sábado, 28 de julho de 2012

BANDALHEIRA [OU ... SIDONISTAS & NOVOS MONÁRQUICOS]


"BANDALHEIRA", de Silvério M.[áximo] de Figueiredo Lobo e Silva, Gouveia, Comp. e Imp. Tip. Motta & Irmão, 1919, 86[2] p.[Ed. Autor]

"Opúsculo publicado num período de grande turbulência da vida nacional, após o assassinato de Sidónio Pais ocorrido em Dez. 1918, e na sequência da revolta ocorrida no Porto, pouco tempo depois, em 19 de Janeiro de 1919, ocasião em que foi proclamada a monarquia - golpe efémero que viria a ser conhecido pela Monarquia do Norte.

Em tom cáustico, o autor ataca os sidonistas e ‘novosmonárquicos em geral, não poupando nos adjectivos para classificar o seu comportamento ‘vil’ e errante, mas também particulariza, ‘chamando os bois pelo nome’. Denuncia a situação política do país, de compadrio e corrupção, pincelando o livro com exemplos da ‘podridão’ que grassava, sobretudo em casos que o envolveram a ele pessoalmente, enquanto Delegado do Procurador da República.

‘Esses torpes políticos, essa vil canalha, esterco ambulante, poeira mortífera, vilões d’origem, só de mães nascidos, mordendo com o rabo como os lacraus, que da republica velha foram para a nova, com as mesmas caras, surgindo-lhes agora a monarquia, como os cães, alçam a perna, mijam sobre a republica e saltam para a monarchia onde ocupam os mesmos logares; os mesmos tal e qual. Vêm assim desde 1911 alguns e outros desde as eleições de 1917. Republicanos sem partido, republicanos do Pimentismo, republicanos do democratismo, republicanos da união sagrada, voltando ao democratismo d’ahi passando ao unionismo e sidonismo e de tudo isto para a monarchia restaurada…’

Silvério Máximo de Figueiredo Lobo e Silva, advogado e deputado [?], natural de Sever do Vouga. Delegado do Procurador da República quando escreveu a presente obra
" [via Livreiro Monasticon, com a devida vénia (sublinhados nossos) – refª á peça bibliográfica colhida no Memória da República]

NOTA: Silvério Máximo de Figueiredo Lobo e Silva era filho de Cesar de Figueiredo Lobo e Silva, sendo natural de Senhorinha, concelho de Sever do Vouga (Aveiro). Foi bacharel pela Universidade de Coimbra no ano de 1898-99, tendo entrado no ano lectivo de 1892-93. Existem escassas referências a Silvério Máximo de Figueiredo Lobo e Silva: de facto, foi Delegado ao Procurador da República em Macedo dos Cavaleiros (1912), em Oliveira de Azeméis [1923, onde foi objecto de um processo de sindicância e, portanto, já posterior à publicação deste opúsculo], depois em Lisboa [ao que parece, pertencia a 5ª vara cível e 2º distrito criminal, quando é “afastado temporariamente do exercício das suas funções”, por Despacho do Diário do Governo, de 8 de Agosto de 1925, que não tivemos ocasião de consultar]. Sobre o autor há na Biblioteca Nacional o registo de 13 opúsculos [todos de interesse jurídico], sem que subsista qualquer indicação sobre esta peça bibliográfica, que deverá ser de muito reduzida tiragem e rara. Diga-se, por último, que existe alguma controvérsia [ou, talvez, não tão bem assim] sobre a sua [pretensa] vinculação ao título dos "Condes de Sever do Vouga", que falta redimir.

J.M.M.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

AS CIDADES E AS GUERRAS: XXII CURSO DE VERÃO I.H.C.



Nos próximos dias 27, 28 e 29 de Setembro, com organização do IHC - Instituto de História Contemporânea e da CML - Câmara Municipal de Lisboa, vai realizar-se no Teatro Aberto, em Lisboa, o XXII Curso de Verão do I.H.C.

A coordenação do presente curso cabe a Maria Fernanda Rollo (IHC e FCSH da UNL)e Ana Paula Pires (IHC e FCSH da UNL). Ao longo dos três dias do curso pretende-se discutir e apresentar as diferentes perspectivas dos investigadores, que estudaram distintos locais e analisaram os contextos de guerra e os seus reflexos nos comportamentos das populações e das organizações.

Pode ler-se na nota de apresentação:
Ao longo da História as cidades têm sofrido, sob múltiplas formas, os efeitos das guerras, constituindo muitas vezes cenários de confrontos bélicos ou, mesmo não sendo palco de contendas, sofrendo inevitavelmente os diversos reflexos que uma situação de beligerância inevitavelmente acarreta. As cidades, pela sua natureza, constituem espaços próprios onde, na realidade, as guerras se sentem e exprimem de forma diversa e específica. De uma forma ou de outra, a guerra, em determinada escala, afecta todos os domínios da vida das populações, entre a mobilização mais ou menos intensa dos seus recursos humanos e materiais para frentes externas ou internas de combate e sobrevivência. Os seus efeitos são, por isso, observáveis em todos os planos e aspectos da vida nas cidades, em escalas e profundidades diferentes consoante a natureza do conflito, e os seus reflexos tendem a prolongar-se para além do termo dos confrontos armados. A cidade, no seu conjunto, é por isso inexoravelmente envolvida, desde logo ao nível da administração, confrontada com a imperatividade de adaptar a gestão da cidade às perturbações provocadas pela guerra, obrigada a encontrar e impor esquemas mais ou menos desenvolvidos do que genericamente se designa como economia de guerra. Entre cenários mais ou menos complexos e violentos de destruição e morte, a guerra afecta todos os domínios e vivências dos quotidianos urbanos. Desde logo, os efeitos provocados pela alteração das condições de fornecimento e as perturbações ao nível dos abastecimentos, provocam dificuldades junto das populações urbanas, suscitando, por um lado, mudanças no comportamento dos agentes económicos e sociais, nos mecanismos e regulação dos preços e abastecimentos, envolvendo até expedientes e recursos a formas menos legítimas no acesso a determinados bens mais raros ou essenciais; alterações que suscitam, como é evidente, sobretudo quando se ultrapassam determinados patamares, a degradação das condições de vida das populações, muitas vezes massacradas e vítimas da escassez generalizada ou da incapacidade de adquirir bens essenciais e que se vê presa entre fenómenos de fome e a viver em condições deploráveis e desumanas, em cenários onde com grande facilidade grassam fenómenos de degradação das condições sanitárias e se instalam doenças e epidemias, suscitando, também por essa via, a resposta das autoridades locais. Finda a guerra, o regresso à paz coloca novos e complexos desafios às cidades. Entre a vontade da reconstrução, as dificuldades que muitas vezes se mantêm, designadamente ao nível dos abastecimentos, procurando lidar com a complexidade de pôr fim aos mecanismos e instrumentos erguidos durante a guerra e a correcção das múltiplas perturbações, as cidades, as populações urbanas, procuram encontrar meios e soluções para o regresso à paz.

