sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

SOCIEDADES SECRETAS, MAÇONARIA E CARBONÁRIA


DIA 13 DE FEVEREIRO - TERTÚLIA EM MIRANDA DO CORVO NA LOJA DO SR. FALCÃO (21 horas)

TEMA: "Sociedades Secretas, Maçonaria e Carbonária, e a sua intervenção no advento da República" por Fernando Fava, mestre da FLUC e investifgador do CEIS-20.

Na Povoação de Pereira (Miranda do Corvo) realiza-se, no dia 13 de Fevereiro, uma Tertúlia, inserida nas Comemorações do Centenário da Implantação da República, na Loja do Sr. Falcão.

A Loja do Sr. Falcão, antiga taberna e mercearia, pertenceu outrora a familiares de José Falcão [ler AQUI mais] e está situada mesmo ao lado da casa desse ilustre republicano. O tema para a tertúlia, a cargo de Fernando Fava, historiador e membro da Comissão Cívica de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República, versará as "Sociedades Secretas, Maçonaria e Carbonária, e a sua intervenção no advento da República".

J.M.M.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM COIMBRA



No âmbito das Comemorações do Centenário da República, o CEIS 20, as Ideias Concertadas e Almedina vão iniciar amanhã um conjunto de sessões com vários especialistas para abordar à época.

Este conjunto de sessões tem a coordenação da Professora Doutora Maria Manuela Tavares Ribeiro.

O primeiro palestrante, o Professor Catedrático da FLUC, Fernando Catroga, vai apresentar um conjunto de reflexões sobre a Res Publica. Uma Viagem Histórico-Conceptual sobre a Ideia Republicana, a partir das 18 horas.

Pode ler-se no texto de apresentação desta iniciativa:

"Perante a actual crise de valores, sente-se a necessidade de se republicanizar a República". As palavras são do professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Fernando Catroga, e resumem na perfeição o teor do ciclo "100 Anos da República". Organizadas na livraria Almedina Estádio, em Coimbra, de Fevereiro ao final do mês de Setembro, as conferências traçam o percurso republicano à luz de um século de história.

O programa global desta iniciativa, pode ser consultado AQUI.

São sete sessões a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O TEMPO E O MODO



A FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES disponibilizou (online - ver em Revistas de Ideias e Cultura) todos os números da revista O TEMPO E O MODO, "Revista de Pensamento e Acção", publicada em Lisboa, de Janeiro de 1963 (nº1) até Setembro de 1977 (nº 126). De consulta, obrigatória!

Ler mais sobre O Tempo e o Modo, AQUI e AQUI.

J.M.M.

ICONOGRAFIA REPUBLICANA


Curioso rótulo de vinho do Porto, Quinta do Sabor, de Manuel Joaquim Pinto [estabelecido em Vila Nova de Gaia desde 1889, com armazéns de vinho do Porto, M.J.P. compra propriedades vinícolas no Douro (1898) e na Foz do Sabor estabelece a sede da sua actividade].

via Bernardino Machado, aliás in Das Margens do Rio.

J.M.M.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

RESISTÊNCIA - CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO


A INCM publicou o catálogo da Exposição RESISTÊNCIA. Da alternativa Republicana à luta contra a Ditadura (1891-1974) que está patente ao público na Cadeia da Relação no Porto.

Pode lêr-se no texto de apresentação:

A República que se instaurou há cem anos atrás está na origem da democracia em que vivemos. A construção da democracia teve um contributo essencial das lutas dos republicanos contra a Monarquia e, depois de 1910, em defesa da República.

Em 1926, ela caiu às mãos dos militares autoritários. Implantou-se em Portugal uma longa ditadura de 48 anos. Durante esse quase meio século, houve sempre quem resistisse: quem lutasse contra a opressão, e quem tivesse enfrentado corajosamente a repressão dos direitos e a negação das liberdades: republicanos, anarquistas, comunistas, socialistas, católicos progressistas, democratas de todas as cores, incluindo alguns monárquicos. Uns organizaram revoltas armadas, outros foram resistindo no dia a dia.

Nesta exposição, procuramos retratar rostos, gestos, momentos da vida desses portugueses cuja resistência e luta é, de forma decisiva, responsável pela nossa liberdade. Os ideais em nome dos quais estes homens e estas mulheres lutaram foram muito diversos e, muitas vezes, contraditórios. Mas é importante fazer perdurar a memória de quem lutou pela instauração de uma República emancipadora, de quem lutou pela sua preservação contra as ameaças de regresso ao passado, de quem resistiu contra a imposição da longa ditadura salazarista que se lhe seguiu, e de quem, por último, conseguiu reunir em 25 de Abril de 1974 as condições para a derrubar de uma forma tão irresistivelmente não violenta.

Núcleos
I Sant’Ana - A Caminho da República 1891-1910
II Pátio - O 5 de Outubro
III Senhor de Matosinhos - Implantar e defender a I República 1910-18
IV Santo António - Restauração e Fim da I República 1918-26
V Santa Teresa - A Ditadura e o Reviralho 1927-31
VI Átrio das Colunas - Uma Ditadura para durar 1932-34
VII Sala das Colunas - Resistir 1934-58
VIII Átrio do Tribunal - O Furacão Delgado 1958-62
IX Sala do Tribunal - Da Guerra Colonial ao 25 de Abril de 1974


O presente catálogo foi organizado por Manuel Loff e Teresa Siza.

Uma obra que recomendamos a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

JORNAIS REPUBLICANOS DIGITALIZADOS PELA BND



A Biblioteca Nacional Digital disponibilizou nos últimos tempos uma quantidade apreciável de jornais, entre eles alguns republicanos que não podemos deixar de divulgar junto de investigadores, professores, alunos, curiosos e/ou interessados na temática.

Consultando a base de dados foram recentemente acrescentados um conjunto de jornais que constituem uma excelente base de trabalho para descobrir as origens do movimento republicano, em especial a ligação à revolução de 1848.

Neste caso podemos consultar:
- A Alvorada, Lisboa, 1848;
- A Beneficência, Lisboa, 1848;
- É Tarde, Lisboa, 1848;
- O Estandarte, Lisboa, 1847-1851;
- A Fraternidade, Lisboa, 1848;
- A Regeneração, Lisboa, 1851;
- O Regenerador, Lisboa, 1848;
- A República, Lisboa, 1848;
- O Republicano, Lisboa, 1848;
- O Viriato, Viseu, 1855-1892;


Para os tempos da propaganda republicana encontramos também disponíveis:
- Os Debates, Lisboa, Dir. Consiglieri Pedroso, 1888-1891;
- O País/A Pátria, Lisboa, 1895-1900;
- A Vanguarda, Lisboa, 1891-1929;

Mais uma instituição a prestar um excelente serviço à causa da res publica, demonstrando que as instituições públicas podem prestar um excelente serviço aos utentes. Esperemos que seja para continuar.

Torna-se indispensável uma visita a este espaço.

A.A.B.M.

CONFERÊNCIA “RAZÃO E RAZÕES DO REPUBLICANISMO PORTUGUÊS”


Conforme AQUI dissemos, a Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, da Figueira da Foz, associando-se às Comemorações do Centenário da Implantação da República, teve ensejo de organizar uma conferência sobre o título "Razão e Razões do Republicanismo Português".

