quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

2010 - FELIZ ANO NOVO



UM ANO NOVO FRATERNO, no despontar das celebrações do Centenário da Implantação da República.

Saúde e Fraternidade.

AABM
JMMM

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

ABEL SALAZAR [1889- m. 29 de Dezembro de 1946]


Abel de Lima Salazar nasceu em Guimarães a 19 de Julho de 1889. Em 1909 entra na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde concluiu (1915) o seu curso de Medicina, apresentando a tese "Ensaio de Psicologia Filosófica". É na cidade invicta que se estabelece [residiu longo tempo em S. Mamede de Infesta], como médico de profissão, lecciona na Faculdade, sendo nomeado (1918) Professor Catedrático de Histologia e Embriologia na Universidade do Porto. Como investigador, funda e dirige o Instituto de Histologia e Embriologia, tendo sido reconhecido internacionalmente pela sua obra de investigação, pelos seus numerosos e pioneiros trabalhos científicos.

Abel Salazar foi, também, um curioso ensaísta [na filosofia, no direito, na história], um inquebrantável pedagogo, um notável desenhador, gravador, artista plástico e escultor. As suas obras, principalmente as de teor iconográfico, têm um profundo cunho humanista [veja-se a importância que dá à problemática feminina] e de crítica social, e como que antecipam o movimento e sentido neo-realista na arte portuguesa.

Abel Salazar foi republicano, um democrata e um doutrinador, um sistematizador de ideias progressistas. Perseguido por razões políticas pela ditadura, oposicionista ao Estado Novo, foi demitido da sua Faculdade, em consequência da publicação [era Ministro da Instrução Pública, Eusébio Tamagnini] do decreto 25.317 de 13 de Maio de 1935 e pela posterior redacção da Portaria de 5 de Junho desse ano [pelas mesmas razões, também foram expulsos do funcionalismo público, outros cidadãos e docentes universitários (no total de 33), como Aurélio Quintanilha, Sílvio Lima, Manuel Rodrigues Lapa, Norton de Matos, Carvalhão Duarte, Costa Amaral, Manuel da Silva], saindo do país.

Em 1941, "numa aberta da Ditadura, dirigiu o Centro de Estudos Microescópicos, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto" e a partir de 1942 “trabalhou igualmente com o Instituto Português de Oncologia, a convite de Francisco Gentil” [ver, AQUI]

Com uma extensa obra científica, Abel Salazar participou/polemizou no debate cultural e estético do seu tempo [ver, p.ex., os seus textos na revista Diabo e em Sol Nascente no curioso debate Arte pela Arte/ Arte Social], tendo colaborado em importantes revistas, como: Afinidades, Cadernos da Juventude (editado em Coimbra, 1937, e cujo numero único foi confiscado pela censura), Diabo, Ocidente, Esfera, Pensamento, Portucale, Povo do Norte (semanário republicano do Porto, 1935), Prometeu (Porto, 1947), Seara Nova, Síntese (Coimbra, 1939), Sol Nascente (Porto, 1937), Sol (Lisboa, 1942), O Trabalho, Vértice, Vida Contemporânea.

Abel Salazar foi maçon, iniciado em 1934 [ou em 1933, no dia 23 de Agosto!?; a petição de iniciação está datada de 6 de Julho, desse ano] na Loja Lux et Vita, nº 394 (loja do REAA, instalada no Porto em 1918), com o nome simbólico de "Nada".

Morre em Lisboa a 29 de Dezembro de 1946.

J.M.M.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

HISTÓRIA DO SINDICALISMO DOCENTE



"A Universidade Lusófona realizou recentemente um seminário com o tema 'Memórias do associativismo e sindicalismo docentes'. Propuseram-me [Helena Pato], então, que aí deixasse o meu testemunho, as minhas recordações, acerca de como nasceram os sindicatos dos professores. Acedi, com a satisfação de poder, deste modo, legar memórias. Memórias que, ao que sei, nem nas comemorações dos 30 anos dos Sindicatos dos Professores nascidos em Abril de 74, nem agora, na passagem do 40º aniversário do Grupos de Estudo (que estiveram na base da sua criação), interessaram às direcções sindicais. Desdobrámos essa intervenção em três partes1, 2 e 3para que se torne mais fácil a sua leitura nestes CAMINHOS DA MEMÓRIA. A primeira parte pode ser lida aqui (...) a segunda aqui" e a terceira aqui.

de Helena Pato, via Caminhos da Memória.

