quarta-feira, 10 de junho de 2009


OS LUSÍADAS

Edição Comemorativa do III Centenário da Restauração da Independência de Portugal [prefácio de Hernâni Cidade e um estudo sobre as duas edições datadas de 1572 por Eleutèrio Cerdeira], Barcelos, Companhia Editora do Minho, 1960.

J.M.M.

TRICENTENARIO DE LUIS DE CAMOES

"AO TRICENTENÁRIO DE LUÍS DE CAMÕES

Ao tricentenário de Luiz de Camões [Visual gráfico. - Rio de Janeiro : [s.n.], 1880 ([Rio de Janeiro?] : Lith. António Lobo. - 1 gravura : litografia]"

via Biblioteca Nacional

J.M.M.

DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

"Pai ...
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!
...
A bênção como espada,
A espada como bênção!
"

Fernando Pessoa

J.M.M.

CENTENÁRIO DE CAMÕES EM 1880

Quando se assinala mais um aniversário do 10 de Junho, recordamos o que se passou em Lisboa em 1880, quando se realizaram as grandes comemorações camoneanas que hoje muita gente se queixa não saber a origem.

Nesse período tinha sido descoberto um documento na Torre do Tombo, que Teófilo Braga depois divulgou num periódico dirigido por Magalhães Lima, intitulado Comércio de Portugal, onde referia a data de falecimento do nosso poeta mais consagrado na época: Luís Vaz de Camões. Foi então deliberado assinalar a data em 10 de Junho de 1880, passando a partir daí a ser feriado nacional para assinalar o Dia de Portugal e de Camões e só mais recentemente passou também a homenagear as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

A.A.B.M.

domingo, 7 de junho de 2009


CONFERÊNCIA NA ASSEMBLEIA FIGUEIRENSE SOBRE A REPÚBLICA

Vai realizar-se amanhã,8 de Junho, a partir das 21.30h, nas instalações da Assembleia Figueirense, numa iniciativa da Associação Cultural 24 de Agosto, uma conferência intitulada Da 1ª à 2ª República. Repressão e Resistência proferida pelo Major General Augusto Monteiro Valente.

Uma actividade que se saúda e a que os figueirenses devem dar o seu contributo.

A.A.B.M.

quinta-feira, 4 de junho de 2009



CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA E PATRIMÓNIO-AVEIRO 250 ANOS

Hoje, dia 4 e amanhã dia 5 de Junho vai realizar-se em Aveiro um importante congresso internacional sobre História e Património daquela cidade, tendo em vista assinalar os 250 anos da elevação de Aveiro a cidade.

Assim, ao longo de 2 dias, no Centro de Congressos de Aveiro, vão apresentar os seus trabalhos mais de 30 investigadores. Na comissão científica encontramos personalidades como Prof. Doutor António Marques Galopim de Carvalho, Prof. Doutor José Matoso, Prof. Doutor Amadeu Soares e Prof.ª Doutora Maria Helena da Cruz Coelho.

O programa completo pode ser consultado AQUI.

A.A.B.M.

quarta-feira, 3 de junho de 2009



FERNANDO CATROGA E A MEMÓRIA HISTÓRICA

Tivemos hoje oportunidade de assistir ao lançamento da nova obra do Prof. Fernando Catroga, Os Passos do Homem como Restolho do Tempo. Memória e Fim do Fim da História, publicado pela Livraria Almedina.

A apresentação decorreu nas instalações da Almedina/Estádio de Coimbra, com uma assistência bastante numerosa, já que o espaço tornou-se exíguo face ao número de participantes. Entre os presentes, notavam-se as presenças de familiares, colegas, amigos e alunos do autor. Na assistência encontramos personalidades como Ana Cristina Araújo, António Pedro Pita, António Resende de Oliveira, Fernando Fava, Fernando Taveira da Fonseca, Isabel Vargues, Manuel Augusto Rodrigues, Manuela Tavares Ribeiro, Margarida Neto, Paulo Archer, Rui Cascão, Vítor Neto, o general Monteiro Valente, entre muitos outros.

Após a apresentação da obra, pelo Prof. Anselmo Borges e após as palavras proferidas pelo autor houve uma troca de impressões com a assistência. O autor respondeu a algumas questões colocadas, de entre elas permitimo-nos destacar as que se referem ao problema da memória histórica e ao papel do historiador em mediar essa memória e interpretar "o restolho" que fica.

Entre as palavras proferidas pelo autor, sempre muito cuidadoso com a utilização dos conceitos que nos tenta explicar nesta obra, registamos o seguinte: "O homem como ser finito, procura através da simbologia da morte deixar o restolho para a História. Tenta fixar o momento para conseguir perpetuar-se"(citamos de memória, perdoe-se-nos algum lapso), já que como afirma nas palavras prévias da sua obra "o homem, ao narrar-se como história, apazigua os acontecimentos, inscrevendo-se em espaços e tempos que ordena por eixos de sentido. Como ele sabe que só com o esquecimento irreversível a morte se transforma em definitivo nada, o diálogo com os signos da ausência uma re-presentificação, mediante a qual, ao darem futuros ao passado, os vivos estão a afiançar um futuro para si próprios" [p. 7].

E termina afirmando: "a obsessão ocidental pela história e pela memória histórica tem como principal fonte a influência, mesmo que indirecta, da visão judaico-cristã do tempo" [p. 239].

Esta obra encontra-se dividida em quatro partes:
I- Uma poética da ausência
II - Mediatês e Mediação
III- A Activa Espera da Esperança
IV - O Ainda Não Ser
Estas por sua vez repartem-se por um total de 11 capítulos, num total de 309 páginas, onde ainda é possível encontrar abundante bibliografia e um muito útil índice onomástico.

Um último aspecto digno de relevância esta obra é dedicada à memória do Prof. Miguel Baptista Pereira, figura importante do pensamento filosófico português falecido há algum tempo e a quem o Almanaque Republicano, em devido tempo prestou o seu tributo.

Uma obra que se vai tornar, certamente, uma referência na teorização da história em Portugal e que, esperamos, obtenha o reconhecimento merecido.

Foto: espólio A.A.B.M.

A.A.B.M.

FERNANDO CATROGA – APRESENTAÇÃO DA SUA ÚLTIMA OBRA

Na Livraria Almedina (Estádio, Coimbra)hoje (dia 3), pelas 18.00h – vai ser apresentada a última obra do historiador e ensaísta Fernando Catroga (professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e especialista em História das Ideias e em Teoria da História), "Os Passos do Homem como Restolho do Tempo. Memória e Fim do Fim da História".

A obra será apresentada pelo Doutor Anselmo Borges.

Foto: espólio JMM

J.M.M.

terça-feira, 2 de junho de 2009



CRISE ACADÉMICA – COIMBRA 1969 (AS FOTOGRAFIAS)

Fotos únicas da Crise Académica de 1969, em Coimbra, "ordenadas e legendadas por José Veloso e João Gonçalves (JOCA)". [inf. via Caminhos da Memória]

Nota: clicar no botão full screen, em baixa à direita, para visualizar melhor. Para fazer o download basta ter um email e um username (e password).

J.M.M.

sábado, 30 de maio de 2009

ABÍLIO ROQUE DE SÁ BARRETO (PARTE II)


Em 2 de Março de 1864, Abílio Roque de Sá Barreto foi novamente eleito para a Alta Venda da Carbonária Lusitana. Um dos principais objectivos desta sociedade era criar uma tipografia para o jornal Comércio de Coimbra, porque não era na altura possível continuar a utilizar a oficina tipográfica da Imprensa da Universidade. [Francisco Augusto Martins de Carvalho, Algumas Horas na Minha Livraria, Coimbra, Imprensa Académica, 1910, p. 105]. Estabeleceu-se a tipografia para enfrentar o governo do Partido Histórico, porque os proponentes desta nova tipografia eram membros do Partido Regenerador e o jornal supra referido era o órgão do partido na cidade dos estudantes.

Na década de setenta do século XIX, Abílio Roque de Sá Barreto lidera a fundação do Centro Eleitoral Republicano Democrático de Coimbra (8 de Março de 1878), acompanhando Manuel Emídio Garcia e José Falcão, professores na Universidade de Coimbra, para além Miguel Arcanjo Marques Lobo ou Feio Terenas [Lopes de Oliveira, História da República Portuguesa, Editorial Inquérito, Lisboa, 1946, p. 35]. Nessa época, os republicanos dependiam muitos dos notáveis locais que funcionavam como aglutinadores de vontades e mobilizadores de meios económicos e financeiros que também eram fundamentais. Surge então, naturalmente, como um dos primeiros candidatos a deputados pelo Partido Republicano [Fernando Catroga, O Republicanismo em Portugal. Da Formação ao 5 de Outubro de 1910, FLUC, Coimbra, 1991].

Na sua vida profissional, digamos assim, foi um dos fundadores da Companhia Edificadora e Industrial de Coimbra, em 28 de Janeiro de 1876. Esta empresa tinha por base uma deliberação da Loja Perseverança que tinha por objectivo a construção de casas para operários e propunha-se: “adquiri terrenos e prédios em bom ou mau estado existentes d’entro da área do Concelho de Coimbra ou na d’outro Concelho se assim lhe convier”; “edificar ou reedificar prédios urbanos, isolados ou em grupos, de diversos tipos e modestas dimensões, escolhendo locaes que satisfaçam a todas as condições de hygiene e de salubridade, adoptando os melhores modelos que se recomendam pela sua regularidade, beleza e conforto, e satisfação às conveniências domésticas, para as administrar por sua conta e dar d’arrendamento às classes laboriosas, ou aos indivíduos que vêm frequentar os estudos n’esta cidade”; “manter machinas, pelo motor d’agua, ou de vapor, aplicando-se à moagem de cereais, à serragem de madeiras, ao fabrico de tijolo e telha ou a outros mesteres” [AUC. Tabelião Simão Maria de Almeida. Livro de Notas nº 22 apud Fernando Catroga, “Mações, Liberais e Republicanos em Coimbra (Década de 70 do século XIX)”, Arquivo Coimbrão. Boletim da Biblioteca Municipal de Coimbra, vol. XXXI-XXXII, Coimbra, 1988-89, p. 274-275]. Esta empresa acabou por não desfrutar de grande prosperidade nem durabilidade, pois, em 1881, iniciou o processo de liquidação que só foi terminado em 1884.

