sexta-feira, 5 de março de 2010

IN MEMORIAM ROGÉRIO ANTÓNIO FERNANDES 1933-2010


Nasce em Lisboa a 12 de Outubro de 1933. Em 1951 frequenta a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, participa no movimento estudantil, tendo sido eleito para a Comissão Pró-Associação. Forma-se (1955) em Ciências Histórico-Filosóficas, lecciona como professor eventual do Ensino Técnico e do Ensino Secundário Particular [cf. "O Pensamento Pedagógico em Portugal", de Rogério Fernandes, ICP, 1978], e foi segundo assistente de Filosofia na sua Faculdade, de 1957-60 [cf. Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, 2001, Vol VI], tendo pedido a rescisão do contrato. Mais tarde (1972-1974) foi professor do Instituto Superior de Serviço Social, em Sociologia da Educação, e do Instituto Superior de Psicologia Aplicada [ibid.].

Rogério Fernandes, proibido de leccionar pela ditadura, ingressa no jornalismo, colaborando a partir de 1962 na revista Seara Nova, tendo sido seu sub-director e director (1962-1967) e na Vértice (ver vol. 37). A partir de 1967 é redactor (e chefe da redacção) do jornal A Capital, onde coordenava a Secção de Educação, e aí se manteve até 1970. Foi consultor da Editora Livros do Brasil e secretário da direcção do Grémio dos Editores e Livreiros [cf. AQUI]. Escritor ["Três Tiros e uma Mortalha", Contos, 1969], autor e co-autor de várias obras e ensaios [Obra Filosófica de Vieira de Almeida; Apologia e história no pensamento filosófico de Pascal; Ensaio sobre a obra de Trindade Coelho, 1961; Cartas de António Sérgio a Álvaro Pinto: 1911-19, 1972], foi ainda tradutor [de Aldous Huxley, Mircea Elliade, J. J. Rousseau], principalmente nos Livros do Brasil. Tem, ainda, uma intensa actividade no movimento associativo e cultural [ver, ainda, AQUI]

Em 1969 adere à CEUD de Lisboa, participa no II Congresso Republicano de Aveiro [15-17 de Maio] com uma comunicação ["A Batalha Socialista pela Democratização do Ensino"], depois publicada via Seara Nova, assina o Manifesto dos Escritores Oposicionistas [20 de Outubro], subscreve o abaixo-assinado de um grupo de jornalistas publicado na imprensa a 23 de Outubro desse ano e integra a Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democratica (Aveiro, 1973). Depois de Abril milita no P.C.P., tendo participado na III Legislatura (1983-85) e na VI (1991-1995), integrando (em 1983) o Conselho Nacional de Alfabetização e Educação de Base de Adultos. Foi Director-Geral do Ensino Básico entre Agosto de 1974 e Agosto de 1976 [convidado pelo então ministro Vitorino de Magalhães Godinho] e, nessa data, exonerado - saneado - por Sottomayor Cardia, tendo-lhe sido atribuído o cargo de Inspector-geral da Junta Nacional de Educação (mais tarde Inspecção Geral do Ensino). Lecciona, depois, a disciplina de História e Ciências da Educação na F.C. de Lisboa, colabora com a Fundação Calouste Gulbenkian, concorre ao lugar de Professor Associado na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da U. L., onde termina a sua carreira como Professor Catedrático.

São numerosos os seus trabalhos de investigação sobre Educação, História da Educação e o associativismo docente

[Ensino; sector em crise, 1967 / Para a história dos meios audiovisuais na escola portuguesa, 1969 / João de Barros - educador republicano, 1971 / Educação e a existência, 1971 / As ideias pedagógicas de F. Adolfo Coelho, 1973 / Situação da Educação em Portugal, 1973 / D. Duarte e a Educação Senhorial, 1977 / Educação: uma frente de luta, 1977 / O Pensamento Pedagógico em Portugal, 1978 / A pedagogia portuguesa contemporânea, 1979 / Luís da Silva Mousinho de Albuquerque e as reformas do ensino em 1835-36, 1983 / Nascimento da educação de adultos em Portugal, séc. XVII-séc. XVIII, 1984 / Bernardino Machado e os problemas de instrução pública, 1985 / Cortesão e a Universidade do Porto, 1986 / História da Educação em Portugal (co-autor), 1988 / A Cultura Matemática na Escola Portuguesa, 1990 / Directoria Geral dos Estudos e a Orientação do Ensino na Alvorada de Oitocentos, 1991 / A Formação Moral da Criança Portuguesa em Vésperas da Revolução Liberal de 1820 / Opções Políticas e Perseguições ao professorado nas Primeiras Décadas do Liberalismo, 1991 / Delfim Santos, 1992 / Irene Lisboa: Pedagogista, 1992 / Uma experiência de formação de adultos na 1a República: a Universidade Livre para educação popular, 1911-1917, 1993 / Marcos do Processo Histórico da Alfabetização de Adultos em Portugal, 1993 / Os caminhos do ABC: sociedade portuguesa e ensino das primeiras letras: do pombalismo a 1820, 1994 / Para a história do ensino liceal em Portugal (Actas dos Colóquios do I Centenário da Reforma de Jaime Moniz, 1894-1895), 1999]

e, do mesmo modo, colabora em diversas revistas na área da Educação, como a "Escola Portuguesa" (boletim publicado entre 1934-1974 para o ensino primário), "O Instituto" de Coimbra (ver, vols 140-141), "A Nossa Escola", "O Professor" (publicação do GEPDES. R.F foi director da revista a partir de 1981 até 1992), "Revista da Educação" (1986), "Educação Especial e Reabilitação" (Dez. 1988) ou a "Colóquio-Educação".

Morre no dia 4 de Março de 2010.

"Muitos dos professores portugueses nunca o esquecerão, pelo muito que prestou àqueles que com ele privaram, pelo respeito exemplar com que tratava toda a gente e pela forma generosa como ensinava" [ler AQUI]

LOCAIS: Rogério Fernandes em Entrevista a "A Página" / Prefácio a quatro vozes e dois tons / Rogério Fernandes: ao mestre com gratidão / Estou (Ainda Mais) Triste.

J.M.M.

quinta-feira, 4 de março de 2010

COLÓQUIO INTERNACIONAL REPÚBLICA, UNIVERSIDADE E ACADEMIA


Tivemos oportunidade de assistir, hoje, a uma parte deste colóquio dedicado à questão da República na Universidade.
Numa sala bastante bem composta tivemos oportunidade de assistir às apresentações de Christophe Charle, sobre a Ciência e República e os conflitos nas instituições universitárias francesas. Onde foi possível compreendermos que os problemas suscitados pela massificação do ensino superior e as políticas de ensino superior, definidas pelos poderes políticos, provocam na evolução dos Estados. Os novos problemas, agora em voga como o Protocolo de Bolonha, o subfinanciamento do Ensino Superior, entre outros estão a provocar conflitos e irão causar redefinir o enquadramento das instituições de ensino superior e exigir novas respostas.

De seguida, apresentou a sua reflexão a Doutora Isabel Nobre Vargues, sobre as imagens da República através das leituras dos contemporâneos ou dos historiadores do período. Começou por recordar alguns historiadores como A. H. de Oliveira Marques, Carlos Ferrão ou Jacinto Baptista ou ainda Manuel de Arriaga, Machado Santos ou Lopes de Oliveira. Chamou a atenção para a escola de Coimbra que tem estudado o movimento republicano como Fernando Catroga, Amadeu Carvalho Homem, Manuela Tavares Ribeiro, Luís Reis Torgal ou para a escola de Lisboa, com personalidades como Ernesto Castro Leal, António Ventura, Luís Bigotte Chorão, entre outros.
Recordou alguns momentos essenciais da construção do ideal republicano e a sua ligação a Coimbra, como a visita de Emílio Castelar a Coimbra no início dos anos 70 do século XIX.
Por outro lado, chamou a atenção para a iconografia da época, agora já digitalizada, devido ao excelente trabalho desenvolvido pela Hemeroteca Municipal de Lisboa que disponibilizou online revistas como O Ocidente e a Ilustração Portuguesa, onde se pode acompanhar o processo da implantação da República em imagens.
Outro dos aspectos importantes foi a nomeação de Manuel de Arriaga para reitor da Universidade de Coimbra. Tendo realizado logo nesse período um conjunto de cinco conferências em Coimbra, a propósito da implantação da República, que hoje não se conhecem os textos, ou mesmo o título das mesmas.

O Professor Amadeu Carvalho Homem analisou o significado simbólico do gesto do Zé Povinho, de Rafael Bordalo Pinheiro (manguito). Partiu da análise dos mitos gregos, principalmente os de Deméter, Dionísio e orgiásticos para compreender que o riso provocado pelos gestos obscenos têm significados muito interessantes na psicologia. Procurou, analisando algumas obras, não só ao nível da escultura ou mesmo da pintura, explicar como a interpretação desses gestos podem servir para interpretações, no mínimo, curiosas.
Analisou também a personalidade de Rafael Bordalo Pinheiro, a sua vida boémia, que também contribuiu para uma morte prematura. Por outro lado, através do tipo de reacção que as suas obras de cerâmica provocavam no contexto da época. Realçando que, com base em Lavater, o riso tem significados que vão desde o gozo com os incidentes dos outros, a manifestação de superioridade, o desdém face à situação, ou a insegurança.
Finalmente, esclareceu que com base em determinadas concepções, explicava-se a superioridade dos órgãos da parte superior do corpo, mais ligados à espiritualidade e à racionalidade (cérebro, coração), enquanto os órgãos inferiores (estômago, órgãos genitais) eram muito mais terrenos e corruptíveis.
Esta reflexão já tem vindo a ser construída no blogue Livre e Humano, onde se encontram já as linhas gerais desta comunicação que começou por ser apresentada, ainda embrionariamente nas Jornadas Históricas de Seia e tem vindo constantemente a ser melhorada e aperfeiçoada.

