quinta-feira, 29 de outubro de 2009

XAVIER DE CARVALHO



Com o nome completo de José Xavier de Carvalho Júnior, nasce em Lisboa, em 1861, onde realizou os estudos secundários.
Começa a colaborar na imprensa a partir dos quinze anos, publicando poesia.
Em 1879, fundou na cidade do Porto o Centro Republicano Radical, que publicou um manifesto em 12 de Julho assinado por personalidades como Sousa Ribeiro, Guilherme Pereira, Brito e Cunha, António Ribeiro, Miguel Maria da Felicidade, João de Castro e Francisco Vieira Correia e Cunha [Carvalho Homem, Da Monarquia à República, Palimage, Viseu, 2001, p. 62]. Responsável pela fundação do primeiro centro de extrema-esquerda na capital do Norte, desenvolveu sempre, através da escrita, uma activa campanha de propaganda política.

Jornalista republicano, fundou no Porto, ainda muito jovem os jornais O Norte Republicano, O Combate e o Estado do Norte, eram três diários de combate e agitação política. Fundou ainda o semanário A Mulher.
Foi o autor do capítulo sobre “A Literatura Portuguesa após 1865”, integrado na obra Le Portugal, publicado pela Larousse em 1900. Publicou ainda L’Ermitage, publicado em 1895, no álbum organizado pela Sociedade de Estudos Portugueses de Paris. Esteve ligado às comemorações dos centenários de Vasco da Gama (1898) e de Garrett (1899) que se realizaram em Paris. Participou ainda na homenagem a João de Deus (1895) e a Eça.

Em 1885/1886, vai com Mariano Pina para Paris, aí colabora com L’ Ilustration, onde desempenha o cargo de secretário redactor. Torna-se correspondente de A Província (Porto), O Correio da Noite e do Diário Popular (São Paulo).
Cronista nos jornais O Século e O Mundo (“Cartas de Paris”), assinadas com o pseudónimo de Octávio Mendes.
Em Paris, contacta Benoit Malon e A. Cipriani, com quem acompanha na fundação da Féderation Universelles des Peuples, de tendência socialista, tendo, como franco-maçon feito parte do comité director da revista Révolution Cosmopolite (1886-1887).

Fundou em 1892 a Societé dés Études Portugais, de Paris,, de que foi secretário durante longos anos.
Colaborou literariamente nas revistas Boémia Nova, (Coimbra, 1889, ao lado de António Nobre, Alberto de Oliveira, entre outros), A Geração Nova (Porto, 1894-1895), A Arte (Porto, 1895-1899).

Foi uma espécie de representante do republicanismo português junto dos revolucionários da França, Itália, Alemanha, Bélgica e Suíça, países que percorreu bem como a Inglaterra e a Holanda. Em 1890, esteve em Madrid, pronunciando um discurso no Centro Republicano Progressista, que foi muito bem acolhido nos centros republicanos do país vizinho.

Em 1900, durante a Exposição Mundial de Paris, Xavier de Carvalho lançou uma revista de divulgação de Portugal, durante a iniciativa. Esta interessante revista quinzenal intitulava-se Le Portugal á l’exposition.
Em 1907, Xavier de Carvalho, dinamizou com alto patrocínio do rei a Revue de la Société des Études Portugais, de que se publicaram cerca de oito números.

Nos seus escritos destaca-se o carácter insólito das suas temáticas. Com a publicação do poema “As Anémicas”, em A Província (Setembro de 1886), Xavier de Carvalho fica marcado pela introdução do Decadentismo em Portugal. Em Março de 1889, com o soneto “Simbólica”, dedicado a Mallarmé (publicado na Ilustração), denota a tentação sensual num sujeito ascético. Em Maio seguinte, no poema “ A Torre Eiffel”, denota a crença no progresso técnico pujante que se fazia sentir. Na revista coimbrã Jornal para Todos, publicou “As Impuras”. Em Maio de 1890 publica um dos seus poemas mais conhecidos, porque ligado à introdução do movimento decadentista, “A Nevrose do Gás”.

A sua obra poética começa por uma paródia ao livro de Guerra Junqueiro, A Velhice do Padre Eterno, glosado com A Velhice da Madre Eterna (Rio de Janeiro, 1885), assinada com o pseudónimo colectivo de Marraschino & Cª . Mas fica na história literária como um dos poetas introdutores do Decadentismo em Portugal, no final do século XIX e um dos principais intermediários das culturas portuguesa e francesa dessa época.

Em Paris, é elogiado na revista Le Decadente (1887). De facto, a sua obra é irregular e compósita, cheia de afectações de linguagem e uma afrancesada nevrose do gás, valendo mais pela divulgação das novas tendências da poesia francesa em Portugal do que pela coerência interna e por uma verdadeira originalidade.
A partir de Outubro de 1910, consegue a colocação como adido de imprensa na embaixada portuguesa em Paris, conheceu quase todas as individualidades intelectuais, políticas e culturais que passavam pela Cidade-Luz. Porém, com a colocação de João Chagas como Ministro Plenipotenciário da República em Paris, Xavier de Carvalho perde a colocação, apesar de ter sido um dos que acolheu João Chagas quando este vive exilado em Paris após o 31 de Janeiro. [Pedro da Silveira, “O que soubemos em 1909 do Futurismo”, Revista da Biblioteca Nacional, vol.1, nº1, Janeiro-Junho de 1981, Lisboa, 1981, p. 90-91]

Com o início da 1ª Guerra Mundial, Xavier de Carvalho reconquista novamente algum protagonismo ao envolver-se na propaganda beligerante, organizando festas em honra dos voluntários da Legião, assume-se como porta-voz dos republicanos em França. Publica novamente artigos e palestras e regressa a Portugal em Janeiro de 1917 para realizar conferências pelo País, como Pela França Heróica, Portugal Amigo e Aliado, publicada com prefácio de Magalhães Lima (Tip. Central, 1918).

Em 1915 perde o filho na Batalha do Marne.

O conflito europeu e a morte do filho, fá-lo regressar à poesia com Cantos Épicos da Guerra (1919). Nesta colectânea, o autor retoma a poesia de exaltação e combate, semelhante, de certa forma, às poesias de Guerra Junqueiro e Gomes Leal [Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, vol. II, coord. Eugénio Lisboa, Instituto Português do Livro e da Leitura, Publicações Europa América, Mem Martins, 1990, p. 457-460].

Manteve correspondência com vários vultos da intelectualidade portuguesa, brasileira e europeia dos finais do século XIX e início do século XX, como Eça de Queirós, Ana de Castro Osório, António Nobre Machado de Assis, entre muitos outros.

Publicou: Apoteose Camoneana, sonetos; Poesia Humana, Paris, 1908; Le Portugal, Paris, 1900; Cantos Épicos da Guerra, Paris-Bruxelas, 1919.

Pertenceu à Maçonaria, mas não foi possível apurar nem o nome simbólico, nem a loja onde foi iniciado.

Faleceu em Paris em 3 de Agosto de 1919 e o seu corpo foi sepultado no cemitério de Pantin.

Colaborou ainda nas seguintes publicações portuguesas:
- 31 de Janeiro, Nº Único, Lisboa, 1911 [colab. Magalhães Lima, Santos Pousada, Sampaio Bruno, António Claro, Agostinho Fortes entre outros].
- A Águia, Porto, 2ª série (1912-1921), nº50;
- Alma Feminina, Lisboa, 1907-1908;
- Arquivo Teatral, Lisboa, 1908-1909;
- Ave Azul, Viseu, 1899-1900;
- A Galera, Coimbra, 1914-1915;
- Ilustração Moderna, Porto, 1898-1903;
- Limiana, Dir. Júlio de Lemos e Severino de Faria, Ponte de Lima, 1912-1917;
- O Lusitano, Porto, 1900;
- Nova Alvorada, Vila Nova de Famalicão, 1891-1903;
- Revista Azul, Lisboa, 1904-1908;
- Revista de Lisboa, Lisboa, 1901-1909;
- Vida Portuguesa, Porto, 1912-1915;

Colaboração em periódicos brasileiros como:
- O País, Rio de Janeiro;
- Gazeta de Notícias,

Outras colaborações conhecidas:
- Xavier de Carvalho, “Le Socialisme au Brésil”, Le Mouvement Socialiste, Paris, (19), 15 de Outubro de 1889, p. 473
- Xavier de Carvalho, “Eça de Queiroz em Paris : (algumas recordações) , Eça de Queiróz: In Memoriam, org Eloy do Amaral e M. Cardoso Martha, Coimbra, Atlântida, 1947, p. 100-103.
- “A egreja de Santo Antonio em Paris”, O Ocidente, Lisboa, Ano XIX, Nº 621, Março 1896, p. 66-67.
- Os de Paris a João de Deus, Guillard Aillaud, Paris, 1895;

Bibliografia Consultada:
Actas do Colóquio Relações Culturais e Literárias entre Portugal e a França, Org. Luís de Albuquerque, Centre Culturelle Portugais, Paris, 1983, p. 386-387.
Dicionário de Literatura Portuguesa, Org. Dir. Álvaro Manuel Machado, Editorial Presença, Lisboa, 1996, p.109
Guimarães, Fernando, Poética do Simbolismo em Portugal, Lisboa, 1990.
Pageaux, Daniel-Henri, Imagens de Portugal na cultura francesa, Colecção Biblioteca Breve, Vol. 81, ICALP Lisboa, 1983
Pereira, José Carlos Seabra, Decadentismo e Simbolismo na Poesia Portuguesa, Coimbra, 1975;

terça-feira, 27 de outubro de 2009

COLÓQUIO - O GRUPO E A REVISTA SEARA NOVA



Colóquio - Proença, Cortesão, Sérgio e o Grupo Seara Nova: dias 28, 29 e 30 de Outubro, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (Anfiteatro III). Org. pelo Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa.