Por iniciativa desta empresa foi realizada a Exposição Distrital de Coimbra em 1884, conforme refere Amadeu Carvalho Homem. A Associação dos Artista de Coimbra, liderada por Olímpio Nicolau Rui Fernandes, impulsionou a realização da primeira exposição industrial em Coimbra em 1869, que obteve um “assinalável sucesso” [Amadeu Carvalho Homem, “Ideologia e Indústria. A Exposição Distrital de Coimbra de 1884”, Revista de História das Ideias, vol. V, 1984, p. 400].

Abílio Roque de Sá Barreto foi também um dos responsáveis pela fundação da Associação Liberal em Coimbra acompanhado por Manuel Emídio Garcia, Zeferino Cândido, Correia Barata em 1874. Esta associação reflecte sobretudo o espírito anticlerical e anticongreganista que começou a desenvolver-se pela Europa, e também em Portugal, na segunda metade do século XIX. Segundo Fernando Catroga, a raiz desta associação encontra-se num conjunto de pressupostos: “tenha por fim radicar no espírito público as ideias liberais, promover a educação religiosa e liberal do povo, combater o fanatismo e o ultramontanismo”[Fernando Catroga, “Mações, Liberais e Republicanos em Coimbra (Década de 70 do século XIX)”, idem, p. 278].

A Associação Liberal de Coimbra foi apresentada em 6 de Maio de 1875, os estatutos foram aprovados em 16 de Dezembro de 1875 e a sua legalização pelo Governador Civil de Coimbra só foi conseguida em 21 de Março de 1876 e a sua instalação definitiva só foi feita em 8 de Maio de 1878. Abílio Roque desempenhou a função de procurador na comissão executiva desta associação.

Colaborou em diferentes periódicos de Coimbra, Lisboa e outras localidades e fundou, entre outros, O Partido do Povo (1878) com Feio Terenas, Emídio Garcia e Rodrigues de Sousa.

Sendo eleito para a vereação da Câmara Municipal de Coimbra em 1887, pelo Partido Republicano, juntamente com António Augusto Gonçalves e Manuel Augusto Rodrigues da Silva.

Em 1896, voltou a ligar-se ao Grande Oriente Lusitano Unido com a sua loja.

Pertenceu ao Rito Francês, mas acabou por receber já em 1898 os graus 18º e 33º do Rito Escocês Antigo e Aceite.

Faleceu em Condeixa-a-Nova a 29 de Maio de 1898.

Foto: medalha da Carbonária, retirada, com a devida vénia, do República 100 Anos

A.A.B.M.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

ABÍLIO ROQUE DE SÁ BARRETO (PARTE I)


Nasceu em Penela (Rabaçal) em 13 de Janeiro de 1817. Era grande proprietário na região de Condeixa. Desde cedo afirmou o seu credo liberal, lutando contra Costa Cabral nos conflitos da Patuleia.

Pertenceu também à Carbonária Lusitana, de cuja Alta Venda fez parte em 1848. A 29 de Maio, foi eleito Sup. Cons. da Alta Venda, o Padre António Maria da Costa. A primeira reunião realizou-se na Rua da Ilha. Foram ainda instaladas as Barracas: Igualdade e União; e as Choças, 16 de Maio (depois Segredo) e Fraternidade e Liberdade. Alguns dos carbonários iniciados foram, entre muitos: Abílio de Sá Roque (Robespierre), Adelino António das Neves e Mello (Napoleão), dr. António José Rodrigues Vidal (Odorico), dr. António Luís de Sousa Henriques Seco (Cicioso), António Marciano de Azevedo (Sidney), Cassiano Tavares Cabral (Nuno Alvares Pereira), dr. Francisco Fernandes da Costa (Timon 2), João Gaspar Coelho (Archimedes), dr. João Lopes de Moraes (Dupont), José António dos Santos Neves Dória (Huffland), José de Gouveia Lucena Almeida Beltrão (Lamartine), dr. Raimundo Venâncio Rodrigues (Washington), etc. Abílio Roque presidia à Barraca União, que por sua vez se subordinava à Alta Venda.

Em 1853 encontramos Abílio Roque a presidir à Choça Kossut.

Integrou a Junta Geral do Distrito de Coimbra e presidiu ao Centro Eleitoral Republicano Democrático de Coimbra, tendo sido um dos fundadores.

Foi iniciado em data desconhecida, antes de 1844, em loja que ignoramos, embora utilizando o nome simbólico de Lafayette. Fez ainda parte das seguintes lojas maçónicas de Coimbra: Philadelphia (Grande Oriente Lusitano); Federação, loja nº 5; e Perseverança, loja nº 74.

Foi chefe supremo da Carbonária em 1863, tendo a acompanhá-lo na Alta Venda, Dr. Raimundo Venâncio Rodrigues, Dr. José Teixeira de Queirós, Dr. António dos Santos Viegas, Fernando Augusto de Andrade Pimentel e Melo, Dr. António José Teixeira, Olímpio Nicolau Rui Fernandes, José Maria Coutinho, Dr. Albino Augusto Giraldes, Aristides Pinto Ferreira de Bastos, Dr. António de Oliveira Silva Gaio, Dr. José Augusto Sanches da Gama, José da Costa Gomes, Pe. José Adelino Coelho, Pe. Augusto César da Silva Henriques e Dr. Jacinto Alberto Pereira de Carvalho. [Maria Manuela Tavares Ribeiro, Portugal e a Revolução de 1848, Minerva Histórica, Livraria Minerva, Coimbra, 1990, p. 408-409 onde é possível também encontrar o respectivo nome simbólico de cada um destes carbonários.]

Em 1875, fundou a Maçonaria Eclética Portuguesa, onde desempenhou o cargo de Grão-Mestre.

[Em continuação]

A.A.B.M.

quarta-feira, 27 de maio de 2009


ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE MANUEL TEIXEIRA GOMES

Assinalou-se hoje o aniversário de nascimento de Manuel Teixeira Gomes. Nasceu em Portimão em 27 de Maio de 1860, filho de José Líbânio Gomes e Maria da Glória Teixeira Comes.

José Líbânio Gomes era um homem viajado, conhecendo a realidade internacional, pois sabe-se que vivia em Paris aquando dos acontecimentos revolucionários de 1848. Segundo apuramos, começou a partir dessa época, a defender os princípios republicanos, sendo nos primeiros anos do século XX, o mais antigos republicano no Algarve e um dos mais antigos do País. Desempenhou também as funções de cônsul da Bélgica no distrito de Faro.

Teixeira Gomes nasceu num meio burguês, filho de um comerciante abastado de frutos secos, vive numa casa espaçosa e cheia de conforto, sol e flores. Foi educado pelos pais até entrar no colégio de São Luís Gonzaga, em Portimão. Aos 10 anos, parte para Coimbra onde estuda no seminário onde conheceu José Relvas.

Frequenta ainda a Universidade de Coimbra, onde momentaneamente estuda medicina, mas perde-se na vida boémia da Lusa Atenas. O pai convenceu-se então que era melhor continuar a dar-lhe a mesada e deixá-lo viver a sua vida de rapaz, já com forte tendência para as artes: literatura, pintura e escultura. Seguiu a literatura, mas não deixou de admirar as outras artes, tornando-se amigo de grandes mestres, como Columbano que mais tarde o retratou. Vive em Lisboa, onde contacta os meios artísticos e intelectuais, convivendo com João de Deus e Fialho de Almeida, por quem tinha grande admiração.

Frequentou depois durante algum tempo o Porto, onde conheceu José Pereira de Sampaio [Bruno], Basílio Teles, Soares dos Reis, entre outros. Com quem estabeleceu também laços de amizade. Neste período que começa a colaborar em revistas e jornais, entre eles O Primeiro de Janeiro e Folha Nova, Arte e Vida, A Luta (este de Lisboa), Alma Nova, De Portugal, O Diabo, Fradique, Revista da Universidade de Coimbra, Suplemento Literário do Diário de Lisboa, Diário Popular.

A partir de 1891, integra com o pai e outros sócios, uma sociedade intitulada Sindicato de Exportadores de Figos do Algarve, que durou três anos. Durante esse período foi incumbido de encontrar mercados em França, na Bélgica e na Holanda. Viaja então pelo continente europeu, demorando-se em Itália. Aproveita e contacta também novas culturas, deambulando pela África do Norte e pela Ásia Menor.

Em 1907, destaca-se como um dos impulsionadores do novo arranque do Partido Republicano na região, realizando uma grande reunião dos republicanos algarvios na cidade de Portimão, a que acorreram personalidades de toda a região. Foi precisamente num dos armazéns de que era proprietário, que teve lugar este evento, tendo a seu lado outras personalidades ligadas ao partido na cidade, como Ernesto Cabrita e Francisco Marques da Luz.

Aos 39 anos, Manuel Teixeira Gomes inicia um relacionamento com uma jovem algarvia de quem terá duas filhas. Chamava-se Belmira das Neves e descendia de pescadores, o que, na mentalidade da época, e dado que os Teixeira Gomes eram uma família importante em Portimão, este facto terá impedido o casamento.

