terça-feira, 16 de outubro de 2012

O JORNALISTA REPUBLICANO ALVES CORREIA. ANTOLOGIA


Foi recentemente apresentado em Vila Real, o número 25, da Colecção Tellus, editado pela Câmara Municipal de Vila Real e pelo Grémio Literário Vila Realense, dedicado ao jornalista republicano António Narciso Rebelo Alves Correia, um trabalho antológico realizado pelo Professor Ernesto Rodrigues.

A figura de Alves Correia, actualmente muito esquecida, foi um dos grandes propagandistas do Partido Republicano ainda durante a Monarquia. Nascido em 25 de Maio de 1861, veio a falecer em Lisboa em 5 de Janeiro de 1900. Sobre ele já tinhamos escrito uma nota biográfica AQUI.
O presente livro, agora publicado, apresenta uma nota biográfica detalhada do jornalista republicano elaborada pelo Professor Ernesto Rodrigues, que ocupam as primeiras páginas da obra. Nelas descobrimos mais alguns traços menos conhecidos deste republicano transmontano: as diferentes actividades que desenvolveu ao longo do tempo, farmacêutico, fotógrafo, conservador das bibliotecas municipais de Lisboa, jornalista e as referências ao espólio que sobre ele fornecem dados que se encontra na Biblioteca Nacional de Portugal.

Na segunda parte deste trabalho é possível encontrar um conjunto (selecção) de artigos publicados por Alves Correia em alguns do órgãos da imprensa onde colaborou. Assim, seleccionaram-se 34 artigos publicados na revista Froebel, no jornal Os Debates, A Vanguarda e O País que foram reproduzidos na íntegra.

Um interessante trabalho, numa área pouco explorada, a antologia, mas que permite conhecer melhor o pensamento e a época em que o autor viveu. São oito dezenas de páginas que se lêem com facilidade e sobretudo permitem conhecer melhor as dificuldades e os problemas dos propagandistas republicanos.

Algumas informações adicionais sobre esta obra podem ser consultadas AQUI.

Uma interessante obra que não podíamos deixar de sugerir aos nossos ledores.

A.A.B.M.


JUDEUS PORTUGUESES NO MUNDO: PENSAMENTO, MEDICINA E CULTURA - COLÓQUIO

Na proxima sexta-feira, 19 de Outubro de 2012, vai realizar-se em Braga, através do Centro de Estudos Lusíadas e do Departamento de Filosofia, do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, o colóquio Judeus Portugueses no Mundo: Pensamento, Medicina e Cultura.

Este evento, conforme se pode ler na nota de divulgação:

O colóquio procura refletir sobre a grande ciência e o grande pensamento de autores judaico-portugueses. Este é um património cultural riquíssimo que merece ser estudado pelos investigadores. O contributo dos Judeus Portugueses para a história da cultura em Portugal dificilmente pode ser apoucado, dada a sua vastidão. Os aspectos mais infelizes da relação entre os Judeus e Portugal ofuscam muitas vezes este património. Urge estudar e dar a conhecer às novas gerações de universitários portugueses muitos autores cuja obra continua a influenciar e a inspirar o que fazemos em Medicina, em Filosofia e em muitas outras áreas da Cultura.

Os responsáveis científicos pelo colóquio são Virgínia Soares Pereira e Manuel Curado. Este colóquio vai ter lugar no auditório B1 (Complexo Pedagógico II), no campus de Gualtar, em Braga. Para os interessados em obter certificado de presença devem solicitar com antecedência aos responsáveis da organização através dos emails: virginia@ilch.uminho.pt,curado.manuel@gmail.com.

Entre os palestrantes encontramos Jesué Pinharanda Gomes, António Andrade, Joshua Ruah,  Jorge Martins, Paulo Archer de Carvalho, José Eduardo Franco, entre outros.

O programa detalhado do colóquio pode ser consultado AQUI.

A.A.B.M.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

DAVID MAGNO (Parte I)


Com o nome completo de David José Gonçalves Magno, nasceu em Lamego, a 17 de Agosto de 1877 e morreu em Lisboa a 30 de Setembro de 1957, aquele que viria a ser um militar, publicista e arqueólogo com algum prestígio. Foi também autor de vários livros de carácter memorialístico, sendo um deles dedicado à sua participação na I Guerra Mundial.

