quarta-feira, 17 de outubro de 2012

DAVID MAGNO (Parte II)


Em 1916, durante a tentativa de revolta de Dezembro desse ano, o então capitão David Magno também toma partido. Em 1917, parte para a Flandres, onde veio a desempenhar papel de relevo.


“No dia verdadeiramente primaveril de 21 de Abril de 1917, saiu o 1º  Batalhão do Regimento de Infantaria nº13 da Linda Vila Rial, capital  transmontana, em dois combóios[...] As companhias atravessaram a cidade envoltas em uma multidão que não sabia senão acompanhar-nos ao som de uma música, que não fazia vibrar o sentimento dos soldados nem do povo[...]Alguns soldados, embriagados, para espalharem melhor as paixões, trepavam às carruagens do comboio. Esquecidos dos túneis, chocavam com as entradas dos mesmos e assim morriam estupidamente, sem que a isso aos superiores fosse possível obstar”
(palavras de David Magno)

O nome de David José Gonçalves Magno surge também ligado ao episódio da última condenação à morte de um português por suspeita de deserção e traição no campo de batalha. Neste caso de um soldado, João Augusto Ferreira de Almeida [João Augusto Ferreira de Almeida embarcou para França a 16 de Março de 1917, integrando o contingente do Corpo Expedicionário Português, como soldado condutor, tendo-se tornado tragicamente conhecido como "o fuzilado português". A sua execução teve lugar na manhã de 16 de Setembro de 1917 depois de ter sido julgado e condenado no Tribunal de Guerra pela acusação de tentativa de passagem para o inimigo, sentença que foi objecto de recurso pelo defensor oficioso de Ferreira de Almeida, mas que foi confirmada numa nova audiência ocorrida apenas quatro dias antes do fuzilamento.], que se encontrava no sector de Neuchapelle.

Na noite de 29 de Julho de 1917, o referido soldado abordou vários camaradas de armas, em separado e solicitou que lhe apontassem onde ficavam as trincheiras inimigas, parecendo mesmo disposto a entregar dinheiro a quem lhe fornecesse as indicações pretendidas, ao mesmo tempo mostrava uma arma e mapas do sector. Face a esta situação foi, de forma célere, organizado um julgamento, que se baseou nos testemunhos recolhidos e que teve lugar no dia 15 de Agosto de 1917, em Roquetoise. O tribunal de guerra então organizado era constituído na presidência pelo coronel António Luís Serrão de Carvalho; o promotor de justiça era o Dr. Joaquim Aguiar Pimenta Carneiro; o secretário era o tenente José Rosário Ferreira; o defensor oficioso era o capitão Joaquim Baptista Leone Júnior e o júri era constituído pelo major Joaquim Freire Ruas, capitão Adriano Augusto Pires, capitão David José Gonçalves Magno, alferes Joaquim António Bernardino e alferes Arnaldo Armindo Martins.

O acusado negou ter cometido o crime de que o acusavam e apresentou como atenuante para a sua situação o facto de ter um conhecimento imperfeito do prejuízo que poderia causar.
Foram apresentados os seguintes quesitos no julgamento:
1º- o facto de o arguido, em 29.07, encontrando-se na primeira linha, tentar passar para o inimigo, perguntando a várias praças o caminho, e oferecendo a uma dinheiro para que lhe prestasse essa informação [dado como provado por maioria]
2º- o facto de o arguido querer indicar ao inimigo os locais ocupados pelas tropas portuguesas, constantes de duas cartas itinerárias de que era portador [dado como não provado por unanimidade];
3º- o mau comportamento do réu [provado por unanimidade];
4º- o crime ser cometido em tempo de guerra [provado por unanimidade];
5º- o réu ter cometido o crime com premeditação [provado por maioria];
6º- o crime ter sido cometido, tendo o agente a obrigação especial de o não cometer [provado por maioria];
7º-estar ou não provado o imperfeito conhecimento do mal do crime [provado por maioria].
Dado que o primeiro quesito foi dado como provado e esse bastava para o poder condenar à morte, foi o que acabou por acontecer e o réu deveria ser condenado à morte com exautoração.


O resultado da sentença não foi do agrado da defesa que ainda interpôs recurso, tendo sido realizado novo julgamento em 12 de Setembro de 1917 e na véspera do julgamento o advogado de defesa ainda tentou uma diligência que poderia atrasar o julgamento: solicitou uma avaliação por um médico, para avaliar a sanidade mental do soldado condenado, mas não o requerimento foi indeferido pelo juiz-auditor entretanto nomeado, Dr. José Maria de Magalhães Pais Pinheiro, que elaborou a sentença definitiva em moldes semelhantes à que tinha sido proferida anteriormente. Em resultado disto, João Augusto Ferreira de Almeida acabou por ser executado em 16 de Setembro de 1917, tendo o seu corpo sido sepultado inicialmente no cemitério de Lavantie e mais tarde trasladado para o cemitério de Richebourg, onde ainda se encontra.

Conforme se pode verificar David Magno fazia parte do conjunto de jurados que  condenaram este soldado à pena máxima.
Combateu depois em França, durante a Primeira Guerra Mundial, onde por feitos em combate, foi o primeiro português a ser condecorado com a cruz de guerra e a cruz de Cristo com palma. Foi um dos oficiais presentes em 9 de Abril de 1918, onde foi um dos protagonistas da famosa Batalha de La Lys, como comandante da 3ª Companhia do Regimento de Infantaria 13. Foi um dos protagonistas do combate de Lawe-Les Lobes (Lacouture), enfrentando fortes combates nos dias 9, 10 e 11 de Abril de 1918, ao lado das tropas escocesas da 51ª Divisão. Estes combates provocaram pesadas baixas e a sua acção de comando foi questionada e posta em causa.
Acerca deste combate conseguimos obter o seguinte relato que se segue:

Na madrugada de cinco para seis de Abril, sob constantes bátegas de chuva açoitada por um forte vendaval, o Batalhão de Infantaria 13 desloca-se de Riez Bailleud para Lacouture, ficando em reserva da 5.ª Brigada. Na alvorada do dia seis, a 5.ª Brigada rende a 1.ª no sector de Ferme du Bois, ficando assim escalonada: subsector direito, Infantaria 10; subsector esquerdo, Infantaria 17; apoio, Infantaria 4, com duas companhias na Rue du Bois e as outras duas na Rue des Chavattes; reserva, Infantaria 13, em Lacouture; comando da Brigada em Cense de Raux. Como o sector era totalmente desconhecido, o dia sete foi passado em reconhecimentos.

Pelas 20 horas do dia oito de Abril, inesperadamente e contra toda a expectativa, a 5.ª Brigada informa que o Batalhão 13 seria rendido no dia seguinte por tropas britânicas, notícia confirmada mais tarde, por volta das 22 horas, exactamente quando a artilharia inimiga batia, com rajadas de quatro a cinco minutos de duração e intervaladas de 10 a 15 minutos, todas as posições das nossas baterias e os principais cruzamentos de estrada. O bombardeamento prolongou- se até à uma da madrugada, do dia nove, sempre com extrema violência.

Pelas quatro horas e 15 minutos do dia nove de Abril, os alemães tomam a ofensiva, iniciando a “Operação Georgett” com um intenso bombardeamento de artilharia e de morteiros pesados contra as frentes da 2.ª Divisão portuguesa e da 40.ª Divisão inglesa utilizando granadas explosivas de gás fosgénio e mostarda. O objectivo era neutralizar a artilharia aliada e isolar os comandos das brigadas e batalhões. O bombardeamento prolonga-se até às sete horas, atingindo as primeiras linhas e os acantonamentos à retaguarda, inclusive o do Batalhão 13, em Lacouture. Logo de seguida, o Batalhão perde o contacto telefónico com o comando da Brigada, ficando por sua conta e risco, sem informação sobre o modo como estavam a decorrer os combates.

O comando do Batalhão envia os primeiros agentes de ligação para o comando da Brigada, mas estes não regressaram. O bombardeamento alemão atinge o comando do Batalhão, localizado na Senechal Farm. A situação ficou insustentável, tornando-se o número de feridos extremamente preocupante.

