quinta-feira, 20 de junho de 2013

O SINDICALISMO EM PORTUGAL – MANUEL JOAQUIM DE SOUSA


M. J. de SOUSA – “O sindicalismo em Portugal: esboço histórico”, Comisão Escola e Propaganda do Sindicato do Pessoal de Câmaras da Marinha Mercante Portuguesa, Lisboa, 1931.  

[via António Ventura Facebook]

► MANUEL JOAQUIM DE SOUSA foi uma das figuras de destaque do movimento anarco-sindicalista português e um dirigente sindical importante da I República. Orador influente, jornalista e polemista (para alguns, muito sectário ideologicamente – ver, como exemplo, a questão da sua “obstinação” contra a revolução russa e os comunistas), marcou uma geração de sindicalistas libertários.




Nasce a 24 [ou 26?] de Novembro de 1883 em Paranhos (Porto). De família humilde [ver AQUI uma biografia sua – que seguimos de perto], começou a trabalhar como aprendiz de torneiro. Apenas com a 2ª classe, exerce a profissão de operário de calçado com apenas 12 anos.

Aos 21 anos (1904) milita no “Grupo de Propaganda Libertária” (Porto). Participa nos acontecimentos que levam à implantação da República. Publica em 1911 o opúsculo “O sindicalismo e a acção directa”, colaborando (1909-10) no semanário anarquista “A Vida” [Ano I, nº1, Fevereiro de 1905 – cont. do “Despertar”. Segue-se-lhe “A Aurora”]. Entre 1912-13 foi secretário-geral da União Geral de Trabalhadores da Região Norte e, em Março de 1914, participa na constituição da União Operária Nacional (UON), no Congresso de Tomar. Em 1915 participa [ibidem] no congresso Internacional para a Paz (Ferrol, Galiza) com Serafim Cardoso Lucena (do grupo “A Vida”), sendo expulso de Espanha.

Em 1916 deserta do exercito e refugia-se em Barcelona, participando activamente nas lutas e movimentações operárias, tendo sido preso no decorrer da greve dos Correios e Telégrafos. Regressa em 1918 a Portugal, fixando residência em Lisboa. A 13 de Setembro de 1919 participa e preside, como secretário da UON, no II Congresso Operário Nacional (em Coimbra, no Teatro Avenida) e na fundação da CGT (Confederação Geral do Trabalho), sendo eleito secretário-geral (cargo que mantém até 1922). Do mesmo modo, integra a redacção do jornal operário “A Batalha” [nº1 (23 de Fevereiro 1919) ao nº 2556 (26 Maio 1927) – teve como seu ultimo redactor-principal Mário Castelhano], substituindo Alexandre Vieira (entre 1921-1922) no cargo de redactor-principal do periódico.

Participa, em Dezembro de 1919, como representante da CGT, no II Congresso da CNT (em Madrid). A 24 de Março de 1923, após o golpe de Primo de Rivera, é preso em Sevilha quando estava reunido com o comité nacional da CNT, tendo estado isolado até 1924, quando regressa a Lisboa. Em 1925 participa, como membro da CGT, no Congresso de Santarém, onde é ratificada a adesão da CGT à AIT (ibidem). Em Maio de 1926 participa na Conferência Internacional da AIT (em Paris) e, juntamente com o seu filho Germinal de Sousa [como curiosidade, diga-se que as suas filhas tinham o nome de Aurora Esperança de Sousa e de Liberta Esperança de Sousa], intervém no Congresso da Federação de Grupos Anarquistas de França, onde reivindica a criação de uma única organização que reúna os anarco-sindicalistas da península ibérica.

A 25 de Junho de 1927 é um dos fundadores da Federação Anarquista Ibérica (FAI). Participa activamente na luta contra a ditadura militar e o fascismo de Salazar, tendo sido preso em Fevereiro de 1928. Em 1931 (11-17 de Junho) intervém no III Congresso Nacional de Sindicatos da CNT, realizado em Madrid. De novo é preso em 1932 e em 1934/35, quando pertencia à Aliança Libertária [esta organização nasce em 1930 com a iniciativa de A. Botelho, Correia de Sousa, M. J. Sousa, Constantino Figueiredo, Germinal de Sousa, Emílio Santana, … - cf. Carlos Fonseca, História do Movimento Operário, vol I]. A partir de 1943 participa na rede clandestina da CGT e tenta promover iniciativas para o “relançamento da propaganda e da organização libertária” [cf. João Freire, Rev. da Bibl. Nacional, 1-2, 1995, p. 126] e acção antifascista.

Colaborou em diversos periódicos libertários, como “A Aurora”, “A Batalha”, “A Comuna”, “A Sementeira”, “La Protesta” (Buenos Aires), “O Anarquista”.

Publicou: "Sindicalismo e Acção Directa” (1911); “O Sindicalismo em Portugal” (1931), onde relata a história das velhas associações operárias; “Últimos Tempos da Acção Sindical Livre e de Anarquismo Militante” (Antígona, 1989, obra póstuma).

Morre a 27 de Fevereiro de 1945, na sua casa da “Vila Cândida”, 27 (à Av. General Roçadas), em Lisboa.


J.M.M.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

ENTRE A TRADIÇÃO E A MODERNIDADE: PORTUGAL SÉCULOS XIX-XX - II SEMINÁRIO DE DOUTORANDOS EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA

Realiza-se amanhã, 20 de Junho de 2013, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, o II Seminário de Doutorandos em História Contemporânea, organizado pelo Centro de História (Grupo de Investigação Memória e Historiografia).

Ao longo do dia, vários dos candidatos a doutoramento em História Contemporânea vão apresentar  parte das investigações e trabalhos que têm em curso.