Seguiu a carreira militar, sendo promovido a alferes em 22 de Dezembro de 1906. Começou por se distinguir em Angola, em 1909 e 1910, ao conseguir avançar para o interior e impor a presença portuguesa na região dos Dembos Orientais. A partir de 15 de Fevereiro de 1909, uma coluna contando 133 soldados e comandada pelos alferes David Magno e António Margão avançou durante vários dias nos territórios do Golungo Alto. A 27 de Setembro de 1909, toma a aldeia do Caculo-Caenda. Porém, a instabilidade era grande e os Dembos voltam a revoltar-se e o comandante militar de Lombige, alferes David Magno, tentou ainda pacificamente resolver a situação. Não conseguindo obter sucesso na sua missão, instala uma fortificação em plena capital do Caculo-Caenda, denominada “Forte de Santo António”, construído já em 1910, tudo indica que em 22 de Fevereiro.  Mas a presença continuava a ser rejeitada pelos habitantes da região e Henrique Mitchell de Paiva Couceiro chegou a pensar na organização de uma grande expedição militar para dominar a região, mas a falta de meios e de apoios vindos de Lisboa, acabaram por nunca permitir a sua concretização.

Nos relatos que existem sobre a actividade de David Magno nos territórios angolanos, deixam-nos algumas pistas sobre esta personalidade. René Pélissier afirma sobre Magno “um oficial de vaidade dificilmente suportável mas extremamente temível, visto que preferia a diplomacia às balas”. A sua estratégia para se aproximar de D. Domingos Miguel Sebastião, líder dos Dembos na região de Caculo-Caenda, passou por fingir que salvava a vida de um dos filhos do soba, depois procurou criar atritos entre os Dembos para lançar uns contra os outros, por fim, e apenas com 21 soldados europeus e 23 soldados landins, conseguiu entrar na aldeia de Caculo Caenda e convenceu-o de que aqueles soldados eram somente exploradores de uma grande coluna de soldados que se dirigiam para a região. Durante cinco meses viveu quase isolado do resto do resto do mundo, mas desenvolveu uma acção de colonização semelhante à que era levada a efeito pelos franceses: abriu uma escola e instalou uma casa comercial. A intenção de David Magno era, ficar com a glória de ter sido ele a ter pacificado a região dos Dembos.

Substituído em 1910 e 1911, regressa em 1912, quando a situação começava a degradar-se novamente para os portugueses.
Mas este forte estava numa posição de risco, então em 1913, o forte é cercado e o então governador geral de Angola, Norton de Matos enviou uma expedição de socorro comandada pelo capitão de artilharia Maia Pinto, contando também com a participação de David Magno. Nessa altura travaram-se combates em Quidange e Quingola, estabelecendo-se três novos postos nas terras do chefe dos Dembos, em Caculo-Caenda. Nessa altura, o então tenente David Magno toma parte como adjunto do comando nas operações que vão ter lugar na região, em particular nos combates de Quingola, em 3 de Agosto de 1913.

[em continuação]

A.A.B.M.

MAÇONARIA E CATOLICISMO: CONFERÊNCIA

Na próxima sexta-feira, 19 de Outubro de 2012, pelas 21.30h, no Museu Bernardino Machado, em Famalicão, realiza-se outra conferência do ciclo que tem vindo a decorrer ao longo deste ano dedicado ao tema: A Maçonaria em Portugal do século XVIII ao XXI.

O conferencista convidado é Arnaldo Pinho e vai apresentar uma comunicação intitulada Maçonaria e Catolicismo.


Arnaldo Pinho, padre, é Doutorado pela Universidade Pontifícia de Salamanca, sendo actualmente Professor Catedrático da Faculdade de Teologia da Universidade Católica do Porto. Integra o Centro de Estudos do Pensamento Português. O seu vasto curriculum conta com numerosas publicações  de livros e artigos,  e participação em vários congressos e colóquios tanto em Portugal como no estrangeiro.

Tem artigos publicados nas seguintes revistas Communio, Humanistica e Teologia, Diálogo Ecumenico (Salamanca), Nova Renascença
Entre as suas obras destacam-se: Desmitologização ou Interpretação, O que é a Teologia, Uma Cristologia para a identidade cristã na Modernidade; O Pensamento cristológico de D. António Ferreira Gomes; D. António Ferreira Gomes, Antologia do seu Pensamento (três volumes), selecção e notas, introdução ao II Vol.; Fé/Cultura, dois volumes (1987/92); Cultura da Modernidade e Nova Evangelização (Porto, 1991); Leonardo Coimbra, Filosofia e Teologia, (1998). Tem ainda uma biografia de D. António Ferreira Gomes, intitulada Crónica de um amor à verdade.