Ernesto Castro Leal e Noémia Malva Novais analisaram as lutas estudantis e académicas entre 1918 e 1926. O Professor Ernesto Castro Leal destacou a dificuldade que existiu e existe em Portugal em se conseguir organizar uma Federação Académica Nacional. Assinalou algumas tentativas realizadas, mas todas muito efémeras e sem continuidade.
Assinalou-se ainda a criação das diferentes Associações Académicas e as dificuldades com que todas lutam devido à transitoriedade das funções. Começou, depois por realçar o papel da greve académica durante o Sidonismo (Abril de 1918) tendo surgido duas organizações académicas como a Liga Nacional Republicana e o Centro Federal Mocidade Republicana.
Noémia Novais distinguiu quatro momentos essenciais nas lutas académicas em Coimbra, 1919, quando Leonardo Coimbra cria a Faculdade de Letras da Universidade do Porto e as reacções em Coimbra; 1920, com o episódio da Tomada da Bastilha, quando alguns alunos da Associação Académica de Coimbra ocuparam o edifício da revista O Instituto, para ocuparem um espaço mais alargado, melhorando as suas condições; 1921, quando os estudantes de Medicina se revoltaram contra o Professor Ângelo da Fonseca e deixaram de ir às suas aulas, acabando por não organizar nesse ano a Queima das Fitas; 1924, devido a confrontos durante o cortejo da Queima, quando alguns futricas e estudantes se envolveram em episódios de pancadaria em pleno cortejo, facto que acabou com a morte de um estudante.
Por fim, Ernesto Castro Leal, recordou que quando se deu Golpe Militar de 28 de Maio de 1926 estava em curso uma greve académica. Esta surgiu devido à reconfiguração de algumas profissões como as ligadas às letras e a profissão de engenheiro. Recordou o papel de Henrique de Barros no processo através da leitura das suas memórias dos acontecimentos.

Após um breve intervalo, seguiu a sessão com as apresentações de Manuela Tavares Ribeiro, Luís Bigotte Chorão e Isabel Pérez-Villanueva Tovar.
A Professora Manuela Tavares Ribeiro analisou a formação ideológica dos republicanos de 1848, que mesclavam republicanismo, socialismo, liberalismo e democraticidade, numa época onde o idealismo e a perspectiva romântica eram notórias. Recordou o sentimento de esperança e espectativa assente na importância da ilustração e da educação que podiam conduzir a uma crescente igualdade entre os cidadãos.
Lembrou algumas figuras que se destacaram neste contexto como Custódio José Vieira, Marcelino de Matos ou Casal Ribeiro.
Concluiu reflectindo sobre o papel da França no contexto europeu da época, como foi mitificada e a República era encarada como uma verdadeira religião pelos homens marcados pela influência do Romantismo.

Luís Bigotte Chorão analisou a influência dos designados “Intransigentes de 1907” durante a Primeira República. Começando por estudar as causas dos acontecimentos de 1907, a reprovação de José Eugénio Dias Ferreira, na apresentação das suas conclusões magnas. Chamou a atenção para o facto da tese de Dias Ferreira estar didicada a Teófilo Braga, acto que logo desagradou aos membros do juri. Por outro lado, algum convencimento sobre a verdadeira importância do seu trabalho, o que levou logo a que criasse poucas simpatias junto da Universidade e dos treze membros do juri das provas, todos eles seus antigos professores.
No entanto, o acto de reprovação transformou-o num herói para os republicanos e para muitos estudantes das escolas superiores. Mais, rapidamente se transformou numa arma de arremesso político, quando originalmente não era essa a sua função. Muitos jovens estudantes adereriram nesta altura ao Partido Republicano. Entre as figuras referidas, como as mais em evidência destacaram-se Campos Lima, Alberto Xavier ou Amilcar Ramada Curto, mas mais de uma centena de estudantes mantiveram a sua posição de não realizar exames nesse ano, manifestando o seu apoio ao aluno perseguido.
Esta posição política valeu a uma dúzia deles serem eleitos à Assembleia Constituinte de 1911. Por outro lado, não esquecendo a situação por que passaram alguns deles, vão tomar de imediato a iniciativa de criar novas escolas de ensino superior, como Alberto Xavier, que pouco depois do 5 de Outubro, convocou publicamente os seus colegas de curso para envidar esforços no sentido de se criar em Lisboa uma nova Universidade. Nesse contexto surgiu também um antigo estudante, José Francisco de Azevedo e Silva, ilustre advogado e republicano, com alguma influência, que também ele tinha tido problemas com a Universidade de Coimbra e vinha solicitando na Associação de Advogados de Lisboa a criação de um curso de Direito na capital. Este facto veio a concretizar-se com alguma rapidez no novo regime.

Por fim Isabel Pérez-Villanueva Tovar apresentou a sua pesquisa intitulada La Ciudad Universitária de Madrid, de la Monarquia a la Republica: continuidad y cambio, que já não nos foi possível assistir. Após essa apresentação, realizar-se-ia ainda um período de debate que foi certamente bastante proveitoso para todos os palestrantes e audiência presente, que era bastante assinalável.

Um interessantíssimo colóquio onde se trocam experiências e confrontam investigações que estão em curso ou já em fase de conclusão. Esperemos que outros se repitam pelo País ao longo do presente ano.

A.A.B.M.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

COLÓQUIO INTERNACIONAL REPÚBLICA, UNIVERSIDADE E ACADEMIA



Vai realizar-se nos próximos dias 4, 5 e 6 um Colóquio Internacional "REPÚBLICA, UNIVERSIDADE E ACADEMIA", que tem a seguinte enquadramento:

Tendo em conta a natureza e os objectivos deste colóquio pretende-se estabelecer uma conexão entre o político (e a política) e a cultura universitária, o novo regime e os movimentos estudantis, a Ciência e a Cultura, os movimentos que estiveram na raiz dos progressos científicos e analisar a elite universitária na sua relação com os estudantes. Por outro lado, procurar-se-á confrontar os modelos espanhol, francês, italiano e brasileiro com a especificidade nacional numa visão abrangente e problematizadora. A história comparada trará certamente uma nova luz ao entendimento
da realidade político-cultural do Portugal republicano da segunda década do século XX. Na verdade, as vias do desenvolvimento dos diversos países são sempre particulares e é esse particularismo das realidades nacionais que urge realçar estabelecendo as diferenças e tentando ver as analogias entre as Repúblicas e as Universidades, entre os poderes políticos e as realidades culturais, entre as sociologias universitárias e os seus suportes económicos. É isso que estará também em equação num Colóquio que poderá não trazer muitas certezas, mas que levantará certamente muitos problemas que serão objecto da reflexão e do debate.


Uma organização do CEIS 20, com coordenação científica de: Luís Reis Torgal, Maria Manuela Tavares Ribeiro, Vítor Neto, João Rui Pita, João Paulo Avelãs Nunes, Isabel Nobre Vargues e António Pedro Pita.

Na Comissão Organizadora encontramos: Vítor Neto, Fernando Fava, Sandra Duarte, Isabel Maria Luciano
e Carolina Álvaro.

Esta inicitiva divide-se por vários painéis, a saber:
- MOVIMENTOS REPUBLICANOS E UNIVERSIDADE
- A REPÚBLICA E OS MOVIMENTOS ACADÉMICOS
- CIÊNCIA E MOVIMENTOS CIENTÍFICOS
- PROFESSORES E ESTUDANTES

O programa completo pode ser consultado AQUI.

Mais de três dezenas de investigadores vão apresentar os seus trabalhos ao longo de três dias intensamente vividos.

Esta iniciativa permite também a obtenção de um crédito para os docentes dos grupos 200, 400 e 410.

Uma iniciativa que o Almanaque Republicano não podia deixar de divulgar juntos dos seus ledores.

A.A.B.M.

EXPOSIÇÃO - PORTUGAL NAS TRINCHEIRAS





EXPOSIÇÃO: "Portugal nas Trincheiras - a I Guerra da República"
LOCAL: Museus da Politécnica, Rua da Escola Politécnica, 60, Lisboa
DATA: de 23 de Fevereiro a 23 de Abril de 2010
ORGANIZAÇÃO: Museu da Presidência da República

consultar TUDO AQUI.

J.M.M.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

ANTÓNIO XAVIER CORREIA BARRETO – NOTA BREVE


António Xavier Correia Barreto nasceu em Lisboa a 25 de Fevereiro de 1853. Aos 17 anos (2 de Abril de 1870) integra, como voluntário, o RI16 (Regimento de Infantaria nº16). Em 1874 é promovido a alferes, ao mesmo tempo que frequentava a Escola Politécnica. Em Outubro desse ano transfere-se para a Escola do Exército, para concluir o Curso da Arma de Artilharia [cf. Dicionário de Educadores Portugueses, ASA, 2003, p. 134]. Revelando grande competência, tem uma ascensão rápida na carreira militar, tendo chegado a general em 1914 [ibid.; vide tb. "As Constituintes de 1911 e os seus Deputados" – Nota: não foi possível consultar a sua biografia, publicada recentemente pelas Edições Parlamento, a cargo de Paulo Mendes Pinto et al, e para a qual remetemos desde já o leitor. Diga-se, no entanto, que é o próprio Paulo Mendes Pinto quem faz o verbete para o Dicionário, atrás referido, sob coordenação de António Nóvoa].

Ainda em 1885 (como capitão) é "incumbido de estudar um novo tipo de pólvora, sem fumo, no sentido de acabar com a dependência que o nosso país tinha da pólvora inventada por Nobel em 1863" [Dicionário, 2003]. O êxito foi total, no que resultou pela sua "novidade" chamar-se a essa nova pólvora, a "pólvora barreto". Curiosamente o livro de química por ele editado, "Elementos de Química Moderna" (1874), teve reedições sucessivas, levando mais tarde, por isso mesmo, a ser chamado para o estudo sobre a pólvora, que referimos. Resulta dos seus estudos sobre material de guerra, um conjunto de reformas importantes, desde logo a transferência da fábrica de armas para Chelas, tendo sido seu director.

