domingo, 11 de outubro de 2009

PODER ESPIRITUAL/PODER TEMPORAL


As relações Igreja-Estado

Chegou ao nosso conhecimento que, na próxima semana, vai reaizar-se um colóquio subordinado ao título Poder Temporal/Poder Espiritual: As relações Igreja-Estado no Tempo da República (1910-2009). Esta actividade, desenvolvida em colaboração entre o Centro de História da Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação Memória & Historiografia, e com a Academia Portuguesa da História, que vai decorrer nos próximos dias 15 e 16 de Outubro e que irá efectuar-se no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

DIA 15 DE OUTUBRO

09.30 – Abertura pela Presidente da Academia Portuguesa da História e pelo Director do Centro de História da Universidade de Lisboa
10.00 – Emílio de Diego
As relações Igreja/Estado, da II República à Democracia espanhola

11.00 – Intervalo
11.30 – António Matos Ferreira
As relações Igreja/Estado na I República portuguesa
12.00 – Manuel Braga da Cruz
As relações Igreja/Estado no ‘Estado Novo’ português
12.30 – Debate

13.00 – Intervalo para almoço
14.30 – Luís Salgado de Matos
O “Estado Novo”: um “Estado de Ordens” contemporâneo
15.00 – António Reis
Religião e Laicidade na Democracia portuguesa
15.30 – Debate e intervalo

16.00 – António Ventura
Padres republicanos
16.30 – Miguel Corrêa Monteiro
Os Jesuítas e a I República portuguesa
17.00 – Debate e Encerramento

DIA 16 DE OUTUBRO

10.00 – Ernesto Castro Leal
Religião civil na I República portuguesa
10.30 – Pedro Calafate
A Igreja Lusitana em Teixeira de Pascoaes
11.00 – Debate e Intervalo

11.30 – José Eduardo Franco
Sebastião de Magalhães Lima, entre a crítica anti-jesuítica e a utopia do livre-pensamento
12.00 – Paulo Fontes
O movimento católico durante o “Estado Novo” português: religião, sociedade e politica em questão
12.30 – Debate
13.00 – Intervalo para almoço

LUGAR AOS NOVOS
14.30 – Teresa Nunes
Uma excepção que confirma a regra: a imagen posi¬tiva de sacerdote em O Padre Roque de João da Motta Prego
15.00 – Rita Mendonça Leite
A I República portuguesa e a Igreja Católica perante a pluralidade religiosa: o caso das minorias protestantes

15.30 – Debate e Intervalo
16.00 – Guilherme Sampaio
Recepção das Encíclicas de Pio XI e de Pio XII no jornal católico português Novidades (1937-1945)
16.30 – Paula Borges Santos
A questão religiosa na Assembleia Nacional do “Estado Novo” português
17.00 – Debate e Encerramento

Um evento que não podíamos deixar de recomendar aos nossos ledores.

A.A.B.M.

sábado, 10 de outubro de 2009

MONTIJO - O ANO DE 1909


Exposição "O ANO DE 1909" - Galeria Municipal do Montijo, até 30 de Novembro

"A exposição, cedida pela Biblioteca Nacional, permite uma viagem pelos acontecimentos, momentos e transformações sociais e políticas ocorridas em Portugal, traçando o calendário dos passos mais relevantes, tanto do lado monárquico como republicano, no ano que antecedeu a implantação da República.

A Câmara Municipal de Montijo decidiu complementar a mostra, acrescentando-lhe alguns dados da história local, permitindo assim, também, um percurso pela Aldeia Galega (hoje Montijo) de 1909. As condições económicas para o desenvolvimento dos ideais republicanos; os acontecimentos sociais e políticos mais importantes, como a decisão de implementação da iluminação eléctrica ou o terramoto do Ribatejo que afectou a vila de Canha; e o desenvolvimento do movimento associativo com a fundação do Aldegalense Sport Club, do Musical Alfredo Keil e da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Montijo serão alguns dos aspectos focados
" [ler AQUI]

Visitas: de segunda a sexta-feira - das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Sábado, das 15h00 às 19h00.

J.M.M.

Tomás da Fonseca (1877-1968) via ANTÍGONA


- Na Cova dos Leões – Fátima. Cartas ao Cardeal Cerejeira [c/ pref. Reis Torgal]

"Este livro é porventura um dos mais emblemáticos textos «subversivos» impressos em Portugal durante o salazarismo. Foi escrito por um republicano racionalista e livre-pensador abjurado pela Igreja Católica e pelo regime autoritário e «catolaico» do Estado Novo. Depois, a democracia nascida da revolução de 25 de Abril de 1974 acabou também por o ostracizar. Estas serão, de resto, razões suficientes para que alguns títulos da sua prolífica obra logrem ser redescobertos e reeditados pela Antígona numa altura em que se aproxima o centenário da proclamação da Primeira República em Portugal (1910-2010)"

- O Santo Condestável. Alegações do Cardeal Diabo [c/ pref. João Macdonald]

"Este texto reproduz uma conferência de Tomás da Fonseca, proferida na Universidade Livre de Coimbra, em 1932. Decorridos setenta e sete anos sobre a publicação de O Santo Condestável – Alegações do Cardeal Diabo, a orquestra reorganizou-se para a celebração da canonização de Nuno Álvares Pereira, que a Igreja e os seus cúmplices levaram a cabo neste ano de 2009. Seria, portanto, indelicadeza da Antígona não se associar aos festejos desta nova forma de consubstanciação; por isso, considerámos oportuna a reedição deste livro.
José Tomás da Fonseca nasceu no dia 10 de Março de 1877. Foi um homem de impressionante produção literária, tendo publicado ao longo da vida cerca de quarenta títulos. Colocou-se permanentemente na linha da frente do arriscado confronto político.
"

Publicação pela Antígona - Editores Refractários.

J.M.M.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

QUEM FEZ A REPÚBLICA - EXPOSIÇÃO


"Através de quinze quadros, pretende-se dar um panorama sucinto dos principais acontecimentos que levaram à Implantação da República em 5 de Outubro de 1910, apresentando igualmente notas biográficas dos intervenientes - quem fez a República.

Esta exposição, que reúne documentos e iconografia da época, será igualmente acompanhada da mostra parcial da Colecção António Pedro Vicente da Fundação Mário Soares. A partir do início de 2010, a exposição circulará por diferentes localidades e instituições
"

Local: Sala de Exposições da Fundação Mário Soares.

J.M.M.

ANTÓNIO PEDRO LOPES DE MENDONÇA



António Pedro Lopes de Mendonça [n. Lisboa a 14 de Novembro de 1826 - m. 8 de Outubro de 1865]

Quando é que nos rehabilitaremos na imaginação das nações que nos cercam? Quando é que aqueceremos os nossos membros fatigados e inertes ao sol da civilisação europêa? Quando é que poderemos elevar a nossa fronte humilhada pelos desvarios e torpezas da monarchia absoluta e destes dezesete annos de corrupção e de estupidez representativa?” [A.P.L.M.]

"A república não tem classes, não tem distinções, não tem interesses rivais: as lutas são as das ideias e a sua expressão é, tem de ser manifestada pela imprensa. Ás revoluções armadas hão-de suceder as reformas pacíficas; às paixões, os sentimentos; aos certames de partido, os combates de princípios. Alcançar-se-há esse ideal que debalde têm querido realizar as monarquias representativas? O sistema republicano acolherá no seu seio o princípio da perfectibilidade humana sem que ele ressurja de espaço a espaço tinto de sangue?" [A.P.L.M.]

LOCAIS: António Pedro Lopes de Mendonça (Wiki) / António Pedro Lopes de Mendonça (por Carlos Leone) / António Pedro Lopes de Mendonça / Representação do Outro e Identidade. Um Estudo de Imagens na Narrativa de Viagens - II. Um estudo de caso: a narrativa de viagem oitocentista / A Família Lopes de Mendonça / Boca do Tempo / Dante em A.P.L.M. / Memorias de litteratura contemporanea por A. P. Lopes de Mendonça (livro digitalizado) / Redactores do Ecco dos Operarios

J.M.M.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

1909-2009: CRISE E CRIATIVIDADE ATRAVÉS DA IMPRENSA


O CEIS 20, da Universidade de Coimbra, vai levar a efeito mais uma iniciativa. Entre amanhã e sexta-feira (7 a 9 de Outubro), realiza-se este colóquio internacional cujo programa detalhado pode ser consultado AQUI.

A sessão de abertura decorre amanhã, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Coimbra, a partir das 17 horas, com a recepção dos participantes. Os restantes trabalhos decorrerão no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

A conferência de abertura fica a cargo do Prof. Doutor Ernesto Castro Leal, enquanto a conferência de encerramento pertence ao Prof. Doutor Onésimo Teotónio de Almeida. Os trabalhos decorrerão em várias sessões dedicadas a àreas temáticas como:
- Crises a abrir o século;
- Crises em letras impressas;
- Crise Política;
- Crise Económica;
- Crise Social e Educacional;
- Crise Cultural;
- Crise e Inovação;
- Crise e Criatividade.

