quarta-feira, 15 de julho de 2009

IN MEMORIAM HERMÍNIO PALMA INÁCIO (1922-2009) - Parte I


Nasce em Ferragudo [concelho de Lagoa] a 29 de Janeiro de 1922. Filho de José Inácio e de Custódia da Palma, ferroviários, Palma Inácio passa a sua infância em Tunes (Silves) de onde sai [com 18 anos] para se alistar voluntariamente na Aeronáutica Militar. Colocado em Sintra (Base Aérea nº 1), tira o curso de mecânico de aeronaves e de piloto civil para aviação comercial. É nesse meio que trava conhecimento com Humberto Delgado e adere à luta contra a ditadura.

Em 1947 [10 de Abril] há uma tentativa frustrada de conspiração civil e militar [Abrilada] pela Junta Militar de Libertação Nacional [movimento militar e civil, que vem na sequência da tentativa de Revolta da Mealhada, presidido por Mendes Cabeçadas, Celestino Soares, João Soares, o general Marques Godinho, o brigadeiro Maia e outros – ver AQUI] e Palma Inácio participa [com Gabriel Gomescf. A História da PIDE, de Irene Pimentel, p.143] sabotando os aviões [entre eles o Dakota de Santos Costa] da base aérea da Granja (Sintra). Face ao desaire da conspiração, Palma Inácio é um dos suspeitos e, por isso, foge da Portela de Sacavém onde era mecânico da KLM e refugia-se numa quinta de um amigo em Loures [onde fica 3 meses]. É denunciado por uma "ingénua" rapariga à GNR [cf. "Duas Fugas", rev.História, nº28, 2000] e é detido pela PIDE [cf. Pimentel, aliás in "O aventureiro da liberdade perdida", Visão, 16/06/1994], dando entrada na sua directoria no dia 6 de Setembro, seguindo depois para o Aljube.

Torturado, mas nunca cedendo às promessas da PIDE [como as do capitão Catelacf. rev. História, ibidem], prepara a sua fuga do Aljube através da "única janela sem grades", de uma sala utilizada pelos guardas como apoio à condução dos presos, e com auxilio de lençóis, que "trazia escondidos nas calças largas", saltou para o saguão onde estava um guarda, correu para escadas que conduziam à rua, "empurrou" o guarda-porteiro do Aljube e correu com um "galope louco" até à rua da Madalena, "onde apanhou um táxi" [a 16 de Maio 1948].

Farto de esperar pela revolução que tardava, resolve partir para Marrocos, "escondido num cargueiro" que partia do Barreiro [rev. História, ibidem], justamente para onde foi levado num "barquinho à vela" por Gabriel Pedro e o filho, e Edmundo Pedro [ibidem]. Em Marrocos contacta com a oposição a Salazar. Parte para os EUA, onde é, de novo, descoberto, levando-o a abandonar o país, seguindo para o Rio de Janeiro. Humberto Delgado e, pouco depois, Henrique Galvão estão por lá, no exílio, mas também uma vasto grupo de exilados, entre os quais João Camoesas, Oliveira Pio ou Sarmento Pimentel.

A 10 de Novembro de 1961, data onde ocorreu a chamada "Operação Vagô" organizada por Henrique Galvão, Palma Inácio participa no comando da tomada do avião da TAP "Mouzinho de Albuquerque", que fazia a ligação Casablanca-Lisboa [juntamente com "Amândio Silva (hoje, director da organização privada Mares Navegados, Brasil), Camilo Mortágua (agora empresário no Alvito), João Martins (proprietário de um restaurante em Bruxelas), Fernando Vasconcelos (residente em Brasília) e Helena Vidal (já falecida)" - ler AQUI e AQUI todas as peripécias da operação], com a intenção de lançar milhares de panfletos [Manifesto da Frente Anti-Totalitária dos Portugueses Livres no Estrangeiro] sobre o país, denunciando a fraude eleitoral que se ia realizar e apelando à revolta. Foi um êxito a operação e perante as pressões do governo português para a extradição do "comando", Palma Inácio e os amigos partem, de novo, para o Brasil.

[foto in História da PIDE, de Irene Pimentel]

[a continuar]

J.M.M.

terça-feira, 14 de julho de 2009


UM DISCURSO ESCONDIDO. ALFREDO DA SILVA E AS GREVES NA CUF

"Nos anos da Primeira República, o operariado da Companhia União Fabril emerge enquanto novo grupo social no panorama industrial do Barreiro, protagonizando importantes movimentos reivindicativos. No confronto directo com o industrial Alfredo da Silva, afirma e constrói uma identidade própria, numa progressiva consciencialização enquanto classe. Para analisar as greves ocorridas na CUF durante a Primeira República é preciso ter em conta os interesses que opunham patronato e proletariado. Por isso, falar das greves da CUF significa falar da luta operária, mas também das estratégias adoptadas por Alfredo da Silva na sua relação com o operariado".

Um discurso escondido. Alfredo da Silva e as greves na CUF durante a Primeira República (1910-1919) - de Vanessa de Almeida, Editorial Bizâncio, 2009.

J.M.M.

segunda-feira, 13 de julho de 2009


FRANCISCO GONÇALVES VELHINHO CORREIA (Parte II)

Encontramo-lo ligado à Liga Nacional da Instrução tendo participado na primeira Festa da Árvore, realizada no Seixal em 26 de Maio de 1907. Esta iniciativa, foi muito apoiada pelos Republicanos e pela Maçonaria. Nesse ano realiza uma conferência na Sociedade de Geografia, da qual era associado, intitulada O Ensino e a Educação em Portugal que viria a ser publicada como se refere adiante [João Carlos Paulo, “Francisco Gonçalves Velhinho Correia”, Dicionário de Educadores Portugueses, Dir. António Nóvoa, Asa, Porto, 2003, p. 398-399.] Na Sociedade de Geografia ocupou as funções de presidente da Sub-secção de Estudos de Olivença, no início da década de 1920.

Esteve durante algum tempo em Macau, por onde foi eleito deputado entre 1915 e 1917. Foi professor no Liceu Nacional de Macau, no sexto grupo. Nessa situação conheceu e contactou com a elite da região como Camilo Pessanha, com quem estabelece alguns laços de amizade. Colaborou com o jornal Progresso de Macau, onde publicou um artigo intitulado O Dr. Pessanha em Singapura. Notícias de Portugal. Nele referia a desilusão do poeta em relação a Portugal pois não tinham recebido ou valorizado os objectos que o poeta tinha oferecido para o Museu das Janelas Verdes.

Em 1917, apresenta um trabalho para o concurso de professor de Colonização da Escola Colonial, intitulado Problemas económicos e coloniais: uma carreira portuguesa de navegação para o Oriente, em 1919 para a nomeação definitiva regendo a cadeira de Estatística e Informações Coloniais (8ª cadeira), permanecendo na Escola até 1943, onde chega a exercer funções de direcção ainda que por um curto período de tempo (1942-1943).

Quando esteve no governo, ocupando a pasta das Finanças, em 1923, procurou aplicar um conjunto de medidas visando a redução do deficit orçamental. Porém, as suas medidas foram fortemente criticadas e surgiram mesmo algumas contrapropostas que Velhinho Correia considerou inaceitáveis e abandonou o cargo. [Fernando Mendonça Fava, Leonardo Coimbra e a Primeira República. Percurso Político e Social de um Filosofo, Coimbra, Imprensa da Universidade, 2008, p. 113].

Em 1930, publicou um conjunto de artigos no Diário de Notícias onde apresentava uma teoria critica da doutrina económica subjacente ao Acto Colonial [24-05-1930; 31-05-1930; 11-06-1930].

Em 1938 apresentou uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa intitulado A Lição de Sagres.

Um outro pequeno apontamento sobre Velhinho Correia e a ligação com a Maçonaria refere-nos que ele foi venerável da Loja Solidariedade, em Lisboa e da Loja Lacóbriga, nº 326, em Lagos.

Publicou:
- O ensino e a educação em Portugal, Lisboa, Livraria Clássica Editora de A.M. Teixeira, 1907.
- Problemas económicos e coloniais: uma carreira portuguesa de navegação para o Oriente: sua influencia na economia do país, Lisboa, Livraria Ferreira, 1916.
- Navegação Colonial (Relatório da Cadeira de Estatística e Informações Coloniais), Lisboa, 1921.
- Navegação nacional : extracto d´um relatório, Anuário da Escola Superior Colonial, (1922-1923), Lisboa, p. 59-113
- A semana do escudo: artigos e conferencias, Lisboa, Of. Gráf. de O Rebate, 1924.
- Situação Económica e Financeira de Portugal. Elementos de Informação e Estatística, Lisboa, Imprensa Nacional, 1926, IV vols.

Colaborou ainda em diversas publicações, jornais e revistas como:
- Vanguarda, Lisboa, 1890-1911;
- Progresso de Macau, Macau, 1915;
- Diário de Notícias, Lisboa, 1930;
- Diário de Coimbra, Coimbra, 1930 -;
entre outros títulos.

A.A.B.M.