Pelas nove horas e meia, surge o contra-mestre de corneteiros de Infantaria 17, afirmando que os alemães tinham atacado as linhas às oito e meia, que já se tinham apoderado de todo o sistema de defesa das primeiras linhas e aprisionado os Batalhões 17 e 4, encontrando-se já muito próximos daquela posição.

Face a tão preocupantes notícias e sem qualquer contacto com o escalão superior, não recebendo deste quaisquer indicações sobre o que fazer, o comandante do Batalhão resolve actuar por sua própria iniciativa e ordena: à 1.ª e à 2.ª Companhia que ocupem as trincheiras em frente da Senechal Farm, as quais seguem de imediato aos seus destinos; à 3.ª Companhia para se concentrar na Senechal Farm; e à 4.ª Companhia que se constitua como reserva do Batalhão.

A ordem da Brigada para o Batalhão 13 reforçar as primeiras linhas tinha sido efectivamente expedida, mas a ordenança encarregue de a entregar enganou-se no caminho e, em vez de se dirigir a Lacouture, apareceu às dez e meia em Masplaux, no caminho de Locon. A 3.ª Companhia comandada pelo capitão David Magno, cujo acantonamento na Ferme Bourel tinha sido severamente flagelado pela artilharia inimiga, encontrava-se já muito desorganizada, com a maior parte dos seus soldados dispersos pelo campo, quando recebe a ordem para se concentrar na Senechal Farm.

Com o remanescente da Companhia, o capitão Magno segue para Church Road, mas, ao sair do reduto, erra a direcção, dirige-se para Vieille Chapelle e junta-se a um núcleo de forças de Infantaria 14 que, atrás do reduto, ocupavam umas pequenas trincheiras. Mais tarde, retira para o canal de Lawe e reúne-se ao destacamento escocês pertencente ao 6.º Batalhão, dos Seafort Highlanders, da 51.ª Divisão, que defendia aquele canal. Pelas 11 horas, uma parte da 1.ª Companhia que não consegue chegar ao seu destino é aprisionada com todos os seus oficiais. As trincheiras entre a Queen Mary e a King’s George, na 1.ª linha de defesa, encontram-se defendidas pela 2.ª Companhia, uma parte da 3.ª e dois pelotões da 1ª. No reduto de Lacouture, na 2.ª linha de defesa, encontram-se os comandos do Batalhão 13 e 15, com as praças das respectivas formações, e a parte da 4.ª Companhia do Batalhão 13 que não está empenhada no serviço de reabastecimento de munições. As tentativas de obter munições são goradas.

Pelas 11 e meia, aparecem numerosos fugitivos que estabelecem um certo pânico entre os soldados do Batalhão 13, mas consegue-se que contribuam para o esforço de defesa. A situação tinha-se tornado desesperada. Pelas 14 horas, prosseguem os combates sem que o comando do Batalhão consiga obter notícias sobre a situação em que se encontravam as unidades em 1.º escalão e as suas companhias mais avançadas. As ordenanças que se enviavam a colher informações não voltavam.
Eram umas três horas da tarde quando o inimigo, já em grande número, cercava a posição enquanto os nossos soldados apanhavam os últimos cartuchos do fundo da trincheira.

Pelas 15 horas e 30 minutos, surgem novas forças inimigas que, pela direcção seguida, despertam na guarnição de Lacouture a forte suspeita de que as companhias que ocupavam aquelas posições tinham sido vencidas. Em breve, o facto é confirmado pela chegada dos restos da 1.ª Companhia e de outras, que informam da rendição das suas unidades.

Das quatro às sete da manhã, os alemães rompem novo e violento bombardeamento sobre o reduto de Lacouture. A situação torna-se insuportável. Pelas 11 horas, quando os portugueses gastavam os últimos cartuchos, apresenta-se na frente da posição, um maqueiro do Batalhão 13, que fora aprisionado na véspera, comunicando que os alemães intimavam a rendição e mandavam dizer que, em caso de negativa, tudo seria destruído. Os dois majores portugueses e o major inglês reúnem-se para avaliar a situação, chegando à conclusão que era inútil prolongar a resistência, uma vez que a possibilidade de serem reforçados estava perdida.

Resolvem entregar-se, saindo do “block-house” para conferenciar com o inimigo. Passado algum tempo, aparecem o major do Batalhão 15 e o major inglês, ficando reféns o major do Batalhão 13 e o ajudante do Batalhão 15, dando aquele ordens às praças para se desarmarem, rendendo-se ao fim de 30 horas de combate. A 4.ª Companhia tinha-se já rendido após o seu comandante ter sido feito prisioneiro. Por outro lado, o capitão Magno, com as 60 praças do Batalhão 13 e do 15 que tinha conseguido reunir, continua a combater ao lado dos escoceses até ao dia 11, quando lhes é dada ordem de retirada pelo comando inglês, por se ter reconhecido a impossibilidade de sustentar a sua posição por mais tempo.

Dizimado, enfraquecido, e esgotado por um combate longo e intenso, o Batalhão 13 só se entregou quando o adversário já tinha ultrapassado, numa extensão superior a cinco quilómetros, toda a frente de batalha correspondente a Lacouture. Pelejava já o inimigo em Estaires, Lestrem e Lawy, e ainda no reduto de Lacouture se defendia um punhado de portugueses.
O capitão Magno e os soldados que lhe restavam abandonaram a linha de fogo, após terem combatido durante 56 horas. Esta foi a última força a retirar do campo de batalha e a ela pertenceram os últimos mortos portugueses na Flandres.

O desempenho operacional do Batalhão foi reconhecido na imprensa internacional: o “Times”, então um dos jornais mais importantes de Londres, refere-se à acção do Batalhão no dia nove de Abril, afirmando que “...os restos de um batalhão português que defendia Lacouture bateram-se com um valor extraordinário...”; enquanto que o “Telegrame”, a 12 de Abril, afirmava que “...a história um dia falará da heróica resistência dos portugueses que, às 15 horas, ainda se batiam em Lacouture...”, e no seu número de quatro de Maio, referia que “...as companhias deste batalhão (o “13”) que se encontravam em Lacouture, combatiam ainda às três horas da tarde do primeiro dia de batalha...”. Como resultado da sua acção, o Batalhão 13 foi condecorado com a Cruz de Guerra de 1.ª Classe, a qual pende da gloriosíssima bandeira do R.I. 13, assim como do peito de muitos dos seus soldados.
[Consultar texto completo AQUI]

[em continuação]
A.A.B.M.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O JORNALISTA REPUBLICANO ALVES CORREIA. ANTOLOGIA


Foi recentemente apresentado em Vila Real, o número 25, da Colecção Tellus, editado pela Câmara Municipal de Vila Real e pelo Grémio Literário Vila Realense, dedicado ao jornalista republicano António Narciso Rebelo Alves Correia, um trabalho antológico realizado pelo Professor Ernesto Rodrigues.

A figura de Alves Correia, actualmente muito esquecida, foi um dos grandes propagandistas do Partido Republicano ainda durante a Monarquia. Nascido em 25 de Maio de 1861, veio a falecer em Lisboa em 5 de Janeiro de 1900. Sobre ele já tinhamos escrito uma nota biográfica AQUI.
O presente livro, agora publicado, apresenta uma nota biográfica detalhada do jornalista republicano elaborada pelo Professor Ernesto Rodrigues, que ocupam as primeiras páginas da obra. Nelas descobrimos mais alguns traços menos conhecidos deste republicano transmontano: as diferentes actividades que desenvolveu ao longo do tempo, farmacêutico, fotógrafo, conservador das bibliotecas municipais de Lisboa, jornalista e as referências ao espólio que sobre ele fornecem dados que se encontra na Biblioteca Nacional de Portugal.

Na segunda parte deste trabalho é possível encontrar um conjunto (selecção) de artigos publicados por Alves Correia em alguns do órgãos da imprensa onde colaborou. Assim, seleccionaram-se 34 artigos publicados na revista Froebel, no jornal Os Debates, A Vanguarda e O País que foram reproduzidos na íntegra.

