quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O INTEGRALISMO LUSITANO E A QUESTÃO DINÁSTICA


A Questão Dinástica. Documentos para a História Mandados Coligir e Publicar pela Junta Central do Integralismo Lusitano, Empresa nacional de Industrias Gráficas, Lisboa, 1921

«Reunindo em volume todos os documentos oficiais, referentes ao conflito aberto ha quasi dois anos, entre o Integralismo Lusitano e o Senhor Dom Manuel II que foi Rei de Portugal, serve-se apenas o proposito de actualizar e perpetuar os termos liais e exactos de uma questão politica, já hoje tão esquecida e deturpada nas suas razões fundamentais (...)»

Refere-se aqui o articulista ao indiferente não envolvimento de D. Manuel II, então a residir em Londres, nas sucessivas tentativas que a Causa Monárquica levou a cabo para derrubar a República.

Adriano Xavier Cordeiro, o conde de Monsaraz, Pequito Rebelo, António Sardinha, Luís de Almeida Braga e Hipólito Raposo assinam pela Junta.

via FRENESI

J.M.M.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

OPOSIÇÃO E ELEIÇÕES NO ESTADO NOVO

Na próxima quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013, pelas 18 horas, na Biblioteca da Assembleia da República vai ser apresentada a obra Oposição e Eleições no Estado Novo, da autoria de Mário Matos e Lemos.

Este novo título da Colecção Parlamento, coordenada pelo Prof. Luís Reis Torgal, vai ser apresentada pelo Dr. Jaime Gama.

Mário Matos e Lemos depois de ter publicado, também nesta colecção, Candidatos à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário, de 2009, avança agora nos domínios da oposição ao salazarismo.

Um evento a acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

O REVIRALHO: REVOLTAS REPUBLICANAS CONTRA A DITADURA E O ESTADO NOVO: CONFERÊNCIA


No âmbito do ciclo de conferências Memória e Cidadania, organizadas pela Fundação Mário Soares, vai realizar-se na próxima quinta-feira, 7 de Fevereiro de 2013, pelas 18 horas, uma nova conferência.

A conferência está subordinada ao título O Reviralho: Revoltas Republicanas contra a Ditadura e o Estado Novo e estará a cargo do Prof. Luís Farinha.

Um evento a acompanhar com toda a atenção.

A.A.B.M.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

3 FEVEREIRO DE 1927

Assinala-se hoje o início de uma das revoltas que procuravam impedir o curso dos acontecimentos iniciados com o 28 de Maio de 1926: o 3 de Fevereiro de 1927.

Esta revolta e outras que se seguiram até meados dos anos trinta, manifestam a oposição à Ditadura e muitos dos envolvidos nestes acontecimentos foram presos, deportados ou passaram pelo exílio longe de Portugal. Alguns afastaram-se destas contendas ao longo do tempo, outros continuaram a conspirar, de forma mais ou menos continuada para derrubar a Ditadura.




 


 


As imagens sobre os acontecimentos de 3 a 7 de Fevereiro de 1927 têm vindo a ser assinaladas no Almanaque Republicano desde o seu início, e marcam uma corrente de opinião que se opunha tenazmente contra a Ditadura Militar e continuou depois durante o Estado Novo a tentar restaurar a República, a Democracia e a Liberdade em Portugal. Os interessados podem consultar a etiqueta Reviralhismo  e Fevereiro de 1927, na parte direita do blogue.

Com a devida vénia, as imagens que relembram os acontecimentos foram retirados do Arquivo Fotográfico de Lisboa.