“Em comemoração dos 125 anos de nascimento de Raul Proença e de Jaime Cortesão e da passagem dos 40 anos da morte de António Sérgio, o Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa promove o Colóquio Proença, Cortesão, Sérgio e o Grupo Seara Nova.

Congregando especialistas e investigadores que se dedicam ao estudo do pensamento histórico-filosófico português contemporâneo, o colóquio visará proceder a uma análise aprofundada da vida e da obra destes três autores e discutir a relevância que o Grupo e a Revista Seara Nova tiveram na vida social, política, económica e cultural do país na primeira metade do século XX e até à actualidade.” [ler tudo, AQUI]

Consultar o Programa - AQUI.

J.M.M.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

LER HISTÓRIA 2009


Foi apresentada recentemente, no ISCTE, em Lisboa, o novo número da revista Ler História (56) dedicada ao tema Emigração e Imigração. Este número temático apresentado por Miriam Halpern Pereira e Fernando Luís Machado inclui os seguintes artigos:

Emigração
- Emigração portuguesa para o Brasil e geo-estratégia do desenvolvimento euro-americano, Miriam Halpern Pereira;
- «E continuam a partir»: as migrações portuguesas contemporâneas, José Carlos Marques;
- Ineficiência, fragilização e duplicidade. O velho Estado Novo perante a emigração para França (1960-1968), Victor Pereira;
- Migração ultramarina: contradições e constrangimentos, Cláudia Castelo;
- Padrões de migração transatlântica e escolhas de destino no Sul de Portugal, Marcelo Borges;
- «A Taste of Portugal»: transmigração, políticas culturais e a mercantilização da «saudade» em tempos neoliberais, Bela Feldman-Bianco;

Imigração
- Imigração portuguesa de 1975 até aos nossos dias, Maria Ioannis Baganha, José C. Marques e Pedro Góis;
- Quarenta anos de imigração africana: um balanço, Fernando Luís Machado;
- Imigração brasileira na virada do século XX: processos de exotização no Porto, Igor J. de Renó Machado;
- Imigrantes russos e ucranianos na AML: um breve «retrato social», Maria Manuela Mendes;
- Imigrantes portugueses na Califórnia. Um projecto de história oral, Donald Warrin.

Para mais informação:
ler.historia@iscte.pt
telefone 217903013

Consultar também a página institucional da revista e consultar os índice de números anteriores AQUI.

A.A.B.M.

sábado, 24 de outubro de 2009

BIBLIOGRAFIA MAÇONICA - BIBLIOTECA PAULO MONTEIRO LEVY (PARTE III)



Bibliografia Maçonica III: in CATÁLOGO DA BIBLIOTECA DE PAULO MONTEIRO LEVY - Leilão dias 26 a 29 de Outubro de 2009, via Leiloeira Renascimento.

Historia da Maçonaria em Portugal. 1735-1912., por M. Borges Grainha, Lisboa, 1922 / História da Maçonaria em Portugal, de A. H. Oliveira Marques, 1990-97, III vols / Histoire Abregee de la FrancMaçonnerie, por Robert-Freke Gould, 1903 / Histoire Pittoresque de la Francmaçonnerie et des Societes Secretes. Anciennes et modernes, por F-T. B. Clavel, Paris, 1844 / Historia da Franc-Maçonaria ou dos Pedreiros Livres. Pelo author da Bibliotheca Maçónica [Miguel António Dias], Lisboa, 1843 / Instructions des H. G.. tels qu’ils se conferent dans les Chapitres de la correspondance du G. O. De France au Rit Moderne ..., Paris, 1821 / Introdução ao Mastigoforo, Exame do Discurso sobre Amnistias, Embutido na Gazeta de Lisboa (nº25). Por o Auctor [Fr. Fortunato de S. Boaventura] do Maço Férreo Anti-Maçonico [título do jornal anti-maçonico saído em Lisboa, 1823], Lisboa, 1829, XII numrs / La Franc- Maçonnerie. Histoire Authentique des Societes Secretes, ... par Un Ancien Rose.Croix, s.d., 2ª ed. [1ª ed. de 1883] / Lei Regulamentar do processo Mac. Decretada pelo Gr. O. da Conf. Maç. Portug., Lisboa, Typ. do gr. 5863 [1863] / Les Secrets Mysteres des Hautes Grades de la Maçonnerie Dévoilés ou le Vrai Rose-Croix, traduit de l'ánglois ..., de M. Berage, 1787 (aliás ed. fac-sim., 1981) / Maçonaria Universal. Excerptos. Ligeiro resumo de factos maçónicos coordenados cronologicamente, por José Bernardo Ferreira, Lisboa, Tip. D.N., 1921 / [vários Lotes] Maçonaria [centenas de folhetos, opúsculos e obras em diversos lotes, alguns bem curiosos, como exemplares do jornal maçónico A Luz, A Bateria; vários exempl. de Constituições Maçonicas, Regulamentos, Guias, Manuais, Rituais, Leis, diversos Anuários, Diplomas, publicações das Lojas, Mensagens, Teses apresentadas em Congressos, discursos e conferencias, biografias maçónicas; obras também em espanhol, francês e inglês; algumas peças de teor anti-maçonico; uma invulgar Miscelânea de folhetos do sec. XIX] / Manual da Liga Anti-Maçonica, Porto, 1910 (2ª ed.) / Manual do Franc-Maçon do Rit. Francez ou Moderno. Por um Cav. Roz. Cruz [Miguel António Dias], 1863 / Memorias em Defesa da Maçonaria, por Um Maçon Portuguez [António Gregório de Freitas (1791-1876)] fiel ao Rei e à Pátria, 1861-62, XII op. / Os Primórdios da Maçonaria em Portugal, por Graça Dias e J. S. Dias, Lisboa, IV vols / Palestras Maçónicas. Realizadas no Palácio do Grande Oriente Lusitano Unido, por Domingos Pires Barreira [obr. da Loja Montanha e membro efectivo do G. O. Brasil], Lisboa, 1913 / Proofs of Conspiracy Against alll the Religions and Governments of Europe, Carried on in the Secret Meetings of free Masons, Illuminati and Reading Societies, por John Robinson, 1798 (3ª ed.) / Publicações da Resp. Loj. Cap. Invicta, nº 446 ao Val. de Porto. Sob os asupicios do GR. Or. Lus. Unido, Sup. Cons. da Maç. Portuguesa. Anuário dos seus Trab. e contas da sua direcção (1930-33) / Ritual do Baptismo Maçonico. Precedido d’uma noticia histórica acerca da maçonaria. Publicada pela R. L. Independência Lusitana. Ao Vall. Do porto, sob os auspícios do Gr. Or. Lus. Un. Sup. Cons. da Maço. Port. e coordenado pelo Ir. Orad. da Mesma L. Homero Gr. 15 [J. C. Santos], Porto, 1889 / The History of Freemasonry ..., por Robert-freke Gould, s.d., II vols [o II vol. tem referências a Portugal. Exemplar que pertenceu ao ilustre maçon Pisani Burnay].

consultar o Catálogo online, AQUI.

J.M.M.

BIBLIOGRAFIA MAÇONICA - BIBLIOTECA PAULO MONTEIRO LEVY (PARTE II)



Bibliografia Maçonica- II: in CATÁLOGO DA BIBLIOTECA DE PAULO MONTEIRO LEVY - Leilão dias 26 a 29 de Outubro de 2009, via Leiloeira Renascimento.