FOTOS: da esquerda, capa da "História do movimento associativo dos professores do ensino secundário - 1891 a 1932", de [José António C.] Gomes Bento [julgo que na época era docente da E.P. António Nobre, Matosinhos], Livraria Júlio Brandão,Janeiro de 1973; foto da direita, Caderno "O Professor" nº1, GEPDES, Julho de 1971, in "Educação, Acto Político", de Agostinho dos Reis Monteiro, Edições O Professor, 1975 [clicar para aumentar]

J.M.M.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

TOMÁS DA FONSECA



FOTO 1 - Busto de Tomás da Fonseca esculpido Abel Salazar;
FOTO 2 - Ficha da PIDE sobre Tomás da Fonseca.

[clicar nas fotos para ver/ler melhor]

via Bernardino Machado, com a devida vénia.

J.M.M.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

VIDA MUNDIAL ILUSTRADA


VIDA MUNDIAL ILUSTRADA - Semanário Gráfico de Actualidade, Lisboa, Ano I (nº1, 22 de Maio de 1941) ao Ano V (nº 278, 1946)

Semanário gráfico de actualidades,"importante para a história dos acontecimentos políticos e sociais portugueses e estrangeiros da época marcada pela Segunda Guerra Mundial, profusamente ilustrado com fotografias ...". Direcção de José Cândido Godinho.

Alguns (dos muitos) colaboradores: Alberto Xavier, Albino Lapa, Álvaro Salema, António Botto, Artur Portela, Augusto da Costa, Bastos Guerra, Carlos Ferrão, Carlos Olavo, Carlos Selvagem, Carminé Nobre, Castro Soromenho, Consiglieri Sá Pereira, Crstiano Lima, Eduardo Frias, Eduardo Malta, Eduardo Schwalbach, Emília de Sousa Costa, Félix Bermudes, Francicco Velloso, Gentil Marques, João de Barros, João Falcato, João Paulo Freire, Jorge Ramos, José de Freitas, Leopoldo Nunes, Lopes de Oliveira, Luís Forjaz Trigueiros, Luís de Oliveira Guimarães, Manuel Anselmo, Manuela de Azevedo, Maria Archer, Mário Domingues, Marques Gastão, Ramada Curto, Silva Bastos, etc.

ver LXXXIX Catálogo da Livraria Manuel Ferreira (p. 106)

J.M.M.

TRINDADE COELHO: CORRESPONDÊNCIA


Numa louvável atitude do Prof. Hirondino Fernandes, foi publicado, como noticiamos AQUI, um conjunto de epistolográfico de José Francisco Trindade Coelho. Serviu este intento para assinalar o centenário do falecimento do ilustre autor mogadourense. Hirondino Fernandes depois da copiosa e abundante biobibliografia de Trindade Coelho publicada no número anterior da Brigantia, também por nós divulgada, retirada da sua Bibliografia do Distrito de Bragança aventurou-se na pesquisa da correspondência do referido autor. Localizou, tratou e publicou 511 cartas, muitas das quais inéditas.

Pesquisou ao longo de mais de um ano nas bibliotecas de Coimbra, onde reside, na Biblioteca Nacional, e conseguiu, com a ajuda de alguns amigos, localizar cartas em diferentes instituições como: a Biblioteca Municipal de Leiria, o Museu de Camilo, o Museu João de Deus, o Arquivo Histórico Municipal de Elvas, entre outros.

Com uma nota a ressalvar tudo isto, não foi só compilar e ou transcrever as cartas, em alguns casos teve que desembolsar quantias significativas para instituições da cultura nacional lhe facultarem o acesso à informação que necessitava. Por outro lado, outras houve que, recebendo as suas solicitações, nunca se dignaram a dar resposta nem a ceder o material solicitado. Infelizmente, uma atitude lamentável mas recorrente de alguns dos nossos responsáveis pelas nossas instituições culturais. Facto este que também contribuiu para o atraso do presente número da revista e que o autor lamenta.

Para quem, como nós, conhece o Prof. Hirondino Fernandes, sabe da paixão que ele nutre pela investigação sobre os autores da sua região e para a particular afeição para a personalidade de Trindade Coelho. Foi esta paixão que o fez chegar ao fim, mesmo com as dificuldades e obstáculos inesperados com que se foi deparando.