Em 1911, inicia a sua actividade como embaixador de Portugal em Londres, a sua vida política ao serviço da República começa e prolonga-se até 1918, sendo depois demitido durante o consulado de Sidónio Pais. Em determinados momentos e porque as circunstâncias o exigiam, visto que as dificuldades financeiras do País eram muitas, Manuel Teixeira Gomes chega a adiantar do seu bolso a um secretário inglês para o ajudar nas tarefas quotidianas.

Fazer com que a nossa velha aliada reconhecesse a jovem e ainda pouco estável República não era tarefa fácil, mesmo para um homem de grande cultura como Manuel Teixeira Comes. É necessário recordar as estreitas ligações familiares entre a família real britânica e a última rainha portuguesa, D. Amélia, e o último rei, seu filho, D. Manuel II, então exilados no palácio de Richmond.

Mas a simpatia e "charme" de Teixeira Gomes eram tais que, ao fim de muitos anos em Londres, já a família real o convidava para o palácio com toda a naturalidade. Esteve no Palácio de Balmoral, na Escócia, e sabe-se que a rainha Alexandra o convidou para lhe decorar o gabinete oriental do Palácio de Buckingham.

Quando Sidónio Pais ocupa a Presidência, chama-o a Portugal e de demite-o do cargo, no início de 1918. Então Teixeira Gomes fixa-se novamente no Algarve, como administrador de propriedades. De 1919 a 1923 voltará a ocupar o cargo de diplomata em Madrid e Londres.

Como Presidente, ocupou o cargo entre 5 de Outubro de 1923 e 11 de Dezembro de 1925.
Torna-se necessário recordar que tinha sido candidato derrotado, frente a António José de Almeida, em 6 de Agosto de 1919, ao fim do terceiro sufrágio. Manuel Teixeira Gomes foi eleito Presidente da República na sessão do Congresso de 6 de Agosto de 1923, após um acto eleitoral muito disputado, porque o resultado final também só foi conhecido ao fim do terceiro escrutínio.

Conforme se lê no sítio da Presidência da República:

Na primeira votação, com a presença de 197 congressistas, foram escrutinados os resultados seguintes:

Teixeira Gomes 108 votos
Bernardino Machado 73 votos
Duarte Leite 3 votos
Augusto Soares 2 votos
Magalhães Lima 1 voto
Listas brancas 10
No segundo escrutínio, com a presença dos mesmos 197 congressistas, o resultado ficou assim traduzido:

Teixeira Gomes 114 votos
Bernardino Machado 71 votos
Augusto Soares 2 votos
Duarte Leite 1 voto
Listas brancas 9
Como nenhum dos candidatos tivesse obtido os dois terços de votos exigidos pela Constituição, procedeu-se finalmente ao terceiro escrutínio em que dos 195 congressistas presentes, 121 votaram em Teixeira Gomes, somente 5 em Bernardino Machado e 68 votaram em branco.

O novo Presidente da República tomou posse em 5 de Outubro desse ano, depois de ter prestado juramento de fidelidade à Constituição, perante o mesmo Congresso.


Resignando ao cargo em 11 de Dezembro de 1925, abandona Portugal a bordo do paquete grego Zeus e nunca mais regressou.

A partir de 1931 instala-se em Bougie, na Argélia, onde vive os últimos dez anos de vida a escrever.

Teixeira Gomes acabou por se destacar mais ao nível da literatura do que da política. Em 1899 publica Inventário de Junho, em 1904 Agosto Azul, em 1905 Sabina Freire, em 1907 Desenhos e Anedoctas de João de Deus , em 1909 Gente Singular, em 1932 Cartas a Columbano, em 1935 Regressos e Novelas Eróticas, em 1937 Miscelânea, Maria Adelaide e Carnaval Literário em 1938 .

Faleceu em 18 de Outubro de 1941, no quarto número 13, do Hotel I'Étoile.
Morreu em 1941 e só em Maio de 1950 os seus restos mortais voltaram à pátria. As filhas Ana Rosa Teixeira Comes Calapez e Maria Manuela Teixeira Gomes Pearce de Azevedo estiveram presentes na cerimónia de "regresso".

Sobre Manuel Teixeira Gomes recomendamos uma visita aos seguintes sítios:
- www.presidencia.pt
- www.leme.pt/
- http://agostoazul.wordpress.com

[Nota: A foto utilizada, foi recolhida no último sítio que recomendamos, com a devida vénia.]

A.A.B.M.

terça-feira, 26 de maio de 2009


CARTAS DE ANTERO DE QUENTAL

"Na obra em prosa de Antero de Quental, muita dela esquecida ou mesmo ignorada, a leitura das suas cartas é indispensável, como desde cedo foi reconhecido. Algumas, sobretudo de entre as dirigidas a Oliveira Martins - como aquela tão notável de 25 de Agosto de 1875, sobre «a Moral Religiosa entre os Gregos» -, são verdadeiros ensaios filosóficos de que jamais se suspeitaria a existência, não tivessem sido conservadas pelos destinatários.

Muitos dos episódios da sua vida - alegrias e esperanças, angústias e fracassos - chegaram ao nosso conhecimento através de revelações aos amigos, raras ainda assim, em apontamentos que são um exemplo de contenção, de autodomínio e até de modéstia. Nada do que foi, em determinadas épocas, a grande popularidade de Antero aqui perpassa em termos factuais. Apenas na carta autobiográfica a Wilhelm Storck, cujas circunstâncias excepcionais quase o obrigam a uma maior exposição, ela se torna um pouco mais perceptível.

«Cada nação tem os seus representantes, representantes do seu génio, do que há mais íntimo no seu temperamento moral», lê-se numa carta de 26 de Maio de 1874, onde era apontado Camões como um dos raros monumentos do génio português. «Mas creio que o ignoramos!», acrescentava.

Mais de um século passado sobre esta data, também Antero de Quental é, certamente, um dos raros monumentos do génio português. Para o não ignorarmos é indispensável, repita-se, conhecer-lhe toda a obra, e é muito desejável que a leitura destas cartas possa ser o intróito adequado a uma fascinante e inesquecível peregrinação" [in INCM - ver AQUI]

Cartas I - (1852 a 1876) / Cartas II - (1877 a 1885) / Cartas III - (1886 a 1891)
Editora: Imprensa Nacional; Colecção: Biblioteca de Autores Portugueses; Março 2009

J.M.M.

sábado, 23 de maio de 2009


LEILÃO RENASCIMENTO

Nos próximos dias 26 e 27 de Maio, vai realizar-se mais uma sessão de leilão de livros, desta vez a cargo da RENASCIMENTO. Avaliações e Leilões. As sessões iniciar-se-ão pelas 21.30h, na Rua Agostinho Lourenço (ao Areeiro) 20 C, 1000 - 011 Lisboa.

O excelente catálogo a que tivemos acesso, foi elaborado por José Vicente, num total de 922 lotes em leilão,repartidos por terça e quarta-feira da próxima semana. Na consulta que fizemos ao mesmo permitimo-nos seleccionar os seguintes títulos:

015
- ALGARVE, MARCOS, MISTÉRIOS DA PRAIA DA ROCHA. Vila Nova de Famalicão. 1926. In-8º de 331, I págs. Br. Monografia valiosa. Bem conservada.

030
- ANTUNES, JOSÉ FREIRE, SALAZAR E CAETANO. Cartas Secretas. 1932-1968. Lisboa. Círculo de Leitores. 1993. In-8º de 460, [1] págs. Br. Ilustrado. Encadernação editorial em tela, com a sobre-capa.

037
. ARCHIVO REPUBLICANO, Publicação mensal. Director e proprietário: Victor de Sousa. Nº 1 ao Nº 9, 12 e 14. Lisboa. Setembro de 1910 (a Fevereiro de 1911. 11 Nos. In-4º Brs. Apesar de incompleto é de grande importância para a história da República. Cada número é acompanhado de uma fotografia de personalidades que se destacaram na implantação da república, que descriminamos: l - António José de Almeida. 2 - Guerra Junqueiro. 3 - José Pereira de Sampaio. 4 - Fernão Botto Machado. 5 - Feio Terenas. 6 - A. Braamcamp Freire. 7 - Manuel d'Arriaga. 8 - Dr. Eusebio Leão. 9 - Manuel Maria Coelho. 12 - Cândido dos Reis e 14 - Antonio Luiz Gomes.

111
- BRANDÃO, RAÚL, MEMÓRIAS. 1º Volume (ao 3º Volume). Porto e Lisboa. Datas diversas. 3 Vols. In-8º Encs. O 1º volume pertence á 2ª edição e possui uma assinatura no frontispício. O 2º à 3ª. O Volume III tem como subtítulo: Vale de Josafat, pertence à primeira edição e é o mais raro da colecção. Encadernações em sintético.

141
- CARAÇA, BENTO DE JESUS, CONFERÊNCIAS E OUTROS ESCRITOS. Lisboa. 1970. In-8º de [6], 379, [2] págs. Br. Ilustrada com o retrato do autor. Comemorativa do vigésimo aniversário da sua morte.

144
- DOM CARLOS, DIÁRIO NÁUTICO DO YACHT "AMÉLIA". Campanha Oceanográfica realizada em 1897. Lisboa. Oficinas Gráficas do Instituto Hidrográfico. 1988. Fólio. Cart. Ilustrado a negro e a cores. Cartonagem original com pequenos defeitos.