Uma iniciativa deste centro de investigação que também permite aos docentes dos grupos 200, 400 e 410 a frequência de uma acção creditada de 25 horas/1 crédito.

A.A.B.M.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A CIÊNCIA NOS FINAIS DA MONARQUIA



O montante total das despesas anuais em actividades de investigação científica e desenvolvimento experimental (I&D), num país desenvolvido do continente europeu ou americano nos princípios do século XX, rondava por um valor que equivalia a 0,1% ou 0,2% do produto interno bruto (PIB) respectivo. Há cem anos, o mundo era muito diferente no que respeita ao volume das actividades científicas.

Um interessante dossiê a acompanhar. Ver o texto do Doutor João Caraça AQUI

A.A.B.M.

FIGUEIRA DA FOZ - COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA


"A Figueira da Foz é uma cidade, reconhecidamente, com fortes tradições liberais e republicanas. Esse espírito puro (e idealista) acompanhou os (…)

Uma plêiade notável de homens e mulheres foram os obreiros dessas fortes convicções liberais, republicanas e democráticas. Pessoas e colectividades, a imprensa local, grupos e cidadãos, com entusiasmo e desassombro, trabalharam em prol do bem comum e da emancipação do povo figueirense. O espírito e alma republicana, sob o lema liberdade, igualdade e fraternidade, fazem parte, exaltantemente, do álbum das memórias figueirenses. Por isso, esse ideário republicano tem de ser evocado. Deve ser reivindicado. Tem de ser honrado.

No ciclo das comemorações do Centenário da República, que agora decorre, é tempo de reclamar a ideia da República e exaltar a sua herança. O legado republicano é uma missão que exige uma recordação condigna da sua própria grandeza. Por isso, correspondendo ao apelo da Comissão Nacional das Comemorações do Centenário da República, um grupo de cidadãos da Figueira da Foz, republicanos e democratas, em harmonia com os objectivos gerais das Comemorações, visa constituir uma Comissão Cívica da Figueira da Foz para as Comemorações do Centenário da República.

Essa Comissão Cívica terá como objectivo dinamizar - com as instituições, colectividades, associações e cidadãos que adiram a este projecto - um conjunto de iniciativas culturais diversificadas a nível concelhio, em ordem a contribuir para homenagear pessoas e instituições, contribuir para uma maior mobilização e participação da sociedade civil nas comemorações do Centenário, dando assim uma maior visibilidade dos objectivos pretendidos pela Comissão Nacional, especialmente junto das gerações mais jovens.

Este blog ou espaço conversável será, doravante, a pedra inicial que desvela essa pretensão e pretende animar este reencontro antiquíssimo com a nossa história local. Assim, convidamo-lo a aderir a essa futura Comissão Cívica, a divulgar este nosso apelo e a participar por uma República melhor.

Saúde e Fraternidade" [ler tudo AQUI]

in Blog "100 Anos da República Figueira da Foz"

J.M.M.

5 DE OUTUBRO 1910


Edição CTT - "Exposição Mundial de Filatelia"

J.M.M.

domingo, 4 de outubro de 2009

LISBOA REPUBLICANA - ROTEIRO PATRIMONIAL


"Nos passos da República, desvendamos a cidade nos seus elementos urbanísticos e patrimoniais representativos de um regime à beira do seu Centenário. Lisboa, uma das primeiras capitais republicanas da Europa, abriu caminho à instauração da República Portuguesa e, nesta, durante um século, construiu memórias físicas e intangíveis que merecem, agora, um fio condutor e um discurso interpretativo. A Câmara Municipal de Lisboa apresenta este Roteiro Patrimonial, com 100 locais onde é possível revisitar os valores da história associada ao ideário republicano, antes e depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910." [ler AQUI]

EXPOSIÇÃO - DIA 5 DE OUTUBRO, 11 horas na Galeria de Exposições dos Paços do Concelho

17h30 | Salão Nobre dos Paços do Concelho - Lançamento do catálogo "À Urna pela Lista Republicana de Lisboa! Foi assim há 100 anos ..." editado pela CML no âmbito do Centenário da Vereação Republicana em Lisboa (1908-2008).

ver todo o PROGRAMA - AQUI.

J.M.M.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO EM COIMBRA



Recebemos e divulgamos o programa das Comemorações do 5 de Outubro a relizar em Coimbra na próxima segunda-feira. (Clicar na imagem para aumentar)



Saúde e Fraternidade a todos os participantes e organizadores.

A.A.B.M.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

HISTÓRIA, QUE FUTURO? - CONGRESSO


A A.P.H. vai levar a aefeito nos próximos dias 2, 3 e 4 de Outubro de 2009 um Congresso para debater o futuro do ensino da História.

Esta actividade vai realizar-se nas instalações da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Campo Grande, Lisboa.

Programa

6ª feira, 2 de Outubro
10:00 Abertura
10:30 Inauguração da exposição de trabalhos do Concurso 35 anos do 25 de Abril
11:00 Conferência: A importância de um ensino humanístico, António Borges Coelho, Prof. Jubilado FLUL
12:00 Reflexões breves sobre Educação, que futuro?, António Nóvoa, Reitor da UCL
12:30 Reflexão Os Jovens Portugueses e a História, Carolina Cortez, Vencedora do Prémio Alexandre Herculano da Academia das Ciências

13:00 Intervalo para almoço
14:30 Conferência Património Histórico-Cultural Lusófono, Teotónio de Souza, ULHT
15:30 WORKSHOPS
A - Educação Histórica e Património - o Centro Histórico de Guimarães, Helena Pinto
B - Educação Histórica e Museus, Helena Miranda
C - Educação Histórica e Novas Tecnologias, Daniel Alves

17:00 Intervalo
17:30 Lançamento de publicações no âmbito da História
18:00 1755... - apresentação teatral pelos Alunos da Escola Básica Integrada Patrício Prazeres de Lisboa
20:30 Jantar-Convívio (opcional)

Sábado, 3 de Outubro
09:30 PAINEL/DEBATE Investigação Histórica
- O papel da Evidência Histórica na análise d' Os Painéis de S. Vicente, Jorge Filipe Almeida
- Ensinar a História do século XX: o 25 de Abril, Inácia Rezola
11:00 Intervalo
11:30 MESA-REDONDA A formação inicial dos professores de História
Com eventual apresentação de trabalhos produzidos por alunos/professores estagiários
Isabel Barca, Luís Alberto Alves, João Paulo Avelãs Nunes, Joaquim Pintassilgo, Olga Magalhães
13:00 Intervalo para almoço

14:30 GRUPOS DE REFLEXÃO sobre o futuro do ensino da História
15:30 WORKSHOPS
D - Experiências de aprendizagem em aula-oficina - ensino básico Marília Gago
E - Experiências de aprendizagem em aula-oficina - ensino secundário Helena Veríssimo
F - Astérix e o diálogo intercultural, Miguel Barros
17:00 Intervalo
17:30 Apresentação das conclusões dos grupos de reflexão
18:00 Conferência História e Cidadania, Lis Cercadillo, Responsável pelo Projecto Pisa em Espanha
19:00 Momento Coral pelo Grupo Vocal ARSIS
19:30 Encerramento

Domingo, 4 de Outubro
10:00 - 13:00
VISITAS DE ESTUDO Sítios com História
1. Museu do Oriente;
2. Museu da Electricidade;
3. Percurso Lisboa Romana;
4. Percurso Lisboa Medieval;
5. Percurso Pombalino


Uma actividade a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

A MAÇONARIA E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA



«O livro “A Maçonaria e a Implantação da República” vai ser lançado no próximo dia 5 de Outubro, em sessão pública que decorrerá no Auditório da Fundação Mário Soares, em Lisboa, com início às 18 horas. João Alves Dias apresentará a obra. Mário Soares, Presidente da Fundação, e António Reis, Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa, estarão presentes.

A Maçonaria e a Implantação da República”, que conta com um posfácio do Prof. Doutor A. H. de Oliveira Marques, reúne um conjunto de documentos inéditos referentes à Comissão de Resistência da Maçonaria e à participação desta nos preparativos do 5 de Outubro de 1910, bem como alguns textos de enquadramento geral da situação que então se vivia no nosso país, uma cronologia dos principais acontecimentos, fotografias e notas biográficas sobre os intervenientes.

A Fundação Mário Soares e o Grémio Lusitano entenderam publicar, nas vésperas do Centenário da República, este espólio documental inédito que ilustra a intervenção da Maçonaria na implantação da República.

Reunidos e anotados por Simões Raposo Júnior, destacado elemento da Maçonaria, os documentos agora reunidos em livro e reproduzidos em facsimile constituem um retrato insubstituível dos preparativos do movimento republicano e das movimentações que o precederam.