Quanto ao trabalho agora publicado, só podemos felicitar o autor. O Prof. Hirondino da Paixão Fernandes começa com uma tábua cronológica que estabelece paralelos entre a vida de Trindade Coelho e a vida nacional, para melhor se compreender algumas das circunstâncias que rodearam o Homem do século XIX. A primeira carta reproduzida data de 5 de Novembro de 1873, contava Trindade Coelho doze anos, mostra as preocupações de um jovem que estudava afastado da família e da terra que conhecia. Uma entre várias cartas intimistas, onde o autor manifesta a sua ligação à família, reflecte os costumes e tradições dos jovens da burguesia rural enviados para as cidades do litoral, a cargo de outros familiares ou amigos, onde eram recebidos durante algum tempo para receberem a educação que se exigia na época. Com curiosas e interessantes referências à vida quotidiana da época (instrumentos/utensílios, hábitos, tradições), por outro lado a grande regularidade na troca de correspondência com o Pai e irmãos.

As primeiras trinta e oito cartas são todas dirigidas ao pai e correspondem ao período em que estuda no colégio de S. Carlos, no Porto. Depois, temos uma primeira carta dirigida a Silva Cordeiro, já em 1883, com várias referências a José Caldas. Seguem-se depois um outro núcleo de cartas trocadas com José Leite de Vasconcelos, com diversas referências à actividade literária e a personalidades da vida cultural do século XIX. Adiante encontra-se outro núcleo de cartas trocadas com Camilo Castelo Branco onde se dão conta de alguns aspectos da vida privada e profissional de Trindade Coelho.
Existe ainda um núcleo de cartas trocadas com António Torres de Carvalho, aquando da permanência de Trindade Coelho em Portalegre.
Encontram-se ainda múltiplas missivas trocadas com diferentes personalidades da época (Luís de Magalhães, Eugénio de Castro, Júlio de Lemos, Paulo Osório, António Correia de Oliveira, entre muitos outros). Através das cartas, relatam-se aspectos mais pessoais, situações particulares, problemas de carácter mais íntimo, como a relação que se estabeleceu entre Trindade Coelho e Louise Ey.
Vale a pena ler com atenção algumas das cartas trocadas entre Trindade Coelho e a feminista alemã, para se compreender como era uma relação de duas pessoas com personalidades diferentes, algo instáveis emocionalmente e que se refugiam na escrita entre si para manter mais ou menos ocultos sentimentos que, hoje, nos parecem tão óbvios. A delicadeza e subtileza destas cartas, as mensagens “afectuosamente intelectuais” (como dizia Trindade Coelho na carta nº 363) trocadas entre ambos, onde ele reconhece “eu vi através das suas cartas o seu coração, - e o meu foi para ele instintivamente” e conclui-se que a paixão entre ambos, foi cada vez mais um problema a atormentar o autor que se sentia crescentemente dividido.

Um trabalho de grande fôlego, resgatando a intimidade do escritor de Mogadouro, mas dando a conhecer facetas e aspectos fundamentais que permitem compreender um pouco melhor a decisão do suicídio em 1908. Como seria importante encontrar outros núcleos de cartas de outros escritores portugueses e conseguir publicá-las, como fez o Prof. Hirondino Fernandes. Com o seu rigor e esforço, para fazer o melhor que sabe e pode, embora cometendo, como qualquer simples mortal, pequenos lapsos que não retiram a importância da obra, antes pelo contrário só enaltecem e mostram a sua perseverança e capacidade de pesquisa. Mais um trabalho de referência sobre Trindade Coelho que se recomenda e se divulga junto de todos os interessados.

O nosso amigo Hirondino Fernandes conseguiu transpor para a via tradicional (suporte em papel) aquilo que hoje seria quase impensável, encontrar alguém que ainda escreva cartas e faça da escrita uma arte que pode ser sempre aperfeiçoada. Infelizmente, nos nossos dias, em especial, os nossos políticos, com a vulgarização da utilização do mail, que raramente é impresso, muita informação se vai perder neste mundo cada vez mais virtual.