BRITO CAMACHO – POLÍTICA COLONIAL

"Espírito de altíssima inteligência, carácter da mais nobre tempera, escritor de valor consagrado, o dr. Brito Camacho também deixou o seu nome ligado à vida colonial, tendo exercido, com o maior do aprumo moral, as elevadas funções de Alto Comissário em Moçambique, onde soube observar os diversos problemas que interessam às colónias.

O trabalho que inserimos no presente ‘Caderno’, cedido por quem de direito, e que vale como magnifica lição, nunca foi publicado em separata e passou quase despercebido na Imprensa. Trata-se duma notável conferência sobre ‘Política Colonial’, que o dr. Brito Camacho realizou em Lisboa, pouco tempo depois de regressar de Moçambique, há, pouco mais ou menos, uma dúzia de anos.

Quem se lembra já dessas inteligentes, patrióticas e oportunas palavras, então pronunciadas pelo dr. Brito Camacho, com tanta autoridade moral e mental? ...
"

in Nota Preliminar ao nº 26 - "Politica Colonial" - dos "Cadernos Coloniais", Editorial Cosmos, 1936.

J.M.M.

domingo, 12 de julho de 2009


FRANCISCO GONÇALVES VELHINHO CORREIA (Parte I)

Nasceu em Lagos, a 6 de Outubro de 1882, e veio a falecer em Lisboa, a 22 de Outubro de 1943. Era filho de José Maria Correia Júnior, oficial do Exército, e de Teresa de Jesus Velhinho.

Aos 16 anos, tornou-se praça, tendo atingido pouco depois o posto de 2.º Sargento. Durante alguns meses, deixou o serviço militar para se dedicar à contabilidade numa fábrica. De volta ao exército, ingressou no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa e na Escola do Exército, tendo tirado o curso de Administração Militar,em 1906, depois de assentar praça em 1898 –, seguirá uma vida profissional iminentemente ligada ao Exército, quer como docente, quer como oficial de carreira, atingindo o posto de tenente-coronel em 1936.

Além de professor da Escola Superior Colonial e da Escola Militar no período de 1917 a 1943 (na última das quais, chegou a professor catedrático das 19.ª e 20.ª cadeiras), foi químico da Manutenção Militar, serviu no Corpo Expedicionário Português e desempenhou missões em África e Macau. Na sequência do primeiro conflito mundial, quando já ganhara reputação como autoridade em assuntos económicos e financeiros, faz parte da comissão reunida em Londres para liquidar a dívida de guerra e da Comissão de Reparações Alemãs, em Paris, vindo ainda a representar o seu país na Conferência Interparlamentar Internacional de Comércio.

Filiado no Partido Republicano Português e membro da Maçonaria, onde se iniciou em 1907, na loja Solidariedade, adoptando o nome simbólico de Padre Eterno, é um dos poucos oficiais que compareceram de imediato na Baixa lisboeta a seguir à proclamação da República.

Durante este regime, teve uma intensa participação parlamentar, como deputado por Macau (1915-1917), Silves (1919, 1921 e 1922) e Lagos (1925). Sobraçou, ainda, duas pastas ministeriais: a do Comércio, entre 19 de Julho e 20 de Novembro de 1920, e a das Finanças, entre 13 e 17 de Agosto de 1923 e entre 20 de Agosto e 24 de Outubro de 1923.

Apartado da actividade política na vigência da Ditadura Militar, regressaria, porém, no período do Estado Novo, no papel de procurador à Câmara Corporativa (1935) – onde foi relator de pareceres relativos à reforma dos Serviços da Dívida Pública, ao Cadastro da Propriedade Rústica e ao Imposto sobre Lucros de Guerra – e de vice-governador do Banco Nacional Ultramarino.

Foi autor de obra diversa sobre o ensino e a economia, donde se destaca o título A Semana do Escudo – colecção de conferências e artigos realizados em 1924, durante uma campanha contra a inflação fiduciária e a favor da valorização da moeda.

Foi candidato derrotado a secretário-geral do Banco de Portugal.

A Escola Elementar de Comércio e Indústria João de Deus foi inaugurada em 5 de Outubro de 1920. Para a sua criação foi decisivo o esforço desenvolvido pela Câmara Municipal de Silves que reforçou o seu Orçamento dos indispensáveis meios financeiros e disponibilizou as instalações para o seu funcionamento. De entre os seus obreiros destaca-se o nome de Maurício Monteiro que aventou, em Lisboa, a ideia da sua criação e os de Samora Barros e de Henrique Martins que o secundaram no projecto. A ideia ganhou corpo através da acção política dos deputados municipais da cidade João Estevão Águas e Velhinho Correia que desenvolveram o processo oficial que levou à criação da Escola.

O ataque à direcção do Banco Nacional Ultramarino, empossada a 23 de Novembro de 1925 pelo governo de Domingos Pereira, foi propositadamente construído para atingir Francisco da Cunha Leal e Velhinho Correia, do Partido Nacionalista.

[Em continuação]

A.A.B.M.

quinta-feira, 9 de julho de 2009


NÃO PERCAS A ROSA

"Inapetente para a meticulosidade pachorrenta dos registos sistemáticos — por índole poética perfilho as sísteses das vivências acumuladas —, foi-me então estranhável iniciar este diário nas horas entusiásticas em que deflagraram os acontecimentos que lhe foram dando forma (...)"

Natália CorreiaNÃO PERCAS A ROSA. Diário e algo mais (25 de Abril de 1974 — 20 de Dezembro de 1975), Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1978

in CATÁLOGO da Livraria In-Libris.

J.M.M.

SALAZAR, FRANCO E A PROPAGANDA CONTRA A ESPANHA DEMOCRÁTICA

"O título deste livro, "O Que Parece É", não foi inventado por mim, nem tão-pouco foi retirado de um anúncio publicitário. Trata-se de uma frase de Salazar, um dos muitos aforismos que ele tanto gostava de integrar no seu discurso e que serviam de 'slogans' com enorme eficácia propagandística, funcionando como mandamentos explícitos para orientar as directrizes ideológicas do seu novo modelo político. (...) O objectivo científico deste livro consiste em compreender o discurso salazarista no que diz respeito aos meios de comunicação, os quais ele considerava como um veículo de transmissão da ideologia, essencial para doutrinar a sociedade. (...)

Salazar acreditava que o controlo férreo da opinião pública portuguesa era a chave para fazer prevalecer os seus princípios políticos. Isso mesmo manifestou num dos seus discursos: 'A verdade é que politicamente tudo o que parece é, quer dizer, as mentiras, as ficções, os receios, mesmo injustificados, criam estados de espírito que são realidades políticas: sobre elas, com elas e contra elas se tem de governar'

Esta visão totalitária da sociedade portuguesa fez com que temesse o contágio ideológico através da Espanha democrática que nascera com a fundação da Segunda República, a 14 de Abril de 1931, um regime que poderia prejudicar o Estado Novo. A rebelião franquista de Julho de 1936 pareceu-lhe ser o melhor para Espanha e para Portugal. Por isso, era necessário prestar o maior auxílio propagandístico possível a Franco, de modo a difundir a verdade, a sua verdade" [in, Nota Prévia - ler AQUI]

O Que Parece É. Salazar, Franco e a Propaganda Contra a Espanha Democrática - de Alberto Pena, Edições Tinta da China.

J.M.M.

segunda-feira, 6 de julho de 2009


COMISSÃO MILITAR REVOLUCIONÁRIA DO 5 DE OUTUBRO DE 1910 (Parte III)

Continuando a apresentar os militares que intergravam a Comissão Militar Revolucionária e reconhecendo a impossibilidade de os indicar a todos, apresentamos mais um conjunto de figuras que conspiraram para derrubar a monarquia em 1910.

- Mariano Martins
- Vasconcelos e Sá
- Tancredo de Morais
- Artur Carlos de Carlos Barros Basto
- João Ribeiro Gomes
- Armando Porfírio Rodrigues
- José Malta
- Manuel Lourenço Godinho
- Manuel Tavares Grelo
- Augusto Mateus dos Santos Costa
- António Inácio Simões
- Alves de Sousa
- Policarpo de Azevedo
- Humberto de Ataíde Ramos e Oliveira
- António José Soares Durão
- Viriato Pereira de Lacerda
- João Ribeiro Gomes
- Francisco Xavier da Cunha Aragão
- Fernando Mauro d'A. Carmo
- Alexandre Augusto Terry
- José Dias Veloso
- Francisco Gonçalves Velhinho Correia
- Nicolau Tolentino Pereira Homem Teles

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:

* Martins, Rocha, D. Manuel II(Memórias para a História do seu reinado), vol. II, Sociedade Editora José Bastos, Lisboa, s/d.
* Mello, João Augusto Fontes Pereira de, A Revolução de 4 de Outubro (Subsídios para a sua História). A Comissão Militar Revolucionária, Guimarães & Cª Editores, Lisboa, 1912.
*Santos, Machado, A Revolução Portuguesa (1907-1910), introd. Joel Serrão, Assírio e Alvim, Lisboa, 1982.
* Silva, António Maria da, O Meu Depoimento. Da Monarquia a 5 de Outubro de 1910, República, Lisboa,1974.