A documentação publicada foi depositada na Fundação Mário Soares por Sérgio Carvalhão Duarte. Este acervo documental havia sido entregue, em vida, a seu pai, Jaime Carvalhão Duarte, por José António Simões Raposo Júnior, tendo permanecido durante muitos anos devidamente resguardado fora de Lisboa.

No dia 5 de Outubro será também inaugurada nas instalações da Fundação Mário Soares uma exposição intitulada “Quem Fez a República”» [AQUI E AQUI]

A Maçonaria e a Implantação da República" - lançamento dia 5 de Outubro no Auditório da Fundação Mário Soares, em Lisboa, pelas 18 horas.

J.M.M.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA


A Hemeroteca Digital de Lisboa, disponibilizou online parte da colecção de uma das revistas mais importantes do início do século XX. Uma referência para investigadores e curiosos sobre o período final da Monarquia e o princípio do regime republicano.

Apesar de ser somente uma parte da revista (1903-1914), ela destaca-se sobretudo pela importância das suas ilustrações e fotografias, bem como pelo naipe de colaboradores. Entre eles encontramos autores como: Albino Forjaz Sampaio, Aquilino Ribeiro, Bulhão Pato, Carlos Malheiro Dias, Eugénio de Castro, Jaime Cortesão, Júlio Dantas, Manuel da Silva Gaio ou Rocha Martins, entre muitos outros.

A Hemeroteca Digital de Lisboa, na nossa modesta opinião, continua a prestar um serviço público que consideramos muito bom e que esperemos que continue.

A.A.B.M.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ELEIÇÕES



Veja-se a forma satírica como Rafael Bordalo Pinheiro via a questão política do tempo e as semelhanças com os nossos dias.

[Nota: Imagem da capa da revista - 9 de Maio de 1900 - pode ser consultada AQUI.]

A.A.B.M.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O GRUPO CARBONÁRIO «OS TREZE»


"Lisboa 4 de Janeiro de 1920

Ao Erudito e Eminente Republicano – Ilustre Cidadão Sr. Dr. Bernardino Machado

Ilustre Cidadão:

O Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa, conjuntamente, vem hoje aqui, como preito de profunda homenagem, saudar o grande e dedicado republicano, que sois vós, Ilustre Cidadão, o eminente e ex-Presidente da República Portugueza, que o nefando e vandalismo regímen Sidonista-Realista deportou, roubando-o à Pátria e à República que ele tanto amava e ama com todo o carinho, com toda a alma e de todo o coração.

Ilustre Cidadão:

O Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa, o dedicado e sacrificado povo Republicano, vos saúda, mostrando-vos o seu grande amor pela causa da República, que está sempre pronto para acudir com toda a coragem e boa fé, quando ela perigue.

Ilustre Cidadão:

O Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa, pede-vos desculpa de tão simples homenagem, que, pequena é, para tão Ilustre e fiel servidor da Pátria e da República.
Aceitae, pois, Ilustre Cidadão, a saudação sincera de todos aqueles que tem sido sacrificados na defesa da República, assim como também vos fosteis bem sacrificado e vexado pelo odiento Sidonismo.
As vossas palavras no Senado, couberam bem no intimo de todos os corações republicanos, em que protestaveis e com razão, contra a estada nos Jeronimos, d’aquele que enxovalhou e envergonhou a Pátria e a Republica.
Esse corpo, não é digno de estar junto d’aqueles que souberam honrar a Patria.
Esse corpo ha-de ser retirado de lá!
Onde repousam grandes e honrados patriotas, não deve estar um traidor à Patria.

Cidadão Ilustre:

Mais uma vêz, o Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa, vos vem mostrar o seu grande amor à Republica, sempre prontos para a defender de qualquer perigo que a ameace.
Não vos queremos incomodar mais, Ilustre Cidadão. Trabalhae um pouco mais para a Republica, porque nos estamos sempre prontos para a defender.

O Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa,

Vos Saúda.

Viva S. Ex.ª o Sr. Dr. Bernardino Machado!
Viva a Patria!
Viva a Republica!
Viva o Grupo Carbonário «Os Treze»!
Viva o Povo Republicano de Lisboa!
"

[in Homenagem do Grupo Carbonário «Os Treze» a Bernardino Machado - transcrição de documento manuscrito (sublinhados, nossos), “actualmente exposto no Museu Bernardino Machado” (Famalicão), que “faz parte do espólio doado pela Família Machado Sá Marques”, e que retiramos do estimado blog do dr. Manuel Sá-Marques, onde se encontra a sua digitalização completa. [ver AQUI]

Ainda, retirado do estimado blog, acima referido, registe-se:

Voluntários da República

Para combater as incursões monárquicas são criados os "Voluntários da República", enquadrados pela Maçonaria e pela Carbonária. Assim surgem batalhões em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Chaves, Mirandela e Santarém. Cada batalhão é comandado por um oficial do exército, sendo-lhes distribuídas armas. O Grupo Carbonário "Os Treze" é uma das milícias afectas ao partido democrático
” [AQUI]

J.M.M.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

EFEMÉRIDES DE HÁ CEM ANOS (Setembro de 1909)



Dia 22
- Sessão de propaganda contra a prisão de Ferrer, no Centro Republicano da Pena, onde discursaram Martins Verdu, César da Silva, Afonso Bourbon, Mateus Ruivo e Jaime de Castro.

Dia 23
- Manuel dos Santos Ferreira, residente em Póvoa do Forno, concelho de Oliveira do Bairro noticiava a adesão ao Partido Republicano dos seguintes cidadãos: Manuel António de Oliveira Silva Briosa, proprietário, do Troviscal; Manuel Simões de Carvalho, proprietário, do Vale da Marinha; Manuel Pires Alves, carpinteiro, da Póvoa do Carneiro; António de Lemos, proprietário, da Passadoura; José Ferreira das Neves e João Ferreira, proprietários; José Francisco Miguéis, carpinteiro e proprietário; José Simões da Rosa, artista; José da Silva Novo, serralheiro, da Póvoa do Forno; Manuel de Oliveira da S. Briosa, proprietário e actual vereador da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro.

Dia 24
- Reunião da Junta Liberal em Lisboa, onde se aproveitou para redigir a aprovar o manifesto que a referida instituição projectava dirigir ao País.

Dia 26- Sessão de propaganda anti-clerical na Cooperativa de Consumo Aliança, situada na Rua da Fonte Nova, Lisboa, onde tomam parte diversos oradores como Pinto Quartin, Sebastião Pinto, Jaime de Castro, Bartolomeu Constantino, entre outros.
- Sessão solene de abertura das aulas no Centro Bernardino Machado sendo oradores Maria Veleda, Maria Clara Correia Alves, Manuel de Arriaga que preside à sessão, Agostinho Fortes, Borges Grainha, César da Silva, Eugénio Vieira, Simões Coel, Augusto José Vieira, Guilherme de Sousa, José do Vale, Sá Pereira, Gastão Rodrigues, Bastos Flávio, Raul Peres e António Ferrão.
- Encerramento das Festas a favor do Grupo Tomás Cabreira, cujo lucro reverte para as escolas deste grupo.
- Centro Republicano da Amadora: realiza um concerto na esplanada do centro, com a tuna Dr. António José de Almeida e ainda por uma outra banda de música.
- Centro Escolar Dr. Alberto Costa: reunião da comissão organizadora na sede do centro ao Largo do Chafariz de Dentro, nº 10, 2º.
- Liga das Mulheres Portuguesas: reunião da assembleia-geral desta liga, para nomear uma comissão de propaganda e tratar de assuntos importantes. A reunião teve lugar na Rua dos Castelinhos, 6, 2º. Nela compareceram 32 sócias. Presidiu Ana de Castro Osório, secretariada por Maria Veleda e por Ana de Corte Real Braga (esposa de Alexandre Braga).
- Comissão Municipal Republicana de Cascais: convida a população para duas conferências de propagada republicana e anticlerical. A primeira realizou-se no lugar de Abóbada e a segunda em Tires. Foram convidados para conferentes: Eugénio Vieira, Alfredo Ladeira, Silva Passos, Raimundo Alves e Augusto José Vieira.
- Missão das Escolas Móveis pelo Método de João de Deus: foi inaugurada mais uma missão, em Outeiro da Vila (Sertã). Presidiu à sessão o Dr. José Carlos Enhardt discursando ainda o Dr. Francisco Nunes Correia. Era professora desta missão a Sra. Florinda de Almeida Anjinho.
- Vila Nova de Ourém: Realizaram-se em Urqueira e Ourém, duas conferências de Agostinho Fortes, anunciando para breve a publicação de um jornal republicano O Povo de Ourém.