Um interessante trabalho, numa área pouco explorada, a antologia, mas que permite conhecer melhor o pensamento e a época em que o autor viveu. São oito dezenas de páginas que se lêem com facilidade e sobretudo permitem conhecer melhor as dificuldades e os problemas dos propagandistas republicanos.

Algumas informações adicionais sobre esta obra podem ser consultadas AQUI.

Uma interessante obra que não podíamos deixar de sugerir aos nossos ledores.

A.A.B.M.


JUDEUS PORTUGUESES NO MUNDO: PENSAMENTO, MEDICINA E CULTURA - COLÓQUIO

Na proxima sexta-feira, 19 de Outubro de 2012, vai realizar-se em Braga, através do Centro de Estudos Lusíadas e do Departamento de Filosofia, do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho, o colóquio Judeus Portugueses no Mundo: Pensamento, Medicina e Cultura.

Este evento, conforme se pode ler na nota de divulgação:

O colóquio procura refletir sobre a grande ciência e o grande pensamento de autores judaico-portugueses. Este é um património cultural riquíssimo que merece ser estudado pelos investigadores. O contributo dos Judeus Portugueses para a história da cultura em Portugal dificilmente pode ser apoucado, dada a sua vastidão. Os aspectos mais infelizes da relação entre os Judeus e Portugal ofuscam muitas vezes este património. Urge estudar e dar a conhecer às novas gerações de universitários portugueses muitos autores cuja obra continua a influenciar e a inspirar o que fazemos em Medicina, em Filosofia e em muitas outras áreas da Cultura.

Os responsáveis científicos pelo colóquio são Virgínia Soares Pereira e Manuel Curado. Este colóquio vai ter lugar no auditório B1 (Complexo Pedagógico II), no campus de Gualtar, em Braga. Para os interessados em obter certificado de presença devem solicitar com antecedência aos responsáveis da organização através dos emails: virginia@ilch.uminho.pt,curado.manuel@gmail.com.

Entre os palestrantes encontramos Jesué Pinharanda Gomes, António Andrade, Joshua Ruah,  Jorge Martins, Paulo Archer de Carvalho, José Eduardo Franco, entre outros.

O programa detalhado do colóquio pode ser consultado AQUI.

A.A.B.M.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

DAVID MAGNO (Parte I)


Com o nome completo de David José Gonçalves Magno, nasceu em Lamego, a 17 de Agosto de 1877 e morreu em Lisboa a 30 de Setembro de 1957, aquele que viria a ser um militar, publicista e arqueólogo com algum prestígio. Foi também autor de vários livros de carácter memorialístico, sendo um deles dedicado à sua participação na I Guerra Mundial.

Seguiu a carreira militar, sendo promovido a alferes em 22 de Dezembro de 1906. Começou por se distinguir em Angola, em 1909 e 1910, ao conseguir avançar para o interior e impor a presença portuguesa na região dos Dembos Orientais. A partir de 15 de Fevereiro de 1909, uma coluna contando 133 soldados e comandada pelos alferes David Magno e António Margão avançou durante vários dias nos territórios do Golungo Alto. A 27 de Setembro de 1909, toma a aldeia do Caculo-Caenda. Porém, a instabilidade era grande e os Dembos voltam a revoltar-se e o comandante militar de Lombige, alferes David Magno, tentou ainda pacificamente resolver a situação. Não conseguindo obter sucesso na sua missão, instala uma fortificação em plena capital do Caculo-Caenda, denominada “Forte de Santo António”, construído já em 1910, tudo indica que em 22 de Fevereiro.  Mas a presença continuava a ser rejeitada pelos habitantes da região e Henrique Mitchell de Paiva Couceiro chegou a pensar na organização de uma grande expedição militar para dominar a região, mas a falta de meios e de apoios vindos de Lisboa, acabaram por nunca permitir a sua concretização.

Nos relatos que existem sobre a actividade de David Magno nos territórios angolanos, deixam-nos algumas pistas sobre esta personalidade. René Pélissier afirma sobre Magno “um oficial de vaidade dificilmente suportável mas extremamente temível, visto que preferia a diplomacia às balas”. A sua estratégia para se aproximar de D. Domingos Miguel Sebastião, líder dos Dembos na região de Caculo-Caenda, passou por fingir que salvava a vida de um dos filhos do soba, depois procurou criar atritos entre os Dembos para lançar uns contra os outros, por fim, e apenas com 21 soldados europeus e 23 soldados landins, conseguiu entrar na aldeia de Caculo Caenda e convenceu-o de que aqueles soldados eram somente exploradores de uma grande coluna de soldados que se dirigiam para a região. Durante cinco meses viveu quase isolado do resto do resto do mundo, mas desenvolveu uma acção de colonização semelhante à que era levada a efeito pelos franceses: abriu uma escola e instalou uma casa comercial. A intenção de David Magno era, ficar com a glória de ter sido ele a ter pacificado a região dos Dembos.

Substituído em 1910 e 1911, regressa em 1912, quando a situação começava a degradar-se novamente para os portugueses.
Mas este forte estava numa posição de risco, então em 1913, o forte é cercado e o então governador geral de Angola, Norton de Matos enviou uma expedição de socorro comandada pelo capitão de artilharia Maia Pinto, contando também com a participação de David Magno. Nessa altura travaram-se combates em Quidange e Quingola, estabelecendo-se três novos postos nas terras do chefe dos Dembos, em Caculo-Caenda. Nessa altura, o então tenente David Magno toma parte como adjunto do comando nas operações que vão ter lugar na região, em particular nos combates de Quingola, em 3 de Agosto de 1913.

[em continuação]

A.A.B.M.

MAÇONARIA E CATOLICISMO: CONFERÊNCIA

Na próxima sexta-feira, 19 de Outubro de 2012, pelas 21.30h, no Museu Bernardino Machado, em Famalicão, realiza-se outra conferência do ciclo que tem vindo a decorrer ao longo deste ano dedicado ao tema: A Maçonaria em Portugal do século XVIII ao XXI.

O conferencista convidado é Arnaldo Pinho e vai apresentar uma comunicação intitulada Maçonaria e Catolicismo.


Arnaldo Pinho, padre, é Doutorado pela Universidade Pontifícia de Salamanca, sendo actualmente Professor Catedrático da Faculdade de Teologia da Universidade Católica do Porto. Integra o Centro de Estudos do Pensamento Português. O seu vasto curriculum conta com numerosas publicações  de livros e artigos,  e participação em vários congressos e colóquios tanto em Portugal como no estrangeiro.

Tem artigos publicados nas seguintes revistas Communio, Humanistica e Teologia, Diálogo Ecumenico (Salamanca), Nova Renascença
Entre as suas obras destacam-se: Desmitologização ou Interpretação, O que é a Teologia, Uma Cristologia para a identidade cristã na Modernidade; O Pensamento cristológico de D. António Ferreira Gomes; D. António Ferreira Gomes, Antologia do seu Pensamento (três volumes), selecção e notas, introdução ao II Vol.; Fé/Cultura, dois volumes (1987/92); Cultura da Modernidade e Nova Evangelização (Porto, 1991); Leonardo Coimbra, Filosofia e Teologia, (1998). Tem ainda uma biografia de D. António Ferreira Gomes, intitulada Crónica de um amor à verdade.


A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

SEMINÁRIO INTERNACIONAL - "ANARQUISMO. HISTÓRIA: TEORIA E POLÍTICA"


SEMINÁRIO INTERNACIONAL: "ANARQUISMO: HISTÓRIA, TEORIA E POLÍTICA"

DIA: 13 de Outubro de 2012;
LOCAL: FCSH - Edifício ID - Sala Mutiusos 3;
ORGANIZAÇÃO:  Instituto de História Contemporânea (IHC).

Comissão Organizadora: Cláudia Figueiredo, Diogo Duarte,  João Madeira e José Neves.