Biblioteca Maçónica [6 obras: O Pensamento Maçónico de F. Pessoa (Jorge de Matos); A Maçonaria Entreaberta (Nandim de Carvalho); O Espírito da Maçonaria (Foster Bailey); A Simbologia das Plantas dos Antigos Mistérios e a Maçonaria Actual (Armando Santinho da Cunha); Com a Maçonaria não se brinca (Joaquim Maria Zeferino e M. P.Santos); Maçonaria sem Fronteiras (Frederico Guilherme Costa)] / Bibliotheca Maçónica, ou Instrucção Completa do Franc-Maçon ... Obra dedicada aos Orientes Lusitano e Brasiliense, por um Cav. Rosa-Cruz [Miguel António Dias], Paris, 1840, IV vols (1ª ed.) [entre 1840-42, saiu uma 2ª ed., em VI vols, e onde se inclui o Rito Escocês] / Boletim Oficial do Grande Oriente Lusitano Unido [periódico de 1870 a 1924 – com faltas] / Cain Pae da Franc-Maçonaria [trad. franc por João Estêvão de Camillo], Porto, 1876 [anti-maçonico] / Cathecismo de Comp. Mac. Segundo Grau Simbólico da Maçonaria Luzitana. Approvada para instrucção dos MMAC. REG. PPORT. pela G. Dieta Geral da Maçon. Pot. na Sessão do na. Da V. L. 5840, Lisboa, Tip. Gr. O. L., 1840 [com carimbo de posse da biblioteca da Loja Invicta do Porto] / Compendio da Vida e Feitos de José Bálsamo chamado O Conde de Cagliostro ou o Judeu Errante [pref. Camilo C. Branco], Porto, 1874 / Constituição do Grande Oriente Lusitano. Supremo Conselho da Maçonaria Portugueza, Lisboa, Impr. J. G. de Sousa Neves, 1878 [acompanha o Decreto do G. M. Conde de Paraty] / Constitutions of the Antient Fraternity of Free & Accepted Masons. Under United Grand Lodge of England ..., London, 1922 / Dicionário de Maçonaria Portuguesa, por A. H. de Oliveira Marques, Lisboa, Editorial Delta, 1986, II vol / Dicionário Maçónico, por Rizzardo da Camino, S.Paulo [de 1990 e 2001] / Documento original da Maçonaria Portugueza ou Terceiro Ensaio Anti-religioso que hum sacerdote pedreiro livre dirigio em data de 20 de Abril de 1826 ao Excelentíssimo Senhor A. P., e Commentado por Fr. Fortunato de S. Boaventura, Monge de Alcobaça, Lisboa, Impr. Regia, 1829 / Duncan’s Masonic Ritual and Monitor (II parte), Chicago, 1958 / Gr. Or. de Portugal. Solstício do Inverno de 5815. Acta dos Trabalhos da Festa da Ordem celebrada pelo Gr. Or. de Portugal aos 7 dias do M. Thebeth do An. da V. L. 5851 (Era Vulgar 27 de Dezembro de 1851), Lisboa, Typ. Gr. Or., s.d. [1852] / Guia Maçónica. Contendo Signaes, Toques, Palavras, etc dos Ritos Escocez, Francez, d’Adopção e Banquetes. Com um vocabulário das Palavras mais usadas e Kalendario para o século actual, pelo Dr. A. de S. [trata-se de António Maria de Soveral (1874-1920), natural de Sernancelhe, medico, capitão do exercito e iniciado na Loja Perseverança de Coimbra em 1896] Lavoisier [n.s.], Lisboa, 1905 [idem outra obra, mas a 2ª ed. de 1913, correcta e aumentada]

[a continuar]

J.M.M.

BIBLIOGRAFIA MAÇÓNICA - BIBLIOTECA PAULO MONTEIRO LEVY (PARTE 1)



Bibliografia Maçonica: in CATÁLOGO DA BIBLIOTECA DE PAULO MONTEIRO LEVY - Leilão dias 26 a 29 de Outubro de 2009, via Leiloeira Renascimento.

A Idade Maçónica, por Lusol [Amadeu de Vasconcelos], Porto, 1943 / A Liturgia Maçónica. Ritual do Grau de Mestre. Para os ritos Escocês e Francês. Compilado pelo Ir. [Raul] Matos Ferreira, Lisboa, Tip. Minerva Peninsular, 1931 / A Maçonaria. O que é, o que tem feito, o que quer, pelo Cardeal Felix Cavagnis, 1907 [trad. José R. S. G. Júnior] / A Maçonaria Desmascarada ou Colecção dos Artigos do Echo de Roma. Analysando a circular do Cap. Pr. Federação de 22 de Setembro de 1871 e a Oranch. do Ir. Gomes Freire ao Ir. Otto ..., Guimarães, 1872 / A Maçonaria Iniciática, de João Antunes, 1918 / A Maçonaria e os Jesuítas. Instrucção Pastoral do Bispo de Olinda aos seus diocesanos, 1879, Guimarães, (2ª ed.) / A Maçonaria na Luta pelo Poder (D. Miguel e a sua época), por Paulo Siebertz, Porto, 1945 / A Maçonaria em Portugal, por Da Cunha Dias, Lisboa, 1930 [obra anti-maçonica. C/ dedicatória e carimbo da Loja Invicta] / A Maçonaria em Portugal. Cartas da Bélgica. 1ª série. (O Sub-Solo da Revolução, por Argus, Paris, Ed. Ligue Anti-Maçonnique, s.d. / A Maçonaria Portuguesa e o Estado Novo, por A. H. de Oliveira Marques, 1975 / A Maçonaria Vista por Fernando Pessoa, CEPS, s.d. (1ªed.) / A New Encyclopedia Freemasonry (Ars Magna Latomorum) ..., de Arthur Edward Waite, London [curioso ocultista, pertenceu à Golden Dawn, foi maçon, rosa-cruz, etc.], s.d. [1923], II vols / Algumas Horas na Minha Livraria, por Francisco A. Martins de Carvalho, Coimbra, 1910 / Anuário do Gr. Or. Lusitano Unido. Sup. Cons. da Maçonaria Portuguesa (31 de Maio de 1913), 3º Ano / Apontamentos para a História Contemporânea, por Joaquim Martins de Carvalho, Coimbra, 1868 / Auto do Progresso, por Kropotkine 3. Obr. da Aug. Ben. Resp. Loj. Cap. José Estevam Obr. e Orad. Hon. da Resp. Loj. Gil Vicente. Musica dos cânticos “Liberdade”, “Solidariedade”, “Sementeira” e “Verdade” de Ricard Wagner 18. Obr. Hon. da Aug. Ben. e Resp. Loj. Cap. José Estevam, Lisboa, Typ. e. da Cunha e Sá, 1908 / Architectura Mystica do Rito Francez ou Moderno. Pelo auctor da Bibliotheca Maçónica [Miguel António Dias, 1805-1878], e da Historia da Franc-Maçonaria, s.l. [Lisboa], 5843 [aliás, 1843] / Bibliografia de la Masoneria, de José António Ferrer Benimelli, Madrid (2ª ed. aum.), 1978

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J.M.M.

BIBLIOTECA PAULO MONTEIRO LEVY



Leilão da Biblioteca de Paulo Monteiro Levy - Dias 26 a 29 de Outubro 2009, pela Leiloeira Renascimento (Rua Agostinho Lourenço - ao Areeiro -, 20 C, Lisboa).

Regista-se um conjuntio estimado de livros sobre: Constitucionalismo e Historia de Portugal, uma Pombalina, Escravatura, livros de Numismática, uma invulgar e rara Maçonica, lote curioso de Imprensa periódica do Século XIX/XX, livros sobre a Inquisição, Judaísmo, Jesuítas, Historia da Medicina, Literatura e Banda Desenhada.

Paulo Monteiro Levy, foi um distinto médico e operador, com consultório em Lisboa. Homem de pensamento livre e grande cultura, formou esta sua biblioteca com base em temas que abrangem as mais diversas áreas do conhecimento (...)

Nas suas andanças por este mundo das livrarias e leilões, e graças ao seu gosto pelo diálogo, granjeou muitas e duradouras amizades entre livreiros e coleccionadores. Pessoalmente mantive um longo e fraterno relacionamento com o Dr. Paulo Levy, foram mais de três décadas. Para alem dos livros convivemos em tertúlias e alguns outros areópagos ao longo de todos estes anos. Tenho a certeza que apesar da diferença de idades ele me considerava um seu irmão mais novo, tal como eu o considerei e considero um irmão mais velho (...)
" [José Vicente, in Catálogo da Biblioteca]

Da Biblioteca de Paulo Monteiro Levy salienta-se uma invulgar Maçonica, a todos os títulos notável e muito rara. O Dr. Monteiro Levy, médico e livre-pensador, foi um distinto obreiro de uma conhecida Loja de Lisboa, tendo atingido mesmo altos postos. A sua Maçonica percorre algumas das obras bibliográficas de referência à temática maçonica, portuguesa ou universal, sendo que é muito raro aparecer no mercado um lote tão copioso de espécies desta área tão restrita.

ver Catálogo, AQUI.

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J.M.M.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

MOVIMENTO NACIONAL DEMOCRÁTICO



O Movimento Nacional Democrático [M.N.D.] surge, em 1949, como uma resposta à extinção do M.U.D. e pós candidatura de Norton de Matos. A sessão inaugural foi realizada na "Voz do Operário", em 10 de Fevereiro de 1949, sob presidência do Professor Mário de Azevedo Gomes.

Na sua Comissão Central estavam: Ruy Luís Gomes, Maria Lamas, José Morgado, José Alberto Rodrigues, Albertino Macedo, Pinto Gonçalves, Areosa Feio e Virgínia Moura. O seu documento inicial do M.N.D. data de Maio de 1949.

Foto: a primeira Comissão Central do MND – via Cravo Vermelho.

J.M.M.

