quarta-feira, 1 de setembro de 2010

“MATARAM O SIDÓNIO!” – FRANCISCO MOITA FLORES NA FIGUEIRA DA FOZ


No dia 24 de Agosto [ver AQUI] foi apresentado no Casino da Figueira da Foz o livro de Francisco Moita Flores, "Mataram o Sidónio!". Organizado pela Associação 24 de Agosto e integrado no "Dia Fernandes Thomaz", a mostra pública do último romance do criminalista e ex-investigador policial Moita Flores foi um êxito, dada a ampla e interessada audiência presente, o que não será de todo alheio a fluência discursiva e a cativante figura pública do palestrante.

Moita Flores, no livro em apreço (com suporte na sua tese de doutoramento), apresenta um texto estimulante em torno da putativa reconstituição do homicídio de Sidónio Pais (na noite de 14 de Dezembro de 1918) - uma abordagem feita a partir de documentação da época (que Moita Flores usa e abusa na sua recriação) e com base em metodologias forenses, instrumentos e técnicas criminalistas curiosas, que não se desdenharia a um qualquer laboratório de política científica -, num romance histórico (por vezes equívoco e decerto polémico) em que nos convida a revisitar essa Lisboa republicana de antanho (através de personagens sedutoras e eloquentes) e onde a escrita denuncia um autor com apurado e estimulante engenho narrativo.

Na apresentação do seu livro, Moita Flores enquadrou historicamente o romance, considerou que era um trabalho onde circulava muito das suas "angústias", avançando para a questão do homicídio e do(s) seu(s) autores. Na ocasião forneceu algumas indicações sobre o estudo e evolução da Medicina Legal, apresentou Sidónio como fundador, via decreto, da Polícia de Investigação Criminal (1917) e que foi a base da actual PJ e salientou a importância de um dos pioneiros da investigação criminal moderna, Edmond Locard [1877-1966]. Respondeu, posteriormente, às questões que lhe foram colocadas.


Diga-se que Sidónio Pais, figura carismática e incontornável da história da Primeira República (o conjunto de obras publicadas, do mais diverso teor, é amplo) e uma autêntica lenda na mitologia portuguesa - pela sua figura irresistível de galanteador (que não depreciava), pela cuidada promoção pública da sua figura ao povo (as suas inaugurações eram meticulosamente encenadas e propagandeadas), pela idolatria pessoal e política que alguns sectores observavam (mesmo entre os irredutíveis monárquicos), pela sua vida aventurosa e trágica -, semeou paixões e ódios intermináveis. Bem compreensíveis. Moita Flores teve ocasião de a isso se referir.

É certo que não era mister de Moita Flores alongar-se, no seu romance, na problemática política (mesmo que polemizante) do regime Sidonismo ou República Nova (muitos o fizeram já): a ditadura e a questão do presidencialismo como o abrir de portas utilitário à futura ditadura militar e ao salazarismo (e aqui, diga-se, não é possível meter Egas Moniz, ou mesmo Machado Santos, no mesma matriz presidencial de Sidónio); a simpatia e apoio estratégico (verdadeira apostasia) de sectores monárquicos e alguns do escol integralista, depois quase todos salazaristas (o caso Alfredo Pimenta é paradigmático; mas também Martinho Nobre Melo, Azevedo Neves, Cunha e Costa, Homem Cristo Filho, Eduardo Fernandes de Oliveira, Canto e Castro, João de Almeida, etc.) à sua governação bonapartista, e do mesmo modo os católicos reaccionários e tradicionalistas (entre os quais o próprio Salazar, que nutria admiração pelo estadista; idem para Fernando de Sousa ou Nemo, Pacheco de Amorim); a repressão ao operariado (que curiosamente apoiou o golpe sidonista), ou o caso do odioso crime (não isolado) da "Leva da Morte" (onde morre o Visconde da Ribeira Brava e o maçon Clarimundo Herédia) ou, até, o manifesto "terror" exercido contra a maçonaria (e logo vindo de um maçon a coberto, com n.s. Carlyle), que perante as perseguições havidas (assalto e destruição no dia 8 de Dezembro do Grémio Lusitano, como antes dos templos da Loja Luz e Vida, Loja União, Loja Montanha) optou pela triangulação das Lojas e "não adormeceu por completo". Não era esse o intuito do autor. Porém, é conveniente para o leitor não ter qualquer tipo de amnésia histórica ou ideológica, até para que se possa valorar as sábias palavras dessa personagem de "Mataram o Sidónio!", de nome Moreira Júnior, quando diz: "... Odeio a presunção. Não suporto aqueles que têm o dever de saber e não sabem ...".

J.M.M.

sábado, 28 de agosto de 2010

MESSINES E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA - PALESTRA



DIA: 29 DE AGOSTO (21,30 horas)
PALESTRA: MESSINES E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA
ORADOR: Artur Barracosa Mendonça
LOCAL: Sociedade de Instrução e Recreio Messinense (S. Bartolomeu de Messines)
ORGANIZAÇÃO: Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines

O nosso camarada de blog, Artur Barracosa Mendonça (A.A.B.M.), profere uma palestra no dia 29 de Agosto (21,30 horas) na Sociedade de Instrução e Recreio Messinense (S. Bartolomeu de Messines) sobre "Messines e a Implantação da República". A pesquisa, informação, estudo e reflexão em torno da história da Primeira República na região do Algarve (a que A.A.B.M. se tem dedicado, em especial), bem como a obra arrolada e a dimensão do trabalho já feito e que A.A.B.M. está a desenvolver, tornará decerto proveitosa a iniciativa levada a cabo pela Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines e a que nos associamos, desde já. A não perder!

J.M.M.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

DIA FERNANDES THOMAZ


No dia 24 de Agosto, conforme AQUI foi referido, a Câmara Municipal da Figueira da Foz, a que se associou a Associação 24 de Agosto e a Associação Fernandes Thomaz, homenageou um dos seus filhos mais ilustres, Manuel Fernandes Thomaz (1771- 1822), jurisconsulto, figura “primacial do liberalismo vintista”, fundador do Sinédrio

[associação secreta para-maçónica, fundada no Porto em Janeiro de 1818, que interveio na organização da revolução liberal de 24 de Agosto de 1820. Os fundadores (todos maçons) foram, além de Fernandes Thomaz (pertenceu á Loja Fortaleza, à Loja Patriotismo, com n.s. Valério Publícola), José Ferreira Borges (advogado, pertenceu à Loja 24 de Agosto, n.s. Viriato), José da Silva Carvalho (advogado, juiz, Ministro da Justiça, da Fazenda e da Marinha, pertenceu à Loja 1º Outubro, Loja 15 de Outubro, foi Grão-Mestre do GOL, fundador do primeiro Supremo Conselho do Grau 33, n.s. Hydaspe) e João Ferreira Viana (comerciante, desconhece-se a que Loja pertencia). Fizeram parte, posteriormente, Duarte Lessa (comerciante e proprietário, Loja ?, mas em 1823 era Cavaleiro Rosa-Cruz), José Maria Lopes Carneiro (comerciante e proprietário, pertenceu à Loja Sinédrio Geral de Beneficência, loja de perfeição do grau 16 do REAA, n.s. Loth), José Gonçalves dos Santos Silva (comerciante e proprietário, Loja ?), José Pereira de Meneses (comerciante, Loja ?), Francisco Gomes da Silva (médico, Loja ?), João da Cunha Souto Maior (magistrado, Loja ?, foi Cavaleiro Rosa-Cruz e teve o cargo de Grão-mestre do GOL), José de Melo de Castro Abreu Pereira (moço fidalgo da casa real, coronel de Milícias da Beira, pertenceu à Loja Fortaleza), José Maria Xavier de Araújo (magistrado, Loja ?) e Bernardo Correia de Castro Sepúlveda (oficial do exercito). No total eram 13 os elementos do Sinédriocf. A. H. Oliveira Marques, História da Maçonaria em Portugal],

membro da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, deputado, Presidente das Cortes, esteve com a pasta de Negócios do Reino e da Fazenda, sendo considerado o Patriarca da Liberdade.

Na cerimónia pública de Homenagem a Manuel Fernandes Thomaz, discursou o presidente da Associação 24 de Agosto, José Guedes Correia, o presidente da Associação Manuel Fernandes Tomás, Henrique Tomás Veiga e o Presidente da Câmara Municipal, dr. João Ataíde.

"...hoje vale a pena celebrar a liberdade, relembrar a biografia deste figueirense ímpar da História, a dimensão do corajoso e impoluto lutador pela liberdade, um homem livre, honrado e de bons costumes. O seu exemplo persiste e serve de referência ..." [palavras proferidas, na ocasião, por José Guedes Correia, via O Figueirense, 27/08/2010, p. 14]


"... E quem choramos nós: quem lamentam os Portugueses? Um cidadão extremado; um homem único; um benemérito da pátria; um libertador de um povo escravo: Manuel Fernandes Thomaz. Que nome, Senhores, que nome nos fastos da liberdade! Que pregão às idades futuras! Que brado às gerações que hão-de vir! Este nome será só por si a história de muitos séculos; este nome encerra em compêndio milhões de males arredados de um grande povo; ..."