António Xavier Correia Barreto foi iniciado na maçonaria, em 1893, na Loja Portugal nº 178 do RF

[instalada em Lisboa, justamente em 1893, e que abateu colunas em 1911. Fizeram parte da Loja outros militares, como o capitão José Afonso Palla (participou na rebelião do 31 de Janeiro) e o tenente-coronel Duarte Fava]

com o nome simbólico de "Mercúrio", passando, depois, a integrar a Loja Cap. Acácia, nº 281 (a 26 de Maio de 1911), tendo atingido o grau 7, em 1918 [cf. A.H.O.M] e sendo seu Venerável-Mestre (1911-12).

[a Loja Acácia, em Lisboa, foi criada em 1908 e elevada a Capitular ainda nesse ano. A Loja, onde se destacava o comerciante e republicano José Cordeiro Júnior (n.s. Lutero), teve lugar de relevo na Comissão Executiva de Lisboa, uma das estruturas revolucionarias do 5 de Outubro e onde estavam presentes elementos republicanos, carbonários e maçónicos, sendo que o seu representante foi Manuel Martins Cardoso ("Elias Garcia", n.s.), ele próprio integrando a Comissão de Resistência da Maçonaria, assim como o citado José Cordeiro Júnior].

Já no posto de coronel (1909) aparece no Directório do Partido Republicano e faz parte do Comité Organizador do 5 de Outubro de 1910, juntamente com Cândido dos Reis, Sá Cardoso e Carlos da Maia. Após o 5 de Outubro foi nomeado Ministro da Guerra do Governo Provisório, que mantém até 2 de Setembro de 1911, exercendo de novo a pasta em 1912-13 [16 de Junho, governo Duarte Leite] e, depois, em 1922. No exercício de Ministro da Guerra, em 1910, rodeou-se de um grupo de oficiais, muitos vindos a Loja Portugal, e que constituíram o chamado grupo dos "Jovens Turcos", como Alfredo Sá Cardoso (Alaíde, n.s.),  Álvaro Poppe, Américo Olavo ou Álvaro de Castro. Foi, ainda, constituinte em 1911, tendo sido eleito deputado pelo círculo nº7 de Chaves.

Ainda em 1910, como Ministro da Guerra, inicia a educação e reforma das Forças Armadas e suas instituições militares, sendo de registar alterações importantes no seu aspecto educativo. Para o efeito nomeia uma Comissão [de que fizeram parte, João de Barros e João de Deus Ramos] para elaborar "um projecto de regulamento de instrução militar preparatória" [ibid.], fundando escolas primárias "em todos os Regimentos", valorizando o aspecto educativo ["muito próximo do suíço"], surgindo, assim, em Maio de 1911, sob sua responsabilidade política, o "Instituto Profissional dos Pupilos do Exército de Terra e Mar", ou Instituto de Pupilos do Exercito, com evidente vocação pedagógica e de ensino profissional. Nomeou, então, como professor perceptor Álvaro Viana de Lemos, o padre António de Oliveira, João Lopes Soares.

Exerceu, ainda, os cargos de Director do Arsenal do Exército, Comandante-Geral da Guarda Republicana. Em 1913, ocupa o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Foi candidato à Presidência da República em 1915 e em 1919, mas nunca foi eleito. Foi eleito senador em todas as legislaturas e Presidente do Senado, entre 1915 e 1926. Estava, portanto, como Presidente do Senado quando, na sequência do golpe de 28 de Maio, recebeu uma "deputação de oficiais” que vinha encerrar o Parlamento e lhe foi pedido que o abandonasse. Refere o Diário de Lisboa [15-08-1939], o seguinte: “Mandou buscar o chapéu e a pequena bengala que nunca se separava e veio até ao átrio, onde se despediu, comovidamente, de muitos dos seus correligionários. Depois desceu as escadarias, recebeu o último ‘apresentar de armas’ da sentinela e tomou o carro para a sua residência"

Morre em Sintra a 15 de Agosto de 1939.

J.M.M.

MANUEL TEIXEIRA GOMES



FOTO: "O Presidente da República,Manuel Teixeira Gomes e o chefe do Governo, António Maria da Silva, cercados pelos generais Vieira da Rocha e Norton de Matos, coronel Sá Cardoso, Hipácio de Brion, doutor Augusto de Castro, coronel [António Xavier] Correia Barreto e outras individualidades" [autor da fotografia: André Salgado - clicar para aumentar]

Data: 3 de Novembro de 1923

via Arquivo Municipal de Lisboa

J.M.M.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

OS DEBATES


Local: Lisboa
Periodicidade: Diário republicano
Proprietário: Zofimo Consiglieri Pedroso
Administrador: J. Cisneiros
Redacção e Administração: R. Serpa Pinto, 48, 2º E
Tipografia: Tipographia do Jornal O Dia
Páginas: 4 pág.
Colunas: 5

Surgiu em: 01-08-1888
Terminou publicação em: 31 de Janeiro de 1891
Rubricas regulares: Folhetim ("A Filha das Ruas", de Pierre Zacone) , Correspondências (Grândola, Almada, Serpa, Soure, Pernes, Anadia, Santarém, S. Martinho das Amoreiras, Castanheira de Pêra, Alenquer, Évora –Anselmo Vieira; Barcelos, S. Pedro do Sul, Ansião, etc), Boémias (poemas), Á Ultima Hora, etc.

Colaboradores: Alves da Veiga, Consiglieri Pedroso, Alexandre da Conceição, José Jacinto Nunes, Albano Coutinho, Alves Correia (a partir do nº16, 19-08-1888), Guerreiro dos Santos, Pereira Batalha, Consiglieri Pedroso abandona a direcção e a propriedade do jornal em 28-10-1889, nº385), José de Sousa Larcher, Júlio de Matos, entre muitos outros.

Nota: A partir do nº 432, o jornal passou a ser propriedade de um grupo de republicanos que não são identificados. A escritura da transacção foi feita pelo tabelião Scola, mas desde o dia 28 de Outubro de 1889 que o jornal tinha mudado de proprietários [“Os Debates”, Os Debates, Lisboa, 15-12-1889, Ano II, nº 432, p. 1, col. 1].

A colecção deste jornal pode agora ser consultada AQUI.
A.A.B.M.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

OS BARÕES ASSINALADOS



Os Barões Assinalados: os carbonários Luz de Almeida, Machado Santos e António Maria da Silva.

Desenho: Francisco Valença

Origem: espólio da Fundação Mário Soares/ Colecção António Pedro Vicente

ver AQUI.

J.M.M.

COLÓQUIO - "AS SOCIEDADES SECRETAS"



25 de Fevereiro (18 horas) - Paços do Concelho da C. M. Lisboa
COLÓQUIO - "As Sociedades Secretas", pelo Dr. António Lopes, director do Museu Maçonico Português.

[está inserido no Programa das Comemorações do Centenário da República]

J.M.M.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

ILHA DA MADEIRA - SOLIDARIEDADE



" ... Estas são sempre as casas. E se vamos morrer nós mesmos,
espantamo-nos um pouco, e muito, com tais arquitectos
que não viram as correntes infindáveis
das rosas, ou as águas permanentes,
ou um sinal de eternidade espalhado nos corações
rápidos.
...
Falemos de casas como quem fala da sua alma ...
"

in A Colher na Boca (1953), de Herberto Helder [nascido no Funchal em 1930 e, aí mesmo, meteorologista nos tempos idos de 1954]

J.M.M.

MOSTRA BIBLIOGRÁFICA - PERIÓDICOS LISBOETAS NA HEMEROTECA MUNICIPAL


Mostra Bibliográfica - Periódicos Lisboetas na Colecção da Hemeroteca Municipal (Séculos XVIII – XX)

Esta mostra reúne alguns dos títulos de jornais e revistas lisboetas mais importantes existentes na colecção da Hemeroteca Municipal de Lisboa, com informação detalhada sobre a vida de cada um deles.

Pretende-se promover estas colecções de periódicos junto dos utilizadores da biblioteca, pois os exemplares expostos constituem fontes da maior importância para o conhecimento e estudo da cidade de Lisboa.

De 8 de Fevereiro a 20 de Março no horário da Biblioteca.


O mais antigo periódico existente na coleccção é a Gazeta de Lisboa. Fundada em 1715, a “Gazeta”, é um longínquo antepassado daquilo que hoje se publica com o título Diário da República.

O Jornal Encyclopédico começou a ser publicado em 1820. Mais tarde, mas ainda no século XIX surgiu o Comércio e Industria, que divulgava as biografias e respectivos retratos de figuras de relevo ligadas à cidade, como Rosa Araújo, Henrique Burnay, entre muitos outros. Ainda deste século é o suplemento do Jornal de Comércio, Semana de Lisboa, publicado a partir de Janeiro de 1893.

Publicados no século XX encontram-se expostos títulos como o Diário de Lisboa, fundado em 1921, por Joaquim Manso, e que se manteve até 1990. O Comércio da Ajuda e a Voz dos Mercados, embora com notícias de carácter geral, principalmente o primeiro, abordam temas relacionados com os mercados e os comerciantes. Por sua vez, os jornais e revistas A Cidade, Olisipo, A Capital, Lisboa em…, Jornal de Lisboa, Avenida e Heraldo, contêm tudo o que o leitor procura saber sobre a capital, nas suas mais variadas vertentes. Constituindo excelentes repositórios de factos, tradições e personagens que marcaram a vida lisboeta ao longo do tempo.

Fornecendo informação pormenorizada sobre cada jornal, a mostra pretende promover estas colecções de periódicos junto dos utilizadores da biblioteca, que podem ainda assistir ao ciclo de conferências Para a História do Jornalismo Lisboeta (Séculos XVIII – XX), a decorrer no mês de Março.

Este evento pode ser consultado AQUI.

Uma exposição a visitar e a divulgar.

A.A.B.M.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

CONSTÂNCIA, CONCELHO REPUBLICANO



Mais um texto com importância para a história local sobre a República, neste caso sobre Constância. Um pequeno estudo, mais no âmbito da divulgação local, que o Almanaque Republicano propõe aos seus ledores. O autor da investigação é António Matias Coelho.

Com contributos como este se vão alargando os nossos conhecimentos sobre a história do Partido Republicano durante a fase da propaganda.