[Na imagem Mariano Martins, um dos conspiradores referido neste post, nasceu em Aljustrel em 8 de Dezembro de 1880 e falecido em 22 de Maio de 1943. Era filho de Sebastião Rodrigues e de Firmiana Rita da Costa. Frequentou o curso superior do Comércio no Instituto Industrial. Ingressou na Armada em 1899, ascendeu a aspirante de 1ª classe em 1903, guarda-marinha em 1905; 1º tenente em 1910; capitão tenente em 1917 e capitão de fragata em 1918, alcançando a patente de capitão de mar e guerra em 1930. Envolveu-se no movimento de 14 de Maio de 1915. Foi governador de S. Tomé e Principe (1911-13) e da Índia (1925-26).Foi administrador colonial, deputado, governador civil de Vila Real e de Lisboa. Desempenhou ainda as funções de Ministro da Agricultura e de Ministro das Colónias. Na fase final da sua vida acabou por aderir ao Estado Novo.]

A.A.B.M.

PERIÓDICOS – "ESQUERDA SOCIALISTA" E "PODER POPULAR"

A Hemeroteca Municipal de Lisboa, que tem vindo a divulgar o seu riquíssimo acervo documental (publicações periódicas), disponibilizou (com alguns números em falta) recentemente dois órgãos de informação do extinto MES [Movimento de Esquerda Socialista], organização política de grande destaque na luta política nos tempos idos de 1974-75.

Assim, pode consultar-se online o estimado periódico "Esquerda Socialista", nº0 (12 de Setembro de 1974) ao nº38 (16 de Julho de 1975) [direcção de César de Oliveira; Rogério de Jesus (nº7); Augusto Mateus (nº11, 14 de Janiero de 1975)]

e o jornal "Poder Popular", Ano I, nº1 (3 de Abril de 1975) ao nº76, Ano II (13 de Julho de 1978) [direcção de Fernando Ribeiro Mendes e Paulo Bárcia; Eduardo Ferro Rodrigues (nº30, 25 de Fevereiro de 1976); Eduardo Graça (nº49, 11 de Setembro de 1976); Augusto Mateus (nº62, 23 de Junho de 1977)].

Nota: sobre a imprensa periódica do MES, consulte-se os posts de Eduardo Graça, nos Caminhos da Memória - Breve resenha histórica da imprensa do MES (I) / Breve resenha histórica da imprensa do MES – O jornal «Esquerda Socialista» (II) / Breve resenha histórica da imprensa do MES – O jornal «Poder Popular» (III).

J.M.M.

domingo, 5 de julho de 2009


NA APRESENTAÇÃO DA BIOGRAFIA POLÍTICA DE HENRIQUE TENREIRO

Ontem, pelas 18 horas, no Museu Marítimo de Ílhavo, tivemos oportunidade de assistir à apresentação da obra de Álvaro Garrido, “Henrique Tenreiro. Uma biografia política”, publicado pelo Círculo de Leitores. Com uma assistência interessada, a rondar a meia centena de pessoas, com familiares e alguns amigos.

Constituída a mesa, composta pela Dr. Guilhermina Gomes, representante da editora, o Dr. Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Doutor Joaquim Feio, apresentante da obra e finalmente o autor da obra em causa.

Após as palavras de circunstância proferidas pelo edil de Ílhavo, onde salientou os laços de amizade que o ligam ao autor, referindo que assistiu ao “crescimento do Museu Marítimo sob a direcção e trabalho do Dr. Álvaro Garrido”. Seguiu-se a representante da editora que salientou a satisfação com trabalho realizado pelo Dr. Álvaro Garrido, particularmente porque os seus trabalhos têm sido bem acolhidos junto do público, anunciando mesmo que vai ser feita uma nova reimpressão desta obra.

O Dr. Joaquim Feio começou por referir as ligações que tem com a região e como ao longo da sua vida conheceu e contactou com pessoas que de alguma forma estavam ligadas à pesca do bacalhau o que lhe permite compreender muitos dos factos e situações que encontrou narradas na obra supra referida. Reconhecendo que acompanhou a elaboração do livro ao longo do tempo, com longas conversas pelos corredores da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Nos vários pontos que salientou da obra, dois pontos mereceram algum destaque: “o sistema Tenreiro” e o “enigma Tenreiro”. O primeiro, entendido como o “sistema das pescas criado por Tenreiro, que tornou a campanha do bacalhau num enorme sinal simbólico para o Estado Novo, porque recorda a gesta heróica dos Descobrimentos”. Porque todo o cerimonial preparado para assinalar o início das campanhas nos mares do Norte era encenado ao detalhe para lembrar as partidas dos navios na época das Descobertas, desde a bênção da frota até aos discursos da ocasião eram pormenorizadamente estudados, fazendo da faina do bacalhau como a “grande pesca” onde se sugeria a grandeza imperial da Nação.

Por outro lado, o denominado “enigma Tenreiro”, porque a personalidade de Henrique Tenreiro “não deixava ninguém indiferente” como afirmou Joaquim Feio, porque havia dentro do Estado Novo os defensores e os críticos desta personalidade. A obra, que o apresentante considerou como “uma criptobiografia do Estado Novo”, porque a personalidade de Tenreiro acompanha todo o período do salazarismo, “criando ou aproveitando os rituais do regime, tornando-se um guardião ou mesmo um pilar do regime”. Referindo-se às suas estreitas ligações com o Almirante Américo Tomás que lhe valeram para o resguardar de situações mais complicadas no interior da chamada”situação”, em particular na fase final do regime.

Joaquim Feio relatou mesmo situações, de que teve conhecimento, em que Henrique Tenreiro exercia um apertado controlo sobre os capitães e armadores dos bacalhoeiros. Tenreiro, era na opinião de Joaquim Feio, uma figura que entre os armadores “suscitava temor, aprovação e desaprovação”. Porque, aproveitando o corporativismo económico salazarista, surgido como uma terceira via entre o capitalismo e a economia planificada, “construiu no sector das pescas um enorme poder fáctico” tecendo uma complexa e estruturada pirâmide de organizações que lhe permitiram uma posição de destaque na orgânica do Estado Novo. Com a revolução de Abril de 1974, Tenreiro que devia ter sido julgado, acaba por conseguir partir para o Brasil, onde viveu o resto dos seus dias, considerando Joaquim Feio que a parte final da biografia “constitui um excelente material de reflexão sobre o quando tudo acaba enquanto poder”.

Tomou por fim a palavra o Doutor Álvaro Garrido que agradeceu aos membros da mesa, aos familiares e amigos presentes. Assumindo, logo de início que não se referiria à obra em si, explicou os escolhos e problemas que se levantam a quem se propõe escrever biografias políticas que considerou ser mais um género literário que historiográfico. Considerou importante o papel das biografias, porém também reconheceu que a valia de algumas das que recentemente têm sido publicadas podem ser discutíveis.

Referiu que começou a interessar-se pelo tema da pesca do bacalhau a pedido do Professor Romero de Magalhães. Este, juntamente com o Professor Reis Torgal ,desempenharam um importante papel na sua formação de historiador, aproveitando para agradecer a ambos, porque estavam presentes na sala e mais uma vez o acompanhavam na apresentação pública de um novo trabalho.

Para finalizar e aproveitando já alguns ecos recebidos sobre a obra solicitou à editora que numa segunda edição se conseguisse a integração de um índice onomástico que seria muito útil a quem deseje consultar a obra. Já agora, se nos é permitido, partilhamos em absoluto dessa opinião, pois para mais fácil pesquisa das pessoas que são referidas tornava-se fundamental um instrumento desse género, por outro lado permitiria também estabelecer a teia de relações pessoais que se conhecem de Henrique Tenreiro, a importância que as mesmas tinham e abrir caminhos a novas pesquisas no campo das influências sociais e políticas.

Foi um fim de tarde passado no Museu Marítimo de Ílhavo visitando um espaço que já não visitávamos havia algum tempo, onde é possível agora visitar a exposição temporária intitulada "Frota de Paz nos Mares em Guerra" que merece a pena ser visitada pelos nossos ledores.

A.A.B.M.

ESTUDOS SOBRE OS JORNALISTAS PORTUGUESES

"Não conheço olhar mais rigoroso sobre a reconfiguração em Portugal do jornalismo e da profissão de jornalista na viragem do século. Nem mais fecundo sobre a luta pela sobrevivência da autonomia do campo na nova e imprevisível era que emerge". [Adelino Gomes]

"Trata-se de um livro que contém trabalhos de uma grande qualidade e rigor científico sobre um tema da maior pertinência nos tempos que correm. É certamente uma contribuição do maior relevo para o conhecimento da problemática sociológica referente à profissão jornalística em Portugal." [Tito Cardoso e Cunha]

"O universo dos jornalistas portugueses esteve submetido a sucessivas vagas de turbulência desde a alteração política do 25 de Abril de 1974. Certas tendências-chave que tinham vindo a irromper no grupo profissional, a partir desse acontecimento gerador de um contexto democrático, desprenderam-se completamente na década de 1980, dando lugar a um panorama renovado que se desenvolveu na passagem para o século XXI. Manifestações centrais deste processo foram o alargamento e completa recomposição profissional e social dos jornalistas. A feminização, o rejuvenescimento, o aumento da formação escolar, o surgimento de novas posições e funções, a estratificação interna, o aumento das disparidades e o surgimento de novos conceitos e práticas são os principais traços dessa dinâmica. Os estudos reunidos neste livro procuram analisar e compreender estes e outros aspectos da profissionalização dos jornalistas inserindo-os no quadro das profundas transformações que as sinergias entre a revolução tecnológica digital e modelos de gestão adaptados a um mercado tumultuoso e competitivo estão a implicar na realidade que conhecíamos como sendo a imprensa e o jornalismo" [ler, AQUI]

ESTUDOS SOBRE OS JORNALISTAS PORTUGUESES, metamorfoses e encruzilhadas no limiar do século XXI - org. de José Luís Garcia, ICS

APRESENTAÇÃO, dia 7 DE JUNHO (18, 30 horas) - por José Pacheco Pereira e Adelino Gomes - Livraria FNAC (Colombo), Lisboa.