[Almeida Garrett, in Oração Funebre de Manoel Fernandes Tomaz, via "O Figueirense" (especial Manuel Fernandes Thomaz, 27/08/2010)]

J.M.M.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

DIA 24 DE AGOSTO - HOMENAGEM A MANUEL FERNANDES THOMAZ - FIGUEIRA DA FOZ



17,30 horas:

EVENTO – Cerimónia Pública de Homenagem a Manoel Fernandes Thomaz
LOCAL/HORA - Pr. 8 de Maio (Figueira da Foz) – 17,30 horas
ORGANIZAÇÃO – Câmara Municipal da Figueira da Foz, Associação Manuel Fernandes Thomaz e Associação 24 de Agosto

19 horas:

EVENTO – "SIDÓNIO E A REPÚBLICA" por Francisco Moita Flores
LOCAL/HORA - Casino da (Figueira da Foz) – 19 horas
ORGANIZAÇÃO – Associação 24 de Agosto

21,30 horas:

EVENTO – CONFERÊNCIA, "O Pensamento Liberal de Manuel Fernandes Thomaz na Óptica Económica" por Maria de Fátima Brandão
LOCAL/HORA - Casino da Figueira (Sala Figueira) – 21,30 horas
ORGANIZAÇÃO – Associação Manuel Fernandes Thomaz e Associação 24 de Agosto.

J.M.M.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

FOTOBIOGRAFIA DE JOSÉ RELVAS - NA CASA MANUEL TEIXEIRA GOMES (PORTIMÃO)



LIVRO: "Fotobiografia de José Relvas 1858-1929", de José Raimnundo Noras
DATA: 19 de Agosto 2010 (19 horas)
LOCAL: Casa Manuel Teixeira Gomes (Portimão)
APRESENTAÇÃO: por José Alberto Quaresma [comissário para as comemorações nacionais do 150º aniversário do nascimento de Manuel Teixeira Gomes]

"A apresentação estará a cargo de José Alberto Quaresma, comissário para as comemorações nacionais do 150º aniversário do nascimento de Manuel Teixeira Gomes, e conta com a presença do autor, o historiador José Raimundo Noras.

Durante a sessão, José Alberto Quaresma irá estabelecer a relação entre Manuel Teixeira Gomes e José Relvas, duas figuras incontornáveis da I República.

A obra, cuja edição pertence à Imagens&Letras, está inserida nas comemorações do centenário da República, e pretende ser um contributo para a compreensão do que se vivia nos primeiros dias de Outubro de 1910, em particular através do relato das 33 horas da revolução feito pelo próprio José Relvas e incluído nesta fotobiografia, onde se conta como o plano estava delineado e se narram os percalços entretanto surgidos.

Professor de história e investigador, José Raimundo Noras, natural de Santarém, é licenciado em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e abordará o percurso de vida de José Relvas, centrando-se no seu papel fulcral como republicano de corpo e alma.

“Se voltar a desfalecer, gritem-me ao ouvido: Viva a República! Se não responder, é porque morri” – terão sido estas as últimas palavras do homem que às 9h00 da manhã de dia 5 de Outubro de 1910 proclamou a República Portuguesa
" [via Observatório do Algarve - sublinhados, nossos]

J.M.M.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

JOSÉ DE CASTRO (PARTE IV)


Sua terra natal, a antiga vila de Valhelhas, recorda-o na toponímia da sua praça principal.Nessa terra, José de Castro foi impulsionador de vários projectos de grande importância para época: a canalização de águas públicas, a criação do posto da Guarda Nacional Republicana, a construção de escolas, entre outras iniciativas. Embora José de Castro residisse em Lisboa, eram recorrentes a suas visitas à Guarda e a Valhelhas, por vezes, na companhia de Francisco Grandela, conhecido comerciante e seu particular amigo, que terá contribuído financeiramente para a realização de alguns melhoramentos locais. [Dulce Helena Borges (coord.), Guarda. Roteiros Republicanos, Quidnovi, Matosinhos, 2010, p. 64-55]

Foi iniciado na Maçonaria, em Coimbra, na Loja Federação, desde 1869, com o nome simbólico de Lamartine. Regularizado em 1893 na Loja União Democrática, de Lisboa. Integrou ainda os quadros da Loja Comércio e Indústria (1897) e José Estêvão, a partir de 1901. Atingiu o 25º do Rito Escocês Antigo e Aceite. A partir de 1908 passa a ser grão-mestre adjunto de Sebastião de Magalhães Lima, onde se manteve até 1915 [A.H. de Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. I, Editorial Delta, Lisboa, 1986, col. 302-303].

José de Castro morreu em Lisboa no dia 31 de Julho de 1929.

Publicou:
- O Marquês de Pombal e o Jesuístismo, Coimbra, 1882;
- As Vítimas d’El Rei. História dos processos movidos contra os perseguidos políticos da Ilha da Madeira, Lisboa, 1885;
- Discursos Parlamentares nas sessões de Junho e Agosto de 1890, Lisboa, 1890;
- Pour l’arbitrage internationale et pour la paix, Lisboa, 1892;
- O Maior Crime do Regímen. O Juízo de Instrução Criminal, Lisboa, 1910;
- A Propagação, Defesa e Culto da Arvore, Lisboa, Typ. Annuario Commercial, 1912

Colaboração na imprensa:
- Distrito da Guarda, Guarda, 1878-1903;
- Ala Moderna, Guimarães, 1903-1904;
- Comércio da Guarda (O), Guarda, 1883-1904;
- Ecos da Morofa, Figueira de Castelo Rodrigo, 1903-1904;
- Ideia Livre, Porto, 1911-1916;
- Heraldo (O), Lisboa, 1911;
- Povo Português (O), Guarda, 1882-1884;
- Revista de Justiça, Coimbra, 1916-1950;

[FOTO: Na imagem o Governo liderado por José de Castro, criado em Junho de 1915, Ilustração Portuguesa]

A.A.B.M.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

JOSÉ DE CASTRO (Parte III)


José de Castro convocou para 14 de Junho de 1910 uma reunião magna do Grande Oriente Lusitano Unido, em que propôs a formação de um comité secreto que preparasse os acontecimentos. Machado Santos propôs que José de Castro pudesse nomear uma comissão secreta com o fim de defender os maçons e a liberdade, e cujas ordens todos eram obrigados a acatar. Foi então por sua iniciativa que se formou a comissão de resistência que fez a revolução e cujo documento pode ser consultado AQUI, onde constam os membros que recordamos:Sebastião Magalhães Lima, José de Castro, Miguel Bombarda, Machado Santos, Francisco Grandela, José Cordeiro Júnior, José António Simões Raposo. Algum tempo depois a Comissão foi alargada e passaram a integrá-la Cândido dos Reis, António Maria da Silva e Manuel Martins Cardoso. Segundo Fernando Catroga, "foi este núcleo que, sintetizando a confluência e a aliança maçónica-carbonária-republicana, deu o impuso final à insurreição" [Fernando Catroga, O Republicanismo em Portugal. Da Formação ao 5 de Outubro de 1910, vol. 1, Faculdade de Letras, Coimbra, 1991, p. 149].

Durante a revolução republicana de 5 de Outubro de 1910 estava em Clermont-Ferrand (França), apesar disso foi nomeado, em 24 de Outubro de 1910, para proceder à sindicância dos serviços da Direcção Geral da Estatística e dos Bens Próprios Nacionais [Fernando Moreira, “CASTRO, José Augusto Soares Ribeiro de (1848-1929), Dicionário Biográfico Parlamentar. 1834-1919 (A-C), vol. I, Coord. Maria Filomena Mónica, Imprensa de Ciências Sociais/Assembleia da República, Lisboa, 2004, p. 750].

Foi eleito deputado às Constituintes de 1911 pelo círculo da Covilhã. Mais tarde passou a senador e integrou a comissão que elaborou a Constituição de 1911.

Os deputados eleitos, na maior parte dos casos sem realização de eleições, porque não se apresentaram candidatos oposicionistas. A partir de 19 de Junho de 1911, reuniram a Assembleia Constituinte. Praticaram então os seguintes actos: sancionaram a revolução de 5 de Outubro; decretaram a República Democrática como forma de governo; aboliram a monarquia; concederam o denominado “bil de indemnidade” ao Governo Provisório. Nas sessões de 20 e 21 de Junho, o Parlamento elege uma comissão encarregue de preparar o projecto de Constituição, que era constituída por João Duarte de Menezes, José Barbosa, José de Castro, Francisco Correia de Lemos, presidente da comissão e Sebastião de Magalhães Lima, o relator da mesma comissão. Foram compulsados por essa comissão 11 projectos de constituição, facto que muitos portugueses hoje ignoram, foram eles elaborados por: Teófilo Braga, José Barbosa, Machado Santos, João Gonçalves, Fernão Botto Machado, Goulart de Medeiros, Nunes da Mata, Cunha e Costa, Alves da Veiga, a Loja Montanha e João José de Mendonça Cortez. Coube à comissão estabelecer um texto de compromisso ou como se afirma de se ter procurado “uma fórmula conciliadora” entre tradição e progresso [Jorge Fernandes Alves, "A lei das leis Notas sobre o contexto de produção da Constituição de 1911", Revista da Faculdade de Letras HISTÓRIA, Porto, III Série, vol. 7, 2006, pp. 169-180].