A organização do evento esteve a cargo de Carmine Cassino e Paulo Rodrigues Ferreira e prolonga-se pelo dia, podendo potenciais interessados em assistir à sessão solicitar certificado através do endereço electrónico apresentado na parte inferior esquerda do cartaz.

Com os votos do maior sucesso.

A.A.B.M.

terça-feira, 18 de junho de 2013

DA ROSA, DA FÉNIX E DO PELICANO – ANTÓNIO LOPES



LIVRO: "da Rosa, da fénix e do pelicano compreender o ritual do 1º ao 18º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito";
AUTOR: António Lopes.
EDITORA: Campo da Comunicação, 2013, 239 p.

LANÇAMENTO:

DIA: 21 de
Junho 2013 (19,30 horas);
LOCAL: Assembleia Figueirense (Av. Saraiva de Carvalho, 140), Figueira da Foz;

APRESENTAÇÃO: Dr. Pires de Carvalho;
ORGANIZAÇÃO: Associação 24 de Agosto.

“Os livros de autores portugueses sobre temas especificamente maçónicos escasseiam em Portugal.

O presente livro de António Lopes, na sequência de outros trabalhos seus, nomeadamente sobre a maçonaria nos Açores, é mais uma excepção no panorama editorial português, e um valioso contributo para a compreensão por parte do grande público de aspectos pouco conhecidos da maçonaria e dos seus ritos.

A maçonaria dita especulativa, a que se fixou a data fundadora de 1717, visa genericamente o aperfeiçoamento moral e espiritual do homem e o progresso da humanidade, propondo, para tanto, a todos quantos queiram aderir a esse projecto de valores de livre consciência, tolerância e acção nas sociedades, um percurso iniciático progressivo, que se traduz sumariamente na prática de ritos e rituais indutores de uma alta espiritualidade e de profundo significado simbólico e humano (…)

O estudo neste livro de António Lopes conduz-nos pela Maçonaria, pelo Rito Escocês Antigo e Aceito, e, em especial, pelo grau de cavaleiro Rosa Cruz, um dos graus de mais profundo significado no percurso iniciático de um maçon …” [in Prefácio, por Fernando Lima]

J.M.M.

REVISTA FRATERNIDADE, ANO I, Nº 0



REVISTA FRATERNIDADE – Ano 1, nº0, Primavera 6013, Figueira da Foz, p.96

[trata-se de uma curiosa revista – edição princeps - que “se reclama de cultural”, publicado pelo “Collegia Fabrorum Mondaecus", com residência na Figueira da Foz, e de tiragem muito reduzida].


TÁBUA: Atrium; Almeida Garrett [excerto de uma carta escrita ao seu irmão Alexandre …]; A Maçonaria e o Maio de 68 [com documentos raros do GOdF]; Augusto Goltz de Carvalho [Nos 100 Anos da sua morte]; A supressão do feriado de 5 de Outubro – maçonaria e memória; Sinédrio; Direitos Sociais; Manuel Fernandes Tomás [texto dito nas celebrações oficiais da Revolução Liberal e Homenagem a Manuel Fernandes Tomás, 2010]; Charles Darwin e a origem das espécies; Iniciação [poema de Fernando Pessoa]; Exórdio [compilação de textos esotéricos de Fernando Pessoa]; Viagem [poema]; Leão Tolstoi, “Guerra e Paz” [extratos do livro]; A prumo [texto iniciático]; If (Se), de Rudyard Kipling [versão portuguesa de Félix Bermudes]; 3 planos de gravitação; Fábula de Veneza, de Hugo Pratt [b.d., com pequena biografia de Hugo Pratt]; Vi Lela; Sebastião Magalhães Lima [desenho de Alfredo Cândido].      


J.M.M.

"O TEMPO E O MODO (1963-1977): REVISTA DE PENSAMENTO E ACÇÃO", POR GUILHERME DE OLIVEIRA MARTINS

Realiza-se hoje, 18 de Junho de 2013, pelas 18.30 h, na Biblioteca Museu República e Resistência/Espaço Cidade Universitária, em Lisboa, a última conferência do ciclo dedicado Das Revistas Políticas e Literárias do Estado Novo.

O conferencista hoje é Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura, que vai analisar a revista O Tempo e o Modo. Ele que conheceu por dentro a revista e os seus primeiros colaboradores, desde João Bénard da Costa, João José Cochofel, António Alçada Baptista, Eduardo Lourenço, António Ramos Rosa, Baptista Bastos, José Augusto França, Luís Francisco Rebelo, entre muitos outros.

Uma iniciativa a não perder.

A.A.B.M.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

ERA NOVA: REVISTA DO MOVIMENTO CONTEMPORÂNEO, NA HEMEROTECA DIGITAL DE LISBOA

Foi recentemente disponibilizada online, na Hemeroteca Digital de Lisboa, a revista Era Nova.

Continuando o excelente trabalho de divulgação de algumas das publicações portuguesas do século XIX e XX, foi agora a vez desta revista ligada ao movimento positivista, que atravessa a segunda metade do século XIX, e que contou com algumas das personalidades importantes ligadas à fase da propaganda republicana.

Esta revista publica-se durante pouco mais de um ano, mas exerceu alguma influência no movimento positivista português liderado por Teófilo Braga, mas que contou com colaboradores como Alves Correia, Teixeira Bastos, Silva Lisboa, Alexandre Conceição, Augusto Rocha, José Leite de Vasconcelos, José Augusto Vieira, Júlio de Matos, Silva Graça, entre vários outros.

Uma nota também para a ficha histórica sobre a publicação que pode ser descarregada/consultada AQUI, da autoria de Rita Correia.

A consultar, para perceber a formação do movimento positivista e a sua aliança com o movimento republicano durante o período final da Monarquia Constitucional.