[actualizado]

A.A.B.M.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

AVEIRO 1956 - COMEMORAÇÕES DO 31 DE JANEIRO


65º ANIVERSÁRIO DO 31 DE JANEIRO DE 1891 - Comemorações em Aveiro

"A Revolta do Porto de 1891 é o primeiro clarão da República Portuguesa. Tantos anos passados, não são apenas os vultos do Alves da Veiga, do Sampaio Bruno, do Basílio Teles, do sargento Abílio, do João Chagas e do tenente Coelho que persistem na sua lição exemplar. Não são só os acordes de «A Portuguesa» e pouco tempo depois a estrofes admiráveis da «Pátria» do Junqueiro... É a soberba legião dos emigrados que fugiram para Espanha e para França, dos degredados da África, é a longa lista dos bons homens condenados — os cidadãos anónimos, os soldados, os cabos e os sargentos da insurreição —, e aqueles rapazes de Coimbra, muitos dos quais haviam de implantar a República em Outubro de 1910.

Nesta aliança e no quadro dos sacrifícios, é que nós nos queremos ver como num espelho. [Manuel Mendes]

... Esta comemoração de 31 de Janeiro deve servir para despertar na consciência dos verdadeiros democratas portugueses a obrigação de trabalharem denodadamente para não deixar perder as liberdades fundamentais que uma vez perdidas muito custa a reconquistar aos inimigos da liberdade e da justiça.

Os povos que deixam escravizar o seu pensamento desonram-se por si e quase sempre recebem o castigo da sua servidão política. É por aí que começa a decadência das nações! [António Luís Gomes]


J.M.M.

JAIME CORTESÃO E O 31 DE JANEIRO DE 1891


A causa próxima e directa da eclosão do movimento de 31 de Janeiro de 1891 foi a consciência do contraste entre uma Pátria forte e digna, que abrira à Europa e, em particular à Inglaterra, as estradas dos Oceanos e as portas do Oriente, e a Pátria de então, que cedeu, com humilhação e opróbrio, à brutalidade do ‘Ultimatum’ inglês.

Mais uma vez o Porto assumiu, heróica mas isoladamente, as responsabilidades que lhe cabiam como capital cívica do país. Viu-se que nem tudo estava perdido. E o malogro dos precursores acendeu uma chama de esperança, que não voltou a apagar-se (…)

Se a história não tem sido a mestra da vida, é porque os homens são tardios e remissos em aprender as suas lições e actualizá-las em acção

Jaime Cortesão [texto editado pela Comissão das Comemorações do 31 de Janeiro no Porto, em 1956.

NOTA: a comissão era constituída por António Macedo | Armando de castro | Artur Andrade | Guedes Pinheiro | Júlio Semedo | Mário Cal Brandão |  Silva Petiz | Veloso de Pinho e Oliveira Valença.

J.M.M

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

JOÃO CHAGAS NA “REPUBLICA PORTUGUEZA”


“Estou convencido a serio, porque pertenço ao grande numero dos indisciplinados republicanos que querem a Republica – de que uma revolução se fará dentro em breve, a mais nobre, a mais generosa, a mais simpática de quantas revoluções tem tentado um povo ofendido, em nome da sua dignidade e da sua honra.

Quero-a, desejo-a, promovo-a e disso me ufano. Com a minha consciência vivo na mais perfeita beatitude. Da minha inteligência faço o uso mais nobre. Estou tranquilo por mim, porque pratico uma boa acção. Como convencional, fiz comigo próprio um pacto que vai desde a liberdade à morte. Ao serviço da minha causa pus todo o meu pensamento, todo o meu sentimento, toda a minha acção (…)

Vivemos sobre lama. Os pés enterram-se-nos no solo. Quanto esforço, quanto trabalho, quanta coragem para consolidar o chão que nos foge! … Pois bem! Batidos, vencidos, eu, nós, os meus companheiros de combate, recomeçaremos em qualquer ponto onde estejamos, aqui ou na terra estrangeira, dando o nosso sacrifício pessoal, entregando a nossa felicidade, a nossa vida à causa da pátria e da liberdade. A opinião e a historia condenarão os que prevaricarem e, se algum de nós os julgar um dia, dirá inexoravelmente como Manuel falando do rei de França: ‘Um traidor de menos, não é um homem de menos

João Chagas, in artigo na "Republica Portugueza"

J.M.M.