160
-CASTILHO, JÚLIO DE, LISBOA ANTIGA. BAIRROS ORIENTAIS. Volume I (ao Volume XII). + Suplementos. Lisboa. Câmara Municipal de Lisboa. 1935 (a 1938). 16 Vols. In-8º Encs. em 14. 2ª edição. Ilustrados. Muito bem conservados. Juntamos: Conquista de Lisboa aos Mouros. (1147), O Cêrco de Lisboa em 1147. Narrativa do glorioso feito conforme os documentos coevos, pelo Dr. José Augusto de Oliveira. A Cêrca Moura de Lisboa. Estudo histórico descritivo, por A. Vieira da Silva e O Castelo de S. Jorge em Lisboa, por A. Vieira da Silva.

176
- CHAGAS, MANUEL PINHEIRO, HISTÓRIA DE PORTUGAL POPULAR E ILLUSTRADA. Terceira Edição. Primeiro Volume (ao Decimo Segundo Volume). Lisboa. Empreza da Historia de Portugal. MDCCCXCIX (a 1907). 12 Vols. In-4º Encs. Muito ilustrada. Encadernações em inteiras de pele. O volume XII com algumas manchas de humidade e perda de parte de um dos rótulos.

192
- COELHO, J. M. LATINO, GALERIA DE VARÕES ILLUSTRES DE PORTUGAL. Volume I - LUIZ DE CAMÕES. Lisboa. David Corazzi-Editor. 1880. In-8º de 374 págs. Enc. Ilustrado com o retrato de Camões. Encadernação editorial com defeitos. Com manchas de acidez.

215
- COSTA, EDUARDO FREITAS DA, HISTÓRIA DO 28 DE MAIO. Lisboa. Edições do Templo. 1979. In-8º de 310 págs. Br. Da série Portugal Contemporâneo.

265
- DUARTE, THOEPHILO, SIDÓNIO PAIS E O SEU CONSULADO. Lisboa. Portugália. 1941. In-8º de 374, [1] págs. Br. Ilustrado. Algumas passagens do texto sublinhadas a tinta vermelha. Capas de brochura com manchas de acidez.

295
- FERRO, ANTÓNIO, SALAZAR. O homem e a sua obra. Prefácio de Oliveira Salazar. Lisboa. Emprêsa Nacional de Publicidade. 1933. In-8º de XLI, [4], 228, [3]. Enc. Edição original. Ilustrada. Encadernação em meia de pele. Capas de brochura preservadas.

314
- FREIRE, ANSELMO BRAAMCAMP, BRASÕES DA SALA DE SINTRA DE... (2ª Edição). Livro Primeiro, (Segundo e Terceiro). Coimbra. Imprensa da Universidade. 1921 (a 1930). 3 Vols. In-4º Brs. Ilustrados com vinhetas zincográficas e estampas gravadas em madeira extra-texto representando brasões de armas.
Obra importante e valiosa. Bem conservados.

324
-GALLIS, ALFREDO, HISTORIA DE PORTUGAL (COMPLEMENTO). UM REINADO TRAGICO. Por... Edição popular e ilustrada. Lisboa. Empreza da História de Portugal. 1908 (e 1909). 2 Vols. In-Fólio. Encs. Complemento á História de Portugal de Pinheiro Chagas. Ocupa-se da Vida e Reinado de D. Carlos. Encadernações em meias de pele. Conservam as capas de brochura.

345
- GOMES, MANUEL TEIXEIRA, DESENHOS E ANECDOTAS DE JOÃO DE DEUS. Reprodução de um artigo na revista Coimbrã ARTE & VIDA para ser vendida em proveito da Associação das Escolas Moveis pelo methodo João de Deus. Lisboa. Livraria Clássica Editora. 1907. In-8º de 15 págs. Enc. Raro. Ilustrado nas páginas de texto. Encadernação em meia de pele. Com capas.

385
- ILUSTRAÇÃO. Director: João da Cunha de Eça. Director- Técnico: Feliciano Santos. 2º Ano. 2º Semestre (e 3º Ano. 1º e 2º Semestre; 4º Ano - 1º Semestre; 5º Ano - 1º e 2º Semestre e 6º Ano - 2º Semestre). Lisboa. 1927 (a 1931). 7 Vols. In-4º Encs. Colecção incompleta desta magnifica publicação. Muito ilustrados no texto e em separado. Encadernações editoriais em tela. Bem conservados.

406
- JURISCONSULTOS PORTUGUESES DO SÉCULO XIX. Volume I (e Volume II). Direcção e colaboração de José Pinto Loureiro. Lisboa. Edição do Conselho Geral da Ordem dos Advogados. 1947 (e 1960). 2 Vols. In-4º Brs. Colaboração de Alberto Martins de Carvalho, Alfredo Ary dos Santos, Guilherme Braga da Cruz, Paulo Merêa, Adelino da Palma Carlos, Cabral Moncada, João Gaspar Simões, etc. Bem conservados.

446
-LEITÃO, JOAQUIM, OS CEM DIAS FUNESTOS. (Processo e condemnação do ultimo Presidente do Conselho de 1910, Antonio Teixeira de Sousa, e do seu livro "Para a Historia da Revolução"). Porto. MCMXII. In-8º de XXII, 543 págs. Br. Incluída na série "Uma Epoca". Valiosa para a história política da época.

447
- LEITÃO, JOAQUIM, DIARIO DOS VENCIDOS. Subsídios para a história da revolução de cinco de Outubro. Lisboa. 1911. In-8º de 347 págs. Enc. De grande importância para a história deste período. Ilustrada com o retrato de Frederico Pinheiro Chagas. Encadernação em tela.


II Sessão
27 de Maio de 2009
4ª Feira às 21h30

485
- LUSITÂNIA. Revista de Estudos Portugueses. Directora: D. Carolina Michaëlis de Vasconcellos. Lisboa. 1924 (a 1927). 10 Números. In-4º Encs. em 3 Vols. Colecção completa. Encerra colaboração de Luciano Pereira da
Silva, Reynaldo dos Santos, Ricardo Jorge, Afonso Lopes Vieira, J. Lúcio de Azevedo, J. Leite de Vasconcelos, Edgar Prestage, Jaime Cortesão, etc. Trata de história, literatura, arte, etc. Ilustrados. Os Nos. 1 a 9 com as encadernações originais em inteiras de pele. O Nº 10 em brochura. Bem conservados.

512
- D. MANUEL II. LIVROS ANTIGOS PORTUGUESES. 1489-1600. DA BIBLIOTHECA DE SUA MAJESTADE FIDELISSIMA. Descripto por S. M. El-Rei... Em Três Volumes. I - 1489-1539. II - 1540- 1569. III - 1570-1600. Londres. Impresso na Imprensa da Universidade de Cambridge e publicados por Maggs. Bros. 1929 (a 1935). (aliás, Braga, 1994). 3 Vols. In-4º Encs. Edição fac-similada, conforme a primeira. Com um Proémio do Prof. Dr. José Vitorino de Pina Martins. Trabalho bio-bibliográfico exaustivo. Textos em português e inglês. Ilustrados com a reprodução de frontispícios, folhas de livros, colofons, etc. Encadernações originais do editor em tela, com falta das sobre-capas. Bem conservados.

543
– MARTINS, ROCHA, D.CARLOS. História do seu reinado. Lisboa. Oficinas do "ABC". MCMXXVI. Fólio de [16], 603, [1] págs. Enc. Bela edição, ilustrada com centenas de gravuras no texto e extra-texto, muitas a cores. Encadernação editorial em tela, com ferros a ouro na lombada e pastas, com pequeno defeito na lombada.

544
– MARTINS, ROCHA, D. MANUEL II. História do seu Reinado e da Implantação da Republica. Lisboa. Nas Oficinas do ABC. MCMXXXI. In-Fólio de [10], 674 págs. Enc. Edição luxuosa, ilustrada com gravuras no texto e em folhas e em folhas à parte, sendo algumas destas a cores. Encadernação editorial em tela, bem conservada.

549
– MARTINS, ROCHA, PIMENTA DE CASTRO. Lisboa. Oficinas Gráficas do "A B C". In-4º de 319, [1] págs. Enc. Biografia importante. Rara. Profusamente ilustrada. Encadernação moderna em sintético. Conserva as capas de brochura.

731
- RIBEIRO, JOSÉ SILVESTRE, HISTORIA DOS ESTABELECIMENTOS SCIENTIFICOS, LITTERARIOS E ARTISTICOS DE PORTUGAL NOS SUCESSIVOS REINADOS DA MONARCHIA. Tomo I (ao Tomo XVIII). Lisboa. Typographia da Academia Real das Sciencias. 1871 (a 1893). 18 Vols. In-8º Encs. Colecção completa. Obra valiosa para o estudo da vida intelectual dos portugueses. Contém interessantes notícias, valiosas para o estudo da nossa história, arte e ciências. Encadernações mais recentes em sintético.

783
- SALGADO JÚNIOR, ANTÓNIO, HISTÓRIA DAS CONFERÊNCIAS DO CASINO. (1871). Lisboa. 1930. In-8º de 167, [3] págs. Br. Primeira edição. Rara. Com um capítulo sobre a reconstituição das Conferências de Antero de Quental, Eça de Queiroz, etc.

839
- SOUSA, TEIXEIRA DE, RESPONSABILIDADES HISTÓRICAS. (Politica contemporanea). Coimbra. França & Arménio. 1917. 2 Vols. In-8º Brs. De grande importância para a história política da época. Com algumas manchas de humidade.

854
- TEIXEIRA GOMES, MANUEL, CORRESPONDÊNCIA. I (e II) - Cartas para Políticos e Diplomatas. Colectânea, introdução e notas de Castelo Branco Chaves. Lisboa. Portugália Editora. 1960. 2 Vols. In-8º Brs. Ilustrados com o retrato do autor. Das Obras Completas.