Enfim, é sobre essas múltiplas e profundas consequências e as vivências experimentadas em espaços urbanos em tempos de beligerância que se pretende reflectir no âmbito do encontro As Cidades e as Guerras, procurando contribuir para o aprofundamento do conhecimento e da compreensão dos impactos e das transformações operados nas cidades pelas guerras. O encontro reunirá abordagens diversas, beneficiando da contribuição de diversas áreas disciplinares, contando com a participação de diversos especialistas nacionais e estrangeiros.


As novidades sobre o curso podem ser consultadas no blogue do curso:
ascidadeseasguerras.encontroihc.pt

O programa do curso pode ser consultado AQUI.

Uma interessante iniciativa a acompanhar e a divulgar.

A.A.B.M.

VIDA DE PEDRO-SEM


VIDA DE PEDRO-SEM. Historia de seu orgulho, crimes, castigo e arrependimento, [ANÓNIMO], Lisboa, Livraria e Typographia de F.[rancisco] Silva, s.d., s.i., 16 pags

"Diz a lenda popular que Pedro Pedrossem da Silva, rico mercador da Companhia dos Vinhos e juiz, terá caído na ruína por haver desafiado Deus. Ao ver os seus navios entrar na barra do rio Douro, e proferindo com soberba Agora, mesmo Deus querendo, eu não posso ficar pobre!, uma tempestade ter-se-á abatido sobre a frota, tudo ele perdendo, lançando-o na mendicidade o resto da vida. Ao que diz também a lenda, passou ele a estender a mão à caridade com a seguinte frase: Esmola para Pedro Sem, que tudo teve e nada tem.

Uma torre de observação mandada construir no Porto por D. João III, em 1542, e ainda hoje visível na Rua da Boa Nova, determina o local dos acontecimentos, do mesmo modo que a literatura de cordel, muito dada a desgraças e jocosidades, veio sedimentar-lhe a reputação, pois algum fundo de verdade estará na sua origem. Embora o vertente folheto com data de feitura incerta, mas no século XX, nos chegue anónimo na autoria, é de Rafael Augusto de Sousa, na primeira metade do século XIX, a mais antiga versão escrita conhecida
" [via FRENESI - sublinhados nossos]

LOCAIS: A lenda de Pedro Sem: da oralidade à poesia romântica, ao cordel (português e brasileiro) e à literatura para crianças e jovens | Torre de Pedro-Sem

J.M.M.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

ABEL SALAZAR - A SOCIALIZAÇÃO DA CIÊNCIA



ABEL SALAZAR, "A Socialização da Ciência", Editorial Liberdade, Lisboa, 1933

"Conferência realizada na Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto na sessão comemorativa do centenário da Biblioteca Municipal da cidade invicta"

via FRENESI.

J.M.M.

terça-feira, 24 de julho de 2012

FAZ SENTIDO A MAÇONARIA, HOJE?


CONFERÊNCIA: "FAZ SENTIDO A MAÇONARIA, HOJE?";
ORADOR: Fernando Lima;
DIA: 25 de Julho 2012 (18 horas);
LOCAL: Faculdade Letras Universidade Lisboa [Anfiteatro III];
ORGANIZAÇÃO: III Curso de História da Maçonaria [Conferência de encerramento].

J.M.M.

PEDRO RAMOS DE ALMEIDA (1932-2012)


"Pedro Ramos de Almeida morreu ontem [dia 22] em Lisboa, aos 80 anos. A doença respiratória não o deixou acabar de escrever a história do MUD Juvenil, um dos movimentos mais populares de combate à ditadura, a que se juntou quando tinha 18 anos.

Militante e antigo dirigente do PCP, Ramos de Almeida faz parte do (ínfimo) grupo de portugueses que combateram, com poucas armas e bagagens, a grande crise nacional dos últimos 50 anos – a ditadura. Uma ditadura que tinha uma biografia para escrever. Pedro Ramos de Almeida é autor, entre muitos outros livros e ensaios, de “Salazar: biografia de uma ditadura”. Se os revolucionários de Abril ficaram simbolicamente homenageados como “os homens sem sono”, os da linhagem de Pedro Ramos de Almeida têm sido insuficientemente reconhecidos como os homens a quem tiravam o sono.