PRO PATRIA – POR JOSÉ DE CASTRO



José de Castro, in Anathema, 1890

J.M.M.

ECOS DO 31 DE JANEIRO DE 1891 NA IMPRENSA INTERNACIONAL: ESPANHA (IV)

 No jornal La Libertad02/02/1891 - Año II,  Número 168, p. 2, relatavam-se assim os acontecimentos.

A.A.B.M.

AUGUSTO MANUEL ALVES DA VEIGA


J.M.M.



ECOS DO 31 DE JANEIRO DE 1891 NA IMPRENSA INTERNACIONAL: ESPANHA (III)



Agora na Crónica de Badajoz : periódico de intereses morales y materiales, de literatura, artes, modas y anuncios, 05/02/1891- Año XXVIII Número 2064, p. 1 e 2.

Curiosa, neste jornal, a posição do correspondente do jornal que, de Lisboa, faz o resumo da narração dos acontecimentos através da imprensa portuguesa.

A.A.B.M.

ECOS DO 31 DE JANEIRO DE 1891 NA IMPRENSA INTERNACIONAL: ESPANHA (II)

Agora no jornal El bien público, 05/02/1891, Año XX Número 5426, p. 2, onde se faz um relato bastante detalhado dos acontecimentos a partir da imprensa portuguesa.
A.A.B.M.

ECOS DO 31 DE JANEIRO DE 1891 NA IMPRENSA INTERNACIONAL: ESPANHA (I)

A eclosão da revolta de 31 de Janeiro de 1891 encontrou algum eco na imprensa internacional, maior talvez que se possa supor.

Começando pela nossa vizinha Espanha foram vários os órgãos da imprensa espanhola que fizeram referência aos acontecimentos que tiveram lugar na cidade do Porto, alguns deles com o distanciamento e o discernimento para avaliar a situação. Por outro lado, com uma rede já interessante de correspondentes na principais cidades da Península Ibérica, ou normalmente recorrendo à reprodução/tradução de artigos publicados por outros jornais.

Vamos agora ver como eles foram relatados na imprensa do país vizinho. Vamos procurar dar ênfase aos que maiores relatos fazem sobre as ocorrências.

Iniciamos pelas referências de um jornal que era claramente contra a revolta:



- El vigía de Ciudadela,  04/03/1891, Año IX Número 869, p. 7 e 8, publicado já algum tempo depois dos acontecimentos mas tomando claramente uma posição e lançando suspeitas (órgão da imprensa católica).

A.A.B.M.

31 DE JANEIRO: ANTÓNIO JOSÉ DE ALMEIDA

Um documento sobre o 31 de Janeiro de 1891, escrito por António José de Almeida em 1923, quando era Presidente da República.

Documento disponibilizado via Museu da Presidência da República no Facebook.

A.A.B.M.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

20º ANIVERSÁRIO DA BIBLIOTECA-MUSEU REPÚBLICA E RESISTÊNCIA

Assinala-se no próximo dia 31 de Janeiro o 20º Aniversário da Biblioteca-Museu República e Resistência (Espaço Grandella).

O evento conta com a participação do Prof. António Ventura, que vai proferir uma conferência intitulada O Significado do 31 de Janeiro de 1891, pelas 21 horas.

O programa completo da festividade pode ser consultado acima.

Com os votos de muitos sucessos.

A.A.B.M.

domingo, 27 de janeiro de 2013

PROJECTO MOSCA

Realiza-se amanhã, 28 de Janeiro, pelas 15 horas, um encontro internacional para assinalar o encerramento do denominado Projecto Mosca: Movimento Social, Crítico e Alternativo - Memória e Referência. 

