) de onde sai [com 18 anos] para se alistar voluntariamente na Aeronáutica Militar. Colocado em Sintra (Base Aérea nº 1), tira o curso de mecânico de aeronaves e de piloto civil para aviação comercial. É nesse meio que trava conhecimento com Humberto Delgado e adere à luta contra a ditadura.

Em 1947 [10 de Abril] há uma tentativa frustrada de conspiração civil e militar [Abrilada] pela Junta Militar de Libertação Nacional [movimento militar e civil, que vem na sequência da tentativa de Revolta da Mealhada, presidido por Mendes Cabeçadas, Celestino Soares, João Soares, o general Marques Godinho, o brigadeiro Maia e outros – ver AQUI] e Palma Inácio participa [com Gabriel Gomescf. A História da PIDE, de Irene Pimentel, p.143] sabotando os aviões [entre eles o Dakota de Santos Costa] da base aérea da Granja (Sintra). Face ao desaire da conspiração, Palma Inácio é um dos suspeitos e, por isso, foge da Portela de Sacavém onde era mecânico da KLM e refugia-se numa quinta de um amigo em Loures [onde fica 3 meses]. É denunciado por uma "ingénua" rapariga à GNR [cf. "Duas Fugas", rev.História, nº28, 2000] e é detido pela PIDE [cf. Pimentel, aliás in "O aventureiro da liberdade perdida", Visão, 16/06/1994], dando entrada na sua directoria no dia 6 de Setembro, seguindo depois para o Aljube.

Torturado, mas nunca cedendo às promessas da PIDE [como as do capitão Catelacf. rev. História, ibidem], prepara a sua fuga do Aljube através da "única janela sem grades", de uma sala utilizada pelos guardas como apoio à condução dos presos, e com auxilio de lençóis, que "trazia escondidos nas calças largas", saltou para o saguão onde estava um guarda, correu para escadas que conduziam à rua, "empurrou" o guarda-porteiro do Aljube e correu com um "galope louco" até à rua da Madalena, "onde apanhou um táxi" [a 16 de Maio 1948].

Farto de esperar pela revolução que tardava, resolve partir para Marrocos, "escondido num cargueiro" que partia do Barreiro [rev. História, ibidem], justamente para onde foi levado num "barquinho à vela" por Gabriel Pedro e o filho, e Edmundo Pedro [ibidem]. Em Marrocos contacta com a oposição a Salazar. Parte para os EUA, onde é, de novo, descoberto, levando-o a abandonar o país, seguindo para o Rio de Janeiro. Humberto Delgado e, pouco depois, Henrique Galvão estão por lá, no exílio, mas também uma vasto grupo de exilados, entre os quais João Camoesas, Oliveira Pio ou Sarmento Pimentel.

A 10 de Novembro de 1961, data onde ocorreu a chamada "Operação Vagô" organizada por Henrique Galvão, Palma Inácio participa no comando da tomada do avião da TAP "Mouzinho de Albuquerque", que fazia a ligação Casablanca-Lisboa [juntamente com "Amândio Silva (hoje, director da organização privada Mares Navegados, Brasil), Camilo Mortágua (agora empresário no Alvito), João Martins (proprietário de um restaurante em Bruxelas), Fernando Vasconcelos (residente em Brasília) e Helena Vidal (já falecida)" - ler AQUI e AQUI todas as peripécias da operação], com a intenção de lançar milhares de panfletos [Manifesto da Frente Anti-Totalitária dos Portugueses Livres no Estrangeiro] sobre o país, denunciando a fraude eleitoral que se ia realizar e apelando à revolta. Foi um êxito a operação e perante as pressões do governo português para a extradição do "comando", Palma Inácio e os amigos partem, de novo, para o Brasil.

[foto in História da PIDE, de Irene Pimentel]

[a continuar]

J.M.M.

terça-feira, 14 de julho de 2009


UM DISCURSO ESCONDIDO. ALFREDO DA SILVA E AS GREVES NA CUF

"Nos anos da Primeira República, o operariado da Companhia União Fabril emerge enquanto novo grupo social no panorama industrial do Barreiro, protagonizando importantes movimentos reivindicativos. No confronto directo com o industrial Alfredo da Silva, afirma e constrói uma identidade própria, numa progressiva consciencialização enquanto classe. Para analisar as greves ocorridas na CUF durante a Primeira República é preciso ter em conta os interesses que opunham patronato e proletariado. Por isso, falar das greves da CUF significa falar da luta operária, mas também das estratégias adoptadas por Alfredo da Silva na sua relação com o operariado".

Um discurso escondido. Alfredo da Silva e as greves na CUF durante a Primeira República (1910-1919) - de Vanessa de Almeida, Editorial Bizâncio, 2009.

J.M.M.

segunda-feira, 13 de julho de 2009


FRANCISCO GONÇALVES VELHINHO CORREIA (Parte II)

Encontramo-lo ligado à Liga Nacional da Instrução tendo participado na primeira Festa da Árvore, realizada no Seixal em 26 de Maio de 1907. Esta iniciativa, foi muito apoiada pelos Republicanos e pela Maçonaria. Nesse ano realiza uma conferência na Sociedade de Geografia, da qual era associado, intitulada O Ensino e a Educação em Portugal que viria a ser publicada como se refere adiante [João Carlos Paulo, “Francisco Gonçalves Velhinho Correia”, Dicionário de Educadores Portugueses, Dir. António Nóvoa, Asa, Porto, 2003, p. 398-399.] Na Sociedade de Geografia ocupou as funções de presidente da Sub-secção de Estudos de Olivença, no início da década de 1920.