Veja-se o depoimento de Virgínia de Moura sobre a prisão em 1954 de dezenas de jovens do MUD: “Usou-se e abusou-se da violência, batendo em alguns, obrigando outros a fazer estátua durante dias consecutivos, longos períodos de incomunicabilidade, enclausuramento em segredos, internamentos no Conde Ferreira (hospital psiquiátrico de então, no Porto), transferência de jovens para Caxias, e muito concretamente, entre outros, foram vítimas de violência os arguidos Pedro Ramos de Almeida (22 anos, estudante de Direito de Lisboa), sete dias e sete noites sem dormir e dois (leia-se quatro) meses de segredo”.

Aos poucos, a maioria dos jovens é libertada até ao julgamento, mas Pedro Ramos de Almeida fica preso. É o próprio que contou, em texto no jornal comunista “O Militante”: “A maioria dos presos é fixada caução e admitida a sua libertação condicional até ao julgamento. Entretanto, a excepção é constituída por seis réus, acusados de serem membros da Comissão Central do MUD Juvenil – Maria Cecília Alves, Agostinho Neto [futuro presidente de Angola], Ângelo Veloso, Hernâni Silva, Hermínio Marvão e Pedro Ramos de Almeida”.

Condenado a quatro anos de prisão, Pedro Ramos de Almeida fugirá do Forte de Peniche em 1961 [* PRA já não estava preso em Peniche quando se deu a célebre fuga de um grupo de presos (e portanto não o integrou) e a fuga em questão não aconteceu em 1961, mas sim em 3 de Janeiro de 1960
NOTA: Segundo Helena Pato (que aqui saudamos) Pedro Ramos de Almeida foi condenado a dois anos de prisão e "medidas de segurança", cumpriu 4 anos de prisão e saiu em 1959 ].

Partiu depois para o exílio. Em 1962 viveu em Praga, como dirigente do PCP, representando o partido junto de revistas internacionais dos partidos comunistas. Muda-se, depois, para Argel, ao serviço do PCP, onde ficará cinco anos, na qualidade de membro do comité central do Partido Comunista, a Junta Revolucionária Portuguesa, o órgão dirigente da Frente Patriótica de Libertação Nacional. Dirige na altura a rádio Voz da Liberdade, uma emissora de combate à ditadura que emitia para Lisboa a partir de Argel.

Entre 1969 e 1971 esteve na clandestinidade em Portugal – uma altura em que pintava os seus prematuros cabelos brancos com tinta castanha comprada na drogaria. Regressa a Portugal em 1971 depois de ter obtido a garantia, através do seu padrasto Fernando Abranches Ferrão, de que não haveria processos contra ele. Começa a militar na CDE e quando chegou o 25 de Abril tornou-se militante do MDP-CDE, de que foi dirigente. Entre os muitos livros que escreveu, destacam-se a História do Colonialismo Português e o Dicionário Político de Mário Soares. O dirigente histórico do PCP Domingos Abrantes recordou ontem o “intelectual de grande craveira”, que “teve sempre uma actividade empenhada, não só na juventude, mas em toda a luta da unidade antifascista”. Para Carlos Brito, ex-militante e ex-dirigente do PCP é a perda de “um grande amigo” e uma perda “para a esquerda”. “Foi um grande combatente, com muito mérito”. Pedro Ramos de Almeida era pai do nosso camarada de redacção Nuno Ramos de Almeida e de João Ramos de Almeida, jornalista do Público" [via Entre as Brumas da Memória, com a devida vénia - sublinhados nossos]

LOCAIS: A morte é uma exagerada [Nuno Ramos de Almeida] | Pedro Ramos de Almeida (1932-2012) | MUD Juvenil e a repressão fascista [Pedro Ramos de Almeida - O Militante].

J.M.M.

IN MEMORIAM HELENA CIDADE MOURA (1924-2012)


"Helena Cidade Moura morreu na sexta-feira em Lisboa, aos 88 anos, depois de uma vida dedicada à luta pela democracia e contra o analfabetismo.

Helena Cidade Moura foi responsável pela maior campanha de alfabetização organizada no pós-25 de Abril. Acompanhou mais de 400 cursos de alfabetização e foi deputada à Assembleia da República na I, II e III legislaturas.

Foi dirigente do Movimento Democrático Português - Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE), uma das mais importantes organizações políticas da oposição democrática ao regime do Estado Novo e que depois do 25 de Abril se constituiu como partido político. Publicou várias obras, entre as quais o “Manual de Alfabetização”, em 1979.

Helena Cidade Moura empenhou-se ativamente no grupo dos chamados "católicos progressistas" e foi presidente do Centro Nacional de Cultura em 1961.

Era filha de Hernâni Cidade, cunhada de Francisco Pereira de Moura e amiga próxima de um conjunto de colegas notáveis do curso de Românicas da Faculdade de Letras de Lisboa: entre outros, Sebastião da Gama, Luís Lindley Cintra, Maria de Lourdes Belchior e David Mourão-Ferreira
" [via Fundação José Saramago - sublinhados nossos]

LOCAIS: Helena Cidade Moura (1924-2012) | Morreu Helena Cidade Moura (TSF) | "O mundo de valores nas aspirações profissionais" [texto de Helena Cidade Moura] | Helena Cidade Moura (CNC).

J.M.M.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

ALMANACH ILLUSTRADO DO OCIDENTE


ALMANACH ILLUSTRADO DO OCIDENTE, Anno I (1882) até Anno XXXIII (1914) [32 ? numrs publicados], Lisboa, Empreza do Occidente, Litho. Guedes [Typ. de A. E. Barata], direc. de Caetano Alberto.

