segunda-feira, 19 de outubro de 2009

EFEMÉRIDES DE HÁ CEM ANOS



(Outubro de 1909)

Dia 1
- Início da publicação, no Porto, do diário republicano A Pátria, dirigido pelo Dr. Duarte Leite.

Dia 2
-

Dia 3
- Centro Escolar da Pena: Inauguração do ano lectivo 1909/1910 na escola infantil deste centro, onde discursam alguns oradores. A festa foi abrilhantada por um grupo musical e à noite realizou-se um sarau dramático, pelo Grupo 15 de Julho, do Centro do Socorro. Presidiu o sr. Caetano da Silva, secretariado pelos srs. Custódio Rodrigues e Luís dos Santos.
- Centro Republicano Latino Coelho: conferência anti-jesuítica por Simões Coelho.
- Centro Escolar Democrático José Estêvão: Inauguração do ano lectivo, na sede do centro, Rua do Lumiar, 68, 1º. Discursam diversos oradores como: João de Meneses, Manuel de Arriaga e Feio Terenas e vão ser oferecidos bibes escolares às crianças inscritas. Agostinho Fortes realizou também uma conferência. A sessão foi presidida por Francisco dos Reis Stromp.
- Grémio da Mocidade Republicana: Na sede do Centro Capitão Leitão, em Almada, sessão de protesto contra a prisão de Francisco Ferrer. Discursaram José Ramada Curto, Gastão Rodrigues, Bastos Flávio, João Borges, Firmino Chaves, Jaime de Castro e Júlio Dumont.
- Centro Republicano de Santos: Sessão de distribuição de prémios aos alunos distintos. Foram convidados a discursar Teófilo Braga, Brito Camacho, Aurélio da Costa Ferreira, Agostinho Fortes, Miranda do Vale, Marinha de Campos, entre outros.
- Centro Escolar Democrático José Jacinto (Pedrógão Grande): a comissão instaladora deste centro solicitava a todos os pedroguenses para contribuírem para a instalação do mesmo.
- Sociedade Promotora de Educação Popular: Festa do 5º aniversário desta instituição. Discursou Teófilo Braga, José Pontes, Jaime Sebrosa, Arnaldo de Carvalho, João A. De Andrade, Feliciano de Sousa, Borges Grainha e António Ferrão.
- Santarém: No Centro Eleitoral Republicano desta cidade realizou-se uma conferência com o Dr. António Augusto, pároco em Vila Seca, intitulada “Religião e República”. Presidiu à sessão José Relvas.

Dia 4
- Avelar: Realizou-se nesta localidade o primeiro registo civil do concelho de Ansião. Casaram-se civilmente Paulo Braz de Medeiros com Bernardina Dias Lopes, sendo testemunhas do acto António Augusto de Medeiros e José Augusto de Medeiros.

Dia 7
- Província do Algarve: Este semanário republicano de Tavira, dirigido por Silvestre Falcão assinalava o seu primeiro aniversário.
- Setúbal: reunião do Centro Republicano de Setúbal, em assembleia-geral, onde se aprovou a deliberação de fundar uma escola-oficina de lavores femininos. Foi ainda decidido fundar uma biblioteca no centro, porque tinham recebido muitas ofertas de livros. Saudava-se ainda a frequência às palestras doutrinárias que se realizavam às quartas-feiras.

Dia 8
-
Dia 9
- O semanário republicano Pedro Nunes, de Alcácer do Sal, assinalava o seu 5º ano de publicação.
- II Conferência Anti-Jesuítica, em Sobral de Montagraço, com o Dr. António Maceira.
- Raúl Pires realiza uma conferência no Centro Pátria Nova, em Carnaxide, subordinada ao tema “O Que é o Registo Civil?”.

Dia 10
- Eleição da Junta Local de Lisboa do Livre Pensamento, realizada na Associação do Registo Civil, com sede na Rua dos Remolares, 30, 1º.
- O Grémio Mocidade Liberal promoveu uma sessão de propaganda anti-clerical. A sessão decorreu nas instalações do Centro Castelo Branco Saraiva, situadas na Rua de S. Paulo, 246, 1º. Foram oradores Augusto José Vieira, Eugénio Vieira, Alfredo Ladeira, Américo Pereira, Raimundo Alves, Bastos Flávio.
- Abriu as instalações do Centro Republicano em Águeda que no dia seguinte inaugurou as aulas de instrução primária.
- Inauguração na escola do Barracão, em Mortágua, das sessões de leitura pública com o professor Tomás da Fonseca. Nestas sessões participavam cerca de 50 alunos.
- Proibida a sessão de propaganda prevista para se realizar em Vale de Remígio, Mortágua. O convidado a discursar sobre a “Situação do País” era o professor Lopes de Oliveira. Foi organizada a mesa constituída pelo sr. Augusto Simões Nunes de Sousa, presidente da comissão municipal republicana, secretariado pelo Dr. Aureliano Xavier de Sousa Maia e Manuel de Almeida Queiró. Porém, a autoridade administrativa, presente no local, impediu a sessão.

Dia 11
- Ladislau Piçarra realizou uma conferência no Teatro Bejense subordinada ao tema “Ferrer e a sua obra”.

Dia 12
- O Grémio Mocidade Liberal organizou uma sessão fúnebre de homenagem a Heliodoro Salgado. Foram oradores na sessão Augusto José Vieira, César da Silva, Eugénio Vieira, Gastão Rodrigues, Alfredo Ladeira, Sá Pereira, Raimundo Alves.
- Homenagens a Heliodoro Salgado nos Centros Eleitoral Escolar Democrático da Pena, Grémio Republicano Federal e Grupo Excursionista do Castelo.
- Faleceu Horácio Hesk Ferrari, um dos mais antigos republicanos em Portugal.

Dia 13
-

Dia 14
- Reunião em assembleia-geral do Centro Democrático Alhandrense para dar conhecimento dos esforços envidados para mudança de instalações e abertura de aulas.

[Em Continuação]

A.A.B.M.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

OS DEFENSORES DE CHAVES - 1912



Foto [clicar] de um grupo de civis e militares de Chaves [Os "Defensores de Chaves", então chefiados por Ribeiro de Carvalho] e que em Julho de 1912 resistiu com bravura à 2ª incursão monárquica, via tropas chefiadas por Paiva Couceiro e Sousa Dias.

Curiosamente, na foto, os republicanos defensores de Chaves, transportam o busto da República.

foto: via Blog Bernardino Machado

J.M.M.

BRIGANTIA 2009


Por amabilidade do Prof. Hirondino Paixão Fernandes, foi-nos oferecido o vol. XXVIII-XXIX, correspondente a 2008-2009, da revista em epígrafe.

Este número especial, dedicado ao Centenário de Trindade Coelho, resulta de um trabalho aturado e persistente de recolha, pesquisa e inventariação de cartas de Trindade Coelho dirigidas às mais diversas personalidades. Hirondino Fernandes conseguiu reunir mais de meio milhar de cartas (511) deste autor transmontano, entre 1873 e 1908.

Do sumário do presente número da Brigantia, dirigida por Ana Maria Afonso, retira-se o seguinte:
- In Limine, por Ana Maria Afonso;
- Prefácio, por Aníbal Pinto de Castro;
- Entre Quem É (À guisa de Introdução), por Hirondino Fernandes;
- Tábua Cronológica, por Hirondino Fernandes;
- Cartas (organização, leitura e notas), por Hirondino Fernandes;
- Referência das Gravuras, por Hirondino Fernandes;
- Bibliografia, por Hirondino Fernandes;
- A Sete Chaves (À guisa de Nota Final), por Hirondino Fernandes;
- Índices (Assuntos, Prosónimos, Topónimos, Destinatários), por Telmo Verdelho e Hirondino Fernandes

Ao longo de 768 páginas, bastante ilustrado com fotografias das cartas, gravuras da época e das personalidades com quem trocou correspondência.

Sem dúvida a homenagem que José Francisco Trindade Coelho merecia por parte dos seus comprovincianos.

A.A.B.M.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ANTÓNIO MARIA DA SILVA


Aproveitando a efeméride que hoje se assinalava, António Maria da Silva faleceu há 59 anos, o Almanaque Republicano aproveita para completar com mais alguns elementos biográficos a nota que fornecemos AQUI.

António Maria da Silva nasceu em Lisboa, a 26 de Maio de 1872, e veio a falecer a 14 de Outubro de 1950, sendo filho de António Maria da Silva e de Maria da Luz Marques Silva. Casou com Adelina Antónia Marques de Lemos de quem teve uma filha.