Com uma assistência muito estimada, e que emoldurou todo o Salão Nobre da vetusta Associação Figueirense, que serviu de anfitriã, os palestrantes - dr. Amadeu Carvalho Homem e o dr. António Reis - destacaram os aspectos mais relevantes da experiência republicana da I República e o seu património actual. Da intervenção do dr. Carvalho Homem saliente-se a ideia de República como o "aprofundamento da democracia nas suas diversas vertentes". Esse "grande veredicto" da restauração de valores - como a "democraticidade", o "sufrágio universal" (ou cidadania plena versus monarquia censitária) -, esse património construído justamente no plano dos valores, tais como as leis da família, o divórcio, o ensino público, não pode ser confundido (axiologicamente) com o plano das realidades, como alguma corrente historicista hoje publicita.

O dr. António Reis, recuperando a ideia anterior, considera que há hoje, de facto, uma corrente de revisão histórica (deturpada) do que foi (é) a República, assumindo que qualquer apologia ou diabolização, tout court, não se compadece com, o que denomina, os princípios do ideal republicano, que corporiza em: submissão do interesse pessoal ou público; igualdade de direitos perante a lei; supremacia do parlamento na organização do Estado; limitação de mandatos, a par da responsabilização penal dos detentores de cargos públicos.

Seguidamente, António Reis, partiu para alavancar as virtudes (ou conquistas) do ideário republicano, a saber: prática da cidadania participativa, estado laico, leis da família e do registo civil, lei da greve, instrução pública (universidade livre, popular), novo ambiente cultural com a presença de várias correntes estéticas e filosóficas. Por fim, registou, nesse deve/haver da construção republicana, alguns dos erros ou perplexidades havidas, em torno do sufrágio universal ("lacuna da primeira república" e que não foi cumprido), incapacidade do pleno funcionamento do parlamento, o presumido erro da participação de Portugal na I Guerra (e que o sidonismo será a sua eventual consequência), os excessos cometidos à "sombra" do laicismo e a ausência de uma politica económica e social clara e eficaz que fosse ao encontro dos ensejos e revindicações do operariado e demais classes sociais (que só os governos entre 1923-25, o tentaram).

A conferência decorreu, depois, á luz das notas propostas pelos dois convidados, tendo a assistência prolongado a sessão com um conjunto de questões, bem curiosas, sobre todas essas matérias e que mereceram a atenção cuidada dos conferencistas.

Está, pois, de parabéns a Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, da Figueira da Foz, pelo excelente préstimo que proporcionou ao vasto auditório, pela relevância dos seus convidados e pelo magnífico espaço de debate que se obteve.

J.M.M

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA - SITE OFICIAL



Site oficial da COMISSÃO NACIONAL DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA 1910-2010.

J.M.M.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM CONDEIXA-A-NOVA


A Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova vai iniciar amanhã, dia 5 de Fevereiro, as cerimónias comemorativas do Centenário da República.

Ao longo de nove sessões, realizadas sempre ao dia 5 de cada mês, irão abordar-se diversos aspectos ligados à República. Entre os temas a abordar encontramos o Hino Nacional, através dos bisnetos dos autores do hino; a República contada às crianças, por José Jorge Letria; a Carbonária e a Maçonaria na Implantação da República, pelo Prof. Doutor José Adelino Maltez; Miguel Bombarda, os Psiquiatras e a República, por Luís Gamito; a Literatura e a República, por Miguel Real; As Canções da República, por Carlos Guilherme e João Balula Cid; As Caricaturas na República, por Osvaldo de Sousa (Exposição); História da Implantação da República, por Amadeu Carvalho Homem; e As Mulheres e a República, com Irene Pimentel e Filomena Beja.

A programação detalhada e calendarizada pode ser consultada AQUI

A acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

IV RASSEMBLEMENT MAÇONNIQUE INTERNATIONAL



LISBOA - Dias 16 e 17 de Abril: IV Rassemblement Maçonnique International

«Lisboa vai ser o palco do 'IV RMI - Rassemblement Maçonnique International', que se realizará nos dias 16 e 17 de Abril próximo, coincidindo com o II EIL - Encontro Internacional de Lisboa, promovido pelo Grande Oriente Lusitano - Maçonaria Portuguesa.

Os RMI iniciaram-se há quatro anos com uma primeira edição em Estrasburgo, a que se seguiram Atenas e, no ano passado, Istambul. Já o I EIL realizou-se há dois anos e abordou o tema 'Religiões, Violência e Razão'.

Estas reuniões anuais juntam dezenas de Obediências da maçonaria liberal de diversos continentes.

Este ano, o dia 16 de Abril será ocupado com actividades maçónicas. No dia 17, maçons e não maçons, nacionais e estrangeiros, vão associar-se às Comemorações do Centésimo Aniversário da República, debatendo o tema 'A Actualidade dos Valores Republicanos


via G.O.L. [ver AQUI]

J.M.M.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

IN MEMORIAM MANUEL SERRA



"É na Juventude Operária Católica, aos 17 anos, que Manuel Serra toma consciência da pobreza, repressão e injustiças que o rodeiam – o motor de arranque para uma longa e agitadíssima caminhada.

Já como oficial da marinha marcante, integra-se na corrente mais extremista da campanha de Humberto Delgado para a presidência da República, em 1958, onde defende o recurso à luta armada para o derrube do regime.


Na noite de 11 para 12 de Março, chefia os civis no falhado Golpe da Sé, sendo detido e levado para o Aljube onde permanece seis meses, depois de cinco dias de tortura de sono. Numa primeira fuga espectacular, sai pelo seu pé do Hospital Curry Cabral onde se encontrava internado: vestido de padre, segue directamente para a embaixada de Cuba em Lisboa, onde pede asilo. Apesar de vigiado em permanência por quatro agentes da PIDE, chefiados por Rosa Casaco, estuda um novo plano de fuga, muda de visual muito rapidamente, cortando o cabelo e a barba, e aproveita uma mudança de turno para, uma vez mais, sair em pleno dia para a embaixada do Brasil, já que o seu objectivo era precisamente juntar-se a Humberto Delgado naquele país.

Parte em Janeiro de 1960 e começam então os preparativos para o que viria a culminar no golpe de Beja, em 1 de Janeiro de 1962. Depois dos factos que são do conhecimento público, Manuel Serra tenta esconder-se no sul do país, mas acaba por ser detido em Tavira. Segue-se então um mês de grande violência, com tortura de sono e espancamentos, um julgamento com condenação a dez anos de prisão e longas estadias em Peniche e em Caxias. Liberto no início de 1972, é ainda detido por um curto período em Novembro de 1973.

Tudo somado, quase doze anos passados em prisões da PIDE.

A seguir ao 25 de Abril, é um dos fundadores do MSP (Movimento Socialista Popular) que mais tarde se integra no Partido Socialista com grupo autónomo, mas divergências internas precipitam a saída, em Janeiro de 1975, para a criação da FSP (Frente Socialista Popular). No quadro deste pequeno partido, participa nas campanhas de Otelo Saraiva de Carvalho para a presidência da República. Em 1980, foi um dos fundadores da FUP (Força de Unidade Popular)...
" [ler todo o texto AQUI]

Joana Lopes, via Caminhos da Memória

J.M.M.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CANDIDATOS DA OPOSIÇÃO À ASSEMBLEIA NACIONAL DO ESTADO NOVO


A Assembleia da República, o CEIS20 e a Livraria Bertrand convidam V. Ex.ª para a apresentação do livro Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo. Um Dicionário , coordenado por Luís Reis Torgal e da autoria de Mário Matos e Lemos.