Esteve durante algum tempo em Macau, por onde foi eleito deputado entre 1915 e 1917. Foi professor no Liceu Nacional de Macau, no sexto grupo. Nessa situação conheceu e contactou com a elite da região como Camilo Pessanha, com quem estabelece alguns laços de amizade. Colaborou com o jornal Progresso de Macau, onde publicou um artigo intitulado O Dr. Pessanha em Singapura. Notícias de Portugal. Nele referia a desilusão do poeta em relação a Portugal pois não tinham recebido ou valorizado os objectos que o poeta tinha oferecido para o Museu das Janelas Verdes.

Em 1917, apresenta um trabalho para o concurso de professor de Colonização da Escola Colonial, intitulado Problemas económicos e coloniais: uma carreira portuguesa de navegação para o Oriente, em 1919 para a nomeação definitiva regendo a cadeira de Estatística e Informações Coloniais (8ª cadeira), permanecendo na Escola até 1943, onde chega a exercer funções de direcção ainda que por um curto período de tempo (1942-1943).

Quando esteve no governo, ocupando a pasta das Finanças, em 1923, procurou aplicar um conjunto de medidas visando a redução do deficit orçamental. Porém, as suas medidas foram fortemente criticadas e surgiram mesmo algumas contrapropostas que Velhinho Correia considerou inaceitáveis e abandonou o cargo. [Fernando Mendonça Fava, Leonardo Coimbra e a Primeira República. Percurso Político e Social de um Filosofo, Coimbra, Imprensa da Universidade, 2008, p. 113].

Em 1930, publicou um conjunto de artigos no Diário de Notícias onde apresentava uma teoria critica da doutrina económica subjacente ao Acto Colonial [24-05-1930; 31-05-1930; 11-06-1930].

Em 1938 apresentou uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa intitulado A Lição de Sagres.

Um outro pequeno apontamento sobre Velhinho Correia e a ligação com a Maçonaria refere-nos que ele foi venerável da Loja Solidariedade, em Lisboa e da Loja Lacóbriga, nº 326, em Lagos.

Publicou:
- O ensino e a educação em Portugal, Lisboa, Livraria Clássica Editora de A.M. Teixeira, 1907.
- Problemas económicos e coloniais: uma carreira portuguesa de navegação para o Oriente: sua influencia na economia do país, Lisboa, Livraria Ferreira, 1916.
- Navegação Colonial (Relatório da Cadeira de Estatística e Informações Coloniais), Lisboa, 1921.
- Navegação nacional : extracto d´um relatório, Anuário da Escola Superior Colonial, (1922-1923), Lisboa, p. 59-113
- A semana do escudo: artigos e conferencias, Lisboa, Of. Gráf. de O Rebate, 1924.
- Situação Económica e Financeira de Portugal. Elementos de Informação e Estatística, Lisboa, Imprensa Nacional, 1926, IV vols.

Colaborou ainda em diversas publicações, jornais e revistas como:
- Vanguarda, Lisboa, 1890-1911;
- Progresso de Macau, Macau, 1915;
- Diário de Notícias, Lisboa, 1930;
- Diário de Coimbra, Coimbra, 1930 -;
entre outros títulos.

A.A.B.M.

BRITO CAMACHO – POLÍTICA COLONIAL

"Espírito de altíssima inteligência, carácter da mais nobre tempera, escritor de valor consagrado, o dr. Brito Camacho também deixou o seu nome ligado à vida colonial, tendo exercido, com o maior do aprumo moral, as elevadas funções de Alto Comissário em Moçambique, onde soube observar os diversos problemas que interessam às colónias.

O trabalho que inserimos no presente ‘Caderno’, cedido por quem de direito, e que vale como magnifica lição, nunca foi publicado em separata e passou quase despercebido na Imprensa. Trata-se duma notável conferência sobre ‘Política Colonial’, que o dr. Brito Camacho realizou em Lisboa, pouco tempo depois de regressar de Moçambique, há, pouco mais ou menos, uma dúzia de anos.

Quem se lembra já dessas inteligentes, patrióticas e oportunas palavras, então pronunciadas pelo dr. Brito Camacho, com tanta autoridade moral e mental? ...
"

in Nota Preliminar ao nº 26 - "Politica Colonial" - dos "Cadernos Coloniais", Editorial Cosmos, 1936.

J.M.M.

domingo, 12 de julho de 2009


FRANCISCO GONÇALVES VELHINHO CORREIA (Parte I)

Nasceu em Lagos, a 6 de Outubro de 1882, e veio a falecer em Lisboa, a 22 de Outubro de 1943. Era filho de José Maria Correia Júnior, oficial do Exército, e de Teresa de Jesus Velhinho.

Aos 16 anos, tornou-se praça, tendo atingido pouco depois o posto de 2.º Sargento. Durante alguns meses, deixou o serviço militar para se dedicar à contabilidade numa fábrica. De volta ao exército, ingressou no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e na Escola do Exército, tendo tirado o curso de Administração Militar,em 1906, depois de assentar praça em 1898 –, seguirá uma vida profissional iminentemente ligada ao Exército, quer como docente, quer como oficial de carreira, atingindo o posto de tenente-coronel em 1936.