J.M.M.

PRAÇA VELHA - REVISTA CULTURAL DA GUARDA

Saiu, no passado dia 18 de Junho, a Revista Cultural Praça Velha (nº25), com uma temática dedicada à "vida e obras de escritores da Guarda".

Do Índice, registe-se os trabalhos sobre os escritores Eduardo Sucena (por Adriano Vasco Rodrigues), Fernando Silva Correia (por Aires Antunes Diniz), Rui de Pina (de António dos Santos Pereira), Armando Moradas Ferreira (por António José Dias de Almeida), Francisco de Pina (por António Salvado Morgado), uma curioso trabalho biográfico a partir das "Cartas de Nuno de Montemor para Ladislau Patrício" (por Dulce Helena Pires Borges), um estudo de Pinharanda Gomes sobre Leonis de Pina e Mendonça ("Um Escritor Sacro do Séc. XVII") e um artigo sobre Augusto Gil.

Ainda, neste seu último número, pode ler-se um artigo de Eduardo Lourenço e uma entrevista a Manuel António Pina. Em pré-publicação, surgem páginas do "Diário" de Manuel Poppe.

J.M.M.

COMISSÃO MILITAR REVOLUCIONÁRIA DO 5 DE OUTUBRO DE 1910 (Parte II)

Continuando as nossas pesquisas sobre a Comissão Militar Revolucionária encontramos mais os seguintes elementos:
- Djalme de Azevedo
- Sobrinho de Azevedo
- Duarte Fava
- Castro Morais
- António Ladislau Parreira
- José de Ascensão Valdez
- Victorino Godinho
- Manuel Maia de Magalhães
- Camacho Brandão
- Alfredo Pedreira Martins de Lima
- Costa Gomes
- Guilherme Rodrigues
- João Lúcio Serejo
- Álvaro de Oliveira Soares Andreia
- João Salgueiro Rodrigues
- André Bastos
- Carlos Ludgero Antunes Cabrita
- João Sarmento Pimentel

[Na Foto: uma das fachadas da Real Fábrica da Cordoaria Nacional, em Lisboa, local onde a Comissão Militar Revolucionária se reuniu por diversas vezes para preparar a revolução de 4 e 5 de Outubro de 1910.]

A.A.B.M.

sábado, 4 de julho de 2009


JOSÉ ESTÊVÃO / LUÍS DE MAGALHÃES - MOSTRA EVOCATIVA

"José Estevão (1809-1862) foi e é unanimemente considerado o maior parlamentar português.

A vida política deste eloquente orador acompanhou as vicissitudes da implantação do liberalismo em Portugal após 1826. Combateu o miguelismo no batalhão académico, exilando-se depois em Inglaterra. Após a vitória de D. Pedro, que lhe concedeu a condecoração da Torre Espada pela sua coragem em batalha na guerra civil travada no Porto (1833), José Estevão combateu ao lado dos Setembristas por uma concepção mais democrática do liberalismo constitucional. Adversário de Costa Cabral, José Estevão celebrizou-se não só como notável orador parlamentar, mas também como combatente de armas na mão durante a Revolta de Torres Novas (1844) e na Patuleia (1847). Aderiu em 1851 à Regeneração.

Jornalista, principalmente na Revolução de Setembro, militar revolucionário, advogado de causas perdidas que conseguiu ganhar no tribunal dadas as suas qualidades tribunícias, professor de economia política na Escola Politécnica, José Estevão é recordado, assim como seu filho Luís, nesta mostra da BNP, como incansável lutador pelas suas ideias e pai extremoso, tendo morrido inesperadamente quando seu filho primogénito Luís Cipriano contava apenas três anos ...
" [ler mais AQUI]

MOSTRA EVOCATIVA: BIBLIOTECA NACIONAL - de 6 de Julho a 19 de Setembro.

J.M.M.

quarta-feira, 1 de julho de 2009


COMISSÃO MILITAR REVOLUCIONÁRIA DO 5 DE OUTUBRO DE 1910 (Parte I)

Foi no mês de Julho de 1909, em data que não foi possível determinar, que se iniciaram os preparativos para a revolução que acabou por ocorrer em 4 e 5 de Outubro de 1910.

Após a realização do Congresso do Partido Republicano, em que uma parte do partido decidiu organizar a conspiração para derrubar a monarquia foi necessário encontrar entre os conspiradores, desde os militares, à Maçonaria e à Carbonária quem estivesse disposto a arriscar na preparação da revolução.

Como sempre, nestas situações ou não existem documentos escritos, porque era muito arriscado; ou dependemos e acreditamos nas memórias e relatórios que nos foram legadas à posteriori. Tendo em consideração aquilo que temos consultado sobre o assunto, decidimos cruzar elementos entre diversas obras que resultam de testemunhos dos acontecimentos para tentar simplesmente dar conta de alguns dos nomes dos envolvidos no processo. Infelizmente, muitos desses homens permaneceram no anonimato e pouco se sabe sobre alguns deles. Outros, porque desempenharam funções e cargos públicos, acabaram por deixar algum rasto da sua existência, embora muitas vezes quase esquecido.

Vejamos então quem eram alguns dos membros dessa Comissão Militar Revolucionária:
- Carlos Cândido dos Reis
- Carvalho Araújo
- Filemon de Almeida
- Carvalhal Correia Henriques
- Pires Pereira
- José Cabral
- Hélder Ribeiro
- João Augusto de Fontes Pereira de Melo
- Azevedo Gomes
- Aragão e Melo
- José Mendes Cabeçadas Júnior
- Jaime de Morais
- Adalberto Gastão de Sousa Dias
- Machado Santos
- Álvaro Teles de Azevedo
- Augusto Ramos da Costa
- Afonso Pala
- Américo Olavo
- Câmara Leme
- Álvaro Pope
- Ernesto Sá Cardoso
- David Ferreira
- Moura Mendes
- João Manuel de Carvalho
- Pinto de Magalhães
- Assis Duarte Ferreira
- Artur Marinha de Campos
- Silva Pais
- António Joaquim de Sousa Júnior
- Monteiro Guimarães
- José Carlos da Maia
- João Fiel Stockler

Nos próximos dias procuraremos indicar mais alguns dos homens que prepararam a conspiração, principalmente, entre os militares sejam da marinha ou exército.

[Na imagem acima Artur Marinha de Campos que, com a devida vénia, utilizamos o que estava AQUI onde se faz um pequeno bosquejo biográfico sobre a personalidade]

Em continuação

A.A.B.M.

segunda-feira, 29 de junho de 2009


VI CURSO DE HISTÓRIA DO ALGARVE 2009

A Universidade do Algarve, através do Departamento de História, Arqueologia e Património, vai organizar, durante o próximo mês de Julho, a VI edição do curso de História do Algarve.

Ao longo de nove sessões, com alguns investigadores de História regional, vão ser apresentadas diversas comunicações sobre as diferentes épocas históricas. As sessões vão iniciar-se no próximo dia 2 de Julho e vão decorrer até 30 de Julho, às terças e quintas-feiras, entre as 17.30h e as 19.30h, com o seguinte programa de trabalhos:

02- António Faustino de Carvalho, "A passagem para o Atlântico: o Algarve no processo de expansão da agricultura neolítica mediterrânea"
07- João Pedro Bernardes, "O negócio do peixe no Algarve da Época Romana"
09- Marco Santos, "A produção artística no Algarve em finais do Antigo Regime: o caso da Igreja da Ordem Terceira do Carmo de Tavira"
14- Luís Filipe Oliveira, "O outro reino: o Algarve Medieval"
16- António Rosa Mendes, "As Invasões Francesas no Algarve"
21- António Paulo Oliveira, "Síntese sobre o Integralismo Lusitano no Algarve"
23- Catarina Almeida Marado, "A extinção das ordens religiosas no Algarve: o processo e as consequências"
28- Isabel Dias,"Lendas do Cabo de S. Vicente"
30- Adriana Nogueira, "O Algarve como recurso estilístico"

Inscrições:
Gabinete de Eventos da FCHS
Campus de Gambelas
tel. 289 800914
Email: gefchs@ualg.pt

Informações adicionais
http://cursohistoriaalgarve.wordpress.com

Uma iniciativa que o Almanaque Republicano não podia deixar de divulgar junto dos seus ledores, esperando que alcance bastante sucesso junto dos algarvios.