A sessão realizar-se-á na Livraria Bertrand, do Centro Comercial Dolce Vita, em Coimbra, no dia 4 de Fevereiro, 5.ª feira, pelas 18h00.

A apresentação do livro será feita pelo Dr. António Arnaut.


Uma obra que o Almanaque Republicano não pode deixar de recomendar a todos os seus ledores.

A.A.B.M.

JOSÉ RÉGIO E A REPÚBLICA


Tivemos conhecimento, através do Doutor António Ventura , de um notável texto que podemos apresentar hoje sobre a República, publicado por José Régio no jornal A Rabeca (Portalegre) n.º 2404, de 6 de Outubro de 1966:

Oferecendo a todo e qualquer cidadão a possibilidade de ocupar os mais altos postos na governação da sua pátria; permitindo à opinião pública a faculdade de intervir, por meio dos seus representantes, nessa mesma governação; não exigindo a cada cidadão, para que seja um desses representantes (ou venha a ocupar aqueles postos) senão a idoneidade intelectual e moral que nada tem a ver com privilégios de classe ou casta, — a República é o regime que mais naturalmente procura realizar a ideia democrática. Ideal moral e racional, a democracia convida o homem a superar-se aos seus particularismos. Como regime que tenta efectivar esse ideal, a prática republicana procura o bem de cada um na medida em que não ofenda o bem de todos, na medida em que não seja esquecido o bem de cada um, o direito de cada um e os direitos da colectividade, o respeito pela dignidade de cada indivíduo como pessoa e o respeito de cada indivíduo pela dignidade comum»

Dizendo ser a República o regime que mais naturalmente procura realizar a ideia democrática, — ficou insinuado que pode a realização da democracia ser tentada por outros meios ou regimes. Admitamos, até, que podem ser consideradas democráticas ideias diversas, ou haver de democracia outras concepções. Em ser um ideal porventura inatingível no seu absoluto — está a perenidade, o prestígio, a validez da democracia de que estamos falando. Nisso mesmo estará, para outros, a sua fraqueza. Isso mesmo lhes dará a eles razão para se desiludirem de ela. Com o mesmo fundamento se deveria, então, renunciar ao Cristianismo, pois também o Cristianismo parece não poder ser realizado em absoluto pelas fracas forças humanas. Sendo um ideal porventura demasiado exigente, nem pelo facto de inatingível no seu absoluto deixa a democracia de permitir ao homem uma sua progressiva aproximação, e de novo, aqui, a podemos comparar à ideia cristã.

Pelo que diz respeito ao político e ao social, depende da técnica usada o bom êxito dessa aproximação progressiva. As deficiências reconhecidas em certas técnicas nada provam contra a ideia democrática em si. Se me é permitida tal linguagem, saudemos na República a técnica democrática mais natural e mais válida, — desde que, por sua vez, funcione e se realize a ideia republicana. Isto nos lembra que tudo pode ser atraiçoado — o ideal republicano, o ideal democrático, o ideal cristão, etc. — desde que a reforma exigida às sociedades não seja, por sua vez, exigida aos homens. Tudo pode estar teoricamente certo mas praticamente errado, desde que o pretenso progresso político e social não seja, em cada indivíduo chamado a intervir, um progresso moral e intelectual Se já o facto de surgir no homem a ideia de sociedades mais justas, mais progressivas, mais humanas no sentido nobre do termo, é um progresso do próprio homem, — reconheçamos que a simples tentativa de realizá-las lhe exige uma contínua vigilância interior, um contínuo triunfo, para o bem de todos incluindo o seu próprio, sobre os seus egoísmos e paixões particulares
.

Com um agradecimento particular, ao Doutor António Ventura, pelo seu contributo para este espaço de conhecimento e partilha de assuntos relacionados com a República.

A.A.B.M.

sábado, 30 de janeiro de 2010

31 DE JANEIRO 1891 - AUGUSTO MALHEIRO



Augusto Rodolfo da Costa Malheiro

Nasceu no Porto, na freguesia da Vitória, em 19 de Janeiro de 1869.

Militar, tinha a função de alferes em 1891, quando se tornou uma espécie de herói dos republicanos. Incorporado no Batalhão de Caçadores 9, instalado no Porto, foi um dos líderes militares da revolta. Fugiu para Espanha, passando por Vigo, de onde partiu para o Brasil.

Julgado à revelia, foi considerado desertor e expulso do Exército, devido à sua participação na revolta do Porto, foi em busca de fortuna para o Brasil.

Naquele país conquistou alguma reputação como engenheiro.Envolveu-se na revolução promovida por Saldanha da Gama contra o presidente brasileiro Floriano Peixoto. Distinguiu-se na luta e foi louvado e condecorado pelo Governo brasileiro.

Após o 5 de Outubro de 1910, mais concretamente em 22 de Novembro de 1910, quando se encontrava na Baía. Dessa cidade escreve uma carta de agradecimento ao então Ministro da Guerra e ao Governo Provisório Republicano. Regressou a Portugal e foi reintegrado no Exército como Capitão.

Durante a Primeira Guerra Mundial partiu para Angola, como voluntário, para fazer parte das forças expedicionárias.

Participou ainda no grupo das tropas que combateram as revoltas monárquicas de Monsanto (Lisboa) e do norte do País, em 1919.

Deixou parte dos seus bens para o Centro que tem o seu nome, visando a fundação de uma escola. Esta ainda se encontra em funcionamento.

Augusto Malheiro morreu em Lisboa no dia 9 de Dezembro de 1924.

OUTROS LOCAIS A CONSULTAR:
Museu Virtual da Educação
Germano Silva, "Militares envolvidos na conspiração desde o início", via Jornal de Notícias, Porto, 16-01-2010.

A.A.B.M.

FIGUEIRA DA FOZ - CENTENÁRIO IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA


DIA 5 DE FEVEREIRO (21,30 horas) - Salão Nobre da Assembleia Figueirense

CONFERÊNCIA: "Razão e Razões do Republicanismo Português", pelo Prof. Amadeu Carvalho Homem e moderação do Prof. António Reis.

ORGANIZAÇÃO: Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto

«No âmbito das celebrações do Centenário da República que este ano se cumpre, a Associação Cívica 24 de Agosto vai realizar na próxima Sexta-Feira, 5 de Fevereiro, pelas 21H30, no Salão Nobre da Assembleia Figueirense, uma Conferência subordinada ao tema “Razão e Razões do Republicanismo Português” pelo Prof. Dr. Amadeu Carvalho Homem com comentário do Prof. Dr. António Reis.

Amadeu Carvalho Homem, professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tem centrado a sua investigação no aprofundamento do conhecimento da história do nosso republicanismo, procurando sobretudo salientar os contributos filosóficos em que essa proposta assentou. São da sua autoria obras como “A ideia republicana em Portugal: O contributo de Teófilo Braga”, “A propaganda republicana. 1870-1910”, “O Conde de Arnoso e o seu tempo” e “Da Monarquia à República”.

António Reis, Professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, é Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano - Maçonaria Portuguesa e integra a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República. Destacam-se das suas obras livros como “Portugal Contemporâneo (1820-1992)” e “Portugal: Vinte Anos de Democracia”, editado em 1994
»

via 100 Anos da República Figueira da Foz

J.M.M.