Além de professor da Escola Superior Colonial e da Escola Militar no período de 1917 a 1943 (na última das quais, chegou a professor catedrático das 19.ª e 20.ª cadeiras), foi químico da Manutenção Militar, serviu no Corpo Expedicionário Português e desempenhou missões em África e Macau. Na sequência do primeiro conflito mundial, quando já ganhara reputação como autoridade em assuntos económicos e financeiros, faz parte da comissão reunida em Londres para liquidar a dívida de guerra e da Comissão de Reparações Alemãs, em Paris, vindo ainda a representar o seu país na Conferência Interparlamentar Internacional de Comércio.

Filiado no Partido Republicano Português e membro da Maçonaria, onde se iniciou em 1907, na loja Solidariedade, adoptando o nome simbólico de Padre Eterno, é um dos poucos oficiais que compareceram de imediato na Baixa lisboeta a seguir à proclamação da República.

Durante este regime, teve uma intensa participação parlamentar, como deputado por Macau (1915-1917), Silves (1919, 1921 e 1922) e Lagos (1925). Sobraçou, ainda, duas pastas ministeriais: a do Comércio, entre 19 de Julho e 20 de Novembro de 1920, e a das Finanças, entre 13 e 17 de Agosto de 1923 e entre 20 de Agosto e 24 de Outubro de 1923.

Apartado da actividade política na vigência da Ditadura Militar, regressaria, porém, no período do Estado Novo, no papel de procurador à Câmara Corporativa (1935) – onde foi relator de pareceres relativos à reforma dos Serviços da Dívida Pública, ao Cadastro da Propriedade Rústica e ao Imposto sobre Lucros de Guerra – e de vice-governador do Banco Nacional Ultramarino.

Foi autor de obra diversa sobre o ensino e a economia, donde se destaca o título A Semana do Escudo – colecção de conferências e artigos realizados em 1924, durante uma campanha contra a inflação fiduciária e a favor da valorização da moeda.

Foi candidato derrotado a secretário-geral do Banco de Portugal.

A Escola Elementar de Comércio e Indústria João de Deus foi inaugurada em 5 de Outubro de 1920. Para a sua criação foi decisivo o esforço desenvolvido pela Câmara Municipal de Silves que reforçou o seu Orçamento dos indispensáveis meios financeiros e disponibilizou as instalações para o seu funcionamento. De entre os seus obreiros destaca-se o nome de Maurício Monteiro que aventou, em Lisboa, a ideia da sua criação e os de Samora Barros e de Henrique Martins que o secundaram no projecto. A ideia ganhou corpo através da acção política dos deputados municipais da cidade João Estevão Águas e Velhinho Correia que desenvolveram o processo oficial que levou à criação da Escola.

O ataque à direcção do Banco Nacional Ultramarino, empossada a 23 de Novembro de 1925 pelo governo de Domingos Pereira, foi propositadamente construído para atingir Francisco da Cunha Leal e Velhinho Correia, do Partido Nacionalista.

[Em continuação]

A.A.B.M.

quinta-feira, 9 de julho de 2009


NÃO PERCAS A ROSA

"Inapetente para a meticulosidade pachorrenta dos registos sistemáticos — por índole poética perfilho as sísteses das vivências acumuladas —, foi-me então estranhável iniciar este diário nas horas entusiásticas em que deflagraram os acontecimentos que lhe foram dando forma (...)"

Natália CorreiaNÃO PERCAS A ROSA. Diário e algo mais (25 de Abril de 1974 — 20 de Dezembro de 1975), Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1978

in CATÁLOGO da Livraria In-Libris.

J.M.M.

SALAZAR, FRANCO E A PROPAGANDA CONTRA A ESPANHA DEMOCRÁTICA

"O título deste livro, "O Que Parece É", não foi inventado por mim, nem tão-pouco foi retirado de um anúncio publicitário. Trata-se de uma frase de Salazar, um dos muitos aforismos que ele tanto gostava de integrar no seu discurso e que serviam de 'slogans' com enorme eficácia propagandística, funcionando como mandamentos explícitos para orientar as directrizes ideológicas do seu novo modelo político. (...) O objectivo científico deste livro consiste em compreender o discurso salazarista no que diz respeito aos meios de comunicação, os quais ele considerava como um veículo de transmissão da ideologia, essencial para doutrinar a sociedade. (...)

Salazar acreditava que o controlo férreo da opinião pública portuguesa era a chave para fazer prevalecer os seus princípios políticos. Isso mesmo manifestou num dos seus discursos: 'A verdade é que politicamente tudo o que parece é, quer dizer, as mentiras, as ficções, os receios, mesmo injustificados, criam estados de espírito que são realidades políticas: sobre elas, com elas e contra elas se tem de governar'

Esta visão totalitária da sociedade portuguesa fez com que temesse o contágio ideológico através da Espanha democrática que nascera com a fundação da Segunda República, a 14 de Abril de 1931, um regime que poderia prejudicar o Estado Novo. A rebelião franquista de Julho de 1936 pareceu-lhe ser o melhor para Espanha e para Portugal. Por isso, era necessário prestar o maior auxílio propagandístico possível a Franco, de modo a difundir a verdade, a sua verdade" [in, Nota Prévia - ler AQUI]

O Que Parece É. Salazar, Franco e a Propaganda Contra a Espanha Democrática - de Alberto Pena, Edições Tinta da China.