Agora que se aproxima o centenário da República, era fundamental conhecer a correspondência trocada entre alguns dos seus principais vultos. Lembramos por exemplo Bernardino Machado, Afonso Costa, António José de Almeida, Manuel de Brito Camacho, Basílio Teles, Estêvão de Vasconcelos, José Relvas, Duarte Leite, Teófilo Braga, entre muitos outros, para se conhecer os meandros do poder, as relações que existiam, as lutas que se travavam, as personalidades, os gostos, a vida privada e a vida pública. Esperemos que alguns investigadores e instituições lancem mão a esta temática, por vezes algo esquecida, mas fundamental, e que nos parece em risco de desaparecer nos nossos dias.

A.A.B.M.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

CANDIDATOS DA OPOSIÇÃO À ASSEMBLEIA NACIONAL DO ESTADO NOVO (1945-1973): UM DICIONÁRIO


O Dr. Mário Matos e Lemos, sob orientação do Prof. Dr. Luís Reis Torgal, organizou um dicionário dos candidatos da oposição à Assembleia Nacional, no período compreendido entre o final da 2ª Guerra Mundial e o fim do Estado Novo.

Uma obra de conjunto que fazia falta na nossa historiografia. Depois de se terem publicado os vários volumes dos deputados desde a Monarquia Constitucional até ao fim do Estado Novo, agora temos a oportunidade de saber quem foram alguns dos opositores que se apresentaram a eleições, e, que, na maioria das vezes, acabaram por caír no esquecimento, porque não conseguiram ser eleitos.

Como se pode ver no convite acima, a obra será apresentada na próxima quinta-feira, 17 de Dezembro, na Sala de Leitura da Biblioteca da Assembleia da República, pelas 19horas.

Esta obra vem enriquecer a Colecção Parlamento que tem indo a ser publicada pela Texto Editores.

Uma iniciativa a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

ALBERTO VILAÇA – 80 ANOS


Amanhã – dia 12 de Dezembro, pelas 15,30 horas na Casa Municipal de Coimbra (Rua Pedro Monteiro, Coimbra) – há lugar à apresentação pública do livro “Alberto Vilaça. 80 Anos. O sentido que se dá à vida” (Editora Calendário), uma homenagem ao advogado, escritor e militante comunista, falecido a 21 de Maio de 2007. Participam na cerimónia, Fernando Miguel Bernardes, António Pedro Pita, Luís Reis Torgal e Jerónimo Sousa.

Alberto Vilaça nasceu em Coimbra (07/12/1929). Fez parte da direcção da revista Via Latina (1949-50), foi membro da Direcção Geral da A.A.C. (1950-51), foi dirigente do Ateneu de Coimbra (1952-55 e 1967-71), pertenceu à redacção da revista Vértice (a partir de 1967). Aderiu ao PCP (1949), tendo integrado vários dos seus organismos. Pertenceu ao MUD Juvenil e ao MND, tendo feito parte das suas Comissões Centrais, e fez parte da Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática de Aveiro. Foi preso por diversas vezes, num total de quatro anos e meio de prisão. Pertenceu ainda aos sócios fundadores da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo, da qual foi membro do seu Conselho Fiscal. Publicou vários livros [de referir: "A Comuna de Paris e os seus reflexos em Coimbra", "Para a História remota do PCP em Coimbra", "O MUD Juvenil em Coimbra", "Bento de Jesus Caraça", "O Jornal Republicano Clandestino A Verdade", "Á Mesa da Brasileira", e colaborou em muitos periódicos, como a A Mar Arte, Avante!, Correio de Coimbra, Diário de Coimbra, Gazeta de Coimbra, Munda, Portugal Democrático, República, Seara Nova, Vértice (já referido).

Ler, AQUI, o "Discurso de homenagem a Alberto Vilaça proferido no descerramento de lápide em Coimbra por António Pedro Pita".

J.M.M.

A CRISE DA REPÚBLICA E A DITADURA MILITAR


[Clicar na imagem para aumentar]

Neste último mês do ano, estão a surgir e a ser apresentados vários livros que merecem o nosso destaque. Este, entre múltiplas razões, merece a maior divulgação junto de investigadores, professores e interessados no tema que tem vindo a ocupar este espaço.

Luís Bigotte Chorão, jurista, investigador e professor universitário. Bibliófilo apaixonado e, não podemos também esquecer, um dos nossos ledores atentos e assíduos, vai lançar o seu último trabalho.