31 DE JANEIRO 1891 - GENERAL CORREIA DA SILVA


JOSÉ MARIA CORREIA DA SILVA

Nasceu no Porto, em 8 de Dezembro de 1820, na freguesia de Santo Ildefonso.
Assentou praça em 12 de Junho de 1840, com 19 anos, tendo sido promovido a alferes em 26 de Novembro de 1840, a Tenente em 9 de Agosto de 1851, a Capitão em 10 de Agosto de 1864, a Major em 16 de Dezembro de 1872, e a Tenente-Coronel, em 2 de Setembro de 1874. Passou à situação de reforma com o posto de General de Brigada, em 10 de Outubro de 1883.

Desempenhou as funções de Governador da Guiné em 1853, sendo o despacho de nomeação publicado em portaria de 2 de Março desse ano. Enfrentou uma revolta naquele território, tendo manifestado alguns problemas em conseguir aplicar as medidas necessárias para pôr fim à mesma.

Em 1891, foi um dos poucos militares de elevada hierarquia que participou na preparação da Revolução de 31 de Janeiro, no Porto. Porém, porque não concordou com os planos da organização, que se confirmou pouco eficaz, acabou por não participar no movimento. No entanto, o seu nome constava na lista proposta como governo provisório, onde constavam os nomes de Rodrigues de Freitas, Joaquim Bernardo Soares, José Ventura dos Santos Reis, António Joaquim de Morais Caldas, Alves da Veiga e Joaquim Azevedo de Albuquerque.

Foi preso como conspirador, julgado e condenado por não ter actuado de forma a reprimir os revoltosos.

Foi também subscritor do Manifesto do Emigrados de 31 de Janeiro, publicado no ano seguinte.

Casou com Maria Adelaide Dias, natural de Vimioso, que faleceu em 1879. Deste casamento resultaram 4 filhos: Luís, que nasceu em 22 de Janeiro de 1867, natural da freguesia de Bonfim; Maria Amália, que nasceu em 16 de Fevereiro de 1868, na freguesia de Bonfim e faleceu em Valongo em 19 de Dezembro de 1942; Irene, que nasceu em 5 de Abril de 1870; Clotilde Maria, que nasceu em 28 de Fevereiro de 1873, no Bonfim.

Faleceu, no Porto, a 28 de Fevereiro de 1896.

Bibliografia Consultada:

Os Generais do Exército Português, Coord. Coronel António José Pereira da Costa, Biblioteca do Exército, Lisboa, 2005, p. 175-176.

A.A.B.M.

POSTAIS DA PRIMEIRA REPÚBLICA



Foi recentemente lançado ao público uma interessante colecção iconográfica,com textos do Prof. Doutor António Ventura, numa edição da Tinta da China com o apoio da Comissão para as Comemorações do Centenário da República

Pode ler-se na apresentação da obra:
Os postais que seleccionámos para este livro são apenas isso: uma selecção, feita a partir de um universo imenso e riquíssimo. Vão acompanhados, sempre que possível, de notas explicativas e identificativas sumárias. São uma amostragem representativa que nos permite revisitar esse universo colorido e fantástico que ajudou a povoar o imaginário português desses tempos conturbados, no momento em que assinalamos o Centenário da República.

Uma obra que recomendamos a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

JOÃO CHAGAS - "CARTAS POLÍTICAS"



JOÃO CHAGAS - CARTAS POLITICAS, Lisboa, MCMVIII-MCMX. 5 séries ou volumes. 16,5x24 cm. 320, 320, 320, 320 e 240 págs. E.

«Indispensável para a história dos importantes acontecimentos políticos da época. Inclui, entre outras, missivas dirigidas “ao Rei D. Manoel”; “aos senhores da liga monarquica”; “ao Doutor Bernardino Machado sobre a Revolução”; “à Imprensa Estrangeira a propósito do 1º anniversário do Regicídio”; “Carta ao Povo de Coruche depois do Comício Monarchico de 14 de Fevereiro”; “Carta a D. Miguel de Bragança em seguida à notícia da sua renuncia e do seu reconhecimento da Monarchia Liberal”; “Carta a um provinciano sobre a crise da semana e sobre o que se lhe vae seguir” etc. de um total de 95 documentos As cartas, em brochura, encontram-se conservadas em pastas cujas lombadas (decoradas a ouro) e cantos são em pele e apertadas com atilhos de seda»

via CATÁLOGO DE JANEIRO DA LIVRARIA IN-LIBRIS

J.M.M.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

ARQUIVO E A GESTÃO DA INFORMAÇÃO PARA QUÊ?


No próximo sábado 30 de Janeiro, em Loulé, realiza-se uma conferência intitulada Arquivo e a Gestão da Informação para quê?, coordenada pela Dra. Luísa Martins.

Mais uma iniciativa do Arquivo Histórico Municipal de Loulé que tem vindo a desenvolver uma interessante e continuada actividade em prol da preservação e investigação da história local. A actividade deste arquivo preservando não só a documentação oficial e administrativa da câmara e outros organismos estatais, mas também a documentação que algumas instituições foram legando ao arquivo para salvaguarda e preservação.

Ao longo dos últimos anos, muitos investigadores estiveram em Loulé, a divulgar alguns aspectos menos conhecidos ou talvez pouco estudados na historiografia nacional. Alguns ilustres professores das Universidades de Lisboa, Coimbra, Évora e Algarve têm realizado as suas investigações no arquivo, utilizado os seus serviços e recursos e apresentado o resultado das suas pesquisas.

Uma actividade a acompanhar com interesse.

A.A.B.M.

31 DE JANEIRO DE 1891 - POR CÉSAR ANJO





artigo de Augusto César Anjo ("31 de Janeiro"), publicado no jornal REPÚBLICA, de 30 de Janeiro de 1969.

via Arquivo Digital da Torre do Tombo

[clicar na foto, para aumentar a imagem]

J.M.M.

1969 COIMBRA - COMEMORAÇÕES DO 31 DE JANEIRO 1891



Reprodução do panfleto das Comemorações do 31 de Janeiro de 1891, nos tempos idos de 1969, pela Comissão de Coimbra, e que se realizou no Teatro Avenida pelas 17.30 horas.

Refira-se os nomes dos oradores: Orlando Carvalho, Augusto da Costa Dias, Alexandre Cabral e António Arnaut.

via Arquivo Digital da Torre do Tombo.

J.M.M.

domingo, 24 de janeiro de 2010

31 DE JANEIRO


A Torre do Tombo Online disponibilizou um conjunto de documentação (241 documentos) da PIDE, à época já com a eufemística designação de Direcção Geral de Segurança, sobre as comemorações do 31 de Janeiro que se realizaram em Coimbra em 1969. O jantar realizou-se no Café Romano e a sessão pública decorreu no Teatro Avenida.

Encontramos muitos nomes conhecidos, alguns ainda vivos, outros já deixaram a nossa convivência. Alguns tornaram-se figuras políticas de peso após a Revolução dos Cravos.

O curioso e importante conjunto documental, agora disponibilizado, permite conhecer desde as palavras que foram proferidas com excerptos de discursos, com a identificação das personalidades presentes nas iniciativas e dos principais organizadores. Por outro lado, permite ainda verificar a capacidade de organização da PIDE e dos "bufos" que levavam muita desta informação à polícia política do Estado Novo.