J.M.M.

segunda-feira, 6 de julho de 2009


COMISSÃO MILITAR REVOLUCIONÁRIA DO 5 DE OUTUBRO DE 1910 (Parte III)

Continuando a apresentar os militares que intergravam a Comissão Militar Revolucionária e reconhecendo a impossibilidade de os indicar a todos, apresentamos mais um conjunto de figuras que conspiraram para derrubar a monarquia em 1910.

- Mariano Martins
- Vasconcelos e Sá
- Tancredo de Morais
- Artur Carlos de Carlos Barros Basto
- João Ribeiro Gomes
- Armando Porfírio Rodrigues
- José Malta
- Manuel Lourenço Godinho
- Manuel Tavares Grelo
- Augusto Mateus dos Santos Costa
- António Inácio Simões
- Alves de Sousa
- Policarpo de Azevedo
- Humberto de Ataíde Ramos e Oliveira
- António José Soares Durão
- Viriato Pereira de Lacerda
- João Ribeiro Gomes
- Francisco Xavier da Cunha Aragão
- Fernando Mauro d'A. Carmo
- Alexandre Augusto Terry
- José Dias Veloso
- Francisco Gonçalves Velhinho Correia
- Nicolau Tolentino Pereira Homem Teles

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

* Martins, Rocha, D. Manuel II(Memórias para a História do seu reinado), vol. II, Sociedade Editora José Bastos, Lisboa, s/d.
* Mello, João Augusto Fontes Pereira de, A Revolução de 4 de Outubro (Subsídios para a sua História). A Comissão Militar Revolucionária, Guimarães & Cª Editores, Lisboa, 1912.
*Santos, Machado, A Revolução Portuguesa (1907-1910), introd. Joel Serrão, Assírio e Alvim, Lisboa, 1982.
* Silva, António Maria da, O Meu Depoimento. Da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, República, Lisboa,1974.

[Na imagem Mariano Martins, um dos conspiradores referido neste post, nasceu em Aljustrel em 8 de Dezembro de 1880 e falecido em 22 de Maio de 1943. Era filho de Sebastião Rodrigues e de Firmiana Rita da Costa. Frequentou o curso superior do Comércio no Instituto Industrial. Ingressou na Armada em 1899, ascendeu a aspirante de 1ª classe em 1903, guarda-marinha em 1905; 1º tenente em 1910; capitão tenente em 1917 e capitão de fragata em 1918, alcançando a patente de capitão de mar e guerra em 1930. Envolveu-se no movimento de 14 de Maio de 1915. Foi governador de S. Tomé e Principe (1911-13) e da Índia (1925-26).Foi administrador colonial, deputado, governador civil de Vila Real e de Lisboa. Desempenhou ainda as funções de Ministro da Agricultura e de Ministro das Colónias. Na fase final da sua vida acabou por aderir ao Estado Novo.]

A.A.B.M.

PERIÓDICOS – "ESQUERDA SOCIALISTA" E "PODER POPULAR"

A Hemeroteca Municipal de Lisboa, que tem vindo a divulgar o seu riquíssimo acervo documental (publicações periódicas), disponibilizou (com alguns números em falta) recentemente dois órgãos de informação do extinto MES [Movimento de Esquerda Socialista], organização política de grande destaque na luta política nos tempos idos de 1974-75.

Assim, pode consultar-se online o estimado periódico "Esquerda Socialista", nº0 (12 de Setembro de 1974) ao nº38 (16 de Julho de 1975) [direcção de César de Oliveira; Rogério de Jesus (nº7); Augusto Mateus (nº11, 14 de Janiero de 1975)]

e o jornal "Poder Popular", Ano I, nº1 (3 de Abril de 1975) ao nº76, Ano II (13 de Julho de 1978) [direcção de Fernando Ribeiro Mendes e Paulo Bárcia; Eduardo Ferro Rodrigues (nº30, 25 de Fevereiro de 1976); Eduardo Graça (nº49, 11 de Setembro de 1976); Augusto Mateus (nº62, 23 de Junho de 1977)].

Nota: sobre a imprensa periódica do MES, consulte-se os posts de Eduardo Graça, nos Caminhos da Memória - Breve resenha histórica da imprensa do MES (I) / Breve resenha histórica da imprensa do MES – O jornal «Esquerda Socialista» (II) / Breve resenha histórica da imprensa do MES – O jornal «Poder Popular» (III).

J.M.M.

domingo, 5 de julho de 2009


NA APRESENTAÇÃO DA BIOGRAFIA POLÍTICA DE HENRIQUE TENREIRO

Ontem, pelas 18 horas, no Museu Marítimo de Ílhavo, tivemos oportunidade de assistir à apresentação da obra de Álvaro Garrido, “Henrique Tenreiro. Uma biografia política”, publicado pelo Círculo de Leitores. Com uma assistência interessada, a rondar a meia centena de pessoas, com familiares e alguns amigos.

Constituída a mesa, composta pela Dr. Guilhermina Gomes, representante da editora, o Dr. Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Doutor Joaquim Feio, apresentante da obra e finalmente o autor da obra em causa.

Após as palavras de circunstância proferidas pelo edil de Ílhavo, onde salientou os laços de amizade que o ligam ao autor, referindo que assistiu ao “crescimento do Museu Marítimo sob a direcção e trabalho do Dr. Álvaro Garrido”. Seguiu-se a representante da editora que salientou a satisfação com trabalho realizado pelo Dr. Álvaro Garrido, particularmente porque os seus trabalhos têm sido bem acolhidos junto do público, anunciando mesmo que vai ser feita uma nova reimpressão desta obra.