855
- TEIXEIRA GOMES, MANUEL, INVENTÁRIO DE JUNHO. Lisboa. Seara Nova. 1933. In-4º de 160 pág. Enc.
Terceira edição. Ilustrada no texto. Com ligeiras manchas de humidade. Encadernação em meia de pele. Com capas.

856
- TELLES, BAZILIO, DO ULTIMATUM AO 31 DE JANEIRO. Esboço d'historia politica. Porto. 1905. In-8º de [8], 453, [1] págs. Enc. De grande importância para a história politica da época. Encadernação editorial em sintético.


A todos os interessados na bibliofilia, podem também descarregar o catálogo e guardá-lo para futuras consultas.

A.A.B.M.

sexta-feira, 22 de maio de 2009


JOÃO BÉNARD DA COSTA (1935-2009)

"... e ter-te-ia dado uma água viva" [Jo. 4,10 – in Os Dias do Senhor, 1962]

Entraram muitas vidas na vida de João Bénard da Costa. A religião e a política, a arte e a vida, a literatura e a música, o cinema e a festa, e que são - tão só - uma "forma de nos defendermos contra a morte e uma forma de compensação diante do terror que a vida inspira" [J.B.C., in D.N., 2005]. Muito cá de casa, também Bénard da Costa foi o nosso portfólio de emoções. E tal como ele próprio disse, em salvaguarda de um futuro a fazer, só se restitui ao tempo "o que cada tempo a seu tempo trouxe". E o tempo de Bénard da Costa foi magnífico, para nossa glória.

João Bénard da Costa nasceu a 7 de Fevereiro de 1935. Estuda no liceu Camões, transfere-se para o liceu Pedro Nunes para seguir Direito, que troca por Ciências Histórico-Filosóficas. Contra aquilo que denomina "desordem estabelecida" [entrevista ao Público], porque "um cristão não poderia aceitar aquilo", João Bénard da Costa (como muitos outros) participa civicamente nas lutas de antanho contra o situacionismo e em prol de uma Igreja livre e de respeito pela pessoa humana. Na faculdade (no 2º ano) pertence à Juventude Universitária Católica (J.U.C.), tendo sido nomeado seu presidente (1957). Nas eleições presidenciais de 1958 [Humberto Delgado] aparece como primeiro subscritor de uma Carta ao director do jornal "Novidades" [jornal criado pela hierarquia da Igreja e que apoiava Américo Thomaz] apelando a que o jornal exerça uma "acção esclarecedora de princípios e de problemas, que pudesse orientar ... a consciência política dos católicos portugueses" [sobre o assunto consultar, "Católicos e Política", Pe José da Felicidade Alves, 1970, 2ª ed., p.13-16].

Ao mesmo tempo (1956) funda com Pedro Támen e Nuno Bragança o "Centro Cultural de Cinema", de orientação católica, que curiosamente marca um tempo de ruptura com a "arte" e estética de referência "neo-realista", via defesa do "cinema de autor".

Forma-se em 1959, mas não fica na Faculdade com o lugar de assistente (foi convidado por Delfim Santos) porque toma, anteriormente, posição – como católico e homem livre – contra a ditadura, na campanha de Humberto Delgado (1958), o que o impede de seguir a carreira pública. Concorre a uma bolsa da Fundação Gulbenkian, para continuar a sua tese de licenciatura sobre Emannuel Mounier. Lecciona em colégios (como o Liceu Francês Charles Lepierre e o Colégio Moderno) e só na década de 60 regressa ao antigo liceu Camões, onde nas suas instalações organiza o "primeiro festival de cinema".

Como membro da J.U.C., e na qualidade de seu presidente, dirige o jornal da organização "O Encontro". Nasce então essa curiosa tentativa de fundar uma revista como a francesa "Esprit" (revista humanista personalista, de clara inspiração via Emmanuel Mounier) e, sob providencial ajuda de António Alçada Baptista (na altura sócio principal da livraria-editora Moraes), juntamente com Pedro Támen, Nuno Bragança, Alberto Vaz Silva, nasce a importante e saudosa revista "O Tempo e o Modo" (nº1, Janeiro de 1963).

Participa, ainda, na cooperativa Pragma - fundada por um grupo de católicos [a 11 de Abril de 1964, curiosamente primeiro aniversário da encíclica Pacem in Terris – sob a Pragma, consultar "Entre as Brumas da Memória. Os Católicos Portugueses e a Ditadura", de Joana Lopes, Âmbar, 2007, p.61-79] – importante "plataforma de diálogo entre intelectuais de esquerda, crentes ou não" [ibidem] e que foi, evidentemente, perseguida pela PIDE, dando lugar a um conjunto vasto de protestos e (de memoráveis) abaixo-assinados direccionados quer ao poder político quer as entidades eclesiásticas, o que levou a uma maior consciencialização e radicalização de grande número de católicos contra a ditadura. Do mesmo modo, intervém nas tertúlias e debates da revista "Concilium" (1965 – vidé Joana Lopes, ibidem), lançada pela editora Moraes e que vem "aprofundar" e dinamizar o espírito do Vaticano II.

É na coluna de "Artes e Letras" da revista "O Tempo e o Modo" que Bénard da Costa escreve e faz crítica de cinema, sua antiga, sólida e grande paixão. Convidado pela Gulbenkian para ser o responsável pela secção de cinema da Fundação, aceita de bom grado. Participa, integrado na C.D.E., nas eleições de 1969. No princípio dos anos 1970, João Bénard da Costa dirigiu o Centro Nacional de Cultura.

O dia 25 de Abril, por que tanto esperava, apanhou-o a caminho do Conservatório Nacional (onde leccionava História do Cinema) e é aí que Villaverde Cabral [ver entrevista sua ao Público] o informa do golpe que decorria. Curiosamente, nessa noite, encontra-se num jantar em casa de Nuno Bragança (e Maria Belo) com um dos grupos que formaram o M.E.S., até sair em Dezembro desse ano, em ruptura com a organização [vidé I Congresso], acompanhando o "grupo do Florida" [Jorge Sampaio, Joaquim Mestre, João Cravinho, Galvão Teles, César Oliveira, Nuno Brederode dos Santos. O nome "grupo da Florida", refere-se ao grupo de comensais que se reuniam na "mesa reservada no snack-bar do hotel" do mesmo nome – cf. Os Anos Decisivos, César de Oliveira, 1993, p. 147]. Integra com os seus companheiros ex-MES, posteriormente, o Grupo de Intervenção Socialista [GIS]. Em 1980 foi subdirector da Cinemateca Nacional, depois director, entre 1991 e 2008. Publicou e colaborou em diversos livros [lembrar o nunca citado "Os Dias do Senhor", editado pela Moraes em 1962], folhetos, catálogos e periódicos, sendo notáveis os seus textos no jornal Independente e no Público.

Nota: hoje (21,30 m) a Cinemateca fará uma sessão especial de homenagem a Bénard da Costa, passando um dos filmes da sua vida "Johnny Guitar".

[texto também publicado no Almocreve das Petas]

J.M.M.

quarta-feira, 20 de maio de 2009


REFLEXÃO SOBRE AFONSO COSTA

A Fundação Mário Soares vai levar a efeito amanhã, 21 de Maio de 2009, pelas 18,00 h uma actividade de reflexão sobre Afonso Costa, a propósito do Centenário da República, com intervenções de Fernanda Rollo (em representação do Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República), António Reis, Fernando Rosas, e Mário Soares.

Afonso Costa foi uma das personalidades mais controversas da República. Considerado geralmente um radical, com ideias demasiado avançadas para o seu país no tempo. Foi um dos principais responsáveis pelo desmantelamento do decadente regime monárquico e isso custou-lhe a prisão e, mais tarde, o exílio no estrangeiro, pois assumiu-se também como um dos principais críticos do salazarismo.

Imputam-se-lhe responsabilidades na legislação mais polémica publicada pelo regime republicano. Para muitos um herói, para outros alvo de um ódio de estimação que se arrastou ao longo do tempo, em particular por ser responsabilizado pessoalmente pela intervenção de Portugal na 1ª Guerra Mundial e depois por ter abandonado os soldados portugueses na frente de batalha.

Advogado respeitado, político temido e um estadista que Portugal necessita conhecer com maior detalhe e com o distanciamento que for possível, em relação a algo que, todos temos consciência, será polémico. O Prof. Oliveira Marques publicou, há bastante tempo, uma parte significativa da sua correspondência política (até ao 5 de Outubro de 1910), seria muito importante dar continuidade a essa tarefa para o período da República. Conhecer as estratégias, os contextos, as razões mais profundas, os segredos que se escondiam por entre cada decisão.

Esperamos e desejamos que, aproveitando o ensejo das Comemorações do Centenário da República, surjam novas abordagens, documentos e testemunhos sobre a acção de um dos homens que, quer se goste ou não, foi um dos estadistas portugueses que mais polémica provocou no seu tempo. Por outro lado, muitas das suas ideias acabaram por vingar e por chegar até aos nossos dias.

A.A.B.M.

terça-feira, 19 de maio de 2009


LEILÃO DA BIBLIOTECA DO DR. LAUREANO BARROS PELA LIVRARIA MANUEL FERREIRA

Vai realizar-se, no Porto, nos próximos dias, entre 21 e 23 e 28 e 30 de Maio, o leilão da biblioteca do “bibliófilo apaixonado” Dr. Laureano Barros.

Este Leilão será dividido em 3 partes; a primeira decorrerá na data anunciada, no Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim, no Porto, pelas 21 horas. As restantes, com data a definir, serão oportunamente anunciadas.