A OPOSIÇÃO NAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 1969


EVOCAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DA OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA DE COIMBRA NAS ELEIÇÕES LEGISLATIVAS DE 1969
Em 26 de Outubro de 1969, tiveram lugar eleições para a Assembleia Nacional, no consulado Marcelista, em pleno Estado Novo.

Aproveitando a oportunidade e seguindo a tradição, Democratas avançaram com candidaturas unitárias, num vasto Movimento Cívico, que tomou a sigla CDE – Comissão Democrática Eleitoral, tendo-se apresentado em vários Distritos do País.

Coimbra estava tomada pela Crise Académica e vivia um período de fortíssima agitação política, criando-se uma relação íntima entre o Movimento Estudantil e o Movimento Democrático.

Para evocar o 40º Aniversário da CDE de Coimbra, convidamo-lo (a) a participar e a divulgar o Acto Cívico, que vai decorrer no Auditório da Agência de Coimbra da Fundação Inatel, Rua Dr. António Granjo 6, no próximo dia 26 de Outubro, segunda-feira, das 21h15 às 23h30, com o seguinte Programa:

Parte Política

. José Dias
. Louzã Henriques
. António Arnaut

Parte Cultural

Choral Poliphonico de Coimbra Canta Zeca Afonso


Iniciativa: Fundação Inatel – Agência de Coimbra e Movimento Cívico de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República. Insere-se nos Actos Cívicos Preparatórios do Centenário da República.


Com o apelo à participação de todos, num exercício de cidadania responsável.

A.A.B.M.

EDUARDO DE NORONHA: EXPOSIÇÃO E CONFERÊNCIA


No próximo dia 26 de Outubro, vai realizar-se na Hemeroteca Municipal de Lisboa, uma cerimónia evocativa do 150º aniversário do nascimento de Eduardo de Noronha.

Conforme se pode ver, vai realizar-se uma conferência por António Valdemar e uma Mostra Bibliográfica sobre a personalidade.

Eduardo de Noronha era o nome literário de José Eduardo Alves de Noronha, nascido em Lisboa em 1859. Oficial do exército, colonialista, desempenhou diversas funções em África. Destacou-se, no entanto, como jornalista e escritor. Fundou, ainda em Lourenço Marques, o jornal O Futuro. Regressando a Lisboa, colabora em variadíssimas publicações, onde se destacam A Mala da Europa, Diário de Notícias, A Tarde, A Tribuna e especial no diário As Novidades. Dirigiu a interessante revista Os Serões.

Entre a sua vasta bibliografia destacam-se:
- A Rebelião dos Índigenas em Lourenço Marques, 1894;
- O Herói de Chaimite. Mouzinho de Albuquerque, 1906;
- Evolução do Teatro. O Drama através dos séculos, 1908;
- Memórias de Um Galego, 1912;
- Vinte e Cinco Anos nos Bastidores da Política. Emídio Navarro e as «Novidades». A sua vida e a sua Obra Política e Jornalística, 1913;
- O Conde de Farrobo e a sua Época; Estroinas e estroinices; A Sociedade do Delírio, 1921;
- Reminiscências do Tablado.[...]. Memórias, 1927.

Sobre Eduardo de Noronha, recomendamos uma visita AQUI, passando por AQUI, ou AQUI, ou lendo um dos seus opúsculos AQUI.

Mais uma iniciativa de todo o interesse realizada pela Hemeroteca que merece acompanhamento e divulgação.

A.A.B.M.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

VEM AÍ A REPÚBLICA!


APRESENTAÇÃO DA OBRA VEM AÍ A REPÚBLICA! 1906-1910

Chegou ao nosso conhecimento que o Professor Romero Magalhães publicou um novo estudo sobre o período que antecede a Implantação da República. Conforme se antevê, pelas palavras da apresentação da obra e pelo índice que de seguida apresentamos, a obra merece a nossa e a vossa atenção.

Transcrevemos de seguida o texto de apresentação:

Há livros que desde sempre se querem escrever. Mas que nem por isso acontecem. Ou acontecem depois de muitas vezes adiados. Planeada, começada e abandonada várias vezes, aqui vem finalmente a minha proclamação da República.
A República concretiza-se nos primeiros anos do século, quando o regime monárquico se mostra exaurido e incapaz de conduzir e governar o País. Nada parece evitável do que lhe sucede em cascata de descalabros. Um erro puxa outro, numa sequência que parece conduzir ao 5 de Outubro. Embora não se acredite em fatalidades. Mas a verdade é que a monarquia não soube ou não quis perdurar. D. Carlos 1º, O Último, arriscou-se a uma ditadura, a pior das soluções, sem que se chegasse a perceber bem porquê. Disso decorre o final abrupto da sua própria vida. E os pouco mais de dois anos que se seguem não passam de um tempo de preparação para o partido republicano. E de um tempo de demonstração da absoluta impossibilidade da monarquia se tornar aceitável: dela se disse ser um regime «incompatível com a dignidade e prosperidade da Nação.» Vista na sua cronologia, a proclamação da República parece inelutável. E bambúrrio foi a relativa facilidade da sua concretização: apenas. Responsabilidades foram, no dizer de um anónimo monárquico, «as dos que sacrificaram a administração pública às preocupações da política. As dos que mais contribuíram para a desorganização da política monárquica. As dos que mais puseram a realeza directamente em foco e em cheque. As dos que, por nefastos conluios ou compromissões com o republicanismo, enfraqueciam a acção monárquica e fortificavam o impulso republicano. As, finalmente, dos que, envolvidos em tais compromissões, ou mesmo fora d’elas, no momento crítico, por covardia, traição, ou simples inépcia, não souberam ocupar o seu posto de honra.» Responsáveis teriam sido, afinal, todos os monárquicos. A questão dos tabacos abre a série, seguem-se os adiantamentos à Casa Real, o caso do Crédito Predial, entre os mais gravosos. Não poucos episódios aparentemente menores se acumulam para ajudar à liquidação do regime. A «insofismável imposição de inquéritos, publicação de documentos e ajuste de contas velhas, que alvoroçavam o país nos últimos anos da monarquia» anunciavam o desfazer da feira. Era esse percurso a caminho do fim que eu queria narrar. Por necessidade interior. Sendo republicano e educado em meio republicano, conheço razoavelmente as vicissitudes do regime e o quanto foi desacreditado por adversários e mesmo por seguidores. Nem por isso o tenho por menos decisivo e menos generoso. E capaz de dignificar os cidadãos que deixaram de ser súbditos. A centralidade da cidadania é o grande contributo do novo regime. Que nunca pode ser minimizado.
O presente livro trata apenas dos últimos anos da monarquia, desde a substituição do último ministério da presidência de José Luciano de Castro pelo de Hintze Ribeiro (Março de 1906), até à proclamação da República em Lisboa, na manhã de 5 de Outubro de 1910. Naturalmente que se confina aos aspectos políticos, porque esses foram os decisivos na trama dos acontecimentos que levaram ao fim da monarquia. O primado do político neste caso é evidente. Ao longo do texto são muitas as citações de escritos da época. Impôs-se-me deixar que fossem as fontes a transmitir o que se passou. Para assim conservar um insubstituível sabor. Buscando em publicações muito variadas essa multiforme informação que enriquece uma narrativa. De um tempo afinal tão próximo e ao mesmo tempo já tão distante.
A todos os que de algum modo me ajudaram a encontrar documentos, livros, revistas e jornais os devidos agradecimentos. Não me faltaram amizades nem generosidades.


Apresenta-se de seguida o ìndice da obra:

ÍNDICE
Palavras Prévias
CAPÍTULO 1 O liberalismo, a Carta Constitucional, o rei e a política
CAPÍTULO 2 Erros que de longe vêm
CAPÍTULO 3 Os adiantamentos à Casa Real
CAPÍTULO 4 A rua e a imprensa
CAPÍTULO 5 A questão académica
CAPÍTULO 6 A ditadura de João Franco
CAPÍTULO 7 O 28 de Janeiro e a lei de 31 de Janeiro de 1908 CAPÍTULO 8 O regicídio e a acalmação
CAPÍTULO 9 Velhas questões
CAPÍTULO 10 A defesa da monarquia e a propaganda do rei
CAPÍTULO 11 A marcha para o abismo
CAPÍTULO 12 A questão religiosa
CAPÍTULO 13 A carbonária, conspiradores e revolucionários
CAPÍTULO 14 Os propósitos republicanos
CAPÍTULO 15 De 3 a 5 de Outubro – a revolução na rua
Fontes
Bibliografia


O Autor, Joaquim Romero Magalhães, e as Edições Almedina têm o prazer de convidar Vª Ex.ª para a apresentação da obra “Vem aí a República! 1906-1910”.

A obra será apresentada:

No Porto, pelo Professor Jorge Fernandes Alves, quarta-feira, dia 21 de Outubro, pelas 18h00, na Livraria Almedina, Arrábida Shopping, Loja 290.

Em Lisboa, pelo Professor António Reis, segunda-feira, dia 26 de Outubro, pelas 18h00, na Livraria Almedina, Atrium Saldanha, Loja 71.