Concluindo, em 1892, o curso de Engenharia de Minas na Escola do Exército, ingressa, de seguida, na Escola Politécnica, onde parece ter estado o tempo de formação habitual, visto que, em 1895, entra ao serviço do Ministério das Obras Públicas, para o qual foi nomeado engenheiro-ajudante da Companhia de Minas.

Nessa função, haveria de ser promovido a engenheiro-subalterno e a engenheiro de 1.ª, em 1901 e 1910, respectivamente, ocupando, de permeio, entre 1904 e 1905, um lugar na direcção da Associação dos Engenheiros Civis. Ainda em 1910, torna se director-geral interino da Estatística, para nos anos seguintes assumir os lugares de presidente da Sociedade de Propaganda de Portugal (1911) e de director-geral dos Correios e Telégrafos (1911-1915, 1917-1919 e 1919-1926).

Filiado no Partido Republicano Português ao tempo da Monarquia, a sua acção em prol do derrube deste regime, iniciada em 1907, contra o governo de João Franco, manifesta-se, sobretudo, na clandestinidade, ao serviço da Carbonária. Chega mesmo a ser um dos fundadores da Alta Venda da Carbonária, sociedade secreta criada na sequência do fracasso da revolta de 28 de Janeiro de 1908, que ombreará com outras organizações na preparação do movimento revolucionário. Envolvido nesse objectivo, foi um dos poucos chefes republicanos que participaram activamente no 5 de Outubro de 1910. Implantado o novo regime, a sua carreira assume diversas direcções. Começa por exercer cargos de missão ou de nomeação política, como o de secretário-geral do Ministério do Fomento e o de comissário da República junto da Companhia dos Tabacos, ambos em 1910.

No ano seguinte, toma assento como deputado às Constituintes, por Silves, dignidade em que voltará a ser investido pelo mesmo círculo (1925) e pelo de Lisboa (1915, 1919, 1921 e 1922). Inicia em 1913 uma rica e intensa experiência governativa, ao assumir a pasta do Fomento no governo de Afonso Costa (cargo para o qual já havia sido convidado pelo Governo Provisório), entre 9 de Janeiro de 1913 e 10 de Novembro de 1914, mandato em que fica associado à transformação do porto de Leixões em infra-estrutura comercial. Voltará, novamente pela mão de Afonso Costa, à direcção do Ministério do Fomento, entre 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916, mudando, no dia seguinte, para o Ministério do Trabalho, que dirigirá até 25 de Abril de 1917.

Participa activamente como membro da Junta Revolucionária de 14 de Maio de 1915. Foi perseguido e maltratado durante o período do sidonismo.

No período que se segue à 1ª Guerra Mundial, António Maria da Silva, foi responsável por duas grandes cisões no Partido Republicano Português a de Álvaro de Castro e de José Domingues dos Santos.

A sua governação ficou ainda conhecida pelo desmantelamento do sistema do “pão político” e pela defesa do câmbio do escudo. Após a implantação da Ditadura Militar, distingue-se na oposição ao regime e, por consequência, conhece a prisão, como nos tempos da I República, em 1918. Ao nível partidário, tornara-se chefe do Partido Democrático após o exílio de Afonso Costa, formação a que tinha regressado em 1914, depois de ter chefiado o Grupo Independente desde 1911.

A.A.B.M.

A FESTA DA FAMÍLIA POLÍTICA - CARICATURA



"A festa da família política: acepipes do Natal - Francisco Valença (1882-1962)

Desenho publicado no "Diário de Lisboa" de 24.12.1924, p. 25. - Caricaturas de José Dominges dos Santos, António Maria da Silva, Álvaro de Castro, Cunha Leal, Lino Neto, Procópio de Freitas e dois não identificados. [clicar na foto]

via Biblioteca Nacional.

J.M.M.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O SR. BERNARDINO MACHADO EXISTIU E EXISTE



"O escritor e jornalista monárquico, Eugénio Severim Azevedo, que assinava os seus trabalhos com o pseudónimo "Crispim", foi redactor da 'Nação' e director do jornal de caricaturas 'O Talassa'.

Escreveu o opúsculo 'O Sr. Bernardino Machado nunca existiu - Bernardino na História - Bernardino na Política - Bernardino na Cordealidade - Formação impessoal do Bernardinismo'.

Resposta ao opúsculo de Crispim, da autoria do poeta e autor dramático republicano, António Correia Pinto de Almeida, que assinava com o pseudónimo 'Marco António' [utilizou, também, o pseud. António Amargo]. Era natural da Figueira da Foz e foi director da 'Gazeta da Figueira' [do nº2348, de 24/10/1914 ao nº2356, de 21/11/1914]. Publicou as peças: 'O Degredado', 'Polícia Amador' e 'Os Conspiradores'." [assinou também: Republicanadas (1913), Alcofinhas, Cantares (1922)]

via Blog Bernardino Machado [sublinhados, nossos]

- Crispim [pseud. de Eugénio Severim Azevedo] – O Sr. Bernardino Machado nunca existiu, Tip. da Modesta, Lisboa, 1914

- Marco António [pseud. de António Correia Pinto de Almeida] - O Sr. Bernardino Machado existiu e existe (refutação scientifica das erróneas doutrinas expendidas pelo ímpio Crispim no seu folheto «O Sr. Bernardino Machado nunca existiu».», Imprensa Lusitana, Figueira da Foz, 1914

[tb. publ. nos 100 Anos Republica Figueira da Foz]

J.M.M.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

TRADIÇÃO E MODERNIDADE NO MUNDO IBERO-AMERICANO


VI COLÓQUIO INTERNACIONAL

Vai realizar-se na Sala de S. Pedro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, entre 19 a 23 de Outubro de 2009, mais um colóquio subordinado ao tema Tradição e Modernidade no Mundo Ibero Americano.

Esta iniciativa que tem vindo a ser desenvolvida pelo CEIS 20, tem como principais responsáveis científicos António Pedro Pita e Maria Emília Prado.

Os trabalhos prolongam-se por vários dias atendendo aos seguintes painéis que a seguir se descriminam:

- O campo intelectual como dimensão da modernidade
- Nações, nacionalismo e vanguardas
- As artes e o pensamento estético entre tradição e modernidade (I)
- As artes e o pensamento estético entre tradição e modernidade (II)
- Figuras, movimentos e controvérsias (I)
- Figuras, movimentos e controvérsias (II)
- Problemas de história das ciências e da educação (I)
- Problemas de história das ciências e da educação (II)

O programa completo do colóquio pode ser consultado AQUI.

Uma actividade a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

VIVA A CÂMARA MUNICIPAL



"Viva a Câmara Municipal - Rocio"
Ass./n. dat. - "Silva Monteiro", in publicado em "Os Ridículos" [clicar na foto]

via República 100 Anos.

J.M.M.

LIVRARIA MANUEL FERREIRA



A Livraria Manuel Ferreira,conceituada livraria e alfarrabista, do Porto, disponibilizou, recentemente, na sua nova página web, um catálogo que o Almanaque Republicano não podia deixar de assinalar e divulgar junto de todos os interessados.

Ao longo de 67 páginas encontramos algumas das obras mais importantes acerca da História da Propaganda do Partido Republicano, História da 1ª República, memórias, biografias e muitos estudos sobre o período em causa. Como é evidente, não vamos mencionar todos os títulos mas apresentamos algumas obras que consideramos essenciais para conhecer melhor a época e os seus protagonistas.

Ver aqui o referido catálogo.

Indubitavelmente um dos melhores catálogos sobre o tema que chegaram até nós.

A.A.B.M.

domingo, 11 de outubro de 2009

O MAÇON AURÉLIO PAZ DOS REIS (1862-1931)


"... Sob o ponto de vista associativo, Aurélio Paz dos Reis era, em 1882, com apenas vinte anos de idade, membro da Comissão Executiva dos Empregados do Comércio. Em 1893 abriu a sua casa comercial, a Flora Portuense, na Praça de D. Pedro (...)

Sob o ponto de vista político a cidade fervilhava, tendo como centros de debate os cafés e as Lojas maçónicas. Dos cafés, destacava-se o Lisbonense, mas também o Central, o Suíço da Praça ou o Guichard, os quais se assumiam também como locais de encontro da elite intelectual portuense e cuja importância social foi fundamental para a dinâmica da cidade na mudança de século. Republicano assumido, Aurélio Paz dos Reis esteve envolvido na revolta de 31 de Janeiro de 1891 vindo, por isso, a ser julgado em Conselho de Grerra e posteriormente absolvido.