Para ler e apelar a que outros vão surgindo por outros municípios do País.

A.A.B.M.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

EXPOSIÇÃO EM ÉVORA - "QUEM FEZ A REPÚBLICA"


EXPOSIÇÃO "Quem fez a República" - Biblioteca Pública de Évora
DIA - 18 de Fevereiro, pelas 18 horas

"Exposição comemorativa do centenário da implantação da República em Portugal na Biblioteca Pública de Évora.

Inaugura já na próxima quinta-feira, dia 18 de Fevereiro, às 18.00 horas na Biblioteca Pública de Évora, a exposição 'Quem Fez a República – figuras públicas e anónimas que ousaram implantar a República em Portugal'. A BPE associa-se assim às comemorações do centenário da República em Portugal, que se iniciaram no passado dia 31 de Janeiro.

Com a presente exposição, que reúne documentos e iconografia da época, pretende-se dar um panorama sucinto dos principais acontecimentos que levaram à Implantação da República em 5 de Outubro de 1910, através de quinze quadros, apresentando igualmente notas biográficas dos intervenientes.

A exposição vai ser acompanhada de uma conferência de abertura, de título 'O 5 de Outubro de 1910' proferida por Alfredo Caldeira ...
"

ver TUDO AQUI.

J.M.M.

ANTÓNIO NOGUEIRA MIMOSO GUERRA


ANTÓNIO NOGUEIRA MIMOSO GUERRA (Lagos, 1867-Lisboa, 1950): republicano histórico, foi Subsecretário da Guerra (1916), Deputado (1917) e Ministro da Guerra (1925), Governador Interino de Angola. Um dos maiores especialistas portugueses em geodesia e corografia, foi director-geral da Administração Geral dos Serviços Geodésicos, Topográficos e Cadastrais (1923-1926) e do Instituto Geográfico e Cadastral (1926-1941).

Foi iniciado, a 16 de Fevereiro de 1911, na loja José Estêvão, de Lisboa, com o nome simbólico de «Alfa». Desempenhou altos cargos no Grande Oriente Lusitano Unido, incluindo os de membro do Grande Conselho Maçónico e seu Presidente Ordem (1930-31). Foi membro do Soberano capítulo de Cavaleiros Rosa-Cruz e seu Vice-Presidente em 1929. [via G.O.L.]

via Facebook – Almanaque Republicano

J.M.M.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

LEILÃO DE JOSÉ MANUEL RODRIGUES


Nos próximos dias 17, 18 e 19 de Fevereiro, o livreiro-antiquário José Manuel Rodrigues vai realizar mais um leilão de livros antigos.Desta vez, o espaço a utilizar será a Casa da Imprensa, na Rua da Horta Seca, 20, entre as 14 e as 19 horas, para visitar a exposição. O leilão terá início pelas 21 horas.

No catálogo nº 74, encontram-se algumas preciosidades apreciadas pelos bibliófilos. Edições raras, primeiras edições de autores consagrados, alguns manuscritos, uma quantidade apropriada de periódicos, uma camiliana apreciável num total de 1215 lotes a leilão ao longo de três dias.

Entre as muitas obras que seleccionamos, de acordo com o nosso gosto e temáticas preferidas, permita-se-nos destacar os seguintes:

SESSÃO DE DIA 17 DE FEVEREIRO:
8. ADAMSON (John) - LUSITANIA ILLUSTRATA: Notices on the History, Antiquities, Literature, &c., of Portugal. Literary Department. Part I. Selection of sonnets, with biographical sketches of the authors, printed by T. And J. Hodgson. Newcastle upon Cune, 1842. In-8º XII-100 pp. E.
12. ALBERTI (Leon Battista) - EL MOMO | ¢ La moral y muy graciosa historia del Mo | mo: compuesta en Latim por el docto varon Leon Baptista Alber- | to Florentin. Trasladada en Castellano por Augustin de Almaçan, medico d su Magestad. Dirigido ala Illu | strissima señora doña Maria de Mendoça, Señora de las villas de | Torres y Canena &c... Alcalá de Henares: en casa de Joan de mey Flandro, 1553. In-4º XIV-LXXI ff. E.
13. ALBERTO (Caetano) - A CAMPANHA D'AFRICA. Contada por um sargento. Edição popular. Illustrada com gravuras de retratos, vistas e combates. Empreza do Occidente. Lisboa, 1896. In-8º 141-I pp. E.
55. ARANHA (Pedro Wenceslau de Brito) - ESBOÇOS E RECORDAÇÕES. Typographia Universal. Lisboa, 1875. In-8º 229 pp. E.

89. BANDEIRA NACIONAL. Modelo approvado pelo Governo Provisorio da Republica Portuguesa. Imprensa Nacional, 1910. In-8º gr. [24] pp. B.
102. BARROS (Thereza Leitão de) - ESCRITORAS DE PORTUGAL. Génio feminino revelado na Literatura Portuguesa. Lisboa. 1924. In-8º gr. 243-II e 390-II pp. em 2 vols.
126. BIBLIOGRAFIA HENRIQUINA. Comissão Executiva das Comemorações do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique. Com: CATÁLOGO HENRIQUINO DO REAL GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA DO RIO DE JANEIRO. Lisboa, 1960. In-fólio X-II-325-I, VIII-383-I e 60-II pp. em 3 Vols. E.
143. BOTTO (Mons. Con. J. M. Pereira) - PROMPTUARIO ANALYTICO dos carros nobres da Casa Real Portuguesa e das Carruagens de Gala. Tomo I. Imprensa Nacional. Lisboa, 1909. In-4º 334 pp. E.
154. BRANDÃO (Carlos Cal) - FUNO (GUERRA EM TIMOR). «Aou». S.l., 1946. In-8º 200 pp. B.

171. BRITO (José Joaquim Gomes de) - RUAS DE LISBOA, Notas para a história das vias públicas lisbonenses. Obra póstuma. Revista e prefaciada por António Baião. Sá da Costa. Lisboa, 1935. In-8º 3 Vols. E.
178. CABRAL (Antonio Bernardo da Costa) - APONTAMENTOS HISTORICOS. I e II. Typ. de Silva. Lisboa, 1844-45. In-8º 275-III e 714-II pp. 2 tomos em 1 vol. E.
188. CALDAS (José) - HISTORIA DE UM FOGO-MORTO (Subsídios para uma História Nacional) 1258- 1848. Viana do Castelo (Fastos Políticos e Sociais). Edição Definitiva. Renascença Portuguesa. Porto, 1919. In-8º 878 pp. E.
202. CARQUEJA (Bento) - O COMÉRCIO DO PORTO ao completar 80 anos. Notas para a sua História. Porto, 1934. In-4º 350 pp. B.

Uma Camiliana assinalável onde se inclui por exemplo este título:
234. CAMPAGNE (E. M.) - DICCIONARIO UNIVERSAL DE EDUCAÇÃO E ENSINO Útil á mocidade de ambos os sexos, às mães de família, aos professores, aos directores e directoras de collegios, aos alumnos que se preparam para exames. |…| Redigido com a collaboração de escriptores peculiares por… Trasladado a portuguez por Camilo Castello Branco e ampliado pelo traductor nos artigos deficientes em assumptos
relativos a Portugal. Liv. Int. de Ernesto Chardron. Porto, 1873. In-8º gr. X-806 e 798-I pp. em 2 Vols. E.

277. CASTILHO (Júlio de) - LISBOA ANTIGA. Bairros Orientais. 2ª Edição. Revista e ampliada pelo autor e com anotações do Eng. Augusto Vieira da Silva. Lisboa, 1934-38. In-8º gr. 12 vols. B. COM:
CONQUISTA DE LISBOA AOS MOUROS. (1147). Complemento ao volume II da «Lisboa Antiga», de Júlio de Castilho. Narrada pelo cruzado Osberno, testemunha presencial. Texto latino e sua tradução para português pelo Dr. José Augusto de Oliveira. Prefácio do Eng. Augusto Vieira da Silva. Lisboa, 1935. In-8º gr. 88 p. B.
278. CASTILHO (Júlio de) - MEMORIAS DE CASTILHO. Tomo I e II. Typ. da Academia Real das Sciencias. Lisboa, 1881. In-8º XII-309-III e IV-348 pp. E.
294. CATÁLOGO DA LIVRARIA DUARTE DE SOUSA. Vol. I: Séculos XV a XVIII. Vol. II: XIX a XX. Secretaria de Estado da Informação e Turismo. Lisboa, 1972-74. In-4º XII-287 e XII-325 pp. em 2 vols. B.
312. CHRONICA CONSTITUCIONAL DO PORTO. Nº 1 a nº 144 (11 de Julho a 31 de Dezembro de 1832) e nº 1 a nº 308 (1 de Janeiro a 31 de Dezembro de 1833). Typ. de Viuva Alvares Ribeiro & Filhos; Imprensa de Gandra & Filhos. Lisboa, 1832-33. In-fólio com 452 números em 3 vols. E.

318. COELHO (F. J. Pinto) - CONTEMPORANEOS ILLUSTRES. I. Antonio Maria de Fontes Pereira de Mello. Typ. Rua dos Calafates Lisboa, 1877. In-8º 387 pp.; II. D. Fernando II de Portugal. Imprensa Nacional. Lisboa, 1878. In-8º 384 pp. E.
320. COELHO (José Francisco Trindade) - A MINHA «CANDIDATURA» POR MOGADOURO. Costumes politicos em Portugal. Typ. de A. de Mendonça. Lisboa, 1901. In-8º gr. XIII-134-III pp. E.
335. CONGRESSO NACIONAL MUNICIPALISTA de 1922. Preliminares, teses, actas das sessões, congressos provinciais, documentos e apreciações da imprensa. Publicado sob a direcção de Eloy do Amaral. República Portuguesa. Lisboa, 1923. In-fólio XI-428-III pp. E.
394. DEROUET (Luís) - DUAS PÁTRIAS. O que foi a visita do Sr. Dr. António José de Almeida ao Brasil. O Mundo. Lisboa, 1923. In-fólio XXIII-I-372-IV pp. E.