Em Coimbra, pelo Professor Fernando Catroga, terça-feira, dia 3 de Novembro, pelas 18h00, na Livraria Almedina, Estádio Cidade de Coimbra.

A.A.B.M.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A NOITE SANGRENTA – 19 DE OUTUBRO DE 1921



"Depois veio a noite infame [19 de Outubro de 1921], onde, além dos actores visíveis, dos marinheiros e dos soldados, dos bonifrates que actuaram entre gritos de loucura, entrou outro actor tremendo, do qual não pudemos mais desviar os olhos – e que não devia fazer parte da peça. De tarde, aquele desgraçado [António Granjo] via os homens porem-lhe cerco como a um bicho e o seu suor era já de agonia. Via-os aproximarem-se – ouvia-os falar na escada do prédio onde se refugiara

[António Granjo residia na Rua João Crisóstomo e a sua casa confinava, pelas traseiras, com a morada de Cunha Leal, na Av. Miguel Bombarda, para onde Granjo procurou abrigo, avisado do perigo que corria por um vizinho e seu Irmão da maçonaria, Bernardino Simões, comerciante – consultar, Rocha Martins, “Vermelhos, Brancos e Azuis”, vol.2].

Veio depois a noite e eu tenho a impressão nítida de que a mesma figura de ódio – o mesmo fantasma para o qual todos concorremos – passou nas ruas e apagou todos os candeeiros. Os seres medíocres desapareceram na treva - os bonifrates desapareceram: só ficaram bonecos monstruosos, com aspectos imprevistos de loucura e de sonho, que na camioneta fantasma [nome como foi conhecida a camioneta, que transportava os assassinos (10?) que levaram a cabo os crimes perpetuados nesse dia. Entre eles estavam, Benjamim Pereira, Manuel José Carlos e Abel Olímpio (o Dente de Ouro). Pelo que é referido por Berta Maia, viúva de Carlos da Maia (um dos assassinados) a camioneta foi fornecida pelo tenente Mergulhão] procuravam as suas vítimas. Noite de chumbo. No quarto andar da Rua da Madalena, a sombra esmagava-me o coração, reduzindo-o a cisco. Na taberna em frente a mesma música reles de todas as noites não cessava de tocar num realejo a que um galego dava corda ... E a noite prolonga-se, sórdida e satânica.

A essa hora o desgraçado consumia a sua agonia no Arsenal, entre rugidos das bestas desencadeadas. – Sangrem-no como a um porco!

Outro [Carlos da Maia] é arrancado dos braços da mulher, que grita inutilmente, cheia de dor, pedindo piedade para o marido e o filho que tem nos braços. E a camioneta, onde os bonecos se agitam, percorre as ruas negras, alucinante e trágica. – Almirante [Machado dos Santos], é a sua hora: vai ser fuzilado! – E a voz daquele ingénuo, que quis ser político, jornalista e revolucionário e vai ser, de encontro a uma parede, um farrapo humano a escorrer sangue por todas as feridas, responde: Veja – diz ele para o bandido que lhe fala – que as minhas pulsações não aumentaram. (...)

Se todos nos quiséssemos ouvir, encontraríamos, talvez, dentro da nossa alma, a explicação da noite infame e compreenderíamos por que ela foi possível. Ódio, terror e o desconhecido. Andaram também metidos nisso políticos e, ao que se diz, até um padre

[referência, presume-se, ao Padre Lima (natural de Estivares ou melhor, Estevais da Vilariça ), e que juntamente com Fernando de Sousa, ambos do jornal A Voz, mais o tenente Mergulhão, Gastão de Matos, Luiz Moutinho de Carvalho, Carlos Pereira e o Conde de Tarouca, foram considerados, na época, como os principais mandantes dos assassinatos em cadeia – vidé, Berta Maia, As Minhas Entrevistas com Abel Olímpio ‘O Dente de Ouro’, Lisboa, 1929]

– nas ruas são as personagens insignificantes que entram em todas as tragédias. Quem os mandou matar? – porque estas coisas nunca são espontâneas. (...)

Raul Proença, in Memórias, vol. III

J.M.M.

EFEMÉRIDES DE HÁ CEM ANOS



(Outubro de 1909)

Dia 1
- Início da publicação, no Porto, do diário republicano A Pátria, dirigido pelo Dr. Duarte Leite.

Dia 2
-

Dia 3
- Centro Escolar da Pena: Inauguração do ano lectivo 1909/1910 na escola infantil deste centro, onde discursam alguns oradores. A festa foi abrilhantada por um grupo musical e à noite realizou-se um sarau dramático, pelo Grupo 15 de Julho, do Centro do Socorro. Presidiu o sr. Caetano da Silva, secretariado pelos srs. Custódio Rodrigues e Luís dos Santos.
- Centro Republicano Latino Coelho: conferência anti-jesuítica por Simões Coelho.
- Centro Escolar Democrático José Estêvão: Inauguração do ano lectivo, na sede do centro, Rua do Lumiar, 68, 1º. Discursam diversos oradores como: João de Meneses, Manuel de Arriaga e Feio Terenas e vão ser oferecidos bibes escolares às crianças inscritas. Agostinho Fortes realizou também uma conferência. A sessão foi presidida por Francisco dos Reis Stromp.
- Grémio da Mocidade Republicana: Na sede do Centro Capitão Leitão, em Almada, sessão de protesto contra a prisão de Francisco Ferrer. Discursaram José Ramada Curto, Gastão Rodrigues, Bastos Flávio, João Borges, Firmino Chaves, Jaime de Castro e Júlio Dumont.
- Centro Republicano de Santos: Sessão de distribuição de prémios aos alunos distintos. Foram convidados a discursar Teófilo Braga, Brito Camacho, Aurélio da Costa Ferreira, Agostinho Fortes, Miranda do Vale, Marinha de Campos, entre outros.
- Centro Escolar Democrático José Jacinto (Pedrógão Grande): a comissão instaladora deste centro solicitava a todos os pedroguenses para contribuírem para a instalação do mesmo.
- Sociedade Promotora de Educação Popular: Festa do 5º aniversário desta instituição. Discursou Teófilo Braga, José Pontes, Jaime Sebrosa, Arnaldo de Carvalho, João A. De Andrade, Feliciano de Sousa, Borges Grainha e António Ferrão.
- Santarém: No Centro Eleitoral Republicano desta cidade realizou-se uma conferência com o Dr. António Augusto, pároco em Vila Seca, intitulada “Religião e República”. Presidiu à sessão José Relvas.

Dia 4
- Avelar: Realizou-se nesta localidade o primeiro registo civil do concelho de Ansião. Casaram-se civilmente Paulo Braz de Medeiros com Bernardina Dias Lopes, sendo testemunhas do acto António Augusto de Medeiros e José Augusto de Medeiros.

Dia 7
- Província do Algarve: Este semanário republicano de Tavira, dirigido por Silvestre Falcão assinalava o seu primeiro aniversário.
- Setúbal: reunião do Centro Republicano de Setúbal, em assembleia-geral, onde se aprovou a deliberação de fundar uma escola-oficina de lavores femininos. Foi ainda decidido fundar uma biblioteca no centro, porque tinham recebido muitas ofertas de livros. Saudava-se ainda a frequência às palestras doutrinárias que se realizavam às quartas-feiras.

Dia 8
-
Dia 9
- O semanário republicano Pedro Nunes, de Alcácer do Sal, assinalava o seu 5º ano de publicação.
- II Conferência Anti-Jesuítica, em Sobral de Montagraço, com o Dr. António Maceira.
- Raúl Pires realiza uma conferência no Centro Pátria Nova, em Carnaxide, subordinada ao tema “O Que é o Registo Civil?”.

Dia 10
- Eleição da Junta Local de Lisboa do Livre Pensamento, realizada na Associação do Registo Civil, com sede na Rua dos Remolares, 30, 1º.
- O Grémio Mocidade Liberal promoveu uma sessão de propaganda anti-clerical. A sessão decorreu nas instalações do Centro Castelo Branco Saraiva, situadas na Rua de S. Paulo, 246, 1º. Foram oradores Augusto José Vieira, Eugénio Vieira, Alfredo Ladeira, Américo Pereira, Raimundo Alves, Bastos Flávio.
- Abriu as instalações do Centro Republicano em Águeda que no dia seguinte inaugurou as aulas de instrução primária.
- Inauguração na escola do Barracão, em Mortágua, das sessões de leitura pública com o professor Tomás da Fonseca. Nestas sessões participavam cerca de 50 alunos.
- Proibida a sessão de propaganda prevista para se realizar em Vale de Remígio, Mortágua. O convidado a discursar sobre a “Situação do País” era o professor Lopes de Oliveira. Foi organizada a mesa constituída pelo sr. Augusto Simões Nunes de Sousa, presidente da comissão municipal republicana, secretariado pelo Dr. Aureliano Xavier de Sousa Maia e Manuel de Almeida Queiró. Porém, a autoridade administrativa, presente no local, impediu a sessão.

Dia 11
- Ladislau Piçarra realizou uma conferência no Teatro Bejense subordinada ao tema “Ferrer e a sua obra”.