Este projecto foi iniciado em 2010 e foi coordenado pelo Prof. João Freire e teve financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

Neste encontro participam, além de João Freire, coordenador do projecto, Maria Inês Cordeiro, directora da Biblioteca Nacional, também Paulo Guimarães, Paulo Quaresma, António Cândido Franco, Manuela Parreira da Silva, Maria Alexandre Lousada, Luísa Tiago de Oliveira e os investigadores internacionais: Edson Passetti, Marien Van der Heijden.

Depois ficará disponível para consulta todo um conjunto de documentação digital sobre movimentos anarquistas e sociais, em Portugal, nas primeiras décadas do século XX. Essa documentação, muita dela pouco vulgar e existente no Arquivo de História Social e na Biblioteca Nacional e que agora ficará disponível a todos os interessados nestes temas.

O portal sobre o tema fica disponível em Projecto Mosca. Merece uma visita demorada e com algumas surpresas, tanto pelas fotografias como pela documentação (panfletos, cartas, com um interessantíssimo Dicionário de Grupos Anarquistas, militantes, sindicatos, bem como videos sobre o anarquismo em Portugal).

A sessão termina com a apresentação do livro "Greve de Ventres", organizado por João Freire e Maria Alexandre Lousada e comentado por Joana Pontes.

A seguir com toda a atenção e a visitar regularmente.
Com os votos do maior sucesso.
A.A.B.M.

MEMÓRIA E CIDADANIA: CICLO DE CONFERÊNCIAS NA FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES

Inicia-se no próximo dia 31 de Janeiro de 2013, quinta-feira, pelas 18 horas, um ciclo de conferências subordinado ao título Memória e Cidadania promovido pela Fundação Mário Soares.

Pode ler-se na nota de abertura:
A Fundação Mário Soares promove um ciclo de 18 conferências sobre aspectos marcantes do nosso tempo. Abordando acontecimentos históricos relevantes, o papel da literatura e das artes, os espaços de memória e as realidades contemporâneas, este ciclo de conferências pretende abrir novas perspectivas no reforço de uma cidadania responsável e consciente.

O primeiro tema é a Revolta de  31 de Janeiro de 1891 e o conferencista é o Prof. Joaquim Romero Magalhães.

Seguem-se depois mais quatro conferências até final do mês de Fevereiro, que haveremos de divulgar junto dos potenciais interessados.

Uma iniciativa que merece a nossa melhor atenção.

A.A.B.M.


sábado, 26 de janeiro de 2013

LUÍS ERNÂNI DIAS AMADO (Parte III)


Colaborou no Congresso dos Anatomistas em 1933 e no Congresso de Anatomia, realizado em Lisboa em 1941.

A propósito da publicação da sua obra Organização da Matéria Viva foi organizado um relatório pelo Secretariado de Propaganda Nacional, de Maio de 1942 (Relatório nº 1764), devido à censura exercida sobre este título.

Por decreto de 18 de Junho de 1947 foi afastado do serviço de assistente na Faculdade de Medicina por motivos políticos.

Trabalhou também, ainda que oficiosamente, no Instituto Português de Oncologia, onde publicou alguns trabalhos.

Em 1957, era membro do Movimento Nacional de Defesa da Paz e da Comissão Cívica Eleitoral e foi um dos signatários da exposição enviada ao Presidente da República, no dia 1 de Outubro, explicando os motivos pelos quais a oposição não se apresentava a sufrágio. No ano seguinte, foi escolhido para a Comissão Nacional Pró-Candidatura do Eng. Cunha Leal à Presidência da República, candidatura que não vingou. Fez depois parte da comissão central dos serviços de candidatura do general Humberto Delgado à Presidência da República. Foi presidente da Comissão Administrativa da Liga dos Direitos do Homem (1950) e, em 1961, foi um dos subscritores do Programa para a Democratização da República, pelo que foi preso durante alguns dias. Ainda nesse ano foi candidato a deputado pela oposição pelo círculo de Lisboa em 1961, juntamente com João Maria Paulo Varela Gomes, Nikias Ribeiro Skapinakis, Augusto Casimiro dos Santos e Agostinho de Sá Vieira, entre outros.