Dia 28
- Centro Escolar Dr. António José de Almeida: assembleia-geral onde se deliberou abrir novamente as matrículas para o curso comercial. Funcionavam também neste centro aulas de contabilidade e escrituração comercial, aulas de desenho e de música.
Dia 30
- Centro Republicano João Chagas: reunião da assembleia-geral do centro, para aprovação do relatório e contas, bem como aprovar a reabertura das aulas diurnas e nocturnas.

[NOTA: Na imagem, o Centro Republicano Rodrigues de Freitas que funcionava ainda como sede da Associação de Classe dos Compositores Tipográficos in Arquivo Fotográfico.]

A.A.B.M.

sábado, 19 de setembro de 2009

MANUEL DE BRITO CAMACHO (1862-1934)



in Ilustração, nº211, 1 de Outubro de 1934 - via Hemeroteca Municipal

[clique na imagem]

J.M.M.

MANUEL DE BRITO CAMACHO


Assinalam se hoje, 19 de Setembro, 75 anos sobre o falecimento de um dos principais líderes republicanos, Manuel de Brito Camacho (1862-1934). Mais do que fornecer novos aspectos da sua biografia, talvez seja interessante tentarmos descobrir o que se encontra publicado sobre ele na internet e que artigos ou livros se debruçaram sobre a sua vida e obra.

Webgrafia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_de_Brito_Camacho
http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/022589
http://eb23bcamacho.com.sapo.pt/patrono.html
http://www.drealentejo.pt/intranet/deposito/205196/Bcamacho.htm
http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/search/label/Brito%20Camacho
http://www.bdalentejo.net/conteudo_a.php?id=96
http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?vgnextoid=919ed90ed1e69010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD&contentId=f73f05f8e7260210VgnVCM1000007b01a8c0RCRD


Bibliografia/trabalhos recentes sobre Brito Camacho:

Nota: Não pretendemos deixar uma bibliografia exaustiva, mas facultar a quem quer saber mais sobre esta personalidade algumas pistas bibliográficas para além da obra clássica de Matias Ferreira de Mira e Aquilino Machado, sobre Brito Camacho, publicada no longínquo ano de 1942 ou o trabalho de João Fernandes, Brito Camacho. Algumas reflexões acerca da sua obra colonial, cadernos Seara Nova, Lisboa, Seara Nova, 1944, os únicos que A. H. de Oliveira Marques cita no seu Guia de História da 1ª República Portuguesa.

- AMARO, Luís - "O Primo Camacho", A Cidade de Beja em Meados de 1870 e outras páginas alentejanas numa evocação de Brito Camacho”, Arquivo de Beja, Beja, S. 3, vol. 15, 2000, p. 73.
- MENDES, António Rosa, “Brito Camacho e o Algarve” [Conferência realizada em Vila Real de Santo António no âmbito do ciclo “Viajantes, poetas e escritores, retratos do Algarve], Arquivo Municipal de Vila Real de Santo António, 13 de Março de 2009;
- PEREIRA, Teresa Sancha; ALBUQUERQUE, Álvaro, ed. lit.; TRINDADE, António, ed. lit, Brito Camacho: político 1862-1934, Lisboa, CM Comissão Municipal de Toponímia, 1999;
- PINTO, Orlando da Rocha, “Manuel de Brito Camacho. Alguns aspectos sobre o Homem e a sua genealogia pela comemoraçao do centenário da fundaçao do jornal "A Lucta", Vipasca, Câmara Municipal de Aljustrel, nº 1, 2006, p. 27-52;
- VAZ, Luís, O Pensamento Anticlerical de Brito Camacho, Hugin, Lisboa, 2004 [pref. por António Arnaut].

Mais uma efeméride que não podíamos deixar de assinalar, até porque Brito Camacho, António José de Almeida e Afonso Costa foram homens incontornáveis da 1ª República, para além de que desenvolveram todo um conjunto de iniciativas para conseguir derrubar o regime monárquico.

A.A.B.M.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

REPÚBLICA NAS ESCOLAS


A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República lançou ontem ao público mais uma página web dedicada às comemorações nas escolas.

Nele é possível encontrar 6 janelas que abrem diferentes possibilidades, são elas:
- Festejar a República;
- Cronologia da República;
- República de A a Z;
- Símbolos da República;
- Participação das Escolas;
- Concursos;

Uma interessante iniciativa que, esperamos, encontre adesão. O Almanaque Republicano não podia deixar de a divulgar junto dos seus ledores.

A.A.B.M.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

VULTOS REPUBLICANOS


Vultos Proeminentes do Partido Republicano Português, in O MALHO ["O Malho em Portugal"]; Rio de Janeiro, Ano IX, nº42, 15 de Outubro de 1910 [clicar na foto]

via Bernardino Machado, estimado blog de Manuel Sá-Marques [todo o número d'O Malho, dedicado a Portugal e à República,AQUI]

O MALHO: "A revistaO Malhocomeçou a ser editada em 20 de Setembro de 1902. Fundada por Luís Bartolomeu de Souza e Silva, a revista tinha em seu corpo de ilustradores o traço já maduro e consagrado de J.Carlos, Angelo Agostini, Lobão, Adolfo Aizen, Crispim do Amaral, Guimarães Passos, L. Peixoto, Leonidas Freitas, Nássara, ao lado dos jovens talentos que começavam a surgir como Raul, Kalixto, Storni e tantos outros. Foi a primeira publicação brasileira a substituir a pedra litográfica por placa de zinco. Agregando a esta inovação tecnológica o talento e a verve de seus desenhistas, deu um novo impulso à arte da “charge” e da ilustração na imprensa brasileira, divertindo e informando o leitor da época.Ainda que focada principalmente na vida política do país, a cultura e a crítica de costumes sempre estiveram ali presentes, tanto nas “charges” como em artigos escritos por Olavo Bilac, Pedro e Emílio de Rabelo, Arthur Azevedo, Álvaro Moreyra e outros mais. Em 1930, O Malho combateu a Aliança Liberal de Getúlio Vargas, e com a posterior vitória da revolução Getulista, a redação da revista foi empastelada, a sede incendiada e a publicação impedida de circular por um breve período. Sobrevive como revista de notícias e literária, de 1935 a 1954, quando sai o último número." [Manuel Sá-Marques, in Bernardino Machado]

J.M.M.

DARWIN, DARWINISMOS, EVOLUÇÃO


Chegou ao nosso conhecimento que vai realizar-se nos próximos dias 22 e 23 de Setembro de 2009, um encontro internacional dedicado a Charles Darwin. Este evento terá lugar na Casa Municipal da Cultura em Coimbra.

Há 150 anos, mais precisamente em 24 de Novembro de 1859, Darwin deu a conhecer um novo paradigma da história natural através da publicação A Origem das Espécies. Como a epistemologia já constatou, a teoria darwiniana da descendência com modificações ou teoria da selecção natural levou cerca de 20 anos a ser construída, ou seja, entre 1837 e 1859, grosso modo. Os 150 anos de história do darwinismo e da evolução apresentam a fecundidade da teoria da selecção natural, tanto no plano das ciências da vida e do homem como no plano das culturas. Tal como em quase todo o mundo, também em Portugal a recepção de Darwin iniciou-se nos anos 60 do século XIX, apresentando novidades surpreendentes, atendendo à escala portuguesa.
O Encontro “Darwin, Darwinismos, Evolução” pretende ser um espaço de discussão aberto a todos os interessados neste tema, tanto no plano nacional como internacional.


Mais uma iniciativa do CEIS20 cujo programa pode ser consultado AQUI.

A acompanhar com atenção.

A.A.B.M.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EFEMÉRIDES DE SETEMBRO (Parte II)


Dia 16
1908 – Julgamento do jornal Pátria Nova, no tribunal da Boa Hora, em Lisboa, resultando na condenação do seu director ao pagamento de multa, custas e selos do processo.

Dia 17
1909 – É condenado a 30 dias de prisão no forte da Graça, em Elvas, o coronel reformado de cavalaria João Maria Lopes, por ter assistido, em Chaves, a uma conferência do Dr. Bernardino Machado.

Dia 18
1908 – Na povoação de Pereira, concelho de Coimbra, explode uma bomba de dinamite que provoca a amputação de um braço a um funcionário dos caminhos-de-ferro.

Dia 19
1903 – Morre em Braga o Dr. Pereira Caldas, arqueólogo, escritor distintíssimo.
1909 – Morre com a avançada idade de 81 anos o republicano António Machado da Silva.

Dia 20
1909 – Morre o cidadão republicano José Osório da Cruz, cujo funeral se realiza civilmente.

Dia 21
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Dia 22
1908 – O jornal Vida Nova, de Lourenço Marques, é condenado por delito de imprensa.
1909 – Carvalho Neves publica no jornal O Mundo um artigo de homenagem a José Joaquim Rodrigues de Sousa, antigo republicano que faleceu no Rio de Janeiro.

Dia 23
1856 – Nasce o escritor Abel Botelho, autor de vários romances de cariz social.