Afirmou José de Castro na comissão que elaborou o projecto de Constituição:

Devo dizer que os meus ideais com respeito à Constituição republicana foram expressos no jornal O Século, que aí correu mundo. Eram muito simples. Eram aqueles que nós tínhamos advogado sempre na propaganda. Era uma República puramente democrática que se assemelhasse um pouco à da Suíça. Era uma República que teria um Presidente, mas um Presidente muito simples. Era uma Republica que saía da alma popular. Era uma República que vinha depois escolher os seus ministros, e os seus ministros escolhiam o seu Presidente. Haveria uma só câmara. Nesse ponto não só íamos com as nossas tradições, mas íamos com as tradições e princípios do partido republicano. Mas devo dizer que, mal entrei no seio da comissão, eu reconheci que tinha de sacrificar os meus ideais, não porque os meus companheiros, nobres e distintos a todos os respeitos, não pensassem como eu, não porque fossem menos avançadas as suas ideias do que as minhas, mas porque todos reconhecemos que o nosso povo ainda não tem a alta compreensão dos seus destinos, nem uma ilustração correspondente a essa forma de governo.
[Jorge Fernandes Alves, "A lei das leis Notas sobre o contexto de produção da Constituição de 1911", Revista da Faculdade de Letras HISTÓRIA, Porto, III Série, vol. 7, 2006, pp. 169-180]

Afirmou ainda José de Castro, nas sessões da dita comissão, acerca da Constituição, que esta devia objectivar a tradição e ao mesmo tempo a expressão do progresso de uma civilização e de um dado povo.

Defendeu ainda José de Castro:
Disse-se que a comissão copiou, sem mesmo alterar a sua redacção, a constituição brasileira, como também tinha copiado as constituições de 1822 e 1836. Devo dizer que, com efeito, a comissão, tendo de apresentar os seus trabalhos num prazo relativamente curto, teve de tirar destas constituições e daquela, aquilo que entendeu necessário para formar um corpo de doutrina para discutir, mas não copiou como poderia parecer, apenas transportou e, em tão pouco tempo, não se poderia fazer melhor.
De mais, a Constituição de 1822 foi a tradução completa da constituição de Cádiz; não foi portanto original; como a Constituição de 1838 foi quase a reprodução da de 1822 e como todas as constituições de todos os povos modernos são quase reproduções de umas das outras. Para se fazer uma constituição original para a Nação Portuguesa seriam precisos, pelo menos, dois anos, o tempo indispensável para se colherem elementos [...] e o facto é que a Assembleia marcou à comissão um prazo máximo de seis dias para a apresentação do trabalho que lhe foi entregue
.

O projecto foi elaborado com muita rapidez e uma semana depois e a 3 de Julho de 1911foi apresentado no hemiciclo. Surgiram logo as críticas como a acusação da cópia da constituição brasileira tornou-se recorrente, o que levou José Castro a objectar que a cópia era sobre a constituição dos Estados Unidos, à qual brasileira fora buscar a série de artigos usados no projecto.

Após a queda do Governo de Pimenta de Castro, onde desempenhou as funções de Ministro da Instrução por dois dias, entre 15 e 17 de Maio de 1915. Nesse ano tornou-se depois senador por Castelo Branco.

Em Maio de 1915 foi chamado convidado a formar governo na sequência do atentado contra João Chagas, facto que o levou à chefia do Governo entre 17 de Maio e 18 de Junho desse ano, onde acumulou as pastas da Guerra e do Interior. [Noémia Malva Novais, João Chagas. A Diplomacia e a Guerra (1914-1918), col. Minerva Histórica, Minerva Editora, Coimbra, 2006, p. 91-95].

Chefiou novo governo entre 18 de Junho de 1915 e 29 de Novembro desse ano, sobraçando também as pastas da Marinha e da Guerra. Nessa ocasião teve que intervir junto de Alexandre Braga no sentido de o desviar das críticas que tinha feito sobre o exército português, num conflito que se tinha desenvolvido entre este reconhecido causídico republicano e o então coronel Gomes da Costa, devido ao impacto que as acusações de Alexandre Braga tiveram na opinião pública e porque as julgava injustas [Luís Bigotte Chorão, A Crise da República e a Ditadura Militar, Sextante Editora, Lisboa, 2009, p. 106], ainda mais num momento de crescente tensão devido à guerra que já decorria no resto da Europa.

[Foto: retirada com a devida vénia do Arquivo Fotográfico de Lisboa onde se vê José de Castro a discursar, num comício, ao lado de Alexandre Braga]

[Em continuação]

A.A.B.M.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

JOSÉ DE CASTRO (Parte II)


Exerceu funções como administrador do concelho do Fundão e foi redactor do jornal Distrito da Guarda, desde 1881. Quando se afastou do Partido Progressista, tudo indica que as razões que estiveram subjacentes à sua saída se prendiam com a sua discordância acerca das negociações que estavam a ser feitas no âmbito do Tratado de Lourenço Marques. Participou nas iniciativas comemorativas do Centenário do Marquês de Pombal, em 1882, tendo realizado uma conferência no Montepio Filantrópico Egitanense que foi depois publicada.

Em 1890 foi eleito deputado independente, por influência de José Jacinto Nunes, pelo círculo uninominal de Santiago do Cacém. Participou de forma activa nos trabalhos parlamentares tendo algumas intervenções. Nessa legislatura integrou as comissões da Fazenda, do Ultramar e a Comissão Anual Interparlamentar, tendo sido escolhido para representar o Parlamento português na reunião de Berna e no Congresso Interparlamentar de Roma, realizado em Novembro de 1891. Desta sua participação deixou também um texto publicado no ano seguinte que consta na Bibliografia a consultar abaixo.

Os discursos que realizou no Parlamento nessa legislatura foram também publicados, curiosamente, com uma dedicatória ao seu particular amigo e adversário político João Franco.

Participa de forma activa na propaganda do Partido Republicano pelo País nos anos que antecedem a queda da monarquia, realiza comícios e conferências.

Foi um dos fundadores da Liga Liberal em Abril de 190l. Esta liga foi criada por iniciativa da Liga Académica Republicana e fez-se rodear de “algumas figuras de primeiro plano no mundo da política dos negócios e do saber” [António Ventura, Anarquistas, Republicanos e Socialistas em Portugal. As Convergências Possíveis (1892-1910), Edições Cosmos, Lisboa, 2000, p. 72]. Apesar de muitos dos seus membros serem maçons, não terá sido o GOLU o principal responsável pelo seu aparecimento. Foram propostos 58 nomes de cidadãos reconhecidos da vida política, universitária e empresarial onde se encontravam personalidades como: Dr. José António Serrano, médico; Teófilo Braga, lente; Alexandre Braga, advogado; José Veríssimo de Almeida, lente de Agronomia; Dr. Silva Bessa, lente; João Viegas Paula Nogueira, lente de Agronomia; Sousa Lara, comerciante; Dr. Higino de Sousa, médico e lente na Escola Médica de Lisboa; Francisco Costa, industrial; Francisco Grandela, comerciante; Dr. José Estêvão de Vasconcelos, médico; José Cupertino Ribeiro, industrial; José Pinheiro de Melo, comerciante; Dr. José Benevides, advogado; Dr. Eduardo de Abreu, médico; Mário Lino, industrial, entre muitos outros [António Ventura, Idem, p. 249, nota 110]. Esta agremiação foi mais um dos organismos criados pelos defensores do Livre Pensamento e do combate ao clericalismo, que estava tão em voga na época.

Participa em 1909, na comissão executiva da referida liga: Miguel Bombarda, António Aurélio da Costa Ferreira, António Macieira, Artur Marinha de Campos, Avelino Lopes Cardoso, Carlos Cândido dos Reis, Egas Moniz, Faustino da Fonseca, José de Castro, José Pinheiro de Melo e Luís Filipe da Mata. [Fernando Catroga, “O laicismo e a questão religiosa em Portugal (1865-1911)”, Análise Social, Lisboa, vol. XXIV (100), 1988 (1.°), p. 236]

[Nota: A fotografia, com a devida vénia foi retirada do Arquivo Fotográfico de Lisboa]

[Em continuação]

A.A.B.M.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

JOSÉ DE CASTRO (Parte I)



Com o nome completo de José Augusto Soares Ribeiro de Castro, nasceu em Valhelhas, concelho da Guarda, a 7 de Abril de 1848, um dos homens fundamentais da História da 1ª República em Portugal.
Filho de José Luís Soares Ribeiro de Castro e de Maria do Patrocínio Ribeiro Leitão de Castro, teve no seu filho Álvaro de Castro, outra das personalidades mais marcantes da História da República.