A 2 de Janeiro de 1960 é reactivada a Liga Portuguesa dos Direitos do Homem, que se filia na Fedération Internationale des Droits de L’Homme. Em Maio desse ano assume a presidência deste grupo para-maçónico Luís Ernâni Dias Amado.

Voltaria a ser preso, em Dezembro de 1963, acusado de «actividades contra a segurança do Estado», por pertencer às Juntas de Acção Patriótica, tendo sido julgado em Outubro do ano seguinte e absolvido.

Até o jornal Avante, órgão oficial do Partido Comunista Português, que se publicava clandestinamente (nº 334, Janeiro de 1964) assinalava no seu artigo "Abaixo a Repressão" (p. 4, col. 2-3) a acção repressiva do governo salazarista que tinha detido nessa mesma altura entre outros: Mário Cal Brandão, Urbano Tavares Rodrigues, Manuel de Oliveira (realizador de cinema), Jaime Moreira, Pedro Alvim, Manuel Durão, entre muitos outros.
Foi um dos fundadores a Acção Socialista Portuguesa.

Em Fevereiro de 1969 foi um dos subscritores da Exposição da Comissão Promotora do Voto, juntamente com Luís Filipe Lindley Cintra, Henrique de Barros, Gustavo Soromenho, Francisco Lino Neto, Nuno Teotónio Pereira, José de Magalhães Godinho, Rui Grácio, Virgílio Ferreira, Maria Keil Amaral, Álvaro Salema, Fernando Namora, Alberto FerreiraMário Sottomayor Cardia, José Vasconcelos Abreu, João Bénard da Costa, Gonçalo Ribeiro Teles, António Ribeiro Reis, José Gomes Ferreira, José Carlos Serras Gago, Jaime José Matos da Gama, José Luís do Amaral Nunes, José Guimarães, António Galhordas, Nuno Brederode Santos, Nuno Portas, Joel Serrão, Alfredo Barroso, Joaquim Mestre, Francisco Pereira de Moura, Maria Joana de Meneses Lopes, Cascão de Anciães, José Pinto Correia, António Alçada Baptista, José Pinheiro Lopes de Almeida, Eugénio Augusto Marques da Mota, Emídio Santana e Fernando Veiga de Oliveira.

Foi um dos autores da exposição que deu entrada na Assembleia Nacional em 1971 visando a reclamação de um conjunto de liberdades e direitos fundamentais, entre o direito à resistência à violência e ao arbítrio, procurando impedir as situações de deportação ou exílio e limitar as prisões a um período máximo de 24 horas e não por tempo indefinido, como na prática acabava por acontecer.

Em 1973, é um dos subscritores do manifesto "A Nação", onde se insurge contra os falsos sinais de liberalização introduzidos pelo governo de Marcelo Caetano.

Após o 25 de Abril de 1974 foi reintegrado na Universidade simbolicamente como professor catedrático.

Foi iniciado na Loja Madrugada em 1928. Adoptou inicialmente o nome simbólico de Garcia de Orta, e, mais tarde, por motivos de segurança, devido à vigilância e à proibição das sociedades secretas e consequente ilegalização da Maçonaria adoptou o nome simbólico de Zacuto Lusitano. Segundo se consegue saber é dos poucos casos em que tal circunstância foi permitida. Em 1931 atingiu o 7º RF e tornou-se venerável da Loja Madrugada (1931-35). Foi Vice-Pres. Cons. Ordem (1945?-1957) e Grande Secretário das Relações de Justiça (1937-1951). Desempenhou depois, durante a clandestinidade, as funções de Grão-Mestre Adjunto (1957-1974). Depois da renúncia de Luís Gonçalves Rebordão, assumiu de forma interina foi Presidente do Conselho da Ordem (1957-1974) e, mais tarde, Grão-Mestre interino, depois definitivo (1974-81). Segundo o Prof. Oliveira Marques, foi um dos grandes responsáveis pela manutenção da actividade maçónica durante a clandestinidade e desempenhou papel de destaque na reorganização após Abril de 1974.