NA SESSÃO DO DIA 18 DE FEVEREIRO:

471. FIGANIÉRE (Visconde de) - GUESTO ANSURES. QUADROS DA VIDA NEO-GOTHICA. Romance histórico. Seguido de apontamentos archeologicos relativos ao século VIII. Liv. Ferreira. Lisboa, 1883. In-8º VI- 331 pp. E.
488. FONSECA (Thomaz da) - SERMÕES DA MONTANHA. I- A Religião e o Povo. Associação Propagadora da Lei do Registo Civil. Lisboa, 1909. In-8º gr. 260-IV pp. E.
489. FONSECA (Tomás da) - ENSINO LAICO. Educação Racionalista e Acção Confessional. Lúmen. Lisboa, 1923. In-8º XII-187-IX pp. B.
496. FREIRE (Anselmo Braamcamp) - CRITICA E HISTORIA. Estudos Vol. 1. Tip. da Antiga Casa Bertrand. Lisboa, 1910. In-8º gr. V-414-VI pp. E.
512. FUSCHINI (Augusto) Ŕ FRAGMENTOS DE MEMÓRIAS. Liquidações Políticas. Vermelhos e Azues. Companhia Typographica. Lisboa, 1896. In-8º gr. XV-351-82-I pp.

526. GASCON (José António Guerreiro) - SUBSIDIOS PARA A MONOGRAFIA DE MONCHIQUE. Edição da Viúva do autor Maria C. R. Guerreiro Gascon. Portimão, 1955. In-4º 403-VII pp. E.
542. GOMES LEAL - POESIAS ESCOLHIDAS. Introdução: destino de Gomes Leal por Vitorino Nemésio. Bertrand. Lisboa, s.d. In-8º CXVI-199-III pp. E.
548. GONÇALVES (José Júlio) Ŕ SÍNTESE BIBLIOGRÁFICA DE GOA. Agência-Geral do Ultramar. Lisboa, 1966-67. In-8º gr. 315 e 284 fólios em 2 vols. B
COSTA (Aleixo Manuel da) - LITERATURA GOESA. Apontamentos bio-bibliográficos para a sua história. Agência-Geral do Ultramar. Lisboa, 1967. In-8º gr. 476 pp. B.
561. GUIA DE PORTUGAL. Apresentação e notas de Santřanna Dionísio. 1º: GENERALIDADES. LISBOA E ARREDORES. 2º: ESTREMADURA, ALENTEJO E ALGARVE. 3º: BEIRA (I. Beira Litoral. II. Beira Baixa e Beira Alta). 4º: ENTRE DOURO E MINHO (I. Douro Litoral. II. Minho). 5º: TRÁS-OS-MONTES E ALTO-DOURO (I. Vila Real, Chaves e Barroso. II. Lamego, Bragança e Miranda). Fundação Calouste Gulbenkian. Lisboa, 1982-88. In-8º peq. 8 Vols. E.

565. GUIMARÃES (Delfim) - ARQUIVO LITERÁRIO. Tomo I. (Out. - Dez. 1922) ao Tomo VIII. (Jul. Set. 1924). Guimarães. Lisboa, 1922-24 In-8ºgr. de 373 e 398 pp. em 2 vols. E.
590. A ILLUSTRAÇÃO PORTUGUEZA. Semanario Litterario e Artistico. 1º anno (ao 3º), Nº 1 ao nº 52 (1 de Julho de 1884 a 11 de Julho de 1887). Escriptorio da Empreza. Lisboa, 1884-1887. In-fólio. 156 números em 3 vols. E.
599. JORNAL ENCYCLOPEDICO. [Maio de 1789 junto com: Junho de 1788 e Julho de 1788]. Dedicado à Rainha N. Senhora, e destinado para instrucção geral com a notícia dos novos descobrimentos em todas as sciencias, e artes. In-8º 3 vols. em 1. Com 153, 156 e 160 pp. E.
601. LA ILUSTRACION IBÉRICA. Semanario Científico, Literario y Artístico redactado por los más reputados escritores de España y Portugal. É ilustrado por los mejores artistas del universo. Ano I - Nº 1 ao Nº 52. Barcelona, 1883. In-fólio. 2 vols. E.
633. LEONARDO COIMBRA. Testemunhos dos seus Contemporâneos. Tavares Martins. Porto, 1950. In-8º gr. 428 pp. B.
RIBEIRO (Álvaro) - MEMÓRIAS DE UM LETRADO. Guimarães Ed. Lisboa, 1977. In-8º 134-VI pp. B. Homenagem fundamental dos discípulos de Leonardo Coimbra ao mestre insigne, colaborada por Eudoro de Sousa, João de Barros, J. Régio, Pascoaes, Santana Dionísio, Casais Monteiro, H. Cidade, António de Sousa, A. Correia de Oliveira, Sousa Costa, Aarão de Lacerda, Damião Peres, entre muitos outros. Ilustrado com retratos d724. MARTINS (Rocha) - D. CARLOS. História do seu Reinado. Edição do Autor. Composto e impresso nas of. do «ABC». Lisboa, 1926. In-fólio de XVI-603-I pp. E.

730. MATTOS (Gen. Norton de) - OS DOIS PRIMEIROS MESES DA MINHA CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA DA REPUBLICA Edição do autor. Lisboa 1948. 125 pp. B. COM: MAIS QUATROS MESES DA MINHA CANDIDATURA À PRESIDÊNCIA DA REPUBLICA. Edição do autor. Porto 1949. 173 pp. B. COM: O SR. NORTON DE MATOS E A SUA CANDIDATURA. Costa Brochado. 7ª ed. Portugália. Lisboa 1949. 202 pp. B. In-4º em 1 vol. E.
742. Á MEMÓRIA DE LUÍS DEROUET. Palavras Justas. Homenagem por iniciativa de A Pensionista. Imprensa Nacional. Lisboa, 1928. In-4º XVI-263 pp. B. In Memoriam, ilustrado em separado, colaborado por Lopes Vieira, Alberto Sousa, Amélia Rey Colaço, Palmira Bastos, Rocha Martins, Matos Sequeira, João de Barros, Leite de Vasconcelos, Campos Ferreira Lima, J. Manso, Joaquim de Carvalho, Brito Aranha, etc. Exemplar n.º 94 da tiragem especial de 100 destinada a cada um dos colaboradores. Capa pouco limpa. Invulgar.
803. NORONHA (Eduardo de)- DICCIONARIO UNIVERSAL ILLUSTRADO. Linguístico e Encyclopedico. João Romano Torres. Lisboa, s.d. In-8º gr. 11 Vols. E.
804. NORONHA (Eduardo de) - O CONDE DE FARROBO. Memórias da sua vida e do seu tempo. Romano Torres. Porto, 1945. In-8º 249-II pp. B.
805. NORONHA (Eduardo de) - O HEROE DE CHAIMITE. Mouzinho de Albuquerque. Narrativa histórica e militar. Pref. de Ayres de Ornellas e Henrique de Paiva Couceiro. O Primeiro de Janeiro. Porto, 1906. In- 8º 480 pp. E.
807. NOTAS SOBRE PORTUGAL. Exposição Nacional do Rio de Janeiro em 1908. Secção Portuguesa. Imprensa Nacional. Lisboa, 1903. 2 Vols. em 1. In-4º VIII-814 e XVI-292 pp. E

SESSÃO DE DIA 19 DE FEVEREIRO
829. OLIVEIRA (Francisco Xavier de Athaide) - BIOGRAFIA DE D. FRANCISCO GOMES DO AVELAR, Arcebispo-bispo do Algarve. Typ. Universal (a Vapor). Porto, 1902. In-8º gr. XV-I-413-V pp. E.
867. A PATRIA. A LUIZ DE QUILLINAN. José da Fonseca Lage, o Editor. Porto, 1884. In-8º XVIII-508 pp. E.
918. PORTUGAL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL. (1914-1918). Ministério dos Negócios Estrangeiros. Lisboa, 1995. In-4º 446 e 383 pp. em 2 Vols. B.
Tomo I: As Negociações Diplomáticas até à Declaração de Guerra. II. As Negociações Diplomáticas e a Acção Militar na Europa e em África. Valioso estudo bem documentado.
919. PORTVGALIAE MONVMENTA HISTORICA A Saecvlo Octavo post Christvm vsqve ad qvintvmdecimvm ivssv Academiae Scientiarvm Olisiponensis edita. INQUISITIONES. Typis Academicis. Olisipone, 1888-1966. In-fólio grande7 fascículos em 5 vols. E.
933. QUINQUAGENARIO. 1858 A 1908. Cincoenta Annos de Actividade Mental de Theophilo Braga. Julgados pela critica contemporanea de tres gerações litterarias. Antiga Casa Bertrand. Lisboa, 1908. In-8º VII-632 pp. E.
Homenagem realizada por Marques Braga, Lopes Vieira, Magalhães Lima, Meyer Garção, Botto Machado, Affonso Barbosa, F. Parreira, Urbano Rodrigues e Heliodoro Salgado. Encadernação da época em meia de pele com cantos, cansada. Retrato T. Braga.

957. REPÚBLICA. Lote com 3 títulos: 1- Os Autos do Processo de Vieira na Inquisição /Adma Muhana. São Paulo, 1995. In- 4º gr. 460 pp. E; 2- Documentos Políticos. Encontrados nos Palácios Riais depois da Revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910. Lisboa, 1915. In-fólio 149 pp. B; 3- Heróis Desconhecidos (Lisboa Revolucionária). Sousa Costa. Lisboa, 1935. In-8º 324 pp. B.
978. ROCHA (Manuel João Paulo) - MONOGRAPHIA. AS FORÇAS MILITARES DE LAGOS NAS GUERRAS DA RESTAURAÇÃO E PENINSULAR E NAS PUGNAS PELA LIBERDADE. Typ. Universal (A Vapor). Porto, 1909. In-4º 488 pp.
1009. SAMPAIO (Albino Forjaz de) - LISBOA TRÁGICA. (Aspectos da cidade). Com um retrato do auctor por António Carneiro. Santos & Vieira. Lisboa, 1910. In-8º 271 pp.
TEATRO DE CORDEL. (Catálogo da colecção do Autor). Publicado por ordem da Academia das Sciências de Lisboa. Imprensa Nacional de Lisboa, 1920. In-8º 108-II pp.
1012. SAMPAIO-BRUNO (José Pereira de) - A DICTADURA. Subsídios moraes para seu juízo crítico. Lello & Irmão. Porto, 1909. In-8º VIII-293-III pp. B.
1013. SAMPAIO-BRUNO (José Pereira de) - NOTAS DO EXÍLIO. 1891-1893. Ernesto Chardon. Porto, 1893. In-8º XIV-347-III pp. E.
1014. SAMPAIO-BRUNO (José Pereira de) Ŕ PORTUGAL E A GUERRA DAS NAÇÕES. Chardron. Porto, 1906. In-8º VII-508-I pp. B.