"É sabido que nos últimos anos se verificou internacionalmente um crescimento do interesse por ideias e práticas anarquistas. Paralelamente os estudos sobre anarquismo têm merecido atenção renovada em alguns contextos académicos. Todavia, em Portugal, apesar da significativa presença histórica do anarquismo no país, a produção científica sobre o tema é ainda escassa. Com o presente seminário pretendemos ajudar a contrariar esta tendência, reunindo trabalhos de diferentes áreas disciplinares que tratam a história do anarquismo tanto em Portugal como além do caso histórico português” [ler AQUI]


J.M.M.

INTRODUÇÃO À MAÇONARIA (7ª ED.) - ANTÓNIO ARNAUT


LIVRO: Introdução à Maçonaria (7ª ed.);
AUTOR: António Arnaut;
EDITORA: Coimbra Editora, Outubro 2012.

LANÇAMENTO: 13 de Outubro (16 horas) na Casa da Cultura de Coimbra (R. Pedro Monteiro);
APRESENTAÇÃO/CONFERÊNCIA  pelo Prof. José Adelino Maltez, "No princípio estão os Princípios";
ORGANIZAÇÃO: C. M. Coimbra e Coimbra Editora

"Este livro não é mais do que pretende: uma simples introdução ao conhecimento da Maçonaria. Destina-se, primacialmente, àqueles que por apetência intelectual ou mera curiosidade desejam apreender o essencial da sua história, doutrina e objectivos.

De facto, a Ordem Maçónica continua envolta na névoa do mistério e na verrina da maledicência. Há no inconsciente colectivo um lastro de veniaga deixado pelos verdugos da Inquisição e dos regimes totalitários que, de quando em vez, ainda aflore no espírito dos incautos."

in "Introdução à Maçonaria", 6ª ed., Coimbra Editora, 2009 [a 1ª ed. data de Janeiro de 1996, pela Fora de Texto]

J.M.M.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

PRIMEIRA REPÚBLICA EM FAFE - ELEMENTOS PARA A SUA HISTÓRIA

Amanhã, sexta-feira (12 de Outubro), pelas 21h30 h, no Salão Nobre do Teatro – Cinema de Fafe, conjuntamente com os investigadores Artur Ferreira Coimbra e Artur Magalhães Leite, vamos lançar o livro A PRIMEIRA REPÚBLICA EM FAFE – Elementos para a sua história, que será apresentado pela historiadora Maria Alice Samara, que assina o prefácio. Sendo uma edição do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, em que cada um dos três investigadores analisa e reflecte sobre este período estruturante na História Contemporânea do concelho de Fafe.

A entrada é livre.

São autores desta obra os historiadores fafenses Artur Ferreira Coimbra, Daniel Bastos e Artur Magalhães Leite.
A obra tem prefácio de Maria Alice Samara, investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que estará presente na sessão de lançamento.

A edição é do Núcleo de Artes e Letras de Fafe e conta com o apoio do Município de Fafe e da Junta de Freguesia de Fafe. A obra surge como resultado da realização do Curso Livre de História Local, sob o tema “O concelho de Fafe durante a Primeira República (1910-1926)”, promovido pelo Núcleo de Artes e Letras de Fafe, há dois anos, no âmbito das celebrações do Centenário da República.

A acção decorreu entre 07 de Outubro e 18 de Novembro de 2010 e teve como propósito proporcionar ao público em geral um melhor conhecimento sobre um período histórico fundamental na afirmação e desenvolvimento do concelho de Fafe. Durante sete semanas, mais de meia centena de pessoas acompanhou as sessões.

A obra assume como ponto de partida a matéria apresentada ao longo daquele curso, naturalmente mais organizada, aprofundada e dotada de uma coerência que a oralidade não permite, acrescentada com dois ou três temas que enriquecem e diversificam o conteúdo.

Começando com a contextualização do período histórico de 1910 a 1926, são abordados os temas As raízes republicanas no concelho de Fafe, Fafe em 1910 - Breve retrato, A Proclamação da República em Fafe, Momentos e legado da I República em Fafe, O governo local (1910-1926), A contra-revolução monárquica em Fafe 1911-1919 (Das incursões couceiristas à Monarquia do Norte), O concelho de Fafe durante a I Grande Guerra Mundial, As mulheres da I República em Fafe, Ensino e escolas na I República, O associativismo na I República, O jornalismo na I República, Figuras referenciais da I República em Fafe, As ruas da República e Imagens da I República em Fafe.

Não pretendendo esgotar a história daqueles tempos, já que muito fica ainda por dizer, ficam as linhas gerais do impacto que teve aquele fracturante período histórico do Portugal Contemporâneo neste município minhoto, numa investigação que teve como socorro privilegiado o fundo do Arquivo Municipal e a imprensa periódica local.

Fafe era um município essencialmente rural, com uma economia baseada na agricultura e na pecuária, com alguma indústria, com grande número de gente analfabeta e temente a Deus, como por todo o Norte. Um concelho em tudo idêntico a tantos onde a República custou a entrar e onde a reacção monárquica encontrou terreno fértil e fácil, sobretudo por influência do clero, como se demonstra pelas incursões de Paiva Couceiro e pelas reacções à curta Monarquia do Norte, em Janeiro/Fevereiro de 1919.

De resto, ficaram algumas “marcas” deste período, na arquitectura e no urbanismo da cidade, na produção da energia eléctrica para abastecimento público, com a construção de uma das primeiras centrais hídricas da região (1914), na dinâmica cultural, com a edificação do mítico Teatro-Cinema de Fafe (1923), no associativismo, no jornalismo e em outras áreas, como se verifica nas páginas da obra.


A presente notícia, com a devida vénia, foi retirada DAQUI.

A.A.B.M.

INAUGURAÇÃO DO MUSEU DA REPÚBLICA E DA MAÇONARIA


INAUGURAÇÃO DO MUSEU DA REPÚBLICA E DA MAÇONARIA - DIA 13 OUTUBRO 2012

PROGRAMA:

10.30 H: Sessão solene com a presença do Sap:. Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano, Prof. Fernando Lima;
11.00 H: Visita guiada ao espaço museológico;
11.30 H: Palestra sobre a "Simbologia Maçónica", pelo Dr. António Lopes;
12.00 H: Ágape fraterno.

LOCAL: VILLA ISAURA – Turismo no espaço rural, Troviscais Cimeiros, 3270–154, Pedrogão Grande: Solicita-se confirmação através do Telem. 919856297 ou pelo e-mail: geral@avillaisaura.com

[via Aires Barata Henriques Facebook]

"… O MUSEU DA REPÚBLICA E DA MAÇONARIA, onde se acentua o simbolismo da sua própria fachada em alvenaria de xisto, ergue-se numa pequena aldeia do interior beirão, em Troviscais Cimeiros, no concelho de Pedrógão Grande, no âmbito de um projecto de alojamento turístico e cultural que dá pelo nome de VILLA ISAURA / SOLAR DO POVO RATINHO.
O Museu em questão é composto por três acervos principais: o primeiro, relativo às personalidades que estão na origem da República portuguesa, assim como por objectos de uso corrente e outros relacionados com momentos politicamente mais relevantes, cartazes, fotografias e postais ilustrados, etc.; o segundo acervo evidencia objectos de cerimonial maçónico, como escapulários e aventais dos vários graus, canhões em vidro e pratos em faiança utilizados nos ágapes de confraternização, espadas rituais, diplomas e credenciais de várias Lojas,  etc.; o terceiro acervo aborda o regime do Estado Novo, sublinhando-se sobremodo a ideia de poupança, a par de um breve enfoque nos períodos da  2ª Grande Guerra e da Guerra Civil de Espanha, com uma mostra de figuras alusivas aos políticos da época (Churchill, Hitler, etc.) produzidas nas principais fábricas de cerâmica nacionais (Caldas da Rainha, Sacavém e Coimbra) …" 
 [extracto de um (antigo) texto de Aires B. Henriques, que reproduzimos com a devida vénia – sublinhados nossos]

J.M.M.