Um elemento curioso, que deve ser pouco conhecido da maioria dos que conhecem a sua vida, é que sendo ele filho de Luís Dias Amado, farmacêutico com algum sucesso, natural de Portimão e que se radicou em Lisboa, onde desenvolveu a sua actividade profissional. A razão do sucesso deste residiu na criação/invenção, do Depurativo Dias Amado que era preparado na Farmácia Ultramarina, situada na Rua de S. Paulo, nº 99, em Lisboa. Este medicamento acabou por obter reconhecimento do Rei D. Carlos, que concedeu a Luís Dias Amado o título de Visconde de Santa Isabel e que, por direito, devia ser transmitido a Luís Ernâni Dias Amado. Porém, como este era republicano acabou por nunca usar o título e passou-o para seu irmão, Luís Osvaldo Dias Amado, monárquico convicto e também ele médico, que acabou por se dedicar à indústria cinematográfica em Espanha.

Fez parte do Directório Democrático e Social que tinha como líder o Prof. Azevedo Gomes.

Na sua actividade profissional, foi chefe dos Serviços de Análise Clínica dos Hospitais Civis de Lisboa. Conferencista e articulista, com colaboração em diversos jornais e revistas.
Pertenceu à Sociedade Portuguesa de Anatomia; Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais; Sociedade Portuguesa de Biologia; Universidade Popular Portuguesa.
Em plena sessão parlamentar de 22 de Janeiro de 1981, o então deputado José Luís Nunes, formula os seus votos de pesar e recordava:
Combatente antifascista, grande professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, demitido pelo Governo Salazar, fiel aos princípios de liberdade do espírito, da razão, do racionalismo, do livre exame, da filosofia das luzes, grão-mestre da maçonaria é uma grande perda para o nosso país, para todos nós, para todos os antifascistas portugueses, para todos os democratas e para todos aqueles para quem a tolerância, o diálogo de ideias, a compreensão humana e os direitos do homem não são uma palavra vã.
Foi graças a homens como o Prof. Luís Hernâni Dias Amado que nós hoje podemos estar aqui presentes; foi graças a homens como o Prof. Luís Hernâni Dias Amado, que depois de 28 Maio de 1926 souberam manter no mais alto grau a luta cultural pela tolerância e pelos direitos do homem, que não caímos numa ditadura totalitária de sinal contrário; foi graças a homens como o Prof. Luís Hernâni Dias Amado que se apostou, desejou e conseguiu lutar pela construção de um mundo novo, pela construção de uma ideia nova e pela construção de uma cidade nova, que hoje nos encontramos também aqui a construir uma cidade nova, um mundo novo para Portugal.
O Prof. Luís Hernâni Dias Amado não pertence a nenhum partido político porque a sua mensagem espiritual vai para além daquilo que possa ficar em cada um dos partidos políticos. Creio que toda a sua vida política, toda a sua vida profissional, todo o exemplo que foi para todos nós se pode encerrar numa palavra: defesa dos direitos do homem, tolerância, respeito pela diversidade, dentro daquele célebre princípio enunciado por Saint-Exupéry, que dizia "Irmão, se diferes de mim, não me empobreces, antes me enriqueces." São estas as palavras que creio era dever de todos nós dizer nesta Assembleia. E porque Luís Hernâni Dias Amado nunca foi bandeira de qualquer partido político, ouso pedir a esta Assembleia que aprove um voto de profundo pesar pela sua morte e que guarde um minuto de silêncio por aquele que foi o Prof. Doutor Luís Hernâni Dias Amado, cuja memória, comovidamente, hoje evocamos.
Todos os outros grupos parlamentares acompanharam este deputado na sua evocação a que se seguiu um minuto de silêncio.