A.A.B.M.

quinta-feira, 25 de junho de 2009


COMISSÃO MUNICIPAL REPUBLICANA DO PORTO

Foi eleita, no Porto, a 22 de Junho de 1904, a Comissão Municipal Republicana do Porto, por sufrágio directo.

Foram eleitos como efectivos:
- Dr. Afonso Augusto da Costa;
- Dr. António Luís Gomes;
- António dos Santos Pousada;
- António da Silva Cunha;
- Delfim Pereira da Costa;
- Dr. Duarte Leite Pereira da Silva;
- Dr. Henrique Pereira de Oliveira;
- Dr. Joaquim de Azevedo Albuquerque;
- Dr. Paulo José Falcão;
- Dr. Severiano José da Silva.

Como substitutos foram eleitos:
- Alfredo Pinto Osório;
- António Amorim Carvalho;
- António Emílio Magalhães;
- Dr. Germano Martins;
- Francisco Xavier Esteves;
- José Pinto de Sousa Lelo;
- José Maria da Silva Dória;
- David d’Almeida Coimbra;
- Dr. José Joaquim Osório;
- Joaquim de Castro e Silva.

[Foto: Joaquim de Azevedo Sousa Vieira da Silva Albuquerque (16-08-1839;21-01-1912), era filho de João de Azevedo de Sousa Vieira da Silva e Albuquerque e de Joaquina Carlota Barreto da França. Casou em 5 de Abril de 1869 com Helena Eulália Gonçalves Pinto de quem teve 5 filhos. Engenheiro civil formado pela Academia Politécnica do Porto, professor do liceu, lente da Academia Politécnica do Porto e matemático. Era sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa-filial do Porto, onde desempenhou as funções de primeiro secretário. Foi presidente da direcção da Sociedade de Instrução do Porto em 1884. Foi um dos republicanos indigitados para o Governo Provisório proclamado durante a revolta de 31 de Janeiro de 1891. Apresentou-se como candidato a deputado ainda durante a Monarquia. Por limite de idade foi jubilado em 1910 e um dos membros da Comissão Municipal Republicana do Porto em 1904. Terá sido colaborador de Camilo Castelo Branco na tradução do Dicionário de Educação e Ensino. Autor de vasta bibliografia escolar e científica na área da Matemática. Iniciado na Maçonaria em 1892 na Loja Independência do Porto com o nome simbólico de Condorcet. Ver mais informações sobre esta personalidade ver AQUI

Bibliografia Consultada:
CABRAL, Alexandre, Dicionário de Camilo Castelo Branco, Caminho, 1988;
MARQUES, António Henrique de Oliveira, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. I, Editorial Delta, 1986, p. 32.]

[Resistência, Coimbra, 26 de Junho de 1904, Ano 10, nº 913, p. 1, col. 3]

A.A.B.M.

SIMÃO JOSÉ DA LUZ SORIANO: NOTA BREVE

Nasce em Lisboa a 8 de Setembro de 1802. Foi abandonado pelo pai [Domingos José Soriano, barbeiro de profissão e que partiu para o Brasil – cfª Dicionário de Autores Casapianos, Lisboa, 1982, p.186] e vai viver para Famalicão da Nazaré com a mãe (empregada de servir). Entra, por intermédio de um seu tio [frade carmelita, ibidem] na Casa Pia a 31 de Agosto de 1811 ["data em que a Instituição reabriu no Convento do Desterro", ibidem].

Em Agosto de 1813, Luz Soriano, "saiu para aprender o ofício de Encadernador" [ibidem]. Vai para Coimbra, sua "forte ambição", para estudar, mas é "roubado de todos os seus haveres", tendo regressado, depois de trabalhar "como criado de lavoura" (na Azambuja), à Casa Pia. Abandona-a, de novo, devido a incompatibilidades escolares com o administrador da Instituição e decide-se pela "vida monástica". Tenta ingressar, curiosamente, no Mosteiro de Santa Maria da Arrábida [ibidem], mas não é aceite por "não saber latim". Decide, então, estudar engenharia. Parte para Coimbra [a 7 de Junho de 1825 – ibidem], instalando-se no "velho colégio da Broa". Troca Engenharia por Medicina, tornando-se bacharel anos depois, na cidade onde diz ter assado "o melhor tempo da sua mocidade".

Defendendo, ainda como estudante, o ideário liberal, liga-se (1828) à revolução constitucional do Porto, "proclamada em 16 de Maio" [cfª. Dicionário Biographico Portuguez, de Inocêncio Francisco da Silva]. Malograda a intentona, é obrigado a exilar-se em Espanha, fazendo aí parte do Batalhão de Voluntários Académicos [Dicionário, ibidem]. Parte para Plymouth e depois para a Ilha Terceira [Fevereiro de 1829, ibidem], tomando parte no desembarque do Mindelo, "vindo depois na expedição ao Porto em 1832", em cujo cerco serviu. Refira-se que veio de Plymouth para Angra, via ordens do Marquês de Palmela, e transportada pela galera "James Cropper" [chegada no dia 14 de Fevereiro de 1829 – Dicionário, ibidem], a "imprensa" para "uso da junta provisória", que Luz Soriano e outros "voluntários" montaram e que tinha na sua chefia Pedro Alexandrino da Cunha [alferes do regimento nº43 – ibidem]. Sobre a questão da introdução da imprensa nos Açores, a que este facto se refere, é conveniente consultar o Dicionário do Inocêncio, onde é transcrita um carta de Luz Soriano [do Conimbricense n.º 3:944] que clarifica o assunto.

Com a vitória liberal, entra como Amanuense de primeira classe na Secretaria de Estado dos Negócios Estrangeiros [Dezembro de 1832] e acaba o seu curso de Medicina [1842]. Deputado por Angola (1851-54). É aposentado (1867) no cargo de oficial maior do Ministério da Marinha e do Ultramar.

Escritor prolífico [com dezenas de obras publicadas], é como historiador e memorialista (notável) que é reconhecido. A sua merecida e estimada bibliografia histórica é de importância fundamental para o estudo da instauração do liberalismo em Portugal.

Morre em 18 de Agosto de 1891, "deixando testamento que teve larga divulgação por conter disposições realmente merecedoras dessa publicidade, e entre elas algumas que bem revelam o seu civismo e o seu acrisolado amor à Pátria" [ibidem]. Aí, contempla especialmente a Casa Pia de Lisboa [deixando-lhe, entre prestações pecuniárias e imóveis vários, a sua "vasta Biblioteca"] e a Misericórdia de Coimbra.

Foto: in Dicionário Enciclopédico da História de Portugal, Publicações Alfa, 1993.

J.M.M.


HISTÓRIA DO CERCO DO PORTO

Obra importante e copiosa (2000 págs.) de Simão José da Luz Soriano, onde se descreve a antiga Lusitânia e a formação da monarquia portuguesa, bem como os eventos mais notáveis da guerra civil em Portugal, desde o reinado de D. João VI até ao Cerco do Porto.

Esta nova edição (luxuosa), é precedida da biografia do autor por Sampaio Bruno, traz o retrato do autor e mais outros 35 retratos de personagens relevantes da época, e contém inúmeras reproduções dos tipos de uniformes dos batalhões voluntários.

S.[imão] J.[osé] da Luz Soriano - História do Cerco do Porto, Nova edição ilustrada, Porto, A. Leite Guimarães, 1889-90, II vols

J.M.M.

quarta-feira, 24 de junho de 2009


ALVORADAS REPUBLICANAS - UM GRUPO HISTÓRICO (1884)

Da esquerda para a direita, de pé: Silva Lisboa, Manuel de Arriaga, Sebastião de Magalhães Lima, Dr. Consiglieri Pedroso.

Sentados: Dr. Alves da Veiga e Emydgio d’Oliveira (Spada)

[clicar na imagem para ver melhor]

J.M.M.

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE


"Toda a igualdade é ilusória se desconhece as diferenças individuais e, sob o pretexto de se realizar, não dá a todos o igual direito de desenvolver a própria personalidade. Por outro lado, toda a liberdade é ilusória quando dá a muitos dos homens, para empregar a forte expressão de Parodi, o direito sem o poder, o direito de ser livre sem o poder de o ser.

É uma irrisão dizer-se aos deserdados da fortuna que são livres quando se lhes dá apenas a liberdade de morrer de fome; que têm absoluta liberdade de voto, quando de facto estão subordinados aos beati possidentes; que têm o direito da instrução, quando as vantagens do ensino só podem ser desfrutadas pelos ricos.

Todos esses direitos de que a liberdade civil e política hoje se ufana só podem, pois, tornar-se efectivos, deixando de ser teóricos e abstractos, como até aqui, por uma realização progressiva das ideias igualitárias. A condição necessária da igualdade dos direitos é a igualdade dos poderes: tanto monta dizer que a liberdade é um ideal inteiramente vão na medida em que não marcha de par com a igualdade. Liberdade e igualdade, assim despidas dos sofismas e dos abusos do pensamento em que as enredam alguns dos seus pretendidos partidários e muitos dos seus inimigos, longe de se nos apresentarem como contraditórias, não são, pois, mais do que as suas faces necessárias da mesma inspiração social, do mesmo desejo de criar na terra, para todos e por todos, uma vida inteiramente humana.