A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

SEMINÁRIO INTERNACIONAL - "ANARQUISMO. HISTÓRIA: TEORIA E POLÍTICA"


SEMINÁRIO INTERNACIONAL: "ANARQUISMO: HISTÓRIA, TEORIA E POLÍTICA"

DIA: 13 de Outubro de 2012;
LOCAL: FCSH - Edifício ID - Sala Mutiusos 3;
ORGANIZAÇÃO:  Instituto de História Contemporânea (IHC).

Comissão Organizadora: Cláudia Figueiredo, Diogo Duarte,  João Madeira e José Neves.

"É sabido que nos últimos anos se verificou internacionalmente um crescimento do interesse por ideias e práticas anarquistas. Paralelamente os estudos sobre anarquismo têm merecido atenção renovada em alguns contextos académicos. Todavia, em Portugal, apesar da significativa presença histórica do anarquismo no país, a produção científica sobre o tema é ainda escassa. Com o presente seminário pretendemos ajudar a contrariar esta tendência, reunindo trabalhos de diferentes áreas disciplinares que tratam a história do anarquismo tanto em Portugal como além do caso histórico português” [ler AQUI]


J.M.M.

INTRODUÇÃO À MAÇONARIA (7ª ED.) - ANTÓNIO ARNAUT


LIVRO: Introdução à Maçonaria (7ª ed.);
AUTOR: António Arnaut;
EDITORA: Coimbra Editora, Outubro 2012.

LANÇAMENTO: 13 de Outubro (16 horas) na Casa da Cultura de Coimbra (R. Pedro Monteiro);
APRESENTAÇÃO/CONFERÊNCIA  pelo Prof. José Adelino Maltez, "No princípio estão os Princípios";
ORGANIZAÇÃO: C. M. Coimbra e Coimbra Editora

"Este livro não é mais do que pretende: uma simples introdução ao conhecimento da Maçonaria. Destina-se, primacialmente, àqueles que por apetência intelectual ou mera curiosidade desejam apreender o essencial da sua história, doutrina e objectivos.

De facto, a Ordem Maçónica continua envolta na névoa do mistério e na verrina da maledicência. Há no inconsciente colectivo um lastro de veniaga deixado pelos verdugos da Inquisição e dos regimes totalitários que, de quando em vez, ainda aflore no espírito dos incautos."

in "Introdução à Maçonaria", 6ª ed., Coimbra Editora, 2009 [a 1ª ed. data de Janeiro de 1996, pela Fora de Texto]

J.M.M.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

PRIMEIRA REPÚBLICA EM FAFE - ELEMENTOS PARA A SUA HISTÓRIA

Amanhã, sexta-feira (12 de Outubro), pelas 21h30 h, no Salão Nobre do Teatro – Cinema de Fafe, conjuntamente com os investigadores Artur Ferreira Coimbra e Artur Magalhães Leite, vamos lançar o livro A PRIMEIRA REPÚBLICA EM FAFE – Elementos para a sua história, que será apresentado pela historiadora Maria Alice Samara, que assina o prefácio. Sendo uma edição do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, em que cada um dos três investigadores analisa e reflecte sobre este período estruturante na História Contemporânea do concelho de Fafe.

A entrada é livre.

São autores desta obra os historiadores fafenses Artur Ferreira Coimbra, Daniel Bastos e Artur Magalhães Leite.
A obra tem prefácio de Maria Alice Samara, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que estará presente na sessão de lançamento.

A edição é do Núcleo de Artes e Letras de Fafe e conta com o apoio do Município de Fafe e da Junta de Freguesia de Fafe. A obra surge como resultado da realização do Curso Livre de História Local, sob o tema “O concelho de Fafe durante a Primeira República (1910-1926)”, promovido pelo Núcleo de Artes e Letras de Fafe, há dois anos, no âmbito das celebrações do Centenário da República.

A acção decorreu entre 07 de Outubro e 18 de Novembro de 2010 e teve como propósito proporcionar ao público em geral um melhor conhecimento sobre um período histórico fundamental na afirmação e desenvolvimento do concelho de Fafe. Durante sete semanas, mais de meia centena de pessoas acompanhou as sessões.

A obra assume como ponto de partida a matéria apresentada ao longo daquele curso, naturalmente mais organizada, aprofundada e dotada de uma coerência que a oralidade não permite, acrescentada com dois ou três temas que enriquecem e diversificam o conteúdo.