A.A.B.M.

domingo, 16 de junho de 2013

PROCLAMAÇÃO: AO FUNCIONALISMO PÚBLICO



AO FUNCIONALISMO PÚBLICO. Camaradas! Chegou o momento de agir

Mais um pequeno mas significativo documento da História da I República.

Trata-se do manifesto que dá início à luta contra a carestia de vida desencadeada em Março de 1920 pela Associação de Classe dos Empregados do Estado, fundada no ano anterior, envolvendo funcionários públicos, dos Hospitais Civis, União do Professorado Primário - creio que foi a primeira greve onde participaram professores - e outros sectores, bem como pessoal dos Correios.

A greve começou no dia 4 de Março - a quinta-feira referida no panfleto - e terminou no dia 13, conseguindo os funcionários públicos a satisfação de algumas das suas reivindicações. Os empregados dos Correios prosseguiram a greve até ao dia 15, mas sem sucesso. Quer isto dizer que a greve dos funcionários públicos se prolongou por 10 dias

via ANTÓNIO VENTURA Facebook, com a devida vénia.
 
J.M.M.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

NOS 125 ANOS DO NASCIMENTO DE FERNANDO PESSOA


QUEM NOS ROUBOU A ALMA?” [F.P.] – Nos 125 Anos do Nascimento de Fernando Pessoa (13 de Junho de 1888).

[NOVO] Álbum de recortes de imprensa - AQUI na Hemeroteca Digital

J.M.M.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

I CONGRESSO I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO


Recebemos e partilhamos entre os potenciais interessados em participar no Congresso I República e Republicanismo, organizado pelo Instituto de História Contemporânea, da Universidade Nova de Lisboa e pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra e vai realizar-se em Coimbra nos próximos dias 4 e 5 de Outubro de 2013.

O call for papers está aberto a até ao próximo dia 15 de Junho a todos os investigadores interessados.
Segue abaixo o texto de divulgação do congresso:

O encontro I REPÚBLICA E REPUBLICANISMO é promovido pelo Centro de Documentação e Estudos sobre a História da I República e do Republicanismo.

O Centro República (www.centrorepublica.pt) tem por missão garantir a preservação e a disponibilização do património digital, bibliográfico e documental produzido e reunido no âmbito do Programa das Comemorações do Centenário da República e realizar iniciativas destinadas a promover a investigação e a elaboração de estudos científicos sobre a I República e o Republicanismo.

Entre essas atividades inclui-se a realização de um congresso anual dedicado à apresentação de estudos no domínio da História da I República e do Republicanismo.

O I Congresso do Centro República realizar-se-á em 2013, organizado pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20), e pelo Instituto de História Contemporânea (IHC) da FCSH – UNL.

O Congresso terá lugar em Coimbra, na Faculdade de Letras, nos dias 4 e 5 de Outubro de 2013.
Este importante fórum de discussão aberto e pluridisciplinar, decorridos que foram três anos sobre as comemorações do primeiro centenário da implantação da I República em Portugal, procurará analisar o caminho percorrido pela investigação em resultado das mais recentes conclusões, contribuindo ainda para que, a partir destas, se alargue o espaço de reflexão e de conhecimento sobre o republicanismo enquanto movimento político, ideológico, filosófico e cultural, mas também para que se renovem as interpretações sobre as experiências históricas concretas de afirmação e/ou rejeição do modelo republicano.

O encontro I República e Republicanismo reúne intervenções proferidas por conferencistas internacionais e nacionais convidados, bem como a apresentação de comunicações submetidas através de call for papers.

A seleção das propostas será orientada pelo propósito de garantir o máximo de qualidade, originalidade e diversidade dos trabalhos.

Call for Papers: as propostas de comunicação devem ser apresentadas num texto máximo de 500 palavras e devem ser acompanhadas por três palavras-chave. Os proponentes deverão juntar uma breve nota biográfica (200 palavras), assim como a filiação institucional e contactos do autor ou autores (email e telefone).

As comunicações têm a duração máxima de 30 minutos e poderão ser apresentadas em português, castelhano, inglês e francês.

Submissão das Propostas de comunicação: até 15 de Junho de 2013.
Data da comunicação aos autores dos resultados da submissão das propostas: 30 de Junho de 2013.
Divulgação do Programa: 31 de Julho de 2013.

Comissão Organizadora:
António Rafael Amaro (CEIS20)
João Paulo Avelãs Nunes (CEIS20)
Luís Farinha (IHC)
Maria Fernanda Rollo (IHC)
Vítor Neto (CEIS20)

Comissão Científica
António Pedro Pita, CEIS20, Universidade de Coimbra
António Reis, IHC e FCSH da Universidade Nova de Lisboa
António Ventura, FL da Universidade de Lisboa
Fernando Catroga, FL da Universidade de Coimbra
Joaquim Romero Magalhães, FE da Universidade de Coimbra
Luís Crespo de Andrade, CHC e FCSH da Universidade Nova de Lisboa
Luís Marques Alves, FL da Universidade do Porto
Luís Salgado de Matos, ICS, Universidade de Lisboa
Magda Pinheiro, CEHCP do Instituto Universitário de Lisboa
Maria de Fátima Nunes, CEHFCi e Universidade de Évora
Maria Fernanda Rollo, IHC e FCSH da Universidade Nova de Lisboa
Norberto Cunha, Universidade do Minho
Paulo Fontes, CEHR, Universidade Católica Portuguesa
Por favor envie as suas propostas de comunicação por e-mail para:



Com os nossos votos do maior sucesso.

[Nota: as imagens que ilustram a divulgação do call for papers são da nossa responsabilidade e foram retiradas daqui.]

A.A.B.M.

terça-feira, 11 de junho de 2013

JOSÉ DOMINGUES DOS SANTOS - O DEFENSOR DO POVO (1887-1958), POR ANTÓNIO JOSÉ QUEIROZ


Ainda recentemente o Almanaque Republicano referiu a apresentação desta obra na Assembleia da República, em conjunto com mais duas obras, ver AQUI.