Eliminados, pois, todos os abusos, todas as falsificações e todos os sofismas, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, por maiores crimes que em nomes delas tenham sido cometidos, são ainda as três estrelas máximas que alumiam o firmamento da Razão humana"

Raul Proença, in Páginas de Política.

J.M.M.

segunda-feira, 22 de junho de 2009


HENRIQUE TENREIRO, UMA BIOGRAFIA POLÍTICA

Vai realizar-se na próxima quarta-feira, dia 24 de Junho, pelas 18.30 h, na Fundação Mário Soares, o lançamento da obra Henrique Tenreiro - Uma Biografia Política da autoria de Álvaro Garrido.

O apresentante da obra será o Prof. Doutor Fernando Rosas.

Do Índice da obra destacamos os principais capítulos, conforme se apresenta a seguir:

Prefácio
Introdução
O enigma do poder
Capítulo I – Percursos de infância e juventude. 1901‑1926
Capítulo II – Da Ditadura Militar à entrada política no regime. 1927‑1936
Capítulo III – 1936: o ano de todas as coisas
Capítulo IV – Patrão das pescas: a oligarquia corporativa. 1936‑1974
Capítulo V – A volúpia do poder e as tensões do apos‑guerra.1945‑1974
Capítulo VI – O fim da ribalta e o último combate. 1974‑1994
Conclusões
Fontes e bibliografia
Fontes primárias – documentação de arquivo
Outros arquivos e Centros de Documentação
Documentação particular
Escritos publicados de autoria de Henrique Tenreiro
Depoimentos orais
Outras fontes impressas
Bibliografia

Esta obra resulta “no terceiro acto deste longo curso sobre o “bacalhau corporativo” e suas Oligarquias”[p. 9]. Depois de ter publicado “Henrique Tenreiro – a volúpia dos poderes”, História, III série, n.º 26, Junho 2000, pp. 17‑25; “Henrique Tenreiro: patrão das pescas e guardião do Estado Novo”, Análise Social, n.º 160, vol. XXXVI, Outono de 2001, pp. 839‑862; “Henrique Tenreiro: um empresário do sector publico‑corporativo da economia salazarista?”, Estudos do Século xx, n.º 4, Coimbra, CEIS20/Quarteto, 2005, pp. 297‑322; O Estado Novo e a Campanha do Bacalhau, Lisboa, Círculo de Leitores, 2004 [vide o que se disse AQUI], a biografia política do homem que corporizou o projecto, Henrique Tenreiro, torna-se um culminar do trabalho, apesar de como afirma o autor na Introdução, “a escrita deste livro não exprime um especial encanto do biógrafo” [p.13] antes uma tentativa de compreensão do sistema corporativo construído durante o Estado Novo no sector das pescas.

Afirma ainda mais adiante:
O principal objectivo deste livro consiste em narrar a trajectória de vida de Henrique Tenreiro na sua relação com o poder. Procurar‑se‑á situar o nosso personagem no espaço público do salazarismo e acompanhar o seu itinerário de poder em dois territórios principais: a oligarquia corporativa das pescas e o sistema político do Estado Novo, dimensões fortemente imbricadas, é certo, mas sobretudo por acção do próprio.

Uma obra muito bem escrita, cuidada e denotando uma das características do seu autor, um conhecimento profundo sobre a organização corporativa do Estado Novo, em particular no domínio das pescas, utilizando fontes diversificadas e afirmando-o como um dos investigadores mais respeitados sobre o período da Ditadura.

No dia 4 de Julho, sábado, às 18h30, no Museu Marítimo de Ílhavo, haverá nova apresentação a cargo do Dr. Joaquim Feio, da FEUC.

A.A.B.M.

domingo, 21 de junho de 2009

ANTÓNIO BORGES COELHO - HONORIS CAUSA


No passado dia 17 de Junho, a Universidade do Algarve atribuiu o Doutoramento Honoris Causa a António Borges Coelho ["historiador dos esquecidos e vencidos"], Doutor em História e professor catedrático jubilado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi seu padrinho o historiador José Mattoso.

"Nascido em Murça, em 1928, António Borges Coelho teve um percurso que foi, no mínimo, atípico (...)

Aluno do Seminário Franciscano de Montariol, durante cinco anos, viria a deixar a possibilidade de uma vida eclesiástica para ingressar em 1949 na Faculdade de Letras de Lisboa. O curso de História viria também a ser abandonado em 1951. As décadas seguintes foram, para este transmontano de Murça, um período conturbado. A luta política entrou na vida de António Borges Coelho nesse início da década de 50 ao subscrever a candidatura de Ruy Luís Gomes à Presidência da República. Esse acto, hoje uma mera formalidade administrativa, era então uma atitude de coragem política e um desafio claro à ditadura. Seguiu-se, para o jovem Borges Coelho, o percurso trilhado por outros democratas: a militância no Partido Comunista Português e o mergulho na clandestinidade, a prisão pela PIDE e seis anos e meio de cativeiro no Aljube, em Caxias e no Forte de Peniche.

Em Peniche conviveu com Álvaro Cunhal, com Carlos Costa e com Alexandre O’Neill. Amizades que o tempo consolidou e que nem os diferentes caminhos jamais apagaram. Data desses anos o poema "Sou barco", que a música e a voz grave de Luís Cília ajudariam a imortalizar. Muitos outros se seguiram, e uma vez que a produção poética nunca deixou de estar presente na sua vida.

Libertado em 1962, continuou a viver até ao 25 de Abril de 1974 sob medidas de segurança, um eufemismo que designava a ausência de direitos políticos, a obrigatoriedade de apresentações periódicas na sede da polícia política, a impossibilidade de tirar a carta de condução ou de leccionar.

É durante esses anos que António Borges Coelho intensifica a sua produção literária e regressa aos bancos da universidade. Licenciou-se em 1967 com uma dissertação sobre Leibniz, mas continuou a ver vedado o acesso ao mundo do ensino ou a qualquer outra actividade pública. Desenvolveu entretanto trabalho como jornalista - foi fundador de A Capital e redactor do Diário de Lisboa e do Diário Popular -, deu explicações e leccionou em vários sítios ...
"

- ler todo o Parecer de Santiago Macias, AQUI.

J.M.M.

sexta-feira, 19 de junho de 2009


HISTÓRIA DA PRIMEIRA REPÚBLICA PORTUGUESA

«Propomos, neste volume, vários entendimentos para essa curta mas rica e complexa República de 16 anos que, longe de ser a aurora emancipadora e progressista que os seus apologistas e apoiantes anunciavam, desejavam e por que se bateram, acabou por se transformar na conturbada crise terminal do liberalismo português a que sucederia o longo ciclo de autoritarismo. Como venceu a República em 1910? Que contradições, que dificuldades viveu, como as resolveu, ou não, até à terrível aventura da participação na Grande Guerra? Que projectos delineou, que portas abriu ou tentou abrir nos vários campos em que procurou apostar? E como renasceu do pós-guerra, após o breve mas premonitório intervalo sidonista? Que República ou que repúblicas e anti-repúblicas foram essas que então se realinharam, também em Portugal, para a grande batalha social e política que anunciava na Europa a época dos fascismos? Afinal, porque venceu e porque morreu a Primeira República? E o que ficou dela como património de memória e reflexão para a democracia de hoje?»

in Introdução, "História da Primeira República", Edição Tinta da China, 2009

Foi recentemente publicada esta nova perspectiva sobre a Primeira República em Portugal, coordenada por Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo, editada pela Tinta da China, ao longo das mais de seis centenas de páginas com os contributos de alguns dos especialistas no tema como: Aniceto Afonso, Sílvia Correia, Luís Farinha, Ernesto Castro Leal, Isabel Pestana Marques, Maria Eugénia Mata, Filipe Ribeiro de Meneses, Vítor Neto, David Pereira, Joana Dias Pereira, Ana Catarina Pinto, Ana Paula Pires, Maria Cândida Proença, António Reis, Maria Fernanda Rollo, Fernando Rosas, Maria Alice Samara e João B. Serra.

Uma obra de conjunto que se aguardava e que, certamente, irá dar origem a outros estudos mais detalhados nas diferentes áreas com novos contributos, perspectivas de análise e documentos que entretanto foram sendo descobertos.

Uma obra a não perder.

A.A.B.M.

HISTÓRIA DA PRIMEIRA REPÚBLICA

Coordenação de Fernando Rosas e Maria Fernanda Rollo, Editora Tinta da China, Junho de 2009.

J.M.M.

MAÇONARIA NO CONCELHO DE MAFRA (1910-1935)

O Professor Doutor António Ventura continua a publicar uma série de estudos dedicados à Maçonaria. Desta vez, dedicou a sua investigação ao concelho de Mafra, no período correspondente a 1910 - 1935.