José de Castro estudou na Guarda, mais tarde no Fundão, depois Lisboa e Coimbra, onde concluiu o seu bacharelato em Direito em 1867. Seguindo a carreira de advogado tornou-se bastante reputado nas “barras dos tribunais da Guarda, Funchal e Lisboa” [Fernando Moreira, “CASTRO, José Augusto Soares Ribeiro de (1848-1929), Dicionário Biográfico Parlamentar. 1834-1919 (A-C), vol. I, Coord. Maria Filomena Mónica, Imprensa de Ciências Sociais/Assembleia da República, Lisboa, 2004, p. 749].

Integrou diferentes organizações como a Associação dos Advogados de Lisboa e a Associação Internacional Económica dos Amigos da Paz para o Estabelecimento de uma União Mediterrânica.

A sua actividade política iniciou-se em 1878, afecto ao Partido Progressista, onde se manteve até 1881, integrando mesmo a comissão executiva do centro a que pertencia. A sua residência foi inicialmente na cidade da Guarda, entre 1877 e 1885, depois reside no Fundão, entre 1885 e 1890 e, finalmente, Lisboa, a partir de 1890.

Quando aderiu ao Partido Republicano em 1881, funda um Centro Republicano na cidade e cria um jornal, O Povo Português, em 1882, de que já falámos Aqui.

Conquista grande visibilidade como causídico ao defender os republicanos da Madeira. Nas eleições de 1884, Manuel de Arriaga foi candidato a deputado pela região e surgiram graves tumultos, que provocaram pelo menos sete mortos e conduziram à prisão sete dezenas de cidadãos republicanos [Vide a descrição dos acontecimentos no recentemente publicado Rui Carita, Madeira. Roteiros Republicanos, Quidnovi, Matosinhos, 2010, p. 20-25]. Foi na sequência do seu envolvimento nestes acontecimentos que José de Castro passou a ser conhecido como “o advogado do povo”, como lhe chamavam os jornais republicanos da época. Ao longo de 1884 e 1885 participou activamente na defesa dos republicanos envolvidos, entre eles destacavam-se Alexandre José Alves (de que nos ocuparemos numa próxima ocasião) e Joaquim Augusto de Barros.

Os tumultos ocorridos em 29 de Junho de 1884, tiveram impacto na opinião pública do continente, porque os acontecimentos foram acompanhados de perto e comentados abundantemente pelos jornais O Século, Era Nova, entre outros.
O julgamento teve lugar entre 22 e 28 de Abril de 1885, conseguindo José de Castro que somente três dos acusados fossem condenados a penas de prisão, enquanto outros foram multados e o próprio advogado de defesa acabou por ser processado por ter publicado um livro sobre os acontecimentos a que deu o sugestivo título As Vítimas d'El Rei [vide o artigo publicado sobre os acontecimentos que pode ser lido AQUI, da autoria de Luís Calisto].

[Em continuação]
A.A.B.M.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A DEFESA DA REPÚBLICA - in A CORJA


A CORJA. Semanário republicano anti-clerical independente (Liberdade, Justiça, Verdade, Progresso) - [Ano I, nº1 (6 de Fevereiro 1915) ao nº 25 (16 de Agosto 1915)], Coimbra; Administrador, Aníbal Reis [nº22, M. Simões]; Secretário, Mário de Brito [nº10, J. L. Frazão]; Director: José Peixoto de Alarcão [nº21, Fernandes Martins]; Colaboradores: A. Batista Rama, Afonso Duarte (poema), Alfredo Pimenta (poema), António Correia de Oliveira (poema), António Nobre (poema), Baldaque da Silva, Coelho Neto, Ernesto Almeida, Fernandes Martins, Fernando de Araújo, Guerra Junqueiro (poema), J. Peixoto de Alarcão, J. Pestana Júnior, João de Deus (poema), José Figueiredo Júnior [idem in, "A Revolta"], Ribeiro de Carvalho (poema); Administração, Rua Dr. João Jacinto, 38, Coimbra; Redacção, Couraça de Lisboa, 10, Coimbra; Impressão na Typ. Literária, R. Cândido dos Reis, 17, Coimbra.

FOTO [clicar para aumentar]: reprodução do artigo ["A Defesa da República"] da página 3 do nº14 (18 de Maio de 1915), em resposta & diatribe contra o jornal monárquico "Nação" ["órgão-mor do reaccionarismo português" (sic)] e o "Imparcial" ["órgão monárquico-jesuítico de Coimbra"], com curiosas referências [retiradas do "Imparcial"] sobre a Maçonaria [Lojas: A Revolta, Perseverança, Portugal, Pró-Veritate, Redenção] e a Carbonária [... Portugália; Barracas: "À Bomba”" (Coselhas), "A Liberdade" (Pinhal de Marrocos), "Amorim" (Jardim Botânico), "A Internacional" (“subterrâneos do Seminário”)] de Coimbra.

VER: reprodução do artigo (de Abril de 1909) a propósito do assassinato de D. Carlos de autoria de Homem Cristo, Filho – "Manifesto aos Anarquistas e Proletariado", pelo Grupo de Estudantes Comunistas Revolucionários de Portugal – nº15, 26 Maio de 1915;

A Corja, nº1 ao nº25 – digitalizado pela Bibl. Geral Universidade de Coimbra [Alma Mater – "República Digital"].

J.M.M.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

JULIÃO QUINTINHA


Assinala-se hoje a data em que faleceu um dos jornalistas portugueses que marcaram o século XX em Portugal: Julião Quintinha.

Nasceu em Silves a 19 de Dezembro de 1885 e faleceu em Lisboa a 23 de Julho de 1968, com 82 anos de idade.

Começa a trabalhar desde bastante jovem, como operário, em Silves, mais tarde aprende o ofício de alfaiate, tendo estabelecimento aberto na cidade, que o vai ocupar até à implantação da República.

Em 9 de Novembro de 1907, casou civilmente, na cidade de Silves, tendo como testemunhas do seu casamento outro dos importantes republicanos de Silves, Gregório Nunes Mascarenhas Netto (ou Mascarenhas Gregório).

Dedicou-se à colaboração com jornais, inicialmente nos periódicos republicanos locais e depois como correspondente de órgãos republicanos de Lisboa. Demonstrava grande esperança no novo regime, defendendo a sua implantação e fazendo propaganda a favor da causa republicana, participando em comícios. Esta circunstância permitiu-lhe o contacto com os mais conhecidos homens de letras de Portugal, particularmente os que eram ligados ao Partido Republicano.

Juntamente com Henrique Martins fundou e dirigiu a Alma Algarvia até que o governo republicano o nomeou administrador do concelho de Portimão e de Silves para o biénio de 1912 - 1914. Neste ano foi escolhido por concurso público para o lugar de chefe da Secretaria da Câmara Municipal de Silves onde se manteve até 1920, quando se demite e parte para Lisboa com o objectivo de tomar posse do lugar de inspector de uma companhia de seguros.

Participou no Congresso do Algarve, realizado em 1916, apresentando uma tese intitulada Assistência à Mendicidade, onde manifestava as preocupações sociais que o acompanharam ao longo da vida. Mais tarde envolveu-se em polémica com Alfredo Pimenta, publicando um folheto A Solução Monárquica do Sr. Alfredo Pimenta (1916); No Fim da Guerra. Comentário político (1917).

A partir de 1920 começa a dedicar-se ao jornalismo de forma profissional e colabora com diversos periódicos, entre eles destacam-se O Século, Diário Popular, O Diabo, Mala da Europa, Actualidades e Diário Liberal.

Como chefe de redacção pertenceu ainda ao Diário da Tarde, Diário da Noite e Jornal da Europa. Colaborou ainda com o Diário do Alentejo, Tribuna, de Santos (Brasil), Diário Liberal, A Batalha, Rebate, O Primeiro de Janeiro, Diário de Lisboa, Globo, Bejense, Ilustração Portuguesa, Seara Nova, Voz do Sul, Província de Angola, Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e redactor do República de cuja redacção foi sub-chefe.

Notabilizou-se, pelos seus relatos de viagem em África, quando em 1925, em representação do Jornal da Europa percorre durante dois anos as colónias portuguesas, o Egipto, o Índico, Mar Vermelho e Mediterrâneo. Durante esse período escreveu dezenas de reportagens e diversos livros, tendo em 1930 recebido o prémio de Literatura Ultramarina com a sua obra A Derrocada do Império Vátua e Mouzinho de Albuquerque. Também os seus livros África Misteriosa (1928) e Ouro Africano (1929) foram bastante aplaudidos.

Escreveu também alguma ficção com obras como: Vizinhos do Mar (1921); Terras de Fogo (1923); Cavalgada de Sonho (1924); e Novela Africana (1933); no género reportagem publicou também Terras de Sol e da Febre (1932), e uma colectânea de estudos literários intitulada Imagens de Actualidade (1933). Como jornalista bastante conhecido foi também um defensor da sua classe sendo eleito por várias vezes para presidente do Sindicato dos Jornalistas e da Casa da Imprensa.