Dia 24
1867 – Nasce em Lisboa, o Dr. Augusto de Vasconcelos, lente da Escola Médica.
1908 – João Chagas realiza uma conferência no Centro Republicano da Ajuda.

Dia 25
-

Dia 26
1909 – Morre o cidadão republicano António Simões Mariz, que é enterrado civilmente.

Dia 27
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Dia 28
1908 – Adere ao Partido Republicano o Dr. Manuel Birra, reputado clínico do Porto.
1908 – O Dr. Pereira Victorino esbofeteia o director do jornal católico viseense A Folha, José de Almeida Correia, por excessos de linguagem.

Dia 29
1879- Nasce em Braga o Dr. Manuel Monteiro, advogado e literato de merecimento.
1909 – Grande reunião de delegados de diferentes colectividades democráticas no Centro Republicano Dr. Bernardino Machado, com o objectivo de se protestar contra a prisão de Ferrer.

Dia 30
1909 – No Porto, suspende a sua publicação o diário republicano, Voz Pública sucedendo-lhe A Pátria, dirigido pelo Dr. Duarte Leite.

A.A.B.M.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

III CONFERÊNCIA MAÇÓNICA PORTUGUESA NA FIGUEIRA DA FOZ



A III Conferência Maçónica Portuguesa, realizou-se na Figueira da Foz, entre 14 e 16 de Setembro de 1906.

Como se pode observar, pelos temas abordados e pelos palestrantes que intervieram, existia uma crescente republicanização da Maçonaria Portuguesa. Os temas tinham cada vez mais uma feição politizada, embora sempre de acordo com os ideiais da Maçonaria na época. Note-se a tese sobre o pacifismo - tema muito caro a Sebastião de Magalhães Lima; ou ainda, a tese sobre a necessidade de efectivação do Registo Civil em Portugal, temas polémicos, mas que a Maçonaria procurava difundir entre os seus sócios.

Apresentaram-se oito teses principais:

1 – Valor científico das doutrinas pacifistas, por Magalhães Lima;
2- A Mendicidade, por Joaquim da Silva Cortesão [Galeno]
3- Acção da Maçonaria, por Feio Terenas;
4 – Definição de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, por Agostinho Fortes;
5 – Efectivação do Registo Civil em Portugal, por Manuel Gomes Cruz, [Lassale];
6 – Admissão da Mulher às profissões liberais, por David José da Silva;
7 – O Clericalismo, por Heliodoro Salgado
8 – A Maçonaria e as condições histórico-políticas dos povos, por Agostinho Fortes.

Esta Conferência Maçónica contou também com a presença de Sebastião de Magalhães Lima e Bernardino Machado.

A.A.B.M.

sábado, 12 de setembro de 2009

MANUEL JORGE FORBES DE BESSA



Nasceu em 24 de Agosto de 1864, na freguesia da Cedofeita, concelho do Porto. Seus pais eram Joaquim de Bessa Pinto e Maria José Rodrigues Bessa. Foi baptizado em 19 de Setembro de 1864, casou em Outubro de 1887 com Mariana Ventura dos Santos Reis.

Estudou Direito em Coimbra, tendo concluído o seu curso em 1889.

Concluindo os seus estudos exerceu actividade como advogado, granjeando reputação por toda a região norte. Foi presidente da Câmara Municipal de Matosinhos.

Aderiu ao Partido Republicano durante as convulsões provocadas pelo Ultimato Inglês de 1890. Foi membro substituto do Directório do partido entre 1897 e 1899.

Com a cisão do Partido Republicano, Forbes Bessa alinha com Manuel de Brito Camacho, na União Republicana.

Desenvolveu importante papel na propaganda republicana na fase final da Monarquia, em especial no Norte do País. Com a implantação da República foi eleito deputado às Constituintes de 1911 e permaneceu como deputado até 1915. Durante esse período foi eleito pelo círculo de Vila Nova de Gaia. Foi o primeiro presidente eleito da Câmara dos Deputados.

Quando foi eleito deputado, a Associação Comercial e Industrial de Matosinhos, solicitou os seus préstimos para avançar rapidamente na concretização do Porto de Matosinhos.

Sendo eleito senador em 1918/1919, pelo círculo do Douro, nas listas do Partido Nacional Republicano (PNR), exerceu as funções de presidente da Câmara dos Senadores. Foi ainda chamado, no período do sidonismo a desempenhar as funções de ministro de Portugal junto da Santa Sé. Foi ainda secretário da Presidência da República durante a ditadura de Sidónio Pais. Integrava a comissão distrital do Porto do PNR e o directório do mesmo partido.

Foi iniciado na Maçonaria na Loja Independência, do Porto, com o nome simbólico de Passos. Transitou nesse mesmo ano para a Loja Obreiros do Progresso.

Faleceu a 17 de Julho de 1934, em sua casa, em Matosinhos, com 69 anos.

A.A.B.M.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

COLÓQUIO MEMÓRIA, HISTÓRIA E JUSTIÇA


O Centro de Estudos Sociais (CES) da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, vai levar a efeito nos próximos dias 15 e 16 de Setembro um colóquio internacional subordinado ao tema em epígrafe.

Ao longo de dois dias vão discutir sobre a memória da violência nas sociedades contemporâneas, conforme se pode ler na apresentação:

A questão da memória da violência e dos modos de relação com o passado que ela permite estabelecer tornou-se um dos temas centrais da reflexão contemporânea. Uma das facetas fundamentais desta reflexão diz respeito a países saídos de ditaduras e à difícil procura de critérios de justiça individual e colectiva. O colóquio, organizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, o CES – América Latina e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (Brasil), irá oferecer um espaço interdisciplinar de discussão sobre esta temática, a partir de contributos de investigadores portugueses e brasileiros.

A inscrição no colóquio processa-se online Aqui.

O programa completo do colóquio pode ser consultado Aqui.

Mais uma actividade que o Almanaque Republicano divulga junto dos seus ledores.

A.A.B.M.

ALMANAQUE REPUBLICANO


Almanaque Republicano: Édito

"Coexiste comigo muita gente que vive comigo apenas porque dura comigo" [F. Pessoa]

"O Almanaque Republicano é um álbum onde se vai perfilar uma geração sonhadora, generosa e messiânica, que é afinal o nosso costumado fadário, o nosso "eterno retorno". Da República de 1891 e da outra de 1910 há uma imensa viagem de encantos e desencantos, de "coisa esquecidas e mortas", um itinerário de bondade, pessimismo, ironia e sarcasmo. Há nele todo um movimento que "carecia de alma", como diria Pascoes. Essa Alma Republicana, seja ela qual for, será sempre essa jornada emotiva e social, espiritual e libertária, de encantos e desencantos vários, crença ou saudade do Encoberto, reformadora e socialista, liberal e popular, que da decadência à regeneração marcam para sempre o "espírito lusitano". A "Nova Era" redentora, quer fosse construída no cantar antiquíssimo da Renascença Portuguesa ou ressurgida pela demanda da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ou intencional na exaltação da luta pela emancipação das classes trabalhadoras e em redor do movimento operário e sindical, não deixa de ser, sem dúvida alguma, um dos momentos mais interessantes da história da sociedade portuguesa contemporânea. Afinal, "Ubi libertas, Ibi Patria".

Sitio de passagem e de euforias públicas, jornada de mil caminhos que o tempo percorreu, o Almanaque Republicano é um panfleto aberto e frontal da Alma Republicana ...
" [Daqui]

Fazemos saber, em canto de reimpressão, o nosso antigo e aceite Édito com que abrimos e instalámos o Almanaque Republicano. Esta confraria de Homens Livres tem vindo a publicar memórias e testemunhos bio-bibliográficos em homenagem & invocação da Grande Alma Republicana. E asseguramos: “aqui se escreverão novas histórias”. Tal como o vate Camões disse e nós, em humílimo préstimo, pretendemos regularizar.

Por estarmos (quase) a entrar nas celebrações do Centenário da República renovamos tamanha viagem “aos homens de novo nascidos”. Até porque o futuro será sempre, para nós, a duração iluminada do nosso passado.

Valete Frates!

J.M.M.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

EFEMÉRIDES DE SETEMBRO



Dia 1
- 1863: Nasce o jornalista e ministro da República, João Chagas.
- 1890: Publica-se no Porto o primeiro número da República Portuguesa, dirigido por João Chagas.

Dia 2
- 1909: O membro do Directório do Partido Republicano, José Barbosa, realiza uma conferência de propaganda no Centro Republicano de Belém.

Dia 3
- 1883: Nasce, em Damão, António Sérgio, ensaísta, crítico e pedagogo.
-1888: Morre, em Lisboa, Francisco Joaquim Rebelo Alves Correia, sendo sepultado civilmente por sua expressa vontade.
-1909: Publica-se o primeiro número do semanário republicano O Povo de Felgueiras.