Paz dos Reis, desde cedo desenvolveu uma forte consciência de dever cívico, expressa nas inúmeras organizações a que esteve ligado ou nos recortes de jornais que compilava e cujos assuntos levava para discussão em Loja. É também esse sentido cívico que o leva a integrar a Associação de Protecção à Infância Desvalida, a ser sócio fundador da Associação Portuguesa do Asilo de S. João e a ser director do Ateneu Comercial.

Aurélio Paz dos Reis foi iniciado na Loja Honra e Dever, em 1889, uma Loja que surgira da mudança de nome da Loja Pátria e Família um ano antes, tendo então adoptado o nome simbólico de Homero. Em 1895 filiou-se na Loja Ave Labor e em 1901 transitou para a Loja Liberdade e Progresso, na qual se manteve até à data da sua passagem ao Oriente Eterno.

Vice-secretário da Câmara Municipal, vereador em 1919 e em 1921/22, vice-presidente e presidente em 1923, Aurélio Paz dos Reis demonstra conhecer bem os anseios e as necessidades do Porto.

Aurélio Paz dos Reis faleceu na sua cidade à beira do Douro em 18 de Setembro de 1931, vítima de congestão cerebral. Deixou uma obra artística e fotográfica notável, deixou igualmente o seu nome ligado a introdução do cinema em Portugal e afirmou-se como um cidadão interventivo e defensor de um conjunto de valores caros à Maçonaria. Aurélio Paz dos Reis, que sempre se afirmou como republicano e livre pensador, dizia "sou livre pensador, penso; sou republicano: falo." [ler o texto completo AQUI]

por José Relvas (n.s.), in revista Grémio Lusitano, nº 12, Dezembro de 2007, pp. 68/69 [sublinhados, nossos]

J.M.M.

PODER ESPIRITUAL/PODER TEMPORAL


As relações Igreja-Estado

Chegou ao nosso conhecimento que, na próxima semana, vai reaizar-se um colóquio subordinado ao título Poder Temporal/Poder Espiritual: As relações Igreja-Estado no Tempo da República (1910-2009). Esta actividade, desenvolvida em colaboração entre o Centro de História da Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação Memória & Historiografia, e com a Academia Portuguesa da História, que vai decorrer nos próximos dias 15 e 16 de Outubro e que irá efectuar-se no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

DIA 15 DE OUTUBRO

09.30 – Abertura pela Presidente da Academia Portuguesa da História e pelo Director do Centro de História da Universidade de Lisboa
10.00 – Emílio de Diego
As relações Igreja/Estado, da II República à Democracia espanhola

11.00 – Intervalo
11.30 – António Matos Ferreira
As relações Igreja/Estado na I República portuguesa
12.00 – Manuel Braga da Cruz
As relações Igreja/Estado no ‘Estado Novo’ português
12.30 – Debate

13.00 – Intervalo para almoço
14.30 – Luís Salgado de Matos
O “Estado Novo”: um “Estado de Ordens” contemporâneo
15.00 – António Reis
Religião e Laicidade na Democracia portuguesa
15.30 – Debate e intervalo

16.00 – António Ventura
Padres republicanos
16.30 – Miguel Corrêa Monteiro
Os Jesuítas e a I República portuguesa
17.00 – Debate e Encerramento

DIA 16 DE OUTUBRO

10.00 – Ernesto Castro Leal
Religião civil na I República portuguesa
10.30 – Pedro Calafate
A Igreja Lusitana em Teixeira de Pascoaes
11.00 – Debate e Intervalo

11.30 – José Eduardo Franco
Sebastião de Magalhães Lima, entre a crítica anti-jesuítica e a utopia do livre-pensamento
12.00 – Paulo Fontes
O movimento católico durante o “Estado Novo” português: religião, sociedade e politica em questão
12.30 – Debate
13.00 – Intervalo para almoço

LUGAR AOS NOVOS
14.30 – Teresa Nunes
Uma excepção que confirma a regra: a imagen posi¬tiva de sacerdote em O Padre Roque de João da Motta Prego
15.00 – Rita Mendonça Leite
A I República portuguesa e a Igreja Católica perante a pluralidade religiosa: o caso das minorias protestantes

15.30 – Debate e Intervalo
16.00 – Guilherme Sampaio
Recepção das Encíclicas de Pio XI e de Pio XII no jornal católico português Novidades (1937-1945)
16.30 – Paula Borges Santos
A questão religiosa na Assembleia Nacional do “Estado Novo” português
17.00 – Debate e Encerramento

Um evento que não podíamos deixar de recomendar aos nossos ledores.

A.A.B.M.

sábado, 10 de outubro de 2009

MONTIJO - O ANO DE 1909


Exposição "O ANO DE 1909" - Galeria Municipal do Montijo, até 30 de Novembro

"A exposição, cedida pela Biblioteca Nacional, permite uma viagem pelos acontecimentos, momentos e transformações sociais e políticas ocorridas em Portugal, traçando o calendário dos passos mais relevantes, tanto do lado monárquico como republicano, no ano que antecedeu a implantação da República.

A Câmara Municipal de Montijo decidiu complementar a mostra, acrescentando-lhe alguns dados da história local, permitindo assim, também, um percurso pela Aldeia Galega (hoje Montijo) de 1909. As condições económicas para o desenvolvimento dos ideais republicanos; os acontecimentos sociais e políticos mais importantes, como a decisão de implementação da iluminação eléctrica ou o terramoto do Ribatejo que afectou a vila de Canha; e o desenvolvimento do movimento associativo com a fundação do Aldegalense Sport Club, do Musical Alfredo Keil e da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Montijo serão alguns dos aspectos focados
" [ler AQUI]

Visitas: de segunda a sexta-feira - das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Sábado, das 15h00 às 19h00.

J.M.M.

Tomás da Fonseca (1877-1968) via ANTÍGONA


- Na Cova dos Leões – Fátima. Cartas ao Cardeal Cerejeira [c/ pref. Reis Torgal]

"Este livro é porventura um dos mais emblemáticos textos «subversivos» impressos em Portugal durante o salazarismo. Foi escrito por um republicano racionalista e livre-pensador abjurado pela Igreja Católica e pelo regime autoritário e «catolaico» do Estado Novo. Depois, a democracia nascida da revolução de 25 de Abril de 1974 acabou também por o ostracizar. Estas serão, de resto, razões suficientes para que alguns títulos da sua prolífica obra logrem ser redescobertos e reeditados pela Antígona numa altura em que se aproxima o centenário da proclamação da Primeira República em Portugal (1910-2010)"

- O Santo Condestável. Alegações do Cardeal Diabo [c/ pref. João Macdonald]

"Este texto reproduz uma conferência de Tomás da Fonseca, proferida na Universidade Livre de Coimbra, em 1932. Decorridos setenta e sete anos sobre a publicação de O Santo Condestável – Alegações do Cardeal Diabo, a orquestra reorganizou-se para a celebração da canonização de Nuno Álvares Pereira, que a Igreja e os seus cúmplices levaram a cabo neste ano de 2009. Seria, portanto, indelicadeza da Antígona não se associar aos festejos desta nova forma de consubstanciação; por isso, considerámos oportuna a reedição deste livro.
José Tomás da Fonseca nasceu no dia 10 de Março de 1877. Foi um homem de impressionante produção literária, tendo publicado ao longo da vida cerca de quarenta títulos. Colocou-se permanentemente na linha da frente do arriscado confronto político.
"

Publicação pela Antígona - Editores Refractários.

J.M.M.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

QUEM FEZ A REPÚBLICA - EXPOSIÇÃO


"Através de quinze quadros, pretende-se dar um panorama sucinto dos principais acontecimentos que levaram à Implantação da República em 5 de Outubro de 1910, apresentando igualmente notas biográficas dos intervenientes - quem fez a República.

Esta exposição, que reúne documentos e iconografia da época, será igualmente acompanhada da mostra parcial da Colecção António Pedro Vicente da Fundação Mário Soares. A partir do início de 2010, a exposição circulará por diferentes localidades e instituições
"

Local: Sala de Exposições da Fundação Mário Soares.

J.M.M.

ANTÓNIO PEDRO LOPES DE MENDONÇA



António Pedro Lopes de Mendonça [n. Lisboa a 14 de Novembro de 1826 - m. 8 de Outubro de 1865]

Quando é que nos rehabilitaremos na imaginação das nações que nos cercam? Quando é que aqueceremos os nossos membros fatigados e inertes ao sol da civilisação europêa? Quando é que poderemos elevar a nossa fronte humilhada pelos desvarios e torpezas da monarchia absoluta e destes dezesete annos de corrupção e de estupidez representativa?” [A.P.L.M.]