Da primeira parte deste leilão destacamos a magnífica colecção de Cancioneiros portugueses antigos; manuscritos e edições originais do poeta Eugénio de Andrade do qual destacamos o seu primeiro e extremamente raro «Narciso», publicado em 1940; as edições originais de «O Lima», de Diogo Bernardes; da «Crónica de Cister», de Bernardo de Brito; do belo livro de Lima Bezerra, «Os Estrangeiros no Lima», as revistasliterárias «Árvore», «Athena», «Caliban», «Centauro», «Contemporânea», «Contravento».

Entre muitos outros autores, referimos ainda Sophia de Mello Breyner, Jorge Amado, Ruy Belo, Agustina Bessa-Luís, António Botto, Raul Brandão, Maria Judite de Carvalho, Raul de Carvalho, Camilo Castello- Branco, Eugénio Melo e Castro, Ferreira de Castro, Ruy Cinatti, J. Araújo Correia, Natália Correia e Florbela Espanca.

Do restante espólio fazem parte a raríssima primeira e as nove subsequentes edições da «Peregrinação» de Fernão Mendes Pinto; a primeira edição dos «Sermões» do Padre António Vieira; a extremamente rara primeira edição dos «Sonetos» de Antero de Quental; a edição original do «Só» de António Nobre e das melhores que lhe sucederam; a primeira edição dos «Apólogos Dialogais» e a segunda da «Carta de Guia de Casados», ambas de D. Francisco Manuel de Melo; a segunda das «Obras» de Sá de Miranda; as primeiras edições das obras de Verney e as dos autores que se vincularam à polémica que o seu «Verdadeiro Método de Estudar» ruidosamente trouxe a lume; a primeira edição do raríssimo «Livro de Cesário Verde»; as edições primitivas das obras de Eça de Queiroz e de muitos dos seus contemporâneos. Destacam-se ainda os autores que constituem referências obrigatórias para o século XX: Teixeira de Pascoaes, Camilo Pessanha, Fernando Pessoa, Mário de Sá Carneiro, José Régio, Miguel Torga, todos presentes com quase todas as suas obras, sendo de referir que muitos dos livros dos poetas e prosadores citados ostentam dedicatória autógrafa dos seus autores. As revistas literárias, praticamente todas constam da biblioteca:«Orpheu», «Exílio»,
«Presença», «Manifesto», «Sinal», «He Real!», «K 4 o quadrado azul» e tantas outras.

Também o surrealismo literário português mereceu o interesse de Laureano Barros, com todos os seus autores na sua biblioteca amplamente representados, sendo obrigatória a referência aos livros, manuscritos e cartas que Luiz Pacheco ofereceu a Laureano Barros.


Das cerca de 2000 espécies que vão ser agora leiloadas, destacam-se:

Lote nº 8 – ABC- Revista Portuguesa. Direcção Rocha Martins. Lisboa.1920-1931.580 números. Com colaboração dos mais destacados jornalistas, escritores e ilustradores da época.
Col. Completa. Falta somente a capa da brochura do número 547.

Lote nº 23 – ACÇÃO. Semanário português para portugueses. Direcção e Propriedade da Cooperativa de Produção Editorial «Acção». Redactor-Principal e Editor: Augusto Ferreira Gomes, Lisboa, 1936-1937. 55 números.
Jornal de orientação nacionalista, com colaboração dispersa de Fernando Pessoa. Colaboração de: Mário de Sá Carneiro, Almada Negreiros, Alfredo Pimenta, Antero de Figueiredo, António Correa de Oliveira, Camilo Pesanha, Carlos Selvagem, Dutra Faria, Hugo Rocha, Humberto Delgado, João Ameal, João Gaspar Simões, Manuel Múrias, Maria Archer, Rodrigues Cavalheiro, Teófilo Duarte e Tomás de Figueiredo, entre muitos outros.

Um conjunto apreciável de revistas e autores que marcaram a literatura portuguesa no século XX. O primoroso catálogo do leilão pode ser consultado na íntegra AQUI.

segunda-feira, 18 de maio de 2009


MUSEUS COM INTERESSE PARA A HISTÓRIA DA REPÚBLICA

Para assinalar o Dia Internacional dos Museus, permitimo-nos sugerir algumas visitas aos museus onde existem espólios, exposições ou centros de documentação sobre personalidades mais ou menos ligadas à questão da República.

Será certamente uma selecção incompleta, no entanto, ficam registados os contactos e os sítios onde se pode recolher informação sobre a problemática da República em Portugal. Agradecemos mesmo, que nos enviem ou nos indiquem, outros locais onde se encontram depositados espólios com interesse para o período em causa.

www.museu-emigrantes.org
http://www.museu.presidencia.pt/index.php
http://www.portaldoavo.com.pt/redir-info.php?id=187
www.imultimedia.pt/museuvirtpress
http://republicaresistencia.cm-lisboa.pt/menu/home.htm
http://www.fabrica-do-ingles.pt/pt/home_pt.htm
http://www.bernardinomachado.org/
http://www.fmsoares.pt/casamuseu/casamuseu.asp
http://www.cm-alpiarca.pt/alpiarca/Concelho/LocaisInteresse/Casa+Patudos.htm
http://www.quimiparque.pt/Museu_CasaMuseu.htm

A nossa opção foi simplesmente indicar, não houve qualquer tipo de hierarquização ou ordenação, com o objectivo de divulgar Museus, alguns que já tivemos oportunidade de visitar, outros que, lamentavelmente, ainda não conhecemos.

Fica a sugestão, a todos os que como nós gostamos de visitar estes espaços, cada vez dinâmicos e interactivos.

A.A.B.M.

domingo, 17 de maio de 2009


COMISSÃO EXECUTIVA DAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA TOMADA DA BASTILHA

Na sequência das cerimónias cívicas de 1880 (Tri-centenário de Camões) e 1882 (Centenário do Marquês de Pombal), que tinham conquistado grande visibilidade para o Partido Republicano, devido ao forte envolvimento na preparação e realização das cerimónias.

Assim, ao aproximar-se o centenário da Revolução Francesa, que tinha grandes admiradores entre os republicanos portugueses, foi deliberado criar uma comissão, que abaixo se descrimina, com o objectivo de preparar actividades que permitissem homenagear a Tomada da Bastilha.

A Câmara Constituinte [do Partido Republicano] aprovou esta proposta:
Proponho que seja nomeada para esta câmara uma comissão de dezassete membros incumbida de estudar e levar à prática uma manifestação grandiosa que comemore o grande feito social do Centenário da Tomada da Bastilha, como homenagem à grande nação francesa, que tão distintamente nobilita os povos de raça latina.
Esta proposta foi recebida com aplausos, aprovada por unanimidade e em seguida foi aclamada a comissão que ficou assim composta:
-Elias Garcia;
- Sousa Brandão;
- Teófilo Braga;
- Consiglieri Pedroso;
- Magalhães Lima;
- Feio Terenas (pela presidência da câmara);
- Cecílio de Sousa;
- Manuel de Arriaga;
- Azevedo e Silva;
- José de Sousa Larcher;
- Francisco Gomes da Silva;
- Eduardo Maia;
- Eduardo Perry Vidal;
- S. C. Saraiva Lima;
- João Gonçalves;
- António Maria de Brito;
- J. J. Rodrigues de Sousa.


In Os Debates, Lisboa, 16-05-1889, Ano II, nº 242, p. 3, col. 2

A.A.B.M.

sábado, 16 de maio de 2009


EDGAR RODRIGUES - O RETRATO DA DITADURA PORTUGUESA

edição: Mundo Livre, Rio de Janeiro, 1962.

J.M.M.

IN MEMORIAM DE EDGAR RODRIGUES (1921-2009)

O militante libertário, escritor anarquista e infatigável pesquisador do movimento operário, Edgar Rodrigues (aliás, António Francisco Correia) faleceu no dia 14 deste mês, no Rio de Janeiro. Nasceu em Angeiras (Matosinhos) a 12 de Março de 1921, "filho de um militante anarco-sindicalista português do Sindicato da Construção Civil filiado à CGT" [cf., aqui] e desde muito jovem (em casa dos pais) entra em contacto com o ideário anarquista e as doutrinas libertárias. Exila-se no Brasil (1951), fugindo à ditadura de Salazar, tendo adquirido, mais tarde, a nacionalidade brasileira.

Edgar Rodrigues trabalha inicialmente na construção civil, enquanto colabora dedicadamente com os exilados oposicionistas portugueses [apoia Humberto Delgado] e denúncia vigorosamente a ditadura do Estado Novo. Publica, por isso mesmo, os livros "Na Inquisição de Salazar" (Rio de Janeiro, 1957) e "A Fome em Portugal" (Rio de Janeiro, 1958), o que lhe vale a proibição de entrada em Portugal. Liga-se, entretanto, ao movimento anarco-sindicalista e libertário brasileiro, adoptando o pseudónimo de Edgar Rodrigues. Conhece os "velhos" militantes libertários brasileiros José Oiticica (colaborando no jornal "Acção Directa" e, depois da morte de Oiticica, dá continuidade ao Centro de Estudos, com o seu nome) e Edgard Leuenroth, com os quais trabalha activamente. Mais tarde será preso (1969) "durante a repressão desencadeada pela ditadura militar contra os anarquistas do Centro de Estudos José Oiticica do Rio de Janeiro".Trabalha na "reorganização do MLB", no Rio de Janeiro, participa no Congresso Anarquista de S. Paulo (1986), faz parte dos fundadores do "Círculo e Arquivo Alfa" (dota o Centro com um vasto espólio arquivístico, saindo do Centro em circunstância pouco esclarecedoras) e do Grupo Libertário Fábio Luz. Escreveu em diversos jornais e revistas de diversos países e é um dos fundadores da célebre Editora Mundo Livre (1960, Rio de Janeiro).