Dia 4
- 1886: Decreto do Grande Oriente Lusitano Unido abatendo ao seu quadro a Loja Cavalheiros de Urania, de Lisboa.
-1909: Em Portugal organiza-se um movimento de protesto contra a prisão de Francisco Ferrer.

Dia 5
- 1909: Comício anticlerical em Aldeia Galega, presidido pelo Dr. Miguel Bombarda.
- Na Amadora realiza-se uma sessão solene para se instalar um centro republicano.
- Excursão republicana ao Bombarral;
- No Centro Republicano Bernardino Machado realiza-se uma manifestação de protesto contra a prisão de Francisco Ferrer.

Dia 6
- 1888: Morre em Peniche o republicano José Ricardo.
- 1899: Nasce, em Guimarães, Emídio Guerreiro, professor, republicano, político oposicionista ao Estado Novo e maçon.
- 1908: Comício republicano no Bombarral onde discursam Bernardino Machado, João Chagas, Magalhães Lima entre outros.

Dia 7
- 1891: O cabo da Guarda-fiscal do Porto, Alfredo Manuel Salomé, condenado a prisão devido à participação na revolução de 31 de Janeiro.
- 1900: Sai o primeiro número do diário republicano O País, em substituição da Pátria, dirigido por França Borges.
- 1909: É divulgada a notícia de que Francisco Ferrer iria ser julgado militarmente.

Dia 8
- 1881: Constitui-se em Lisboa a Associação Republicana Teófilo Braga.
- Comício, no Porto (Miragaia), onde o Dr. Emídio Garcia apresenta o programa do partido republicano.
- 1909: Realiza-se em Lisboa a primeira sessão do Congresso Sindicalista e Cooperativista.

Dia 9
- 1900: Grande comício em Lisboa contra as ordens religiosas.
- 1902: Morre, em Lisboa, António Maria de Brito, membro do Grande Oriente Lusitano Unido.
- 1908: O director da República é condenado, por delito de imprensa, a 180 dias de multa à 1$200 réis por dia, fora as custas de selo e de processo.
- 1909: Comício público em Coimbra contra a prisão de Ferrer.

Dia 10
- 1888: Morre, na Ilha Terceira, o Dr. Manuel Joaquim Nunes, cujo funeral se realiza civilmente.
- 1900: Sai o primeiro número da Lanterna, dirigida por França Borges.
- 1909: Realizam-se em Lisboa várias sessões de protesto contra a prisão de Ferrer.

Dia 11
- 1876: Filiação do editor François Lallemant, fundador da Loja Cosmopolite, de Lisboa, na Loja Simpatia da mesma cidade, produzindo um brilhante discurso que foi publicado no Boletim do Grande Oriente Lusitano Unido, de Outubro.
- 1884: Nasce, no Porto, Alexandre Vieira, operário tipógrafo e jornalista.
- 1909: É encerrada a subscrição iniciada pelo jornal O Mundo, para acorrer aos desalojados pelo terramoto de Benavente, que recolheu 2910$035 réis.
- Os deputados republicanos, Brito Camacho e João de Menezes, abandonam a sala de sessões do Parlamento em protesto contra as violências monárquicas.

Dia 12
- 1909: Excursão republicana a Abrantes onde se realiza um comício.

Dia 13
- 1865: Nasce em Castanheira de Pêra o Dr. Augusto Barreto, médico em Cuba.
- 1877: Morre, em Santa Maria da Azóia, Alexandre Herculano, escritor, historiador e liberal.
- 1885: Nasce, em Sernancelhe, Aquilino Ribeiro, escritor e jornalista.
- 1908: Sessão de homenagem à memória de Heliodoro Salgado, no Centro Republicano das Mercês, em que tomam parte Bernardino Machado, Alberto Costa, José do Vale, Sá Pereira e Augusto José Vieira.
- Sessão idêntica realiza-se no Centro Democrático do Socorro.

Dia 14
- 1856: Nasce o poeta operário Joaquim dos Anjos.
- 1906: Início da Conferência da Maçonaria Portuguesa , na Figueira da Foz.
- 1909: Morre o operário tipógrafo Júlio Eustáquio dos Santos, republicano e livre-pensador.

Dia 15
- 1906: Decorrem na Figueira da Foz os trabalhos da Conferência da Maçonaria Portuguesa.

[Nota Biográfica Breve: Francisco Ferrer y Guardia nasceu em 14 de Janeiro de 1849. Afirmou-se pelas posições anticlericais que o conduziram ao exílio em Paris. Professor, desenvolveu um conjunto de conceitos educativos que o levaram à fundação de uma corrente pedagógica denominada Escola Moderna. Fundou a Liga Internacional para a Educação Racional da Infância. Foi preso em Setembro de 1909, o que levou a alguma contestação internacional para a sua prisão e acabou por ser executado na prisão de Montjuich, em 13 de Outubro de 1909. Exerceu alguma influência no pensamento pedagógico dos republicanos portugueses.]
A.A.B.M.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

FUNDAÇÃO MANUEL VIEGAS GUERREIRO


Hoje, pelas 19 horas, vão ser inauguradas as novas instalações da Fundação Manuel Viegas Guerreiro, com a presença de Sua Excelência, o Senhor Presidente da República, Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva.

Esta fundação que se situa em Querença, concelho de Loulé, instituída por escritura celebrada em 11 de Abril de 2000 no Cartório Notarial de Loulé e reconhecida pelo Governo através da Portaria n.º 1334/2004 de 23 de Dezembro, é uma pessoa colectiva de direito privado, visando fins de utilidade pública.

Com sede em Querença, terra natal do Patrono, tem como fim contribuir e promover a todos os níveis o desenvolvimento cultural, social e económico do Algarve, através de grandes eventos culturais e artísticos, bem como dinamizar e promover a investigação, com particular relevo para as áreas de natureza social e ambiental.


Esta instituição procura fomentar:
- Apoiar e incentivar os estudos científicos das ciências sociais;
- Desenvolver os estudos do patrono da fundação no âmbito da etnografia, apoiando publicações e estudos;
- Organização de eventos culturais;
- Realizar ou promover cursos de formação;
- Promover acções de investigação quanto aos factores naturais e ao estudo do impacto das acções humanas sobre o ambiente;
- Desenvolvimento cultural, social e económico do Algarve


Uma instituição de índole cultural e ambiental que já tem desenvolvido um trabalho interessante de organização e apoio a actividades de culturais e ambientais.

Partindo da doação de parte da biblioteca pessoal que tem vindo a ser reunida pelo Eng. Luís Guerreiro sobre o Algarve, esta instituição torna-se um marco importante na região algarvia para os investigadores e interessados na história e cultura do Algarve. Além disso, a fundação pretende criar um Centro de Estudos Algarvios.

Sobre este evento vejam-se as notícias que encontramos Aqui ou Aqui.

Uma sessão a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

terça-feira, 18 de agosto de 2009


JOÃO FIEL STOCKLER (Parte II)

Considerado um benemérito da Pátria, ao abrigo da lei de 30 de Abril de 1921.

Por decreto de 1 de Maio de 1925 foi nomeado para o cargo de Secretário do Conselho Superior de Disciplina da Armada.

Bibliófilo e coleccionador, juntou uma biblioteca que foi vendida à Livraria Morais e depois colocada em leilão, com o objectivo de se angariar fundos para um prémio monetário com o seu nome que ainda actualmente existe na Escola Naval. No prefácio do catálogo, assinado pelo camilista Dr. Júlio Dias da Costa, refere-se : “Stockler coleccionava as publicações da Grande Guerra, os inúmeros livros e folhetos que os aliados distribuíam, e dava-lhe quantos recebia, e não poucos eram”. Na sua biblioteca era possível encontrar para além de muitas obras sobre marinha, mas também livros de arte e valiosas edições de clássicos entre as quais o prefaciador salientava O Caleche, O Juízo Final, as Inspiraçoens, o Matricídio sem exemplo e primeiras edições de Carlota Ângela, da Caveira da Martyr e do Marquez de Torres Novas, bem como o Summario, de Cristóvão Rodrigues de Oliveira. O catálogo era constituído por um total de 1006 volumes, que foram a leilão em Novembro de 1929, promovido pela Livraria Moraes, mas que decorreu na Casa Liquidadora, em Lisboa.

Tinha as seguintes condecorações:
- Cavaleiro da Real Ordem de São Bento de Aviz;
- Medalha Militar de prata da classe de comportamento exemplar;
- Comendador da Ordem Militar de Aviz;
- Medalha de ouro comemorativa das campanhas do exército português Moçambique. 1914-1918;
- Medalha da Vitória.