Começando com a contextualização do período histórico de 1910 a 1926, são abordados os temas As raízes republicanas no concelho de Fafe, Fafe em 1910 - Breve retrato, A Proclamação da República em Fafe, Momentos e legado da I República em Fafe, O governo local (1910-1926), A contra-revolução monárquica em Fafe 1911-1919 (Das incursões couceiristas à Monarquia do Norte), O concelho de Fafe durante a I Grande Guerra Mundial, As mulheres da I República em Fafe, Ensino e escolas na I República, O associativismo na I República, O jornalismo na I República, Figuras referenciais da I República em Fafe, As ruas da República e Imagens da I República em Fafe.

Não pretendendo esgotar a história daqueles tempos, já que muito fica ainda por dizer, ficam as linhas gerais do impacto que teve aquele fracturante período histórico do Portugal Contemporâneo neste município minhoto, numa investigação que teve como socorro privilegiado o fundo do Arquivo Municipal e a imprensa periódica local.

Fafe era um município essencialmente rural, com uma economia baseada na agricultura e na pecuária, com alguma indústria, com grande número de gente analfabeta e temente a Deus, como por todo o Norte. Um concelho em tudo idêntico a tantos onde a República custou a entrar e onde a reacção monárquica encontrou terreno fértil e fácil, sobretudo por influência do clero, como se demonstra pelas incursões de Paiva Couceiro e pelas reacções à curta Monarquia do Norte, em Janeiro/Fevereiro de 1919.

De resto, ficaram algumas “marcas” deste período, na arquitectura e no urbanismo da cidade, na produção da energia eléctrica para abastecimento público, com a construção de uma das primeiras centrais hídricas da região (1914), na dinâmica cultural, com a edificação do mítico Teatro-Cinema de Fafe (1923), no associativismo, no jornalismo e em outras áreas, como se verifica nas páginas da obra.


A presente notícia, com a devida vénia, foi retirada DAQUI.

A.A.B.M.

INAUGURAÇÃO DO MUSEU DA REPÚBLICA E DA MAÇONARIA


INAUGURAÇÃO DO MUSEU DA REPÚBLICA E DA MAÇONARIA - DIA 13 OUTUBRO 2012

PROGRAMA:

10.30 H: Sessão solene com a presença do Sap:. Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, Prof. Fernando Lima;
11.00 H: Visita guiada ao espaço museológico;
11.30 H: Palestra sobre a "Simbologia Maçónica", pelo Dr. António Lopes;
12.00 H: Ágape fraterno.

LOCAL: VILLA ISAURA – Turismo no espaço rural, Troviscais Cimeiros, 3270–154, Pedrogão Grande: Solicita-se confirmação através do Telem. 919856297 ou pelo e-mail: geral@avillaisaura.com

[via Aires Barata Henriques Facebook]

"… O MUSEU DA REPÚBLICA E DA MAÇONARIA, onde se acentua o simbolismo da sua própria fachada em alvenaria de xisto, ergue-se numa pequena aldeia do interior beirão, em Troviscais Cimeiros, no concelho de Pedrógão Grande, no âmbito de um projecto de alojamento turístico e cultural que dá pelo nome de VILLA ISAURA / SOLAR DO POVO RATINHO.
O Museu em questão é composto por três acervos principais: o primeiro, relativo às personalidades que estão na origem da República portuguesa, assim como por objectos de uso corrente e outros relacionados com momentos politicamente mais relevantes, cartazes, fotografias e postais ilustrados, etc.; o segundo acervo evidencia objectos de cerimonial maçónico, como escapulários e aventais dos vários graus, canhões em vidro e pratos em faiança utilizados nos ágapes de confraternização, espadas rituais, diplomas e credenciais de várias Lojas,  etc.; o terceiro acervo aborda o regime do Estado Novo, sublinhando-se sobremodo a ideia de poupança, a par de um breve enfoque nos períodos da  2ª Grande Guerra e da Guerra Civil de Espanha, com uma mostra de figuras alusivas aos políticos da época (Churchill, Hitler, etc.) produzidas nas principais fábricas de cerâmica nacionais (Caldas da Rainha, Sacavém e Coimbra) …" 
 [extracto de um (antigo) texto de Aires B. Henriques, que reproduzimos com a devida vénia – sublinhados nossos]

J.M.M.

CADERNOS DO ARQUIVO HISTÓRICO DE LOULÉ, Nº7


Recebemos a seguinte informação que divulgamos junto de todos os interessados na História Local, em especial sobre Loulé, para o lançamento do número sete dos Cadernos do Arquivo desta cidade, subordinado ao tema "História Económica e Social de Loulé", tendo por autor João Miguel Simões.