Pertenceu à geração que conhece as influências do Neo-Realismo, torna-se amigo de Ferreira de Castro, Assis Esperança, entre outros.

Durante o Estado Novo teve alguns problemas com a polícia política (PIDE) que lhe moveu apertada vigilância e algumas situações desagradáveis. Como era conhecido oposicionista, fez parte da Comissão Cívica Eleitoral. Sabe-se o apoio de concedeu à candidaturas goradas de Cunha Leal e de Ferreira de Castro, em 1958, antes de se confirmar a candidatura de Humberto Delgado.[José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal. Uma Biografia Política. O Prisioneiro (1949-1960), Círculo de Leitores, Lisboa, 2005, p. 604-605].

Durante a década de cinquenta, do século XX, era um dos frequentadores habituais que se reuniam em tertúlia na Pastelaria Veneza, em Lisboa. Desse grupo faziam parte Ferreira de Castro, Luís da Câmara Reis, Roberto Nobre, Augusto Casimiro, entre outros [António Pedro Vicente, "Arlindo Augusto Pires Vicente", Dicionário de História do Estado Novo, vol. II, Dir. Fernando Rosas e José Maria Brandão de Brito, Bertrand Editora, Lisboa, 1996, p. 1006-1008]

Pertenceu à Maçonaria, tendo sido iniciado em Portimão, no triângulo nº 198, que ali existia em 1912, tendo o nome simbolico de Danton [A.H. Oliveira Marques, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. II, Editorial Delta, Lisboa, 1986, col. 1184].

Sobre Julião Quintinha recomendamos a visita aos seguintes espaços na blogosfera:
http://literaturacolonialportuguesa.blogs.sapo.pt/2497.html
http://blogal.blogspot.com/2004/11/julio-quintinha.html
http://blogdaruanove.blogs.sapo.pt/188180.html

Consultar a homenagem que foi realizada pelo jornal República:
Aqui

Um artigo científico com algumas referências a Julião Quintinha:
Aqui.

E ainda as referências à sua actividade enquanto dirigente da classe dos jornalistas a consultar:
AQUI.

A.A.B.M.

terça-feira, 20 de julho de 2010

FIGURAS DA REPÚBLICA NO DISTRITO DE BEJA - EXPOSIÇÃO E PALESTRA



EXPOSIÇÃO: Figuras da República no Distrito de Beja - "Inauguração da exposição que colocará em evidência algumas das mais importantes figuras do republicanismo no distrito de Beja";

PALESTRA: Constantino Piçarra e Rui Mateus sobre "A República no Distrito de Beja";

DATA: 21 de Julho de 2010 - 18 horas
LOCAL: Fórum Municipal de Castro Verde (CASTRO VERDE)
ORGANIZAÇÃO: Câmara Municipal de Castro Verde

J.M.M.

MENDES CABEÇADAS. DO CRUZADOR «ADAMASTOR» À REVOLUÇÃO DE MAIO, EM LOULÉ


Realiza-se amanhã, em Loulé, a partir das 22 horas, a conferência do Doutor Luís Farinha, inserida no programa das Comemorações do Centenário da República.

O título da conferência é Mendes Cabeçadas. Do Cruzador «Adamastor» à Revolução de Maio.

O Doutor Luís Farinha é membro do Instituto de História Contemporânea e publicou, entre outros, os seguintes trabalhos:

O Reviralho, Revoltas Republicanas contra a Ditadura e o Estado Novo (1926-1940), Editorial Estampa, Lisboa, 1998;

Fotobiografia da Guerra Colonial, (em colab.), Edições D. Quixote, 2ª edição, Lisboa, 2002;

Estudo sobre a Acção Política Parlamentar de Francisco Pinto Cunha Leal como Deputado ao Congresso da República (1918-1926), Colecção Parlamento, Assembleia da República, Edições Afrontamento, Lisboa, 2002;

“O Parlamento Republicano. Funcionamento e Reformas (1918-1926)”, in Elites e Poder A Crise do Sistema Liberal em Portugal e Espanha (1918-1931), CIDEHUS, Edições Colibri, Lisboa, 2004;

Francisco Pinto Cunha Leal, Biografia de um notável rebelde, Texto Editora, Lisboa, 2009.

Uma actividade a não perder, que certamente agradará aos interessados na temática e que o Almanaque Republicano divulga junto dos seus ledores.

A.A.B.M.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

ALMA MATER DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA



Encontram-se disponíveis na página da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra um conjunto assinalável de documentos, iconografia, cartografia, livros, jornais, epistolografia, música manuscrita e impressa e manuscritos que ficaram agora em livre acesso ao grande público.

A Alma Mater, da Universidade de Coimbra, permite agora aceder também a um conjunto de documentos depositados na Biblioteca Geral (cerca de quatro mil documentos, publicados na sua maioria antes de 1940, aos quais correspondem perto de 500 mil imagens) a que somente alguns investigadores tinham acesso, mas que agora digitalizados ficam ao alcance de um clique.



Um dos conjuntos disponibilizados é a República Digital, onde é possível encontrar diversos jornais e publicações muito úteis para a História do Movimento Republicano, seja em Coimbra e no respectivo distrito. Ficaram disponíveis 41 jornais e revistas, donde se destacam o Almanach da República. Distrito de Coimbra, de 1913; Azagaia (1891-1892); o Clarim das Ruas (1897); A Corja (1915); O Dever (1908); A Evolução (1876-1877); A Evolução (1881-1882); O Grito do Povo (1910); Pátria (1906); Portugal (1896); República Portuguesa (1873); O Raio (1894); Resistência (1916-1918); O Trabalho (1870); O Ultimatum (1890); Voz do Porvir (1897).

Por outro lado, do espólio de Belisário Pimenta foram digitalizadas um conjunto de 67 negativos de fotografias que mostram a época e a região.

Ficaram também acessíveis 60 livros dos meados do século XIX a meados do século XX. Entre as obras digitalizadas destacamos: as Teses de Filosofia Natural (1876) e a Teoria Matemática das Interferências (1876), de Bernardino Machado; um caderno manuscrito de Belisário Pimenta sobre a Maçonaria; A Universidade de Coimbra (1908), de Bernardino Machado; A Questão Académica de 1907: Memórias ao correr da pena (1908-1911), de Belisário Pimenta.

Uma iniciativa que não podemos deixar de elogiar e de divulgar junto de todos aqueles que nos acompanham no interesse pela História e Cultura do nosso País.

Saúde e Fraternidade
A.A.B.M.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

ROTEIROS REPUBLICANOS: APRESENTAÇÃO E LANÇAMENTO


Amanhã, dia 15 de Julho de 2010, na Cordoaria Nacional, em Lisboa, pelas 18 horas, vai ser apresentada ao público a colecção Roteiros Republicanos.

Esta iniciativa da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República resulta da parceria entre a editora Quid Novi, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias e vai começar a ser colocada à venda todas as sextas-feiras entre 16 de Julho e 26 de Novembro nos jornais supra referidos. A colecção Roteiros Republicanos consta de 20 volumes, cada um para uma capital de distrito do continente e dois para as regiões autónomas.

Os roteiros incluirão imagens e ilustrações da época, cronologias, património, toponímia republicana, biografias republicanas entre outros elementos úteis.

Pretende-se que os roteiros sejam acessíveis ao grande público, com indicações úteis e fornecendo informações sobre a História da Primeira República no plano regional.

A Colecção Roteiros Republicanos distribuir-se-á da seguinte forma:

Roteiros e Autores

Roteiro Republicano de Vila Real
− Joaquim Ribeiro Aires

Roteiro Republicano de Setúbal
− Albérico Afonso

Roteiro Republicano de Madeira
− Rui Carita

Roteiro Republicano de Guarda
− Dulce Helena Borges

Roteiro Republicano de Aveiro
− António Brandão Neto e Flávio Sardo

Roteiro Republicano de Leiria
− Acácio de Sousa

Roteiro Republicano de Castelo Branco
− Nuno Pousinho

Roteiro Republicano de Viana Castelo
− Alberto Antunes de Abreu

Roteiro Republicano de Coimbra
− António Ribeiro e Lia Ribeiro

Roteiro Republicano de Ponta Delgada
− Susana Serpa Silva

Roteiro Republicano de Braga
− José Viriato Eiras Capela

Roteiro Republicano de Portalegre
− António Ventura

Roteiro Republicano de Beja
− Rui Mateus

Roteiro Republicano de Évora
− Ana Cardoso de Matos

Roteiro Republicano de Bragança
− João Manuel Neto Jacob e Vítor Simões Alves

Roteiro Republicano de Faro
− António Manuel Nunes Rosa Mendes

Roteiro Republicano de Viseu
− António Rafael Amaro

Roteiro Republicano de Lisboa
− Maria Calado

Roteiro Republicano de Santarém
− Jorge Custódio

Roteiro Republicano de Porto
− Armando Malheiro da Silva

Uma iniciativa há muito aguardada e que não podíamos deixar de divulgar junto dos nossos ledores.