CADERNOS DO ARQUIVO HISTÓRICO DE LOULÉ, Nº7


Recebemos a seguinte informação que divulgamos junto de todos os interessados na História Local, em especial sobre Loulé, para o lançamento do número sete dos Cadernos do Arquivo desta cidade, subordinado ao tema "História Económica e Social de Loulé", tendo por autor João Miguel Simões.

Pode ler-se na nota de divulgação do evento, que vai realizar-se no próximo dia 13 de Outubro de 2012, pelas 15 horas, nas instalações do Arquivo Municipal de Loulé, dirigido por Luísa Martins: 

 “A cidade de Loulé apresenta hoje uma variedade urbanística e arquitetónica que, à primeira vista, poderia classificar-se de caótica. Porém, como iremos observar ao longo deste estudo, esta complexidade singular revelava a riqueza da história da cidade e, principalmente, dos seus habitantes.
O presente texto pretenderá, por isso, relatar a história de Loulé, a nível social, económico e político, com vista a entender a cidade enquanto objeto urbano e arquitetónico subsidiário desta dinâmica humana.

Como iremos observar, a complexidade de Loulé resulta de diferentes conjunturas sócio económicas que modelaram a cidade tendo em conta os seus interesses. Ao longo dos séculos, cada geração concebeu as suas habitações e arruamentos e, por consequência, a própria cidade, tendo em conta dos seus interesses, perspetivas e esperanças, individuais ou coletivos, financeiros ou ideológicos, resultando hoje Loulé num universo arquitetónico complexo que reflete múltiplas opções e ideias.

Não será nossa metodologia entender as épocas antigas como ‘áureas’ ou ‘legítimas’, por oposição à atual, normalmente considerada ‘intrusa’, de má qualidade e ‘descaracterizadora’ de um passado arquitetónico que por ser antigo é necessariamente bom. As gerações de louletanos alteraram o seu património tendo em conta os seus objetivos, os seus anseios e as suas perspetivas de futuro. Cabe a nós, historiadores, entender porque se procedeu a tais alterações e levar esse entendimento a todos os que operam no património construído, sejam profissionais, autarcas ou população em geral.”

O autor, João Miguel Simões é licenciado em História, variante em História de Arte e Mestre em Arte Patrimonial e Restauro pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Trabalhou no Gabinete Técnico Local da Câmara Municipal de Borba e para várias instituições públicas e privadas, sempre na área da Investigação; História Local e História da Arte. Atualmente é colaborador do Museu de São Roque. Sobre o Algarve, produziu os livros dedicados ao Convento da Graça de Loulé, à Igreja de Nossa Senhora da Assunção da Mexilhoeira Grande, à Igreja de Santiago de Estômbar e História da Mexilhoeira Grande.

Com os votos do maior sucesso para o evento.

A.A.B.M.

JOSÉ RIBEIRO DOS SANTOS: HOMENAGEM

Vai realizar-se amanhã, 12 de Outubro de 2012, o quadragésimo aniversário em que foi assassinado o então jovem estudante de Direito em Lisboa, José Ribeiro dos Santos, pela polícia política do Estado Novo.

Assinalando a data, a Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa, vai realizar uma homenagem a Ribeiro dos Santos, cujo programa programa se apresenta acima.

Inauguração de uma placa toponímica numa calçada com o seu nome, contando com a presença do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa e do Reitor da Universidade de Lisboa, António Sampaio da Nóvoa. Segue-se depois a deposição de uma coroa de flores junto da campa de Ribeiro dos Santos.

No próximo dia 17 de Outubro realiza-se a inauguração de uma exposição, conferências e lançamento da segunda edição do livro sobre José Ribeiro dos Santos, organizada por Ivo Pêgo.

Entre os conferencistas contam-se: António Monteiro Cardoso, Irene Pimentel, José Manuel Cordeiro, Miguel Cardina. Na sessão de homenagem conta-se com a participação Aurora Rodrigues, José Lamego, Maria José Morgado e Teresa Serra, entre outros que certamente também participarão na sessão.

A.A.B.M.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

NOVAS CARTAS PORTUGUESAS - 2ª LEITURA COLECTIVA


EVENTO: 2ª Leitura Colectiva NOVAS CARTAS PORTUGUESAS [40º Aniversário];
LOCAL: Centro de Cultura e Intervenção Feminista (Rua da Cozinha Económica, Bloco D, 30-M e N, Alcântara, Lisboa;
DATA: de 25 de Outubro 2012 (18,30 horas);
ORGANIZAÇÃO: CESNOVA / Faces de Eva (colaboração UMAR).

► "… Desde o princípio tiveram os homens de se julgar semideuses caídos de sua graça por obra da mulher; e logo depois tiveram que se inventar redimidos através do ventre de nova mãe, essa santa, essa capaz de conhecer Deus no seu ventre e de no seu ventre incarnar o deus salvador, depois chamado o filho do homem – que ironia rebuscada – na sua vida e nos seus actos exemplares. Porque o homem vai fazendo o mundo e cavando o seu túmulo, e vai chamando a mulher, então dizendo-lhe ‘mãe’, para que esta lhe nomeie o mal e o bem, e lho signifique, e tome em si o absurdo insuportável da ordem das coisas, e vai o homem fazendo o mundo sobre o ventre acolhedor e produtor da mulher, então dizendo-lhe ‘coisa de mim’, e posto na mulher o mal e o bem e o absurdo insuportável da ordem das coisas é então justo que seja ela a primeira vítima, ela a culpada até ao momento em que finalmente o homem chama a mulher, dizendo-lhe ‘mulher’, e repara que está vazio o lugar da seu lado …"
in Novas Cartas Portuguesas, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa.
J.M.M.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

FERRAMENTAS PARA A CIDADANIA: CICLO DE CONFERÊNCIAS

Ao longo deste mês de Outubro, na Biblioteca Museu República e Resistência - espaço Grandela, vai realizar-se um ciclo de três conferências subordinadas ao tema: Ferramentas para a Cidadania, conforme se pode confirmar consultando o cartaz acima.

O ciclo prolonga-se até Março de 2013, mas este mês é dedicado à temática da República. Para discutir e apresentar as suas ideias sobre esta temática forma convidados Amadeu Carvalho Homem, Domingos Abrantes e António Ventura.

As conferências decorrerão às quintas-feiras, pelas 18.30 h.

Uma organização do Círculo de Intervenção Cultural, que muito se saúda e para a qual chamamos a melhor atenção dos nossos ledores.

A esta iniciativa desejamos os maiores sucessos.

A.A.B.M.

BERNARDO MARQUES: EVOCAÇÃO NA HEMEROTECA DE LISBOA

Na Hemeroteca Municipal de Lisboa está a decorrer uma evocação do pintor e ilustrador, Bernardo Loureiro Marques (Silves, 21-11-1898- Lisboa, 28-09-1962).

Dessa evocação consta uma mostra expositiva de bibliografia, conferências e disponibilização de conteúdos digitais sobre Bernardo Marques na Hemeroteca Digital.


Sobre a actividade e percurso do artista consultar algumas notas AQUI e AQUI, com múltiplas notas biográficas e bibliográficas para compreender melhor a personalidade que agora se evoca.

A acompanhar e a visitar com toda a atenção.

A.A.B.M.

IN MEMORIAM AQUILINO RIBEIRO MACHADO


Por mais desgraçada que seja a nossa situação há limites abaixo dos quais não é possível descer, por razões de solidariedade humana e compassividade, por respeito mínimo para com outros, nas suas horas de maior provação” [A.R.M.]