Uma iniciativa de louvar disponibilizar esta informação ao público em geral e interessado nestas questões que vamos continuar a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

31 DE JANEIRO 2010 - PORTO


PROGRAMA DAS COMEMORAÇÕES DO 31 DE JANEIRO E INÍCIO OFICIAL DAS COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA [ver AQUI]

[clicar na foto]

J.M.M.

MUSEU BERNARDINO MACHADO - PROGRAMAÇÃO 2010


Programa para 2010

1. Ciclo de Conferências: "Continuação e encerramento do ciclo de conferências - "As grandes questões da I República", iniciado em 2009, com a realização de 6 conferências a decorrer até final do ano"

Dia 26 de Fevereiro - "A I República e os militares, antes, durante e depois da Grande Guerra" - Prof. Doutor Medeiros Ferreira" (21,30 horas) [ver todo o Ciclo de Conferências, AQUI]

2. Colóquios: tema - "I República nos Municípios de Portugal"

3. Exposição Documental: "Bernardino Machado, republicano"

4. Publicações: "continuação da edição das Obras de Bernardino Machado, bem como a edição de publicações ligadas à temática da I República".

5. Concurso nacional de Caricatura de Bernardino Machado

6. Actividades pedagógico-didácticas: "O Museu irá desenvolver diversas actividades pedagógico-didácticas (concursos, ateliers, animação de visitas guiadas à exposição permanente, elaboração de materiais didácticos para o público mais jovem, etc.), centradas em Bernardino Machado e a I República, dirigidas aos diversos públicos, nomeadamente escolar e famílias famalicenses"

via Bernardino Machado

J.M.M.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA - COIMBRA



CENTENÁRIO DA REPÚBLICA - INÍCIO DAS COMEMORAÇÕES EM COIMBRA - 31 DE JANEIRO

"Cidadãs / Cidadãos

As Comemorações do Centenário da República vão iniciar-se no dia 31 de Janeiro, último domingo do mês.

O Movimento Cívico de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República, a Fundação Inatel – Agência de Coimbra, a Alternativa – Associação Cultural e a Associação 25 de Abril (Delegação do Centro), tem o prazer de lhe anunciar o Programa previsto para esse Dia Festivo ...
"

PROGRAMA: ver AQUI.

J.M.M.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

LEILÃO DA BIBLIOTECA DO DR. LAUREANO BARROS – II PARTE


DIAS DO LEILÃO: 21 a 23 e (ainda) do dia 27 a 30 de Janeiro – 21 HORAS
LOCAL: Junta de Freguesia do Bonfim (Campo 24 de Agosto), Porto
CATÁLOGO(s) Online: AQUI

Trata-se da “segunda parte do leilão da biblioteca, pertencente ao distinto bibliófilo Dr. Laureano Barros, uma das mais valiosas bibliotecas particulares do século XX. Este Leilão dividido em 3 partes, teve a sua primeira parte em Maio de 2009 e a terceira parte ainda com data a anunciar

Nesta segunda parte destacamos o excepcional espólio de manuscritos e edições de Luiz Pacheco [originais manuscritos e dactiloscritos], que apresentaremos para venda em exclusivo no último dia [dia 30 de Janeiro]; as «Leis Extravagantes» de Duarte Nunes de Leão, datadas de 1569; a edição original de «» de António Nobre: de Almada Negreiros [ver Livro II, pp 150-162] salientamos a polémica edição do «Manifesto Anti-Dantas», «K4 Quadrado Azul», «Bailados Russos em Lisboa», assim como a muito esclarecedora edição d’«A Questão dos Painéis»; entre outras, as revistas «Orpheu» e «Manifesto» estarão disponíveis nesta segunda parte; de Almeida Garrett [a Garretiana vai da p. 86 à p. 101, do Vol. I], «Viagens na Minha Terra», «Folhas Caídas», o semanário «O Chronista» totalmente redigido por Garrett; de Herberto Helder, a raríssima edição publicada por Luiz Pacheco nas edições Contraponto, «O Amor em Visita», «A Colher na Boca», segundo livro do autor, assim como o raríssimo catálogo de uma exposição de pintura de Maria Paulo, com texto em prosa de Herberto Helder. [ler tudo AQUI]

AMANHÃ – DIA 21 DE JANEIRO (pelas 21 horas) e DIAS SEGUINTES

Catálogo(s) online - AQUI

A não perder.

J.M.M.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

SÁ PEREIRA


PEDRO JANUÁRIO DO VALE SÁ PEREIRA

Assinalou-se ontem o nascimento, desta personalidade. a 18 de Janeiro de 1877 em Lisboa. Era filho de Henrique António de Azevedo Osório e Brito e de Maria do Carmo do Vale.

Foi empregado comercial, funcionário público e presidente da Associação de Classe dos Caixeiros de Lisboa, no âmbito da qual fundou em 1896, o jornal O Caixeiro.

Foi o fundador do Partido Socialista Democrático em 1902, opondo-se a Azedo Gneco. Na direcção deste partido constavam Manuel José Gonçalves, Feliciano António da Silva, Agostinho da Silva, Teodoro Ribeiro, Mariano da Assunção Gonçalves, Luís José Alves, para além do próprio Sá Pereira, que se tornou na principal figura deste partido. No ano seguinte, este partido tentou realizar uma nova assembleia para eleger os seus órgão dirigentes, mas as autoridades não o permitiram de imediato, mas a 29 de Março de 1903 foi finalmente eleita a direcção que ficou confiada a Sá Pereira, Horácio Micali, Manuel Inês, Inácio Ferreira e Júlio Marques.

Tomou publicamente posição contra a Guerra dos Bóeres, participando na Conferência Contra a Guerra Sul-Africana, realizada em Lisboa, nos dias 27 e 28 de Março de 1902, na Associação Comercial dos Lojistas, numa organização conjunta entre a Federação Socialista Livre e o Círio Civil Estrela. Os participantes nesta conferência eram reconhecidamente republicanos entre destacavam-se Augusto José Vieira, José do Vale e Francisco Homem Cristo, entre outros.

Foi um dos participantes na reunião realizada em Abril de 1904, na Associação dos Lojistas de Lisboa, onde se criticaram os acontecimentos ocorridos em Alcalá del Valle a 1 de Agosto 1903. Esta manifestação de pendor anarquista, na vizinha Espanha, provocou grande emoção entre os libertários e socialistas europeus. Em Lisboa, os acontecimentos foram difundidos pela Federação Socialista Livre, tendo, na ocasião discursado, para além de Sá Pereira, Magalhães Lima, Heliodoro Salgado, França Borges, Ramada Curto e José do Vale, entre outros.

Participa em diversos comícios e conferências onde se destaca o comício organizado em Janeiro de 1905, em Lisboa, onde usaram a palavra para além de Pedro Sá Pereira, Augusto José Vieira e Dâmaso Teixeira.

Integrou, ainda em 1905, a Comissão do 2º Centenário de António José da Silva (O Judeu), que era constituída por Augusto José Vieira, Fernão Botto Machado, Carlos Cruz, Dâmaso Teixeira, França Borges, Joaquim Madureira, Luz de Almeida, Mayer Garção, Teófilo Braga, Magalhães Lima, Macedo Bragança, Israel Anahory, Martins Monteiro, Silva Fernandes e José do Vale.