1060. SELVAGEM (Carlos) - PORTUGAL MILITAR. Compêndio de História Militar e Naval de Portugal. Desde as origens do estado portucalense até ao fim da dinastia de Bragança. Imprensa Nacional. Lisboa, 1931. In-8º gr. 685 pp. B.
1062. SEQUEIRA (Matos) - NO LEILÃO AMEAL. Crónica amena de uma Livraria a Menos. Desenhos de Alberto Sousa. Emprêsa Editora e de Publicidade a Peninsular. Lisboa, 1924. In-8º 65-I pp. B.
1064. SERGIO (António) Ŕ ENSAIOS. Annuario do Brasil /Seara Nova. Rio de Janeiro /Lisboa, 1920-34. In-8º 4 vols. E.
1086. SILVA (Teodoro José da) - MISCELLANEA HISTORICO-BIOGRAPHICA. Extrahida de uma infinidade de obras antigas e modernas. Francisco Arthur da Silva. Lisboa, 1877. In-8º XVI-346-VI pp. E.

1112. SOUTO (José Correia do) - DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DE PORTUGAL. Universidade do Minho. Braga, 1985. In-4º 6 volumes. E.
1132. TELLES (Bazilio) - DO ULTIMATUM AO 31 DE JANEIRO. Esboço dřhistoria politica. Bazilio Telles. Porto, 1905. In-8º 453-III pp. E.
1141. A TRADIÇÃO. Revista mensal dřethographia portugueza, illustrada. Edição em fac-simile. Vol. I: de Janeiro de 1899 a Dezembro de 1901. Vol. II: de Janeiro de 1902 a Junho de 1904. C. M. de Serpa, 1982. In-4º 2 vols. B.
1182. VIANA (Manuel Couto) Ŕ FERRO-VELHO. Memórias e estudos. Apresentação de Alberto Antunes de Abreu. Prefácio de António Manuel Couto Viana. Viana do Castelo, 1989-90. In-8º gr. 300-I e 230 pp. em 2 Vols. E.
1190. VIEIRA (P. José Gonçalves) - MEMORIA MONOGRAPHICA DE VILLA NOVA DE PORTIMÃO. Typ. Universal de Figueirinhas. Porto, 1911. In-8º 104-II pp. B.

O catálogo completo em PDF pode ser pedido para:

livraria.antiquariacalhariz@gmail.com

À atenção de todos os apaixonados pela bibliofilia.

A.A.B.M.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

CARTA ABERTA A SALAZAR de HENRIQUE GALVÃO


Carta Aberta a Salazar de Henrique Galvão, seguida de "Cântico do País Emerso", de Natália Correia

Editora: Esfera do Caos - reimpressão, 2010

"Ninguém conhece melhor o amo que o seu criado de quarto"

Henrique Galvão recorria frequentemente a esta ideia para, de forma alegórica -considerando ter sido «criado de quarto de Salazar» -, significar que, por ter servido intimamente o ditador e o regime, ninguém os conhecia melhor do que ele.

E de facto, esta Carta Aberta a Salazar é uma das mais brilhantes análises, a que podemos ter acesso, da ideologia salazarista e da personalidade do ditador, por um lado, e, por outro, dos resultados obtidos pelo Estado Novo - a sua «verdadeira obra» - nos planos social e económico.

As três primeiras edições deste livro, de 1959, foram apreendidas pela PIDE quase à saída da máquina. Uma nova edição surgiu na Venezuela, em 1960, e entrou clandestinamente em Portugal - também desta, poucos foram os exemplares que escaparam às garras da polícia política.


ler AQUI

J.M.M.

HENRIQUE GALVÃO - CARTA ABERTA A SALAZAR



HENRIQUE GALVÃO [1895-1970] nasceu no Barreiro, concluiu estudos na Escola Politécnica, seguiu a carreira militar. Foi apoiante de Sidónio Pais, participou como cadete no golpe de 28 de Maio de 1926, venerou Oliveira Salazar ("Ninguém conhece melhor o amo que o seu criado de quarto", disse um dia], teve cargos públicos (direcção da Emissora Nacional, foi responsável pela secção colonial da Exposição do Mundo Português em 1940) participa e organiza a Administração das Colónias [foi em 1934 deputado por Angola, depois governador de Huíla e Inspector da Adm. Colonial] - foi escritor com uma vasta bibliografia, tendo deixado alguns dos mais belos livros sobre a vida colonial, a fauna, a zoologia e a caça africana [veja-se, p. ex. o incontornável "Ronda de África, Outras Terras, Outras Gentes, Viagens em Moçambique", II vols; e o "Da Vida e da Morte dos Bichos", V vols].

Afasta-se da ditadura salazarista (a questão em torno dos Estatuto dos Indígenas é crucial), aparece apoiando a candidatura presidencial de Quintão Meireles, conspira nos anos 50 contra o Salazar [surge relacionado com uma presumida insurreição ou intentona contra a ditadura, denominada Intentona da Rua da Assunção, em 1952 – cf. A História da PIDE, Irene Pimentel, pp. 224-227] e é por isso preso pela PIDE e, consequentemente, expulso do exército. Por várias vezes detido nas cadeias Salazaristas, em 1959 consegue uma fuga espectacular do Hospital de Santa Maria (onde se encontrava hospitalizado e vigiado pela PIDE, por transferência da cadeia de Peniche), tendo-se refugiado, posteriormente, na embaixada da Argentina (12 de Maio), seguindo depois para a Venezuela.

É então (1959) que publica uma "Carta Aberta a Salazar", que é, de facto, uma apreciação brilhante, invulgarmente sarcástica e poderosa sobre o ditador e o Estado Novo, edição essa rapidamente apreendida pela PIDE, mesmo após várias tentativas de circulação. Ao que parece saiu uma edição via Venezuela (1960), mas os exemplares da edição coeva são hoje muito raros.

Henrique Galvão continua a sua luta, radicaliza-se, aparece em 1961 como principal instigador do assalto conseguido [levado a cabo pela DRIL, de que fazia parte, tb, Jorge Sottomayor] ao paquete Santa Maria [denominado logo por “Santa Liberdade” - ver AQUI], combate que fazia parte da "Operação Dulcineia" contra o regime (via tomada de Luanda), depois é co-organizador da "Operação Vagô”, de que fez parte o desvio do avião da TAP que vinha de Casablanca. Torna-se, portanto, uma figura de destaque na luta anti-fascista em Portugal, marcando novos caminhos e acções de luta contra a ditadura. Morre em 1970, em São Paulo (Brasil), só e muito desamparado de Portugal e pelos portugueses.

J.M.M

LISBOA REVOLUCIONÁRIA 1908-1975


FERNANDO ROSAS - Lisboa Revolucionária 1908-1975 (VERSÃO ECONÓMICA)
EDITORA: Tinta da China

"O livro tem como objecto de estudo a Lisboa Revolucionária do século XX, particularmente os primeiros 30 anos do século passado, tendo ainda uma incursão pelo "abalo telúrico" de 1974/75, para utilizar uma expressão com que o autor se costuma referir a este período.

Uma das originalidades do livro, e um dos aspectos mais inovadores em termos da apresentação desta investigação histórica, é que o autor parte dos vários cenários de Lisboa, onde ocorreram os principais eventos que iriam determinar os acontecimentos insurreccionais, traçando uma espécie de geografia dos vários confrontos ...
" [ler TUDO AQUI]

J.M.M.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

POSTAIS DA PRIMEIRA REPÚBLICA



Entrevista ao Professor António Ventura: "A Primeira República vista através dos Postais", na ocasião da publicação do seu livro "Os Postais na Primeira República" e que AQUI referimos.

via Sapo Videos, com a devida vénia.

J.M.M.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM LAGOS



Também em Lagos estão a começar as Comemorações do Centenário da República, numa iniciativa da Escola Secundária Dr. Júlio Dantas, com a colaboração de várias instituições de ensino superior e várias personalidades como o Mestre José Alberto Baptista, autor da obra João Bonança na Cultura do seu Tempo.

Entre as iniciativas encontra-se ESTA, que nos parece bastante interessante e que iremos continuar a acompanhar.

O programa das Comemorações pode ser consultado AQUI.

Lagos foi um dos primeiros focos de republicanismo fora das cidades mais importantes de Lisboa, Porto ou Coimbra. Em 8 de Maio de 1882 fundou-se em Lagos o primeiro centro republicano da cidade, tendo por presidente o advogado José António Bourquin Brak-Lamy, companheiro de curso de Sebastião de Magalhães Lima. No ano seguinte, inicia-se a publicação de um semanário republicano, intitulado Folha Democrática dirigido por Salazar Moscoso e propriedade de Jerónimo Biker Cabral.

Quando, em 1884, Magalhães Lima, Anselmo Xavier, José Jacinto Nunes visitam o Algarve em propaganda, entre 7 e 17 de Novembro, ficam alojados em casa de José António Bourquin Brak-Lamy. Em 1890, consegue eleger um deputado republicano pelo círculo de Lagos, Bernardino Pereira Pinheiro, tendo por base numa questão jurídica, que tornou inelegível o candidato mais votado.