“Nasceu em Paris, em 1930, durante o exílio forçado da família em França. Forçado porque o pai, o escritor Aquilino Ribeiro, tinha participado numa revolta frustrada contra a ditadura militar três anos antes [revolta de Pinhel] ()

O último apelido de Ribeiro Machado deve-se à mãe, Jerónima Dantas Machado. Do lado materno da família, tinha Bernardino Machado por avô, que foi por duas vezes Presidente da República, em 1915-17 e em 1925-26. Neste segundo mandato, foi deposto pelo Golpe de 28 de Maio de 1926, que acabou com a Primeira República e acabou por resultar no Estado Novo” [in jornal Público]

Foi “educado segundo valores que fizeram dele um exemplo na sua vida cívica e política. Foi deputado na Assembleia da República na I e II legislaturas pelo círculo de Lisboa. Foi maçon, membro da Loja Liberdade e exerceu as funções de Grão-Mestre Adjunto, entre 1988 e 1990, durante o grão-mestrado de Raul Rego. Foi presidente da Câmara de Lisboa entre 1977 e 1980 e a ele se deve o facto de a Rua do Grémio Lusitano ter recuperado este seu nome, que a Ditadura havia feito substituir pela antiga designação de Travessa do Guarda-mor” [via Grande Oriente Lusitano]

Aquilino Ribeiro Machado foi um homem generoso, afectuoso, de grandes virtudes sociais e humanas. Era um cidadão livre, fraterno, desassombrado, de corpo inteiro, firme e coerente nas suas ideias. Um homem de honra. O seu passamento deixa-nos o coração de pesado luto e eterna saudade.

O Almanaque Republicano apresenta à família e amigos os nossos sentidos pêsames. Que descanse em paz e eternamente.

J.M.M.
A.A.B.M.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

MEMORIAL REPUBLICANO (Parte II)

Ainda na apresentação do livro "Memorial Republicano", da autoria de Amadeu Carvalho Homem e Alexandre Ramires, apresentado em Coimbra no passado dia 5 de Outubro de 2012, captamos uma pequena parte da intervenção do Dr. António Arnaut.

Ao cuidado dos interessados.

A.A.B.M.

domingo, 7 de outubro de 2012

APRESENTAÇÃO DO "MEMORIAL REPUBLICANO" EM COIMBRA


Em boa hora assistimos à apresentação da obra Memorial Republicano, da autoria de Amadeu Carvalho Homem (texto) e Alexandre Ramires (imagem).

Num final de tarde solarengo, feriado de 5 de Outubro, que alguns querem que seja o último a comemorar a data da Implantação da República, juntaram-se em Coimbra, no Quartel de Sant'ana, perto de duas centenas de pessoas para assistir à apresentação da obra supra referida. Esta adesão surpreendeu positivamente a organização que tinha previsto realizar a sessão na capela do quartel, mas face à sala cheia como um ovo, deliberou acertadamente transferir a sessão para o átrio do quartel.


Com a presença de muitas caras conhecidas do meio cívico e universitário de Coimbra, vimos, entre outros: Rui Alarcão, Gomes Canotilho, Carlos Esperança, Miguel Pignatelli Queirós, Joaquim Romero Magalhães, José Manuel Portugal, Miguel Dias Santos, Fernando Fava, António Maduro, Rui Lopes, entre muitas outras personalidades mais ou menos anónimas.



No pequeno video que colocamos acima, temos uma pequena parte da intervenção de João Paulo Almeida e Sousa aquando da apresentação da obra. O ilustre clínico escolheu algumas das passagens do livro para as dar a conhecer aos assistentes que ainda não conheciam a obra, elogiou a organização e a selecção de imagens da obra e salientou as várias figuras do movimento republicano que são evocadas: José Falcão, Elias Garcia, Rodrigues de Freitas, Antero de Quental, Berardino Machado, Teófilo Braga, Sebastião de Magalhães Lima, entre outros.

De seguida colocamos, uma fotografia ilustrando a intervenção do Dr. António Arnaut. Foi durante esta intervenção que se verificou uma manifestação clara dos assistentes, salientando alguns dos aspectos mais positivos do Memorial que apresentava e que ele considerou mais um contributo importante para o estudo da República. O advogado, recorrendo à sua experiência de tribuno, apostou na escolha de algumas passagens mais marcantes da obra e procurou estabelecer pontes entre o passado e o presente. Lembrou alguns dos problemas que presentemente atravessamos e comparou-os com os momentos que conduziram à Implantação da República.

Lamentando o final do feriado e criticando a decisão política, António Arnaut conseguiu em algumas das das ideias empolgar por breves momentos a assistência. Salientou alguns dos perigos a que se assiste nos tempos que correm, com acusações aos políticos, pelos políticos e pela opinião pública que só contribuem para descredibilizar todo o sistema político. Terminou a sua intervenção saudando a República.


Os autores, começando por Alexandre Ramires, que salientou a importância do reconhecimento do tratamento da imagem e como através da imagem se podem contar muitas outras histórias. Referiu também  ainda o projecto de mostrar a evolução da cidade de Coimbra, através da fotografia que se foi fazendo na cidade desde meados do século XIX.

Amadeu Carvalho Homem salientou a importância dos ideais da República que estão em permanente actualização: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A Democracia, que está na sequência dos ideais atrás enunciados, está num momento difícil, mas manifestou a sua esperança na renovação da mesma. Os valores universais não se alteram com facilidade. Este autor reforçou a ideia que a presente obra, estava, na sua essência, pronta desde 2010, mas o atraso na publicação acabou por servir para utilizá-la como um símbolo de protesto contra o fim do feriado de 5 de Outubro, sendo pública e reconhecida a sua actividade em prol do estudo do Republicanismo e da causa republicana em Portugal.

Uma apresentação muito concorrida, com muita gente interessada no tema e um livro para ler e analisar com toda a atenção.

A.A.B.M.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA

Na imagem, a capa do jornal republicano A Capital, que se publicava em Lisboa na época dos acontecimentos. Este jornal está disponível para consulta na Hemeroteca de Lisboa

A imprensa, neste caso a republicana, assumia um caráter laudatório, anunciando o Governo Provisório e algumas medidas mais urgentes, bem como o relato dos últimos acontecimentos.

A.A.B.M.

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPÚBLICA! NÃO NOS CALARÃO!


"Coexiste comigo muita gente que vive comigo apenas porque dura comigo" [F. Pessoa]

A história, na sua pureza e luminosidade, será sempre esse antiquíssimo cantar (ou viagem) à (re)construção da nossa memória colectiva, que o prumo da narrativa torna gratulatório na sua demanda.

A história da República será sempre esse reencontro, esse espaço simbólico onde o mundo se espelha, onde as nações, os povos e a humanidade estabelecem laços solidários, divisas sacras, “lugares de memória”.

O Almanaque Republicano, álbum (ou itinerário) de uma geração sonhadora, generosa e messiânica, entende que o 5 de Outubro, enquanto ritualização e memoração de factos históricos emblemáticos, marca uma importante função de formação, preservação e reformulação da identidade nacional, solidificando os laços entre os cidadãos e a Pátria.

O Almanaque Republicano, panfleto aberto e frontal da Alma Lusitana, entende que o 5 de Outubro pelo seu processo de legitimação simbólica, pela sua visibilidade e reconhecimento, pela homenagem à identidade e memoração dos homens, factos acontecimentos, inculca “ritos políticos de cidadania” (pela res publica), sendo um importante “lugar da memória” e do nosso eterno devir.

Por isso a intenção da supressão do feriado de 5º de Outubro (ou do 1º Dezembro) é, para nós, um factor e lugar de contra-memória. É um “apagamento da memória” histórica, da nossa identidade cultural.

Por que (ainda) não perdemos o direito de pensarmos, por que somos homens livres e fraternos, dizemos que ... NÃO NOS CALARÃO!

VIVA O 5 DE OUTUBRO! VIVA A REPÚBLICA!
SAÚDE E FRATERNIDADE!

J.M.M.
A.A.B.M.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

CARBONARISMO EUROPEU NO SÉCULO XIX, POR FRANCISCO CARROMEU

No âmbito das comemorações do 5 de Outubro, realiza-se no próximo dia 8 de Outubro de 2012, pelas 18 horas uma conferência subordinada ao tema O Carbonarismo Europeu no Século XIX, pelo professor Francisco Carromeu.

Mais informações sobre a conferência podem ser obtidos  AQUI.

Esta conferência vai realizar-se na Biblioteca Museu República e Resistência - Espaço Cidade Universitária em parceria com a Associação República e Laicidade.