O Dr. Joaquim Feio começou por referir as ligações que tem com a região e como ao longo da sua vida conheceu e contactou com pessoas que de alguma forma estavam ligadas à pesca do bacalhau o que lhe permite compreender muitos dos factos e situações que encontrou narradas na obra supra referida. Reconhecendo que acompanhou a elaboração do livro ao longo do tempo, com longas conversas pelos corredores da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Nos vários pontos que salientou da obra, dois pontos mereceram algum destaque: “o sistema Tenreiro” e o “enigma Tenreiro”. O primeiro, entendido como o “sistema das pescas criado por Tenreiro, que tornou a campanha do bacalhau num enorme sinal simbólico para o Estado Novo, porque recorda a gesta heróica dos Descobrimentos”. Porque todo o cerimonial preparado para assinalar o início das campanhas nos mares do Norte era encenado ao detalhe para lembrar as partidas dos navios na época das Descobertas, desde a bênção da frota até aos discursos da ocasião eram pormenorizadamente estudados, fazendo da faina do bacalhau como a “grande pesca” onde se sugeria a grandeza imperial da Nação.

Por outro lado, o denominado “enigma Tenreiro”, porque a personalidade de Henrique Tenreiro “não deixava ninguém indiferente” como afirmou Joaquim Feio, porque havia dentro do Estado Novo os defensores e os críticos desta personalidade. A obra, que o apresentante considerou como “uma criptobiografia do Estado Novo”, porque a personalidade de Tenreiro acompanha todo o período do salazarismo, “criando ou aproveitando os rituais do regime, tornando-se um guardião ou mesmo um pilar do regime”. Referindo-se às suas estreitas ligações com o Almirante Américo Tomás que lhe valeram para o resguardar de situações mais complicadas no interior da chamada”situação”, em particular na fase final do regime.

Joaquim Feio relatou mesmo situações, de que teve conhecimento, em que Henrique Tenreiro exercia um apertado controlo sobre os capitães e armadores dos bacalhoeiros. Tenreiro, era na opinião de Joaquim Feio, uma figura que entre os armadores “suscitava temor, aprovação e desaprovação”. Porque, aproveitando o corporativismo económico salazarista, surgido como uma terceira via entre o capitalismo e a economia planificada, “construiu no sector das pescas um enorme poder fáctico” tecendo uma complexa e estruturada pirâmide de organizações que lhe permitiram uma posição de destaque na orgânica do Estado Novo. Com a revolução de Abril de 1974, Tenreiro que devia ter sido julgado, acaba por conseguir partir para o Brasil, onde viveu o resto dos seus dias, considerando Joaquim Feio que a parte final da biografia “constitui um excelente material de reflexão sobre o quando tudo acaba enquanto poder”.

Tomou por fim a palavra o Doutor Álvaro Garrido que agradeceu aos membros da mesa, aos familiares e amigos presentes. Assumindo, logo de início que não se referiria à obra em si, explicou os escolhos e problemas que se levantam a quem se propõe escrever biografias políticas que considerou ser mais um género literário que historiográfico. Considerou importante o papel das biografias, porém também reconheceu que a valia de algumas das que recentemente têm sido publicadas podem ser discutíveis.

Referiu que começou a interessar-se pelo tema da pesca do bacalhau a pedido do Professor Romero de Magalhães. Este, juntamente com o Professor Reis Torgal ,desempenharam um importante papel na sua formação de historiador, aproveitando para agradecer a ambos, porque estavam presentes na sala e mais uma vez o acompanhavam na apresentação pública de um novo trabalho.

Para finalizar e aproveitando já alguns ecos recebidos sobre a obra solicitou à editora que numa segunda edição se conseguisse a integração de um índice onomástico que seria muito útil a quem deseje consultar a obra. Já agora, se nos é permitido, partilhamos em absoluto dessa opinião, pois para mais fácil pesquisa das pessoas que são referidas tornava-se fundamental um instrumento desse género, por outro lado permitiria também estabelecer a teia de relações pessoais que se conhecem de Henrique Tenreiro, a importância que as mesmas tinham e abrir caminhos a novas pesquisas no campo das influências sociais e políticas.

Foi um fim de tarde passado no Museu Marítimo de Ílhavo visitando um espaço que já não visitávamos havia algum tempo, onde é possível agora visitar a exposição temporária intitulada "Frota de Paz nos Mares em Guerra" que merece a pena ser visitada pelos nossos ledores.

A.A.B.M.