No próximo dia 14 de Junho de 2013, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos, vai ser apresentada esta obra do Prof. António José Queiroz.

Vai apresentar a obra o deputado Alberto Martins.

José Domingues dos Santos é uma das figuras importantes do período final da República, tomando decisões polémicas e situando-se na chamada ala esquerda do Partido Democrático, os denominados canhotos sendo Ministro e Primeiro-Ministro em várias ocasiões. Podem encontrar-se alguma notas biográficas e textos com interesse sobre José Domingues dos Santos AQUI, AQUI e AQUI, este último também da autoria de António José Queiroz, embora de História Local, sobre "As Eleições de 1925 no Concelho de Amarante".

Uma obra que nos parece fundamental para compreender o papel desta personalidade e a influência que teve em determinado momento da vida portuguesa.

A.A.B.M.

DR. EDUARDO MAIA (PARTE II)

Existe uma curiosa carta de Nobre França a Friedrich Engels, datada de 24 de Junho de 1872 [Cf. Carlos da Fonseca, Integração e Ruptura Operária. Capitalismo, Associacionismo, Socialismo (1836-1875), Editorial Estampa, Lisboa, 1975, que publica um conjunto interessante de documentação operária desse período] em que ainda era estudante de medicina e o autor da carta o reconhece como tendo sido o autor de uma folheto que circulava anónimo, sobre a Comuna de Paris, que se publicou em Lisboa, intitulado A Comuna de Paris vista por um Verdadeiro Liberal. Além disso atribui-lhe a colaboração regular no jornal Pensamento Social, com vários artigos publicados ao longo da existência da publicação.

A saída de Eduardo Maia do republicanismo federal para o anarquismo terá acontecido devido às influências que sobre ele exerceu Tomás Gonzalez Morago, que juntamente com Francisco Mora e Anselmo Lorenzo estiveram em Portugal em 1871, numa missão para criar a secção portuguesa da Associação Internacional dos Trabalhadores. Esta acção foi importante, porque se estima que um ano depois desta viagem existiriam, em Portugal, vários milhares de aderentes, contando a região de Lisboa com 10 000 aderentes e 8 000 no Porto. Além da influência de Morago também se refere a leitura dos jornais anti-autoritários acabaram por influenciar a sua aberta adesão ao anarquismo sobretudo na sua linha bakunineana, tornando-se no fundador da corrente anarquista pós-proudhoniana em Portugal.

Anos mais tarde, Silva Pinto recorda-o num pequeno parágrafo, onde afirma: “Foi meu companheiro no período do jacobinismo. Depois perdi-o de vista e de notícia, até vir encontrá-lo, muito mais tarde, rico, médico e chamando nomes feios e deprimentes a Sousa Martins. Toda a gente se riu; eu não tive tempo para chorar.” [Cf. Silva Pinto, Pela Vida Fora: 1870-1900, Livraria Editora Guimarães, Libânio & Cª, Lisboa, 1900, p. 125].

Em 1876 é um dos responsáveis pelo discurso feito à beira da sepultura de José Fontana aquando da sua morte [cf. João Medina, As Conferências do Casino e o Socialismo em Portugal, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1984, p. 251-255].

A partir de 1879, Eduardo Maia adere ao anarco-comunismo de Kropotkine e segue a linha do jornal francês Le Revolté.

Em Abril de 1887 integra o Grupo Comunista-Anarquista de Lisboa, que publica o jornal Revolução Social e onde se destacaram personalidades como Hermenegildo António Martins, João António Cardoso, José Bacelar e Tiago Ferreira.

O Dr. Eduardo Maia escreveu, em 1888, um opúsculo de 32 páginas intitulado "Autoridade e Anarquia. Carta ao Exmo Sr. Conselheiro M. Pinheiro Chagas", rechaçando a impostura que se escondia por trás do episódio: “Agonia da monarquia” de que era porta-voz no parlamento e na imprensa o conhecido escritor e jornalista Manuel Pinheiro Chagas. Este tinha sido agredido pelo operário Manuel Joaquim Pinto, devido aos insultos que tinha dirigido a Louise Michel, a heroína da Comuna de Paris.

Em 1890 foi candidato a deputado pelo partido republicano pelo círculo eleitoral de Setúbal. Deve assinalar-se que os resultados eleitorais obtidos foram surpreendentes: pela primeira vez, o candidato republicano conquistou uma expressiva votação no círculo 80. Analisando com maior detalhe verifica-se que o Dr. Eduardo Maia ganhou na cidade de Setúbal, com 956 votos, contra 502 do seu adversário. Mesmo no concelho de Setúbal, o Dr. Eduardo Maia, com 1.077 votos, aproximou-se bastante do engenheiro Augusto Carlos Sousa Lobo Poppe (1850-1892), candidato do Partido Regenerador, que obteve 1.325. Por seu lado, no concelho de Alcácer do Sal, concelho que também integrava o círculo eleitoral de Setúbal, por acção do caciquismo local, em particular, devido ao papel importante de José Maria dos Santos, o candidato do Partido Regenerador alcançou uma expressiva vitória no concelho com 1266 votos, contra 52 no candidato republicano.

Em 1892 acabou por não se apresentar como candidato a deputado por Setúbal, por não estarem reunidas as condições necessárias para se conseguir a eleição de um candidato republicano, mas indicou aos seus votantes que deveriam votar em João Pinheiro Chagas. Nestas funções políticas, desenvolveu comícios e reuniões populares, destacando-se a sua facilidade de contacto com os mais pobres, ajudando os operários com mais parcos poderes sem exigir qualquer pagamento.