Louvores:
- Foi louvado pelo comandante da Divisão Naval do Índico, pela sua acção como comandante do vapor Batista de Andrade, pela sua coragem e dedicação, pelo seu extenuante trabalho durante o período em que o navio esteve sob a acção da monomocaia (desde 19 de Fevereiro de 1906).
- O Ministro da Marinha concedeu-lhe também um louvor pela dedicação e energia aquando do levantamento do Baixo de Pinda também em 1906.

Pertencia à Maçonaria.

Faleceu a 24 de Maio de 1925.

A propósito do seu falecimento, veja-se o que afirmaram no Parlamento, à época dos acontecimentos:

[Discurso de Ginestal Machado]

Não me leve V. Exa., Sr. Presidente, a mal, nem o pode estranhar a Câmara, como não estranharia o próprio espírito do João Chagas, se pudesse baixar até à terra e vir a entre nós, que eu desde já associe o faça envolver na mesma homenagem um outro republicano não menos dedicado, e que foi também incluído entre os nomes por V. Exa. enumerados: refiro-me ao capitão de fragata João Fiel Stockler.
Se João Chagas foi o apóstolo da República, Fiel Stockler pertenceu àquele grupo do oficiais da nossa heróica marinha do guerra, que em 5 de Outubro fizeram com que a República deixasse de ser um ideal apenas para se tornar numa realidade
.

[Discurso de Ernesto Sá Cardoso]

Além da homenagem a prestar a João Chagas, quero ainda dizer algumas palavras sobre Fiel Stockler.
Fiel Stockler era um revolucionário de 5 de Outubro, e dos mais distintos.
Quando ontem se foi prestar homenagem a João Chagas, ladeavam o seu cadáver os revolucionários de 31 de Janeiro e de 5 de Outubro. Se Fiel Stockler fôsse vivo, de incorporar-se-ia no préstito para dar a João Chagas o seu último adeus.
Sr. Presidente: os revolucionários de 5 de Outubro, com Fiel Stockler à fronte, têm naturalmente direito ao nosso reconhecimento; e, por consequência, pela morte deste distinto oficial que foi um brilhante ornamento da armada portuguesa, a Acção Republicana não podia deixar do se associar, e com pesar ao voto de sentimento proposto por V. Exa.
Segue-se o Sr. Campos Melo, que foi nosso colega, nesta Câmara, ocupando a extrema esquerda.
Creio que a Câmara conserva a mais grata recordação da sua companhia e não é, portanto favor, antes é um acto de justiça. associarmo-nos ao voto de sentimento proposto pela sua morte.
[Sessão de 1 de Junho de 1925, p. 17]

[Vitorino Guimarães]
O Governo não conhecia a situação em que se encontrava a mãe desse grande militar e prestimoso cidadão.
Soube depois que essa proposta seria apresentada por parte dos seus correligionários, e, assim, o Governo entendeu que não devia antecipar-se, deixando, por isso, aos amigos políticos do falecido a satisfação, que certamente teriam, de que essa proposta fosse enviada para a Mesa por esse lado da Câmara.
Foi essa a única razão por que a proposta não foi apresentada pelo Governo, mas, nós fazemo-la nossa, e, procedendo assim, pena é que seja esta a única homenagem que podemos prestar a esse grande republicano, que foi o comandante Stockler. (…)
Devo dizer que é com profunda mágoa que o dever me impõe fazer oposição à proposta do Sr. Ginestal Machado, e digo com profunda mágoa, porque o Sr. comandante João Fiel Stockler foi meu condiscípulo e a ele me ligaram relações de muita e sincera amizade.
Sinto muito e muito a sua morte.
Tenho muita saudade dos tempos em que juntos andávamos, e não há nada para mim mais penoso, desde que se trata de votar uma pensão para a mãe de João Fiel Stockler, do que não poder dar-lhe o meu voto.
Mas S. Exa. era um oficial de marinha, e, nessa qual idade, tinha seguramente o seu montepio.
Não vejo, portanto, razão para só continuar o péssimo sistema de se concederem pensões às famílias daqueles que morrem simplesmente pelo facto de terem feito parte de uma revolução
.

[Sessão de 1 de Junho de 1925, p. 28]

Realizou/Publicou:

- Reconhecimento hydrográphico da barra do rio Meige (Kinga) [ Material cartográfico : província de Moçambique / Commissão de Cartografia ; levantado sob a dir. de Joäo Fiel Stockler, Escala 1:5000, [Lisboa] : C.C., 1903, 1 carta : imp. em papel ; 29,80x39,00 cm em folha de 33,20x54,00 cm; [Levantado em 1901 pelos guarda-marinhas da canhoneira Liberal sob a direcção do 2º tenente João Fiel Stockler] Pode ser visualizada Aqui.
- Reconhecimento hydrographico de Porto Velhaco [ Material cartográfico : Namalungo : província de Moçambique / Comissão de Cartographia ; levantado por Joäo Stockler e José Torres, Escala 1:15000, Lisboa : C. C., 1908, 1 carta : imp. em papel ; 39,30x34,40 cm em folha de 43,80x41,20 cm
- Catálogo da biblioteca que pertenceu ao ilustre oficial de marinha João Fiel Stockler / pref. do Dr. Julio Dias da Costa, Lisboa, Livr. Moraes, 1929;

Sobre esta personalidade ver ainda:
-FERREIRA, Raúl César, O comandante João Fiel Stockler, Lisboa : Imprensa da Armada, 1930;
- CABEÇADAS, José Mendes, “Capitão de Fragata João Fiel Stockler”, Anais do Club Militar Naval, Tomo LVI, nº 4, 5 e 6, Abril, Maio e Junho de 1925, Lisboa, 1925, p. 94-101.
- - MARQUES, A. H. Oliveira (Coord.), Parlamentares e Ministros da 1ª República (1910-1926), Col. Parlamento, Edições Afrontamento, 2000.
- SANTOS, Machado, A Revolução Portuguesa. 1907-1910, Assírio & Alvim, Lisboa, 1982.

A.A.B.M.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009


JOÃO FIEL STOCKLER (Parte I)
Nasceu a 7 de Setembro de 1876 no Monte da Caparica, Almada, filho de Miguel Stockler e Carolina Canelhas Stockler.
O pai de João Fiel Stockler, tinha um estabelecimento comercial em Lisboa, onde se realizaram importantes reuniões de preparação para a revolução republicana.

Alistou-se como voluntário na Armada em 31 de Outubro de 1892. Seguiu a carreira da Marinha, realizando as promoções a guarda-marinha (30-10-1895), segundo tenente (28-07-1898), primeiro tenente (11-07-1910), capitão-tenente (05-10-1910) e capitão de fragata (29-08-1917). Comandou diversas embarcações da marinha de guerra portuguesa e efectuou comissões de serviço em diversos pontos do País e nos antigos territórios ultramarinos portugueses, em especial no Oriente (Moçambique e Índia).

Em 1908, João Fiel Stockler foi transferido da canhoneira Lagos, onde era imediato, e transitou para a corveta Duque de Palmela, onde passou a exercer as funções de instrutor da Escola de Alunos Marinheiros do Sul. Em 1915, já capitão-tenente, era comandante do cruzador República, que naufragou ao lago da praia da Consolação, em Peniche, tendo sido julgado em conselho de guerra onde foi absolvido. Desempenhou depois as funções de secretário do Conselho Superior de Disciplina da Armada em 1916. No ano seguinte, foi exonerado do comando do vapor Moçambique e foi nomeado para servir na Índia, onde assumiu o comando dos portos daquele antigo território português, onde permaneceu entre 1917 e 1923. Foi depois nomeado primeiro comandante da Escola de Recrutas da Armada entre 1923 e 1924.

Desempenhou missões para outros ministérios, destacando-se a acção desenvolvida para a Direcção Geral das Colónias.

Foi um dos principais organizadores da Carbonária no Algarve no período prévio à implantação da República, mas encontrava-se já em Lisboa quando se iniciou a revolta que conduziu à implantação da República. Desempenhou um papel importante nos acontecimentos da noite de 4 para 5 de Outubro de 1910, conforme o refere Machado Santos no seu relato dos acontecimentos.

Foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte pelo círculo de Faro, em 1911. Em 1912 foi nomeado para fazer parte de uma comissão técnica para requisição de navios. No ano seguinte, foi nomeado para a comissão encarregue de estudar a reorganização da Escola Prática de Artilharia Naval e indicar o local mais apropriado para a instalação da Escola de Torpedos.
Por despacho de Setembro de 1916 foi nomeado para o cargo de Secretário Superior de Justiça da Armada.

Quando esteve na Índia, foi nomeado para presidir à comissão encarregue de proceder ao estudo do plano geral das obras a realizar com a rede de canais de irrigação, melhorar os canais de navegação e construir e reparar desembarcadouros. Foi ainda nomeado pelo Governador Geral da Índia, Director do Museu de Arte Religiosa, que setinha criado no Convento do Bom Jesus. Foi também nomeado a exercer as funções de vice-presidente do Conselho do Governo do Estado da Índia. A seu pedido, foi exonerado do cargo de Presidente da Comissão Administrativa da Casa da Misericórdia de Goa, tendo recebido um louvor pela forma criteriosa e dedicada como desempenhou as suas funções.