"Os almanaques representam, através dos tempos, desde o pioneiro Abraão Zacuto (1496), o modo como o homem culto dispõe para utilidade e memória a sucessão do tempo em quadros e tabelas de efeméride sasonal, mensal e diária. O vertente, edição da revista de referência O Occidente (1878-1915), já estende o seu âmbito à história política e literária da época, assim como nos dá testemunho do comércio e indústria nascentes, através de páginas de anunciantes" [AQUI]

Trata-se de um dos mais interessantes Almanaques de final de século, ligado à revista OCCIDENTE, que apresenta magnificas gravuras e textos dos nossos melhores escritores [a publicação é de interesse camiliano], com capas invulgarmente ilustradas.

FOTO: Almanach Illustrado do Occidente para 1900, via FRENESI.

J.M.M.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

IN MEMORIAM: JOSÉ HERMANO SARAIVA


José Hermano Saraiva nasceu em Leiria, a 3 de outubro de 1919.
Era irmão de António José Saraiva, professor e opositor político de Salazar, ele muito ligado à História da Literatura.

Licenciou-se em Histórico-Filosóficas (1941) e em Ciências Jurídicas (1942).

Exerceu advocacia e foi professor do ensino secundário.

Antes do 25 de Abril de 1974, foi director do Instituto de Assistência aos Menores, foi professor de Direito na Universidade Técnica de Lisboa, foi Diretor da Campanha Nacional de Educação de Adultos, ministro da Educação entre 1968 e 1970, qualidade na qual inaugurou a Biblioteca Nacional de Portugal. Foi ainda professor na Universidade Autónoma.

Foi substituído por Veiga Simão na pasta da Educação, após a crise académica de 1969e designado embaixador de Portugal em Brasília, em 1972.

Foi ainda deputado à Assembleia Nacional e procurador à Câmara Corporativa.

Iniciou a colaboração com a RTP na década de 1970 com o programa O tempo e a Alma. Foi ainda autor e apresentador de Histórias que o Tempo Apagou, Horizontes da Memória e A Alma e a Gente

Na área da História, José Hermano Saraiva publicou perto de 20 títulos, entre eles Uma carta do Infante D. Henrique, O Tempo e a Alma, Portugal - Os últimos 100 anos, Vida ignorada de Camões, ou Ditos portugueses dignos de memória.

Na área da jurisprudência editou sete títulos, nomeadamente A revisão constitucional e a eleição do Chefe do Estado, Non-self-governing territories and The United Nation Charter e Apostilha crítica ao projecto do Código Civil, tendo ainda publicado cinco títulos na área da pedagogia.

A sua obra mais conhecida a História Concisa de Portugal já conhece muitas reedições e vendeu milhares de exemplares.

Foi homenageado pela Academia Portuguesa da História em 2011, onde se destacou sobretudo o seu papel como divulgador da História.

José Hermano Saraiva era também membro das academias das Ciências de Lisboa, de Marinha e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, tendo sido distinguido com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito do Trabalho, a Comenda da Ordem de N. S. da Conceição de Vila Viçosa, e a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco.

Mais algumas referências biográficas mais AQUI.

Faleceu, hoje, 20 de Julho de 2012, em Setúbal, vítima de cancro.

A.A.B.M.

REVISTA DA MAÇONARIA - II SÉRIE, Nº3, JULHO 2012


REVISTA DA MAÇONARIA - II Série, nº3, Julho de 2012, p.102; Dir: Maria Martins; Pres. Cons. Editorial: Fernando Sacramento; Propr: Diário de Bordo; Editor: Paulo Noguês.

TÁBUA: Escolhemos a Maçonaria Feminina (Odete Isabel); O Lugar Sagrado da Língua Portuguesa (Mário Máximo); O Rito Escocês Antigo e Aceiro (António Lopes); João Domingos Bomtempo, Franco-Maçon (Bomtempo, n.s.); A Crise e os Novos Paradigmas do Mundo e da Europa neste Século (Henrique Monteiro); O Rito Antigo e Primitivo Memphis Misraim (Pedro Rangel); Símbolo Construção (Alexandra Mota Tavares); Oriente Eterno (Francisco Moita Flores); Adelaide Cabete, uma Mulher de Vanguarda (Ana Maria Pires da Silva); Cimeira Luso-Espanhola (Paulo Cardoso); Só é livre quem liberta (Margarida Almeida Rocha); Cavalaria Espiritual e Maçonaria (Rui Arimateia); Entre o Meio-Dia e a Meia-Noite (José Adelino Maltez); Eleanor Roosevelt (Madalena de Sá pereira); Melquisedec e as Ordens Iniciáticas (António de Macedo).

J.M.M.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

PROCLAMAÇÃO NO 5 DE OUTUBRO DE 1910



"Cidadãos! – O povo, o exército e a armada acabam de proclamar a República. A dinastia de Bragança, maléfica e perturbadora consciente da paz social, acaba de ser para sempre proscrita de Portugal.
Este facto estranho e famoso, que representa o orgulho de uma raça indomável e a redenção de uma pátria que a bravura tornou legendaria, enche de entusiástica alegria o coração dos patriotas.

Eis que finalmente termina a escravidão desta Pátria e se ergue luminosa na sua essência virginal a aspiração benéfica de um regime de liberdade.

Cidadãos! O momento que decorre redime e compensa de todas as lutas combatidas, de todos os transes dolorosos que se sofreram. E somente é preciso para ele ser o início de uma época de austera moralidade e impoluta justiça que todos os portugueses se unam numa harmoniosa comunhão de princípios. Façamos do nosso sacrifício pela Pátria a base do nosso programa político e de generosidade para com os vencidos a base do nosso programa moral.

Cidadãos! Que um só interesse o interesse pela Pátria, vos anime e uma só vontade, a vontade de ser grande, nos una!