A.A.B.M.

14 JULHO 1789 - LIBERTÉ, ÉGALITÉ, FRATERNITÉ



"Depuis six mille ans la guerre
Plaît aux peuples querelleurs,
Et Dieu perd son temps à faire
Les étoiles et les fleurs.

Les conseils du ciel immense,
Du lys pur, du nid doré,
N'ôtent aucune démence
Du coeur de l'homme effaré.

Les carnages, les victoires,
Voilà notre grand amour;
Et les multitudes noires
Ont pour grelot le tambour.

La gloire, sous ses chimères
Et sous ses chars triomphants,
Met toutes les pauvres mères
Et tous les petits enfants.

Notre bonheur est farouche;
C'est de dire : Allons ! mourons !
Et c'est d'avoir à la bouche
La salive des clairons.

....
"

Victor Hugo, "Liberté, égalité, fraternité"

J.M.M.

A HISTÓRIA DAS PUBLICAÇÕES ESCOLARES DO LICEU DE AVEIRO DURANTE O ESTADO NOVO



Preia-mar s.f. nível máximo da maré; o maior nível atingido pelas águas, no fim da enchente; maré cheia; maré alta

A Escola Secundária de Estarreja, "aproveitando a abundância da maré", por ser a hora esperada e seguros dos trabalhos de marinharia, lançou a revista "Preia-Mar" (em versão digital, AQUI). São 98 páginas de "(re)encontro com pessoas e documentos", uma navegação à memória das gentes e das terras que a comunidade educativa serve, uma escrita que é um "tributo à natural afeição das gentes de Estarreja", ao labor da terra, da ria e ao mar. E pelo que se vê o vento foi próspero. Muitas felicitações!

No que a este "estabelecimento" diz respeito, fazemos referência à publicação do estimado texto de Maria de Jesus Sousa de Oliveira e Silva [MJSOS], "A História das publicações escolares do Liceu de Aveiro durante o Estado Novo" [pp. 9-15], aliás uma adaptação de uma parte do mestrado da autora em História Contemporânea de Portugal ["A história e o liceu no Estado Novo", Maio 1993], via FLUC.

É evidente que o trabalho académico de MJSOS foi um serviço que enriqueceu a (então?) pobre historiografia na área da história da educação e das ideias pedagógicas em Portugal, nomeadamente o importante e incontornável contributo da imprensa periódica escolar para o estudo das reformas educativas, mas que também nos traz a dimensão do pensamento pedagógico e a construção das instituições escolares, do mesmo modo que coloca a problemática e a natureza da cultura associativa, da organização, revindicação e luta do movimento associativo da classe docente. Da República ao Estado Novo e deste ao 25 de Abril não há dúvidas que a imprensa escolar é o lugar privilegiado, o lugar de afirmação, vigilância e regulação colectiva [cf. António Nóvoa] de luta (resistência) de ideias e valores dos/contra os regimes, que a partir dos seus conflitos e polémicas caracterizam ao longo de gerações não só a obra e o sistema educativo mas que reflecte, também, a ideologia e a acção governativa.

Da recolha feita à lista dos periódicos escolares portugueses [do sec. XIX-XX] por MJSOS, ressalta os apontamentos retirados sobre 3 (três) periódicos do Liceu de Aveiro: Labor (1926-73), Farol (1957-1970) e Anuário (1926-62). A escolha teve em conta a “continuidade em termos de publicação”, a “colaboração variada”, “representatividade de correntes de opinião”, “interligadas no tempo e no espaço”. Das revistas citadas, salienta-se para nós a "Labor" [aqui por nós citada], de iniciativa de um grupo de professores e editada à margem da política educativa da ditadura, que é de facto das mais importantes ligadas ao ensino secundário (liceal), pela sua tomada de posições contra o ensino livresco e memorizado, pela aplicação de "sãos e racionais preceitos pedagógicos e didácticos modernos", pela organização de vários "Congressos Pedagógicos do Ensino Liceal", pelo tom crítico e independente e por se assumir como a "voz da imprensa" das revindicações do professorado ou não fosse designada (depois) como "órgão provisório do professorado liceal". Ler o artigo integral AQUI.

O grupo de colaboradores da "Labor" é imenso [sobre o assunto consultar "A Imprensa de Educação e Ensino", dir. António Nóvoa, (333), p. 581-585; existe ainda um Índice Geral da Revista, por autor e título, realizado por Falcão Machado, em 1974, apud A. Nóvoa, ibidem], sendo de registar a presença de José Pereira Tavares [director], Álvaro Sampaio, Falcão Machado, Leite de Vasconcelos, Joaquim de Carvalho, Fortunato de Almeida, Orlando Ribeiro, Rodrigues Lapa, Delfim Santos, Hernâni Cidade, Rómulo de Carvalho, Francisco Dias Agudo, Jaime Magalhães Lima, Joel Serrão, Agostinho Campos, Gastão de Sousa Dias, João da Silva Correia, Aurélio Quintanilha, Mário Dionísio, Mário Fiúza, Rui Grácio, José de Melo, Gomes Bento, etc.

Ler o artigo e a Revista "Preia-Mar" AQUI.

J.M.M.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A SEPARAÇÃO DA IGREJA DO ESTADO NA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA


Vai realizar-se no próximo dia 15 de Julho, pelas 18 horas, no edifício dos Paços do Concelho em Lisboa, uma conferência sobre a Separação da Igreja do Estado.

O conferencista vai ser o doutorando David Luna de Carvalho que tem desenvolvido investigação nesta área de trabalho, conforme se pode confirmar no Centro de Investigação a que está ligado o Centro des Estudos de História Contemporânea Portuguesa.

Esta conferência insere-se no projecto de parceria entre a Fundação Mário Soares, a Câmara Municipal de Lisboa e a Comissão para as Comemorações do Centenário da República e no âmbito do ciclo de colóquios "A República Mês a Mês".

Uma actividade que recomendamos vivamente a todos os nossos ledores.

A.A.B.M.

domingo, 11 de julho de 2010

MANUEL TITO DE MORAIS (1910-2010) – NOTA BREVE


Manuel Alfredo Tito de Morais nasceu em Lisboa, no dia 28 de Junho de 1910. Era filho de Augusto Tito de Morais [oficial da marinha, ministro, deputado e ilustre republicano] e de Carolina de Macedo Morais. Frequenta o Colégio Militar e o Liceu Camões, e já em Gand (Bélgica) tira o curso de Engenheiro Electrotécnico [cf. CCTM (blog) e que acompanharemos de perto]. Regressa a Portugal, trabalhando na Marconi e na General Electric (1940).

Integrou ou acompanhou de perto, ao longo da sua inquebrantável luta contra a ditadura, o MUNAF, o MUD [foi membro da Comissão Central e integra a campanha presidencial de Norton de Matos – cf. CCTM (blog)], o Núcleo da Doutrinação e Acção Socialista, a União Socialista, a Resistência Republicana e Socialista [integrada na F.P.L.N.], a Acção Socialista Portuguesa [em 1962 em Paris, reuniram-se Tito e Morais, Mário Soares e Piteira Santos para a redacção das bases ideológicas da organização. Afasta-se do projecto Piteira Santos e só em Abril de 1964 surge a declaração de princípios do movimento – cf. Tito de Morais, in "Portugal Socialista. Um Pouco da sua História", O Portugal Socialista na Clandestinidade, 1977] e o Partido Socialista [fez parte do seu núcleo fundador, na reunião, de 9 de Abril de 1973 em Bad Munstereifel, onde a ASP é extinta e dá origem ao PSP; foi presidente do partido entre 1986-88].

Em 1945, na sequência da sua participação na campanha presidencial de Norton de Matos é "dispensado” do serviço que então exercia no Instituto Pasteur, ficando no desemprego. É, posteriormente, preso a 31 de Janeiro de 1947 [o MUD foi ilegalizado e os elementos da sua Comissão Central são detidos], saindo sob fiança a 23 de Março de 1948, tendo embarcado para Angola procurando exercer a sua profissão. Participa na campanha presidencial de Humberto Delgado (1958) e no começo da guerra colonial (1961) é detido pela PIDE na prisão de Luanda "onde foi tratado o mais desumanamente que se pode imaginar" [cf. CCTM, ibidem]. É-lhe concedido o regresso a Portugal, porém com residência fixa.

Assim sendo, sem trabalho e com a PIDE atenta, decide partir para o exílio, passando por França, Brasil [1961-63, onde funda a União Democrática Portuguesa], Argélia [de 1963-66, agora como dirigente da Junta de Salvação Nacional – FPLN] e, após a fundação da Acção Socialista Portuguesa, vai para Roma em 1966 e participa no Congresso da Internacional Socialista.