Numa publicação da Mar de Letras Editora , a apresentação decorrerá no Palácio de Mafra no próximo dia 25 de Junho,conforme se pode ver no convite.

A todos os interessados, este será sem dúvida um momento de se conhecerem algumas das personalidades que, neste concelho, pertenceram à organização que tanta influência teve na 1ªRepública.

Ainda a propósito do Professor António Ventura, encontramos também uma interessante prancha intitulada A Maçonaria Portuguesa perante as Invasões Francesas que pode ser consultada AQUI.

A.A.B.M

quinta-feira, 18 de junho de 2009


LITORAIS Nº 10. REVISTA DE ESTUDOS FIGUEIRENSES

Acaba de sair a publicação semestral da Associação Doutor Joaquim de Carvalho (Figueira da Foz): LITORAIS. A interessante revista de "estudos figueirenses", coordenada desde o seu número inicial (nº 0, Maio de 2004) por António Tavares e Isabel Cardoso Ferreira, dedica esta sua 10ª edição ao "fascinante" Século XIX figueirense.

Da sua tábua regista-se um importante artigo de Lia Ribeiro, "A popularização cultural na Figueira da Foz (1880-1910)", onde a autora se propõe "analisar o universo da divulgação cultural por parte do movimento republicano nas derradeiras três décadas da monarquia na Figueira da Foz". Trabalho (págs 7-41) curioso e estimado para o estudo deste período, com várias referências sobre a dinâmica vida associativa local (via centros, agrupamentos e grémios republicanos), justificada com "as temáticas popularizadas à luz do republicanismo" e acompanhada com numerosas notas bibliográficas.

Pode ler-se, ainda, um cuidado texto de António Manuel Ribeiro sobre um invulgar artigo publicado em 1868 no Archivo Pittoresco ("Villa da Figueira") pela pena de Augusto Mendes Simões de Castro, justamente intitulado "A Figueira da Foz nas imagens e nos textos da imprensa oitocentista. A ‘Vila da Figueira’ no Archivo Pittoresco (1868)". Apresenta o artigo um breve estudo sobre esse "incontornável" periódico, fazendo depois um levantamento biográfico sobre alguns dos seus colaboradores (Augusto Simões de Castro, Joaquim de Mariz Júnior, João Pedroso Gomes da Silva), terminando com a análise do texto saído no Archivo em 1868 (que se reproduz em fac-símile).

No mesmo número da revista são incluídos outros artigos: um sobre os "Sinistros ocorridos na Mina de Carvão do Cabo Mondego e suas consequências na lavra mineira" (por José Soares Pinto & Pedro Callapez) e duas recensões, a primeira sobre "As Teias e os Dias" de João S. Soares (por Maria Helena Monteiro) e uma outra sobre a "A Figueira e a invasão franceza" (reed. 2008) de Pedro Fernandes Tomás (por António Tavares).

J.M.M.

terça-feira, 16 de junho de 2009


COLÓQUIO INTERNACIONAL GUERRA E MEMÓRIA (1914-1919)

Vai realizar-se na Universidade Nova de Lisboa, entre os próximos dias 22 e 27 de Junho de 2009, o Colóquio Internacional sobre a I Guerra Mundial - From the Trenches to Versailles: War and Memory (1914-1919), organizado pelo Instituto de História Contemporânea da FCSH/ UNL com a colaboração do CEIS 20 da Universidade de Coimbra.

Ao longo de seis dias vão encontrar-se em Lisboa, nas instalações da Reitoria da Universidade Nova de Lisboa, alguns dos especialistas no tema para apresentarem os novos elementos das suas investigações.

Entre os principais conferencistas encontramos: Aniceto Afonso, António Sousa Ribeiro, Beatriz Echeverri Davila, Daniel Lefeuvre, Fernando Catroga, Filipe Ribeiro de Meneses, Javier Ponce, José Manuel Pureza, José Medeiros Ferreira, Luigi Tomassini, Marvin Benjamin Fried, Maurizio Ridolfi, Nádia Marchioni, Naoko Shimazo, Patrizia Dogliani e Ruy Vieira Nery.

No dia 22, destacam-se após a sessão solene de abertura e conferência inaugural de Fernando Catroga, destacam-se durante a sessão da tarde, subordinada ao tema, A Grande Guerra, as apresentações de João Paulo Avelãs Nunes e Catrionna Pennell.

No dia 23, na sessão da manhã, destinada a debater O Mundo em Guerra, destacamos na sessão da manhã Nic Clarke e António Rafael Amaro. Na parte da tarde, dedicada a discutir As Experiências Nacionais, apontamos Noémia Malva Novais, António Paulo Duarte, Miguel Dias Santos e Manuel Filipe Canaveira.

No dia 24, discutir-se à a Guerra e os Impérios Coloniais, com as conferências de Dick van Galen Last, Luís Farinha e Daniel Steinbach. Na sessão paralela sobre A Vida nas Trincheiras, destacam-se Isabel Pestana Marques e Augusto Moutinho Borges. No painel intitulado Atrás das Linhas, salientamos Ana Paula Pires e Samuel Kruizinga.No painel intitulado Viver em Guerra, salientamos as conferências de Alice Samara, Paulo Jorge Fernandes, Armando Malheiro da Silva, Angels Carles e Helena Pinto Janeiro.

No dia 25, a sessão sobre Doenças e Saúde Pública, terá entre os oradores Maria Rita Lino Garnel, João Rui Pita, Célia Lopes e Ana Luísa Santos. Por seu lado, no painel subordinado à Ciência Inovação e Guerra, destacam-se Fernanda Rollo, José Morgado Pereira e Maria Inês Queiroz. Na sessão intitulada Pinturas e Gravuras, destacam-se as apresentações de Cláudia Siebrecht, Michael J. K. Walsh e Emmanuelle Danchin. O painel intitulado Intelectuais em Armas conta com as presenças de Luís Trindade, Ana Leonor Pereira, Nuno Bessa Moreira, Eurico Gomes Dias e Maximiliano Fuentes.

Durante o dia 26 decorrem os seguintes painéis: Propaganda de Guerra, Paz sem Promessas e Políticas da Memória. No primeiro apresentam trabalhos de investigação William Kenefick, Paul Alliés e Jorge Pais de Sousa. Na segunda sessão, destacam-se as presenças de Gallit Hadad, Laura Rowe e Anne Samson. Finalmente, na terceira sessão, sobre Políticas da Memória, salientamos os trabalhos de Yucel Yanikdag, Sílvia Correia e Ingrid Sharp.

Finalmente, no dia 27, realiza-se uma visita guiada ao Quartel do Entroncamento.

O programa detalhado pode ser consultado AQUI.

A.A.B.M.

GARRETT. MEMÓRIAS BIOGRAPHICAS

Amorim (Francisco Gomes de) — GARRETT. MEMÓRIAS BIOGRAPHICAS, Lisboa, Imprensa Nacional, 1881-1884 III vols.

["A mais completa obra que até hoje se publicou sobre Almeida Garrett. Preserva no primeiro volume um bom retrato de Garrett e no último, em folhas desdobráveis, 5 fac-símiles de autógrafos do mesmo autor"]

in novo Catálogo da Livraria In-Libris (Porto)

J.M.M.

segunda-feira, 15 de junho de 2009


ASSOCIAÇÃO CULTURAL SERPA PINTO - PALESTRA

Nuno Resende irá apresentar no próximo dia 20 de Junho (pelas 15h), no Clube Literário do Porto, uma palestra intitulada "As vistas estereoscópicas da quinta do Paço (Cinfães, séc. XIX): uma visão de mundos num Portugal em mudança".

Trata-se de "apresentar e explorar um conjunto de fotografias datadas de finais do século XIX que narram não só o percurso do conhecido militar, explorador africanista e político A.A. de Serpa Pinto (1846-1900), mas também o modo de vida e quotidiano da sociedade portuguesa da mesma época".

Palestra: Clube Literário do Porto - dia 20 de Junho, pelas 15 horas.