"A república não tem classes, não tem distinções, não tem interesses rivais: as lutas são as das ideias e a sua expressão é, tem de ser manifestada pela imprensa. Ás revoluções armadas hão-de suceder as reformas pacíficas; às paixões, os sentimentos; aos certames de partido, os combates de princípios. Alcançar-se-há esse ideal que debalde têm querido realizar as monarquias representativas? O sistema republicano acolherá no seu seio o princípio da perfectibilidade humana sem que ele ressurja de espaço a espaço tinto de sangue?" [A.P.L.M.]

LOCAIS: António Pedro Lopes de Mendonça (Wiki) / António Pedro Lopes de Mendonça (por Carlos Leone) / António Pedro Lopes de Mendonça / Representação do Outro e Identidade. Um Estudo de Imagens na Narrativa de Viagens - II. Um estudo de caso: a narrativa de viagem oitocentista / A Família Lopes de Mendonça / Boca do Tempo / Dante em A.P.L.M. / Memorias de litteratura contemporanea por A. P. Lopes de Mendonça (livro digitalizado) / Redactores do Ecco dos Operarios

J.M.M.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

1909-2009: CRISE E CRIATIVIDADE ATRAVÉS DA IMPRENSA


O CEIS 20, da Universidade de Coimbra, vai levar a efeito mais uma iniciativa. Entre amanhã e sexta-feira (7 a 9 de Outubro), realiza-se este colóquio internacional cujo programa detalhado pode ser consultado AQUI.

A sessão de abertura decorre amanhã, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Coimbra, a partir das 17 horas, com a recepção dos participantes. Os restantes trabalhos decorrerão no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

A conferência de abertura fica a cargo do Prof. Doutor Ernesto Castro Leal, enquanto a conferência de encerramento pertence ao Prof. Doutor Onésimo Teotónio de Almeida. Os trabalhos decorrerão em várias sessões dedicadas a àreas temáticas como:
- Crises a abrir o século;
- Crises em letras impressas;
- Crise Política;
- Crise Económica;
- Crise Social e Educacional;
- Crise Cultural;
- Crise e Inovação;
- Crise e Criatividade.

Uma iniciativa deste centro de investigação que também permite aos docentes dos grupos 200, 400 e 410 a frequência de uma acção creditada de 25 horas/1 crédito.

A.A.B.M.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A CIÊNCIA NOS FINAIS DA MONARQUIA



O montante total das despesas anuais em actividades de investigação científica e desenvolvimento experimental (I&D), num país desenvolvido do continente europeu ou americano nos princípios do século XX, rondava por um valor que equivalia a 0,1% ou 0,2% do produto interno bruto (PIB) respectivo. Há cem anos, o mundo era muito diferente no que respeita ao volume das actividades científicas.

Um interessante dossiê a acompanhar. Ver o texto do Doutor João Caraça AQUI

A.A.B.M.

FIGUEIRA DA FOZ - COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA


"A Figueira da Foz é uma cidade, reconhecidamente, com fortes tradições liberais e republicanas. Esse espírito puro (e idealista) acompanhou os (…)

Uma plêiade notável de homens e mulheres foram os obreiros dessas fortes convicções liberais, republicanas e democráticas. Pessoas e colectividades, a imprensa local, grupos e cidadãos, com entusiasmo e desassombro, trabalharam em prol do bem comum e da emancipação do povo figueirense. O espírito e alma republicana, sob o lema liberdade, igualdade e fraternidade, fazem parte, exaltantemente, do álbum das memórias figueirenses. Por isso, esse ideário republicano tem de ser evocado. Deve ser reivindicado. Tem de ser honrado.

No ciclo das comemorações do Centenário da República, que agora decorre, é tempo de reclamar a ideia da República e exaltar a sua herança. O legado republicano é uma missão que exige uma recordação condigna da sua própria grandeza. Por isso, correspondendo ao apelo da Comissão Nacional das Comemorações do Centenário da República, um grupo de cidadãos da Figueira da Foz, republicanos e democratas, em harmonia com os objectivos gerais das Comemorações, visa constituir uma Comissão Cívica da Figueira da Foz para as Comemorações do Centenário da República.

Essa Comissão Cívica terá como objectivo dinamizar - com as instituições, colectividades, associações e cidadãos que adiram a este projecto - um conjunto de iniciativas culturais diversificadas a nível concelhio, em ordem a contribuir para homenagear pessoas e instituições, contribuir para uma maior mobilização e participação da sociedade civil nas comemorações do Centenário, dando assim uma maior visibilidade dos objectivos pretendidos pela Comissão Nacional, especialmente junto das gerações mais jovens.

Este blog ou espaço conversável será, doravante, a pedra inicial que desvela essa pretensão e pretende animar este reencontro antiquíssimo com a nossa história local. Assim, convidamo-lo a aderir a essa futura Comissão Cívica, a divulgar este nosso apelo e a participar por uma República melhor.

Saúde e Fraternidade" [ler tudo AQUI]

in Blog "100 Anos da República Figueira da Foz"

J.M.M.

5 DE OUTUBRO 1910


Edição CTT - "Exposição Mundial de Filatelia"

J.M.M.

domingo, 4 de outubro de 2009

LISBOA REPUBLICANA - ROTEIRO PATRIMONIAL


"Nos passos da República, desvendamos a cidade nos seus elementos urbanísticos e patrimoniais representativos de um regime à beira do seu Centenário. Lisboa, uma das primeiras capitais republicanas da Europa, abriu caminho à instauração da República Portuguesa e, nesta, durante um século, construiu memórias físicas e intangíveis que merecem, agora, um fio condutor e um discurso interpretativo. A Câmara Municipal de Lisboa apresenta este Roteiro Patrimonial, com 100 locais onde é possível revisitar os valores da história associada ao ideário republicano, antes e depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910." [ler AQUI]

EXPOSIÇÃO - DIA 5 DE OUTUBRO, 11 horas na Galeria de Exposições dos Paços do Concelho

17h30 | Salão Nobre dos Paços do Concelho - Lançamento do catálogo "À Urna pela Lista Republicana de Lisboa! Foi assim há 100 anos ..." editado pela CML no âmbito do Centenário da Vereação Republicana em Lisboa (1908-2008).

ver todo o PROGRAMA - AQUI.

J.M.M.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO EM COIMBRA



Recebemos e divulgamos o programa das Comemorações do 5 de Outubro a relizar em Coimbra na próxima segunda-feira. (Clicar na imagem para aumentar)



Saúde e Fraternidade a todos os participantes e organizadores.

A.A.B.M.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

HISTÓRIA, QUE FUTURO? - CONGRESSO


A A.P.H. vai levar a aefeito nos próximos dias 2, 3 e 4 de Outubro de 2009 um Congresso para debater o futuro do ensino da História.

Esta actividade vai realizar-se nas instalações da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Campo Grande, Lisboa.

Programa

6ª feira, 2 de Outubro
10:00 Abertura
10:30 Inauguração da exposição de trabalhos do Concurso 35 anos do 25 de Abril
11:00 Conferência: A importância de um ensino humanístico, António Borges Coelho, Prof. Jubilado FLUL
12:00 Reflexões breves sobre Educação, que futuro?, António Nóvoa, Reitor da UCL
12:30 Reflexão Os Jovens Portugueses e a História, Carolina Cortez, Vencedora do Prémio Alexandre Herculano da Academia das Ciências

13:00 Intervalo para almoço
14:30 Conferência Património Histórico-Cultural Lusófono, Teotónio de Souza, ULHT
15:30 WORKSHOPS
A - Educação Histórica e Património - o Centro Histórico de Guimarães, Helena Pinto
B - Educação Histórica e Museus, Helena Miranda
C - Educação Histórica e Novas Tecnologias, Daniel Alves

17:00 Intervalo
17:30 Lançamento de publicações no âmbito da História
18:00 1755... - apresentação teatral pelos Alunos da Escola Básica Integrada Patrício Prazeres de Lisboa
20:30 Jantar-Convívio (opcional)

Sábado, 3 de Outubro
09:30 PAINEL/DEBATE Investigação Histórica
- O papel da Evidência Histórica na análise d' Os Painéis de S. Vicente, Jorge Filipe Almeida
- Ensinar a História do século XX: o 25 de Abril, Inácia Rezola
11:00 Intervalo
11:30 MESA-REDONDA A formação inicial dos professores de História
Com eventual apresentação de trabalhos produzidos por alunos/professores estagiários
Isabel Barca, Luís Alberto Alves, João Paulo Avelãs Nunes, Joaquim Pintassilgo, Olga Magalhães
13:00 Intervalo para almoço