Em Roma funda o jornal "Portugal Socialista" [Ano I, nº 1 (1 de Maio de 1967) ao Ano VII, nº 3 (Dezembro de 1973); estava ligado à Acção Socialista Portuguesa (mais tarde, Agosto de 1973, surge já como Órgão Central do Partido Socialista), e contou com o apoio tipográfico (e divulgação) do Partido Socialista Italiano; o jornal tinha como destino o interior do país, e por isso a colaboração vinda de Portugal é assinada sob pseudónimo [como Tristão da Cunha, J. L. Libanio, A D’Anobra, Vladimiro Quaresma, Jaime Cruz, Marcelo], sendo certo que escreveram, além de Tito de Morais, Mário Soares, António Macedo, e sob o nome próprio Ramos da Costa [nº 6, Novembro de 1967; refira-se que Ramos da Costa era o Delegado do C. E. da ASP] e, mesmo, Tito de Morais [Setembro de 1968].

O 25 de Abril "apanhou Tito de Morais em Bona, juntamente com Mário Soares e Ramos da Costa", tendo de imediato regressado a Portugal, com os seus companheiros. Após o 25 de Abril foi deputado à Constituinte, Secretário de Estado do Emprego no 6º Governo Provisório e Secretário de Estado da População e Emprego no 1º Governo Constitucional. Exerceu, ainda, os cargos de Vice-Presidente da Assembleia da República (1977-83), Presidente da Assembleia (1983-85), tendo em 1989, invocando razões de saúde, renunciando à actividade parlamentar.

Em 1990 [no dia 31 de Março - cf. António Reis], Manuel Tito de Morais é iniciado na maçonaria, na Loja José Estêvão, com o n. s. Tito Augusto Morais, tendo atingido o grau de Mestre.

Faleceu no dia 14 de Dezembro de 1999.

No CENTENÁRIO do nascimento de Manuel Tito de Morais consultar a biografia, factos e acontecimentos da sua vida, bem como testemunhos de amigos e camaradas … AQUI, no blog justamente chamado MANUEL TITO DE MORAIS.

J.M.M.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A IMPRENSA LOCAL E O CENTENÁRIO DA REPÚBLICA



Uma das principais armas de propaganda política utilizadas, fomentadas e desenvolvidas pelos republicanos, no período da propaganda e mesmo durante a vigência do regime foi a imprensa. Os republicanos dispuseram de grandes órgãos na imprensa portuguesa da época como O Século, O Mundo e a Luta, entre muitos outros. Actualmente verificamos que a imprensa escrita vive para o futebol, para a notícia que vende de imediato, mas pouco ou nada aposta em jornalismo de investigação, em análise aprofundada ou critica fundamentada.

Pesquisando entre os jornais disponíveis com página na internet descobrimos alguns que dedicam algum do seu espaço à implantação da República na sua região ou mesmo no País. Assim, na região autónoma dos Açores, no jornal A União, encontram-se algumas referências e opiniões sobre a questão da República.

Em Águeda, a Soberania do Povo, através de Deniz Ramos, Luísa Mello ou Manuel José Homem de Melo têm um alguns artigos sobre a evolução do republicanismo na terra desde o 31 de Janeiro, embora não existindo ligação ou continuidade entre si.

Na região da Guarda, o semanário Terras da Beira tem dedicado alguns artigos à questão, só que não estão acessíveis aos utilizadores, torna-se necessário ser assinante para poder ler integralmente os artigos.

Na região ribatejana, o Correio do Ribatejo dedicou vários artigos às comemorações do Centenário da República, elaborando biografias como esta ou analisando o papel do jornal no avanço da ideia republicana no distrito de Santarém.

Em Sesimbra, o semanário O Sesimbrense dedicou também um artigo à questão da implantação da República em Sesimbra, tendo o director realizado uma conferência sobre o assunto de que se dá conta no respectivo jornal.

Em Setúbal, o trissemanário, O Setubalense, dedicou já um conjunto de artigos à questão, em especial nos assuntos de âmbito local que pode ser consultado Aqui.
Ainda na região de Setúbal, o Setúbal na Rede deixa também algumas notas sobre as comemorações do Centenário da República, em particular na cidade, destaque-se o texto de João Madeira, intitulado “Evocar a República sem rasurar a História” que pode ser consultado Aqui.

No Distrito de Faro encontramos o Barlavento, com alguns artigos dedicados às comemorações do Centenário da República. No Terra Ruiva, de S. Bartolomeu de Messines, concelho de Silves, tem dedicado alguma atenção à temática, com notas biográficas e problemas locais. No jornal da diocese do Algarve, A Folha de Domingo, o padre Afonso Cunha dedicou também alguns artigos à análise da questão religiosa durante a República. Finalmente, o jornal que mais artigos tem, dedicados à temática da República, em todos os que analisámos é o Região Sul, que se publica em Almancil, concelho de Loulé, com o Dr. Libertário Viegas a acompanhar os antecedentes e o início da República na região.

São contributos esparsos, mas se algum dos nossos amigos ledores nos informar na caixa de comentários ou via mail de outros periódicos que estejam a dedicar alguma atenção à questão que nos tem ocupado e que pode ser do interesse mais pessoas iremos certamente divulgar o assunto.

Agradecem-se mais colaborações nesta pesquisa.

A.A.B.M.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

CONFERÊNCIA - O PAPEL DA CARBONÁRIA NA IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA



DIA - 9 de Julho (21 horas)
LOCAL - Arquivo Municipal de Pombal (POMBAL)
CONFERÊNCIA: O Papel da Carbonária na Implantação da República
ORADOR - Prof. António Ventura [professor catedrático do Departamento de História da Faculdade de Letras de Lisboa e Director do Centro de História da Universidade de Lisboa]
ORGANIZAÇÃO - CULTREDE [Ciclo de Conferências - Quem Fez a República] no âmbito das Comemorações do Centenário da República Portuguesa.

J.M.M.

O MICRÓBIO. SEMANÁRIO DE CARICATURAS



O MICRÓBIO. Semanário de Caricaturas [Ano I, nº1 (8 de Julho 1894) ao Ano II, nº 39 (1895)]. Administrador, Francisco Machado [depois Annibal de Montalvão]; Editor, José Pinto de Campos [depois José Maria Baptista de Carvalho; João Carlos Coutinho]; Redactores artísticos, Celso Hermínio e Augustus [Augusto Pina]; Redactor literário, Titan [Tito Martins]; Correspondência, Largo de S. Roque [depois Rua dos Correeiros, nº110, 2º], 8, Lisboa; Impressão na Typ. Lisbonense [depois Typ. Do Commercio], Largo de S. Roque, Lisboa.

O Micróbio, nº1 ao nº39 – digitalizado pela Hemeroteca Municipal de Lisboa;
O Micróbio. Semanário de CaricaturasFicha histórica por Rita Pereira, H.M.Lisboa.

J.M.M.

sábado, 3 de julho de 2010

COMISSÃO DE RESISTÊNCIA DA MAÇONARIA



A "Comissão de Resistência da Maçonaria" foi criada por proposta [no dia 14 de Junho de 1910cf. A Maçonaria e a Implantação da República. Documentos Inéditos, Grémio Lusitano/Fund. Mário Soares, 2009] do Ir. Championet [Machado Santos] da Loja Montanha [Venerável Interino pela "ausência" no estrangeiro de Luz de Almeidacf. António Maria da Silva, O Meu Depoimento, vol. I, 1974, p. 259] numa assembléia do "Povo Maçônico" de Lisboa [a pretexto das inúmeras prisões de maçons verificadas], reunida no Templo José Estêvão, no Palácio do Grêmio Lusitano, e sob presidência do G. M. Adjunto, José de Castro [Magalhães Lima estava no estrangeiro, em missão diplomática].

A proposta foi "unanimemente aprovada" e nomeou-se José de Castro para "velar pela defesa e integridade da ordem" [ibidem, p. 260] e tomar acções visando "defender a maçonaria dos ataques da reação política e religiosa, guiando o trabalho dos Obreiros no mundo profano no interesse superior da Pátria e da segurança dos cidadãos" [cf. A Maçonaria e a Implantação da República, ibidem, p. 99].

José de Castro nomeou uma comissão, que tinha a seguinte composição inicial: Sebastião Magalhães Lima [n.s. João Huss], José de Castro [n.s. Lamartine], Miguel Bombarda [n.s. D’Artagnan, Loja José Estêvão], Machado Santos [n.s. Championet, Loja Montanha], Francisco Grandela [n.s. Pilatos, Loja Futuro], José Cordeiro Júnior [n.s. Lutero, Loja Acácia], José António Simões Raposo [n.s. Castilho, Venerável da Loja Solidariedade]. Mais tarde foi a Comissão alargada a Cândido dos Reis [n.s. Pero de Alenquer], António Maria da Silva [n.s. Desmoulins] e Manuel Martins Cardoso [n.s. Elias Garcia].

Após o X Congresso do Partido Republicano [23 a 24 de Abril de 1909, em Setúbal], ganhando a "linha revolucionária", é estabelecido uma estrutura organizativa para preparar e desencadear a acção revolucionária. Assim, o Directório e o seu comitê militar [João Chagas, Afonso Costa, Cândido dos Reis] estabelecem acordo com a Carbonária e a Comissão de Resistência da Maçonaria para planear e executar a acção necessária à implantação da República. Nasce deste modo a "Junta Revolucionária" ou "Comissão Executiva de Lisboa", que vai dirigir o movimento revolucionário do dia 4 de Outubro de 1910. Reunia-se no Centro de S. Carlos [A. Maria da Silva refere (op.cit.) que todos eles eram sócios].