A Republica confia do Povo a manutenção da ordem social, o respeito pela justiça e a dedicação pela causa comum da liberdade!

Consolidar com amor e sacrifício a obra que surge da Republica Portuguesa!
"

Proclamação distribuída na manhã gloriosa de 5 de Outubro de 1910 … Em rigor, esta proclamação foi o primeiro documento oficial emanado do Governo Provisório da Republica Portuguesa, mal esta se tornou um facto. O primeiro jornal que a inseriu foi O Mundo. Deve-se á pena do Sr. Dr. António José de Almeida

via Luís Guerreiro Facebook, com a devida vénia

J.M.M.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

AS CIDADES NA HISTÓRIA: CONGRESSO INTERNACIONAL EM GUIMARÃES


No âmbito de Guimarães Capital Europeia da Cultura, vai realizar-se entre 24 e 26 de Outubro de 2012, um congresso internacional intitulado As Cidades na História.

Pode ler-se na nota de divulgação do congresso:
A história das cidades é fulcral na investigação histórica, qualquer que seja a abordagem escolhida, População, Economia, Sociedade, Cultura, ou Arte. Lançamos o desafio aos diferentes parceiros europeus de aprofundamento da história das suas cidades na longa duração, constituindo-se como uma importantíssima ocasião de diálogo e de encontro de raízes culturais comuns, com consequências que podem ultrapassar os objetivos científicos de partida.

A cidade de Guimarães apresenta-se hoje como anfitriã apetecível para eventos desta natureza, não só pelas infra-estruturas culturais de que dispõe, mas por toda a magia da sua envolvência urbana, sendo, na circunstância, em 2012, Capital Europeia da Cultura. Acreditamos que o I Congresso Histórico Internacional - As Cidades na História, será ponto de partida para uma larga série de congressos versando a Cidade em que Guimarães se situa como importante plataforma de um desejável diálogo internacional.

Numa lógica de construção de um saber integrado, o Primeiro Congresso Internacional das Cidades na História incide sobre a temática da População, primeira distinção entre mundo urbano e mundo rural.

O Congresso dividir-se-á em cinco grandes áreas temáticas: a cidade no mundo antigo, na época medieval, moderna, industrial e transição demográfica e, finalmente, a cidade na época atual. Cada uma destas áreas terá uma sessão plenária estruturada em torno de dois conferencistas, um português e outro estrangeiro, e um conjunto de sessões paralelas de apresentação de trabalhos sobre as respetivas temáticas. O Congresso finalizará com uma mesa redonda sobre a cidade do futuro.


As comunicações em diferentes painéis podem ser consultadas nos links que se seguem:

- Cidade Antiga
- Cidade Medieval
- Cidade Moderna
- Cidade Industrial
- Cidade do Presente

A comissão organizadora deste congresso é a que se apresenta abaixo:
Presidente Honorário do Congresso / Honorary Chairman of the Congress:
Prof. Doutor Freitas do Amaral

Presidente do Congresso / Chairman of the Congress:
Prof. Doutor Luís de Oliveira Ramos

Comissão Científica / Scientific Committee:

- Coordenadores / General Coordinators:
David Reher, Universidad Complutense de Madrid
Maria Norberta Amorim, GHP|CITCEM|Universidade do Minho

- Responsáveis de Áreas Temáticas / Thematic Area Coordinators:
Manuela Martins, Universidade do Minho
Maria Helena Cruz Coelho, Universidade de Coimbra
Carlota Santos, Universidade do Minho
Teresa Rodrigues, Universidade Nova de Lisboa
Maria Luís Rocha Pinto, Universidade de Aveiro

- Representantes de Associações da Especialidade / Representatives from Specialty Associations:
Diego Ramiro (ADEH - Asociación de Demografía Histórica)
Lucia Pozzi (SIDES – Società Italiana di Demografia Italiana)
Michel Oris (SDH Société de Démographie Historique |IUSSP - International Union for the Scientific Study of Population)
Antoinette Fauve-Chamoux (Commission Internationale de Demographie Historique)
Maria Filomena Mendes (APD -Associação Portuguesa de Demografia)
Carlota Santos (GHP- Grupo de História das Populações - CITCEM- Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura Espaço e Memória - Universidade do Minho)

Comissão Organizadora / Organizing Committee:
António Magalhães, Presidente da Câmara Municipal de Guimarães
Norberta Amorim, Secretária Geral do Congresso
Carlota Santos
Amaro das Neves
Antero Ferreira
João Abreu
Gonçalo Cruz
Isabel Pinho

Secretariado / Secretariat:
Isabel Pinho
João Costa

Toda a informação e outras encontram-se disponíveis no site da Câmara Municipal de Guimarães AQUI.

Um evento a acompanhar com atenção e com muito interesse para quem investiga os temas ligados à História das Cidades e temas conexos.

A.A.B.M.

terça-feira, 17 de julho de 2012

PROCESSO CRIMINAL DE GOMES FREIRE DE ANDRADE



PROCESSO CRIMINAL DE GOMES FREIRE DE ANDRADE e dos outros implicados, ou melhor, "Devassa presidida pelo desembargador José Vicente Caldeira de Casal Ribeiro [...] para averiguação da horrorosa trama maquinada para a subversão da monarquia e introdução de um governo revolucionário, debaixo do título de 'Conselho Regenerador', em lugar do governo legítimo do rei" DIGITALIZADO ONLINE na Torre do Tombo.

Processo Criminal de Gomes Freire de Andrade DIGITALIZADO AQUI.