Depois de ter publicado Subsídios para a História do Direito Comercial I - A Comercialística Portuguesa e o Ensino do Direito Comercial na Universidade de Coimbra, Lisboa, 1998 e de O Periodismo Jurídico Português do Século XIX, Lisboa, 2002, aventura-se agora numa obra que procura estudar o período aliciante, mas simultaneamente conflitual e aparentemente algo errático que se estabelece no final da 1ª República e que se prolonga durante a Ditadura Militar, onde depois começam a avançar as forças que vão controlar o País durante quase meio século.

Uma obra que resultou da apresentação da sua tese de doutoramento na Universidade de Coimbra e que a Editora Sextante se aventurou a publicar.

A apresentação vai ser feita em Lisboa, no próximo dia 15 de Dezembro, conforme se pode ver na imagem, com a apresentação feita por Luís Reis Torgal, José Adelino Maltez e Fernando Rosas que suscitarão certamente um interessante e vivo diálogo com os intervenientes.

A não perder.

A.A.B.M.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

REVOLUÇÃO DE FEVEREIRO 1927 - EXILADOS POLÍTICOS




FOTO(S): Grupo de exilados políticos, "os emigrados da Revolução de Fevereiro", tirada em Versailles (27 de Abril de 1927) e a respectiva anotação (foto de baixo) com os seus nomes, pelo punho de Aquilino Ribeiro. Foto pertencente ao espólio de Aquilino Ribeiro Machado.

via Bernardino Machado, com a devida vénia.

J.M.M.

Acção Revolucionária Armada (A.R.A.)



Foto: apoiantes e organizacionais da antiga A.R.A (Acção Revolucionária Armada - criada pelo PCP "com o objectivo de lutar contra as guerras coloniais desencadeadas por Portugal e impulsionar a luta pelo derrubamento da ditadura fascista portuguesa implantada em 1926" e que surgiu publicamente em Outubro de 1970, reivindicando então a sua primeira acção armada (26 de Outubro) contra o navio Cunene - comemorando o 30º aniversário da sua primeira acção militar/política contra a ditadura. [ver mais AQUI]

via "Prisão e tortura – Dois casos", por Raimundo Narciso. [Ver, ainda, AQUI]

J.M.M.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

MUSEU VIRTUAL DA EDUCAÇÃO



A Secretaria Geral do Ministério da Educação, através do Museu Virtual da Educação elaborou um interessante trabalho de recolha dos Centros Escolares Republicanos , que deve ser consultado AQUI, que existiram em Portugal acompanhado de um conjunto de textos explicativos e imagens curiosas de alguns dos Centros Republicanos de Lisboa.

Um trabalho válido, de preparação e recolha de elementos que permitem facilitar o trabalho a curiosos, investigadores e outros interessados na temática que podem encontrar dados iniciais que outras pesquisas virão complementar.

Um sítio que se recomenda a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

A SEMANA DE LOYOLA


Apresentamos hoje a capa do primeiro número, de um dos periódicos que defendia um dos pontos que os dirigentes republicanos apoiavam de forma cada vez mais radical: o anticlericalismo. Esta posição, sobretudo anti-jesuítica, era já típica da sociedade liberal, mas conquista cada vez mais adeptos com a afirmação da filosofia positivista de August Comte, que encontrou em Teófilo Braga, Magalhães Lima e Emídio Garcia grandes adeptos e divulgadores.
Ao longo dos anos setenta e oitenta do século XIX, iniciam-se grandes movimentações anticlericais que vão culminar em grandes manifestações públicas no início do século XX, como o que aconteceu no "Caso Sara de Matos" ou nas manifestações da Junta Liberal em 1909 e 1910.

A Semana de Loyola foi um dos órgãos da imprensa que não sendo declaradamente republicano, afirmava um dos pressupostos que unia quase todos os republicanos.
Local: Lisboa
Periodicidade: semanário anti-jesuítico
Dia de publicação: Domingo
Proprietário: Não refere
Director: Não refere [embora algumas fontes indiquem Silva Graça]
Tipografia: Typ. do Commercio; a partir do nº 5 passa a ser realizado na Tipografia Luso-Hespanhola; e a partir do nº 139, ano 3, 28-11-1886, passa para a Typ. Nacional, Rua Formosa, 43;
Páginas: cerca de 30 pág.
Colunas: página inteira
Surgiu em: 06-04-1884
Terminou publicação em: nº 138, de 21-11-1886
Rubricas regulares: Folhetim (As Intrigas de um Jesuíta)
Colaboradores: Gomes Leal, Alexandre da Conceição, João Monteiro, Mello Júnior, António F. Campos, José de Oliveira Gancha, Augusto José Vieira, Francisco da Silva Magalhães, José Joaquim do Ó, Luís de Judicibus, Jorge Matheus e Guerra Junqueiro (poema). Porém, a maior parte dos artigos eram publicados sob anonimato ou com pseudónimos como Desmoulins, J., Lúcifer, Calígula, Sallustius, entre muitos outros.