Faziam parte da "Junta Revolucionária", Cândido dos Reis, Machado dos Santos, Miguel Bombarda, António Maria da Silva [em substituição de António José de Almeida], Simões Raposo [representante da Comissão de Resistência da Maçonaria], Manuel Martins Cardoso [Loja Acácia]. Surge, ainda, um Comité Militar, chefiado por Sá Cardoso [de que faziam parte Helder Ribeiro, Ladislau Parreira, Carlos da Maia, Vasconcelos e Sá, Mendes Cabeçadas, Mariano Martins, José António Pala].

Não por acaso, na importante reunião de 29 de Setembro de 1910 [na sede do PRP, ao Largo de S. Carlos] que antecedeu a revolta vitoriosa do 5 de Outubro, 7 dos seus 11 participantes, em representação das estruturas revolucionárias, faziam (ou fizeram) parte da "Comissão de Resistência da Maçonaria".

FOTOS: Circular nº12 do Grande Chanceler Geral da Ordem, Prometheu [n.s. de Agostinho José Fortes], traçada aos 20 de Junho de 1910, comunicando ao Povo Maçônico de "todas as Lojas e Triângulos" a proposta aprovada em reunião do dia 14 de Junho de 1910 – via "Maçonaria e a Implantação da República. Documentos Inéditos", Grémio Lusitano/Fund. Mário Soares, 2009, pp. 90-91 [clicar nas fotos para AUMENTAR].

J.M.M.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

PRAÇA VELHA. REVISTA CULTURAL Nº 27 DE 2010


No Índice do nº 27, da revista Praça Velha, da Guarda, recentemente publicada e dedicada às Comemorações do Centenário da República:

- Aires Diniz: República e anticlericalismo na Guarda. Um início de Século turbulento, p. 11-39;

- Alexandre Costa Luís: No tempo da primeira república: as aspirações nacionais que alimentaram a entrada de Portugal na Grande Guerra, p. 41-58;

- Américo Rodrigues: Entrevista imaginária a José Augusto de Castro - "A República não é um fim mas um meio", p. 59-81;

- António José Dias de Almeida: Afonso Costa Aluno do Liceu Nacional da Guarda, p. 83- 92;

- António N. Sá Coixão e António A. Rodrigues Trabulo: A Primeira República no Município de Vila Nova de Foz Côa (1910-1914), p. 93- 118;

- António Santos Pereira: O combate de uma vida: José Augusto de Castro, fronteiro da República, entre o Brasil e Portugal, p. 119-131;

- António Sampaio: A Imprensa Guardense: Do final da Monarquia à Implantação da República, p. 133- 151;

- Emília Rivas Calvo e Carlos d'Abreu: A revolução republicana em Portugal vista pela imprensa de Madrid - La Epoca e El País, p. 153-177;

-Francisco Manso: A República e a Guarda, p. 179-205;

- José Luís Lima Garcia: Aspectos precursores da proclamação da República na Guarda, p. 207-216;

- Manuel Leal Freire: República. Um Devaneio Amoroso Salvou a Revolução, p.217-222;

- Maria Antonieta Garcia: Mulheres de língua solta a almas ao léu, p. 223-248;

- Pedro Aboim: António Abranches Ferrão. Uma Biografia, p. 249-262;


Na secção Património e História publicam-se os seguintes artigos:

- Célio Rolinho Pires: O Tirano da Rua (Cabeço de S. Cornélio), p. 267-279;

- J. Pinharanda Gomes: A Liga dos Servos de Jesus (Breve Memória), p. 281-291.


A secção Portfólio: com uma selecção de imagens.


A secção Grande Entrevista com:
- Rui Isidro: Alípio de Melo. "A Cidadania é o bem essencial da República", p. 304-335;


A secção Poesia, Contos, Meditações conta com os seguintes textos:

- João Esteves Pinto: Olhar o Silêncio, p. 339-343;

- J. Osório de Andrade: A Cerejeira - Conto. Profissão de Fé. Uma voz, p. 345- 355;

Na secção Recensões encontram-se os seguintes trabalhos:
- José Gonçalves Monteiro: Poemas de Amor e Melodia de Cristino Torres, p. 359-361;
- António José Santinho Pacheco: Henrique Tenreiro,uma biografia política de Álvaro Garrido, p. 362-364;
-Anabela Naia Sardo: Territórios e Culturas Ibéricas Direito e Cooperação Ibérica, coord. Rui Jacinto e Virgílio Bento, p. 365-371;
- Rui Torres: Cicatrizando. Acção poética e sonora de Américo Rodrigues, p. 372-373;
-Ana Margarida Fonseca: Mistério em Connelsville de Beatriz Neves Barroca, p. 374-375;
-Aires Antunes Diniz: Educação: Reconfiguração e Limites das suas Fronteiras, coord. Angel del Bujo e João José Matos, p. 376-377;
- José Luís Lima Garcia: João José Gomes. Homem do Pensamento e da Cultura, Homem da Palavra e da Acção, coord. António José Dias de Almeida, José Manuel Trigo Mota da Romana e Maria Isabel da Cunha Lima Lopes, p. 378-383;
- Rosário Santana: Assobio, de César Prata e Vanda Rodrigues, p. 384-385;
- Fernando Carmino Marques:Quatro Ensaios à Boca de Cena, de Fernando Mota Ramos e Américo Rodrigues, p. 386-390;
- Manuel Sabino G. Perestrelo: Roteiro Arqueológico da Guarda, coord. Vitor Pereira e António Pena, p. 391-393;
- António José Dias de Almeida: Carolina Beatriz Ângelo. Guarda(dora) da Liberdade (1878-1911), p. 394-397.
- Lusitana Ricardo: Quadratura de um calmo poeta, de António José Quadrado; Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2009, de Américo Rodrigues, António Godinho e Rui Isidro; Taberna do Benfica. 50 Anos de Dedicação, de Maria Cristina Januário; O Dia de Todos os Santos. Memória de vocação universal à santidade, de António Oliveira; e Aquilo Teatro, de Américo Rodrigues, António Godinho, Armando Neves, Kim Prisu, Luís Soares, Teresa Oliveira e Vitor Amaral, p. 398-402;
- César Prata: O Poder da Água (dvd), real. Graça Gomes e João Rodrigues, p. 403;
- António Soares: Escola: Problemas e Desafio, coord. Carlos Reis, João José Matos Boavida e Virgílio Bento, p. 404-405.

Uma publicação a que voltaremos para algumas apreciações mais detalhadas,em especial nos artigos sobre a temática republicana.

A.A.B.M.

ACTIVIDADES DA HEMEROTECA DE LISBOA EM JULHO


Conforme se pode ver abaixo, a Hemeroteca de Lisboa está a promover um conjunto de iniciativas ao longo dos próximos dias que se prendem com a temática da Revolução de 5 de Outubro. São sugestões de visitas e roteiros patrimoniais, onde se desenrolaram acontecimentos que envolvem marcações prévias junto da entidade organizadora.

Visitas Guiadas Mês de Julho Hemeroteca Municipal de Lisboa

Dia 10/07 (Sábado) às 15h00 – O Bairro Alto Capital do Jornalismo. Ponto de encontro: Átrio da Hemeroteca Municipal de Lisboa.

Dia 13/07 (3ª. feira), 10h30 - Lisboa Republicana – Roteiros Patrimoniais: “Da Conspiração ao 5 de Outubro”. Ponto de encontro: Rotunda (Marquês Pombal Banco Santander esquina com a Rua Braamcamp).

Dia 18/07 (Domingo) às 15h00 – Lisboa Republicana – Roteiros Patrimoniais: Quotidiano & Memória. Ponto de encontro: Estação do Rossio.

Dia 21/07 (4ª. feira), 10h30 – “Os Humoristas de Lisboa na I República – Roteiro Patrimonial”. Ponto de encontro: Estação do Rossio


Os contactos para a organização desta visita devem ser feitos para:

Hemeroteca Municipal de Lisboa
Serviço de Actividades Culturais e Educativas
R. de São Pedro de Alcântara, 3
1250-237 Lisboa
T. 213246290
E-mail: maura.pessoa@cm-lisboa.pt

Um interessante conjunto de visitas para quem quer conhecer alguns dos locais onde se prepararam os acontecimentos, os jornais que existiam e seus principais redactores, os protagonistas, os edífícios e alguns momentos da conspiração.

À atenção dos nossos ledores interessados na temática da História da República, com visitas guiadas e certamente com partilha de algumas curiosidades se alguns visitantes tiverem conhecimento.

[FOTO: José da Costa, proprietário do prédio que funcionou como quartel-general das forças republicanas na Rotunda acompanhado por militares de Caçadores 2 e Caçadores 8. Retirado do Arquivo Municipal de Lisboa, com a devida vénia.]

A.A.B.M.