Na década seguinte, após o 31 de Janeiro, quando o partido atravessava uma profunda crise, Lagos organiza a sua comissão municipal republicana, presidida pelo Dr. João Marreiros Neto. Foi esta personalidade que, exercendo as funções de presidente da Câmara Municipal de Lagos, em 1897, provoca uma acesa polémica dentro do partido ao decidir visitar o Rei, D. Carlos, que visitava a região, quando muitos republicanos defendiam o seu afastamento.

Os republicanos de Lagos voltam a conquistar a presidência da Câmara Municipal em 1908, contando com os seguintes elementos de destaque: Francisco de Jesus Gomes, José Júlio Lapelier Berger a que se juntará também Jerónimo Vieira Cabrita Rato, personalidades incontornáveis da vida política lacobrigense.


A.A.B.M.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM MIRANDA DO CORVO



A Comissão Organizadora das Comemorações do Centenário da República em Miranda do Corvo, constituída pelos cidadã(ãos): Eng.º Carlos Ferreira, Dr.ª Anabela Monteiro, Dr. António Órfão, Sr. Vitor Gonçalves já apresentaram o Plano de Actividades a desenvolver ao longo do presente ano.

O programa pode ser consultado integralmente AQUI.

Entre conferências, concertos, peças de teatro, apresentação e reedição de livros, exposições, participação e envolvimento das escolas, entre muitas iniciativas que vão decorrer na terra onde nasceu um dos primeiros líderes do movimento republicano em Portugal e autor da famosa Cartilha do Povo, José Falcão.

Mais um município a apresentar as suas iniciativas.

A.A.B.M.

SOCIEDADES SECRETAS, MAÇONARIA E CARBONÁRIA


DIA 13 DE FEVEREIRO - TERTÚLIA EM MIRANDA DO CORVO NA LOJA DO SR. FALCÃO (21 horas)

TEMA: "Sociedades Secretas, Maçonaria e Carbonária, e a sua intervenção no advento da República" por Fernando Fava, mestre da FLUC e investifgador do CEIS-20.

Na Povoação de Pereira (Miranda do Corvo) realiza-se, no dia 13 de Fevereiro, uma Tertúlia, inserida nas Comemorações do Centenário da Implantação da República, na Loja do Sr. Falcão.

A Loja do Sr. Falcão, antiga taberna e mercearia, pertenceu outrora a familiares de José Falcão [ler AQUI mais] e está situada mesmo ao lado da casa desse ilustre republicano. O tema para a tertúlia, a cargo de Fernando Fava, historiador e membro da Comissão Cívica de Coimbra para as Comemorações do Centenário da República, versará as "Sociedades Secretas, Maçonaria e Carbonária, e a sua intervenção no advento da República".

J.M.M.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM COIMBRA



No âmbito das Comemorações do Centenário da República, o CEIS 20, as Ideias Concertadas e Almedina vão iniciar amanhã um conjunto de sessões com vários especialistas para abordar à época.

Este conjunto de sessões tem a coordenação da Professora Doutora Maria Manuela Tavares Ribeiro.

O primeiro palestrante, o Professor Catedrático da FLUC, Fernando Catroga, vai apresentar um conjunto de reflexões sobre a Res Publica. Uma Viagem Histórico-Conceptual sobre a Ideia Republicana, a partir das 18 horas.

Pode ler-se no texto de apresentação desta iniciativa:

"Perante a actual crise de valores, sente-se a necessidade de se republicanizar a República". As palavras são do professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), Fernando Catroga, e resumem na perfeição o teor do ciclo "100 Anos da República". Organizadas na livraria Almedina Estádio, em Coimbra, de Fevereiro ao final do mês de Setembro, as conferências traçam o percurso republicano à luz de um século de história.

O programa global desta iniciativa, pode ser consultado AQUI.

São sete sessões a acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O TEMPO E O MODO



A FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES disponibilizou (online - ver em Revistas de Ideias e Cultura) todos os números da revista O TEMPO E O MODO, "Revista de Pensamento e Acção", publicada em Lisboa, de Janeiro de 1963 (nº1) até Setembro de 1977 (nº 126). De consulta, obrigatória!

Ler mais sobre O Tempo e o Modo, AQUI e AQUI.

J.M.M.

ICONOGRAFIA REPUBLICANA


Curioso rótulo de vinho do Porto, Quinta do Sabor, de Manuel Joaquim Pinto [estabelecido em Vila Nova de Gaia desde 1889, com armazéns de vinho do Porto, M.J.P. compra propriedades vinícolas no Douro (1898) e na Foz do Sabor estabelece a sede da sua actividade].

via Bernardino Machado, aliás in Das Margens do Rio.

J.M.M.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

RESISTÊNCIA - CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO


A INCM publicou o catálogo da Exposição RESISTÊNCIA. Da alternativa Republicana à luta contra a Ditadura (1891-1974) que está patente ao público na Cadeia da Relação no Porto.

Pode lêr-se no texto de apresentação:

A República que se instaurou há cem anos atrás está na origem da democracia em que vivemos. A construção da democracia teve um contributo essencial das lutas dos republicanos contra a Monarquia e, depois de 1910, em defesa da República.

Em 1926, ela caiu às mãos dos militares autoritários. Implantou-se em Portugal uma longa ditadura de 48 anos. Durante esse quase meio século, houve sempre quem resistisse: quem lutasse contra a opressão, e quem tivesse enfrentado corajosamente a repressão dos direitos e a negação das liberdades: republicanos, anarquistas, comunistas, socialistas, católicos progressistas, democratas de todas as cores, incluindo alguns monárquicos. Uns organizaram revoltas armadas, outros foram resistindo no dia a dia.

Nesta exposição, procuramos retratar rostos, gestos, momentos da vida desses portugueses cuja resistência e luta é, de forma decisiva, responsável pela nossa liberdade. Os ideais em nome dos quais estes homens e estas mulheres lutaram foram muito diversos e, muitas vezes, contraditórios. Mas é importante fazer perdurar a memória de quem lutou pela instauração de uma República emancipadora, de quem lutou pela sua preservação contra as ameaças de regresso ao passado, de quem resistiu contra a imposição da longa ditadura salazarista que se lhe seguiu, e de quem, por último, conseguiu reunir em 25 de Abril de 1974 as condições para a derrubar de uma forma tão irresistivelmente não violenta.

Núcleos
I Sant’Ana - A Caminho da República 1891-1910
II Pátio - O 5 de Outubro
III Senhor de Matosinhos - Implantar e defender a I República 1910-18
IV Santo António - Restauração e Fim da I República 1918-26
V Santa Teresa - A Ditadura e o Reviralho 1927-31
VI Átrio das Colunas - Uma Ditadura para durar 1932-34
VII Sala das Colunas - Resistir 1934-58
VIII Átrio do Tribunal - O Furacão Delgado 1958-62
IX Sala do Tribunal - Da Guerra Colonial ao 25 de Abril de 1974


O presente catálogo foi organizado por Manuel Loff e Teresa Siza.

Uma obra que recomendamos a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

JORNAIS REPUBLICANOS DIGITALIZADOS PELA BND



A Biblioteca Nacional Digital disponibilizou nos últimos tempos uma quantidade apreciável de jornais, entre eles alguns republicanos que não podemos deixar de divulgar junto de investigadores, professores, alunos, curiosos e/ou interessados na temática.

Consultando a base de dados foram recentemente acrescentados um conjunto de jornais que constituem uma excelente base de trabalho para descobrir as origens do movimento republicano, em especial a ligação à revolução de 1848.

Neste caso podemos consultar:
- A Alvorada, Lisboa, 1848;
- A Beneficência, Lisboa, 1848;
- É Tarde, Lisboa, 1848;
- O Estandarte, Lisboa, 1847-1851;
- A Fraternidade, Lisboa, 1848;
- A Regeneração, Lisboa, 1851;
- O Regenerador, Lisboa, 1848;
- A República, Lisboa, 1848;
- O Republicano, Lisboa, 1848;
- O Viriato, Viseu, 1855-1892;


Para os tempos da propaganda republicana encontramos também disponíveis:
- Os Debates, Lisboa, Dir. Consiglieri Pedroso, 1888-1891;
- O País/A Pátria, Lisboa, 1895-1900;
- A Vanguarda, Lisboa, 1891-1929;

Mais uma instituição a prestar um excelente serviço à causa da res publica, demonstrando que as instituições públicas podem prestar um excelente serviço aos utentes. Esperemos que seja para continuar.

Torna-se indispensável uma visita a este espaço.

A.A.B.M.

CONFERÊNCIA “RAZÃO E RAZÕES DO REPUBLICANISMO PORTUGUÊS”


Conforme AQUI dissemos, a Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, da Figueira da Foz, associando-se às Comemorações do Centenário da Implantação da República, teve ensejo de organizar uma conferência sobre o título "Razão e Razões do Republicanismo Português".

Com uma assistência muito estimada, e que emoldurou todo o Salão Nobre da vetusta Associação Figueirense, que serviu de anfitriã, os palestrantes - dr. Amadeu Carvalho Homem e o dr. António Reis - destacaram os aspectos mais relevantes da experiência republicana da I República e o seu património actual. Da intervenção do dr. Carvalho Homem saliente-se a ideia de República como o "aprofundamento da democracia nas suas diversas vertentes". Esse "grande veredicto" da restauração de valores - como a "democraticidade", o "sufrágio universal" (ou cidadania plena versus monarquia censitária) -, esse património construído justamente no plano dos valores, tais como as leis da família, o divórcio, o ensino público, não pode ser confundido (axiologicamente) com o plano das realidades, como alguma corrente historicista hoje publicita.

O dr. António Reis, recuperando a ideia anterior, considera que há hoje, de facto, uma corrente de revisão histórica (deturpada) do que foi (é) a República, assumindo que qualquer apologia ou diabolização, tout court, não se compadece com, o que denomina, os princípios do ideal republicano, que corporiza em: submissão do interesse pessoal ou público; igualdade de direitos perante a lei; supremacia do parlamento na organização do Estado; limitação de mandatos, a par da responsabilização penal dos detentores de cargos públicos.