A.A.B.M.

sábado, 5 de dezembro de 2009

TOMÁS ANTÓNIO G. CABREIRA


Tomás António da Guarda Cabreira (1865 – m. 4 Dezembro 1918)

"Morre na Praia da Rocha Tomás António da Guarda Cabreira, militar, republicano e lenta da Escola Politécnica. Iniciado em 23 de Fevereiro de 1893, na Loja Portugal nº 178 do RF, de Lisboa, com o nome simbólico de «Sólon». Atingiu o grau 33º em 18 de Junho de 1907. Foi presidente do Conselho da Ordem do Grande Oriente Lusitano Unido em 1899 – 1902 e 1907 – 1908" [via G.O.L. - sublinhados nossos]

Breves notas biográficas a consultar:

- Vida de Obra de Tomaz Cabreira – AQUI;
- Tomás António da Guarda Cabreira – AQUI;
- Tomás Cabreira: um economista político num país de "finanças avariadas" – ler AQUI;
- Thomaz Cabreira. Um Notável maçonler AQUI.

J.M.M.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O REBATE


Na imagem, o primeiro número de um dos mais antigos jornais republicanos em Portugal, O Rebate.

Este jornal, que surgiu em 30 de Junho de 1873, afirmava-se como órgão do Centro Republicano Federal de Lisboa, tinha como divisa ao cimo da página "República Federal Portuguesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade".

Como principais colaboradores deste periódico encontramos José Carrilho Videira, como director, embora o seu nome não seja mencionado no cabeçalho. Publicou-se entre 29 de Junho de 1873 e 27 de Fevereiro de 1874, tendo saído trinta e dois números.

Eram sócio fundadores José Carrilho Videira, Eduardo Maia, Nobre França, Silva Pinto; faziam parte da comissão administrativa deste semanário Tito Lívio Dias Mendes, Martins Contreiras e Carrilho Videira.

Faziam parte do corpo redactorial do jornal:
- Levy Maria Jordão;
- Mariano de Carvalho (pai);
- António Joaquim Nunes;
- Leão de Oliveira;
- Sérgio de Castro;
- Horácio Hesk Ferrari;
- Teófilo Braga;
- Sebastião de Magalhães Lima;
- Silva Pinto.

O jornal viveu sempre com problemas financeiros e a situação agravou-se quando vários artigos do jornal foram sujeitos a querelas por parte das autoridades judiciais, três da autoria de Carrilho Videira e dois da autoria de Eduardo Maia. Esta situação conduziu ao encerramento do jornal em Fevereiro de 1874, tendo subsistido somente cerca de meio ano em actividade, facto bastante comum entre os jornais republicanos da fase da propaganda.

A.A.B.M.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O DIRECTÓRIO DO PARTIDO REPUBLICANO



FOTO: O Directório do Partido Republica Português - da esq. para a dir.: António Luís Gomes, Bernardino Machado, Celestino de Almeida, António José de Almeida e Afonso Costa [clicar na foto]

via blog Bernardino Machado.

J.M.M.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

FRANCISCO GOMES DA SILVA



Assinala-se hoje o centenário da morte de um dos republicanos históricos mais esquecidos e abandonados da historiografia da propaganda da República em Portugal.