14:30 GRUPOS DE REFLEXÃO sobre o futuro do ensino da História
15:30 WORKSHOPS
D - Experiências de aprendizagem em aula-oficina - ensino básico Marília Gago
E - Experiências de aprendizagem em aula-oficina - ensino secundário Helena Veríssimo
F - Astérix e o diálogo intercultural, Miguel Barros
17:00 Intervalo
17:30 Apresentação das conclusões dos grupos de reflexão
18:00 Conferência História e Cidadania, Lis Cercadillo, Responsável pelo Projecto Pisa em Espanha
19:00 Momento Coral pelo Grupo Vocal ARSIS
19:30 Encerramento

Domingo, 4 de Outubro
10:00 - 13:00
VISITAS DE ESTUDO Sítios com História
1. Museu do Oriente;
2. Museu da Electricidade;
3. Percurso Lisboa Romana;
4. Percurso Lisboa Medieval;
5. Percurso Pombalino


Uma actividade a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

A MAÇONARIA E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA



«O livro “A Maçonaria e a Implantação da República” vai ser lançado no próximo dia 5 de Outubro, em sessão pública que decorrerá no Auditório da Fundação Mário Soares, em Lisboa, com início às 18 horas. João Alves Dias apresentará a obra. Mário Soares, Presidente da Fundação, e António Reis, Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano-Maçonaria Portuguesa, estarão presentes.

A Maçonaria e a Implantação da República”, que conta com um posfácio do Prof. Doutor A. H. de Oliveira Marques, reúne um conjunto de documentos inéditos referentes à Comissão de Resistência da Maçonaria e à participação desta nos preparativos do 5 de Outubro de 1910, bem como alguns textos de enquadramento geral da situação que então se vivia no nosso país, uma cronologia dos principais acontecimentos, fotografias e notas biográficas sobre os intervenientes.

A Fundação Mário Soares e o Grémio Lusitano entenderam publicar, nas vésperas do Centenário da República, este espólio documental inédito que ilustra a intervenção da Maçonaria na implantação da República.

Reunidos e anotados por Simões Raposo Júnior, destacado elemento da Maçonaria, os documentos agora reunidos em livro e reproduzidos em facsimile constituem um retrato insubstituível dos preparativos do movimento republicano e das movimentações que o precederam.

A documentação publicada foi depositada na Fundação Mário Soares por Sérgio Carvalhão Duarte. Este acervo documental havia sido entregue, em vida, a seu pai, Jaime Carvalhão Duarte, por José António Simões Raposo Júnior, tendo permanecido durante muitos anos devidamente resguardado fora de Lisboa.

No dia 5 de Outubro será também inaugurada nas instalações da Fundação Mário Soares uma exposição intitulada “Quem Fez a República”» [AQUI E AQUI]

A Maçonaria e a Implantação da República" - lançamento dia 5 de Outubro no Auditório da Fundação Mário Soares, em Lisboa, pelas 18 horas.

J.M.M.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

ILUSTRAÇÃO PORTUGUESA


A Hemeroteca Digital de Lisboa, disponibilizou online parte da colecção de uma das revistas mais importantes do início do século XX. Uma referência para investigadores e curiosos sobre o período final da Monarquia e o princípio do regime republicano.

Apesar de ser somente uma parte da revista (1903-1914), ela destaca-se sobretudo pela importância das suas ilustrações e fotografias, bem como pelo naipe de colaboradores. Entre eles encontramos autores como: Albino Forjaz Sampaio, Aquilino Ribeiro, Bulhão Pato, Carlos Malheiro Dias, Eugénio de Castro, Jaime Cortesão, Júlio Dantas, Manuel da Silva Gaio ou Rocha Martins, entre muitos outros.

A Hemeroteca Digital de Lisboa, na nossa modesta opinião, continua a prestar um serviço público que consideramos muito bom e que esperemos que continue.

A.A.B.M.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

ELEIÇÕES



Veja-se a forma satírica como Rafael Bordalo Pinheiro via a questão política do tempo e as semelhanças com os nossos dias.

[Nota: Imagem da capa da revista - 9 de Maio de 1900 - pode ser consultada AQUI.]

A.A.B.M.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O GRUPO CARBONÁRIO «OS TREZE»


"Lisboa 4 de Janeiro de 1920

Ao Erudito e Eminente Republicano – Ilustre Cidadão Sr. Dr. Bernardino Machado

Ilustre Cidadão:

O Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa, conjuntamente, vem hoje aqui, como preito de profunda homenagem, saudar o grande e dedicado republicano, que sois vós, Ilustre Cidadão, o eminente e ex-Presidente da República Portugueza, que o nefando e vandalismo regímen Sidonista-Realista deportou, roubando-o à Pátria e à República que ele tanto amava e ama com todo o carinho, com toda a alma e de todo o coração.

Ilustre Cidadão:

O Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa, o dedicado e sacrificado povo Republicano, vos saúda, mostrando-vos o seu grande amor pela causa da República, que está sempre pronto para acudir com toda a coragem e boa fé, quando ela perigue.

Ilustre Cidadão:

O Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa, pede-vos desculpa de tão simples homenagem, que, pequena é, para tão Ilustre e fiel servidor da Pátria e da República.
Aceitae, pois, Ilustre Cidadão, a saudação sincera de todos aqueles que tem sido sacrificados na defesa da República, assim como também vos fosteis bem sacrificado e vexado pelo odiento Sidonismo.
As vossas palavras no Senado, couberam bem no intimo de todos os corações republicanos, em que protestaveis e com razão, contra a estada nos Jeronimos, d’aquele que enxovalhou e envergonhou a Pátria e a Republica.
Esse corpo, não é digno de estar junto d’aqueles que souberam honrar a Patria.
Esse corpo ha-de ser retirado de lá!
Onde repousam grandes e honrados patriotas, não deve estar um traidor à Patria.

Cidadão Ilustre:

Mais uma vêz, o Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa, vos vem mostrar o seu grande amor à Republica, sempre prontos para a defender de qualquer perigo que a ameace.
Não vos queremos incomodar mais, Ilustre Cidadão. Trabalhae um pouco mais para a Republica, porque nos estamos sempre prontos para a defender.

O Grupo Carbonário «Os Treze» e o Povo Republicano de Lisboa,

Vos Saúda.

Viva S. Ex.ª o Sr. Dr. Bernardino Machado!
Viva a Patria!
Viva a Republica!
Viva o Grupo Carbonário «Os Treze»!
Viva o Povo Republicano de Lisboa!
"

[in Homenagem do Grupo Carbonário «Os Treze» a Bernardino Machado - transcrição de documento manuscrito (sublinhados, nossos), “actualmente exposto no Museu Bernardino Machado” (Famalicão), que “faz parte do espólio doado pela Família Machado Sá Marques”, e que retiramos do estimado blog do dr. Manuel Sá-Marques, onde se encontra a sua digitalização completa. [ver AQUI]

Ainda, retirado do estimado blog, acima referido, registe-se:

Voluntários da República

Para combater as incursões monárquicas são criados os "Voluntários da República", enquadrados pela Maçonaria e pela Carbonária. Assim surgem batalhões em Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Chaves, Mirandela e Santarém. Cada batalhão é comandado por um oficial do exército, sendo-lhes distribuídas armas. O Grupo Carbonário "Os Treze" é uma das milícias afectas ao partido democrático
” [AQUI]

J.M.M.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

EFEMÉRIDES DE HÁ CEM ANOS (Setembro de 1909)



Dia 22
- Sessão de propaganda contra a prisão de Ferrer, no Centro Republicano da Pena, onde discursaram Martins Verdu, César da Silva, Afonso Bourbon, Mateus Ruivo e Jaime de Castro.

Dia 23
- Manuel dos Santos Ferreira, residente em Póvoa do Forno, concelho de Oliveira do Bairro noticiava a adesão ao Partido Republicano dos seguintes cidadãos: Manuel António de Oliveira Silva Briosa, proprietário, do Troviscal; Manuel Simões de Carvalho, proprietário, do Vale da Marinha; Manuel Pires Alves, carpinteiro, da Póvoa do Carneiro; António de Lemos, proprietário, da Passadoura; José Ferreira das Neves e João Ferreira, proprietários; José Francisco Miguéis, carpinteiro e proprietário; José Simões da Rosa, artista; José da Silva Novo, serralheiro, da Póvoa do Forno; Manuel de Oliveira da S. Briosa, proprietário e actual vereador da Câmara Municipal de Oliveira do Bairro.