J.M.M.

sábado, 14 de julho de 2012

CENTRO REPUBLICANO DR. BERNARDINO MACHADO, NO PORTO


Através da documentação digitalizada no Arquivo Distrital do Porto encontramos a referência à autorização para funcionar o Centro Republicano Dr. Bernardino Machado, com sede no Porto, na Rua Infante D. Henrique, 75, 3º, situado na freguesia de S. Nicolau.

Este e outros documentos podem ser consultados AQUI.

Ainda sobre a inauguração deste centro é possível encontrar um poema da autoria de Oliveira Passos que foi lido pela menina Célia de Moraes e Costa no dia 7 de Março de 1909, que se encontra digitalizado AQUI.

A.A.B.M.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

18 DE JULHO - LEILÃO DE LIVROS E MANUSCRITOS



18 DE JULHO - LEILÃO DE LIVROS E MANUSCRITOS

LEILÃO: Livros e Manuscritos;
LOCAL: Av. Elias Garcia, 157 A/B, Lisboa;
DIA: 18 de Julho de 2012 [21 horas];
EXPOSIÇÃO: 12-15 Julho 2012 [10h-22,30h];
CATÁLOGO: AQUI online.

Trata-se do XII Leilão da VERITAS ART Auctioneers, a realizar no próximo dia 18 de Julho, sob direcção de Dolores Segrelles e notas bibliográficas de Luís Gomes.

ALGUMAS ANOTAÇÕES: Memória das armadas que de Portugal passaram à Índia …, de Luís de Albuquerque, 1947 / Aqui d’el-rei!, nº1-5, Lisboa, 1914 [publicação “onde pela primeira vez forma difundidos os fundamentos do … Integralismo Lusitano"] / Subsídios para a História do jornalismo nas províncias ultramarina portuguesas, por Brito Aranha, 1895 / Relação de obras cuja circulação esteve proibida em Portugal durante o regime de Salazar/M. Caetano …., Junho 1974 / Memoria histórico-desciptiva das linhas que cobriram Lisboa em 1833, de Cláudio Monteiro de Barbuda, 1840 / Ásia, de João de Barros, 1945 / Catálogo da Exposição Bibliográfica da Restauração, 1940, II vols / A Arte e a Natureza em Portugal, de Emílio Biel, 1902 / Na Introduction to the História Trágico-Marítima, de C. R. Boxer, 1957 / Sketches of Country …, por William Bradford, 1812 / Bibliographia Camoniana, de Teófilo Braga, 1880 / Colecção Camoniana de José do Canto, de José do Canto, 1895 / Bibliografia dos sermões de Autos-da-fé impressos, por Affonso Cassuto, 1955 / Catálogo da preciosa livraria do eminente escriptor Camillo Castello Branco …, 1883 / Bibliografia da Grande Guerra (Resenha das publicações portuguesas), por Vitorino José César & Vicente de Almeida de Eça, 1922 / Le gibier poil. Les quadrupèdes de la chasse …, de Marquis de Cherville, 1885 / Memórias da marquesa de rio maior, por Branca de Gonta Colaço, 1930 / Libro de phisonomia natural …, por Jerónimo Cortês, 1598 / Trattato di Christofano Acosta Africano …, por Cristovão da Costa, 1585 / Comedia di Dante Aligheri .., por Dante, 1529 / Documentos para a história da typographia portugueza nos séculos XVI e XVII, de Venâncio Deslandes, 1881-2, II vols / Projecto de código político …, por Silvestre Pinheiro Ferreira, 1838 / Bibliographia histórica portugueza …, de Jorge Figanière, 1970 / Manuel de Bibliophilie …, por Christian Galantaris, 1997, II vols / Da Educação, de Garrett, 1829 / A Voz do Propheta, de Alexandre Herculano, 1836(7), II ops / Biblioteca Lusitana, de Barbosa Machado, 1930, IV vols / Livros Antigos Portuguezes 1489-1600 da Bibliotheca de …, D. Manuel II, 1995, II vols / Manual Bibliographico Portuguez …, de Pinto de Mattos, 1878 / Catalogue de la Biblioteque de M. Fernando Palha, 1896, IV vols / Guerra da Successão em Portugal, de Charles Napier, 1841 / A Guerra Civil em Portugal, o sitio do Porto …, de Hugh Owen, 1836 / Colecção de alguma ruínas de Lisboa causadas pelo terramoto …, por Miguel Tibério Pedegache, 1757 / Os Modernistas Portugueses, de Petrus (Pedro Veiga), VI vols / Claudill Pyolemaei geographicae …, de Ptolemeu, 1552 / Travel and Exploration. Portugal and Spain, [LEILÂO na Alemanha em 1898] Reiss & Auvermann / O ágio do ouro, de Oliveira Salazar, 1916 / José dos Santos [lote de catálogos estimados e raros] / No Leilão do Ameal, por Gustavo de Matos Sequeira, 1924 / Dicionário Bibliográfico Português …de Inocêncio Francisco da Silva, 1858-1912, XXV vols / Antiguidades monumentais do Algarve …, de Estácio da Veiga, 1886, IV tomos / Verdadeiro Método de Estudar .., pelo Pe António Vieira, 1791 / Sermões … do Pe António Vieira, 1679-1748, XV vols / História do Futuro, pelo Pe António Vieira, 1718.

J.M.M.

PALAVRAS CLARAS. RAZÕES DA INTERVENÇÃO MILITAR DE PORTUGAL NA GUERRA EUROPEIA



PALAVRAS CLARAS. RAZÕES DA INTERVENÇÃO MILITAR DE PORTUGAL NA GUERRA EUROPEIA

REPÚBLICA PORTUGUESA: Relatório Publicado no "Diário do Governo" nº 9, 1ª série. de 17 de Janeiro de 1917, Lisboa, Imprensa Nacional, 1917.