Foi também um dos sócios envolvidos por Sebastião de Magalhães Lima na criação do jornal Vanguarda em 1891, contribuindo com o seu poder económico para consolidar a empresa jornalística ligada aos republicanos.

Em 1894 pertencia ao grupo Revolução Social, de que era animador juntamente com J. M. Gonçalves Viana.

No dia 27 de Janeiro de 1897, foi acometido de uma congestão cerebral, que acabou por o levar ao falecimento em 3 de Fevereiro de 1897, com 52 anos. No seu funeral, realizado civilmente, para o cemitério do Alto de S. João, discursaram junto ao féretro Manuel José Martins Contreiras, Gomes da Silva, Faustino da Fonseca, Martins Vagueiro, Agostinho da Silva, António Maria de Miranda e Brito, e Augusto de Figueiredo.
Foi seu testamenteiro Augusto César Correia.

Publica:
- A Comuna por um verdadeiro liberal: A origem da 1ª Internacional, Lisboa, Typ. Do Futuro, 1871;
- A Internacional, Sua História, Sua Organização e seus Fins, Lisboa, 1873;
- Da Propriedade (Conferência), Lisboa, 1873;
- A Autoridade e a Anarquia. Carta ao Exmo Sr. Conselheiro M. Pinheiro Chagas, Lisboa, 1888 (2ª ed., Porto, Tip. Insular, 1907)


Colabora nas seguintes publicações periódicas:
- Noventa e Três
- Pátria
- Partido do Povo
- O Pensamento Social
- O Protesto
- Povo Republicano
- O Rebate
- O Revoltado,  Lisboa, 1897;
- O Século:
- Sufrágio Universal
- Transmontano
- Vanguarda

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA:
Diário de Lisboa, 04-02-1897, Ano 26, nº 8578, p. 1, col. 4;
Vanguarda, Lisboa, 04-02-1897, Ano II (VII), nº 84 (2029), p. 1, col. 6; p. 2, col. 1;
Voz Pública, Porto, 04-02-1897, Ano 8, nº 2101,  p. 2, col. 7;

FONSECA, Carlos da, A Origem da 1ª Internacional em Lisboa, Editorial Estampa, 1973;
FONSECA, Carlos da, Integração e Ruptura Operária. Capitalismo, Associativismo e Socialismo (1836-1875), Editorial Estampa, Lisboa, 1975;
MEDINA, João, As Conferências do Casino e o Socialismo em Portugal, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1984;
PINTO, Silva, Pela Vida Fora: 1870-1900, Livraria Editora Guimarães, Libânio & Cª, Lisboa, 1900.

A.A.B.M.

domingo, 9 de junho de 2013

CANCIONEIRO MUSICAL PORTUGUEZ


G.[Gustavo] R.[Romanoff] Salvini, “Cancioneiro Musical Portugueza. Quarenta melodias na língua portugueza com acompanhamento de Piano compostas Letras dos principaes poetas portuguezes”, Lisboa, David Corazzi (Empreza Horas Romanticas), 1884, 2ª ed, XVI+240 pags [capa de Rafael Bordalo Pinheiro]

Porque apenas esta edição tem capa desenhada por Bordalo Pinheiro, tornou-se peça de procura coleccionista. Mas a sua importância vai mais longe, procura impor a língua nacional no seio das artes musicais; palavras do autor:

«[...] Os dilletanti portuguezes gostam de cantar em italiano, do qual ás vezes não entendem palavra, e não só não tem remorsos d’abandonar a sua lingua ás cantigas do povo, mas não se aventurariam mesmo a cantar n’ella um romance nos nossos salões e concertos! [...]» E um tal provincianismo não encontra alibi num país com poetas (aqui representados) como Alexandre Braga, João de Deus, Gonçalves Crespo, Garrett, Guerra Junqueiro, João de Lemos, até o próprio Camilo... [AQUI]

via FRENESI

J.M.M.

sábado, 8 de junho de 2013

X CURSO LIVRE DE HISTÓRIA DO ALGARVE: OS INTELECTUAIS NO ALGARVE (SÉCS. XVIII -XIX)

No próximo mês de Julho, realiza-se na Universidade do Algarve, o X Curso Livre de História do Algarve. Este ano subordinado ao tema Intelectuais no Algarve (Séculos XVIII e XIX).

Ao longo de nove sessões a realizar ao longo do mês, um conjunto de investigadores vai apresentar alguns elementos da sua pesquisa sobre a História da região e sobre as personalidades que se destacaram ao longo dos séculos XVIII e XIX. Assim, vão ser tratadas as seguintes:
O Reino do Algarve Da Restauração Económica à Restauração Cultural, por Patrícia Palma;
- Francisco Fernandes Lopes (1864-1969), por Andreia Fidalgo;
- D. Francisco Gomes do Avelar (1739-1816), por Marco Sousa Santos;
- Ataíde Oliveira (1842-1915), por José Joaquim Dias Marques;
- Manuel Viegas Guerreiro (1912-1997), por Luís Guerreiro;
- José de Sande Vasconcelos (1730?-1808), por Daniela Nunes Pereira;
- Mateus Moreno (1892-1970), por António Paulo Oliveira;
- Maria Veleda (1871-1955), por Salomé Horta;
- Sebastião Estácio da Veiga (1828-1891), por Ismael Estevens Medeiros.

Os contactos para inscrição no curso constam na parte inferior do cartaz que apresentamos ou pode ser AQUI. Mas, ao consultarmos o cartaz, verificamos que ele é muito pequeno e dificulta a leitura, as inscrições devem ser feitas para:

Serviços de Secretariado da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (UALG)
Telf. 289 800 914

Uma organização do Centro de Estudos de Património e História do Algarve.
Departamento de Artes e Humanidades da Universidade do Algarve.