Dia 12
- O Grémio Mocidade Liberal organizou uma sessão fúnebre de homenagem a Heliodoro Salgado. Foram oradores na sessão Augusto José Vieira, César da Silva, Eugénio Vieira, Gastão Rodrigues, Alfredo Ladeira, Sá Pereira, Raimundo Alves.
- Homenagens a Heliodoro Salgado nos Centros Eleitoral Escolar Democrático da Pena, Grémio Republicano Federal e Grupo Excursionista do Castelo.
- Faleceu Horácio Hesk Ferrari, um dos mais antigos republicanos em Portugal.

Dia 13
-

Dia 14
- Reunião em assembleia-geral do Centro Democrático Alhandrense para dar conhecimento dos esforços envidados para mudança de instalações e abertura de aulas.

[Em Continuação]

A.A.B.M.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

OS DEFENSORES DE CHAVES - 1912



Foto [clicar] de um grupo de civis e militares de Chaves [Os "Defensores de Chaves", então chefiados por Ribeiro de Carvalho] e que em Julho de 1912 resistiu com bravura à 2ª incursão monárquica, via tropas chefiadas por Paiva Couceiro e Sousa Dias.

Curiosamente, na foto, os republicanos defensores de Chaves, transportam o busto da República.

foto: via Blog Bernardino Machado

J.M.M.

BRIGANTIA 2009


Por amabilidade do Prof. Hirondino Paixão Fernandes, foi-nos oferecido o vol. XXVIII-XXIX, correspondente a 2008-2009, da revista em epígrafe.

Este número especial, dedicado ao Centenário de Trindade Coelho, resulta de um trabalho aturado e persistente de recolha, pesquisa e inventariação de cartas de Trindade Coelho dirigidas às mais diversas personalidades. Hirondino Fernandes conseguiu reunir mais de meio milhar de cartas (511) deste autor transmontano, entre 1873 e 1908.

Do sumário do presente número da Brigantia, dirigida por Ana Maria Afonso, retira-se o seguinte:
- In Limine, por Ana Maria Afonso;
- Prefácio, por Aníbal Pinto de Castro;
- Entre Quem É (À guisa de Introdução), por Hirondino Fernandes;
- Tábua Cronológica, por Hirondino Fernandes;
- Cartas (organização, leitura e notas), por Hirondino Fernandes;
- Referência das Gravuras, por Hirondino Fernandes;
- Bibliografia, por Hirondino Fernandes;
- A Sete Chaves (À guisa de Nota Final), por Hirondino Fernandes;
- Índices (Assuntos, Prosónimos, Topónimos, Destinatários), por Telmo Verdelho e Hirondino Fernandes

Ao longo de 768 páginas, bastante ilustrado com fotografias das cartas, gravuras da época e das personalidades com quem trocou correspondência.

Sem dúvida a homenagem que José Francisco Trindade Coelho merecia por parte dos seus comprovincianos.

A.A.B.M.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ANTÓNIO MARIA DA SILVA


Aproveitando a efeméride que hoje se assinalava, António Maria da Silva faleceu há 59 anos, o Almanaque Republicano aproveita para completar com mais alguns elementos biográficos a nota que fornecemos AQUI.

António Maria da Silva nasceu em Lisboa, a 26 de Maio de 1872, e veio a falecer a 14 de Outubro de 1950, sendo filho de António Maria da Silva e de Maria da Luz Marques Silva. Casou com Adelina Antónia Marques de Lemos de quem teve uma filha.

Concluindo, em 1892, o curso de Engenharia de Minas na Escola do Exército, ingressa, de seguida, na Escola Politécnica, onde parece ter estado o tempo de formação habitual, visto que, em 1895, entra ao serviço do Ministério das Obras Públicas, para o qual foi nomeado engenheiro-ajudante da Companhia de Minas.

Nessa função, haveria de ser promovido a engenheiro-subalterno e a engenheiro de 1.ª, em 1901 e 1910, respectivamente, ocupando, de permeio, entre 1904 e 1905, um lugar na direcção da Associação dos Engenheiros Civis. Ainda em 1910, torna se director-geral interino da Estatística, para nos anos seguintes assumir os lugares de presidente da Sociedade de Propaganda de Portugal (1911) e de director-geral dos Correios e Telégrafos (1911-1915, 1917-1919 e 1919-1926).

Filiado no Partido Republicano Português ao tempo da Monarquia, a sua acção em prol do derrube deste regime, iniciada em 1907, contra o governo de João Franco, manifesta-se, sobretudo, na clandestinidade, ao serviço da Carbonária. Chega mesmo a ser um dos fundadores da Alta Venda da Carbonária, sociedade secreta criada na sequência do fracasso da revolta de 28 de Janeiro de 1908, que ombreará com outras organizações na preparação do movimento revolucionário. Envolvido nesse objectivo, foi um dos poucos chefes republicanos que participaram activamente no 5 de Outubro de 1910. Implantado o novo regime, a sua carreira assume diversas direcções. Começa por exercer cargos de missão ou de nomeação política, como o de secretário-geral do Ministério do Fomento e o de comissário da República junto da Companhia dos Tabacos, ambos em 1910.

No ano seguinte, toma assento como deputado às Constituintes, por Silves, dignidade em que voltará a ser investido pelo mesmo círculo (1925) e pelo de Lisboa (1915, 1919, 1921 e 1922). Inicia em 1913 uma rica e intensa experiência governativa, ao assumir a pasta do Fomento no governo de Afonso Costa (cargo para o qual já havia sido convidado pelo Governo Provisório), entre 9 de Janeiro de 1913 e 10 de Novembro de 1914, mandato em que fica associado à transformação do porto de Leixões em infra-estrutura comercial. Voltará, novamente pela mão de Afonso Costa, à direcção do Ministério do Fomento, entre 29 de Novembro de 1915 a 15 de Março de 1916, mudando, no dia seguinte, para o Ministério do Trabalho, que dirigirá até 25 de Abril de 1917.

Participa activamente como membro da Junta Revolucionária de 14 de Maio de 1915. Foi perseguido e maltratado durante o período do sidonismo.

No período que se segue à 1ª Guerra Mundial, António Maria da Silva, foi responsável por duas grandes cisões no Partido Republicano Português a de Álvaro de Castro e de José Domingues dos Santos.

A sua governação ficou ainda conhecida pelo desmantelamento do sistema do “pão político” e pela defesa do câmbio do escudo. Após a implantação da Ditadura Militar, distingue-se na oposição ao regime e, por consequência, conhece a prisão, como nos tempos da I República, em 1918. Ao nível partidário, tornara-se chefe do Partido Democrático após o exílio de Afonso Costa, formação a que tinha regressado em 1914, depois de ter chefiado o Grupo Independente desde 1911.

A.A.B.M.

A FESTA DA FAMÍLIA POLÍTICA - CARICATURA



"A festa da família política: acepipes do Natal - Francisco Valença (1882-1962)

Desenho publicado no "Diário de Lisboa" de 24.12.1924, p. 25. - Caricaturas de José Dominges dos Santos, António Maria da Silva, Álvaro de Castro, Cunha Leal, Lino Neto, Procópio de Freitas e dois não identificados. [clicar na foto]

via Biblioteca Nacional.

J.M.M.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O SR. BERNARDINO MACHADO EXISTIU E EXISTE



"O escritor e jornalista monárquico, Eugénio Severim Azevedo, que assinava os seus trabalhos com o pseudónimo "Crispim", foi redactor da 'Nação' e director do jornal de caricaturas 'O Talassa'.

Escreveu o opúsculo 'O Sr. Bernardino Machado nunca existiu - Bernardino na História - Bernardino na Política - Bernardino na Cordealidade - Formação impessoal do Bernardinismo'.

Resposta ao opúsculo de Crispim, da autoria do poeta e autor dramático republicano, António Correia Pinto de Almeida, que assinava com o pseudónimo 'Marco António' [utilizou, também, o pseud. António Amargo]. Era natural da Figueira da Foz e foi director da 'Gazeta da Figueira' [do nº2348, de 24/10/1914 ao nº2356, de 21/11/1914]. Publicou as peças: 'O Degredado', 'Polícia Amador' e 'Os Conspiradores'." [assinou também: Republicanadas (1913), Alcofinhas, Cantares (1922)]

via Blog Bernardino Machado [sublinhados, nossos]

- Crispim [pseud. de Eugénio Severim Azevedo] – O Sr. Bernardino Machado nunca existiu, Tip. da Modesta, Lisboa, 1914

- Marco António [pseud. de António Correia Pinto de Almeida] - O Sr. Bernardino Machado existiu e existe (refutação scientifica das erróneas doutrinas expendidas pelo ímpio Crispim no seu folheto «O Sr. Bernardino Machado nunca existiu».», Imprensa Lusitana, Figueira da Foz, 1914

[tb. publ. nos 100 Anos Republica Figueira da Foz]

J.M.M.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

TRADIÇÃO E MODERNIDADE NO MUNDO IBERO-AMERICANO


VI COLÓQUIO INTERNACIONAL

Vai realizar-se na Sala de S. Pedro, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, entre 19 a 23 de Outubro de 2009, mais um colóquio subordinado ao tema Tradição e Modernidade no Mundo Ibero Americano.