Publicações de índole científica:
- Contribuição para o estudo das células de Nicolas;
- Sur l'existance de cellules argentaffines dans le tissu conjuntiv des villosités intestinales;
- Sur la signification des cellules de Nicolas;
- Un processus de regéneration de l'epithelium intestinal;
- L'élimination du rouge neutre par l'estomac;
- Micoses do aparelho respiratório;
- Exame Laboratorial das discrasias sanguíneas;
- Organização da Matéria Viva,1942;
- Argentofilia e Argentafinidade, 1944;
- Étude du noyau des cellules argentofiles de l'intestin du Cobaye, et ses relations avec ceux des autres cellules de l'epithelion intestinel;
- L'injection souscutanné d'hydroquinne (étude citologique);
- Mácula Densa - Estudo Citológico, 1943;
- Tumores Carcinóides do Apêndice, 1944;
- A Organização Fundamental dos Seres Vivos, 1944;
- Mecanismos Reguladores da Secreção Renal, 1944;
- Images Citologiques obtenues par des Injections souscutanées d' Hydroquinone, 1944;
- Les Élements Argentophiles de la Parathyroidée (colab. Carlos Correia), 1944;
- L'Étude du Noyau des Céllules Argentaffines, 1945;
- Breves Considerações sobre um caso de Quistadenoma Pseudomuscoso do Ovário, 1945;
- Les Amas Céllulaires de Beches du Rein de Herisson, 1945;
- Aspectos Morfológicos e Fisiológicos da Circulação dos Ossos Fetais do Coelho (colab. Augusto Lamas e Celestino da Costa), 1946;
- L'Épithelium Placentaire du Cobaye, 1947;
- Colheita dos Produtos e Interpretação dos dados das Análise Clínicas, 1948;
- O Exame Funcional do Intestino pela Análise Coprológica, 1949;
- Doseamento fraccionado das Proteínas, 1950;
- O Prof. Egas Moniz e a investigação científica, 1950;
- Bioquímica do Terreno Canceroso, 1951;
- Morfologia e Histoquímica Placentária e suas relações com o cancro, 1951;
- O Adenograma normal e Patológico, 1951;
- Cancro e Hereditariedade, 1952;
- O Laboratório nas alterações funcionais da Tiroideia, 1953;
- Actualização dos Nossos Conhecimentos sobre  a Substância Fundamental, 1953;
- Vitaminas e Avitaminosas, 1953;
- Diagnóstico Laboratorial em Endicrinologia, 1954;
- A Irrigação dos Ossos, 1954;
- Laboratório e Clínica, 1956;
- Enciclopédia Médico-Cirúrgica Luso-Brasileira, 1960;
- Líquidos Orgânicos: Metabolismo da Água, Electrólitos e Ácido-Base, 1968;
- Reografia Intracardíaca: fundamentos teóricos e experimentais e algumas das suas contribuições hemodinâmicas, Lisboa, 1980.
- Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira;

Colaborações na Imprensa:
- O Diabo;
- Globo;
-Técnica;

O médico e combatente antifascista faleceu em Lisboa, a 22 de Janeiro de 1981. Para ver alguns depoimentos sobre o biografado ver o que se dizia nas páginas do jornal A Capital de 23 de Janeiro de 1981 AQUI.

Bibliografia consultada:
- GODINHO, José de Magalhães, "Dias Amado, uma vida ao serviço da liberdade", Diário de Lisboa, Lisboa, 27-11-1980, p. 3 e p. 22.
- LEMOS, Mário Matos, Candidatos da Oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário, Col. Parlamento, Lisboa, Assembleia da República/Texto Editores, 2009, p. 101;
- MARQUES, A. H. de Oliveira, Dicionário de Maçonaria Portuguesa, vol. I, Lisboa, Editorial Delta, 1986, col. 56-57;
- MATEUS, Luís Manuel, Franco-Mações Ilustres nas Ruas de Lisboa, Biblioteca-Museu República e Resistência, Lisboa, 2003, p. 47;
- GEPB, vol. 8, Editorial Enciclopédia, Lisboa/Rio de Janeiro, s. d., p. 943;
- GEPB, vol. 39, Editorial Enciclopédia, Lisboa/Rio de Janeiro, s. d., p. 477-478;
- Rosas, Fernando; BRITO, José Maria Brandão de (direcção). Dicionário de História do Estado Novo. Venda Nova: Bertrand Editora, 1996. 2 vol. vol. I, pgs 41-42 (sv Luís Hernâni Dias Amado, por Luís Farinha)