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS


"Foi (...) em 1907, que um grupo de mulheres instruídas e cultas fundou o 'Grupo Português de Estudos Feministas', com o objectivo de difundir os ideais da emancipação feminina, fundar uma biblioteca e publicar estudos destinados a instruir e a educar a mulher portuguesa, a fim de melhor desempenhar as funções de mãe e educadora da sociedade futura. O 'Grupo', dirigido por Ana de Castro Osório e que agregava intelectuais, médicas, escritoras e, sobretudo, professoras, teve uma existência efémera, mas ainda publicou alguns folhetos que reproduziam discursos, conferências e outros textos de autoria das principais dirigentes, preenchendo assim uma grande lacuna de leituras de teor feminista, acessíveis às mulheres portuguesas.

É em torno deste núcleo que se vai fundar a 'Liga Republicana das Mulheres Portuguesas'. A ideia é lançada em Agosto de 1908 por Ana de Castro Osório e António José de Almeida e apoiada por Bernardino Machado e Magalhães Lima. Este projecto, acarinhado pelo Partido Republicano, vai tomar forma legal em Fevereiro de 1909, constituindo-se numa associação, simultaneamente, política e feminista. Os dirigentes republicanos apoiavam e incentivavam a luta reivindicativa das mulheres pela igualdade de direitos que lhes permitissem uma maior intervenção na vida social, económica e política do país mas também lhes interessava criar mais uma frente de combate à monarquia, sobretudo, por o sexo feminino ser conotado com o obscurantismo religioso e o conservadorismo político.

A 'Liga Republicana das Mulheres Portuguesas', fundada com o objectivo de 'orientar, educar e instruir, nos princípios democráticos, a mulher portuguesa, fazer propaganda cívica, inspirando-se no ideal republicano e democrático e promover a revisão das leis na parte que interessa especialmente à mulher e à criança', será a primeira, a mais duradoura e combativa associação a conciliar a defesa e a difusão dos ideais feministas e republicanos" [ler MAIS AQUI]

J.M.M.

FARO E A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA



Foi inaugurada hoje, 4 de Outubro de 2012, em Faro, uma exposição subordinada ao tema "Faro e a República".

A exposição conta com um conjunto de documentos, jornais e fundos documentais do Arquivo Histórico Municipal de Faro e procura mostrar como foi recebida a notícia da Implantação da República na cidade de Faro.

Esta exposição documental foi organizada pelos serviços de Arquivo e de Extensão Cultural da Divisão de Bibliotecas e Arquivos.


As informações sobre o evento podem ser encontradas AQUI.

Uma exposição a visitar nos Paços do Município em Faro entre 4 e 31 de Outubro.

A.A.B.M.


GLÓRIA AOS COMBATENTES DE OUTUBRO - VIVA A REPÚBLICA!


in O INTRANSIGENTE, Ano I, nº 324, de 5 de Outubro de 1911

J.M.M.

CARDEAL SARAIVA

O jornal Cardeal Saraiva encontra-se agora disponível online, através do Arquivo Municipal de Ponte de Lima AQUI.


O jornal Cardeal Saraiva é um jornal semanário que se edita em Ponte de Lima ininterruptamente desde 15 de Fevereiro de 1910, tendo como fundadores António Ferreira, Juiz Desembargador, natural de Ponte de Lima, Plágio dos Reys Lemos e Avelino Guimarães.

Até 2 de Novembro de 1911 foi impresso na extinta Tipografia Confiança, então sita na Rua do Arrabalde nº 97. A redacção e a administração do jornal situavam-se no fundo do bairro do Pinheiro, defronte do Cruzeiro de Merim, ou do Sr. da Paz, no prédio onde residia o seu director, António José de Oliveira, professor oficial primário em Ponte de Lima.

Em 1912 era impresso na Typographia Modelo, em Viana do Castelo e em 25 de Setembro de 1913 voltou a ser composto e impresso em Ponte de Lima, mais concretamente na tipografia do seu administrador, editor e director Avelino Guimarães - Tipografia Guimarães. Desde então, o Jornal Cardeal Saraiva, que se mantêm na mesma família, continua a publicar-se semanalmente. É o jornal mais antigo que se publica no concelho de Ponte de Lima.
Âmbito e conteúdo
Título: Cardeal Saraiva (1910-1939)

Responsabilidade: director António José de Oliveira (1910-1913); director Avelino Guimarães (1910-1939); Administrador e editor Avelino Guimarães (1910-1939)

Publicação: Ponte de Lima: Typ. Confiança, 1910; Ponte de Lima: Typ. Modelo, 1912?-1913; Ponte de Lima: Typ. Guimarães, 1913-1939

Periodicidade: semanário
Um jornal local, com uma história longa e que pode ser consultado, ainda que incompleto, pelos interessados pela História Local de Ponte de Lima.

Uma iniciativa que saúda.

A.A.B.M.

SALVÉ REPÚBLICA!


in "A FORMIGA. Pela Verdade! Pela Liberdade! Pela República!"

Ano I, nº 1 (14 Março 1915) ao Ano II, nº 43 (13 Fevereiro 1916), Évora; Propr: Empresa A Formiga; Adm: José d’Oliveira; Director/Editor: José Palminha Lança & Manoel dos Santos; Adm/Redacção: Largo do Colégio, 15, Évora; Impresso na  Minerva Comercial (Rua da República, 73, 75, 77, Évora); 1915-16, 43 numrs – ver AQUI]
J.M.M

GRÉMIO LUSITANO - COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO


"O Grémio Lusitano vai celebrar o dia 5 de outubro enquanto data fundamental da nossa História e á qual a Maçonaria portuguesa está intimamente ligada.

Com estas comemorações o GOL dá também início às celebrações dos 210 anos de existência do GOL enquanto Obediência, o que a torna a segunda mais antiga da Europa"

► Em LISBOA:

11.00 horas - Deposição de uma coroa de flores na estátua António José de Almeida e alocução do Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa;
13.00 – Almoço de confraternização a realizar no Grémio Lusitano;
16.00 – Visita guiada ao Museu Maçónico Português (entrada livre);
17.00 – Visita guiada ao Museu Maçónico Português (entrada livre);
18.00 – Conferência.

O 5 DE OUTUBRO [press release]

O dia 5 de outubro, dia da implantação da República em Portugal, é para muitos cidadãos um símbolo que paira acima das ideologias. É um símbolo de dádiva ao Bem Comum, de sacrifício, por vezes com a própria vida, onde o súbdito se transformou em cidadão, um cidadão pleno, consciente dos seus direitos e deveres.

A prevalência do interesse público sobre os interesses privados no âmbito de uma ética social e pessoal ligada à honradez e à probidade, a cidadania participativa, a ética do serviço público, a soberania do povo, o regime democrático, a liberdade, a igualdade e a fraternidade são ideais de uma profunda actualidade, valores nem sempre acautelados numa sociedade competitiva como é aquela em que vivemos. O fim do poder hereditário na chefia do Estado, as grandes reformas do ensino ou o registo civil obrigatório, são alguns exemplos, entre muitos, da importância histórica de um momento chave na reforma das instituições nacionais e uma das datas mais identificadoras de um povo que, por isso, a tem comemorado com legítimo orgulho e patriotismo. Não se trata de dividir os portugueses entre si, sejam quais forem as suas convicções democráticas, mas antes de fazer refletir numa data as grandes mudanças sociais e culturais a ela inerentes e onde estão plasmados grandes valores da Humanidade, hoje generalizadamente aceites. Acresce ainda que, durante anos, foi uma data simbólica de oposição à Ditadura e da expressão da Liberdade. Vamos por isso continuar a comemorá-la em respeito pelos que nos que antecederam e nos legaram os valores que desfrutamos hoje!