Esta iniciativa que tem vindo a ser desenvolvida pelo CEIS 20, tem como principais responsáveis científicos António Pedro Pita e Maria Emília Prado.

Os trabalhos prolongam-se por vários dias atendendo aos seguintes painéis que a seguir se descriminam:

- O campo intelectual como dimensão da modernidade
- Nações, nacionalismo e vanguardas
- As artes e o pensamento estético entre tradição e modernidade (I)
- As artes e o pensamento estético entre tradição e modernidade (II)
- Figuras, movimentos e controvérsias (I)
- Figuras, movimentos e controvérsias (II)
- Problemas de história das ciências e da educação (I)
- Problemas de história das ciências e da educação (II)

O programa completo do colóquio pode ser consultado AQUI.

Uma actividade a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

VIVA A CÂMARA MUNICIPAL



"Viva a Câmara Municipal - Rocio"
Ass./n. dat. - "Silva Monteiro", in publicado em "Os Ridículos" [clicar na foto]

via República 100 Anos.

J.M.M.

LIVRARIA MANUEL FERREIRA



A Livraria Manuel Ferreira,conceituada livraria e alfarrabista, do Porto, disponibilizou, recentemente, na sua nova página web, um catálogo que o Almanaque Republicano não podia deixar de assinalar e divulgar junto de todos os interessados.

Ao longo de 67 páginas encontramos algumas das obras mais importantes acerca da História da Propaganda do Partido Republicano, História da 1ª República, memórias, biografias e muitos estudos sobre o período em causa. Como é evidente, não vamos mencionar todos os títulos mas apresentamos algumas obras que consideramos essenciais para conhecer melhor a época e os seus protagonistas.

Ver aqui o referido catálogo.

Indubitavelmente um dos melhores catálogos sobre o tema que chegaram até nós.

A.A.B.M.

domingo, 11 de outubro de 2009

O MAÇON AURÉLIO PAZ DOS REIS (1862-1931)


"... Sob o ponto de vista associativo, Aurélio Paz dos Reis era, em 1882, com apenas vinte anos de idade, membro da Comissão Executiva dos Empregados do Comércio. Em 1893 abriu a sua casa comercial, a Flora Portuense, na Praça de D. Pedro (...)

Sob o ponto de vista político a cidade fervilhava, tendo como centros de debate os cafés e as Lojas maçónicas. Dos cafés, destacava-se o Lisbonense, mas também o Central, o Suíço da Praça ou o Guichard, os quais se assumiam também como locais de encontro da elite intelectual portuense e cuja importância social foi fundamental para a dinâmica da cidade na mudança de século. Republicano assumido, Aurélio Paz dos Reis esteve envolvido na revolta de 31 de Janeiro de 1891 vindo, por isso, a ser julgado em Conselho de Grerra e posteriormente absolvido.

Paz dos Reis, desde cedo desenvolveu uma forte consciência de dever cívico, expressa nas inúmeras organizações a que esteve ligado ou nos recortes de jornais que compilava e cujos assuntos levava para discussão em Loja. É também esse sentido cívico que o leva a integrar a Associação de Protecção à Infância Desvalida, a ser sócio fundador da Associação Portuguesa do Asilo de S. João e a ser director do Ateneu Comercial.

Aurélio Paz dos Reis foi iniciado na Loja Honra e Dever, em 1889, uma Loja que surgira da mudança de nome da Loja Pátria e Família um ano antes, tendo então adoptado o nome simbólico de Homero. Em 1895 filiou-se na Loja Ave Labor e em 1901 transitou para a Loja Liberdade e Progresso, na qual se manteve até à data da sua passagem ao Oriente Eterno.

Vice-secretário da Câmara Municipal, vereador em 1919 e em 1921/22, vice-presidente e presidente em 1923, Aurélio Paz dos Reis demonstra conhecer bem os anseios e as necessidades do Porto.

Aurélio Paz dos Reis faleceu na sua cidade à beira do Douro em 18 de Setembro de 1931, vítima de congestão cerebral. Deixou uma obra artística e fotográfica notável, deixou igualmente o seu nome ligado a introdução do cinema em Portugal e afirmou-se como um cidadão interventivo e defensor de um conjunto de valores caros à Maçonaria. Aurélio Paz dos Reis, que sempre se afirmou como republicano e livre pensador, dizia "sou livre pensador, penso; sou republicano: falo." [ler o texto completo AQUI]

por José Relvas (n.s.), in revista Grémio Lusitano, nº 12, Dezembro de 2007, pp. 68/69 [sublinhados, nossos]

J.M.M.

PODER ESPIRITUAL/PODER TEMPORAL


As relações Igreja-Estado

Chegou ao nosso conhecimento que, na próxima semana, vai reaizar-se um colóquio subordinado ao título Poder Temporal/Poder Espiritual: As relações Igreja-Estado no Tempo da República (1910-2009). Esta actividade, desenvolvida em colaboração entre o Centro de História da Universidade de Lisboa, através da sua linha de investigação Memória & Historiografia, e com a Academia Portuguesa da História, que vai decorrer nos próximos dias 15 e 16 de Outubro e que irá efectuar-se no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

DIA 15 DE OUTUBRO

09.30 – Abertura pela Presidente da Academia Portuguesa da História e pelo Director do Centro de História da Universidade de Lisboa
10.00 – Emílio de Diego
As relações Igreja/Estado, da II República à Democracia espanhola

11.00 – Intervalo
11.30 – António Matos Ferreira
As relações Igreja/Estado na I República portuguesa
12.00 – Manuel Braga da Cruz
As relações Igreja/Estado no ‘Estado Novo’ português
12.30 – Debate

13.00 – Intervalo para almoço
14.30 – Luís Salgado de Matos
O “Estado Novo”: um “Estado de Ordens” contemporâneo
15.00 – António Reis
Religião e Laicidade na Democracia portuguesa
15.30 – Debate e intervalo

16.00 – António Ventura
Padres republicanos
16.30 – Miguel Corrêa Monteiro
Os Jesuítas e a I República portuguesa
17.00 – Debate e Encerramento

DIA 16 DE OUTUBRO

10.00 – Ernesto Castro Leal
Religião civil na I República portuguesa
10.30 – Pedro Calafate
A Igreja Lusitana em Teixeira de Pascoaes
11.00 – Debate e Intervalo

11.30 – José Eduardo Franco
Sebastião de Magalhães Lima, entre a crítica anti-jesuítica e a utopia do livre-pensamento
12.00 – Paulo Fontes
O movimento católico durante o “Estado Novo” português: religião, sociedade e politica em questão
12.30 – Debate
13.00 – Intervalo para almoço

LUGAR AOS NOVOS
14.30 – Teresa Nunes
Uma excepção que confirma a regra: a imagen posi¬tiva de sacerdote em O Padre Roque de João da Motta Prego
15.00 – Rita Mendonça Leite
A I República portuguesa e a Igreja Católica perante a pluralidade religiosa: o caso das minorias protestantes

15.30 – Debate e Intervalo
16.00 – Guilherme Sampaio
Recepção das Encíclicas de Pio XI e de Pio XII no jornal católico português Novidades (1937-1945)
16.30 – Paula Borges Santos
A questão religiosa na Assembleia Nacional do “Estado Novo” português
17.00 – Debate e Encerramento

Um evento que não podíamos deixar de recomendar aos nossos ledores.

A.A.B.M.

sábado, 10 de outubro de 2009

MONTIJO - O ANO DE 1909


Exposição "O ANO DE 1909" - Galeria Municipal do Montijo, até 30 de Novembro

"A exposição, cedida pela Biblioteca Nacional, permite uma viagem pelos acontecimentos, momentos e transformações sociais e políticas ocorridas em Portugal, traçando o calendário dos passos mais relevantes, tanto do lado monárquico como republicano, no ano que antecedeu a implantação da República.

A Câmara Municipal de Montijo decidiu complementar a mostra, acrescentando-lhe alguns dados da história local, permitindo assim, também, um percurso pela Aldeia Galega (hoje Montijo) de 1909. As condições económicas para o desenvolvimento dos ideais republicanos; os acontecimentos sociais e políticos mais importantes, como a decisão de implementação da iluminação eléctrica ou o terramoto do Ribatejo que afectou a vila de Canha; e o desenvolvimento do movimento associativo com a fundação do Aldegalense Sport Club, do Musical Alfredo Keil e da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Montijo serão alguns dos aspectos focados
" [ler AQUI]

Visitas: de segunda a sexta-feira - das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30. Sábado, das 15h00 às 19h00.

J.M.M.