Uma excelente oportunidade para conhecer um pouco melhor alguns dos intelectuais que viveram ou nasceram na região algarvia nos século XVIII e XIX e o seu papel no contexto da época. A não perder!

A.A.B.M.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

FIGURAS DO JUDICIÁRIO (SÉC. XIX E XX): COLÓQUIO

Realiza-se amanhã, 7 de Junho de 2013, no Salão Nobre do Supremo Tribunal de Justiça, um interessante colóquio Figuras do Judiciário (Sec. XIX - XX), organizado pela Associação Sindical dos Juízes Portugueses e pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Neste colóquio algumas palestras recordam figuras importantes do Direito Português, advogados, professores, juízes e outras personalidades ligadas ao movimento judiciário em Portugal em Portugal.
Destacam-se, entre outras, a revisitação aos primeiros presidentes do Supremo Tribunal de Justiça, as figuras de José da Silva Carvalho, Augusto Carlos Cardoso Pinto Osório, José Maria Barbosa de Magalhães, Adelino da Palma Carlos, Manuel Rodrigues Júnior, Octávio Dias Garcia e Manuel Cavaleiro Ferreira.

Entre os conferencistas convidados contam-se Isabel Graes, Nuno Camarinhas, Luís Eloy Azevedo, José António Barreiros, Luís Bigotte Chorão, Paulo Dá Mesquita, Maria da Glória Garcia e Paulo Pinto de Albuquerque.

Como se afirma na cartaz de divulgação do evento, num momento em que se assiste ao regresso do indivíduo, o retorno do indivíduo como protagonista da história tem suscitado um  interesse crescente. No domínio do judiciário português está quase tudo por desvendar em torno das suas maiores figuras.

Um excelente oportunidade para trocar conhecimentos e aprender mais sobre algumas das personalidades que vão ser analisadas. 

A.A.B.M

quarta-feira, 5 de junho de 2013

ROCHA MARTINS - CONTRA O PODER, ESCREVER, ESCREVER


"Perante um país sufocado, deprimido e amordaçado pela ditadura de Salazar ouviam-se, em períodos eleitorais, os ardinas de Lisboa, ao fim da tarde, que gritavam ao anunciar a jornal "República". Fala o Rocha! Fala o Rocha! Fala o Rocha... Eram os libelos, em forma de cartas, da autoria de Francisco José Rocha Martins. Tinham como principais destinatários o primeiro-ministro, Salazar; o Presidente da República, general Óscar Carmona ("o general de tomates cor de rosa" conforme o definiu Raul Proença); o patriarca de Lisboa, cardeal Gonçalves Cerejeira, e outras personalidades das cúpulas que asseguraram a manutenção e funcionamento das estruturas do regime.

Rocha Martins - jornalista ardoroso e combativo que se evidenciara, logo no começo do seculo XX, entre políticos e intelectuais, e, fundamentalmente, junto das camadas populares - tinha um percurso versátil, mas possuía capacidade de enfrentar o poder constituído. Principiou a carreira num jornal monárquico, o "Diário Popular", de Mariano de Carvalho; prosseguiu na "Vanguarda", dirigida par Magalhães Lima, grão-mestre da maçonaria; ligou-se depois a João Franco e à ditadura que implantou, no "Jornal da Noite"; foi braço direito de Malheiro Dias na "Ilustração Portuguesa".

Proclamada a Republica combateu-a no "Liberal". Editou os panfletos "Fantoches", notas semanais escaldantes sobre acontecimentos políticos arrasando Afonso Costa e a Partido Democrático. Foi deputado no consulado de Sidónio Pais. Fundou e dirigiu a semanário "ABC" (de 1920 a 1930) que apoiou a 28 de Maio e a arrancada do general Gomes da Costa. Contava com a publicidade do Bristol Club - famoso cabaré e urna das mais concorridas salas de jogo. Os anúncios do Bristol Club estavam explícitos no alto das capas concebidas par Jorge Barradas, Stuart, António Soares, Emmérico Nunes e outros artistas do Modernismo. Da redacção faziam parte desde burocratas para serviços de expediente até nomes em ascensão literária como Ferreira de Castro, Mário Domingues e Reinaldo Ferreira, a mítico, mitómano e cocainómano Repórter X.

Rocha Martins dirigiu de 1932 a 1943 o "Arquivo Nacional", outro semanário que divulgava factos, acontecimentos, biografias e memórias de contemporâneos e de figuras de outras épocas, quase sempre marcadas pela controvérsia. Era editor Américo de Oliveira, maçom e carbonário, chefe dos civis que resistiram ao lado de Machado Santos, na Rotunda.

Quando muitos se surpreendiam por vê-lo, com a oposição republicana, a insurgir-se contra o salazarismo e a reclamar a República, Rocha Martins, justificava que se libertara da fidelidade ao rei e a monarquia com a morte de D. Manuel, em Julho de 1932.

No "ABC" e no "Arquivo Nacional" publicou (para depois reunir em volume) João Franco, a sua política, os seus políticos e adversários; os reinados turbulentos de D. Carlos e D. Manuel; os governos de Pimenta de Castro e Sidónio Pais; a tentativa de restauração monárquica, liderada por Paiva Couceiro, em 1919; os bastidores e o triunfo da ditadura militar de 1926 e a chegada ao poder de Salazar.

Na continuidade dos folhetins de Pinheiro Chagas, Campos Júnior e Eduardo Noronha, a história em rodapé de jornais e em fascículos a vender ao domicílio, lançou com efabulação patriótica, emocional e satírica, diversos romances e editou com prefácio e notas "Palmela na Emigração", que lhe valeu o acesso a sócio correspondente da Academia das Ciências, a partir de 13 de Março de 1916. Os historiadores e eruditos apontavam-lhe falhas e erros. Foi, mais tarde, rejeitada a candidatura a sócio efectivo da Academia das Ciências.