Em 28 de Maio de 1911, como socialista independente, foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte pelo círculo oriental de Lisboa, na companhia de Afonso Costa, Anselmo Braamcamp, António José de Almeida, Ladislau Piçarra, Artur Duarte Luz de Almeida, Afonso Pala e Magalhães Lima. Foi novamente eleito deputado em 1915 e 1919 pelo PRP, embora no círculo de Vila Franca de Xira. Em 1922 voltou novamente a ser eleito deputado, mas agora pelo círculo de Beja. Enquanto membro do Directório do PRP foi director do jornal O Rebate. Exerceu ainda o cargo de secretário da Câmara dos Deputados.

Foi expulso do PRP em 1925, quando passou a integrar as listas da Esquerda Democrática, tendo sido candidato pelo círculo de Beja, embora não conseguindo vencer a eleição. Pertenceu também ainda à direcção do Centro Republicano Dr. José Domingues dos Santos, desempenhando as funções de vice-presidente. Em 1925, durante o Congresso da Esquerda Democrática, Sá Pereira, conseguiu ser eleito para o Directório do PRED.

Pertenceu à Maçonaria, tendo integrado a Loja Luís de Camões, em Lisboa, com o nome simbólico de Karl Marx.

Conhecem-se colaborações nas seguintes publicações:

- A Montanha, Dir. Ed. e Prop. A. F. Seixas Júnior, Porto, 1911-1936;
- O Rebate, Dir. Evaristo de Carvalho, Lisboa, 1922-1930;

Faleceu em 13 de Outubro de 1930.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
MARQUES, A. H. de Oliveira, Parlamentares e Ministros da 1ª República, Col. Parlamento, Edições Afrontamento, Porto, 2000, p. 343.
QUEIRÓS, António José, A Esquerda Democrática e o final da Primeira República, Livros Horizonte, Lisboa, 2008, p. 414.
VENTURA, António, Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal. As Convergências Possíveis (1892-1910), Edições Cosmos, Lisboa, 2000.

A.A.B.M.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

MÁRIO SOARES NA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS


Mário Soares evoca Centenário da República
A Academia das Ciências de Lisboa promove hoje, quinta feira, dia 14 de Janeiro, pelas 15 horas, uma sessão comemorativa dos cem anos da implantação da República em Portugal.

A cerimónia decorrerá no Salão Nobre e nela usará da palavra o académico e antigo Presidente da República Dr. Mário Soares, que versará o tema "O Centenário da República".


Uma evocação do Centenário da República que o Almanaque Republicano não podia deixar de divulgar.
A.A.B.M.

OS CENTROS REPUBLICANOS



CICLO DE DEBATES - OS CENTROS REPUBLICANOS

Na Biblioteca/Museu República e Resistência (Espaço Cidade Universitária):

Dia 20 - "Educação dos Cidadãos nos Bairros Populares da Cidades", por Maria Helena Correa;

Dia 27 - "A Educação Racional em Portugal", por Luís Vaz.

J.M.M.

HOMENAGEM A JOÃO MEDINA




SESSÃO DE HOMENAGEM A JOÃO MEDINA - dia 20 de Janeiro (17 horas), Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

J.M.M.

CONFERÊNCIA: "LISBOA E A PRIMEIRA REPÚBLICA"



CONFERÊNCIA: "Lisboa e a Primeira República", por António Reis - 20 de Janeiro (18 horas).

A conferência terá lugar no GEO - Gabinete de Estudos Olisiponenses (Palácio do Beau Séjour, Estrada de Benfica, 368).

J.M.M.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ANARCO-SINDICALISTAS E REPUBLICANOS - SETÚBAL NA Iª REPÚBLICA


Vai realizar-se, em Setúbal, no Museu de Arqueologia, o lançamento do livro Anarco-Sindicalistas e Republicanos - Setúbal na I República de Álvaro Arranja.

O apresentante da obra é o Prof. Doutor Fernando Rosas, que no próximo dia 16 de Janeiro de 2010, pelas 16 horas, vai tecer algumas considerações sobre este estudo publicado pelo Centro de Estudos Bocageanos.

O autor do estudo é Álvaro Arranja, licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Tem vários trabalhos publicados sobre história do movimento operário em Portugal, a I República e história local de Setúbal.

Mais uma iniciativa que o Almanaque Republicano divulga junto dos seus ledores, aguardando que outras se lhe sigam um pouco pelo País, demonstrando um participação e empenho cívicos que os republicanos sempre defenderam para a sociedade portuguesa. Este empenho e participação cívica não são só palavras, tem que se traduzir em actos concretos, como este, que, certamente, deixará mais enriquecida a região de Setúbal.

Uma actividade a não perder.

A.A.B.M.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA NA RÁDIO


Duas das nossas estações de rádio já disponibilizaram programas dedicados à História da República.

No caso do Rádio Clube, o programa intitula-se Avenida da República, é emitido aos sábados, com apresentação de Ana Bernardino e pode ser ouvido desde 5 de Outubro de 2009, contando já com 15 programas emitidos. Todos os programas estão disponíveis em formato podcast e podem ser ouvidos em qualquer altura. Ao longo dos vários programas vão sendo ouvidos diversos historiadores especialistas nos temas escolhidos para cada programa.

Por seu lado, a TSF iniciou agora a emissão do Jornal da República, com apresentação de Fernando Alves, emitido aos domingos pelas 10 horas. O programa também já está disponível no sítio desta emissora radiofónica em formato idêntico ao anterior, começando com uma entrevista ao Professor Doutor Joaquim Romero Magalhães a propósito do seu último livro, que já por diversas vezes referimos neste nosso espaço.

Estranhamente, ou talvez não, os órgãos da imprensa escrita continuam ainda algo ausentes nesta divulgação e análise dos acontecimentos.

Saudamos, porém, a iniciativa das estações radiofónicas que temos vindo a acompanhar com alguma curiosidade.

A.A.B.M.

domingo, 10 de janeiro de 2010

AS NOSSAS TRÊS PRIMEIRAS ESCOLHAS DE 2009


Com o avizinhar das comemorações da República, começaram a surgir um conjunto de estudos, revelando novas fontes, indicando novos caminhos de pesquisa, revelando novos factos e trazendo perspectivas alternativas sobre a época.

A reflexão historiográfica enriquece-se e depois de estudos já clássicos, como os que foram publicados pelo Professor Oliveira Marques, por Raúl Rego, Fernando Catroga, Vasco Pulido Valente ou Rui Ramos. Neste último ano publicaram-se várias novidades que o Almanaque Republicano foi dando conta aos seus ledores.

A nossa primeira escolha é uma obra de conjunto, coordenada pelos Professores Fernando Rosas e Fernanda Rollo, "História da Primeira República Portuguesa", com contributos de 18 especialistas no período da 1ªRepública. Este projecto iniciou de forma positiva o Centenário da República, na vertente historiográfica, rompendo algumas visões mais parciais sobre o período. A diversidade de temas, a atenção dedicada aos aspectos económicos, sociais e financeiros ajudam a que assim seja. Ter-se-á aberto uma nova fase na historiografia sobre a República.