ESTUDOS SOBRE OS JORNALISTAS PORTUGUESES

"Não conheço olhar mais rigoroso sobre a reconfiguração em Portugal do jornalismo e da profissão de jornalista na viragem do século. Nem mais fecundo sobre a luta pela sobrevivência da autonomia do campo na nova e imprevisível era que emerge". [Adelino Gomes]

"Trata-se de um livro que contém trabalhos de uma grande qualidade e rigor científico sobre um tema da maior pertinência nos tempos que correm. É certamente uma contribuição do maior relevo para o conhecimento da problemática sociológica referente à profissão jornalística em Portugal." [Tito Cardoso e Cunha]

"O universo dos jornalistas portugueses esteve submetido a sucessivas vagas de turbulência desde a alteração política do 25 de Abril de 1974. Certas tendências-chave que tinham vindo a irromper no grupo profissional, a partir desse acontecimento gerador de um contexto democrático, desprenderam-se completamente na década de 1980, dando lugar a um panorama renovado que se desenvolveu na passagem para o século XXI. Manifestações centrais deste processo foram o alargamento e completa recomposição profissional e social dos jornalistas. A feminização, o rejuvenescimento, o aumento da formação escolar, o surgimento de novas posições e funções, a estratificação interna, o aumento das disparidades e o surgimento de novos conceitos e práticas são os principais traços dessa dinâmica. Os estudos reunidos neste livro procuram analisar e compreender estes e outros aspectos da profissionalização dos jornalistas inserindo-os no quadro das profundas transformações que as sinergias entre a revolução tecnológica digital e modelos de gestão adaptados a um mercado tumultuoso e competitivo estão a implicar na realidade que conhecíamos como sendo a imprensa e o jornalismo" [ler, AQUI]

ESTUDOS SOBRE OS JORNALISTAS PORTUGUESES, metamorfoses e encruzilhadas no limiar do século XXI - org. de José Luís Garcia, ICS

APRESENTAÇÃO, dia 7 DE JUNHO (18, 30 horas) - por José Pacheco Pereira e Adelino Gomes - Livraria FNAC (Colombo), Lisboa.

J.M.M.

PRAÇA VELHA - REVISTA CULTURAL DA GUARDA

Saiu, no passado dia 18 de Junho, a Revista Cultural Praça Velha (nº25), com uma temática dedicada à "vida e obras de escritores da Guarda".

Do Índice, registe-se os trabalhos sobre os escritores Eduardo Sucena (por Adriano Vasco Rodrigues), Fernando Silva Correia (por Aires Antunes Diniz), Rui de Pina (de António dos Santos Pereira), Armando Moradas Ferreira (por António José Dias de Almeida), Francisco de Pina (por António Salvado Morgado), uma curioso trabalho biográfico a partir das "Cartas de Nuno de Montemor para Ladislau Patrício" (por Dulce Helena Pires Borges), um estudo de Pinharanda Gomes sobre Leonis de Pina e Mendonça ("Um Escritor Sacro do Séc. XVII") e um artigo sobre Augusto Gil.

Ainda, neste seu último número, pode ler-se um artigo de Eduardo Lourenço e uma entrevista a Manuel António Pina. Em pré-publicação, surgem páginas do "Diário" de Manuel Poppe.

J.M.M.

COMISSÃO MILITAR REVOLUCIONÁRIA DO 5 DE OUTUBRO DE 1910 (Parte II)

Continuando as nossas pesquisas sobre a Comissão Militar Revolucionária encontramos mais os seguintes elementos:
- Djalme de Azevedo
- Sobrinho de Azevedo
- Duarte Fava
- Castro Morais
- António Ladislau Parreira
- José de Ascensão Valdez
- Victorino Godinho
- Manuel Maia de Magalhães
- Camacho Brandão
- Alfredo Pedreira Martins de Lima
- Costa Gomes
- Guilherme Rodrigues
- João Lúcio Serejo
- Álvaro de Oliveira Soares Andreia
- João Salgueiro Rodrigues
- André Bastos
- Carlos Ludgero Antunes Cabrita
- João Sarmento Pimentel

[Na Foto: uma das fachadas da Real Fábrica da Cordoaria Nacional, em Lisboa, local onde a Comissão Militar Revolucionária se reuniu por diversas vezes para preparar a revolução de 4 e 5 de Outubro de 1910.]

A.A.B.M.

sábado, 4 de julho de 2009


JOSÉ ESTÊVÃO / LUÍS DE MAGALHÃES - MOSTRA EVOCATIVA

"José Estevão (1809-1862) foi e é unanimemente considerado o maior parlamentar português.

A vida política deste eloquente orador acompanhou as vicissitudes da implantação do liberalismo em Portugal após 1826. Combateu o miguelismo no batalhão académico, exilando-se depois em Inglaterra. Após a vitória de D. Pedro, que lhe concedeu a condecoração da Torre Espada pela sua coragem em batalha na guerra civil travada no Porto (1833), José Estevão combateu ao lado dos Setembristas por uma concepção mais democrática do liberalismo constitucional. Adversário de Costa Cabral, José Estevão celebrizou-se não só como notável orador parlamentar, mas também como combatente de armas na mão durante a Revolta de Torres Novas (1844) e na Patuleia (1847). Aderiu em 1851 à Regeneração.

Jornalista, principalmente na Revolução de Setembro, militar revolucionário, advogado de causas perdidas que conseguiu ganhar no tribunal dadas as suas qualidades tribunícias, professor de economia política na Escola Politécnica, José Estevão é recordado, assim como seu filho Luís, nesta mostra da BNP, como incansável lutador pelas suas ideias e pai extremoso, tendo morrido inesperadamente quando seu filho primogénito Luís Cipriano contava apenas três anos ...
" [ler mais AQUI]

MOSTRA EVOCATIVA: BIBLIOTECA NACIONAL - de 6 de Julho a 19 de Setembro.

J.M.M.

quarta-feira, 1 de julho de 2009


COMISSÃO MILITAR REVOLUCIONÁRIA DO 5 DE OUTUBRO DE 1910 (Parte I)

Foi no mês de Julho de 1909, em data que não foi possível determinar, que se iniciaram os preparativos para a revolução que acabou por ocorrer em 4 e 5 de Outubro de 1910.