Dia 24
- Reunião da Junta Liberal em Lisboa, onde se aproveitou para redigir a aprovar o manifesto que a referida instituição projectava dirigir ao País.

Dia 26- Sessão de propaganda anti-clerical na Cooperativa de Consumo Aliança, situada na Rua da Fonte Nova, Lisboa, onde tomam parte diversos oradores como Pinto Quartin, Sebastião Pinto, Jaime de Castro, Bartolomeu Constantino, entre outros.
- Sessão solene de abertura das aulas no Centro Bernardino Machado sendo oradores Maria Veleda, Maria Clara Correia Alves, Manuel de Arriaga que preside à sessão, Agostinho Fortes, Borges Grainha, César da Silva, Eugénio Vieira, Simões Coel, Augusto José Vieira, Guilherme de Sousa, José do Vale, Sá Pereira, Gastão Rodrigues, Bastos Flávio, Raul Peres e António Ferrão.
- Encerramento das Festas a favor do Grupo Tomás Cabreira, cujo lucro reverte para as escolas deste grupo.
- Centro Republicano da Amadora: realiza um concerto na esplanada do centro, com a tuna Dr. António José de Almeida e ainda por uma outra banda de música.
- Centro Escolar Dr. Alberto Costa: reunião da comissão organizadora na sede do centro ao Largo do Chafariz de Dentro, nº 10, 2º.
- Liga das Mulheres Portuguesas: reunião da assembleia-geral desta liga, para nomear uma comissão de propaganda e tratar de assuntos importantes. A reunião teve lugar na Rua dos Castelinhos, 6, 2º. Nela compareceram 32 sócias. Presidiu Ana de Castro Osório, secretariada por Maria Veleda e por Ana de Corte Real Braga (esposa de Alexandre Braga).
- Comissão Municipal Republicana de Cascais: convida a população para duas conferências de propagada republicana e anticlerical. A primeira realizou-se no lugar de Abóbada e a segunda em Tires. Foram convidados para conferentes: Eugénio Vieira, Alfredo Ladeira, Silva Passos, Raimundo Alves e Augusto José Vieira.
- Missão das Escolas Móveis pelo Método de João de Deus: foi inaugurada mais uma missão, em Outeiro da Vila (Sertã). Presidiu à sessão o Dr. José Carlos Enhardt discursando ainda o Dr. Francisco Nunes Correia. Era professora desta missão a Sra. Florinda de Almeida Anjinho.
- Vila Nova de Ourém: Realizaram-se em Urqueira e Ourém, duas conferências de Agostinho Fortes, anunciando para breve a publicação de um jornal republicano O Povo de Ourém.

Dia 28
- Centro Escolar Dr. António José de Almeida: assembleia-geral onde se deliberou abrir novamente as matrículas para o curso comercial. Funcionavam também neste centro aulas de contabilidade e escrituração comercial, aulas de desenho e de música.
Dia 30
- Centro Republicano João Chagas: reunião da assembleia-geral do centro, para aprovação do relatório e contas, bem como aprovar a reabertura das aulas diurnas e nocturnas.

[NOTA: Na imagem, o Centro Republicano Rodrigues de Freitas que funcionava ainda como sede da Associação de Classe dos Compositores Tipográficos in Arquivo Fotográfico.]

A.A.B.M.

sábado, 19 de setembro de 2009

MANUEL DE BRITO CAMACHO (1862-1934)



in Ilustração, nº211, 1 de Outubro de 1934 - via Hemeroteca Municipal

[clique na imagem]

J.M.M.

MANUEL DE BRITO CAMACHO


Assinalam se hoje, 19 de Setembro, 75 anos sobre o falecimento de um dos principais líderes republicanos, Manuel de Brito Camacho (1862-1934). Mais do que fornecer novos aspectos da sua biografia, talvez seja interessante tentarmos descobrir o que se encontra publicado sobre ele na internet e que artigos ou livros se debruçaram sobre a sua vida e obra.

Webgrafia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_de_Brito_Camacho
http://planicie-heroica.weblog.com.pt/arquivo/022589
http://eb23bcamacho.com.sapo.pt/patrono.html
http://www.drealentejo.pt/intranet/deposito/205196/Bcamacho.htm
http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/search/label/Brito%20Camacho
http://www.bdalentejo.net/conteudo_a.php?id=96
http://www.cp.pt/cp/displayPage.do?vgnextoid=919ed90ed1e69010VgnVCM1000007b01a8c0RCRD&contentId=f73f05f8e7260210VgnVCM1000007b01a8c0RCRD


Bibliografia/trabalhos recentes sobre Brito Camacho:

Nota: Não pretendemos deixar uma bibliografia exaustiva, mas facultar a quem quer saber mais sobre esta personalidade algumas pistas bibliográficas para além da obra clássica de Matias Ferreira de Mira e Aquilino Machado, sobre Brito Camacho, publicada no longínquo ano de 1942 ou o trabalho de João Fernandes, Brito Camacho. Algumas reflexões acerca da sua obra colonial, cadernos Seara Nova, Lisboa, Seara Nova, 1944, os únicos que A. H. de Oliveira Marques cita no seu Guia de História da 1ª República Portuguesa.

- AMARO, Luís - "O Primo Camacho", A Cidade de Beja em Meados de 1870 e outras páginas alentejanas numa evocação de Brito Camacho”, Arquivo de Beja, Beja, S. 3, vol. 15, 2000, p. 73.
- MENDES, António Rosa, “Brito Camacho e o Algarve” [Conferência realizada em Vila Real de Santo António no âmbito do ciclo “Viajantes, poetas e escritores, retratos do Algarve], Arquivo Municipal de Vila Real de Santo António, 13 de Março de 2009;
- PEREIRA, Teresa Sancha; ALBUQUERQUE, Álvaro, ed. lit.; TRINDADE, António, ed. lit, Brito Camacho: político 1862-1934, Lisboa, CM Comissão Municipal de Toponímia, 1999;
- PINTO, Orlando da Rocha, “Manuel de Brito Camacho. Alguns aspectos sobre o Homem e a sua genealogia pela comemoraçao do centenário da fundaçao do jornal "A Lucta", Vipasca, Câmara Municipal de Aljustrel, nº 1, 2006, p. 27-52;
- VAZ, Luís, O Pensamento Anticlerical de Brito Camacho, Hugin, Lisboa, 2004 [pref. por António Arnaut].

Mais uma efeméride que não podíamos deixar de assinalar, até porque Brito Camacho, António José de Almeida e Afonso Costa foram homens incontornáveis da 1ª República, para além de que desenvolveram todo um conjunto de iniciativas para conseguir derrubar o regime monárquico.

A.A.B.M.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

REPÚBLICA NAS ESCOLAS


A Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República lançou ontem ao público mais uma página web dedicada às comemorações nas escolas.

Nele é possível encontrar 6 janelas que abrem diferentes possibilidades, são elas:
- Festejar a República;
- Cronologia da República;
- República de A a Z;
- Símbolos da República;
- Participação das Escolas;
- Concursos;

Uma interessante iniciativa que, esperamos, encontre adesão. O Almanaque Republicano não podia deixar de a divulgar junto dos seus ledores.

A.A.B.M.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

VULTOS REPUBLICANOS


Vultos Proeminentes do Partido Republicano Português, in O MALHO ["O Malho em Portugal"]; Rio de Janeiro, Ano IX, nº42, 15 de Outubro de 1910 [clicar na foto]

via Bernardino Machado, estimado blog de Manuel Sá-Marques [todo o número d'O Malho, dedicado a Portugal e à República,AQUI]

O MALHO: "A revistaO Malhocomeçou a ser editada em 20 de Setembro de 1902. Fundada por Luís Bartolomeu de Souza e Silva, a revista tinha em seu corpo de ilustradores o traço já maduro e consagrado de J.Carlos, Angelo Agostini, Lobão, Adolfo Aizen, Crispim do Amaral, Guimarães Passos, L. Peixoto, Leonidas Freitas, Nássara, ao lado dos jovens talentos que começavam a surgir como Raul, Kalixto, Storni e tantos outros. Foi a primeira publicação brasileira a substituir a pedra litográfica por placa de zinco. Agregando a esta inovação tecnológica o talento e a verve de seus desenhistas, deu um novo impulso à arte da “charge” e da ilustração na imprensa brasileira, divertindo e informando o leitor da época.Ainda que focada principalmente na vida política do país, a cultura e a crítica de costumes sempre estiveram ali presentes, tanto nas “charges” como em artigos escritos por Olavo Bilac, Pedro e Emílio de Rabelo, Arthur Azevedo, Álvaro Moreyra e outros mais. Em 1930, O Malho combateu a Aliança Liberal de Getúlio Vargas, e com a posterior vitória da revolução Getulista, a redação da revista foi empastelada, a sede incendiada e a publicação impedida de circular por um breve período. Sobrevive como revista de notícias e literária, de 1935 a 1954, quando sai o último número." [Manuel Sá-Marques, in Bernardino Machado]

J.M.M.