Também por isso se torna importante hoje relembrar algumas ideias que estiveram na base do 5 de outubro e que podem ter sido esquecidas. Há cem anos atrás os homens e mulheres que  estiveram nas ruas de Lisboa fizeram-no tendo em vista a justiça social. Os tempos mudaram, mas a necessidade de uma melhor justiça, de obrigações equitativas e sem privilégios de espécie alguma, continuam como uma utopia numa luta por uma sociedade progressiva. Justiça e fraternidade é também a luta contra uma sociedade que por vezes esquece o valor do Ser humano, trocando-o por falsas quimeras.

Tal como em 1910 enfrentamos hoje grandes desafios. Acreditamos nos valores de outubro, cimentados num amor á cultura, ao ensino, e na valorização da pessoa na sua diversidade cultural e social. Acreditamos que o futuro pertence a todos os cidadãos, sem exceção, porque só a eles cabe a tarefa de levar a bom porto a construção de um país com oito séculos de História, cujo passado nos orgulha, onde o presente nos coloca desafios novos, onde o futuro nos exige uma estratégia inovadora na nossa relação com outros países ou continentes"

via Grande Oriente Lusitano, com a devida vénia

J.M.M.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

MEMORIAL REPUBLICANO


Vai ser apresentado no próximo dia 5 de Outubro de 2012, em Coimbra, no Quartel da Brigada de Intervenção, pelas 19 horas, o livro do Professor Doutor Amadeu Carvalho Homem e Alexandre Ramires, intitulado Memorial Republicano.

A apresentação, conforme se confirma pelo convite vai ser feita por António Arnault e João Paulo Almeida e Sousa.

Com os votos de maior sucesso para esta iniciativa que serve também para lembrar que a República / Res Publica tem memória, teve um passado, vive o presente e está virada para o futuro.

Saúde e Fraternidade

A.A.B.M.

A QUESTÃO DOS FERIADOS

Na página http://www.uc.pt/imprensa_uc/noticias/apresentacao_feriados, da Imprensa da Universidade de Coimbra, pode ler-se: «No próximo dia 2 de outubro, pelas 18h00, será apresentada, na Sala Sá de Miranda (Casa Municipal da Cultura de Coimbra), a obra Feriados Em Portugal. Tempos de Memória e de Sociabilidade, de autoria de Luís Reis Torgal e Luís Oliveira Andrade. Será proferida uma conferência, de homenagem ao Doutor Luís Andrade, sobre o tema "Feriados em Portugal. História e polémica", pelo Doutor Luís Reis Torgal.»

Fui à apresentação do livro e gostei muito da intervenção do Doutor Luís Reis Torgal. Foi brilhante e vibrante!

Tenho para mim que a Questão dos Feriados é verdadeiro símbolo da luta de bastidores entre os que defendem que Portugal permaneça independente, como o é desde 1143, há quase 869 anos, e os que pretendem vê-lo transformado em Estado, Staat, do novo Império Centro-Europeu, do Das Vierte Reich.

E porquê? Porque os feriados cuja extinção foi proposta são feriados MUITO PORTUGUESES!

Os feriados cívicos e patrióticos do Cinco de Outubro e do Primeiro de Dezembro são-no, naturalmente. Mas os feriados religiosos do Corpo de Deus e da Assunção de Nossa Senhora também o são!

Vejamos então qual o SIGNIFICADO SIMBÓLICO dos feriados propostos para extinção:
  • O Cinco de Outubro é o Dia dos Heróis da República… e mesmo que a República seja uma República Coroada, como a República Portuguesa o foi até 1910, os Heróis da República são, sempre, os Heróis da República. São disso exemplos paradigmáticos João do Canto e Castro (n. 19 de Maio de 1862, f. 14 de Março de 1934) Presidente da República Portuguesa, José Maria Norton de Matos (n. 23 de Março de 1867, f. 2 ou 3 de Janeiro de 1955) Fundador da Cidade do Huambo (Nova Lisboa) e Manuel Maria de Bragança e Saxe-Coburgo-Gotha (n. 15 de Novembro de 1889, f. 2 de Julho de 1932) Rei de Portugal.
  • O Primeiro de Dezembro é o Dia da Autonomia da Pátria Portuguesa… e comemora a libertação da Mátria Portuguesa (que à época se estendia do Alto Amazonas, confluência dos rio Napo e Aguarico, ao Mar de Timor).
  • O Corpo de Deus, ou Corpo de Cristo, que é feriado em Portugal na Áustria e na Polónia, foi instituído em 1264 com o objectivo celebrar o Mistério da Eucaristia e possui antiquíssima tradição em Portugal.
  • A Assunção de Nossa Senhora, ou Assunção de Maria, que é feriado em Portugal, em Cabo Verde, na maioria dos países católicos da Europa e nas ortodoxas Grécia e Roménia, tem por objectivo celebrar Mistério da Assunção de Maria, dogma só proclamado por Pio XII em 1950… mas crença que no Ocidente de Sefarad precede de muito a data do Tratado de Zamora.
Creio pois que é manifesto que os feriados propostos para extinção, supostamente por razões económico-financeiras, são feriados da MAIOR IMPORTÂNCIA SIMBÓLICA para Portugal e para a Pátria Portuguesa.

No entanto foram estes quatro que foram propostos para extinção. Logo exactamente estes quatro. Se tivesse sido só um, dois mesmo, eu ainda acreditaria nas puras motivações económico-financeiras… mas tendo sido os quatro não acredito!

Quanto a mim o que realmente se passa é que esta proposta é uma OFENSIVA SIMBÓLICA contra a Alma da Mátria Portuguesa.

Com a devida vénia  transcrevemos este texto, que  foi publicado por Álvaro Aragão Athayde (Via Facebook).

A.A.B.M.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO EM COIMBRA


No próximo dia 5 de Outubro vai comemorar-se em Coimbra através do movimento cívico Movimento Republicano 5 de Outubro.

Este movimento propõe-se honrar a efeméride referente à implantação da República em Portugal através das seguintes iniciativas, a realizar no próximo dia 5 de Outubro:

12h15 – Concentração de Republicanos junto do monumento ao 25 de Abril, em Coimbra , onde se fará a evocação da figura do Major-General Augusto Monteiro Valente, recentemente falecido. A alocução evocativa estará a cargo de Carlos Esperança.

13h00 – Almoço de confraternização no Restaurante “Still Is”, com marcação prévia. Esta deverá fazer-se, até ao dia 2 de Outubro, através dos seguintes contactos: e-mail – anabela8@hotmail.com ; telm – 934141813. O almoço terá o custo aproximado de 15 euros e as inscrições são limitadas. 


Com a devida vénia via Ponte Europa.

A.A.B.M.

COMEMORAÇÕES DO 5 DE OUTUBRO EM ALPIARÇA

Realizam-se nos próximos dia 5  e 6 de Outubro, em Alpiarça, um conjunto de iniciativas para comemorar a implantação da República.

Para além das visitas guiadas à Casa dos Patudos, realiza-se também uma cerimónia de homenagem a José Relvas, no Jardim do Município e pelas 18 horas, o Professor Doutor António Ventura vai realizar uma conferência intitulada A I República Portuguesa: um balanço. O dia termina com uma revista preparada pela Academia Sénior de Alpiarça.

No dia 6 realiza-se um encontro de coros e o lançamento de um livro.

A acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

A REPÚBLICA E O DESPERTAR DOS FAMINTOS: CONFERÊNCIA

No próximo dia 4 de Outubro de 2012, no Auditório Municipal de Alcácer do Sal, pelas 21.30 h, vai realizar-se uma conferência com o Doutor João Madeira, subordinada ao título em epígrafe.

Uma organização da Associação Cultural Cantra, com o apoio da Câmara Municipal de Alcácer do Sal.

Um evento a acompanhar e a divulgar com todo o interesse.

A.A.B.M.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A LIBERDADE..., POR VASCO DA GAMA FERNANDES


A liberdade é como as árvores das grandes florestas: só se lhes pode tomar a grandeza quando um dia decepadas, ou prostradas ao solo.

E será essa liberdade de que jamais prescindiremos, a alavanca das tarefas que se impõem, pois tudo é possível dentro dela e nada fora dela”   [Vasco da Gama Fernandes]

J.M.M.