Pode ler-se na nota de divulgação do evento, que vai realizar-se no próximo dia 13 de Outubro de 2012, pelas 15 horas, nas instalações do Arquivo Municipal de Loulé, dirigido por Luísa Martins: 

 “A cidade de Loulé apresenta hoje uma variedade urbanística e arquitetónica que, à primeira vista, poderia classificar-se de caótica. Porém, como iremos observar ao longo deste estudo, esta complexidade singular revelava a riqueza da história da cidade e, principalmente, dos seus habitantes.
O presente texto pretenderá, por isso, relatar a história de Loulé, a nível social, económico e político, com vista a entender a cidade enquanto objeto urbano e arquitetónico subsidiário desta dinâmica humana.

Como iremos observar, a complexidade de Loulé resulta de diferentes conjunturas sócio económicas que modelaram a cidade tendo em conta os seus interesses. Ao longo dos séculos, cada geração concebeu as suas habitações e arruamentos e, por consequência, a própria cidade, tendo em conta dos seus interesses, perspetivas e esperanças, individuais ou coletivos, financeiros ou ideológicos, resultando hoje Loulé num universo arquitetónico complexo que reflete múltiplas opções e ideias.

Não será nossa metodologia entender as épocas antigas como ‘áureas’ ou ‘legítimas’, por oposição à atual, normalmente considerada ‘intrusa’, de má qualidade e ‘descaracterizadora’ de um passado arquitetónico que por ser antigo é necessariamente bom. As gerações de louletanos alteraram o seu património tendo em conta os seus objetivos, os seus anseios e as suas perspetivas de futuro. Cabe a nós, historiadores, entender porque se procedeu a tais alterações e levar esse entendimento a todos os que operam no património construído, sejam profissionais, autarcas ou população em geral.”

O autor, João Miguel Simões é licenciado em História, variante em História de Arte e Mestre em Arte Patrimonial e Restauro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Trabalhou no Gabinete Técnico Local da Câmara Municipal de Borba e para várias instituições públicas e privadas, sempre na área da Investigação; História Local e História da Arte. Atualmente é colaborador do Museu de São Roque. Sobre o Algarve, produziu os livros dedicados ao Convento da Graça de Loulé, à Igreja de Nossa Senhora da Assunção da Mexilhoeira Grande, à Igreja de Santiago de Estômbar e História da Mexilhoeira Grande.

Com os votos do maior sucesso para o evento.

A.A.B.M.

JOSÉ RIBEIRO DOS SANTOS: HOMENAGEM

Vai realizar-se amanhã, 12 de Outubro de 2012, o quadragésimo aniversário em que foi assassinado o então jovem estudante de Direito em Lisboa, José Ribeiro dos Santos, pela polícia política do Estado Novo.

Assinalando a data, a Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, vai realizar uma homenagem a Ribeiro dos Santos, cujo programa programa se apresenta acima.

Inauguração de uma placa toponímica numa calçada com o seu nome, contando com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa e do Reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa. Segue-se depois a deposição de uma coroa de flores junto da campa de Ribeiro dos Santos.

No próximo dia 17 de Outubro realiza-se a inauguração de uma exposição, conferências e lançamento da segunda edição do livro sobre José Ribeiro dos Santos, organizada por Ivo Pêgo.

Entre os conferencistas contam-se: António Monteiro Cardoso, Irene Pimentel, José Manuel Cordeiro, Miguel Cardina. Na sessão de homenagem conta-se com a participação Aurora Rodrigues, José Lamego, Maria José Morgado e Teresa Serra, entre outros que certamente também participarão na sessão.

A.A.B.M.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS - 2ª LEITURA COLECTIVA


EVENTO: 2ª Leitura Colectiva NOVAS CARTAS PORTUGUESAS [40º Aniversário];
LOCAL: Centro de Cultura e Intervenção Feminista (Rua da Cozinha Económica, Bloco D, 30-M e N, Alcântara, Lisboa;
DATA: de 25 de Outubro 2012 (18,30 horas);
ORGANIZAÇÃO: CESNOVA / Faces de Eva (colaboração UMAR).