J.M.M.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

GRÉMIO LUSITANO Nº14 - REVISTA


Saiu a revista nº14 (I semestre de 2009) Grémio Lusitano [Propr. Grémio Lusitano; Direcção: Salvato Teles de Menezes, António Lopes; Coord.: S.T.M., A.L., Silvino G. Silva], contendo alguns curiosos textos, entre eles:

"As Origens da Maçonaria. Lenda(s) e Realidade", por Salvado Teles de Menezes [trata-se da comunicação apresentada nas XI Jornadas Históricas de Seia, que decorreram nos passados dias 14 e 15 de Novembro de 2008] / "O lado operativo dos Símbolos e o papel da Maçonaria" [assinada por Moreira (n.s.), da Loja Atlântico] / "A importância do Nível no percurso iniciático maçónico" [pr. da Loja Sete Irmãs (G.L. Feminina de Portugal)] / um curioso artigo de António Lopes, "Dos cavaleiros do Templo à maçonaria escocesa" / "As Finanças Públicas no Tempo da República", por Francisco Carromeu / um texto de interesse olisipográfico, de registo simbólico e iconográfico muito curioso, "A simbologia maçónica nos bairros operários de Lisboa", por António Lopes [documento estimado, com referências interessantes sobre a "condição de vida do operariado", a habitação, as vilas e os bairros operários [em especial, na Graça (Bairro Estrela d’Ouro) e em S. Domingos de Benfica (Bairro Grandela)], registando-se a presença simbólica do maçonismo e carbonarismo, enriquecido por diversas e elucidativas fotos] / breve texto sobre a "Loja Sympathia e União, nº4, ao Oriente de Lisboa", a "mais antiga Loja maçónica em Portugal" [por Pedro M. Pereira e António Neves Pereira] / "Loja O Futuro. Um pouco da sua história" [assinado por Cephas (n.s.), da Loja O Futuro] / "Centenário da Loja Estrela d'Alva", texto da Loja Estrela d'Alva / reprodução de um artigo de Rui Delgado, saído no Jornal do Fundão, intitulado "Uma loja maçónica na Real Fábrica da Covilhã" / uma curiosa "Carta de Fraternidade da Sociedade Keporática", com texto de John Coustus (n.s.), da Loja Vitorino de Nemésio [Sociedade Keporática ou Sociedade dos Jardineiros, era uma sociedade secreta, simbolicamente próxima da maçonaria – aliás os seus membros deviam ser iniciados antes nas suas lojas –, mas de características carbonárias ou da maçonaria florestal – ver AQUI uma referência feita à essa sociedade] / "Fausto Correia um grande encontro", por Marão (n.s.), da Loja Fernandes Tomás / "Trindade Coelho. Um vulto do pensamento político e social" [por José Elvas (n.s.) da Loja Renascer] / estimado texto biográfico sobre "Augusto Goltz de Carvalho", por Baden-Powell (n.s.), da Loja Coerência / "Recordar João Soares Louro", por Pimenta (n.s.), da Loja Alberto Sampaio / "Emídio Guerreiro", texto de Mazzini (n.s.) da Loja Convergência.

J.M.M.

quarta-feira, 10 de junho de 2009


OS LUSÍADAS

Edição Comemorativa do III Centenário da Restauração da Independência de Portugal [prefácio de Hernâni Cidade e um estudo sobre as duas edições datadas de 1572 por Eleutèrio Cerdeira], Barcelos, Companhia Editora do Minho, 1960.

J.M.M.

TRICENTENARIO DE LUIS DE CAMOES

"AO TRICENTENÁRIO DE LUÍS DE CAMÕES

Ao tricentenário de Luiz de Camões [Visual gráfico. - Rio de Janeiro : [s.n.], 1880 ([Rio de Janeiro?] : Lith. António Lobo. - 1 gravura : litografia]"

via Biblioteca Nacional

J.M.M.

DIA DE PORTUGAL, DE CAMÕES E DAS COMUNIDADES PORTUGUESAS

"Pai ...
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!
...
A bênção como espada,
A espada como bênção!
"

Fernando Pessoa

J.M.M.

CENTENÁRIO DE CAMÕES EM 1880

Quando se assinala mais um aniversário do 10 de Junho, recordamos o que se passou em Lisboa em 1880, quando se realizaram as grandes comemorações camoneanas que hoje muita gente se queixa não saber a origem.

Nesse período tinha sido descoberto um documento na Torre do Tombo, que Teófilo Braga depois divulgou num periódico dirigido por Magalhães Lima, intitulado Comércio de Portugal, onde referia a data de falecimento do nosso poeta mais consagrado na época: Luís Vaz de Camões. Foi então deliberado assinalar a data em 10 de Junho de 1880, passando a partir daí a ser feriado nacional para assinalar o Dia de Portugal e de Camões e só mais recentemente passou também a homenagear as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

A.A.B.M.

domingo, 7 de junho de 2009


CONFERÊNCIA NA ASSEMBLEIA FIGUEIRENSE SOBRE A REPÚBLICA

Vai realizar-se amanhã,8 de Junho, a partir das 21.30h, nas instalações da Assembleia Figueirense, numa iniciativa da Associação Cultural 24 de Agosto, uma conferência intitulada Da 1ª à 2ª República. Repressão e Resistência proferida pelo Major General Augusto Monteiro Valente.

Uma actividade que se saúda e a que os figueirenses devem dar o seu contributo.

A.A.B.M.

quinta-feira, 4 de junho de 2009



CONGRESSO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA E PATRIMÓNIO-AVEIRO 250 ANOS

Hoje, dia 4 e amanhã dia 5 de Junho vai realizar-se em Aveiro um importante congresso internacional sobre História e Património daquela cidade, tendo em vista assinalar os 250 anos da elevação de Aveiro a cidade.

Assim, ao longo de 2 dias, no Centro de Congressos de Aveiro, vão apresentar os seus trabalhos mais de 30 investigadores. Na comissão científica encontramos personalidades como Prof. Doutor António Marques Galopim de Carvalho, Prof. Doutor José Matoso, Prof. Doutor Amadeu Soares e Prof.ª Doutora Maria Helena da Cruz Coelho.

O programa completo pode ser consultado AQUI.

A.A.B.M.

quarta-feira, 3 de junho de 2009



FERNANDO CATROGA E A MEMÓRIA HISTÓRICA

Tivemos hoje oportunidade de assistir ao lançamento da nova obra do Prof. Fernando Catroga, Os Passos do Homem como Restolho do Tempo. Memória e Fim do Fim da História, publicado pela Livraria Almedina.

A apresentação decorreu nas instalações da Almedina/Estádio de Coimbra, com uma assistência bastante numerosa, já que o espaço tornou-se exíguo face ao número de participantes. Entre os presentes, notavam-se as presenças de familiares, colegas, amigos e alunos do autor. Na assistência encontramos personalidades como Ana Cristina Araújo, António Pedro Pita, António Resende de Oliveira, Fernando Fava, Fernando Taveira da Fonseca, Isabel Vargues, Manuel Augusto Rodrigues, Manuela Tavares Ribeiro, Margarida Neto, Paulo Archer, Rui Cascão, Vítor Neto, o general Monteiro Valente, entre muitos outros.

Após a apresentação da obra, pelo Prof. Anselmo Borges e após as palavras proferidas pelo autor houve uma troca de impressões com a assistência. O autor respondeu a algumas questões colocadas, de entre elas permitimo-nos destacar as que se referem ao problema da memória histórica e ao papel do historiador em mediar essa memória e interpretar "o restolho" que fica.

Entre as palavras proferidas pelo autor, sempre muito cuidadoso com a utilização dos conceitos que nos tenta explicar nesta obra, registamos o seguinte: "O homem como ser finito, procura através da simbologia da morte deixar o restolho para a História. Tenta fixar o momento para conseguir perpetuar-se"(citamos de memória, perdoe-se-nos algum lapso), já que como afirma nas palavras prévias da sua obra "o homem, ao narrar-se como história, apazigua os acontecimentos, inscrevendo-se em espaços e tempos que ordena por eixos de sentido. Como ele sabe que só com o esquecimento irreversível a morte se transforma em definitivo nada, o diálogo com os signos da ausência uma re-presentificação, mediante a qual, ao darem futuros ao passado, os vivos estão a afiançar um futuro para si próprios" [p. 7].

E termina afirmando: "a obsessão ocidental pela história e pela memória histórica tem como principal fonte a influência, mesmo que indirecta, da visão judaico-cristã do tempo" [p. 239].

Esta obra encontra-se dividida em quatro partes:
I- Uma poética da ausência
II - Mediatês e Mediação
III- A Activa Espera da Esperança
IV - O Ainda Não Ser
Estas por sua vez repartem-se por um total de 11 capítulos, num total de 309 páginas, onde ainda é possível encontrar abundante bibliografia e um muito útil índice onomástico.

Um último aspecto digno de relevância esta obra é dedicada à memória do Prof. Miguel Baptista Pereira, figura importante do pensamento filosófico português falecido há algum tempo e a quem o Almanaque Republicano, em devido tempo prestou o seu tributo.

Uma obra que se vai tornar, certamente, uma referência na teorização da história em Portugal e que, esperamos, obtenha o reconhecimento merecido.

Foto: espólio A.A.B.M.

A.A.B.M.

FERNANDO CATROGA – APRESENTAÇÃO DA SUA ÚLTIMA OBRA

Na Livraria Almedina (Estádio, Coimbra)hoje (dia 3), pelas 18.00h – vai ser apresentada a última obra do historiador e ensaísta Fernando Catroga (professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e especialista em História das Ideias e em Teoria da História), "Os Passos do Homem como Restolho do Tempo. Memória e Fim do Fim da História".

A obra será apresentada pelo Doutor Anselmo Borges.

Foto: espólio JMM

J.M.M.

terça-feira, 2 de junho de 2009



CRISE ACADÉMICA – COIMBRA 1969 (AS FOTOGRAFIAS)

Fotos únicas da Crise Académica de 1969, em Coimbra, "ordenadas e legendadas por José Veloso e João Gonçalves (JOCA)". [inf. via Caminhos da Memória]

Nota: clicar no botão full screen, em baixa à direita, para visualizar melhor. Para fazer o download basta ter um email e um username (e password).

J.M.M.