DARWIN, DARWINISMOS, EVOLUÇÃO


Chegou ao nosso conhecimento que vai realizar-se nos próximos dias 22 e 23 de Setembro de 2009, um encontro internacional dedicado a Charles Darwin. Este evento terá lugar na Casa Municipal da Cultura em Coimbra.

Há 150 anos, mais precisamente em 24 de Novembro de 1859, Darwin deu a conhecer um novo paradigma da história natural através da publicação A Origem das Espécies. Como a epistemologia já constatou, a teoria darwiniana da descendência com modificações ou teoria da selecção natural levou cerca de 20 anos a ser construída, ou seja, entre 1837 e 1859, grosso modo. Os 150 anos de história do darwinismo e da evolução apresentam a fecundidade da teoria da selecção natural, tanto no plano das ciências da vida e do homem como no plano das culturas. Tal como em quase todo o mundo, também em Portugal a recepção de Darwin iniciou-se nos anos 60 do século XIX, apresentando novidades surpreendentes, atendendo à escala portuguesa.
O Encontro “Darwin, Darwinismos, Evolução” pretende ser um espaço de discussão aberto a todos os interessados neste tema, tanto no plano nacional como internacional.


Mais uma iniciativa do CEIS20 cujo programa pode ser consultado AQUI.

A acompanhar com atenção.

A.A.B.M.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

EFEMÉRIDES DE SETEMBRO (Parte II)


Dia 16
1908 – Julgamento do jornal Pátria Nova, no tribunal da Boa Hora, em Lisboa, resultando na condenação do seu director ao pagamento de multa, custas e selos do processo.

Dia 17
1909 – É condenado a 30 dias de prisão no forte da Graça, em Elvas, o coronel reformado de cavalaria João Maria Lopes, por ter assistido, em Chaves, a uma conferência do Dr. Bernardino Machado.

Dia 18
1908 – Na povoação de Pereira, concelho de Coimbra, explode uma bomba de dinamite que provoca a amputação de um braço a um funcionário dos caminhos-de-ferro.

Dia 19
1903 – Morre em Braga o Dr. Pereira Caldas, arqueólogo, escritor distintíssimo.
1909 – Morre com a avançada idade de 81 anos o republicano António Machado da Silva.

Dia 20
1909 – Morre o cidadão republicano José Osório da Cruz, cujo funeral se realiza civilmente.

Dia 21
-

Dia 22
1908 – O jornal Vida Nova, de Lourenço Marques, é condenado por delito de imprensa.
1909 – Carvalho Neves publica no jornal O Mundo um artigo de homenagem a José Joaquim Rodrigues de Sousa, antigo republicano que faleceu no Rio de Janeiro.

Dia 23
1856 – Nasce o escritor Abel Botelho, autor de vários romances de cariz social.

Dia 24
1867 – Nasce em Lisboa, o Dr. Augusto de Vasconcelos, lente da Escola Médica.
1908 – João Chagas realiza uma conferência no Centro Republicano da Ajuda.

Dia 25
-

Dia 26
1909 – Morre o cidadão republicano António Simões Mariz, que é enterrado civilmente.

Dia 27
-

Dia 28
1908 – Adere ao Partido Republicano o Dr. Manuel Birra, reputado clínico do Porto.
1908 – O Dr. Pereira Victorino esbofeteia o director do jornal católico viseense A Folha, José de Almeida Correia, por excessos de linguagem.

Dia 29
1879- Nasce em Braga o Dr. Manuel Monteiro, advogado e literato de merecimento.
1909 – Grande reunião de delegados de diferentes colectividades democráticas no Centro Republicano Dr. Bernardino Machado, com o objectivo de se protestar contra a prisão de Ferrer.

Dia 30
1909 – No Porto, suspende a sua publicação o diário republicano, Voz Pública sucedendo-lhe A Pátria, dirigido pelo Dr. Duarte Leite.

A.A.B.M.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

III CONFERÊNCIA MAÇÓNICA PORTUGUESA NA FIGUEIRA DA FOZ



A III Conferência Maçónica Portuguesa, realizou-se na Figueira da Foz, entre 14 e 16 de Setembro de 1906.

Como se pode observar, pelos temas abordados e pelos palestrantes que intervieram, existia uma crescente republicanização da Maçonaria Portuguesa. Os temas tinham cada vez mais uma feição politizada, embora sempre de acordo com os ideiais da Maçonaria na época. Note-se a tese sobre o pacifismo - tema muito caro a Sebastião de Magalhães Lima; ou ainda, a tese sobre a necessidade de efectivação do Registo Civil em Portugal, temas polémicos, mas que a Maçonaria procurava difundir entre os seus sócios.

Apresentaram-se oito teses principais:

1 – Valor científico das doutrinas pacifistas, por Magalhães Lima;
2- A Mendicidade, por Joaquim da Silva Cortesão [Galeno]
3- Acção da Maçonaria, por Feio Terenas;
4 – Definição de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, por Agostinho Fortes;
5 – Efectivação do Registo Civil em Portugal, por Manuel Gomes Cruz, [Lassale];
6 – Admissão da Mulher às profissões liberais, por David José da Silva;
7 – O Clericalismo, por Heliodoro Salgado
8 – A Maçonaria e as condições histórico-políticas dos povos, por Agostinho Fortes.

Esta Conferência Maçónica contou também com a presença de Sebastião de Magalhães Lima e Bernardino Machado.

A.A.B.M.

sábado, 12 de setembro de 2009

MANUEL JORGE FORBES DE BESSA



Nasceu em 24 de Agosto de 1864, na freguesia da Cedofeita, concelho do Porto. Seus pais eram Joaquim de Bessa Pinto e Maria José Rodrigues Bessa. Foi baptizado em 19 de Setembro de 1864, casou em Outubro de 1887 com Mariana Ventura dos Santos Reis.

Estudou Direito em Coimbra, tendo concluído o seu curso em 1889.

Concluindo os seus estudos exerceu actividade como advogado, granjeando reputação por toda a região norte. Foi presidente da Câmara Municipal de Matosinhos.

Aderiu ao Partido Republicano durante as convulsões provocadas pelo Ultimato Inglês de 1890. Foi membro substituto do Directório do partido entre 1897 e 1899.

Com a cisão do Partido Republicano, Forbes Bessa alinha com Manuel de Brito Camacho, na União Republicana.

Desenvolveu importante papel na propaganda republicana na fase final da Monarquia, em especial no Norte do País. Com a implantação da República foi eleito deputado às Constituintes de 1911 e permaneceu como deputado até 1915. Durante esse período foi eleito pelo círculo de Vila Nova de Gaia. Foi o primeiro presidente eleito da Câmara dos Deputados.

Quando foi eleito deputado, a Associação Comercial e Industrial de Matosinhos, solicitou os seus préstimos para avançar rapidamente na concretização do Porto de Matosinhos.

Sendo eleito senador em 1918/1919, pelo círculo do Douro, nas listas do Partido Nacional Republicano (PNR), exerceu as funções de presidente da Câmara dos Senadores. Foi ainda chamado, no período do sidonismo a desempenhar as funções de ministro de Portugal junto da Santa Sé. Foi ainda secretário da Presidência da República durante a ditadura de Sidónio Pais. Integrava a comissão distrital do Porto do PNR e o directório do mesmo partido.

Foi iniciado na Maçonaria na Loja Independência, do Porto, com o nome simbólico de Passos. Transitou nesse mesmo ano para a Loja Obreiros do Progresso.

Faleceu a 17 de Julho de 1934, em sua casa, em Matosinhos, com 69 anos.

A.A.B.M.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

COLÓQUIO MEMÓRIA, HISTÓRIA E JUSTIÇA


O Centro de Estudos Sociais (CES) da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, vai levar a efeito nos próximos dias 15 e 16 de Setembro um colóquio internacional subordinado ao tema em epígrafe.