Viveu exclusivamente da escrita. Encerradas as redacções do "ABC" e do "Arquivo Nacional", repartia-se em colaborações assíduas no "Diário de Notícias", no "Primeiro de Janeiro", no "Comércio do Porto" e no "República". A popularidade de Rocha Martins ganhou nomeada no tempo do MUD, na candidatura de Norton de Matos e de Quintão Meireles, devido as cartas, estampadas a toda a largura da primeira página, do jornal "República".

Privou de perto com muita gente de todos os sectores políticos e partidários. Poi iniciado na maçonaria - conforme comprovei no arquivo do Grande Oriente Lusitano (GOL) - na loja Simpatia e União, a 31 de Maio de 1906, tal corno Carlos Malheiro Dias, em 1896, na loja Luís de Camões, no tempo em que lá estava Luz de Almeida. Ambos saíram mas ficaram a conhecer o que lhes interessava. Um contínuo de "O Século" que pertencia à Carbonária, a troco de pequenos favores, deu a Rocha Martins muitas informações, a avaliar pelo que escreveu em "Vermelhos Brancos e Azuis".

Rocha Martins deixou a sua biblioteca a Sociedade Voz do Operário, mas é muito difícil de consultar. Escreveu memórias políticas e pessoais. Ao falecer, a 23 de maio de 1952, Rocha Martins tinha em preparação a "História da Ditadura Portuguesa" e o acabamento de pormenores das memórias, cujo manuscrito tive oportunidade de ver, numa letra quase ilegível. Encontrava-se na posse de Jaime Carvalhão Duarte, já falecido, um dos filhos de Carvalhão Duarte, director do "República". Disse-lhe que estava disponível para anotar e publicar, desde que o texto fosse decifrado.
 
As memórias de Rocha Martins não foram legadas a Fundação Mário Soares, com outros documentos, por Sérgio Carvalhão Duarte e sua mulher, Luísa Irene Dias Amado. Tem contributos de muito interesse - pelo que verifiquei na altura - para esclarecer, no contexto dos séculos XIX e XX, versões bastante divergentes da História conhecida e do papel atribuído a alguns protagonistas"
 
ANTÓNIO VALDEMAR - "Rocha Martins Contra o Poder, escrever, escrever", in Revista do EXPRESSO (100 Anos 100 Portugueses), 1 de Junho de 2013, p. 62 - sublinhados nossos.
 
J.M.M.

ANTÓNIO ROSA MENDES (1954-2013): IN MEMORIAM

Nascido em Vila Nova de Cacela, em 1954, António Manuel Nunes Rosa Mendes licenciou-se em Direito e História e doutorou-se em História, em 2004, com a tese sobre Damião António de Lemos Faria e Castro (1715-1789). Cultura e Política no Algarve Setecentista, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve.

Era professor na Faculdade de Ciências Humanas e Sociais, leccionou as disciplinas de História da Cultura, História do Algarve e Direito do Património Cultural. Actualmente era Director da Biblioteca da Universidade. 

Nos últimos anos coordenava o curso de mestrado em História do Algarve e era o responsável pelo Centro de Estudos de Património e História do Algarve (CEPHA).

Em 2005 foi presidente de Faro, Capital Nacional da Cultura.

António Rosa Mendes era geralmente apontado como um personagem comprometido com a região algarvia, com uma sólida personalidade e uma cultura invejável, sempre disponível para as iniciativas que conduzissem à valorização do conhecimento.
Realizou inúmeras conferências pela região e pelo País e no estrangeiro.
Publicou, entre outras os seguintes textos: A Fundação de Vila Real de St. António vista por um estrangeiro, 1984.Mais tarde a sua dissertação de mestrado intitulava-se Ribeiro Sanches e o Marquês de Pombal / intelectuais e poder no absolutismo esclarecido, Universidade Nova de Lisboa, foi publicada em 1998. Depois colaborou na História de Portugal, dirigida pelo Prof. José Mattoso, no volume III. No Alvorecer da Modernidade, coordenado pelo Prof. Joaquim Romero Magalhães, com um artigo intitulado A vida cultural, 1993, p. 375-383; 1755  / terramoto no Algarve, 2005; Espírito e poder  / Tavira nos tempos da modernidade (com Francisco Lameira e José Carlos Vilhena Mesquita), 2006; Escritor algarvio do século XVIII em Ayamonte: Damião Antònio de Lemos Faria e Castro, Separata das: XI Jornadas de Història de Ayamonte, 2007, p. 79-86; Manuscrito de João da Rosa  / 1808-2008, 2008; Olhão fez-se a si próprio, 2009; Brito Camacho e o Algarve, in Viajantes, Escritores e Poetas: Retratos do Algarve, 2009; Vila Real de Santo António e o Urbanismo Iluminista , coordenação do catálogo da exposição, 2010; Algarve 100 anos de República, 100 personalidades 1910-2010 (em parceria com Neto Gomes),  2010; Alcoutim - Terra de Fronteira, 2010; Faro  / roteiros republicanos, 2010Castro Marim, baluarte defensivo do Algarve, 2010; Olhão nos primeiros dias da República, 2010; publicou ainda A Peregrinação e a peregrinação de Fernão Mendes Pinto, 2011; "Um bispo reformador, D. Inácio de Santa Teresa, 1741-1751", in Anais do Município de Faro, 2012, p. 27-37;  O Que é Património Cultural, 2012; Manuel Veneno, in Al gharb  / nº 00  / p. 11-13.
Fundador da editora algarvia Gente Singular.
Depois de algumas semanas hospitalizado no Hospital de Faro, a situação de saúde debilitada agravou-se com outras complicações e acabou por conduzir ao seu falecimento em 4 de Junho de 2013.
Um historiador algarvio, apaixonado pelas temáticas regionais e também um amigo. 
Com as nossas condolências aos familiares e amigos neste momento triste.
A.A.B.M.

terça-feira, 4 de junho de 2013

CARLOS CALLIXTO: JORNALISTA DESPORTIVO (1913-2013)

Realiza-se amanhã, no Palácio Foz, em Lisboa, a apresentação da obra Carlos Callixto: Jornalista Desportivo (1913-2013).