► "… Desde o princípio tiveram os homens de se julgar semideuses caídos de sua graça por obra da mulher; e logo depois tiveram que se inventar redimidos através do ventre de nova mãe, essa santa, essa capaz de conhecer Deus no seu ventre e de no seu ventre incarnar o deus salvador, depois chamado o filho do homem – que ironia rebuscada – na sua vida e nos seus actos exemplares. Porque o homem vai fazendo o mundo e cavando o seu túmulo, e vai chamando a mulher, então dizendo-lhe ‘mãe’, para que esta lhe nomeie o mal e o bem, e lho signifique, e tome em si o absurdo insuportável da ordem das coisas, e vai o homem fazendo o mundo sobre o ventre acolhedor e produtor da mulher, então dizendo-lhe ‘coisa de mim’, e posto na mulher o mal e o bem e o absurdo insuportável da ordem das coisas é então justo que seja ela a primeira vítima, ela a culpada até ao momento em que finalmente o homem chama a mulher, dizendo-lhe ‘mulher’, e repara que está vazio o lugar da seu lado …"
in Novas Cartas Portuguesas, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa.
J.M.M.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

FERRAMENTAS PARA A CIDADANIA: CICLO DE CONFERÊNCIAS

Ao longo deste mês de Outubro, na Biblioteca Museu República e Resistência - espaço Grandela, vai realizar-se um ciclo de três conferências subordinadas ao tema: Ferramentas para a Cidadania, conforme se pode confirmar consultando o cartaz acima.

O ciclo prolonga-se até Março de 2013, mas este mês é dedicado à temática da República. Para discutir e apresentar as suas ideias sobre esta temática forma convidados Amadeu Carvalho Homem, Domingos Abrantes e António Ventura.

As conferências decorrerão às quintas-feiras, pelas 18.30 h.

Uma organização do Círculo de Intervenção Cultural, que muito se saúda e para a qual chamamos a melhor atenção dos nossos ledores.

A esta iniciativa desejamos os maiores sucessos.

A.A.B.M.

BERNARDO MARQUES: EVOCAÇÃO NA HEMEROTECA DE LISBOA

Na Hemeroteca Municipal de Lisboa está a decorrer uma evocação do pintor e ilustrador, Bernardo Loureiro Marques (Silves, 21-11-1898- Lisboa, 28-09-1962).

Dessa evocação consta uma mostra expositiva de bibliografia, conferências e disponibilização de conteúdos digitais sobre Bernardo Marques na Hemeroteca Digital.


Sobre a actividade e percurso do artista consultar algumas notas AQUI e AQUI, com múltiplas notas biográficas e bibliográficas para compreender melhor a personalidade que agora se evoca.

A acompanhar e a visitar com toda a atenção.

A.A.B.M.

IN MEMORIAM AQUILINO RIBEIRO MACHADO


Por mais desgraçada que seja a nossa situação há limites abaixo dos quais não é possível descer, por razões de solidariedade humana e compassividade, por respeito mínimo para com outros, nas suas horas de maior provação” [A.R.M.]

“Nasceu em Paris, em 1930, durante o exílio forçado da família em França. Forçado porque o pai, o escritor Aquilino Ribeiro, tinha participado numa revolta frustrada contra a ditadura militar três anos antes [revolta de Pinhel] ()

O último apelido de Ribeiro Machado deve-se à mãe, Jerónima Dantas Machado. Do lado materno da família, tinha Bernardino Machado por avô, que foi por duas vezes Presidente da República, em 1915-17 e em 1925-26. Neste segundo mandato, foi deposto pelo Golpe de 28 de Maio de 1926, que acabou com a Primeira República e acabou por resultar no Estado Novo” [in jornal Público]

Foi “educado segundo valores que fizeram dele um exemplo na sua vida cívica e política. Foi deputado na Assembleia da República na I e II legislaturas pelo círculo de Lisboa. Foi maçon, membro da Loja Liberdade e exerceu as funções de Grão-Mestre Adjunto, entre 1988 e 1990, durante o grão-mestrado de Raul Rego. Foi presidente da Câmara de Lisboa entre 1977 e 1980 e a ele se deve o facto de a Rua do Grémio Lusitano ter recuperado este seu nome, que a Ditadura havia feito substituir pela antiga designação de Travessa do Guarda-mor” [via Grande Oriente Lusitano]

Aquilino Ribeiro Machado foi um homem generoso, afectuoso, de grandes virtudes sociais e humanas. Era um cidadão livre, fraterno, desassombrado, de corpo inteiro, firme e coerente nas suas ideias. Um homem de honra. O seu passamento deixa-nos o coração de pesado luto e eterna saudade.

O Almanaque Republicano apresenta à família e amigos os nossos sentidos pêsames. Que descanse em paz e eternamente.

