Bernardino Machado nasceu no
Rio de Janeiro (
28/03/1851) e faleceu no
Porto (
29/04/1944). Bacharel em Matemática (
15/07/1873), Licenciado (
14/01/1875) e Doutor em Filosofia (
02/07/1876) pela
Universidade de Coimbra. Deve-se a
Bernardino Machado a criação e ensino oficial da cadeira de
Antropologia na Universidade de Coimbra. Foi
Secretário da Faculdade de Filosofia (
1877-1879) e
Director do Museu de História Natural, Antropologia (
1885-1907). Foi, ainda,
Director do Instituto Industrial e Comercial de Lisboa. Deixou publicada uma extensa obra pedagógica, científica e política [
ver biobibliografia AQUI]
Em 1882 ingressa no
Partido Regenerador. Foi
deputado entre 1883-1887,
Par electivo do reino (1890-95) e
Ministro das Obras Públicas do gabinete de
Hintze Ribeiro-João Franco (
1893), tendo-se demitido do cargo. Em
1903 adere ao
Partido Republicano, tendo sido
Presidente do seu Directório (
1906-1909).
Professor da Universidade de Coimbra, em
1907, é
solidário com a greve académica, tendo sido exonerado (
25/04/1907). Foi
deputado eleito às Constituintes de 1911 por Lisboa Oriental. Foi
candidato ao lugar de Presidente constitucional da República, tendo perdido para
Manuel de Arriaga. Foi
senador (
1911-15; 1919-25). Em 1912 (
20/01) é nomeado
Ministro de Portugal no Brasil e em 1913 (
1/11) torna-se
embaixador nesse país até 1914. Foi
Presidente do Ministério (
de Fevereiro a Dezembro de 1914), dos
Negócios Estrangeiros (
até Março de 1914),
Ministro do Interior (
Junho a Dezembro de 1914; e em 1921),
Ministro da Justiça (
interinamente; 1911 e 1914) e
Ministro da Agricultura (
1921). Foi eleito
Presidente da República em 1915 (
06/08) e em 1917 (
08/12) é "aprisionado e banido" do país, no seguimento da revolta de 5 de Dezembro, chefiada por
Sidónio Pais. Em
1919 regressa do exílio [
esteve exilado duas vezes; 1917-19 e 1927-1940] e é eleito pelo Congresso Presidente em 1925 (11/12) para "completar o mandato renunciado por Teixeira-Gomes", tendo entregue "os poderes presidenciais a
Mendes Cabeçadas" na sequência do movimento de 28 de Maio de 1926, que instalou a Ditadura.
Exilado (
1927), fixa residência em França e regressa em 1940, com residência fixa em
Paredes de Coura. Morre a 29 de Abril de 1944.
Bernardino Machado foi iniciado em 1874, na Loja "
Perseverança", nº 74, de Coimbra [
loja do RF, instalado em 1873, Capitular em 1874. Extingue-se em 1876], com o nome simbólico de "
Littré". Pertenceu (1892) à Loja "
Razão Triunfante", nº 107 do RF, Lisboa [
loja que transitou, mais tarde, para o REAA; esteve fora do GOLU, tendo aderido ao Grande Oriente de Portugal e, mais tarde, cinde novamente da Obediência, seguindo o Supremo Concelho de grau 33º. Abate colunas durante a clandestinidade]. Foi
Presidente do Conselho da Ordem (
1892-1895). Atingiu em 1895 o
grau 7º do RF e o
grau 33.º do REAA (
de cujo conselho fez parte). Entre 1895-1899 foi
Grão-Mestre do GOLU e
Soberano Comendador do Supremo Conselho de grau 33º [
1895-1899; 1929-1944]. Foi-lhe concedido (
1902) o cargo de Venerável honorário da loja "
Pátria", nº222, do RF, de Coimbra [
abate colunas em 1909]. É Director do
Asilo maçónico de S. João, Lisboa, entre 1902-1904. Integra em 1903 (30/05) a Loja "
Fernandes Tomás", nº212, do RF, da Figueira da Foz [
loja fundada por decreto maçónico nº16, de 10 de Junho de 1910 e instalada a 22 de Setembro, desse ano. Esteve particularmente activa entre 1900-1935]. Foi-lhe concebido o cargo de Venerável honorário da Loja "
Fernandes Tomás" (
24/08/1904). É membro honorário do
Supremo Conselho dos Soberanos Grandes Inspectores Gerais do Grau 33, de
Espanha, desde 1904. Em 1910, pertence à Loja "
Elias Garcia", nº 184, do RF, de Lisboa [
instalada em 1893, passa a Capitular em 1898, tendo transitado para o REAA em 1912. Abate colunas em 1928]. Em 1914, acompanha a cisão da maioria do Supremo Conselho, tendo reentrado na obediência anos depois. Integrou desde 1929 a Loja "
Fraternidade Colonial", nº406, do REAA, de Lisboa [
fundada em 1921, Capitular nesse ano, Areopagita em 1923 e Consistorial em 1925. Em 1952, mantinha-se em actividade].
FONTES:
A Loja Fernandes Tomás, nº212 da Figueira da Foz (1900-1935). O Arquivo e a História, Divisão de Museu, Bibliotecas e Arquivos, Figueira da Foz, 2001 /
Dicionário de Maçonaria Portuguesa, de A. H. de Oliveira Marques, Editorial Delta, 1986, Vol. I e II.
FOTO:
Bernardino Machado, quadro a óleo de
António Carneiro, presente no
Grémio Lusitano; retirado, com a devida vénia, do blog "
Bernardino Machado".
J.M.M.