Nasceu em 26 de Janeiro de 1853. Frequentou algumas disciplinas do liceu, tendo como um dos professores António Filipe da Silva (1841-?), e algumas do Curso Superior de Letras. Trabalhou como guarda-livros numa firma de Lisboa e depois ingressou, como funcionário da repartição da fazenda, na Câmara Municipal de Lisboa, quando esta era presidida por Fernando Palha. Exercia as funções de director geral do serviço de Fazenda Municipal quando a doença que sofria [diabetes], se foi agravando e conduziu à sua morte.
Faleceu a 30 Novembro de 1909, Francisco Gomes da Silva, na sua residência, Rua do Livramento, em Alcântara, nº 31.
Francisco Gomes da Silva pertenceu ao grupo dos fundadores do Partido Republicano, afecto à facção liderada por Elias Garcia. Começou cedo a colaborar no jornal Democracia, dirigido por Elias Garcia, aí assumiu o pseudónimo de Justus, assinando uma coluna parlamentar intitulada “Nas Galerias”. Gomes da Silva acompanhou a publicação do jornal Democracia até ao final em 1890.

No ano seguinte, dirigiu um jornal republicano de curta duração intitulado O Tempo. A partir de 1894, António Enes convidou-o para dirigir o jornal O Dia, tendo assegurado a sua direcção durante algum tempo. Com a morte de Cecílio de Sousa, Gomes da Silva assegurou a direcção da Folha do Povo. Colaborou ainda na Vanguarda.

Pertenceu à comissão da imprensa que preparou a comemoração do tricentenário de Camões (1880), enquanto membro do Centro Republicano Democrático.

Durante o Congresso Republicano, de Dezembro de 1887, passou a integrar a Câmara Consultiva do partido. Nessa ocasião, apoiou a proposta de unir o Partido Republicano à Esquerda Dinástica, dirigida de Barjona de Freitas, que foi apresentada por José Elias Garcia. Como a proposta de Elias Garcia foi derrotada e a personalidade em causa estava no ocaso da sua vida política, Gomes da Silva no congresso de Janeiro de 1891 lidera uma cisão no Partido Republicano. Com os acontecimentos desse ano (31 de Janeiro), alguns dirigentes republicanos são presos, outros exilados. Estes factos fizeram Francisco Gomes da Silva regressar à vida política activa. Preconizou uma aproximação ao Partido Progressista, conseguindo por isso a eleição para o Parlamento em 1894.

Na sequência do decreto de abstenção eleitoral dos republicanos a partir de 1895, envolveu-se numa grande polémica com Francisco Manuel Homem Cristo, que no jornal O Povo de Aveiro o acusava de manobras irregulares na Câmara Municipal de Lisboa. O processo avanço para tribunal e Gomes da Silva conseguiu a condenação do jornal republicano de Aveiro.

Foi jornalista e orador em vários comícios ao serviço do Partido Republicano. Segundo algumas notas biográficas o autor iniciou como orador num comício no antigo Teatro Price, Lisboa, onde discursou acerca da importância do registo civil. Ao longo da sua vida participou em vários comícios e conferências onde se afirmou como bom tribuno, conseguindo por isso afirmar-se rapidamente quando foi eleito como deputado ao parlamento, em 1894. Nessa ocasião, interpelou o Governo monárquico português por ter ordenado a expulsão de Nicolau Salmeron, do país.

Em 1896, volta a ser eleito deputado pelos círculos eleitorais de Lisboa, em representação das minorias.

Foi um dos participantes na conferência/banquete republicano de Badajoz, realizado em 23 e 24 de Junho de 1893,[ Ver Almanaque Republicano AQUI]
Integrou o Directório do partido juntamente com Eduardo de Abreu, Horácio Ferrari e Leão de Oliveira.

A partir de 1897, Francisco Gomes da Silva, no congresso realizado em Coimbra em começa a perder a influência que até aí dispunha no Partido Republicano. Não consegue a eleição para o Directório do partido e, em 1899, durante novo congresso, consegue ocupar uma posição como suplente do Directório.

A partir de 1906, a doença agrava-se e acaba por falecer “quase esquecido, quase sem honras de marechal do Partido Republicano”, como afirmou Feio Terenas no discurso que proferiu durante o seu funeral.

Publicou diversas obras, com destaque para Os Mistérios da Inquisição, inicialmente editado em fascículos no jornal Vanguarda e posteriormente compilado em obra única. Esta obra era muito apreciada pelos meio anticlericais e foi ilustrada com trabalhos de Manuel Macedo e Roque Gameiro.