[NOTA IMPORTANTE: A data do falecimento do Prof. Luís Ernâni Dias Amado surge em alguns locais publicada com lapsos. Alguns apontam 1 de Janeiro de 1981, e outros referem Junho de 1981, outros apontam o ano de 1991. A referência que apresentamos é segura porque a confrontamos com a imprensa da época que nos dá conta do infausto acontecimento, bem como o excerto da citação do Diário da Assembleia da República onde se homengeia o combatente da Liberdade e pela Democracia.]

A.A.B.M.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

REVISTA DA MAÇONARIA - II SÉRIE, Nº4, DEZEMBRO 2012


REVISTA DA MAÇONARIA - II Série, nº4, Dezembro de 2012, p.98; Dir: Maria Martins; Pres. Cons. Editorial: Fernando Sacramento; Propr: Diário de Bordo; Editor: Paulo Noguês.

TÁBUA: A Via Maçónica (Rui Arimateia); O Direito a Ser-se Discreto (Francisca Ramos); Ideias e Reflexões (José Moreno); Sobre o Futuro, Onde o Passado se Espelha (Eurico R.); A Propósito da Paz (Francisco Queiroz); O Risco do «Efeito Borboleta» Os Desafios de um «Puzzle Gigante» (Maria Óscar); A Universalidade da Maçonaria e a Sua Importância no Contexto Actual (João Pestana Dias); Maçonaria e Ritualização (Amadeu Carvalho Homem); Direitos Fundamentais e Estado de Direito (Margarida Almeida Rocha); Fernando Pessoa, o Quinto Império e Macau (Arnaldo M. A. Gonçalves); A Importância da Maçonaria Lusófona (Paulo Cardoso); S. João e os Solstícios (Mazzini, n.s.); YOD, Inexistência à Existência Ou YOD do Infinito ao Finito (Paulo Sequeira Rebelo); Quem Fui Ontem e Quem Serei Amanhã (Olga Florência).  

J.M.M. 

LUÍS ERNÂNI DIAS AMADO (Parte II)






















Em 1934 participa na Liga Contra a Guerra e o Fascismo. Tendo sido um dos primeiros participantes do Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista (1942) que se viria a transformar na União Socialista em 1944, de que viria a ser um dos fundadores. Participou no Movimento de Unidade Nacional Anti-Fascista (M.U.N.A.F.), 1943-44, e no Movimento de Unidade Democrática (M.U.D.) em 1945.

Estando já referenciado pela polícia política em 1946, que o considerava um dos dissidentes do antigo Partido Socialista Português.

Envolve-se activamente nas campanhas de 1948 (Norton de Matos), 1951 (Quintão Meireles) e 1958 (Humberto Delgado). Na sequência do seu apoio a Norton de Matos foi preso em 19 de Agosto desse ano. No ano seguinte (1949), é um dos apoiantes de dois manifestos publicados sob o título Aos Democratas Portugueses, documento assinado por vários indivíduos, sendo o primeiro signatário Afonso Costa (filho), sobre criação de uma organização oposicionista com vista a actuar nas eleições à Assembleia Nacional em Novembro desse ano.

(NOTA: Clicar nos documentos para aumentar.
Os documentos foram, com a devida vénia, retirados da Casa Comum via Fundação Mário Soares)



A.A.B.M.