[Em continuação]

Nota: Um particular agradecimento ao Prof. Doutor António Ventura pela cedência da fotografia que apresentamos.

A.A.B.M.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

LIGA DE UNIÃO E DE ACÇÃO REVOLUCIONÁRIA


Comunicado da Liga de União e de Acção Revolucionária

"O Conselho Superior da LUAR comunica:

A nossa Pátria, subjugada por um regime corruptor e corrompido onde o civismo dificilmente se pode manifestar e onde parece que os homens aceitaram a resignação como condição ingénita da vida, foi atirada para o último lugar da hierarquia das nações europeias.

Um povo iletrado, com um nível de vida inferior que não permite assegurar a dignidade humana, defronta-se, quase exclusivamente, com as preocupações de sobrevivência, do dia-a-dia.

Um povo expulso da Pátria para um exílio forçado, com miragens em possibilidades económicas obtidas à custa de um labor exaustivo, mortifica-se com saudades da Pátria, dos amigos e dia família.

Um povo aterrorizado por uma repressão policial desumana, sem possibilidade de usufruir dos direitos mais elementares de cidadania, aviltado pelo medo, só espera, com ansiedade, o momento de poder recuperar a dignidade dos homens livres.


Uma Pátria exaurida por uma guerra colonial sem perspectiva de vitória militar, fomentadora de baixos sentimentos raciais, que envilecem a dignidade do homem português, e para a qual o salazarismo não encontra solução. Já nem sequer tem legitimidade para invocar o seu passado .histórico. E, como se fora uma maldição social, os democratas vêem-se dominados por um cepticismo deletério e que parece buscar uma justificação na atomízação política das diversas correntes oposicionistas, já que estas nem sempre souberam pôr os interesses do povo português acima dos interesses pessoais ou de partidos.

A LUAR surgiu desta trágica conjuntura, como uma afirmação vigorosa de insubmissão à impotência revolucionária, manifestada pelas várias organizações políticas da oposição ao regime vigente.


2.º Não se trata de mais um partido político, absorvido por querelas estéreis, atarefado em proselitismos completivos de estados-maiores sem tropas, compensatórios de uma inacção revolucionária.

A LUAR é uma organização revolucionária, com uma nova concepção de luta com métodos novos e com homens novos.

A LUAR não é uma organização terrorista, mas antes considera o terrorismo como inoperante e susceptível de justificar a repressão já tão brutal da famigerada PIDE.

A LUAR é uma organização democrática, antifascista, que abre os braços a todos os portugueses que desejem destruir, com armas na mão, o regime infame de Salazar.

A LUAR é, antes de tudo, uma organização para a acção, que polarizará as energias dos democratas, expressamente para a luta irrefreável pela liberdade do povo português.

A LUAR pretende estabelecer uma ordem autenticamente democrática, com liberdade de expressão, liberdade de imprensa, liberdade de reunião, liberdade de organização sindical e de partidos políticos.

A LUAR eliminará o parasitismo dos magnatas, dos potentados financeiros e económicas e porá o poder político e económico ao serviço da promoção social dos produtores da riqueza nacional.

A LUAR destruirá as causas económicas e sociais que estão na origem dos antagonismos das classes e estruturará uma sociedade humanamente mais justa.

A LUAR mobilizará, para atingir o seu escopo revolucionário, os democratas corajosos e patriotas, sem distinção de ideologias, que põem acima de tudo os direitos inalienáveis do povo e da Pátria.

A LUAR e as suas forças armadas desencadearão a luta insurreccional, com a cooperação do Exército, da Marinha e da Aviação, no que têm de mais puro e de mais patriótico, e com o apoio eficaz e efectivo do povo português.

Viva a insurreição armada que libertará a Pátria Portuguesa.

Viva Portugal!
"

COMUNICADO DA LUAR lido em pleno Parlamento [11 DE FEVEREIRO DE 1976] por Emídio Guerreiro - ler tudo AQUI.

J.M.M.

IN MEMORIAM HERMÍNIO PALMA INÁCIO (1922-2009) - Parte III


Palma Inácio está, de novo, no Brasil em 1961, conforme aqui foi dito. E de novo, porque Palma Inácio tinha fixado residência no Rio de Janeiro já em 1955, local onde chega depois de rocambolescas aventuras no decorrer da sua fuga do Aljube. Passou, como dissemos, por Marrocos e depois de ser tripulante a bordo de um cargueiro que fazia a rota entre "Estocolmo, Roterdão e Ostende" [cf. "O aventureiro da liberdade perdida", por Luís Almeida Martins, Visão, 16 de Junho de 1994] prepara a sua "saída" (ou "fuga") para os EUA, quando ingressa na tripulação de outro cargueiro que fazia a "rota do Suez, Extremo-Oriente, Pacífico e Estados Unidos" [id.ibid.], onde chega (1951) em pleno Maccarthismo. Aí trabalha como mecânico de aviões e depois como piloto, porém em 1955 é declarado "ilegal" e, mesmo com o apoio da população local de Northampton (onde residia), tem de sair do país. Com a preciosa ajuda de Lúcio Tomé Feteira, Palma Inácio tem autorização das autoridades brasileiras para seguir para o Rio de Janeiro [id.ibid.]. É, portanto em território brasileiro que vive e trabalha [em companhias de aviação] onze anos, viajando e contactando a oposição do Rio a São Paulo, acompanhando a luta política contra a ditadura.

Refira-se que uma parte significativa da oposição à ditadura de Salazar se encontrava, por motivos óbvios, no exílio [sobre os exilados políticos portugueses, consultar: Misérias do exílio: os últimos meses de Humberto Delgado. Cartas Inéditas. A luta contra o Fascismo no exílio, de Manuel Sertório, 1978; Humberto Delgado, Patrícia McGowan Pinheiro (pseud.), 1998; «Aqui também é Portugal»: a Colónia Portuguesa do Brasil e o Salazarismo, por Heloisa Paulo, 2000; Os "Insubmissos da Colónia", de Heloisa Paulo; A oposição ao Estado Novo no exílio brasileiro, 1956-1975, de Douglas Mansur da Silva, 2006]

Palma Inácio [e o "seu grupo"] entende que "é preciso continuar a levar a cabo acções que chamem a atenção das Forças Armadas e as decidem a empreender o golpe libertador" [Visão, ibid.]. Procuraram, então, "autofinanciamento" ou "recolha de fundos" para as suas acções, no próprio território nacional, marcando deste modo uma "ruptura nos métodos de luta contra o regime", procurando atingir uma "fase superior de luta" que rompesse com o reformismo [cf. João P. Martins & Rui Loureiro, ibid.]. Alguns elementos, do que viria a ser a L.U.A.R. [Liga de Unidade e Acção Revolucionária], fixam-se em França, preparando ao pormenor a denominada "operação Mondego" ["operação Diana", segundo nota da D.G.S.]. E a 17 de Maio de 1967 avançam para o assalto à filial do Banco de Portugal na Figueira da Foz, roubando 30.000 contos. Na espectacular operação, os operacionais cortaram as comunicações telefónicas da Figueira da Foz, fogem num "avião do aeródromo de Cernache" pilotado pelo próprio Palma Inácio, pousando no Algarve, fugindo para Espanha e depois até França [sobre este assunto e as acções posteriores da organização L.U.A.R., consultar, A história da PIDE, ibid., pp. 187-193]

Dos vinte e dois operacionais presumidamente envolvidos na "operação Mondego", segundo o acórdão proferido no 2º Juízo Criminal da Boa Hora [cf. jornal República, 14/02/1970, p. 16], dezasseis foram posteriormente condenados [sete à revelia] e seis foram absolvidos. Foram julgados à revelia e condenados: António Manuel Marques Barracosa (13 anos), Hermínio da Palma Inácio (16 anos), Luís Benvindo (13 anos), Camilo Tavares Mortágua (20 anos), Germano Mateus de Jesus Filipe (8 anos), Júlio dos Santos Alves (12 meses), Mariana Teresa da Conceição Xufre (7 meses). Condenados a prisão maior, Oliveiros Cabrita Gonçalves (6 anos), Ângelo Maria Fernandes Cardoso (7,3 anos), Castor Manuel Ferreira (8 meses), Natália Augusta Fernandes Cardoso (6 meses), Fernando Manuel de Oliveira (8 meses), Joaquim Manuel Nunes de Freitas e Silva (7 meses), Fernando Abel Campino Gandra ( 7 meses), António Luís Teixeira (8 meses), Joaquim da Silva Ramos (3,4 meses).

na foto [?]: Camilo Mortágua, Palma Inácio e Fernando Pereira Marques

[a continuar]

J.M.M.