Esta obra permite-nos entender melhor o que foram aqueles agitados 16 anos, de 1910 a 1926, com as suas vitórias, derrotas e contradições, permitindo-nos retirar deles lições para a democracia republicana em que vivemos. Os autores responsáveis pelos diferentes capítulos da obra são os seguintes: Aniceto Afonso, Sílvia Correia, Luís Farinha, Ernesto Castro Leal, Isabel Pestana Marques, Maria Eugénia Mata, Filipe Ribeiro de Menezes, Vítor Neto, David Pereira, Joana Dias Pereira, Ana Catarina Pinto, Ana Paula Pires, Maria Cândida Proença, António Reis, Maria Fernanda Rollo, Fernando Rosas, Maria Alice Samara, João B. Serra.

Conforme afirma, na Introdução, o Prof. Fernando Rosas, “O centenário do regicídio, em 2008, deu lugar ao reaparecimento e à reafirmação de uma corrente a meio caminho entre a história e a política, de forte cunho ideológico monárquico-conservador, por vezes enfaticamente promovida em alguns media, que, na realidade, constitui uma reedição quase ipsis verbis do discurso propagandístico do Estado Novo sobre a Primeira República”, situação que não pode deixar de ser assinalada, já que muitos monárquicos criticam a parcialidade da chamada historiografia vitoriosa dos republicanos. Porém, o certo é que “o crescente impasse das instituições” no final da Monarquia abriu caminho para a vitória republicana, por muito que alguns ainda recusem este cenário, o certo é que não houve monárquicos dispostos a combater pelo regime que defendiam.

As dificuldades do regime republicano, logo desde o início levam a uma tentativa de republicanização do País, com muitas personalidades a percorrer o território nacional tentando convencer uma população conservadora e esmagadoramente analfabeta das vantagens do novo regime. A governação republicana foi ainda muito marcada pela opção de participação portuguesa na primeira guerra mundial. Esta situação, conforme se assinala na obra “Não deixa de ser surpreendente, mesmo para quem procure compreender o espírito da época e do que estava em jogo, a forma como, a golpes de puro voluntarismo ideológico, os afonsistas e seus apoiantes arrastaram o Portugal rural, massivamente analfabeto, rudimentarmente industrializado, sofrendo já uma terrível situação social económica e financeira, para a mais vasta, sofisticada, mortífera e dispendiosa guerra que a humanidade tinha até então conhecido”. Esta decisão provocou um agravamento generalizado das condições de vida em Portugal e contribuiu decisivamente para o acentuar da instabilidade política no período pós-guerra, além disso as figuras de proa da fase da propaganda republicana iniciaram um processo de afastamento em relação ao poder, desiludidas, frustradas, magoadas com os fracassos sucessivos.

Quanto à nossa segunda escolha, Vem a República! 1906-1910, de Joaquim Romero Magalhães, justifica-se em pleno porque recupera a questão do período final da monarquia e as dificuldades que abriram caminho aos republicanos. Afirma o autor logo nas primeiras páginas “A queda da monarquia decorre das transformações sociais e culturais que vão acontecendo ao longo do constitucionalismo monárquico” enquanto que “o partido republicano assume-se como representando os interesses democráticos do País, oposto ao das camarilhas rotativas e cortesãs”. O sentimento generalizado entre a população era que “a monarquia se mostrasse incapaz de reformar a vida pública”. No entanto, os monárquicos ainda tentam organizar formas de combater o Partido Republicano, organizando a Liga Monárquica, por exemplo, que “promove actividades de propaganda pelo País. Pretende transformar os monárquicos em verdadeiros e empenhados defensores do regime, sem cor partidária”.

Conclui o Professor Romero Magalhães, aproveitando a documentação e bibliografia ao seu dispor, que a revolução de 5 de Outubro de 1910 não foi preparada por amadores “Porque a maneira como foi executada, com tremendos erros e improvisações embora, revelou-a eficaz. E mostrou uma surpreendente conjugação do elemento militar com o civil. Foi a junção da caserna e da rua, perante a indiferença do País”.

Esta obra vale também pela organização em pequenos capítulos com abundantes notas bibliográficas que importa consultar para se encontrar textos e documentos menos conhecidos. Por outro lado, na parte final, encontra-se um conjunto iconográfico da época, com caricaturas, fotografias de publicações periódicas e gravuras da época que enriquecem a obra.

Finalmente, a copiosa obra de Luís Bigotte Chorão, que ainda recentemente tivemos ensejo de divulgar neste nosso espaço, intitulada A Crise da República e a Ditadura Militar trata do período final da República. Luís Bigotte Chorão afirma logo nas primeiras linhas do seu livro “foi nas desinteligências entre as facções do movimento [de 28 de Maio de 1926] que residiu, em grande medida, a capacidade de sobrevivência da Ditadura Militar, a qual não tardou a encontrar no general Óscar Carmona o ditador a prazo, que aceitando o papel que a História lhe reservara, se dispôs a caucionar, em nome da «espada», por um lado, a própria solução ditatorial e a sua continuidade e, por outro, o projecto de constitucionalização de uma nova ordem político-jurídica que foi sendo gizada ao longo dos anos, em particular por certas figuras civis chamadas, directa ou indirectamente, ao conselho do poder militar”.

O autor manifesta uma preocupação notória com a matriz conceptual que utiliza, definindo e esclarecendo conceitos, propondo novas aproximações a definições já em uso. A utilização de extensas notas de rodapé, confrontando opiniões de diferentes autores sobre o tema em análise, revela uma preocupação premente com análise profunda dos assuntos, analisando-os de diferentes perspectivas e acrescentando importantes notas biográficas em muitos dos envolvidos no período final da República e da ditadura militar.

Luís Bigotte Chorão propõe, ao longo das 960 páginas do seu livro, uma interpretação que pretende explicar a Ditadura Militar, desde os movimentos que o antecederam até à definição do objectivo de tomada do poder. Neste sentido, as forças armadas foram intérpretes de um sentimento e consciência de crise que existia no País. Assim, procura distinguir o conceito de revolução de golpe de estado, concluindo que são conceitos puramente instrumentais, porque “ o critério da legalidade ou ilegalidade do golpe de Estado reflecte um juízo caracterizadamente jurídico, destinado a apurar a sua conformidade, ou desconformidade, com a ordem jurídica vigente”. Conclui por isso que toda a obra legislativa de Manuel Rodrigues durante a Ditadura militar teve um objectivo primordial “a afirmação da autoridade do Estado”.

A obra também foi enriquecida com um conjunto ilustrado, com fotografias, capas de livros e publicações periódicas, um muitíssimo útil índice onomástico e uma abundante bibliografia que não podíamos deixar de destacar.

Um conjunto de obras que recomendamos vivamente a todos os nossos ledores, para melhor conhecerem o período da República, desde os seus antecedentes até às causas da sua queda com o golpe de 28 de Maio de 1926.

A.A.B.M.