Seguidamente, António Reis, partiu para alavancar as virtudes (ou conquistas) do ideário republicano, a saber: prática da cidadania participativa, estado laico, leis da família e do registo civil, lei da greve, instrução pública (universidade livre, popular), novo ambiente cultural com a presença de várias correntes estéticas e filosóficas. Por fim, registou, nesse deve/haver da construção republicana, alguns dos erros ou perplexidades havidas, em torno do sufrágio universal ("lacuna da primeira república" e que não foi cumprido), incapacidade do pleno funcionamento do parlamento, o presumido erro da participação de Portugal na I Guerra (e que o sidonismo será a sua eventual consequência), os excessos cometidos à "sombra" do laicismo e a ausência de uma politica económica e social clara e eficaz que fosse ao encontro dos ensejos e revindicações do operariado e demais classes sociais (que só os governos entre 1923-25, o tentaram).

A conferência decorreu, depois, á luz das notas propostas pelos dois convidados, tendo a assistência prolongado a sessão com um conjunto de questões, bem curiosas, sobre todas essas matérias e que mereceram a atenção cuidada dos conferencistas.

Está, pois, de parabéns a Associação Cívica e Cultural 24 de Agosto, da Figueira da Foz, pelo excelente préstimo que proporcionou ao vasto auditório, pela relevância dos seus convidados e pelo magnífico espaço de debate que se obteve.

J.M.M

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA - SITE OFICIAL



Site oficial da COMISSÃO NACIONAL DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA 1910-2010.

J.M.M.

CENTENÁRIO DA REPÚBLICA EM CONDEIXA-A-NOVA


A Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova vai iniciar amanhã, dia 5 de Fevereiro, as cerimónias comemorativas do Centenário da República.

Ao longo de nove sessões, realizadas sempre ao dia 5 de cada mês, irão abordar-se diversos aspectos ligados à República. Entre os temas a abordar encontramos o Hino Nacional, através dos bisnetos dos autores do hino; a República contada às crianças, por José Jorge Letria; a Carbonária e a Maçonaria na Implantação da República, pelo Prof. Doutor José Adelino Maltez; Miguel Bombarda, os Psiquiatras e a República, por Luís Gamito; a Literatura e a República, por Miguel Real; As Canções da República, por Carlos Guilherme e João Balula Cid; As Caricaturas na República, por Osvaldo de Sousa (Exposição); História da Implantação da República, por Amadeu Carvalho Homem; e As Mulheres e a República, com Irene Pimentel e Filomena Beja.

A programação detalhada e calendarizada pode ser consultada AQUI

A acompanhar com todo o interesse.

A.A.B.M.

IV RASSEMBLEMENT MAÇONNIQUE INTERNATIONAL



LISBOA - Dias 16 e 17 de Abril: IV Rassemblement Maçonnique International

«Lisboa vai ser o palco do 'IV RMI - Rassemblement Maçonnique International', que se realizará nos dias 16 e 17 de Abril próximo, coincidindo com o II EIL - Encontro Internacional de Lisboa, promovido pelo Grande Oriente Lusitano - Maçonaria Portuguesa.

Os RMI iniciaram-se há quatro anos com uma primeira edição em Estrasburgo, a que se seguiram Atenas e, no ano passado, Istambul. Já o I EIL realizou-se há dois anos e abordou o tema 'Religiões, Violência e Razão'.

Estas reuniões anuais juntam dezenas de Obediências da maçonaria liberal de diversos continentes.

Este ano, o dia 16 de Abril será ocupado com actividades maçónicas. No dia 17, maçons e não maçons, nacionais e estrangeiros, vão associar-se às Comemorações do Centésimo Aniversário da República, debatendo o tema 'A Actualidade dos Valores Republicanos


via G.O.L. [ver AQUI]

J.M.M.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

IN MEMORIAM MANUEL SERRA



"É na Juventude Operária Católica, aos 17 anos, que Manuel Serra toma consciência da pobreza, repressão e injustiças que o rodeiam – o motor de arranque para uma longa e agitadíssima caminhada.

Já como oficial da marinha marcante, integra-se na corrente mais extremista da campanha de Humberto Delgado para a presidência da República, em 1958, onde defende o recurso à luta armada para o derrube do regime.


Na noite de 11 para 12 de Março, chefia os civis no falhado Golpe da Sé, sendo detido e levado para o Aljube onde permanece seis meses, depois de cinco dias de tortura de sono. Numa primeira fuga espectacular, sai pelo seu pé do Hospital Curry Cabral onde se encontrava internado: vestido de padre, segue directamente para a embaixada de Cuba em Lisboa, onde pede asilo. Apesar de vigiado em permanência por quatro agentes da PIDE, chefiados por Rosa Casaco, estuda um novo plano de fuga, muda de visual muito rapidamente, cortando o cabelo e a barba, e aproveita uma mudança de turno para, uma vez mais, sair em pleno dia para a embaixada do Brasil, já que o seu objectivo era precisamente juntar-se a Humberto Delgado naquele país.

Parte em Janeiro de 1960 e começam então os preparativos para o que viria a culminar no golpe de Beja, em 1 de Janeiro de 1962. Depois dos factos que são do conhecimento público, Manuel Serra tenta esconder-se no sul do país, mas acaba por ser detido em Tavira. Segue-se então um mês de grande violência, com tortura de sono e espancamentos, um julgamento com condenação a dez anos de prisão e longas estadias em Peniche e em Caxias. Liberto no início de 1972, é ainda detido por um curto período em Novembro de 1973.

Tudo somado, quase doze anos passados em prisões da PIDE.

A seguir ao 25 de Abril, é um dos fundadores do MSP (Movimento Socialista Popular) que mais tarde se integra no Partido Socialista com grupo autónomo, mas divergências internas precipitam a saída, em Janeiro de 1975, para a criação da FSP (Frente Socialista Popular). No quadro deste pequeno partido, participa nas campanhas de Otelo Saraiva de Carvalho para a presidência da República. Em 1980, foi um dos fundadores da FUP (Força de Unidade Popular)...
" [ler todo o texto AQUI]

Joana Lopes, via Caminhos da Memória

J.M.M.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CANDIDATOS DA OPOSIÇÃO À ASSEMBLEIA NACIONAL DO ESTADO NOVO


A Assembleia da República, o CEIS20 e a Livraria Bertrand convidam V. Ex.ª para a apresentação do livro Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo. Um Dicionário , coordenado por Luís Reis Torgal e da autoria de Mário Matos e Lemos.

A sessão realizar-se-á na Livraria Bertrand, do Centro Comercial Dolce Vita, em Coimbra, no dia 4 de Fevereiro, 5.ª feira, pelas 18h00.

A apresentação do livro será feita pelo Dr. António Arnaut.


Uma obra que o Almanaque Republicano não pode deixar de recomendar a todos os seus ledores.

A.A.B.M.

JOSÉ RÉGIO E A REPÚBLICA


Tivemos conhecimento, através do Doutor António Ventura , de um notável texto que podemos apresentar hoje sobre a República, publicado por José Régio no jornal A Rabeca (Portalegre) n.º 2404, de 6 de Outubro de 1966:

Oferecendo a todo e qualquer cidadão a possibilidade de ocupar os mais altos postos na governação da sua pátria; permitindo à opinião pública a faculdade de intervir, por meio dos seus representantes, nessa mesma governação; não exigindo a cada cidadão, para que seja um desses representantes (ou venha a ocupar aqueles postos) senão a idoneidade intelectual e moral que nada tem a ver com privilégios de classe ou casta, — a República é o regime que mais naturalmente procura realizar a ideia democrática. Ideal moral e racional, a democracia convida o homem a superar-se aos seus particularismos. Como regime que tenta efectivar esse ideal, a prática republicana procura o bem de cada um na medida em que não ofenda o bem de todos, na medida em que não seja esquecido o bem de cada um, o direito de cada um e os direitos da colectividade, o respeito pela dignidade de cada indivíduo como pessoa e o respeito de cada indivíduo pela dignidade comum»

Dizendo ser a República o regime que mais naturalmente procura realizar a ideia democrática, — ficou insinuado que pode a realização da democracia ser tentada por outros meios ou regimes. Admitamos, até, que podem ser consideradas democráticas ideias diversas, ou haver de democracia outras concepções. Em ser um ideal porventura inatingível no seu absoluto — está a perenidade, o prestígio, a validez da democracia de que estamos falando. Nisso mesmo estará, para outros, a sua fraqueza. Isso mesmo lhes dará a eles razão para se desiludirem de ela. Com o mesmo fundamento se deveria, então, renunciar ao Cristianismo, pois também o Cristianismo parece não poder ser realizado em absoluto pelas fracas forças humanas. Sendo um ideal porventura demasiado exigente, nem pelo facto de inatingível no seu absoluto deixa a democracia de permitir ao homem uma sua progressiva aproximação, e de novo, aqui, a podemos comparar à ideia cristã.

Pelo que diz respeito ao político e ao social, depende da técnica usada o bom êxito dessa aproximação progressiva. As deficiências reconhecidas em certas técnicas nada provam contra a ideia democrática em si. Se me é permitida tal linguagem, saudemos na República a técnica democrática mais natural e mais válida, — desde que, por sua vez, funcione e se realize a ideia republicana. Isto nos lembra que tudo pode ser atraiçoado — o ideal republicano, o ideal democrático, o ideal cristão, etc. — desde que a reforma exigida às sociedades não seja, por sua vez, exigida aos homens. Tudo pode estar teoricamente certo mas praticamente errado, desde que o pretenso progresso político e social não seja, em cada indivíduo chamado a intervir, um progresso moral e intelectual Se já o facto de surgir no homem a ideia de sociedades mais justas, mais progressivas, mais humanas no sentido nobre do termo, é um progresso do próprio homem, — reconheçamos que a simples tentativa de realizá-las lhe exige uma contínua vigilância interior, um contínuo triunfo, para o bem de todos incluindo o seu próprio, sobre os seus egoísmos e paixões particulares
.

Com um agradecimento particular, ao Doutor António Ventura, pelo seu contributo para este espaço de conhecimento e partilha de assuntos relacionados com a República.

A.A.B.M.