É notável o seu trabalho de recolha, investigação e divulgação das lutas operárias e da cultura libertária, principalmente em Portugal e no Brasil. Sendo um autodidacta ou um "filósofo-autodidacta", não recorrendo à vulgata académica, este adepto do "anarquismo operário" e crítico do que denomina "anarquismo dos intelectuais" deu uma inestimável contribuição ao estudo do movimento operário e social e das ideias anarquistas, em especial, pela inquebrantável pesquisa feita e publicada e que é uma fonte bibliográfica inesgotável.

No que diz respeito a Portugal, além dos inumeráveis escritos em jornais e revistas, regista-se a publicação em livro das seguintes obras:

"Na Inquisição de Salazar", Rio de Janeiro, 1957; "A Fome em Portugal", Rio de Janeiro, 1958; "O Retrato da Ditadura Portuguesa", Rio de Janeiro, 1962; Portugal Hoy", Caracas, 1963; "Breve História das Lutas Sociais em Portugal", Lisboa, Assírio e Alvim, 1977; "O Despertar Operário em Portugal (1834-1911)", Lisboa, Sementeira, 1980; "Os Anarquistas e os Sindicatos (1911-1922)", Lisboa, Sementeira, 1981; "A Resistência Anarco-Sindicalista (1922-1939)", Lisboa, Sementeira, 1981; "A Oposição Libertária à Ditadura (1939-1974)", Lisboa, Sementeira, 1982; "O Porto Rebelde", Porto, Editor Fernando Vieira, 2001; "Lembranças Incompletas" [Autobiográfico], S. Paulo, Editora Opúsculo Libertário, 2007.

Locais:Biografia de Edgar Rodrigues / Edgar Rodrigues: uma curta Biografia / Nota de falecimento de Edgar Rodrigues [de onde retiramos, a foto acima] / Morre Edgar Rodrigues, o mais antigo exilado político português no Brasil / Edgar Rodrigues e o Movimento Anarquista no Brasil

[publicado, também, no Almocreve das Petas]

J.M.M.

quinta-feira, 14 de maio de 2009


FICHA DE PESCADOR DO BACALHAU

Ficha do pescador Remígio Andrade Bilhau, da freguesia de Lavos, concelho da Figueira da Foz, via Museu Marítimo de Ílhavo.

clicar na foto, para aumentar.

J.M.M.

HOMENAGEM AOS BACALHOEIROS – EXPOSIÇÃO

"Em Lavos existiram centenas de bacalhoeiros e a junta de freguesia entendeu que era da mais elementar justiça prestar uma homenagem a esses destemidos homens do mar que, decididamente, deram uma contribuição para aguentar a nossa economia" [Isabel Oliveira]

Decorre neste mês de Maio e prolonga-se até Junho uma EXPOSIÇÃO, na Junta de Freguesia de Lavos, em homenagem aos "Homens Bacalhoeiros", espaço de memória dos lavoenses que andaram na "faina" do bacalhau. Com um conjunto de eventos diversificado – exposição de fotografias de bacalhoeiros e de bacalhoeiros lavoenses (inaugurada no dia 10 de Maio e com o apoio do Museu Marítimo de Ílhavo), um curioso encontro de "Homens Bacalhoeiros” (17 a 24 de Maio), palestra sobre a "Odisseia da Pesca do Bacalhau" (no dia 31 de Maio, dia Nacional do pescador, a cargo de Miguel Viqueira), inauguração do monumento aos "Homens Bacalhoeiros Lavoenses" (autoria de António Nogueira) e uma visita ao magnífico Museu Marítimo de Ílhavo –, a homenagem a esses rostos, práticas e lutas na/da arte do arrasto é de grande merecimento.

Uma palavra para o Museu Marítimo de Ílhavo (e em especial para o seu director, Álvaro Garrido) que tem feito um trabalho notável para honrar essa memória de antanho.

Sobre o assunto, consultar:

- fichas de pescadores, na base de dados do Museu Marítimo de Ílhavo;
- o estimado trabalho, publicado online, de Álvaro Garrido, Os bacalhoeiros em revolta: a «greve» de 1937.

J.M.M.

terça-feira, 12 de maio de 2009


DOCUMENTOS: CONGRESSO GERAL DO PARTIDO REPUBLICANO PORTUGUÊS

Convocação
Os abaixo assinados, convencidos da necessidade imediata de regularizar a situação do Partido Republicano, na grave crise que atravessa a nação portuguesa, convidam o jornal que Vª. Exª dirige ou o centro ou colectividade do partido, que convocam para os dias 6, 7 e 8 do próximo mês de Dezembro na cidade de Lisboa.

Lisboa, 21 de Novembro de 1890
Adolpho Cyrilo de Sousa Carneiro – Representante do jornal A Republica
Dr. Affonso Accacio Martins Velho – Do antigo corpo consultivo do Partido
Albano Coutinho - Do antigo corpo consultivo do Partido
Alves Correa – Director dos Debates
Annibal de Barros – Redactor do Povo de Chaves
Dr. Anselmo Xavier – Redactor e co-proprietário do Século
António da Silva – Do grupo republicano do Poço do Bispo e Beato
António Eduardo Rodrigues Taborda – Do grupo republicano de Vila Alva
António José de Almeida – Da direcção do Centro Republicano Académico de Coimbra
António Vaz Mascarenhas Júnior – Presidente do Centro Republicano de Loulé
Azevedo Ramos – Redactor da Luta (do Funchal)
Dr. Bettencourt Rodrigues – Antigo redactor do Século
Casimiro R. Valente – Da direcção do Clube Victor Hugo
Constantino Villa Verde – Do grupo republicano da Arruda
Eduardo José Gaspar – Da direcção do Clube Fernandes Tomás
Dr. Eduardo Maia – Jornalista
Dr. Eduardo Vieira – Jornalista
Elysio Filinto Feio – Dos corpos gerentes do Centro Republicano de Aveiro
Euzebio Rodrigues da Silva – Presidente da Associação Escolar Eleitoral Vieira da Silva
Francisco Christo – Redactor do Povo de Aveiro
Francisco José Rodrigues – Da Direcção do Clube Henriques Nogueira
Francisco Paulino de Oliveira – Redactor da Opinião (de Setúbal)
Francisco Vieira – Da direcção do Centro Republicano Académico de Coimbra
Germano A. Quintão – Representantes do Clube Escolar Democrático Vítor Hugo
Gregório Nunes de Mascarenhas – Presidente do Centro Republicano de Silves
Gustavo Cabrita – Redactor do Porvir (de Olhão)
J. A. Arocha Júnior – Vereador da Câmara Municipal de Setúbal
João Amaro Soares – Do grupo republicano de Constância
João de Moraes Carvella – Da direcção do Clube Henriques Nogueira
João Gonçalves – Presidente do Centro Eleitoral Republicano da Freguesia dos Anjos
Joaquim Fontes Pereira de Mello – Dos corpos gerentes do Centro Republicano de Aveiro
Joaquim Pedro de Mattos - Do antigo corpo consultivo do Partido
José Amaro Marques – Presidente do Clube Oliveira Gancha (Chamusca)
José Barbosa – Redactor dos Debates
José Antunes Vianna – Do grupo republicano de Viana do Castelo
Dr. José Damião Félix – Do grupo republicano de Arraiolos
José Carvalho de Azevedo Lobo – Do grupo republicano de Lagoa
Dr. José Francisco de Azevedo e Silva - Do antigo corpo consultivo do Partido
José Gonçalves Gamellas – Dos corpos gerentes do Centro Republicano de Aveiro
José Maria Duarte – Do grupo republicano do Bombarral
José Soares da Cunha e Costa – Redactor do Povo de Aveiro
José Soares de Pinho – Representante do Centro Escolar Eleitoral Democrático de Cacilhas
Júlio César Rosalli – Representante do Clube Escolar Democrático Victor Hugo
Lino de Macedo – Redactor do Campino
Lomelino de Freitas – Da direcção do Centro Democrático de Coimbra
Dr. Lopes Monteiro – Do Clube Fernandes Tomás
Dr. Manoel de Arriaga – Deputado
Dr. Manoel de Mello Freitas – Presidente do Centro do Centro Republicano de Aveiro
Dr. Manoel Duarte Laranja Gomes Palma – Do antigo corpo consultivo do Partido
Manoel Homem de Carvalho Christo – Proprietário do Povo de Aveiro
Dr. Manoel Lourenço Torres - Do antigo corpo consultivo do Partido
Pedro Cardoso – Redactor da Officina
Dr. Ramiro Guedes - Do antigo corpo consultivo do Partido
Silvestre Falcão – Da direcção do Centro Republicano Académico de Coimbra

Este congresso será constituído pela forma prescrita nos Artigos Orgânicos e, segundo os quais, cada jornal e cada centro será representado por um delegado, excepto os centros de mais de 100 indivíduos, que terão dois representantes.


[Nota: Transcrição do fac-simile da convocação para o Congresso Geral do Partido Republicano Português, publicado em extra-texto na obra dirigida por Luís de Montalvor, História do Regímen Republicano em Portugal, 2 vols., Ática, Lisboa, 1932 e 1935.
- Na foto Anselmo Xavier, um dos subscritores deste documento a exigir a realização de um congresso antecipado, que acabou por se efectuar somente em Janeiro de 1891]

sexta-feira, 8 de maio de 2009


FERNANDO NAMORA POR ENTRE OS DEDOS DA PIDE

Amanhã, dia 9 de Maio, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova, vai ser apresentada a obra FERNANDO NAMORA POR ENTRE OS DEDOS DA PIDE, da autoria de Paulo Jorge Marques da Silva. Esta obra editada pela Minerva Coimbra, integrada na colecção Minerva História, vai ser apresentada pelo responsável pela colecção, o historiador Luís Reis Torgal, e pelo escritor, ensaísta e professor Universitário, José Manuel Mendes.