GAZETA DOS SONEGADOS [1890]


"[CAMILIANA]. GAZETA DOS SONEGADOS. Semanario intransigente. Orgão da classe typographica do Porto e defensor acerrimo de todas as classes laboriosas. [1.º Anno. Domingo, 30 de Março de 1890. N.º 1]. Rua da Victoria. 166 - Porto. In-4.º gr. de IV págs. B." [via Livraria Manuel Ferreira]

Curiosamente, há referência a uma "Gazeta dos Sonegados" [número-programa], com data de 23 de Março de 1890, e (como refere também Manuel Ferreira) há existência de um nº2, com esse mesmo título, mas datado de 27 de Novembro de 1880 [ver "Jornais e Revistas Portuguesas do Séc. XIX"]. Ora, de facto, sobre os periódicos saídos pelos tipógrafos e operários gráficos, que foram inventariados, desde 1853, por Vitor de Sá [in Análise Social, vol. XVII (67-68), 1981-3.o-4.°, 839-860], surge a "Gazeta dos Sonegados", com a expressa referência de ser um número-programa, nesse ano de 1890. A outra "Gazeta dos Sonegados. Orgão dos opprimidos", é ainda assinalada por Vitor de Sá, referindo a existência do nº2, com data de 1880. Portanto, o periódico, acima referido, com a curiosidade de ter um evidente interesse camiliano, parece ser sido o número inicial (e único?) dessa publicação por parte dos tipográfos do Porto, em 1890.

J.M.M.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

GRÉMIO LUSITANO Nº15 - REVISTA


Saiu a revista nº15 (I semestre de 2010) Grémio Lusitano [Editor e Propr. Grémio Lusitano; Director: António Lopes; Director Salvato Teles de Menezes; Coord.: A.L., S.T.M., Silvino G. Silva], como sempre com inexcedível grafismo, contendo alguns curiosos textos, entre eles:

"As Origens da maçonaria especulativa: as teorias actuais" [trabalho importante, assinado por Roger Dachez] / "Filosofia Maçónica" [texto de António (n.s.), da Loja Fernando Pessoa] / "Ética Republicana" [curioso e bem actual texto, assinado por Aramis (n.s.) da Loja Acácia] / "Educação, Cidadania e Desenvolvimento" [sob a pena de Alexandre de Gusmão (n.s.), da Loja Renascer] / "Educação maçónica, republicanismo e casamento" [por Vasco da Gama (n.s.) da Loja O Futuro] / um texto de registo simbólico e iconográfico muito curioso, e de evidente interesse, "O Palácio Pombal, em Oeiras", por António Lopes / um interessante contributo para a história local, "Maçonaria em Albufeira" [por António Bernardo (n.s.), da Loja Transparência] / "A revolta de 3 de Fevereiro de 1927 a primeira grande ameaça do Reviralho" [estimado texto, assinado por Antero (n.s.), da Loja Passos Manuel] / "As velas na Maçonaria", texto de Manuel Pinto dos Santos / um curioso texto, de cariz esotérico, intitulado "A Corda de 81 Nós" [por Sikander (n.s.), da Loja D. Pedro de Alcântara] / "As raízes laicas do nosso ritual uma antiga iniciação religiosa", texto de Carlos Capelas (n.s.), da Loja Ocidente / "A lenda de Hiram Abbif algumas notas críticas", por Thomas Paine (n.s.), da Loja Montanha / "A quadradura do círculo" [um texto curioso, com referências simbólicas/alquímicas, por Sigmund Freud (n.s.) da Loja dos Hereges] / um importante texto biográfico sobre a figura do capitão António Augusto Franco [1875-1942], natural de Figueira do Castelo Rodrigo (fixando residência em Miranda do Corvo, em 1931), um dos heróis de Fevereiro de 1927 na luta contra a Ditadura e como tal afastado compulsivamente da vida militar, deportado e preso por diversas vezes ao longo da vida, acusado de "tentar organizar a Frente Popular nas Beiras, sob instruções" do G.O.L.U, ao mesmo tempo que desempenhava o importante cargo de Inspector Maçónico das Beiras, e sendo membro do Supremo Conselho do 33.º Grau do REAA - "Um herói desconhecido: o capitão António Augusto Franco", por Emílio Costa (n.s.), da Loja Bomtempo.

J.M.M.

sábado, 2 de janeiro de 2010

HISTORIOGRAFIA CONTEMPORÂNEA PORTUGUESA DE 2009



1. História da Primeira República Portuguesa – coord. Fernando Rosas, Maria Fernanda Rollo (Tinta da China)

2. Vem aí a República! 1906-1910Joaquim Romero Magalhães (Almedina)

3. A Crise da República e a Ditadura MilitarLuís Bigotte Chorão (Sextante Editora)

4. Cunha Leal, Deputado e Ministro da República: um notável rebeldeLuís Farinha (Biblioteca da Assembleia da República/Texto Editora)

5. Estados Novos, Estado NovoLuís Reis Torgal (Impr. da Un. de Coimbra)

6. Afrontamento político-religioso na Primeira República: enredos de um conflitoAntónio Teixeira Fernandes (Estratégias Criativas)

7. As Mortes que Mataram a Monarquia – Luís Vaz (Via Occidentalis)

8. Henrique Tenreiro. Uma biografia políticaÁlvaro Garrido (Temas e Debates)

9. Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo: um Dicionário – Mário Matos e Lemos, coord. Luís Reis Torgal (Biblioteca da Assembleia da República/Texto Editora)

10. A Maçonaria e a Implantação da República: documentos inéditos [Simões Raposo/Carvalhão Duarte] – coord. Alfredo Caldeira e António Lopes (Grémio Lusitano/Fund. Mário Soares)

A.A.B.M.
J.M.M.

ANO DE 2009: OS MELHORES LIVROS & DEMAIS OFÍCIOS



"O homem não é uma inutilidade num mundo feito, mas o obreiro dum mundo a fazer" [Leonardo Coimbra]

O Almanaque Republicano, sopro de antiquíssimos cantares & memória saudosa da "forte gente", é um pouso aberto da alma republicana (qualquer que seja a sua viagem iniciática), um cântico largo aos "apóstolos de 5 de Outubro". Dada à luz por dois cavalleiros d’alma lusitana, mais que trabalho sobre a "pedra bruta" será sempre essa "virtude de posição" (R. Proença), esse locus de passagem, independente e liberta, esse ponto ou condição de "retrocesso ao seu princípio deslumbrado".

Para recusar a fadiga destes dies irae (culturais e políticos), diremos que, para V. caros ledores, nesta hora e pensamento nas comemorações do Centenário da República, entre nós habita o sonho interior da "República Nacional" (Sampaio Bruno) como padrão de vida ética e de tolerância, essa "cidade humana" fraterna e livre. Isto é, cumpre não esquecer a exaltação de um republicanismo como "conjunto de liberdades vivas" (R. Proença). Como será devido!

Como anteriormente – AQUI, AQUI e AQUI – regressamos, sem pretensões críticas ou conflitos de interpretações, aos textos e peças que, este ano findo, a historiografia contemporânea portuguesa publicou de mais marcante. Nas vésperas das comemorações do Centenário da República, o nosso álbum de memórias assinala um conjunto notável de obras originais, assentes em sólidas investigações, pormenorizadas orientações e abundantes sugestões. O espaço e publicação de inúmeros estudos sobre a Historia da 1ª República marca, decerto, o começo de um novo alvorecer da bibliografia portuguesa para este período e abre caminho a uma frontal e séria abordagem, que julgamos até agora adormecida, do pensamento republicano e que nos pode (re)conduzir nessa viagem exaltante a essa "geração sonhadora, generosa e messiânica", a essa experiência da "regeneração" da alma lusitana.

Por tudo isso a nossa escolha para 2009, que ocorre num período conturbado da nossa história, sendo a rememoração da Historiografia Contemporânea Portuguesa de 2009, será sempre para nós um devir, até porque "o que há de vivo na tradição não é no passado, mas no presente que existe", como diria Raul Proença.

Vale!

J.M.M.