Carlos Callixto nasceu em Serpa a 03-03-1862.
Foi uma figura política de relevo e conhecido jornalista, para além de ter sido um dos principais impulsionadores do automobilismo nacional. Propagandista republicano, colabora em várias publicações como Almanaque Vitória da República, no Século, Vanguarda, País, Debate, Marselheza, Pátria e em especial no diário republicano A Lucta.

Foi correspondente do diário francês L´Auto-Vélo e foi um dos organizadores da célebre corrida de automóveis Figueira da Foz - Lisboa, disputada em 1902, vindo a ser, poucos meses mais tarde, um dos fundadores do Automóvel Club de Portugal e o seu primeiro Secretário-Geral, cargo que ocupou até à data de sua morte. 

Pertenceu à direcção do Centro Fraternidade Republicana.

Deputado da Nação e chefe de gabinete do Ministro do Fomento, em parte também se lhe deve a publicação do primeiro Código da Estrada, a 27 de Maio de 1911. 

Jornalista, activo dirigente desportivo, professor, deputado à Assembleia Nacional Constituinte, funcionário superior ao Congresso da República e popular tribuno. É considerado o primeiro jornalista desportivo português, tendo-se iniciado em 1885 nas páginas de O Século, incidindo a sua actividade jornalística desportiva sobre o ciclismo (fundou a União Velocipédica Portuguesa), o tiro (fundou a União dos Atiradores Civis Portugueses) e o Automobilismo (fundou o Automóvel Clube de Portugal).

Sobre a personalidade em apreço encontram-se alguns dados biográficos AQUIAQUI e AQUI.

A obra vai ser apresentada por Francisco Pinheiro, António Florêncio e Vasco Callixto.

A.A.B.M.

domingo, 2 de junho de 2013

DR. EDUARDO MAIA (PARTE I)

Nasceu em Alijó, distrito de Vila Real, a 8 de Janeiro de 1845.

Ingressou na Escola Médico Cirúrgica de Lisboa, onde apresentou a sua tese subordinada ao título Ruptura do Útero, sendo presidente do jurí José Eduardo de Magalhães Coutinho e como examinadores Manuel Nicolau Bettencourt Pitta, Pedro Francisco Alvarenga, Joaquim Teotónio da Silva e José Gregório Teixeira Marques. Enquanto estudante de medicina, curso que  fez com o apoio dos irmãos e durante o qual se dedicou ao ensino secundário.

Exerceu actividade clínica em Lisboa, tendo inicialmente um consultório homeopático e a partir de 1882 instala-se no Hotel da Saúde, a Rua Saraiva de Carvalho.

Foi um dos fundadores da Associação do Registo Civil em 1876. Além disso foi ainda um dos fundadores da Federação Académica de Lisboa.

Casou em 9 de Setembro de 1877 com Júlia de Faria Maia, celebrando-se a cerimónia na Igreja de S. Nicolau.

Desde muito cedo envolvido na vida política, colaborando na imprensa política da época, em particular a republicana, mas também a socialista e anarquista. Participando no Centro Promotor dos Melhoramentos das Classes Laboriosas foi convidado, em 1872, a participar como relator, na comissão redactora dos novos estatutos para a associação operária juntamente com José Fontana, Sousa Brandão, Nobre França e Luís Eça. Esses estatutos foram aprovados em reunião de 8 de Março de 1872. A propósito, o Dr. Eduardo Maia, assume em 1873, a sua função de membro da secção portuguesa da Associação Internacional dos Trabalhadores e um dos primeiros anarquistas do País, publica nesse ano A Internacional, Sua História, Sua Organização e seus Fins. Colaborando no jornal República Federal, que se publicou em Lisboa que saúdam com entusiasmo a proclamação da República em Espanha em 12 de Fevereiro de 1873. Nessa fase viu dois dos seus artigos serem querelados judicialmente pelas autoridades, facto que demonstra a dureza dos seus escritos. Sabe-se que o Dr. Eduardo Maia esteve também ligado ao primeiro directório do partido republicano, mas que rapidamente se desvinculou do mesmo devido às várias cisões internas a que se assistiram nesse período. Terá participado nas reuniões iniciais mas depois afastou-se desta agremiação política. Era ainda um dos elementos da tertúlia que habitualmente se reunia na Livraria Nova Internacional de Carrilho Videira, juntamente com Silva Pinto, Nobre França, Silva Lisboa e Martins Contreiras.

O seu percurso político inicia-se com o republicanismo federal depois envereda pelo socialismo libertário. Após o congresso da Associação Internacional de Trabalhadores realizado em Haia, em 1872, Eduardo Maia desenvolve claramente uma actividade libertária, convertendo-se mesmo ao anarco-comunismo de Kroptkine, em 1879, facto que assume com naturalidade, mas que é muito criticado pela sociedade do seu tempo, quando essa situação era extremamente rara.

O falecimento do Dr. Ayres Maia, em 1874, irmão de Eduardo Maia e, tudo indica, o primeiro funeral civil que se realizou em Lisboa. Esta situação acabou por gerar alguma polémica, pois no jornal Nação, surgiram alguns artigos do pároco de Santa Justa criticando esta situação e sobretudo o aproveitamento feito pelos defensores do Registo Civil. A estas publicações respondeu o Dr. Eduardo Maia com a publicação de uma carta opúsculo em que defendia a memória do irmão falecido.

[em continuação]

A.A.B.M.