J.M.M.
A.A.B.M.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

MEMORIAL REPUBLICANO (Parte II)

Ainda na apresentação do livro "Memorial Republicano", da autoria de Amadeu Carvalho Homem e Alexandre Ramires, apresentado em Coimbra no passado dia 5 de Outubro de 2012, captamos uma pequena parte da intervenção do Dr. António Arnaut.

Ao cuidado dos interessados.

A.A.B.M.

domingo, 7 de outubro de 2012

APRESENTAÇÃO DO "MEMORIAL REPUBLICANO" EM COIMBRA


Em boa hora assistimos à apresentação da obra Memorial Republicano, da autoria de Amadeu Carvalho Homem (texto) e Alexandre Ramires (imagem).

Num final de tarde solarengo, feriado de 5 de Outubro, que alguns querem que seja o último a comemorar a data da Implantação da República, juntaram-se em Coimbra, no Quartel de Sant'ana, perto de duas centenas de pessoas para assistir à apresentação da obra supra referida. Esta adesão surpreendeu positivamente a organização que tinha previsto realizar a sessão na capela do quartel, mas face à sala cheia como um ovo, deliberou acertadamente transferir a sessão para o átrio do quartel.


Com a presença de muitas caras conhecidas do meio cívico e universitário de Coimbra, vimos, entre outros: Rui Alarcão, Gomes Canotilho, Carlos Esperança, Miguel Pignatelli Queirós, Joaquim Romero Magalhães, José Manuel Portugal, Miguel Dias Santos, Fernando Fava, António Maduro, Rui Lopes, entre muitas outras personalidades mais ou menos anónimas.



No pequeno video que colocamos acima, temos uma pequena parte da intervenção de João Paulo Almeida e Sousa aquando da apresentação da obra. O ilustre clínico escolheu algumas das passagens do livro para as dar a conhecer aos assistentes que ainda não conheciam a obra, elogiou a organização e a selecção de imagens da obra e salientou as várias figuras do movimento republicano que são evocadas: José Falcão, Elias Garcia, Rodrigues de Freitas, Antero de Quental, Berardino Machado, Teófilo Braga, Sebastião de Magalhães Lima, entre outros.

De seguida colocamos, uma fotografia ilustrando a intervenção do Dr. António Arnaut. Foi durante esta intervenção que se verificou uma manifestação clara dos assistentes, salientando alguns dos aspectos mais positivos do Memorial que apresentava e que ele considerou mais um contributo importante para o estudo da República. O advogado, recorrendo à sua experiência de tribuno, apostou na escolha de algumas passagens mais marcantes da obra e procurou estabelecer pontes entre o passado e o presente. Lembrou alguns dos problemas que presentemente atravessamos e comparou-os com os momentos que conduziram à Implantação da República.

Lamentando o final do feriado e criticando a decisão política, António Arnaut conseguiu em algumas das das ideias empolgar por breves momentos a assistência. Salientou alguns dos perigos a que se assiste nos tempos que correm, com acusações aos políticos, pelos políticos e pela opinião pública que só contribuem para descredibilizar todo o sistema político. Terminou a sua intervenção saudando a República.


Os autores, começando por Alexandre Ramires, que salientou a importância do reconhecimento do tratamento da imagem e como através da imagem se podem contar muitas outras histórias. Referiu também  ainda o projecto de mostrar a evolução da cidade de Coimbra, através da fotografia que se foi fazendo na cidade desde meados do século XIX.

Amadeu Carvalho Homem salientou a importância dos ideais da República que estão em permanente actualização: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A Democracia, que está na sequência dos ideais atrás enunciados, está num momento difícil, mas manifestou a sua esperança na renovação da mesma. Os valores universais não se alteram com facilidade. Este autor reforçou a ideia que a presente obra, estava, na sua essência, pronta desde 2010, mas o atraso na publicação acabou por servir para utilizá-la como um símbolo de protesto contra o fim do feriado de 5 de Outubro, sendo pública e reconhecida a sua actividade em prol do estudo do Republicanismo e da causa republicana em Portugal.

Uma apresentação muito concorrida, com muita gente interessada no tema e um livro para ler e analisar com toda a atenção.

A.A.B.M.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

Na imagem, a capa do jornal republicano A Capital, que se publicava em Lisboa na época dos acontecimentos. Este jornal está disponível para consulta na Hemeroteca de Lisboa

A imprensa, neste caso a republicana, assumia um caráter laudatório, anunciando o Governo Provisório e algumas medidas mais urgentes, bem como o relato dos últimos acontecimentos.