Tomás da Fonseca (1877-1968) via ANTÍGONA


- Na Cova dos Leões – Fátima. Cartas ao Cardeal Cerejeira [c/ pref. Reis Torgal]

"Este livro é porventura um dos mais emblemáticos textos «subversivos» impressos em Portugal durante o salazarismo. Foi escrito por um republicano racionalista e livre-pensador abjurado pela Igreja Católica e pelo regime autoritário e «catolaico» do Estado Novo. Depois, a democracia nascida da revolução de 25 de Abril de 1974 acabou também por o ostracizar. Estas serão, de resto, razões suficientes para que alguns títulos da sua prolífica obra logrem ser redescobertos e reeditados pela Antígona numa altura em que se aproxima o centenário da proclamação da Primeira República em Portugal (1910-2010)"

- O Santo Condestável. Alegações do Cardeal Diabo [c/ pref. João Macdonald]

"Este texto reproduz uma conferência de Tomás da Fonseca, proferida na Universidade Livre de Coimbra, em 1932. Decorridos setenta e sete anos sobre a publicação de O Santo Condestável – Alegações do Cardeal Diabo, a orquestra reorganizou-se para a celebração da canonização de Nuno Álvares Pereira, que a Igreja e os seus cúmplices levaram a cabo neste ano de 2009. Seria, portanto, indelicadeza da Antígona não se associar aos festejos desta nova forma de consubstanciação; por isso, considerámos oportuna a reedição deste livro.
José Tomás da Fonseca nasceu no dia 10 de Março de 1877. Foi um homem de impressionante produção literária, tendo publicado ao longo da vida cerca de quarenta títulos. Colocou-se permanentemente na linha da frente do arriscado confronto político.
"

Publicação pela Antígona - Editores Refractários.

J.M.M.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

QUEM FEZ A REPÚBLICA - EXPOSIÇÃO


"Através de quinze quadros, pretende-se dar um panorama sucinto dos principais acontecimentos que levaram à Implantação da República em 5 de Outubro de 1910, apresentando igualmente notas biográficas dos intervenientes - quem fez a República.

Esta exposição, que reúne documentos e iconografia da época, será igualmente acompanhada da mostra parcial da Colecção António Pedro Vicente da Fundação Mário Soares. A partir do início de 2010, a exposição circulará por diferentes localidades e instituições
"

Local: Sala de Exposições da Fundação Mário Soares.

J.M.M.

ANTÓNIO PEDRO LOPES DE MENDONÇA



António Pedro Lopes de Mendonça [n. Lisboa a 14 de Novembro de 1826 - m. 8 de Outubro de 1865]

Quando é que nos rehabilitaremos na imaginação das nações que nos cercam? Quando é que aqueceremos os nossos membros fatigados e inertes ao sol da civilisação europêa? Quando é que poderemos elevar a nossa fronte humilhada pelos desvarios e torpezas da monarchia absoluta e destes dezesete annos de corrupção e de estupidez representativa?” [A.P.L.M.]

"A república não tem classes, não tem distinções, não tem interesses rivais: as lutas são as das ideias e a sua expressão é, tem de ser manifestada pela imprensa. Ás revoluções armadas hão-de suceder as reformas pacíficas; às paixões, os sentimentos; aos certames de partido, os combates de princípios. Alcançar-se-há esse ideal que debalde têm querido realizar as monarquias representativas? O sistema republicano acolherá no seu seio o princípio da perfectibilidade humana sem que ele ressurja de espaço a espaço tinto de sangue?" [A.P.L.M.]

LOCAIS: António Pedro Lopes de Mendonça (Wiki) / António Pedro Lopes de Mendonça (por Carlos Leone) / António Pedro Lopes de Mendonça / Representação do Outro e Identidade. Um Estudo de Imagens na Narrativa de Viagens - II. Um estudo de caso: a narrativa de viagem oitocentista / A Família Lopes de Mendonça / Boca do Tempo / Dante em A.P.L.M. / Memorias de litteratura contemporanea por A. P. Lopes de Mendonça (livro digitalizado) / Redactores do Ecco dos Operarios

J.M.M.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

1909-2009: CRISE E CRIATIVIDADE ATRAVÉS DA IMPRENSA


O CEIS 20, da Universidade de Coimbra, vai levar a efeito mais uma iniciativa. Entre amanhã e sexta-feira (7 a 9 de Outubro), realiza-se este colóquio internacional cujo programa detalhado pode ser consultado AQUI.

A sessão de abertura decorre amanhã, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Coimbra, a partir das 17 horas, com a recepção dos participantes. Os restantes trabalhos decorrerão no Auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra.

A conferência de abertura fica a cargo do Prof. Doutor Ernesto Castro Leal, enquanto a conferência de encerramento pertence ao Prof. Doutor Onésimo Teotónio de Almeida. Os trabalhos decorrerão em várias sessões dedicadas a àreas temáticas como:
- Crises a abrir o século;
- Crises em letras impressas;
- Crise Política;
- Crise Económica;
- Crise Social e Educacional;
- Crise Cultural;
- Crise e Inovação;
- Crise e Criatividade.

Uma iniciativa deste centro de investigação que também permite aos docentes dos grupos 200, 400 e 410 a frequência de uma acção creditada de 25 horas/1 crédito.

A.A.B.M.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A CIÊNCIA NOS FINAIS DA MONARQUIA



O montante total das despesas anuais em actividades de investigação científica e desenvolvimento experimental (I&D), num país desenvolvido do continente europeu ou americano nos princípios do século XX, rondava por um valor que equivalia a 0,1% ou 0,2% do produto interno bruto (PIB) respectivo. Há cem anos, o mundo era muito diferente no que respeita ao volume das actividades científicas.

Um interessante dossiê a acompanhar. Ver o texto do Doutor João Caraça AQUI

A.A.B.M.

FIGUEIRA DA FOZ - COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA


"A Figueira da Foz é uma cidade, reconhecidamente, com fortes tradições liberais e republicanas. Esse espírito puro (e idealista) acompanhou os (…)

Uma plêiade notável de homens e mulheres foram os obreiros dessas fortes convicções liberais, republicanas e democráticas. Pessoas e colectividades, a imprensa local, grupos e cidadãos, com entusiasmo e desassombro, trabalharam em prol do bem comum e da emancipação do povo figueirense. O espírito e alma republicana, sob o lema liberdade, igualdade e fraternidade, fazem parte, exaltantemente, do álbum das memórias figueirenses. Por isso, esse ideário republicano tem de ser evocado. Deve ser reivindicado. Tem de ser honrado.

No ciclo das comemorações do Centenário da República, que agora decorre, é tempo de reclamar a ideia da República e exaltar a sua herança. O legado republicano é uma missão que exige uma recordação condigna da sua própria grandeza. Por isso, correspondendo ao apelo da Comissão Nacional das Comemorações do Centenário da República, um grupo de cidadãos da Figueira da Foz, republicanos e democratas, em harmonia com os objectivos gerais das Comemorações, visa constituir uma Comissão Cívica da Figueira da Foz para as Comemorações do Centenário da República.

Essa Comissão Cívica terá como objectivo dinamizar - com as instituições, colectividades, associações e cidadãos que adiram a este projecto - um conjunto de iniciativas culturais diversificadas a nível concelhio, em ordem a contribuir para homenagear pessoas e instituições, contribuir para uma maior mobilização e participação da sociedade civil nas comemorações do Centenário, dando assim uma maior visibilidade dos objectivos pretendidos pela Comissão Nacional, especialmente junto das gerações mais jovens.

Este blog ou espaço conversável será, doravante, a pedra inicial que desvela essa pretensão e pretende animar este reencontro antiquíssimo com a nossa história local. Assim, convidamo-lo a aderir a essa futura Comissão Cívica, a divulgar este nosso apelo e a participar por uma República melhor.

Saúde e Fraternidade" [ler tudo AQUI]

in Blog "100 Anos da República Figueira da Foz"

J.M.M.

5 DE OUTUBRO 1910


Edição CTT - "Exposição Mundial de Filatelia"

J.M.M.

domingo, 4 de outubro de 2009

LISBOA REPUBLICANA - ROTEIRO PATRIMONIAL


"Nos passos da República, desvendamos a cidade nos seus elementos urbanísticos e patrimoniais representativos de um regime à beira do seu Centenário. Lisboa, uma das primeiras capitais republicanas da Europa, abriu caminho à instauração da República Portuguesa e, nesta, durante um século, construiu memórias físicas e intangíveis que merecem, agora, um fio condutor e um discurso interpretativo. A Câmara Municipal de Lisboa apresenta este Roteiro Patrimonial, com 100 locais onde é possível revisitar os valores da história associada ao ideário republicano, antes e depois da Revolução de 5 de Outubro de 1910." [ler AQUI]

EXPOSIÇÃO - DIA 5 DE OUTUBRO, 11 horas na Galeria de Exposições dos Paços do Concelho

17h30 | Salão Nobre dos Paços do Concelho - Lançamento do catálogo "À Urna pela Lista Republicana de Lisboa! Foi assim há 100 anos ..." editado pela CML no âmbito do Centenário da Vereação Republicana em Lisboa (1908-2008).

ver todo o PROGRAMA - AQUI.

J.M.M.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO EM COIMBRA



Recebemos e divulgamos o programa das Comemorações do 5 de Outubro a relizar em Coimbra na próxima segunda-feira. (Clicar na imagem para aumentar)



Saúde e Fraternidade a todos os participantes e organizadores.

A.A.B.M.