► "Diário do Governo" nº 9, 1ª série. de 17 de Janeiro de 1917 - AQUI online.

via MEMÓRIA DA REPÚBLICA, com a devida vénia.

J.M.M.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A SITUAÇÃO POLÍTICA


A política parece ter chegado entre nós – porque se não há-de dizer toda a verdade? – ao último grau da barafunda … O quadro é na verdade desolador … Toda a gente dá a impressão de gaguejar. Ninguém diz as coisas nítidas, precisas, leias, inteligentes – ninguém exprime a ideia justa e necessária, aquela que todos nós sentiríamos talhada na própria realidade, e que não traria ou amarca do interesse egoísta, ou a falha do simplismo unilateral, ou a inflação grotesca da retórica …

A moral política dia a dia mais se relaxa e perverte. As câmaras são já como que as antecâmaras das casas bancárias, e a política um meio e fazer fortuna. Quem entra na carreira começa por bramar contra as Finanças, adere depois ao conservantismo, penitenciando-se das verduras da mocidade, e acaba por se introduzir na gerência dos bancos, como fruto da idade madura. Esta evolução é por vezes acelerada, e só pode explicar-se, á face da biologia, por verdadeiro cataclismo de convicções …

Ou pensarão que só os esfarrapados e os que não tem de comer têm o dever de ser honestos?


Raul Proença, in Seara Nova, nº 49, de 15 de Dezembro de 1925.

J.M.M.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

OS FUNDAMENTOS FILOSÓFICOS DO MAÇONISMO MODERNO: CONFERÊNCIA


Na próxima sexta-feira, 13 de Julho de 2012, pelas 21.30h, no Museu Bernardino Machado, em Famalicão, realiza-se a última conferência do ciclo que tem vindo a decorrer ao longo deste ano dedicado ao tema: A Maçonaria em Portugal do século XVIII ao XXI.

O conferencista convidado é Fernando Catroga e vai apresentar uma comunicação intitulada Os Fundamentos Filosóficos do Maçonismo Moderno.

Fernando Catroga é Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (Instituto de História e Teoria das Ideias). Para além das suas funções universitárias, acções científicas e actividade docente, tem realizado centenas de conferências em Portugal, Espanha, França, ex-URSS, Alemanha, Brasil, E. U. A e Bélgica. Com áreas de interesses que vai desde a História Cultural, passando pela História da Cultura em Portugal (Séculos XIX-XX), História da Cultura Europeia, História das Ideias Políticas, Teorias da Nação e do nacionalismo, Teorias da História ou pela Historiografia, tem colaboração dispersa em algumas revistas, nomeadamente Revista de História das Ideias, em algumas obras colectivas, caso da História de Portugal, dirigida por José Mattoso. Publicou múltiplos estudos entre os quais A Formação do Movimento Republicano: 1870-1883 (1982), A Militância Laica e a Descristianização da Morte em Portugal: 1865-1911 (1988), O Republicanismo em Portugal: da formação ao 5 de Outubro de 1910 (1991, 2000)”, O Céu da memória: cemitério romântico e culto cívico dos mortos (1999), Antero de Quental: história, socialismo e política (2001), Memória, História e Historiografia (2001), Caminhos do Fim da História (2003), Entre Deuses e Césares: secularização, laicidade e religião civil (2006) e, mais recentemente, Ensaio Respublicano (2011).

Para os interessados podem consultar AQUI o currículo científico, embora já necessite de ser actualizado.

Uma iniciativa a não perder.

A.A.B.M.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

CARTA AOS ELEITORES DO CIRCULO ELEITORAL DE CINTRA


ALEXANDRE HERCULANO, "Carta aos Eleitores do Circulo Eleitoral de Cintra (Extrahida do Jornal do Commercio)", Lisboa, Typographia do Jornal do Commercio, 1858, p.16.

Texto publicado primeiramente no Jornal do Comércio de Lisboa, a 23 de Maio de 1858, acerca do seu conteúdo nos esclarecem José Custódio e José Manuel Garcia (ver Opúsculos I, 2.ª ed., Editorial Presença, Lisboa, 1982):

«Há dois textos fundamentais para o estudo das propostas de reforma administrativa de Alexandre Herculano. Ao primeiro, chamaram-lhe o “credo político” e foi publicado em O Portuguez (1853). O segundo é a Carta aos Eleitores do Círculo de Sintra (1858).

Datam ambos do período regenerador e integram-se numa fase muito rica de consequências das atitudes políticas de Herculano. Após a expectativa e o desaire do movimento regenerador de 1851, o velho liberal inicia uma fase de “contestação” sistemática das orientações da política oficial, em especial do partido liderado por Fontes Pereira de Melo e por Rodrigo da Fonseca. Como resultado, Herculano entrincheira-se no círculo dos princípios e das formas puras do liberalismo, cujas consequências são, por um lado, o utopismo e, por outro, o desencanto versus abandono da vida política.

No “credo político”, Herculano propõe a divisa da representação municipal directa, ou seja, o “governo do País pelo País”. Consistia este princípio na aceitação do sistema representativo completo, apoiado no alargamento da participação política a todas “as extremidades do corpo da Nação”. Logo o alargamento da vida política à vida local, de modo que o “governo central possa representar o pensamento do País”. A adopção deste princípio é marcadamente anticentralizadora, no sentido da rejeição tanto do centralismo absolutista, como das influências centralizadoras do sistema político-administrativo de Paris, como ainda da estratégia dos partidos políticos – “sejam eles quais forem” –, porque eles só tinham a ganhar com a centralização.