Após a realização do Congresso do Partido Republicano, em que uma parte do partido decidiu organizar a conspiração para derrubar a monarquia foi necessário encontrar entre os conspiradores, desde os militares, à Maçonaria e à Carbonária quem estivesse disposto a arriscar na preparação da revolução.

Como sempre, nestas situações ou não existem documentos escritos, porque era muito arriscado; ou dependemos e acreditamos nas memórias e relatórios que nos foram legadas à posteriori. Tendo em consideração aquilo que temos consultado sobre o assunto, decidimos cruzar elementos entre diversas obras que resultam de testemunhos dos acontecimentos para tentar simplesmente dar conta de alguns dos nomes dos envolvidos no processo. Infelizmente, muitos desses homens permaneceram no anonimato e pouco se sabe sobre alguns deles. Outros, porque desempenharam funções e cargos públicos, acabaram por deixar algum rasto da sua existência, embora muitas vezes quase esquecido.

Vejamos então quem eram alguns dos membros dessa Comissão Militar Revolucionária:
- Carlos Cândido dos Reis
- Carvalho Araújo
- Filemon de Almeida
- Carvalhal Correia Henriques
- Pires Pereira
- José Cabral
- Hélder Ribeiro
- João Augusto de Fontes Pereira de Melo
- Azevedo Gomes
- Aragão e Melo
- José Mendes Cabeçadas Júnior
- Jaime de Morais
- Adalberto Gastão de Sousa Dias
- Machado Santos
- Álvaro Teles de Azevedo
- Augusto Ramos da Costa
- Afonso Pala
- Américo Olavo
- Câmara Leme
- Álvaro Pope
- Ernesto Sá Cardoso
- David Ferreira
- Moura Mendes
- João Manuel de Carvalho
- Pinto de Magalhães
- Assis Duarte Ferreira
- Artur Marinha de Campos
- Silva Pais
- António Joaquim de Sousa Júnior
- Monteiro Guimarães
- José Carlos da Maia
- João Fiel Stockler

Nos próximos dias procuraremos indicar mais alguns dos homens que prepararam a conspiração, principalmente, entre os militares sejam da marinha ou exército.

[Na imagem acima Artur Marinha de Campos que, com a devida vénia, utilizamos o que estava AQUI onde se faz um pequeno bosquejo biográfico sobre a personalidade]

Em continuação

A.A.B.M.

segunda-feira, 29 de junho de 2009


VI CURSO DE HISTÓRIA DO ALGARVE 2009

A Universidade do Algarve, através do Departamento de História, Arqueologia e Património, vai organizar, durante o próximo mês de Julho, a VI edição do curso de História do Algarve.

Ao longo de nove sessões, com alguns investigadores de História regional, vão ser apresentadas diversas comunicações sobre as diferentes épocas históricas. As sessões vão iniciar-se no próximo dia 2 de Julho e vão decorrer até 30 de Julho, às terças e quintas-feiras, entre as 17.30h e as 19.30h, com o seguinte programa de trabalhos:

02- António Faustino de Carvalho, "A passagem para o Atlântico: o Algarve no processo de expansão da agricultura neolítica mediterrânea"
07- João Pedro Bernardes, "O negócio do peixe no Algarve da Época Romana"
09- Marco Santos, "A produção artística no Algarve em finais do Antigo Regime: o caso da Igreja da Ordem Terceira do Carmo de Tavira"
14- Luís Filipe Oliveira, "O outro reino: o Algarve Medieval"
16- António Rosa Mendes, "As Invasões Francesas no Algarve"
21- António Paulo Oliveira, "Síntese sobre o Integralismo Lusitano no Algarve"
23- Catarina Almeida Marado, "A extinção das ordens religiosas no Algarve: o processo e as consequências"
28- Isabel Dias,"Lendas do Cabo de S. Vicente"
30- Adriana Nogueira, "O Algarve como recurso estilístico"

Inscrições:
Gabinete de Eventos da FCHS
Campus de Gambelas
tel. 289 800914
Email: gefchs@ualg.pt

Informações adicionais
http://cursohistoriaalgarve.wordpress.com

Uma iniciativa que o Almanaque Republicano não podia deixar de divulgar junto dos seus ledores, esperando que alcance bastante sucesso junto dos algarvios.

A.A.B.M.

quinta-feira, 25 de junho de 2009


COMISSÃO MUNICIPAL REPUBLICANA DO PORTO

Foi eleita, no Porto, a 22 de Junho de 1904, a Comissão Municipal Republicana do Porto, por sufrágio directo.

Foram eleitos como efectivos:
- Dr. Afonso Augusto da Costa;
- Dr. António Luís Gomes;
- António dos Santos Pousada;
- António da Silva Cunha;
- Delfim Pereira da Costa;
- Dr. Duarte Leite Pereira da Silva;
- Dr. Henrique Pereira de Oliveira;
- Dr. Joaquim de Azevedo Albuquerque;
- Dr. Paulo José Falcão;
- Dr. Severiano José da Silva.

Como substitutos foram eleitos:
- Alfredo Pinto Osório;
- António Amorim Carvalho;
- António Emílio Magalhães;
- Dr. Germano Martins;
- Francisco Xavier Esteves;
- José Pinto de Sousa Lelo;
- José Maria da Silva Dória;
- David d’Almeida Coimbra;
- Dr. José Joaquim Osório;
- Joaquim de Castro e Silva.