Nota biográfica do autor do estudo:
Paulo Silva nasceu no dia 12 de Dezembro de 1966 em Condeixa-a-Nova. Ingressou no mercado de trabalho após cumprir o serviço militar e foi como trabalhador-estudante que se licenciou em História, em 2005, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Colaborador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20), tem vindo a estudar os processos de alguns escritores e de outras personalidades ligadas à oposição ao Estado Novo, nos arquivos da PIDE/DGS. Este livro é a sua primeira publicação historiográfica. Neste momento, o autor encontra-se a preparar outro trabalho sobre a oposição ao regime de Salazar em Condeixa, sua terra natal.

A cerimónia terá inicío pelas 15 horas e estão convidados todos os interessados em conhecer melhor os problemas do médico e escritor com a polícia política do regime salazarista.

Uma sessão a acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

quinta-feira, 7 de maio de 2009


MEMÓRIAS DE ÁFRICA

No contexto político-social do pós Segunda Guerra Mundial, os princípios da autodeterminação e independência defendidos pelas Nações Unidas, desencadearam movimentos de libertação contra a opressão colonial em todo o Mundo. No chamado Ultramar Português (revisão constitucional de 1951) teve início, entre 1961 e 1964, um conflito armado que ficou conhecido na historiografia portuguesa como Guerra do Ultramar e na historiografia africana, como Guerra de Libertação. A guerra em três frentes mobilizou, ao longo de 13 anos, mais de um milhão de combatentes e provocou milhares de mortos e feridos.

Portugal libertou-se da ditadura e África da opressão colonial, em 1974. A guerra deixou marcas vivas nos corpos e nas memórias. Juntos num processo de construção da liberdade, portugueses e africanos reconfiguram a sua memória, apaziguam os traumas e definem uma nova geografia onde se trilham rotas de partida e de chegada, de cá para lá e de lá para cá.

O Instituto de Cultura Ibero-Atlântica promove um encontro de memórias, convocando historiadores, politólogos, sociólogos e ficcionistas e todos os contadores de histórias que contribuam para a consolidação da fraternidade entre os povos.

O Colóquio «Memórias de África» tem a coordenação-geral de Maria da Graça A. Mateus Ventura, Presidente do ICIA, e tem como consultor científico João Paulo Borges Coelho, Professor Associado da Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo, Moçambique.

Os interessados em participar no Colóquio deverão inscrever-se até 7 de Maio, na Bilheteira do TEMPO – Teatro Municipal de Portimão, ou por email:
icia.geral@gmail.com .

Segue o programa das actividades:

8 de Maio

15h30 – Sessão de Abertura
Painel I – A Questão Colonial
Presidente – João Paulo Borges Coelho
16h00 – O Estado Novo e a questão colonial – Fernando Rosas (Univ. Nova de Lisboa)
16h30 – A questão colonial na diplomacia e na política externa portuguesa (1930 – 1945) – Fernando Martins (Univ. de Évora)
17h00 – Debate
17h30 – Intervalo
18h00 – A oposição, Portugal e as colónias – José Pacheco Pereira (ISCTE)
18h30 - Debate

9 de Maio

Painel II – Guerra do Ultramar/ Guerra de Libertação
Presidente – Carlos Albino
9h30 – Eu Estive na Guerra de África: estratégias de acção psicossocial – General Franco Charais
10h00 – Guerra Colonial e o Movimento dos Capitães – Tenente Coronel Aniceto Afonso
10h30 – Debate
11h00 – Intervalo
11h15 – Os movimentos unitários anti-colonialistas – Julião Soares Sousa (Univ. de Coimbra)
11h45 – título a indicar – Mestre Malangatana
12h15 – As duas faces da guerra – Diana Andringa
12h45 - Debate

Painel III – Descolonização e movimentos migratórios
Presidente – José Pacheco Pereira
15h30 – A integração dos Retornados, um caso de assimilação – Rui Pena Pires (ISCTE)
16h00 – Reconfigurações identitárias e a fractura colonial: a encruzilhada de histórias oficiais, esquecimentos e memórias – Paula Meneses (CES – Univ. Coimbra)
16h30 – Descolonização e impacto migratório nas ex-colónias – João Paulo Borges Coelho (Univ. Eduardo Mondlane)
17h00 – Debate
17h30 – Intervalo
18h00 – Sessão de Encerramento

O programa detalhado das actividades nesses dois dias podem ser consultados AQUI.

A todos os interessados no tema e/ou nos conferentes, aconselhamos uma visita a este evento.

A.A.B.M.

quarta-feira, 6 de maio de 2009


DEPUTADOS DA ASSEMBLEIA NACIONAL 1935-1974

"Inicia-se este livro, a publicação dos resultados de um projecto de investigação, patrocinado pela Assembleia da República, sobre as instituições representativas do Estado Novo - A Assembleia Nacional e Câmara Corporativa (1935-1974) -, que tinha como objectivo a compreensão global do sistema político que vigorou em Portugal durante quarenta anos, considerados os dois períodos: o Salazarismo (1933-1968) e o Marcelismo (1968-1974)"

José Manuel Tavares Castilho, "Deputados da Assembleia Nacional 1935-1974", Texto Editora, 2009

J.M.M.

MANUEL FERNANDES TOMÁS 1771-1822

"A inscrição irrecusável de Manuel Fernandes Tomás no projecto Grandes Oradores reivindica, a um tempo a aproximação à lógica e vitalidade dos debates parlamentares da primeira assembleia representativa do liberalismo português, e a outro a leitura da revolução de 1820, quer na sua dinâmica interna , quer na relação especular com as experiências liberais daquele tempo. Estas exigências não toldam o papel específico do mentor e fazedor do vintismo, do deputados cujos discursos galvanizavam assembleias e galerias, antes sobrelevam a energia da sua intervenção na delicada rede de forças que o vintismo soube desenhar"

Cecília Honório, "Manuel Fernandes Tomás 1771-1822", Texto Editora, 2009

J.M.M.

segunda-feira, 4 de maio de 2009



VOZES DE ABRIL - COLÓQUIO

Passados 35 anos do 25 de Abril de 1974, o ISCTE organiza nos próximos dias 6,7 e 8 de Maio de 2009, um colóquio com a participação de alguns dos especialistas no tema.

Resultando de uma parceria entre Centro de Estudos História Contemporânea Portuguesa, Centro em Rede de Investigação em Antropologia, Instituto de História Contemporânea e Associação 25 de Abril, vão reunir-se em Lisboa para:

fazer emergir testemunhos mais técnicos ou mais políticos, descritivos ou analíticos, de protagonistas que tenham tido problemas para resolver, com experiência de terrenos diversificados, que permitam perceber momentos épicos ou resistências passivas,construções continuadas de dinâmicas durante muito tempo "invisíveis", objectivos assumidos ou não, circunstâncias, condicionantes, funcionamentos concretos, interacções entre os sujeitos, o vivido, os quotidianos, a combinação dos elementos de continuidade e mudança.

Na quarta-feira (6), inicia-se com um debate de ideias sobre o tema "Construção e Transmissão da Memória" com a participação de:
Maria Carlos Radich (Moderadora)
Aniceto Afonso
Manuela Cruzeiro
Paula Godinho
Jorge Martins
Tiago Matos Silva
Benedicta Duque Vieira

Na quinta-feira (7), apresentam-se as temáticas relacionadas com a problemática da "Cultura e Revolução" onde participam:
Jorge Freitas Branco (Moderador)
José Aurélio
Hélder Costa
Rui Curto
Eduardo Gageiro
Fernando Matos Silva

Na parte da tarde debate-se o problema "Movimentos Sociais"
Jorge Crespo (Moderador)
Fernando Oliveira Baptista
João Falcão de Campos
Manuel Cruz Fernandes
Alexandre Ramires
Conceição Redol
Jorge Seabra

Na sexta-feira (8), debate-se o tema "Descolonização e enquadramento internacional"
José Medeiros Ferreira (Moderador)
Celso Amaral e José Ponces Aparício
Pedro Pezarat Correia
Vítor Crespo
Fernando Reino
António Almeida Santos
Manuel Carvalho da Silva

Finalmente, na parte da tarde deste dia discute-se sobre "Um tempo politicamente denso":
Irene Pimentel (Moderadora)
Ruben de Carvalho
Luís da Costa Correia
Miguel Judas
Vasco Lourenço
António Rosado da Luz
José Sanches Osório
António Reis

Nestes dias, são também projectados dois documentários sobre a questão de Abril.

O programa completo e detalhado das actividades pode ser consultado AQUI.

Uma actividade a não perder.

A.A.B.M.

sábado, 2 de maio de 2009



DA MONARQUIA CONSTITUCIONAL À REPÚBLICA

No próximo dia 16 de Maio, vai relizar-se na Ericeira, um colóquio, no auditório da Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva, com a participação de alguns especialistas na matéria.

Os conferencistas convidados garantem a qualidade do colóquio. São eles:
- Prof. Doutor António Reis;
- Prof. Doutor António Ventura;
- Prof. Doutor Ernesto Castro Leal;
- Prof. Doutor António Matos Ferreira.

Este colóquio organizado pelo Instituto de Cultura Europeia e Atlântica que irá decorrer entre as 10.30h e as 18h, com entrada livre.

Um evento a não perder e que o Almanaque Republicano não podia deixar de divulgar.

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A.A.B.M.