Foi iniciado na Maçonaria, na loja lisboeta Cavaleiros de Hyram, em 1882, com o nome simbólico de Lamartine. No ano seguinte, transitou para a loja Cavaleiros da Paz e da Concórdia, também de Lisboa, onde atingiu em 1902, o grau 33, do REAA. Em 1904, torna-se membro efectivo do Supremo Conselho e exerce as funções de Grão-Mestre Adjunto (1900-1909). Entre 1906 e 1907, exerce as funções de Soberano Grande Comendador.

O seu funeral realizou-se, sendo o corpo depositado no jazigo da família de António José Moreira, no cemitério dos Prazeres. Usaram da palavra Feio Terenas, Sebastião de Magalhães Lima e Constâncio de Oliveira.

Conhecem-se ainda colaborações nos seguintes jornais:
- Pimpão, Lisboa, dir. Rafael Bordalo Pinheiro;
- António Maria, Lisboa, Dir. Rafael Bordalo Pinheiro;
- Domingo, Lisboa, dir. Manuel Pinheiro Chagas
- Revolução de Setembro, Lisboa, onde utilizou o pseudónimo Prudêncio
- Diário da Tarde, Porto [correspondente em Lisboa];
- Dez de Março, Porto [correspondente em Lisboa];
- Folha Nova, Porto [correspondente em Lisboa];
- José Estevão. Numero único comemorativo da inauguração do monumento em Aveiro. Publicação do Clube Escolar José Estêvão, Lisboa, Typ. da Companhia Nacional Editora, 1889;
- Correio da Manhã. Fundador Manuel Pinheiro Chagas. Suplemento ao n.º 3.283, de 8 de Maio de 1895, Typ. da Companhia Nacional Editora, Lisboa. 12 pag. ;
- Homenagem prestada a Theophilo Braga, Numero único, publicado pela Associação Escolar de Ensino Livre, Lisboa, 3 de Dezembro de 1899, Minerva Peninsular, 8 pag. Com o retrato do dr. Teófilo Braga.
- Maior (A) dôr humana, Coroa de saudades, oferecida a Teófilo Braga e sua esposa para a sepultura de seus filhos, Dada á estampa pela amizade de Anselmo de Moraes. 1889. Porto, Imp. Portuguesa, 172 pag.
- 14 de julho, 1789 1889 Numero único. Porto, Typ. Gutemberg, 1889, 4 pag.
- Consagração, Número único, dirigido por Fernão Botto Machado e Gonçalves Neves e dedicado ao Dr. Sebastião de Magalhães Lima, 28 pag. Com o retrato de Magalhães Lima e nas pag. 1, 12, e 17 trechos de musica litografados.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
- MARQUES, A. H. de Oliveira, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. II, Editorial Delta, Lisboa, 1986, col. 1344-1345.
- O Ocidente, Lisboa, 20-12-1909, Ano XXXII, nº 1115, p. 279.
- RAMOS, Rui, “Francisco Gomes da Silva”, Dicionário Biográfico Parlamentar, Coord. Maria Filomena Mónica, vol. 3, Imprensa de Ciências Sociais/Assembleia da República, Lisboa, 2006, p. 681-684.
- SILVA, Inocêncio Francisco da, Dicionário Bibliográfico Português.

A.A.B.M.

domingo, 29 de novembro de 2009

NOS 50 ANOS DE VIDA LITERÁRIA DE FERREIRA DE CASTRO


FOTO - convivas de um almoço íntimo comemorativo dos 50 anos de vida literária de Ferreira de Castro, realizado na Pensão Suíça, em Vale de Cambra.

Da esquerda para a direita: Assis Esperança, Mário Sacramento, Dr. Dulcídio Alegria, Ferreira de Castro, Álvaro Salema e João Sarabando.

in "Mário Sacramento e o neo-realismo", por João Seiça Neves, Aveiro e o seu Distrito, nº 20, Dezembro de 1975.

J.M.M.

HOMEM CRISTO



"... Mãos finas, aristocráticas, cruzadas, o inseparável gorro preto a proteger-lhe a calvície, perna traçada, o corpo inclinado para as costas da cadeira, olhar agudo e perscrutador -, era bem ele quando em breves pausas do seu labor repousava uns minutos meditando" [Carolina Homem Christo]

Foto de Homem Cristo, da autoria de Lauro Corado, existente na Sala dos Notáveis do Museu de Aveiro.

in "Homem Christo", Aveiro e o seu Distriro, nº 8, p. 35.

J.M.M.