[Foto: Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque (16-08-1839;21-01-1912), era filho de João de Azevedo de Sousa Vieira da Silva e Albuquerque e de Joaquina Carlota Barreto da França. Casou em 5 de Abril de 1869 com Helena Eulália Gonçalves Pinto de quem teve 5 filhos. Engenheiro civil formado pela Academia Politécnica do Porto, professor do liceu, lente da Academia Politécnica do Porto e matemático. Era sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa-filial do Porto, onde desempenhou as funções de primeiro secretário. Foi presidente da direcção da Sociedade de Instrução do Porto em 1884. Foi um dos republicanos indigitados para o Governo Provisório proclamado durante a revolta de 31 de Janeiro de 1891. Apresentou-se como candidato a deputado ainda durante a Monarquia. Por limite de idade foi jubilado em 1910 e um dos membros da Comissão Municipal Republicana do Porto em 1904. Terá sido colaborador de Camilo Castelo Branco na tradução do Dicionário de Educação e Ensino. Autor de vasta bibliografia escolar e científica na área da Matemática. Iniciado na Maçonaria em 1892 na Loja Independência do Porto com o nome simbólico de Condorcet. Ver mais informações sobre esta personalidade ver AQUI

Bibliografia Consultada:
CABRAL, Alexandre, Dicionário de Camilo Castelo Branco, Caminho, 1988;
MARQUES, António Henrique de Oliveira, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. I, Editorial Delta, 1986, p. 32.]

[Resistência, Coimbra, 26 de Junho de 1904, Ano 10, nº 913, p. 1, col. 3]

A.A.B.M.

SIMÃO JOSÉ DA LUZ SORIANO: NOTA BREVE

Nasce em Lisboa a 8 de Setembro de 1802. Foi abandonado pelo pai [Domingos José Soriano, barbeiro de profissão e que partiu para o Brasil – cfª Dicionário de Autores Casapianos, Lisboa, 1982, p.186] e vai viver para Famalicão da Nazaré com a mãe (empregada de servir). Entra, por intermédio de um seu tio [frade carmelita, ibidem] na Casa Pia a 31 de Agosto de 1811 ["data em que a Instituição reabriu no Convento do Desterro", ibidem].

Em Agosto de 1813, Luz Soriano, "saiu para aprender o ofício de Encadernador" [ibidem]. Vai para Coimbra, sua "forte ambição", para estudar, mas é "roubado de todos os seus haveres", tendo regressado, depois de trabalhar "como criado de lavoura" (na Azambuja), à Casa Pia. Abandona-a, de novo, devido a incompatibilidades escolares com o administrador da Instituição e decide-se pela "vida monástica". Tenta ingressar, curiosamente, no Mosteiro de Santa Maria da Arrábida [ibidem], mas não é aceite por "não saber latim". Decide, então, estudar engenharia. Parte para Coimbra [a 7 de Junho de 1825 – ibidem], instalando-se no "velho colégio da Broa". Troca Engenharia por Medicina, tornando-se bacharel anos depois, na cidade onde diz ter assado "o melhor tempo da sua mocidade".

Defendendo, ainda como estudante, o ideário liberal, liga-se (1828) à revolução constitucional do Porto, "proclamada em 16 de Maio" [cfª. Dicionário Biographico Portuguez, de Inocêncio Francisco da Silva]. Malograda a intentona, é obrigado a exilar-se em Espanha, fazendo aí parte do Batalhão de Voluntários Académicos [Dicionário, ibidem]. Parte para Plymouth e depois para a Ilha Terceira [Fevereiro de 1829, ibidem], tomando parte no desembarque do Mindelo, "vindo depois na expedição ao Porto em 1832", em cujo cerco serviu. Refira-se que veio de Plymouth para Angra, via ordens do Marquês de Palmela, e transportada pela galera "James Cropper" [chegada no dia 14 de Fevereiro de 1829 – Dicionário, ibidem], a "imprensa" para "uso da junta provisória", que Luz Soriano e outros "voluntários" montaram e que tinha na sua chefia Pedro Alexandrino da Cunha [alferes do regimento nº43 – ibidem]. Sobre a questão da introdução da imprensa nos Açores, a que este facto se refere, é conveniente consultar o Dicionário do Inocêncio, onde é transcrita um carta de Luz Soriano [do Conimbricense n.º 3:944] que clarifica o assunto.

Com a vitória liberal, entra como Amanuense de primeira classe na Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros [Dezembro de 1832] e acaba o seu curso de Medicina [1842]. Deputado por Angola (1851-54). É aposentado (1867) no cargo de oficial maior do Ministério da Marinha e do Ultramar.

Escritor prolífico [com dezenas de obras publicadas], é como historiador e memorialista (notável) que é reconhecido. A sua merecida e estimada bibliografia histórica é de importância fundamental para o estudo da instauração do liberalismo em Portugal.

Morre em 18 de Agosto de 1891, "deixando testamento que teve larga divulgação por conter disposições realmente merecedoras dessa publicidade, e entre elas algumas que bem revelam o seu civismo e o seu acrisolado amor à Pátria" [ibidem]. Aí, contempla especialmente a Casa Pia de Lisboa [deixando-lhe, entre prestações pecuniárias e imóveis vários, a sua "vasta Biblioteca"] e a Misericórdia de Coimbra.

Foto: in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, 1993.

J.M.M.