A apologia do municipalismo – como também a prática consequente que dele faz – leva-o a propor a eleição de campanário, ou seja, a escolha inequívoca do representante político em função do local onde esse representante vivia, onde era conhecido e estimado pelos respectivos eleitores. É este precisamente o assunto da Carta que dirige aos eleitores de Sintra, que o querem ver assumir o lugar no Parlamento em defesa dos interesses estremenhos. [...]»


via FRENESI, com a devida vénia.

J.M.M.

OS RIDICULOS: EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA MUSEU REPÚBLICA E RESISTÊNCIA


Inaugurou-se no passado sábado, 7 de Julho, na Biblioteca-Museu República e Resistência a exposição Os Ridículos: Desenho Humorístico e Censura (1933-1945).

Pode ler-se na nota de divulgação do evento:

A Biblioteca Museu República e Resistência – espaço cidade universitária, em colaboração com a Hemeroteca Municipal de Lisboa, vão organizar nas instalações da primeira uma exposição intitulada OS RIDÍCULOS. Desenho Humorístico e Censura (1933-1945). A exposição, realizada pela primeira vez na Bedeteca de Lisboa, em 2008, apresenta um conjunto muito significativo de primeiras páginas do jornal Os Ridículos, bissemanário humorístico lisboeta, acompanhadas das respectivas provas enviadas para e recebidas dos serviços de censura do Estado Novo (a célebre «Comissão de Censura», e o seu famoso carimbo «VISADO Pela Comissão de Censura», em duas linhas). Nesta mostra d’ Os Ridículos, a gargalhada, no mínimo, irrompe dobrada em face deste confronto de traços: o do mestre desenhador e o do censor zeloso, perante uma linguagem gráfica insinuativa.

A exposição será organizada em três núcleos temáticos (política nacional, política internacional e Lisboa), e conta com desenhos e caricaturas da autoria de Alonso (Santos Silva), Stuart Carvalhaes, Colaço, Natalino, Silva Monteiro, Américo e Pargana. Através dos cortes às versões iniciais propostas pelos ilustradores, e da comparação com as páginas finais, é possível descortinar os resultados do controlo do Estado sobre o discurso humorístico e gráfico veiculado por este jornal, por outras palavras, sobre a liberdade de expressão, aqui essencialmente plástica – razões de sobra para não perder esta exposição. É comissariada por Álvaro Costa de Matos (Hemeroteca Municipal de Lisboa) e Pedro Bebiano Braga (Museu Rafael Bordalo Pinheiro).

A exposição manter-se-á em exibição na Biblioteca Museu República e Resistência – espaço cidade universitária até 28 de Setembro.

O material exposto faz parte da colecção da Hemeroteca Municipal de Lisboa e constitui uma fonte da maior importância histórica. São documentos bem reveladores dos objectivos e especificidades da censura sobre a imprensa, neste caso, sobre um jornal humorístico, bem como das estratégias e respostas dos jornais, muitas delas subtis, para contornar a acção do famoso lápis azul. Com esta exposição, as duas bibliotecas pretendem precisamente despertar o interesse dos seus públicos e do público em geral para este espólio.

Refira-se que Os Ridículos começaram a publicar-se em Lisboa em 1895, por iniciativa e sob a direcção de José Maria da Cruz Moreira, o “Caracoles”. Dois anos mais tarde, em Setembro de 1897, a direcção é assumida por “Auto-Nito”, outro humorista muito popular na época. Apesar do entusiasmo inicial, a suspensão foi inevitável devido à forte concorrência entre os jornais humorísticos e ao elevado analfabetismo existente no país. Oito anos depois, em 1905, “Caracoles” pega novamente no jornal e, juntamente com “Esculápio” (Eduardo Fernandes), reedita Os Ridículos, aproveitando agora a oportunidade que lhes oferecia a efervescência política que precedeu a implantação da República. A partir de 1906, já sem a colaboração de Eduardo Fernandes, o jornal conhece então uma fase de franco desenvolvimento, enveredando pela crítica política e pela sátira aos acontecimentos dominantes da época; os seus jocosos comentários granjearam-lhe uma popularidade e uma notoriedade que se manteriam praticamente até ao fim do jornal, em 1984. Entre os seus colaboradores destacam-se Alonso, Colaço, Silva Monteiro, José Pargana, Stuart de Carvalhais e Natalino Malquiades, no desenho humorístico e na caricatura política, enquanto os textos eram assegurados por Gamalhães (Xavier de Magalhães), Sousa Pinto, Aníbal Nazaré, Nelson de Barros, Borges de Antão, Casimiro Godinho, entre outros. A par do Sempre Fixe foi, sem dúvida, um dos mais importantes e mais duradoiros jornais humorísticos publicados em Portugal no século XX.

PROGRAMA

► Exposição OS RIDÍCULOS. Desenho Humorístico e Censura (1933-1945), de 7 de Julho a 28 de Setembro (Galeria de Exposições da BMRR – espaço cidade universitária);

►Visitas guiadas à exposição, para diferentes públicos (escolar, universitário, jovens, adultos e idosos), sujeitas a inscrição prévia (T. 21 780 27 60 );

► Conferência “Jornalismo Gráfico e Censura no Estado Novo: uma aproximação ao problema a partir do jornal humorístico Os Ridículos (1933-1945)”, por Álvaro Costa de Matos (Hemeroteca Municipal de Lisboa/Centro de Investigação Media e Jornalismo), dia 20 de Setembro, às 18h (Auditório da BMRR – espaço cidade universitária);


Para ver mais informações, sobre esta exposição, consultar o texto de abertura AQUI.

Pode também ver os quadros sobre a Vida Nacional, Política Internacional e Lisboa.

Uma iniciativa que recomendamos aos nossos ledores e relembramos que estará patente até 28 de Setembro de 2012.

A.A.B.M.