A.A.B.M.

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPÚBLICA! NÃO NOS CALARÃO!


"Coexiste comigo muita gente que vive comigo apenas porque dura comigo" [F. Pessoa]

A história, na sua pureza e luminosidade, será sempre esse antiquíssimo cantar (ou viagem) à (re)construção da nossa memória colectiva, que o prumo da narrativa torna gratulatório na sua demanda.

A história da República será sempre esse reencontro, esse espaço simbólico onde o mundo se espelha, onde as nações, os povos e a humanidade estabelecem laços solidários, divisas sacras, “lugares de memória”.

O Almanaque Republicano, álbum (ou itinerário) de uma geração sonhadora, generosa e messiânica, entende que o 5 de Outubro, enquanto ritualização e memoração de factos históricos emblemáticos, marca uma importante função de formação, preservação e reformulação da identidade nacional, solidificando os laços entre os cidadãos e a Pátria.

O Almanaque Republicano, panfleto aberto e frontal da Alma Lusitana, entende que o 5 de Outubro pelo seu processo de legitimação simbólica, pela sua visibilidade e reconhecimento, pela homenagem à identidade e memoração dos homens, factos acontecimentos, inculca “ritos políticos de cidadania” (pela res publica), sendo um importante “lugar da memória” e do nosso eterno devir.

Por isso a intenção da supressão do feriado de 5º de Outubro (ou do 1º Dezembro) é, para nós, um factor e lugar de contra-memória. É um “apagamento da memória” histórica, da nossa identidade cultural.

Por que (ainda) não perdemos o direito de pensarmos, por que somos homens livres e fraternos, dizemos que ... NÃO NOS CALARÃO!

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPÚBLICA!
SAÚDE E FRATERNIDADE!

J.M.M.
A.A.B.M.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

CARBONARISMO EUROPEU NO SÉCULO XIX, POR FRANCISCO CARROMEU

No âmbito das comemorações do 5 de Outubro, realiza-se no próximo dia 8 de Outubro de 2012, pelas 18 horas uma conferência subordinada ao tema O Carbonarismo Europeu no Século XIX, pelo professor Francisco Carromeu.

Mais informações sobre a conferência podem ser obtidos  AQUI.

Esta conferência vai realizar-se na Biblioteca Museu República e Resistência - Espaço Cidade Universitária em parceria com a Associação República e Laicidade.

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS


"Foi (...) em 1907, que um grupo de mulheres instruídas e cultas fundou o 'Grupo Português de Estudos Feministas', com o objectivo de difundir os ideais da emancipação feminina, fundar uma biblioteca e publicar estudos destinados a instruir e a educar a mulher portuguesa, a fim de melhor desempenhar as funções de mãe e educadora da sociedade futura. O 'Grupo', dirigido por Ana de Castro Osório e que agregava intelectuais, médicas, escritoras e, sobretudo, professoras, teve uma existência efémera, mas ainda publicou alguns folhetos que reproduziam discursos, conferências e outros textos de autoria das principais dirigentes, preenchendo assim uma grande lacuna de leituras de teor feminista, acessíveis às mulheres portuguesas.

É em torno deste núcleo que se vai fundar a 'Liga Republicana das Mulheres Portuguesas'. A ideia é lançada em Agosto de 1908 por Ana de Castro Osório e António José de Almeida e apoiada por Bernardino Machado e Magalhães Lima. Este projecto, acarinhado pelo Partido Republicano, vai tomar forma legal em Fevereiro de 1909, constituindo-se numa associação, simultaneamente, política e feminista. Os dirigentes republicanos apoiavam e incentivavam a luta reivindicativa das mulheres pela igualdade de direitos que lhes permitissem uma maior intervenção na vida social, económica e política do país mas também lhes interessava criar mais uma frente de combate à monarquia, sobretudo, por o sexo feminino ser conotado com o obscurantismo religioso e o conservadorismo político.

A 'Liga Republicana das Mulheres Portuguesas', fundada com o objectivo de 'orientar, educar e instruir, nos princípios democráticos, a mulher portuguesa, fazer propaganda cívica, inspirando-se no ideal republicano e democrático e promover a revisão das leis na parte que interessa especialmente à mulher e à criança', será a primeira, a mais duradoura e combativa associação a conciliar a defesa e a difusão dos ideais feministas e republicanos" [ler MAIS AQUI]

J.M.M.