Ao longo de dois dias vão discutir sobre a memória da violência nas sociedades contemporâneas, conforme se pode ler na apresentação:

A questão da memória da violência e dos modos de relação com o passado que ela permite estabelecer tornou-se um dos temas centrais da reflexão contemporânea. Uma das facetas fundamentais desta reflexão diz respeito a países saídos de ditaduras e à difícil procura de critérios de justiça individual e colectiva. O colóquio, organizado em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, o CES – América Latina e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (Brasil), irá oferecer um espaço interdisciplinar de discussão sobre esta temática, a partir de contributos de investigadores portugueses e brasileiros.

A inscrição no colóquio processa-se online Aqui.

O programa completo do colóquio pode ser consultado Aqui.

Mais uma actividade que o Almanaque Republicano divulga junto dos seus ledores.

A.A.B.M.

ALMANAQUE REPUBLICANO


Almanaque Republicano: Édito

"Coexiste comigo muita gente que vive comigo apenas porque dura comigo" [F. Pessoa]

"O Almanaque Republicano é um álbum onde se vai perfilar uma geração sonhadora, generosa e messiânica, que é afinal o nosso costumado fadário, o nosso "eterno retorno". Da República de 1891 e da outra de 1910 há uma imensa viagem de encantos e desencantos, de "coisa esquecidas e mortas", um itinerário de bondade, pessimismo, ironia e sarcasmo. Há nele todo um movimento que "carecia de alma", como diria Pascoes. Essa Alma Republicana, seja ela qual for, será sempre essa jornada emotiva e social, espiritual e libertária, de encantos e desencantos vários, crença ou saudade do Encoberto, reformadora e socialista, liberal e popular, que da decadência à regeneração marcam para sempre o "espírito lusitano". A "Nova Era" redentora, quer fosse construída no cantar antiquíssimo da Renascença Portuguesa ou ressurgida pela demanda da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ou intencional na exaltação da luta pela emancipação das classes trabalhadoras e em redor do movimento operário e sindical, não deixa de ser, sem dúvida alguma, um dos momentos mais interessantes da história da sociedade portuguesa contemporânea. Afinal, "Ubi libertas, Ibi Patria".

Sitio de passagem e de euforias públicas, jornada de mil caminhos que o tempo percorreu, o Almanaque Republicano é um panfleto aberto e frontal da Alma Republicana ...
" [Daqui]

Fazemos saber, em canto de reimpressão, o nosso antigo e aceite Édito com que abrimos e instalámos o Almanaque Republicano. Esta confraria de Homens Livres tem vindo a publicar memórias e testemunhos bio-bibliográficos em homenagem & invocação da Grande Alma Republicana. E asseguramos: “aqui se escreverão novas histórias”. Tal como o vate Camões disse e nós, em humílimo préstimo, pretendemos regularizar.

Por estarmos (quase) a entrar nas celebrações do Centenário da República renovamos tamanha viagem “aos homens de novo nascidos”. Até porque o futuro será sempre, para nós, a duração iluminada do nosso passado.

Valete Frates!

J.M.M.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

EFEMÉRIDES DE SETEMBRO



Dia 1
- 1863: Nasce o jornalista e ministro da República, João Chagas.
- 1890: Publica-se no Porto o primeiro número da República Portuguesa, dirigido por João Chagas.

Dia 2
- 1909: O membro do Directório do Partido Republicano, José Barbosa, realiza uma conferência de propaganda no Centro Republicano de Belém.

Dia 3
- 1883: Nasce, em Damão, António Sérgio, ensaísta, crítico e pedagogo.
-1888: Morre, em Lisboa, Francisco Joaquim Rebelo Alves Correia, sendo sepultado civilmente por sua expressa vontade.
-1909: Publica-se o primeiro número do semanário republicano O Povo de Felgueiras.

Dia 4
- 1886: Decreto do Grande Oriente Lusitano Unido abatendo ao seu quadro a Loja Cavalheiros de Urania, de Lisboa.
-1909: Em Portugal organiza-se um movimento de protesto contra a prisão de Francisco Ferrer.

Dia 5
- 1909: Comício anticlerical em Aldeia Galega, presidido pelo Dr. Miguel Bombarda.
- Na Amadora realiza-se uma sessão solene para se instalar um centro republicano.
- Excursão republicana ao Bombarral;
- No Centro Republicano Bernardino Machado realiza-se uma manifestação de protesto contra a prisão de Francisco Ferrer.

Dia 6
- 1888: Morre em Peniche o republicano José Ricardo.
- 1899: Nasce, em Guimarães, Emídio Guerreiro, professor, republicano, político oposicionista ao Estado Novo e maçon.
- 1908: Comício republicano no Bombarral onde discursam Bernardino Machado, João Chagas, Magalhães Lima entre outros.

Dia 7
- 1891: O cabo da Guarda-fiscal do Porto, Alfredo Manuel Salomé, condenado a prisão devido à participação na revolução de 31 de Janeiro.
- 1900: Sai o primeiro número do diário republicano O País, em substituição da Pátria, dirigido por França Borges.
- 1909: É divulgada a notícia de que Francisco Ferrer iria ser julgado militarmente.

Dia 8
- 1881: Constitui-se em Lisboa a Associação Republicana Teófilo Braga.
- Comício, no Porto (Miragaia), onde o Dr. Emídio Garcia apresenta o programa do partido republicano.
- 1909: Realiza-se em Lisboa a primeira sessão do Congresso Sindicalista e Cooperativista.

Dia 9
- 1900: Grande comício em Lisboa contra as ordens religiosas.
- 1902: Morre, em Lisboa, António Maria de Brito, membro do Grande Oriente Lusitano Unido.
- 1908: O director da República é condenado, por delito de imprensa, a 180 dias de multa à 1$200 réis por dia, fora as custas de selo e de processo.
- 1909: Comício público em Coimbra contra a prisão de Ferrer.

Dia 10
- 1888: Morre, na Ilha Terceira, o Dr. Manuel Joaquim Nunes, cujo funeral se realiza civilmente.
- 1900: Sai o primeiro número da Lanterna, dirigida por França Borges.
- 1909: Realizam-se em Lisboa várias sessões de protesto contra a prisão de Ferrer.

Dia 11
- 1876: Filiação do editor François Lallemant, fundador da Loja Cosmopolite, de Lisboa, na Loja Simpatia da mesma cidade, produzindo um brilhante discurso que foi publicado no Boletim do Grande Oriente Lusitano Unido, de Outubro.
- 1884: Nasce, no Porto, Alexandre Vieira, operário tipógrafo e jornalista.
- 1909: É encerrada a subscrição iniciada pelo jornal O Mundo, para acorrer aos desalojados pelo terramoto de Benavente, que recolheu 2910$035 réis.
- Os deputados republicanos, Brito Camacho e João de Menezes, abandonam a sala de sessões do Parlamento em protesto contra as violências monárquicas.

Dia 12
- 1909: Excursão republicana a Abrantes onde se realiza um comício.

Dia 13
- 1865: Nasce em Castanheira de Pêra o Dr. Augusto Barreto, médico em Cuba.
- 1877: Morre, em Santa Maria da Azóia, Alexandre Herculano, escritor, historiador e liberal.
- 1885: Nasce, em Sernancelhe, Aquilino Ribeiro, escritor e jornalista.
- 1908: Sessão de homenagem à memória de Heliodoro Salgado, no Centro Republicano das Mercês, em que tomam parte Bernardino Machado, Alberto Costa, José do Vale, Sá Pereira e Augusto José Vieira.
- Sessão idêntica realiza-se no Centro Democrático do Socorro.

Dia 14
- 1856: Nasce o poeta operário Joaquim dos Anjos.
- 1906: Início da Conferência da Maçonaria Portuguesa , na Figueira da Foz.
- 1909: Morre o operário tipógrafo Júlio Eustáquio dos Santos, republicano e livre-pensador.

Dia 15
- 1906: Decorrem na Figueira da Foz os trabalhos da Conferência da Maçonaria Portuguesa.

[Nota Biográfica Breve: Francisco Ferrer y Guardia nasceu em 14 de Janeiro de 1849. Afirmou-se pelas posições anticlericais que o conduziram ao exílio em Paris. Professor, desenvolveu um conjunto de conceitos educativos que o levaram à fundação de uma corrente pedagógica denominada Escola Moderna. Fundou a Liga Internacional para a Educação Racional da Infância. Foi preso em Setembro de 1909, o que levou a alguma contestação internacional para a sua prisão e acabou por ser executado na prisão de Montjuich, em 13 de Outubro de 1909. Exerceu alguma influência no pensamento pedagógico dos republicanos portugueses.]
A.A.B.M.